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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ideias ortográficas de Madureira Feijó e de Soares Barbosa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Madureira Feijó and Soares Barbosa&#8217;s ortographic ideas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Linguists have always reflected about orthographic issues. During the eighteenth and nineteenth centuries, many orthographies were published, among which is worth mentioning the Orthographia, ou Arte de Escrever, e Pronunciar com acerto a Lingua Portugueza (1734) of João de Morais Madureira Feijó, whose influence extended into the nineteenth century, when the Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza (1822) of Jerónimo Soares Barbosa was published, presenting for the first time and formally a mixed spelling system. Therefore, taking into account the importance of the two works, in this article we intend to analyze and confront the orthographic proposals of these two authors, considering the definition of orthography presented, the proposed alphabet, the representation of nasality, as well as the diphthongs listed by the authors, specifying the nasal diphthong [?~w].]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Ideias ortogr&aacute;ficas de Madureira Feij&oacute; e de Soares Barbosa</b></p>      <p><b>Madureira Feij&oacute; and Soares Barbosa&#8217;s ortographic ideas</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>S&oacute;nia Coelho*; Susana Fontes**</b></p>      <p>*Universidade de Tr&aacute;s-os-montes e Alto Douro, Portugal, <a href="mailto:ccoelho@utad.pt">ccoelho@utad.pt</a></p>      <p>**Universidade de Tr&aacute;s-os-montes e Alto Douro, Portugal, <a href="mailto:sfontes@utad.pt">sfontes@utad.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>      <p>Desde sempre os estudiosos da l&iacute;ngua refletiram sobre as quest&otilde;es ortogr&aacute;ficas. Durante os s&eacute;culos XVIII e XIX, v&aacute;rios foram os tratados metaortogr&aacute;ficos dados &agrave; estampa, de entre os quais se destaca a <i>Orthographia, ou Arte de Escrever, e Pronunciar com acerto a Lingua Portugueza</i> (1734), de Jo&atilde;o de Morais Madureira Feij&oacute;, cuja influ&ecirc;ncia se estendeu ao s&eacute;culo XIX, &eacute;poca em que foi publicada a <i>Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza</i> (1822), de Jer&oacute;nimo Soares Barbosa, que apresenta, pela primeira vez e formalmente, um sistema ortogr&aacute;fico misto. Neste sentido, tendo em conta a import&acirc;ncia das duas obras, pretendemos, no presente artigo, analisar e confrontar as propostas ortogr&aacute;ficas destes dois autores, atentando na defini&ccedil;&atilde;o de ortografia apresentada, no alfabeto proposto, na representa&ccedil;&atilde;o da nasalidade, assim como nos ditongos elencados por ambos, especificando o caso do ditongo nasal [?&#771;w].</p>      <p><b>Palavras chave</b>: <i>Orthographia, ou Arte de Escrever, e Pronunciar com acerto a Lingua Portugueza</i> (1734), <i>Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza</i> (1822); Ortografia.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>      <p>Linguists have always reflected about orthographic issues. During the eighteenth and nineteenth centuries, many orthographies were published, among which is worth mentioning the <i>Orthographia, ou Arte de Escrever, e Pronunciar com acerto a Lingua Portugueza</i> (1734) of Jo&atilde;o de Morais Madureira Feij&oacute;, whose influence extended into the nineteenth century, when the <i>Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza</i> (1822) of Jer&oacute;nimo Soares Barbosa was published, presenting for the first time and formally a mixed spelling system. Therefore, taking into account the importance of the two works, in this article we intend to analyze and confront the orthographic proposals of these two authors, considering the definition of orthography presented, the proposed alphabet, the representation of nasality, as well as the diphthongs listed by the authors, specifying the nasal diphthong [?&#771;w].</p>      <p><b>Keywords</b>: <i>Orthographia, ou Arte de Escrever, e Pronunciar com acerto a Lingua Portugueza</i> (1734), <i>Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza</i> (1822); Orthography.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Durante os s&eacute;culos XVIII e XIX, a quest&atilde;o ortogr&aacute;fica foi amplamente discutida e a necessidade de fixa&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica escrita normativa &eacute; vis&iacute;vel no incremento da produ&ccedil;&atilde;o de tratados ortogr&aacute;ficos, que se sucediam uns ap&oacute;s outros, sem, no entanto, se chegar a uma decis&atilde;o &#8216;definitiva&#8217;. Como refere Rita Marquilhas (1991: 8):</p>      <blockquote>    <p>[&#8230;] apesar de no s&eacute;culo XVIII se terem criado em Portugal excepcionais condi&ccedil;&otilde;es culturais para a conven&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica ortografia, essa conven&ccedil;&atilde;o nunca chegou a ser celebrada, nem sequer tacitamente, podendo falar-se apenas de v&aacute;rias ortotipografias, umas vezes paralelas, outras vezes divergentes.</p></blockquote>      <p>Durante este per&iacute;odo, destaca-se a <i>Orthographia, ou Arte de Escrever, e Pronunciar com acerto a Lingua Portugueza</i> (1734),<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> de Jo&atilde;o de Morais Madureira Feij&oacute; (1688-1741), que &#8220;[&#8230;] chegou a ser o tratado ortogr&aacute;fico com o maior &ecirc;xito, at&eacute; inclusive no s&eacute;culo XIX.&#8221; (Kemmler, 2001: 206).<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a publica&ccedil;&atilde;o desta <i>Orthographia</i>, a corrente etimol&oacute;gica,<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> assente no ideal de perfei&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica e na filia&ccedil;&atilde;o &agrave;s l&iacute;nguas cl&aacute;ssicas, assume uma posi&ccedil;&atilde;o cimeira e, malgrado outras propostas, como as dos &#8220;s&oacute;nicos&#8221;, ter&aacute; lugar de destaque at&eacute; aos in&iacute;cios do s&eacute;culo XX.</p>      <p>&Eacute; precisamente neste per&iacute;odo que vem a lume uma das mais importantes gram&aacute;ticas da l&iacute;ngua portuguesa, a <i>Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza</i> (1822) de Jer&oacute;nimo Soares Barbosa (1737-1816), que teve, durante o s&eacute;culo XIX, sete edi&ccedil;&otilde;es (1822, 1830, 1862, 1866, 1871, 1875, 1881), todas elas publicadas sob a chancela da Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa.</p>      <p>Dos quatro livros que comp&otilde;em esta gram&aacute;tica, o II &eacute; dedicado &agrave; <i>Orthographia, ou boa Escriptura da Lingua Portugueza</i>. Neste livro, o autor reflete sobre os v&aacute;rios sistemas ortogr&aacute;ficos existentes, cabendo-lhe o pioneirismo ao introduzir um sistema misto, o sistema usual,<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> que conciliava etimologia e a pronuncia&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Neste sentido, tendo em conta a import&acirc;ncia das duas obras, pretendemos, no presente artigo, analisar e confrontar as propostas ortogr&aacute;ficas destes dois autores, atentando na defini&ccedil;&atilde;o de ortografia apresentada, no alfabeto proposto, na representa&ccedil;&atilde;o da nasalidade, assim como nos ditongos elencados por ambos, especificando o caso do ditongo nasal [?&#771;w].</p>      <p><b>1. Defini&ccedil;&atilde;o de Ortografia</b></p>      <p>A hist&oacute;ria da ortografia portuguesa<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> ficou marcada por uma oscila&ccedil;&atilde;o permanente entre duas for&ccedil;as: a da vernaculiza&ccedil;&atilde;o e a da latiniza&ccedil;&atilde;o, reflexo de um determinado contexto pol&iacute;tico, social e cultural. Depois de um per&iacute;odo inicial, fortemente marcado pelo crit&eacute;rio fon&eacute;tico, verificou-se um regresso &agrave;s origens, numa tentativa de codifica&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, assente nas no&ccedil;&otilde;es de perfei&ccedil;&atilde;o e purismo ortogr&aacute;ficos, e uma consequente recupera&ccedil;&atilde;o da etimologia. Esta corrente, justificada pelo ambiente cultural em que se vivia, encontra o seu auge em Jo&atilde;o de Morais Madureira Feij&oacute;, cujas solu&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas assentam no modelo ortogr&aacute;fico latino, com a sobreposi&ccedil;&atilde;o da vertente hist&oacute;rica &agrave; fon&eacute;tica.<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup></p>      <p>No que respeita &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de ortografia, Madureira Feij&oacute; define-a da seguinte forma:</p>      <blockquote>    <p><i>Orthographia,</i> ou <i>Orthografia</i> he aquella Arte, que ensina a escrever com acerto nas <i>letras</i>, de que se comp&otilde;em as dic&ccedil;oens; na <i>divisa&otilde;</i>, que se faz das palavras, quando na&otilde; cabem inteiras no fim das regras; nos <i>pontos</i> e <i>virgulas</i>, com que se divide o sentido das ora&ccedil;oens; nos <i>accentos</i>, ou <i>tons,</i> com que se pronuncia&otilde; as vogaes em cada palavra. (Feij&oacute;, 1781: 7).</p></blockquote>      <p>Nesta defini&ccedil;&atilde;o, destaca-se o esp&iacute;rito normativo e o objetivo pedag&oacute;gico, expressamente assumidos pelo autor, para al&eacute;m do estatuto de arte atribu&iacute;do &agrave; ortografia, que remete para o conhecimento e aplica&ccedil;&atilde;o de regras com o prop&oacute;sito de alcan&ccedil;ar uma escrita correta, assente num ideal de perfei&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica, que nos conduz ao purismo das suas origens greco-latinas.<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> Ademais, ressaltam tamb&eacute;m as refer&ecirc;ncias acerca de &#8220;[&#8230;] a divis&atilde;o sil&aacute;bica, a pontua&ccedil;&atilde;o e a orto&eacute;pia, assuntos que at&eacute; ent&atilde;o s&oacute; estavam situados &agrave; margem da ortografia.&#8221; (Kemmler, 2001: 217).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na senda do que acontecia com outros ort&oacute;grafos e gram&aacute;ticos, Feij&oacute; pretende apresentar uma ortografia diferente, que pudesse resolver os problemas presentes nas obras anteriores, das quais discorda, considerando que muitas vezes os seus autores se contradizem uns aos outros e a si mesmos<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> no que concerne &agrave;s teorias ortogr&aacute;ficas defendidas:</p>      <blockquote>    <p>Mas sendo muitas as Orthografias, que tem sahido &aacute; luz, e nos ensina&otilde; regras para os <i>accentos</i>, para a <i>pontua&ccedil;a&otilde;</i>, e <i>divisa&otilde;</i>, que se reduzem a preceitos certos; ainda na&otilde; sahio huma, que nos ensinasse a escrever com certeza as letras, de que se devem compor as dic&ccedil;oens, ou palavras na nossa lingua Portugueza; porque ja nos dizem, que devemos observar a <i>analogia</i>, e <i>etymologia</i> das palavras, imitando nas letras aquellas, donde tiverem a sua origem; ou aquellas com que tiverem sua propor&ccedil;a&otilde;, e similhan&ccedil;a; como em seu lugar explicaremos. Mas logo se desvia&otilde; destas regras em muitas palavras, que na&otilde; escrevem nem por analogia, nem por etymologia; dizendo, que assim escrevem os doutos na nossa lingua. Ja nos dizem, que a melhor Orthografia he aquella, que mais se accommoda com a recta pronuncia&ccedil;a&otilde; das palavras. (Feij&oacute;, 1781: 7-8).</p></blockquote>      <p>De seguida, o autor exp&otilde;e os seus argumentos para nos dar a conhecer a sua doutrina ortogr&aacute;fica: defende a etimologia em detrimento da pron&uacute;ncia, &agrave; qual se segue o crit&eacute;rio da analogia. &#8220;Esta seria aplic&aacute;vel aos numeros&iacute;ssimos casos de palavras que n&atilde;o remontam necessariamente a um dado &eacute;timo, mas s&atilde;o resultado de processos morfol&oacute;gicos (composi&ccedil;&atilde;o, deriva&ccedil;&atilde;o, etc.).&#8221; (Kemmler, 2001: 218).</p>      <p>Por seu turno, Soares Barbosa, na <i>Grammatica Philosophica</i>, considera igualmente a ortografia como a arte de escrever corretamente, no entanto apresenta uma perspetiva mais abrangente, contemplando, na sua proposta, os diferentes sistemas ortogr&aacute;ficos vigentes:</p>      <blockquote>    <p><i>A Orthographia</i> he a Arte de escrever certo, isto he, de representar exactamente aos olhos por meio dos caracteres Litteraes do Alphabeto Nacional, os sons, nem mais nem menos, de qualquer vocabulo, e na mesma ordem, com que se pronunci&atilde;o no uso vivo da Lingua: ou bem assim os que o mesmo vocabulo em outro tempo teve nas Linguas mortas, donde o houvemos.</p>      <p>Assim o vocabulo <i>Ortografia</i>, escripto por este modo, representa ao justo os sons de sua pronuncia&ccedil;&atilde;o viva na Lingua Portugueza. Por&ecirc;m escripto, como se v&ecirc; ao principio, representa, n&atilde;o so os sons, que tem presentemente, mas tambem os que teve em outro tempo no uso vivo da Lingua Grega, donde o houvemos. (Barbosa, 1822: 56)</p></blockquote>      <p>Esta defini&ccedil;&atilde;o, que retoma em quase tudo a apresentada pelo autor na <i>Eschola Popular</i>,<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup> remete-nos de imediato para os dois sistemas ortogr&aacute;ficos que durante as cent&uacute;rias setecentista e oitocentista foram amplamente discutidos. Soares Barbosa ilustra precisamente estes dois tipos de sistema recorrendo &agrave; palavra &#8216;ortografia&#8217;, que, dependendo da forma como se escreve, pode representar apenas o modo como se pronuncia ou a sua origem grega.</p>      <p>O autor prossegue, dizendo que:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>A primeira Orthographia chama-se da <i>Pronuncia&ccedil;&atilde;o</i>; porque n&atilde;o emprega caracteres alguns ociosos e sem valor: mas t&atilde;o somente os que correspondem aos sons vivos da Lingua. A segunda chama-se <i>Etymologica</i>, ou de <i>Diriva&ccedil;&atilde;o</i>; porque admitte letras, que presentemente n&atilde;o tem outro prestimo sen&atilde;o para mostrar a origem das palavras (<i>Idem</i>, 56-57).</p></blockquote>      <p>A par destes dois sistemas ortogr&aacute;ficos, muitas vezes contradit&oacute;rios, caminhava um sistema misto, que conciliava etimologia e pronuncia&ccedil;&atilde;o, tendo por base o uso:</p>      <blockquote>    <p>Entre estas duas Orthographias caminha a <i>usual</i>, assim chamada, porque n&atilde;o tem outra auctoridade se n&atilde;o a do uso presente e dominante; ja para seguir as Etymologias, e introduzir arbitrariamente escripturas mui alheas da pronuncia&ccedil;&atilde;o presente; ja para n&atilde;o fazer caso da diriva&ccedil;&atilde;o mesma, e incoherente em seus procedimentos escrever, por ex: <i>He</i>, <i>Huma</i> com H, que n&atilde;o ha na origem Latina; e <i>Filosofia</i>, e <i>Fyzica</i> com F e Z, que n&atilde;o ha nas palavras Gregas<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup> (<i>Idem</i>, 57).</p></blockquote>      <p>Destaque-se aqui a posi&ccedil;&atilde;o pioneira de Soares Barbosa em reconhecer formalmente a ortografia usual como uma das tr&ecirc;s poss&iacute;veis realiza&ccedil;&otilde;es. Na opini&atilde;o de Kemmler (2012: 314), &#8220;[&#8230;] &eacute; precisamente esta introdu&ccedil;&atilde;o formal do sistema misto, que oscila entre os dois sistemas &#8216;cl&aacute;ssicos&#8217; da teoria ortogr&aacute;fica, que deve ser considerada uma das maiores inova&ccedil;&otilde;es da <i>Grammatica philosophica</i> em mat&eacute;ria ortogr&aacute;fica&#8221;.</p>      <p>Na &oacute;tica barboseana, a import&acirc;ncia do uso na ortografia &eacute; tal que, na &uacute;nica regra que o autor estabelece para a ortografia etimol&oacute;gica, na qual refere que &#8220;<i>toda a palavra Portugueza</i>, <i>que for dirivada ou da Lingua Grega</i>, <i>ou da Latina</i>, <i>deve conservar na escriptura os caracteres da sua origem</i>, <i>que se poderem representar pelos do nosso Alphabeto</i>, <i>e forem compativeis com a nossa pronuncia&ccedil;&atilde;o</i>&#8221; (Barbosa, 1822: 68), acaba por concluir que o uso &eacute; soberano, fazendo todas as exce&ccedil;&otilde;es que assim entender: &#8220;<i>Mas o uso faz nesta regra todas as excep&ccedil;&otilde;es</i>, <i>que quer</i><sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup>&#8221; (<i>Ibidem</i>).</p>      <p>Ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o dos tr&ecirc;s sistemas ortogr&aacute;ficos, o gram&aacute;tico reflete sobre o acesso da popula&ccedil;&atilde;o a cada um deles. Considera que ao alcance do <i>Povo illitterato</i> s&oacute; est&aacute; a ortografia da pronuncia&ccedil;&atilde;o, uma vez que para escrever segundo este sistema n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio conhecer o funcionamento das l&iacute;nguas grega e latina, bastando apenas distinguir bem os sons de cada palavra:</p>      <blockquote>    <p>Ja se v&ecirc; que as Orthographias, <i>Etymologica</i> e <i>Usual</i> est&atilde;o totalmente f&oacute;ra do alcance do Povo illitterato. Porque nenhuma regra segura se lhe p&oacute;de dar, ou elle perceber para deixar de errar a cada passo, que n&atilde;o seja a de largar a penna a qualquer palavra, que queira escrever, para consultar o vocabulario da Lingua. Por&ecirc;m a Orthographia da <i>Pronuncia&ccedil;&atilde;o</i> n&atilde;o he assim. Rectificada que seja esta; n&atilde;o tem elle mais do que distinguir os sons, quer simples, quer compostos, de que consta qualquer palavra, e figural-os com os caracteres proprios, que os Alphabetos Nacionaes para isso lhe d&atilde;o (<i>Idem</i>, 57).</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se, por um lado, esta modalidade &eacute; a mais acess&iacute;vel &agrave;queles que n&atilde;o t&ecirc;m conhecimentos acerca das l&iacute;nguas cl&aacute;ssicas, por outro,</p>      <blockquote>    <p>ou por facil, ou por estranha ao uso presente da Na&ccedil;&atilde;o,<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup> n&atilde;o he do gosto dos homens Litteratos, que n&atilde;o tendo a mesma difficuldade que tem os idiotas, para escreverem segundo as Etymologias, julgari&atilde;o ter perdido seus estudos, se por isto se n&atilde;o distinguissem do vulgo imperito (<i>Ibidem</i>).</p></blockquote>      <p>Ap&oacute;s considerar as vantagens e desvantagens inerentes a cada sistema, Soares Barbosa, numa atitude conciliat&oacute;ria, prop&otilde;e-se apresentar as regras que caracterizam cada uma das ortografias. Assim, dedica os cap&iacute;tulos II e III &agrave;s <i>Regras proprias da Orthographia Etymologica</i>, e <i>Usual</i> e &agrave;s <i>Regras proprias da Orthographia da Pronuncia&ccedil;&atilde;o</i>, respetivamente. Note-se que no cap&iacute;tulo dedicado &agrave; ortografia da pronuncia&ccedil;&atilde;o, &agrave; semelhan&ccedil;a do que j&aacute; fizera na <i>Eschola Popular</i>, no artigo relativo &agrave; pontua&ccedil;&atilde;o, Barbosa adota a escrita da pronuncia&ccedil;&atilde;o, facilitando assim o acesso e a compreens&atilde;o das regras que est&aacute; a explanar.</p>      <p>Relativamente &agrave;s partes que integram a ortografia, o gram&aacute;tico considera que s&atilde;o duas, a saber:</p>      <blockquote>    <p>A primeira he a uni&atilde;o bem ordenada das Letras de qualquer vocabulo, correspondentes aos sons, e &aacute; sua ordem na boa pronuncia&ccedil;&atilde;o do mesmo. A segunda he a separa&ccedil;&atilde;o dos mesmos vocabulos e ora&ccedil;&otilde;es na Escriptura continuada, segundo a distinc&ccedil;&atilde;o, e subordina&ccedil;&atilde;o das ideas e sentidos, que exprimem. Aquella he objecto da Orthographia, tomada em hum sentido mais restricto; e esta he objecto da <i>Pontua&ccedil;&atilde;o</i> (<i>Idem</i>, 58).</p></blockquote>      <p>Desta divis&atilde;o decorrem, assim, dois n&iacute;veis de an&aacute;lise do sistema gr&aacute;fico: um primeiro relacionado com as &#8220;Letras&#8221;, correspondente ao plano alfab&eacute;tico, e outro relacionado com a pontua&ccedil;&atilde;o, correspondente ao plano extra-alfab&eacute;tico. Segundo Gon&ccedil;alves (2003: 284), &#8220;esta divis&atilde;o denota uma concep&ccedil;&atilde;o lata de sistema ortogr&aacute;fico que n&atilde;o se restringe, portanto, aos elementos alfab&eacute;ticos. A ela se deve que, desde o in&iacute;cio, tenhamos assumido o conceito de &laquo;ideia ortogr&aacute;fica&raquo; no seu sentido mais amplo [&#8230;]&#8221;.</p>      <p><b>2. Alfabeto</b></p>      <p>Na primeira edi&ccedil;&atilde;o, o alfabeto apresentado por Madureira Feij&oacute; &eacute; composto por vinte e quatro letras, que s&atilde;o as seguintes: A, B, C, D, E, F, G, H, I, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, X, Y, Z (cf. Feij&oacute;, 1734: 20). Na edi&ccedil;&atilde;o que estamos a usar, de 1781, o alfabeto j&aacute; apresenta vinte e cinco letras, adicionando-se o &lt;J&gt; (cf. Feij&oacute;, 1781: 24), as quais se dividem em vogais e consoantes:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>As vogaes sa&otilde; seis, <i>A, e, i, o, u, y.</i> Chamam-se vogaes, porque cada huma por si s&oacute; tem voz clara, e distincta. As mais chamam-se <i>Consoantes</i>, porque na sua pronuncia&ccedil;a&otilde; soa&otilde; juntamente com as vogaes; tanto, que se as escrevessemos como as pronunciamos, seria assim <i>Be, ce, de, ef, ge, ba, etc.</i> (<i>Ibidem</i>).</p></blockquote>      <p>Nas <i>Regras Communs a todas as Orthographias</i>, Jer&oacute;nimo Soares Barbosa prop&otilde;e trinta e um carateres para a escrita das palavras portuguesas, &#8220;[&#8230;] a saber: <i>5 vogaes oraes</i> A, E, I, O, U; <i>5 Nasaes</i> &Atilde;, ?, I, &Otilde;, U; e 21 <i>Consoantes</i> B, P, M, V, F, G, C, D, T, S (com vogal diante) Z, S, (sem vogal diante), X, J, CH, N, NH, L, LH, R, RR, como se p&oacute;de ver no Livro I. da Orthoepia, Cap. I, e II&#8221; (Barbosa, 1822: 58).</p>      <p>Como se pode verificar, o gram&aacute;tico n&atilde;o inclui, &#8220;[&#8230;] no Abecedario do uso Nacional&#8221; (<i>Ibidem</i>), o &lt;K&gt; e o &lt;Y&gt; e inclui as prola&ccedil;&otilde;es portuguesas &lt;CH&gt;, &lt;NH&gt;, &lt;LH&gt; e &lt;RR&gt;, ao contr&aacute;rio, por exemplo, do alfabeto proposto por Feij&oacute; na sua <i>Orthographia</i>.</p>      <p>Al&eacute;m do abeced&aacute;rio do uso, Soares Barbosa apresenta tamb&eacute;m &#8220;[&#8230;] o Abecedario vulgar, ou Typographico de 23 Letras, a saber: A, B, C, D, E, F, G, H, I, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, X, Y, Z [&#8230;]&#8221; (<i>Idem</i>, 59), que critica por d&eacute;fice e por excesso:</p>      <blockquote>    <p>[&#8230;] por huma parte he incompleto e falto n&atilde;o menos que de onze Letras, a saber: das cinco Nasaes &Atilde;, ?, I, &Otilde;, U; das duas Consoantes J, e V, e das quatro      <p>Prola&ccedil;&otilde;es CH, NH, LH, RR, que s&atilde;o humas verdadeiras Consoantes, posto que figuradas com duas Letras: e por outra parte o mesmo Abecedario vulgar he sobejo de tres Letras, a saber: o K, e Y, que s&atilde;o Gregas, e o H, que, ainda sendo signal de aspira&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o deve ter lugar entre as Consoantes, mas sim entre os Accentos Prosodicos, aonde pertence (<i>Ibidem</i>).</p></blockquote>      <p>Assim, na &oacute;tica do autor, para a ortografia das palavras portuguesas, n&atilde;o seriam necess&aacute;rias as duas letras gregas &lt;K&gt; e &lt;Y&gt;, pois estas podem-se &#8220;[&#8230;] substituir com as nossas Letras [&#8230;]&#8221; (<i>Idem</i>, 68). Relativamente &agrave; primeira letra, tamb&eacute;m Madureira Feij&oacute; perfilha a opini&atilde;o de que esta letra n&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria. Ainda assim, Feij&oacute; (1781: 72) inclui-a no alfabeto:</p>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A esta letra chama&otilde; os Gregos <i>Kappa</i>, e deles a tom&aacute;ra&otilde; os latinos, para escreverem alguns nomes, que pass&aacute;ra&otilde; para o seu uso. Mas no sentir de Prisciano he letra inutil; porque todas as palavras, que se escrevem com <i>K</i>, se podem escrever com <i>C</i>, excepto <i>Kyrie eleison</i>; porque o <i>C</i>, quando na&otilde; he aspirado com <i>H</i>, na&otilde; fere a vogal seguinte com o som de <i>K</i>. Na lingua portugueza he escusada, porque na&otilde; ha palavra, que se escreva com esta letra. Mas sendo ta&otilde; inutil, na&otilde; incorreo na desgra&ccedil;a daquelles, que sendo os primeiros no prestimo, sa&otilde; os ultimos na estima&ccedil;a&otilde;; porque entre as letras do nosso alfabeto occupa o decimo lugar.</p></blockquote>      <p>A inclus&atilde;o desta letra no alfabeto justifica-se, na &oacute;tica do ort&oacute;grafo, pela necessidade de &#8220;[&#8230;] que os meninos saiba&otilde; que tamb&eacute;m he letra, e como se figura&#8221; (Feij&oacute;, 1781: 24).</p>      <p>Relativamente ao <i>&lt;</i>y<i>&gt;</i>, enquanto Soares Barbosa considera que esta letra deve ser apenas usada &#8220;[&#8230;] nas palavras de origem Grega, que s&atilde;o menos trilhadas do Povo [&#8230;]&#8221; (Barbosa, 1822: 70), Feij&oacute; acaba por aceitar a utiliza&ccedil;&atilde;o do &lt;y&gt; em determinadas situa&ccedil;&otilde;es, quando assume que &#8220;[&#8230;] na&otilde; he superfluo entre n&oacute;s o <i>Y</i>&#8221; (Feij&oacute;, 1781: 99). Por isso, usa o &lt;y&gt; quando a semivogal est&aacute; em posi&ccedil;&atilde;o intervoc&aacute;lica (<i>cayado, payo, veyo</i>) e quando a grafia est&aacute; consagrada pelo uso em palavras como <i>rey, ley, pay, boy.</i> Por &uacute;ltimo, n&atilde;o deixa de enumerar as v&aacute;rias palavras que se escrevem com &lt;y&gt; devido &agrave; sua origem greco-latina, de que s&atilde;o exemplos <i>syllaba, metaphysica, hyperbole.</i></p>      <p>No que respeita aos casos em que o &lt;y&gt; &eacute; consagrado pelo uso e n&atilde;o tem qualquer fundamento etimol&oacute;gico, como os que Feij&oacute; apresenta, Soares Barbosa considera-os um abuso: &#8220;He por&ecirc;m abuso empregar o Y em palavras, que o n&atilde;o tem na sua origem, como <i>Ley</i>, <i>Rey</i>, <i>Moyo</i>, <i>Comboy &amp;c</i>&#8221; (Barbosa, 1822: 70).</p>      <p>Paralelamente, o gram&aacute;tico det&eacute;m-se numa reflex&atilde;o acerca da sequ&ecirc;ncia das unidades alfab&eacute;ticas, revelando aqui que, para al&eacute;m de ser um gram&aacute;tico linguista (cf. Sterse, 1989: 210), tamb&eacute;m &eacute; um gram&aacute;tico pedagogo.</p>       <p>Assim, verifica-se que o autor prop&otilde;e uma sequ&ecirc;ncia diferente daquela que &eacute; vulgarmente usada e que foi herdada do latim. Esta sequ&ecirc;ncia &eacute; criticada pelo mesmo pois, para al&eacute;m de desorganizada, dado que mistura consoantes e vogais, n&atilde;o tem em considera&ccedil;&atilde;o as afinidades entre as unidades: &#8220;N&atilde;o falo ja na desordem fortuita do mesmo Abecedario vulgar, em que as vozes se vem misturadas com as Consoantes, e estas sem ordem alguma entre si; antes contra toda a serie de sua gera&ccedil;&atilde;o, e dos org&atilde;os, a que pertencem&#8221; (Barbosa, 1822: 59). Posto isto, Soares Barbosa reorganiza o alfabeto, tornando-o &#8220;[&#8230;] fon&eacute;tico para que as pessoas reconhe&ccedil;am os sons b&aacute;sicos da l&iacute;ngua portuguesa e possam, a partir da fala, escrever a l&iacute;ngua com a ortografia da pronuncia&ccedil;&atilde;o, passando depois &agrave; ortografia vulgar (usual e etimol&oacute;gica) quando as tiverem aprendido&#8221; (Cagliari, 1985: 96).</p>      <p>Relativamente &agrave;s designa&ccedil;&otilde;es dadas &agrave;s consoantes, o autor tamb&eacute;m se afasta e critica o uso dominante e defende uma denomina&ccedil;&atilde;o que facilite a aprendizagem da leitura por parte das crian&ccedil;as, seguindo a pr&aacute;tica das &#8220;Na&ccedil;&otilde;es Civilizadas&#8221;, introduzida, como sabido, pela <i>Grammaire G&eacute;n&eacute;rale et Raisonn&eacute;e</i> de Port-Royal:<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup></p>      <blockquote>    <p>A nomenclatura vulgar de muitas destas Consonancias como s&atilde;o eMe, U, eFe, G&ecirc;, C&ecirc;, eSe, Xis, I, Ce H&agrave;g&aacute;, eNe, eNehag&aacute;, eLe Hag&aacute;, eRRe forte, eRRe brando, [&#8230;] he de hum grande embara&ccedil;o para o seu aproveitamento. Elle d&aacute; a muitas letras hum valor e som, que ellas n&atilde;o tem; a outras accrescenta outros, que as mesmas n&atilde;o tem, e que n&atilde;o servem sen&atilde;o para embrulhar e confundir-se o som proprio e verdadeiro.</p>      <p>Todas as Na&ccedil;&otilde;es Civilizadas tem ja largado, ha muito, este methodo; e dando &aacute;s Consoantes o seu valor proprio e uniforme por meio do <i>Seheva</i> [sic!], que ajunt&atilde;o a cada huma, deste modo: Be, Pe, Me, Ve, Fe, Gue, Que, De, Te, Se, Ze, Xe, Je, CHe, NHe, Ne, Le, LHe, Re, RRe [&#8230;] (Barbosa, 1822: 13).</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A implementa&ccedil;&atilde;o desta nomenclatura viria, assim, &#8220;[&#8230;] facilitar grandemente os methodos de soletrar, de Syllabar, e da Leitura, em que os mininos gast&atilde;o tanto tempo nas escholas com muito trabalho, e mui pouco fructo&#8221; (<i>Idem</i>, 13-14).</p>      <p>Outro aspeto importante que o gram&aacute;tico evidencia a respeito da escrita das letras e que &eacute; fundamental para facilitar a leitura por parte das crian&ccedil;as &eacute; a forma das letras. Os meninos devem principiar &#8220;[&#8230;] a Leitura por cartas e livros de letra impressa, mais regular, mais uniforme, mais certa, e por isso mesmo tambem mais facil, e mais propria para dar o leite das Primeiras Letras &aacute; tenra idade<sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup>&#8221; (<i>Idem</i>, 54).</p>      <p><b>3. Ditongos</b></p>      <p>Os ditongos constituem uma das &aacute;reas mais controversas entre a doutrina dos gram&aacute;ticos e ort&oacute;grafos, pois s&atilde;o fonte de diversas propostas e interpreta&ccedil;&otilde;es e, consequentemente, geradores de instabilidade gr&aacute;fica.</p>      <p>Na defini&ccedil;&atilde;o de ditongo, Feij&oacute; remete para a inseparabilidade f&oacute;nica de duas vogais que integram a mesma s&iacute;laba e para a origem da palavra: &#8220;9 Esta palavra <i>Dithongo</i> he tirada do Grego, e significa o som de duas vogaes; e por isso <i>Dithongo</i> he aquelle, que se faz de duas vogaes unidas, ou juntas debaixo de huma s&oacute; pronuncia&ccedil;a&otilde; [&#8230;]&#8221; (Feij&oacute;, 1781: 25).</p>      <p>Atente-se, agora, na defini&ccedil;&atilde;o proposta por Soares Barbosa:</p>      <blockquote>    <p><i>Diphthongo</i> quer dizer <i>hum som feito de dois</i>, isto he, duas vozes unidas em hum som. Mas duas vozes nunca se podem unir em hum som, sem que huma dellas pela sua brevidade e rapidez se acoste &aacute; outra, dando-lhe parte de sua quantidade, e esta fique muito mais longa em compara&ccedil;&atilde;o da outra. Huma pois necessariamente ha de ser mais longa e outra brevissima. A primeira na ordem das duas, que comp&otilde;em o Diphthongo, chama-se <i>Prepositiva</i>, e a segunda <i>Subjunctiva</i> (Barbosa, 1822: 14).</p></blockquote>      <p>Para a defini&ccedil;&atilde;o de ditongo, o autor atenta na etimologia da palavra, tendo em considera&ccedil;&atilde;o as duas palavras gregas que a comp&otilde;em. Assim, o ditongo consistir&aacute; na jun&ccedil;&atilde;o de duas vozes unidas num s&oacute; som. Alerta, tamb&eacute;m, para o facto de estas duas vozes n&atilde;o terem a mesma dura&ccedil;&atilde;o, ou seja, a mesma quantidade: uma &eacute; mais longa e outra mais breve, o que nos remete para a defini&ccedil;&atilde;o atual de ditongo, como conjunto de dois elementos, um de car&aacute;ter voc&aacute;lico e outro semivoc&aacute;lico. A primeira das vozes &eacute; a <i>prepositiva</i> e, segundo o autor, &eacute; sempre longa. A segunda deve ser mais r&aacute;pida e mais breve do que a <i>prepositiva</i> e designa-se <i>subjunctiva</i>.</p>      <p>Ap&oacute;s estas considera&ccedil;&otilde;es preliminares, o gram&aacute;tico passa &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o dos ditongos, considerando para a nossa l&iacute;ngua um total de dezasseis, dos quais dez s&atilde;o orais e seis nasais.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na p&aacute;gina 16 da <i>Grammatica</i>, Jer&oacute;nimo Soares Barbosa apresenta a listagem dos ditongos orais e nasais com as suas poss&iacute;veis grafias e respetiva exemplifica&ccedil;&atilde;o. Vejamos as propostas do autor:</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="t1">     <p align="center">Tabela 1. Listagem dos 10 ditongos orais</p>      <p align="center"><table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td valign="top" >    <p><b>Poss&iacute;veis grafias</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Exemplos</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>&aacute;i, ay, ae &aacute;o, au &eacute;i, &eacute;y</p>      <p>&ecirc;i, &ecirc;y, h&ecirc;i &eacute;o</p>      <p>&ecirc;o, &ecirc;u &iacute;o</p>      <p>&oacute;i, &oacute;e, &oacute;y &ocirc;i, &ocirc;e, &ocirc;y &uacute;i, &uacute;y</p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>P&aacute;i</i>, <i>P&aacute;y</i>, <i>P&aacute;es P&aacute;o</i>, <i>P&aacute;uta Pap&eacute;is</i>, <i>R&eacute;ys R&ecirc;i, L&ecirc;y</i>, <i>H&ecirc;i C&eacute;o</i></p>      <p><i>M&ecirc;o</i>, &Ecirc;u</p>      <p><i>Ouv&iacute;o</i></p>      <p><i>Her&oacute;is</i>, <i>Her&oacute;e</i>, <i>Comb&oacute;y B&ocirc;i</i>, <i>P&ocirc;es</i>, <i>M&ocirc;yo</i></p>      <p><i>F&uacute;i</i>, &Uacute;yvo</p></td> </tr>  </tbody> </table></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="t2">     <p align="center">Tabela 2. Listagem dos 6 ditongos nasais</p>      <p align="center"><table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td valign="top" >    <p><b>Poss&iacute;veis grafias</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Exemplos</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>&atilde;i, &atilde;e, aen, ain &atilde;o, h&atilde;o, am, aon ?e, ?i, em, en</p>      <p>&otilde;e, &otilde;i, oin, oem, oen &otilde;o, om, on</p>      <p>ui, uim, uin</p></td> <td valign="top" >    <p><i>M&atilde;i</i>, <i>M&atilde;e</i>, <i>Maens</i>, <i>Mains M&atilde;o</i>, <i>H&atilde;o</i>, <i>Mam, Maons B?e</i>, <i>B?is</i>, <i>Bem</i>, <i>Bens</i></p>      <p><i>P&otilde;e</i>, P&otilde;i, <i>Poins</i>, <i>Poem</i>, <i>Poens B&otilde;o</i>, <i>Bom</i>, <i>Bons</i></p>      <p><i>Rui</i>, <i>Ruim</i>, <i>Ruins</i></p></td> </tr>  </tbody> </table></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Desta listagem de ditongos, cabe-nos destacar a perspicaz distin&ccedil;&atilde;o que o gram&aacute;tico faz entre os planos f&oacute;nico e gr&aacute;fico, uma vez que para os dezasseis ditongos elencados (plano f&oacute;nico) apresenta quarenta e cinco poss&iacute;veis grafias (plano gr&aacute;fico) (cf. Gon&ccedil;alves, 2003: 468).</p>      <p>O n&uacute;mero de ditongos apresentado pelo gram&aacute;tico n&atilde;o &eacute; coincidente com o de Feij&oacute;, que defende a exist&ecirc;ncia dos seguintes ditongos: &lt;aa, ae, ay, ai, ao, au, ea, ee, eo, ey, ei, eu, io, oe, oy, oi&gt;. Esta lista permite-nos claramente confirmar a exist&ecirc;ncia de &#8220;[&#8230;] uma not&oacute;ria interfer&ecirc;ncia ou sobreposi&ccedil;&atilde;o do plano gr&aacute;fico no plano f&oacute;nico, dado muitas das enumera&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;rem variantes gr&aacute;ficas do mesmo ditongo.&#8221; (Gon&ccedil;alves, 2003: 83).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contrariamente a Soares Barbosa, Feij&oacute; n&atilde;o distingue os ditongos orais dos nasais e, destes &uacute;ltimos, apenas contempla os seguintes ditongos: &lt;a&atilde;, a?, &otilde;e, a&otilde;&gt;, presentes em <i>irm&atilde;a, ma&ccedil;a&atilde;, ca?s, pa?s, mel&otilde;es, tost&otilde;es</i>,<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup> <i>Alema&otilde;, Joa&otilde;</i>. Ademais, Soares Barbosa apresenta ainda os ditongos &lt;hei, ui, uy&gt;, que n&atilde;o surgem em Feij&oacute; e, inversamente, este contempla os ditongos</p>      <p>&lt;a&atilde;, ea&gt;. Relativamente ao ditongo &lt;ee&gt;, que apenas Feij&oacute; lista, o ort&oacute;grafo condena a sua utiliza&ccedil;&atilde;o, uma vez que o recurso ao acento agudo evitaria a duplica&ccedil;&atilde;o da vogal:</p>      <blockquote>    <p>13 Na&otilde; me lembra ter achado algum dithongo de dous <i>Ee</i> na lingua Portugueza; e se alguns escrevem <i>Fee See</i>, com elles, he erro manifesto, porque tal na&otilde; soa na sua pronuncia&ccedil;a&otilde;, nem sa&otilde; necessarios; pois basta o accento agudo para se escreverem com o som alto, com que se pronuncia&otilde; <i>F&eacute;, S&eacute;</i> [&#8230;] (Feij&oacute;, 1734: 26-27).</p></blockquote>      <p><b>4. Representa&ccedil;&atilde;o da nasalidade</b></p>      <p>A representa&ccedil;&atilde;o da nasalidade cria alguns problemas aos ort&oacute;grafos, uma vez que se trata de um campo marcado por uma instabilidade gr&aacute;fica e, por vezes, at&eacute; pol&eacute;mico.</p>      <p>Relativamente &agrave; representa&ccedil;&atilde;o da nasalidade nos ditongos, Soares Barbosa descreve os usos habituais, referindo que ela se pode marcar com recurso ao til ou atrav&eacute;s da sequ&ecirc;ncia de vogal mais consoante nasal, no entanto alerta para alguns inconvenientes que podem advir do uso de vogal e consoante nasal, nomeadamente o facto de se poderem confundir os ditongos nasais com as vogais nasais simples (<i>p&atilde;o</i> / <i>pam</i>)<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup> e de o &lt;n&gt; ser colocado fora do lugar no plural dos nomes (<i>maons / m&atilde;os</i>). A conclus&atilde;o &eacute; que o recurso ao til &eacute; o caminho mais seguro para evitar enganos:<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup></p>      <blockquote>    <p>Sobre o que cumpre advertir que ninguem se engane com a nossa Orthografia vulgar, que p&oacute;de muito facilmente induzir em erro, quando escreve os Diphthongos Nasaes humas vezes com a Prepositiva so sem a sua Subjunctiva, como <i>Pam</i>, <i>Bem</i>, em lugar de <i>P&atilde;o</i>, <i>B?e</i>; e outras com ambas as vozes sim, mas com a modifica&ccedil;&atilde;o Nasal f&oacute;ra do seu lugar, como em <i>Mains</i>, <i>Maons</i>, <i>Sermoens</i>, <i>Bens</i>, <i>Ruins</i>. Porque a nasalidade, marcada por n&oacute;s com o <i>Til</i> por cima da vogal, cahindo sempre nos nossos Diphthongos Nasaes sobre a prepositiva dos mesmos; a Orthographia vulgar a vem a p&ocirc;r no fim das duas vozes, f&oacute;ra do seu lugar, figurando-a com <i>N</i>, que tambem tem este valor, quando n&atilde;o he seguido de vogal. Este <i>N</i>, em lugar de <i>Til</i>, teria o seu lugar proprio immediatamente depois da prepositiva, se em vez de escrever <i>Mains</i>, <i>Maons</i>, <i>Sermoens</i>, <i>Beens</i>, <i>Ruins</i>, escrevessemos <i>Manis</i>, <i>Manos</i>, <i>Sermones</i>, <i>Benes</i>, <i>Runis</i>. Mas esta escriptura tinha o inconveniente de fazer do <i>N</i>, signal de nasalidade, hum <i>N</i> Consoante pela vogal que se lhe segue, como fazem os Hespanhoes. Para evitar pois este absurdo, cahio no outro de p&ocirc;r o signal nasal f&oacute;ra do seu lugar. Por&ecirc;m quem escrever os Diphthongos Nasaes constantemente com o <i>Til</i> por cima da prepositiva, evitar&aacute; hum e outro desacerto (Barbosa, 1822: 16-17).</p></blockquote>      <p>No caso de Feij&oacute;, verifica-se que na pr&aacute;tica recorre ao til ou &agrave; consoante para marcar a nasalidade, no entanto na defini&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup> que apresenta de til, considera-o como abreviatura e, neste sentido, refere que &eacute; usado para suprir as letras &lt;m,<sup><a href="#19" name="top19">[19]</a></sup>n&gt; quando s&atilde;o dobradas, quando temos um &lt;m&gt; em contexto de final de palavra, e &eacute; <i>sinal de abreviatura</i> em diversas palavras, como &eacute; o caso do q (q<i>ue</i>) e de alguns nomes patron&iacute;micos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas considera&ccedil;&otilde;es do ort&oacute;grafo revelam-nos que ele preconiza o til como sinal de abreviatura, no entanto verificamos que n&atilde;o lhe atribui a caracter&iacute;stica da nasalidade, o que leva Kemmler (2007: 368) a tecer o seguinte coment&aacute;rio:</p>      <blockquote>    <p>Embora parecesse ter captado a ess&ecirc;ncia do conceito da nasalidade no tratamento dos ditongos nasais, &eacute; curioso que Feij&oacute;, quando trata do til, recua ao considerar que o til, nos contextos mencionados, somente teria a fun&ccedil;&atilde;o de abreviatura de uma consoante nasal.</p></blockquote>      <p><i>4.1. Ditongo nasal [?&#771;w]</i></p>      <p>Como j&aacute; referimos, Feij&oacute; contempla os seguintes ditongos nasais: &lt;a&atilde;, a?, &otilde;e, a&otilde;&gt;. No caso deste &uacute;ltimo ditongo &lt;a&otilde;&gt;, Feij&oacute;, depois de analisar os argumentos apresentados por outros autores para justificar as suas op&ccedil;&otilde;es de grafia, assume uma posi&ccedil;&atilde;o diferenciada e explica:</p>      <blockquote>    <p>[&#8230;] todos os nomes, que acaba&otilde; com som forte [&#8230;] se escreva&otilde; com <i>a&otilde;</i>, como <i>Alema&otilde;, Christa&otilde;, Joa&otilde;, Sebastia&otilde;, &amp; c</i>. e os que forem breves, tera&otilde; accento na penultima, ou na vogal antecedente: como <i>Christ&oacute;va&otilde;, Est&ecirc;va&otilde;, &amp;c.</i> Nas linguagens dos verbos, as que acabarem breves, tera&otilde; os mesmos accentos nas vogaes penultimas ao dithongo, como: <i>Elles am&aacute;ra&otilde;, Ensin&aacute;ra&otilde;, L&ecirc;ra&otilde;, Ouv&iacute;ra&otilde;</i> do preterito; e as que forem longas, na&otilde; tera&otilde; os taes accentos. E se me disserem, que ainda fica d&uacute;vida no tempo donde falla&otilde;, na&otilde; tendo accento, porque poucos o usa&otilde;; respondo, que se escreva&otilde; as linguagens do futuro com <i>am</i>, e accento agudo sobre o <i>A</i>: v.g. se quizermos dizer que as n&aacute;os <i>part&iacute;ra&otilde;</i> hontem, ou <i>partir&atilde;o &aacute; manh&atilde;; quando escrevermos s&oacute; Part&iacute;ra&otilde;</i>, se for do preterito, ser&aacute; <i>Part&iacute;ra&otilde;</i> com accento agudo, ou circumflexo no <i>I</i>; e se for do futuro, ser&aacute; <i>Partir&aacute;m</i> com o mesmo accento no <i>A</i>; e na&otilde; <i>Partira&otilde;</i>, porque o til occupa o lugar do accento.&#8221; (Feij&oacute;, 1781: 80).</p></blockquote>      <p>Assim, Feij&oacute; distingue claramente os nomes ox&iacute;tonos que devem escrever-se com <i>a&otilde;</i>, como <i>Alema&otilde;, Christa&otilde;, Joa&otilde;, Sebastia&otilde;</i> e os nomes cuja s&iacute;laba t&oacute;nica n&atilde;o corresponde ao ditongo nasal e que, por isso, dever&atilde;o ser acentuados graficamente na s&iacute;laba anterior, como acontece com os exemplos fornecidos pelo autor <i>Christ&oacute;va&otilde;</i>, <i>Est&ecirc;va&otilde;</i>.</p>      <p>Relativamente &agrave;s formas verbais, Feij&oacute; prop&otilde;e a utiliza&ccedil;&atilde;o de um acento agudo ou circunflexo na pen&uacute;ltima s&iacute;laba para o pret&eacute;rito perfeito (<i>part&iacute;ra&otilde;</i>) e, no caso do futuro, apenas um til. Como alternativa &agrave; representa&ccedil;&atilde;o desta &uacute;ltima forma verbal, o autor indica a possibilidade de se recorrer &agrave; desin&ecirc;ncia &lt;&aacute;m&gt;, que implicaria o uso de um acento na &uacute;ltima s&iacute;laba.</p>      <p>Este ditongo &lt;a&otilde;&gt; pode ainda ser encontrado nas formas de plural de palavras &#8220;[&#8230;] que no castelhano acaba&otilde; em <i>ano</i> no singular, e no plural em <i>anos</i> [&#8230;]&#8221; (<i>Idem</i>, 112), como por exemplo <i>Cidada&otilde;s, Cortesa&otilde;s, Christa&otilde;s, Vila&otilde;s.</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para representar o ditongo [?&#771;w], Soares Barbosa prop&otilde;e as grafias &lt;&atilde;o, h&atilde;o, am, aon&gt;. Desta forma, encontramos duas grafias em que a nasalidade &eacute; marcada pelo til, &lt;&atilde;o, h&atilde;o&gt;, e outras duas em que &eacute; marcada pela sequ&ecirc;ncia vogal e consoante nasal, &lt;am, aon&gt;.</p>      <p>A grafia &lt;aon&gt; serve para marcar alguns plurais das palavras terminadas em &lt;&atilde;o&gt;, como <i>maons</i> e <i>saons</i>, no entanto, segundo o gram&aacute;tico esta grafia tem o inconveniente de colocar a nasalidade fora do lugar, pelo que n&atilde;o &eacute; uma forma adotada no seu texto.</p>      <p>No tocante &agrave; representa&ccedil;&atilde;o &lt;&atilde;o&gt;, notamos desde logo que o gram&aacute;tico n&atilde;o contempla na <i>taboa</i> a sua variante &lt;a&otilde;&gt;, que &eacute; recomendada por Feij&oacute;. Encontramos este ditongo no texto da gram&aacute;tica em palavras como <i>aspira&ccedil;&atilde;o</i>, <i>aten&ccedil;&atilde;o</i>, <i>can&ccedil;&atilde;o</i>, <i>christ&atilde;o</i>, <i>sabich&atilde;o</i>. Tal como em Feij&oacute;, esta representa&ccedil;&atilde;o est&aacute; tamb&eacute;m associada &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos plurais de alguns nomes portugueses em &lt;&atilde;o&gt;, que em castelhano terminam em &lt;ano&gt;, &#8220;[&#8230;] como <i>Christ&atilde;o Christ&atilde;os</i>, <i>Cortes&atilde;o Cortes&atilde;os</i>, <i>Gr&atilde;o Gr&atilde;os</i>, <i>Irm&atilde;o Irm&atilde;os</i>, <i>M&atilde;o M&atilde;os</i>, <i>Orf&atilde;o Orf&atilde;os</i>, <i>Org&atilde;o Org&atilde;os</i>, e poucos mais. Os nomes <i>Ben&ccedil;&atilde;o</i>, <i>Cidad&atilde;o</i>, e <i>Vill&atilde;o</i>, podem fazer de ambos os modos: <i>Ben&ccedil;&otilde;es</i>, ou <i>Ben&ccedil;&atilde;os</i>,<sup><a href="#20" name="top20">[20]</a></sup> <i>Cidad&otilde;es</i>, ou <i>Cidad&atilde;os</i>, <i>Vill&otilde;es</i>, ou <i>Vill&atilde;os</i>&#8221; (Barbosa, 1822: 135-136).</p>      <p>Relativamente &agrave; ocorr&ecirc;ncia de &lt;&atilde;o&gt; em formas verbais, verificamos que, na edi&ccedil;&atilde;o de 1822, &eacute; usado nos tempos do presente, do pret&eacute;rito e do futuro,<sup><a href="#21" name="top21">[21]</a></sup> o que significa que n&atilde;o se recorre &agrave; distin&ccedil;&atilde;o destes tempos atrav&eacute;s da oposi&ccedil;&atilde;o &lt;&atilde;o&gt;, para o futuro, e &lt;am&gt;, para os restantes tempos.<sup><a href="#22" name="top22">[22]</a></sup></p>      <p>Embora o gram&aacute;tico n&atilde;o discuta diretamente qual das duas grafias seria a indicada, h&aacute; passos do texto que nos permitem retirar algumas conclus&otilde;es. Assim, no par&aacute;grafo dedicado aos n&uacute;meros e pessoas do verbo, o autor esclarece que a terceira pessoa do plural termina constantemente &#8220;[&#8230;] ou em &atilde;o, ou em <i>em</i>, segundo a terceira do singular tem <i>a</i>, ou <i>e</i>&#8221; (<i>Idem</i>, 229). Num outro passo, no &acirc;mbito das regras comuns a todas as ortografias, ao aconselhar o uso de acento gr&aacute;fico para distinguir palavras que sem ele se confundiriam, o gram&aacute;tico apresenta como um dos exemplos as formas do pret&eacute;rito e do futuro:</p>      <blockquote>    <p><i>Todos convem em que</i>, <i>para representar todas as nossas 10 vozes oraes</i>, <i>mostradas na Taboa Cap. I. da Orthoepia</i>, <i>nos sirvamos so das cinco vogaes</i> a, e, i, o, u; <i>por&ecirc;m com a differen&ccedil;a dos Accentos vogaes</i>, <i>com que se distinguem</i>, <i>todas as vezes que esta distinc&ccedil;&atilde;o for necessaria para huma palavra univoca se n&atilde;o confundir com outra</i>, <i>como sem elles se confundiri&atilde;o</i> P&aacute;ra <i>verbo com</i> Para <i>preposi&ccedil;&atilde;o</i>, S&eacute; <i>nome com</i> S&ecirc; <i>verbo e</i> Se <i>Conjunc&ccedil;&atilde;o</i>, Av&oacute; <i>feminino com</i> Av&ocirc; <i>masculino</i>, e Am&aacute;r&atilde;o <i>preterito com</i> Amar&aacute;&otilde; <i>futuro</i> (<i>Idem</i>, 61).</p></blockquote>      <p>Se, para estas formas, o gram&aacute;tico prev&ecirc; um acento distintivo, &eacute; porque entendia que elas se escreveriam da mesma maneira, portanto com &lt;&atilde;o&gt;. Neste sentido, aponta, para o pret&eacute;rito, a utiliza&ccedil;&atilde;o de um acento agudo (ou circunflexo) na pen&uacute;ltima s&iacute;laba (<i>am&aacute;r&atilde;o</i>) e, para o futuro, na &uacute;ltima s&iacute;laba (<i>amar&aacute;&otilde;</i>). Neste &uacute;ltimo caso, distingue-se de Feij&oacute; ao propor o uso do acento para a forma de futuro.</p>      <p>A grafia desta &uacute;ltima forma, com o til colocado na <i>subjunctiva</i> do ditongo, &lt;a&otilde;&gt;, colide com a proposta que o gram&aacute;tico faz na p&aacute;gina 17, pois a&iacute; ele manifesta a prefer&ecirc;ncia de marcar a nasalidade dos ditongos com o til sobre a prepositiva dos mesmos, o que torna esta proposta para o futuro algo incoerente.</p>      <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es ?nais</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A leitura das duas obras evidencia a import&acirc;ncia que estes dois autores tiveram na sua &eacute;poca. No caso de Madureira Feij&oacute; e da sua <i>Ortographia</i>, esta foi uma obra cuja influ&ecirc;ncia perdurou pelo s&eacute;culo XIX, marcada pelo seu pendor etimologizante e pela defesa de um regresso &agrave; matriz cl&aacute;ssica. Esta perspetiva seria uma forma de distin&ccedil;&atilde;o entre os doutos e uma camada menos erudita,<sup><a href="#23" name="top23">[23]</a></sup> que preferiria guiar-se pelo crit&eacute;rio fon&eacute;tico e consequente defesa da simplicidade do sistema gr&aacute;fico, favorecendo a democratiza&ccedil;&atilde;o da escrita.</p>      <p>Na <i>Grammatica Philosophica</i>, muitos s&atilde;o os momentos em que o autor se revela flex&iacute;vel e aceita a diversidade de usos. Assim, logo a iniciar o segundo livro, ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o dos tr&ecirc;s sistemas ortogr&aacute;ficos, Soares Barbosa refere que a ortografia da pronuncia&ccedil;&atilde;o &eacute; a mais acess&iacute;vel para aqueles que n&atilde;o det&ecirc;m conhecimentos das l&iacute;nguas cl&aacute;ssicas, por&eacute;m conclui que esta n&atilde;o agrada aos doutos, que preferentemente escrevem segundo as etimologias. Como certamente entende que a sua fun&ccedil;&atilde;o &eacute; dar a conhecer a l&iacute;ngua, opta por descrever todos os sistemas, deixando liberdade na escolha: &#8220;Eu, para satisfazer a todos, porei primeiro as Regras communs a todas as Orthographias, e depois &aacute;s proprias a cada huma dellas. Quem quizer poder&aacute; escolher&#8221; (Barbosa, 1822: 57-58).</p>      <p>Na pr&aacute;tica, no momento da reda&ccedil;&atilde;o, apesar do esfor&ccedil;o de codifica&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica encetado por v&aacute;rios autores ao longo dos dois s&eacute;culos, verificamos que cabia a cada um a op&ccedil;&atilde;o por um caminho<sup><a href="#24" name="top24">[24]</a></sup> mais ou menos arcaizante, que estaria tamb&eacute;m condicionado pelo conhecimento que se tinha da l&iacute;ngua latina e pela defesa de um purismo ortogr&aacute;fico, assente na sua filia&ccedil;&atilde;o latina.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Arnauld &amp; Lancelot (1780), <i>Grammaire G&eacute;n&eacute;rale et Raisonn&eacute;e</i>, Quatri&eacute;me &eacute;dition, Paris, Chez Durand neveu, Libraire.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0807-8967201400010001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>[Barbosa, Jer&oacute;nimo Soares] (1796c), <i>Eschola Popular das Primeiras Letras dividida em quatro partes</i>. Parte Terceira. <i>da Calligraphia, E Orthographia, ou arte de escrever bem e certo a lingua portugueza</i>, Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0807-8967201400010001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Barbosa, Jer&oacute;nimo Soares (1822): <i>Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza ou principios da grammatica geral applicados &aacute; nossa linguagem</i>, Lisboa, Typographia da Academia das Sciencias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0807-8967201400010001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Barbosa, Jer&oacute;nimo Soares (92005), <i>Gram&aacute;tica Filos&oacute;fica da L&iacute;ngua Portuguesa (1822)</i>, Edi&ccedil;&atilde;o anast&aacute;tica, coment&aacute;rio e notas cr&iacute;ticas de Amadeu Torres, Braga, Publica&ccedil;&otilde;es da Faculdade de Filosofica, Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0807-8967201400010001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cagliari, Luiz Carlos (1985), &#8220;A escrita na gram&aacute;tica de Jer&ocirc;nimo Soares Barbosa&#8221;. In: <i>Anais de Semin&aacute;rios do Gel</i>, Bauru, GEL, pp. 93-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0807-8967201400010001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Coelho, S&oacute;nia (2013), <i>A</i> Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza <i>de Jer&oacute;nimo Soares Barbosa: Edi&ccedil;&atilde;o Cr&iacute;tica, Estudo e Notas</i>, Vila Real, Centro de Estudos em Letras / UTAD.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0807-8967201400010001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Feij&oacute;, Jo&atilde;o de Morais Madureira (11734), <i>Orthographia, ou arte de escrever, e pronunciar com acerto a lingua portugueza para uso do excellentissimo duque de Lafoens</i>, Lisboa Occidental, Na Officina de Miguel Rodrigues.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0807-8967201400010001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Feij&oacute;, Jo&atilde;o de Morais Madureira (21739), <i>Orthographia, ou arte de escrever, e pronunciar com acerto a lingua portugueza para uso do excellentissimo duque de Lafoens</i>, Lisboa Occidental, Na Officina de Miguel Rodrigues.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0807-8967201400010001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Feij&oacute;, Jo&atilde;o de Morais Madureira (31781), <i>Orthographia, ou arte de escrever, e pronunciar com acerto a lingua portugueza para uso do excellentissimo duque de Lafoens</i>, Lisboa, na Regia Officina Typografica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0807-8967201400010001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fontes, Susana (2013), Gazeta de Lisboa (1715-1716 e 1815): <i>Estudo Inform&aacute;ticoLingu&iacute;stico</i>, Vila Real, Centro de Estudos em Letras / UTAD.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0807-8967201400010001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Maria Filomena (1992), <i>Madureira Feij&oacute;: ortografista do s&eacute;culo XVIII; para uma hist&oacute;ria da ortografia portuguesa</i>, Lisboa, Instituto de Cultura e L&iacute;ngua Portuguesa, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (Identidade S&eacute;rie L&iacute;ngua Portuguesa).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0807-8967201400010001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Maria Filomena (2003), <i>As ideias ortogr&aacute;ficas em Portugal. De Madureira Feij&oacute; a Gon&ccedil;alves Viana (1734-1911)</i>, Braga, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0807-8967201400010001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kemmler, Rolf (2001), &#8220;Para uma hist&oacute;ria da ortografia portuguesa: o texto metaortogr&aacute;fico e a sua periodiza&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XVI at&eacute; &agrave; reforma ortogr&aacute;fica de 1911&#8221;, <i>Lusorama</i> Nr. 47-48 (Oktober 2001), pp. 128-319.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0807-8967201400010001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kemmler, Rolf (2007), <i>A Academia Orthogr&aacute;fica Portugueza na Lisboa do S&eacute;culo das Luzes</i>. <i>Vida, obras e actividades de Jo&atilde;o Pinheiro Freire da Cunha (1738-1811)</i>, Frankfurt am Main, Domus Editoria Europaea.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0807-8967201400010001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kemmler, Rolf (2012), &#8220;A evolu&ccedil;&atilde;o das ideias ortogr&aacute;ficas de Jer&oacute;nimo Soares Barbosa: da Escola Popular (1796) &agrave; Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza (1822)&#8221;, in Armanda Costa, Cristina Flores &amp; N&eacute;lia Alexandre (org.), <i>XXVII Encontro Nacional da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Lingu&iacute;stica: Textos Selecionados</i>, CD-ROM, pp. 297-318.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0807-8967201400010001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Louro, Jos&eacute; In&ecirc;s (1952), &#8220;Origem e flex&atilde;o dalguns nomes portugueses em &#8211;&atilde;o&#8221;. In: <i>Boletim de Filologia</i>. Tomo XIII, Lisboa, Centro de Estudos Filol&oacute;gicos, pp. 35-65, dispon&iacute;vel em <a href="http://cvc.instituto-camoes.pt/bdc/lingua/boletimfilologia/13/pag37_65.pdf" target="_blank">http://cvc.instituto-camoes.pt/bdc/lingua/boletimfilologia/13/pag37_65.pdf</a>, consultado em 12 de fevereiro de 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0807-8967201400010001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Marquilhas, Rita (1987), &#8220;O acento, o h&iacute;fen e as consoantes mudas nas Ortografias antigas portuguesas&#8221;, in Ivo Castro, In&ecirc;s Duarte &amp; Isabel Leiria (eds.), <i>A demanda da ortografia portuguesa,</i> Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Jo&atilde;o S&aacute; da Costa, pp. 103-116.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0807-8967201400010001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Marquilhas, Rita (1991), <i>Norma Gr&aacute;fica Setecentista</i> &#8211; <i>Do Aut&oacute;grafo ao Impresso</i>, Lisboa, Instituto Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, Centro de Lingu&iacute;stica da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0807-8967201400010001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Nunes, Jos&eacute; Joaquim (1989), <i>Comp&ecirc;ndio de Gram&aacute;tica hist&oacute;rica portuguesa</i>, Lisboa, Cl&aacute;ssica Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0807-8967201400010001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silva, Inoc&ecirc;ncio Francisco da (1859), <i>Diccionario Bibliographico Portuguez</i>, Volume III, Lisboa, na Imprensa Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0807-8967201400010001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sterse, C&eacute;lia Maria Limongi (1989), <i>A Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza &#8211; uma gram&aacute;tica antiga e atual</i>, Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado n&atilde;o publicada, S&atilde;o Paulo, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0807-8967201400010001800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Tavani, Giuseppe (1987), &#8220;Antecedentes hist&oacute;ricos: a ortografia da l&iacute;ngua portuguesa&#8221;, in Ivo Castro, In&ecirc;s Duarte &amp; Isabel Leiria (eds.), <i>A demanda da ortografia portuguesa</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Jo&atilde;o S&aacute; da Costa, pp. 201-203.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0807-8967201400010001800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Vieira, Carlos Augusto de Figueiredo (1844), <i>Ensaio sobre a Orthographia Portugueza</i>, Porto, Typographia Commercial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0807-8967201400010001800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Williams, Edwin (1991), <i>Do latim ao portugu&ecirc;s</i>: <i>fonologia e morfologia hist&oacute;ricas da l&iacute;ngua portuguesa</i>, 5.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro (Tradu&ccedil;&atilde;o de Ant&ocirc;nio Houaiss).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0807-8967201400010001800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup>No nosso trabalho, usaremos a 3&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, de 1781, por se tratar da primeira edi&ccedil;&atilde;o p&oacute;stuma, a partir da qual se registaram as principais altera&ccedil;&otilde;es.</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>Acerca das edi&ccedil;&otilde;es e da import&acirc;ncia desta obra, leiam-se as palavras que Inoc&ecirc;ncio escreve depois de apresentar a segunda edi&ccedil;&atilde;o:</p>      <p>Multiplicaram-se depois as edi&ccedil;&otilde;es sucessivamente, sempre com a indica&ccedil;&atilde;o de <i>mais correccentertas</i>, ate &aacute; decima, que &eacute; de Lisboa, 1824. 4.&ordm; Depois d&#8217;esta sahiram ainda n&atilde;o sei quantas. Uma que tenho presente, com a designa&ccedil;&atilde;o de <i>nova edi&ccedil;&atilde;o mais correcta</i> &eacute; de Lisboa 1836. 4.&ordm; centerE o caso &eacute;, que todas se acham hoje exaustas, por modo que se tracta de publicar com toda a brevidade uma, que me dizem estar no pr&eacute;lo.</p>      <p>V&ecirc;-se pois, que n&atilde;o obstante a censura do P. Francisco Jos&eacute; Freire, [&#8230;] a sua <i>Orthographia</i> ha sido sempre a mais seguida e geral entre n&oacute;s (Silva, 1859, III: 422-423).</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>Com o Renascimento, a admira&ccedil;&atilde;o que j&aacute; existia pelo latim redobrou, subjugando os esp&iacute;ritos por forma tal, que a sua ortografia tornou-se modelo da nossa, que foi em grande parte posta de lado, em preju&iacute;zo da l&iacute;ngua, da qual muitos sons deixaram de ser representados consoante a sua pron&uacute;ncia secular. Essa obsess&atilde;o era tal que, porque assim se escrevera em latim, entracenterram a empregar-se caracteres que n&atilde;o correspondiam a nenhum som da fala, resultando da&iacute; duplica&ccedil;&atilde;o de consoantes em casos perfeitamente escusados, e a generaliza&ccedil;&atilde;o do emprego dos s&iacute;mbolos <i>ch</i>, <i>ph</i>, <i>th</i> e <i>rh</i>, que dantes eram de uso restrito (Nunes, 1989: 195-196).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>Kemmler (2012: 304) cr&ecirc; &#8220;[&#8230;] tratar-se efetivamente da primeira vez que o termo &#8216;ortografia usual&#8217; se encontra referido explicitamente numa obra metalingu&iacute;stica portuguesa [&#8230;]&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>Podemos considerar que existem tr&ecirc;s momentos distintos que marcam a hist&oacute;ria da ortogracenterfia portuguesa:</p>      <p>[&#8230;] o primeiro dos quais, caracterizado por uma certa ader&ecirc;ncia da escrita &agrave; pron&uacute;ncia, abra&ccedil;a os s&eacute;culos que v&atilde;o do XIII at&eacute; cerca de meados do XVI; o segundo per&iacute;odo (de ortocentergrafia etimol&oacute;gica) vai do Renascimento at&eacute; ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XX e o terceiro (per&iacute;odo das reformas ortogr&aacute;ficas) desenvolve-se desde ent&atilde;o (Tavani, 1987: 201).</p>      <p>A este respeito veja-se tamb&eacute;m Williams (1991) e Kemmler (2001).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup>O crit&eacute;rio etimol&oacute;gico seria o &uacute;nico a assegurar a estabilidade necess&aacute;ria para garantir a codicenterfica&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, o que seria mais dif&iacute;cil atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o do crit&eacute;rio fon&eacute;tico, devido &agrave; instabilidade que lhe est&aacute; associada. A este respeito, Kemmler (2007: 324) aduz:</p>      <p>Al&eacute;m da impossibilidade de isolar um modelo orto&eacute;pico geral dentro do diassistema do seu tempo, modelo no qual se poderia basear o sistema ortogr&aacute;fico, outro dos argumentos princentercipais de Feij&oacute; &eacute; a mudan&ccedil;a lingu&iacute;stica que faria com que um sistema fonogr&aacute;fico passasse a ser desactualizado. A solu&ccedil;&atilde;o &eacute; &oacute;bvia: &eacute; o recurso &agrave; etimologia e &agrave; analogia que garante a necess&aacute;ria estabilidade ortogr&aacute;fica.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>A prop&oacute;sito da <i>Orthographia</i> de Feij&oacute;, Williams (1991: 41) considera que a mesma &#8220;[&#8230;] teve tremenda influ&ecirc;ncia em favor da causa das grafias etimol&oacute;gicas por mais de um s&eacute;culo e meio&#8221;. Referindo-se ao seu autor, diz-nos que ele &#8220;[&#8230;] n&atilde;o s&oacute; instava pela grafia latina de palavras rec&eacute;mintroduzidas, mas tamb&eacute;m pela sua pron&uacute;ncia na conformidade com a grafia.&#8221;</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup>Quanto aos <i>Orthografos</i>, que ja nos ensin&aacute;ra&otilde; as regras desta arte, de tres que li, nenhum deve ser imitado; na&otilde; so porque escrev&ecirc;ra&otilde; em tempo, em que a nossa lingua estava menos apurada, e por isso as suas regras se na&otilde; conforma&otilde; ja com a melhor pronuncia&ccedil;a&otilde;; mas porque huns contradizem aos outros, e athe a si mesmos se contradizem. (Feij&oacute;, 1781: 9).</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>Na terceira parte da <i>Eschola popular</i>, <i>Da calligraphia, e orthographia, ou arte de escrever bem e certo a lingua portugueza</i>, pode ler-se a seguinte defini&ccedil;&atilde;o de ortografia:</p>     <p>Orthographia he a Arte de escrever certo, isto he, de representar exactamente aos olhos por meio dos caracteres litteraes do Alphabeto Nacional os sons nem mais nem menos de qualquer vocabulo, e na mesma ordem, em que se pronunci&atilde;o no uso vivo da lingua; ou bem assim os que o mesmo vocabulo em outro tempo teve nas linguas mortas, donde nos veio. Assim o vocabulo <i>Ortografia</i>, escripto deste modo, representa ao justo os sons da sua pronuncia&ccedil;&atilde;o viva na Lingua Portugueza. Porem escripto como se v&ecirc; ao principio, representa n&atilde;o s&oacute; os sons que tem, mas tambem os que teve em outro tempo no uso vivo da Lingua Grega, donde o houvemos (Barbosa, 1796c: 56).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Acerca da compara&ccedil;&atilde;o entre estas duas defini&ccedil;&otilde;es, consulte-se Kemmler (2012).</p>      <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup>Como aduz Kemmler (2001: 250):</p>      <p>Temos de reconhecer que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil expor as ideias ortogr&aacute;ficas de um ort&oacute;grafo que adere &agrave; corrente usual. Face &agrave;s palavras do gram&aacute;tico torna-se claro porqu&ecirc;: o sistema &eacute; uma mistura de dois sistemas antag&oacute;nicos. Como tal, o resultado da mistura podia e devia ser diferente de um ort&oacute;grafo para o outro e, naturalmente, de um indiv&iacute;duo para o outro.</p>      <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup>Esta postura vale-lhe a cr&iacute;tica do ort&oacute;grafo Carlos Augusto de Figueiredo Vieira (1844: 15): Em 1822 publicou J. S. Barbosa sua grammatica philosophica da lingua portugueza, onde tracta tambem da orthographia. Em vez por&eacute;m de collocar-se no logar que lhe competia, expoz o erudito philologo as regras peculiares aos dous systemas orthographicos, e tendo estabelecido como regra primaria d&#8217;um d&#8217;elles &#8211; que a etymologia deveria regular a escriptura das palavras, &#8211; a conclue confessando &#8211; que o uso fazia n&#8217;essa regra as excep&ccedil;&otilde;es que queria &#8211;.</p>      <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup>Atrav&eacute;s destas palavras, fica claro que a ortografia da pronuncia&ccedil;&atilde;o era um modelo &#8216;estranho&#8217; &agrave; pr&aacute;tica da na&ccedil;&atilde;o, o que nos permite concluir que as v&aacute;rias propostas de implementa&ccedil;&atilde;o deste sistema n&atilde;o surtiram os efeitos desejados.</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup>Grammaire G&eacute;n&eacute;rale</i> encontra-se precisamente a teoria de que &agrave;s consoantes apenas se deve juntar um <i>e</i> mudo, para facilitar a sua pronuncia&ccedil;&atilde;o: &#8220;Qu&#8217;on ne leur nomm&acirc;t aussi les consonnes que par leur son naturel, en y ajoutant seulement l&#8217;<i>e</i> muet, qui est n&eacute;cessaire pour les prononcer: par exemple qu&#8217;on donn&acirc;t pour nom &agrave; <i>b</i>, ce qu&#8217;on prononce dans la derniere syllabe de <i>tombe</i>; &agrave; <i>d</i> celui de la derniere syllabe de <i>ronde</i>; &amp; ainsi des autres qui n&#8217;ont qu&#8217;un seul son&#8221; (Arnauld &amp; Lancelot, 1780: 61).</p>      <p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup>Na <i>Eschola Popular</i>, quando discute em que momento se deve ensinar a escrita &agrave;s crian&ccedil;as e como, o gram&aacute;tico apresenta a mesma postura te&oacute;rica relativamente aos tipos de letra, defendendo a aprendizagem da leitura atrav&eacute;s de carateres impressos:</p>      <p>Os Meninos n&atilde;o se devem ensinar a Escrever, sen&atilde;o depois de terem j&aacute; alguma fi meza nos musculos da m&atilde;o, de cujos movimentos depende a forma&ccedil;&atilde;o dos caracteres; e depois de saberem l&ecirc;r desembara&ccedil;adamente a letra impressa tanto rodonda como bastarda; e antes de entrarem na leitura da letra de m&atilde;o ou diplomatica. A raz&atilde;o disso he evidente. [&#8230;] Em fi as f&oacute;rmas da letra impressa s&atilde;o sempre regulares, constantes e uniformes: as da diplomatica pela maior parte irregulares, variadas, e dissemelhantes. Aquellas pois podem-se fi r na memoria para se pintarem no papel; estas n&atilde;o: aquellas s&atilde;o bons modelos, estas pessimos (Barbosa, 1796c: 1-2).</p>      <p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup>Tal como Kemmler (2001: 210) alerta, &#8220;Mais not&aacute;vel ainda &eacute; que para as formas do plural, Feij&oacute; (1734: 25; 1739: 20) muitas vezes usa &lt;-oens&gt; em vez de &lt;-&otilde;es&gt;, como postula (<i>Feij&otilde;es, Tost&otilde;es,</i> mas <i>Lafoens, dic&ccedil;oens</i>).&#8221;</p>      <p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup>&#8220;<i>Pam</i>, <i>Bom</i>, <i>Bem</i>, que val o mesmo que <i>P&atilde;</i>, <i>B&otilde;</i>, <i>B?</i>, em lugar de duas <i>P&atilde;o</i>, <i>B&otilde;o</i>, <i>B?e</i> &amp;c&#8221; (Barbosa, 1822: 65).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup>De acordo com Rita Marquilhas (1991: 84):</p>      <p>&Eacute; antiga (remonta ao s&eacute;culo XVI, ou seja, aos alvores da metalingu&iacute;stica portuguesa) a discuss&atilde;o te&oacute;rica sobre a grafia destes ditongos; no s&eacute;culo XVIII a quest&atilde;o continua a ser debatida entre os gram&aacute;ticos. A n&iacute;vel pr&aacute;tico, a escolha mais frequente &eacute; a da utiliza&ccedil;&atilde;o da grafia com til, mas n&atilde;o deixa de ser usado o grafema pr&oacute;prio da consoante nasal junto do grafema voc&aacute;lico.</p>      <p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup>O <i>Til</i> pela figura, com que se f&oacute;rma, na&otilde; he letra, mas hum mero supplemento de algumas letras inventado para as abbreviaturas de muitas palavras, nas quaes suppre o <i>Til</i> aquella letra, que por brevidade deixamos; e sempre se p&otilde;e como apice sobre a palavra no lugar correspondente &aacute; letra que suppre. (Feij&oacute; 1781: 108).</p>      <p><sup><a href="#top19" name="19">[19]</a></sup>A utiliza&ccedil;&atilde;o do til como forma de abreviatura tinha muitas vezes o objetivo de rentabilizar o espa&ccedil;o ocupado pelas palavras na frase, tal como reconhece Williams (1991: 34): &#8220;O til foi usado pelo <i>m</i> intervoc&aacute;lico para ganhar espa&ccedil;o num esf&ocirc;r&ccedil;o de manter a linha dentro dos limites da margem direita.&#8221;</p>      <p><sup><a href="#top20" name="20">[20]</a></sup>Jos&eacute; In&ecirc;s Louro aponta esta palavra precisamente como uma das que passaram do terceiro grupo (palavras que formam o plural em &lt;&otilde;es&gt;) para o primeiro grupo (palavras em &lt;&atilde;o&gt; desde o princ&iacute;pio da l&iacute;ngua e que fazem o plural em &lt;&atilde;os&gt;): &#8220;[&#8230;] <i>b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o</i> (&lt; <i>ben&ccedil;&atilde;o</i>, pl. <i>ben&ccedil;&otilde;es</i>) passou para o primeiro (<i>b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o</i>, pl. <i>b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os</i>) por ter deslocado o acento (pois todas as formas em &#8211;&atilde;o &aacute;tono t&ecirc;m esta flex&atilde;o) [&#8230;]&#8221; (Louro, 1952: 45).</p>      <p><sup><a href="#top21" name="21">[21]</a></sup>Na <i>Gazeta de Lisboa</i> de 1815, Fontes (2013:132) apenas detetou formas verbais em &lt;&atilde;o&gt;, n&atilde;o existindo nenhuma ocorr&ecirc;ncia em &lt;am&gt;, o que est&aacute; em conson&acirc;ncia com o que acontece no nosso texto de 1822.</p>      <p><sup><a href="#top22" name="22">[22]</a></sup>Na reflex&atilde;o que faz acerca da origem do ditongo &lt;&atilde;o&gt; final, Williams (1991:182) refere que &#8220;&eacute; muito prov&aacute;vel que tenha sido por analogia de <i>va&atilde;o</i> que &atilde;o se tenha tornado a termina&ccedil;&atilde;o da terceira pessoa do plural que originalmente terminava em &#8211;<i>am</i> e &#8211;<i>om</i>&#8221;.</p>      <p><sup><a href="#top23" name="23">[23]</a></sup>Contrariamente &agrave; Academia Espanhola, que reformava a ortografia no s&eacute;culo XVIII com base em princ&iacute;pios fon&eacute;ticos racionais, a Academia de Lisboa continuava a consagrar a etimologia como princ&iacute;pio mais importante. Segundo Williams (1991: 41), &#8220;Talvez f&ocirc;sse influenciada nessa pol&iacute;tica pela ortografia francesa e pelo desejo pedante de marcar um f&ocirc;sso distintivo entre os homens de letras e o pequeno n&uacute;mero de pessoas que sabiam ler.&#8221;</p>      <p><sup><a href="#top24" name="24">[24]</a></sup>Marquilhas (1987: 103) alude a esta quest&atilde;o da escolha individual que marcou a ortografia nacional: &#8220;[...] at&eacute; 1911, nunca se p&ocirc;de falar de uma &uacute;nica e coerciva ortografia nacional, pelo que a subvers&atilde;o individual de quaisquer regras adquiridas n&atilde;o significava mais que uma mera op&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica pessoal.&#8221;</p>       ]]></body><back>
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