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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Contributo para o estudo sincrónico dos marcadores discursivos ‘quer dizer’, ‘ou seja’ e ‘isto é’ no português europeu contemporâneo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The discourse markers ‘quer dizer’, ‘ou seja’ and ‘isto é’ in european contemporary portuguese]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra Faculdade de Letras Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to describe the role of the discourse markers ‘quer dizer’, ‘ou seja’ and ‘isto é’ in European contemporary Portuguese. It is a corpus-based research: the data were collected from the oral and the written sub-corpora of the “Corpus de Referência do Português Contemporâneo” (Reference Corpus of contemporary Portuguese). The research attempts to answer the following questions: (i) are the three discourse markers interchangeable in all contexts? (ii) besides their reformulative function, are there other values that can be signaled by the three markers?]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[marcadores discursivos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Contributo para o estudo sincr&oacute;nico dos marcadores discursivos &#8216;quer dizer&#8217;, &#8216;ou seja&#8217; e &#8216;isto  &eacute;&#8217; no portugu&ecirc;s europeu contempor&acirc;neo</b></p>      <p><b>The discourse markers &#8216;quer dizer&#8217;, &#8216;ou seja&#8217; and &#8216;isto &eacute;&#8217; in european contemporary portuguese: a contribution to their synchronic study</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ana Cristina Mac&aacute;rio Lopes*</b></p>      <p>*CELGA / Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal</p>      <p><a href="mailto:acmlopes@fl.uc.pt">acmlopes@fl.uc.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>      <p>O objetivo deste estudo &eacute; descrever as fun&ccedil;&otilde;es que os marcadores discursivos &#8216;quer dizer&#8217;, &#8216;ou seja&#8217; e  &#8216;isto &eacute;&#8217; assumem no Portugu&ecirc;s europeu contempor&acirc;neo, a partir de dados reais recolhidos no Corpus de Refer&ecirc;ncia do  Portugu&ecirc;s  Contempor&acirc;neo (sub-corpus oral e sub-corpus escrito). As perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o que guiam o estudo s&atilde;o as  seguintes: (i) os tr&ecirc;s  marcadores s&atilde;o intersubstitu&iacute;veis em todos os contextos? (ii) para al&eacute;m da fun&ccedil;&atilde;o discursiva de marca&ccedil;&atilde;o de  reformula&ccedil;&atilde;o, h&aacute; outros valores que podem ser sinalizados pelos tr&ecirc;s marcadores em apre&ccedil;o?</p>      <p><b>Palavras chave</b>: marcadores discursivos, reformula&ccedil;&atilde;o, polifuncionalidade.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>      <p>This paper aims to describe the role of the discourse markers &#8216;quer dizer&#8217;, &#8216;ou seja&#8217; and &#8216;isto &eacute;&#8217; in  European contemporary Portuguese. It is a corpus-based research: the data were collected from the oral and the written sub-corpora of the  &#8220;Corpus de Refer&ecirc;ncia do  Portugu&ecirc;s  Contempor&acirc;neo&#8221; (Reference Corpus of contemporary Portuguese). The research attempts to answer the following questions: (i) are the  three discourse markers interchangeable in all contexts? (ii) besides their reformulative function, are there other values that can be signaled by  the three markers?</p>      <p><b>Keywords</b>: discourse markers, reformulation, polyfunctionality.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Neste artigo, assume-se que os marcadores discursivos (doravante, MDs) s&atilde;o express&otilde;es lingu&iacute;sticas que requerem descri&ccedil;&otilde;es e explica&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas, dado que operam ao n&iacute;vel discursivo, permitindo uma gest&atilde;o conjunta e coordenada da interac&ccedil;&atilde;o verbal ou guiando os interlocutores na articula&ccedil;&atilde;o sequencial de segmentos textuais, a diferentes n&iacute;veis da estrutura discursiva. Assume-se, ainda, que a express&atilde;o MD funciona como um hiper&oacute;nimo, tendo como seus hip&oacute;nimos os conectores discursivos (express&otilde;es que tipicamente sinalizam distintas rela&ccedil;&otilde;es discursivas entre enunciados), as express&otilde;es que inscrevem no discurso o universo de expectativas do falante e as suas atitudes, e os marcadores interativos que regulam a din&acirc;mica conversacional e a gest&atilde;o harmoniosa das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais.<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup></p>      <p>Os tr&ecirc;s marcadores que este estudo se prop&otilde;e abordar t&ecirc;m um denominador comum: todos eles s&atilde;o conectores que permitem sinalizar uma reformula&ccedil;&atilde;o. Assim, todos eles veiculam um significado de natureza procedimental, pois codificam uma instru&ccedil;&atilde;o sobre como integrar o segmento que introduzem numa representa&ccedil;&atilde;o mental coerente do discurso, guiando, por conseguinte, o processo interpretativo. Parece-nos poss&iacute;vel circunscrever o &#8220;core meaning&#8221; dos tr&ecirc;s conectores da seguinte forma: &#8216;interprete o que se segue como uma melhor formula&ccedil;&atilde;o do que acabou de ser dito&#8217;.<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> Mas h&aacute; ainda outras propriedades que todos eles partilham: (i) funcionam como constituintes pros&oacute;dicos, demarcados por pausas dos segmentos que conectam (pausas geralmente sinalizadas por v&iacute;rgula, na escrita); (ii) s&atilde;o express&otilde;es totalmente gramaticalizadas no Portugu&ecirc;s europeu contempor&acirc;neo (doravante PEC), armazenadas no l&eacute;xico como uma &uacute;nica entrada, cujo significado n&atilde;o &eacute; calculado composicionalmente; (iii) s&atilde;o operadores de dois lugares, j&aacute; que implicam a ocorr&ecirc;ncia de um enunciado fonte, &agrave; direita, e de um enunciado reformulado, &agrave; esquerda.</p>      <p>Na esteira de G&uuml;lich &amp; Kotshi (1983, 1985), Roulet (1985) e Rossari (1994), assume-se que a reformula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma opera&ccedil;&atilde;o metadiscursiva pela qual o falante reelabora um enunciado movido pela inten&ccedil;&atilde;o de tornar mais intelig&iacute;vel o seu discurso, reduzindo eventuais riscos de incompreens&atilde;o por parte do interlocutor.<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> Neste sentido, a reformula&ccedil;&atilde;o visa reparar problemas de formula&ccedil;&atilde;o e pretende garantir a intercompreens&atilde;o, numa perspetiva interativa. Esta defini&ccedil;&atilde;o focaliza casos de auto-reformula&ccedil;&atilde;o, mas h&aacute; ainda casos de hetero-reformula&ccedil;&atilde;o, sempre que o ouvinte reelabora uma interven&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, com o prop&oacute;sito cooperativo de testar a efetiva compreens&atilde;o do enunciado que lhe foi dirigido.</p>      <p>Os autores acima referenciados distinguem dois sub-tipos de reformula&ccedil;&atilde;o: a reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica, baseada na sinaliza&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o de equival&ecirc;ncia entre dois enunciados, e a reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parafr&aacute;stica, que implica uma dist&acirc;ncia, um afastamento do locutor face ao seu enunciado inicial e acarreta, muitas vezes, uma altera&ccedil;&atilde;o de perspectiva enunciativa. Note-se que a reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica, entendida de forma estrita como envolvendo uma rela&ccedil;&atilde;o de exata equival&ecirc;ncia entre segmentos discursivos, &eacute; rara, surgindo essencialmente em contextos de tradu&ccedil;&atilde;o, defini&ccedil;&atilde;o ou glosa.<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> A reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parafr&aacute;stica pode recobrir diferentes sub-tipos. Fonseca (1992: 308) refere casos de condensa&ccedil;&atilde;o e recapitula&ccedil;&atilde;o, casos de expans&atilde;o e, finalmente, casos de invalida&ccedil;&atilde;o do dito, objectivados em movimentos discursivos de corre&ccedil;&atilde;o ou retifica&ccedil;&atilde;o.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste artigo, considerar-se-&aacute; que a reformula&ccedil;&atilde;o, enquanto opera&ccedil;&atilde;o metadiscursiva, pode ser perspectivada escalarmente: num dos p&oacute;los, teremos a marca&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o de equival&ecirc;ncia, no p&oacute;lo oposto a marca&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o de corre&ccedil;&atilde;o/retifica&ccedil;&atilde;o. Na zona interm&eacute;dia da escala, encontram-se diferentes sub-tipos de reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica e n&atilde;o parafr&aacute;stica: explica&ccedil;&atilde;o, especifica&ccedil;&atilde;o, condensa&ccedil;&atilde;o, distanciamento.<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup></p>      <p>O objectivo deste estudo, que parte de dados emp&iacute;ricos recolhidos no Corpus de Refer&ecirc;ncia do Portugu&ecirc;s Contempor&acirc;neo (CRPC, sub-corpus oral e sub-corpus escrito)<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>, &eacute; essencialmente descritivo. Procurou-se colmatar uma lacuna, dado que, tanto quanto &eacute; do nosso conhecimento, n&atilde;o h&aacute; nenhuma descri&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica dos usos destes marcadores no que ao PEC diz respeito. As quest&otilde;es que se colocam &agrave; partida s&atilde;o as seguintes: (i) os tr&ecirc;s marcadores s&atilde;o intersubstitu&iacute;veis em todos os contextos, isto &eacute;, encontram-se em varia&ccedil;&atilde;o livre? (ii) para al&eacute;m da fun&ccedil;&atilde;o discursiva de marca&ccedil;&atilde;o de reformula&ccedil;&atilde;o, h&aacute; outros valores que podem ser sinalizados pelos tr&ecirc;s marcadores em apre&ccedil;o, no PEC?</p>      <p>O artigo est&aacute; organizado da seguinte forma: na sec&ccedil;&atilde;o 1, descrevem-se os valores de &#8216;quer dizer&#8217; atestados no corpus; na sec&ccedil;&atilde;o 2, sistematizam-se os valores de &#8216;ou seja&#8217; e na sec&ccedil;&atilde;o 3, os valores de &#8216;isto &eacute;&#8217;. Por fim, na sec&ccedil;&atilde;o 4, explicitar-se-&atilde;o as principais conclus&otilde;es deste estudo, confrontando os resultados obtidos na descri&ccedil;&atilde;o.</p>      <p><b>1. Quer dizer</b></p>      <p>Trata-se de uma express&atilde;o cristalizada, constitu&iacute;da por duas formas verbais (verbo <i>querer</i>, na 3&ordf; pessoa do singular do presente do Indicativo, seguido do infinitivo do verbo <i>dizer</i>) que fusionaram, passando a funcionar como uma combinat&oacute;ria fixa.<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> De facto, o verbo <i>querer </i>n&atilde;o admite flex&atilde;o (*querem dizer) e o verbo <i>dizer </i>n&atilde;o admite complementa&ccedil;&atilde;o fr&aacute;sica (*quer dizer que p).<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> Na esteira de Traugott &amp; Brinton 2005, diremos que houve um processo de fus&atilde;o e rean&aacute;lise, passando a express&atilde;o a funcionar como constituinte pros&oacute;dico aut&oacute;nomo, com mera fun&ccedil;&atilde;o conectiva. Contudo, podemos dizer que o marcador deriva de fontes lexicais que est&atilde;o associadas de forma bastante transparente &agrave; fun&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica codificada (cf. Cuenca 2003:1080).<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup></p>      <p>No nosso corpus, encontr&aacute;mos quatro valores distintos para o marcador &#8216;quer dizer&#8217;. Come&ccedil;aremos por apresentar exemplos em que &#8216;quer dizer&#8217; funciona como marcador de reformula&ccedil;&atilde;o (1.1.); seguidamente, focalizar-se-&atilde;o os usos do marcador com valor de atenua&ccedil;&atilde;o (1.2.) e de conclus&atilde;o (13.); finalmente ilustrar-se-&atilde;o os seus usos como &#8216;filler&#8217;, ou seja, como marcador de formula&ccedil;&atilde;o ou constru&ccedil;&atilde;o on-line do discurso oral (1.4.).</p>      <p><i>1.1. Valores reformulativos</i></p>      <p>Atente-se nos seguintes exemplos:</p>      <blockquote>    <p>(1) Eu este ano para apanhar a azeitona tenho que dar a meias a azeitona, <i>quer dizer</i>, eu tratei das oliveiras e tudo e agora para apanhar, metade &eacute; para o indiv&iacute;duo que ma apanha e metade &eacute; para mim. [133-04-G00-002-25-M-E-5-3-00]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(2) (&#8230;) quando eu estou doente vou a um m&eacute;dico, n&atilde;o fa&ccedil;o com ele um contrato escrito, mas na realidade eu vou &agrave; espera de receber um servi&ccedil;o, e esse servi&ccedil;o tem de me ser prestado nos termos do c&oacute;digo, nos termos da lei, segundo as leis da arte, <i>quer dizer</i>, segundo a melhor, o melhor conhecimento m&eacute;dico, essa &eacute; a obriga&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica do m&eacute;dico. [O-0028-R-O-P-Lis-Redip]</p>      <p>(3) At&eacute; j&aacute; se consegue fazer ali vida de cidade, <i>quer dizer</i>, j&aacute; h&aacute; o anonimato que h&aacute; nas cidades [1232P273]</p>      <p>(4) Interessa sobretudo distribuir bem, <i>quer dizer</i>, com justi&ccedil;a, o que se vai produzindo [A43766]</p></blockquote>      <p>Todos os exemplos ilustram casos de auto-reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica: o falante reformula o enunciado pr&eacute;vio com o objectivo de explicar (do lat. <i>explicare</i>, com o sentido de desdobrar, desenvolver) o que disse anteriormente. Note-se que n&atilde;o h&aacute; propriamente uma equival&ecirc;ncia sem&acirc;ntica entre os dois fragmentos discursivos articulados por &#8216;quer dizer&#8217;, mas antes uma explica&ccedil;&atilde;o, uma clarifica&ccedil;&atilde;o do dito, com o intuito de o tornar mais preciso ou mais expl&iacute;cito. Consideramos que a explica&ccedil;&atilde;o ou a clarifica&ccedil;&atilde;o do dito &eacute; um sub-tipo da reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica, j&aacute; que o falante assume como pragmaticamente equivalentes os dois segmentos interligados, sinalizando, no entanto, que a segunda formula&ccedil;&atilde;o &eacute; mais adequada e clarificadora, traduzindo melhor a sua inten&ccedil;&atilde;o comunicativa. As unidades articuladas pelo marcador podem ser enunciados que envolvem a express&atilde;o de proposi&ccedil;&otilde;es (cf. exemplos 1 e 3) ou sintagmas de natureza subproposicional, no interior de um mesmo enunciado (cf. exemplos 2 e 4).</p>      <p>Nestes contextos, &#8216;quer dizer&#8217; pode ser substitu&iacute;do por &#8216;ou seja&#8217;, &#8216;isto &eacute;&#8217;, e ainda por conectores de reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o contemplados neste estudo, como &#8216;por outras palavras&#8217;, noutros termos&#8217;, &#8216;dito de outro modo&#8217;.</p>      <p>Vejam-se agora os seguintes exemplos, em que &#8216;quer dizer&#8217; introduz uma auto-reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parafr&aacute;stica:</p>      <blockquote>    <p>(5) (&#8230;) o parque, &eacute; um parque nacional, n&atilde;o &eacute;, que abrange a &aacute;rea (Peneda) e (Ger&ecirc;s). E t&atilde;o a fazer melhoramentos, n&atilde;o &eacute;, <i>quer dizer</i>, eu n&atilde;o sei, ainda n&atilde;o cheguei a entender se isto &eacute; bom ou mau (&#8230;) [1083-11-D05-002-23-F-A-3-2-0]</p>      <p>(6) A pornografia &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o masculina. A prostitui&ccedil;&atilde;o &eacute; uma coisa masculina, n&atilde;o h&aacute; pornografi ou prostitui&ccedil;&atilde;o para as mulheres. <i>Quer dizer</i>, s&oacute; h&aacute; para uma minoria.[ jpub_970925_c01]</p></blockquote>      <p>Em (5), no enunciado prefaciado por &#8216;quer dizer&#8217;, o falante reconsidera o ponto de vista expresso previamente, distanciando-se dele. Em (6), o locutor recorre ao marcador para corrigir ou retificar uma formula&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via. Com este &uacute;ltimo valor, o marcador comuta livremente com &#8216;ou melhor&#8217;/ &#8216;ou antes&#8217;, podendo ainda ser substitu&iacute;do por &#8216;ou seja&#8217; e &#8216;isto &eacute;&#8217;.<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Casos deste tipo (ou seja, casos de auto-reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parafr&aacute;stica) s&atilde;o raros no corpus, o que parece indiciar que n&atilde;o estamos perante o valor protot&iacute;pico do marcador &#8216;quer dizer&#8217; no PEC. Naturalmente, os conte&uacute;dos proposicionais dos segmentos conectados s&atilde;o decisivos para a distin&ccedil;&atilde;o entre reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica e n&atilde;o parafr&aacute;stica.</p>      <p><i>1.2. Atenuador</i></p>      <p>Atente-se agora no exemplo (7):</p>      <blockquote>    <p>(7) E ent&atilde;o esse aluno, <i>quer dizer</i>, foi um bocadinho insolente, na maneira de falar e eu reagi e disse que ia comunicar &agrave; reitoria. [503-09B00-002-35&#8212;M-C-3-6-A]</p></blockquote>  Neste exemplo, &#8216;quer dizer&#8217; parece funcionar como atenuador ou mitigador da avalia&ccedil;&atilde;o negativa que o falante expressa. Note-se a ocorr&ecirc;ncia do diminutivo no quantificador (um bocad<i>inho</i>), que parece cumprir a mesma fun&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica de mitiga&ccedil;&atilde;o ilocut&oacute;ria, numa estrat&eacute;gia discursiva de delicadeza atenuadora, que salvaguarda ou protege a face postiva do falante (cf. Brown &amp; Levinson 1897, Briz 2006). Com esta fun&ccedil;&atilde;o modalizadora, o marcador n&atilde;o comuta com &#8216;ou seja&#8217; e &#8216;isto &eacute;&#8217; e funciona, tal como os adverbiais modalizadores, como operador de um lugar.<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup></p>      <p>N&atilde;o detet&aacute;mos nenhuma ocorr&ecirc;ncia deste tipo no corpus escrito, e apenas uma no corpus oral, o que parece indiciar a fraca produtividade do marcador em apre&ccedil;o no que toca &agrave; express&atilde;o deste valor.</p>      <p><i>1.3. Marcador conclusivo</i></p>      <p>Atente-se agora no exemplo (8):</p>      <blockquote>    <p>(8) Os indiv&iacute;duos nascidos em pa&iacute;ses de determinada religi&atilde;o seguem, em regra, essa religi&atilde;o: a maioria dos &aacute;rabes s&atilde;o mu&ccedil;ulmanos; a maioria dos anglo-sax&otilde;es s&atilde;o protestantes. <i>Quer dizer</i>, doutrinas e cren&ccedil;as s&atilde;o, para muitos, aquilo que lhes foi ensinado. [J13337]</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trata-se de um exemplo retirado do sub-corpus escrito, a &uacute;nica ocorr&ecirc;ncia encontrada em que o marcador assume um valor conclusivo, como a substitui&ccedil;&atilde;o por &#8216;portanto&#8217;, sem qualquer altera&ccedil;&atilde;o do significado, comprova. A baix&iacute;ssima frequ&ecirc;ncia de uso, no corpus, aponta para a natureza perif&eacute;rica deste valor no PEC.</p>      <p><i>1.4. Marcador de formula&ccedil;&atilde;o</i></p>      <p>Vejam-se agora os seguintes exemplos:</p>      <blockquote>    <p>(9) N&atilde;o consigo encontrar identidade entre os meus problemas familiares e a maior parte das pessoas com quem eu contacto, pessoas da minha idade, e isso devido talvez &agrave;, <i>quer dizer</i>, a maior parte das pessoas que t&ecirc;m problemas familiares consideram-se, consideram que os pais e as pessoas da fam&iacute;lia em geral t&atilde;o ultrapassadas&#8230;[609-19-C00-002-19-F-J-5-7-00]</p>      <p>(10) Gosto mesmo de falar com esse senhor. &Eacute; formid&aacute;vel. Agora, <i>quer dizer</i>, o ambiente assim daqui, quer dizer &eacute;&#8230;n&atilde;o gosto (&#8230;) (587-20-C10-020-22-F-A-4-2-00)</p></blockquote>      <p>Naturalmente, s&oacute; se encontra este valor no corpus oral. Nestes casos, o marcador funciona basicamente como um &#8220;filler&#8221;, uma pausa discursiva preenchida, sinalizando o processo da formula&ccedil;&atilde;o on-line do pr&oacute;prio discurso, que reflete a n&atilde;o planifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via do que se pretende comunicar. Em situa&ccedil;&otilde;es espont&acirc;neas, informais e pouco controladas de produ&ccedil;&atilde;o de discurso oral, s&atilde;o frequentes os momentos de hesita&ccedil;&atilde;o, as reorienta&ccedil;&otilde;es do discurso, e &#8216;quer dizer&#8217;, no nosso corpus, cumpre dominantemente essa fun&ccedil;&atilde;o de &#8216;bord&atilde;o&#8217;. Tendo em conta um crit&eacute;rio de frequ&ecirc;ncia, no corpus em an&aacute;lise esta fun&ccedil;&atilde;o sobrep&otilde;e-se &agrave; fun&ccedil;&atilde;o reformuladora.<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup></p>      <p><b>2. Ou seja</b></p>      <p>O marcador em apre&ccedil;o &eacute; formado pela conjun&ccedil;&atilde;o de disjun&ccedil;&atilde;o <i>ou</i>, que sinaliza uma alternativa, seguida do verbo <i>ser </i>na 3&ordf; pessoa do presente do Conjuntivo, modo que tipicamente expressa posibilidades que podem ser consideradas no contexto enunciativo (Marques 2005). Completamente gramaticalizado, o marcador funciona como uma s&oacute; entrada lexical, cujo significado n&atilde;o pode ser composicionalmente derivado, e tem autonomia pros&oacute;dica.<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup></p>      <p>Num estudo pr&eacute;vio (Pons-Border&iacute;a &amp; Lopes, a publicar), foram j&aacute; recenceados os valores de &#8216;ou seja&#8217; no PEC, a partir do sub-corpus oral do PEC. Assim, retomam-se aqui os valores recenseados nesse estudo e acrescentam-se exemplos retirados do corpus escrito. Destacar-se-&atilde;o em primeiro lugar os seus valores de reformula&ccedil;&atilde;o (2.1.), seguidamente ilustrar-se-&aacute; o valor conclusivo que pode assumir (2.2.) e, finalmente, o seu valor de marca&ccedil;&atilde;o da formula&ccedil;&atilde;o on-line do discurso oral (2.3.).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>2.1. Reformulador</i></p>      <p>Atente-se nos exemplos (11) a (14):</p>      <blockquote>    <p>(11) L2: pegando nesta opera&ccedil;&atilde;o que tem agora um m&ecirc;s, faz agora um m&ecirc;s que reduziu, eh, de sessenta para vinte o n&uacute;mero de acidentes, <i>ou seja </i>em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo per&iacute;odo do ano passado h&aacute; tr&ecirc;s vezes menos acidentes... (O-0029-R-O-P-Lis-Redip)</p>      <p>(12) (&#8230;) ontem, eh, a confer&ecirc;ncia das na&ccedil;&otilde;es unidas sobre com&eacute;rcio e desenvolvimento, eh, apontava exactamente no mesmo sentido, o que &eacute; curioso &eacute; que falava em que, eh, o custo da crise asi&aacute;tica vai representar este ano cerca de um por cento da produ&ccedil;&atilde;o mundial, <i>ou seja</i>, duzentos e sessenta mil milh&otilde;es de d&oacute;lares. (O-0018-RE-P-Lis-Redip)</p>      <p>(13) L3: claro, a clonagem &eacute; exactamente um processo que conduz &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos genotipicamente iguais, <i>ou seja</i>, com o mesmo patrim&oacute;nio gen&eacute;tico. (O0007-R-Ci-P_Lis-Redip)</p>      <p>(14) Para al&eacute;m disso, toda a restante racionalidade que &eacute; depositada no Estado pelo processo pol&iacute;tico &eacute; derivada da solu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica de conflitualidade econ&oacute;mica, social e pol&iacute;tica, <i>ou seja</i>, do facto de se governar com um programa legitimado pela maioria , ap&oacute;s elei&ccedil;&otilde;es livres [A131297]</p></blockquote>      <p>Todos eles ilustram casos paradigm&aacute;ticos de auto-reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica: o falante reelabora a sua primeira formula&ccedil;&atilde;o, com o objectivo de tornar mais precisa, expl&iacute;cita ou clara a informa&ccedil;&atilde;o que pretende comunicar. Os fragmentos conetados podem ser de natureza proposicional (cf. 11) ou de natureza subproposicional (cf. 12 a 14).</p></blockquote>      <p>Importa assinalar uma particularidade encontrada no corpus escrito: referimo-nos a ocorr&ecirc;ncias em que &#8216;ou seja&#8217; funciona cataforicamente, sinalizando que o segmento subsequente especifica algo a que alude o segmento anterior. &Eacute; o que ilustra o exemplo (15), no qual &#8216;ou seja&#8217; poderia ser substitu&iacute;do por &#8216;a saber&#8217;:</p>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(15) Penso que se n&atilde;o houvesse um objectivo determinado e declarado, <i>ou seja</i>, o de conseguir o mesmo objectivo pretendido em 1982 pelo Secret&aacute;rio de Estado Alfaia , tudo quanto se est&aacute; a passar seria incompreens&iacute;vel (A151466)</p></blockquote>      <p>Atente-se agora nos exemplos (16) a (18):</p>      <blockquote>    <p>(16) &#8230;daqui a pouco vamos j&aacute; ouvir o principal da actualidade&#8230;do resto da actualidade, eh, esta manh&atilde;, mas para j&aacute; nesta manh&atilde; aqui em directo do, eh, ipatimup, <i>ou seja</i>, do instituto de patologia e imunologia molecular da universidade do porto, ser&aacute; interessante n&oacute;s eh, avaliarmos o curriculum deste instituto em apenas dez anos ... (O-0008-R-Ci-P-Lis-Redip)</p>      <p>(17) Mas essas bolachas, s&atilde;o as bolachas geralmente que t&ecirc;m...o filling <i>ou seja </i>o recheio, n&atilde;o &eacute;,... ( 1143-11-D05-001-38-F-C-3-2-H)</p>      <p>(18) No seu documento final, esta sess&atilde;o extraordin&aacute;ria proclamou a semana a come&ccedil;ar na data do anivers&aacute;rio da Constitui&ccedil;&atilde;o da ONU , <i>ou seja</i>, a 24 de Outubro, como a Semana Mundial do Desarmamento. [A132603]</p></blockquote>      <p>Nestes exemplos, verifica-se um caso de estrita equival&ecirc;ncia sem&acirc;ntica entre os segmentos conetados. S&atilde;o raros casos como estes, em que a reformula&ccedil;&atilde;o envolve de facto total equival&ecirc;ncia: em (16), o falante explica o que significa a sigla que acabou de usar; em (17) o falante recorre a &#8216;ou seja&#8217; para introduzir a tradu&ccedil;&atilde;o de um termo estrangeiro; em (18), exemplo extra&iacute;do do corpus escrito, o segmento introduzido por &#8216;ou seja&#8217; identifica a data previamente referida.</p>      <p>Os exemplos seguintes, (19) e (20) ilustram casos de auto-reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parafr&aacute;stica:</p>      <blockquote>    <p>(19) E at&eacute; porque gosto muito de tourear e... gosto muito de, j&aacute; li umas coisas acerca de tauromaquia em geral e, sei que aqui estamos um pouco atrasados, <i>ou seja</i>, muito mesmo em rela&ccedil;&atilde;o a (Portugal) continental e a (Espanha) e (M&eacute;xico) (744-08-TD0-012-25-MC-4-4-00)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(20) N&atilde;o, n&atilde;o, eu n&atilde;o tenho tido chatices nenhumas, n&atilde;o tenho tido absolutamente chatices nenhumas. E at&eacute; desde que c&aacute; estou nunca tive pessoa nenhuma que l&aacute; ficasse presa. <i>Ou seja</i>, n&atilde;o, tive, foi um senhor abade&#8230;(346-18-C00-011-42-M-I-1-7-00)</p></blockquote>      <p>Neste contextos, &#8216;ou seja&#8217; codifica uma instru&ccedil;&atilde;o de corre&ccedil;&atilde;o ou rectifica&ccedil;&atilde;o: o enunciado prefaciado pelo conetor cancela informa&ccedil;&atilde;o previamente asserida. Assim, &#8216;ou seja&#8217; comuta livremente com &#8216;ou melhor&#8217;, &#8216;ou antes&#8217;, podendo ainda ser substitu&iacute;do por &#8216;quer dizer&#8217; e &#8216;isto &eacute;&#8217;. O contexto verbal, mais concretamente o conte&uacute;do proposicional das unidades articuladas, &eacute; decisivo no que toca &agrave; ativa&ccedil;&atilde;o desta nova interpreta&ccedil;&atilde;o. No corpus escrito, n&atilde;o encontr&aacute;mos nenhum exemplo de &#8216;ou seja&#8217; com esta fun&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Centremo-nos agora nos casos em que &#8216;ou seja&#8217; funciona como marcador de hetero-reformula&ccedil;&atilde;o. O marcador mant&eacute;m a sua posi&ccedil;&atilde;o inicial, prefaciando o segmento que configura a reformula&ccedil;&atilde;o, mas o facto de a unidade discursiva ser diferente &#8211; trata-se de uma interven&ccedil;&atilde;o reactiva, da responsabilidade do interlocutor &#8211; faz com que novos valores sejam activados. De facto, a fun&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica desta interven&ccedil;&atilde;o reactiva &eacute; sinalizar uma atitude de forte coopera&ccedil;&atilde;o por parte do interlocutor. Vejamos alguns exemplos:</p>      <blockquote>    <p>(21) L4: as pessoas que nascem com mucinas 1 pequenas t&ecirc;m muito maior susceptibilidade &agrave; infec&ccedil;&atilde;o pelo helicobacter pylori1, do que as pessoas que nascem com mucinas grandes. L3: <i>ou seja</i>, entrando dentro desse infinitamente pequeno que &eacute; poss&iacute;vel, eh, desencadear ac&ccedil;&otilde;es preventivas e... e... e avan&ccedil;ar para o tratamento, neste caso... L4: exactamente (O-0008-R-Ci-P-Lis-Redip)</p>      <p>(22) <b>...</b>portanto n&oacute;s em portugal temos uma elevad&iacute;ssima percentagem da popula&ccedil;&atilde;o com uma doen&ccedil;a infecciosa do est&ocirc;mago que provoca altera&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o grav&iacute;ssimas em termos do que &eacute; a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o... L3: <i>ou seja </i>este &eacute; um mal portugu&ecirc;s. qual...qual ser&aacute; a raiz... a origem desse mal portugu&ecirc;s? ( O-0008-R-CiP-Lis-Redip)</p></blockquote>      <p>Em (21), ao iniciar a sua interven&ccedil;&atilde;o reativa por &#8216;ou seja&#8217;, o interlocutor pretende confirmar a sua plena compreens&atilde;o do que foi dito pelo primeiro falante, sinalizando o seu empenho em cooperar na intera&ccedil;&atilde;o verbal em curso. Em (22), a interven&ccedil;&atilde;o reativa iniciada por &#8216;ou seja&#8217; opera por redu&ccedil;&atilde;o, reformulando de forma condensada o que foi comunicado pelo primeiro falante, sempre com um prop&oacute;sito de sinaliza&ccedil;&atilde;o de empenho cooperante na intera&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Embora o corpus n&atilde;o nos ofere&ccedil;a evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica de que &#8216;ou seja&#8217; pode constituir, por si s&oacute;, a interven&ccedil;&atilde;o reativa, a nossa compet&ecirc;ncia de falante nativa permite-nos construir um exemplo em que isto acontece:</p>      <blockquote>    <p>(23) L1: N&atilde;o basta querer, &eacute; preciso investir. L2: <i>Ou seja</i>?</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>L1: N&atilde;o te fa&ccedil;as de ing&eacute;nuo, sabes muito bem o que quero dizer.</p></blockquote>      <p>Neste exemplo, o marcador funciona como uma unidade discursiva independente e sinaliza um pedido de explica&ccedil;&atilde;o ou de esclarecimento, parafrase&aacute;vel por &#8216;o que queres dizer com o que acabaste de dizer?&#8217;.</p>      <p><i>2.2. Valor conclusivo</i></p>      <p>Os dois corpora oferecem-nos ocorr&ecirc;ncias de &#8216;ou seja&#8217; como marcador conclusivo, substitu&iacute;vel por &#8216;portanto&#8217; e sinalizando que o enunciado seguinte expressa um consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica que pode ser inferida a partir do enunciado pr&eacute;vio, como os exemplos que se seguem ilustram:</p>      <blockquote>    <p>(24) na manh&atilde; desta quinta-feira, os ministros das finan&ccedil;as d&atilde;o o passo que falta para o nascimento do euro. quando for meio-dia e meia hora anunciam o valor da taxa de convers&atilde;o para cada moeda, <i>ou seja</i>, ficaremos a saber quantos escudos valer&aacute; cada euro... daqui por diante ( O-0003-R-A-P-Lis-Redip)</p>      <p>(25) &Eacute; uma quest&atilde;o &agrave; qual, quase em exclusivo, os sectores cooperativo e privado t&ecirc;m dado resposta, <i>ou seja</i>, o Estado tem ignorado a sua responsabilidade perante estas crian&ccedil;as e o seu papel integrador [noCOD_1012698]</p></blockquote>      <p><i>2.3. Marcador de formula&ccedil;&atilde;o</i></p>      <p>Embora em n&uacute;mero substancialmente menos significativo do que o que encontr&aacute;mos na an&aacute;lise de &#8216;quer dizer&#8217;, &#8216;ou seja&#8217; tamb&eacute;m &eacute; utilizado no PEC como marcador de planifica&ccedil;&atilde;o on-line do discurso, marcando hesita&ccedil;&otilde;es, pausas, na formula&ccedil;&atilde;o:</p>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(26) PAU: /mas / basicamente eu comecei / quando comecei a trabalhar l&aacute; / &amp;eh +$ <i>ou sej</i>/ eu &amp;trabalhe / eu trabalhei l&aacute; / um m&ecirc;s e pouco (O-0004-pfamcv04 c_oral_rom)</p>      <p>(27) ...uma certa euforia em rela&ccedil;&atilde;o a timor-leste, eh, em rel... &agrave; quest&atilde;o timorense com a queda de suharto, com a chegada... do... do presidente habibi com a ideia de, eh, avan&ccedil;o de reformas democr&aacute;ticas na indon&eacute;sia, eh, passados agora estes, eh, cinco meses, sente que essa... que h&aacute; raz&atilde;o para essa euforia <i>ou seja </i>que, eh, h&aacute; bocadinho usou a express&atilde;o um momento crucial em rela&ccedil;&atilde;o a timor-leste... (O-0016-R-E-P-Lis-Redip]</p></blockquote>      <p>Como os dados ilustram, &#8216;ou seja&#8217;, combinado frequentemente com um pausa, recome&ccedil;a ou reorienta o discurso, refletindo hesita&ccedil;&otilde;es e problemas de planifica&ccedil;&atilde;o por parte do falante.</p>      <p><b>3. Isto &eacute;</b></p>      <p>Este marcador &eacute; formado pelo demonstrativo invari&aacute;vel <i>isto </i>(um pronome que pode funcionar anaf&oacute;rica ou cataforicamente, como de&iacute;tico textual), seguido da 3&ordf; pessoa do singular do presente do Indicativo do verbo <i>ser</i>.<sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup>Esta estrutura &eacute; replicada noutras l&iacute;nguas (<i>that is </i>(ing.), <i>cio&egrave; </i>(it.). <i>esto es </i>(esp.)). Trata-se, de um marcador totalmente gramaticalizado, cujo significado procedimental n&atilde;o &eacute; derivado composicionalmente. Contrariamente ao que acontece com o marcador reformulativo espanhol &#8216;esto es&#8217;, que ocorre exclusivamente em registo formal (cf. Pons 2008), &#8216;isto &eacute;&#8217; &eacute; mais vers&aacute;til em PEC, estando documentado em registo informal de l&iacute;ngua, como se ver&aacute; a seguir.</p>      <p>No nosso corpus, o conector &#8216;isto &eacute;&#8217; cumpre essencialmente uma fun&ccedil;&atilde;o de reformulador (3.1.). Daremos seguidamente exemplos em que o mesmo conector funciona como marcador de formula&ccedil;&atilde;o (3.2.).</p>      <p><i>3.1.Reformulador</i></p>      <p>Atente-se nos seguintes exemplos:</p>      <blockquote>    <p>(28) &#8230;numa das tardes ha d (&#8230;) que como sabem tamb&eacute;m falava hebraico / ha perguntou a Ad&atilde;o / &#8220;Adam / efo / at&aacute;?&#8221; <i>isto &eacute; </i>&#8220;homem onde est&aacute;s tu?&#8221; [O51]</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(29) Mas tenho uma boa clientela n&oacute;s aqui procuramos ou numa pra&ccedil;a ou noutra, <i>isto &eacute;</i>, ou num mercado ou noutro&#8230; [35-09-C00-00142-M-B-1-7-00]</p>      <p>(30) &#8230;existe julgo eu em trinta e oito dos estados unidos / a a (..) apenas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que se chama eutan&aacute;sia passiva / <i>isto &eacute; </i>ao direito a ser desligado de uma m&aacute;quina &#8230; [OP0076L]</p>      <p>(31) O conhecimento da pedosfera, <i>isto &eacute;</i>, a camada da Terra constitu&iacute;da pelos solos, &eacute; muito importante em Ecologia [L0631]</p><sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup></blockquote>      <p>Em (28), encontra-se um contexto muito espec&iacute;fico de ocorr&ecirc;ncia do reformulador &#8216;isto &eacute;&#8217;, um contexto de tradu&ccedil;&atilde;o, em que se verifica uma equival&ecirc;ncia estrita entre os dois segmentos articulados pelo conetor. O exemplo (29) oferece-nos tamb&eacute;m um caso de auto-reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica pura, no sentido da marca&ccedil;&atilde;o de total equival&ecirc;ncia sem&acirc;ntica entre os termos articulados, &#8216;pra&ccedil;a&#8217; e &#8216;mercado&#8217;, que assim s&atilde;o apresentados como sin&oacute;nimos no contexto discursivo em causa. J&aacute; em (30), o marcador aparece num contexto de glosa, sinalizando uma reformula&ccedil;&atilde;o que visa explicar o significado de uma express&atilde;o potencialmente desconhecida pelo interlocutor. Em (31), exemplo do corpus escrito, o produtor do texto recorre &agrave; auto-reformula&ccedil;&atilde;o para tornar mais preciso e claro o que pretende dizer. Os exemplos mostram-nos que o marcador pode articular constituintes subproposicionais e proposicionais.</p>      <p>No corpus, este valor de auto-reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica, presente quer em contextos equativos (que envolvem estrita equival&ecirc;ncia sem&acirc;ntica entre os dois segmentos articulados), quer em contextos metalingu&iacute;sticos (que envolvem defini&ccedil;&otilde;es), quer ainda em contextos em que o falante visa explicar, precisar ou clarificar o que pretende comunicar &eacute;, sem d&uacute;vida, o mais relevante, em termos quantitativos. Nestes contextos, &#8216;isto &eacute;&#8217; comuta livremente com &#8216;ou seja&#8217; e &#8216;quer dizer&#8217;.</p>      <p>Embora substancialmente menos frequentes, no corpus oral encontram-se ainda exemplos que ilustram casos de auto-reformula&ccedil;&atilde;o correctiva ou retificativa sinalizada pelo mesmo marcador:</p>      <blockquote>    <p>(32) N&oacute;s somos os melhores pagos de todos os m&eacute;dicos. Pois, somos os que tamos mais atrasados. <i>Isto &eacute;</i>, os que t&atilde;o um ano &agrave; nossa frente ainda recebem mais uns pozinhos do que n&oacute;s, mas com a excep&ccedil;&atilde;o desses e de n&oacute;s, todos os outros medicos formados h&aacute; cinco, dez, quinze anos, t&atilde;o a ser pior pagos do que n&oacute;s. [472-14A00-00726-M-A-6-8-00]</p></blockquote>      <p>N&atilde;o foram detetadas, no corpus oral, ocorr&ecirc;ncias de &#8216;isto &eacute;&#8217; em contextos de hetero-reformula&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>De notar que no corpus escrito &#8216;isto &eacute;&#8217; ocorre frequentemente com fun&ccedil;&atilde;o cataf&oacute;rica, apontando para uma especifica&ccedil;&atilde;o de algo que foi anunciado no segmento anterior:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>(33) A pol&iacute;tica sublime, que se op&otilde;e &agrave; dos Estados, quer aprofundar aquilo que a experi&ecirc;ncia do nosso s&eacute;culo acabou por aniquilar, <i>isto &eacute;</i>, a confian&ccedil;a numa Grande Pol&iacute;tica, tal como a defendeu Nietzsche. (L0989).</p></blockquote>      <p>Neste tipo de contextos, &#8216;isto &eacute;&#8217; seria substitu&iacute;vel por &#8216;a saber&#8217;.</p>      <p><i>3.2. Marcador de formula&ccedil;&atilde;o</i></p>      <p>Veja-se agora o seguinte exemplo:</p>      <blockquote>    <p>(34) / &amp;eh / &amp;eh / depois / h&aacute; uma coisa muito importante // $ que &eacute; +$ havia c&aacute; em Portugal // $ que &eacute; a rolha // $ <i>isto &eacute; </i>/ eu estou numa zona / onde havia / a grande produ&ccedil;&atilde;o de rolhas de Portugal [ O-0120-ppubdl03-c_oral_rom]</p><sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup>      <p>Neste caso, o falante recorre a &#8216;isto &eacute;&#8217; como mero preenchimento de pausa discursiva decorrente do processamento on-line de um discurso n&atilde;o planificado. Ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia do marcador, verifica-se uma reorienta&ccedil;&atilde;o do discurso. Em termos quantitativos, s&atilde;o escassas as ocorr&ecirc;ncias, no corpus oral, de &#8216;isto &eacute;&#8217; com esta fun&ccedil;&atilde;o. Face aos dados, esta parece ser uma fun&ccedil;&atilde;o subsidi&aacute;ria do marcador no PEC.</p></blockquote>      <p><b>4. Conclus&otilde;es</b></p>      <p>A an&aacute;lise dos dados emp&iacute;ricos permite-nos retirar as seguintes conclus&otilde;es:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>1. Os tr&ecirc;s conetores funcionam, no PEC, como marcadores de reformula&ccedil;&atilde;o. Tanto no corpus oral como no escrito, encontram-se em varia&ccedil;&atilde;o livre na marca&ccedil;&atilde;o de reformula&ccedil;&atilde;o parafr&aacute;stica; n&atilde;o foi detetada nenhuma ocorr&ecirc;ncia de &#8216;ou seja&#8217;, no corpus escrito, como marcador de reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parafr&aacute;stica corretiva.</p>      <p>2. Todos eles podem funcionar, na oralidade, como marcadores de formula&ccedil;&atilde;o, &#8216;fillers&#8217;, sinalizando o processamento on-line de discursos pouco planeados, mas aquele que de forma mais expressiva cumpre esta fun&ccedil;&atilde;o &eacute;, sem d&uacute;vida, o marcador &#8216;quer dizer&#8217;. &#8216;Isto &eacute;&#8217; aparece como o marcador com menos usos deste tipo, no corpus.</p>      <p>3. Se exceptuarmos os usos reformulativos, abundantemente respresentados nos dois sub-corpora, e formulativos, circunscritos ao corpus oral, verifica-se uma escassa frequ&ecirc;ncia de usos secund&aacute;rios no conjunto dos marcadores. Com um valor atenuador, s&oacute; se atestaram ocorr&ecirc;ncias de &#8216;quer dizer&#8217;, no corpus oral; como um valor conclusivo, foram detetadas ocorr&ecirc;ncias de &#8216;ou seja&#8217; em ambos os corpora, e de &#8216;quer dizer&#8217; no corpus escrito.</p>      <p>4. Embora todos eles manifestem algum grau de polifuncionalidade, o marcador &#8216;isto &eacute;&#8217; &eacute; aquele que manifesta um menor n&uacute;mero de usos secund&aacute;rios.</blockquote>      <p>No quadro que a seguir se apresenta, sintetizam-se os principais resultados deste estudo, no que toca ao valor dos marcadores:</p>      <p align="center"><table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td valign="top" > </td> <td valign="top" >    <p>Quer dizer</p></td> <td valign="top" >    <p>Ou seja</p></td> <td valign="top" >    <p>Isto &eacute;</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conetor de Reformula&ccedil;&atilde;o</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Conetor Conclusivo</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> <td valign="top" >    <p>_</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Marcador de atenua&ccedil;&atilde;o, no corpus oral</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>_</p></td> <td valign="top" >    <p>_</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Conetor formulativo (filler), no corpus oral</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> <td valign="top" >    <p>+</p></td> </tr>  </tbody> </table></p>      <p>Confrontando os exemplos do corpus oral com as produ&ccedil;&otilde;es escritas, as diferen&ccedil;as mais significativas consistem no uso de &#8216;ou seja&#8217; e &#8216;isto &eacute;&#8217;, no corpus escrito, com um valor cataf&oacute;rico id&ecirc;ntico ao do marcador &#8216;a saber&#8217;.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>B&aacute;rbara, M.E. (1997) <i>Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo da reformula&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. FLUC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0807-8967201400010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Briz, A. (2006) &#8220;Para una an&aacute;lisis sem&aacute;ntico, pragmatico y sociopragm&aacute;tico de la cortes&iacute;a atenuadora en Espa&ntilde;a y Am&eacute;rica&#8221;, en <i>Ling&uuml;&iacute;stica Espa&ntilde;ola Actual</i>, XXVIII/2, 1-41.</p>      <!-- ref --><p>Brown &amp; Levinson (1987) <i>Politeness. Some Universals in Language Use</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0807-8967201400010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fonseca, J. (1992) As articula&ccedil;&otilde;es discurso-metadiscurso e as suas explora&ccedil;&otilde;es na did&aacute;ctica do portugu&ecirc;s como l&iacute;ngua estrangeira. In J.Fonseca, <i>Lingu&iacute;stica e Texto/ Discurso: teoria, descri&ccedil;&atilde;o, aplica&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: ICALP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0807-8967201400010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fraser, B. (1999) What are discourse markers? In <i>Journal of Pragmatics</i>, 31, 931-952.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0807-8967201400010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, S. et al. (2007) &#8220;Estudos de caso&#8221;. In Gon&ccedil;alves, S., Lima-Hernandes, M.C. & Gon&ccedil;alves, S., Lima-Hernandes, M.C.Casseb-Galv&atilde;o (orgs.), <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; gramaticaliza&ccedil;&atilde;o. Princ&iacute;pios te&oacute;ricos e aplica&ccedil;&atilde;o. Em homenagem a Maria Luiza Braga</i>. S&atilde;o Paulo: Par&aacute;bola Editorial, 91-156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0807-8967201400010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>G&uuml;lich, Elisabeth and Thomas K&ouml;tschi (1983) &#8220;Les marqueurs de la reformulation paraphrastique&#8221;. <i>Cahiers de linguistique fran&ccedil;aise</i>, 5, 305-351.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0807-8967201400010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>G&uuml;lich, Elisabeth and Thomas Kotschi (1995): &#8220;Discourse Production in Oral Communication. A Study Based on French&#8221;. Quasthoff, Uta (ed.): <i>Aspects of Oral Communication</i>. De Gruyter, Berlin, 30-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0807-8967201400010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Marques, R. (2005) &#8220;Sobre a sem&acirc;ntica dos tempos do Conjuntivo&#8221;. <i>XXV Encontro Nacional da APL. Textos Seleccionados</i>. Lisboa: APL, 549-565.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0807-8967201400010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pons Border&iacute;a, S. (1998) <i>Conexi&oacute;n y conectores: estudio de su relaci&oacute;n en el registro informal de la lengua</i>. Cuadernos de Filolog&iacute;a, Anexo XXVII. Valencia: Universitat de Valencia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0807-8967201400010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pons Border&iacute;a, S. (2008) Gramaticalizaci&oacute;n por tradiciones discursivas: el caso de <i>esto es</i>. In Kabatek, J. (ed.) <i>Sintaxis hist&oacute;rica del espa&ntilde;ol y cambio ling&uuml;&iacute;stico: nuevas perspectivas desde las tradiciones dicursivas</i>, Madrid: Iberoamericana-Vervuert, 249-274.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0807-8967201400010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Pons Border&iacute;a, S. &amp; Lopes, A.C.M. (a publicar) &#8220;Ou seja, o sea. Formal identity and functional diversity. Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em <i>Lingu&iacute;stica. Revista de Estudos Lingu&iacute;sticos da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0807-8967201400010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>      <!-- ref --><p>Mart&iacute;n, Zorraquino, A. &amp; Portol&eacute;s, J. (1999) Los marcadores del discurso. In I. Bosque & V. Demonte (orgs.) <i>Gram&aacute;tica descriptiva de la lengua espa&ntilde;ola</i>. Madrid: Espasa. Vol. 3, 4051-4212.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0807-8967201400010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rossari, Corinne (1997) <i>Les op&eacute;rations de reformulation</i>. Peter Lang, Berna.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0807-8967201400010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0807-8967201400010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Roulet, E. et alii, 1985. <i>L&#8217;articulation du discours en fran&ccedil;ais contemporain</i>. Peter Lang, Berna.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0807-8967201400010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >[1]</a></sup>Perspectiva semelhante &eacute; adotada, entre outros, por Pons (1998, 2006), Fraser (1999), Zorraquino &amp; Portol&eacute;s (1999), Rossari (2006).</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>Adotamos a defini&ccedil;&atilde;o j&aacute; proposta em Pons Border&iacute;a &amp; Lopes (a publicar).</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>Como pertinentemente afirma Fonseca (1992: 307-308), &#8220;s&atilde;o certamente m&uacute;ltiplos os factores que interv&ecirc;m na reformula&ccedil;&atilde;o. Entre eles, conta-se em particular a tomada de consci&ecirc;ncia por parte do Locutor da n&atilde;o-adequa&ccedil;&atilde;o do seu discurso &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es designativas do universo de refer&ecirc;ncia a activar, &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do bom, eficaz e apropriado processamento da comunica&ccedil;&atilde;o-interac&ccedil;&atilde;o. Mas actua aqui tamb&eacute;m a percep&ccedil;&atilde;o por parte do Locutor das dificuldades no dom&iacute;no da recep&ccedil;&atilde;o-interpreta&ccedil;&atilde;o (...) que adivinha por parte do Alocut&aacute;rio (...)&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>&Eacute; neste sentido que podemos entender a afirma&ccedil;&atilde;o de Cuenca (2003:1072), segundo a qual &#8220;Reformulation is more than a strict paraphrase. It can imply discourse values such as explanation, specification, generalization, implication, gloss or summary.&#8221;</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>Cf. Pons &amp; Lopes (a publicar).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup><a href="http://www.clul.ul.pt/pt/recursos/183-reference-corpus-of-contemporary-portuguese-crpc" target="_blank">http://www.clul.ul.pt/pt/recursos/183-reference-corpus-of-contemporary-portuguese-crpc</a>. Foram escolhidas aleatoriamente 100 ocorr&ecirc;ncias no sub-corpus oral e 100 ocorr&ecirc;ncias no sub-corpus escrito.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>No corpus, ocorre uma variante socioletal de &#8216;quer dizer&#8217;, a express&atilde;o &#8216;quer-se dizer&#8217;, que tipicamente corresponde a usos menos padronizados do PEC. Assinale-se que as duas formas verbais podem ocorrer em combinat&oacute;rias livres, no PEC, como acontece em (i): (i) O Jo&atilde;o quer dizer &agrave; m&atilde;e que n&atilde;o pode assumir o compromisso, mas n&atilde;o tem coragem de o fazer.</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup>Para uma an&aacute;lise sobre o processo de gramaticaliza&ccedil;&atilde;o subjacente ao desenvolvimento deste marcador , cf. Gon&ccedil;alves et al. 2007.</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>O verbo declarativo <i>dizer </i>&eacute; comum em marcadores de reformula&ccedil;&atilde;o noutras l&iacute;nguas rom&acirc;nicas: <i>c&#8217;est-&agrave;-dire </i>(fr.), <i>es decir </i>(esp.), <i>&eacute;s a dir </i>(cat.).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup>Embora no nosso corpus n&atilde;o haja nenhum exemplo de hetero-reformula&ccedil;&atilde;o sinalizada por &#8216;quer dizer&#8217;, encontra-se um exemplo em B&aacute;rbara (1997):</p>      <p>X: por exemplo o lagarto n&atilde;o faz mal, isso at&eacute; &eacute; amigo do homem, pode uma pessoa estar a dormir muito descansado no campo, passa um lagarto pela cara ou por as m&atilde;os, a gente acorda....sabe que est&aacute; o inimigo ao p&eacute;, pode ser uma cobra para nos fazer mal, e a gente nessa altura com um pauzito (...) mata-o.</p>      <p>A: ah, quer dizer, ele avisa, o lagarto. (PF 0564)</p>      <p>O falante reinterpreta a interven&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, numa interven&ccedil;&atilde;o reactiva cujo objetivo &eacute; confirmar/testar a compreens&atilde;o do que foi dito. Trata-se de um movimento de hetero-reformula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parafr&aacute;stica, atrav&eacute;s do qual o falante condensa aquilo que infere ser a informa&ccedil;&atilde;o mais relevante da interven&ccedil;&atilde;o anterior.</p>      <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup>No espanhol, este valor &eacute; marcado por &#8216;o sea&#8217;. Cf. Schwenter 1996, Pons Border&iacute;a &amp; Lopes, a publicar.</p>      <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup>No espanhol, &eacute; o marcador &#8216;o sea&#8217; que assume este valor formulativo (Pons Border&iacute;a &amp; Lopes, a publicar).</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup>Tanto quanto &eacute; do nosso conhecimento, n&atilde;o h&aacute; estudos sobre o processo de gramaticaliza&ccedil;&atilde;o de &#8216;ou seja&#8217; em Portugu&ecirc;s. Parece-nos, numa primeira pesquisa a aprofundar posteriormente, que &#8216;ou seja&#8217; come&ccedil;a por ocorrer em constru&ccedil;&otilde;es livres, marcando a conjun&ccedil;&atilde;o &#8216;ou&#8217; um valor disjuntivo exclusivo, como se atesta em (i) e (ii), dados recolhido em Davies &amp; Ferreira (2006):</p>      <p>(i) Ca o enprazador ou o enprazado n&otilde; deue n&euml; pode fazer enalheam&euml;to nouam&euml;t &euml; n&euml; h&ucirc;&atilde; maneira da cousa sobre que he feito o enprazam&euml;to &amp; quer dem&atilde;dar por sua. assy como dissemos de suso. ata que seia liurado da contenda que he antreles per juizo. <b>ou seia </b>dado por quite o enprazado do enprazam&euml;to. [Primeira partida Afonso X, Primeira Partida, s&eacute;c. XIV]</p>      <p>(ii) As duas reglas: A prymeira, que soomente executemos aquello em cujo prossyguymento nem h&ucirc;&ucirc; mal nom venha, <b>ou seja </b>del o menos e tal que bem se possa remediar, e fujamos daquel onde grande mal pode v&Iuml;&Iuml;r, specialmente o que se nom pode bem remediar segundo intendymento d&#8217;hom&euml;&euml;s.[D. Duarte, Leal Conselheiro, s&eacute;c. XV]</p>      <p>Contextos deste tipo facilmente ativam uma implicatura de equival&ecirc;ncia, no sentido de que qualquer uma das alternativas expressas &eacute; apresentada como igualmente aceit&aacute;vel. Tal implicatura pode ter-se convencionalizado dando origem ao valor reformulativo parafr&aacute;stico de &#8216;ou seja&#8217;.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup>Segundo Pons (2008), &#8216;esto es&#8217; resulta da tradu&ccedil;&atilde;o do latim <i>is est </i>em documentos jur&iacute;dicos do espanhol antigo. Tanto quanto sabemos, n&atilde;o h&aacute; estudos diacr&oacute;nicos que nos permitam avan&ccedil;ar a mesma afirma&ccedil;&atilde;o no que toca ao portugu&ecirc;s.</p>       ]]></body><back>
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