<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0807-8967</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Diacrítica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Diacrítica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0807-8967</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0807-89672012000300015</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um herói romântico, apesar de tudo e apesar de si, e um cadete de cavalaria: Sobre A Filha do Doutor Negro]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A romantic hero, after all and despite himself, a calvary cadet: About A Filha do Doutor Negro]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sousa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sérgio Guimarães de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Braga ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>26</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>283</fpage>
<lpage>311</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0807-89672012000300015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0807-89672012000300015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0807-89672012000300015&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Em A Filha do Doutor Negro (1864), de Camilo Castelo Branco, surgem dois protagonistas de notório cariz romântico. Ambos nutrem desejo pela mesma moça (Albertina), sem que isso desencadeie uma rivalidade mortífera (ou sequer rivalidade) entre ambos. Um deles, António da Silveira, abdicará do seu desejo e desempenhará o fundamental papel de coadjuvante da relação entre o outro (João Crisóstomo) e a filha do chamado doutor Negro, relação, como seria de esperar, pautada pela (inclemente) interdição paterna. O nosso propósito consistirá em analisar estas personagens, que parecem funcionar como o reverso de uma mesma moeda: a de heróis românticos, com boa porção do que isso supõe e exige, marcados, porém, por inequívocos sinais (mais ou então menos residuais) da mentalidade do Antigo-Regime, o que não é, muito pelo contrário, sem condicionar o trajeto de cada uma. Trata-se, assim, de protagonistas situados num entre-dois assaz desconfortável em determinados contextos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In A Filha do Doutor Negro (1864), by Camilo Castelo Branco, there are two characters of notorious Romantic imprint. Without the any lethal rivalry (or even any rivalry at all), both men are passionately drawn towards the same lass (Albertina). António da Silveira, one of the contenders, will abdicate from his aspiration and will play a fundamental supporting role for the other contender in helping to conquer the heart of the lady. As it should be expected the father of the young lady plays his part in preventing any approaches. Our aim will be that of putting forward an analysis of these characters who seem to be playing a dual role of romantic heroes, with all that this conception demands and means, and also of heroes marked by unequivocal signs (more or less residual) of an Ancient Regime mentality. This duality is never mutually excluded in these characters considered in a quite dis-comfortable position, that of an in-between existence.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[desejo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[matrimónio]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[patriarcado]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Romantismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Antigo Regime]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[desire]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[marriage]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[patriarchy]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Romanticism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Ancient Regime]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p> <b>Um her&oacute;i rom&acirc;ntico, apesar de tudo e apesar de si, e um cadete de cavalaria. Sobre <i>A Filha do Doutor Negro</i></b> </p>     <p> <b>A romantic hero, after all and despite himself, a calvary cadet. About <i>A Filha do Doutor Negro</i></b> </p>      <p> <b>S&eacute;rgio Guimar&atilde;es de Sousa*</b> </p>     <p> *Universidade do Minho, Departamento de Estudos Portugueses e Lus&oacute;fonos, Braga, Portugal </p>      <p><a href="mailto:spgsousa@ilch.uminho.pt">spgsousa@ilch.uminho.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p> Em <i>A Filha do Doutor Negro</i> (1864), de Camilo Castelo Branco, surgem dois protagonistas de not&oacute;rio cariz rom&acirc;ntico. Ambos nutrem desejo pela mesma mo&ccedil;a (Albertina), sem que isso desencadeie uma rivalidade mort&iacute;fera (ou sequer rivalidade) entre ambos. Um deles, Ant&oacute;nio da Silveira, abdicar&aacute; do seu desejo e desempenhar&aacute; o fundamental papel de coadjuvante da rela&ccedil;&atilde;o entre o outro (Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo) e a filha do chamado doutor Negro, rela&ccedil;&atilde;o, como seria de esperar, pautada pela (inclemente) interdi&ccedil;&atilde;o paterna. O nosso prop&oacute;sito consistir&aacute; em analisar estas personagens, que parecem funcionar como o reverso de uma mesma moeda: a de her&oacute;is rom&acirc;nticos, com boa por&ccedil;&atilde;o do que isso sup&otilde;e e exige, marcados, por&eacute;m, por inequ&iacute;vocos sinais (mais ou ent&atilde;o menos residuais) da mentalidade do Antigo-Regime, o que n&atilde;o &eacute;, muito pelo contr&aacute;rio, sem condicionar o trajeto de cada uma. Trata-se, assim, de protagonistas situados num entre-dois assaz desconfort&aacute;vel em determinados contextos. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>: desejo; matrim&oacute;nio; patriarcado; Romantismo; Antigo Regime.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p> In <i>A Filha do Doutor Negro</i> (1864), by Camilo Castelo Branco, there are two characters of notorious Romantic imprint. Without the any lethal rivalry (or even any rivalry at all), both men are passionately drawn towards the same lass (Albertina). Ant&oacute;nio da Silveira, one of the contenders, will abdicate from his aspiration and will play a fundamental supporting role for the other contender in helping to conquer the heart of the lady. As it should be expected the father of the young lady plays his part in preventing any approaches. Our aim will be that of putting forward an analysis of these characters who seem to be playing a dual role of romantic heroes, with all that this conception demands and means, and also of heroes marked by unequivocal signs (more or less residual) of an <i>Ancient Regime</i> mentality. This duality is never mutually excluded in these characters considered in a quite dis-comfortable position, that of an <i>in</i>-between existence. </p>     <p><b>Keywords</b>: desire; marriage; patriarchy; Romanticism; Ancient Regime.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Em <i>A Filha do Doutor Negro </i>(1864)<i>, </i>Ant&oacute;nio da Silveira, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo e Albertina, personagens inscritas sob o signo da modernidade rom&acirc;ntica, padecem do cora&ccedil;&atilde;o: Ant&oacute;nio da Silveira apaixonou-se por Albertina, que, por seu turno, ama apaixonadamente Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo e este aquela. Esta circularidade do desejo n&atilde;o &eacute; sem provocar, como diria N. Luhmann, irritabilidade no sistema social (patriarcal).</p>      <p>Embora corporifiquem tra&ccedil;os muito tipicamente rom&acirc;nticos, o certo &eacute; que Ant&oacute;nio da Silveira e Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo tamb&eacute;m evidenciam resson&acirc;ncias tradicionais. Para usar palavras de Habermas, referentes &agrave;s premissas que substanciam a entrada na modernidade, ambos, digamos, carecem de &laquo;uma estrutura em que o esp&iacute;rito subjetivo pode emancipar-se da espontaneidade natural das formas tradicionais de vida&raquo; (Habermas, 1990: 89). Noutros termos, manifestam-se enquanto protagonistas divididos (embora se possa argumentar a desigualdade da divis&atilde;o num e no outro, mais favor&aacute;vel &agrave; ordem antiga em Ant&oacute;nio da Silveira e mais rom&acirc;ntica no caso do amanuense) entre dois mundos, o do Antigo Regime e o da modernidade rom&acirc;ntica. Isto &eacute;, s&atilde;o personagens, pode dizer-se, de transi&ccedil;&atilde;o (como de resto o doutor Negro). Em sentidos diferentes, como &eacute; &oacute;bvio, acham-se, para referir o psicanalista franc&ecirc;s Daniel Sibony (cf. Sibony, 1998), numa desconfort&aacute;vel situa&ccedil;&atilde;o de <i>entre-dois</i> (entre-dois-mundos; na desgastante condi&ccedil;&atilde;o de um <i>coupe-lien</i>, que impele a franquear o entre-dois; e este entre-dois significa duas realidades sociol&oacute;gicas em disputa, nenhuma podendo reivindicar supremacia sobre a outra)<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>.</p>      <p><b>1.</b></p>     <p>O sentimento amoroso do Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo n&atilde;o &eacute; desprovido de falhas, na medida em que se apresenta entrecortado pelas preocupa&ccedil;&otilde;es que o abalam e que v&atilde;o ganhando uma relev&acirc;ncia de primeiro plano. Sendo assim, e por mais argumentos aduzidos por Albertina, a verdade &eacute; que o amanuense n&atilde;o se conseguir&aacute; abstrair da inf&acirc;mia de que &eacute; v&iacute;tima: &laquo;Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo recolhia triste, quebrantado e doente; &eacute; que o olhar petulante dos caluniadores o vexara, e pode mesmo ser que os mais inocentes reparos o aviltassem&raquo; (Castelo Branco, 1971: 239). Sem eira nem beira, &laquo;encarna o her&oacute;i sem mancha, v&iacute;tima da pobreza e da fatalidade&raquo; (C&eacute;sar, 1971: VIII) e que, em nome do desejo, desafia a ordem tradicional vigente, como &eacute; caracter&iacute;stico do hero&iacute;smo rom&acirc;ntico. Porque o desejo nutrido por Albertina p&otilde;e em xeque a situa&ccedil;&atilde;o social em que todos os societ&aacute;rios se encontram virtualmente ligados e desligados, e isso de um modo fortemente normativo e imperativo, por rela&ccedil;&otilde;es de casta ou, se quisermos, de estatuto social. Quer dizer, n&atilde;o est&aacute; socialmente previsto, no mundo ordenado e equilibrado da tradi&ccedil;&atilde;o, avesso a emancipa&ccedil;&otilde;es pessoais, que um amanuense estabele&ccedil;a parentesco com a filha do seu patr&atilde;o.</p>      <p><b>1.1.</b></p>     <p>N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil ver na personagem um problema de classe. De facto, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo n&atilde;o se d&aacute; bem com a localiza&ccedil;&atilde;o social que o nascimento lhe reservou. Filho de lavrador, numa sociedade hierarquizada por nascimento e n&atilde;o por fun&ccedil;&otilde;es (o sistema da diferencia&ccedil;&atilde;o funcional &eacute; pr&oacute;prio das sociedades modernas), n&atilde;o apresenta sa&uacute;de condizente com a dureza do trabalho agr&iacute;cola, quer dizer, n&atilde;o disp&otilde;e da complei&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica requerida pelos da sua condi&ccedil;&atilde;o social, sendo &laquo;d&eacute;bil e enfermi&ccedil;o&raquo; (Castelo Branco, 1971: 38). Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; a robustez f&iacute;sica que o distingue do perfil do lavrador. Quando Ant&oacute;nio da Silveira v&ecirc; Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo pela primeira vez, eis a impress&atilde;o com que fica:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Era macilento, magro, e menos vulgar de aspeito do que devia esperar-se do filho de um lavrador do Minho, onde, pelo ordin&aacute;rio, as caras dos agricultores nos querem parecer pouco mais de rudimentares, como se a natureza as deixasse configuradas na primeira sess&atilde;o para voltar depois e conformar-lhes os relevos. (<i>Id</i>.: 48-49.) </blockquote>      <p>Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, digamos, condiz com o aspeto do her&oacute;i rom&acirc;ntico, n&atilde;o encarnando os tra&ccedil;os do rude ou do pac&oacute;vio campon&ecirc;s, apesar de carecer daqueles bens culturais (leituras romanescas, sobretudo) que costumam configurar a alma de um protagonista rom&acirc;ntico. Avizinha-se, dir-se-ia, apesar evidentemente da especificidade do contexto camiliano, de um Julien Sorel, filho e irm&atilde;o de lenhadores, mas com os quais se n&atilde;o identificava. Tal como o futuro apaixonado de Mme de R&ecirc;nal, cuja fragilidade contrastava com a brutalidade imperante no seu meio familiar, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo apresenta sinais de debilidade f&iacute;sica. E veja-se que a personagem de Camilo, antes de partir para o Porto, solicita ao pai permiss&atilde;o para ingressar no Semin&aacute;rio, o que tanto pode ser estrat&eacute;gia para escapar &agrave; viol&ecirc;ncia f&iacute;sica dos campos como pode ser uma forma, a segunda poss&iacute;vel (a primeira, a ida para o Brasil, fracassou, justamente por causa da debilidade f&iacute;sica da personagem), para resolver o seu mal-estar social na tentativa de escapar a um destino para o qual n&atilde;o revela a menor voca&ccedil;&atilde;o (nem, em boa verdade, a m&iacute;nima capacidade). Em s&iacute;ntese, avesso &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o social prescrita pelo nascimento, num contexto ainda desencorajador da mobilidade a bem da estrita reprodu&ccedil;&atilde;o social, o amanuense ambiciona outra identidade social, a que lhe possa consentir o eventual m&eacute;rito do seu trajeto.</p>      <p><b>1.2.</b></p>     <p>Outro aspeto reporta-se ao comportamento ativo e temer&aacute;rio. A personagem n&atilde;o parece pertencer &agrave; estirpe daqueles her&oacute;is rom&acirc;nticos passivos, indolentes, melanc&oacute;licos, propensos ao confessionalismo, dominados pela resigna&ccedil;&atilde;o, enfim, razoavelmente marcados por tend&ecirc;ncias passivas (e que proliferam no chamado segundo Romantismo, o do contexto burgu&ecirc;s e liberal). Mais pr&oacute;ximo deste g&eacute;nero de protagonistas estaria Ant&oacute;nio da Silveira. Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, esse, ajusta contas com Caetano Alves, matando-o. E antes disso, a comprovar a sua &iacute;ndole ativa, num momento da novela particularmente dotado de perip&eacute;cias rocambolescas dignas de folhetim, deslocou-se a Barbeita disfar&ccedil;ado de mendigo. E l&aacute;, dirigindo-se a Albertina, proclama, com n&atilde;o pouco sentido tr&aacute;gico: &laquo;– Se o c&eacute;u mos n&atilde;o der, irei busc&aacute;-los ao inferno. Dentro de trinta dias, estarei morto ou contigo&raquo; (<i>id</i>.: 115). A declara&ccedil;&atilde;o &eacute; assaz emblem&aacute;tica do her&oacute;i rom&acirc;ntico, daquele impulso irrefre&aacute;vel que faz com que o protagonista esteja disposto a tudo para levar em frente o seu irreprim&iacute;vel desejo, que &eacute; da ordem do absoluto. E um her&oacute;i assim dispon&iacute;vel para tudo, arriscando perder a pr&oacute;pria vida, n&atilde;o tem pejo em convocar o inferno (leia-se: a obten&ccedil;&atilde;o de dinheiro por meios il&iacute;citos), se a Provid&ecirc;ncia lhe n&atilde;o proporcionar os meios de que carece para resgatar a mo&ccedil;a de Barbeita. A declara&ccedil;&atilde;o &eacute; interessante por evidenciar no amanuense, trabalhador honrado e imbu&iacute;do de uma honestidade irredut&iacute;vel (devolve, por exemplo, o dinheiro emprestado a Caetano Alves, mesmo sabendo do imbr&oacute;glio em que este o enredou), a possibilidade, em caso de absoluta necessidade – ou seja: estando em jogo a liberta&ccedil;&atilde;o de Albertina –, de enveredar por vias menos retas. &Eacute; a paix&atilde;o exacerbada a ceg&aacute;-lo nas convic&ccedil;&otilde;es morais, como se percebe. Uma paix&atilde;o, &agrave; boa maneira rom&acirc;ntica, dominadora e n&atilde;o isenta de certa loucura. Eis o que sucede, mal sai do c&aacute;rcere: </p>      <blockquote>Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, ao escurecer deste primeiro dia de liberdade, entrou na estrada de Braga, sem saber dar-se conta do intento que o levava, impelido pelo cora&ccedil;&atilde;o. Era febre precursora de loucura; frenesim como ele, raras horas, o experimentara no afogado recinto do c&aacute;rcere (<i>id</i>.: 106.)<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> </blockquote>      <p>O dinamismo viril e o orgulho, refira-se ainda, n&atilde;o invalidam a presen&ccedil;a na personagem de uma forte sensibilidade, consent&acirc;nea, de resto, com a debilidade f&iacute;sica de que padece desde a juventude.<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> </p>      <p><b>1.3.</b></p>     <p>Deve notar-se, enfim, outro tra&ccedil;o de car&aacute;cter correlacionado com a &iacute;ndole sens&iacute;vel do amanuense e j&aacute; aludido: a flagrante dificuldade de este se ver remetido para a condi&ccedil;&atilde;o de marginal social. Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo sofre, pois, enormemente com o facto de a sociedade o repudiar, dando inequ&iacute;vocos sinais de n&atilde;o suportar as acusa&ccedil;&otilde;es insidiosas de que &eacute; alvo. Posto em liberdade, n&atilde;o aguenta o estigma da marginalidade e, com isso, (d)enuncia uma flagrante depend&ecirc;ncia da aprova&ccedil;&atilde;o social: &laquo;Caminhou de rua em rua. Encontrou pessoas, que o haviam estimado. Ningu&eacute;m lhe disse: &laquo;Deus te salve!&raquo;; ningu&eacute;m lhe apertou a m&atilde;o, dando-lhe os emboras de sair vivo dos ferros&raquo; (<i>id</i>.: 105). E uma das raz&otilde;es para tanto &eacute; &laquo;porque o ficaram odiando pelo crime de rapto&raquo; (<i>id</i>.: 106.). O desamparo, note-se, n&atilde;o se restringe aos conhecidos, alarga-se &agrave; esfera familiar. O pr&oacute;prio narrador, cheio de comisera&ccedil;&atilde;o, afirma: &laquo;E t&atilde;o desgra&ccedil;ado na sua primeira noite de liberdade!… N&atilde;o ter pai que lhe desse agasalho naquela noite, nem irm&atilde;o que lhe liberalizasse uma tigela de caldo em sua mesa, na mesa onde ambos haviam comido, com a m&atilde;e comum entre eles, a m&atilde;e que os amava por igual!&raquo; (<i>id</i>.: 106-107). Apossa-se ent&atilde;o do amanuense uma profunda dor. &laquo;Chorava o desamparado l&aacute;grimas de travor acerbo, olhando por al&eacute;m fora no caminho de sua casa, alvejado pela claridade da lua&raquo; (<i>id</i>.: 107). Assim destro&ccedil;ado, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo renega a sua desinser&ccedil;&atilde;o familiar e o &laquo;atroz destino&raquo; (<i>ibid</i>.)<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>. Como se v&ecirc;, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo n&atilde;o &eacute; Sim&atilde;o Botelho. N&atilde;o imaginamos o caudal de energia rom&acirc;ntica de Sim&atilde;o afetado, ou, pelo menos, afetado assim devido &agrave; reprova&ccedil;&atilde;o social. Para n&atilde;o falar na rela&ccedil;&atilde;o do amanuense com o pai. Um pai pouco razo&aacute;vel: &eacute;-nos apresentado como sendo autorit&aacute;rio e de m&aacute; &iacute;ndole. Movido pela ambi&ccedil;&atilde;o, envia o filho ainda novo para o Brasil, para que este fa&ccedil;a fortuna (este corte com o pai &eacute; tamb&eacute;m um corte com a m&atilde;e e com a m&atilde;e-p&aacute;tria). O filho v&ecirc;-se obrigado a partir, qual enjeitado necessitado da riqueza dos tr&oacute;picos, para adquirir, sup&otilde;e-se, uma legitima&ccedil;&atilde;o paterna proporcion&aacute;vel pelo capital. E, como sabemos, das duas vezes que partir&aacute; para o Brasil, n&atilde;o alcan&ccedil;ar&aacute; fortuna. Quando regressa, por raz&otilde;es de sa&uacute;de, o &laquo;pai, que n&atilde;o era dos mais razo&aacute;veis, e tinha outro filho a quem deveras queria, recebeu-o de m&aacute; sombra. Jo&atilde;o pedia-lhe que o deixasse ordenar; o pai deu-lhe uma enxada, e mandou-o ro&ccedil;ar tojo&raquo; (<i>id</i>.: 38). Apesar disto, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo parece respeitar bastante o progenitor. A Janu&aacute;rio chegar&aacute; a confessar que dias havia em que chorava por n&atilde;o ter obedecido ao pai (cf. <i>id</i>.: 79). E se da primeira vez que passa perto da terra natal tende a culpar esse pai pelo destino que a sorte lhe reservou e apela &agrave; m&atilde;e, cuja morte lamenta, a verdade &eacute; que na segunda vez que por l&aacute; transita, a caminho de Barbeita, sofre por saber que n&atilde;o voltar&aacute; a v&ecirc;-lo. Em suma, ao inverso de Sim&atilde;o, o amanuense parece incapaz de se definir somente com base numa rela&ccedil;&atilde;o de auto-referencialidade (o &laquo;Eu&raquo; voltado para si mesmo na assun&ccedil;&atilde;o do seu ser e sem concess&otilde;es para o mundo exterior), antes se define a partir de uma rela&ccedil;&atilde;o de alteridade: a opini&atilde;o/valida&ccedil;&atilde;o social. O caso agrava-se com a condena&ccedil;&atilde;o judicial. Porque Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo n&atilde;o suportar&aacute; a propaga&ccedil;&atilde;o social de uma acusa&ccedil;&atilde;o injusta que o desonra, equiparando-o &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de delinquente. </p>      <p><b>1.4.</b></p>     <p>E se a acusa&ccedil;&atilde;o &eacute; perfeitamente injusta, deve-se a injusti&ccedil;a flagrante ao sistema judicial, aqui e noutras novelas, incapaz de se enclausurar sobre si mesmo por carecer de isen&ccedil;&atilde;o. Isto &eacute;, a inst&acirc;ncia judicial n&atilde;o disp&otilde;e de firmeza suficiente para enfrentar a inger&ecirc;ncia de outros sistemas sociais (sistema pol&iacute;tico, econ&oacute;mico, etc.). Efetivamente, os tribunais s&atilde;o o palco de uma justi&ccedil;a pervertida, como muito bem nota Ant&oacute;nio da Silveira, ao contra-argumentar, com Voltaire, a raz&atilde;o pela qual Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo fazia muit&iacute;ssimo bem em permanecer exilado no Brasil: &laquo;O seu dileto fil&oacute;sofo [Voltaire] […] escreveu que, se a justi&ccedil;a o arguisse de ter furtado o sino grande de Nossa Senhora de Paris, ainda que toda a gente estivesse vendo o sino na torre, ele sairia de Fran&ccedil;a, e l&aacute; de fora provaria que n&atilde;o roubou o sino. Da cadeia &eacute; que n&atilde;o&raquo; (<i>id</i>.: 218). O coment&aacute;rio diz bem da injusti&ccedil;a da justi&ccedil;a (Caetano Alves e Benito Rojas ser&atilde;o libertados, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, n&atilde;o obstante a flagrante inoc&ecirc;ncia, &eacute; condenado). A presta&ccedil;&atilde;o de Caetano Alves em tribunal, a acentuar os desvarios da justi&ccedil;a, &eacute; p&eacute;ssima: &laquo;O magistrado enleara-o t&atilde;o engenhosamente que o r&eacute;u, a cada investida que dava &agrave; trama, ficava mais enredado. Afinal, estupidificado pelo susto, disse que entregava os bens ao autor, e que o deixassem&raquo; (<i>id</i>.: 217). Rea&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia: &laquo;Os circunstantes riram &agrave;s gargalhadas da beat&iacute;fica desist&ecirc;ncia do homem, e espantaram-se de um cair de chofre t&atilde;o redondo &agrave; lama dos criminosos vulgares!&raquo; (<i>ibid</i>.). O infeliz desempenho do r&eacute;u &eacute; compensado pelo dinheiro. Seguindo &laquo;alguns experientes deste mundo&raquo; que o admoestaram &laquo;a que tivesse mais confian&ccedil;a no seu dinheiro e na valiosa atividade dos seus amigos&raquo; (<i>id</i>.: 221), a personagem n&atilde;o sofre o rep&uacute;dio da sociedade, antes se v&ecirc; maci&ccedil;amente apoiada por esta: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>O rico propriet&aacute;rio, quando a indigna&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica fazia estampido, era j&aacute; visitado por pessoas de uma tal qual categoria e preponder&acirc;ncia. Destas, alguma, grandemente considerada entre a classe geneal&oacute;gica, saiu de carruagem &agrave; porta dos ju&iacute;zes, a oferecer a sua idoneidade em fian&ccedil;a do preso. &Agrave; imita&ccedil;&atilde;o deste fidalgo agradecido ao seu credor, outros se ofereceram e empenharam j&aacute; com o magistrado criminal, j&aacute; com o c&iacute;vel. (<i>Id</i>.: 221.) </blockquote>      <p>O facto de pessoas de &laquo;categoria e preponder&acirc;ncia&raquo; visitarem o r&eacute;u, entre as quais uma &laquo;grandemente considerada entre a classe geneal&oacute;gica&raquo;, oferecendo aos ju&iacute;zes &laquo;a sua idoneidade em fian&ccedil;a do preso&raquo;, e dando o exemplo a outros fidalgos, &eacute; denotativo de um sistema judicial onde &laquo;la preuve [est] li&eacute;e &agrave; des r&ocirc;les&raquo; (Luhman, 2001: 52), o que condiz com uma sociedade tradicional, na qual a moralidade &eacute; apurada segundo a notoriedade da escala social a que se pertence<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>. No Antigo Regime, muito confiado &agrave; fam&iacute;lia e, mormente, &agrave;s fam&iacute;lias de renome geneal&oacute;gico, &laquo;les membres des couches sup&eacute;rieures de la soci&eacute;t&eacute; jouissent d’une plus grande cr&eacute;dibilit&eacute; au tribunal&raquo; (<i>id</i>.: 54; cf. tamb&eacute;m Luhman, 1998: 380 e 415). Tanto assim &eacute; que &laquo;em caso de processo, o juramento coletivo dos parentes era suficiente para ilibar o acusado ou, pelo contr&aacute;rio, para provar a sua culpabilidade&raquo; (Michel, 1983: 46), o que contrasta com o direito moderno, onde cabe ao juiz abstrair-se dos pap&eacute;is sociais dos que intercedem, por exemplo, a favor da pessoa julgada. Para recorrer uma vez mais a Luhmann: </p>      <blockquote>[...] il [le juge] ne le fait [tirer son jugement] plus directement &agrave; partir de repr&eacute;sentations du vrai et du juste qui se seraient impos&eacute;es dans un ordre de la vie sociale qu’il pourrait contempler. Il peut ainsi op&eacute;rer &agrave; partir d’une distance plus grande et il n’est pas tenu, dans tous les domaines &agrave; ramifications multiples o&ugrave; il doit rendre une d&eacute;cision, de flairer les pr&iacute;ncipes moraux de jugement qui seraient susc&eacute;ptibles de cr&eacute;er un consensus. Il peut et doit d&eacute;cider en tant qu’&eacute;tranger (<i>als Fremder</i>). (Luhman, 2001: 56.)</blockquote>      <p>Se Caetano Alves, por escrito, incrimina Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, acusando-o de lhe ter fornecido a nota para falsifica&ccedil;&atilde;o e de ter, inclusive, colaborado com o contrafator a troco de generoso estip&ecirc;ndio, e se esta den&uacute;ncia, desconsiderada inicialmente pelo corregedor, &eacute; incriminat&oacute;ria do pr&oacute;prio Caetano Alves, o certo &eacute; que este, em boa verdade, n&atilde;o acaba condenado. Como fica a saber Ant&oacute;nio da Silveira, &laquo;conspiravam a favor de Caetano Alves pessoas de grande vulto e influ&ecirc;ncia, notadamente o regedor das justi&ccedil;as&raquo; (Castelo Branco, 1971: 232). Mais: &laquo;a prote&ccedil;&atilde;o ao r&eacute;u era t&atilde;o evidente e escandalosa quanto ele estava no gozo de seus bens&raquo; (<i>ibid</i>.). Ali&aacute;s, o livre uso de bens &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o justamente imprescind&iacute;vel para o criminoso comprar influ&ecirc;ncias e, assim, manobrar a justi&ccedil;a a seu favor. Ao todo, Caetano Alves investir&aacute; a n&atilde;o despicienda quantia de cinquenta contos, o &laquo;pre&ccedil;o da liberdade&raquo; (<i>id</i>.: 252). Desta maneira, o corregedor, convencido da inoc&ecirc;ncia do amanuense, incrimina-o para estupefa&ccedil;&atilde;o de Ant&oacute;nio da Silveira; e, no final do processo, declara-o culpado (cf. <i>id</i>.: 251). Quanto a Benito Rojas, cujos dias na pris&atilde;o foram regalados (cf. <i>id</i>.: 249), salva-se de ser extraditado para Espanha gra&ccedil;as a Caetano Alves, que corrompe um c&ocirc;nsul espanhol, do qual dependia a liberdade do fals&aacute;rio, e isto porque &laquo;[o dito c&ocirc;nsul] n&atilde;o tinha motivo algum para ser mais incorrupt&iacute;vel que os outros&raquo; (<i>id</i>.: 252). Portanto, atrav&eacute;s da corrup&ccedil;&atilde;o, opera-se uma legitima&ccedil;&atilde;o social que &eacute; o inverso da <i>diferencia&ccedil;&atilde;o</i> recomendada por Luhmann para o sistema judicial: </p>      <blockquote>L’essentiel est plut&ocirc;t de construire une sph&egrave;re propre de sens de mani&egrave;re &agrave; ce que les processus s&eacute;lectifs de traitement des informations provenant de l’environnement puissent &ecirc;tre r&eacute;gul&eacute;s par des d&eacute;cisions et des r&egrave;gles propres au syst&egrave;me, afin que les structures et les &eacute;v&eacute;nements de l’environnement ne deviennent pas automatiquement valides dans le syst&egrave;me, mais ne soient reconnus qu’&agrave; la suite d’un filtrage des informations. La diff&eacute;renciation ne peut donc se r&eacute;aliser que par l’autonomisation des proc&eacute;dures et sa port&eacute;e correspond &agrave; celle des possibilit&eacute;s d&eacute;cisionnelles du syst&egrave;me. (Luhman, 2001: 51.) </blockquote>      <p>Manifestamente isto n&atilde;o sucede aqui. O tribunal &eacute; largamente perme&aacute;vel a dois meios de comunica&ccedil;&atilde;o simbolicamente generalizada: o dinheiro (capital patrimonial) e o sangue (capital simb&oacute;lico). E se, no final, os criminosos acabam <i>de facto </i>castigados, a puni&ccedil;&atilde;o parece obra de uma Provid&ecirc;ncia<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>.N&atilde;o h&aacute; como negar queo crime perpetrado pelo amanuense, e com o qual diz recuperar a honra que a sociedade civil injustamente lhe negou, se substitui &agrave; justi&ccedil;a dos homens e, nessa medida, ocorre uma repara&ccedil;&atilde;o da injusti&ccedil;a praticada nos tribunais; e isso nada parece ter a ver com os des&iacute;gnios da Provid&ecirc;ncia. No entanto, o narrador compraz-se em explic&aacute;-lo, e em explicar os castigos destinados &agrave;s personagens aviltantes, a bem de uma efetiva justi&ccedil;a, invocando a infal&iacute;vel Provid&ecirc;ncia<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>. Em todo caso, isto &eacute;, seja Provid&ecirc;ncia ou mera contig&ecirc;ncia, a verdade &eacute; que a fic&ccedil;&atilde;o camiliana n&atilde;o carece de justiceiros que fazem as vezes da Justi&ccedil;a inoperante(em <i>O Senhor do Pa&ccedil;o de Nin&atilde;es</i>, o negro Vasco mata Jo&atilde;o Esteves Cogominho; em <i>O Carrasco de Victor Hugo Jos&eacute; Alves</i>, o negro Dami&atilde;o Ravasco – anagrama quase perfeito de carrasco, repare-se – acaba com a vida de Victor Hugo, degolando-o; etc.).</p>      <p><b>1.5.</b></p>     <p>A necessidade inquebrant&aacute;vel de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo ostentar uma honra imaculada n&atilde;o se compadece com o amor. Por &laquo;honra&raquo; n&atilde;o se entenda, conv&eacute;m esclarecer, aquele pundonor aristocr&aacute;tico que R. A. Lawton imputou a Sim&atilde;o Botelho, avizinhando-o dos pundonores de Domingos Botelho e Tadeu de Albuquerque (<i>vide</i> Lawton, 1964)<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup>. Ao arrepio do que defende Lawton, cuja leitura foi refutada, entre outros, por Jacinto do Prado Coelho (cf. Coelho, 2001: 253-257), An&iacute;bal Pinto de Castro (Castro, 1983: LVI) e, com uma argumenta&ccedil;&atilde;o a todos os n&iacute;veis brilhante, por Abel Barros Baptista (Baptista, 2009: 81-112), a honra de Sim&atilde;o Botelho, que o leva a desprezar concess&otilde;es que visassem aligeirar-lhe a pena (e, em sentido mais lato, a pr&oacute;pria justi&ccedil;a humana), essa honra decorre de uma superioridade moral (que come&ccedil;a com o &laquo;eu&raquo; rom&acirc;ntico a lutar contra as cren&ccedil;as, os valores e as expectativas das institui&ccedil;&otilde;es da ordem antiga), vale dizer, procede de um estado de nobreza de alma em confronto aberto com os preconceitos sociais e n&atilde;o resulta do refluxo da linhagem e do parentesco.</p>      <p>Antes do crime, refira-se, o forte sentido de honra de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo est&aacute; &agrave; vista, em particular, em dois momentos. O primeiro diz respeito &agrave; maneira h&aacute;bil como a personagem repudia a oferta de Janu&aacute;rio Costa e Silva, que a troco de seis mil cruzados em moedas de ouro, al&eacute;m da oferta da liberdade, contava corromper o amanuense, ou seja, fazer com que este prometesse esquecer Albertina e partisse para longe. Mas prestemos aten&ccedil;&atilde;o ao segundo momento a que nos referimos e que se reporta &agrave;quela parte da narrativa em que as liteiras de Francisco Alpedrinha se cruzam, noite alta, com Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo numa serra sugestivamente chamada &laquo;<i>Terra-Negra</i>&raquo;, &laquo;por aqueles tempos, suja de salteadores&raquo; (Castelo Branco, 1864: 107). Os liteireiros do bacharel, avistando o vulto do amanuense, julgam-se cercados por ladr&otilde;es, o que muito aflige Francisco Alpedrinha: &laquo;– Gritem, gritem &agrave;-d’el-rei! – clamou o doutor, figurando um ladr&atilde;o em cada tronco de &aacute;rvore&raquo; (<i>id</i>.: 108). No tocante ao amanuense, que reconhece de imediato a voz do pai de Albertina, &eacute; dito que &laquo;permanecia sentado e im&oacute;vel sobre o combro&raquo; (<i>ibid</i>.). Da&iacute; o contraste flagrante: os mo&ccedil;os do doutor Negro que &laquo;bradavam, em grita desentoada, por socorro&raquo; (<i>ibid</i>.); e a serenidade total do amanuense. E mesmo quando os liteireiros do magistrado lhe dizem que, afinal, ao que parece, tudo n&atilde;o passa de um &uacute;nico homem, sugerindo a hip&oacute;tese de o confrontar, o receio do doutor Alpedrinha n&atilde;o diminui de intensidade: &laquo;Vejam l&aacute; no que se metem, que isto &eacute; s&eacute;rio e perigoso! – observou Francisco Sim&otilde;es. – Eu tenho aqui meia d&uacute;zia de moedas; se esses senhores se acomodarem com isto, dou-lhas, e que me deixem passar a salvo&raquo; (<i>ibid</i>.). Resposta do amanuense, que continua na mesma, &laquo;sem mudar de postura&raquo; (<i>ibid</i>.): &laquo;– Passem, que n&atilde;o h&aacute; ladr&otilde;es aqui&raquo; (<i>ibid</i>.). Rea&ccedil;&atilde;o do pai de Albertina: &laquo;O doutor Negro cuidou ouvir a voz de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, e tremeu pela vida&raquo; (<i>ibid</i>.). Por essa raz&atilde;o, recomenda aos seus homens que estejam atentos e que se coloquem do lado das portinholas da liteira, isso a fim de o protegerem em caso de ataque. Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo trata, logo, de afirmar inequivocamente que o viajante n&atilde;o corre perigo: &laquo;– A sua vida est&aacute; segura, sr. doutor Alpedrinha […]. – A sua vida &eacute; t&atilde;o sagrada para mim como a de meu pai&raquo; (<i>id</i>.: 109). Por conseguinte, temos Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo numa situa&ccedil;&atilde;o de superioridade relativamente ao doutor Negro, superioridade que se deve entender n&atilde;o somente no sentido f&iacute;sico (o doutor e os seus mo&ccedil;os temem, dada a m&aacute; fama do lugar, estarem em presen&ccedil;a de bandidos, o amanuense, ainda que s&oacute;, &eacute; senhor da situa&ccedil;&atilde;o), por&eacute;m igualmente em termos de superioridade moral. A impassibilidade do amanuense, o mesmo &eacute; dizer, a sua serenidade, em flagrante contraste com o pavor dos homens de Francisco Alpedrinha, sinaliza um estado de consci&ecirc;ncia tranquilo. Recorde-se, a prop&oacute;sito, a impress&atilde;o que Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo causara em Ant&oacute;nio da Silveira na cadeia da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto: &laquo;Ant&oacute;nio da Silveira […] [ficou] cativo daquele homem, cujo sossego justificava a pureza da consci&ecirc;ncia&raquo; (<i>id</i>.: 51). E recorde-se tamb&eacute;m a inusitada rea&ccedil;&atilde;o da personagem &agrave; carta do cadete, onde se dava conta da acusa&ccedil;&atilde;o vil que pendia sobre ela: &laquo;Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo acabara de ler a carta serenamente&raquo;, observa o narrador, para acrescentar: &laquo;Horribil&iacute;ssima serenidade!&raquo; (<i>id</i>.: 200) (&laquo;Horribil&iacute;ssima&raquo;, porque bem depressa a serenidade ceder&aacute; lugar &agrave;s l&aacute;grimas). Regressando &agrave; cena do encontro noturno, cabe enfatizar que o amanuense teria motivos de sobra para se vingar do doutor Negro (mandou-o prender, tentou corromp&ecirc;-lo, prolongou-lhe o mais que p&ocirc;de a pena de pris&atilde;o), todavia, como quem concede uma gra&ccedil;a, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo deixa o pai de Albertina passar livremente. E com esse gesto – que pode lembrar ironicamente a clem&ecirc;ncia de um patriarca detentor do poder de vida ou morte (<i>patria potestas</i>), mas que decide poup&aacute;-la –, a personagem tende a manifestar um sentido de honra que o patriarca j&aacute; n&atilde;o pode reivindicar. Mais ainda se pode dizer (se &eacute; que n&atilde;o se deve dizer): que, em termos de sugest&atilde;o, o terror do magistrado e, num claro contraste, a serenidade do amanuense s&atilde;o como que a face vis&iacute;vel da falta de honra do patriarca e da sua presen&ccedil;a no mo&ccedil;o. Mas pode perguntar-se: e o facto de fugir, por tr&ecirc;s vezes, com a filha do magistrado, ousadia que lhe vale a reprova&ccedil;&atilde;o social, n&atilde;o &eacute; significativo de desonra? Aqui, a resposta pode vir sob a forma de excerto de um di&aacute;logo retirado de <i>Estrelas Prop&iacute;cias</i>, entre Ant&oacute;nio de Azevedo Barbosa e Jo&atilde;o Bernardo Taveira. Diz o primeiro isto: &laquo;– Bem: e n&atilde;o entendes tu que seria uma indignidade ir eu perturbar o sossego do pai de Corina, casando-lhe com a filha, por meio de um rapto ou da interven&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a?&raquo; (Castelo Branco, 1971a: 61). Responde Jo&atilde;o Bernardo: &laquo;– N&atilde;o entendo assim a dignidade. Se Corina consentir em ser raptada para o mais santo dos intentos a que o cora&ccedil;&atilde;o a pode impelir; e, se ela razoavelmente se n&atilde;o quiser sacrificar &agrave; ambi&ccedil;&atilde;o do pai, nem a tua honra, nem a sua, nem a da fam&iacute;lia ilustre ou n&atilde;o ilustre, sofrem desaire&raquo; (<i>ibid</i>.). </p>      <p>Pela preced&ecirc;ncia geracional e pelo poder (simb&oacute;lico e real) que concentram em si numa sociedade como a do Antigo Regime, n&atilde;o custa entender que os patriarcas sejam, enfim, por excel&ecirc;ncia, deposit&aacute;rios da honra. Na verdade, por&eacute;m, evidenciam, como &eacute; o caso do Doutor Alpedrinha ou de Janu&aacute;rio Costa e Silva, comportamentos pouco vener&aacute;veis.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A honra acha-se antes em her&oacute;is tipicamente rom&acirc;nticos como Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, como referimos. Em <i>O Bem e o Mal</i>, a certa altura, cruzando-se com Rui de Nelas, Casimiro de Bettancourt, inadvertidamente, diz: &laquo;– Sr. Rui de Nelas, quem me feriu na batalha foi a espada da honra&raquo; (Castelo Branco, 2003: 83)<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>. Assinalemos, no entanto, uma peculiaridade de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo. Sobretudo tendo presente, novamente, um her&oacute;i como Sim&atilde;o. No filho do corregedor Domingos Botelho, o sentido da honra parece estar para l&aacute; das conting&ecirc;ncias sociais. Sim&atilde;o mant&eacute;m, pois, uma rela&ccedil;&atilde;o com o Direito que &eacute; a de quem n&atilde;o reconhece aos tribunais legitimidade m&iacute;nima para avaliarem o seu comportamento associal. O her&oacute;i posiciona-se acima dos ju&iacute;zes, reconhecendo como &uacute;nico juiz nada menos do que Deus. Da&iacute; n&atilde;o precisar de valida&ccedil;&atilde;o social. N&atilde;o sucede o mesmo com Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo. Note-se como este reage &agrave; oferta de Caetano Alves de fugir com Albertina para o Brasil: &laquo;O seu pensamento do Brasil, encanta-me, sr. Chaves! Trabalhar ao lado da mulher que amo, toda a vida! Morrer aben&ccedil;oado dela e da sociedade!…&raquo; (Castelo Branco, 1971: 125). Como se v&ecirc;, o sonho de uma vida em conjunto com Albertina n&atilde;o se afigura suficiente, sendo necess&aacute;rio acrescentar outra componente inultrapass&aacute;vel: a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da sociedade. Esta exig&ecirc;ncia de validade social &eacute; t&iacute;pica do Antigo Regime, onde as pessoas existem n&atilde;o fora mas dentro da ordem social estrita. O desencontro do indiv&iacute;duo com a sociedade &eacute;, em larga por&ccedil;&atilde;o, um dos vetores estruturantes do imagin&aacute;rio m&iacute;tico-simb&oacute;lico rom&acirc;ntico, como &eacute; sabido, e corresponde a uma necessidade imperativa: afirmar a emancipa&ccedil;&atilde;o, em pleno gozo de liberdade, at&eacute; aos confins do absoluto. N&atilde;o admira que a &iacute;ndole do her&oacute;i rom&acirc;ntico despreze a sociedade e n&atilde;o raramente a enfrente abertamente sem escr&uacute;pulos de ordem moral. A ordem antiga, essa, inscreve o indiv&iacute;duo dentro do sistema social e define-o atrav&eacute;s dele, sob pena de o punir com uma insuport&aacute;vel marginalidade. Como nota Luhmann: &laquo;<i>La naturaleza </i>del hombre era su <i>moral</i>, <i>su </i>capacidad de ganar o perder el respecto en la vida social&raquo; (Luhman, 1998: 200). Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo &eacute; manifestamente dependente do julgamento social, o que n&atilde;o &eacute; evidente numa personagem como Sim&atilde;o Botelho. Porqu&ecirc;? Provavelmente porque o filho do Brocas descende da aristocracia de corte por parte da m&atilde;e e &eacute; filho do corregedor de Viseu. Quer isto significar uma linhagem com certa relev&acirc;ncia e, como tal, capaz de conferir automaticamente reconhecimento social. Sim&atilde;o pode, por esse motivo, dar-se ao luxo – socialmente falando – de esbanjar prest&iacute;gio cultivando alguma marginalidade, que n&atilde;o lhe afeta a relev&acirc;ncia social assegurada pela genealogia um tanto distinta. Por exemplo, &laquo;partiu muitas cabe&ccedil;as&raquo; (Castelo Branco, 2004: 27) dos donos de umas vasilhas, vingando assim o espancamento de um criado de seu pai. A pancadaria (que serve o prop&oacute;sito de indicar a &iacute;ndole violenta e irrefletida mas tamb&eacute;m valente e justa de Sim&atilde;o) n&atilde;o resultou em nenhuma ordem de pris&atilde;o. Leia-se: &laquo;armado de um fueiro que descravou de um carro, partiu muitas cabe&ccedil;as, e rematou o tr&aacute;gico espet&aacute;culo pela farsa de quebrar todos os c&acirc;ntaros. O povol&eacute;u intacto fugira espavorido, que ningu&eacute;m se atrevia ao filho do corregedor&raquo; (<i>id</i>.: 27). E as queixas dos feridos de nada valer&atilde;o. E mesmo depois de Sim&atilde;o cometer um crime pun&iacute;vel com a forca, n&atilde;o falta um ju&iacute;z de fora a compadecer-se dele. Mas Sim&atilde;o despreza ajudas e conselhos. Porque despreza a justi&ccedil;a dos homens. Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo &eacute; assaz diferente, desde logo por ser perme&aacute;vel ao crivo social. Como n&atilde;o procede de uma fam&iacute;lia com bens e n&atilde;o beneficia da prote&ccedil;&atilde;o de um nome sonante, a honra, tudo bem considerado, consiste no &uacute;nico bem que socialmente possui suscet&iacute;vel de o tornar superior aos detentores de patrim&oacute;nio e/ou linhagem. A honra &eacute; assim um capital precioso, capaz de p&ocirc;r em causa o amor, como sucede com outros protagonistas camilianos desfavorecidos socialmente, por&eacute;m apetrechados de um fort&iacute;ssimo sentido de honra, n&atilde;o raro manifesto em posi&ccedil;&otilde;es exageradamente intransigentes. Em <i>Agulha em Palheiro</i>, Fernando Gomes, a certo passo do enredo, diz a Paulina: &laquo;– Vai, minha amiga, e esquece-me, se quiseres e puderes. O que nunca poder&aacute;s esquecer &eacute; que o homem, que te n&atilde;o servia para o cora&ccedil;&atilde;o, tinha alguma boa qualidade que h&aacute; de eternamente viver em tua mem&oacute;ria. Antes esquecido por ti, que desonrado por amor de ti, Paulina&raquo; (Castelo Branco, 1904: 175-176)<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>.</p>      <p>E &eacute; o caso, apenas para mencionar mais um exemplo, de Ant&oacute;nio de Azevedo Barbosa (<i>Estrelas Prop&iacute;cias</i>), protagonista sem v&iacute;nculo geneal&oacute;gico, no entanto, extremamente honrado e digno, o que lhe vale uma censura do anci&atilde;o Valentim da Costa, que lhe repara, com justeza, o excesso de dignidade:</p>      <blockquote>Eu sei bem o que &eacute; a dignidade; achei que a sua se manteve sempre na altura dos mais dignos homens de outros tempos; admirei-o e louvei-o pelo que outros chamariam demasias de orgulho sob a capa de independ&ecirc;ncia; agora, por&eacute;m, &eacute; chegada a hora de eu lhe dizer que, assim como a suave religi&atilde;o se descaminha at&eacute; ao fanatismo execr&aacute;vel, assim a briosa dignidade, se perde o rumo do bom ju&iacute;zo, vai dar consigo nuns excessos rudes, insoci&aacute;veis e repelentes. A sociedade aplaude os virtuosos, mas desadora os que fazem de sua virtude uma tribuna para lhe censurar as fraquezas. O excesso do bem &eacute; um mal que n&atilde;o me aproveita a mim, nem a outrem. Eu quero que Ant&oacute;nio de Azevedo se mostre alegre para que o mundo n&atilde;o diga que a honra tem uns pavores interiores refrat&aacute;rios ao contentamento. (Castelo Branco, 1971a: 197-198.)</blockquote>      <p>Retornando a Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, cabe sublinhar o facto de a personagem, manchada na honra, a n&atilde;o ser pela l&oacute;gica do crime, n&atilde;o ter como recuperar o cr&eacute;dito social. Fundamentalmente por n&atilde;o dispor de capital. Numa carta endere&ccedil;ada a Albertina, o amanuense revolta-se contra a organiza&ccedil;&atilde;o social r&iacute;gida e aspira a uma des-hierarquiza&ccedil;&atilde;o: &laquo;Eram mal dissimulados prantos, &oacute;dios e vocifera&ccedil;&otilde;es contra a f&eacute;rrea organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade&raquo; (Castelo Branco, 1971: 119). Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, &eacute; caso para dizer, envereda por um <i>individualismo revolucion&aacute;rio</i>, express&atilde;o cunhada por Luc Ferry para designar o individualismo emergente no contexto da Revolu&ccedil;&atilde;o (e antes) e que &laquo;se traduit par une r&eacute;volte des individus contre la <i>hi&eacute;rarchie </i>au nom de l’<i>&eacute;galit&eacute;</i>&raquo; (Ferry &amp; Renaut, 1987: 31). Desprovido de recursos, n&atilde;o obstante ter estado no abundante Brasil (em pequeno e depois de casado), onde outros enriquecem fartamente (&eacute; o caso de Caetano Alves), dir-se-ia marcado por uma inexor&aacute;vel estrela funesta. Ao assedi&aacute;-lo, o astuto e aviltante Agostinho Jos&eacute; Chaves (sob o nome falso de Caetano Alves) colocar&aacute;, com arg&uacute;cia, a &ecirc;nfase da argumenta&ccedil;&atilde;o na falta de dinheiro: &laquo;eu sei que vossemec&ecirc; &eacute; um rapaz de boas qualidades, trabalhador e honrado. Pena &eacute; que seja pobre&raquo; (Castelo Branco, 1971: 121). Na palavra &laquo;pena&raquo; est&aacute; contida a fatalidade que, por mero acaso de nascimento, dissociou o dinheiro da pessoa honrada e trabalhadora que &eacute; o amanuense. Ora, como muito bem diz D. Rozenda, em <i>O Carrasco de Victor Hugo Jos&eacute; Alves</i>, &laquo;Hoje em dia, n&atilde;o se respeita sen&atilde;o o dinheiro…&raquo; (Castelo Branco, 1902:63).Resta-lhe, ele que se &laquo;contorcia[...] na angustiosa impossibilidade de provar sua inoc&ecirc;ncia&raquo; (Castelo Branco, 1971: 256), a possibilidade do crime ‘justiceiro’, com o qual, pelo menos, recupera no &iacute;ntimo de si mesmo a honra conspurcada, embora &agrave; custa do amor. Veja-se a carta, na cadeia, dirigida a Ant&oacute;nio da Silveira: &laquo;Saldei as contas. Agora posso morrer. Caetano Alves deve ter empastada no sangue da cara a den&uacute;ncia que deu ao corregedor. Como a sociedade, em vez de me vingar, me escreveu na testa o ferrete de ladr&atilde;o, vinguei-me eu&raquo; (<i>id</i>.: 291). E veja-se o bilhete que, pouco antes de falecer, escreve a Albertina: &laquo;Apalpo a fronte e j&aacute; n&atilde;o acho o ferrete. Lavou-mo o sangue do assassino da minha honra. O teu marido n&atilde;o podia morrer infamado&raquo; (<i>id</i>.: 282). E ainda, instantes antes de a morte o levar: &laquo;– Minha mulher, j&aacute; v&ecirc;s que te deixo a &uacute;nica heran&ccedil;a que podia deixar: um nome sem o ferrete de ladr&atilde;o. A sociedade perdoar&aacute; ao homicida…&raquo; (<i>id</i>.: 288). E de nada adiantaram as s&uacute;plicas de Albertina para que deixasse Caetano Alves &agrave; merc&ecirc; &laquo;da m&atilde;o divina da Provid&ecirc;ncia&raquo; (<i>id</i>.: 274). H&aacute; em Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, digamos com Slavoj ŽiŽek, um excesso de vida que d&aacute; pelo nome de &laquo;honra&raquo;, excesso pelo qual a personagem &eacute;, muito heroicamente, capaz de sacrificar tudo o resto, inclusive a sua t&atilde;o aspirada felicidade com Albertina:</p>      <blockquote>O que torna a vida <i>digna de ser vivida &eacute; o pr&oacute;prio excesso de vida</i>: a consci&ecirc;ncia de que existe qualquer coisa em nome da qual estamos dispostos a arriscar a vida (podemos chamar a esse excesso &laquo;liberdade&raquo;, &laquo;honra&raquo;, &laquo;dignidade&raquo;, &laquo;autonomia&raquo;, etc.). S&oacute; estamos <i>verdadeiramente vivos</i> quando estivermos prontos a assumir esse risco (ŽiŽek, 2006: 119-120.)<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup></blockquote>      <p>Assim, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo n&atilde;o resiste a querer fazer justi&ccedil;a com as suas pr&oacute;prias m&atilde;os, com tudo o que isso inevitavelmente acarreta de nefastas consequ&ecirc;ncias. &laquo;O primeiro e mais frequente conflito &eacute;&raquo; – Hegel <i>dixit </i>– &laquo;o que se trava entre o amor e a honra. Com efeito, a honra possui o mesmo car&aacute;cter de infinitude do amor e pode, portanto, opor ao amor um obst&aacute;culo absoluto. O dever da honra pode muitas vezes exigir o sacrif&iacute;cio do amor&raquo; (Hegel, 1958: 251). </p>      <p><b>2.</b></p>     <p>Ant&oacute;nio da Silveira n&atilde;o apresenta ambiguidades morais, sendo o &uacute;nico protagonista de quem se pode dizer, em bom rigor, que possui uma conduta inexced&iacute;vel. Dir-se-ia o representante da bondade. Sem m&aacute;cula, e a troco de nada, empenha-se em socorrer tanto o pai desgostoso como os amantes em fuga, ele que come&ccedil;ou por nutrir amor pela filha do bacharel, recorde-se. Como confessa a Albertina: </p>      <blockquote>Foi V. Ex.&ordf; a primeira mulher que os olhos de minha alma viram. Levei-a em esp&iacute;rito &agrave;s suaves solid&otilde;es da aldeia onde nasci, e imaginei quadros de uma felicidade t&atilde;o ing&eacute;nua, e aben&ccedil;o&aacute;vel em Deus, que cheguei a crer na impossibilidade de renascer para mim um amor semelhante [que, de facto, n&atilde;o renascer&aacute; por mulher alguma; o militar permanecer&aacute;, como sabemos, solteiro]. (Castelo Branco, 1971: 61-62.) </blockquote>      <p>Sabendo n&atilde;o ser correspondido, o cadete, sem demora, substituiu o desejo amoroso por uma fraterna amizade, estendida de muito bom grado a Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo. O facto de ter sido preterido n&atilde;o desencadeou, muito ao inverso do que sucede noutras novelas (pense-se, para referir talvez o caso mais radical, em <i>O Santo da Montanha</i>), um nocivo sentimento de rivalidade mim&eacute;tica que, por seu turno, descambaria para uma indesej&aacute;vel situa&ccedil;&atilde;o de antagonismo bin&aacute;rio, t&iacute;pica da psicologia sentimental dos tri&acirc;ngulos amorosos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De resto, a bondade de Ant&oacute;nio da Silveira &eacute; reconhecida pelo doutor Alpedrinha. O bacharel considera-o nada menos do que o &laquo;primeiro homem honrado do globo!&raquo; (<i>id</i>.: 159). E dele dir&aacute; o corregedor: &laquo;&Eacute; um mancebo na inf&acirc;ncia do cora&ccedil;&atilde;o, nas primeiras quimeras da vida, n&atilde;o apalpada ainda pela suja m&atilde;o da experi&ecirc;ncia&raquo; (<i>id</i>.: 216). E, por sua vez, o narrador, a certo passo, comentar&aacute;: &laquo;Singular homem este! Aqui fazemos alto para pedirmos &agrave; natureza excecional deste alferes de cavalaria a defini&ccedil;&atilde;o de semelhante &iacute;ndole, que &eacute; uma das raras joias que eu conhe&ccedil;o da natureza&raquo; (<i>id</i>.: 51). E numa carta assinada por Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, encontra Ant&oacute;nio da Silveira estas palavras elogiosas: &laquo;N&atilde;o me ofere&ccedil;o como exemplo &agrave; sua vida, que &eacute; a de um justo&raquo; (<i>id</i>.: 292). Observe-se ainda, com mais um exemplo, o que nos &eacute; dito, quase a findar a narrativa, e para documentar o esp&iacute;rito de sacrif&iacute;cio da personagem: &laquo;No espa&ccedil;o de cinco anos de expatria&ccedil;&atilde;o, comportou pacientemente muitos dias de fome, para n&atilde;o pedir a seu irm&atilde;o excedentes &agrave;s suas leg&iacute;timas, que montavam a pouco&raquo; (<i>id</i>.: 293).</p>      <p><b>2.1.</b></p>     <p>A &laquo;natureza excecional&raquo; de Ant&oacute;nio da Silveira, diga-se, n&atilde;o &eacute; alheia ao facto de o militar provir de Tr&aacute;s-os-Montes, ou seja, de um espa&ccedil;o rural supostamente (ainda) imperme&aacute;vel &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o citadina. A ideia de pureza do campo, bastante presente, como sabemos, na fic&ccedil;&atilde;o camiliana, tende a configurar Ant&oacute;nio da Silveira na propor&ccedil;&atilde;o de um bom selvagem e, com isso, na medida de um her&oacute;i inscrito sob o signo da moral de Rousseau (o privil&eacute;gio da virtude confinado &agrave; natureza). Esta presun&ccedil;&atilde;o aparece na parte em que o doutor Negro exclama ao cadete: &laquo;&Eacute; um bom mo&ccedil;o, sr. Silveira!… &eacute; o senhor um cora&ccedil;&atilde;o admir&aacute;vel! – disse afetuosamente o doutor, apertando-lhe a m&atilde;o. – Meu amigo, est&aacute; inocente de mais para lidar com este mundo. Fuja destas &uacute;lceras. V&aacute; para a sua aldeia, e esque&ccedil;a-se de que saiu de l&aacute;&raquo; (<i>id</i>.: 69). Mas tamb&eacute;m se acha presente na tese segundo a qual a ignor&acirc;ncia e a virtude andam emparelhadas, ao passo que o saber (adstrito &agrave; cidade) acarreta a perversidade (Em&iacute;lio, recorde-se, dispunha at&eacute; idade avan&ccedil;ada unicamente de um livro). Continua Francisco Alpedrinha, falando contra o saber como se a educa&ccedil;&atilde;o fosse respons&aacute;vel por si s&oacute; pelo comportamento da filha, que, saliente-se, recebeu uma forma&ccedil;&atilde;o esmerada (entre outros saberes, li&ccedil;&otilde;es de piano e franc&ecirc;s): </p>      <blockquote>Guarde esse &oacute;timo tesouro [a virtude] para uma mulher que lhe h&aacute; de l&aacute; ir ter guiada pela m&atilde;o do seu anjo bom. Se tiver filhas, n&atilde;o passe com elas os limites da sua pequena &aacute;rea. N&atilde;o lhes diga mesmo que conheceu uma desgra&ccedil;ada desobediente a seu pai. N&atilde;o as eduque. Ignor&acirc;ncia, que &eacute; a virtude: estupidez, que &eacute; a felicidade. Trevas, trevas, meu amigo; que toda a luz de entendimento &eacute; uma fa&iacute;sca do inferno. (<i>Ibid</i>.)</blockquote>      <p>O pr&oacute;prio Ant&oacute;nio da Silveira acaba por adquirir a n&iacute;tida consci&ecirc;ncia da oposi&ccedil;&atilde;o entre o campo (<i>locus </i>adstrito &agrave; virtude) e a cidade (<i>locus </i>afeto &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o): &laquo;– Vou sair do Porto, sr. doutor: agora sim; &eacute; tempo de ir esconder-me na minha aldeia, e esquecer o que vi e ouvi neste tremedal da sociedade culta…&raquo; (<i>id</i>.: 211).</p>      <p>Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, por quem o militar tanto intercede junto do doutor Negro, &eacute;, convir&aacute; notar, quem mais se aproxima da virtude de Ant&oacute;nio da Silveira, pelo agudo sentido de honra por que se rege. Mas h&aacute; outro aspeto – refira-se – que os aproxima, posto que de modo distinto. &Eacute; o facto de ambos se avizinharem da figura de Cristo, o que n&atilde;o raro sucede com os protagonistas camilianos (sobre a figura de Jesus Cristo no Romantismo – ou seja: sobre a figura rom&acirc;ntica de Cristo –, veja-se<i> J&eacute;sus Romantique</i>, not&aacute;vel estudo de Xavier Tilliette, 2002), por uma raz&atilde;o simples de perceber e que consiste no facto de a figura de Cristo, humana e divina em simult&acirc;neo, simbolizar a unidade com o absoluto, o que &eacute; deveras consent&acirc;neo com a filosofia rom&acirc;ntica. Como afirma Javier Hern&aacute;ndez-Pacheco: &laquo;Jesucristo es el Dios hecho hombre, y en este sentido es el mediador, el que restablece la unidad fragmentaria del mundo con el Esp&iacute;ritu Absoluto&raquo; (Hern&aacute;ndez-Pacheco, 1995: 188). N&atilde;o surpreende, assim, que Cristo se tenha tornado numa figura apropriada ao projeto rom&acirc;ntico. E tamb&eacute;m numa figura implicitamente presente nalgumas personagens de Camilo, que encarnam, por assim dizer, aspetos imput&aacute;veis &agrave; figura de Jesus, por&eacute;m de maneira diferente, cada qual lembrando Cristo a seu modo. Em <i>O Bem e o Mal</i>, como nota Jos&eacute; Augusto Mour&atilde;o, &laquo;Bastaria cotejar a parte referente ao processo judicial de Casimiro, sobretudo o interrogat&oacute;rio, para encontrar o fio intertextual que o liga ao processo de Jesus&raquo; (Mour&atilde;o, 1994: 424). O mesmo se pode afirmar no que se reporta ao interrogat&oacute;rio do processo judicial de Sim&atilde;o Botelho, e tudo o que vem depois. Ant&oacute;nio da Silveira, esse, imita Cristo noutro sentido: al&eacute;m de apelar &agrave; imita&ccedil;&atilde;o do Messias, manifesta um comportamento crist&atilde;o (oferece, qual bom samaritano, guarida e amparo ao doutor Negro, quando este se acha na mis&eacute;ria e esquecido dos amigos de outrora; e, mais tarde, acode Albertina). Quanto a Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, &eacute; colado &agrave; personagem de Jesus, como se o encarnasse, a come&ccedil;ar pelo apelido Cris&oacute;stomo (derivado de Cristo) e pelas iniciais do nome completo (J. C.); e dele vem dito a certa altura que &laquo;Custava-lhe j&aacute; a <i>suportar a cruz</i>, ainda com o ombro de Albertina lacerado sob o peso dela&raquo; (Castelo Branco, 1971: 255; o it&aacute;lico &eacute; nosso); e o pr&oacute;prio, no momento em que a esposa o procura incentivar, dizendo-lhe &laquo;– Confian&ccedil;a no Alt&iacute;ssimo, filho!&raquo;, o pr&oacute;prio, diz&iacute;amos, exclamar&aacute;, numa clara apropria&ccedil;&atilde;o de uma cena da crucifica&ccedil;&atilde;o de Cristo: &laquo;Est&aacute; nas m&atilde;os dele [Caetano Alves] esta <i>esponja de fel</i>, que se me n&atilde;o despega da boca!&raquo; (<i>id</i>.: 274; o it&aacute;lico &eacute; nosso). Para al&eacute;m disto, mencione-se tamb&eacute;m a forma como, prestes a deixar este mundo, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo evangeliza o materialismo do seu patr&atilde;o: &laquo;e falou na imortalidade da alma com tanta eleva&ccedil;&atilde;o, subtileza e compungimento, que arrancava prantos, e calava no &acirc;nimo obdurado do argumentador fil&oacute;sofo&raquo; (<i>id</i>.: 286); e ainda esta passagem, intertextualmente correlacionada com o estado de ang&uacute;stia de Cristo no Monte das Oliveiras, na noite em que o prenderam: &laquo;E limpava um suor, semelhante ao soro do &uacute;ltimo sangue&raquo; (<i>ibid</i>.).</p>      <p><b>2.2.</b></p>     <p>Se tiv&eacute;ssemos de categorizar Ant&oacute;nio da Silveira, dir&iacute;amos que parece provir do hemisf&eacute;rio dos her&oacute;is rom&acirc;nticos de tend&ecirc;ncia passiva. Elena Losada Soler (cf. Soler, 1991), questionando a exist&ecirc;ncia de um Romantismo heroico-tr&aacute;gico em Portugal (indaga&ccedil;&atilde;o cuja resposta desemboca for&ccedil;osamente na personagem Sim&atilde;o Botelho) e seguindo a distin&ccedil;&atilde;o de her&oacute;i rom&acirc;ntico proposta por Jan Bialostocki, fala nesse tipo de her&oacute;i rom&acirc;ntico-tr&aacute;gico no qual filia o protagonista de <i>Amor de Perdi&ccedil;&atilde;o</i>. &Eacute; aquele protagonista rom&acirc;ntico ativo e dotado de uma coragem &agrave; prova de bala que se insurge contra o (fatal) destino. Dominado por um avassalador entusiasmo, entrega-se a uma luta tit&acirc;nica (na senda de Prometeu). A este tipo de her&oacute;i rom&acirc;ntico, pr&oacute;prio do primeiro Romantismo (o Romantismo de Hegel, de Scheling, de H&ouml;lderin e que tem a ver com a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa), op&otilde;e-se o protagonista do segundo Romantismo (correlato com o contexto de uma burguesia triunfante). Neste caso, o protagonista j&aacute; n&atilde;o parece seguir Prometeu, n&atilde;o estando disposto a desgastar-se ao servi&ccedil;o de uma (in&uacute;til) luta tit&acirc;nica. &Eacute; exemplo suficiente deste (segundo) g&eacute;nero de indiv&iacute;duo rom&acirc;ntico o quase pacato Ant&oacute;nio da Silveira. Pautado nitidamente pelo pendor confessional, &eacute; um her&oacute;i algo passivo (n&atilde;o obstante ser militar), intimista e sentimental, numa palavra, dir-se-ia moldado pelos versos de Lamartine. Eis como vem caracterizado a certa altura da narrativa: &laquo;solit&aacute;rio pensador das fragosas montanhas penduradas sobre o rio C&oacute;rrego&raquo; (Castelo Branco, 1971:18). O que n&atilde;o &eacute; sem lembrar a defini&ccedil;&atilde;o de Erich Auerbach relativa ao poeta rom&acirc;ntico: &laquo;&eacute; um estranho entre os homens; &eacute; melanc&oacute;lico, extremamente sens&iacute;vel, ama a solid&atilde;o e as efus&otilde;es do sentimento, sobretudo as de um vago desespero no seio da Natureza&raquo; (Auerbach, [1987]: 228).N&atilde;o custa ver em Ant&oacute;nio da Silveira um poeta rom&acirc;ntico assim proposto. Tanto mais que &eacute; um leitor indolente de cl&aacute;ssicos greco-latinos (C&iacute;cero, Hor&aacute;cio, Virg&iacute;lio), por isso &laquo;[que] amava a liberdade &agrave; romana, a liberdade dos Gracos e dos Cat&otilde;es, por amor da qual uns cidad&atilde;os se arrancavam as entranhas como Bruto, e outros ofereciam o pesco&ccedil;o &agrave; espada dos pretorianos como C&iacute;cero, e as pr&oacute;prias mulheres se cortavam o seio com o punhal como Caecina Paetus&raquo; (Castelo Branco, 1971: 18-19). Trata-se ainda de uma personagem marcada por uma forte sensibilidade evocativa das comuta&ccedil;&otilde;es de sinais de g&eacute;nero. Repare-se na rea&ccedil;&atilde;o que apresenta, julgada inusual pelo narrador, perante o rep&uacute;dio de Albertina: &laquo;O cadete estava de p&eacute;; e, quando em an&aacute;logas circunst&acirc;ncias, toda a pessoa discreta e briosa se levantaria da cadeira para sair, &eacute; ent&atilde;o que ele se assentou. Justificadamente o fez; a arte pode estranhar o caso; mas a natureza admite-o: &eacute; que sentiu um tremor e desfalecimento de pernas&raquo; (<i>id</i>.: 32).Esta rea&ccedil;&atilde;o mais n&atilde;o &eacute; do que a manifesta&ccedil;&atilde;o do choque provocado por uma rejei&ccedil;&atilde;o inesperada. Como diria Luhmann: &laquo;cualquier comunicaci&oacute;n, por cuidadosa que sea, expresa ciertas expectativas de &eacute;xito que pueden reforzarse masivamente, sobre todo con ayuda de todos medios de comunicaci&oacute;n simb&oacute;licamente generalizados: quien declara su amor se siente casi con derecho a ser amado&raquo; (Luhman, 1998: 187). &Agrave; guisa de justifica&ccedil;&atilde;o pelo seu comportamento, define Ant&oacute;nio da Silveira, ao narrador, o seu &laquo;modo de ser naquele tempo&raquo; (Castelo Branco, 1971: 30): &laquo;EU ERA UMA MENINA&raquo; (<i>ibid</i>.). </p>      <p><b>2.3.</b></p>     <p>Persiste, por&eacute;m, na personagem um not&oacute;rio apego ao mundo tradicional, como se nota em excertos como este: <b>&laquo;</b>[&Eacute;] filho d&oacute;cil e incapaz de sacrificar a obedi&ecirc;ncia &agrave;s suas imagina&ccedil;&otilde;es romanizadas pelos poetas e prosadores latinos&raquo; (<i>id</i>.: 19). Mais: sujeita-se &agrave; vida militar sem voca&ccedil;&atilde;o para tanto e, pior, alinha num regimento oposto ao das suas convic&ccedil;&otilde;es, isso tudo por causa de um tio general, &laquo;portugu&ecirc;s &agrave; antiga&raquo; (<i>id</i>.: 18), respons&aacute;vel pelo seu ingresso no ex&eacute;rcito; e vale a pena recordar tamb&eacute;m a sua insist&ecirc;ncia no sentido de Albertina obedecer ao pai (em nome da sociedade e para p&ocirc;r cobro ao sofrimento do anci&atilde;o), a despeito de a saber apaixonada pelo amanuense. Digamos que Ant&oacute;nio da Silveira, personagem sens&iacute;vel aos afetos e ao cora&ccedil;&atilde;o, detentor de uma candura que n&atilde;o anda longe da inoc&ecirc;ncia do &laquo;bom selvagem&raquo;, &eacute; igualmente algu&eacute;m disposto a conservar-se dentro dos par&acirc;metros da ordem convencionada pela tradi&ccedil;&atilde;o, apesar de a saber inadequada. No in&iacute;cio da novela, na parte do enredo em que Francisco Alpedrinha lhe sugere que case com a filha, mesmo sem o consentimento dos pais, recorrendo &agrave; justi&ccedil;a em caso de necessidade, Ant&oacute;nio da Silveira retorque (antes de o doutor Negro lhe cortar a palavra): &laquo;– Mas a desobedi&ecirc;ncia…&raquo; (<i>id</i>.: 26). Nesta adversativa est&aacute; contida a repugn&acirc;ncia de o jovem cadete desobedecer aos progenitores. Inversamente, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo e Albertina fizeram o que jamais faria o militar.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E Ant&oacute;nio da Silveira n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o desobedece aos pais como, ainda por cima, vira, por assim dizer, filho (obediente) de Francisco Alpedrinha. Dir-se-ia ser o filho que Francisco Alpedrinha gostaria de ter tido (e o magistrado, repare-se, n&atilde;o deixa, no fundo, de ser o pai simb&oacute;lico do militar). Neste sentido, o cadete cumpre as vezes de Albertina, sendo ele quem cuida do magistrado. Leia-se esta passagem, numa altura em que j&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ao doutor Alpedrinha escamotear a mis&eacute;ria – leia-se: expia&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup> – que o assola: </p>      <blockquote>Ant&oacute;nio da Silveira, captando a confian&ccedil;a do criado, soube que os recursos escasseavam em casa do doutor. Era j&aacute; um viver de empenhos de objetos desvaliosos, que os importantes estavam j&aacute; vendidos ou empenhados. […] Pediu [Ant&oacute;nio da Silveira] a seu irm&atilde;o morgado um empr&eacute;stimo, e com quanta delicadeza podia conseguiu que a m&atilde;e de Albertina lhe aceitasse o necess&aacute;rio para as despesas de cada m&ecirc;s, tirando a partido que o doutor seria estranho ao favor que a senhora lhe fazia de o admitir com <i>liberdade de filho</i>. (<i>Id</i>.: 225; o it&aacute;lico &eacute; nosso.) </blockquote>      <p>A devo&ccedil;&atilde;o filial de Ant&oacute;nio da Silveira ir&aacute; mais longe. Com autoriza&ccedil;&atilde;o do irm&atilde;o morgado, hospedar&aacute; o casal Alpedrinha na casa familiar de Tr&aacute;s-os-Montes. E, qual irm&atilde;o, ser&aacute; tamb&eacute;m o cadete (por essa altura coronel), anos mais tarde, a acudir a Albertina.</p>      <p>Tudo isto &eacute; significativo de Tradi&ccedil;&atilde;o e Modernidade. O que o torna num protagonista de transi&ccedil;&atilde;o: digamos que Ant&oacute;nio da Silveira <i>sente </i>como um rom&acirc;ntico, pelas suas manifestas aspira&ccedil;&otilde;es rom&acirc;nticas, mas <i>comporta-se </i>como um filho do Antigo Regime, por n&atilde;o se emancipar da tutela parental, n&atilde;o afrontando os pais, designadamente em decis&otilde;es a seu respeito, e com as quais discorda.</p>      <p><b>2.4.</b></p>     <p>Conv&eacute;m tamb&eacute;m enfatizar o papel t&eacute;cnico-narrativo da personagem do ponto de vista da org&acirc;nica da diegese. Com efeito, Ant&oacute;nio da Silveira serve, o que n&atilde;o &eacute; pouco, de intermedi&aacute;rio entre as partes desavindas; cabe-lhe o papel imprescind&iacute;vel de estabelecer um elo entre Francisco Alpedrinha e a filha, mas tamb&eacute;m entre Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo e a opini&atilde;o p&uacute;blica. Assim, o militar, que n&atilde;o deixa de lembrar o virtuoso, e tamb&eacute;m ele mediador, Ladislau Milit&atilde;o (<i>O Bem e o Mal</i>), funciona como esp&eacute;cie de epicentro informativo. Quer dizer, contacta com as duas partes indispostas e troca informa&ccedil;&otilde;es. Deste modo, interv&eacute;m direta e decisivamente no desenrolar da intriga. Suficientemente cordato e afetivo, relaciona-se com facilidade tanto com Francisco Alpedrinha como com Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo e Albertina. Acode &agrave;quele e a estes com a mesma desenvoltura e, por vezes, com uma tocante candura. Quando acontece sair de cena (partindo para o campo de batalha ou refugiando-se em Tr&aacute;s-os-Montes), a narrativa envereda pelo sum&aacute;rio, o que diz bem da relev&acirc;ncia da personagem.</p>      <p>Saliente-se ainda o seguinte: a pertin&ecirc;ncia de Ant&oacute;nio da Silveira passa muito pela resolu&ccedil;&atilde;o do conflito que afeta a fam&iacute;lia do doutor Negro. Constata-se isso na parte da novela em que o militar planeia uma estrat&eacute;gia capaz de p&ocirc;r fim ao conflito que mina a fam&iacute;lia Alpedrinha, estrat&eacute;gia essa, se a quisermos ler como tal, correlacion&aacute;vel com a teoria dos jogos desenvolvida pelo matem&aacute;tico John Nash (cf. Nash 1966). A teoria dos jogos elaborada por Nash, e para tentarmos resumir, assenta no chamado <i>equil&iacute;brio perfeito</i>. Trata-se de um equil&iacute;brio suportado por uma regra como esta: &laquo;A two-persons bargaining situation involves two individuals who have the opportunity to collaborate for mutual benefit in more than one way. In the simpler case, […], no action taken by one of the individuals without the consent of the other can affect the well-being of the other one&raquo; (Nash, 1966: 1; 1950: 155). Supondo uma situa&ccedil;&atilde;o de competi&ccedil;&atilde;o (leia-se: conflito) entre dois jogadores (J e Ja), como &eacute; usual, cada um tende a convocar estrat&eacute;gias para derrubar o advers&aacute;rio. Nash apregoa uma solu&ccedil;&atilde;o diferente: a coopera&ccedil;&atilde;o, baseada em antecipa&ccedil;&otilde;es do que o advers&aacute;rio far&aacute;, com vista a criar um contexto de coexist&ecirc;ncia equilibrada entre os jogadores. Acontece isso quando um dos jogadores, vamos supor que (Ja), usa como resposta ao que prev&ecirc; ser a estrat&eacute;gia concorrencial de (J) uma estrat&eacute;gia que se adapta &agrave; do advers&aacute;rio, resultando dessa adapta&ccedil;&atilde;o uma situa&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio entre os dois concorrentes, que, deste modo, acabam por coexistir sem rivalidade, na condi&ccedil;&atilde;o, como &eacute; l&oacute;gico, de o advers&aacute;rio atuar, por seu turno, igualmente dessa maneira. O objetivo da estrat&eacute;gia, e das subsequentes, consiste na obten&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios m&uacute;tuos, instaurando-se um equil&iacute;brio perfeito entre os agentes do jogo. Quer dizer, (Ja) joga estrategicamente a partir daquilo que sup&otilde;e que (J) jogar&aacute;, sendo que a jogada n&atilde;o trar&aacute; somente proveito a (J), por&eacute;m igualmente a (Ja), que, por seu turno, considerar&aacute; (J) nas jogadas a empreender. &Eacute; anulado o confronto em prol de uma atitude cooperativa entre os jogadores. Supondo que o advers&aacute;rio pretende a nossa pe&ccedil;a, ao inv&eacute;s de gastarmos uma jogada a defend&ecirc;-la, ced&ecirc;mo-la pura e simplesmente; e, na nossa vez de jogar, apropriamo-nos ent&atilde;o, se poss&iacute;vel, de uma pe&ccedil;a do advers&aacute;rio. Desta forma, continuamos equilibrados em termos de pe&ccedil;as e cada um de n&oacute;s satisfez a sua estrat&eacute;gia. &Eacute; claro que &agrave; medida que a partida avan&ccedil;a o jogo ter&aacute; de pender para um dos jogadores. Ainda assim, o <i>equil&iacute;brio perfeito</i> de Nash tem aplicabilidade em numerosos jogos e desportos).<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup> </p>      <p>E como &eacute; que isto tudo se aplica ao texto de Camilo? Regressando a Ant&oacute;nio da Silveira, n&atilde;o &eacute; preciso especial clarivid&ecirc;ncia para verificar o quanto o militar se empenha na procura, precisamente, de um <i>equil&iacute;brio perfeito</i>, com o qual traria paz &agrave; fam&iacute;lia Alpedrinha. Primeiro, tenta convencer o doutor Negro a ceder &agrave; pretens&atilde;o de a filha se unir com o ex-empregado, &laquo;l&aacute; mais ao diante&raquo; (Castelo Branco, 1971: 44), depois, ainda lhe solicita, pelo menos, a liberta&ccedil;&atilde;o do amanuense (Francisco Alpedrinha contrap&otilde;e, como sabemos, com o receio de que, uma vez liberto Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, Albertina escape do convento e case), por fim, Ant&oacute;nio da Silveira prop&otilde;e uma terceira alternativa, a que, ao que cremos, corresponde a uma tentativa de resolver a crise com um equil&iacute;brio perfeito: &laquo;d&ecirc; o perd&atilde;o condicional ao preso; ele que v&aacute; do Porto para longe, e sua filha que volte &agrave; companhia do pai&raquo; (<i>id</i>.: 46). Como passo seguinte, o cadete desloca-se &agrave; cadeia da Rela&ccedil;&atilde;o do Porto com o intuito de convencer o amanuense a exilar-se e, com isso, a renunciar (por ora) a ostenta&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o amorosa. Assim, o militar atua no sentido de criar um equil&iacute;brio entre todos, do qual resultaria a reconcilia&ccedil;&atilde;o entre pai e filha, preparando uma jogada baseada numa suposi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do doutor Negro: que este perdoar&aacute; ao amanuense, desde que este se exile para longe de Albertina. E neste cen&aacute;rio pr&eacute;-definido todos ficam a ganhar.</p>      <p>Para Alpedrinha, seria decerto a maneira menos custosa de recuperar a filha e de se desembara&ccedil;ar do indesejado candidato a genro; e se o magistrado recuperaria a filha, o amanuense recuperaria a liberdade.</p>      <p>E Albertina? Em guisa de resposta, eis mais uma estrat&eacute;gia do cadete com a finalidade de racionalmente resolver o diferendo com o m&aacute;ximo de ganhos para cada uma das partes e, novamente, com base numa suposi&ccedil;&atilde;o:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>[…] achava eu de suma conveni&ecirc;ncia, interesse at&eacute; da vida de ambos, que pactuassem entre si um corte completo de correspond&ecirc;ncia, e esperassem. O doutor oferece pouca vida, se me n&atilde;o engano; e o senhor sacrificando-se, sem vexame de cora&ccedil;&atilde;o, dar&aacute; ao pobre velho a filha, cuja aus&ecirc;ncia o mata, e mais tarde voltar&aacute; a procur&aacute;-la, sem o remorso de ter cavado a sepultura de dois velhos. (<i>Id</i>.: 50.)</blockquote>      <p>Como se constata, Ant&oacute;nio da Silveira, baseado em suposi&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; atua&ccedil;&atilde;o de Francisco Sim&otilde;es, esfor&ccedil;a-se por resolver o conflito que op&otilde;e o magistrado &agrave; filha; e isso pelo vi&eacute;s de uma situa&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio perfeito entre todos os envolvidos, quer dizer, uma situa&ccedil;&atilde;o que ponha fim ao diss&iacute;dio, sem (grandes) preju&iacute;zos, antes com ganhos (o respeito pela vontade do pai, mas igualmente, no fim de contas, a concretiza&ccedil;&atilde;o do desejo, ocorrendo como que uma esp&eacute;cie de concilia&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel entre a obedi&ecirc;ncia filial imposta pela mentalidade do Antigo Regime e a demanda de emancipa&ccedil;&atilde;o exigida pela modernidade rom&acirc;ntica). Neste equil&iacute;brio incentivado por Ant&oacute;nio da Silveira, todos, ao fim e ao resto, acabariam por conseguir o que acalentam.</p>      <p>O problema est&aacute; em que Ant&oacute;nio da Silveira n&atilde;o contava decerto com a oposi&ccedil;&atilde;o de Albertina, que p&otilde;e de parte qualquer hip&oacute;tese de solu&ccedil;&atilde;o que solicite o ref&uacute;gio do amado em terra distante. </p>      <p>O que, &eacute; bom dizer, acarreta uma consequ&ecirc;ncia decisiva no tocante &agrave; arquitetura narrativo-textual: proporciona a irresolu&ccedil;&atilde;o do conflito, sem o qual a intriga deixaria de prosseguir.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <p><b>1.</b></p>      <!-- ref --><p>CASTELO BRANCO, Camilo (2004), <i>Amor de Perdi&ccedil;&atilde;o</i>, Porto, Alg&eacute;s: Difel, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0807-8967201200030001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (1904), <i>Agulha em Palheiro</i>, Lisboa, Parceria Ant&oacute;nio Maria Pereira, 1904.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0807-8967201200030001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (2003), <i>O Bem e o Mal</i>, Pref&aacute;cio e fixa&ccedil;&atilde;o do texto de Maria de Lourdes A. Ferraz, Porto, Edi&ccedil;&otilde;es Caixotim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0807-8967201200030001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (1971), <i>Estrelas Prop&iacute;cias</i>, Porto, Lisboa, Parceria A.M. Pereira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0807-8967201200030001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (1971), <i>A Filha do Doutor Negro</i>, Lisboa, A. M. Pereira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0807-8967201200030001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (1902), <i>O Carrasco de Victor Hugo Jos&eacute; Alves</i>, Porto, Livraria Chardron.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0807-8967201200030001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (1981), <i>Vulc&otilde;es de Lama</i>, Porto, Lello &amp; Irm&atilde;o – Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0807-8967201200030001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p><b>2.</b></p>      <!-- ref --><p>AUERBACH, Erich [1987], <i>Introdu&ccedil;&atilde;o aos Estudos Liter&aacute;rios</i>, Trad. de Jos&eacute; Paulo Paes, S&atilde;o Paulo, Cultrix.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0807-8967201200030001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>BAPTISTA, Abel Barros (2009), &laquo;O erro de Sim&atilde;o&raquo;, <i>in</i> Abel Barros Baptista (org.) (2009), <i>Amor de Perdi&ccedil;&atilde;o. Uma Revis&atilde;o</i>, Coimbra, Angelus Novus, pp. 81-112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0807-8967201200030001500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>BERIAIN, Josetxo (Comp.) (1996), <i>Las consequencias perversas de la modernidad. Modernidad, contingencia y riesgo</i>, Trad. por Celso S&aacute;nchez Capdequ&iacute;, Barcelona, Anthropos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0807-8967201200030001500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>CASTRO, An&iacute;bal Pinto de (1983), &laquo;Estudo hist&oacute;rico-liter&aacute;rio&raquo;, <i>in</i> Camilo Castelo Branco (1983), <i>Amor de Perdi&ccedil;&atilde;o (Mem&oacute;rias duma fam&iacute;lia)</i>, reprodu&ccedil;&atilde;o fac-similada do manuscrito, em confronto com a edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, Real Gabinete Portugu&ecirc;s de Leitura, Rio de Janeiro/Porto, Lello &amp; Irm&atilde;os – Editores, pp. XXXVII-LXXVII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0807-8967201200030001500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>C&Eacute;SAR, Guilhermino (1971), &laquo;Nota Preliminar&raquo;, <i>in </i>Camilo Castelo Branco (1971), <i>A Filha do Doutor Negro</i>, Fixa&ccedil;&atilde;o do texto por Laura Arminda Bandeira Ferreira, Parceria A. M. Pereira, pp. I-XIII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0807-8967201200030001500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>COELHO, Jacinto do Prado (2001), <i>Introdu&ccedil;&atilde;o ao Estudo da Novela Camiliana</i>, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0807-8967201200030001500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>FERRO, T&uacute;lio Ramires (1969), &laquo;Nota Preliminar&raquo;, <i>in</i> Camilo Castelo Branco (1969), <i>Mist&eacute;rios de Fafe. Romance social</i>, Fixa&ccedil;&atilde;o do Texto e Nota Preliminar por T&uacute;lio Ramires Ferro, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, pp. 7-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0807-8967201200030001500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>FERRY, Luc &amp; RENAUT, Alain (1987), <i>68-86 – Intin&eacute;raires de l’individu</i>, Paris, Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0807-8967201200030001500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>FERRY, Luc (2003), <i>Homo Aestheticus. A inven&ccedil;&atilde;o do gosto na era democr&aacute;tica</i>, Trad. de Miguel Serras Pereira, Coimbra, Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0807-8967201200030001500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GARAUDY, Roger (1975), <i>Parole d’homme</i>, Paris, Robert Laffont.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0807-8967201200030001500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>HABERMAS, J&uuml;rgen (1987), <i>T&eacute;cnica e Ci&ecirc;ncia como &laquo; Ideologia&raquo;</i>, Trad. de Artur Mor&atilde;o, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0807-8967201200030001500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>---- (1990), <i>O Discurso Filos&oacute;fico da Modernidade</i>, Trad. de AA.VV, Revis&atilde;o cient&iacute;fica de Ant&oacute;nio Marques, Lisboa, Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0807-8967201200030001500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (2004), <i>Pensamento P&oacute;s-Metaf&iacute;sico. Ensaios filos&oacute;ficos</i>, Trad. de Lumir Nahodil, Nota de Apresenta&ccedil;&atilde;o de Ant&oacute;nio Manuel Martins, Coimbra, Livraria Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0807-8967201200030001500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>HEGEL, G. W. F. (1958), <i>Est&eacute;tica. A arte cl&aacute;ssica e a arte rom&acirc;ntica</i>, Trad. de Orlando Vitorino, Lisboa, Guimar&atilde;es Editore.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0807-8967201200030001500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>HERN&Aacute;NDEZ-PACHECO, Javier (1995), <i>La Consciencia Rom&aacute;ntica</i>, Madrid, Editorial Tecnos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0807-8967201200030001500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>LAWTON, R. A. (1964), &laquo;Technique et Signification de <i>Amor de Perdi&ccedil;&atilde;o</i>&raquo;,<i> Bulletin des &Eacute;tudes Portugaises</i>, Nouvelle S&eacute;rie, Tome 25, pp. 77-135.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0807-8967201200030001500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>LUHMAN, Niklas (2001), <i>La l&eacute;gitimation par la proc&eacute;dure</i>, Trad. par Lukas K. Sosoe et St&eacute;phane Bouchard, Paris, Les Presses de l’Universit&eacute; de Laval/&Eacute;ditions du Cerf.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0807-8967201200030001500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (1998), <i>Sistemas sociales. Lineamentos para una teor&iacute;a general</i>, Trad. de Silvia Pappe y Brunhilde Erker, bajo la coordinaci&oacute;n de Javier Torres Nafarrate, Barcelona/Santaf&eacute; de Bogot&aacute;/M&eacute;xico, Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA, Pontificia Universidad Javeriana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0807-8967201200030001500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MICHEL, Andr&eacute; (1983), <i>Sociologia da Fam&iacute;lia e do Casamento</i>, Trad. de Daniela de Carvalho, Pref&aacute;cio &agrave; edi&ccedil;&atilde;o portuguesa de M&aacute;rio Frota, Porto, R&Eacute;S-Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0807-8967201200030001500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MOUR&Atilde;O, Jos&eacute; Augusto (1994), &laquo;As paix&otilde;es no horizonte dial&oacute;gico d’<i>O Bem e o Mal</i> de Camilo. A melancolia e a saudade&raquo;, <i>Atas do Congresso Internacional de Estudos Camilianos (24-29 de junho de 1991)</i>, Coimbra: Comiss&atilde;o Nacional das Comemora&ccedil;&otilde;es Camilianas, pp. 415-424.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0807-8967201200030001500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>NASH, John F. (1950), &laquo;The bargaining problem&raquo;, <i>Econometrica</i>, n.&ordm; 18, pp. 155-162.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0807-8967201200030001500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---- (1996), <i>Essays on Game Theory</i>, Introd. Ken Binmore, Cheltenham (England)/Brookfield (U.S), Edward Elgar Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0807-8967201200030001500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>SEIXO, Maria Alzira (2004), <i>Rio com Regresso – Ensaios camilianos</i>, Lisboa, Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0807-8967201200030001500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>SIBONY, Daniel (1998), <i>Entre-deux. L’origine en partage</i>, Paris, &Eacute;ditions du Seuil, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0807-8967201200030001500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SOLER, Elena Losada (1991), &laquo;Una aportaci&oacute;n portuguesa a la tipolog&iacute;a del h&eacute;roe rom&aacute;ntico-tr&aacute;gico: Sim&atilde;o Botelho&raquo;, <i>in </i>&Aacute;ngel Marcos de Dios (edici&oacute;n dirigida por) (1991), <i>Camilo Castelo Branco: Perspectivas</i> (Actas de las Jornadas Internacionales sobre Camilo – 3, 4 y 5 de mayo de 1990), Salamanca, Universidad de Salamanca, pp. 27-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0807-8967201200030001500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>TILLIETTE, Xavier (2002), <i>J&eacute;sus Romantique</i>, Paris, Descl&eacute;e.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0807-8967201200030001500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>ŽIŽEK, Slavoj (2006), <i>A</i> <i>Marioneta e o An&atilde;o. O Cristianismo entre Pervers&atilde;o e Subvers&atilde;o</i>, trad. de Carlos Correia Monteiro de Oliveira, Lisboa, Rel&oacute;gio D’&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0807-8967201200030001500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Diferentemente, Albertina, a mostrar uma &iacute;ndole rom&acirc;ntica incondicional, enfrenta com assinal&aacute;vel determina&ccedil;&atilde;o a cultura patriarcal opressora. Nela, a paix&atilde;o impetuosa fala mais alto do que as conven&ccedil;&otilde;es sociais. Em nome da salvaguarda da sua autonomia sentimental, op&otilde;e-se totalmente &agrave;s ideias e aos preconceitos da ordem antiga, representando, como diria Guilhermino C&eacute;sar, &laquo;o paradigma da amorosa integral&raquo; (C&eacute;sar, 1971: VIII). Porque, ao arrepio das conveni&ecirc;ncias sociofamiliares, n&atilde;o s&oacute; ama profundamente Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, como revela uma estupenda determina&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o da emancipa&ccedil;&atilde;o amorosa. En&eacute;rgica e n&atilde;o pouco insubmissa, na senda de outras hero&iacute;nas camilianas (Joaquina Eduarda em <i>A Sereia</i> ou Paulina em <i>Agulha em Palheiro</i>), segue, sem concess&otilde;es, o &iacute;mpeto do cora&ccedil;&atilde;o, a despeito das press&otilde;es do regime patriarcal. De resto, dela se poderia perfeitamente dizer o que T&uacute;lio Ramires Ferro diz de Rosa Carneiro (<i>Mist&eacute;rios de Fafe</i>): &laquo;bela, inteligente, femenilmente imaginativa e sens&iacute;vel mas ao mesmo tempo varonilmente en&eacute;rgica e irreverente nas suas r&eacute;plicas a todos os constrangimentos (sociais, familiares, religiosos) que amea&ccedil;am a sua instintiva apet&ecirc;ncia de liberdade e de felicidade&raquo; (Ferro, 1969: 16). Ali&aacute;s, tendo em conta uma interpreta&ccedil;&atilde;o de Maria Alzira Seixo, para quem as reduzidas manifesta&ccedil;&otilde;es verbais de certas protagonistas camilianas (Teresa de Albuquerque e Marta de Prazins) t&ecirc;m a ver com a repress&atilde;o familiar e social de que s&atilde;o alvo (cf. Seixo, 2004: 116), pode afirmar-se, por contraste, que Albertina, por resistir sem ced&ecirc;ncias aos obst&aacute;culos repressores do desejo, alcan&ccedil;a um not&oacute;rio destaque no decorrer da narrativa.</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Este estado de esp&iacute;rito empolga-o, munido do poder conferido pelo dinheiro, a comprar o comandante da guarda, condi&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel para passar para territ&oacute;rio espanhol com Albertina. Conforme refere o narrador: &laquo;em vez de comprar um barqueiro que recebesse os fugitivos num ponto do rio, desguarnecido de sentinela, foi direito &agrave; fonte limpa, e comprou o comandante da guarda, e compraria o pr&oacute;prio governador da pra&ccedil;a, e compraria a pr&oacute;pria reg&ecirc;ncia, dizia ele, se estivesse de tempo e pachorra&raquo; (Castelo Branco, 1864: 144). &Agrave; imoralidade do ato, junta-se a vangl&oacute;ria, originada pelo orgulho, de que compraria, com &laquo;pachorra&raquo; e &laquo;tempo&raquo;, caso preciso fosse, a pr&oacute;pria reg&ecirc;ncia. Este orgulho reaparece noutras ocasi&otilde;es (para desconfian&ccedil;a de Sim&atilde;o de Valadares, dentro da tigela onde jantara, a personagem deixa a moeda que recebera do senhor de Barbeita, por exemplo).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> &Eacute; um her&oacute;i dado, por exemplo, a l&aacute;grimas (sinal de troca de g&eacute;neros). Empregado ao servi&ccedil;o de um tabeli&atilde;o portuense, s&oacute; para fornecer um exemplo, o &laquo;copista desmaiava naquele trabalho improdutivo al&eacute;m do p&atilde;o quotidiano: ca&iacute;a-lhe a fronte escaldante sobre o papel, onde &agrave;s vezes encontrava o refrig&eacute;rio de suas l&aacute;grimas derivadas da face&raquo; (Castelo Branco, 1864: 117). Como se sabe, tanto a debilidade f&iacute;sica como a sensibilidade marcada constituem caracter&iacute;sticas emblem&aacute;ticas de protagonistas tipicamente rom&acirc;nticos.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Este tipo de contri&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; singular de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo. Veja-se esta passagem retirada de <i>Agulha em Palheiro</i>, referente a uma carta que Fernando Gomes manda aos pais: &laquo;<i>Eu nunca devia ter sa&iacute;do da nossa casa de campo. A m&aacute; estrela n&atilde;o me acharia naquela obscuridade</i>. E, finalmente, rematando a carta, dizia: <i>Quem sabe se eu tornarei a v&ecirc;-los, meu querido pai, e minha santa m&atilde;e?</i>&raquo; (Castelo Branco, 1904: 83).</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> &laquo;Aux riches et aux puissants appartient la “sagesse”&raquo; (Garaudy, 1975: 190).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Para o Antigo Regime, apoiado numa &laquo;metaf&iacute;sica justificadora&raquo;, numa &laquo;tradi&ccedil;&atilde;o inquestionada&raquo;, Deus &eacute; a garantia da inexist&ecirc;ncia da conting&ecirc;ncia. Ou seja, qualquer acontecimento imprevisto na ordem das coisas ganha sentido e explica&ccedil;&atilde;o em Deus. Com o advento da modernidade – contexto privilegiadamente anti-metaf&iacute;sico e, em consequ&ecirc;ncia, laico – e a progressiva descren&ccedil;a em Deus (substitu&iacute;do por suced&acirc;neos) esvaziou-se a cren&ccedil;a na ideia de um Criador a distribuir recompensas e puni&ccedil;&otilde;es, ganhando for&ccedil;a a presun&ccedil;&atilde;o de conting&ecirc;ncia (a suposi&ccedil;&atilde;o de que tudo &eacute; poss&iacute;vel, tudo se pode configurar de acordo com a pura possibilidade, tudo, em suma, pode estar sujeito a ser de outro modo). Em conformidade com a cren&ccedil;a na Provid&ecirc;ncia, &laquo;el fundamento del orden deb&iacute;a encontrar-se en lo escondido y lo irreconocible. Lo latente era un requerimiento indispensable del orden. La mano que dirigia todo deb&iacute;a ser invisible&raquo; (Luhman, 1998: 129). A atualidade desfez-se o mais que foi capaz da ideia de Provid&ecirc;ncia, que, afirmada pelos principais arautos e instigadores da modernidade, como Lessing (em <i>Die Erziehung des Menschengeschlechts</i>), Herder (em <i>Ideen zur Philosophie der Geschichte der Menschheit</i>) ou ainda Leibniz (em <i>Monadologie</i>), entrou em crise com a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa e com a industrializa&ccedil;&atilde;o, parecendo desaparecer do horizonte contempor&acirc;neo iniciado no s&eacute;culo XVIII com a idade da raz&atilde;o (o S&eacute;culo das Luzes). Celso Capdequ&iacute; fala, por isso, na &laquo;depauperac&iacute;on m&iacute;tico-simb&oacute;lica que aqueja a una cultura moderna, preocupada por desprender-se de todo resquicio de irracionalidad herdado de formas de vida desaparecidas&raquo; (Capdequ&iacute; <i>in </i>Beriain, 1996: 267). Da&iacute; as sociedades modernas, conforme sustenta Luhmann, serem sociedades de risco. Porque nelas todas as formas de sele&ccedil;&atilde;o se defrontam com a conting&ecirc;ncia, n&atilde;o existindo a estabilidade e a previsibilidade caracter&iacute;sticas das sociedades tradicionais. &laquo;As formas explicativas, que tinham permitido ainda &agrave;s teorias uma r&eacute;stia de punjan&ccedil;a unificadora dos mitos cosmog&oacute;nicos, viram-se&raquo; – como escreve Habermas – &laquo;sujeitas, na Modernidade, a uma forte desvaloriza&ccedil;&atilde;o: a s&iacute;ndrome da validade, de que dependiam os conceitos fundamentais da religi&atilde;o e da metaf&iacute;sica, dissolveu-se&raquo; (Habermas, 2004: 43-44); da&iacute; que Habermas nos fale da Modernidade em termos de <i>pensamento p&oacute;s-metaf&iacute;sico</i>. O fil&oacute;sofo, refira-se, aponta v&aacute;rias raz&otilde;es para justificar a desagrega&ccedil;&atilde;o do pensamento tradicional, entre as quais saliente-se 1) a evolu&ccedil;&atilde;o de um pensamento totalizante, orientado para o uno e o todo, no sentido de uma <i>racionalidade processual</i> (o m&eacute;todo experimental das ci&ecirc;ncias naturais, o formalismo que se apossou da teoria jur&iacute;dico-moral bem como das institui&ccedil;&otilde;es do Estado constitucional); e 2) a <i>destranscendentaliza&ccedil;&atilde;o </i>dos conceitos fundamentais da tradi&ccedil;&atilde;o, originada pelo desenvolvimento das ci&ecirc;ncias hist&oacute;rico-hermen&ecirc;uticas no seio de uma sociedade economicista moderna em crescente complexidade, o que gera a irrup&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica (cf. <i>id</i>.: 58). As sociedades modernas, dominadas pelo empirismo, carecem, por conseguinte, de crit&eacute;rios pr&eacute;-delineados com os quais o mundo estaria munido de defini&ccedil;&otilde;es conclusivas da realidade, como sublinha Luc Ferry: &laquo;[…] os Tempos Modernos fazem-nos entrar num c&iacute;rculo que podemos compreender, como a alguns parece, hoje mais que nunca, um c&iacute;rculo infernal. Porque, […], a dissolu&ccedil;&atilde;o progressiva dos pontos de refer&ecirc;ncia herdados quase naturalmente do passado deixa-nos sem resposta frente &agrave;s vicissitudes mais simples e mais profundas da exist&ecirc;ncia quotidiana.&raquo; (Ferry, 2003: 23). Nesta perspetiva, in&uacute;meros aspetos da vida intelectual e da realidade quotidiana entram no campo do questionamento individual (cf. <i>id</i>.: 24). Neste cen&aacute;rio moderno da emerg&ecirc;ncia do individualismo e da eros&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es (o desencantamento do mundo sacro-pol&iacute;tico), a conting&ecirc;ncia mais n&atilde;o ser&aacute; do que a convic&ccedil;&atilde;o da radical improbabilidade dos seres e das coisas. Para o mundo moderno p&oacute;s-tradicional, materialista e seguidor do anti-espiritualismo hegeliano ou do Super-Homem nietzschiano, aberto a significados d&iacute;spares e a l&oacute;gicas plurais e polivalentes, uma vis&atilde;o cosmol&oacute;gica da realidade &eacute; do dom&iacute;nio do obsoleto, e a religi&atilde;o j&aacute; n&atilde;o serve (ou j&aacute; n&atilde;o serve em exclusivo, com a sua desloca&ccedil;&atilde;o para o dom&iacute;nio da esfera privada) para conferir um sentido aos diversos acontecimentos contradit&oacute;rios e paradoxais que afetam o ser humano. Enfim, deu-se um gradual processo de seculariza&ccedil;&atilde;o, que, a crer em Habermas, comporta tr&ecirc;s aspetos, que mais n&atilde;o s&atilde;o do que as tr&ecirc;s fases envolvidas na transi&ccedil;&atilde;o da validade de uma tradi&ccedil;&atilde;o religiosa legitimadora da ordem existente, partilhada por todos, para uma racionalidade v&aacute;lida em termos universais: &laquo;As imagens do mundo e as objetiva&ccedil;&otilde;es tradicionais 1) perdem o seu poder e a sua vig&ecirc;ncia <i>como </i>mito, <i>como </i>religi&atilde;o p&uacute;blica, <i>como </i>rito tradicional, <i>como </i>metaf&iacute;sica justificadora, <i>como </i>tradi&ccedil;&atilde;o inquestionada. Em vez disso, 2) transformam-se em convic&ccedil;&otilde;es de &eacute;ticas subjetivas, que garantem o car&aacute;cter vinculante, privado, das modernas orienta&ccedil;&otilde;es de valor (&laquo;&eacute;tica protestante&raquo;); e, 3) reestruturam-se em constru&ccedil;&otilde;es que proporcionam as duas coisas seguintes: uma cr&iacute;tica da tradi&ccedil;&atilde;o assim liberta, segundo princ&iacute;pios do tr&aacute;fico juridico-formal e da troca de equivalentes (direito natural racional).&raquo; (Habermas, 1987: 66). Numa fic&ccedil;&atilde;o como a de Camilo, com um p&eacute; no Antigo Regime e outro numa modernidade anunciada pela voz de her&oacute;is rom&acirc;nticos que se rebelam contra as normas tradicionais, a cren&ccedil;a na Provid&ecirc;ncia persiste (cren&ccedil;a, desde logo, &agrave; mostra em t&iacute;tulos correlatos como <i>Estrela    s Prop&iacute;cias </i>e <i>Estrelas Funestas</i>).</p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> Veja-se o caso de Caetano Alves: ficar&aacute; sem a fortuna (escondida num cofre da sua quinta da P&oacute;voa de Varzim), roubado por Benito Rojas, que, cedendo ao seu donjuanismo, fugir&aacute; ainda com a mo&ccedil;a com quem Caetano Alves contava casar. Como que para outorgar estes factos &agrave; Provid&ecirc;ncia, o narrador n&atilde;o foge a comentar: &laquo;A Provid&ecirc;ncia d&aacute; uns castigos que parecem zombarias!&raquo; (Castelo Branco, 1864: 253).</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Honra que, em <i>Vulc&otilde;es de Lama</i>, Jos&eacute; Rato, apostado em casar com Doroteia, coloca em causa na resposta dada aos irm&atilde;os que o acusavam de desonrar a fam&iacute;lia – &laquo;que contava, desde os Ratos do s&eacute;culo XIV, doze gera&ccedil;&otilde;es de homens de bem&raquo; (Castelo Branco, 1981: 154) – por querer casar com a sobrinha de Balbina Rodrigues: &laquo;Alegou em sua defesa que um her&oacute;i romano – parecia-lhe que era Bruto – muito mais s&aacute;bio de que ele, dissera que a honra n&atilde;o passava de uma palavra. Ajuntou eruditamente que em algumas nacionalidades citadas pelos ge&oacute;grafos a honra correspondia &agrave; desonra de outros pa&iacute;ses; e que entre os homens se dava a mesma desigualdade na vaga e arbitr&aacute;ria qualifica&ccedil;&atilde;o de tal honra&raquo; (<i>ibid</i>.). </p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> E ser&aacute; este mesmo Casimiro que, depois de reencontrar a m&atilde;e, agora condessa, recusar&aacute; perfilhar os bens que esta herdara do conde de Azinhoso, correndo o risco, como sensatamente lhe lembra a progenitora, de sua sobrinha se apoderar do v&iacute;nculo, enquanto ele e a esposa se veriam constrangidos a viverem numa habita&ccedil;&atilde;o a amea&ccedil;ar ru&iacute;na (cf. Castelo Branco, 2003: 231-232).</p>      <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> J&aacute; antes, a prop&oacute;sito dos brilhantes trazidos por Paulina, na sua fuga com Fernando, dissera-lhe este, a mostrar que nele desonra e felicidade amorosa n&atilde;o andam a compasso: &laquo;Teu pai vai receber da minha m&atilde;o os brilhantes de sua mulher e de sua filha; tu entras espontaneamente num convento; e de l&aacute; requeres dispensa do consentimento de teu pai: sair&aacute;s de Madrid com honestidade, e eu com honra. &Eacute; imposs&iacute;vel ser feliz, e dar-te felicidade, se faltarem estas condi&ccedil;&otilde;es &agrave; nossa uni&atilde;o&raquo; (Castelo Branco, 1904: 165). </p>      <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup> J&aacute; agora, seja-me permitido um par&ecirc;ntesis para evidenciar a psicologia indom&aacute;vel de Albertina, psicologia que seguramente a talha para incutir &acirc;nimo em Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo. Em conformidade com o esp&iacute;rito rom&acirc;ntico, a mo&ccedil;a n&atilde;o vacila com o rep&uacute;dio social e eleva o desejo a um lugar primordial e intoc&aacute;vel. Enquanto o amanuense n&atilde;o aguenta a desconsidera&ccedil;&atilde;o social de que &eacute; alvo, Albertina esfor&ccedil;a-se por ser imperme&aacute;vel &agrave; difama&ccedil;&atilde;o e procura situar-se para l&aacute; das constri&ccedil;&otilde;es sociais. Nesse sentido, como que levanta uma barreira intranspon&iacute;vel entre a trincheira dos prec(onc)eitos do mundo social e a trincheira das recomenda&ccedil;&otilde;es ditadas pelo cora&ccedil;&atilde;o. A fim de viver ao lado de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, a mo&ccedil;a, insens&iacute;vel &agrave; censura social, n&atilde;o hesitou, recorde-se, em fugir da casa paterna e da propriedade de Barbeita; e, perante a proposta que lhe fez Ant&oacute;nio da Silveira de renunciar ao desejo, reagiu desprezando, logo, a sociedade: &laquo;V. S.&ordf; falou-me muito em mundo, e sociedade e opini&atilde;o p&uacute;blica. Eu n&atilde;o devo nada ao mundo&raquo; (Castelo Branco, 1864: 64); e &eacute; ela, numa carta, quem instiga o amanuense com este lapidar e destemido lema: &laquo;Fortaleza igual &agrave; persegui&ccedil;&atilde;o que nos faz o mundo&raquo; (<i>id</i>.: 110). E veja-se, ainda, j&aacute; agora, esta n&atilde;o menos exemplar passagem: &laquo;O trabalho j&aacute; o n&atilde;o distra&iacute;a. A cal&uacute;nia cravara-lhe no c&eacute;rebro a garra. Depunha a pena, e comprimia as fontes arquejantes. Assim que a represa das l&aacute;grimas era tanta que se afogava nelas o alento, Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo n&atilde;o podia deixar de vert&ecirc;-las no seio de Albertina. Contou ent&atilde;o em solu&ccedil;antes &acirc;nsias o seu descr&eacute;dito. Albertina, de princ&iacute;pio, sucumbiu; depois, recobrou-se, venceu a natural fraqueza da mulher, que v&ecirc; chorar um homem, e disse: – N&atilde;o me disseste na Corunha: &laquo;Quando o mundo me chamar ladr&atilde;o diz-me tu que o n&atilde;o sou&raquo;?… Fizeste-me esperar tanto do meu amor, e agora n&atilde;o valho eu nada para ti, quando o mundo te injuria!… E deixas-te esmagar, meu amigo… Que hei de eu fazer, se tu choras! Onde hei de eu ir procurar almas vigorosas que te reanimem!… Deixa-me ser o teu mundo unicamente; despreza a inj&uacute;ria, e aceita o louvor desta pobre Albertina! Tu &eacute;s um m&aacute;rtir, tu &eacute;s um anjo atribulado pelo meu amor… Refugia-te em mim, e Deus nos defender&aacute;!&raquo; (<i>id</i>.: 238-239). Albertina, que n&atilde;o se deixa amolecer pela chantagem patriarcal, d&aacute; assim uma li&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncia ao amanuense (o que nem sempre sucede, note-se. Eis o que acontece quando o casal toma conhecimento atrav&eacute;s de uma carta, assinada como sempre por Ant&oacute;nio da Silveira, de uma ordem de pris&atilde;o referente ao amanuense: &laquo;Jo&atilde;o, […], mostrou a carta, e ajuntou o susto que tinha de ser preso, posto que o patr&atilde;o o mandava sossegar. A esposa, quebrantada pelo pavor do c&aacute;rcere, e previs&atilde;o da morte do marido entre ferros, desmentiu a prometida coragem. Irrompeu em ais e gritos, que alvoro&ccedil;aram a fam&iacute;lia&raquo; (<i>id</i>.: 246)). Para a mo&ccedil;a, o mundo pouco ou nada conta; por isso, n&atilde;o compreende o abatimento do marido por causa da cal&uacute;nia que sobre ele circula nesse mundo (&laquo;E deixas-te esmagar, meu amigo&raquo;). A primazia reside na rela&ccedil;&atilde;o que mant&eacute;m com Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, da&iacute; o seu apelo para que este se deixe absorver pelo desejo sentimental e esque&ccedil;a a sociedade que o atormenta (&laquo;Deixa-me ser o teu mundo unicamente; despreza a inj&uacute;ria, e aceita o louvor desta pobre Albertina&raquo;); e, ainda, convoca o argumento, muito t&iacute;pico do hero&iacute;smo rom&acirc;ntico, de que Deus est&aacute; do lado deles (&laquo;Deus nos defender&aacute;!&raquo;). Como filha de um descrente (a convers&atilde;o do doutor Negro ocorre <i>in extremis </i>e &agrave; conta do sofrimento), &eacute; de crer que n&atilde;o tivesse recebido na inf&acirc;ncia educa&ccedil;&atilde;o religiosa. Quando o narrador, a come&ccedil;ar a narrativa, com o intuito de desvendar o mist&eacute;rio da sua miser&aacute;vel exist&ecirc;ncia como mendiga, se manifesta surpreendido por v&ecirc;-la sofrer sem dissabores os males da sua condi&ccedil;&atilde;o de indigente, responde deste modo Albertina: &laquo;– Que rem&eacute;dio, sen&atilde;o sofr&ecirc;-los!&raquo; (<i>id</i>.: 11); e perante a insist&ecirc;ncia do interlocutor de que poucos infelizes assim se saberiam consolar, contrap&otilde;e a mendiga do Mirante em jeito de expia&ccedil;&atilde;o caracteristicamente camiliana: &laquo;– &Eacute; porque s&atilde;o poucos os infelizes que sabem o caminho do Calv&aacute;rio, o porto da Cruz&raquo; (<i>ibid</i>.). N&atilde;o andarei porventura longe da verdade se disser que, dos tr&ecirc;s her&oacute;is rom&acirc;nticos, Albertina &eacute; a mais &aacute;gil e desembara&ccedil;ada. Por n&atilde;o sofrer o empecilho de um sistema de cren&ccedil;as ainda apegado aos pressupostos e &agrave;s exig&ecirc;ncias de uma tradi&ccedil;&atilde;o aristocr&aacute;tico-rural-patriarcal. Tanto mais cresce a sua persist&ecirc;ncia amorosa e a sua convic&ccedil;&atilde;o de estar do lado certo quanto mais certa &eacute; a voca&ccedil;&atilde;o patriarcal da sociedade (decalcada de uma cultura dom&eacute;stica onde impera a supremacia paternal).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup> O padecimento, como &eacute; t&iacute;pico em Camilo, conduz &agrave; convers&atilde;o, mesmo naquelas mentes visceralmente anti-clericais, como a do doutor Negro. No cap&iacute;tulo d&eacute;cimo terceiro, onde a descren&ccedil;a do magistrado &eacute; evidente, dizia-lhe o militar (a fala, repare-se, &eacute; atribu&iacute;da a um consolador piedoso perante um &iacute;mpio inconsol&aacute;vel): &laquo;Conforme-se, que a dor &eacute; um legado comum. Aceite esse c&aacute;lice em desconto dos seus pecados. Considere e veja que n&atilde;o h&aacute; virtuoso sem penas. Como n&atilde;o h&aacute; de senti-las quem procedeu iniquamente?&raquo; (Castelo Branco, 1864: 164). Esta afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; interessante pelo que sup&otilde;e: 1) este mundo &eacute; para todos um vale de l&aacute;grimas; mas 2) o facto de todos sofrerem serve de garantia &laquo;l&oacute;gica&raquo; &agrave; convic&ccedil;&atilde;o de que tamb&eacute;m os maus sofrer&atilde;o, e porventura mais; e 3) o que a experi&ecirc;ncia ensinou ao cadete &eacute; coadun&aacute;vel com isso (a vida bondosa e pia, conduzida na observ&acirc;ncia dos preceitos divinos, n&atilde;o garante uma vida feliz a ningu&eacute;m). Note-se, agora, que o que levar&aacute; Francisco Alpedrinha a crer na Provid&ecirc;ncia n&atilde;o ser&atilde;o as palavras do militar sobre a exist&ecirc;ncia de Deus (e de um Deus justiceiro). A convers&atilde;o do advogado prende-com com o insuport&aacute;vel padecimento que o afeta, ou seja, com um sofrimento conducente &agrave; esperan&ccedil;a de um Deus redentor (expia&ccedil;&atilde;o). Leia-se o que sentidamente refere j&aacute; perto da morte: &laquo;– Tenho padecido muito… &Eacute; imposs&iacute;vel que n&atilde;o haja Deus, e outra exist&ecirc;ncia. Isto n&atilde;o pode acabar aqui. As dores imerecidas devem ser o testemunho de um destino, onde h&aacute; o consolarem-se os atormentados neste mundo. Creio em Deus, creio no Deus que formou a sua alma de tantas virtudes, Ant&oacute;nio da Silveira!&raquo; (<i>id</i>.: 229). Bem afastados estamos daquele Alpedrinha que, abalado com o comportamento de Albertina, n&atilde;o hesitava em denegrir a imagem da mulher com base numa interpreta&ccedil;&atilde;o mis&oacute;gina (e muito em voga no patriarcado, como &eacute; sabido) do mito b&iacute;blico de Eva, ele que, por mais de uma vez, se afirmava descrente em Deus e icondicional adepto de Voltaire (cf. <i>id</i>.: 69). O comportamento do magistrado, f&atilde; de Voltaire, o seu <i>evangelista predileto</i>, suscitara, de resto, a seguinte desaprova&ccedil;&atilde;o do narrador: &laquo;Mau costume este dos que sofrem dores do orgulho, da soberba, e de paix&otilde;es mais ruins ainda, avocarem a Provid&ecirc;ncia ao seu partido, e darem-lhe a dire&ccedil;&atilde;o das suas in&iacute;quas tra&ccedil;as&raquo; (<i>id</i>.: 92). E mau costume porqu&ecirc;? Porque a Provid&ecirc;ncia n&atilde;o lhes responde, o que desencadeia uma rea&ccedil;&atilde;o violenta por parte dos solicitadores n&atilde;o atendidos: &laquo;Segue-se […] o raivarem contra a Provid&ecirc;ncia, e o negarem-na como coisa inerte, inventada pela fantasia dos que sofrem&raquo; (<i>ibid</i>.). E prossegue o narrador nestes termos: &laquo;Neste escolho, infamado de naufr&aacute;gios de muitas almas boas, so&ccedil;obram a cada hora os desgra&ccedil;ados que sentem a precis&atilde;o da divindade, quando o bra&ccedil;o pr&oacute;prio lhes falece no conseguimento de seus maus des&iacute;gnios&raquo; (<i>ibid</i>.). &Eacute; precisamente o caso do doutor Negro. Mais &agrave; frente, Francisco Alpedrinha, perante a terceira fuga da filha, exclama n&atilde;o existir Deus, mas pouco depois amaldi&ccedil;oa Albertina em nome do Deus que dizia n&atilde;o existir (cf. <i>id</i>.: 154). E, desta vez, comenta o narrador: &laquo;S&atilde;o assim as nossas paix&otilde;es. Quando pagamos por elas, se a for&ccedil;a nos desampara, decretamos a inutilidade de Deus, visto que ele se n&atilde;o honra em nos auxiliar; por&eacute;m, se carecemos de cevar o nosso &oacute;dio com o infort&uacute;nio das v&iacute;timas que nos fogem, concedemos ao Criador o favor de existir, e em nome dele sentenciamos a condena&ccedil;&atilde;o de quem se esquiva &agrave;s nossas garras.&raquo; (<i>ibid</i>.). Isso mesmo acontece nesta exclama&ccedil;&atilde;o do magistrado, sedento de vingan&ccedil;a e convencido da parceria criminosa de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo com Caetano Alves e com Benito Rojas: &laquo;Quero cadafalsos, quero vingan&ccedil;a, quero acreditar que h&aacute; Provid&ecirc;ncia!&raquo; (<i>id</i>.: 193). Contudo, como observa noutra parte da novela o narrador, e desta vez a prop&oacute;sito de Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, a Provid&ecirc;ncia &eacute; &laquo;sempre [surda] aos clamores da injusti&ccedil;a&raquo; (<i>id</i>.: 119).</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup> Por exemplo, dois ciclistas a cortarem a meta de m&atilde;os dadas, um aux&iacute;lio rec&iacute;proco estrategicamente levado a efeito no sentido de ambos vencerem a prova. A teoria do equil&iacute;brio perfeito de Nash sofreu, claro est&aacute;, extrapola&ccedil;&otilde;es para o campo econ&oacute;mico, o que lhe valeu enorme notoriedade. O equil&iacute;brio perfeito de John Nash, em bom rigor, mais n&atilde;o ser&aacute; do que o conceito de <i>dupla conting&ecirc;ncia</i> proposto por Niklas Luhmann, que podemos resumir assim: cada sujeito atua em conformidade com determinadas expectativas, as quais orientam as a&ccedil;&otilde;es posteriores desse sujeito, o que converte a expectativa (<i>Erwatung</i>) em algo de fulcral em qualquer intera&ccedil;&atilde;o.</p>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTELO BRANCO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Camilo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Amor de Perdição]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[PortoAlgés ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Difel]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Agulha em Palheiro]]></source>
<year>1904</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Parceria António Maria Pereira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferraz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria de Lourdes A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Bem e o Mal]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Caixotim]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estrelas Propícias]]></source>
<year>1971</year>
<publisher-loc><![CDATA[PortoLisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Parceria A.M. Pereira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Filha do Doutor Negro]]></source>
<year>1971</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[A. M. Pereira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Carrasco de Victor Hugo José Alves]]></source>
<year>1902</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livraria Chardron]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vulcões de Lama]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lello & Irmão - Editores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AUERBACH]]></surname>
<given-names><![CDATA[Erich]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Paes]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Paulo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução aos Estudos Literários]]></source>
<year>1987</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cultrix]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAPTISTA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Abel Barros]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O erro de Simão]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Baptista]]></surname>
<given-names><![CDATA[Abel Barros]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Amor de Perdição: Uma Revisão]]></source>
<year>2009</year>
<month>20</month>
<day>09</day>
<page-range>81-112</page-range><publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Angelus Novus]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BERIAIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Josetxo]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Capdequí]]></surname>
<given-names><![CDATA[Celso Sánchez]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Las consequencias perversas de la modernidad: Modernidad, contingencia y riesgo]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anthropos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Aníbal Pinto de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudo histórico-literário]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Branco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Camilo Castelo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Amor de Perdição: Memórias duma família]]></source>
<year>1983</year>
<month>19</month>
<day>83</day>
<page-range>XXXVII-LXXVII</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de JaneiroPorto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lello & Irmãos - Editores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CÉSAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[Guilhermino]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nota Preliminar]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Branco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Camilo Castelo]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Laura Arminda Bandeira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Filha do Doutor Negro]]></source>
<year>1971</year>
<month>19</month>
<day>71</day>
<page-range>I-XIII</page-range><publisher-name><![CDATA[Parceria A. M. Pereira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COELHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jacinto do Prado]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução ao Estudo da Novela Camiliana]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa Nacional-Casa da Moeda]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Túlio Ramires]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nota Preliminar]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Branco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Camilo Castelo]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Túlio Ramires]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mistérios de Fafe: Romance social]]></source>
<year>1969</year>
<month>19</month>
<day>69</day>
<page-range>7-37</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Parceria A. M. Pereira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERRY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luc]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RENAUT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alain]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[68-86: Intinéraires de l’individu]]></source>
<year>1987</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Gallimard]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERRY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luc]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Miguel Serras]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Homo Aestheticus: A invenção do gosto na era democrática]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GARAUDY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roger]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Parole d’homme]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Robert Laffont]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HABERMAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jürgen]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morão]]></surname>
<given-names><![CDATA[Artur]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Técnica e Ciência como « Ideologia»]]></source>
<year>1987</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições 70]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[VV]]></surname>
<given-names><![CDATA[AA.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[António]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Discurso Filosófico da Modernidade]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Dom Quixote]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nahodil]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lumir]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[António Manuel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pensamento Pós-Metafísico: Ensaios filosóficos]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livraria Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HEGEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. W. F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vitorino]]></surname>
<given-names><![CDATA[Orlando]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estética: A arte clássica e a arte romântica]]></source>
<year>1958</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Guimarães Editore]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HERNÁNDEZ-PACHECO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Javier]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La Consciencia Romántica]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Tecnos]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LAWTON]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Technique et Signification de Amor de Perdição]]></article-title>
<source><![CDATA[Bulletin des Études Portugaises]]></source>
<year>1964</year>
<volume>25</volume>
<page-range>77-135</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LUHMAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Niklas]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sosoe]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lukas K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bouchard]]></surname>
<given-names><![CDATA[Stéphane]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La légitimation par la procédure]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Les Presses de l’Université de LavalÉditions du Cerf]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pappe]]></surname>
<given-names><![CDATA[Silvia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Erker]]></surname>
<given-names><![CDATA[Brunhilde]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nafarrate]]></surname>
<given-names><![CDATA[Javier Torres]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sistemas sociales: Lineamentos para una teoría general]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[BarcelonaSantafé de BogotáMéxico ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[AnthroposUniversidad IberoamericanaCEJA, Pontificia Universidad Javeriana]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MICHEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Daniela de]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Frota]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mário]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociologia da Família e do Casamento]]></source>
<year>1983</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[RÉS-Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MOURÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Augusto]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As paixões no horizonte dialógico d’O Bem e o Mal de Camilo: A melancolia e a saudade]]></article-title>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>1994</year>
<conf-name><![CDATA[ Congresso Internacional de Estudos Camilianos]]></conf-name>
<conf-date>24-29 de junho de 1991</conf-date>
<conf-loc> </conf-loc>
<page-range>415-424</page-range><publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Comissão Nacional das Comemorações Camilianas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NASH]]></surname>
<given-names><![CDATA[John F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The bargaining problem]]></article-title>
<source><![CDATA[Econometrica]]></source>
<year>1950</year>
<volume>18</volume>
<page-range>155-162</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Binmore]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ken]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Essays on Game Theory]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[CheltenhamBrookfield ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edward Elgar Publishing]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SEIXO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Alzira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Rio com Regresso: Ensaios camilianos]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Presença]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SIBONY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Daniel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre-deux: L’origine en partage]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Éditions du Seuil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SOLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Elena Losada]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Una aportación portuguesa a la tipología del héroe romántico-trágico: Simão Botelho]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Dios]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ángel Marcos de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Camilo Castelo Branco: Perspectivas]]></source>
<year>1991</year>
<month>19</month>
<day>91</day>
<conf-name><![CDATA[ Jornadas Internacionales sobre Camilo]]></conf-name>
<conf-date>3, 4 y 5 de mayo de 1990</conf-date>
<conf-loc> </conf-loc>
<page-range>27-34</page-range><publisher-loc><![CDATA[Salamanca ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidad de Salamanca]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TILLIETTE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Xavier]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Jésus Romantique]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Desclée]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ŽIŽEK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Slavoj]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos Correia Monteiro de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Marioneta e o Anão: O Cristianismo entre Perversão e Subversão]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Relógio D’Água]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
