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<journal-title><![CDATA[Revista Diacrítica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A receção da revolução dos cravos em França ou da descoberta de um novo rosto português: alguns contributos]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Throughout time, the relational dimension between the Portuguese and French cultures has been characterized by a univocal attention and knowledge, and by imports of productive models. While they can be detected over time in the French imaginary presences concerning Portugal, the truth is that disinterest and ignorance in view of Portugal are majority at the time that an unexpected revolution takes place. The April Revolution will then be a turning point? In order to reflect on perceptions and representations of the April Revolution in France, we will address two issues: the role of translated literature in French literary system and the echoes of Carnation Revolution in French literature.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Relações culturais luso-francesas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Revolução dos Cravos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Imagens de Portugal]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Cultural relations Portugal-France]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[images of Portugal]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>40 ANOS DE ABRIL</b></p>      <p><b>A rece&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o dos cravos em Fran&ccedil;a ou da descoberta de um novo rosto portugu&ecirc;s: alguns contributos</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>F&aacute;tima Outeirinho*</b></p>      <p>*Universidade do Porto & Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, Porto/Lisboa, Portugal.</p>      <p><a href="mailto:outeirinho@letras.up.pt">outeirinho@letras.up.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>A dimens&atilde;o relacional entre a cultura portuguesa e a cultura francesa caracterizou-se no fio do tempo, j&aacute; longo, por uma univocidade de aten&ccedil;&atilde;o, de conhecimento e de importa&ccedil;&atilde;o de modelos produtivos.</p>     <p>Muito embora possam ent&atilde;o ser detetadas no fio do tempo presen&ccedil;as no imagin&aacute;rio franc&ecirc;s que tomam Portugal por objeto, a verdade &eacute; que o desinteresse e desconhecimento face ao espa&ccedil;o luso s&atilde;o maiorit&aacute;rios, no momento em que se d&aacute; em Portugal uma inesperada revolu&ccedil;&atilde;o. A Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril ser&aacute; ent&atilde;o ponto de viragem?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com o objetivo de refletir sobre perce&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es da Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril em Fran&ccedil;a, consideraremos duas quest&otilde;es: o que pode a literatura traduzida e quais os ecos da Revolu&ccedil;&atilde;o na literatura francesa.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: Rela&ccedil;&otilde;es culturais luso-francesas, Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, Imagens de Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>Throughout time, the relational dimension between the Portuguese and French cultures has been characterized by a univocal attention and knowledge, and by imports of productive models.</p>     <p>While they can be detected over time in the French imaginary presences concerning Portugal, the truth is that disinterest and ignorance in view of Portugal are majority at the time that an unexpected revolution takes place. The April Revolution will then be a turning point? In order to reflect on perceptions and representations of the April Revolution in France, we will address two issues: the role of translated literature in French literary system and the echoes of Carnation Revolution in French literature.</p>      <p><b>Keywords</b>: Cultural relations Portugal-France, Carnation Revolution, images of Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>A dimens&atilde;o relacional entre a cultura portuguesa e a cultura francesa caracterizou-se no fio do tempo, j&aacute; longo, por uma univocidade de aten&ccedil;&atilde;o, de conhecimento e de importa&ccedil;&atilde;o de modelos produtivos que Eduardo Louren&ccedil;o, Nuno J&uacute;dice ou Daniel-Henri Pageaux t&atilde;o bem sublinharam em diversos estudos. Em col&oacute;quios organizados na d&eacute;cada de 80, no Centro Cultural de Paris, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, e que visavam uma reflex&atilde;o e rastreamento dos contactos, trocas ou di&aacute;logos Portugal-Fran&ccedil;a, Eduardo Louren&ccedil;o salientava a comunica&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica entre os dois espa&ccedil;os culturais e Nuno J&uacute;dice lembrava a sateliza&ccedil;&atilde;o cultural portuguesa face ao espa&ccedil;o franc&ecirc;s. Em contributo de 2005, Daniel-Henri Pageaux referia tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es triangulares (Fran&ccedil;a, Espanha Portugal) condicionadoras de processos de "assimetria, ignor&acirc;ncia, miragem ou bloqueio"<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> (Pageaux, 2005:15) a rodearem Portugal-Fran&ccedil;a.</p>      <p>J&aacute; em 1984, o mesmo estudioso, na obra <i>Imagens de Portugal na Cultura Francesa</i>, lembrava que na <i>longue dur&eacute;e</i>"Portugal permanece (&#8230;) como uma terra inc&oacute;gnita, um pa&iacute;s desconhecido pela maior parte dos franceses, um pa&iacute;s que praticamente n&atilde;o tem lugar na cultura francesa" (Pageaux, 1984:19). Ora se, como afirma Ot&iacute;lia Martins, corroborando Pageaux, "Le Portugal a tr&egrave;s difficilement p&eacute;n&eacute;tr&eacute; dans l&#8217;imaginaire fran&ccedil;ais" (Martins, 2004:34), certo &eacute; que estere&oacute;tipos e figuras, sobretudo ligados ao per&iacute;odo das Descobertas, parecem constituir uma constante nas representa&ccedil;&otilde;es culturais de Portugal por parte da Fran&ccedil;a e muito em particular por via liter&aacute;ria. N&atilde;o por acaso, Daniel-Henri Pageaux recorda igualmente que "quer para os franceses do s&eacute;culo XVI quer para os do s&eacute;culo XX, a hist&oacute;ria de Portugal come&ccedil;a com as grandes expedi&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas e/ou coloniais." (Pageaux, 1984:118)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, Portugal &eacute; um pa&iacute;s visto sob o signo do mar n&atilde;o apenas numa refer&ecirc;ncia a uma situa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, mas ainda no que toca &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um imp&eacute;rio, a partir de travessias mar&iacute;timas, um imagin&aacute;rio intimamente eivado de mem&oacute;ria passada de uma mitologia das descobertas em torno de figuras como Vasco da Gama ou o Infante D. Henrique, o Navegador, mesmo se um outro conjunto de lugares-comuns tamb&eacute;m assoma de um modo recorrente: a refer&ecirc;ncia ao terramoto, &agrave; saudade, ao fado, aos azulejos ou, mais recentemente, &agrave; Lisboa, cidade branca, na esteira de <i>Dans la ville blanche </i>(1983) de Alain Tanner.<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>  Importa tamb&eacute;m referir uma outra constante das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, recordada por Pierre Rivas, quando este reflete sobre as perman&ecirc;ncias e muta&ccedil;&otilde;es da imagem de Portugal nas letras francesas: "On est pass&eacute; du Portugal de Cam&otilde;es, &agrave; l&#8217;identit&eacute; forte, imp&eacute;riale, conqu&eacute;rante, au mythe Pessoa (&#8230;)." (1992: 164). Nesse mesmo estudo, uma observa&ccedil;&atilde;o de Rivas parece-nos fundamental, ainda que diga respeito a autores do s&eacute;culo XIX: Pierre Rivas lembra as ocorr&ecirc;ncias em torno de Portugal, na obra de Stendhal e Baudelaire, dizendo que se trata de lugares da mem&oacute;ria, visitados como refer&ecirc;ncia, com rever&ecirc;ncia, e saudados distraidamente (<i>idem</i>: 162). Esta sauda&ccedil;&atilde;o distra&iacute;da ser&aacute; algo a que mais adiante voltaremos, enquanto modo de rela&ccedil;&atilde;o que, a nosso ver, &eacute; tamb&eacute;m ele uma constante numa escrita francesa onde Portugal emerge.</p>      <p>Para al&eacute;m de uma iterativa revisita&ccedil;&atilde;o de imagens cristalizadas em torno de um momento hist&oacute;rico ou de um autor, cabe tamb&eacute;m registar a imagem que se constr&oacute;i de um Portugal primitivo, pobre e em perda,<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> face a uma intensa presen&ccedil;a migrat&oacute;ria portuguesa nos anos 60, ou a descoberta surpreendente de um espa&ccedil;o de finisterra europeia. Se na identifica&ccedil;&atilde;o de um rosto portugu&ecirc;s o passado glorioso de um pa&iacute;s de navegadores &eacute; tra&ccedil;o maior, para al&eacute;m das declina&ccedil;&otilde;es mencionadas, a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril passa identicamente a ocorrer com regularidade no discurso em torno de Portugal. Como sublinha Gra&ccedil;a dos Santos,</p>      <blockquote>Si la grande vague d&#8217;&eacute;migration portugaise des ann&eacute;es soixante a tendance &agrave; g&eacute;n&eacute;rer en France (et au Portugal aussi, d&#8217;ailleurs) un regard m&eacute;prisant sur la g&eacute;n&eacute;ration de ma&ccedil;ons et de femmes de m&eacute;nage, allant parfois jusqu&#8217;&agrave; identifier nationalit&eacute;, culture et milieu social, la R&eacute;volution des &#339;illets vient placer le Portugal au premier plan de l&#8217;actualit&eacute; internationale. (Santos, 2002)</blockquote>      <p>Muito embora possam ent&atilde;o ser detetadas no fio do tempo presen&ccedil;as no imagin&aacute;rio franc&ecirc;s que tomam Portugal por objeto, a verdade &eacute; que o desinteresse e desconhecimento face ao espa&ccedil;o luso s&atilde;o maiorit&aacute;rios, no momento em que se d&aacute; em Portugal uma inesperada revolu&ccedil;&atilde;o. Assim e como afirma ainda Pageaux: "Em 1974, a surpresa &eacute; enorme. Uma surpresa que s&oacute; pode ser medida pela ignor&acirc;ncia dos franceses relativamente a Portugal." (Pageaux, 1984: 40) Nessa conjuntura, v&aacute;rios intelectuais franceses de esquerda vir&atilde;o a Portugal movidos por uma intensa curiosidade &#8211; e lembremos Simone de Beauvoir ou Jean-Paul Sartre &#8211;, pois, como refere Ot&iacute;lia Pires Martins, "dans la foul&eacute;e des &eacute;v&egrave;nements r&eacute;volutionnaires, beaucoup d&#8217;intellectuels fran&ccedil;ais ont visit&eacute; le Portugal, esp&eacute;rant peut-&ecirc;tre y trouver la mat&eacute;rialisation de leurs id&eacute;ologies politiques, de gauche et d&#8217;extr&ecirc;me-gauche" (Martins, 2004 : 37). A Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril ser&aacute;, ent&atilde;o, percebida por um filtro terceiro-mundista conhecido dos intelectuais franceses e que afasta Portugal da Europa.</p>      <p>Conrad Detrez, autor belga, naturalizado franc&ecirc;s e em 1975 correspondente da R&aacute;dio Televis&atilde;o Belga em Lisboa, falar&aacute;, em <i>M&eacute;lancolie du voyeur</i><sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>, obra de 1986, de uma vaga tur&iacute;stica de esquerda que ruma a Portugal:</p>      <blockquote>    <p>Et ils viennent(&#8230;) aux premi&egrave;res vacances. Ils font trois petits tours, ils manifestent (et jettent un &#339;il distrait sur ce fleuve-l&agrave;, comment est-ce qu&#8217;il s&#8217;appelle encore?). Ils s&#8217;&eacute;gosillent, &eacute;chouent, les pauvres, &agrave; loger &agrave; la juste place, avec le juste ton, l&#8217;&eacute;trange diphtongue: "Oui, nous sommes&#8230;Viva! Viva a&#8230;a&#8230;a revolu&ccedil;&atilde;o!" (qu&#8217;ils prononcent tchon ou chao ou tchan ou, plus souvent, ciao, comme &agrave; Turin ou Marseille). (&#8230;)</p>      <p>Mes touristes me r&eacute;quisitionnent, d&#8217;office, comme des chefs. (&#8230;) Heureusement les vacances prennent fin. Mes visiteurs (et conseillers, donneurs de recettes) regagnent leur pays. (Detrez, 1986:113-115)</p></blockquote>      <p>Em romance recente de 2013, <i>&Eacute;l&eacute;ments incontr&ocirc;l&eacute;s</i>, St&eacute;phane Osmont situa-se em isotopia similar quando o narrador, jovem com um percurso na extrema-esquerda, recorda as suas f&eacute;rias em <i>InterRail </i>e a sua vinda a Portugal no Ver&atilde;o de 1974:</p>      <blockquote>Je leurs avais propos&eacute; [&agrave; ses camarades] un grand projet en forme d&#8217;apoth&eacute;ose du printemps : partir pour Lisbonne tous ensemble pendant les vacances d&#8217;&eacute;t&eacute;. Un mois en bande dans le nouvel eldorado de la r&eacute;volution, ce serait un r&ecirc;ve. (Osmont, 2013 : 181)</blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Plus la fronti&egrave;re espagnole approchait, plus la proportion de gauchistes augmentait parmi les voyageurs. Des Belges, des Hollandais, des Allemands, des Anglais. Tous se rendaient en p&egrave;lerinage dans le Portugal de la r&eacute;volution. (<i>Idem</i>: 199)<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup></blockquote>      <p>&Eacute; pois neste contexto que Daniel-Henri Pageaux observa, com pertin&ecirc;ncia, a ocorr&ecirc;ncia de uma muta&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de imagens em torno de Portugal por parte da Fran&ccedil;a. A Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril surge como ponto de viragem que permite abandonar a tradicional triangula&ccedil;&atilde;o Fran&ccedil;aEspanha-Portugal, pela aten&ccedil;&atilde;o na singularidade portuguesa (Pageaux, 2005), a permitir descobrir escritores portugueses, a atentar num espa&ccedil;o portugu&ecirc;s que atravessa alguma literatura estrangeira n&atilde;o francesa, a acolher em textos de viagem um universo luso, a levar &agrave; emerg&ecirc;ncia de universos ficcionais diegeticamente situados em Lisboa e/ou ancorados na hist&oacute;ria portuguesa em obras de autores franceses.</p>      <p>No campo da literatura, pensar perce&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es da Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril em Fran&ccedil;a passa ent&atilde;o por considerar duas quest&otilde;es: o que pode a literatura traduzida e que ecos da Revolu&ccedil;&atilde;o na literatura francesa.</p>      <p><b>O que pode a literatura traduzida?</b></p>      <p>Como aponta Ot&iacute;lia Martins, &eacute; j&aacute; depois de 1974 que o n&uacute;mero de tradu&ccedil;&otilde;es de autores portugueses contempor&acirc;neos aumenta significativamente. Resultado de um importante contributo de tradutores e editores, mas tamb&eacute;m de outros mediadores culturais como os comparatistas, a literatura portuguesa traduzida em Fran&ccedil;a contribui inegavelmente para uma ac&ccedil;&atilde;o de media&ccedil;&atilde;o cultural que permitir&aacute; divulgar n&atilde;o apenas obras e autores, mas tamb&eacute;m tem&aacute;ticas atinentes &agrave; hist&oacute;ria e cultura portuguesas do s&eacute;culo XX. Na verdade, alguma literatura portuguesa em Fran&ccedil;a n&atilde;o pode deixar de ser considerada enquanto ve&iacute;culo de contacto com uma realidade portuguesa ligada &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos ou que a ela levou: a necessidade de mudan&ccedil;a para um regime democr&aacute;tico ou a recusa/rejei&ccedil;&atilde;o da guerra colonial e da exist&ecirc;ncia de din&acirc;micas coloniais. Obras de autores como Ant&oacute;nio Lobo Antunes, L&iacute;dia Jorge ou, mais recentemente, Dulce Maria Cardoso<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>, n&atilde;o podem deixar de ser consideradas nessa tomada de contacto por parte de um p&uacute;blico leitor franc&ecirc;s &#8211; mesmo que eventualmente restrito &#8211; e no questionamento do que pode a literatura traduzida nas rela&ccedil;&otilde;es entre culturas. Respostas a quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o como, qual o papel e o impacto da literatura traduzida enquanto instrumento de media&ccedil;&atilde;o entre duas culturas nacionais? Qual o lugar ocupado pela literatura portuguesa traduzida no sistema liter&aacute;rio franc&ecirc;s?, seriam de extremo interesse para a problem&aacute;tica que nos ocupa.</p>      <p>Mas, ainda para al&eacute;m da literatura portuguesa traduzida em Fran&ccedil;a, haveria que considerar outra literatura estrangeira traduzida em Fran&ccedil;a e que fala de Portugal, pois tamb&eacute;m ela concorre para um processo de media&ccedil;&atilde;o cultural. Lembre-se, por exemplo, a este prop&oacute;sito, as considera&ccedil;&otilde;es de Bertrand Westphal, em "Pourquoi une g&eacute;ocritique de Lisbonne?", quando equaciona a constitui&ccedil;&atilde;o de Lisboa como lugar liter&aacute;rio a partir da leitura/ rece&ccedil;&atilde;o de obras pertences a diferentes literaturas nacionais, estudo este que de algum modo pode ser encarado como testemunho de um tal processo de media&ccedil;&atilde;o quando o autor refere a sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de leitura.<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup></p>      <p><b>Que ecos da Revolu&ccedil;&atilde;o na literatura francesa?</b></p>      <p>Objeto a n&atilde;o esquecer numa busca de ecos da Revolu&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser a literatura de viagens, j&aacute; que</p>      <blockquote>Tal objecto, para al&eacute;m de se constituir como literatura de media&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> n&atilde;o negligenci&aacute;vel no campo das rela&ccedil;&otilde;es interculturais, apresenta-se como espa&ccedil;o f&eacute;rtil na constru&ccedil;&atilde;o, perpetua&ccedil;&atilde;o ou redescri&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es, na medida em que trabalha aproxima&ccedil;&otilde;es, por parte do escritor-viajante, a uma cultura de chegada, a partir da sua pr&oacute;pria cultura de perten&ccedil;a. (Outeirinho, 2010: 221)</blockquote>      <p>Retomando as express&otilde;es felizes de Olivier Rolin em <i>O meu chap&eacute;u cinzento</i>, obra que integra um texto sobre Lisboa, o que est&aacute; em causa nos textos de viagem &eacute; uma hist&oacute;ria-geografia de recorda&ccedil;&otilde;es (Rolin, 2001:123) ou recorda&ccedil;&atilde;o de recorda&ccedil;&otilde;es (<i>idem</i>: 175).<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup> &Eacute; esse de facto o caso quer de <i>Souviens-toi de Lisbonne </i>(1998) de Olivier Fr&eacute;bourg quer de <i>Retour &agrave; Lisbonne </i>(2007) de Max Alhau.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Souviens-toi de Lisbonne </i>de Olivier Fr&eacute;bourg apresenta-se como um conjunto de mem&oacute;rias em torno de viagens a Lisboa, mas tamb&eacute;m a Buenos Aires, duas cidades que, por sin&eacute;doque, d&atilde;o conta daquilo a que, em <i>Bar des flots noirs</i>, Olivier Rolin chama de processo de homotetia (Rolin, 1987: 120-121). Escreve Fr&eacute;bourg:</p>      <blockquote>De Lisbonne je devais glisser vers Buenos Aires, donner &agrave; la saudade une cambrure argentine. Ma vie n&#8217;est plus que tango et fado. Le Portugal et l&#8217;Argentine se confondent dans la m&ecirc;me utopie, dans le m&ecirc;me vaillement du monde, des corps et des &ecirc;tres. (Fr&eacute;bourg, 1998: 71)<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup></blockquote>      <p><i>Souviens-toi de Lisbonne </i>integra a literatura de viagens at&eacute; pela constante rememora&ccedil;&atilde;o de obras e autores viajantes em Portugal. Com efeito, o narrador-viajante segue nos passos de anteriores escritores franceses em Portugal: Jacques Chardonne, Val&eacute;ry Larbaud, Jean Giraudoux ou Michel D&eacute;on. Os <i>topoi </i>em torno de Portugal, e em particular de Lisboa, abundam : Lisboa &eacute; uma cidade atl&acirc;ntica (<i>idem</i>: 9), refere-se o imp&eacute;rio luso &#8211; "L&#8217;empire n&#8217;est plus qu&#8217;un d&eacute;partement du finist&egrave;re" (<i>idem</i>:14) &#8211;, lembra-se a proverbial melancolia portuguesa, que de resto &eacute; a do pr&oacute;prio narrador (<i>idem</i>: 21), ou tamb&eacute;m a proverbial saudade. Convocam-se autores como Cam&otilde;es, Pessoa, Torga. Mas que rastos da Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril? Apenas uma brev&iacute;ssima refer&ecirc;ncia:</p>      <blockquote>Nous &eacute;tions tomb&eacute;s sur le Portugal, comme des badauds devant une agence de voyages s&#8217;extasient devant un atol de Polyn&eacute;sie. Le Portugal serait notre nouvelle patrie. Nous avions d&eacute;couvert son histoire, sa litt&eacute;rature: Cam&otilde;es, Pessoa; la R&eacute;volution des &#339;illets. (<i>Idem</i>: 31)</blockquote>      <p>Sob o signo de Pessoa constr&oacute;i-se o texto de Max Alhau, <i>Retour &agrave; Lisbonne</i>: <i>O Guardador de Rebanhos</i>, <i>Lisboa: o que o turista deve ver </i>e <i>O ano da morte de Ricardo Reis </i>conduzem-no na err&acirc;ncia por Lisboa. Texto que se apresenta como o resultado do seu di&aacute;rio de bordo, denomina&ccedil;&atilde;o de resson&acirc;ncia mar&iacute;tima, nele se faz refer&ecirc;ncia a anteriores visitas<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup>: uma ainda durante o regime salazarista, outra por volta de 1998 e aquela, mais recente, de que se faz agora o relato. Quase nada se diz por&eacute;m sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, a n&atilde;o ser nota&ccedil;&otilde;es que decorrem da deambula&ccedil;&atilde;o pela cidade e registo dos espa&ccedil;os encontrados (Alhau, 2007: 34). Assim surge uma refer&ecirc;ncia breve &agrave; " (&#8230;) sinistre prison d&#8217;Aljube o&ugrave; sous Salazar on incarc&eacute;ra et tortura" (<i>idem</i>: 35), lembra-se o encarceramento de Miguel Torga e a placa evocativa que a&iacute; se encontra do 25 de Abril, seguida de coment&aacute;rio: "Esp&egrave;rons que les nostalgiques de ce regime se sont &eacute;vanouis dans l&#8217;ombre, que le temps les a vou&eacute;s au silence." (<i>ibidem</i>). Mas ser&aacute; a mem&oacute;ria de um tempo passado que sempre regressa ao longo da narrativa: "Toujours le m&ecirc;me rappel d&#8217;une &eacute;poque de gloire qui colle &agrave; la m&eacute;moire des Portugais" (<i>idem</i>: 30), e Lisboa ilustra "la rencontre des si&egrave;cles" (<i>idem</i>: 33).</p>      <p>Tanto Fr&eacute;bourg como Alhau parecem sobretudo cumprir o preceito de rever&ecirc;ncia ao lugar-comum: o terramoto, a saudade, o fado, os azulejos, os el&eacute;tricos, Cam&otilde;es, Pessoa, mas tamb&eacute;m E&ccedil;a, Torga e ainda Pessoa via Saramago.</p>      <p>A Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril ou seus prolongamentos surgir&atilde;o ainda noutros textos e autores franceses. No romance de 1977 de Dominique de Roux, <i>Le cinqui&egrave;me empire</i>; num outro romance, j&aacute; t&atilde;o estudado, de Antoine Volodine, <i>Lisbonne derni&egrave;re marge</i>, publicado em 1990; em <i>&Eacute;l&eacute;ments incontr&ocirc;l&eacute;s </i>(2013) de St&eacute;phane Osmont, integrando um conjunto de momentos e acontecimentos em torno de movimentos contestat&aacute;rios dos anos 60 e 70 na Europa; ou ainda nesse objeto escrito dificilmente rotul&aacute;vel, mistura de poesia, prosa, narrativa e at&eacute; micro-ensaio, <i>Fado (avec flocons et fant&ocirc;mes)</i>, de 2000, de Jean-Claude Pinson.</p>      <p>Nesta obra, Jean-Claude Pinson narra um p&eacute;riplo que, inesperadamente, junta Pessoa/Psoa, Leopardi ou ainda Baudelaire/Beaudelaire, e que vai at&eacute; Lisboa por sugest&atilde;o deste &uacute;ltimo:</p>      <blockquote>Et c&#8217;est ainsi que nous avons quitt&eacute; Bruxelles, pris l&#8217;avion pour Lisbonne (&#8230;)</p>      <p>Beaudelaire pour l&#8217;occasion avait mis son gilet</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>rouge</i></p>      <p><i>en l&#8217;honneur des &#339;illets huit jours &agrave; boire du vin du fado sous les vo&ucirc;tes</i></p>      <p><i>sanglots &agrave; la chandelle des guitares &agrave; faire les fadas pour ne penser</i></p>      <p><i>nada nitchevo &agrave; rien </i>(Pinson, 2000 :73)</blockquote>      <p>Se uma micro-homenagem &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril ocorre, tamb&eacute;m em Pinson se retoma o <i>topos </i>dos azulejos (<i>idem</i>: 75), o fado e a guitarra portuguesa<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup> (<i>idem</i>: 55) ou, eventualmente, as viagens de descoberta, por alus&atilde;o, quando se refere a amea&ccedil;a do escorbuto j&aacute; que a navega&ccedil;&atilde;o dura h&aacute; semanas, s&oacute; que agora&#8230; navega-se na tela do computador.<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup></p>      <p>No que toca aos textos que se apresentam em espa&ccedil;o de paratexto como romances, atentemos em <i>Le cinqui&egrave;me empire</i>, <i>Lisbonne derni&egrave;re marge </i>e <i>&Eacute;l&eacute;ments incontr&ocirc;l&eacute;s</i><sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup>.</p>      <p><i>Le cinqui&egrave;me empire </i>de Dominique de Roux<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup>, diegeticamente situado em Portugal e em alguma &Aacute;frica de l&iacute;ngua portuguesa &#8211; Guin&eacute;-Bissau, Mo&ccedil;ambique &#8211;, e no per&iacute;odo de guerra colonial que antecede e prepara a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, &eacute; talvez a obra que mais destaque d&aacute; a esse per&iacute;odo da hist&oacute;ria portuguesa. Dominique de Roux n&atilde;o s&oacute; conhecer&aacute; de perto a situa&ccedil;&atilde;o vivida nas col&oacute;nias portuguesas como ainda os protagonistas militares que ser&atilde;o, pouco tempo depois, protagonistas do per&iacute;odo revolucion&aacute;rio.</p>      <p>Dominique de Roux, editor, escritor e, &agrave; &eacute;poca da Revolu&ccedil;&atilde;o, jornalista, correspondente e enviado especial para Portugal, em liga&ccedil;&atilde;o com a emissora p&uacute;blica francesa ORTF, ser&aacute; o &uacute;nico jornalista estrangeiro em Lisboa no momento em que eclode a revolu&ccedil;&atilde;o. Testemunha directa da hist&oacute;ria do seu tempo<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup>, dela dar&aacute; mem&oacute;ria em <i>Le cinqui&egrave;me empire</i>, atrav&eacute;s de um narrador-personagem de nacionalidade francesa, Fran&ccedil;ois Mazin:</p>      <blockquote>Uma voz: "Venha! N&oacute;s estamos aqui, Fran&ccedil;ois, A Revo&#8230;"</p>      <p>Seria na Fran&ccedil;a? Na Holanda? Poder-se-ia ainda acreditar nela, na Revolu&ccedil;&atilde;o? Comecemos por excluir a Lua. Eu estou em Lisboa, olhando pela janela as pedras do Palace cobertas de salitre e a Avenida deserta, almofadada, 25 de Abril, tr&ecirc;s da manh&atilde;, pens&aacute;vel, impens&aacute;vel, j&aacute; no passado. O porteiro sobe a trazer-me a sua pitadinha de sal: o ex&eacute;rcito ter&aacute; tomado o poder.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No e em quem acreditar? Os guardas-nocturnos passeiam-se de nariz colado &agrave;s montras. O vento do sul empurra os pap&eacute;is nos passeios.</p>      <p>Saio. Pra&ccedil;a do Rossio, a luz das l&acirc;mpadas cai sobre as fontes Wallace. Ouvem-se os passos dum noct&acirc;mbulo. P&aacute;ra, volta a andar, ocupado, talvez, a acender um cigarro. C&atilde;es atravessam, agarrados &agrave; cadela, &agrave; frente. Rua do Ouro, bancos, ourivesarias, os bancos da <i>paz </i>social, dos Esp&iacute;rito Santo e dos gnomos de Zurique. Basta de lubricidade!</p>      <p>Se, em Espanha, nunca se passa nada, em Portugal aparentemente, devia passar-se ainda menos.</p>      <p>&#8211; Olhe, soldados! &#8211; disse ao aproximar-se o senhor do cigarro. (Roux, 2001: 287)</blockquote>      <p>A imagem em filigrana de um Portugal adormecido regressa atrav&eacute;s de uma Revolu&ccedil;&atilde;o improv&aacute;vel, silenciosa, sem sangue. Como se afirmar&aacute; mais adiante, ap&oacute;s segmentos descritivos em catadupa que nos d&atilde;o conta do regresso de pol&iacute;ticos exilados, do confronto de projetos ideol&oacute;gicos diversos, de tentativas de tomadas de poder que levar&atilde;o ao Ver&atilde;o quente do PREC:</p>      <blockquote>Aqui os cornos do touro trazem bolas de l&atilde;, e tudo o que pode ensanguentar a arena n&atilde;o entra na organiza&ccedil;&atilde;o do espect&aacute;culo. Ningu&eacute;m deseja enfrentar ningu&eacute;m, h&aacute;-de acontecer um milagre, Nossa Senhora de F&aacute;tima! (<i>Idem</i>: 320)</blockquote>      <p>Conrad Detrez em <i>M&eacute;lancolie du voyeur </i>afinar&aacute; por um diapas&atilde;o pr&oacute;ximo ao narrar sint&eacute;tica e ironicamente a Revolu&ccedil;&atilde;o num pa&iacute;s de brandos costumes:</p>      <blockquote>Un coup d&#8217;&Eacute;tat poli, feutr&eacute;. Ministres, g&eacute;n&eacute;raux se sont lev&eacute;s avant le soleil. Des inconnus frappaient &agrave; la porte. Nous sommes des mutins, ont dit les mutins. Ils ont d&eacute;pos&eacute; ces messieurs. Ils leur ont permis de se raser, se parfumer, choisir leur chapeau. On les a conduits, toujours courtois, jusqu&#8217;&agrave; l&#8217;a&eacute;roport, pour l&#8217;exil. Et au peuple on a distribu&eacute; ces armes belles, rouges, un exemple pour l&#8217;univers, les insurg&eacute;s de l&#8217;univers, guerriers de toutes nations, tout poil, toutes classes, id&eacute;ologies&#8230;les mutins ont distribu&eacute; aux masses &#339;illets. Bon enfant, r&ecirc;veurs &#8211; toute leur histoire le dit &#8211; les doux Lusitaniens se sont mis &agrave; faire "la r&eacute;volution aux <i>&#339;illets</i>". Jolie recette. J&#8217;appr&eacute;cie. (Detrez, 1986: 110)</blockquote>      <p>Retomando a abordagem da obra de Dominique de Roux, vemos que, auto-inscrevendo-se num registo ficcional, <i>Le cinqui&egrave;me empire </i>se ancora numa factualidade hist&oacute;rica conhecida e reconhecida, a envolver figuras como Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola, Ka&uacute;lza de Arriaga ou Otelo Saraiva de Carvalho. Contudo, esta presen&ccedil;a de um passado recente da hist&oacute;ria portuguesa &eacute; atravessada &#8211; inevitavelmente? &#8211; pela rememora&ccedil;&atilde;o de um tempo das Descobertas:</p>      <blockquote>Lisboa sai do rio. (&#8230;)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estu&aacute;rio tem a cor amarela da erva, da testa ossuda daquele Bartolomeu Dias, descobridor do Cabo da Boa Esperan&ccedil;a. Dali partiram os roteadores astr&oacute;logos e os pilotos mouros das caravelas. (Roux, 2001: 62)</blockquote>      <p>De novo, surgem as refer&ecirc;ncias &agrave; Lisboa dos azulejos e dos el&eacute;tricos amarelos (<i>idem</i>: 77), &agrave; melancolia (<i>idem</i>: 127)<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup>, ao terramoto (<i>idem</i>: 93), ao pa&iacute;s do fado e da saudade (<i>idem</i>: 243): "O verdadeiro pensamento &eacute; a saudade: onde o pesar &eacute; o maior desejo, onde a aus&ecirc;ncia provocada &eacute; a presen&ccedil;a mais duradoura. Assim, a hist&oacute;ria &eacute; para o Portugu&ecirc;s tanto mem&oacute;ria como espera." (<i>Idem</i>: 128)</p>      <p>Quando chega no Ver&atilde;o de 1975, ver a Revolu&ccedil;&atilde;o em marcha &eacute; o objetivo de Antoine Volodine.<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup> Luc&iacute;lia Carvalho lembra que "a viragem &agrave; &#8216;esquerda&#8217; a que se assistia ent&atilde;o no espa&ccedil;o pol&iacute;tico portugu&ecirc;s, surgia como um precioso &#8216;campo de ensaio&#8217; a viver e a escrever" (Carvalho, 2002 : 34). Em 1990, publica <i>Lisbonne derni&egrave;re marge</i>.</p>      <p>Como observa Chlo&eacute; Conant, "ses livres, qui d&eacute;montrent la possibilit&eacute; d&#8217;une v&eacute;ritable litt&eacute;rature politique actuelle, ni forc&eacute;ment ironique, ni forc&eacute;ment distanci&eacute;e, sont impr&eacute;gn&eacute;s de la terrible d&eacute;sillusion qui a succ&eacute;d&eacute; &agrave; l&#8217;engagement, y compris &agrave; l&#8217;engagement violent." (Conant, 2006: 121) Tamb&eacute;m em texto in&eacute;dito, "Lettre h&egrave;le-n&eacute;ant", Volodine d&aacute; testemunho precisamente da promessa de que a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril se revestiu para todos aqueles que aspiravam a uma mudan&ccedil;a:</p>      <blockquote>J&#8217;ai eu sous les yeux, donc, brusquement, Lisbonne pendant l&#8217;&eacute;t&eacute; 1975, que les Portugais appellent <i>o ver&atilde;o quente, </i>l&#8217;&eacute;t&eacute; chaud. C&#8217;&eacute;tait un temps d&#8217;esp&eacute;rance encore, une p&eacute;riode de l&#8217;histoire contemporaine o&ugrave; on ne passait pas son temps &agrave; se retenir de respirer, comme on allait le faire ensuite pendant les ann&eacute;es quatre-vingt et quatre-vingt-dix (&#8230;).<sup><a href="#19" name="top19">[19]</a></sup></blockquote>      <p>Fic&ccedil;&atilde;o dentro da fic&ccedil;&atilde;o ou de como a fic&ccedil;&atilde;o permite pensar o real e autoriza pensar a Hist&oacute;ria, <i>Lisbonne derni&egrave;re marge </i>de Antoine Volodine possibilita uma reflex&atilde;o sobre os movimentos revolucion&aacute;rios atrav&eacute;s de uma hist&oacute;ria situada em Lisboa, num tempo p&oacute;s-revolucion&aacute;rio e num tempo em que tais propostas parecem exauridas, hist&oacute;ria a envolver Ingrid Vogel e Kurt Wellenkind, um casal de alem&atilde;es apaixonados, ela uma terrorista, ele um pol&iacute;cia que a quer fazer desaparecer, criando-lhe uma nova identidade. Como afirma Lionel Ruffel, "La fiction devient une prolongation de la r&eacute;volution par d&#8217;autres moyens (&#8230;)" (Ruffel, 2004: 169), e Volodine n&atilde;o pode assim deixar de assumir na sua obra um "devoir d&#8217;inventaire" (<i>idem</i>:171). &Eacute; pois neste contexto que, ao longo de <i>Lisbonne derni&egrave;re marge</i>, os tempos da Revolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o rememorados ou pelas refer&ecirc;ncias a uma conversa da protagonista Ingrid Vogel com um dos capit&atilde;es de Abril que ent&atilde;o amea&ccedil;ava extinguir investidas contra-revolucion&aacute;rias com o fogo de canh&otilde;es (Volodine, 1990: 128-129), ou pela lembran&ccedil;a das manifesta&ccedil;&otilde;es do ano de 1975, ocasi&atilde;o para referir os intervenientes v&aacute;rios:</p>      <blockquote>Ils avaient commenc&eacute; &agrave; discuter sur la R&eacute;volution des &#338;illets, l&#8217;ann&eacute;e 1975. Ingrid faisait montre d&#8217;une science &eacute;tendue; elle ne se trompait jamais sur les dates des manifestations importantes, et d&#8217;ailleurs en juillet 75, en ao&ucirc;t, elle avait particip&eacute; &agrave; certaines d&#8217;entre elles, r&eacute;clamant, poing lev&eacute; au milieu des soldats en treillis, au milieu des invalides de vingt ans, revenus sans jambes d&#8217;Angola ou du Mozambique, exigeant, avec la foule gauchiste, la dissolution de l&#8217;Assembl&eacute;e constituante. Elle citait les noms des officiers du Conseil de la r&eacute;volution, elle jonglait avec des sigles que Kurt identifiait de temps en temps, mais pas toujours: COPCON, SUV, PRB-BR, RALIS, UDP, MFA, MRPP, LUAR, PCP. (<i>Idem</i>: 136)</blockquote>      <p>&Eacute; tamb&eacute;m de revisita&ccedil;&atilde;o e de rememora&ccedil;&atilde;o de contextos revolucion&aacute;rios dos anos 60 e 70 e ainda de uma vaga terrorista europeia da d&eacute;cada de 70 que se trata em <i>&Eacute;l&eacute;ments incontr&ocirc;l&eacute;s</i>, romance a acolher uma preocupa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e cr&iacute;tica que parece atravessar alguma literatura francesa contempor&acirc;nea. Ap&oacute;s Maio de 68 e ligado &agrave; extrema-esquerda, o narrador vai fazer a sua experi&ecirc;ncia portuguesa no Ver&atilde;o de 1974. Do relato dessa viagem a Portugal, apenas um epis&oacute;dio num percurso mais longo que o levar&aacute; mais tarde a It&aacute;lia, assoma uma revolu&ccedil;&atilde;o inusitada e inesperada na finisterra europeia, promessa e esperan&ccedil;a para todo um movimento revolucion&aacute;rio e transformador mais alargado que se deseja:</p>      <blockquote>(&#8230;) une r&eacute;volution venait d&#8217;&eacute;clater au Portugal. L&#8217;histoire &eacute;tait &agrave; peine croyable: le 25 avril, des militaires en armes avaient renvers&eacute; la dictature salazariste. (&#8230;)</p>      <p>Le mouvement &eacute;tait enclench&eacute;, il serait irr&eacute;versible. Apr&egrave;s le Portugal, l&#8217;Espagne franquiste tomberait &agrave; son tour. Puis la France, puis toute l&#8217;Europe. (Osmont, 2013 : 180-181)</blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Servindo uma reflex&atilde;o sobre a Hist&oacute;ria, deste modo se regista e se aviva uma mem&oacute;ria ligada &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa num quadro que se pretende mais lato e face &agrave;s expectativas goradas, &agrave;s promessas n&atilde;o cumpridas que os movimentos revolucion&aacute;rios desse per&iacute;odo do s&eacute;culo XX anunciavam, pois como lembra Volodine em "Lettre &agrave; h&egrave;le-n&eacute;ant": "On avait l&#8217;impression que la belle vie allait surgir sur Terre, depuis les rives du Tage, apr&egrave;s tant de fausses routes et tant d&#8217;&eacute;checs et de millions de morts."<sup><a href="#20" name="top20">[20]</a></sup></p>      <p>Depois de Abril de 1974, que percep&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias de Portugal se encontram em Fran&ccedil;a atrav&eacute;s da literatura e que a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos ter&aacute; alterado? E quais os modos ou o modo maior de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura portuguesa?</p>      <p>Parafraseando Olivier Fr&eacute;bourg, o que parece perpetuar-se &eacute; um Portugal de mitologia (Fr&eacute;bourg, 1998: 67) em que o lugar-comum, o estere&oacute;tipo, &eacute; t&atilde;o s&oacute; rememorado e raramente reinvestido de novas concretiza&ccedil;&otilde;es. Em <i>O meu chap&eacute;u cinzento</i>, Olivier Rolin ardilosamente tamb&eacute;m a ele recorre:</p>      <blockquote>Ah, era inevit&aacute;vel que se chegasse a&iacute;. Pessoa. Grande lugar-comum a evitar, agora. Com, em primeiro lugar, o fado, em segundo as sardinhas e o bacalhau, em terceiro o terramoto de 1755, em quarto os azulejos, em quinto a saudade. Talvez tamb&eacute;m os el&eacute;ctricos. (Rolin, 2001: 90)<sup><a href="#21" name="top21">[21]</a></sup></blockquote>      <p>Para al&eacute;m do novo rosto quase sempre distraidamente entrevisto da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos &#8211; &agrave; exce&ccedil;&atilde;o dos textos de Roux, Volodine ou Osmont &#8211;, a converter-se em mais um topos nas aproxima&ccedil;&otilde;es a Portugal, vale a pena destacar o crescente espa&ccedil;o ocupado pela melancolia, por vezes o <i>spleen</i>, quase sempre de Lisboa<sup><a href="#22" name="top22">[22]</a></sup>. De resto, n&atilde;o h&aacute; como referir, e particularmente nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o lugar maior ocupado por Lisboa<sup><a href="#23" name="top23">[23]</a></sup>, tantas vezes visto como espa&ccedil;o de err&acirc;ncia metaf&iacute;sica, de busca identit&aacute;ria ou aventura identit&aacute;ria (Carvalho:38), associado a processos de introspec&ccedil;&atilde;o, um espa&ccedil;o marcado tamb&eacute;m por uma isotopia mar&iacute;tima. Como j&aacute; em 1992 Pierre Rivas apontava, nos nossos dias Portugal parece resumir-se apenas a Lisboa, "[une] ville des Songes(&#8230;) image de notre condition de r&ecirc;veurs &eacute;perdus, de notre situation existentielle, en marge, &agrave; la d&eacute;rive, &#8216;ailleurs&#8217;" (Rivas, 1992 : 162). E ainda: "on est pass&eacute; de la m&eacute;diation &eacute;pico-historique du Portugal de Cam&otilde;es, au labyrinthe de la solitude de Pessoa, de la geste h&eacute;ro&iuml;que &agrave; l&#8217;intranquillit&eacute;, de Co&iuml;mbre &agrave; Lisbonne, du manu&eacute;lin au post-moderne, de l&#8217;affirmation imp&eacute;riale &agrave; la qu&ecirc;te identitaire." (<i>Ibidem</i>) Encerrado o Sal&atilde;o do Livro de Paris que teve lugar em 2000 e em que Portugal era o convidado de honra, Michel Cahen faz o seguinte balan&ccedil;o:</p>      <blockquote>Plus g&eacute;n&eacute;ralement, on peut se demander quelle image on a, en France, de ce pays de la &laquo;m&eacute;diterran&eacute;e atlantique&raquo;, vingt-cinq ans apr&egrave;s l&#8217;&eacute;t&eacute; chaud de 1975 qui vit d&eacute;ferler &agrave; Lisbonne des cohortes de militants et intellectuels fran&ccedil;ais venus admirer le PREC, le &laquo;processus r&eacute;volutionnaire en cours&raquo;.</p>      <p>Force est de constater que le puissant effet modernisateur de cette r&eacute;volution a, chez nous, &eacute;t&eacute; compl&egrave;tement oubli&eacute;. (&#8230;)</p>      <p>Mais le Salon &eacute;tait pr&eacute;cis&eacute;ment l&#8217;occasion de faire conna&icirc;tre la production intellectuelle foisonnante de ce pays &ocirc; combien modernis&eacute; par un quart de si&egrave;cle de d&eacute;mocratie(&#8230;). Non, on a voulu continuer de donner du &laquo; Portugal p&eacute;p&egrave;re &raquo; l&#8217;image d&#8217;un pays, petit et si joli, de po&egrave;tes et de nostalgiques ! (&#8230;) Cette attitude monomaniaque de n&#8217;imaginer le Portugal que par le biais de la litt&eacute;rature et de la po&eacute;sie (&agrave; la limite, aussi de la nostalgie et du fado (&#8230;). (Cahen, 2000:761-762)</blockquote>      <p>Transformadas em imagens virais, imagens cristalizadas, as perce&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es do estrangeiro s&atilde;o igualmente resultado de auto-representa&ccedil;&otilde;es que tendem a perpetuar-se e que atingem tamb&eacute;m a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril. Sendo embora a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos um novo rosto portugu&ecirc;s descoberto pela Fran&ccedil;a, tal rosto parece desvanecer-se ou quase desaparecer nas brumas da mem&oacute;ria.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Alhau, Max (2007), <i>Retour &agrave; Lisbonne</i>, Montauban, Tertium &Eacute;ditions, coll. Pays d&#8217;encre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0807-8967201400020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Almeida, Jos&eacute; (2004), <i>Auteurs inavou&eacute;s, belges inavouables. La fiction, l&#8217;autofiction et la fiction de la Belgique dans l&#8217;&#339;uvre romanesque de Conrad Detrez, Eug&egrave;ne Savitzkaya et Jean-Claude Pirotte. Une triple mitoyennet&eacute;</i>, Porto, FLUP, tese de doutoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0807-8967201400020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Almeida, Jos&eacute; (s.d.), "Conrad Detrez", Ulyssei@s, <a href="http://www.ilcml.com/?searchText=detrez&sortBy=nome&page=base_recorddetail&baseid=2&search=+Pesquisar+&year=2014&amp;month=3&amp;recordid=26" target="_blank">http://www.ilcml.com/?searchText=detrez&sortBy=nome&page=base_recorddetail&baseid=2&search=+Pesquisar+&year=2014&amp;month=3&amp;recordid=26</a> (consultado em 10.03.14).</p>      <!-- ref --><p>Cahen, Michel (s.d.), <i>"Le Portugal et le mythe fran&ccedil;ais du mythe portugais", Lusotopie 2000: 761-764</i>. <a href="http://www.lusotopie.sciencespobordeaux.fr/cahen.pdf" target="_blank">http://www.lusotopie.sciencespobordeaux.fr/cahen.pdf</a>, (consultado em 03.02.14).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0807-8967201400020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Carvalho, Luc&iacute;lia (2002), &laquo;Ecos de Lisboa sob a democracia. Olivier Rolin, Antoine Volodine e Olivier Fr&eacute;bourg: Lisboa: um novo semblante&raquo;, <i>Portugal e o Outro: uma rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica?</i>, Aveiro, Centro de L&iacute;nguas e Culturas-Universidade de Aveiro, pp. 31-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0807-8967201400020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Collard, Cyril (1990), <i>As noites selvagens</i>, trad. Maria Lu&iacute;sa Alves Lopes, Venda Nova, Bertrand.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0807-8967201400020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Collard, Cyril (1989), <i>Les nuits fauves</i>,Paris, Flammarion.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0807-8967201400020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Conant, Chlo&eacute; (2006), "&#8216;Ni d&eacute;part, ni b&acirc;teau&#8217;: la Lisbonne sans issue d&#8217;Antoine Volodine", in Alain Montandon (org.), <i>Lisbonne : g&eacute;ocritique d&#8217;une ville</i>, Clermont-Ferrand, Presses Universitaires Blaise-Pascal, pp. 121-133.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0807-8967201400020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Detrez, Conrad (1986), <i>La m&eacute;lancolie du voyeur</i>, Paris, Deno&euml;l.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0807-8967201400020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fr&eacute;bourg, Olivier, (2006), "Dominique de Roux &agrave; Lisbonne", <a href="http://propos-insignifiants.forumactif.com/t238-dominique-de-roux-a-lisbonne-par-olivier-frebourg" target="_blank">http://propos-insignifiants.forumactif.com/t238-dominique-de-roux-a-lisbonne-par-olivier-frebourg</a> (consultado em 15.02.14).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0807-8967201400020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Fr&eacute;bourg, Olivier (2008), <i>Souviens-toi de Lisbonne</i>, Paris, La Table Ronde.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0807-8967201400020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>J&uacute;dice, Nuno (1984), "La Diffusion de la Culture Fran&ccedil;aise au Portugal au XIXe Si&egrave;cle", <i>L&#8217;Enseignement et l&#8217;Expansion de la Litt&eacute;rature Fran&ccedil;aise au Portugal</i>. Paris, Fondation Calouste Gulbenkian / Centre Culturel Portugais, pp. 63-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0807-8967201400020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>"Litt&eacute;rature: Dominique de Roux, esp&egrave;ce en voie de disparition?" <a href="http://nicolebertin.blogspot.pt/2009/06/litterature-dominique-de-roux-espece-en.html" target="_blank"> http://nicolebertin.blogspot.pt/2009/06/litterature-dominique-de-roux-espece-en.html</a> (consultado em 15.02.14).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0807-8967201400020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>"L&#8217;homme en question G&eacute;rard de Villiers", <a href="http://www.ina.fr/video/CPC76067057" target="_blank">http://www.ina.fr/video/CPC76067057</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0807-8967201400020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Louren&ccedil;o, Eduardo (1983), "Portugal-Fran&ccedil;a ou a comunica&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica", <i>Les rapports culturels et litt&eacute;raires entre le Portugal et la France</i>, Paris, Fond. Calouste Gulbenkian &#8211; Centre Culturel Portugais, pp. 13-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0807-8967201400020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Martins, Ot&iacute;lia Pires (2005), "Dialogue de cultures: repr&eacute;sentations du Portugal en France. Anatomie d&#8217;un programme", <i>Portugal e o Outro : textos de hermen&ecirc;utica intercultural, Aveiro</i>, Universidade de Aveiro, pp. 57-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0807-8967201400020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Martins, Ot&iacute;lia Pires (2004), "Les relations culturelles entre le Portugal et la France : l&#8217;h&eacute;g&eacute;monie de la culture fran&ccedil;aise", <i>Portugal e o Outro : imagens e viagens</i>, Aveiro, Universidade de Aveiro, pp. 25-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0807-8967201400020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Osmont, St&eacute;phane (2013), <i>&Eacute;l&eacute;ments incontr&ocirc;l&eacute;s</i>, Paris, Grasset.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0807-8967201400020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Outeirinho, Maria de F&aacute;tima (2010), "Albert T&#8217;Serstevens, Olivier Rolin e Max Alhau em Portugal. Aproxima&ccedil;&otilde;es a um pa&iacute;s", <i>CEM. Cultura, Espa&ccedil;o e Mem&oacute;ria</i>, n&ordm; 1, pp. 221-228.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0807-8967201400020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pageaux, Daniel-Henri (1984), <i>Imagens de Portugal na cultura Francesa</i>, Lisboa, Instituto de Cultura e L&iacute;ngua Portuguesa, col. Biblioteca Breve.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0807-8967201400020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Pageaux, Daniel-Henri (2003), <i>Trente Essais de Litt&eacute;rature Compar&eacute;e ou la Corne d&#8217;Amalth&eacute;e</i>, Paris, L&#8217;Harmattan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0807-8967201400020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pageaux, Daniel-Henri (2005), "P&eacute;ninsule ib&eacute;rique et interculturalit&eacute;", in Ana Clara Santos (org.), <i>Rela&ccedil;&otilde;es Liter&aacute;rias Franco-peninsulares</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, UALG, pp. 13-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0807-8967201400020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pinson, Jean-Claude (2000), <i>Fado (avec flocons et fant&ocirc;mes)</i>, Seyssel, Champ Vallon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0807-8967201400020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Queiroz, Ana Isabel (2012), "Lisboa de Rolin, Loude e Le Tellier", in Ana Isabel Queiroz et al. (coord.), <i>Lisboa nas Narrativas. Olhares do exterior sobre a cidade antiga e contempor&acirc;nea</i>, FCSH/NOVA, pp. 124-139, <a href="http://paisagensliterarias.ielt.org/config/paisa-gensliterarias/conteudo/ebooks/Lisboa_nas_narrativas.pdf" target="_blank">http://paisagensliterarias.ielt.org/config/paisa-gensliterarias/conteudo/ebooks/Lisboa_nas_narrativas.pdf</a> (consultado em 10.05.14).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0807-8967201400020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rivas, Pierre (1992), "Le Portugal dans les Lettres Fran&ccedil;aises: permanence et mutation", <i>Actes du colloque Images r&eacute;ciproques France-Portugal</i>, Paris, ADEPBA, pp.161-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0807-8967201400020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rolin, Olivier (1987), <i>Bar des flots noirs</i>, Paris, Seuil, coll. Points,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0807-8967201400020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rolin, Olivier (2001), <i>O meu chap&eacute;u cinzento. Pequenas geografias</i>, 2&ordf; ed., Porto, Edi&ccedil;&otilde;es Asa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0807-8967201400020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Roux, Dominique de (2001), <i>O Quinto Imp&eacute;rio</i>, trad. Ana Nereu, Lisboa, Hugin Editores&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0807-8967201400020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ruffel, Lionel (2004), "Les fictions de Volodine face &agrave; l&#8217;histoire r&eacute;volutionnaire", in Bruno Blanckeman et al. (dir.) <i>Le roman fran&ccedil;ais au tournant du XXIe si&egrave;cle</i>, pp. 163-172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0807-8967201400020000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Santos, Gra&ccedil;a dos, "Entre saudade po&eacute;tique et pr&eacute;jug&eacute; social : l&#8217;image du Portugal en France", <a href="http://www.post-scriptum.org/" target="_blank">http://www.post-scriptum.org</a> [N&ordm; 1, 2002)], (consultado em 03.02.14).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0807-8967201400020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Santurbano, Andreia (2008), "Lisboa, m&uacute;ltipla e una", <i>Portugal e o Outro: olhares, influ&ecirc;ncias e media&ccedil;&atilde;o</i>, Aveiro, Universidade de Aveiro, pp. 23-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0807-8967201400020000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Villiers, G&eacute;rard de (1975), <i>Les sorciers du Tage</i>, Paris, Plon, coll. "S.A.S.", n&ordm; 40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0807-8967201400020000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Villiers, G&eacute;rard de (1978), <i>Os feiticeiros do Tejo</i>, Queluz, Literal, 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0807-8967201400020000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Villiers, G&eacute;rard de (2008), <i>A Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos de sangue</i>, Paredes, Sa&iacute;da de Emerg&ecirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0807-8967201400020000400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Volodine, Antoine "Lettre h&egrave;le-n&eacute;ant", <a href="http://www.editions-verdier.fr/banquet/n44/inedits1.htm" target="_blank">http://www.editions-verdier.fr/banquet/n44/inedits1.htm</a> (consultado em 03.02.14).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0807-8967201400020000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Volodine, Antoine, 1990, <i>Lisbonne derni&egrave;re marge</i>, Paris, &Eacute;ditions de Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0807-8967201400020000400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Westphal, Bertrand (2006), "Pourquoi une g&eacute;ocritique de Lisbonne?", in Alain Montandon (org.), <i>Lisbonne : g&eacute;ocritique d&#8217;une ville</i>, Clermont-Ferrand, Presses Universitaires Blaise-Pascal, pp. 7-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0807-8967201400020000400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>[Submetido em 15 de julho de 2014 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 2 de setembro de 2014]</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup>Tradu&ccedil;&atilde;o nossa.</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>Em <i>Lisbonne derni&egrave;re marge </i>tamb&eacute;m a refer&ecirc;ncia ao ep&iacute;teto cidade branca surge (Volodine, 1990: 126, 128).</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>Cf. Roux (2001: 66) "O Portugal dos anos 60 permanecia em 1870, rural e analfabeto. As pessoas casavam-se para morrerem dignas, se poss&iacute;vel. Tudo acontecia ainda em Lisboa, entre o Rossio e a esta&ccedil;&atilde;o do Estoril; e na Avenida da Liberdade, onde a mulher e a sardinha se querem pequeninas." Ou, ainda: "todo um povo adormecido, laborioso, ignorante" (<i>idem</i>:70). Segundo Pageaux, Dominique Roux "elabora, de maneira parcial, uma psicologia <i>sur mesure </i>do povo portugu&ecirc;s" (Pageaux, 1984: 109).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>Romance p&oacute;stumo, autobiogr&aacute;fico. Sobre Conrad Detrez em Portugal, consulte-se com interesse os estudos de Jos&eacute; Almeida referidos em bibliografia final.</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>Cf. ainda (Osmont, 2013 : 199-200).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup>A tradu&ccedil;&atilde;o de <i>Retorno </i>por Dominique Nedellec, <i>Retour</i>, foi publicada em Janeiro de 2014 pelas &Eacute;ditions Stock/La Cosmopolite.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>Cf. Westphal (2006:7).</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup>Sobre literatura de media&ccedil;&atilde;o, consulte-se Daniel-Henri Pageaux (2003: 281-282).</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>Cf. "histoire-g&eacute;ographie de souvenirs" (Rolin, 1987:123) e "souvenir de souvenirs" (<i>idem</i>: 175).</p>      <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup>Ver tamb&eacute;m (Fr&eacute;bourg, 1998: 84).</p>      <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup>O autor faz mesmo refer&ecirc;ncia a "maints voyages" (Alhau, 2007: 58).</p>      <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup>H&aacute; tamb&eacute;m uma refer&ecirc;ncia a Amalia (<i>sic</i>) (Pinson, 2000: 51).</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup>Cf. "De rester l&#8217;&#339;il fix&eacute; sur l&#8217;&eacute;cran bleut&eacute; o&ugrave; nous naviguions de conserve entre des lignes hasardeuses, cherchant des mots &agrave; corriger. Guett&eacute;s par le scorbut tellement cette navigation durait depuis des semaines (&#8230;)". (<i>Idem</i>: 96)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup>Sem pretens&atilde;o de exaustividade, queremos ainda lembrar outros dois textos romanescos: <i>Les sorciers du Tage </i>de G&eacute;rard de Villiers e <i>Les nuits fauves </i>de Cyril Collard. G&eacute;rard de Villiers veio a Portugal em Junho de 1974 (cf. <a href="http://www.ina.fr/video/CPC76067057" target="_blank">http://www.ina.fr/video/CPC76067057</a>) e, posteriormente, no seu romance de espionagem que integra uma colec&ccedil;&atilde;o serial do autor, de cerca de duas centenas de livros, ser&aacute; no universo p&oacute;s-revolucion&aacute;rio de Abril que a diegese se vai ancorar. No romance de Collard, uma breve alus&atilde;o &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos emerge atrav&eacute;s de uma vis&atilde;o interior do narrador de uma cena amorosa erotizada, vivenciada por um soldado com um uma espingarda e um cravo e uma jovem mulher (Collard, 1989: 250-251). Ambas as obras conhecem tradu&ccedil;&otilde;es portuguesas que indicamos na bibliografia final.</p>      <p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup>Conhece uma tradu&ccedil;&atilde;o portuguesa em 2001 e que seguiremos.</p>      <p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup>Cf. "Avec l&#8217;&eacute;quipe de l&#8217;ORTF qu&#8217;il dirige pour l&#8217;&eacute;mission de Jean-Fran&ccedil;ois Chauvel, il est le seul &agrave; se trouver sur place quand le mouvement &eacute;clate. Le matin du 25 avril 1974, un seul Fran&ccedil;ais marche sur l&#8217;avenue de la Libert&eacute; : Dominique de Roux. C&#8217;est lui qui donnera &agrave; la France les premi&egrave;res images de la r&eacute;volution des &#338;illets. Dans les ann&eacute;es 1970, la France pompidolienne prend plut&ocirc;t ses quartiers d&#8217;&eacute;t&eacute; en Espagne." (Fr&eacute;bourg, 2006)</p>      <p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup>A do narrador-personagem (Roux, 2001: 195).</p>      <p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup>Sobre a descoberta de Lisboa por Antoine Volodine ver Luc&iacute;lia Carvalho (2002: 34).       <p><sup><a href="#top19" name="19">[19]</a></sup>Cf. <a href="http://www.editions-verdier.fr/banquet/n44/inedits1.htm" target="_blank">http://www.editions-verdier.fr/banquet/n44/inedits1.htm</a>.</p>      <p><sup><a href="#top20" name="20">[20]</a></sup>Cf. <a href="http://www.editions-verdier.fr/banquet/n44/inedits1.htm" target="_blank">http://www.editions-verdier.fr/banquet/n44/inedits1.htm</a>.</p>      <p><sup><a href="#top21" name="21">[21]</a></sup>Ou ainda em Rolin em <i>Bar des flots noirs</i> as refer&ecirc;ncias a D. Sebasti&atilde;o (1987:117), ao V Imp&eacute;rio ou a Lisboa com Pessoa (<i>idem</i>:119).</p>      <p><sup><a href="#top22" name="22">[22]</a></sup>Cf., por exemplo, "Le spleen de Lisbonne" (Rolin, 1987, 110) ou "Il y a &agrave; Lisbonne une constante m&eacute;lancolie, la saudade, qui ne d&eacute;prime pas, mais qui appartient au caract&egrave;re portugais, d&#8217;un fatalisme enjou&eacute; ." (Alhau, 2007 :99)</p>      <p><sup><a href="#top23" name="23">[23]</a></sup>A visibilidade de Lisboa na literatura francesa tem-se manifestado nas iniciativas que resultaram na publica&ccedil;&atilde;o de <i>Lisbonne cit&eacute; atlantique </i>ou o encontro de escritores realizado em Fevereiro de 2012 no quadro do projeto Litscape.pt e que resultou na publica&ccedil;&atilde;o de <i>Lisboa nas Narrativas. Olhares do exterior sobre a cidade antiga e contempor&acirc;nea.</i></p>      ]]></body>
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