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</front><body><![CDATA[ <p> <b>Liberal ou paternalista? Ser&aacute; que os surfistas devem ser subsidiados? Martim Avillez Figueiredo, Al&ecirc;theia, 2013. 180 pp.  ISBN: 9789896225582</b> </p>     <p> <b>Roberto Merrill*</b> </p>     <p> *Investigador do Grupo de teoria pol&iacute;tica do Centro de Estudos Human&iacute;sticos da Universidade do Minho e investigador associado ao CEVIPOF-Sciences Po Paris.  </p>      <p><a href="mailto:nrbmerrill@gmail.com">nrbmerrill@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, as pol&iacute;ticas da social-democracia t&ecirc;m-se limitado a usar o sistema de impostos e de benef&iacute;cios fiscais para tentar mitigar <i>ex post</i> as desigualdades que o capitalismo gera. No entanto, as desigualdades n&atilde;o t&ecirc;m parado de aumentar (<i>vide</i> <i>Cr&eacute;dit Suisse World Wealth Report</i>, 2013). Podemos supor que hoje em muitos dos pa&iacute;ses europeus pelo menos um quarto da popula&ccedil;&atilde;o adulta pertence ao “precariado” (Standing, 2011), ou seja vive numa situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o oferece nenhum sentido de carreira e de identidade profissional. Sem d&uacute;vida que alguns impostos s&atilde;o necess&aacute;rios <i>ex post</i> para corrigir as desigualdades, mas devemos admitir que as pol&iacute;ticas redistributivas n&atilde;o s&atilde;o eficazes, pois os seus efeitos s&atilde;o insuficientes para tirar as pessoas da pobreza. Para resolver as causas b&aacute;sicas da desigualdade, existem outras maneiras de agir, como por exemplo distribuir <i>ex ante</i> a propriedade do capital pela sociedade, combinando a economia de mercado com uma maior igualdade e realizando o ideal duma sociedade de cidad&atilde;os verdadeiramente livres e iguais, atacando as desigualdades directamente, em vez de apenas mitigar os sintomas destas atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas convencionais de justi&ccedil;a social redistributiva. Assim, em vez de redistribuir as riquezas, porque n&atilde;o pr&eacute;-distribu&iacute;-las, dando assim &agrave; luta pela justi&ccedil;a social uma direc&ccedil;&atilde;o mais igualit&aacute;ria? (Hacker, 2011; O’Neill e Williamson, 2012; Cardoso Rosas, 2012; Merrill, 2013). A verdade &eacute; que o Estado social fundado nas pol&iacute;ticas tradicionais de redistribui&ccedil;&atilde;o das riquezas j&aacute; n&atilde;o funciona, tornando hoje necess&aacute;ria uma reflex&atilde;o sobre as alternativas te&oacute;ricas e pr&aacute;ticas. Que alternativas existem? V&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es foram delineadas para defender uma concep&ccedil;&atilde;o preventiva da justi&ccedil;a social, todas elas reclamando-se do ideal da autonomia individual que s&oacute; pode exprimir-se atrav&eacute;s de uma forma de iguala&ccedil;&atilde;o material do ponto de partida: quer se trate da sociedade de accionistas (em ingl&ecirc;s “<i>stakeholder society</i>”), descrita por Bruce Ackerman e Anne Alstott (1999), que prev&ecirc; uma dota&ccedil;&atilde;o inicial de 80.000$ para cada cidad&atilde;o, do “m&iacute;nimo c&iacute;vico” proposto por Stuart White (2003), ou de um rendimento b&aacute;sico incondicional (em ingl&ecirc;s “<i>basic income</i>”), &agrave; maneira de Philippe Van Parijs (1995); todas estas f&oacute;rmulas s&atilde;o dignos exemplos de mecanismos imaginados sob a al&ccedil;ada da tradi&ccedil;&atilde;o do pensamento igualit&aacute;rio, como meios de redu&ccedil;&atilde;o dos fossos de riqueza com o objectivo de criar uma sociedade de iguais e permitir aos indiv&iacute;duos a posse dos meios necess&aacute;rios para as suas livres iniciativas. </p>      <p>Uma forma concreta de p&ocirc;r em pr&aacute;tica a pr&eacute;-distribui&ccedil;&atilde;o das riquezas seria pois a de acrescentar aos nossos direitos fundamentais um novo direito a que todos os membros da comunidade pol&iacute;tica teriam acesso, em virtude de serem cidad&atilde;os dessa comunidade – o direito a um <i>Rendimento B&aacute;sico Incondicional</i> (RBI). Um RBI &eacute; um rendimento de igual valor cuja quantia deve ser suficiente para garantir condi&ccedil;&otilde;es de vida decentes, paga em dinheiro a todos os cidad&atilde;os e de maneira incondicional, ou seja, sem ter em conta a situa&ccedil;&atilde;o financeira assim como a situa&ccedil;&atilde;o salarial, caso exista, de todos os que a recebem. </p>      <p>Mas, pensar&aacute; o leitor, esta ideia dum rendimento b&aacute;sico incondicional n&atilde;o ser&aacute; uma utopia irrealista, demasiado radical para poder ser realizada? &Eacute; necess&aacute;rio recordar que este tema n&atilde;o &eacute; recente e que existe actualmente uma bibliografia numerosa sobre esta ideia, que tem crescido de modo assinal&aacute;vel desde os anos 80, e que pode ser consultada no s&iacute;tio em linha portugu&ecirc;s – <i>Rendimento B&aacute;sico Incondicional </i>(<a href="http://www.rendimentobasico.pt/" target="_blank">http://www.rendimentobasico.pt</a>). Est&aacute; ainda a decorrer neste momento uma iniciativa de cidadania europeia sobre o tema (<a href="http://www.rendimentobasico.pt/assinar" target="_blank">http://www.rendimentobasico.pt/assinar</a>), cujo objectivo &eacute; conseguir que a Comiss&atilde;o Europeia se comprometa a examinar a iniciativa e a discutir publicamente esta proposta no Parlamento Europeu.</p>      <p>Apesar do tema ser muito debatido internacionalmente, n&atilde;o existia em Portugal at&eacute; &agrave; publica&ccedil;&atilde;o de <i>Ser&aacute; que os surfistas devem ser subsidiados?</i> (2013), um livro que expusesse rigorosamente os fundamentos filos&oacute;ficos desta ideia, e Martim Avillez Figueiredo f&aacute;-lo com muito talento, rigor, e honestidade intelectual. O autor explica as raz&otilde;es do seu entusiasmo pela ideia, quando escreve na introdu&ccedil;&atilde;o: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&Eacute; mesmo dif&iacute;cil n&atilde;o ser seduzido, de forma quase natural, pelo argumento: a ideia de que a liberdade e a igualdade podem ser valores compat&iacute;veis. Isto &eacute;, de que defender a liberdade como um valor fundamental (o argumento da direita) n&atilde;o significa aceitar que dela decorram a maior parte das desigualdades do mundo de hoje (o argumento da esquerda). (Avillez Figueiredo, 2013:21)</blockquote>      <p>De facto, conciliar a liberdade e a igualdade, os dois valores centrais da teoria pol&iacute;tica, parece tornar-se poss&iacute;vel com a ideia dum RBI (no seu livro, a express&atilde;o adoptada por Avillez Figueiredo &eacute; a de “rendimento garantido para todos” (RGT), mas vou manter a express&atilde;o “rendimento b&aacute;sico incondicional” (RBI) pois &eacute; a express&atilde;o mais conhecida, al&eacute;m de ser a express&atilde;o utilizada por Philippe van Parijs). Apesar de entusiasta da ideia, o autor em &uacute;ltima inst&acirc;ncia acaba por rejeit&aacute;-la. Vou nesta recens&atilde;o expor as raz&otilde;es que levam o autor a rejeitar o RBI e formularei em seguida algumas objec&ccedil;&otilde;es. Os primeiros cap&iacute;tulos (do segundo ao sexto) do livro s&atilde;o consagrados &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise dos argumentos a favor dum RBI, formulados pelo fil&oacute;sofo belga Philippe Van Parijs num livro essencial intitulado <i>Real Freedom for All</i> (1995; Tradu&ccedil;&atilde;o portuguesa de Avillez Figueiredo no prelo sob o t&iacute;tulo de <i>Real liberdade para todos</i>). Apesar dos argumentos de Van Parijs a favor dum RBI serem muito abstractos, Martim Avillez Figueiredo consegue tornar a sua exposi&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel.</p>      <p>Os cap&iacute;tulos seguintes constituem a parte mais cr&iacute;tica do livro, sendo o cap&iacute;tulo sete, intitulado “O desafio da pr&oacute;xima onda”, aquele onde o autor formula a sua objec&ccedil;&atilde;o central ao RBI tal como defendido por Van Parijs. Neste cap&iacute;tulo, o autor prop&otilde;e que imaginemos uma sociedade de surfistas, onde todos competem por apanhar ondas, em situa&ccedil;&atilde;o de igualdade formal de oportunidades, as quais constituem os seus meios de subsist&ecirc;ncia. O objectivo desta experi&ecirc;ncia de pensamento &eacute; o de nos fazer questionar a teoria da real liberdade de Van Parijs: para este, um RBI seria a “onda” que todos temos o direito de apanhar para exercermos vidas aut&oacute;nomas, expressando assim a nossa liberdade real, e n&atilde;o apenas uma liberdade formal. No entanto, para Avillez Figueiredo, o desafio da pr&oacute;xima onda mostra que um RBI n&atilde;o permite necessariamente a express&atilde;o duma liberdade real, antes pelo contr&aacute;rio:</p>      <blockquote>O desafio da Pr&oacute;xima Onda, por&eacute;m, consegue tornar mais evidente que Van Parijs n&atilde;o est&aacute;, nesta troca, a ceder oportunidades por oportunidades. Isto &eacute;, se de facto os compradores seriam sempre os surfistas mais ambiciosos, aqueles dispostos a vender n&atilde;o seriam apenas os surfistas mais pregui&ccedil;osos. Parece at&eacute; demasiado evidente imaginar quem estaria disposto a vender: os que sentissem menores capacidades de conquistar um lugar na pr&oacute;xima onda – acontecesse isso por quest&otilde;es de talento, acesso a li&ccedil;&otilde;es de surf, ‘background’ familiar ou, no limite, auto-estima. (Avillez Figueiredo, 2013: 104)</blockquote>      <p>Ou seja, a objec&ccedil;&atilde;o central de Avillez Figueiredo ao RBI prov&eacute;m assim da sua preocupa&ccedil;&atilde;o pelos mais desfavorecidos da sociedade. A ideia &eacute; que ao receber um RBI, os mais desfavorecidos v&atilde;o ficar numa situa&ccedil;&atilde;o ainda pior do que aquela que j&aacute; vivem, isto essencialmente porque os mais desfavorecidos n&atilde;o v&atilde;o conseguir gra&ccedil;as a um RBI escolher de maneira aut&oacute;noma uma vida mais prometedora, n&atilde;o v&atilde;o querer “apanhar a onda”. Como escreve o autor: </p>      <blockquote>[…] a limita&ccedil;&atilde;o principal da Liberdade Real para Todos &eacute; a sua incapacidade de alterar o mecanismo de escolha dos mais desfavorecidos. Pior: &eacute; a forma como potencia escolhas que acabam a deixar os desfavorecidos numa situa&ccedil;&atilde;o ainda pior do que aquela em que se encontram. (Avillez Figueiredo, 2013: 154-155)</blockquote>      <p>Segundo o autor, Philippe Van Parijs n&atilde;o faz desta preocupa&ccedil;&atilde;o uma prioridade, o que constituiria uma falha essencial da sua teoria. Contra este argumento de Avillez Figueiredo, podemos objectar de pelo menos tr&ecirc;s maneiras: (1) &eacute; falso que Philippe Van Parijs n&atilde;o se preocupe com as escolhas dos mais desfavorecidos da sociedade; (2) os estudos emp&iacute;ricos provam o contr&aacute;rio do que afirma Avillez Figueiredo, ou seja os indicadores mostram que os mais desfavorecidos fazem boas escolhas; (3) mesmo se n&atilde;o o provassem seria de qualquer modo demasiado paternalista em rela&ccedil;&atilde;o aos desfavorecidos consider&aacute;-los de modo duradouro incapazes de boas escolhas, o que &eacute; uma posi&ccedil;&atilde;o inaceit&aacute;vel se formos liberais. Vou desenvolver estas tr&ecirc;s objec&ccedil;&otilde;es.</p>      <p><b>As escolhas dos mais desfavorecidos da sociedade em Van Parijs</b></p>      <p>Julgo que &eacute; falso que Philippe Van Parijs n&atilde;o tem em conta o tema das escolhas dos mais desfavorecidos da sociedade, quando estes podem ser v&iacute;timas das suas pr&oacute;prias escolhas. Vejamos por que raz&otilde;es. </p>      <p>Como escreve Van Parijs no par&aacute;grafo 2.4, intitulado “Dinheiro ou esp&eacute;cie? ”, do seu livro <i>Real Freedom for All</i> (1995) : </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Nada que tenha sido dito at&eacute; agora, portanto, obriga a que o subs&iacute;dio tome a forma de poder de compra expresso numa qualquer moeda e n&atilde;o em terras, ferramentas, ou um pacote de bens e servi&ccedil;os. (Van Parijs, 1995: 41)</blockquote>      <p>Ou seja, &eacute; precisamente porque sabemos que nem sempre as pessoas fazem as escolhas mais acertadas em rela&ccedil;&atilde;o aos seus rendimentos, que Van Parijs sugere que um RBI n&atilde;o deve ser necessariamente distribu&iacute;do em esp&eacute;cie. No entanto, esta posi&ccedil;&atilde;o de Van Parijs exp&otilde;e-se &agrave; cr&iacute;tica de ser demasiado paternalista, o que &eacute; pouco compat&iacute;vel com o fundamento libert&aacute;rio duma liberdade real para todos. Mas Van Parijs vai mais longe no seu objectivo de proteger as pessoas delas pr&oacute;prias, ao ponto de assumir uma posi&ccedil;&atilde;o explicitamente paternalista, embora “suave”, com o objectivo de assegurar uma liberdade real:</p>      <blockquote>Em alternativa, pode-se permitir uma forma suave de paternalismo a fim de impedir que algumas pessoas n&atilde;o usem parte do seu subs&iacute;dio em dinheiro para aderirem a um plano de seguros b&aacute;sico que elas genuinamente desejam “no seu perfeito ju&iacute;zo”. Este apelo &agrave; protec&ccedil;&atilde;o de cada membro da sociedade contra consequ&ecirc;ncias possivelmente fatais e irrevers&iacute;veis das escolhas que elas pr&oacute;prias, nas circunst&acirc;ncias adequadas, reconheceriam ser mal orientadas, n&atilde;o constitui apenas um fundamento l&oacute;gico plaus&iacute;vel para ignorar a presun&ccedil;&atilde;o a favor do pagamento total do rendimento b&aacute;sico em dinheiro.(Van Parijs, 1995: 45)</blockquote>      <p>Ou seja, Van Parijs est&aacute; disposto a pagar o pre&ccedil;o de ser considerado paternalista, o que &eacute; no m&iacute;nimo provocante para um autor que pretende desenvolver uma teoria libert&aacute;ria (de esquerda), como fundamento te&oacute;rico do RBI. &Eacute; ali&aacute;s esta preocupa&ccedil;&atilde;o paternalista pelas escolhas das pessoas que o leva a rejeitar a ideia duma dota&ccedil;&atilde;o inicial b&aacute;sica, defendida por Bruce Ackerman e Anne Alstott (1999). Como escreve Van Parijs: </p>      <blockquote>Neste cen&aacute;rio, uma preocupa&ccedil;&atilde;o ligeiramente paternalista com a liberdade real das pessoas ao longo das suas vidas, e n&atilde;o apenas “no in&iacute;cio”, faz com que seja razo&aacute;vel entregar o rendimento b&aacute;sico na forma de um fluxo regular (n&atilde;o hipotec&aacute;vel) – tal como uma preocupa&ccedil;&atilde;o ligeiramente paternalista com a sua liberdade formal faz com que seja razo&aacute;vel proibir a aliena&ccedil;&atilde;o permanente da propriedade de si, mas n&atilde;o a venda da for&ccedil;a de trabalho de cada um por per&iacute;odos de tempo limitados. (Van Parijs, 1995: 47-48)</blockquote>      <p>No que diz respeito a esta objec&ccedil;&atilde;o, seria importante que Avillez Figueiredo desenvolvesse as raz&otilde;es que o levaram a objectar que Van Parijs n&atilde;o se preocupa com as escolhas dos mais desfavorecidos, j&aacute; que os excertos do Van Parijs que citei levam a afirmar o contr&aacute;rio. Esta dificuldade acentua-se dado que o pr&oacute;prio autor reconhece parcialmente isto quando escreve:</p>      <blockquote>Van Parijs […] n&atilde;o &eacute; um partid&aacute;rio do princ&iacute;pio de que atrav&eacute;s da distribui&ccedil;&atilde;o de um valor &uacute;nico em capital, pago uma &uacute;nica vez (no nascimento ou na maioridade), se consiga assegurar a liberdade real. Para ele, s&oacute; um pagamento mensal e ininterrupto ao longo da vida consegue, tamb&eacute;m de forma ininterrupta, colocar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de todos, e permanentemente, os meios necess&aacute;rios ao exerc&iacute;cio da liberdade real, isto &eacute;, os meios que permitem a todos ativar a vida que escolheram para si. (Avillez Figueiredo, 2013: 135)</blockquote>      <p>Ou seja, de que outra maneira devemos compreender este excerto sen&atilde;o no sentido que indica que Van Parijs est&aacute; de facto a fazer uma concess&atilde;o ao paternalismo, em nome do bem-estar dos menos favorecidos? Para concluir esta objec&ccedil;&atilde;o, por um lado &eacute; falso que Van Parijs n&atilde;o tenha em conta o problema das escolhas dos mais desfavorecidos, e por outro &eacute; surpreendente que Avillez Figueiredo n&atilde;o o reconhe&ccedil;a, pelo menos parcialmente, quando recorda que Van Parijs &eacute; contra a distribui&ccedil;&atilde;o de um valor &uacute;nico em capital.</p>      <p><b>Os mais desfavorecidos fazem mesmo m&aacute;s escolhas?</b></p>      <p>Do ponto de vista da efic&aacute;cia da luta contra a pobreza, que &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o de fundo que anima Avillez Figueiredo na sua objec&ccedil;&atilde;o contra um RBI, podemos ainda contra-argumentar afirmando que &eacute; no m&iacute;nimo duvidoso que os estudos emp&iacute;ricos provem que os mais desfavorecidos fazem m&aacute;s escolhas, e isto independentemente da posi&ccedil;&atilde;o paternalista de Van Parijs sobre o tema. Ali&aacute;s um dos problemas das transfer&ecirc;ncias de presta&ccedil;&otilde;es sociais sujeitas a condi&ccedil;&otilde;es de recursos, al&eacute;m de serem humilhantes e estigmatizantes para quem as recebe, &eacute; precisamente o de manterem quem as recebe na “armadilha da pobreza”. Ora o RBI pode em parte ser justificado como instrumento de elimina&ccedil;&atilde;o desta armadilha, pois ao n&atilde;o ser retirado quando as pessoas conseguem um emprego, motiva-as a procurarem-no e a sair assim da pobreza, acumulando o RBI com o sal&aacute;rio do trabalho remunerado.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, &eacute; claro que um sistema de distribui&ccedil;&atilde;o – universal ou n&atilde;o, inteiramente em dinheiro ou n&atilde;o, n&atilde;o tornaria in&uacute;til a ajuda que os profissionais da assist&ecirc;ncia social possam dar &agrave;s pessoas mais desfavorecidas que se sintam temporariamente desorientadas na vida. Ali&aacute;s, uma das consequ&ecirc;ncias de um RBI &eacute; precisamente os efeitos positivos que este pode ter na disponibilidade para o trabalho volunt&aacute;rio e desempenho da cidadania estimulando as pessoas para ajudar os outros. Este est&iacute;mulo pode dar &agrave; sociedade uma direc&ccedil;&atilde;o mais solid&aacute;ria. Ora Avillez Figueiredo, na sua cr&iacute;tica ao RBI, n&atilde;o parece ter em conta que uma pol&iacute;tica p&uacute;blica n&atilde;o &eacute; necessariamente eficaz por si s&oacute;, mas somente quando acompanhada por outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Assim, o autor deveria explicar porque raz&atilde;o a implementa&ccedil;&atilde;o do RBI n&atilde;o seria facilmente compat&iacute;vel (seja por raz&otilde;es te&oacute;ricas ou por raz&otilde;es emp&iacute;ricas) com pol&iacute;ticas de Estado que visem refor&ccedil;ar a autonomia dos indiv&iacute;duos na suas escolhas . &Eacute; de salientar que na literatura feminista sobre o RBI, a objec&ccedil;&atilde;o central contra este &eacute; uma variante do argumento de Avillez Figueiredo: se o Estado distribuir um RBI, as donas de casa v&atilde;o deixar de lutar pelas oportunidades que o mercado do trabalho lhes oferece (Robeyns, 2008). Mas a resposta a esta cr&iacute;tica feminista &eacute; a mesma que pode ser dada &agrave; objec&ccedil;&atilde;o de Avillez Figueiredo: ningu&eacute;m defende que a implementa&ccedil;&atilde;o do RBI seja a panaceia para todos os males da sociedade, assim como ningu&eacute;m defende que esta implementa&ccedil;&atilde;o tornaria in&uacute;teis outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que lutem contra a desigualdade de g&eacute;nero, ou tornaria in&uacute;til o trabalho dos profissionais da assist&ecirc;ncia social em prol dos menos favorecidos.</p>      <p>Por fim, &eacute; de salientar que contrariamente ao afirmado por Avillez Figueiredo, a investiga&ccedil;&atilde;o mais recente em rela&ccedil;&atilde;o ao tema das escolhas dos mais desfavorecidos indica que as transfer&ecirc;ncias de dinheiro incondicionais t&ecirc;m resultados muito positivos nas suas vidas. Como escrevem Hanlon <i>et al</i>. a prop&oacute;sito deste tema e apoiando-se em experi&ecirc;ncias recentes:</p>      <blockquote>Quatro conclus&otilde;es emergem frequentemente: estes programas s&atilde;o acess&iacute;veis, os destinat&aacute;rios usam bem o dinheiro e n&atilde;o o desperdi&ccedil;am, as doa&ccedil;&otilde;es em dinheiro s&atilde;o uma maneira eficiente de reduzir directamente a pobreza actual, e t&ecirc;m o potencial de prevenir a pobreza futura, facilitando o crescimento econ&oacute;mico e promovendo o desenvolvimento humano. (Hanlon <i>et al.</i>, 2010: 2)</blockquote>      <p>Sobre este ponto, a leitura deste estudo elaborado pelo <i>UK Department for International Development</i> &eacute; instructiva (<a href="http://www.givedirectly.org/pdf/DFID%20cash-transfers-evidence" target="_blank">http://www.givedirectly.org/pdf/DFID%20cash-transfers-evidence</a>). Tamb&eacute;m instructivos s&atilde;o os resultados obtidos pela ONG <i>Give Directly</i> (<a href="http://www.givedirectly.org/" target="_blank">http://www.givedirectly.org</a>); assim como o artigo recente no <i>The Economist</i>, “Pennies from heaven” (<a href="http://www.economist.com/news/international/21588385-giving-money-directly-poor-people-works-surprisingly-well-it-cannot-deal?fsrc=rss%257Cint" target="_blank">http://www.economist.com/news/international/21588385-giving-money-directly-poor-people-works-surprisingly-well-it-cannot-deal?fsrc=rss%257Cint</a>).</p>      <p>A ideia de que o RBI pode prejudicar os mais desfavorecidos corresponde sobretudo a um preconceito cultural e social, e n&atilde;o a uma verdade empiricamente comprovada. Os estudos emp&iacute;ricos realizados em v&aacute;rios pa&iacute;ses com o objectivo de averiguar a objectividade desta concep&ccedil;&atilde;o, demonstraram que entre as pessoas que recebem um RBI e t&ecirc;m um trabalho remunerado apenas um n&uacute;mero reduzido opta por mudar de trabalho e as que o fazem &eacute; com o objectivo de encontrar um trabalho que corresponda mais &agrave;s suas capacidades e gostos. <i>Vide</i> alguns desses resultados, no Alaska (<a href="http://www.apfc.org/home/Content/dividend/dividendamounts.cfm" target="_blank">http://www.apfc.org/home/Content/dividend/dividendamounts.cfm</a>); Brasil (<a href="http://www.recivitas.org/" target="_blank">http://www.recivitas.org/</a>); Canad&aacute; (<a href="http://www.dominionpaper.ca/articles/4100" target="_blank">http://www.dominionpaper.ca/articles/4100</a>); &Iacute;ndia (<a href="http://binews.org/2012/09/india-basic-income-pilot-project-finds-positive-results" target="_blank">http://binews.org/2012/09/india-basic-income-pilot-project-finds-positive-results</a>); Ir&atilde;o (<a href="http://www.economist.com/node/18867440" target="_blank">http://www.economist.com/node/18867440</a>); Nam&iacute;bia (<a href="http://www.bignam.org/BIG_pilot.html" target="_blank">http://www.bignam.org/BIG_pilot.html</a>). <i>Vide</i> tamb&eacute;m a proposta de financiamento dum RBI para a Catalunha por Arcarons <i>et al</i> (2013).</p>      <p>Admitindo que o RBI n&atilde;o tem consequ&ecirc;ncias negativas para os mais desfavorecidos, como tudo parece indicar na investiga&ccedil;&atilde;o empiricamente comprovada, podemos mesmo assim p&ocirc;r em causa a sua incondicionalidade em nome n&atilde;o da preocupa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s escolhas dos mais desfavorecidos, mas sim da necess&aacute;ria contribui&ccedil;&atilde;o de todos para o bem comum da sociedade, exigindo que os seus benefici&aacute;rios realizem alguma actividade c&iacute;vica em troca dum RBI, por exemplo seguindo uma forma&ccedil;&atilde;o, ou cuidando crian&ccedil;as ou pessoas debilitadas, ou trabalhando numa associa&ccedil;&atilde;o (Atkinson, 1995; White, 1995). No entanto, Avillez Figueiredo em nenhum momento explora esta alternativa, que merece ser desenvolvida por algu&eacute;m que se sente seduzido pela ideia dum RBI, mas que se preocupa com os seus efeitos nos mais desfavorecidos da sociedade. Aproveito para salientar que esta alternativa n&atilde;o me parece muito convincente, pois um rendimento b&aacute;sico condicionado a um trabalho “m&iacute;nimo c&iacute;vico” tem a meu ver pelo menos tr&ecirc;s desvantagens: (1) contrariamente ao RBI cuja distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; autom&aacute;tica, muitas pessoas desfavorecidas n&atilde;o t&ecirc;m acesso a um rendimento condicional porque simplesmente n&atilde;o est&atilde;o informadas desse direito ou quando o est&atilde;o, n&atilde;o cumprem as condi&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas a preencher; (2) um rendimento condicional pode ser humilhante, intrusivo e estigmatizante; e (3) um rendimento condicional, por mais c&iacute;vico que seja, parece-me violar, pelo seu paternalismo, o princ&iacute;pio liberal de neutralidade do Estado. Vou desenvolver este ponto agora, que constitui a minha &uacute;ltima objec&ccedil;&atilde;o ao autor.</p>      <p><b>Neutralidade e paternalismo</b></p>      <p>H&aacute; uma raz&atilde;o forte para Philippe Van Parijs n&atilde;o desenvolver de maneira muito expl&iacute;cita o tema das escolhas dos mais desfavorecidos: &eacute; a defesa que faz no seu livro da neutralidade do Estado, tema central da teoria pol&iacute;tica contempor&acirc;nea. A ideia na neutralidade do Estado &eacute; a seguinte: o Estado, para ser justo, deve ser moralmente neutro entre os estilos de vida que as pessoas querem adoptar: n&atilde;o deve dar prioridade aos que querem trabalhar sobre os que querem uma vida de lazer. E n&atilde;o deve proteger as pessoas contra elas pr&oacute;prias, para o seu pr&oacute;prio bem. Ou seja, deve deixar na medida do poss&iacute;vel as pessoas livres de orientarem a sua vida como quiserem. Avillez Figueiredo &eacute; sens&iacute;vel a este ideal de neutralidade, como se pode verificar ao longo do seu livro. J&aacute; vimos que Van Parijs est&aacute; disposto a sacrificar parcialmente este ideal em nome dum paternalismo suave que proteje as pessoas de serem v&iacute;timas de m&aacute;s escolhas. Mas seria interessante perceber de que maneira Martim Avillez Figueiredo consegue conciliar a sua preocupa&ccedil;&atilde;o pelas escolhas dos mais desfavorecidos com o respeito pela neutralidade do Estado: quais seriam a maneiras n&atilde;o paternalistas de defender os menos favorecidos das consequ&ecirc;ncias das sua pr&oacute;prias escolhas, por exemplo seguindo as propostas duma “arquitectura da escolha”, de Sunstein e Thaler (2008)? Por outras palavras, se a preocupa&ccedil;&atilde;o do autor pelos menos favorecidos o leva a rejeitar a neutralidade, em que medida &eacute; que n&atilde;o cai numa posi&ccedil;&atilde;o paternalista dificilmente compat&iacute;vel com o liberalismo pol&iacute;tico?</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Bibliografia citada</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bruce Ackerman &amp; Anne Alstott, <i>The Stakeholder Society</i>, New Haven, Yale University Press, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000043&pid=S0807-8967201300020002700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Jordi Arcarons, Daniel Ravent&oacute;s, e Llu&iacute;s Torrens, “Una propuesta de financiaci&oacute;n de una renta b&aacute;sica universal en plena crisis econ&oacute;mica”, <i>Sin permiso</i>, Julho <i>2013. </i>(<a href="http://www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=6119" target="_blank">http://www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=6119</a>)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000045&pid=S0807-8967201300020002700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Anthony Atkinson, ‘The Case for a Participation Income’, <i>The Political Quarterly</i> 67, 1996, pp.67-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000046&pid=S0807-8967201300020002700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Credit Suisse Global Wealth Report, 2013 (<a href="https://publications.credit-suisse.com/tasks/render/file/?fileID=BCDB1364-A105-0560-1332EC9100FF5C83" target="_blank">https://publications.credit-suisse.com/tasks/render/file/?fileID=BCDB1364-A105-0560-1332EC9100FF5C83</a>)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000048&pid=S0807-8967201300020002700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jo&atilde;o Cardoso Rosas, “Pr&eacute;-distribui&ccedil;&atilde;o”, <i>Di&aacute;rio Econ&oacute;mico</i>, 26 de Dezembro de 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000049&pid=S0807-8967201300020002700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Jacob Hacker, ‘The institutional foundations of middle class democracy’, London, Policy Network, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000051&pid=S0807-8967201300020002700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Joseph Hanlon, Armando Barrientos, David Hulme, <i>Just Give Money to the Poor: The Development Revolution from the Global South</i>, Kumarian Press, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000053&pid=S0807-8967201300020002700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Roberto Merrill, “Pr&eacute;-distribui&ccedil;&atilde;o: uma nova agenda pol&iacute;tica para a social-democracia?”, <i>CAIS</i>, Outubro 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000055&pid=S0807-8967201300020002700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Martin O’Neill &amp; Thad Williamson, “The promise of pre-distribution”, <i>Policy Network</i>, 28 de Setembro de 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S0807-8967201300020002700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Daniel Ravent&oacute;s, <i>Basic Income: The Material Conditions of Freedom </i>.London: Pluto Press, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000059&pid=S0807-8967201300020002700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ingrid Robeyns, ed. “Should Feminists Endorse Basic Income?” Special issue of <i>Basic Income Studies</i>. Special 3 (3), 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S0807-8967201300020002700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Guy Standing, <i>The Precariat - the New Dangerous Class, </i>Bloomsbury Publishing, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S0807-8967201300020002700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cass Sunstein, &amp; Richard Thaler, <i>Nudge: Improving Decisions About Health, Wealth, and Happiness</i>, New Haven, Connecticut: Yale University Press, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0807-8967201300020002700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Stuart White, <i>The Civic Minimum: On the Rights and Obligations of Economic Citizenship</i>, Oxford, Oxford University Press, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0807-8967201300020002700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Philippe Van Parijs, <i>Real Freedom for All: What (if Anything) Can Justify Capitalism?</i>, Oxford, Oxford University Press, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0807-8967201300020002700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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