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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[“Para fazer um mar”: Literatura moçambicana e oceano Índico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[“To make a sea”: Mozambican literature and the Indian ocean]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This essay proposes a critical and conceptual itinerary on the relationship between the sea and the Mozambican literature, focusing a poetic corpus built upon the representation and meaning of an iconic place as the Island of Mozambique. The representation of the Indian Ocean and the Island of Mozambique seem to represent a review process of history created by the official discourse of mozambicanness. Furthermore, the Indian Ocean finds in the literary representation a counterpoint to configure it as a wider epistemological paradigm that enables an alternative equation of the relation between space and identity, as well as the concepts of nation, identity, and, thus, national literature, providing a critical and conceptual itinerary that points to what has been defined as material culture.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>“Para fazer um mar”. Literatura mo&ccedil;ambicana e oceano &Iacute;ndico</b></p>      <p><b>“To make a sea”. Mozambican literature and the Indian ocean</b></p>      <p><b>Jessica Falconi</b></p>      <p>*Investigadora de P&oacute;s-doutoramento no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Portugal. Jessica Falconi desenvolve o projeto Categorias em viagem: para uma cartografia dos Estudos das Literaturas Africanas de L&iacute;ngua Portuguesa, financiado pela FCT. Desde 2007,  atividade docente na &aacute;rea da l&iacute;ngua portuguesa e das literaturas de l&iacute;ngua portuguesa junto da Universidade de N&aacute;poles “L’Orientale”. Tem publicado artigos em revistas internacionais, cap&iacute;tulos de livros e tradu&ccedil;&otilde;es para italiano de autores de l&iacute;ngua portuguesa. </p>      <p><a href="mailto:jessica-77@libero.it ">jessica-77@libero.it</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p>     <p>Neste ensaio prop&otilde;e-se um itiner&aacute;rio cr&iacute;tico e conceptual em torno da rela&ccedil;&atilde;o entre o mar e a literatura mo&ccedil;ambicana, a partir da an&aacute;lise de um <i>corpus</i> po&eacute;tico que se tem debru&ccedil;ado sobre a representa&ccedil;&atilde;o e o significado de um lugar emblem&aacute;tico como a <i>Ilha de Mo&ccedil;ambique</i>. A representa&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndico e da Ilha parecem adquirir os contornos de um processo de revis&atilde;o da vers&atilde;o da hist&oacute;ria constru&iacute;da pelo discurso oficial da <i>mo&ccedil;ambicanidade</i>. Para al&eacute;m disso, o Oceano &Iacute;ndico encontra na representa&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria um contraponto que o configura como paradigma epistemol&oacute;gico de alcance mais amplo, suscet&iacute;vel de possibilitar uma equa&ccedil;&atilde;o alternativa das rela&ccedil;&otilde;es entre espa&ccedil;o e identidade, bem como dos conceitos de <i>na&ccedil;&atilde;o</i>, <i>identidade </i>e, inclusive, de <i>literatura nacional</i>, proporcionando um itiner&aacute;rio cr&iacute;tico e conceptual que aponta para o vem sendo definido como <i>cultura material</i>.</p> </p>     <p><b>Palavras chave</b>: Literatura Mo&ccedil;ambicana; Ilha de Mo&ccedil;ambique; Oceano &Iacute;ndico; Mo&ccedil;ambicanidade; Cultura Material.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p>     <p>This essay proposes a critical and conceptual itinerary on the relationship between the sea and the Mozambican literature, focusing a poetic <i>corpus</i> built upon the representation and meaning of an iconic place as the <i>Island of Mozambique</i>. The representation of the Indian Ocean and the Island of Mozambique seem to represent a review process of history created by the official discourse of <i>mozambicanness.</i> Furthermore, the Indian Ocean finds in the literary representation a counterpoint to configure it as a wider epistemological paradigm that enables an alternative equation of the relation between space and identity, as well as the concepts of <i>nation</i>, <i>identity</i>, and, thus, <i>national literature,</i> providing a critical and conceptual itinerary that points to what has been defined as <i>material culture</i>.</p> </p>     <p><b>Keywords</b>: Mozambican Literature; Island of Mozambique; Indian Ocean; Mozambicanness; Material Culture.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">*</p>      <p>A primeira parte do t&iacute;tulo deste ensaio – cita&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo de um livro de poemas deVirg&iacute;lio de Lemos (2001) – pretende apontar tanto para o processo de constru&ccedil;&atilde;o de um imagin&aacute;rio liter&aacute;rio no dom&iacute;nio da literatura mo&ccedil;ambicana, quanto para o processo de configura&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico como unidade de an&aacute;lise. Para refletir sobre diferentes estrat&eacute;gias de “se fazer um mar”, pretendo, de facto, abordar alguns aspectos da constru&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio do Oceano &Iacute;ndico na literatura mo&ccedil;ambicana, &agrave; luz da mais ampla configura&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico como dom&iacute;nio de reflex&atilde;o te&oacute;rica e &aacute;rea de estudos com preocupa&ccedil;&otilde;es e caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias. Sugiro, pois, encararmos a proposta de se “fazer um mar” lan&ccedil;ada por Virg&iacute;lio de Lemos, como contraponto po&eacute;tico, e performativo, da op&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica de se abordar o Oceano &Iacute;ndico enquanto arquivo (Verg&eacute;, 2003: 246) – um arquivo cujos materiais apontariam para outras leituras e mapeamentos das modernidades ‘perif&eacute;ricas’. </p>      <p>Diversos s&atilde;o, de facto, os pontos de articula&ccedil;&atilde;o entre os ‘materiais’ da literatura mo&ccedil;ambicana, e os elementos de continuidade e ruptura que t&ecirc;m vindo a ser identificados para caracterizar o Oceano &Iacute;ndico como unidade de an&aacute;lise, encarado como uma “arena interregional de intera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e cultural” (Bose, 1998: 26). A partir de um posicionamento ainda mais inovador, Shanti Moorthy e Ashraf Jamal distanciam-se da no&ccedil;&atilde;o de “arena interregional” de Bose, propondo considerarmos o &Iacute;ndico n&atilde;o tanto um espa&ccedil;o de intera&ccedil;&atilde;o entre entidades regionais distintas, quanto uma regi&atilde;o em si, uma <i>&aacute;rea</i>, cuja heterogeneidade e hibridez seriam factores <i>a priori</i>. Este posicionamento funda-se tamb&eacute;m na inten&ccedil;&atilde;o de se questionarem as no&ccedil;&otilde;es cristalizadas de <i>&aacute;rea </i>e<i> regi&atilde;o,</i> bem como os paradigmas territoriais e continentais privilegiados pelos <i>Area Studies</i> tradicionais (Moorthy &amp; Jamal, 2010). Como &eacute; sabido, estas perspectivas encontram contrapontos importantes no dom&iacute;nio dos estudos liter&aacute;rios, cada vez mais marcados por abordagens que procuram tanto ultrapassar o foco nacional dominante, quanto, no m&iacute;nimo, articular este mesmo foco a outros poss&iacute;veis paradigmas. No caso particular dos objetos desta reflex&atilde;o – literatura mo&ccedil;ambicana e Oceano &Iacute;ndico – uma tend&ecirc;ncia de m&uacute;tua inclus&atilde;o abre caminho para articula&ccedil;&otilde;es fecundas, tendo em conta, por um lado, a insist&ecirc;ncia na inclus&atilde;o de costas e arquip&eacute;lagos africanos na arena do Oceano &Iacute;ndico<sup><a href="#1" name="top1" >[1]</a></sup>; por outro, a mais recente abertura para um enquadramento ‘&iacute;ndico’ da literatura mo&ccedil;ambicana.<sup><a href="#2" name="top2" >[2]</a></sup> </p>      <p>Como observa Hofmeyr, a prop&oacute;sito do <i>corpus</i> de conhecimentos produzido sobre o Oceano &Iacute;ndico, “recurrent rubrics are trade, capital and labour; religion (often linked to trade); pilgrimage; travel; war, colonial rule and anti-colonial movements; and port towns”, bem como as ilhas e os arquip&eacute;lagos (Hofmeyr, 2007: 8). De facto, ilhas e cidades portu&aacute;rias s&atilde;o lugares privilegiados a partir dos quais se pensar o oceano como rede, por representarem a ideia do cruzamento, no duplo significado de hibrida&ccedil;&atilde;o e travessia. Nesta perspectiva, um primeiro ponto de articula&ccedil;&atilde;o entre literatura mo&ccedil;ambicana e Oceano &Iacute;ndico, &uacute;til para se evidenciarem converg&ecirc;ncias e especificidades, &eacute; dado pela representa&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria da Ilha de Mo&ccedil;ambique. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Refiro-me a um amplo <i>corpus</i> de textos, principalmente po&eacute;ticos, escritos ao longo de um arco temporal que vai desde os finais dos anos 40 – lembremos as <i>Cinco poesias do mar &Iacute;ndico </i>publicadas em 1947 por Orlando Mendes – at&eacute; &agrave; contemporaneidade. Trata-se de textos escritos por autores diversos, entre os quais Orlando Mendes, Virg&iacute;lio de Lemos, Rui Knopfli, Gl&oacute;ria de Sant’Anna, Lu&iacute;s Carlos Patraquim, Eduardo White e, mais recentemente, Sangare Okapi, com a publica&ccedil;&atilde;o do livro de poemas intitulado <i>Mesmos Barcos</i> <i>ou Poemas de Revisita&ccedil;&atilde;o do Corpo</i> (2007). Esbo&ccedil;arei a seguir alguns aspectos destas representa&ccedil;&otilde;es, tendo em conta a variedade de escritores que se t&ecirc;m debru&ccedil;ado sobre este lugar, mas sobretudo os diferentes significados atribu&iacute;dos &agrave; Ilha. </p>      <p>Em primeiro lugar, quer durante a domina&ccedil;&atilde;o colonial, mas sobretudo depois da independ&ecirc;ncia, a representa&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica da Ilha de Mo&ccedil;ambique tem de se confrontar com um aspecto fundamental, constitutivo do imagin&aacute;rio relativo &agrave; Ilha: o seu papel de entreposto de rotas comerciais, culturais e religiosas, antes e depois da chegada dos portugueses. Este papel contribuiu para que se originassem representa&ccedil;&otilde;es distintas, e por vezes opostas da Ilha, que foram posteriormente apropriadas e recriadas por discursos diferentes. Por um lado, a Ilha como “lupanar da hist&oacute;ria” (Sopa &amp; Sa&uacute;te, 1992: 53), s&iacute;tio infernal de escravatura, e de submiss&atilde;o &agrave;s diferentes domina&ccedil;&otilde;es que por ali passaram; por outro lado, nas ant&iacute;podas, a imagem de um lugar exemplar de conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre povos e culturas, emblem&aacute;tico daquele “mundo que o portugu&ecirc;s criou” teorizado por Gilberto Freyre – imagem, essa, celebrada durante a passagem do soci&oacute;logo brasileiro por Mo&ccedil;ambique e pela Ilha, no &acirc;mbito da mais longa viagem pelas col&oacute;nias portuguesas, relatada em <i>Aventura e Rotina</i> (1953). Tais representa&ccedil;&otilde;es fazem da mem&oacute;ria da Ilha uma heran&ccedil;a problem&aacute;tica, determinando o papel controverso que este lugar ocupa no imagin&aacute;rio nacional mo&ccedil;ambicano (Chaves, 2002) ainda na contemporaneidade. &Eacute;, pois, com estas imagens da Ilha, que as representa&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas entram ora em aberta ruptura, ora em processos de negocia&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Entre elas, uma das mais marcantes &eacute; dada pelo livro de Rui Knopfli, <i>A Ilha de Pr&oacute;spero</i>, publicado em 1972 (Knopfli, 1989), onde os desdobramentos dram&aacute;ticos da voz po&eacute;tica denunciam as rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas que, durante o colonialismo, estruturaram o espa&ccedil;o pol&iacute;tico, social e urbano da ilha. O olhar de Knopfli aponta, a meu ver, menos para uma celebra&ccedil;&atilde;o euf&oacute;rica da mesti&ccedil;agem<sup><a href="#3" name="top3" >[3]</a></sup>, do que para a instabilidade / interactividade das representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias, como tentarei demostrar brevemente. De facto, a <i>Ilha de Pr&oacute;spero</i> configura-se como zona de contacto (Pratt, 1992) onde as no&ccedil;&otilde;es de autenticidade e perten&ccedil;a s&atilde;o constantemente questionadas pelas estrat&eacute;gias de negocia&ccedil;&atilde;o das identidades que se d&atilde;o no espa&ccedil;o insular poeticamente recriado. Se o t&iacute;tulo do livro (rara e singular apropria&ccedil;&atilde;o da <i>Tempestade </i>de Shakespeare em l&iacute;ngua portuguesa) aponta para uma inequ&iacute;voca rela&ccedil;&atilde;o de posse<i> – </i>A Ilha <b>de </b>Pr&oacute;spero – por outro lado, a articula&ccedil;&atilde;o dos poemas traz uma multiplicidade de discursos que estilha&ccedil;am e desestabilizam o discurso da autoridade colonial, sem contudo negar a viol&ecirc;ncia epist&eacute;mica que lhe &eacute; inerente. Um dos recursos utilizados por Knopfli &eacute; a subvers&atilde;o da l&oacute;gica das rela&ccedil;&otilde;es estruturais entre os elementos textuais, como, por exemplo, a clivagem entre t&iacute;tulo e texto, complexificada tamb&eacute;m pelos contrapontos entre poemas e fotografias. De facto, as fotografias integram activamente a constru&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o da Ilha e seus m&uacute;ltiplos sentidos, refor&ccedil;ando o efeito de desestabiliza&ccedil;&atilde;o de um olhar monol&iacute;tico. </p>      <p>No poema “Terra&ccedil;o da Miseric&oacute;rdia”, por exemplo, se o t&iacute;tulo e a fotografia convocam a arquitectura cat&oacute;lica da Ilha, o ritmo espacial<sup><a href="#4" name="top4" >[4]</a></sup> do poema desloca o edif&iacute;cio para o pano de fundo, colocando em primeiro plano a sonoridade de outras religi&otilde;es, como se pode ler nos versos seguintes: “As sombras salmodiam tristemente / vers&iacute;culos do Cor&atilde;o”; “Os l&aacute;bios ressequidos do velho patiah respondem ciciando medi&uacute;nicos o Gayatri” (Knopfli, 1989: 53). Estas sonoridades, cultural e religiosamente <i>outras</i>, s&atilde;o representadas em sua subalternidade – trata-se, de facto, de “sombras” que salmodiam “tristemente”, “ciciando”, atrav&eacute;s de l&aacute;bios “ressequidos”. Por outro lado, elas destacam no pano de fundo branco da igreja, impondo-se como presen&ccedil;a humana sobre a espacializa&ccedil;&atilde;o do poder colonial. Estrat&eacute;gias an&aacute;logas de inscri&ccedil;&atilde;o de outras narrativas, desestabilizadoras da hegemonia colonial – concretizada pela paisagem arquitect&oacute;nica da Ilha – informam outros poemas, como &eacute; o caso de “Mesquita grande”: </p>      <blockquote>Neste raso Olimpo argamassado em febre / e coral, o Deus maior sou eu. Por mais / que as pedras, os muros e as palavras afirmem /outra coisa, por mais que me abram o corpo / em forma de cruz e me submetam a &aacute;rida / voz &agrave;s doces inflex&otilde;es do cantoch&atilde;o latino,/por mais que a vontade de pequenos deuses / p&aacute;lidos e fulvos talhe em profusas l&aacute;pides / o contr&aacute;rio e a sua persist&ecirc;ncia os tenha / por Senhores, o sangue que impele estas veias / &eacute; o meu. P&oacute;rticos, frontarias, o metal / das armas e o Poder exibem na tua sigla / a arrog&acirc;ncia do conquistador. (Knopfli, 1989: 61)</blockquote>      <p>Longe de devolverem uma imagem celebrat&oacute;ria de mesti&ccedil;agem e pac&iacute;fica conviv&ecirc;ncia, os poemas de Rui Knopfli tra&ccedil;am um roteiro cr&iacute;tico no interior de um lugar marcado por desigualdades e conflitos, repercorrendo tamb&eacute;m a estrutura bipartida da Ilha – caracter&iacute;stica das cidades coloniais – dividida entre a cidade de pedra e cal, e a cidade de <i>macuti</i>. No poema “No Cremat&oacute;rio Baneane”, o cemit&eacute;rio localizado no bairro da Ponta da Ilha transforma-se num lugar de medita&ccedil;&atilde;o em torno da exist&ecirc;ncia de uma verdade universal a partir de um ponto de vista <i>outro</i>: </p>      <blockquote>Brahman e Atman, eis dois nomes apontando / &agrave; mesma verdade, porque outro e um / a mesma coisa s&atilde;o. A Verdade Universal / no primeiro, no segundo a que cada um de n&oacute;s transporta dentro de si. […] / Nachiketas, o jovem, repete a pergunta/milenar: “Na morte de um homem / dizem uns, <b>ele &eacute; </b>e outros, <b>ele n&atilde;o &eacute;. </b>/ Onde est&aacute; a verdade? (Knopfli, 1989: 57)</blockquote>      <p>Este tipo de destaque dado &agrave; cidade de macuti &eacute; revelador da diverg&ecirc;ncia que <i>A Ilha de Pr&oacute;spero </i>marca em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; narrativa dominante que celebrava a Ilha como exemplo acabado de <i>lusotropicalismo</i>, e que, na contemporaneidade, se renova, de certo modo, no apelo para a recupera&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio arquitect&oacute;nico de origem portuguesa. Segundo Caba&ccedil;o, a rejei&ccedil;&atilde;o destas narrativas est&aacute; na base da generalizada indiferen&ccedil;a perante a degrada&ccedil;&atilde;o deste patrim&oacute;nio, localizado principalmente na cidade de pedra e cal, pelo “hiato que existe entre o significado atribu&iacute;do &agrave; Ilha, por tudo aqui&shy;lo que representa a cidade de pedra e cal, e a interpreta&ccedil;&atilde;o dada por quem ha&shy;bita a cidade de macuti” (Caba&ccedil;o, 2002: 55). </p>      <p>Da cidade de pedra e cal, <i>A Ilha de Pr&oacute;spero </i>regista tamb&eacute;m o ponto de vista de quem a foi construindo, no poema “Os Pedreiros de Diu”, onde um sujeito colectivo an&oacute;nimo, cujo referente real &eacute; a m&atilde;o-de-obra indiana enviada da cidade de Diu para a col&oacute;nia de Mo&ccedil;ambique, evoca o trauma da travessia do oceano: </p>      <blockquote>C&eacute;u e mar, mar e c&eacute;u, dia ap&oacute;s dia,/ sem outro deleite que a lenta /metamorfose das nuvens, desmesurados / carcinomas devorando o azul do espa&ccedil;o./ Salobra a &aacute;gua, a ra&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima / a alguns (os mais felizes?) leva-os / a febre e a disenteria, engole-os / o verde sombrio do oceano sem fundo. (Knopfli, 1989: 83)</blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Ilha – supostamente de Pr&oacute;spero – &eacute; assim representada enquanto espa&ccedil;o de intera&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o conflituosa entre imagin&aacute;rios e discursos que a hist&oacute;ria e a geografia colocaram em contacto. </p>      <p>Por seu lado, o poeta natural da Ilha do Ibo, Virg&iacute;lio de Lemos, figura-chave do ambiente cultural mo&ccedil;ambicano das d&eacute;cadas de 50 e 60, partilha do tom celebrat&oacute;rio da mesti&ccedil;agem, dando-lhe por&eacute;m outras conota&ccedil;&otilde;es. Ao lembrar a viagem feita com Gilberto Freire &agrave; Ilha de Mo&ccedil;ambique, em depoimento posterior, Lemos assim descreve as mulheres da Ilha: “descendentes de persas, zanzibarenses, hindus, luso-goesas, swhaili-makwas, comorianas elas pr&oacute;prias triplamente mesti&ccedil;as, arabo-sudanesas, et&iacute;opes, indo-chinesas...” (Lemos, 1992: 157). Se a celebra&ccedil;&atilde;o da miscigena&ccedil;&atilde;o e da mesti&ccedil;agem, materializadas no corpo feminino, ecoa as descri&ccedil;&otilde;es de Gilberto Freyre em <i>Aventura e Rotina</i>, por outro lado ao enumerar elementos diversos, Lemos salienta outros fen&oacute;menos e processos de mistura que n&atilde;o passaram pela plasticidade do povo portugu&ecirc;s. Nesta perspectiva, e tal como afirmou Lu&iacute;s Carlos Patraquim no pref&aacute;cio ao j&aacute; referido <i>Para fazer um mar, </i>a escrita de Virg&iacute;lio de Lemos situa-se no Oceano &Iacute;ndico<sup><a href="#5" name="top5" >[5]</a></sup>, na medida em que elege os arquip&eacute;lagos mo&ccedil;ambicanos como lugares onde ‘provincianizar a Europa’, renunciar a qualquer no&ccedil;&atilde;o de autenticidade e pureza e ressaltar a multiplicidade de matrizes, rela&ccedil;&otilde;es e trocas que marcaram estes espa&ccedil;os: “kifulo-me ouamisome / iboizo-me e / sendo mil sou eu / no imp&eacute;rio dos sentidos” (Lemos, 1999: 32). </p>      <p>Julgo que o trabalho po&eacute;tico de autores como Knopfli e Virg&iacute;lio de Lemos, e suas representa&ccedil;&otilde;es do &Iacute;ndico, ressaltam &agrave; partida a complexidade da tarefa de se pensar o Oceano &Iacute;ndico a partir de Mo&ccedil;ambique e Mo&ccedil;ambique a partir do &Iacute;ndico. Se de acordo com Moorthy e Jamal (2010), a hibridez &eacute; considerada como caracter&iacute;stica <i>a priori </i>da constitui&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico, &eacute; preciso salientar, pensando a partir de Mo&ccedil;ambique, e tal como foi defendido por reflex&otilde;es influentes, que no contexto da domina&ccedil;&atilde;o colonial portuguesa, via ideologia lusotropicalista, a mesti&ccedil;agem torna-se uma ferramenta do imp&eacute;rio, um argumento de legitima&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o civilizadora, uma pr&aacute;tica de assimila&ccedil;&atilde;o, e uma narrativa da identidade nacional portuguesa (Almeida, 2000; Santos, 2002). Trata-se de uma ambival&ecirc;ncia de fundo que, a meu ver, perpassa as representa&ccedil;&otilde;es em objecto, possibilitando m&uacute;ltiplas leituras e interpreta&ccedil;&otilde;es.<sup><a href="#6" name="top6" >[6]</a></sup></p>      <p>Como estes exemplos demostram, a representa&ccedil;&atilde;o da Ilha de Mo&ccedil;ambique na poesia mo&ccedil;ambicana se constr&oacute;i na encruzilhada de ret&oacute;ricas e discursos diversos; se por um lado se trata de questionar – ou negociar com – o discurso colonial baseado na ideologia lusotropicalista, por outro lado, sobretudo a seguir &agrave; independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica de Mo&ccedil;ambique, a representa&ccedil;&atilde;o da Ilha e do &Iacute;ndico funcionam como estrat&eacute;gia de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; cristaliza&ccedil;&atilde;o de uma mo&ccedil;ambicanidade de sentido &uacute;nico. </p>      <p>A conhecida declara&ccedil;&atilde;o de Samora Machel, segundo a qual era preciso que morresse a tribo para que nascesse a na&ccedil;&atilde;o, &eacute; associada, em leituras e an&aacute;lises contempor&acirc;neas, &agrave; radicaliza&ccedil;&atilde;o do discurso e da pr&aacute;tica pol&iacute;tica p&oacute;s-III Congresso da Frelimo (1977) na luta contra ‘o tribalismo’ e as divis&otilde;es, o que originou um apagamento generalizado e sistem&aacute;tico da express&atilde;o da diferen&ccedil;a, e de outras narrativas identit&aacute;rias (Khosa, 2013; Chiziane, 2013).</p>      <p>Seguindo uma l&oacute;gica an&aacute;loga, o passado colonial, bem como os outros poss&iacute;veis passados, igualmente estruturadores de rela&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias no espa&ccedil;o mo&ccedil;ambicano, foram objecto de rasura, em prol de uma vis&atilde;o segundo a qual a na&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana e a sua hist&oacute;ria eram produtos exclusivos da luta de liberta&ccedil;&atilde;o, que se tornou a &uacute;nica “mem&oacute;ria consentida” para os mo&ccedil;ambicanos (Caba&ccedil;o, 2009; Meneses, 2012). Este processo pode ser encarado tamb&eacute;m &agrave; luz da an&aacute;lise geral de Achille Mbembe das correntes de pensamento africanas de cariz ‘democr&aacute;tico’ e ‘progressista’. De acordo com Mbembe, para esta corrente de pensamento, “la manipulation de la rh&eacute;torique de l’autonomie, de la r&eacute;sistance et de l’&eacute;mancipation sert de crit&egrave;re unique de l&eacute;gitimation du discours africain authentique” (2000 : 18). </p>      <p>O conceito de mo&ccedil;ambicanidade tal como vinha sendo interpretado a partir da releitura a posteriori do processo de liberta&ccedil;&atilde;o, articulava-se &agrave; dicotomiza&ccedil;&atilde;o acentuada entre “zonas libertadas” e “zonas do inimigo”, entendidas n&atilde;o apenas como espa&ccedil;os militares, mas tamb&eacute;m investidas de sentido pol&iacute;tico e simb&oacute;lico (Meneses, 2012: 95-96). O acesso ao espa&ccedil;o da revolu&ccedil;&atilde;o identificava-se com a assun&ccedil;&atilde;o do projecto da mo&ccedil;ambicanidade, que por sua vez, nas palavras de Caba&ccedil;o, representava um “segundo nascimento”, implicando a ideia de uma ruptura radical das estruturas relacionais tanto de cariz colonial quanto tradicional (Caba&ccedil;o, 2007:401-2). Tal forma de entender a mo&ccedil;ambicanidade traduziu-se numa radicaliza&ccedil;&atilde;o do conceito de unidade nacional, a qual se encontraria amea&ccedil;ada por qualquer inst&acirc;ncia de diferen&ccedil;a. Nesta perspectiva, as diferen&ccedil;as culturais que desde sempre marcaram Mo&ccedil;ambique vinham a ser percepcionadas como factores centr&iacute;fugos, sendo portanto consideradas como potenciais divis&otilde;es. &Eacute; evidente que esta interpreta&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de mo&ccedil;ambicanidade se traduz na institui&ccedil;&atilde;o de uma fronteira capaz de delimitar e proteger o que &eacute; tido como nacional, sendo o nacional identificado com a luta e o movimento de liberta&ccedil;&atilde;o. A referida fronteira entre zonas libertadas e zonas do inimigo acaba por operar a n&iacute;vel identit&aacute;rio produzindo as suas gram&aacute;ticas de perten&ccedil;a, e as suas l&oacute;gicas de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o, geradoras de novos centros e novos espa&ccedil;os perif&eacute;ricos. </p>      <p>Estes factores s&atilde;o cruciais, a meu ver, para um entendimento mais amplo da ruptura operada pelo aparecimento da escrita de Lu&iacute;s Carlos Patraquim, Mia Couto e, posteriormente, do grupo reunido &agrave; volta da revista <i>Charrua</i>, na medida em que a dimens&atilde;o est&eacute;tica desta ruptura, amplamente salientada pela cr&iacute;tica (Mendon&ccedil;a, 2008; Leite, 2003), se liga a posicionamentos distintos frente aos discursos prescritivos sobre o que &eacute; a identidade mo&ccedil;ambicana, e o que deveria ser a literatura que a representa.<sup><a href="#7" name="top7" >[7]</a></sup> Por outras palavras, a ruptura destas escritas n&atilde;o se traduz apenas na afirma&ccedil;&atilde;o de distintas concep&ccedil;&otilde;es da literariedade e do valor est&eacute;tico, como tamb&eacute;m, num deslocamento das fronteiras identit&aacute;rias impostas por uma mo&ccedil;ambicanidade de sentido &uacute;nico, de certo modo ainda moldada pela ideologia revolucion&aacute;ria. </p>      <p>Nesta perspectiva, a representa&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndico e da Ilha de Mo&ccedil;ambique adquirem os contornos de um processo de revis&atilde;o da vers&atilde;o da hist&oacute;ria constru&iacute;da pelo discurso oficial da mo&ccedil;ambicanidade, sendo a Ilha de Mo&ccedil;ambique um dos lugares emblem&aacute;ticos da multiplicidade de narrativas do passado e do presente. N&atilde;o ser&aacute; uma casualidade, ent&atilde;o, a clara alus&atilde;o ao Oceano &Iacute;ndico que marca o primeiro livro de poemas de Lu&iacute;s Carlos Patraquim, publicado com o t&iacute;tulo de <i>Mon&ccedil;&atilde;o</i> em 1980 – o mesmo ano da publica&ccedil;&atilde;o do terceiro volume de <i>Poesia de Combate</i> da Frelimo. De acordo com Pearson, as mon&ccedil;&otilde;es s&atilde;o elementos que participam da estrutura profunda da constitui&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico (2003), pelo que a op&ccedil;&atilde;o de Patraquim e a sua proposta est&eacute;tica indicam assumir a dimens&atilde;o &iacute;ndica como eixo estruturador da reflex&atilde;o po&eacute;tico-identit&aacute;ria, sendo a Ilha de Mo&ccedil;ambique e o Oceano &Iacute;ndico escolhidos como ‘lugares’ matriciais: “Porque ao princ&iacute;pio era o mar e a Ilha. (…) Nomes sobre nomes. L&iacute;ngua de l&iacute;nguas em Macua matriciadas” (1992: 42). Trata-se, por&eacute;m, de lugares de uma origem ficcionada que questionam o la&ccedil;o entre sangue e territ&oacute;rio tradicionalmente invocado nas defini&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias, apelando mais para “la possibilit&eacute; d’ancestralit&eacute;s multiplex” (Mbembe, 2000: 29) do que para uma origem de sentido &uacute;nico, ou para uma hibridez problem&aacute;tica. Na escrita de Patraquim, a Ilha &eacute; o lugar escolhido a partir do qual interrogar as narrativas hist&oacute;ricas e identit&aacute;rias produzidas pelos poderes pol&iacute;ticos, numa tentativa de fuga &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o da identidade individual operada pela ideologia dominante: “N&atilde;o me digam nada. Esque&ccedil;am-me, an&oacute;nimo, sem hist&oacute;ria, aqui peixe emerso, cardume denso fazendo-me no dia-a-dia imperativo dos meus pl&acirc;nctons ingl&oacute;rios. (…) Porque aqui me esque&ccedil;o do que me querem. Da hist&oacute;ria que me fizeram e fui” (1992: 43-45).</p>      <p>Na cr&oacute;nica “Mapeamento On&iacute;rico para a Descoberta da ‘Rua do Fogo’” Patraquim evoca o patrim&oacute;nio de lendas e cantares da Ilha de Mo&ccedil;ambique, ficcionando um itiner&aacute;rio &agrave; procura da lend&aacute;ria <i>orua ti fogo</i>, mencionada num cantar popular em l&iacute;ngua emakua. A vers&atilde;o livre do cantar em l&iacute;ngua portuguesa, &eacute; mais um exemplo da representa&ccedil;&atilde;o da Ilha como zona de contacto, na medida em que a Rua do Fogo<sup><a href="#8" name="top8" >[8]</a></sup>, sendo elemento de uma toponom&aacute;stica popular e subalterna, pois nunca completamente represent&aacute;vel na nomea&ccedil;&atilde;o oficial, se trasforma num lugar de negocia&ccedil;&atilde;o, de obl&iacute;qua resist&ecirc;ncia e agenciamento na zona de contacto: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>  <i>De longe esta ilha parece pequena</i>    <br>     De longe esta Ilha parece pequena /Esta Ilha &eacute; grande ./Tem longa hist&oacute;ria desde os habitantes aos seus monumentos / N&atilde;o nos &eacute; poss&iacute;vel contar-vos tudo quanto temos / Pois h&aacute; outros que querem tamb&eacute;m falar-vos /Se ainda quereis ouvir algos nossos / ficais muito tempo nesta Ilha./ Assim mostrar-vos-iam a rua de fogo / onde v&oacute;s nunca chegastes. (Sopa &amp; Sa&uacute;te, 1992: 49)      </blockquote>      <p>O deslocamento das fronteiras identit&aacute;rias contido na proposta po&eacute;tica de Patraquim &eacute; partilhado por Eduardo White, que se inscreve nesta tradi&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica &iacute;ndica com livros como <i>Amar sobre o &Iacute;ndico </i>(1984), mas sobretudo com <i>Os</i> <i>Materiais do Amor </i>(1996) e <i>Janela para Oriente </i>(1998), onde o sujeito da enuncia&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica constr&oacute;i m&uacute;ltiplas topografias do &Iacute;ndico que podemos ler &agrave; luz de outra no&ccedil;&atilde;o central nos estudos sobre o Oceano &Iacute;ndico – a no&ccedil;&atilde;o de <i>ressaca.</i> Se Pearson utiliza a no&ccedil;&atilde;o e a imagem da ressaca para conceptualizar a interdepend&ecirc;ncia entre mar e terra na constitui&ccedil;&atilde;o das sociedades costeiras (2006), na poesia de Eduardo White esta no&ccedil;&atilde;o adquire m&uacute;ltiplos alcances, na medida em que a desloca&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica e identit&aacute;ria para o &Iacute;ndico articula um duplo movimento de incorpora&ccedil;&atilde;o de outros imagin&aacute;rios no interior das fronteiras nacionais, e de projec&ccedil;&atilde;o da mo&ccedil;ambicanidade para fora destas mesmas fronteiras. Ou, por outras palavras, a interdepend&ecirc;ncia identit&aacute;ria que a poesia estabelece entre o espa&ccedil;o nacional e o espa&ccedil;o do &Iacute;ndico.</p>      <p>Nas ondas deste duplo movimento, retomarei duas afirma&ccedil;&otilde;es do historiador Sugata Bose, que me parecem cruciais para uma s&iacute;ntese dos t&oacute;picos que abordei. A primeira diz respeito &agrave; profunda liga&ccedil;&atilde;o que existe entre a hist&oacute;ria do Oceano &Iacute;ndico enquanto arena inter-regional e a sua poesia, liga&ccedil;&atilde;o esta que, na abordagem de Bose, passa pelo desenvolvimento dos diversos nacionalismos do &Iacute;ndico, e da configura&ccedil;&atilde;o de universalismos alternativos como tra&ccedil;os distintivos de uma po&eacute;tica polif&oacute;nica, transnacional e translingu&iacute;stica. Um dos caminhos para pensarmos esta liga&ccedil;&atilde;o noutra escala, a partir de Mo&ccedil;ambique e a partir da ruptura epist&eacute;mica que se vai construindo ao longo da primeira metade do s&eacute;culo XX e que desembocar&aacute; num anticolonialismo plurifacetado e marcado por contradi&ccedil;&otilde;es e conflitos, &eacute; o caminho de uma certa imagina&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica da na&ccedil;&atilde;o, ora euf&oacute;rica, ora disf&oacute;rica, levada a cabo pela poesia mo&ccedil;ambicana que convoca a Ilha de Mo&ccedil;ambique como lugar de articula&ccedil;&atilde;o de um discurso identit&aacute;rio complexo. Trata-se, portanto, de um dos itiner&aacute;rios que poder&atilde;o confluir na configura&ccedil;&atilde;o das po&eacute;ticas do &Iacute;ndico.</p>      <p>A segunda afirma&ccedil;&atilde;o de Bose diz respeito &agrave; necessidade de um deslocamento epistemol&oacute;gico fundamental para a conceptualiza&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico como unidade de an&aacute;lise, ou seja, a ren&uacute;ncia a se fixarem os limites espaciais desta arena inter-regional, j&aacute; que margens e fronteiras deveriam ser pensadas menos como no&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas do que como categorias relacionais. </p>      <p>As afirma&ccedil;&otilde;es de Bose s&atilde;o cruciais para equacionarmos o lugar geogr&aacute;fico e epist&eacute;mico que abordei, na medida em que a representa&ccedil;&atilde;o da Ilha de Mo&ccedil;ambique e do Oceano &Iacute;ndico na poesia mo&ccedil;ambicana n&atilde;o se reduz nem a um motivo liter&aacute;rio, nem a uma configura&ccedil;&atilde;o meton&iacute;mica da na&ccedil;&atilde;o <b>ou</b> do &Iacute;ndico, mas ao funcionar como sin&eacute;doque articulada de ambos estes espa&ccedil;os, configura uma proposta que assume a dimens&atilde;o relacional, a transnacionalidade e a indicidade como elementos constitutivos de uma ‘mo&ccedil;ambicanidade’ n&atilde;o essencialista, menos fundada na integra&ccedil;&atilde;o de elementos identit&aacute;rios distintos do que na constante mobilidade das rela&ccedil;&otilde;es entre estes elementos. Significante, como j&aacute; referi, de uma zona de contacto. Por outras palavras, para al&eacute;m de funcionar como refer&ecirc;ncia geogr&aacute;fica e cultural, e como componente identit&aacute;ria reinventada pelo imagin&aacute;rio liter&aacute;rio, o Oceano &Iacute;ndico, tal como vem sendo conceptualizado pela an&aacute;lise te&oacute;rica, encontra na representa&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria um contraponto que o configura como paradigma epistemol&oacute;gico de alcance mais amplo, suscet&iacute;vel de possibilitar outra equa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre espa&ccedil;o e identidade, bem como dos conceitos de <i>na&ccedil;&atilde;o</i>, <i>identidade nacional</i> e, inclusive, de <i>literatura nacional</i>. </p>      <p>Relativamente &agrave; este &uacute;ltimo conceito e t&oacute;pico, o <i>corpus</i> que abordei cont&eacute;m sinais evidentes que solicitam propostas metodol&oacute;gicas capazes de abrir caminho para se pensar tanto a literatura mo&ccedil;ambicana a partir do &Iacute;ndico, como para se pensar as literaturas do &Iacute;ndico tamb&eacute;m a partir de Mo&ccedil;ambique e da sua literatura. Sinais estes, que a publica&ccedil;&atilde;o de narrativas de fic&ccedil;&atilde;o, como <i>Terra Son&acirc;mbula</i> (1992) e <i>O Outro P&eacute; da Sereia </i>(2007) de Mia Couto, <i>&Iacute;ndicos Ind&iacute;cios</i> (2005) de Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho, entre outras, v&ecirc;m declinar a partir de outras vis&otilde;es e linguagens. De modo especial, se os <i>&Iacute;ndicos Ind&iacute;cios</i> v&ecirc;m desafiar um argumento comum de que apenas o Norte de Mo&ccedil;ambique se inscreve nos circuitos do &Iacute;ndico, por outro lado uma quest&atilde;o que permanece em aberto diz respeito ao facto de o Norte, e a sua representa&ccedil;&atilde;o, continuarem a funcionar como elemento e registo de um ex&oacute;tico interno (Martins, 2009), sendo, de facto, o Norte menos lugar de enuncia&ccedil;&atilde;o do que lugar enunciado, lido e pensado na maioria das vezes a partir de outros lugares.</p>      <p>Uma outra quest&atilde;o diz respeito &agrave;s ferramentas concretas de constru&ccedil;&atilde;o quer de um imagin&aacute;rio, quer de um paradigma liter&aacute;rio do &Iacute;ndico a partir de Mo&ccedil;ambique. Ou seja, por um lado, &eacute; preciso alargar a an&aacute;lise para a multiplicidade de recursos que a poesia e outras formas de escrita liter&aacute;ria utilizam ‘para fazer’ o &Iacute;ndico. Por outro lado, cabe-nos pensar em ferramentas cr&iacute;ticas simultaneamente transversais e situadas, que favore&ccedil;am uma dimens&atilde;o translingu&iacute;stica, no intuito de n&oacute;s tamb&eacute;m, leitores e estudiosos destas literaturas, ‘fazermos’ este mar. </p>      <p>Tentando articular estas perspectivas, uma hip&oacute;tese de pesquisa em ambas as dire&ccedil;&otilde;es surge da percep&ccedil;&atilde;o do evidente e, at&eacute; &oacute;bvio, recurso, na poesia mo&ccedil;ambicana, &agrave; dimens&atilde;o material das culturas do &Iacute;ndico<i>.</i> Objectos, especiarias, ess&ecirc;ncias, panos, joias, pedras preciosas, madeiras e embarca&ccedil;&otilde;es, bem como os lugares de produ&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o e troca, tais como portos, bazares, feiras, ou lojas, marcam a textura &iacute;ndica da poesia mo&ccedil;ambicana, dando lugar, por exemplo, a poemas que reinventam receitas (Leite, 2006), ou que atrav&eacute;s de procedimentos de acumula&ccedil;&atilde;o de ‘ingredientes’ culturais e identit&aacute;rios distintos, conectam a culin&aacute;ria, o consumo de alimentos e bebidas, o uso de objectos do quotidiano que remetem para os antigos e modernos circuitos do Indico, &agrave; representa&ccedil;&atilde;o da identidade, como no caso da poesia de Eduardo White. Penso tamb&eacute;m em poemas constru&iacute;dos em torno de l&eacute;xicos t&eacute;cnicos da navega&ccedil;&atilde;o – a caravela e o pangaio – da ourivesaria, da produ&ccedil;&atilde;o de t&ecirc;xteis, evocando sistemas de conhecimentos distintos, que entram em conflito ou em pol&iacute;ticas de colabora&ccedil;&atilde;o, caracter&iacute;sticas das zonas de contacto. No contexto da enuncia&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica, trata-se, a meu ver, de um recurso suscet&iacute;vel de entrar em rela&ccedil;&otilde;es ora de rutura, ora de negocia&ccedil;&atilde;o com arquivos liter&aacute;rios, intelectuais e epistemol&oacute;gicos diversos, tais como o arquivo colonial e as tradi&ccedil;&otilde;es dos saberes orientalistas e africanistas; as tradi&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas modernistas e p&oacute;s-modernas da colec&ccedil;&atilde;o, do cat&aacute;logo ou at&eacute; do museu; as po&eacute;ticas do quotidiano e das formas concretas; a escrita etnogr&aacute;fica, ou ainda as po&eacute;ticas globais da celebra&ccedil;&atilde;o do ex&oacute;tico e da diferen&ccedil;a. </p>      <p>Por outro lado, elementos materiais como a comida, ou outros tipos de objectos, funcionam como suportes concretos de projec&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es de cariz social, cultural e identit&aacute;rio (Meneses, 2009), configurando, ao mesmo tempo, geografias e circuitos globais. A este prop&oacute;sito, como afirma Akhil Gupta: “a gastronomia proporciona-nos uma perspectiva &iacute;ntima sobre o modo como as pessoas constroem hierarquias de classe, identidades &eacute;tnicas, diferen&ccedil;as de g&eacute;nero, fronteiras religiosas e distin&ccedil;&otilde;es entre o sagrado e o profano” (Gupta, 2006: 212). Para Gupta, a circula&ccedil;&atilde;o das especiarias e de outras mercadorias, e sobretudo, as constantes negocia&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias que dela resultaram constroem a paisagem de uma globaliza&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica ainda por contar. No caso de Mo&ccedil;ambique, Meneses insiste na import&acirc;ncia da mobiliza&ccedil;&atilde;o e activa&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria sensorial como forma criativa de negociar a rela&ccedil;&atilde;o entre passado e presente e de fornecer representa&ccedil;&otilde;es diversificadas do pa&iacute;s (Meneses, 2009). Neste sentido, a dimens&atilde;o material da cultura conecta objectos, meios e m&eacute;todos de produ&ccedil;&atilde;o e consumo e as configura&ccedil;&otilde;es e reconfigura&ccedil;&otilde;es das identidades: as trocas e os consumos nas suas dimens&otilde;es materiais e simb&oacute;licas e as rela&ccedil;&otilde;es sociais que lhe est&atilde;o subjacentes. Se, como afirma Miguel Vale de Almeida, o corpo &eacute; uma interface privilegiada de natureza e sociedade (Almeida, 2004), a cultura material, por sua vez, &eacute; suscet&iacute;vel de funcionar como interface m&uacute;ltipla entre corpo, natureza e sociedade, veiculando as m&uacute;tuas transforma&ccedil;&otilde;es e incorpora&ccedil;&otilde;es. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ser&aacute; poss&iacute;vel mapear a representa&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria das multifacetadas culturas materiais do &Iacute;ndico como forma de apreendermos o modo como a literatura reinventa as negocia&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias, tornando por vezes os lugares da produ&ccedil;&atilde;o ou os pr&oacute;prios actos de consumo como dimens&otilde;es de criatividade (Miller, 2007)? Penso, por exemplo, no conto “O pano encantado” de Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho (2005), onde a alfaiataria, lugar de conflito entre distintas viv&ecirc;ncias da religi&atilde;o isl&acirc;mica, se torna tamb&eacute;m um lugar de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e de agenciamento, em que a narrativa subalterna da personagem de Jamal ser&aacute; inscrita apenas no objecto, ou seja, no pano encantado, sugerindo a ambiguidade das fronteiras entre arte e t&eacute;cnica, entre material e imaterial. Poder&atilde;o as v&aacute;rias declina&ccedil;&otilde;es da materialidade da cultura tornar-se numa ferramenta cr&iacute;tica situada e transversal para a compara&ccedil;&atilde;o das literaturas do &Iacute;ndico? </p>      <p>Uma das poss&iacute;veis objec&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o surgir em rela&ccedil;&atilde;o a este tipo de abordagem, sobretudo a partir de posicionamentos dos estudos liter&aacute;rios africanos tem a ver com o argumento comum e fundamentado de que as literaturas africanas sempre sofreram de uma leitura de cariz antropol&oacute;gico, em detrimento dos aspectos est&eacute;ticos, consideradas como produtos de informantes nativos privilegiados. Ser&aacute; uma leitura orientada pela no&ccedil;&atilde;o de cultura material uma forma renovada de ler o antropol&oacute;gico no po&eacute;tico, ou n&atilde;o ser&aacute; pelo contr&aacute;rio, uma forma poss&iacute;vel de <i>extrair</i> o po&eacute;tico do antropol&oacute;gico?</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Almeida, Miguel Vale de (2004), “O Manifesto do Corpo”, <i>Revista Manifesto 5</i>, 17-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S0807-8967201300030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (2000), <i>Um Mar da Cor da Terra. “Ra&ccedil;a”, Cultura e Pol&iacute;tica da Identidade</i>. Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000059&pid=S0807-8967201300030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Basto, Maria-Benedita (2006), <i>A guerra das escritas: literatura, na&ccedil;&atilde;o e teoria p&oacute;s-colonial em Mo&ccedil;ambique</i>. Lisboa: Vendaval.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S0807-8967201300030000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bose, Sugata (2006), <i>A Hundred Horizons: The Indian Ocean in an age of Global Imperialism</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S0807-8967201300030000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>––––, (1998), “Estado, economia e cultura na orla do &Iacute;ndico: teoria e hist&oacute;ria”, <i>Oceanos</i> <i>3</i>, 25-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0807-8967201300030000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Brookshaw, David (2008), “Indianos e o &Iacute;ndico: o p&oacute;s-colonialismo transoce&acirc;nico e internacional em <i>O Outro P&eacute; da Sereia</i> de Mia Couto”, in Margarida Calafate Ribeiro &amp; Maria Paula Meneses (orgs.), <i>Mo&ccedil;ambique: das palavras escritas</i>. Porto: Afrontamento, 129-139.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0807-8967201300030000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Brugioni, Elena (2013), “Contiguidades Amb&iacute;guas: Cr&iacute;tica P&oacute;s-Colonial e Literaturas Africanas”, in Ana Mafalda Leite, Rita Chaves &amp; Livia Apa (orgs.), <i>Na&ccedil;&atilde;o e Narrativa P&oacute;s-Colonial</i>. Lisboa: Colibri, 379-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0807-8967201300030000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Caba&ccedil;o, Jos&eacute; Lu&iacute;s (2009), <i>Mo&ccedil;ambique: Identidade, Colonialismo e Liberta&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0807-8967201300030000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>––––, (2002) “A Ilha cheia de hist&oacute;rias”, <i>Metamorfoses</i>, 3, 45-57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0807-8967201300030000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Chaves, Rita (2002), “Entre as palavras e o sil&ecirc;ncio”, <i>Metamorfoses, </i>3, 93-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0807-8967201300030000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Chaudhuri, Kirti Narayan (1990) <i>Asia before Europe: Economy and Civilization of the Indian Ocean from the rise of Islam to 1750</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0807-8967201300030000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Chiziane, Paulina (2013), “Paulina Chiziane” in Ana Mafalda Leite, Sheila Khan, Jessica Falconi &amp; Kamila Krakowska (orgs.), <i>Na&ccedil;&atilde;o e Narrativa P&oacute;s-colonial II – Angola e Mo&ccedil;ambique. Entrevistas</i>. Lisboa: Colibri, 183-200.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0807-8967201300030000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Coelho, Jo&atilde;o Paulo Borges (2005), <i>&Iacute;ndicos ind&iacute;cios – Setentri&atilde;o</i>. Lisboa: Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0807-8967201300030000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Falconi, Jessica (2008), <i>Utopia e conflittualit&agrave;. Ilha de Mo&ccedil;ambique nella poesia mozambicana contemporanea</i>. Roma, Aracne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0807-8967201300030000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Gardini, Nicola (2007), <i>Com’&egrave; fatta una poesia</i>. Milano: Sironi Editore.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0807-8967201300030000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gupta, Akhil (2006), “Movimenta&ccedil;&otilde;es globais das colheitas desde a ‘era das descobertas’ e transforma&ccedil;&otilde;es das culturas gastron&oacute;micas”, in Manuela Ribeiro Sanches (org.) <i>Portugal n&atilde;o &eacute; um Pa&iacute;s Pequeno</i>. Lisboa: Cotovia, 193-213.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0807-8967201300030000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hofmeyr, Isabel (2007), “The Black Atlantic Meets the Indian Ocean: Forging New Paradigms of Transnationalism for the Global South – Literary and Cultural Perspective”, <i>Social Dynamics: A Journal of African Studies</i>, 33:2, 3-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0807-8967201300030000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Khosa, Ungulani Ba Ka (2013) “Ungulani Ba Ka Khosa”, in Ana Mafalda Leite, Sheila Khan, Jessica Falconi e Kamila Krakowska (orgs.), <i>Na&ccedil;&atilde;o e Narrativa P&oacute;s-colonial II – Angola e Mo&ccedil;ambique. Entrevistas</i>. Lisboa: Colibri, 201-215.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0807-8967201300030000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Knopfli, Rui (1989), <i>A Ilha de Pr&oacute;spero. Roteiro privado da Ilha de Mo&ccedil;ambique</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0807-8967201300030000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Leite, Ana Mafalda (2003), <i>Literaturas africanas e formula&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-coloniais</i>. Lisboa: Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0807-8967201300030000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Lemos, Virg&iacute;lio de (2001), <i>Para Fazer um Mar</i>. Lisboa: Instituto Cam&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0807-8967201300030000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1999), <i>A L&iacute;ngua &eacute; o Ex&iacute;lio do que Sonhas</i>. Maputo: Associa&ccedil;&atilde;o Mo&ccedil;ambicana da L&iacute;ngua Portuguesa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0807-8967201300030000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1992), “Mulheres pardas, azuladas ou roxas, ou do creolismo &agrave; vol&uacute;pia, uma identidade que se busca na modernidade”, in Matteo Angius &amp; Mario Zamponi (orgs.), <i>Ilha de Mo&ccedil;ambique – Incontro di popoli e culture</i>. San Marino: AIEP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0807-8967201300030000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Martins, Ana Margarida (2009), <i>The Postcolonial Exotic in the work of Paulina Chiziane and L&iacute;dia Jorge</i>, PhD Thesis, University of Manchester.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0807-8967201300030000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Mbembe, Achille (2000), “&Agrave; propos des &eacute;critures africaines de soi”, <i>Politique Africaine 77</i>, 16-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0807-8967201300030000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mendon&ccedil;a, F&aacute;tima (2008), “Literaturas emergentes: identidades e c&acirc;nones”, in Margarida Calafate Ribeiro &amp; Maria Paula Meneses (orgs.) <i>Mo&ccedil;ambique: das palavras escritas</i>. Porto: Afrontamento, 19-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0807-8967201300030000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Meneses, Maria Paula (2012), “Uma perspectiva cosmopolita sobre os estudos africanos: a lembran&ccedil;a e a marca de Aquino de Bragan&ccedil;a”, in Teresa Cruz e Silva, Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho &amp; Am&eacute;lia Neves e Souto (orgs.), <i>Como fazer ci&ecirc;ncias sociais e humanas em &Aacute;frica. Quest&otilde;es epistemol&oacute;gicas, metodol&oacute;gicas, te&oacute;ricas e pol&iacute;ticas. </i>CODESRIA. pp. 85-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0807-8967201300030000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (2009), “Food, Recipes and Commodities of Empires: Mozambique in the Indian Ocean Network”, <i>Oficina do CES 335</i>, 1-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0807-8967201300030000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Miller, Daniel (2007), “Consumo como cultura material”, <i>Horizontes antropol&oacute;gicos 28</i>, 33-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0807-8967201300030000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Moorthy, Shanti &amp; Jamal, Ashraf (2010), <i>Indian Ocean Studies. Cultural, Social and Political Perspectives</i>. London &amp; New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0807-8967201300030000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Noa, Francisco (2012), <i>O Oceano &Iacute;ndico e as rotas da transnacionalidade na poesia mo&ccedil;ambicana</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://cesab.edu.mz/wp-content/uploads/2012/10/OceanoIndicoTransnacionalidaPoesiaMocambicana-2012.pdf" target="_blank">http://cesab.edu.mz/wp-content/uploads/2012/10/OceanoIndicoTransnacionalidaPoesiaMocambicana-2012.pdf</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0807-8967201300030000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Okapi, Sangare (2007), <i>Mesmos Barcos ou Poemas de Revisita&ccedil;&atilde;o do Corpo</i>. Maputo: AEMO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0807-8967201300030000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Patraquim, L. C. (2001), “O senhor das ilhas”in Virg&iacute;lio de Lemos, <i>Para Fazer um Mar</i>. Lisboa: Instituto Cam&otilde;es, 7-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0807-8967201300030000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1996), “Mapeamento On&iacute;rico para a Descoberta da Rua do Fogo”, <i>Oceanos 25</i>, 82-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0807-8967201300030000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1992), <i>Vinte e tal novas formula&ccedil;&otilde;es e uma elegia carn&iacute;vora</i>. Linda-a-Velha: ALAC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0807-8967201300030000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1980), <i>Mon&ccedil;&atilde;o</i>. Maputo: INLD.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0807-8967201300030000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pearson, Micheal N. (2006), “Littoral Society: The Concept and the Problems”, <i>Journal of World History 17(4)</i>, 353-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0807-8967201300030000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (2003), <i>The Indian Ocean (Seas in History)</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0807-8967201300030000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pratt, Mary Louise (1992), <i>Imperial Eyes: Travel Writing and Transculturation</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0807-8967201300030000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Santos, Boaventura de Sousa (2002), “Entre Pr&oacute;spero e Caliban: colonialismo, p&oacute;s-colonialismo e inter-identidade, in Maria Irene Ramalho &amp; Ant&oacute;nio Sousa Ribeiro (orgs.), <i>Entre ser e estar. Ra&iacute;zes, percursos e discursos da identidade</i>. Porto: Afrontamento, 23-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0807-8967201300030000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Secco, Carmen L&uacute;cia Tind&oacute; Ribeiro (2006), “Entre sonhos e mem&oacute;rias: trilhas da poesia mo&ccedil;ambicana”, <i>Poesia Sempre</i> 23, 229-249.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0807-8967201300030000600041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Sopa, Ant&oacute;nio &amp; Sa&uacute;te, Nelson (1999), <i>A Ilha de Mo&ccedil;ambique pela voz dos poetas</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0807-8967201300030000600042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Verg&eacute;, Fran&ccedil;oise (2003), “Writing on Water: Peripheries, Flows, Capital, and Struggles in the Indian Ocean”. <i>Positions: East Asia Cultures Critique</i> 11 (1): 241–57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0807-8967201300030000600043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>White, Eduardo (1998), <i>Janela para Oriente</i>. Lisboa: Caminho,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0807-8967201300030000600044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1996), <i>Os Materiais do Amor</i>. Lisboa: Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0807-8967201300030000600045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1984), <i>Amar sobre o &Iacute;ndico</i>. Maputo: AEMO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0807-8967201300030000600046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(a autora segue a antiga ortografia)</p>      <p>[Recebido em 22 de agosto de 2013 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 24 de setembro de 2013]</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top1" name="1" >[1]</a></sup> Contra o argumento de Chaudhuri (1990) que marginaliza a costa africana oriental na configura&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico, veja-se Bose (1998 e 2006); Pearson (2003) e Moorthy &amp; Jamal (2010).</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2" >[2]</a></sup> Sobre este aspecto, veja-se: Leite, 2003; Falconi, 2008; Brookshaw, 2008; Mendon&ccedil;a, 2012; Noa, 2012; Brugioni, 2013.</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3" >[3]</a></sup> Discordo, neste aspecto, com a leitura de Noa (2012). </p>      <p><sup><a href="#top4" name="4" >[4]</a></sup> Para uma defini&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de ritmo espacial em poesia, veja-se Gardini, 2007. </p>      <p><sup><a href="#top5" name="5" >[5]</a></sup> De certo modo antecipando os recentes enquadramentos da literatura mo&ccedil;ambicana no paradigma do Oceano &Iacute;ndico, Patraquim situa Virg&iacute;lio de Lemos entre os poetas do &Iacute;ndico, definindo o oceano como “um arquip&eacute;lago charneira que inclui as Seychelles, Maur&iacute;cias, Reuni&atilde;o, Qu&eacute;nia, Tanz&acirc;nia, Mo&ccedil;ambique, numa constela&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica de matriz particular, desamarrando-se dos ‘centros’ e exprimindo uma saga pr&oacute;pria no (des)encontro de v&aacute;rias civiliza&ccedil;&otilde;es: bantu, europeia, &aacute;rabe, javanesa, indiana. De esses nomes que desconhecemos sobressaem os dos poetas malgaxes Jean-Joseph Rab&eacute;arivelo, Jacques Rabemanajara e Flavien Ranaivo mas tamb&eacute;m o mauriciano Edouard Maunick, tantos outros” (Patraquim, 2001: 9).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6" >[6]</a></sup> Analogamente, e a n&iacute;vel mais geral, ser&aacute; preciso equacionar diversos elementos que marcam a complexidade da articula&ccedil;&atilde;o entre Oceano &Iacute;ndico e literatura mo&ccedil;ambicana, configurando uma esp&eacute;cie de zona de interditos. Penso, por exemplo, na ambival&ecirc;ncia dos imagin&aacute;rios mar&iacute;timos, t&atilde;o caros &agrave; cultura portuguesa; na origem europeia de escritores mo&ccedil;ambicanos que abordam o &Iacute;ndico; na procura de uma vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; terra que desde sempre caracteriza a recep&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica das literaturas africanas.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7" >[7]</a></sup> Para uma an&aacute;lise aprofundada da literatura em Mo&ccedil;ambique na d&eacute;cada de 80 veja-se, por exemplo, Basto, 2006; Secco, 2006.</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8" >[8]</a></sup> Actualmente, para muitos habitantes da Ilha, a rua do fogo identifica-se com a antiga linha poderosa e imagin&aacute;ria que dividia a cidade de pedra e cal da cidade de macuti.</p>       ]]></body><back>
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