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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os pas(sos) em Pessoa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article extrapolates from Maurice Blanchot’s meditation on the pas (step/not) and aims to use such notion as a point of entry and articulation for the analysis of the writing in several instances of Pessoa’s text. It attempts to address the conditions of (im)possibility of different poetic structures (degrees of lyric poetry, scale/ladder of depersonalization) which are rendered in the text. It attempts to trace several steps and pauses, crossings and suspensions, while viewing the literary text as a performance and not as a mere point of passage for meanings or presences beyond the text. Writing is thus understood as a differential and negative process in which the promised presences (dramatic poet, Chevalier de Pas) necessarily do not go beyond (forms, the materiality) of the text, in which they are always already writing. The several pas (step/not) illustrate thusly the movement of and within the text, which advances by emphasizing writing’s aporetical feature, its excess and irreducibility of meaning, ever other.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p> <b>Os pas(sos) em Pessoa</b> </p>      <p> <b>The <i>pas</i> in Pessoa</b> </p>      <p> <b>Rui Gon&ccedil;alves Miranda*</b> </p>     <p> *CEHUM , Universidade do Minho, Braga, Portugal/ The University of Nottingham, Reino Unido. Projeto de p&oacute;s-doutoramento financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (SFRH/BPD/71245/2010) </p>      <p><a href="mailto:ruifgm@sapo.pt">ruifgm@sapo.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p> Este artigo visa usar a no&ccedil;&atilde;o de pas(sos), uma extrapola&ccedil;&atilde;o a partir da medita&ccedil;&atilde;o de Maurice Blanchot sobre o <i>pas</i>, como um ponto de entrada e articula&ccedil;&atilde;o para a an&aacute;lise da escrita em diversas inst&acirc;ncias no texto pessoano. Procura, deste modo, abordar as condi&ccedil;&otilde;es de (im)possibilidade de diferentes estruturas po&eacute;ticas (<i>graus de poesia l&iacute;rica</i>, <i>escala/escada de despersonaliza&ccedil;&atilde;o</i>) que nele tomam lugar. </p>     <p> Assim sendo, busca tra&ccedil;ar diversos passos e pausas, passagens e suspens&otilde;es, encarando o texto liter&aacute;rio como uma performance e n&atilde;o como um ponto de passagem para significados ou presen&ccedil;as al&eacute;m do texto. Encara assim a escrita como um processo negativo e diferencial em que as prometidas presen&ccedil;as (<i>poeta dram&aacute;tico</i>, Chevalier de Pas) necessariamente n&atilde;o passam para l&aacute; (das formas, da materialidade) do texto, s&atilde;o j&aacute; e sempre escrita. </p>     <p> Os diversos pas(sos) ilustram assim o movimento do e no texto, que avan&ccedil;a enfatizando o car&aacute;cter apor&eacute;tico da escrita, o seu excesso e irredutibilidade de sentido, invariavelmente e diversamente outro. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: Fernando Pessoa; <i>pas</i>; Maurice Blanchot; Jacques Derrida; textualidade; poesia. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p> This article extrapolates from Maurice Blanchot’s meditation on the <i>pas</i> (step/not) and aims to use such notion as a point of entry and articulation for the analysis of the writing in several instances of Pessoa’s text. It attempts to address the conditions of (im)possibility of different poetic structures (<i>degrees of lyric poetry</i>, <i>scale/ladder of depersonalization</i>) which are rendered in the text. </p>     <p> It attempts to trace several steps and pauses, crossings and suspensions, while viewing the literary text as a performance and not as a mere point of passage for meanings or presences beyond the text. Writing is thus understood as a differential and negative process in which the promised presences (dramatic poet, Chevalier de Pas) necessarily do not go beyond (forms, the materiality) of the text, in which they are always already writing. </p>     <p> The several <i>pas</i> (step/not) illustrate thusly the movement of and within the text, which advances by emphasizing writing’s aporetical feature, its excess and irreducibility of meaning, ever other. </p>     <p><b>Keywords:</b>FernandoPessoa; <i>pas</i>; Maurice Blanchot; Jacques Derrida; textuality; poetry. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i>Su obra es un paso hacia lo desconocido. Una pasi&oacute;n.</i> </p>     <p> Octavio Paz</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>David Mour&atilde;o-Ferreira (1988)justifica o t&iacute;tulo do seu volume de ensaios dedicado &agrave; obra de Fernando Pessoa, <i>Nos Passos de Pessoa</i>, com a multiplicidade dos “passos” na totalidade da obra, que obriga igualmente o cr&iacute;tico, como consequ&ecirc;ncia, a optar por uma variedade de “passos” nas tentativas de abordagem. </p>      <p>&Eacute; inevit&aacute;vel perceber o qu&atilde;o determinantes s&atilde;o as quest&otilde;es impl&iacute;citas nesta afirma&ccedil;&atilde;o, relativas ao texto enquanto performance.<a href="#1" name="top1">[1]</a> A impl&iacute;cita proposta de seguir a diversidade dos passos pessoanos na procura de um sentido &uacute;ltimo por detr&aacute;s de cada movimento &eacute; preocupante na medida em que se assume a possibilidade de retra&ccedil;ar os “passos” do texto at&eacute; uma explica&ccedil;&atilde;o (metaf&iacute;sica, psicol&oacute;gica, etc) que passe al&eacute;m do texto, que torne o texto simplesmente parafrase&aacute;vel. Se, por outro lado, entendermos a textualidade como o “constant and radical dialectical play of the difference(s) between text and context” (McGuirk, 2007: 137), o texto cr&iacute;tico funciona como um suplemento no sentido derrideano, encontrando-se inscrito simultaneamente antes e depois, imbricado nesse movimento textual negativo e diferencial, “the constant tracing and supplementing (or another version) of that textuality” (<i>Ibidem</i>).</p>      <p>Este artigo visa analisar diferentes passos na explica&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da heteron&iacute;mia ou do processo po&eacute;tico que repetem uma mesma instabilidade e tens&atilde;o, embora dissimulada, que &eacute; detect&aacute;vel j&aacute; na pr&oacute;pria escrita e no interior de poemas e dos textos como uma dificuldade transpon&iacute;vel apenas performativamente. Procura assim n&atilde;o <i>ir al&eacute;m</i> mas sim <i>atrav&eacute;s</i> das estruturas de diferen&ccedil;a, abordando antes a estruturalidade das diferen&ccedil;as, percebendo que entre um passo e um outro, como o texto pessoano nos indica, h&aacute; um singularidade performativa que &eacute; irreduz&iacute;vel e n&atilde;o pode ser circunscrita. </p>      <p align="right"><b>Ao p&eacute;</b>     <br> <i>Deconstruction, on the contrary, stresses that meaning is context bound - a function of relations within or between texts - but that context itself is boundless: there will always be new contextual possibilities that can be adduced, so that the one thing we cannot do is to set limits.</i>     <br> Jonathan Culler</p>      <p>O poema “Isto”, publicado em abril de 1933, &eacute; visto como um desdobramento de“Autopsicografia” (1931), <a href="#2" name="top2">[2]</a> tendo recebido, no entanto, menos aten&ccedil;&atilde;o que este, talvez at&eacute; pela aparente contradi&ccedil;&atilde;o entre os primeiros versos de “Autopsicografia” e “Isto” (Seabra, 1974: 149). O poema, de fato, retoma a quest&atilde;o do <i>fingimento</i>, com a formula&ccedil;&atilde;o de <i>eles</i> <i>vs</i> <i>eu</i> (eles “<i>Dizem</i>”; eu “<i>escrevo</i>”).</p>      <blockquote>     <p>Isto</p>      <p>Dizem que finjo ou minto</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tudo o que escrevo. N&atilde;o.</p>      <p>Eu simplesmente sinto </p>      <p>Com a imagina&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>N&atilde;o uso o cora&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Tudo que sonho ou passo,</p>      <p>O que me falha ou finda,</p>      <p>&Eacute; como que um terra&ccedil;o</p>      <p>Sobre outra cousa ainda.</p>      <p>Essa cousa &eacute; que &eacute; linda.</p>      <p>Por isso escrevo em meio</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do que n&atilde;o est&aacute; ao p&eacute;, </p>      <p>Livre do meu enleio,</p>      <p>S&eacute;rio do que n&atilde;o &eacute;. </p>      <p>Sentir? Sinta quem l&ecirc;! (Pessoa, 2006: 262)</p> </blockquote>      <p>O poema articula-se em disjun&ccedil;&atilde;o (“finjo <i>ou</i> minto”; “sonho <i>ou</i> passo”; “falha <i>ou</i> finda”) e nega&ccedil;&atilde;o (“N&atilde;o”; “N&atilde;o uso”; “N&atilde;o est&aacute;”; “N&atilde;o &eacute;”), e &eacute; nesse diferimento, suspendendo-se sobre “outra cousa ainda”, nesse movimento enfatizando a negatividade, suplementado pela leitura (sinta quem l&ecirc;) que se produzem n&atilde;o s&oacute; sentidos como sentimentos. </p>      <p>A escrita &eacute; um corte, uma estrutura&ccedil;&atilde;o negativa e diferencial. No poema “Isto”, existe apenas sentimento na medida em que este departa de uma emo&ccedil;&atilde;o original (“N&atilde;o uso o cora&ccedil;&atilde;o”), articulada pela imagina&ccedil;&atilde;o: “Tudo que sonho ou passo,/ O que me falha ou finda”. O que &eacute; “sentido” na imagina&ccedil;&atilde;o (“sonhado” ou “passado”; “falhado” ou “findado”) &eacute; j&aacute; escrita, o descont&iacute;nuo “tudo que escrevo” que torna essas combina&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. O passo nunca levar&aacute; (e n&atilde;o est&aacute;) “ao p&eacute;”. N&atilde;o h&aacute; passagem do <i>sentir</i> para o <i>mentir</i> porque sentir &eacute; j&aacute; <i>imagina&ccedil;&atilde;o</i>, estrutura&ccedil;&atilde;o, um “terra&ccedil;o” sobre uma prometida presen&ccedil;a por vir e alcan&ccedil;ar. O <i>sonhar </i>ou<i> passar</i>, <i>falhar </i>ou<i> findar</i>, implica um constante diferir, “<i>outra cousa ainda</i>”, <i>por vir</i>. </p>      <p>A escrita &eacute; um processo libertado da subjetividade: desligada do “meu enleio”, da estrutura do <i>pr&oacute;prio</i>, e do sentir com o cora&ccedil;&atilde;o, a escrita &eacute; libertada tamb&eacute;m do <i>“enleio”</i> de uma estrutura de <i>propriedade</i> e possess&atilde;o (“meu”), j&aacute; que o sentimento &eacute; uma tarefa do leitor na apreens&atilde;o do uso de sensibilidade articulado no poema, no investimento em direc&ccedil;&atilde;o a “outra cousa ainda”.</p>      <p>A liberta&ccedil;&atilde;o e descontextualiza&ccedil;&atilde;o (“que n&atilde;o est&aacute; ao p&eacute;”) n&atilde;o s&atilde;o caracter&iacute;sticas exclusivas da poesia, mas da palavra escrita em geral, na singularidade e iterabilidade (Derrida, 1982: 315)que lhe s&atilde;o caracter&iacute;sticas:</p>      <blockquote>     <p>A palavra escrita &eacute; mediata, long&iacute;nqua e particular. Quando escrevemos, e tanto mais e quanto melhor e mais cuidadosamente escrevemos, dirigimo-nos a quem n&atilde;o nos vai ouvir, que &eacute; ler, logo; a quem n&atilde;o est&aacute; ao p&eacute; de n&oacute;s; a quem poder&aacute; entender-nos e n&atilde;o a quem tem que entender-nos, tendo n&oacute;s pois primeiro que o entender a ele. (Pessoa 1997: 56)</p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>“Quem n&atilde;o est&aacute; ao p&eacute;”: a liberta&ccedil;&atilde;o do “meu enleio” &eacute; o que incorpora e inscreve o <i>leio</i> de um leitor, antecipado j&aacute; enquanto estrutura geral na escrita do poema. O leitor est&aacute; fora da subjetividade, mas n&atilde;o est&aacute; fora do texto. O poema realiza uma performance de um processo de leitura (n&atilde;o-mim&eacute;tico e n&atilde;o representacional) similar ao evocado por Geoffrey Bennington numa tentativa de defini&ccedil;&atilde;o da desconstru&ccedil;&atilde;o:</p>      <blockquote>     <p>Reading is not a simple process of deciphering, nor of interpreting, for Deconstruction. It is neither entirely respectful nor simply violent. “Secure production of insecurity” (Derrida). Reading is not performed by a subject set against the text as object: reading is imbricated in the text it reads. (2000: 218)</p> </blockquote>      <p>Uma medita&ccedil;&atilde;o sobre a leitura sob a assinatura de Bernardo Soares fornece ainda outra refer&ecirc;ncia intertextual, quando Soares demonstra ser incapaz de meramente se render ao sentimento quando l&ecirc;:</p>      <blockquote>     <p>Nunca pude ler um livro com entrega a ele; sempre, a cada passo, o coment&aacute;rio da intelig&ecirc;ncia ou da imagina&ccedil;&atilde;o me estorvou a sequ&ecirc;ncia da pr&oacute;pria narrativa. No fim de minutos, quem escrevia era eu, e o que estava escrito n&atilde;o estava em parte alguma. (Pessoa, 2003: 372)</p> </blockquote>      <p>Na leitura do que “n&atilde;o est&aacute; ao p&eacute;”, na passagem do escritor para o leitor, n&atilde;o h&aacute; sen&atilde;o escrita “a cada passo”. Nada existe completamente al&eacute;m do <i>isto</i>: a escrita n&atilde;o se apaga nem se retrai de encontro a uma presen&ccedil;a interior e anterior. “Il n’y a pas d’hors-texte” (Derrida, 1997: 158), n&atilde;o h&aacute; nada que n&atilde;o seja j&aacute;, em certa medida, textual(izado). “Isto” refere-se ao que n&atilde;o pode ser contido pela escrita, ao espa&ccedil;amento (Derrida, 1997: 68)que a estrutura. A “cousa” em si pode ser articulada mas n&atilde;o apropriada: a “cousa” &eacute; “outra”, a beleza est&aacute; no <i>ainda</i>. </p>      <p><b>Um “primeiro” <i>pas</i></b></p>      <p><i>S&oacute; o primeiro passo &eacute; que custa. Mas depois do primeiro passo dado, o segundo &eacute; o primeiro depois desse. &Eacute; bom reparar nisto e n&atilde;o dar passo nenhum... Todos custam. </i></p>      <p align="right"><i>Fernando Pessoa </i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a escrita em si, esta an&aacute;lise visou tamb&eacute;m ilustrar simultaneamente um movimento negativo de diferencia&ccedil;&atilde;o e diferimento no processo de escrita: “Il y va d’un certain pas” (Derrida, 1993: 9). Tal como Irene de Ramalho Santos na sua an&aacute;lise &agrave; carta de 13 de Janeiro de 1935 endere&ccedil;ada a Adolfo Casais Monteiro, estou interessado na intraduzibilidade desta frase presente no livro <i>Aporias</i>, mas sobretudo na tens&atilde;o (<i>entre</i> movimento e nega&ccedil;&atilde;o; <i>de</i> movimento e nega&ccedil;&atilde;o) na palavra <i>pas,</i> na indecidibilidade lingu&iacute;stica do termo <i>pas</i>, tal como explorado por Maurice Blanchot (1992) no seu livro <i>The step not beyond </i>[<i>Le pas au-del&agrave;</i>], cuja duplicidade tentar-se-&aacute; expressar atrav&eacute;s do termo “pas(sos)”. Tendo sido alertado para esta tens&atilde;o pela necessidade que um leitor franc&oacute;fono teve em assegurar que <i>pas </i>no nome Chevalier de Pas, um suposto “primeiro” e ausente heter&oacute;nimo pessoano, n&atilde;o deveria ser percebido enquanto substantivo (“passo”), mas enquanto adv&eacute;rbio de nega&ccedil;&atilde;o (“n&atilde;o”) (Br&eacute;chon, 1997: 37), penso que um par de considera&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas deve ser tido em conta: em primeiro lugar, como uma tal op&ccedil;&atilde;o pode ser tomada em definitivo; em segundo lugar, por que raz&atilde;o a indecidibilidade de um termo deve (e por que raz&atilde;o se considera que pode) ser reduzida.<a href="#3" name="top3">[3]</a> </p>      <p>No entanto, n&atilde;o &eacute; o Pas que &eacute; relevante neste momento; &eacute;-o mais o movimento negativo e diferencial articulado na escrita. Tentar-se-&aacute;, deste modo, abordar n&atilde;o s&oacute; a signific&acirc;ncia de pas, mas sobretudo abordar a tens&atilde;o subjacente em diversas passagens da escrita pessoana que em pas &eacute; declinada. Num dos poemas exemplarmente mais l&iacute;ricos de Pessoa, “Leve, breve, suave” (15 de janeiro 1920), um “canto de ave” &eacute; inscrito como a origem negativa do texto, o que n&atilde;o &eacute;, que “passou” e “parou”: </p>      <blockquote>     <p>Leve, breve, suave,</p>      <p>Um canto de ave</p>      <p>Sobe no ar com que principia</p>      <p>O dia.</p>      <p>Escuto, e passou… </p>      <p>Parece que foi s&oacute; porque escutei </p>      <p>Que parou. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nunca, nunca, em nada,</p>      <p>Raie a madrugada.</p>      <p>Ou ‘splenda o dia ou doire no declive </p>      <p>Tive</p>      <p>Prazer a durar</p>      <p>Mais do que o nada, a perda, antes de eu o ir</p>      <p>Gozar. (Pessoa, 2006: 140)</p> </blockquote>      <p>A origem prost&eacute;tica de uma presen&ccedil;a desejada &eacute; apresentada como vi&aacute;vel apenas atrav&eacute;s da encena&ccedil;&atilde;o da sua pr&oacute;pria aus&ecirc;ncia, atrav&eacute;s da estrutura&ccedil;&atilde;o da inst&acirc;ncia apor&eacute;tica (o “escutar”) que demonstra e utiliza a sua vacuidade no par “passar”/”parar”. O prazer n&atilde;o adv&eacute;m de “gozar”, mas adv&eacute;m antes da performance dos enviados negativos diferentes e diferindo (“o nada, a perda”) que estruturam a subjetividade (“eu o ir/Gozar”), colocada em palco pela ilus&oacute;ria presen&ccedil;a encenada, a promessa de um tal “canto”. </p>      <p>O texto p&aacute;ra e avan&ccedil;a ao mesmo tempo, mas f&aacute;-lo apenas atrav&eacute;s da negatividade que estrutura esse pr&oacute;prio movimento, apenas no porvir que uma prometida futura transcend&ecirc;ncia torna poss&iacute;vel complementar como o suplemento do “passou”.</p>      <p>Ao enfatizar em seguida uma variante num poema (24 de julho de 1916) publicado postumamente, em que no primeiro verso “Pausa” surge como variante de “Passa”, pretende-se ilustrar na escrita uma tens&atilde;o instalada num processo em que uma oposi&ccedil;&atilde;o bin&aacute;ria (“passar” e “pausar”) permanece indefinida:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p>Alga</p>      <p>Passa<a href="#4" name="top4">[4]</a> na noite calma</p>      <p>O sil&ecirc;ncio da brisa…</p>      <p>Acontece-me &agrave; alma</p>      <p>Qualquer cousa imprecisa…</p>      <p>Uma porta entreaberta…</p>      <p>Um sorriso em descren&ccedil;a…</p>      <p>A<a href="#5" name="top5">[5]</a> &acirc;nsia que n&atilde;o acerta</p>      <p>Com aquilo em que pensa.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sombra, d&uacute;vida, elevo-a</p>      <p>At&eacute; quem me suponho,</p>      <p>E a sua voz de n&eacute;voa</p>      <p>Ro&ccedil;a pelo meu sonho… (Pessoa, 2006: 86)</p> </blockquote>      <p>“Passa/pausa”: como escolher? A quest&atilde;o &eacute; cr&iacute;tica, em ambos os sentidos da palavra, mas revela j&aacute; uma tentativa de abordagem falhada, ou seja a do tratamento de um texto sendo (predominantemente) limitada &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de escolhas. Particularmente no que toca &agrave; variante de um texto deixada indecidida. Se escolher &eacute; de fato uma necessidade na escrita e na leitura, tal n&atilde;o significa que a dissemina&ccedil;&atilde;o de sentido da escrita possa ser tomada simplesmente como a cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o para confus&atilde;o ou desentendimento. Pelo contr&aacute;rio, como vimos na an&aacute;lise de “Isto”, deve ser abordado como um efeito da impossibilidade de “fechar” o sentido de um texto, a salvo da dissemina&ccedil;&atilde;o que amea&ccedil;a a sua pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o, enquanto o constitui, enquanto lhe d&aacute; lugar. </p>      <p>“Passa/pausa”: o problema est&aacute; j&aacute; e sempre l&aacute; mesmo antes de a problem&aacute;tica ser revelada no estado inacabado de um poema, ou de uma obra, como se pode entender nesta carta a um destinat&aacute;rio desconhecido:</p>      <blockquote>     <p>Tenho pronto o estudo definitivo para a primeira publica&ccedil;&atilde;o em que pens&aacute;vamos. Talvez lhe parecesse longo o tempo em chegar a este &laquo;estudo&raquo;, que &eacute; um mero plano. &Eacute; que, meu querido Amigo, antes de dar o primeiro passo - o primeiro passo aut&ecirc;ntico e real - &eacute; que &eacute; ocasi&atilde;o de hesitar, de duvidar, de voltar atr&aacute;s - se assim se pode dizer de uma altura em que ainda se n&atilde;o andou. Depois de dar o primeiro passo, n&atilde;o se pode voltar atr&aacute;s, e &eacute; sempre fraqueza e confus&atilde;o modificar o plano que afinal n&atilde;o houve.</p>     <p>Fa&ccedil;o estas considera&ccedil;&otilde;es, para o caso, naturalmente inexistente, de que estranhasse eu n&atilde;o ter aparecido ainda com qualquer coisa de &laquo;positivo&raquo;. (Pessoa, 1999a: 127)</p> </blockquote>      <p>O que se toma por nada, pela aus&ecirc;ncia da escrita, &eacute; a escrita em si. A negatividade &eacute; o que permitir&aacute; o “&laquo;positivo&raquo;”, o “hesitar”, “duvidar”, “voltar atr&aacute;s”, a negatividade subjacente subscrevendo o “primeiro passo aut&ecirc;ntico e real”. Tal indecidibilidade aparece mais nitidamente formulada num aforismo, uma reformula&ccedil;&atilde;o de um ad&aacute;gio popular, que revela o car&aacute;cter apor&eacute;tico (no sentido etimol&oacute;gico da palavra) estruturando qualquer perspectiva por&eacute;tica da vida ou da escrita: “S&oacute; o primeiro passo &eacute; que custa. Mas depois do primeiro passo dado, o segundo &eacute; o <i>primeiro</i> depois desse. &Eacute; bom reparar nisto e n&atilde;o dar passo nenhum... Todos custam” (Pessoa, 2005: 52). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que deve ser real&ccedil;ado &eacute; o custo de qualquer passo, al&eacute;m e depois do “primeiro”, sem ir para al&eacute;m do “primeiro”, porque se trata sempre de uma quest&atilde;o de valor, quer para o poeta quer para o cr&iacute;tico. O passo n&atilde;o abole diferen&ccedil;as, simplesmente as dissimula como o “passo” a ser dado e ultrapassado. O que o aforismo parece demonstrar &eacute; a consci&ecirc;ncia de que n&atilde;o h&aacute; nenhum passo (<i>pas</i>) que n&atilde;o envolva j&aacute; um custo, uma nega&ccedil;&atilde;o (<i>pas</i>), e que estes pas(sos), afirma&ccedil;&atilde;o <i>e</i> nega&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podem ser ultrapassados por um <i>Aufhebung</i>, uma sublima&ccedil;&atilde;o hegeliana, como parece propor &Oacute;scar Lopes:</p>      <blockquote>     <p>Naquilo em que teimo em considerar o <i>drama de cada heter&oacute;nimo</i>, e o de todos, e em cada poema independentemente considerado, Pessoa p&otilde;e, &eacute; certo, a tese e a ant&iacute;tese, e n&atilde;o a s&iacute;ntese l&oacute;gica. Mas, no plano da express&atilde;o po&eacute;tica, n&atilde;o &eacute; efectivamente <i>sint&eacute;tica</i>, portanto <i>dial&eacute;ctica</i>, a consci&ecirc;ncia de uma primeira nega&ccedil;&atilde;o onde ela n&atilde;o existia ainda? Pessoa parou, decerto, mas depois de <i>dar um passo</i>. Resta-nos escolher entre a exemplaridade passiva do passo dado, e a exemplaridade activa de <i>dar o passo a seguir</i> ao dele, quando poss&iacute;vel; para o que devemos tamb&eacute;m compreender positivamente todo o movimento que nos dispomos a continuar. (Lopes, 1970: 249)</p> </blockquote>      <p>O cr&iacute;tico encontra-se perante uma encruzilhada entre <i>pas</i> (primeira nega&ccedil;&atilde;o ainda inexistente) e <i>pas</i> (ou passivo ou ativo), e embora Lopes proponha continuar dando-se “um passo em frente” e ultrapassando a dial&eacute;tica suspensa do texto pessoano atrav&eacute;s da recupera&ccedil;&atilde;o da dial&eacute;tica anteriormente presente, tal passo activo pode tamb&eacute;m ser visto como a prova de uma paragem perante o reconhecimento que a poesia pesssoana excede e n&atilde;o se pode encerrar dentro de uma economia hegeliana. Jos&eacute; Augusto Seabra, em resposta ao texto anterior, refere precisamente:</p>      <blockquote>     <p>Poder-se-&aacute;, no entanto, a n&atilde;o ser atrav&eacute;s de uma esp&eacute;cie de cavalo de Tr&oacute;ia l&oacute;gico (e dial&eacute;ctico), subentender uma nega&ccedil;&atilde;o da nega&ccedil;&atilde;o como intr&iacute;nseca <i>ab initio</i> &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o inscrita na linguagem po&eacute;tica? &Eacute; o que, como veremos, a poesia de Pessoa p&otilde;e precisamente em causa. (Seabra, 1974: 39) </p> </blockquote>      <p>No entanto, quer a abordagem de Lopes quer a proposta de Seabra de colocar a “<i>coincidentia oppositorum</i>” como a forma fundamental da linguagem po&eacute;tica como se esta fora “fundamentalmente”, essencialmente ou substantivamente distinta n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos passos a seguir. Com efeito, ambos os criticismos se escudam do seu horror perante a no&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia e da negatividade com ag&ecirc;ncias estruturantes do po&eacute;tico, por via de constructos que forne&ccedil;am uma esp&eacute;cie de alicerce cr&iacute;tico.</p>      <p>A confus&atilde;o de Lopes acerca da paragem de Pessoa apenas ap&oacute;s o primeiro passo demonstra que a sua leitura &eacute; algo insens&iacute;vel aos graus e passos de tal movimento. O primeiro passo n&atilde;o &eacute; j&aacute; “aut&ecirc;ntico”, mas encontra-se permeado de negatividade, o que o torna ao mesmo tempo poss&iacute;vel e imposs&iacute;vel (um passo <i>al&eacute;m</i>), como o acima mencionado aforismo faz notar. H&aacute; sempre um excesso, uma r&eacute;stea, um tra&ccedil;o que escapa a circularidade, o retorno (do pr&oacute;prio) a si mesmo de uma economia, ao passo que a negatividade n&atilde;o &eacute; sublimada. H&aacute; o <i>simulacrum</i> de um movimento dial&eacute;tico que toma lugar, n&atilde;o apesar de disrup&ccedil;&otilde;es ou interrup&ccedil;&otilde;es, mas inscrevendo-se precisamente a partir destas. </p>      <p>Lopes est&aacute; certo ao afirmar que o primeiro passo encena e requer incompletude, mas parece n&atilde;o seguir o enfiamento l&oacute;gico: buscando complet&aacute;-lo, n&atilde;o indo al&eacute;m da l&oacute;gica e do desejo incontestado pelo completo, somos <i>levados </i>pelo texto. Talvez uma abordagem cr&iacute;tica tendendo mais para a deconstruc&atilde;o tal como Derrida definiu enquanto “the limit, the interruption, the destruction of the Hegelian rel&egrave;ve wherever it operates” (1987: 40-41)seja particularmente &uacute;til nesta inst&acirc;ncia. </p>      <p>Assim sendo, a op&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica passa<i> por</i> mas n&atilde;o passa<i> do</i> “passo”, abordando uma quest&atilde;o que est&aacute; j&aacute; em causa mesmo antes do “passo” ser inscrito, ou melhor ainda, &agrave; medida que &eacute; inscrito e que a sua pluralidade, a sua duplicidade, a negatividade em jogo e atrav&eacute;s da qual se articula n&atilde;o podem ser contidas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ser&aacute; melhor, ent&atilde;o, seguindo o aforismo pessoano, n&atilde;o dar passo algum? &Eacute; esse o custo de n&atilde;o haver custo? Ou ser&aacute; que na quest&atilde;o debilmente formulada enquanto escolha entre activo e passivo, entre <i>um ou outro</i>, &eacute; precisamente a disrup&ccedil;&atilde;o deste bin&aacute;rio que permite uma reformula&ccedil;&atilde;o do <i>parar/pausar</i>, uma distin&ccedil;&atilde;o que est&aacute; longe de ser clara ou decisiva. Talvez tomando em conta n&atilde;o s&oacute; mas tamb&eacute;m as figura&ccedil;&otilde;es de um certo Chevalier de Pas, mas de v&aacute;rios “<i>pas”</i> no texto pessoano, se deva optar per <i>nem um um nem outro</i>, operando enquanto ativo <i>e </i>passivo.</p>      <p>Trata-se de uma tentativa de abordar o texto n&atilde;o atrav&eacute;s de outra estrutura ainda, mas atrav&eacute;s da sua pr&oacute;pria estrutura&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o desde fora, mas a partir do que est&aacute; dentro, mesmo que exteriorizado, necessariamente j&aacute; extr&iacute;nseco. Dentro e fora, ativo e passivo, s&atilde;o efeitos da <i>diff&eacute;rance</i> que deve ser dissimulada de modo a haver uma apresenta&ccedil;&atilde;o dos bin&aacute;rios dentro/fora e ativo/passivo enquanto for&ccedil;as estruturantes de um suposto ou imposto “discurso” ou espa&ccedil;o pessoano. O que existe &eacute; pas(sos), e n&atilde;o a passagem (transcendental e/ou transcendentalizado) para al&eacute;m do texto, para um al&eacute;m, para “outra cousa ainda”.</p>      <p><b>Um <i>pas</i> em frente</b></p>      <p><i>To sum up: there is no 'relation' between poetry and drama. All poetry tends towards drama, and all drama towards poetry.</i></p>      <p align="right"><i>T. S. Eliot</i></p>      <p><i>Passo agora a responder &agrave; sua pergunta sobre os heter&oacute;nimos.</i></p>      <p align="right"><i>Fernando Pessoa</i></p>      <p>Se a quest&atilde;o dos pas(sos) levar&aacute; inevitavelmente a focar a inquietante intraduzibilidade de Chevalier de Pas, esta discuss&atilde;o n&atilde;o se prender&aacute; com o tomar de Chevalier de Pas enquanto um primeiro heter&oacute;nimo ou um primeiro fen&oacute;meno de desdobramento. Pelo contr&aacute;rio, ir&aacute; abordar este movimento de indecidibilidade, pas(sos), se se pode chamar movimento a um gesto t&atilde;o negativo, enquanto aquilo que tem, entre outras coisas, como efeito a representa&ccedil;&atilde;o de Chevalier de Pas enquanto o primeiro “heter&oacute;nimo” na carta a Adolfo Casais Monteiro (13 janeiro 1935).</p>      <p>Seria um <i>faux pas</i> ignorar a textualidade e o valor da carta enquanto texto liter&aacute;rio, como reconheceu inclusivamente Adolfo Casais Monteiro na primeira publica&ccedil;&atilde;o deste no n&uacute;mero 49 da <i>Presen&ccedil;a </i>(Silva, 2004: 392-93). Mais do que uma quest&atilde;o de testemunho e testamento, a carta deve ser analisada enquanto performance liter&aacute;ria, em que Chevalier de Pas e as outras figuras aparecem sobretudo enquanto evoca&ccedil;&atilde;o de um passamento: “Come&ccedil;o por aqueles que morreram, e de alguns dos quais j&aacute; me n&atilde;o lembro – os que jazem perdidos no passado remoto da minha inf&acirc;ncia quase esquecida” (Pessoa, 1999a: 341). Neste processo de luto por aqueles a quem Jos&eacute; Gil chama “heter&oacute;nimos n&atilde;o liter&aacute;rios” (s.d.: 133),<a href="#6" name="top6">[6]</a> &eacute; estabelecido um alicerce prost&eacute;tico para al&eacute;m da intelig&ecirc;ncia, para al&eacute;m da literatura e da escrita, para al&eacute;m do texto. O Fernando Pessoa que comunica com o outro via uma rela&ccedil;&atilde;o postal liter&aacute;ria presupostamente <i>avant-la-lettre</i> (nomeadamente, sobre a g&eacute;nese dos heter&oacute;nimos) encontra-se j&aacute; textualizado como o <i>locus</i> org&acirc;nico e psicol&oacute;gico pr&eacute;-heteron&iacute;mia, pr&eacute;-idade adulta e pr&eacute;-literatura. <i>Chevalier de Pas</i> &eacute; um <i>pas-au-del&agrave;</i>, em toda a sua indecidibilidade, j&aacute; uma performance, um escritor ao mesmo tempo que escrita. A duplica&ccedil;&atilde;o e alteridade, a indecidibilidade, n&atilde;o est&aacute; presente no nome, o nome n&atilde;o significa duplica&ccedil;&atilde;o e alteridade. Antes a inscreve, tornando-a assim vis&iacute;vel e acess&iacute;vel.</p>      <p>N&atilde;o &eacute; o espa&ccedil;o de Chevalier de Pas enquanto primeiro heter&oacute;nimo, e suposta import&acirc;ncia metaf&iacute;sica ou transcendental de tal nome, <a href="#7" name="top7">[7]</a> mas antes os passos, quer na escrita quer na leitura, que produzem Chevalier de Pas como um precursor de heteron&iacute;mia. Chevalier de Pas &eacute; significativo s&oacute; e j&aacute; enquanto produto textual. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>pas</i> no <i>pas</i> &eacute; n&atilde;o s&oacute; uma quest&atilde;o de pluralidade como tamb&eacute;m de indecidibilidade e consequente estranhamento, como j&aacute; mencionada redu&ccedil;&atilde;o de sentido de Br&eacute;chon faz notar, quando o <i>pas</i> necessariamente implica nega&ccedil;&atilde;o e movimento simultaneamente, como Ramalho Santos aponta nas suas tradu&ccedil;&otilde;es como “Knight of Naught” e “Forward <i>and</i> Wayward knight” (Santos, 2003: 8-9). &Eacute; no jogo entre os d&uacute;plices sentidos, e n&atilde;o numa mera equival&ecirc;ncia ou ambiguidade, entre irredutibilidade e excesso, que os sentidos s&atilde;o produzidos. </p>      <p>Importa assim notar que a quest&atilde;o dos pas(ssos), de fronteiras, graus e degraus, &eacute; intr&iacute;nseca &agrave; textualidade da escrita pessoana. &Eacute; uma quest&atilde;o na linguagem e da linguagem com as consequentes e ineg&aacute;veis implica&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas, sociais e pol&iacute;ticas, e n&atilde;o o contr&aacute;rio:</p>      <blockquote>     <p>Vem uma voz pela bruma,</p>      <p>Vem pela bruma a falar.</p>      <p>N&atilde;o me diz coisa nenhuma.</p>      <p>Sei ouvi-la sem escutar.</p>      <p>&Eacute; a voz antiga e perdida</p>      <p>Que diz sempre ao cora&ccedil;&atilde;o</p>      <p>Que n&atilde;o &eacute; nada esta vida</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Que todo o esfor&ccedil;o &eacute; em v&atilde;o.</p>      <p>Naufraga em ser todo intuito.</p>      <p>Morre em passar todo passo.</p>      <p>O que queremos &eacute; muito,</p>      <p>O que obtemos s&oacute; chega.</p>      <p>Chega e v&ecirc; que h&aacute; somente</p>      <p>No cais aonde amarramos</p>      <p>A aus&ecirc;ncia de toda a gente</p>      <p>E a chegada que lhes damos.</p>      <p>E assim, in&uacute;teis do acaso,</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Senhores do nada ser,</p>      <p>Cantamos o nosso caso,</p>      <p>Poetas, ao entardecer. (Pessoa, 2006: 288)</p> </blockquote>      <p>Neste poema de 6 April 1934 &eacute; aquilo que se perde, o que morre (“Morre em passar todo passo”), o “nada ser”, o que permite o canto dos poetas (“o nosso caso”). A morte, neste como noutros poemas, na carta enquanto documento liter&aacute;rio ou nos v&aacute;rios pref&aacute;cios, &eacute; uma quest&atilde;o que aparece invariavelmente ligada &agrave; escrita. O car&aacute;cter apor&eacute;tico da escrita, a disrup&ccedil;&atilde;o de identidade, n&atilde;o tem de esperar pela chegada (ficcionada) de um cavaleiro andante, neste caso, Chevalier de Pas, mas antes, passa j&aacute; al&eacute;m de e transgride limites, enfatizando negatividade antes que qualquer subjetividade possa ser e seja efectivamente (re)present&aacute;vel. </p>      <p>Trata-se, assim, tamb&eacute;m mas n&atilde;o unicamente ou exclusivamente, de um “sacrificing of identity” para a chegada do “totally other – lyric poetry” (Santos, 2003: 9), pois a escrita gera a (im)possibilidade de identidade(s). &Eacute; precisamente ao abordar os simult&acirc;neos passos e nega&ccedil;&atilde;o que estruturam mais uma dif&iacute;cil passagem, a aporia de um poeta escrevendo diversamente, que se coordenam quer uma necessidade quer uma impossibilidade nos seguintes escritos relativos ao “poeta dram&aacute;tico” e aos “graus da poesia l&iacute;rica”: a) a irredutibilidade da poesia a um g&eacute;nero pr&eacute;-configurado incapaz no entanto de abandonar os termos nos quais se configuram os conceitos; b) a impossibilidade de escrever uma poesia dram&aacute;tica que n&atilde;o tenha a forma de um drama, de colocar personagens po&eacute;ticos e dram&aacute;ticos fora de um enredo e de um drama. A quest&atilde;o que se coloca em ambas &eacute; a dos pas(sos) no e al&eacute;m do texto.</p>      <p>A no&ccedil;&atilde;o de “poeta dram&aacute;tico” &eacute; avan&ccedil;ada por Pessoa como a “chave” para a explica&ccedil;&atilde;o dos seus escritos na carta a Jo&atilde;o Gaspar Sim&otilde;es de 11 de dezembro de 1931, uma estrutura al&eacute;m da textura e da textualidade da forma. Embora comece por ser definido como a caracter&iacute;stica do poeta e do dramaturgo nos escritos, o “poeta dram&aacute;tico” &eacute; em &uacute;ltima inst&acirc;ncia apresentado como a chave para a personalidadde, o <i>oikos</i> do poeta, o ponto central da “minha personalidade como artista”; e continua com a grada&ccedil;&atilde;o at&eacute; que atinge a constru&ccedil;&atilde;o de uma emo&ccedil;&atilde;o numa “pessoa inexistente”, sentindo “verdadeiramente” o que o “puramente eu” se esqueceu de sentir (Pessoa, 1999a: 255-56). Como diria Umberto Eco, a subjetividade est&aacute;, de fato, nos adv&eacute;rbios: o poeta “essencialmente” dram&aacute;tico, “essencialmente”, porque, de forma algo paradoxal, n&atilde;o pode abandonar totalmente a forma. Como se ver&aacute; em seguida, a poesia l&iacute;rica ser&aacute; dram&aacute;tica sem assumir forma dram&aacute;tica nem implicitamente nem explicitamente dado que as concep&ccedil;&otilde;es de lirismo, drama e poesia n&atilde;o s&atilde;o sen&atilde;o formais.</p>      <p>Ao inv&eacute;s de simplesmente aceitar o valor proposto na no&ccedil;&atilde;o de “poeta dram&aacute;tico”, tentar-se-&aacute; antes abordar as estruturas que tornam esta conceptualiza&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, os v&aacute;rios pas(sos) que levam (com mais ou menos desvios e interrup&ccedil;&otilde;es) at&eacute; ela. N&atilde;o podemos simplesmente, como sugerido por &Oacute;scar Lopes, dar o passo seguinte, um passo &uacute;nico inscrevendo a teleologia de um percurso (neste caso, o hegeliano) como se o cr&iacute;tico soubesse de antem&atilde;o onde o texto o vai levar, seja qualquer texto, qualquer texto em si, ou estes textos. </p>      <p>Naquele que &eacute; suposto ser o quinto dos degraus da poesia l&iacute;rica, que se encontram dispostas por uma grada&ccedil;&atilde;o de intelecto e imagina&ccedil;&atilde;o num texto anterior, de 1930 (Pessoa, 1973: 67-69), e se tornam continuamente mais raros, que encontramos os degraus de “despersonaliza&ccedil;&atilde;o” e a suposi&ccedil;&atilde;o de um &uacute;ltimo passo, um precisamente al&eacute;m (mas ir&aacute; al&eacute;m?) da “poesia dram&aacute;tica, propriamente dita” (<i>Idem</i>, 68). Trata-se de poetas l&iacute;ricos, embora “dramaticamente”. Os escritos de Shakespeare e alguns de Browning corresponderiam a esta categoria. Contudo, &eacute; o “ainda um passo” (<i>Idem</i>, 69) que nos interessa aqui:</p>      <blockquote>     <p>Suponhamos, por&eacute;m, que o poeta, evitando sempre a poesia dram&aacute;tica, externamente tal, avan&ccedil;a ainda um passo na escada da despersonaliza&ccedil;&atilde;o. Certos estados de alma, pensados e n&atilde;o sentidos, sentidos imaginativamente e por isso vividos, tender&atilde;o a definir para ele uma pessoa fict&iacute;cia que os sentisse sinceramente (…). (<i>Ibidem</i>)</p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trata-se de um passo ensaiado para al&eacute;m da forma, para al&eacute;m do bin&aacute;rio <i>pensar</i>/<i>sentir</i>, at&eacute; um sentir imaginativamente, para al&eacute;m de um pr&oacute;prio, na estrutura de uma “pessoa fict&iacute;cia”. </p>      <p>De novo nos pas(sos) da “<i>escala de despersonaliza&ccedil;&atilde;o, ou seja de imagina&ccedil;&atilde;o</i>” (Pessoa, 2007: 150), que introduzir&aacute; os escritos de Caeiro e de outras <i>personae</i>, Pessoa come&ccedil;a por abordar a divis&atilde;o aristoteliana da poesia em “<i>l&iacute;rica, eleg&iacute;aca, &eacute;pica e dram&aacute;tica</i>” (<i>Ibidem</i>), contestando esta classifica&ccedil;&atilde;o simplista, e propondo em seu lugar uma grada&ccedil;&atilde;o do l&iacute;rico at&eacute; ao dram&aacute;tico, dividida em graus de poesia l&iacute;rica:</p>      <blockquote>     <p>O primeiro grau da poesia l&iacute;rica &eacute; aquele em que o poeta, concentrado no seu sentimento, exprime esse sentimento. Se ele, por&eacute;m, for uma criatura de sentimentos vari&aacute;veis e v&aacute;rios, exprimir&aacute; como que uma multiplicidade de personagens, unificadas somente pelo temperamento e o estilo. Um passo mais, na escala po&eacute;tica, e temos o poeta que &eacute; uma criatura de sentimentos v&aacute;rios e fict&iacute;cios, mais imaginativo que sentimental, e vivendo cada estado de alma antes pela intelig&ecirc;ncia que pela emo&ccedil;&atilde;o. Este poeta exprimir-se-&aacute; como uma multiplicidade de personagens, unificadas, n&atilde;o j&aacute; pelo temperamento e o estilo, pois que o temperamento est&aacute; substitu&iacute;do pela imagina&ccedil;&atilde;o, e o sentimento pela intelig&ecirc;ncia, mas t&atilde;o-somente pelo simples estilo. Outro passo na mesma escala de despersonaliza&ccedil;&atilde;o, ou seja de imagina&ccedil;&atilde;o, e temos o poeta que em cada um dos seus estados mentais v&aacute;rios se integra de tal modo que de todo se despersonaliza, de sorte que, vivendo analiticamente esse estado de alma, faz dele como que a express&atilde;o de um outro personagem, e, sendo assim, o mesmo estilo tende a variar. D&ecirc;-se o passo final, e teremos um poeta que seja v&aacute;rios poetas, um poeta dram&aacute;tico escrevendo em poesia l&iacute;rica. Cada grupo de estados de alma mais aproximados insensivelmente se tornar&aacute; uma personagem, com estilo pr&oacute;prio, com sentimentos porventura diferentes, at&eacute; opostos, aos t&iacute;picos do poeta na sua pessoa viva. E assim se ter&aacute; levado a poesia l&iacute;rica – ou qualquer forma liter&aacute;ria an&aacute;loga em sua subst&acirc;ncia &agrave; poesia l&iacute;rica – at&eacute; &agrave; poesia dram&aacute;tica, sem todavia se lhe dar a forma de drama, nem expl&iacute;cita nem implicitamente. (<i>Ibidem</i>) </p> </blockquote>      <p>O “passo final” nunca &eacute; <i>demasiado</i> final: a incompletude do futuro imperfeito e perfeito (“teremos”; “ter&aacute; levado”) faz pouco mais do que acentuar o aspecto modal estruturando quer a<i> finalidade </i>quer a <i>finitude</i> do passo: “D&ecirc;-se”; “Suponhamos”. De novo a evoca&ccedil;&atilde;o de um constructo para sentir mediatamente: “um poeta que seja”. O passo final &eacute; mais “ainda um passo”: “<i>le pas-au-del&agrave;</i>”… texto? Ou o <i>pas au-del&agrave;</i> <i>no</i> texto: </p>      <blockquote>     <p>The <i>pas</i> does not simply negate such a possibility [of completion and closure], but puts into question the possibility of negation necessary for the closure to be accomplished. How can this <i>pas</i> ever produce closure if it sets up a limit to be crossed even in prohibiting its crossing?</p>      <p>The step beyond is never completed, or, if it is completed, is never beyond. (Nelson, 1992: xvii) </p> </blockquote>      <p>A estrutura&ccedil;&atilde;o do texto est&aacute; j&aacute; integrada integrada na obra, e ela pr&oacute;pria n&atilde;o &eacute; imune nem &agrave; ficcionaliza&ccedil;&atilde;o nem &agrave; performatividade po&eacute;tico-liter&aacute;ria que esta encerra, levando &agrave; dissimula&ccedil;&atilde;o de e<i>strutura</i>, de <i>forma</i>, da obra exterior (pre-facio) perante uma prometida presen&ccedil;a. </p>      <p>A forma &eacute; precisamente n&atilde;o apenas a quest&atilde;o, mas o que &eacute; colocado em quest&atilde;o: <i>le pas au del&agrave;… </i>forma? Se as estruturas e os construtos prometem um abandono (o <i>n&atilde;o</i> de um drama, quer na sua forma expl&iacute;cita ou impl&iacute;cita) atrav&eacute;s da presen&ccedil;a por vir (“um poeta”, “uma pessoa fict&iacute;cia”), a estrutura&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser abandonada. Na aporia, a prometida passagem de <i>escalas </i>e<i> graus</i>, permitindo os passos na dire&ccedil;&atilde;o de um <i>telos</i> n&atilde;o s&atilde;o um meio, mas j&aacute; uma performance. Passar o limite articula uma nega&ccedil;&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea, um <i>pas</i> (no sentido d&uacute;plice que se lhe reconhece)<i> d’hors-texte</i>. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Outra cousa ainda</b></p>      <p><i>Tudo isto se passa em casas, em janelas que d&atilde;o para paisagens realmente vis&iacute;veis.</i></p>      <p align="right"><i>Fernando Pessoa</i></p>      <p><i>The first step is the hardest - says the popular adage. But in dramaturgy the reverse is true: the last step is the hardest.</i></p>      <p align="right"><i>Arthur Schopenhauer</i></p>      <p>Os diversos pas(sos) no e do texto pessoanon&atilde;o podem ser entendidos simplesmente como origem ou <i>telos</i> de negatividade ou paradoxo, mas como um performance exemplar da irredutibilidade e do excesso na escrita, do texto enquanto performance que constr&oacute;i e descontr&oacute;i<i> do mesmo passo</i> (parafraseando Jos&eacute; Augusto Seabra) as estruturas que prometem limit&aacute;-lo e cont&ecirc;-lo (<i>presen&ccedil;a, drama, eu, isto</i>).</p>      <p>O leitor cr&iacute;tico n&atilde;o tem necessariamente de seguir um passo, de dar o passo seguinte, ou de simplesmente n&atilde;o dar passo algum. O leitor n&atilde;o pode sen&atilde;o, do mesmo passo, seguir o passo do texto, embora enfatizando a negatividade que lhe &eacute; subjacente e estruturante, lembrando que a escrita estrutura tais oposi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; produto destas. Esta leitura visa n&atilde;o apenas ir al&eacute;m dos bin&aacute;rios e constructos, mas atrav&eacute;s deles abordar a estruturalidade das estruturas (Derrida, 1990: 278-80), notando que na origem est&aacute; j&aacute;, e que a origem &eacute; j&aacute; diferen&ccedil;a. Na origem do texto est&aacute; j&aacute; a textualidade.</p>      <p>Isto alerta o leitor quer para o que o texto &eacute; quer para o que o texto faz, para os pas(sos) de cada espa&ccedil;o e de cada passar. Antes de descrever um “instinto dram&aacute;tico” em 1931 (<Pessoa, 1999a: 254)e um i>sentir </i>dramaticamente, havia j&aacute; um “escrito dramaticamente” (Pessoa, 1999b: 143), como &eacute; descrito na carta a Armando C&ocirc;rtes-Rodrigues de 19 de janeiro de 1915. A progressiva assimila&ccedil;&atilde;o dos produtos textuais como enviados dos sentimentos do <i>eu</i> na carta a Adolfo Casais Monteiro leva a uma dissimula&ccedil;&atilde;o da dissimula&ccedil;&atilde;o, &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o da escrita como <i>mimesthai</i> de um verdadeiro sentimento origindo no pr&oacute;prio, ou de outro pr&oacute;prio, subordinando a escrita ao que se vem a <i>passar</i>:</p>      <blockquote>     <p>Criei, ent&atilde;o, uma <i>coterie</i> inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influ&ecirc;ncias, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discuss&otilde;es e as diverg&ecirc;ncias de crit&eacute;rios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. (Pessoa, 1999a: 343)</p> </blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, o que se passa (que &eacute; tamb&eacute;m uma dif&iacute;cil passagem, aqui dissimulada) &eacute; j&aacute; encenada dentro de um pr&oacute;prio. Mas o passo para al&eacute;m do texto &eacute; um passo que dobra (em ambos os sentidos da palavra) o texto, numa “propriedade” prost&eacute;tica, uma economia de representa&ccedil;&atilde;o. <b>“</b>Finjo? N&atilde;o finjo. Se quisesse fingir, para que escreveria isto? Estas coisas passaram-se, garanto”(Pessoa, 2007: 148). Esta frase do rascunho do pref&aacute;cio geral para <i>Aspectos</i> (mais tarde, <i>Fic&ccedil;&otilde;es do Interl&uacute;dio</i>) &eacute; ilustrativa de um movimento que &eacute; j&aacute;, de certo modo, estranhamento familiar no poema “Isto”: “Dizem que finjo ou minto/ Tudo o que escrevo. N&atilde;o”. Isto ecoa e explora o prazer inerente &agrave; <i>mimesis</i>, tal como apontado por Derrida (1982: 239), em que o “duplo”, o “<i>mimesthai</i>”, &eacute; n&atilde;o a coisa em si, mas a promessa da sua (re)apropria&ccedil;&atilde;o, lembrando-nos no entanto que o espa&ccedil;amento da escrita torna imposs&iacute;vel um simples retorno ao “pr&oacute;prio”, apenas a promessa de “outra cousa ainda”.</p>      <p>Suplementar com uma leitura, neste caso, com uma inscri&ccedil;&atilde;o pessoana (um sublinhado na sua edi&ccedil;&atilde;o de poemas de St&eacute;phane Mallarm&eacute;) &eacute; perseguir a indica&ccedil;&atilde;o que a escrita produz n&atilde;o espa&ccedil;os mas sim pas(sos) interpretativos, conscientes que a redu&ccedil;&atilde;o da escrita a um <i>medium</i> para um significado e/ou presen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; mais do que um passo em falso. Afinal, um poema, como qualquer texto, relelmbrando a li&ccedil;&atilde;o mallarmeana, constr&oacute;i-se com palavras. O d&eacute;cimo verso recebeu uma aten&ccedil;&atilde;o particular de Pessoa, que o sublinhou, despertada talvez por esta medita&ccedil;&atilde;o inspirada pelo valor (<i>saveur</i>=<i>valeur</i>?) da aus&ecirc;ncia, e da aus&ecirc;ncia consciente (“<i>docte manque</i>”) sendo mais apetec&iacute;vel do que a presen&ccedil;a. Paphos (rimando com <i>faux</i> [duplamente: foice; falso]) sempre foi um passo em falso (<i>pas faux</i>).</p>      <blockquote>     <p>Mes bouquins referm&eacute;s sur le nom de Paphos,</p>      <p>Il m’amuse d’&eacute;lire avec le seul g&eacute;nie</p>      <p>Une ruine, par mille &eacute;cumes b&eacute;nie</p>      <p>Sous l’hyacinthe, au loin, de ses jours triomphaux.</p>      <p> Coure le froid avec ses silences de faux,</p>      <p>Je n’y hululerai pas de vide n&eacute;nie</p>      <p>Si ce tr&egrave;s blanc &eacute;bat au ras du sol d&eacute;nie</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Agrave; tout site l’honneur du paysage faux.</p>      <p> Ma faim qui d’aucuns fruits ici ne se r&eacute;gale</p>      <p><u>Trouve en leur docte manque une saveur &eacute;gale:</u></p>      <p>Qu’un &eacute;clate de chair humain et parfumant !</p>      <p>Le pied sur quelque guivre o&ugrave; notre amour tisonne,</p>      <p>Je pense plus longtemps peut-&ecirc;tre &eacute;perd&ucirc;ment</p>      <p>&Agrave; l’autre, au sein br&ucirc;l&eacute; d’une antique amazone. (Mallarm&eacute;, 1998: 46-47)</p> </blockquote>      <p>“<i>L’autre</i>”? Como com “Isto” resta-nos a referencialidade sem refer&ecirc;ncias. ‘<i>L’autre</i>’, uma aus&ecirc;ncia que n&atilde;o se encontra simplesmente ausente, ou &agrave; volta da qual s&atilde;o construidos sentido(s) e presen&ccedil;a(s), mas antes uma aus&ecirc;ncia cuja apar&ecirc;ncia de presen&ccedil;a &eacute; construida atrav&eacute;s de um reenvio e n&atilde;o de uma refer&ecirc;ncia, num corte com a realidade. A topografia de “Paphos”, o nome Paphos, funciona deste modo como a refer&ecirc;ncia a um texto construido em redor da evoca&ccedil;&atilde;o do m&iacute;tico local de nascimento da ideal Afrodite no seu apagamento perante o inomin&aacute;vel, o outro irrecuper&aacute;vel ap&oacute;s o fechamento do livro. </p>      <p>“<i>L’autre</i>”, como a “outra cousa ainda”, como o “outrar-se”,<a href="#8" name="top8">[8]</a> toma o lugar, articula e requer incompletude, como um outro do qual n&atilde;o h&aacute; pr&oacute;prio. Enquanto suplemento, o que articula o texto nas suas aporias &eacute; somente os pontos de articula&ccedil;&atilde;o do texto. N&atilde;o nos restam sen&atilde;o os pas(sos) do texto, a textualidade que torna um/o sentido poss&iacute;vel <i>e</i> imposs&iacute;vel, n&atilde;o se limita simplesmente a pass&aacute;-lo. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Attridge, Derek (1992), “Derrida and the Questioning of Literature”, in Derek Attridge (ed.), <i>Jacques Derrida: Acts of literature, </i>New York-London, Routledge, pp. 1-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0807-8967201200030001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Bennington, Geoffrey (2000), “Deconstruction is not what you think”, in Martin McQuillan (ed.), <i>Deconstruction - a reader, </i>Edinburgh, Edinburgh University Press, pp. 217- 219.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0807-8967201200030001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Blanchot, Maurice (1992), <i>The Step not beyond</i>,trad. Lycette Nelson, Albany, State University of New York Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0807-8967201200030001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Br&eacute;chon, Robert (1997), <i>Estranho estrangeiro</i>, trad. Maria Abreu e Pedro Tamen, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0807-8967201200030001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Derrida, Jacques (1982), “S<i>ignature, event, context”</i>, in <i>Margins of Philosophy, </i>trad. Alan Bass, Chicago, University of Chicago Press, pp. 307-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0807-8967201200030001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (1987), “Positions: Interview with Jean-Louis Houdebine and Guy Scarpetta”, in <i>Positions, </i>trad. Alan Bass, London, The Athlone Press, pp. 37-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0807-8967201200030001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (1990), “Structure Sign and Play in the Discourse of Human Sciences”, <i>Writing and difference</i>, trad. Alan Bass,London, Routledge, pp. 278-93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0807-8967201200030001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (1993), <i>Aporias</i>, trad. Thomas Dutoit, Stanford: Stanford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0807-8967201200030001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (1997), <i>Of grammatology, </i>trad. Gayatri Chakravorty Spivak, Baltimore -London, The Johns Hopkins University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0807-8967201200030001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gil, Jos&eacute; (s.d.), <i>Fernando Pessoa e a Metaf&iacute;sica das Sensa&ccedil;&otilde;es</i>, trad. Miguel Serras Pereira e Ana Luisa Faria, Lisboa: Rel&oacute;gio d'&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0807-8967201200030001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Lopes, Maria Teresa Rita (1983), “O encontro de Fernando Pessoa com o simbolismo franc&ecirc;s”, <i>Persona 8</i>, pp. 9-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0807-8967201200030001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Lopes, &Oacute;scar (1970), “O Poeta da Hora Absurda”, in <i>Ler e depois: Cr&iacute;tica e interpreta&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria 1, </i>3&ordf; ed., Porto, Editorial Inova, pp. 243-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0807-8967201200030001400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mallarm&eacute;, St&eacute;phane (1998), <i>Poemas lidos por Fernando Pessoa</i>, trad. Jos&eacute; Augusto Seabra, Lisboa, Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0807-8967201200030001400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>McGuirk, Bernard (2007), “Laughin' again he's awake: de Campos &agrave; l'oreille de l'autre celte”, in Bernard McGuirk e Else Vieira (ed.), <i>Haroldo de Campos in conversation</i>, London, Zoilus Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0807-8967201200030001400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mour&atilde;o-Ferreira, David (1988), <i>Nos passos de Pessoa: Ensaios, </i>Lisboa, Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0807-8967201200030001400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Nelson, Lycette (1992), “Introduction”, in Maurice Blanchot, <i>The step not beyond, </i>Albany, State University of New York Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0807-8967201200030001400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pessoa, Fernando (1973), <i>P&aacute;ginas de est&eacute;tica e de teoria e cr&iacute;tica liter&aacute;rias</i>, ed. Georg Rudolf Lind e Jacinto Prado Coelho, 2&ordf; ed., Lisboa, &Aacute;tica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0807-8967201200030001400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>&shy;&shy;&shy;--- (1997), <i>A l&iacute;ngua portuguesa</i>, ed. Lu&iacute;sa Freire, Lisboa, Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0807-8967201200030001400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (1999a), <i>Correspond&ecirc;ncia 1923-1935, </i>ed. Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0807-8967201200030001400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (1999b), <i>Correspond&ecirc;ncia 1905-1922, </i>ed. Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0807-8967201200030001400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (2003), <i>Livro do desassossego, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa</i>, ed. Richard Zenith, 4&ordf; ed., Lisboa, Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000234&pid=S0807-8967201200030001400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (2005), <i>Aforismos e afins</i>, ed. Richard Zenith, trad. Manuela Rocha, 2&ordf; ed., Lisboa: Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S0807-8967201200030001400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (2006), <i>Poesia do eu</i>, ed. Richard Zenith, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0807-8967201200030001400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>--- (2007), <i>Prosa &iacute;ntima e de autoconhecimento</i>, ed. Richard Zenith, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000240&pid=S0807-8967201200030001400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Santos, Maria Irene Ramalho (2003), <i>Atlantic poets: Fernando Pessoa's turn in Anglo-American modernism, </i>Hanover-London, University Press of New England.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000242&pid=S0807-8967201200030001400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Seabra, Jos&eacute; Augusto (1974), <i>Fernando Pessoa ou o poetodrama, </i>S&atilde;o Paulo, Editora Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000244&pid=S0807-8967201200030001400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silva, Manuela Parreira da (2004), <i>Realidade e fic&ccedil;&atilde;o: Para uma biografia epistolar de Fernando Pessoa, </i>Lisboa, Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000246&pid=S0807-8967201200030001400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Zenith, Richard (2007), 'Pref&aacute;cio', in Fernando Pessoa, <i>Cartas, </i>ed. Richard Zenith, pp. 9-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000248&pid=S0807-8967201200030001400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><a href="#top1" name="1">[1]</a> Como refere Derek Attridge, “[l]iterary texts, one might say, are acts of writing that call forth acts of reading: though in saying this, it is important to remain aware of the polysemy of the term <i>act</i>: both ‘serious’ performance and ‘staged’ performance, as a ‘proper’ doing and an improper or temporary one, as an action, a law governing actions, and a record documenting actions” (1992: 2).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2" name="2">[2]</a> Robert Br&eacute;chon, por exemplo, apresenta-o como uma correc&ccedil;&atilde;o de “Autopsicografia”, embora menos “vigoroso” na express&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de fingimento. No entanto, acrescenta Br&eacute;chon que “este poema vai mais longe que o outro” (1997: 508).</p>      <p><a href="#top3" name="3">[3]</a> O efeito de Chevalier de Pas ser&aacute; sempre duplo, dada a ambiguidade no &acirc;mbito da l&iacute;ngua francesa (<i>pas</i>= passo; <i>pas</i>= n&atilde;o) e a dificuldade em transmitir tal ambiguidade para outra l&iacute;ngua. </p>      <p><a href="#top4" name="4">[4]</a> var. Pausa</p>      <p><a href="#top5" name="5">[5]</a> var. Uma</p>      <p><a href="#top6" name="6">[6]</a> A distin&ccedil;&atilde;o que Jos&eacute; Gil estabelece entre heter&oacute;nimos liter&aacute;rios e n&atilde;o-liter&aacute;rios (tais como Chevalier) n&atilde;o aborda a textualidade de Chevalier, pressupondo que a fatual e emp&iacute;rica exist&ecirc;ncia de Chevalier de Pas n&atilde;o pode ser posta em quest&atilde;o, e est&aacute; for a do texto “heteron&iacute;mico” e liter&aacute;rio. Concedendo at&eacute; que tais heter&oacute;nimos ou <i>personalidades</i> possam ser diferenciados dos verdadeiros heter&oacute;nimos liter&aacute;rios n&atilde;o deixa no entanto de ser atrav&eacute;s da escrita de cartas que a comunica&ccedil;&atilde;o entre Chevalier de Pas e “Fernando Pessoa” foi estabelecida. De forma mais &oacute;bvia em rela&ccedil;&atilde;o ao ponto em quest&atilde;o, &eacute; escrito que &eacute; atrav&eacute;s de cartas que tal comunica&ccedil;&atilde;o toma lugar.</p>      <p><a href="#top7" name="7">[7]</a>A fetichiza&ccedil;&atilde;o da figura de Chevalier de Pas (a n&iacute;vel biogr&aacute;fico e psicol&oacute;gico) levou Richard Zenith a contestar que Chevalier de Pas apenas parcialmente pode ser entendido como uma primeira “dobragem” (2007: 11). Um exemplo cl&aacute;ssico seria a seguinte cita&ccedil;&atilde;o de Teresa Rita Lopes: “&Eacute; interessante verificar que no colo da m&atilde;e n&atilde;o s&oacute; aprendeu o portugu&ecirc;s como tamb&eacute;m o franc&ecirc;s. E talvez isso ajude a perceber como &eacute; que um dos seus primeiros desdobramentos heteron&iacute;micos – seu interlocutor de inf&acirc;ncia, segundo conta – teve um nome franc&ecirc;s, Le Chevalier de Pas” (1983: 9).</p>      <p><a href="#top8" name="8">[8]</a> Deste modo, &eacute; imposs&iacute;vel outrar-se a n&atilde;o ser que n&atilde;o se seja j&aacute; n&atilde;o inteiramente “pr&oacute;prio” nem pode a comunica&ccedil;&atilde;o ser transmitida a n&atilde;o ser que exceda o pr&oacute;prio. A escrita simultaneamente cria e infecta essa possibilidade: “All writing, therefore, in order to be what it is, must be able to function in the radical absence of every empirically determined addressee in general. And this absence is not a continuous modification of presence; it is a break in presence, ‘death,’ or the possibility of the ‘death’ of the addressee, inscribed in the structure of the mark (and it is at this point, I note in passing, that the value or effect of transcendentality is linked necessarily to the possibility of writing and of ‘death’ analyzed in this way)” (Derrida, 1982: 315-16).</p>       ]]></body><back>
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