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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perceções da revolução dos cravos na imprensa alemã: os exemplos de die zeit (rfa) e neues deutschland (rda) do 25 de abril de 1974 até à demissão de Spínola]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article aims to analyze the media coverage of the Carnation Revolution in the two German States. Articles of the German newspapers Die Zeit and Neues Deutschland between 25th of April and Spinola’s Resignation in the end of September will be analyzed in the frame of the political agenda of both German states. Considering the fact that the military overthrow in Lisbon came by surprise for external political observers, the media coverage gain importance in the analyses of foreign policy towards the new Portuguese situation. Furthermore, the media coverage is a case in point to understand how difficult it was for foreign reporters to relate to the Portuguese situation in 1974. Besides, the comparison of two German newspapers on both sides of the Iron Curtain offers some interesting side view on the Carnation Revolution, especially on the colonial question and the beginning of the democratic process.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>40 ANOS DE ABRIL</b></p>      <p><b>Perce&ccedil;&otilde;es da revolu&ccedil;&atilde;o dos cravos na imprensa alem&atilde;: os exemplos de <i>die zeit</i> (rfa) e <i>neues deutschland</i> (rda) do 25 de abril de 1974 at&eacute; &agrave; demiss&atilde;o de Sp&iacute;nola</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Thomas Wei&szlig;mann*</b></p>      <p>*Technische Universit&auml;t Chemnitz, Instituto de Estudos Europeus, Alemanha.</p>      <p><a href="mailto:thomas.weissmann@phil.tu-chemnitz.de">thomas.weissmann@phil.tu-chemnitz.de</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Este artigo pretende contribuir para a an&aacute;lise da cobertura medi&aacute;tica da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos nas "duas Alemanhas", i.e. na Rep&uacute;blica Federal da Alemanha (RFA) e na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica Alem&atilde; (RDA). Ser&atilde;o apresentados e discutidos artigos dos jornais Die Zeit e Neues Deutschland publicados entre o dia 25 de abril e a demiss&atilde;o do Presidente Sp&iacute;nola em setembro de 1974. Atrav&eacute;s das imagens veiculadas por essas reportagens, ser&atilde;o abordadas as pol&iacute;ticas externas de ambos os estados alem&atilde;es. Uma vez que o golpe militar em Lisboa foi uma surpresa para os observadores pol&iacute;ticos, demostrar-se-&aacute; que a sua mediatiza&ccedil;&atilde;o pela imprensa da RFA e da RDA adquiriu uma certa import&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o das futuras linhas de orienta&ccedil;&atilde;o das respetivas pol&iacute;ticas externas. Os artigos escolhidos refletem, por um lado, as inquieta&ccedil;&otilde;es e esperan&ccedil;as nas duas Alemanhas por exemplo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o colonial ou no que diz respeito ao processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, e, por outro, explicam as diferentes posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e as not&oacute;rias dificuldades na an&aacute;lise dos acontecimentos em Lisboa. Portanto, a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos n&atilde;o s&oacute; serve como exemplo para se perceber as liga&ccedil;&otilde;es que existem entre o fen&oacute;meno da mediatiza&ccedil;&atilde;o e os interesses ao n&iacute;vel da pol&iacute;tica externa, mas tamb&eacute;m permite perspetivar a primeira fase da Revolu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da compara&ccedil;&atilde;o da sua cobertura por jornais oriundos de ambos os lados da Cortina de Ferro, ou seja, de sistemas pol&iacute;ticos n&atilde;o s&oacute; diferentes como tamb&eacute;m rivais.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, Mediatiza&ccedil;&atilde;o, Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica Alem&atilde;.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>The article aims to analyze the media coverage of the Carnation Revolution in the two German States. Articles of the German newspapers Die Zeit and Neues Deutschland between 25th of April and Spinola&#8217;s Resignation in the end of September will be analyzed in the frame of the political agenda of both German states. Considering the fact that the military overthrow in Lisbon came by surprise for external political observers, the media coverage gain importance in the analyses of foreign policy towards the new Portuguese situation. Furthermore, the media coverage is a case in point to understand how difficult it was for foreign reporters to relate to the Portuguese situation in 1974. Besides, the comparison of two German newspapers on both sides of the Iron Curtain offers some interesting side view on the Carnation Revolution, especially on the colonial question and the beginning of the democratic process.</p>      <p><b>Keywords</b>: Carnation Revolution, Media, Federal Republic of Germany, German Democratic Republic.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o apresentam-nos diferentes leituras dum acontecimento, o que demostra haver sempre diversos pontos de vista que variam, entre outras predisposi&ccedil;&otilde;es, conforme a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do observador. A Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos n&atilde;o foi exce&ccedil;&atilde;o e mereceu a aten&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o internacionais<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> que, nas suas narrativas dos factos, refletiam as for&ccedil;as pol&iacute;ticas mais influentes e as posi&ccedil;&otilde;es geopol&iacute;ticas dos diferentes pa&iacute;ses. Assim, este artigo aspira a identificar interesses pol&iacute;ticos das "duas Alemanhas", isto &eacute; da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha (RFA) e da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica Alem&atilde; (RDA), atrav&eacute;s da an&aacute;lise das reportagens publicadas na imprensa escrita de maior impacto em ambos os lados, nomeadamente em <i>Die Zeit</i> na RFA e em <i>Neues Deutschland</i> na RDA.</p>      <p>O seman&aacute;rio <i>Die Zeit</i> foi escolhido devido ao facto de este jornal se situar no centro-esquerda do espetro pol&iacute;tico alem&atilde;o.<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> Por consequ&ecirc;ncia, o <i>Die Zeit</i> reflete subliminarmente as posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do governo alem&atilde;o da RFA de ent&atilde;o que, na altura, era constitu&iacute;do por uma coliga&ccedil;&atilde;o entre o Partido Social-democrata Alem&atilde;o (SPD) e o Partido Democr&aacute;tico Liberal da Alemanha (FDP).<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> No caso da RDA, as liga&ccedil;&otilde;es entre os artigos no jornal escolhido <i>Neues Deutschland</i> </i><sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> e as posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do partido que governava a RDA, o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), s&atilde;o manifestamente mais fortes e, por isso, mais evidentes, j&aacute; que o <i>Neues Deutschland</i> era o jornal oficial do partido que controlava os m&eacute;dia com os instrumentos de um centralismo dito democr&aacute;tico.<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup></p>      <p>Os artigos aqui em an&aacute;lise debru&ccedil;am-se fundamentalmente sobre dois assuntos. Primeiro, a cobertura medi&aacute;tica do golpe militar e da quest&atilde;o colonial e, em segundo lugar, o tratamento dado &agrave; pol&iacute;tica interior portuguesa e ao Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA) nos referidos jornais. Tentaremos destacar posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas das "duas Alemanhas" atrav&eacute;s das imagens selecionadas, da linguagem e das refer&ecirc;ncias intertextuais nos dois jornais escolhidos. Para uma an&aacute;lise profunda da cobertura medi&aacute;tica, n&atilde;o pode ser negligenciado o contexto espec&iacute;fico<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup> dos anos setenta, ou seja, o &acirc;mbito da Guerra Fria e a pol&iacute;tica de "D&eacute;tente", que influenciava a pol&iacute;tica das "duas Alemanhas" na altura. As imagens veiculadas nos referidos jornais visam clarificar como estes dois pa&iacute;ses se posicionavam politicamente face &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, posi&ccedil;&otilde;es essas que tamb&eacute;m podem ser consideradas como um teste para a pol&iacute;tica de "D&eacute;tente" na Europa. Al&eacute;m disso, adotar-se-&aacute; uma perspetiva que leva igualmente em considera&ccedil;&atilde;o a rela&ccedil;&atilde;o triangular RFA &#8211; Portugal &#8211; RDA, porque a RFA e a RDA tamb&eacute;m observaram mutuamente as a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas dos estados do outro lado da Cortina de Ferro. Assim, proceder-se-&aacute; primeiro a uma breve apresenta&ccedil;&atilde;o das linhas principais da pol&iacute;tica externa dos dois Estados alem&atilde;es nos anos 70, com destaque para as respetivas rela&ccedil;&otilde;es com Portugal.</p>      <p><b>1. Portugal nas rela&ccedil;&otilde;es externas das duas Alemanhas</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em dezembro de 1972, a RFA e a RDA assinavam um tratado fundamental ("Grundlagenvertrag") que pode ser considerado a cimeira da nova "Ostpolitik" do governo de Willy Brandt.<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> Seguindo o princ&iacute;pio da "Mudan&ccedil;a atrav&eacute;s da aproxima&ccedil;&atilde;o" proclamado pelo governo de maioria social-democrata, a RFA reconheceu a exist&ecirc;ncia da RDA, abandonou as ideias da Doutrina de Hallstein e acabou assim oficialmente com a guerra diplom&aacute;tica entre os dois Estados alem&atilde;es.<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> Como consequ&ecirc;ncia, a RDA estabeleceu, entre 1972 e 1975, rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com quase todos os estados no mundo que anteriormente respeitavam a Doutrina Hallstein como principal linha de orienta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa da RFA e recusavam o reconhecimento diplom&aacute;tico da RDA.</p>      <p>Ainda que a guerra diplom&aacute;tica tivesse oficialmente terminado e n&atilde;o obstante a ades&atilde;o de ambos os estados &agrave; ONU em 1973, a guerra dos sistemas pol&iacute;ticos continuou e os dois estados alem&atilde;es encontravam-se na linha principal de combate. Essa luta teve uma express&atilde;o vis&iacute;vel na pol&iacute;tica externa das duas Alemanhas e tamb&eacute;m na cobertura medi&aacute;tica do conflito. Apesar da pol&iacute;tica de "Detente" que dominou as a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas antes dos Acordos de Hels&iacute;nquia em 1975, a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos em Portugal &eacute; uma das muitas provas de que, na verdade, a luta continuou. Face ao isolamento diplom&aacute;tico da RDA antes do tratado fundamental, &eacute; por&eacute;m de destacar que a RDA intensificou j&aacute; nos anos sessenta o seu apoio aos movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o no ultramar portugu&ecirc;s.<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup></p>      <p>Por sua vez, a RFA foi aliado do Estado Novo no seio da NATO e tinha uma rela&ccedil;&atilde;o forte com o imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s, vendeu armas e cooperou economicamente com o regime na metr&oacute;pole e no ultramar.<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup> Ap&oacute;s a tomada de posse de Willy Brandt como chanceler federal, em 1969, a RFA ainda mantinha la&ccedil;os fortes com o regime de Marcelo Caetano, apesar de ter a consci&ecirc;ncia de que o regime colonial n&atilde;o tinha qualquer futuro e n&atilde;o obstante ter prestado apoio &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o, nomeadamente atrav&eacute;s do Instituto Alem&atilde;o em Lisboa e ao grupo de M&aacute;rio Soares que fundou, em 1973, o Partido Socialista (PS) em Bad M&uuml;nstereifel, na RFA.<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup> Perante esta ambiguidade, a posi&ccedil;&atilde;o da RFA n&atilde;o pode ser determinada t&atilde;o facilmente como a da RDA, que qualificou o regime portugu&ecirc;s como um sistema claramente fascista, alegadamente baseado no colonialismo e na explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. A RDA designou a ajuda da RFA a Portugal duma pol&iacute;tica neocolonialista e imperialista. Por consequ&ecirc;ncia, a RDA podia apresentar-se no palco mundial como a "melhor Alemanha" que estava a apoiar os povos oprimidos do mundo, em vez de criar novas estruturas do neocolonialismo, tal como a RFA o estaria a fazer.</p>      <p>Mas mesmo que Portugal tivesse constado da agenda da pol&iacute;tica externa de ambos os estados alem&atilde;es, certo &eacute; que o golpe de estado de 25 de abril foi manifestamente uma surpresa, quer para a RFA quer para a RDA<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup> e teve lugar numa altura em que ambas as Alemanhas estavam ocupadas com a resolu&ccedil;&atilde;o de outros problemas. Enquanto a RFA se encontrava numa grave crise pol&iacute;tica interna,<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup> a RDA ainda estava plenamente concentrada na reorganiza&ccedil;&atilde;o do seu crescente aparelho diplom&aacute;tico, que desde 1972 sofrera uma certa intensifica&ccedil;&atilde;o. Perante essa secundariza&ccedil;&atilde;o de Portugal nas suas pol&iacute;ticas externas, os dois estados alem&atilde;es tiveram posteriormente problemas not&oacute;rios no que dizia respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do MFA e ao julgamento da pol&iacute;tica interna portuguesa. Segundo o boletim pol&iacute;tico da Embaixada da RFA em Portugal referente ao ano de 1974, n&atilde;o era poss&iacute;vel constatar nem prever um desenvolvimento politicamente est&aacute;vel, estar-se-ia a formar um agrupamento pol&iacute;tico anticomunista e Portugal estaria &agrave; beira de um ano pol&iacute;tico de 1975 muito conturbado.<sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup> Neste documento oficial, n&atilde;o &eacute; clara a estrat&eacute;gia pol&iacute;tica pretendida afirmando-se que "Portugal &eacute; para a RFA, para a NATO, para a comunidade Europeia e para as na&ccedil;&otilde;es aliadas na Europa ocidental um problema dif&iacute;cil de perceber e tratar."<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup></p>      <p>Tamb&eacute;m na RDA, n&atilde;o houve uma estrat&eacute;gia claramente definida em rela&ccedil;&atilde;o a como tratar do "problema portugu&ecirc;s" e na historiografia existem poucas e divergentes opini&otilde;es relativamente ao posicionamento da RDA face &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos. Por exemplo, o polit&oacute;logo Gerhard Wettig, um observador especializado da pol&iacute;tica sovi&eacute;tica, defendia que a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica n&atilde;o queria arriscar "uma segunda crise de Cuba em Portugal" que podia perturbar o desejado processo da "D&eacute;tente" na Europa.<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup> Assim, os sovi&eacute;ticos teriam travado algumas ambi&ccedil;&otilde;es da RDA que alegadamente visavam provocar uma certa agita&ccedil;&atilde;o em Portugal. Por sua vez, o jornalista Tilo Wagner destacou, num artigo publicado em 2006, que a RDA teria ultrapassado as posi&ccedil;&otilde;es acauteladas da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica ao apoiar o Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP).<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup> &Eacute; certo que, sem o pleno conhecimento das pastas dos arquivos sovi&eacute;ticos, &eacute; dif&iacute;cil avaliar qual dessas duas posi&ccedil;&otilde;es se aproximar&aacute; mais da verdade hist&oacute;rica, mas &eacute; acertado reconhecer que a pol&iacute;tica da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica foi, sem duvida, determinante para a pol&iacute;tica externa da RDA. Nas referidas pastas do <i>Bundesarchiv</i> encontram-se assinalados os objetivos da RDA em Portugal depois de 25 de Abril de 1974, designadamente: intensificar os contactos oficiais e os contactos com as organiza&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, desenvolver o com&eacute;rcio, agita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-propagand&iacute;stica e, finalmente, apresentar a RDA como refer&ecirc;ncia cultural e desportiva.<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup></p>      <p>Apesar das rela&ccedil;&otilde;es Portugal &#8211; RDA relativas ao per&iacute;odo aqui em an&aacute;lise extravasarem o objeto do presente artigo, constituindo pois um campo de investiga&ccedil;&atilde;o que carece ainda de estudos mais aprofundados, no que diz respeito a uma (re)avalia&ccedil;&atilde;o da primeira fase da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, constata-se que nos artigos do <i>Neues Deutschland</i> podem ser identificados vest&iacute;gios e pistas interessantes, entre outros, para uma melhor compreens&atilde;o da pol&iacute;tica do PCP durante o processo revolucion&aacute;rio. Relativamente a este assunto, podemos recorrer aqui a um artigo de J&ouml;rg Seidel sobre a cobertura da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos no jornal <i>Neues Deutschland</i>. Nesse breve ensaio destaca-se a import&acirc;ncia da ideologia que, como &eacute; evidente, teria transparecido de forma manifesta nas reportagens.<sup><a href="#19" name="top19">[19]</a></sup> Perante a necessidade de se ultrapassar este tipo de abordagem demasiadamente redutor, de seguida, concentremo-nos, portanto, numa cr&iacute;tica comparativa das imagens veiculadas nos dois jornais <i>Neues Deutschland</i> e <i>Die Zeit</i> que representam duas ideologias distintas.</p>      <p><b>2. O golpe militar, a quest&atilde;o colonial e o General Sp&iacute;nola.</b></p>      <p>Por coincid&ecirc;ncia e, como &eacute; &oacute;bvio, ainda sem nenhuma ideia do que, precisamente nesse mesmo dia de 25 de abril de 1974, estava a acontecer em Lisboa, o seman&aacute;rio <i>Die Zeit</i> publicou um artigo sobre a resist&ecirc;ncia crescente da igreja cat&oacute;lica portuguesa contra a pol&iacute;tica colonial do regime. O autor do artigo qualifica Marcelo Caetano como um ditador com um poder cada vez mais enfraquecido, enquanto a influ&ecirc;ncia da igreja pareceria intensificar-se.<sup><a href="#20" name="top20">[20]</a></sup> O primeiro artigo sobre os acontecimentos revolucion&aacute;rios em Lisboa apareceu na semana seguinte e trata do assunto das col&oacute;nias dando destaque ao impacto do livro <i>Portugal e o futuro</i> da autoria do General Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola. Este primeiro artigo j&aacute; reflete portanto uma posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da RFA, que ser&aacute; preponderante no primeiro ano p&oacute;s-revolucion&aacute;rio, designadamente a sua concord&acirc;ncia com a exig&ecirc;ncia de elei&ccedil;&otilde;es livres para uma assembleia constituinte, que deveriam ter lugar no prazo m&aacute;ximo dum ano, tal como foi prometido por Sp&iacute;nola, pela JSN e garantido pelo Programa do MFA.<sup><a href="#21" name="top21">[21]</a></sup></p>      <p>Por sua vez, a primeira refer&ecirc;ncia no jornal di&aacute;rio <i>Neues Deutschland</i> aparece logo no dia 26 de abril. Nesse artigo fala-se do golpe militar e do facto de os oficiais rebeldes terem entregado o poder a uma Junta de Salva&ccedil;&atilde;o Nacional (JSN). Contrariamente ao primeiro artigo no jornal <i>Die Zeit</i>, que igualou a JSN e Sp&iacute;nola como os principais organizadores do golpe, <i>Neues Deutschland</i> apresenta uma posi&ccedil;&atilde;o algo divergente mencionando tamb&eacute;m que M&aacute;rio Soares teria igualmente concordado com os objetivos da JSN que inclu&iacute;am elei&ccedil;&otilde;es livres.<sup><a href="#22" name="top22">[22]</a></sup> Um dia mais tarde, <i>Neues Deutschland</i> dedicou-se sobretudo ao tema da desastrosa guerra colonial que teria arruinado o pa&iacute;s mais pobre da Europa e sido a causa primordial do golpe militar. Neste artigo, h&aacute; a destacar dois aspetos interessantes relativos &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o por parte dos media.<sup><a href="#23" name="top23">[23]</a></sup> Primeiro foi citado o escritor Urbano Tavares Rodrigues, que consideraria Sp&iacute;nola como uma alternativa dentro do pr&oacute;prio regime agora ca&iacute;do. As ideias de Sp&iacute;nola de um "Commonwealth Portugu&ecirc;s" contrariavam assim o interesse da RDA numa descoloniza&ccedil;&atilde;o total. J&aacute; nos primeiros artigos em <i>Neues Deutschland</i> pode ser constado um certo desconforto relativamente a Sp&iacute;nola, o que tamb&eacute;m explica a refer&ecirc;ncia, no primeiro artigo, a M&aacute;rio Soares, que &eacute; apresentado como aliado futuro de Sp&iacute;nola. A visita de Agostinho Neto a Berlim Leste, no dia 8 de maio de 1974, &eacute; um reflexo claro da posi&ccedil;&atilde;o da RDA relativamente &agrave; quest&atilde;o colonial. Neto foi acolhido como um chefe de Estado pelo ent&atilde;o presidente da RDA, Willi Stoph,<sup><a href="#24" name="top24">[24]</a></sup> que garantiu a solidariedade e firmeza da RDA na luta contra o colonialismo e o neocolonialismo. No seu discurso oficial, Stoph afirmou que os acontecimentos em Portugal foram uma declara&ccedil;&atilde;o de bancarrota do imperialismo.<sup><a href="#25" name="top25">[25]</a></sup></p>      <p>O segundo aspeto a real&ccedil;ar no artigo de 27 de abril de 1974 em <i>Neues Deutschland</i> &eacute; a desqualifica&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica da RFA com recurso a uma cita&ccedil;&atilde;o de um artigo do jornal da Alemanha ocidental "Die Welt" de 22 de mar&ccedil;o do mesmo ano. A RFA &eacute; a&iacute; apresentada como amiga da ultradireita do antigo regime que preferia um Portugal pobre e oprimido mas em posse de Angola e Mo&ccedil;ambique, um pa&iacute;s colonialista que seria da maior import&acirc;ncia para a NATO em termos geostrat&eacute;gicos.<sup><a href="#26" name="top26">[26]</a></sup></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num artigo a prop&oacute;sito das negocia&ccedil;&otilde;es em Londres com o PAIGC sobre a independ&ecirc;ncia da Guin&eacute;-Bissau, que inclu&iacute;am, segundo o PAIGC, o territ&oacute;rio do Cabo Verde, o Jornal <i>Die Zeit</i> referenciou igualmente os interesses da NATO nas col&oacute;nias portuguesas em &Aacute;frica.<sup><a href="#27" name="top27">[27]</a></sup> Tamb&eacute;m nas reportagens sobre a constitui&ccedil;&atilde;o do primeiro governo provis&oacute;rio, <i>Die Zeit</i> considera a resolu&ccedil;&atilde;o do problema da descoloniza&ccedil;&atilde;o como o dever principal de Sp&iacute;nola: Como encontrar um compromisso entre os colonos portugueses e os interesses econ&oacute;micos, por um lado, e, por outro, os interesses dos movimentos de liberta&ccedil;&atilde;o que exigiam uma descoloniza&ccedil;&atilde;o total?<sup><a href="#28" name="top28">[28]</a></sup> Dois meses mais tarde, em agosto de 1974, <i>Die Zeit</i> avalia a ideia de Sp&iacute;nola de um "Commonwealth portugu&ecirc;s" como a&ccedil;&atilde;o falhada.<sup><a href="#29" name="top29">[29]</a></sup> Enquanto Sp&iacute;nola tinha sido apresentado anteriormente como fator de estabiliza&ccedil;&atilde;o no processo revolucion&aacute;rio, a partir do ver&atilde;o desse ano, a imagem projetada do General Sp&iacute;nola denota uma not&oacute;ria perda de credibilidade. No artigo "Sombras sobre o futuro de Sp&iacute;nola", a crise pol&iacute;tica que provocou a demiss&atilde;o do primeiro governo provis&oacute;rio &eacute; apresentada como uma derrota de Sp&iacute;nola que teria cometido outros erros na fase inicial do segundo governo provis&oacute;rio.<sup><a href="#30" name="top30">[30]</a></sup> Depois da demiss&atilde;o de Sp&iacute;nola, <i>Die Zeit</i> caracterizou-o como um aristocrata teatral e desp&oacute;tico, incapaz de abandonar as suas liga&ccedil;&otilde;es ao regime derrotado.<sup><a href="#31" name="top31">[31]</a></sup> Sob esta perspetiva, pode-se considerar que este seman&aacute;rio da RFA analisou a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica considerando que Portugal tinha arriscado com Sp&iacute;nola um regresso a um sistema fascista. Relativamente a Sp&iacute;nola, &eacute; ainda importante mencionar outra diverg&ecirc;ncia de opini&atilde;o nos m&eacute;dia alem&atilde;es. Esta figura assume um papel muito importante nas reportagens de <i>Die Zeit</i>, enquanto o <i>Neues Deutschland</i> se dedica mais a outros aspetos da situa&ccedil;&atilde;o portuguesa at&eacute; &agrave; queda de Sp&iacute;nola em setembro de 1974, que foi apresentada como derrota do fascismo e que mostraria que a luta entre Democracia e Ditadura ainda n&atilde;o estaria decidida.<sup><a href="#32" name="top32">[32]</a></sup></p>      <p>Antes de analisarmos de que forma a pol&iacute;tica interior portuguesa foi mediatizada pelos dois jornais e quais ter&atilde;o sido os objetivos pol&iacute;ticos que o motivaram, falta ainda apresentar um aspeto relativamente &agrave; cobertura feita diretamente a seguir ao dia 25 de Abril. Quer o <i>Neues Deutschland</i>, quer o <i>Die Zeit</i> informaram os leitores sobre as caracter&iacute;sticas do antigo regime. A par com a quest&atilde;o colonial, s&atilde;o focadas sobretudo as pr&aacute;ticas da DGS/PIDE.<sup><a href="#33" name="top33">[33]</a></sup> Sobre esse assunto, <i>Neues Deutschland</i> publicou dois artigos, respetivamente nos dias 23 de maio<sup><a href="#34" name="top34">[34]</a></sup> e 1 de junho de 1974.<sup><a href="#35" name="top35">[35]</a></sup> O primeiro artigo refere o trabalho de uma nova comiss&atilde;o que estaria a investigar os crimes da PIDE e, no segundo, o correspondente de <i>Neues Deutschland</i>, Klaus Steiniger, apresenta as suas impress&otilde;es de uma visita &agrave; fortaleza de Caxias.<sup><a href="#36" name="top36">[36]</a></sup> &Eacute; inquestion&aacute;vel que o <i>Neues Deutschland</i> e os lideres da RDA tinham um interesse evidente em mostrar a brutalidade de um sistema fascista cujos alvos tinham sido sobretudo comunistas. Face a esta descri&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas violentas da PIDE, seria de ponderar a quest&atilde;o, a que aqui obviamente n&atilde;o se poder&aacute; responder, se estes artigos n&atilde;o ter&atilde;o feito pensar os leitores que tamb&eacute;m na RDA existia um Minist&eacute;rio de Seguran&ccedil;a do Estado (MFS/<i>Stasi</i>), um instrumento estatal que usava m&eacute;todos de opress&atilde;o e silenciamento semelhantes.</p>      <p>E tamb&eacute;m o <i>Die Zeit</i> abordou esta tem&aacute;tica publicando um artigo do escritor Jos&eacute; Cardoso Pires que visitou, juntamente com o ent&atilde;o diretor do Instituo Alem&atilde;o em Lisboa, Curt Meyer-Clason, a sede principal da PIDE em Lisboa no dia 27 de abril de 1974.<sup><a href="#37" name="top37">[37]</a></sup> Enquanto o <i>Neues Deutschland</i> se debru&ccedil;a principalmente sobre pr&aacute;ticas de viol&ecirc;ncia concreta da PIDE e o sofrimento dos presos pol&iacute;ticos, o artigo de Jos&eacute; Cardoso Pires dedica-se ao impacto mais gen&eacute;rico da PIDE na sociedade portuguesa que teria sido mantida em sil&ecirc;ncio durante 48 anos. Ao contr&aacute;rio dos artigos e dos livros de Klaus Steiniger, que visam uma condena&ccedil;&atilde;o geral de todos os instrumentos repressivos do antigo regime, Pires apresenta no seu artigo tamb&eacute;m uma ideia da justi&ccedil;a democr&aacute;tica que teria que incluir o perd&atilde;o, para n&atilde;o se agir ao mesmo n&iacute;vel da PIDE e dos seus m&eacute;todos punitivos.<sup><a href="#38" name="top38">[38]</a></sup></p>      <p><b>3. O que acontece em Portugal? O posicionamento dos m&eacute;dia alem&atilde;es</b></p>      <p>O golpe de Estado do 25 de Abril foi inquestionavelmente uma surpresa para os observadores pol&iacute;ticos internacionais, sobretudo porque o regime de Marcelo Caetano passava para o interior e exterior uma imagem de estabilidade, apesar das suas fraquezas reais. Assim, &eacute; evidente, como afirmou Klaus Steiniger no seu artigo de 27 de abril de 1974, que quase nenhum destes observadores foi capaz de interpretar imediatamente os acontecimentos em Portugal.<sup><a href="#39" name="top39">[39]</a></sup> Como aqui j&aacute; pudemos constatar, as primeiras reportagens esfor&ccedil;aram-se por fornecer aos leitores da RFA e da RDA um retrato do regime deposto, o Estado Novo, que inclu&iacute;a o problema da guerra colonial e da PIDE. Nas reportagens de <i>Die Zeit</i>, o papel do General Sp&iacute;nola adquiriu uma fulcral import&acirc;ncia, fazendo dele o principal protagonista dos acontecimentos, enquanto o <i>Neues Deutschland</i> se focou imediatamente no papel do proletariado na vit&oacute;ria sobre o fascismo. No dia 4 de maio de 1974, o <i>Neues Deutschland</i> publicou dois telegramas de Erich Honecker a &Aacute;lvaro Cunhal e a M&aacute;rio Soares, nos quais enviava sauda&ccedil;&otilde;es fraternas e desejava ao povo portugu&ecirc;s as maiores felicidades na continua&ccedil;&atilde;o da luta contra o fascismo.<sup><a href="#40" name="top40">[40]</a></sup> No mesmo dia, Klaus Steiniger comentou a situa&ccedil;&atilde;o atual em Portugal acentuando a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o imediata de um governo provis&oacute;rio que inclu&iacute;sse obrigatoriamente todas as for&ccedil;as antifascistas, como o PCP, o PS e o Movimento Democr&aacute;tico Eleitoral (MDE).<sup><a href="#41" name="top41">[41]</a></sup> Neste caso, o <i>Neues Deutschland</i> reflete exatamente a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Comit&eacute; Central do SED que desejava uma participa&ccedil;&atilde;o do PCP no governo sabendo que isso evitaria um regresso reacion&aacute;rio ao fascismo no meio pol&iacute;tico e garantiria igualmente uma acelera&ccedil;&atilde;o do visado processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Nos meses que se seguiram, Steiniger atribui nas suas reportagens sobre a pol&iacute;tica interna em Portugal um papel fundamental ao PCP. Steiniger cita &Aacute;lvaro Cunhal, que exige a constitui&ccedil;&atilde;o de um governo composto por todas as for&ccedil;as democr&aacute;ticas,<sup><a href="#42" name="top42">[42]</a></sup> e refere-se tamb&eacute;m &agrave; ideia do PCP de construir uma frente democr&aacute;tica para impossibilitar um regresso dos fascistas.<sup><a href="#43" name="top43">[43]</a></sup> A forma&ccedil;&atilde;o do segundo governo provis&oacute;rio &eacute; apresentada como uma vit&oacute;ria do povo porque o PCP teria conseguido alcan&ccedil;ar mais influ&ecirc;ncia.<sup><a href="#44" name="top44">[44]</a></sup> O <i>Neues Deutschland</i> usou igualmente documentos oficiais do PCP, como foi o caso no dia 1 de junho de 1974, quando publicou um artigo do jornal <i>Avante</i>. Este artigo referia os perigos das greves injustificadas como elementos que favoreciam a&ccedil;&otilde;es extremas &agrave; direita e &agrave; esquerda. Sob esta perspetiva, as reportagens do <i>Neues Deutschland</i> tamb&eacute;m podem servir como refer&ecirc;ncia no que diz respeito &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o do papel do PCP durante a primeira fase do processo revolucion&aacute;rio, situa&ccedil;&atilde;o que Raquel Varela (2011: 23) classificou como "uma pol&iacute;tica de conten&ccedil;&atilde;o das reivindica&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores."</p>      <p>Num artigo em <i>Die Zeit</i>, na sua edi&ccedil;&atilde;o do dia 20 de junho de 1974, as greves e as exig&ecirc;ncias de subida dos sal&aacute;rios s&atilde;o apresentadas aos leitores da Alemanha ocidental como cravos com espinhos, nomeadamente para empresas alem&atilde;s em Portugal como Bayer, Hoechst, Siemens e Schering.<sup><a href="#45" name="top45">[45]</a></sup> Assim, a cobertura medi&aacute;tica por parte da Alemanha ocidental reflete o medo de que os interesses econ&oacute;micos da RFA em Portugal pudessem ent&atilde;o ser amea&ccedil;adas pelo processo revolucion&aacute;rio em Portugal. Em consequ&ecirc;ncia, a queda do primeiro governo provis&oacute;rio aparece como uma crescente influ&ecirc;ncia do MFA, cujos membros foram descritos, num artigo em <i>Die Zeit</i>, como aliados do PCP e contaminados pelas ideias alegadamente confusas do socialismo. No mesmo artigo, o autor mostra-se c&eacute;tico relativamente ao futuro de Portugal considerando que tudo seria poss&iacute;vel, desde uma ditadura de direita ou esquerda a uma democracia pluralista que os desconhecidos e jovens oficiais do MFA teriam prometido.<sup><a href="#46" name="top46">[46]</a></sup></p>      <p>Mas nas reportagens em <i>Die Zeit</i> pode ser igualmente identificado um tom mais compreensivo face aos problemas dos governos provis&oacute;rios. Depois de 48 anos de ditadura, seria perfeitamente normal que a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tivesse a devida experi&ecirc;ncia do funcionamento de uma democracia e que, por conseguinte, a almejada democratiza&ccedil;&atilde;o devesse ser encarada com um processo gradual. Por isso, seria compreens&iacute;vel que as greves e as reivindica&ccedil;&otilde;es salariais n&atilde;o exprimissem nada mais do que um desejo leg&iacute;timo e justificado dum futuro melhor.<sup><a href="#47" name="top47">[47]</a></sup> A cobertura medi&aacute;tica em <i>Die Zeit</i> oscila assim entre o medo e a esperan&ccedil;a face aos acontecimentos em Portugal, o que reflete as ambiguidades no posicionamento pol&iacute;tico da RFA.</p>      <p>Da mesma maneira, o <i>Neues Deutschland</i> teve inicialmente problemas na avalia&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica interna portuguesa, nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o aos objetivos do MFA. Enquanto na RFA crescia o ceticismo relativamente aos desenvolvimentos em Portugal, na RDA parece que ia aumentando a confian&ccedil;a. Os artigos publicados depois da queda do primeiro governo provis&oacute;rio demonstram-no de forma bastante clara. No dia 11 de julho de 1974, o <i>Neues Deutschland</i> tomou uma posi&ccedil;&atilde;o inquestionavelmente favor&aacute;vel ao programa do MFA, concordou com a entrada dos oficiais no segundo governo provis&oacute;rio e exigiu que a via democr&aacute;tica iniciada no 25 de Abril fosse cumprida.<sup><a href="#48" name="top48">[48]</a></sup> No dia 8 de agosto de 1974, o <i>Neues Deutschland</i> apoiou o lema duma unidade "Povo-For&ccedil;as Armadas"<sup><a href="#49" name="top49">[49]</a></sup> e concordou com a declara&ccedil;&atilde;o do novo Primeiro Ministro Vasco Gon&ccedil;alves sobre os problemas econ&oacute;micos que impediriam novas subidas dos sal&aacute;rios.<sup><a href="#50" name="top50">[50]</a></sup> Seguindo os princ&iacute;pios do Marxismo-Leninismo, o <i>Neues Deutschland</i> responsabilizou os monop&oacute;lios internacionais pela crise econ&oacute;mica que teria sido provocada com o intuito de travar as ambi&ccedil;&otilde;es das for&ccedil;as democr&aacute;ticas em Portugal.<sup><a href="#51" name="top51">[51]</a></sup> Finalmente, o <i>Neues Deutschland</i> considerou a demiss&atilde;o de Sp&iacute;nola uma vit&oacute;ria consagrada da unidade antifascista na luta ainda n&atilde;o decidida entre democracia e rea&ccedil;&atilde;o.<sup><a href="#52" name="top52">[52]</a></sup></p>      <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a queda de Sp&iacute;nola acabou uma primeira etapa no processo revolucion&aacute;rio em Portugal. A substitui&ccedil;&atilde;o de Sp&iacute;nola por Costa Gomes, que foi considerado, em <i>Die Zeit</i>, como garante estabilizador, causou nas reportagens desse seman&aacute;rio da RFA uma mistura de opini&otilde;es. Por um lado, as reportagens n&atilde;o s&oacute; mostram uma certa inquieta&ccedil;&atilde;o perante a possibilidade de Portugal estar no caminho para um sistema incompat&iacute;vel com os valores do resto da Europa ocidental. Por outro, &eacute; vis&iacute;vel uma certa compreens&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao desejo dos portugueses de alcan&ccedil;arem rapidamente um futuro melhor que tamb&eacute;m poderia ser realizado sem o General Sp&iacute;nola.</p>      <p>Os artigos e as reportagens aqui analisados refletem as posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas das duas Alemanhas relativamente &agrave; pol&iacute;tica colonial, &agrave;s dificuldades na an&aacute;lise do golpe de estado e ao julgamento das posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do MFA. No entanto, esta primeira fase &eacute; notoriamente marcada pelos problemas de avalia&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o em Portugal. Nos primeiros artigos publicados de ambos os lados da Cortina de Ferro imediatamente depois do golpe, s&atilde;o de real&ccedil;ar algumas semelhan&ccedil;as que, &agrave; primeira vista, n&atilde;o deixam de surpreender. Ambos os jornais dedicam-se modo geral &agrave; heran&ccedil;a do Estado Novo, concentrando-se sobretudo nas tem&aacute;ticas da guerra colonial e das pr&aacute;ticas repressivas da PIDE. Uma diferen&ccedil;a existe no facto de na cobertura medi&aacute;tica de <i>Neues Deutschland</i> o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o ser apresentado como &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o, ao passo que a representa&ccedil;&atilde;o dessa problem&aacute;tica em <i>Die Zeit</i> reflete preocupa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de uma descoloniza&ccedil;&atilde;o incontrolada.</p>      <p>A compara&ccedil;&atilde;o das reportagens em <i>Die Zeit</i> e <i>Neues Deutschland</i> revela que, enquanto no seman&aacute;rio ocidental o ceticismo face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em Portugal foi crescendo, no di&aacute;rio da Alemanha de Leste foi aumentando a esperan&ccedil;a.</p>      <p>Numa perspetiva triangular RDA-Portugal-RFA, &eacute; necess&aacute;rio a sublinhar que <i>Die Zeit</i> n&atilde;o faz qualquer refer&ecirc;ncia &agrave; RDA, a passo que o <i>Neues Deutschland</i> desqualificou a pol&iacute;tica da RFA de acordo com a ideologia do Marxismo-Leninismo, como neocolonialista, imperialista e perpetuadora das for&ccedil;as reacion&aacute;rias em Portugal. Portanto, o caso da cobertura medi&aacute;tica dos acontecimentos do "abril portugu&ecirc;s" mostra mais uma vez que a RDA seguia de perto as a&ccedil;&otilde;es da RFA, mas que a RFA, por sua vez, ignorava a RDA &#8211; ou fazia de conta que a ignorava &#8211; sempre que era poss&iacute;vel.</p>      <p>Em suma, pode-se considerar que, em rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo aqui analisado da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos, se denota a falta de uma pol&iacute;tica claramente delineada por parte das duas Alemanhas, o que &eacute; mais not&oacute;rio no caso da RFA. Mas os m&eacute;dia consubstanciavam ent&atilde;o uma ajuda para avaliar o caso dif&iacute;cil de Portugal e j&aacute; refletiam, em certa medida, posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas que pouco depois viriam a ser importantes, por exemplo aquelas adotadas durante "o ver&atilde;o quente" de 1975, sobretudo respeitantes ao campo da economia, &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es para a assembleia constituinte no dia 25 de abril de 1975 ou, no caso de <i>Neues Deutschland</i>, &agrave; necessidade de uma alian&ccedil;a "PovoMFA".</p>      <p>Ainda que uma an&aacute;lise da mediatiza&ccedil;&atilde;o do "ver&atilde;o quente" e as liga&ccedil;&otilde;es &agrave; pol&iacute;tica externa das duas Alemanhas pudesse certamente levar a revela&ccedil;&otilde;es interessantes sobre o PREC, at&eacute; porque nesta altura as posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas dos dois estados alem&atilde;es parecem mais determinadas e ainda mais divergentes do que no per&iacute;odo aqui focado, um trabalho desse g&eacute;nero extravasaria o &acirc;mbito deste breve estudo. Mesmo assim, &eacute; poss&iacute;vel concluir que nesta fase inicial da revolu&ccedil;&atilde;o a cobertura nos dois jornais apresentados &eacute; na maioria dos casos marcada, apesar das diferen&ccedil;as ideol&oacute;gicas, por um motivo comum: uma certa simpatia para com um povo que, durante quase meio s&eacute;culo, fora oprimido, tanto na "Metr&oacute;pole" como no "Ultramar".</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <p><b>Jornais:</b></p>      <p><i>Neues Deutschland</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Autor desconhecido (1974), "Portugiesisches Milit&auml;r st&uuml;rzte Diktator Caetano", <i>Neues Deutschland</i>, 26/04/74, p.7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000053&pid=S0807-8967201400020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Autor desconhecido (1974), "Solidarisch mit dem Kampf des Volkes von Angola", <i>Neues Deutschland</i>, 09/05/74, p.1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000055&pid=S0807-8967201400020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Honecker, Erich (1974), "Telegramm an die Portugiesische Kommunistische Partei", <i>Neues Deutschland</i>, 04/05/74, p.1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S0807-8967201400020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Honecker, Erich (1974), "Telegramm an die Sozialistische Partei Portugals", <i>Neues Deutschland</i>, 04/05/74, p.1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000059&pid=S0807-8967201400020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Schmahl, Frank (1974), "Ersch&uuml;tternde Aussagen in Lissabon. Komitee untersucht die Verbrechen der Caetano Geheimpolizei", <i>Neues Deutschland</i>, 23/05/74, p.7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S0807-8967201400020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Schmahl, Frank (1974), "Provisorische Regierung entspricht Volksinteressen", <i>Neues Deutschland</i>, 11/07/74, p.7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S0807-8967201400020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Schmahl, Frank (1974), "Vasco Gon&ccedil;alves: Schritte gegen das faschistische Erbe sind notwendig", <i>Neues Deutschland,</i> 01/08/74, p.7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0807-8967201400020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Schmahl, Frank (1974), "Verschw&ouml;rung abgewehrt", <i>Neues Deutschland</i>, 30/09/74, p.5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0807-8967201400020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Steiniger, Klaus (1974), "Bedeutender Sieg der antifaschistischen Einheit", <i>Neues Deutschland</i>, 01/10/74, p.6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0807-8967201400020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Steiniger, Klaus (1974), "Gr&ouml;&szlig;eren Spielraum f&uuml;r Kr&auml;fte des Volkes Portugals", <i>Neues Deutschland</i>, 24/05/74, p.6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0807-8967201400020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Steiniger, Klaus (1974), "Multinationale Konzerne bedrohen Portugals Freiheit", <i>Neues Deutschland</i>, 23/08/74, p.6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0807-8967201400020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Steiniger, Klaus (1974), "Portugal 15 Wochen nach dem 25. April", <i>Neues Deutschland</i>, 08/08/74, p.6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0807-8967201400020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Steiniger, Klaus (1974), "Portugals Kommunisten f&uuml;r feste demokratische Front", <i>Neues Deutschland</i>, 22/05/74, p.6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0807-8967201400020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Steiniger, Klaus (1974), "Portugal, Zehn Tage nach dem Sturz des Blutregimes", <i>Neues Deutschland</i>, 04/05/74, p.6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0807-8967201400020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Steiniger, Klaus (1974), "Sturz der Clique Caetanos &#8211; Eine neue Lage in Portugal", <i>Neues Deutschland,</i> 27/04/74, p.6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0807-8967201400020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Steiniger, Klaus (1974), "Wo gestern noch die PIDE w&uuml;tete", <i>Neues Deutschland</i>, 01/06/74, p.16.</p>      <p><i>Die Zeit</i></p>      <p>Autor desconhecido (1974), "Gef&auml;hrlicher Gegner", <i>Die Zeit</i>, 25/04/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.zeit.de/1974/18/gefaehrlicher-gegner" target="_blank">http://www.zeit.de/1974/18/gefaehrlicher-gegner</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Autor desconhecido (1974), "General Spinola verspricht den Portugiesen Freiheit", <i>Die Zeit,</i> 02/05/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.zeit.de/1974/19/general-spinola-verspricht-den-portugiesen-freiheit" target="_blank">http://www.zeit.de/1974/19/general-spinola-verspricht-den-portugiesen-freiheit</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Autor desconhecido (1974), "Noch keine L&ouml;sung", <i>Die Zeit</i>, 07/06/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.zeit.de/1974/24/noch-keine-loesung" target="_blank">http://www.zeit.de/1974/24/noch-keine-loesung</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Autor desconhecido (1974), "Schwerster Sieg", <i>Die Zeit</i>, 01/08/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.zeit.de/1974/32/schwerster-sieg" target="_blank"> http://www.zeit.de/1974/32/schwerster-sieg</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Bieber, Horst (1974), "General Sp&iacute;nola im Test", <i>Die Zeit</i>, 23/05/74, dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.zeit.de/1974/22/general-spinola-im-test" target="_blank">http://www.zeit.de/1974/22/general-spinola-im-test</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Gerhardt, Robert (1974), "Es geht auch ohne Spinola", <i>Die Zeit</i>, 10/10/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.zeit.de/1974/42/es-geht-auch-ohne-spinola" target="_blank">http://www.zeit.de/1974/42/es-geht-auch-ohne-spinola</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Jaenecke, Heinrich (1974), "Schatten &uuml;ber Spinolas Zukunft", <i>Die Zeit</i>, 08/08/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.zeit.de/1974/33/schatten-ueber-spinolas-zukunft" target="_blank">http://www.zeit.de/1974/33/schatten-ueber-spinolas-zukunft</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Moser, Carsten (1974), "Nelken mit Dornen", <i>Die Zeit,</i> 20/06/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.zeit.de/1974/26/nelken-mit-dornen" target="_blank"> http://www.zeit.de/1974/26/nelken-mit-dornen</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pires, Jos&eacute; Cardoso (1974), "Mit Nelke und Gewehr", <i>Die Zeit</i>, 16/05/74, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.diezeit.de/1974/21/mit-nelke-und-gewehr" target="_blank"> http://www.diezeit.de/1974/21/mit-nelke-und-gewehr</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p><b>Literatura</b></p>      <p>Fink, Carole &amp; Schaefer, Bernd (ed.) (2009), <i>Ostpolitik, 1969&#8211;1974. European and Global Responses</i>, Cambridge, University Press.</p>      <p>Fonseca, Ana M&oacute;nica (2007), <i>A For&ccedil;a das Armas: o apoio da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha ao Estado Novo (1958-1968)</i>. Lisboa, Instituto Diplom&aacute;tico.</p>      <p>Fonseca, Ana M&oacute;nica (2009), "The Federal Republic of Germany and the Portuguese Transition to Democracy (1974-1976)", <i>Journal of European Integration History</i>, n&ordm; 15 (1), dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ipri.pt/publicacoes/working_paper/pdf/AMFonseca_JEIH_2009" target="_blank">http://www.ipri.pt/publicacoes/working_paper/pdf/AMFonseca_JEIH_2009</a>, pp. 35-56, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Hartley, John (1995), <i>Understanding the News. Studies in Culture and Communication</i>, Londres, Routledge.</p>      <p>Kilian, Werner (2001), <i>Die Hallstein Doktrin. Der diplomatische Krieg zwischen der BRD und der DDR 1955-1973, aus den Akten der beiden Au&szlig;enministerien</i>, Berlim, Duncker und Humblot.</p>      <p>Lopes, Rui (2011), <i>Between Cold War and colonial wars: the making of West German policy towards the Portuguese dictatorship, 1968-1974</i>, tese de doutoramento, The London School of Economics and Political Science (LSE), dispon&iacute;vel em <a href="http://etheses.lse.ac.uk/359/" target="_blank">http://etheses.lse.ac.uk/359/</a>, consultado em 01/06/2014.</p>      <p>Mesquita, M&aacute;rio &amp; Rebelo, Jos&eacute; (Ed.) (1994), <i>O 25 de abril nos Media Internacionais</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</p>      <p>Meyen, Michael &amp; Fiedler, Anke (2010), "Vernichtung der politischen &Ouml;ffentlichkeit? Tageszeitungen und Kommunikationsstrukturen in der DDR", in Stefan Zahlmann (ed.), <i>Wie im Westen nur anders. Medien in der DDR</i>, Berlim, pp.35-59.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Meyer-Clason, Curt (2013), <i>Di&aacute;rios Portugueses (1969-1976)</i>, Lisboa, Documenta.</p>      <p>Meyer-Clason, Curt (1979), <i>Portugiesische Tageb&uuml;cher (1969&#8211;1976)</i>, K&ouml;nigsstein, Athen&auml;um.</p>      <p>Schreiber, Hermann (2003), <i>Kanzlersturz &#8211; Warum Willy Brandt zur&uuml;cktrat</i>, Munique, Econ.</p>      <p>Seidel, J&ouml;rg (2011), "The Portuguese Carnation Revolution in East-Germany&#8217;s <i>Neues Deutschland"</i>, in Teresa Pinheiro, Beata Cieszynska, Jos&eacute; Eduardo Franco (ed.), <i>Peripheral Identities : Iberia and Eastern Europe between the dictatorial past and the European present,</i> Vars&oacute;via, Pearlbooks, pp. 95-106.</p>      <p>Steiniger, Klaus (2011), <i>Portugal im April: Chronist der Nelkenrevolution</i>, Heinen, Wiljo.</p>      <p>Steiniger, Klaus (1982), <i>Portugal. Traum und Tag,</i> Leipzig, Brockhaus.</p>      <p>Varela, Raquel (2011), <i>Hist&oacute;ria do PCP na Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos</i>, Lisboa, Bertrand.</p>      <p>Viera, Joaquim &amp; Monico, Reto (2014), Lisboa, <i>Nas Bocas do Mundo. O 25 de Abril e o PREC na imprensa internacional</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&atilde;o Tinta-da-China.</p>      <!-- ref --><p>Wagner, Tilo (2006): "Portugal e a RDA durante a &lt;&lt;Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos&gt;&gt;", <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>, n&ordm; 11, pp.79-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0807-8967201400020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Wettig, Gerhard (1976), "Entspannungsund Klassenpolitik. Das sowjetische Verhalten gegen&uuml;ber Portugal", <i>Beitr&auml;ge zur Konfliktforschung</i>, n&ordm; 1, pp. 77-136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0807-8967201400020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>[Submetido em 9 de junho de 2014 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 11 de julho de 2014]</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup>Sobre o impacto da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos na imprensa internacional ver, por exemplo, Viera/ Monico (2014) e Mesquita/Rebelo (1994).</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>Todos os artigos deste jornal est&atilde;o gratuitamente dispon&iacute;veis na internet, o que permite ao leitor interessado um acesso f&aacute;cil a esse tipo de publica&ccedil;&otilde;es. Ver por exemplo o arquivo dos artigos do ano 1974: <a href="http://www.zeit.de/1974/index" target="_blank"> http://www.zeit.de/1974/index</a>.</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>Tamb&eacute;m seria poss&iacute;vel escolher os jornais di&aacute;rios <i>Frankfurter Allgemeine</i> ou <i>Frankfurter Rundschau</i> para compar&aacute;-los e apresentar as reportagens de um jornal situado mais no lado direito do campo pol&iacute;tico na RFA (<i>Frankfurter Allgemeine</i>). Contudo, o <i>Frankfurter Allgemeine</i> n&atilde;o reflete as posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do governo como &eacute; o caso de <i>Die Zeit</i> que publicou v&aacute;rios artigos durante o per&iacute;odo escolhido da an&aacute;lise, o que garante um certo valor de compara&ccedil;&atilde;o.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>Na internet, h&aacute; um acesso gratuito aos t&iacute;tulos e &agrave;s primeiras linhas de artigos. Ver: <a href="http://www.nd-archiv.de" target="_blank">http://www.nd-archiv.de</a>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>Para os instrumentos de controlo dos m&eacute;dia na RDA, ver Meyen/Fiedler (2010).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup>Para a melhor compreens&atilde;o do papel do contexto na an&aacute;lise da cobertura medi&aacute;tica, ver Hartley (1995: 6).</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>Outros tratados que fazem parte da "Ostpolitik" haviam sido assinados em 1970 entre a RFA e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, entre a RFA e a Pol&oacute;nia e, em 1971, seguira-se um tratado dos aliados sobre o estatuto de Berlim ocidental. Para uma vis&atilde;o mais ampla da "Ostpolitik", ver Fink/Schaefer (2009).</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup>Atrav&eacute;s do tratado com os tr&ecirc;s aliados ocidentais assinado em 1954/55, a RFA ganhou soberania pol&iacute;tica e considerou-se o &uacute;nico Estado alem&atilde;o democraticamente legitimado. Para isolar a RDA, a assim chamada "Ostzone" (Zona do Leste), a RFA aplicou a doutrina de Hallstein considerando rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre terceiros estados e a RDA como atos internacionais contra a RFA. Por exemplo em 1957, a RFA rompeu os la&ccedil;os diplom&aacute;ticas com a Jugosl&aacute;via por essa ter reconhecido a RDA. Ver, a este respeito, Kilian (2001).</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>No Arquivo federal da RFA e no arquivo do Minist&eacute;rio Alem&atilde;o das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores, ambos situados em Berlim, existe um vasto esp&oacute;lio de pastas que documenta o apoio da RDA ao PAIGC em Guin&eacute;-Bissau, &agrave; FRELIMO em Mo&ccedil;ambique e ao MPLA em Angola.</p>      <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup>Ver Fonseca (2007).</p>      <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup>Rui Lopes (2011) analisou, na sua tese de doutoramento, a ambiguidade da pol&iacute;tica da RFA na era do marcelismo.</p>      <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup>Ver Ana M&oacute;nica Fonseca (2009) que revelou, num artigo sobre as rela&ccedil;&otilde;es RFA &#8211; Portugal entre 1974 e 1976, que o PS informou os seus parceiros alem&atilde;es de que uma oposi&ccedil;&atilde;o militar estava a formar-se, por&eacute;m apenas para o per&iacute;odo entre o 25 de abril e outubro de 1974. Fonseca tamb&eacute;m n&atilde;o constata uma pol&iacute;tica claramente definida da RFA em Portugal.</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup>No dia 24 de abril de 1974, o espi&atilde;o da RDA na chancelaria da RFA, G&uuml;nter Guillaume, foi desvendado. Como consequ&ecirc;ncia, Willy Brandt apresentou a sua demiss&atilde;o de chanceler da RFA no dia 7 de maio de 1974. Sobre este assunto, ver Schreiber (2003).</p>      <p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup>PA AA Zwischenarchiv 110241: Kurzfassung des politischen Jahresberichtes 1974.       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup>Ibid.</p>      <p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup>Cf. Wettig (1976: 101).</p>      <p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup>Ver Wagner (2006).</p>      <p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup>BA DY30/12959, Zusammenarbeit der SED mit Parteien und Organisationen in Portugal. Segundo esses registos, as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas foram estabelecidas em junho 1974 e pouco a pouco foram realizados os outros pontos da agenda atrav&eacute;s de um contrato de com&eacute;rcio de 1974 e com a funda&ccedil;&atilde;o de uma associa&ccedil;&atilde;o amizade Portugal-RDA em dezembro de 1974.</p>      <p><sup><a href="#top19" name="19">[19]</a></sup>Seidel (2011) tenta apresentar as interfer&ecirc;ncias pol&iacute;ticas na cobertura pelo <i>Neues Deutschland</i>, mas a sua argumenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o convence, desde logo porque afirma que o <i>Neues Deutschland</i>publicou o primeiro artigo sobre a Revolu&ccedil;&atilde;o em Portugal s&oacute; no dia 6 de maio de 1974, supostamente para ter mais tempo para analisar a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal. No entanto, facto &eacute; que o primeiro artigo foi logo publicado no dia 26 de abril de 1974 e o SED n&atilde;o podia ter interesse em esconder este acontecimento, uma vez que a popula&ccedil;&atilde;o da RDA j&aacute; podia saber dos acontecimentos atrav&eacute;s dos m&eacute;dia da RFA, como a r&aacute;dio, cujo sinal tamb&eacute;m era captado tamb&eacute;m no territ&oacute;rio da RDA, ou mesmo pela TV ocidental que, apesar de oficialmente proibida, a maioria dos habitantes da RDA recebia por antena.</p>      <p><sup><a href="#top20" name="20">[20]</a></sup>Autor desconhecido (1974), "Gef&auml;hrlicher Gegner", <i>Die Zeit</i>, 25/04/74.</p>      <p><sup><a href="#top21" name="21">[21]</a></sup>Autor desconhecido (1974), "General Spinola verspricht den Portugiesen Freiheit", <i>Die Zeit,</i> 02/05/74.</p>      <p><sup><a href="#top22" name="22">[22]</a></sup>Autor desconhecido (1974), "Portugiesisches Milit&auml;r st&uuml;rzte Diktator Caetano", <i>Neues Deutschland</i>, 26/04/75, p.7.</p>      <p><sup><a href="#top23" name="23">[23]</a></sup>Steiniger, Klaus (1974), "Sturz der Clique Caetanos &#8211; Eine neue Lage in Portugal", <i>Neues Deutschland,</i> 27/04/74, p.6.</p>      <p><sup><a href="#top24" name="24">[24]</a></sup>Stoph foi presidente do conselho do estado da RDA. Segundo a constitui&ccedil;&atilde;o da RDA, Stoph era o chefe de estado supremo, se bem que na realidade o verdadeiro "n&uacute;mero um" tenha sido Erich Honecker na sua fun&ccedil;&atilde;o de secret&aacute;rio geral do comit&eacute; central do SED.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top25" name="25">[25]</a></sup>Autor desconhecido (1974),"Solidarisch mit dem Kampf des Volkes von Angola", <i>Neues Deutschland</i>, 09/05/74, p.1.</p>      <p><sup><a href="#top26" name="26">[26]</a></sup>Ibid.</p>      <p><sup><a href="#top27" name="27">[27]</a></sup>Autor desconhecido (1974), "Noch keine L&ouml;sung", <i>Die Zeit</i>, 07/06/74.</p>      <p><sup><a href="#top28" name="28">[28]</a></sup>Bieber, Horst (1974), "General Sp&iacute;nola im Test", <i>Die Zeit</i>, 23/05/74.</p>      <p><sup><a href="#top29" name="29">[29]</a></sup>Autor desconhecido (1974), "Schwerster Sieg", <i>Die Zeit</i>, 01/08/74.</p>      <p><sup><a href="#top30" name="30">[30]</a></sup>Jaenecke, Heinrich (1974), "Schatten &uuml;ber Spinolas Zukunft", <i>Die Zeit</i>, 08/08/74.</p>       <p><sup><a href="#top31" name="31">[31]</a></sup>Gerhardt, Robert (1974), &#8222;Es geht auch ohne Spinola", <i>Die Zeit</i>, 10/10/74.</p>      <p><sup><a href="#top32" name="32">[32]</a></sup>Schmahl, Frank (1974), "Verschw&ouml;rung abgewehrt", <i>Neues Deutschland</i>, 30/09/74, p.5.       <p><sup><a href="#top33" name="33">[33]</a></sup>Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Seguran&ccedil;a, anteriormente Pol&iacute;cia Internacional da Defesa do Estado.</p>      <p><sup><a href="#top34" name="34">[34]</a></sup>Schmahl, Frank (1974), "Ersch&uuml;tternde Aussagen in Lissabon. Komitee untersucht die Verbrechen der Caetano Geheimpolizei", <i>Neues Deutschland</i>, 23/05/74, p.7.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top35" name="35">[35]</a></sup>Steiniger, Klaus (1974), "Wo gestern noch die PIDE w&uuml;tete.", <i>Neues Deutschland</i>, 01/06/74, p.16.</p>      <p><sup><a href="#top36" name="36">[36]</a></sup>Klaus Steiniger foi enviado a Portugal no dia 13 de maio de 1974. Em 1982, ele publicou as suas experi&ecirc;ncias feitas em Portugal no livro <i>Portugal. Traum und Tag</i>. O Livro foi reeditado em 2011 com o titulo <i>Chronist der Nelkenrevolution</i> e serve como excelente refer&ecirc;ncia de um observador pol&iacute;tico da situa&ccedil;&atilde;o em Portugal entre 1974 e 1982. Tendo mantido v&aacute;rios contactos com os oficias do MFA e militantes importantes do PCP, Steiniger consegue nos seus livros esbo&ccedil;ar uma imagem bastante precisa, ainda que determinada por um cunho claramente ideol&oacute;gico, da pol&iacute;tica interior de Portugal de ent&atilde;o.</p>      <p><sup><a href="#top37" name="37">[37]</a></sup>No seu livro <i>Portugiesische Tageb&uuml;cher</i>, Meyer-Clason dedica um cap&iacute;tulo a esta visita. Em 2013, o livro foi finalmente editado em portugu&ecirc;s, o que mostra a import&acirc;ncia dos testemunhos de Meyer Clason no que concerne a uma melhor compreens&atilde;o do Marcelismo e da Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos. Ver Meyer-Clason (1979: 269-272).</p>      <p><sup><a href="#top38" name="38">[38]</a></sup>Pires, Jos&eacute; Cardoso (1974), "Mit Nelke und Gewehr", <i>Die Zeit</i>, 16/05/74.</p>      <p><sup><a href="#top39" name="39">[39]</a></sup>Steiniger, Klaus (1974), "Sturz der Clique Caetanos &#8211; Eine neue Lage in Portugal", <i>Neues Deutschland,</i> 27/04/74, p.6.</p>      <p><sup><a href="#top40" name="40">[40]</a></sup>Honecker, Erich (1974), "Telegramm an die Portugiesische Kommunistische Partei", <i>Neues Deutschland</i>, 04/05/74, p.1. Honecker, Erich (1974), "Telegramm an die Sozialistische Partei Portugals", <i>Neues Deutschland</i>, 04/05/74, p.1.</p>      <p><sup><a href="#top41" name="41">[41]</a></sup>Steiniger, Klaus (1974), "Portugal, Zehn Tage nach dem Sturz des Blutregimes", <i>Neues Deutschland</i>, 04/05/74, p.6.</p>      <p><sup><a href="#top42" name="42">[42]</a></sup>Ibid.</p>      <p><sup><a href="#top43" name="43">[43]</a></sup>Steiniger, Klaus (1974), "Portugals Kommunisten f&uuml;r feste demokratische Front", <i>Neues Deutschland</i>, 22/05/74, p.6.</p>      <p><sup><a href="#top44" name="44">[44]</a></sup>Steiniger Klaus (1974), "Gr&ouml;&szlig;eren Spielraum f&uuml;r Kr&auml;fte des Volkes Portugals", <i>Neues Deutschland</i>, 24/05/74, p.6.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top45" name="45">[45]</a></sup>Moser, Carsten (1974), "Nelken mit Dornen", <i>Die Zeit,</i> 20.6.74.</p>       <p><sup><a href="#top46" name="46">[46]</a></sup>Ibid.</p>      <p><sup><a href="#top47" name="47">[47]</a></sup>Jaenecke, Heinrich (1974), "Schatten &uuml;ber Spinolas Zukunft", <i>Die Zeit</i>, 08/08/74.</p>      <p><sup><a href="#top48" name="48">[48]</a></sup>Schmahl, Frank (1974), "Provisorische Regierung entspricht Volksinteressen", <i>Neues Deutschland</i>, 11/07/74, p.7.</p>      <p><sup><a href="#top49" name="49">[49]</a></sup>Steiniger, Klaus (1974), "Portugal 15 Wochen nach dem 25. April", <i>Neues Deutschland,</i> 08/08/74, p.6.</p>      <p><sup><a href="#top50" name="50">[50]</a></sup>Schmahl, Frank (1974), "Vasco Gon&ccedil;alves: Schritte gegen das faschistische Erbe sind notwendig", <i>Neues Deutschland,</i> 01/08/74, p.7.</p>      <p><sup><a href="#top51" name="51">[51]</a></sup>Steiniger Klaus (1974), "Multinationale Konzerne bedrohen Portugals Freiheit", <i>Neues Deutschland</i>, 23/08/74, p.6.</p>      <p><sup><a href="#top52" name="52">[52]</a></sup> Steiniger, Klaus (1974), "Bedeutender Sieg der antifaschistischen Einheit", <i>Neues Deutschland</i>, 01/10/74, p.6.</p>       ]]></body><back>
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