<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0807-8967</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Diacrítica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Diacrítica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0807-8967</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0807-89672012000100013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Português Europeu e a colocação dos pronomes átonos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[European Portuguese and the position of clitic pronouns]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vieira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria de Fatima]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>26</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>300</fpage>
<lpage>330</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0807-89672012000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0807-89672012000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0807-89672012000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A presente investigação versa sobre a colocação dos pronomes átonos em relação a um e a mais de um constituinte verbal, tendo como foco a modalidade oral do Português Europeu popular a partir de um conjunto de registros do fim do século XX. De cunho variacionista (WEINREICH, LABOV & HERZOG, 1968; LABOV, 1972, 1994), a atual pesquisa, que busca sistematizar os parâmetros da ordem dos clíticos pronominais (KLAVANS, 1985), determina as variáveis linguísticas e extralinguísticas que se mostram relevantes em contextos com um e mais de um verbo. Para tanto, observa as ocorrências pré-verbal (Não se faz) e pós-verbal (Faz-se), em relação às lexias verbais simples, bem como as variantes pré-complexo verbal (Não se pode fazer), intra-complexo verbal (Pode-se fazer) e pós-complexo verbal (Pode fazer-se), nas estruturas com mais de uma forma verbal. O estudo conta com dados do Português Europeu extraídos do corpus CORDIAL-SIN, que contém registros orais da fala de informantes não escolarizados do final do século XX, coletados de diversas regiões de Portugal. Com o auxílio do instrumental técnico-computacional GOLDVARB-X, analisam-se sociolinguisticamente as ocorrências coletadas no material. Vale ressaltar que o presente trabalho colabora para a ampliação dos estudos referentes à colocação dos pronomes átonos, já que não só confirma resultados de pesquisas anteriores (Vieira, 2002), como tambémacrescenta informações a respeito dos padrões de uso do Português Europeu popular, ao determinar o condicionamento linguístico e extralinguístico das estruturas sob análise.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present investigation concerns about object clitic pronouns positioning in relation to single word verbs and compound ones, keeping its focus on the oral modality of popular European Portuguese, departing from a set of records collected at the end of the twentieth century. Variationist nature (WEINREICH, LABOV & HERZOG, 1968, LABOV, 1972, 1994) of the current research, which aims at providing information about the parameters of the clitic pronouns order (KLAVANS, 1985), determines linguistic and extra-linguistic variables that turn out to be relevant in contexts with single or compound verbs. For this purpose, pre-verbal (Não se faz) and post-verbal (Faz-se) occurrences, with single word verbs, as well as the variants pre-verbal complex (Não se pode fazer), intra-complex verbal (Pode-se fazer) and post-verbal complex (Pode fazer-se), in structures with more than one verbal form, have been observed. The study is supplied with European Portuguese data extracted from the corpus CORDIAL-SIN, which contains oral records produced by unschooled informants from several regions of Portugal, by the end of the twentieth century. With the assistance of the techno-computational program GOLDVARB-X, occurrences collected from the material have been sociolinguistically analysed. It's worth enhancing that the current work contributes to amplify the studies regarding object pronouns positioning, once it does not only confirm previous results (VIEIRA, 2002), but also aggregates further information respective to the usual pattern of popular European Portuguese, as it determines linguistic and extra-linguistic restrictions of the structures under analysis]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Colocação Pronominal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sociolinguística]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Cliticização]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Português Europeu]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Pronominal order]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Sociolinguistic]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Cliticization]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[European Portuguese]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p> <b>O Portugu&ecirc;s Europeu e a coloca&ccedil;&atilde;o dos pronomes &aacute;tonos</b> </p>     <p> <b>European Portuguese and the position of clitic pronouns</b> </p>      <p> <b>Maria de Fatima Vieira*</b> </p>     <p> *Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Letras Vern&aacute;culas. Rio de Janeiro, Brasil. </p>      <p><a href="mailto:fatima_ufrj@yahoo.com.br">fatima_ufrj@yahoo.com.br</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p> A presente investiga&ccedil;&atilde;o versa sobre a coloca&ccedil;&atilde;o dos pronomes &aacute;tonos em rela&ccedil;&atilde;o a um e a mais de um constituinte verbal, tendo como foco a modalidade oral do Portugu&ecirc;s Europeu popular a partir de um conjunto de registros do fim do s&eacute;culo XX. De cunho variacionista (WEINREICH, LABOV &amp; HERZOG, 1968; LABOV, 1972, 1994), a atual pesquisa, que busca sistematizar os par&acirc;metros da ordem dos cl&iacute;ticos pronominais (KLAVANS, 1985), determina as vari&aacute;veis lingu&iacute;sticas e extralingu&iacute;sticas que se mostram relevantes em contextos com um e mais de um verbo. Para tanto, observa as ocorr&ecirc;ncias pr&eacute;-verbal (<i>N&atilde;o se faz</i>) e p&oacute;s-verbal (<i>Faz-se</i>), em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s lexias verbais simples, bem como as variantes pr&eacute;-complexo verbal (N<i>&atilde;o se pode fazer</i>), intra-complexo verbal (<i>Pode-se fazer)</i> e p&oacute;s-complexo verbal (<i>Pode fazer-se</i>), nas estruturas com mais de uma forma verbal. O estudo conta com dados do Portugu&ecirc;s Europeu extra&iacute;dos do <i>corpus</i> CORDIAL-SIN, que cont&eacute;m registros orais da fala de informantes n&atilde;o escolarizados do final do s&eacute;culo XX, coletados de diversas regi&otilde;es de Portugal. Com o aux&iacute;lio do instrumental t&eacute;cnico-computacional GOLDVARB-X, analisam-se sociolinguisticamente as ocorr&ecirc;ncias coletadas no material. Vale ressaltar que o presente trabalho colabora para a amplia&ccedil;&atilde;o dos estudos referentes &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o dos pronomes &aacute;tonos, j&aacute; que n&atilde;o s&oacute; confirma resultados de pesquisas anteriores (Vieira, 2002), como tamb&eacute;macrescenta informa&ccedil;&otilde;es a respeito dos padr&otilde;es de uso do Portugu&ecirc;s Europeu popular, ao determinar o condicionamento lingu&iacute;stico e extralingu&iacute;stico das estruturas sob an&aacute;lise. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Coloca&ccedil;&atilde;o Pronominal, Sociolingu&iacute;stica, Cliticiza&ccedil;&atilde;o, Portugu&ecirc;s Europeu.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p> The present investigation concerns about object clitic pronouns positioning in relation to single word verbs and compound ones, keeping its focus on the oral modality of popular European Portuguese, departing from a set of records collected at the end of the twentieth century. Variationist nature (WEINREICH, LABOV &amp; HERZOG, 1968, LABOV, 1972, 1994) of the current research, which aims at providing information about the parameters of the clitic pronouns order (KLAVANS, 1985), determines linguistic and extra-linguistic variables that turn out to be relevant in contexts with single or compound verbs. For this purpose, pre-verbal (<i>N&atilde;o se faz</i>) and post-verbal (<i>Faz-se</i>) occurrences, with single word verbs, as well as the variants pre-verbal complex (<i>N&atilde;o se pode fazer</i>), intra-complex verbal (<i>Pode-se fazer</i>) and post-verbal complex (<i>Pode fazer-se</i>), in structures with more than one verbal form, have been observed. The study is supplied with European Portuguese data extracted from the <i>corpus</i> CORDIAL-SIN, which contains oral records produced by unschooled informants from several regions of Portugal, by the end of the twentieth century. With the assistance of the techno-computational program GOLDVARB-X, occurrences collected from the material have been sociolinguistically analysed. It's worth enhancing that the current work contributes to amplify the studies regarding object pronouns positioning, once it does not only confirm previous results (VIEIRA, 2002), but also aggregates further information respective to the usual pattern of popular European Portuguese, as it determines linguistic and extra-linguistic restrictions of the structures under analysis </p>     <p><b>Keywords</b>: Pronominal order, Sociolinguistic, Cliticization, European Portuguese.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>1- Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>      <p>O presente artigo tem como principal objetivo o estudo sociolingu&iacute;stico da coloca&ccedil;&atilde;o dos pronomes obl&iacute;quos &aacute;tonos na modalidade oral popular  dialetal do Portugu&ecirc;s Europeu (PE). Para tanto, observa-se o comportamento dos cl&iacute;ticos pronominais em entrevistas produzidas no final do s&eacute;culo XX  por indiv&iacute;duos n&atilde;o escolarizados. Consideram-se estruturas com um e mais de um verbo, as quais ser&atilde;o chamadas, doravante, respectivamente, de  <i>lexias verbais simples</i> e <i>complexos verbais.</i><sup><a href="#1" name="top1" >[1]</a></sup></p>      <p>No que se refere &agrave;s lexias verbais simples, os dados que ser&atilde;o analisados poder&atilde;o aparecer em pr&oacute;clise (N&atilde;o <b><i>se vive</i></b> melhor aqui) ou &ecirc;nclise (<b><i>Vive-se</i></b> melhor aqui).<sup><a href="#2" name="top2" >[2]</a></sup> Em rela&ccedil;&atilde;o aos complexos verbais, os dados poder&atilde;o ocupar as seguintes posi&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#3" name="top3" >[3]</a></sup>: pr&eacute;-complexo verbal (N&atilde;o <b><i>se pode viver</i></b> melhor aqui); intra-complexo verbal (<b><i>Pode-se viver</i></b> melhor aqui); e p&oacute;s-complexo verbal (<b><i>Pode viver-se</i></b> melhor aqui). </p>      <p>De cunho variacionista, a investiga&ccedil;&atilde;o inscreve-se no arcabou&ccedil;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gico da <i>Sociolingu&iacute;stica Variacionista</i>, de orienta&ccedil;&atilde;o laboviana (WEINREICH, LABOV &amp; HERZOG, 1968; LABOV, 1972, 1994) e na proposta de par&acirc;metros de cliticiza&ccedil;&atilde;o (KLAVANS, 1985). </p>      <p>Klavans (1985) prop&otilde;e categorizar as l&iacute;nguas do mundo segundo par&acirc;metros de cliticiza&ccedil;&atilde;o. Assim, a fim de investigar a natureza da depend&ecirc;ncia do cl&iacute;tico com seu hospedeiro, a autora (1985:97-98) prop&otilde;e que atuem de forma independente os componentes sint&aacute;tico e fonol&oacute;gico, de modo que o hospedeiro sint&aacute;tico n&atilde;o precise ser necessariamente o hospedeiro fonol&oacute;gico do pronome &aacute;tono. Dessa forma, os pronomes &aacute;tonos podem estar ligados sintaticamente a um hospedeiro e fonologicamente a outro, o que permite, dado o recorte epistemol&oacute;gico proposto, o foco espec&iacute;fico no componente sint&aacute;tico que se apresenta neste artigo.</p>      <p>Do arcabou&ccedil;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gico da Sociolingu&iacute;stica Laboviana, tamb&eacute;m chamada de Sociolingu&iacute;stica Quantitativa, ou Teoria da Varia&ccedil;&atilde;o e Mudan&ccedil;a, adota-se o pressuposto geral de que o fen&ocirc;meno da varia&ccedil;&atilde;o – que precede necessariamente o da mudan&ccedil;a lingu&iacute;stica – se d&aacute; em todos os sistemas lingu&iacute;sticos de modo n&atilde;o arbitr&aacute;rio. Em outras palavras, a varia&ccedil;&atilde;o &eacute; inerente &agrave; l&iacute;ngua e n&atilde;o ocorre aleatoriamente, uma vez que vari&aacute;veis do tipo lingu&iacute;stico e extralingu&iacute;stico (des)favorecem o processo de varia&ccedil;&atilde;o e/ou mudan&ccedil;a. Sendo assim, interessa fundamentalmente investigar o chamado problema das restri&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas e extralingu&iacute;sticas (WEINREICH, LABOV &amp; HERZOG, 1968) que puderam ser controladas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o desenvolvimento da an&aacute;lise, foram coletados todos os dados de cl&iacute;ticos pronominais em lexias verbais simples e em complexos verbais produzidos por dois informantes (um homem e uma mulher) de dezesseis localidades do CORDIAL-SIN, <i>corpus</i> Dialetal para o Estudo da Sintaxe do Portugu&ecirc;s Europeu.</p>      <p>As vari&aacute;veis extralingu&iacute;sticas que puderam ser estudadas, de acordo com as possibilidades oferecidas pelo <i>corpus</i>, foram a localidade e o sexo de cada informante. Levando-se em conta o sexo do informante e o n&uacute;mero de inqu&eacute;ritos com 15 a 25 p&aacute;ginas dispon&iacute;veis, foi poss&iacute;vel considerar os dados de dois informantes de dezesseis localidades, dentre as quarenta e duas contempladas no CORDIAL-SIN, como pode ser observado no mapa a seguir:</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/dia/v26n1/26n1a13m1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Dentre essas localidades, foram coletados os dados de dois informantes<sup><a href="#4" name="top4" >[4]</a></sup> das dezesseis localidades, conforme se descreve abaixo:</p>      <p>8: MST - Monsanto (Castelo Branco) – Informantes: Am&aacute;lia e Ambr&oacute;sio</p>      <p>11: OUT - Outeiro (Bragan&ccedil;a) – Informantes: Astreia e Austrino</p>      <p>14: FIG - Figueir&oacute; da Serra (Guarda) – Informantes: Arnaldina e Apeles</p>      <p>15: ALV - Alvor (Faro) – Informantes: Asp&aacute;cia e &Aacute;pio</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>21: PVC - Porto de Vacas (Coimbra) – Informantes: C&aacute;tia e Benedito</p>      <p>23: TRC - Fontinhas (Angra do Hero&iacute;smo) – Informantes: Celisa e Br&aacute;s</p>      <p>26: LUZ - Luzianes (Beja) – Informantes: Cl&oacute;e e Cirilo</p>      <p>27: FIS - Fiscal (Braga) – Informantes: Cresc&ecirc;ncia e Conf&uacute;cio</p>      <p>29: STJ - Santa Justa (Santar&eacute;m) – Informantes: Deolinda e Danilo</p>      <p>32: GRJ - Granjal (Viseu) – Informantes: Erc&iacute;lia e Emanuel</p>      <p>33: CRV - Corvo (Horta) – Informantes: Filomena e Feliciano</p>      <p>35: MLD - Melides (Set&uacute;bal) – Informantes: Graciosa e Galeno</p>      <p>36: STA - Santo Andr&eacute; (Vila Real) – Informantes: Hortense e Gotardo</p>      <p>38: CLH - Calheta (Angra do Hero&iacute;smo) – Informantes: Idalina e Heraclides</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>40: ALJ - Aljustrel (Beja) – Informantes: Iolanda e Herodiano</p>      <p>41: STE - Santo Esp&iacute;rito (Ponta Delgada) – Informantes: Isaltina e Idal&eacute;cio</p>      <p>Mateus, Brito, Duarte, Faria e Frota (2003: 849-850) prop&otilde;em para a variedade europeia, de forma geral, que “(...) a posi&ccedil;&atilde;o encl&iacute;tica &eacute; o padr&atilde;o b&aacute;sico, n&atilde;o marcado, e a posi&ccedil;&atilde;o procl&iacute;tica &eacute; induzida por factores de natureza sint&aacute;ctico-sem&acirc;ntica ou pros&oacute;dica.”</p>      <p>Acredita-se que a determina&ccedil;&atilde;o dos fatores que efetivamente “induzem a posi&ccedil;&atilde;o procl&iacute;tica”, bem como daqueles que favorecem/desfavorecem cada variante em contexto de complexos verbais, precisa estar fundamentada numa descri&ccedil;&atilde;o das regras objetivas de uso. Deseja-se, portanto, por meio da presente investiga&ccedil;&atilde;o, colaborar para a descri&ccedil;&atilde;o de uma variedade lingu&iacute;stica ainda a ser bastante explorada no que diz respeito aos estudos sociolingu&iacute;sticos. </p>      <p>Al&eacute;m do objetivo mais geral de expans&atilde;o do conhecimento acerca da norma de coloca&ccedil;&atilde;o dos cl&iacute;ticos pronominais na modalidade oral do PE, pretende-se, tamb&eacute;m: (i) descrever, em dados orais contempor&acirc;neos, a variante mais produtiva das lexias verbais simples e dos complexos verbais no Portugu&ecirc;s Europeu (pr&oacute;clise ou &ecirc;nclise / pr&eacute;-complexo verbal, intra-complexo verbal ou p&oacute;s-complexo verbal), nos diversos contextos sint&aacute;ticos, para que se possam estabelecer os par&acirc;metros da cliticiza&ccedil;&atilde;o pronominal do Portugu&ecirc;s Europeu oral popular dialetal; (ii) identificar as vari&aacute;veis lingu&iacute;sticas e extralingu&iacute;sticas que determinam a op&ccedil;&atilde;o por cada variante estudada; e (iii) verificar os elementos que funcionam, de fato, como elementos favorecedores da pr&oacute;clise, no caso das lexias verbais simples, e da variante pr&eacute;-CV, no caso dos complexos verbais. </p>      <p>Algumas hip&oacute;teses gerais referentes &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno foram postuladas inicialmente. Sup&otilde;e-se, por exemplo, quanto &agrave; produtividade das variantes, que a &ecirc;nclise, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s lexias verbais simples, seria a op&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica ou n&atilde;o marcada na fala dos portugueses, enquanto a pr&oacute;clise s&oacute; seria utilizada em contextos morfossint&aacute;ticos espec&iacute;ficos, como prop&otilde;em Mateus <i>et alii </i>(2003). No entanto, o que definir&aacute; a posi&ccedil;&atilde;o utilizada pelo falante ser&aacute; o contexto de ocorr&ecirc;ncia do cl&iacute;tico no <i>corpus</i>. Em rela&ccedil;&atilde;o aos complexos verbais, sup&otilde;e-se que a variante intra-CV seria a mais produtiva, enquanto as variantes pr&eacute;-CV e p&oacute;s-CV seriam condicionadas pelo contexto morfossint&aacute;tico em que se inserem. A intra-CV poderia ocorrer com qualquer elemento antecedente ao cl&iacute;tico e com qualquer verbo principal. A pr&eacute;-CV ocorreria apenas com elementos antecedentes que atra&iacute;ssem o pronome &aacute;tono e a p&oacute;s-CV n&atilde;o poderia aparecer com o verbo principal no partic&iacute;pio, por exemplo. Ademais, os dados revelariam ind&iacute;cios de que o cl&iacute;tico em posi&ccedil;&atilde;o interna ao complexo se apresentaria apoiado na forma verbal auxiliar. No que se refere ao condicionamento do fen&ocirc;meno, acredita-se que ao menos a natureza do elemento antecedente ao grupo cl&iacute;tico-verbo influenciaria na coloca&ccedil;&atilde;o dos pronomes obl&iacute;quos &aacute;tonos nas lexias verbais simples e nos complexos verbais.</p>      <p>Em linhas gerais, a resposta &agrave;s quest&otilde;es formuladas e o cumprimento dos objetivos propostos permitir&atilde;o aferir se as descri&ccedil;&otilde;es normalmente atribu&iacute;das ao PE se aproximam do uso verificado em variedades populares dialetais.</p>      <p><b>2. An&aacute;lise dos dados</b></p>      <p>Nesta parte, encontram-se separados os resultados relativos &agrave;s lexias verbais simples (2.1.) e os referentes aos complexos verbais (2.2.), tendo em vista que nestes foram encontradas tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es nos dados estudados (pr&eacute;-cv, intra-cv e p&oacute;s-cv) e naqueles apenas duas posi&ccedil;&otilde;es (pr&oacute;clise e &ecirc;nclise). Vale destacar, ainda, que toda a an&aacute;lise se det&eacute;m em restri&ccedil;&otilde;es de natureza estrutural, visto que as duas vari&aacute;veis extralingu&iacute;sticas que puderam ser investigadas no <i>corpus</i> estudado – localidade e sexo – n&atilde;o foram selecionadas pelo programa GOLDVARB-X, o que evidencia que n&atilde;o s&atilde;o relevantes para o condicionamento do fen&ocirc;meno no material investigado. Ap&oacute;s a an&aacute;lise das lexias verbais simples e dos complexos verbais, a presente se&ccedil;&atilde;o conta, ainda, com um breve coment&aacute;rio dos dados de interpola&ccedil;&atilde;o (2.3.). </p>      <p>O GOLDVARB-X foi utilizado para o tratamento estat&iacute;stico dos dados. Ele &eacute; respons&aacute;vel por fornecer o &iacute;ndice de aplicabilidade da regra vari&aacute;vel de coloca&ccedil;&atilde;o pronominal, as frequ&ecirc;ncias absolutas, os valores percentuais e os pesos relativos (&iacute;ndice estat&iacute;stico que permite aferir o efeito de cada fator ponderado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; totalidade dos fatores) de cada contexto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s variantes do fen&ocirc;meno estudado. Esse programa tamb&eacute;m seleciona, no caso de regras vari&aacute;veis bin&aacute;rias (com apenas duas formas alternantes, como no caso das lexias verbais simples), as vari&aacute;veis lingu&iacute;sticas relevantes em rela&ccedil;&atilde;o ao favorecimento de uma das variantes da regra vari&aacute;vel, considerada como valor de aplica&ccedil;&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel realizar a rodada que seleciona as vari&aacute;veis relevantes consoante pesos relativos, no programa Goldvarb-X, com a vari&aacute;vel tern&aacute;ria/ene&aacute;ria – uma vez que as variantes desta n&atilde;o podem ser tratadas em conjunto –, optou-se por realizar a interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados, no caso dos complexos verbais, fundamentalmente a partir dos resultados percentuais. Com os resultados obtidos das rodadas feitas pelo programa, pode-se: (i) verificar, em dados orais contempor&acirc;neos, a variante mais produtiva no Portugu&ecirc;s Europeu em lexias verbais simples (pr&eacute;-verbal ou p&oacute;s-verbal) e em complexos verbais (pr&eacute;-complexo verbal, intra-complexo verbal ou p&oacute;s-complexo verbal), nos diversos contextos sint&aacute;ticos, para que se possam estabelecer os par&acirc;metros da cliticiza&ccedil;&atilde;o pronominal do PE oral; (ii) identificar as vari&aacute;veis lingu&iacute;sticas que determinam a op&ccedil;&atilde;o pelas variantes pr&eacute;-verbal, no caso das estruturas com uma s&oacute; forma verbal, e pr&eacute;-complexo verbal, no caso das estruturas com mais de uma forma verbal.</p>      <p><b>2.1. Lexias verbais simples</b></p>      <p>Encontra-se, nesta se&ccedil;&atilde;o, a distribui&ccedil;&atilde;o geral dos dados das variantes procl&iacute;tica e encl&iacute;tica nos contextos de lexias verbais simples. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o dos cl&iacute;ticos adjacentes a apenas uma forma verbal, foram encontrados 2.953 dados, sendo 1.033 em in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o e/ou de per&iacute;odo e 1.920 nos demais contextos.</p>      <p>Para melhor visualiza&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados, os dados em que os cl&iacute;ticos apareceram em in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o e/ou de per&iacute;odo – que por hip&oacute;tese n&atilde;o apresentariam varia&ccedil;&atilde;o – foram separados na an&aacute;lise e ser&atilde;o apresentados no <a href="#g1">gr&aacute;fico 1</a>, enquanto os dados em que havia algum elemento antecedente ao cl&iacute;tico (demais contextos) ser&atilde;o mostrados no <a href="#g2">gr&aacute;fico 2</a>: </p>      <p>&nbsp;</p> <a name="g1">     <p><img src="/img/revistas/dia/v26n1/26n1a13g1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="g2">     <p><img src="/img/revistas/dia/v26n1/26n1a13g2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos contextos em que h&aacute; algum elemento antecedente ao cl&iacute;tico, percebe-se que a diferen&ccedil;a geral de produtividade entre as variantes procl&iacute;tica e encl&iacute;tica n&atilde;o foi significativa, sendo 52% dos dados em pr&oacute;clise e 48% dos dados em &ecirc;nclise. Verifica-se, assim, que o que influencia a ocorr&ecirc;ncia de uma ou de outra variante &eacute; o contexto morfossint&aacute;tico em que o cl&iacute;tico aparece.</p>      <p>Ser&aacute; apresentada, nesta se&ccedil;&atilde;o, a vari&aacute;vel independente que se mostrou mais significativa para o condicionamento da coloca&ccedil;&atilde;o dos cl&iacute;ticos pronominais em lexias verbais simples, considerando-se como valor de aplica&ccedil;&atilde;o a variante procl&iacute;tica: “elemento antecedente ao cl&iacute;tico”<sup><a href="#5" name="top5" >[5]</a></sup>. </p>      <p>Pode-se verificar, de acordo com o <a href="#g3">gr&aacute;fico 3</a>, que as part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o, as preposi&ccedil;&otilde;es <i>para, de, por </i>e<i> sem</i>, os elementos de foco, elementos <i>qu-</i> em estruturas clivadas, as estruturas subordinativas e os adv&eacute;rbios s&atilde;o elementos favorecedores da variante procl&iacute;tica. De outro lado, as preposi&ccedil;&otilde;es <i>a </i>e <i>em</i>, os SN sujeito, os sintagmas preposicionais antepostos, os elementos discursivos e as conjun&ccedil;&otilde;es coordenativas desfavorecem a variante pr&eacute;-verbal.</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="g3">     <p><img src="/img/revistas/dia/v26n1/26n1a13g3.jpg"><sup><a href="#6" name="top6" >[6]</a></sup></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Vale destacar o forte favorecimento da pr&oacute;clise na presen&ccedil;a das preposi&ccedil;&otilde;es <i>para, de, por </i>e<i> sem </i>(.97). Esse comportamento das preposi&ccedil;&otilde;es confirma em absoluto o que j&aacute; foi atestado em Mateus <i>et alii</i> (2003), em que se advoga que h&aacute; alguns casos particulares na ordem do cl&iacute;tico em frases n&atilde;o finitas e “o terceiro caso particular de coloca&ccedil;&atilde;o envolve o estatuto das preposi&ccedil;&otilde;es como atractores de pr&oacute;clise” (p. 863). As autoras ainda advertem que “a preposi&ccedil;&atilde;o <i>a</i> (...) n&atilde;o est&aacute; marcada como atractor de pr&oacute;clise” (p.863).</p>      <p>A t&iacute;tulo de ilustra&ccedil;&atilde;o, pode-se observar, nos exemplos a seguir, o favorecimento da variante pr&eacute;-verbal com as preposi&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#7" name="top7" >[7]</a></sup> <i>para, de, por e sem</i> (como no exemplo 1, com <i>para</i>) e seu desfavorecimento com as preposi&ccedil;&otilde;es <i>a </i>e <i>em </i>(como no exemplo 2, com <i>em</i>): </p>      <p>(1) a. INF em volta da estopa e no fim metia entre a estopa […] e a correia para ficar preso, para <b>se </b>n&atilde;o<b> soltar</b>.</p>      <p>b. INQ Sim senhor. E era fivela que se dava? [FIS-Cresc&ecirc;ncia-M]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(2) Fui eu que o criei. Tive-o mesmo em minha casa a <b>cri&aacute;-lo</b>. O Estrab&atilde;ozinho, fui eu que o criei. [GRJ-Erc&iacute;lia-M]</p>      <p>Tamb&eacute;m se mostrou fortemente atuante no condicionamento da variante procl&iacute;tica a presen&ccedil;a de elementos de foco (<i>s&oacute;, at&eacute;, ainda e tamb&eacute;m</i>). Percebe-se que sua atua&ccedil;&atilde;o (.95) &eacute; maior do que a dos elementos subordinativos (.76). Para ilustrar a atua&ccedil;&atilde;o de um desses elementos focalizadores, segue o exemplo 3:</p>      <p>(3) O tractor corta as pestanas &agrave;s &aacute;rvores. Os chocalhos, […] o gado, quando era de Inverno, as ovelhas soltavam-se &agrave;s nove, dez horas, para n&atilde;o apanhar a maresia. Porque a maresia punha pieira e dava cabo das ovelhas. S&oacute; <b>se soltavam</b> no fim de enxugar. [STJ-Danilo-H]</p>      <p>Curiosamente, observa-se que as part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o, os elementos <i>qu- </i>em estruturas clivadas e os elementos subordinativos, apesar de serem elementos “atratores” cl&aacute;ssicos, tamb&eacute;m n&atilde;o registraram a pr&oacute;clise de maneira categ&oacute;rica; houve diversos dados em que o elemento antecedente ao cl&iacute;tico era um dos listados anteriormente e a coloca&ccedil;&atilde;o pronominal utilizada foi a encl&iacute;tica, como se pode observar nos exemplos 4, 5 e 6, abaixo:</p>      <p>(4) Depois foi ent&atilde;o l&aacute; uma rapariguinha que <b>chamam-na</b> a Etelvina – que &eacute; solteirona, coitadinha –, e foi-me atalhar com o azeite [...] [GRJ-Erc&iacute;lia-M]</p>      <p>(5) a.INQ2 Como &eacute; que &eacute; essa mo&iacute;da na m&aacute;quina?</p>      <p>b. INF Mo&iacute;a, que &eacute; s&oacute; torresmos. Tiro o torresmo da vasilha, aque&ccedil;o […] e passo na m&aacute;quina. E o meu marido faz sandu&iacute;ches e gosta. E se <b>sirvo-lhe</b> assim inteiro, ele n&atilde;o gosta do torresmo. E mo&iacute;do, d&aacute;. Come. [CRV-Filomena-M]</p>      <p>(6) INF1 C&aacute; da nossa costa, pois eu quase todos os peixes tenho apanhado. &Agrave;s vezes, uma pessoa n&atilde;o <b>vem-lhe</b> &agrave; cabe&ccedil;a o que possa ser. [ALV-&Aacute;pio-H]</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos adv&eacute;rbios, verificou-se leve favorecimento &agrave; pr&oacute;clise (.53). Curiosamente, constatou-se que a forma <i>j&aacute;</i> &eacute; a respons&aacute;vel pela maioria dos dados em pr&oacute;clise. Dos 48 dados com essa variante, 32 t&ecirc;m como antecedente o adv&eacute;rbio <i>j&aacute;</i>, como demonstra o exemplo 7 a seguir: </p>      <p>(7) INF N&atilde;o, mas […] isso &eacute; brincadeira. &Agrave;s vezes, ainda est&aacute; no come&ccedil;o e j&aacute; v&atilde;o e dizem: "Ah, j&aacute; <b>se est&aacute;</b> quase pronto que o rabo j&aacute; veio"! […] Isso agora &eacute; uma brincadeira, porque a gente n&atilde;o escolhe e n&atilde;o p&otilde;e assim no fundo. [CRV-Filomena-M]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Registrou-se, no entanto, certa oscila&ccedil;&atilde;o no comportamento do adv&eacute;rbio <i>l&aacute;</i>. Apesar de a maioria dos dados que tem como antecedente esse adv&eacute;rbio realizar a variante procl&iacute;tica, h&aacute; dados encl&iacute;ticos tamb&eacute;m<sup><a href="#8" name="top8" >[8]</a></sup>. </p>      <p>Na presen&ccedil;a dos demais adv&eacute;rbios encontrados no <i>corpus,</i> como <i>depois</i>, <i>antigamente, c&aacute;, aqui, amanh&atilde;, a&iacute; e agora</i>, a variante utilizada foi a encl&iacute;tica. Destaca-se o fato de o adv&eacute;rbio <i>depois</i> ser o mais utilizado em todo o <i>corpus</i>. De 80 dados com adv&eacute;rbios realizando a variante encl&iacute;tica, 59 t&ecirc;m como antecedente tal adv&eacute;rbio, como demonstra o exemplo 8:</p>      <p>(8) INF Se n&atilde;o gosta com o pimento, n&atilde;o deite. E depois de estar […] as sopas migadas, deita-se &aacute;gua, mexese muito bem e prova se est&aacute; bom de sal. Depois <b>deita-se</b> o p&atilde;o, que o p&atilde;o j&aacute; tem sal. Tem que provar &eacute; o caldo. Depois <b>tapa-se</b> ali um bocadinho. Depois <b>serve-se</b>. &Eacute; o uso c&aacute; do Alentejo. [ALJ-Iolanda-M] </p>      <p>Pode-se constatar que a produtividade da forma adverbial <i>depois </i>se relaciona &agrave; natureza dos dados; no contexto de narra&ccedil;&atilde;o de fatos, comum no <i>corpus</i>, o entrevistado utiliza amplamente essa forma para a marca&ccedil;&atilde;o da sequencialidade de epis&oacute;dios. </p>      <p>Os outros elementos analisados – sintagmas nominais sujeito, sintagmas preposicionais (complementos antepostos), elementos discursivos e conjun&ccedil;&otilde;es coordenativas – desfavorecem a pr&oacute;clise, como se pode verificar nos exemplos 9 a 12, a seguir: </p>      <p>(9) Eu conhe&ccedil;o aqui um rapaz em Outeiro". "Ent&atilde;o, como &eacute; que se chama o rapaz"? "[…] Foi meu colega". "Chama-se Arcidres". "&Eacute; meu filho"! Olhe, o senhor <b>agarrou-se</b> a mim, beijou-me ele e ela tamb&eacute;m. Mas eu, eu arrebentaram-me as l&aacute;grimas por ver ali seis crian&ccedil;as, seis crian&ccedil;as! A mais velha podia ter alguns –sei l&aacute; –, alguns doze anos – se os tivesse –, doze a treze anos. Todos pequenos! Metiam alegria aquelas criancinhas! [OUT-Astreia-M]</p>      <p>(10) a. INQ1 Portanto, quando se faz a, quando se faz a matan&ccedil;a do porco, o, o porco &eacute; todo ele aproveitado?</p>      <p>b. INF Todo! Fazem-se as morcelas… Do sangue <b>faz-se</b> as morcelas […]. Depois o molho &eacute; o f&iacute;gado e o cora&ccedil;&atilde;o, e mais carne; ele faz-se um molho de f&iacute;gado. A carne dos p&eacute;s e outra, faz-se chouri&ccedil;o. Depois &eacute; o lombo de porco, &eacute; a costeleta… &Eacute; tudo aproveitadinho, menos o cabelo! [CRV-Filomena-M]</p>      <p>(11) INF […] At&eacute; a casa do imperador. Quando chega a casa do imperador, os bezerros quando chegam &agrave; porta, os criadores pegam na cabe&ccedil;a aos bezerros e eu vou buscar a coroa do Senhor Esp&iacute;rito Santo e, com o ceptro, eu benzo os bezerros todos. Quer dizer, <b>fa&ccedil;o-lhe</b> uma cruz na testa – n&atilde;o &eacute;? – e em cima […] da su&atilde;, depois vou arrumar e vai-se arrumar os bezerros. Nessa altura, h&aacute; ali tamb&eacute;m uma distribui&ccedil;&atilde;o de p&atilde;o e vinho a toda a gente. [TRC-Br&aacute;s-H]</p>      <p>(12) a. INQ E depois de estar morto, o que &eacute; que fazem?</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>b. INF Depois fazem [a&iacute;] uma fogueira com palha e <b>chamuscam-nos</b> e <b>rapam-nos</b> com uma navalha. Depois de estarem chamuscados, rapam-nos. P&otilde;em-nos em cima de um banco, rapam-nos bem rapadinhos, depois abrem-nos, tiram-lhes as tripas [e penduram]… [OUT-Astreia-M]</p>      <p>De acordo com o <a href="#g3">gr&aacute;fico 3</a>, mesmo nos contextos que desfavorecem a variante procl&iacute;tica, alguns casos de pr&oacute;clise tamb&eacute;m s&atilde;o registrados. A t&iacute;tulo de curiosidade, observem-se os exemplos da variante pr&eacute;-verbal mediante a conjun&ccedil;&atilde;o coordenativa (exemplo 13) e alguns SN sujeito (exemplos 14 a 19), fator que agrega elementos de natureza diferente, como se descrever&aacute; a seguir.</p>      <p>(13) a. INQ1 N&atilde;o h&aacute; nada mais grosso que a estopa?</p>      <p>b. INF H&aacute; o tasco. Depois, sabe o que n&oacute;s faz&iacute;amos &agrave;s vezes? […] Claro, sempre cai uma febra do linho ao estar a espadar, e <b>se enche</b> a fiteira… Olhe, a minha m&atilde;e […] fazia colch&otilde;es at&eacute; […] dos tascos. Claro, urdia com o linho mas, o tasco, aproveitava-o… E &agrave;s vezes fazia os fiadeiros, at&eacute; se juntava a mocidade a fazer fiadeiros… [OUT-Astreia-M]</p>      <p>(14) a. Ora, c&aacute; n&atilde;o h&aacute; casas […] de esgoto. N&atilde;o h&aacute; casas de nada disso. &Eacute; uns para aqui, outros para ali, para onde se escapam, ao esconderijo. E o homenzinho deu-lhe vontade – &eacute; assim mesmo, pois d&aacute; a todos – de ir dar de corpo, e vai num instante ao p&eacute; da igreja, escapa-se ali […] a um s&iacute;tio esconderijo. E l&aacute;, depois, foi limpar […] – para lhe pedir licen&ccedil;a –, vai limpar o rabito e enrodilha as suas urtigas. N&oacute;s<b> lhe chamamos</b> urtigas. Enrodilhou-as… O homem era manco, fugiu, ele fugiu, que: "Ai Jesus"! "Ai, que ervas aqui h&aacute;"! [Risos]</p>      <p>b. INQ2 &Eacute; a pouca sorte. [STA-Gotardo-H]</p>      <p>(15) a. INF Mas a ocasi&atilde;o da matan&ccedil;a… Chegou a matan&ccedil;a – n&atilde;o &eacute;? –, o dia da matan&ccedil;a.</p>      <p>b. INQ Pois.</p>      <p>a. INF Vem […] o 'matachim', o matador dos porcos – o matador dos porcos. Chamou-se o pessoal. De manh&atilde; toca […] a porem-se &agrave; lareira, ao lume, logo de manh&atilde;, […] a matar, n&oacute;s <b>lhe chamamos</b> matar o bicho. Toca a beber aguardente e a comer nozes ou figos ou bolachas. [STA-Gotardo-H]</p>      <p>(16) INF2 "Diga-lhe que entre, que entre"! Todos <b>lhe davam</b> j&aacute; as cadeiras melhores, a puxarem-lhe a cadeira. [GRJ-Erc&iacute;lia-M]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(17) a. INQ N&atilde;o &eacute;… N&atilde;o davam &agrave;s pessoas para?…</p>      <p>b. INF Davam. Davam &agrave;s pessoas conhecidas. Meu sogro – Deus <b>lhe d&ecirc;</b> o c&eacute;u […] –, […] ele s&oacute; receava era a d&aacute;-lo no outro dia. A gente levava metade do dia: "Olha [ele]! Olha uma postinha de peixe. Olha uma postinha"… Dava a toda a vizinhan&ccedil;a e &agrave;s pessoas conhecidas. [CRV-Filomena-M]</p>      <p>(18) INF1 E eles [a botarem] e eu com a pressa – era eu e a m&atilde;e que Deus tenha –, Deus Nosso Senhor <b>me perdoe</b>. Eu com tanta lide, toca a chamar – [e mesmo] agora, est&aacute; aqui assim, assim o dentista, o tal, e um doutor assim, assim. Ai Jesus, o que me custou! "Mas vamos l&aacute; embora"! "[Tu sabes]"… Eles a meterem-se comigo porque foi um desafio que tivemos. [STA-Gotardo-H]</p>      <p>Como se pode observar, os exemplos registram a pr&oacute;clise mediante a conjun&ccedil;&atilde;o coordenativa <i>e</i> – em apenas uma ocorr&ecirc;ncia –e alguns SN como <i>n&oacute;s</i>, <i>todos, aquilo, Deus e Deus Nosso Senhor</i>. Em rela&ccedil;&atilde;o aos tipos de SN, destaca-se o fato de a maioria dos dados de pr&oacute;clise mediante sujeito (10 dos 19 dados) ser composta pelas estruturas do tipo <i>Deus</i>, em estruturas que podem ser consideradas optativas (como <i>Deus me perdoe</i>). Das formas nominais com pr&oacute;clise encontradas, o pronome <i>todos </i>&eacute; descrito, em gram&aacute;ticas como a de Mateus <i>et alii </i>(2003:855), como proclisador: “quantificadores distributivos e grupais como <i>todos, ambos </i>e <i>qualquer</i> induzem pr&oacute;clise.”. Deve-se ressaltar, entretanto, que dados de pr&oacute;clise diante de pronomes como <i>n&oacute;s e aquilo </i>surpreendem, visto que esses elementos n&atilde;o s&atilde;o citados como elementos atratores na variedade europeia do Portugu&ecirc;s.</p>      <p><b>2.2. Complexos verbais</b></p>      <p>Em todo o <i>corpus</i> analisado, h&aacute; 444 dados com cl&iacute;ticos em complexos verbais com apenas um verbo auxiliar. Verificando-se o total de ocorr&ecirc;ncias, constatou-se que, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma do verbo principal, h&aacute; 9 dados com o verbo principal no partic&iacute;pio, 51 dados no ger&uacute;ndio e 384 no infinitivo. A tabela abaixo apresenta a distribui&ccedil;&atilde;o do total de 444 dados de complexos verbais com apenas uma forma auxiliar de acordo com a vari&aacute;vel dependente<sup><a href="#9" name="top9" >[9]</a></sup> e a forma do verbo principal – partic&iacute;pio, ger&uacute;ndio ou infinitivo:</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p><b>Tabela 1. Distribui&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel dependente de acordo com a forma do verbo principal</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td valign="top" >    <p><b>Verbo Principal</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Pr&eacute;-CV</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Intra-CV</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>P&oacute;s-CV</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Partic&iacute;pio</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>6 – 67%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>3 – 33% </b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>0 – 0%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>9</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Ger&uacute;ndio</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>7 – 14%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>42 – 82%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 4%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>51</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Infinitivo</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>113 – 29%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>213 – 56%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>58 – 15%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>384</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>126 – 28%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>258 – 58%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>60 – 14%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>444</b></p></td> </tr>  </tbody> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>De modo geral, observa-se que a variante intra-CV foi a mais produtiva em todo o <i>corpus</i>, com o total de 258 ocorr&ecirc;ncias. A segunda  variante preferida foi a pr&eacute;-CV, com 126 dados, e, por &uacute;ltimo, a p&oacute;s-CV, com 60 ocorr&ecirc;ncias. Consoante a <a href="#t1">tabela 1</a>, pode-se perceber, ainda, o  comportamento nitidamente diferenciado dos complexos por forma do verbo principal. Enquanto as estruturas com partic&iacute;pio t&ecirc;m por op&ccedil;&atilde;o  preferencial a pr&oacute;clise ao complexo, as constru&ccedil;&otilde;es com ger&uacute;ndio e infinitivo registram maior n&uacute;mero de dados com a variante v1-cl v2. Os  complexos com infinitivo evidenciam realmente a variabilidade do fen&ocirc;meno nas tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es, enquanto as demais formas nominais n&atilde;o admitem (caso  do partic&iacute;pio) ou admitem raramente (caso do ger&uacute;ndio) uma das variantes, a v1 v2-cl.</p>      <p>A partir de agora, cada forma do verbo principal ser&aacute; analisada separadamente, em fun&ccedil;&atilde;o das particularidades de cada estrutura. Vale ressaltar, ainda, que os resultados ser&atilde;o apresentados de acordo com a distribui&ccedil;&atilde;o percentual e que o in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o e de per&iacute;odo n&atilde;o ser&atilde;o separados dos demais contextos, como se fez na an&aacute;lise das lexias verbais simples, tendo em vista o n&uacute;mero reduzido de dados encontrados no <i>corpus.</i></p>      <p><b>I) Complexos com partic&iacute;pio</b></p>      <p>Considerando os 9 exemplos com a forma do verbo principal no partic&iacute;pio, o <a href="#g4">gr&aacute;fico 4</a> permite visualizar a distribui&ccedil;&atilde;o das ocorr&ecirc;ncias por cada variante controlada.</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="g4">     <p><img src="/img/revistas/dia/v26n1/26n1a13g4.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Conforme se observa no gr&aacute;fico, a variante p&oacute;s-CV n&atilde;o ocorreu com o partic&iacute;pio, o que j&aacute; era esperado, tendo em vista o car&aacute;ter mais nominal dessa forma verbal. Nesse aspecto, os resultados condizem com a proposta das gram&aacute;ticas tradicionais, que descartam a variante p&oacute;s-CV com a forma participial.</p>      <p>Saliente-se que a quase totalidade dos dados com partic&iacute;pio se constr&oacute;i com o auxiliar <i>ter</i>, tendo havido apenas um dado com o auxiliar <i>ser </i>em constru&ccedil;&atilde;o passiva. Quanto ao tipo de cl&iacute;tico, ocorreram as formas pronominais <i>o, a, lhe, me </i>e<i> nos</i>, o que impede qualquer coment&aacute;rio quanto ao padr&atilde;o relativo &agrave; forma pronominal <i>se</i>.</p>      <p>Ressalta-se que a maior ocorr&ecirc;ncia da variante pr&eacute;-CV (6 dados) pode ser explicada pela presen&ccedil;a de algum elemento antecedente ao complexo verbal do tipo proclisador. A presen&ccedil;a de part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o e de estruturas subordinativas e clivadas, por exemplo, fazem com que a variante cl v1 v2 seja a mais utilizada, como se pode observar no exemplo a seguir:</p>      <p>(19) a. INQ E como &eacute; que se atalha a impingem?</p>      <p>b. INF1 Olhe: "[…] Impingem [rabi&ccedil;a], sai daqui". Se a gente tem comido, diz-lhe que ainda n&atilde;o comeu; e se a gente n&atilde;o tem comido, diz-lhe que j&aacute; <b>a tem comido</b>. Porque eu j&aacute; hoje… Por exemplo, eu ainda n&atilde;o tenho comido [GRJ-Erc&iacute;lia-M]</p>      <p>Verificou-se que, realmente, &eacute; a presen&ccedil;a dos elementos supracitados que favorece essa variante. No entanto, h&aacute; um exemplo em que, mesmo com a presen&ccedil;a de elemento proclisador cl&aacute;ssico (<i>que</i>) no contexto imediatamente anterior ao verbo, n&atilde;o ocorreu a variante pr&eacute;-CV, mas a intra-CV. Ocorr&ecirc;ncias desse tipo corroboram o comportamento verificado nas lexias verbais simples: casos de &ecirc;nclise em contextos com atrator:</p>      <p>(20) Uma senhora que l&aacute; vinha comigo, ali do Maxialinho, escorregou […] e deixou cair a cesta da lou&ccedil;a. J&aacute; tanto trabalho que <b>tinha-lhe dado</b> e o dinheiro que ela tinha dado e escavacou tudo. Escavacou-se logo ali tudo! Depois estroncou uma perna. [PVC-C&aacute;tia-M]</p>      <p>Nos outros dois exemplos da variante intra-CV, como o que se segue, deu-se o comportamento esperado.</p>      <p>(21) a. INQ1 Mas elas perigam porqu&ecirc;? Ou tiveram uma queda, ficaram…</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>b. INF N&atilde;o… Pode ser muito f&aacute;cil uma queda. Eu uma ocasi&atilde;o tinha aqui uma, tinha aqui uma… No ano anterior <b>tinha-lhe deitado</b> bois porque ela dava muito leite; e depois vou abrir os regos a um meu vizinho, a saltar um portelo, saltar um portelo… [FIS-Conf&uacute;cio-H]</p>      <p>A aus&ecirc;ncia de elemento proclisador antes do complexo verbal faz com que a variante pr&eacute;-CV n&atilde;o seja concretizada. Com a impossibilidade de a posi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-CV ocorrer, tendo em vista que se trata da forma verbal no partic&iacute;pio, a variante utilizada foi a intra-CV, aqui interpretada, consoante &agrave;s tend&ecirc;ncias gerais do PE, como encl&iacute;tica ao verbo auxiliar.</p>      <p><b>II) Complexos com ger&uacute;ndio</b></p>      <p>O <href="#g5">gr&aacute;fico</a> a seguir apresenta a distribui&ccedil;&atilde;o dos 51 dados encontrados com a forma verbal principal do complexo no ger&uacute;ndio:</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="g5">     <p><img src="/img/revistas/dia/v26n1/26n1a13g5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Pode-se constatar que a variante menos produtiva nos complexos com ger&uacute;ndio &eacute; a p&oacute;s-CV (4%), com apenas 2 dados. Esse resultado n&atilde;o foi o esperado, pois a hip&oacute;tese inicial era a de que n&atilde;o haveria qualquer ocorr&ecirc;ncia da variante v1 v2-cl com o ger&uacute;ndio, tendo em vista a generaliza&ccedil;&atilde;o proposta por Mateus <i>et alii</i> (2003:860):</p>      <p><b>Os complementos participiais e gerundivos de verbos auxiliares</b> e os complementos infinitivos na constru&ccedil;&atilde;o de <i>Uni&atilde;o de Ora&ccedil;&otilde;es</i> <b>representam os casos extremos de defectividade funcional, com <i>Subida de Cl&iacute;tico</i> obrigat&oacute;ria para todos os pronomes cl&iacute;ticos.</b> (grifo nosso).</p>      <p>Enquanto os dados com verbos principais no partic&iacute;pio confirmam a proposta das autoras, como j&aacute; se observou, os dados com verbos principais no ger&uacute;ndio apresentam dois contraexemplos, quais sejam:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(22) a. INQ1 E a gemida &eacute; a que entrou no coiso.</p>      <p>b. INF E gemida &eacute; ao consoante […] da parreira. Geme-se. A gente vai <b>gemendo-a</b> assim com cuidado, com cuidado […] para n&atilde;o partir! [OUT-Austrino-H]</p>      <p>(23) a. INQ Sevete? O sevete era o qu&ecirc;?</p>      <p>b. INF Era engatado no cabo de tr&aacute;s da sebe, aqui, no cabo de tr&aacute;s. A gente quando queria descarregar o estrume, ou o milho – milho em ma&ccedil;aroca –,</p>      <p>a. INQ Pois.</p>      <p>b. INF quando vinha das terras a gente tirava-o […] e ia <b>puxando-o</b>. Depois engatava […] o cabe&ccedil;alho por meio […] da canga dos bois, e empilhava o carro e aquilo descarregava tudo duma vez. [CLH-Heraclides-H]</p>      <p>Vale ressaltar que, nos dois exemplos com a variante p&oacute;s-CV, o complexo verbal &eacute; <i>ir + ger&uacute;ndio</i> e n&atilde;o h&aacute; qualquer elemento proclisador. Por hip&oacute;tese, o contexto morfossint&aacute;tico e o d&eacute;bil volume fon&eacute;tico dessas formas pronominais (constitu&iacute;dos de s&iacute;laba do tipo V – vogal) podem justificar a ocorr&ecirc;ncia da variante p&oacute;s-CV. Por um lado, a variante pr&eacute;-CV fica desfavorecida pela falta de elemento proclisador; por outro lado, a variante intra-CV seria desfavorecida em termos fon&eacute;ticos, visto que a jun&ccedil;&atilde;o do verbo<i> ir</i> no presente do indicativo (<i>vai</i>) e no pret&eacute;rito imperfeito (<i>ia</i>) com as formas <i>o, a </i>geraria uma constru&ccedil;&atilde;o sonora que, embora poss&iacute;vel, n&atilde;o constituiria um padr&atilde;o sil&aacute;bico protot&iacute;pico do Portugu&ecirc;s, j&aacute; que contaria com tr&ecirc;s ou quatro sons voc&aacute;licos cont&iacute;guos (Ex.: <i>Vai-a gemendo</i> / <i>ia-o puxando</i>). Obviamente qualquer hip&oacute;tese relativa &agrave; natureza fon&eacute;tica do condicionamento mereceria uma investiga&ccedil;&atilde;o particular para ser cientificamente validada.</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; variante pr&eacute;-CV (14%), registraram-se apenas 7 ocorr&ecirc;ncias no <i>corpus</i>, como a exemplificada a seguir:</p>      <p>(24) INF Em vendo o dum vizinho e vem pousar ao meu, n&atilde;o sei se ele &eacute; meu, se n&atilde;o &eacute;. Agora para ser justamente, se <b>o venho acompanhando</b>, quase dou por ele. [STA-Gotardo-H]</p>      <p>Observou-se, em todos os exemplos, a presen&ccedil;a de elemento que pode ser considerado proclisador no contexto anterior ao cl&iacute;tico, como a conjun&ccedil;&atilde;o <i>se </i>(no exemplo anterior), o que, consoante a tend&ecirc;ncia da variedade europeia, justifica a ocorr&ecirc;ncia da variante cl v1 v2.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que tange &agrave; variante intra-CV, a mais utilizada com o verbo no ger&uacute;ndio, verifica-se que sua concretiza&ccedil;&atilde;o se d&aacute; em 82% dos dados, o que equivale a 42 ocorr&ecirc;ncias. Para efeito de ilustra&ccedil;&atilde;o, observe-se o exemplo abaixo:</p>      <p>(25) a. INQ Mas a senhora diz 'bl&uacute;sia'?</p>      <p>b. INF Pois, eu dizia… Agora j&aacute; ningu&eacute;m diz 'bl&uacute;sia'. Ele disse, aquele dia: "uma 'bl&uacute;sia'". E ela disse: "Anda c&aacute;. Ent&atilde;o como &eacute; que se diz: &eacute; 'bl&uacute;sia' ou &eacute; blusa"?</p>      <p>a. INQ Por falar em blusa, ainda bem que me fala nisso!</p>      <p>b. INF Eu <b>vou-lhe descobrindo</b> tudo. [STA-Hortense-M]</p>      <p>Ressalta-se que, em quase todos os exemplos encontrados no <i>corpus, </i>n&atilde;o se verificou qualquer elemento do tipo proclisador, o que constitui contexto desfavorecedor da variante pr&eacute;-CV. Tendo em vista que a variante p&oacute;s-CV n&atilde;o &eacute; favorecida pela forma do verbo principal no ger&uacute;ndio, a variante intra-CV figura como a estrutura protot&iacute;pica, preferencial nessa constru&ccedil;&atilde;o. O &uacute;nico contexto em que havia elemento antecedente ao cl&iacute;tico do tipo proclisador e em que se deu a coloca&ccedil;&atilde;o intra-CV est&aacute; transcrito a seguir:</p>      <p>(26) a. INF2 […] A estrela da manh&atilde;?</p>      <p>b. INF1 A estrela da manh&atilde; nem em todos os tempos d&aacute;, nem em todos os per&iacute;odos. Agora d&aacute;. Mas nem em todos os per&iacute;odos d&aacute; a estrela da manh&atilde;. &Eacute; como o cajado e o sete-estrelas. Eu tinha marcado. Parece-me que era a vinte e dois de S&atilde;o Jo&atilde;o que aparecia o cajado. E tinha marcado o per&iacute;odo do antigamente […]. Mas agora j&aacute; <b>vai-me esquecendo</b>. Sabia quando nascia o cajado e sabia quando nascia…[ALV-&Aacute;pio-H]</p>      <p>Verifica-se que, mesmo com a presen&ccedil;a do elemento “atrator” <i>j&aacute;</i>, n&atilde;o houve a realiza&ccedil;&atilde;o da coloca&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-CV, mas a v1-cl v2. </p>      <p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; variante intra-CV, destaca-se que, mesmo com a presen&ccedil;a de elementos intervenientes no complexo verbal, o cl&iacute;tico se encontra adjacente ao verbo auxiliar. Nos 5 exemplos com elementos intervenientes, como o que se segue, o cl&iacute;tico encontra-se no contexto anterior ao elemento interveniente, o que sinaliza que o padr&atilde;o europeu de coloca&ccedil;&atilde;o dos pronomes &eacute; v1-cl v2, estando o cl&iacute;tico ligado ao verbo auxiliar.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(27) a. INF2 Eu parecia-me que ele que se escolhia que era antes de ir para o forno secar.</p>      <p>b. INF1 N&atilde;o, mas tamb&eacute;m se escolhe antes de ir para o forno. Mas […] tamb&eacute;m estando muitos dias em casa, tem que escolher. E depois &eacute; ent&atilde;o 'aventejado', joeirado e botado em bid&otilde;es, e <b>vai-se</b> ent&atilde;o <b>tirando</b> e fazendo, rodando ao moinho. [CLH-Idalina-M]</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos tipos de complexos verbais utilizados com a forma no verbo principal no ger&uacute;ndio, a maioria dos dados &eacute; composta pela estrutura <i>ir</i> + <i>ger&uacute;ndio</i> (43 das 51 ocorr&ecirc;ncias). H&aacute; apenas uma ocorr&ecirc;ncia com a forma <i>vir </i>+ <i>ger&uacute;ndio, </i>uma com a forma <i>ficar</i> + <i>ger&uacute;ndio</i> e seis ocorr&ecirc;ncias com <i>estar </i>+ <i>ger&uacute;ndio</i>. </p>      <p><b>III) Complexos com infinitivo</b></p>      <p>Conforme j&aacute; mencionado, a estrutura com o verbo principal no infinitivo &eacute; a mais produtiva – 384 dados – no <i>corpus</i> analisado. Para melhor visualiza&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o das ocorr&ecirc;ncias pela vari&aacute;vel dependente, observe-se o <a href="#g6">gr&aacute;fico</a> a seguir: </p>      <p>&nbsp;</p> <a name="g6">     <p><img src="/img/revistas/dia/v26n1/26n1a13g6.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>O gr&aacute;fico registra um quadro vari&aacute;vel nas tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es com a forma verbal no infinitivo, sendo a variante mais produtiva a intra-CV (56%), seguida da pr&eacute;-CV (29%) e, por &uacute;ltimo, da p&oacute;s-CV (15%). Verifica-se que a intra-CV foi a mais produtiva, pois a pr&eacute;-CV ocorre quando h&aacute; a presen&ccedil;a de um elemento proclisador e a p&oacute;s-CV n&atilde;o ocorre com o partic&iacute;pio e n&atilde;o &eacute; t&atilde;o favor&aacute;vel com o ger&uacute;ndio como verbos principais.</p>      <p>Como h&aacute; maior quantidade de dados com essa estrutura, o estudo da coloca&ccedil;&atilde;o pronominal foi feito considerando-se a frequ&ecirc;ncia dos fatores de duas vari&aacute;veis lingu&iacute;sticas: (a) elemento antecedente ao cl&iacute;tico e (b) tipo de cl&iacute;tico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>a) Elemento antecedente ao cl&iacute;tico</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p>Tabela 2. Distribui&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s variantes segundo o elemento antecedente ao cl&iacute;tico – complexos verbais no infinitivo<sup><a href="#10" name="top10" >[10]</a></sup></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td colspan="5" valign="top" >    <p><b>Elemento antecedente ao cl&iacute;tico</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" > </td> <td valign="top" >    <p><b>Pr&eacute;-CV</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Intra-CV</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>P&oacute;s-CV</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Preposi&ccedil;&otilde;es <i>para </i>e<i> de</i></b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>7 – 100%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>0 – 0% </b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>0 – 0%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>7</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Elementos <i>qu-</i> em estruturas clivadas</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>40 – 87%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>4 – 9%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 4%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>46</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>30 – 86%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3 – 8%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 6%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>35</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Elementos subordinativos</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>17 – 77%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 9%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>3 – 14%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>22</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Adv&eacute;rbios</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>13 – 40%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>11 – 33%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>9 – 27%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>33</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Elementos de foco</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>3 – 37%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 26%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>3 – 37%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>8</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Conjun&ccedil;&otilde;es coordenativas</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 4%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>42 – 84%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>6 – 12%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>50</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>SN Sujeito</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>1 – 2%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>38 – 73%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>13 – 25%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>52</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Locu&ccedil;&otilde;es adverbiais</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>0 – 0%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>20 – 83%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>4 – 17%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>24</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Elementos discursivos</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>0 – 0%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>4 – 57%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>3 – 43%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>7</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>In&iacute;cio de ora&ccedil;&atilde;o e per&iacute;odo</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>0 – 0%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>87 – 87%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>13 – 13%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>100</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>113 – 29%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>213 – 56%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>58 – 15%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>384</b></p></td> </tr>  </tbody> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>Verifica-se que a variante pr&eacute;-CV &eacute; mais produtiva – atingindo mais da metade dos dados – com as preposi&ccedil;&otilde;es <i>para </i>e<i> de</i> (100%), com os elementos <i>qu- </i>em estruturas clivadas (87%), com as part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o (86%) e com os elementos subordinativos (77%). Com as preposi&ccedil;&otilde;es do tipo <i>para </i>e<i> de</i>, h&aacute; apenas 7 dados e todos se encontram antes do complexo verbal. Para efeito de exemplifica&ccedil;&atilde;o, citam-se alguns dados com essas preposi&ccedil;&otilde;es:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(28) INF e tem dias certos de <b>as ir levar</b> e de <b>as ir buscar</b>. [CLH-Heraclides-H]</p>      <p>(29) a. INQ Semeava-se todos os anos?</p>      <p>b. INF Todos os anos. Agora […] t&iacute;nhamos agora isto diferente de todo o mundo: as terras acol&aacute;, l&aacute; para cima, quando j&aacute; n&atilde;o queriam produzir, n&oacute;s &iacute;amos com os bois e os carros; ia-se buscar agora terra longe. […] A terra &eacute; pequena, mas lugares a&iacute; levar o dia para <b>se ir buscar</b> dez carradinhas de terra! J&aacute; viram os nossos carrinhos de bois aqui?</p>      <p>Com os elementos <i>qu- </i>em estruturas clivadas, as part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o e os elementos subordinativos, a variante pr&eacute;-CV &eacute; bastante produtiva, mas n&atilde;o &eacute; categ&oacute;rica, como era o esperado. Com essas estruturas, ocorreram 9 dados com a variante intra-CV e 7 com a variante p&oacute;s-CV. Observem-se algumas dessas ocorr&ecirc;ncias a seguir:</p>      <p>(30) Eu tempero as panelas todas, provo e acho uma ou outra um pouco mais insonsa, j&aacute; n&atilde;o <b>vou-me temper&aacute;-la</b> para as outras. Com uma concha, passo-as todas de uma para a outra, &eacute; uma mistura, e ao depois ent&atilde;o torno a provar, porque [ele] pode haver uma que tenha um bocadinho de mais e outra que tenha de menos. [TRC-Br&aacute;s-H]</p>      <p>(31) INF1 […] A gente, enquanto […] bago, chama-lhe carunha. Depois, desde que <b>vai transform&aacute;-lo</b> em vinho, desde que ele ferve e depois se tira o baga&ccedil;o, ent&atilde;o depois chama-se-lhe a grainha. Diz "&eacute; a grainha do"… [FIS-Cresc&ecirc;ncia-M]</p>      <p>Destaca-se que, nesses dados, n&atilde;o h&aacute; dist&acirc;ncia entre os elementos antecedentes ao cl&iacute;tico e o complexo verbal; assim, a ocorr&ecirc;ncia das variantes intra-CV e p&oacute;s-CV nos exemplos supracitados evidencia que realmente n&atilde;o ocorreu o efeito proclisador dos referidos elementos.</p>      <p>Ressalta-se, tamb&eacute;m, que n&atilde;o parece ser o tipo de cl&iacute;tico o motivador das variantes intra-CV e p&oacute;s-CV nos dados em que se esperava a variante procl&iacute;tica, tendo em vista que se registram diversos tipos de cl&iacute;ticos. </p>      <p>De acordo com a <a href="#t2">tabela 2</a>, constata-se que, com os adv&eacute;rbios, embora n&atilde;o haja mais de 50% de dados de cl v1 v2, ocorreu um pouco mais a variante pr&eacute;-CV (40%) do que as demais (intra-CV = 33% e p&oacute;s-CV = 27%). O fato de haver um n&uacute;mero consider&aacute;vel de ocorr&ecirc;ncias da coloca&ccedil;&atilde;o anterior ao complexo verbal na presen&ccedil;a de adv&eacute;rbios pode ser explicado pela presen&ccedil;a do adv&eacute;rbio <i>j&aacute;</i>, que se comportou tamb&eacute;m nos contextos de lexias verbais simples como “atrator”, como demonstra o exemplo a seguir.</p>      <p>(32) a. INQ N&atilde;o h&aacute; nada a que chame estriga?</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>b. INF Estriga, depois eu j&aacute; <b>lhe vou dizer</b>. Depois &eacute; assedado. [OUT-Astreia-M]</p>      <p>Vale destacar que, dos 13 dados com a variante cl v1 v2, dez t&ecirc;m como elemento antecedente o adv&eacute;rbio <i>j&aacute;</i> e tr&ecirc;s o <i>l&aacute;</i>. Todos os dados com <i>j&aacute;</i> est&atilde;o procl&iacute;ticos; com o adv&eacute;rbio <i>l&aacute;</i>, registra-se a mesma oscila&ccedil;&atilde;o verificada nos contextos de uma s&oacute; forma verbal, pois h&aacute; dois dados que n&atilde;o est&atilde;o com a variante pr&eacute;-CV. Dessa forma, pode-se constatar que o adv&eacute;rbio <i>l&aacute;</i> atua &agrave;s vezes como elemento proclisador e outras vezes n&atilde;o<sup><a href="#11" name="top11" >[11]</a></sup>, enquanto o <i>j&aacute;</i> em todos os casos de complexos verbais se mostra como elemento proclisador.</p>      <p>Igualmente ao que ocorreu nas lexias verbais simples, o adv&eacute;rbio que n&atilde;o favoreceu a anteposi&ccedil;&atilde;o do cl&iacute;tico verbal ao complexo foi <i>depois</i>. Em todos os dados em que o elemento antecedente ao cl&iacute;tico era esse adv&eacute;rbio, deu-se a concretiza&ccedil;&atilde;o da variante intra-CV ou p&oacute;s-CV, como se pode observar nos exemplos 33 e 34:</p>      <p>(33) a. INQ1 Portanto, agora do… Eu vou-lhe perguntar assim os trabalhos que se fazem aqui ao longo do ano. Portanto, quem trabalha a terra, o que &eacute; que faz no m&ecirc;s de Janeiro ou Fevereiro ou Mar&ccedil;o?</p>      <p>b. INF A gente aqui &eacute; quase sempre o mesmo […] servi&ccedil;o que faz. A gente chega-se […] &agrave; altura […] da sementeira, faz a sementeira; depois faz a colheita […] l&aacute; para o m&ecirc;s de Outubro; depois <b>chega-se a apanhar</b> a azeitona, colhe-se a azeitona… [PVC-Benedito-H]</p>      <p>(34) E depois mais tarde quando as batatas nascem que est&atilde;o a modo de sachar, eu sacho-as. Depois <b>come&ccedil;o a dar-lhe</b> sulfato. Se o tempo vai h&uacute;mido, d&aacute;-se sulfato […] mais vezes, num intervalo mais pequeno; […] se vai mais seco, pode ser um intervalo maior. Vai-se andando […] at&eacute; […] o ponto onde deixar de sulfatar. [CLH-Heraclides-H]</p>      <p>Com os elementos de foco (<i>s&oacute;, at&eacute;, tamb&eacute;m </i>e<i> ainda</i>), deu-se o mesmo n&uacute;mero de ocorr&ecirc;ncias com as variantes pr&eacute;-CV (3 dados) e p&oacute;s-CV (3 dados). Houve apenas duas ocorr&ecirc;ncias com a variante intra-CV.</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos demais elementos antecedentes ao cl&iacute;tico, pode-se verificar que as conjun&ccedil;&otilde;es coordenativas (4%), o SN sujeito (2%), os sintagmas preposicionais (0%), os elementos discursivos (0%) e o in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o e de per&iacute;odo (0%) n&atilde;o atuam no favorecimento da variante pr&eacute;-CV. Nesses contextos, houve apenas 3 dados do cl&iacute;tico antes do complexo verbal. A variante mais produtiva com essas estruturas foi a intra-CV, seguida pela p&oacute;s-CV. </p>      <p>Nas 100 ocorr&ecirc;ncias com o complexo verbal em in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o e de per&iacute;odo, n&atilde;o houve qualquer dado com a variante pr&eacute;-CV, como era o esperado. Observem-se, a seguir, alguns exemplos desse contexto, com as variantes intra-CV e p&oacute;s-CV:</p>      <p>(35) INF1 Depois, tira-se. <b>Acabou-se de tirar</b>, junta-se o baga&ccedil;o todo, junta-se o baga&ccedil;o todo… [OUT-Austrino-H]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(36) a. INQ1 Chama-se capacho?</p>      <p>b. INF Chamam-se capachos. E est&atilde;o l&aacute; dois homens […] com os capachos [e ali] anda uma roda a andar e a massa a correr; chega a um certo ponto, fechou; […] p&otilde;e nuns carros, que vai depois para a prensa; untouse outro, torna outra vez &agrave; roda; tirou-se aquele, <b>torna a p&ocirc;r-se</b>, at&eacute; que leva a&iacute; sessenta, ou setenta, ou noventa, ou aqueles que calhar – os capachos… Enchendo […] aquela quantia, […] p&otilde;e-lhe a gente uma esp&eacute;cie dum prato […] de metal em cima… [OUT-Austrino-H]</p>      <p>Os exemplos apresentam o cl&iacute;tico pronominal no meio ou depois do complexo verbal, posi&ccedil;&otilde;es esperadas em in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o e de per&iacute;odo. Ao que tudo indica, as op&ccedil;&otilde;es pelas posi&ccedil;&otilde;es interna ou posterior ao complexo verbal est&atilde;o diretamente ligadas ao “tipo de cl&iacute;tico”.</p>      <p><b>b) Tipo de cl&iacute;tico</b></p>      <p>Na pr&oacute;xima tabela, pode-se averiguar a distribui&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s variantes de acordo com o tipo de cl&iacute;tico presente no complexo verbal:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tabela 3. Distribui&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s variantes segundo o tipo de cl&iacute;tico – complexos verbais no infinitivo</p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td colspan="5" valign="top" >    <p><b>Tipo de cl&iacute;tico</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" > </td> <td valign="top" >    <p><b>Pr&eacute;-CV</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Intra-CV</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>P&oacute;s-CV</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Formas contra&iacute;das</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>4 – 67%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 33%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>0 – 0%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>6</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b><i>Se</i> apassivador</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>29 – 37%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>49 – 63%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>0 – 0%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>78</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b><i>Se</i> reflexivo / inerente</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>9 – 32%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>17 – 61%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 7%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>28</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b><i>Se</i> indeterminador</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>19 – 30%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>42 – 67%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2 – 3%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>63</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b> <i>me </i>e<i> nos</i></b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>15 – 29%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>34 – 67%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>2 – 4%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>51</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b><i>te </i>e<i> lhe (s) </i></b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>18 – 27%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>38 – 57%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>11 – 16%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>67</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b><i>o (s) e a (s)</i></b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>19 – 21%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>31 – 34%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>41 – 45%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>91</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>113 – 29%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>213 – 56%</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>58 – 15%</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>384</b></p></td> </tr>  </tbody> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>As formas contra&iacute;das registraram o maior &iacute;ndice da variante pr&eacute;-CV (4 em 6 dados, 67%), tendo apresentado, ainda, duas ocorr&ecirc;ncias com a variante intra-CV. Deve-se atentar para a hip&oacute;tese de que esse alto &iacute;ndice esteja relacionado &agrave; pequena quantidade de dados com essa estrutura. De qualquer forma, os exemplos demonstram que tamb&eacute;m as formas contra&iacute;das atendem o condicionamento da vari&aacute;vel relativa &agrave; presen&ccedil;a de elemento proclisador:</p>      <p>(37) INF […] E l&aacute; puseram mas depois, para come&ccedil;ar a tecer, ningu&eacute;m era capaz. Porque ela estava enfiada doutra maneira que enfi&aacute;vamos n&oacute;s. E eu entrei l&aacute; e disse assim: "Tem que ser assim". E &eacute; que fazia cruz para tecer e forte ficou. [Teci por a&iacute; assim] um bocadinho. Ela j&aacute; me pediu que <b>lha</b> fosse a tirar. Mas eu n&atilde;o posso, n&atilde;o tenho vagar. J&aacute; h&aacute; muitos anos que est&aacute; l&aacute; aquilo, j&aacute; estar&aacute; por a&iacute; at&eacute; podre. [OUT-Astreia-M]</p>      <p>(38) a. INQ1 O cartapa&ccedil;o &eacute; uma carapu&ccedil;a que se p&otilde;e? De papel?</p>      <p>b. INF &Eacute;. H&aacute; cartapa&ccedil;os muito lindos! At&eacute; os faziam das cartas de jogar, muito bonitos.</p>      <p>a. INQ1 Ah! Sim, sim.</p>      <p>b. INF Outras vezes, dum papel&atilde;o bonito. […] Eu sei<b>-lhos</b> fazer os cartap&aacute;cios. [OUT-Astreia-M]</p>      <p>Pode-se verificar que as formas pronominais apareceram antes do complexo verbal em contextos com a presen&ccedil;a de elemento proclisador cl&aacute;ssico (<i>que</i>), como no exemplo 37. No exemplo 38, em que n&atilde;o havia elemento antecedente ao cl&iacute;tico considerado como proclisador, a variante escolhida pelo informante foi a intra-CV.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que tange aos demais tipos de cl&iacute;ticos, verifica-se que, de modo geral, a variante mais utilizada foi a intra-CV, seguida pela pr&eacute;-CV e, por &uacute;ltimo, pela p&oacute;s-CV. No que se refere &agrave; express&atilde;o das variantes pr&eacute;-CV e intra-CV, os diversos pronomes – excetuando-se <i>o, a</i> – comportam-se de forma semelhante, com &iacute;ndices percentuais que distam no m&aacute;ximo em 10 pontos percentuais. Ao que parece, o uso de uma ou outra dessas variantes relaciona-se primordialmente &agrave; aus&ecirc;ncia (exemplo 39) ou &agrave; presen&ccedil;a (exemplo 40) de elemento proclisador:</p>      <p>(39) a. INF2 Mas o alqueve &eacute; que se vai fazer no terreno.</p>      <p>b. INQ1 Pois. Portanto, mas tamb&eacute;m nunca dizia que ia alqueivar? Ou dizia-se que ia alqueivar?</p>      <p>a. INF2 N&atilde;o. […] Vai-se fazer o alqueve, n&atilde;o &eacute;?</p>      <p>b. INQ1 <b>Vai-se fazer</b> o alqueve. [FIG-Apeles-H]</p>      <p>(40) INF L&aacute; para diante. L&aacute; no cabo l&aacute; da freguesia […]. At&eacute; a casa, ainda est&aacute; l&aacute; uma nesguinha. Quando foi do abalo, avariou. E depois s&oacute; estava c&aacute; a m&atilde;e – o marido j&aacute; tinha morrido, que era o irm&atilde;o da minha m&atilde;e, j&aacute; tinha morrido e ela foi para a Am&eacute;rica, os filhos estavam todos na Am&eacute;rica, ela foi para a Am&eacute;rica… Ele morreu um agora h&aacute; um ano. E eles vinham para c&aacute;, e iam ali – aqueles vizinhos, tinham muitos rapazes novos –, e a gente, j&aacute; sabe, sempre <b>se</b> <b>havia de entreter</b> nalguma coisa. [CLH-Idalina-M] </p>      <p>Buscando observar o comportamento de cada pronome, verificaram-se algumas particularidades no que diz respeito aos cl&iacute;ticos <i>o, a</i>, e, em segundo plano (apenas no que se refere ao uso da p&oacute;s-CV), &agrave;s formas pronominais <i>te </i>e <i>lhe.</i><sup><a href="#12" name="top12" >[12]</a></sup></p>      <p>Somente os cl&iacute;ticos de terceira pessoa <i>o (s) </i>e<i> a (s)</i> concretizaram mais a variante p&oacute;s-CV (45%) do que a intra-CV (34%). Observando-se os exemplos, pode-se averiguar que a posi&ccedil;&atilde;o procl&iacute;tica &eacute; favorecida pela presen&ccedil;a de elementos proclisadores e que a variante intra-CV possui um &iacute;ndice menor por causa da presen&ccedil;a, em alguns tipos de complexos verbais, de elementos intervenientes, fazendo com que – possivelmente por raz&otilde;es fon&eacute;ticas – esses pronomes favore&ccedil;am mais a variante v1 v2-cl. A t&iacute;tulo de ilustra&ccedil;&atilde;o, verifiquem-se os exemplos a seguir:</p>      <p>(41) a. INQ Quem deixa o milho na, na, no terreno, como &eacute; que faz &agrave; palha do milho?</p>      <p>b. INF […] Aquele que <b>a</b> n&atilde;o quer apanhar l&aacute; fica. [MST-Ambr&oacute;sio-H]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(42) a. INF1 N&atilde;o anda l&aacute; muito longe, n&atilde;o. Porque eu […] nasci completamente a baldear terras para semear arroz, para plantar.</p>      <p>b. INQ Pois, portanto j&aacute; sabe isso tudo tamb&eacute;m.</p>      <p>a. INF1 Sei tratar dele, sei-<b>o</b> cozer e sei-<b>o</b> comer. [MLD-Galeno-H]</p>      <p>(43) INF A gente, porque aqui j&aacute; &eacute; vinha, […] esta j&aacute; &eacute; videira, eu fui a pod&aacute;-<b>la</b>, podei-a, topa, topa, tem aqui uma vide, [OUT-Austrino-H]</p>      <p>Verifica-se que, no exemplo 41, h&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o da variante pr&eacute;-CV mediante o elemento proclisador (<i>que</i>). No exemplo 42, o que ocorreu foi a variante intra-CV; ressalte-se que, nos dois dados desse exemplo, n&atilde;o h&aacute; qualquer elemento interveniente, o que pode ter favorecido a ocorr&ecirc;ncia dessa variante. No exemplo 43, a variante preferida pelo informante foi a v1 v2-cl. Verifica-se que, nesse exemplo, h&aacute; um elemento interveniente, fazendo com que a variante p&oacute;s-CV tenha se concretizado, uma vez que, foneticamente, a variante intra-CV pudesse soar estranha. </p>      <p>Ainda que de forma menos produtiva, o pronome <i>lhe(s)</i> apresenta &iacute;ndice mais expressivo da variante v1 v2-cl (16%), o que pode sugerir seu favorecimento &agrave; variante p&oacute;s-CV consoante esse resultado, favorecimento cujas motiva&ccedil;&otilde;es necessitam oportunamente ser aprofundadas. </p>      <p>Baseando-se no exposto acima, verifica-se que a coloca&ccedil;&atilde;o parece variar de acordo com o pronome encontrado no complexo verbal, particularmente no que se refere &agrave; &ecirc;nclise ao complexo verbal. Ao que parece, os pronomes <i>o(s) e a(s)</i>, em primeiro plano, e <i>lhe</i>, secundariamente, atuariam no condicionamento da variante p&oacute;s-CV, fazendo diminuir os &iacute;ndices da variante intra-CV. Quanto ao <i>se</i>, destaca-se a possibilidade de a &ecirc;nclise ao complexo estar relacionada preferencialmente aos casos de reflexivos/inerentes.</p>      <p><b>2.3. Breve coment&aacute;rio sobre os dados de interpola&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Como foram encontrados dados de interpola&ccedil;&atilde;o no material investigado e alguns foram citados no decorrer do presente artigo, observaram-se, a t&iacute;tulo de curiosidade, todas as ocorr&ecirc;ncias de lexias verbais simples e de complexos verbais em que houve tal fen&ocirc;meno para verificar os contextos de sua ocorr&ecirc;ncia.<sup><a href="#13" name="top13" >[13]</a></sup></p>      <p>Mateus <i>et alii</i> (2003:866) trata da interpola&ccedil;&atilde;o nos seguintes termos:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro tra&ccedil;o que sobrevive no portugu&ecirc;s europeu padr&atilde;o moderno como res&iacute;duo de uma gram&aacute;tica antiga &eacute; a possibilidade de ocorr&ecirc;ncia do operador de nega&ccedil;&atilde;o fr&aacute;sica <i>n&atilde;o</i> entre um pronome procl&iacute;tico e o hospedeiro verbal (...).</p>      <p>Este fen&ocirc;meno, denominado <b>interpola&ccedil;&atilde;o</b>, era generalizado no portugu&ecirc;s antigo e cl&aacute;ssico, podendo interpor-se entre a forma cl&iacute;tica e a forma verbal uma grande variedade de constituintes.</p>      <p>Constata-se que, segundo as autoras, a interpola&ccedil;&atilde;o no Portugu&ecirc;s Europeu padr&atilde;o constitui resqu&iacute;cio do passado e sobrevive apenas com a part&iacute;cula de nega&ccedil;&atilde;o <i>n&atilde;o</i>. Elas destacam o fato de, no portugu&ecirc;s antigo e cl&aacute;ssico, poder ocorrer a interpola&ccedil;&atilde;o com “uma grande variedade de constituintes”, ou seja, com elementos diversos e diferentes do operador de nega&ccedil;&atilde;o <i>n&atilde;o</i>.</p>      <p>No presente trabalho, foram encontrados 31 dados de interpola&ccedil;&atilde;o nos contextos de lexias verbais simples e quatro nos de complexos verbais. Nas lexias verbais simples, a interpola&ccedil;&atilde;o ocorreu mais produtivamente com pronomes, alcan&ccedil;ando o total de 13 ocorr&ecirc;ncias. Os pronomes encontrados foram: <i>eu </i>(8 dados), <i>ele</i> (3 dados), <i>ela</i> (1 dado) e <i>esta</i> (1 dado). O segundo elemento com o qual houve um n&uacute;mero significativo (dez ocorr&ecirc;ncias) de casos de interpola&ccedil;&atilde;o foi a part&iacute;cula de nega&ccedil;&atilde;o <i>n&atilde;o</i>. Os demais dados apareceram com adv&eacute;rbios (<i>ent&atilde;o, j&aacute;, l&aacute;, agora, ontem </i>e<i> aqui</i>) e um com locu&ccedil;&atilde;o adverbial (<i>&agrave;s vezes</i>).</p>      <p>Nos contextos com os complexos verbais, como j&aacute; foi mencionado, h&aacute; quatro dados de interpola&ccedil;&atilde;o: dois com a part&iacute;cula de nega&ccedil;&atilde;o <i>n&atilde;o</i>, um com o adv&eacute;rbio <i>l&aacute;</i> e, ainda, um com o pronome <i>ele </i>maiso adv&eacute;rbio <i>l&aacute;</i>.</p>      <p><b>3. Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos dados das lexias verbais simples, a atua&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel elemento antecedente ao cl&iacute;tico revelou que as part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o, as preposi&ccedil;&otilde;es <i>para, de, por </i>e <i>sem, </i>os elementos de foco, os elementos <i>qu- </i>em estruturas clivadas e os elementos subordinativos constitu&iacute;ram os principais favorecedores da variante procl&iacute;tica. Vale lembrar que, em in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o e de per&iacute;odo, n&atilde;o houve qualquer ocorr&ecirc;ncia da variante pr&eacute;-verbal, motivo pelo qual esses contextos foram separados dos contextos em que havia a presen&ccedil;a de algum elemento antecedente.</p>      <p>Vale ressaltar, dessa forma, que o condicionamento da ordem dos cl&iacute;ticos pronominais em lexias verbais simples no <i>corpus </i>analisado &eacute; eminentemente lingu&iacute;stico. Saliente-se que as vari&aacute;veis extralingu&iacute;sticas investigadas – sexo e localidade – n&atilde;o se mostraram relevantes ao fen&ocirc;meno, j&aacute; que n&atilde;o houve a sele&ccedil;&atilde;o desses grupos de fatores pelo programa. </p>      <p>No que se refere aos complexos verbais, em fun&ccedil;&atilde;o do menor n&uacute;mero de dados e por se ter privilegiado o fato de a altern&acirc;ncia se dar de forma n&atilde;o bin&aacute;ria, optou-se por interpretar os resultados percentuais das vari&aacute;veis lingu&iacute;sticas investigadas, a saber: (i) elemento antecedente ao cl&iacute;tico e (ii) tipo de cl&iacute;tico.</p>      <p>Das 444 ocorr&ecirc;ncias, a maior parte ocorre com a forma verbal principal no infinitivo (384 dados), seguida pelo ger&uacute;ndio (51 dados) e pelo partic&iacute;pio (11 dados). Considerando a totalidade das ocorr&ecirc;ncias, a variante mais produtiva no <i>corpus</i> foi a intra-CV, interpretada, nesta investiga&ccedil;&atilde;o, como &ecirc;nclise ao verbo auxiliar, o que se fundamentou no fato de o cl&iacute;tico ficar adjacente a v1.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Confirmou-se, de modo geral, que n&atilde;o se d&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o da variante cl v1 v2 nos contextos de in&iacute;cio absoluto de ora&ccedil;&atilde;o/per&iacute;odo, como se esperava, confirmando que a variedade europeia cumpre, de fato, o preceito de que pronomes &aacute;tonos n&atilde;o podem figurar na primeira posi&ccedil;&atilde;o, tanto em lexias verbais simples, quanto nos complexos verbais.</p>      <p>No que tange aos dados com o verbo principal no partic&iacute;pio – quase todos com o auxiliar <i>ter </i>–, constatou-se que a variante mais utilizada foi a pr&eacute;-CV, variante que, em todos os casos, contou com a presen&ccedil;a de elementos “atratores”. Quando havia a aus&ecirc;ncia dessas estruturas, e em apenas um exemplo em que havia elemento proclisador, a posi&ccedil;&atilde;o intra-CV foi concretizada. De modo geral, pode-se ressaltar que o cl&iacute;tico sempre se encontra adjacente a v1 (configurando uma constru&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica de subida do cl&iacute;tico) nos complexos verbais com partic&iacute;pio, antes ou depois dessa forma verbal consoante a atua&ccedil;&atilde;o dos elementos proclisadores.</p>      <p>Os complexos com ger&uacute;ndio – a maioria com o auxiliar <i>ir</i> – exibiram prefer&ecirc;ncia pela variante intra-CV; a pr&eacute;-CV foi concretizada, uma vez mais, mediante a presen&ccedil;a de elemento proclisador, e a p&oacute;s-CV foi realizada somente em dois dados (ambos com o cl&iacute;tico acusativo de 3&ordf; pessoa <i>o (s), a(s)</i>, o que pode estar relacionado a motiva&ccedil;&otilde;es fon&eacute;ticas, o que demanda uma investiga&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica). Ressalta-se, aqui, que, apesar de raros, esses dados contrariam a generaliza&ccedil;&atilde;o proposta em Mateus <i>et alii</i> (2003), de que n&atilde;o se registraria essa variante nessa constru&ccedil;&atilde;o. Em linhas gerais, ressalta-se que, igualmente aos complexos participiais, os cl&iacute;ticos nos complexos com ger&uacute;ndio se encontram, preferencialmente, ligados a v1.</p>      <p>Quanto aos diversos complexos com infinitivo, vale ressaltar que a variante intra-CV, a mais produtiva em todo o <i>corpus</i>, tamb&eacute;m foi a mais registrada nessas constru&ccedil;&otilde;es, com os variados tipos de cl&iacute;ticos (excetuando-se <i>o, a</i>, que aparecem mais comumente na posi&ccedil;&atilde;o encl&iacute;tica ao complexo). A posi&ccedil;&atilde;o interna ao complexo &eacute; ainda mais favorecida na aus&ecirc;ncia de elementos proclisadores, com as formas verbais no partic&iacute;pio e no ger&uacute;ndio, e na presen&ccedil;a de elementos intervenientes. A respeito desses elementos, o estudo permitiu aferir que a posi&ccedil;&atilde;o protot&iacute;pica da variante intra-CV no PE &eacute; adjacente a v1, configurando um caso de &ecirc;nclise ao verbo auxiliar.</p>      <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; variante cl v1 v2, verificou-se que alguns dos elementos antecedentes ao cl&iacute;tico a favoreceram fortemente, como as preposi&ccedil;&otilde;es <i>para</i> e <i>de</i>, os elementos <i>qu- </i>em estruturas clivadas, as part&iacute;culas de nega&ccedil;&atilde;o e os elementos subordinativos. Dessa forma, mostra-se que o contexto morfossint&aacute;tico em que o cl&iacute;tico se insere &eacute; de extrema import&acirc;ncia para a ordem dos cl&iacute;ticos pronominais no PE nas lexias verbais simples e nos complexos verbais.</p>      <p>Por fim, a &ecirc;nclise ao complexo com infinitivo, pouco produtiva, parece ser a preferencial em estruturas com os pronomes <i>o, a (s), </i>conforme j&aacute; se mencionou. Desses fatores, o que parece ser determinante, de fato, &eacute; a forma pronominal acusativa em quest&atilde;o, que, possivelmente por sua d&eacute;bil natureza fon&eacute;tica, apresenta comportamento destoante de outras formas pronominais, conforme se desenvolveu na an&aacute;lise dos dados.</p>      <p>Acredita-se, por fim, que o presente trabalho tenha contribu&iacute;do para o conhecimento da coloca&ccedil;&atilde;o dos cl&iacute;ticos pronominais na modalidade oral da L&iacute;ngua Portuguesa na variedade europeia, al&eacute;m de ter colaborado para a amplia&ccedil;&atilde;o dos estudos referentes ao tema, segundo a abordagem variacionista da Sociolingu&iacute;stica. Os poss&iacute;veis e variados debates provenientes da descri&ccedil;&atilde;o dos resultados ora apresentados ficam para outra oportunidade, em que o tempo e o espa&ccedil;o permitam maior aprofundamento das quest&otilde;es por ora apenas sugeridas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>      <!-- ref --><p>CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley F. L. (2007). <i>Nova Gram&aacute;tica do Portugu&ecirc;s Contempor&acirc;neo</i>. 4&ordf; ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. [1985]&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000382&pid=S0807-8967201200010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>KLAVANS, Judith L. (1985). “The independence of Syntax and Phonology in cliticization”. <i>Language</i> 61(1): 95-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000383&pid=S0807-8967201200010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>LABOV, William (2008). <i>Padr&otilde;es Sociolingu&iacute;sticos</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre e Carolina Rodrigues Cardoso. S&atilde;o Paulo: Par&aacute;bola Editorial. [1972] &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000385&pid=S0807-8967201200010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>______. (1996). <i>Principios del cambio lingu&iacute;stico.</i>Vers&atilde;o espanhola de Pedro Mart&iacute;n Butrague&ntilde;o. Madrid: Gredos. [1994].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000386&pid=S0807-8967201200010001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MACHADO VIEIRA, M&aacute;rcia dos Santos (2004). “Per&iacute;frases verbais: o tratamento da auxiliaridade”. In.: VIEIRA, R. S.; BRAND&Atilde;O, S. F. (orgs). <i>Morfossintaxe e ensino de Portugu&ecirc;s: reflex&otilde;es e propostas. </i>Rio de Janeiro: Faculdade de Letras/UFRJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000388&pid=S0807-8967201200010001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MAGRO, Catarina (2004). <i>O fen&oacute;meno de subida de cl&iacute;tico &agrave; luz de dados n&atilde;o-standard do PE</i>. Ms. Trabalho realizado no &acirc;mbito do semin&aacute;rio <i>Temas de Sintaxe II</i>. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000390&pid=S0807-8967201200010001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>______ (2007). <i> Cl&iacute;ticos: Varia&ccedil;&otilde;es sobre o tema</i>. Lisboa: Universidade de Lisboa (Tese de Doutorado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000392&pid=S0807-8967201200010001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MATEUS, Maria Helena Mira; BRITO, Ana Maria; DUARTE, In&ecirc;s; FARIA, Isabel Hub; FROTA, S&oacute;nia; MATOS, Gabriela; OLIVEIRA, F&aacute;tima; VIG&Aacute;RIO, Marina; VILLALVA, Alina (2003). <i>Gram&aacute;tica da l&iacute;ngua portuguesa</i>. 6&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Editorial Caminho &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000394&pid=S0807-8967201200010001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>VIEIRA, Silvia Rodrigues (2002). <i>Coloca&ccedil;&atilde;o pronominal nas variedades europeia, brasileira e mo&ccedil;ambicana: para a defini&ccedil;&atilde;o da natureza do cl&iacute;tico em Portugu&ecirc;s</i>. Rio de Janeiro: UFRJ, Faculdade de Letras. (Tese de Doutorado em L&iacute;ngua Portuguesa)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000395&pid=S0807-8967201200010001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>WEINREICH, Uriel; LABOV, William; HERZOG, Marvin I. (2006). <i>Fundamentos emp&iacute;ricos para uma teoria da mudan&ccedil;a lingu&iacute;stica</i> / Uriel Weinreich, William Labov, Marvin I. Herzog; tradu&ccedil;&atilde;o Marcos Bagno; revis&atilde;o t&eacute;cnica Carlos Alberto Faraco; posf&aacute;cio Maria da Concei&ccedil;&atilde;o A. de Paiva, Maria Eug&ecirc;nia Lamoglia Duarte. – S&atilde;o Paulo: Par&aacute;bola Editorial. [1968].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000396&pid=S0807-8967201200010001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Centro de Lingu&iacute;stica da Universidade de Lisboa, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.clul.ul.pt/sectores/variacao/cordialsin/projecto_cordialsin.php" target="_blank">www.clul.ul.pt/sectores/variacao/cordialsin/projecto_cordialsin.php</a>, consultado em 25/01/2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000398&pid=S0807-8967201200010001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >[1]</a></sup> Nesta an&aacute;lise, s&atilde;o consideradas todas as estruturas em que h&aacute; mais de uma forma verbal desde que haja certo grau de integra&ccedil;&atilde;o sint&aacute;tico-sem&acirc;ntica e que seja poss&iacute;vel a altern&acirc;ncia do cl&iacute;tico pronominal, sendo mantido o mesmo conte&uacute;do b&aacute;sico em quest&atilde;o. Sendo assim, s&atilde;o considerados n&atilde;o s&oacute; os complexos verbais formados por auxiliares de uso mais frequente, como <i>ter, haver, ser </i>e <i>estar</i> (CUNHA &amp; CINTRA, 2007), mas tamb&eacute;m os chamados semiauxiliares e outros que atendem a poucos requisitos de auxiliaridade (MACHADO VIEIRA, 2004). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top2" name="2" >[2]</a></sup> N&atilde;o houve qualquer ocorr&ecirc;ncia de mes&oacute;clise.</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3" >[3]</a></sup> Nos contextos de complexos verbais, parte-se inicialmente da linearidade da posi&ccedil;&atilde;o do cl&iacute;tico em tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas, o que tira de cena a ambiguidade de algumas constru&ccedil;&otilde;es que, a princ&iacute;pio, podem exibir pronomes encl&iacute;ticos &agrave; primeira forma verbal ou procl&iacute;ticos &agrave; segunda. &Eacute; preciso salientar que essa op&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica n&atilde;o nega o postulado de que existem sintaticamente quatro posi&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para o cl&iacute;tico: &ecirc;nclise/pr&oacute;clise ao verbo auxiliar e &ecirc;nclise/pr&oacute;clise ao verbo principal. A eventual ocorr&ecirc;ncia de material entre os dois verbos constitui o melhor &iacute;ndice para a distin&ccedil;&atilde;o de cada caso, o que, quando poss&iacute;vel, foi utilizado para propor que, via de regra, o PE exibe &ecirc;nclise a v1 quando o cl&iacute;tico se encontra em posi&ccedil;&atilde;o interna ao complexo.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4" >[4]</a></sup> Ressalta-se que os nomes dos informantes s&atilde;o fict&iacute;cios.</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5" >[5]</a></sup> Ressalta-se que o “elemento antecedente ao cl&iacute;tico” n&atilde;o &eacute;, necessariamente, o que est&aacute; imediatamente antes do cl&iacute;tico, mas o que poderia exercer algum tipo de atra&ccedil;&atilde;o no contexto em que o cl&iacute;tico aparece. Por exemplo, em uma ora&ccedil;&atilde;o subordinada em que o cl&iacute;tico tem um sujeito exatamente antes dele, considera-se a conjun&ccedil;&atilde;o subordinativa que introduz a ora&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o o sujeito que aparece antes do pronome &aacute;tono.</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6" >[6]</a></sup> Cabe esclarecer que, inicialmente, cada elemento antecedente, dado seu suposto efeito particular sobre a ordem dos cl&iacute;ticos, foi controlado em separado. Tendo em vista a semelhan&ccedil;a dos &iacute;ndices percentuais de pr&oacute;clise, alguns elementos foram amalgamados em cada fator de modo a prover quantidade de dados vi&aacute;vel para a an&aacute;lise multivariada.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7" >[7]</a></sup> Vale destacar que que a atua&ccedil;&atilde;o da preposi&ccedil;&atilde;o &eacute;, sem d&uacute;vida, diferente nos contextos com verbos na forma verbal finita ou n&atilde;o finita.</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8" >[8]</a></sup> Tal fato pode ser explicado pelo fato de o “l&aacute;” poder ter mais de uma funcionalidade, dependendo do contexto. O “l&aacute;”, por exemplo, pode ser um adv&eacute;rbio locativo ou apenas um marcador de &ecirc;nfase, dependendo da frase em que ele apare&ccedil;a.</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9" >[9]</a></sup> A proposta do presente trabalho assume, como j&aacute; se esclareceu, tr&ecirc;s variantes na an&aacute;lise da posi&ccedil;&atilde;o dos cl&iacute;ticos com complexos verbais. Sendo uma investiga&ccedil;&atilde;o de cunho eminentemente variacionista, o crit&eacute;rio a ser seguido exige que se contemplem inicialmente em uma mesma vari&aacute;vel dependente as estruturas que “dizem a mesma coisa” (Labov 1972) e apresentam formas diferentes. Embora n&atilde;o fa&ccedil;a parte dos objetivos espec&iacute;ficos deste artigo, o tratamento da regra vari&aacute;vel n&atilde;o implica ignorar a interpreta&ccedil;&atilde;o formalista de que haja dois fen&ocirc;menos envolvidos e que podem ser distinguidos: (i) subida vs n&atilde;o subida do cl&iacute;tico (correspondendo a primeira &agrave;s variantes pr&eacute;-CV e intra-CV, e a segunda &agrave; variante p&oacute;s-CV) e (ii) no caso de subida do cl&iacute;tico, pr&oacute;clise (pr&eacute;-CV) ou &ecirc;nclise (intra-CV) ao verbo mais alto. Em etapa posterior da agenda de investiga&ccedil;&atilde;o, assumem-se duas possibilidades de abordagem contrastiva na an&aacute;lise dos resultados: (i) compara&ccedil;&atilde;o dos dados relativos &agrave;s variantes pr&eacute;-CV e intra-CV com os dados que se descreveram para as lexias verbais simples; e (ii) compara&ccedil;&atilde;o do conjunto total das variantes pr&eacute;-CV e intra-CV com a variante p&oacute;s-CV, para identificar a produtividade da subida/n&atilde;o subida do cl&iacute;tico.</p>      <p><sup><a href="#top10" name="10" >[10]</a></sup> Vale destacar que a ordem da apresenta&ccedil;&atilde;o dos fatores de cada vari&aacute;vel nas tabelas se baseia na frequ&ecirc;ncia de dados da variante pr&eacute;-CV encontrada.</p>      <p><sup><a href="#top11" name="11" >[11]</a></sup> Isso pode ser explicado pela funcionalidade desse adv&eacute;rbio nas frases, como j&aacute; se mencionou na an&aacute;lise das lexias verbais simples.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top12" name="12" >[12]</a></sup> Vale destacar que o pronome “te” n&atilde;o ocupou a posi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-CV; h&aacute; apenas dois dados com esse pronome e eles encontram-se nas posi&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-CV e intra-CV.</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13" >[13]</a></sup> Para o estudo detalhado do fen&ocirc;meno da interpola&ccedil;&atilde;o no <i>corpus</i> CORDIAL-SIN, veja-se a tese de doutorado de Magro (2007), que trata de todos os dados em que poderia ocorrer a interpola&ccedil;&atilde;o e dos casos em que realmente houve a interpola&ccedil;&atilde;o. Esta subse&ccedil;&atilde;o pretende, apenas, apresentar os casos de interpola&ccedil;&atilde;o encontrados nos dados analisados.</p>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CUNHA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Celso]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[CINTRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lindley F. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nova Gramática do Português Contemporâneo]]></source>
<year>2007</year>
<edition>4</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Fronteira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KLAVANS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Judith L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The independence of Syntax and Phonology in cliticization]]></article-title>
<source><![CDATA[Language]]></source>
<year>1985</year>
<volume>61</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>95-120</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LABOV]]></surname>
<given-names><![CDATA[William]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bagno]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marcos]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Scherre]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Marta Pereira]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cardoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carolina Rodrigues]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Padrões Sociolinguísticos]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Parábola Editorial]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Butragueño]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro Martín]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Principios del cambio linguístico]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Gredos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MACHADO VIEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Márcia dos Santos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perífrases verbais: o tratamento da auxiliaridade]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[VIEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BRANDÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Morfossintaxe e ensino de Português: reflexões e propostas]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UFRJ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MAGRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Catarina]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O fenómeno de subida de clítico à luz de dados não-standard do PE. Ms.]]></source>
<year>2004</year>
<conf-name><![CDATA[ Temas de Sintaxe II]]></conf-name>
<conf-loc> </conf-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Clíticos: Variações sobre o tema]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MATEUS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Helena Mira]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BRITO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Maria]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[DUARTE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Inês]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FARIA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Isabel Hub]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FROTA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sónia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MATOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriela]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[OLIVEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fátima]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[VIGÁRIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marina]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[VILLALVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alina]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gramática da língua portuguesa]]></source>
<year>2003</year>
<edition>6</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Caminho]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VIEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Silvia Rodrigues]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Colocação pronominal nas variedades europeia, brasileira e moçambicana: para a definição da natureza do clítico em Português]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UFRJ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WEINREICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[Uriel]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LABOV]]></surname>
<given-names><![CDATA[William]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[HERZOG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marvin I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Weinreich]]></surname>
<given-names><![CDATA[Uriel]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Labov]]></surname>
<given-names><![CDATA[William]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Herzog]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marvin I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bagno]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marcos]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Faraco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos Alberto]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Parábola Editorial]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[]]></source>
<year></year>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Linguística da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
