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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Estado e a Cultura: coisas de que os homens (não) falam]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This essay puts together some questions regarding the relationship between art and politics, unfolded by a rereading of Fernando Gil’s essay. The aim is thus to evoke a comment on the statute of the image and its mediatisation, through which some clues hare hinted at in order to understand the ethical difference between artistic comsumerism and the individual and collective internalisation of the aesthetic message.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p> <b>O Estado e a Cultura: coisas de que os homens (n&atilde;o) falam</b> </p>     <p><b>The State of Culture: Things men (don&acute;t) talk about</b></p>     <p> <b>Eduardo Paz Barroso*</b> </p>     <p> *Professor catedr&aacute;tico FCHS, Universidade Fernando Pessoa, Porto e LabCom, Universidade da Beira Interior, Covilh&atilde; </p>      <p><a href="mailto:epb@ufp.edu.pt">epb@ufp.edu.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p> Neste texto equacionam-se algumas quest&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a arte a pol&iacute;tica, desencadeadas pela releitura de um ensaio de Fernando Gil. O objetivo &eacute; ent&atilde;o o de suscitar um coment&aacute;rio ao estatuto das imagens e sua mediatiza&ccedil;&atilde;o, a partir do qual se lan&ccedil;am pistas para indagar a diferen&ccedil;a &eacute;tica entre consumos art&iacute;sticos e a interioriza&ccedil;&atilde;o individual e coletiva da mensagem est&eacute;tica. </p>     <p><b>Palavras chave</b>: Media&ccedil;&atilde;o; Arte, Compaix&atilde;o, Pol&iacute;tica</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p> This essay puts together some questions regarding the relationship between art and politics, unfolded by a rereading of Fernando Gil&#8217;s essay. The aim is thus to evoke a comment on the statute of the image and its mediatisation, through which some clues hare hinted at in order to understand the ethical difference between artistic comsumerism and the individual and collective internalisation of the aesthetic message. </p>     <p><b>Keywords</b>: Mediatisation, Art, Compassion, Politics.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>1</b>. Num texto admir&aacute;vel, &#8220;Estas Coisas de que os Homens Falam&#8221;,<a href="#1" name="top1">[1]</a> Fernando Gil fala-nos, com a ac&uacute;stica inconfund&iacute;vel do seu pensamento, da import&acirc;ncia das media&ccedil;&otilde;es e do modo como estas, nalguns casos, como aconteceu em 1997 com a morte da princesa Diana de Gales, podem dar origem a uma &#8220;efic&aacute;cia da compaix&atilde;o&#8221;. Estar&iacute;amos assim perante uma ideia que se torna sens&iacute;vel gra&ccedil;as a uma imagem (ou a uma sucess&atilde;o de imagens) e que acaba, no limite, por se <i>con-fundir</i> com a pr&oacute;pria ideia que a tornou sens&iacute;vel. Quer dizer n&oacute;s n&atilde;o ter&iacute;amos j&aacute; imagens da piedade, mas sentar&iacute;amos a piedade por causa das imagens. Apresentando dois breves exemplos: o retrato de Lewis Pane, um condenado &agrave; morte que exibe um rosto de uma serenidade difusa, resistente e inquietante, na fotografia de Alexander Gardener, de 1865 comentada primeiro por Barthes e depois Ranci&egrave;re (1) Ou, bem mais recentemente, a fotografia de Kevin C&aacute;rter (1993) que a redund&acirc;ncia das mediatiza&ccedil;&otilde;es glorificou, ao acentuar a dupla trag&eacute;dia que a caracteriza: a pequena crian&ccedil;a moribunda, no deserto do Sud&atilde;o, dobrada sobre si e uma ave de rapina a escassos metros. Entre a moral da <i>est&oacute;ria</i> (o fot&oacute;grafo vencedor de um prestigiad&iacute;ssimo pr&eacute;mio acabou por se suicidar) e uma Hist&oacute;ria sem moral (a indiferen&ccedil;a do olhar coletivo perante o espet&aacute;culo catastr&oacute;fico do mundo a ruir, tal como uma linguagem que se desmorona), abre-se a brecha da compaix&atilde;o. </p>      <p>&Eacute; muito dif&iacute;cil manifestarmos interesse pelas coisas relativamente &agrave;s quais n&atilde;o dispomos de media&ccedil;&atilde;o, pois essa &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o (como esclarece Fernando Gil) para elas pertencerem &agrave;s nossas vidas, tornarem-se pr&oacute;ximas e partilh&aacute;veis, e assim serem comparadas a &#8220;pontes&#8221; entre a exist&ecirc;ncia individual e o que nos &eacute; &#8220;contado&#8221;. Para que alguma coisa fa&ccedil;a parte de mim eu tenho que a ir buscar sob a forma de narrativa. A esfera da proximidade produz os seus efeitos, um dos mais importantes &eacute; a apropria&ccedil;&atilde;o que se manifesta pela vontade de citar. Como, por exemplo, acontece agora com esta proposi&ccedil;&atilde;o da <i>&Eacute;tica</i> de Espinosa: &#8220;Os homens podem diferir em natureza, na medida em que s&atilde;o dominados por afe&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o paix&otilde;es; e, ainda nessa mesma medida, um s&oacute; e o mesmo homem &eacute; vari&aacute;vel e inconstante&#8221;.<a href="#2" name="top2">[2]</a> </p>      <p>Esta diferen&ccedil;a e a alteridade relativa a cada um, n&atilde;o explica apenas pequenos ou grandes desvios de humor, como o prazer ou o sofrimento provocado pelas imagens e pelo n&iacute;vel de conhecimento individual com que as encaramos. Pois como salienta o fil&oacute;sofo, na demonstra&ccedil;&atilde;o da sua proposi&ccedil;&atilde;o, &#8220;h&aacute; tantas esp&eacute;cies de cada afe&ccedil;&atilde;o, quantas s&atilde;o as esp&eacute;cies de objetos pelos quais somos afetados&#8221;. N&atilde;o &eacute; a nossa natureza que explica o que nos acontece, mas a natureza das coisas externas combinadas (&#8220;em &#8220;composi&ccedil;&atilde;o&#8221;) com a natureza de cada um. </p>      <p>Do mesmo modo, a apropria&ccedil;&atilde;o de uma ideia por uma imagem, levaria &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o de uma coisa interna numa coisa externa, logo vis&iacute;vel, prop&iacute;cia &agrave; media&ccedil;&atilde;o e, nessa medida, capaz de produzir um sentido pessoal, garantir uma atribui&ccedil;&atilde;o de significado que se torne a&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o contempla&ccedil;&atilde;o. Desse agir faz parte a esperan&ccedil;a redentora (que Fernando Gil evoca como uma esp&eacute;cie de condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-tr&aacute;gica). A nossa possibilidade redentora passaria ent&atilde;o, na minha hip&oacute;tese, por uma &eacute;tica das imagens.</p>      <p>Arist&oacute;teles, na <i>Po&eacute;tica</i> (1450<sup> </sup>a), observa que o pensamento e o car&aacute;ter s&atilde;o as duas causas das a&ccedil;&otilde;es. O enredo &eacute; a &#8220;imita&ccedil;&atilde;o&#8221; de uma a&ccedil;&atilde;o. A media&ccedil;&atilde;o proporciona enredos, imita a&ccedil;&otilde;es, substitu&iacute;as por fic&ccedil;&otilde;es. Pensar a compaix&atilde;o &eacute; assim <i>ter</i> compaix&atilde;o, o que equivaleria a deixar-nos numa <i>situa&ccedil;&atilde;o de imagem</i>. Imaginarmo-nos naquela imagem.</p>      <p>Perante os filmes, as fotografias, as televis&otilde;es e os ecr&atilde;s em geral, o homem contempor&acirc;neo experimenta agora uma orfandade essencial, algo talvez compar&aacute;vel a um vazio psicanal&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s origens. Por isso &eacute; que o texto de Fernando Gil, ao ser suscitado pelo tema dos milenarismos, recentra a cultura na dificuldade em lidar com o desfasamento &#8220;perturbante, tanto maior quanto mais longe se est&aacute; dos centros da modernidade, entre a contextualiza&ccedil;&atilde;o tribal no imediato e a universalidade abstrata da globaliza&ccedil;&atilde;o&#8221; (Gil, 1998: 313). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Passar pela imagem, ou pelo objeto art&iacute;stico, em vez de a transportar em n&oacute;s, equivale &agrave; incapacidade de fazer da imagem passado. A&iacute; reside em grande parte o drama de uma atual orfandade das origens. Ou como constata Godard a prop&oacute;sito da televis&atilde;o, estamos cercados pela produ&ccedil;&atilde;o de esquecimento. O pensamento est&aacute; amea&ccedil;ado pela indiferen&ccedil;a. Sem lugar ao enredo, sem lugar &agrave; imita&ccedil;&atilde;o aristot&eacute;lica, a imagem torna-se fraudulenta. Deparamos com o contr&aacute;rio da imagem intoler&aacute;vel de que nos fala Ranci&egrave;re. Fora do jogo da culpabilidade e do testemunho a imagem desliga-se do vest&iacute;gio.<a href="#3" name="top3">[3]</a> Ao perder a liga&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que a tornava de facto intoler&aacute;vel, fosse o sublime ou o sofrimento, a imagem aliena-se. Inviabiliza qualquer tipo de efic&aacute;cia, pois deixa de haver lugar ao &#8220;amor&#8221; no quadro da rela&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica. N&atilde;o nos referimos aqui aos fragmentos de um discurso sobre o amor (Barthes), compat&iacute;vel com a reconfigura&ccedil;&atilde;o do &#8220;eu&#8221; suscitada pelos atributos do Romantismo e pela vertigem de uma enciclop&eacute;dia pessoal, mas ao excesso, tal como Espinosa o enuncia na sua proposi&ccedil;&atilde;o XLIV da <i>&Eacute;tica</i>, livro III: &#8220; O amor e o desejo podem ter excesso&#8221;. <a href="#4" name="top4">[4]</a></p>      <p>A dimens&atilde;o est&eacute;tica, o lugar da arte, corre hoje um s&eacute;rio risco de se (deixar) ficar no imediato da contextualiza&ccedil;&atilde;o tribal, e dispor-se a uma amplifica&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica que apenas lhe acentua os contornos, que a torna folcl&oacute;rica, hedonista, que a banaliza baralhando a indistin&ccedil;&atilde;o Pop entre a c&oacute;pia e o original, ele pr&oacute;prio j&aacute; de si uma r&eacute;plica, na prateleira de um qualquer supermercado. </p>      <p>Portugal tende a torna-se num lugar de passagem (e de emigra&ccedil;&atilde;o, como agora se volta a dizer), em vez de ser um destino (tal como poder&iacute;amos entender o pa&iacute;s, &agrave; maneira de Eduardo Louren&ccedil;o). Em discursos recentes sobre este &#8220;pa&iacute;s navio&#8221; perpassa por vezes o fantasma de uma encarna&ccedil;&atilde;o do mal &agrave; qual, recorrendo a uma met&aacute;fora pessoana, s&oacute; um super Cam&otilde;es seria capaz de fazer frente. &#8220;Tanto Cam&otilde;es como Pessoa &#8211; escrevia Jacinto do Prado Coelho &#8211; cantores da p&aacute;tria, s&atilde;o poetas da aus&ecirc;ncia. Poetas do que foi ou do que poder&aacute; vir a ser&#8221; (Coelho, 1978:308). Conter essa tend&ecirc;ncia para nos encontrarmos num local de passagem, (em vez de sermos passageiros de uma longa viagem, como j&aacute; o soubemos ser) implica, em termos culturais, a valoriza&ccedil;&atilde;o &eacute;tica do que em n&oacute;s &eacute; origem e genialidade. Paradigma de um gesto art&iacute;stico fundador, por outros identificado e vivenciado. O cinema de Manoel de Oliveira ou de Pedro Costa, a arquitetura de Siza ou de Souto Moura, alguma da nossa literatura (de Agustina a Saramago, de Vasco Gra&ccedil;a Moura a Herberto H&eacute;lder), s&atilde;o disso mesmo exemplo. </p>      <p><b>2</b>. Nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas a promo&ccedil;&atilde;o dos nossos valores culturais tem sido fomentada, sobretudo a partir de duas conce&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Uma, de fei&ccedil;&atilde;o tecnocr&aacute;tica, assente numa perspetiva redutora de gest&atilde;o das artes, limita-se a fazer destas objeto de curiosidade tur&iacute;stica mais ou menos espalhafatosa. Com frequ&ecirc;ncia, os resultados decorrentes deste entendimento traduzem-se numa esp&eacute;cie de sacraliza&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o (medi&aacute;tica) do objeto art&iacute;stico, fundada numa obsess&atilde;o demag&oacute;gica por estat&iacute;sticas, quantidade de exibi&ccedil;&otilde;es, respostas dos p&uacute;blicos.</p>      <p>A outra (que n&atilde;o &eacute; inconcili&aacute;vel com a anterior) consiste numa euforia ideol&oacute;gica, monopolizadora da administra&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica da Cultura em nome de supostos grandes valores da tradi&ccedil;&atilde;o da esquerda europeia, que na pr&aacute;tica procuram impor um consenso totalit&aacute;rio, logo nega&ccedil;&atilde;o da instabilidade ut&oacute;pica que George Steiner tanto valoriza quando diz que &#8220;a esperan&ccedil;a &eacute; a gram&aacute;tica&#8221; (Steiner, 2001:106). </p>      <p>A gram&aacute;tica ut&oacute;pica das linguagens art&iacute;sticas articula espa&ccedil;os improv&aacute;veis de um futuro que se desloca j&aacute; no presente atrav&eacute;s de uma &#8220;cartografia do desconhecido&#8221; (Steiner). &Eacute; esse desconhecido que verdadeiramente importa. S&oacute; ele traz essa condi&ccedil;&atilde;o da Est&eacute;tica contempor&acirc;nea onde a arte implica a realidade, reclamando-a como uma mat&eacute;ria prima, para melhor nos poder falar, sempre de um mundo deslocado, de uma universalidade em crise de representa&ccedil;&atilde;o, de uma entidade ontol&oacute;gica de novo no encal&ccedil;o do seu imagin&aacute;rio individual. Esta esperan&ccedil;a na arte, n&atilde;o depende em primeira inst&acirc;ncia de programas de apoio governamentais, nem de diretrizes de partidos que promovem a cria&ccedil;&atilde;o como ve&iacute;culo doutrin&aacute;rio e exibem os autores como trof&eacute;us nas c&iacute;clicas disputas eleitorais. Depende antes de mais da conjuga&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o e <i>vontade de poder</i> ( Nietzsche). </p>      <p>A este prop&oacute;sito, valeria a pena examinar os argumentos que pretendem justificar o modelo civilizacional da chamada &#8220;democratiza&ccedil;&atilde;o cultural&#8221;. Embora esta se exiba cada vez mais como equ&iacute;voco. Um equ&iacute;voco, alimentado pelo Estado e por boa parte dos interesses institucionais privados na Cultura. No que toca &agrave;s artes pl&aacute;sticas, observe-se, por exemplo, a moribunda &#8220;Funda&ccedil;&atilde;o Elipse&#8221; com liga&ccedil;&otilde;es ao Banco Privado de Jo&atilde;o Rendeiro ou a ced&ecirc;ncia da cole&ccedil;&atilde;o Berardo ao Estado via Centro Cultural de Bel&eacute;m (CCB),<a href="#5" name="top5">[5]</a> com toda a l&oacute;gica de depend&ecirc;ncias e clientelas da&iacute; decorrentes, ambas realidades t&iacute;picas de uma fal&aacute;cia animada por interesses especulativos. Estes, nada tem a ver com sinaliza&ccedil;&atilde;o de instrumentos simb&oacute;licos que permitam encadear hist&oacute;rias e a sua duplicidade, na esteira do que Godard designa como a &#8220;fraternidade das met&aacute;foras&#8221;, e que convoca cada um na diversidade e inconst&acirc;ncia das suas paix&otilde;es a aproximar-se de si, e, tanto quanto poss&iacute;vel de outros. </p>      <p>Em vez disso, o que temos &eacute; a substitui&ccedil;&atilde;o da emo&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica - e do trabalho de solid&atilde;o que esta exige, afinal a base da mundivid&ecirc;ncia comum ao gesto art&iacute;stico e &agrave; frui&ccedil;&atilde;o hermen&ecirc;utica -, pela decora&ccedil;&atilde;o cosmopolita, pela instantaneidade de formas de estar em vez da insist&ecirc;ncia em formas permanecer. O espectador, o visitante, o leitor, trope&ccedil;a com frequ&ecirc;ncia na trivialidade do objeto art&iacute;stico, mascarado por um protocolo de dignidade (a sala do museu, o audit&oacute;rio ou festival onde se exibe o filme, a sala de teatro onde a performance decorre), em vez de participar na constru&ccedil;&atilde;o intelectual necess&aacute;ria para que o acontecimento art&iacute;stico seja apreendido na sua enigm&aacute;tica genealogia. Em suma, confundir a promo&ccedil;&atilde;o da cultura com a promo&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es culturais &eacute; um erro enorme, mas talvez sem corre&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel.</p>      <p>A discuss&atilde;o promovida pela agenda jornal&iacute;stica relativa ao facto da Cultura dever, ou n&atilde;o dever ser tutelada por um minist&eacute;rio, constitui um bom exemplo desta artificialidade. Curiosamente, em 2002 aquando da campanha para as legislativas, os dois principais partidos que alternam a presid&ecirc;ncia dos sucessivos governos concordavam que devia ser um minist&eacute;rio a tutelar a cultura. As raz&otilde;es eram diversas (e n&atilde;o podemos entrar agora na sua an&aacute;lise detalhada), por&eacute;m os motivos apontados na ocasi&atilde;o pelo PSD eram basicamente os seguintes: &#8220;a cultura deve um minist&eacute;rio n&atilde;o tanto por uma quest&atilde;o de operacionalidade (...) mas por uma quest&atilde;o de dignidade&#8221; (f&oacute;rmula que na recente campanha n&atilde;o foi oficialmente equacionada). Esta mesma tese acabou por ser agora veementemente defendida por alguns &#8220;especialistas&#8221; (conotados com a esquerda designadamente em declara&ccedil;&otilde;es ao di&aacute;rio &#8220;P&uacute;blico&#8221; por ocasi&atilde;o da campanha eleitoral de para as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de junho de 2011). Diferente era a posi&ccedil;&atilde;o do economista Augusto Mateus, personalidade de grande notoriedade na &aacute;rea socialista e principal respons&aacute;vel por um marcante relat&oacute;rio sobre o setor cultural e criativo em Portugal.<a href="#6" name="top6">[6]</a></p>      <p>Face a esta diversidade de quest&otilde;es, filos&oacute;ficas e sociais, em que fic&aacute;mos? </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na exposi&ccedil;&atilde;o apresentada pelo Museu de Arte Contempor&acirc;nea de Serralves, &#8220;&Agrave;s Artes Cidad&atilde;os, <a href="#7" name="top7">[7]</a> protagonizada por artistas nascidos depois de 1961, ano em que surgiu o Muro de Berlim, via-se uma pe&ccedil;a do coletivo Claire Fontaine: um n&eacute;on, (que podia ser observado junto a um dos muros do parque que envolve o museu) com a frase <i>Capitalism Kills Love</i>. A pe&ccedil;a funcionava como s&iacute;mbolo de um gesto art&iacute;stico e a sua ambiguidade textual remetia para um amor assassinado, e/ou para o amor como assinatura, a selar uma declara&ccedil;&atilde;o contra o capitalismo porventura mortal. Em qualquer das hip&oacute;teses trata-se de trazer ao quotidiano de uma realidade urbana (neste caso o Porto), com as suas apar&ecirc;ncias e contradi&ccedil;&otilde;es, a ilus&atilde;o de uma frase irredut&iacute;vel. </p>      <p>Serve este exemplo para situar o papel do Estado na Cultura, caso seja aceite a met&aacute;fora aqui proposta: o minist&eacute;rio (a inst&acirc;ncia pol&iacute;tica) deve escolher entre o &#8220;capitalismo&#8221; e o &#8220;amor&#8221;, ou deve, como muitos entendem que devia ser, deixar essa escolha para &#8220;os cidad&atilde;os&#8221; (os verdadeiros entes pol&iacute;ticos)? E nesse caso n&atilde;o ser&atilde;o os &#8220;cidad&atilde;os&#8221; (isto &eacute;, os espectadores) essa terceira inst&acirc;ncia, onde um mal estar se instalada pelo diferendo entre o ato de assistir (participar no espet&aacute;culo) e a atitude emancipadora de olhar para ele. Em suma, a dignidade encontra-se em primeiro lugar na cria&ccedil;&atilde;o, e s&oacute; depois nas institui&ccedil;&otilde;es que a devem servir, sem subservi&ecirc;ncia nem dirigismo. </p>      <p>Um minist&eacute;rio podia ser &uacute;til se, em vez de uma atividade voltada para os programas de atribui&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios, para a legitima&ccedil;&atilde;o ritual das organiza&ccedil;&otilde;es que atribuem pr&eacute;mios, para o exerc&iacute;cio do poder de escolher quem o representa nas funda&ccedil;&otilde;es, para o estabelecimento de uma rede interna de pequenos poderes, (que vai da nomea&ccedil;&atilde;o dos diretores gerais ao diretores art&iacute;sticos, e por a&iacute; fora), come&ccedil;asse, isso sim, por concretizar uma estrat&eacute;gia coerente e cred&iacute;vel de preserva&ccedil;&atilde;o dos patrim&oacute;nios e de est&iacute;mulo &agrave; difus&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o plural da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica contempor&acirc;nea. O desafio &agrave;s pol&iacute;ticas culturais no caso de um pa&iacute;s como Portugal passa por fazer delas um instrumento de irradia&ccedil;&atilde;o, uma plataforma de permutas, uma garantia de pluralidade esteticamente exigente. </p>      <p><b>3.</b> A quest&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o da cultura n&atilde;o pode ser equacionada a partir de um lugar exterior, falsamente ut&oacute;pico e falsamente pol&iacute;tico, que seria supostamente o espa&ccedil;o t&eacute;cnico da administra&ccedil;&atilde;o da arte pelos especialistas. Desde a d&eacute;cada de 90 do s&eacute;culo passado que a cultura experimenta uma esp&eacute;cie de limite hist&oacute;rico do qual decorre o desconforto terr&iacute;vel de se lhe aplicarem modelos (de leitura, de difus&atilde;o, de codifica&ccedil;&atilde;o) que j&aacute; n&atilde;o correspondem &agrave; experi&ecirc;ncia que dela &eacute; feita. Um dos sintomas mais interessantes disso mesmo consiste na sua utiliza&ccedil;&atilde;o como meio de diagn&oacute;stico para uma crise civilizacional que, sabemo-lo agora, se tornou muito mais grave e assustadora do que se podia imaginar h&aacute; uma d&uacute;zia de anos atr&aacute;s. Neste momento temos a certeza, parafraseando Herman Hesse (pela via de uma sedutora ep&iacute;grafe de Eduardo Louren&ccedil;o), n&atilde;o existir &#8220;em parte alguma uma unidade, um centro, um ponto &agrave; volta do qual a roda gire&#8221;. </p>      <p>Esta perda de unidade &eacute;, em primeiro lugar a perda de unidade da cultura como sistema que permitia conectar saberes e disciplinas e organizar uma esp&eacute;cie de entretenimento erudito que, consoante fosse socialmente alargado, melhor garantia uma din&acirc;mica de progresso e qualifica&ccedil;&atilde;o. Oscilando entre o consumo e a melancolia o sujeito culto da atualidade parece relegado &agrave; situa&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria de um gosto excedent&aacute;rio. </p>      <p>Mas a aus&ecirc;ncia de um centro, a desmultiplica&ccedil;&atilde;o de g&eacute;neros, a homogeneiza&ccedil;&atilde;o das atitudes est&eacute;ticas, a par de um dom&iacute;nio cada vez maior da economia pela cultura, tem como principal consequ&ecirc;ncia uma perda de autonomia que passa em muitos casos a fazer parte do fen&oacute;meno art&iacute;stico, o qual &eacute; sempre uma cr&iacute;tica da linguagem, e por consequ&ecirc;ncia do sujeito. </p>      <p>No &acirc;mbito da j&aacute; aqui mencionada exposi&ccedil;&atilde;o &#8220;&Agrave;s artes, cidad&atilde;os!&#8221; a realizadora de cinema Hito Steyerl faz uma constata&ccedil;&atilde;o que corrobora perfeitamente esta ideia, ao afirmar que &#8220;com exce&ccedil;&atilde;o do trabalho dom&eacute;stico e de assist&ecirc;ncia, a arte &eacute; a ind&uacute;stria com o maior n&uacute;mero de trabalhadores sem sal&aacute;rio&#8221;.<a href="#8" name="top8">[8]</a> Claro que a arte contempor&acirc;nea tamb&eacute;m se alimenta de &#8220;migalhas de uma redistribui&ccedil;&atilde;o&#8221; que opera a partir das &#8220;grandes refinarias&#8221; da cultura, esse petr&oacute;leo em defla&ccedil;&atilde;o, exemplificadas nos mega-museus globais, esp&eacute;cie de Guggenheim planet&aacute;rio. Esta situa&ccedil;&atilde;o, praticamente impens&aacute;vel nos gloriosos anos 80, &eacute; ela pr&oacute;pria uma consequ&ecirc;ncia da banaliza&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e de uma dilui&ccedil;&atilde;o da est&eacute;tica na antropologia urbana. Depois de ter sido um sistema hierarquizado no classicismo, a arte deu lugar a todas as indefini&ccedil;&otilde;es e fez dessa uma das suas principais qualidades distintivas. As outras duas seriam manter a prerrogativa sobre a fic&ccedil;&atilde;o (o que j&aacute; deixou ser completamente verdade) e elaborar uma <i>ontologia do imagin&aacute;rio</i> (no sentido de possibilitar a identifica&ccedil;&atilde;o individual equivalente ao que na conce&ccedil;&atilde;o freudiana remete para uma rela&ccedil;&atilde;o de semelhan&ccedil;a relativa &agrave; que ocorre com o sonho). A arte como se fosse a vida.</p>      <p>Face a esta &uacute;ltima anota&ccedil;&atilde;o, e na moldura sociol&oacute;gica atual, a promo&ccedil;&atilde;o da cultura fica restrita a uma l&oacute;gica de mercado. N&atilde;o basta &#8220;comprar&#8221;. &Eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio saber o que fazer com os bens (neste caso culturais) que se consomem. At&eacute; porque o cont&aacute;gio nocivo do termo promo&ccedil;&atilde;o, associado a toda uma gama de descontos, saldos e feiras, com os media a cobrirem a celebra&ccedil;&atilde;o pelas minorias ideol&oacute;gicas dos grandes acontecimentos oferecidos &agrave;s maiorias sociol&oacute;gicas, s&oacute; pode ter um desfecho: a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do sujeito. Ou, como escreve Eduardo Louren&ccedil;o (1988:61), ao analisar o nosso desacerto com a Europa, ou o desacerto dela connosco, &#8220; a Cultura &eacute; o sujeito como realidade&#8221;. Aquilo a que assistimos hoje &eacute; &agrave; perda da raz&atilde;o iluminista, qual ferida narc&iacute;sica, que s&oacute; pode suturada pelo regresso ao texto, a cada um dos textos, tomados subjetivamente por necess&aacute;rios. Nesse caso, os homens falariam talvez de outras coisas e a compaix&atilde;o podia, finalmente, desembaciar as imagens. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ARIST&Oacute;TELES (2007), <i>Po&eacute;tica</i>, tradu&ccedil;&atilde;o e notas Ana Maria Valente, Lisboa, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000043&pid=S0807-8967201200030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>COELHO, Jacinto do Prado (1978), &#8220;D&acute;Os Lus&iacute;adas &agrave; Mensagem&#8221;, in <i>Atas do Primeiro Congresso Internacional de Estudos Pessoanos</i> (1978), Bras&iacute;lia Editora, Porto, pp. 307-318&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000044&pid=S0807-8967201200030001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>GIL Fernando (1998), &#8220;Estas Coisas de que os Homens Falam&#8221;, in <i>Portugal na Transi&ccedil;&atilde;o do Mil&eacute;nio</i> (1998), Fim de S&eacute;culo (ed.), Lisboa, pp. 303-314&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000045&pid=S0807-8967201200030001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>LOUREN&Ccedil;O, Eduardo (1988), <i>N&oacute;s e a Europa</i>, Lisboa, INCM,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000046&pid=S0807-8967201200030001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>RANCI&Egrave;RE, Jacques (2010), <i>O espectador Emancipado</i>, Lisboa, Orfeu Negro &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000048&pid=S0807-8967201200030001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>STEINER, Georges (2001), <i>Errata</i> , Lisboa, Rel&oacute;gio D&acute;&Aacute;gua &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000049&pid=S0807-8967201200030001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><a href="#top1" name="1">[1]</a> Ver a este prop&oacute;sito, Roland Barthes, &#8220;A C&acirc;mara Clara&#8221;, edi&ccedil;&otilde;es 70, Lisboa, 1981, p&aacute;g. 135/136 e Jacques Ranci&egrave;re. &#8220;O espectador Emancipado&#8221;, Orfeu Negro, Lisboa, 2010, designadamente os seus conceitos de &#8220;imagem intoler&aacute;vel&#8221;, p&aacute;g. 125 e &#8220;imagem pensativa&#8221;, p&aacute;g. 157.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2" name="2">[2]</a> Espinosa, <i>&Eacute;tica</i>, livro III, proposi&ccedil;&atilde;o XXXIII, Atl&acirc;ntida, Coimbra, 1965, p&aacute;g.40, tradu&ccedil;&atilde;o Ant&oacute;nio Sim&otilde;es.</p>      <p><a href="#top3" name="3">[3]</a> Ver Jacques Ranci&egrave;re, <i>Idem</i>, p&aacute;g. 134/135; a verdadeira testemunha tem que ser involunt&aacute;ria, &#8220;&eacute; aquela que n&atilde;o quer testemunhar&#8221;.</p>      <p><a href="#top4" name="4">[4]</a> Espinosa, &Eacute;tica, proposi&ccedil;&atilde;o XLIV da <i>&Eacute;tica</i>, livro III, Atl&acirc;ntida, Coimbra, 1965, p&aacute;g.56, tradu&ccedil;&atilde;o Ant&oacute;nio Sim&otilde;es.</p>      <p><a href="#top5" name="5">[5]</a> Trata-se de duas cole&ccedil;&otilde;es privadas de arte contempor&acirc;nea que fizerem &#8220;correr muita tinta&#8221; pelas pol&eacute;micas a que deram origem, uma delas, objeto da Funda&ccedil;&atilde;o Elipse, envolveu um banco de investimento e a sua l&oacute;gica de especula&ccedil;&atilde;o financeira ligada ao mercado de arte contempor&acirc;nea; a outra uma cole&ccedil;&atilde;o de um investidor privado individual (Joe Berardo) que foi cedida temporariamente ao Estado em condi&ccedil;&otilde;es muito questionadas por diversos setores da sociedade portuguesa.</p>      <p><a href="#top6" name="6">[6]</a> Relat&oacute;rio coordenado por Augusto Mateus, <i>O Setor Cultural e Criativo em Portugal</i>, 2010 (dispon&iacute;vel em  linha <a href="http://www.gpeari.pt/" target="_blank">http://www.gpeari.pt/</a>) . &#8220;As mudan&ccedil;as de paradigma no desenvolvimento econ&oacute;mico e social, integrando crescentemente novas dimens&otilde;es sociais e criativas, t&ecirc;m contribu&iacute;do para alimentar a constru&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o alargada da &#8220;cultura&#8221;, l&ecirc;-se na abertura do documento que come&ccedil;a por salientar a altera&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es qualitativas e quantitativas da cultura. Neste exaustivo diagn&oacute;stico as quest&otilde;es econ&oacute;micas ganham uma relev&acirc;ncia acentuada, considerando a cultura um universo din&acirc;mico, em expans&atilde;o confrontado com desafios que v&atilde;o das politicas p&uacute;blicas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o empresarial.</p>      <p><a href="#top7" name="7">[7]</a> A exposi&ccedil;&atilde;o &#8220;&Agrave;s Artes, Cidad&atilde;os!&#8221; decorreu no Museu de Serralves entre novembro de 2010 e mar&ccedil;o de 2011, reuniu artistas de diversas proveni&ecirc;ncias e segundo os organizadores propunha-se pensar as interse&ccedil;&atilde;o da arte com a politica: &#8220;&#8221;O objetivo &eacute; sempre o de revelar m&uacute;ltiplas perspetivas de um tema que convoca conceitos com os de globaliza&ccedil;&atilde;o, democracia, ativismo, ideologia, memoria, ex&iacute;lio, revolu&ccedil;&atilde;o, iconoclastia, comunidade&#8221; (pref&aacute;cio dos comiss&aacute;rios &Oacute;scar Faria e Jo&atilde;o Fernandes, in <i>&Agrave;s Artes, Cidad&atilde;os!</i> Museu de Arte Contempor&acirc;nea de Serralves, Porto, 2010, p. 19.</p>      <p><a href="#top8" name="8">[8]</a> Hito Steyerl, &#8220;A Pol&iacute;tica da Arte&#8221;, in <i>&Agrave;s Artes, Cidad&atilde;os!</i> Museu de Arte Contempor&acirc;nea de Serralves (ed.), Porto, 2010, pp.201-205.</p>       ]]></body><back>
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