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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As artistas e o espaço público no Portugal político circa 1970]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper will focus on the work of Portuguese women artists, namely Ana Hatherly, Emília Nadal, Paula Rego and Clara Menéres, especially their artistic interventions regarding macro-political issues such as the dictatorship, the Revolution or the economic transformations emerging from the political and social order post 1974. Sculptures, films, assemblages and paintings will be put into dialogue so as to map feminine artistic production in Portugal, which was characterized by a growing intervention in public space.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>40 ANOS DE ABRIL</b></p>      <p><b>As artistas e o espa&ccedil;o p&uacute;blico no Portugal pol&iacute;tico circa 1970</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>M&aacute;rcia Oliveira*</b></p>      <p>*Universidade do Minho, Investigadora do Centro de Estudos Human&iacute;sticos, Braga, Portugal.</p>      <p><a href="mailto:marciacoliveira@gmail.com">marciacoliveira@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Com este artigo pretende-se abordar o trabalho de algumas artistas portuguesas, como Ana Hatherly, Em&iacute;lia Nadal, Paula Rego e Clara Men&eacute;res, mais especificamente as suas interven&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas em torno de quest&otilde;es macro-pol&iacute;ticas como a ditadura, o 25 de Abril ou as transforma&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas surgidas na nova ordem pol&iacute;tica e social p&oacute;s-1974. Esculturas, filmes, assemblages, pinturas ser&atilde;o postas em di&aacute;logo no sentido de tra&ccedil;ar um quadro da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica no feminino em Portugal marcada por uma crescente interven&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: artes pl&aacute;sticas, feminismo, espa&ccedil;o p&uacute;blico, Portugal.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>This paper will focus on the work of Portuguese women artists, namely Ana Hatherly, Em&iacute;lia Nadal, Paula Rego and Clara Men&eacute;res, especially their artistic interventions regarding macro-political issues such as the dictatorship, the Revolution or the economic transformations emerging from the political and social order post 1974. Sculptures, films, assemblages and paintings will be put into dialogue so as to map feminine artistic production in Portugal, which was characterized by a growing intervention in public space.</p>      <p><b>Keywords</b>: visual arts, feminism, public space, Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Com <i>A mulher portuguesa urbana: que mito, que realidade?</i>, Julieta A. Rodrigues contribuiu para a discuss&atilde;o lan&ccedil;ada pelo evento proposto pela Sociedade de Belas Artes,<i> Artistas Portuguesas</i> (J. A. Rodrigues 1977), reflectindo acerca do espa&ccedil;o dom&eacute;stico como sendo aquele que pertencia &agrave; mulher, embora notando que esta clara divis&atilde;o do espa&ccedil;o definida pelo g&eacute;nero encontrou uma contradi&ccedil;&atilde;o na emergente estrutura&ccedil;&atilde;o capitalista do pa&iacute;s trazida pela Revolu&ccedil;&atilde;o e pela democracia. De facto, o acesso ao espa&ccedil;o p&uacute;blico tornou-se inevit&aacute;vel depois de 1974, o que se manifestou tamb&eacute;m ao n&iacute;vel das express&otilde;es criativas. Neste sentido, a adop&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias abordagens ao conceito de paisagem, emergentes na obra de diversas artistas, pode nortear uma reflex&atilde;o em torno da nova rela&ccedil;&atilde;o entre as artistas portuguesas e o espa&ccedil;o p&uacute;blico, potenciada pelo ambiente pol&iacute;tico e cultural do pa&iacute;s, e marcada pela inscri&ccedil;&atilde;o dos corpos, das ac&ccedil;&otilde;es e do pensamento nesse mesmo espa&ccedil;o p&uacute;blico<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>, atrav&eacute;s da desconstru&ccedil;&atilde;o da linguagem revolucion&aacute;ria atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o do corpo no espa&ccedil;o (Ana Hatherly), atrav&eacute;s da ironia que confunde e questiona as constru&ccedil;&otilde;es discursivas econ&oacute;mica e revolucion&aacute;ria (Em&iacute;lia Nadal) ou atrav&eacute;s da associa&ccedil;&atilde;o do corpo feminino &agrave; natureza (Clara Men&eacute;res). Assumidamente lan&ccedil;ando olhares para o mundo e para o pa&iacute;s num contexto de confronta&ccedil;&atilde;o aberta at&eacute; ent&atilde;o imposs&iacute;vel, v&aacute;rias artistas trouxeram a p&uacute;blico e materializaram n&atilde;o s&oacute; o seu olhar perante uma nova realidade, mas tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es e os questionamentos que ent&atilde;o se moviam em direc&ccedil;&otilde;es diversas. As paisagens veiculadas esteticamente &#8211; paisagens da cidade e do corpo feminino, mas tamb&eacute;m paisagens semi&oacute;ticas &#8211; introduziram novos elementos e potencialidades na experi&ecirc;ncia est&eacute;tica da paisagem que significa a transposi&ccedil;&atilde;o para a tela de um determinado olhar sobre a realidade ou, mais concretamente, sobre a natureza. Como nota Margarida Acciaiuoli, "a Hist&oacute;ria da Arte ensina-nos que a emerg&ecirc;ncia da paisagem na pintura &eacute; um facto &uacute;nico na experi&ecirc;ncia est&eacute;tica da Natureza e que em nenhum outro momento surgiu alguma vez uma no&ccedil;&atilde;o semelhante. E n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que a qualidade abrupta da &laquo;janela&raquo; de Alberti no s&eacute;culo XV e a extens&atilde;o dela a toda a dimens&atilde;o da tela, que o s&eacute;culo XIX ir&aacute; propor e praticar, moldaram de facto as nossas ra&iacute;zes mais profundas e contribu&iacute;ram para que o nosso olhar perante a natureza nunca mais fosse o mesmo" (Margarida Acciaiuoli 2006: 12).</p>      <p>Em 1977, um desenho a l&aacute;pis de cor da autoria de Em&iacute;lia Nadal (Lisboa, 1938), intitulado <i>Landscape </i>(48 x 66 cm), condensa esta dial&eacute;tica da paisagem ao transpor aquela que seria a natural e "genu&iacute;na paisagem portuguesa" (o Algarve) para o r&oacute;tulo de uma embalagem semelhante a tantas outras que oferecem um conte&uacute;do pronto a digerir numa sociedade massifi ada. O espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; assim transformado numa experi&ecirc;ncia dom&eacute;stica, levado para dentro de portas, atrav&eacute;s de uma representa&ccedil;&atilde;o ironizada n&atilde;o s&oacute; da paisagem mas tamb&eacute;m do seu uso, ao mesmo tempo que, no sentido inverso, diversas ac&ccedil;&otilde;es colectivas no contexto p&oacute;s-revolu&ccedil;&atilde;o levavam a expressividade individual dos artistas portugueses para a rua<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>. Para al&eacute;m disso, e por outro lado, Em&iacute;lia Nadal convoca a transforma&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massas n&atilde;o s&oacute; em ve&iacute;culos de transmiss&atilde;o de mensagens, mas tamb&eacute;m em "janelas" alternativas &agrave; tela e ao espa&ccedil;o de representa&ccedil;&atilde;o da obra de arte, criando uma nova paisagem art&iacute;stica, visual e, sobretudo, ideol&oacute;gica. A publicidade em concreto &eacute; o meio abordado por Nadal, pintora de forma&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de um conjunto de obras, entre desenhos e m&uacute;ltiplos, nos quais surgem abordadas estas tem&aacute;ticas que, consonantes com a &eacute;poca e com as quest&otilde;es que o enquadramento social, pol&iacute;tico e cultural suscitavam, avan&ccedil;avam no sentido da sua indaga&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de uma po&eacute;tica emergida do questionamento da pr&oacute;pria epistemologia e hierarquia art&iacute;sticas. Como nota Jo&atilde;o Pinharanda:</p>      <blockquote>Os contextos hist&oacute;ricos importam a quem deseja intervir civicamente; e &eacute; o contexto portugu&ecirc;s (quer pol&iacute;tico, quer social) dos anos p&oacute;s-25 de Abril que desencadeia os divertissements [sic] supostamente Pop da artista. Supostamente, porque a Pop j&aacute; tinha internacionalmente acontecido h&aacute; muito; e porque &eacute; uma ironia feita sobre (ou atrav&eacute;s da) Pop que Em&iacute;lia Nadal desencadeia. Do que as obras de 1976-77 s&atilde;o exactamente contempor&acirc;neas &eacute; do tempo revolucion&aacute;rio ent&atilde;o vivido: quando, em Portugal, pa&iacute;s afastado da Europa, houve consci&ecirc;ncia colectiva dos "pecados" da sociedade de consumo capitalista, ela quase n&atilde;o existia; foi exactamente a Revolu&ccedil;&atilde;o (e o seu fracasso) que permitiram instaur&aacute;-la, juntamente com a democracia pol&iacute;tica. Jogando com esta contradi&ccedil;&atilde;o (em si mesmo ir&oacute;nica) e com uma imagerie Pop levada a extremos caricaturais, Em&iacute;lia Nadal assimila a vertigem, tamb&eacute;m ela caricatural da vida pol&iacute;tica, a produtos de venda f&aacute;cil e massificada, marcados pela suspeita de uma evidente falta de qualidade e fraudulenta informa&ccedil;&atilde;o (J. Pinharanda 2011: s/p).</blockquote>      <p>Da mesma forma que Briony Fer refere que o construtivismo associava a individualidade ao capitalismo, logo procurando uma gram&aacute;tica colectiva que n&atilde;o fosse express&atilde;o de individualidade (Fer 1997), Em&iacute;lia Nadal funde uma linguagem Pop com uma problematiza&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica mais vasta, intuindo-se que o formalismo inerente a esta estrat&eacute;gia n&atilde;o se coaduna com a individualidade da artista. Embora distanciada da Pop americana, facto notado num artigo publicado por Jos&eacute;-Augusto Fran&ccedil;a no Di&aacute;rio Popular, no qual o cr&iacute;tico mais proeminente da &eacute;poca diria que "o 25 de Abril, ao pretender dar imagens ao que era ou parecia ent&atilde;o ser a revolu&ccedil;&atilde;o, seguiu outro caminho de diferente ortodoxia bem anti-americana e muito, de novo, neo-realista" (Fran&ccedil;a 1977: s/p), a pintora apresenta uma po&eacute;tica baseada no questionamento ideol&oacute;gico e na linguagem visual associada &agrave; cultura de massas, a qual nos remete para o desenhar de linhas de fuga potenciado pela arte. &Eacute;, por outro lado, indesment&iacute;vel que o recurso a uma estrat&eacute;gia de metaforiza&ccedil;&atilde;o visual da linguagem publicit&aacute;ria atrav&eacute;s da cita&ccedil;&atilde;o de produtos de consumo, como o detergente para a roupa ou as latas de alimentos prontos a consumir, visa desconstruir o papel social inerente ao habitual destinat&aacute;rio de tais mensagens: a mulher remetida ao espa&ccedil;o f&iacute;sico e simb&oacute;lico do lar e da fam&iacute;lia<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>. Assim, o espa&ccedil;o privado &eacute; transposto para o espa&ccedil;o p&uacute;blico, ao passo que Ana Hatherly, com as suas <i>Descolagens da Cidade</i>, vai transpor a ac&ccedil;&atilde;o colectiva do espa&ccedil;o aberto (dos muros transformados em telas pela Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril) para o espa&ccedil;o aparentemente confinado da moldura e da exposi&ccedil;&atilde;o.</p>      <p><i>Landscape </i>integra um conjunto de obras, desenhos e m&uacute;ltiplos, reunidos sob o t&iacute;tulo gen&eacute;rico de <i>Embalagens para Conte&uacute;dos Imagin&aacute;rios e Liofilizados </i>datados de 1977, as quais oferecem uma s&eacute;rie de capacidades prontas a consumir: <i>slogans </i>pol&iacute;ticos (&#8216;el pueblo unido jam&aacute;s ser&aacute; vencido" &eacute; um dos exemplos), actividades e objectos, paisagens, folclore, tecnocracia, desporto, turismo, cultura liter&aacute;ria, poemas (&eacute;picos, saudosistas ou patri&oacute;ticos, &oacute;pera, e arte, obviamente). Estes <i>slogans </i>s&atilde;o &#8216;doutrin&aacute;rios&#8217;, ideol&oacute;gicos, como se expressa com clareza em <i>Skop </i>(objecto com pintura sobre madeira de 1979)<i>, </i>"detergente ideol&oacute;gico para todos os programas de lavagem ao c&eacute;rebro", ou <i>Mulher Ideal</i>, objecto da mesma &iacute;ndole deste <i>Skop</i>. No decorrer deste projecto, segundo a pr&oacute;pria artista "foi a caixa (o espa&ccedil;o contido) e a rela&ccedil;&atilde;o com o seu conte&uacute;do imagin&aacute;rio que motivaram a proposta como atitude po&eacute;tica, portanto est&eacute;tica" (Nadal 1980: s/p). Neste sentido, o di&aacute;logo estabelecido entre objecto, corpo e mensagem manifesta-se de forma premente, efeito potenciado pelas grandes dimens&otilde;es das obras. Comunica&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m uma problematiza&ccedil;&atilde;o do desejo no contexto de uma sociedade de consumo, emergente no p&oacute;s-25 de Abril, s&atilde;o, ent&atilde;o, termos centrais neste conjunto de obras de Em&iacute;lia Nadal, numa altura em que "o agenciamento feminino, aparentemente, se reduzia &agrave; escolha daquilo que queria comprar" (Nochlin 2010: 15).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se a representa&ccedil;&atilde;o, nesta altura, &eacute; questionada a partir do corpo da mulher e da sua sexualidade nas obras escult&oacute;ricas de Clara Men&eacute;res, Em&iacute;lia Nadal explora a constru&ccedil;&atilde;o cultural e visual dessas representa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o veiculadas por linguagens adstritas &agrave; cultura popular e de massas para empreender a constru&ccedil;&atilde;o da sua po&eacute;tica visual. Esta, dir&iacute;amos, assume-se como particularmente interessante e original no contexto art&iacute;stico portugu&ecirc;s:</p>      <blockquote>Mais do que uma &laquo;mise en bo&icirc;te&raquo; de uma civiliza&ccedil;&atilde;o, hoje universal, pareceu-me tamb&eacute;m urgente denunciar a corrup&ccedil;&atilde;o da imagem ao servi&ccedil;o do desejo transformado em necessidade, bem como desmontar um processo tecnicamente sofisticado de condicionamento dos indiv&iacute;duos e das massas, oculto sob a inocente designa&ccedil;&atilde;o de &laquo;comunica&ccedil;&atilde;o visual&raquo;.</p>      <p>Tornou-se-me ent&atilde;o necess&aacute;rio utilizar os mesmos processos para destruir o pr&oacute;prio conceito de embalagem, confrontando-a com o seu passivo e c&uacute;mplice consumidor. Nesta perspectiva, nas embalagens de grandes dimens&otilde;es, como a de &laquo;SKOP&raquo;, o seu absurdo n&atilde;o reside no imagin&aacute;rio ou na impossibilidade tecnol&oacute;gica dos produtos que anunciam, mas na sua rela&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica com a pessoa.</p>      <p>De objectos &laquo;apprivois&eacute;s&raquo;, ao alcance da m&atilde;o e do desejo, adquirem, pela sua escala, individualidade e autonomia; fora do seu contexto tornam-se outros; portanto estranhos e amea&ccedil;adores.</p>      <p>Assim, a imagem do esmagamento da pessoa por um objecto familiar tornado absurdo confere-lhe o valor de s&iacute;mbolo de uma realidade que anuncia e prefigura (Nadal 1980).</bloquequote></p>      <p>Pode dizer-se que esta estrat&eacute;gia, que ultrapassa o &acirc;mbito da estrita visualidade, interfere directamente no corpo atrav&eacute;s de uma constata&ccedil;&atilde;o material e n&atilde;o meramente semi&oacute;tica do desejo e da sua simult&acirc;nea frustra&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>, nesse sentido procedendo &agrave; constata&ccedil;&atilde;o da sua cristaliza&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do del&iacute;rio da massifica&ccedil;&atilde;o e do consumismo. De certa forma, Nadal socorre-se da mem&oacute;ria visual do espectador para confundir essa mesma mem&oacute;ria e subjacentes paralelismos sinest&eacute;sicos por via de uma estrat&eacute;gia de ironia, ou de hero&iacute;smo-ironia como poria M&aacute;rio Perniola (M&aacute;rio Perniola 2005).</blockquote>      <p>Por ocasi&atilde;o do 15&ordm; programa da s&eacute;rie televisiva <i>Obrigat&oacute;rio n&atilde;o Ver</i>, dirigida e apresentada por Ana Hatherly na RTP 2 (entre os anos de 1978 e 1979)<i>, </i>Em&iacute;lia Nadal concebeu e levou &agrave; cena uma cria&ccedil;&atilde;o intitulada <i>Epis&oacute;dios</i>, concebida propositadamente com vista &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o no referido programa. A problem&aacute;tica espacial regista-se aqui de forma absolutamente central, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o meio no qual esta pe&ccedil;a simultaneamente f&iacute;lmica e performativa se efectuou: a caixa televisiva. Como refere Ana Hatherly, "o espa&ccedil;o contido, o espa&ccedil;o interior" constitui o fulcro da pesquisa pl&aacute;stica de Nadal "e assim, na sua pintura, aparece como tema central a <i>caixa</i>, o recept&aacute;culo, o espa&ccedil;o aprisionado, mas tamb&eacute;m o espa&ccedil;o delimitado, restrito, angustioso" (Hatherly 2009: 67), tem&aacute;tica que Hatherly considera ter evolu&iacute;do tamb&eacute;m nas latas que surgem na s&eacute;rie das embalagens.</p>      <p>Ana Hatherly (Porto, 1929) mant&eacute;m-se como uma artista com um percurso absolutamente singular no contexto portugu&ecirc;s e internacional, integrando dimens&otilde;es m&uacute;ltiplas na sua obra. Licenciada em Filologia Germ&acirc;nica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutorou-se em Literaturas Hisp&acirc;nicas na Universidade da Calif&oacute;rnia, Berkeley, tendo ainda realizado estudos em &aacute;reas como a m&uacute;sica e o cinema (tem um diploma de estudos cinematogr&aacute;ficos na London Film School). Para al&eacute;m da literatura, tendo desempenhado uma ac&ccedil;&atilde;o fulcral no &acirc;mbito do movimento da Poesia Experimental Portuguesa, Hatherly integrou a multiplicidade na sua obra pl&aacute;stica, na qual a intersec&ccedil;&atilde;o com a literatura mas, sobretudo, com a palavra e com a sua dimens&atilde;o pl&aacute;stica e material (mais do que na sua vertente semi&oacute;tica) est&aacute; sempre presente, assumindo-se a imagem sempre como ato de inscri&ccedil;&atilde;o, como escrita de facto. O jogo atrav&eacute;s do qual desafia o espetador, sempre &aacute;vido em tentar extrair uma possibilidade de leitura das suas imagens, &eacute; central &agrave; pesquisa de Hatherly, que "questiona o excessivo peso da palavra na cultura ocidental e, em particular, as fragilidades das formas do seu alfabeto" (Raquel Henriques da Silva 2007: 97). O conjunto de cartazes intitulado <i>Descolagens da cidade</i>, primeiramente designados por <i>Ruas de Lisboa </i>(1977, expostos pela primeira vez na exposi&ccedil;&atilde;o Portuguese Contemporary Art, comissariada por Helmut Wohl na Royal Academy, em Londres), assim como "outros trabalhos de &iacute;ndole pol&iacute;tica, como o filme <i>Revolu&ccedil;&atilde;o </i>e v&aacute;rios desenhos e objectos, ou as instala&ccedil;&otilde;es <i>Poema d&#8217;entro </i>(1976) e <i>Rotura </i>(1977), s&atilde;o representativos de um clima emocional que se vivia no p&oacute;s-25 de Abril" (Hatherly 1992: 79). Como nota a pr&oacute;pria artista, a sua obra &eacute; primeira e acentuadamente pol&iacute;tica. Nesse sentido, tamb&eacute;m Ernesto de Sousa destaca o "ser pol&iacute;tico" de Ana Hatherly. A sua &eacute; uma arte pol&iacute;tica "principalmente porque resultado e um trabalho sobre a escrita, tenha esse trabalho como ponto de partida os caracteres arcaicos chineses, os cartazes rasgados de Lisboa ou&#8230; os acontecimentos <i>pol&iacute;ticos </i>das ruas das cidades portuguesas como num seu filme <i>Revolu&ccedil;&atilde;o </i>(1975). E a escrita &eacute; sempre um acto pol&iacute;tico: a consci&ecirc;ncia da palavra perdida, a palavra prometida" (E. d. Sousa 1998: 208). Como salientou ainda Ernesto de Sousa, mais produtivo ou interessante seria procurar em Ana Hatherly n&atilde;o aquilo que tem em comum com os movimentos de vanguarda das d&eacute;cadas de 1960 e 70, mas antes o que a distingue, ou melhor, a intrincada teia de rela&ccedil;&otilde;es (arte pol&iacute;tica, corpo, performance, literatura, desenho&#8230;) que faz sobressair a sua obra, transformando-se na sua originalidade. O ato criativo &eacute;, em Ana Hatherly, mais que um mero processo com vista a um fim, um objecto art&iacute;stico, ele &eacute; exatamente o que Deleuze define como revolu&ccedil;&atilde;o&#8230; o acto criativo em <i>Rotura</i>, assim como na performatividade da sua escrita (Oliveira, 2010), &eacute; pesquisa antropol&oacute;gica, acto-cont&iacute;nuo de constru&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica; forma-ac&ccedil;&atilde;o, dir&iacute;amos, mais do que &#8216;imagem-ac&ccedil;&atilde;o&#8217;, como coloca Jo&atilde;o Pinharanda (J. L. Pinharanda 2003).</p>      <p>Assim como a arte de inspira&ccedil;&atilde;o Pop<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> de Em&iacute;lia Nadal desmonta a ideia unit&aacute;ria de uma identidade (da arte e do feminino), tamb&eacute;m uma obra como <i>Descolagens da Cidade </i>desmonta n&atilde;o s&oacute; a centralidade do paradigma uno e identit&aacute;rio da arte, mas tamb&eacute;m a proemin&ecirc;ncia da ideologia pol&iacute;tica. Atrav&eacute;s de uma estrat&eacute;gia recuperada de contextos da vanguarda como &eacute; a colagem (neste caso de fragmentos recuperados do real), tamb&eacute;m a centralidade da ideologia pol&iacute;tica que cobriu as ruas de Lisboa no per&iacute;odo p&oacute;s-Revolu&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup> foi posta em quest&atilde;o. Ainda que aparentemente d&iacute;spares, as embalagens de Em&iacute;lia Nadal e as <i>Descolagens </i>de Ana Hatherly manifestam semelhan&ccedil;as ao n&iacute;vel ideol&oacute;gico da reconfigura&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os habitados pelos corpos das mulheres e, neste caso em particular, da mulher artista. No entanto, e dentro deste enquadramento, o que significa recuperar o(s) corpo(s) dos cartazes colados nas paredes das ruas de Lisboa, e confin&aacute;-los dentro do espa&ccedil;o de uma moldura, em contraponto com a emerg&ecirc;ncia da sa&iacute;da da obra de arte do espa&ccedil;o expositivo para o espa&ccedil;o p&uacute;blico? Como nota Germano Celant,</p>      <blockquote>relativamente &agrave; sociedade de massas, tal como ela se desenvolve no in&iacute;cio dos anos sessenta, a fun&ccedil;&atilde;o de antecipa&ccedil;&atilde;o desenvolvida pela cultura e pela arte entrou em crise e, com ela, come&ccedil;ou o final das vanguardas modernistas, as vanguardas cr&iacute;ticas e revolucion&aacute;rias que tinham marcado a hist&oacute;ria da contemporaneidade (Celant 2000: s/p).</blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O processo de descolagem e colagem dos cartazes que povoavam as ruas de Lisboa no per&iacute;odo p&oacute;s-revolu&ccedil;&atilde;o p&ocirc;s em marcha a real concretiza&ccedil;&atilde;o da espacialidade vivida convocada por Elizabeth Grosz que, mais do que levar a cabo um mero exerc&iacute;cio de representa&ccedil;&atilde;o da Revolu&ccedil;&atilde;o, desmontou o seu simbolismo unit&aacute;rio para o transformar em micro-sensa&ccedil;&otilde;es posteriormente recolocadas numa superf&iacute;cie na sequ&ecirc;ncia de um processo sensitivo e formal que implicava actos de destrui&ccedil;&atilde;o (arrancar, rasgar) e reconstru&ccedil;&atilde;o. Mais relevante ainda &eacute; este processo quando o mesmo entra no espa&ccedil;o da galeria e no espa&ccedil;o da obra, atrav&eacute;s de <i>Rotura</i>, cuja g&eacute;nese se encontra precisamente nestes cartazes e no processo subjacente. Ernesto de Sousa destaca essa rela&ccedil;&atilde;o, salientando a sua originalidade e o devido distanciamento de propostas est&eacute;ticas internacionais:</p>      <blockquote>aquelas &laquo;roturas&raquo; (Ana provavelmente at&eacute; ignorava a obra do grande pioneiro italiano<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>, o que de resto &eacute; secund&aacute;rio) t&ecirc;m directamente que ver com uma experi&ecirc;ncia directa, que vem da <i>Alternativa Zero </i>e das ruas de Lisboa; que vem dos <i>happenings </i>colectivos realizados nos anos 60; que vem da medita&ccedil;&atilde;o e do trabalho consciente, t&eacute;cnico e pr&aacute;tico, sobre a escrita. (&#8230;) Ser pol&iacute;tico no caso da Ana, &eacute; coisa que obriga a mudar de par&aacute;grafo. &Eacute; uma diferen&ccedil;a. (E. d. Sousa 1998: 210).</blockquote>      <p>J&aacute; em <i>Revolu&ccedil;&atilde;o </i>(filme 16mm, cor, 13&#8217;)<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> Hatherly apresenta uma perspectiva que decorre da sua viv&ecirc;ncia da espacialidade p&uacute;blica (uma espacialidade vivida)<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup> e do objecto p&uacute;blico que &eacute; o acto revolucion&aacute;rio em curso, utilizando uma estrat&eacute;gia de "colagem" de fragmentos de imagens que marcaram um determinado per&iacute;odo na sociedade portuguesa.</p>      <p>Hatherly filma os muros e os seus cartazes e pinturas pol&iacute;ticas, nos quais se destacam diversos elementos e s&iacute;mbolos partid&aacute;rios, de ideologia socialista, os cartazes rasgados e sobrepostos dos partidos que ent&atilde;o tentavam obter um espa&ccedil;o na cena pol&iacute;tica nacional, mas tamb&eacute;m imagens fotogr&aacute;ficas de pol&iacute;ticos proeminentes, como M&aacute;rio Soares. &Agrave;s imagens sobrep&otilde;em-se sons diversos, gritos de rua, palavras de ordem ("Liberdade", "O povo unido jamais ser&aacute; vencido"), m&uacute;sicas populares ("Gr&acirc;ndola Vila Morena", can&ccedil;&atilde;o-senha do golpe de estado interpretada por Zeca Afonso, mas tamb&eacute;m o hino nacional e m&uacute;sica folcl&oacute;rica do Alentejo e do Minho) e discursos pol&iacute;ticos proferidos por elementos proeminentes da cena pol&iacute;tica da altura. Executado durante a Primavera de 1975, o filme trabalha a tem&aacute;tica da revolu&ccedil;&atilde;o a partir dos dispositivos t&eacute;cnicos permitidos pelo meio utilizado, como destaca Hatherly ao descrever a pe&ccedil;a no cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o <i>Artistas Portuguesas</i>: "filmagem com manipula&ccedil;&atilde;o de obturador, movimentos de c&acirc;mara extremamente r&aacute;pidos, montagem r&iacute;tmica, que produzem um estado de euforia e de perturba&ccedil;&atilde;o, enquanto desta vis&atilde;o caleidosc&oacute;pica do que era a realidade de ent&atilde;o, o esp&iacute;rito do povo emerge e fala directamente a cada um de n&oacute;s" (in Chic&oacute; 1977: 32). Profundamente sinest&eacute;sica, a experimenta&ccedil;&atilde;o levada a cabo por <i>Revolu&ccedil;&atilde;o </i>abre caminho a uma reflex&atilde;o em torno do papel do corpo no processo criativo, a sua confronta&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o p&uacute;blico, mas tamb&eacute;m em torno da forma como uma obra desta natureza confunde uma g&eacute;nese documental com uma pretens&atilde;o est&eacute;tica, sendo da dial&eacute;tica estabelecida entre estes factores, entre a descri&ccedil;&atilde;o do ambiente geral e o particular do acto criativo individual, que se extrai o potencial pol&iacute;tico n&atilde;o s&oacute; da obra mas sobretudo de um conjunto de processos e opera&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas. A paisagem p&uacute;blica, que Ana Hatherly aqui explora, n&atilde;o se dissocia portanto da <i>Paisagem Interior </i>que povoa o seu processo criativo. Como nota Jo&atilde;o Miguel Fernandes Jorge, os desenhos de Hatherly, "procuram libertar um di&aacute;logo interior (e particular), de um mundo intermedi&aacute;rio carregado de paisagens, as quais visualmente nos poder&atilde;o enviar para a s&eacute;rie <i>Paisagens Interiores</i>, de 1972" (Jorge 1995). O conjunto destes desenhos de pequeno formato a tinta-da-china sobre papel foram apresentados na exposi&ccedil;&atilde;o <i>Dessins, collages et papiers peints</i>, apresentada no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, em Paris, em 2005.</p>      <p>No mesmo ano, o Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian apresentou um conjunto semelhante de obras<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>, o qual integrava diversas pinturas e colagens sobre postais de Londres (tendo sido realizadas quando Hatherly a&iacute; se encontrava, entre 1960 e in&iacute;cio de 1979, per&iacute;odo em que estudou na London Film School) nos quais predomina a cor, entretanto abandonada em trabalhos subsequentes. Estes s&atilde;o trabalhos di&aacute;rios, de intimidade, realizados na sua casa de Hampstead Heath sem a inten&ccedil;&atilde;o de serem expostos e profundamente marcados pelo contexto da &eacute;poca, nomeadamente por acontecimentos como os movimentos estudantil e feminista, a m&uacute;sica rock e a arte pop<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup>. V&aacute;rios retratos de amigos e escritores, auto-retratos, a s&eacute;rie dedicada &agrave; metamorfose de uma rom&atilde; ou alguns estudos a partir de F&uuml;ssli, revelam uma investiga&ccedil;&atilde;o inicial de Ana Hatherly cujo pendor antropom&oacute;rfico e profundamente org&acirc;nico, destes que s&atilde;o tamb&eacute;m os seus trabalhos visuais mais figurativos, se aproxima das caracter&iacute;sticas enunciadas nas <i>Paisagens Interiores</i>. Estas paisagens da intimidade n&atilde;o se dissociam, pelo contr&aacute;rio se mesclam, das diferentes formas de habitabilidade dos espa&ccedil;os intra e extra obra: <i>Eros Fren&eacute;tico </i>(Hatherly 1968) que povoa os interst&iacute;cios entre palavra e imagem na obra de Hatherly, e que manifesta a profunda alteridade da mesma, simultaneamente &iacute;ntima e aberta ao leitor, at&eacute; ao ponto em que os pap&eacute;is de ambos se confundem:</p>      <blockquote>Entre o autor e o leitor cria-se uma rela&ccedil;&atilde;o de cumplicidade: possu&iacute;dos dum c&oacute;digo comum decifram-se mutuamente.</p>      <p>&Eacute; assim que se instituem.</p>      <p>O autor e o leitor s&atilde;o exploradores sistem&aacute;ticos &#8211; o autor fornece o mapa dos itiner&aacute;rios e o leitor percorre-os, mas os percursos s&atilde;o livremente condicionados.</p>      <p>O autor concebe o percurso da experi&ecirc;ncia e realiza-o primeiro mas ao public&aacute;-lo deturpa-o, isto &eacute; transfigura-o, e desse modo a sua experi&ecirc;ncia o ultrapassa (Hatherly 1975: s/p)<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup>.</blockquote>       <p>Estas <i>Paisagens Interiores</i>, que veiculam uma organicidade, que &eacute; a mesma do desenho e do corpo (estas linhas aproximam-se de uma representa&ccedil;&atilde;o abstractizada de elementos corporais como m&uacute;sculos), entroncam com a ideia de confrontar o espa&ccedil;o com uma perspectiva <i>genderizada</i>. Isto significa, para Elizabeth Grosz, "a corporaliza&ccedil;&atilde;o do virtual, a condi&ccedil;&atilde;o para a efectiva utopia, &eacute; sin&oacute;nimo da inclus&atilde;o do outro. Neste contexto, o outro &eacute; n&atilde;o s&oacute; feminino mas tamb&eacute;m todas as suas virtualidades ainda n&atilde;o actualizadas em qualquer presen&ccedil;a ou presente" (Grosz 2001: xiii), virtualidades essas que potenciam intervalos efectivamente vividos nos quais se criam sensa&ccedil;&otilde;es e perce&ccedil;&otilde;es efetivas. Nesses intervalos, verificados em obras como <i>Paisagens Interiores </i>e <i>Revolu&ccedil;&atilde;o, </i>est&aacute; a expressividade da artista, cuja vis&atilde;o d&aacute; conta de uma realidade constru&iacute;da por ela, e pela sua percep&ccedil;&atilde;o dessa realidade assim desconstru&iacute;da, j&aacute; que, recorrendo a Grosz uma vez mais, "as formas atrav&eacute;s das quais vivenciamos os corpos no espa&ccedil;o <sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup> &#8211; e n&atilde;o imposi&ccedil;&otilde;es conceptuais no espa&ccedil;o &#8211; derivam das rela&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas que o sujeito engendra com objectos e com eventos" (Grosz 1995: 92).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta genderiza&ccedil;&atilde;o emerge da confronta&ccedil;&atilde;o de diversas espacialidades, como sendo o corpo, a obra de arte, o espa&ccedil;o p&uacute;blico ou o espa&ccedil;o interior, <i>habitados </i>pl&aacute;stica e ideologicamente, como sucede por exemplo nas pinturas-colagens de Paula Rego (Lisboa, 1935), as quais marcaram a sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica dos anos de 1960 em resposta directa a um regime e um n&iacute;vel de opress&atilde;o vivido em Portugalsup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup> que a pintora, bem posicionada para os observar e comentar, t&atilde;o acutilantemente denunciava, como revela Marco Livingstone:</p>      <blockquote>Os abusos de poder, t&atilde;o duramente satirizados nas pinturas sobre papel do princ&iacute;pio dos anos de 1960, tais como <i>Sempre ao Servi&ccedil;o de Vossa Excel&ecirc;ncia</i>, de 1961, s&atilde;o desmascarados e postos a nu atrav&eacute;s de processos de improvisa&ccedil;&atilde;o. Os ataques ainda mais directos &agrave; ditadura de Salazar que est&atilde;o na origem de v&aacute;rias pinturas provocantemente ferozes desse per&iacute;odo, como <i>Salazar a Vomitar a P&aacute;tria</i>, de 1960, <i>Quando T&iacute;nhamos uma Casa no Campo</i>, de 1962, e <i>O Ex&iacute;lio</i>, de 1963, t&ecirc;m origem igualmente nas suas convic&ccedil;&otilde;es e na sua postura pessoal &#8211; na forma como sente ultrajante o aviltamento de princ&iacute;pios b&aacute;sicos de dec&ecirc;ncia humana &#8211;, mais do que uma posi&ccedil;&atilde;o baseada em argumenta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e intelectuais. (Livingstone 2009: 19).</blockquote>      <p>Mas como falar acerca desse &#8216;sentir&#8217; de Paula Rego manifestado atrav&eacute;s das suas pinturas-colagens, como as designa Livingstone, e dos processos que, dentro do espa&ccedil;o de representa&ccedil;&atilde;o, criam o espa&ccedil;o pr&oacute;prio do sentir que &eacute;, n&atilde;o s&oacute; da artista, mas tamb&eacute;m de uma efectiva capacidade pol&iacute;tica inerente &agrave;s imagens e &agrave;s formas? Comentando <i>Salazar a Vomitar a P&aacute;tria</i>, Paula Rego refere o seu car&aacute;cter simultaneamente instintivo e premeditado (mas tamb&eacute;m protegido pela dist&acirc;ncia e pela posi&ccedil;&atilde;o de artista exilada em Inglaterra) no &aacute;cido coment&aacute;rio pol&iacute;tico que, todavia, se processa atrav&eacute;s do posicionamento de uma mulher coberta de p&ecirc;lo p&uacute;bico. Diz a artista:</p>      <blockquote>Ainda n&atilde;o sei o que aquela mulher est&aacute; ali a fazer, mas ela tem um escudo. Em Portugal, n&atilde;o lhe teria dado o mesmo t&iacute;tulo naquela altura. Isso seria uma estupidez, uma vez que teria sido presa. Mas, para mim, a imag&eacute;tica n&atilde;o est&aacute; disfar&ccedil;ada, mas sim representada. A forma do lado esquerdo &eacute; Salazar a vomitar. O t&iacute;tulo surgiu mais ou menos a meio do processo, por isso quando pintei esta figura, sabia que era ele. (Rego 2008: 249)</blockquote>      <p>Nos diversos coment&aacute;rios da artista a qualquer uma das suas obras, &eacute; certamente imposs&iacute;vel ignorar a sua prol&iacute;fica e prodigiosa imagina&ccedil;&atilde;o, cujas narrativas se constroem nas obras atrav&eacute;s de processos bastante f&iacute;sicos, exprimindo uma materialidade que se concretiza atrav&eacute;s da &iacute;ntima, sensual e violenta rela&ccedil;&atilde;o que estabelece com o espectador.</p>      <p>Na sequ&ecirc;ncia de uma pesquisa fi anciada pela Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian (1962-1963), Paula Rego realizou um conjunto de pinturas-colagens de forte pendor pol&iacute;tico, comentando algumas das mais dif&iacute;ceis quest&otilde;es do Portugal de ent&atilde;o em obras de grande formato como <i>Ex&iacute;lio</i>, de 1963, e <i>Senhor Vicente e a Sua Mulher</i>, de 1961. Esta &eacute; uma orienta&ccedil;&atilde;o j&aacute; anteriormente expressa, por exemplo, em <i>Quando t&iacute;nhamos uma casa no campo</i>, quadro que aborda a quest&atilde;o do colonialismo: "Era o que estava a acontecer em Portugal. T&iacute;nhamos uma casa de campo, d&aacute;vamos umas lindas festas e depois sa&iacute;amos &agrave; rua e mat&aacute;vamos os pretos", diz Paula Rego sobre esta tela. Como nota Keith Sutton, artista e cr&iacute;tico de arte brit&acirc;nico, em carta de recomenda&ccedil;&atilde;o que acompanhou este pedido de financiamento,</p>      <blockquote>O seu trabalho caracteriza-se por um conjunto de qualidades que normalmente n&atilde;o se encontram juntas ou n&atilde;o s&atilde;o combinadas de forma t&atilde;o eficaz: um sentido gr&aacute;fico impetuoso e not&aacute;vel e uma capacidade para definir imagens com precis&atilde;o f&iacute;sica e emocional; uma no&ccedil;&atilde;o da cor rica e emocionante que sustenta e expande a sua imag&eacute;tica; e a pr&oacute;pria imag&eacute;tica que &eacute; imaginativa, frequentemente fantasiosa, embora sempre de forma perspicaz. Ela tem a capacidade de combinar os sentidos f&iacute;sicos e literais das suas imagens de tal forma que, atrav&eacute;s da sua actual e complexa t&eacute;cnica de colagem-pintura, tornamo-nos conscientes das formas acabadas de criar e n&atilde;o tanto das origens, por vezes estranhas e diversas, do material que ela incorpora (in Rego 1962).</blockquote>      <p>Em 1966, a sua primeira exposi&ccedil;&atilde;o individual na Sociedade Nacional de Belas Artes causou como&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o deixou ningu&eacute;m indiferente, sendo organizada em torno da tela <i>C&atilde;es de Barcelona </i>(1965) em conson&acirc;ncia com a imag&eacute;tica demonstrada nessas obras produzidas no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1960<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup>. &Agrave; dimens&atilde;o pl&aacute;stica destas colagens acresce o coment&aacute;rio pol&iacute;tico que Paula Rego n&atilde;o dissocia do seu processo de constru&ccedil;&atilde;o, cuja viol&ecirc;ncia as inscreve mais do dom&iacute;nio do real do que no dom&iacute;nio da representa&ccedil;&atilde;o. Como salienta a pintora:</p>      <blockquote>N&atilde;o era s&oacute; a representa&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, mas o modo como eu fazia os quadros nessa altura. Eu explico: quando eu fazia as colagens, eu fazia os bonecos e depois cortava-os com a tesoura, e essa coisa do cortar, do arranhar e do ferir&#8230; &eacute; como se a pessoa estivesse a tirar os olhos a uma fotografia do Salazar, ou v&aacute; l&aacute;, do Cardeal Patriarca! (&#8230;) A viol&ecirc;ncia de que estou a falar &eacute; da que se faz nos quadros, nas fotografias, n&atilde;o &eacute; a que se faz directamente &agrave;s pessoas. Mas quando se faz isso num quadro n&atilde;o se fica com pena, a&iacute; tudo &eacute; permitido! (in Macedo 2010, p. 33-4).</blockquote>      <p>Atrav&eacute;s da apresenta&ccedil;&atilde;o de duas formas de relacionar pr&aacute;ticas de desconstru&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o com processualidades reais e com o espa&ccedil;o p&uacute;blico, Hatherly e Rego evidenciam dois momentos &#8211; vivencialidades &#8211; distintos, mas consonantes com a efectiva utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o no questionamento da dimens&atilde;o pol&iacute;tica do feminismo, "insepar&aacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es sociais conflituosas e desiguais da sociedade num determinado momento hist&oacute;rico" (Deutsche 1998: xx)<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup>. Neste sentido, referimo-nos ao espa&ccedil;o da obra e ao espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o da obra, que ora implica a rua, ora se confina ao atelier para se expressar acerca do acto p&uacute;blico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A clara e directa rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o natural da obra de Clara Men&eacute;res (Braga, 1943), apresentada na Bienal de S. Paulo de 1977, vers&atilde;o da obra que figurou na seminal <i>Alternativa Zero</i>, tamb&eacute;m em 1977. Longe j&aacute; dessa escultura inaugural que trata o corpo feminino exposto no espa&ccedil;o p&uacute;blico que &eacute; <i>A Menina Am&eacute;lia que vivia na rua do Almada </i>(1968)<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup>, aqui estamos perante uma imagem, ou melhor, um corpo-fragmento, <i>Mulher-Terra-Viva </i>que expande o espa&ccedil;o exterior, dificultando o processo de transforma&ccedil;&atilde;o da obra numa simples representa&ccedil;&atilde;o sexualizada, como sucede na escultura anteriormente citada (e que constituiu o seu trabalho de fim de curso na Escola de Belas Artes)<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup>. Na Galeria de Bel&eacute;m, a escultura viva da autoria de Men&eacute;res, composta por acr&iacute;lico, terra e relva, (80x270x160 cm), ainda se encontra confinada &agrave; delimita&ccedil;&atilde;o espacial da galeria, confluindo numa fronteira entre escultura e performance, j&aacute; que a relva do p&uacute;bis era aparada por algu&eacute;m: "esse <i>algu&eacute;m</i><sup><a href="#19" name="top19">[19]</a></sup> era a pr&oacute;pria Clara Men&eacute;res, o artista. Eu at&eacute; consideraria assim o <i>projecto</i>: o artista que &eacute; escultor e professor de escultura projecta assassinar a natureza com o seu sentido-das-formas (a escola) e isso transformou-se numa bela luta quotidiana, exactamente o que agora se diz: uma <i>performance</i>" (J. E. d. Sousa 1977).</p>      <p>J&aacute; na Bienal de S&atilde;o Paulo, a constru&ccedil;&atilde;o feita de bet&atilde;o e terra ajardinada assume outras propor&ccedil;&otilde;es (10x15x2,8 m) que permitem que a mesma se transforme de facto num corpo habit&aacute;vel, paisagem natural e constru&iacute;da cujas delimita&ccedil;&otilde;es se esbatem definitivamente no sentido de uma vivencialidade efectivada atrav&eacute;s do contacto com outro(s) corpo(s). &Eacute; precisamente este tra&ccedil;o de habitabilidade que aproxima molduras, linhas, grelhas, caixas e paisagens, que assim funcionam como elementos a partir dos quais se deduzem delimita&ccedil;&otilde;es espaciais propostas pela obra de arte, denunciando a procura de espacialidades alternativas, de espa&ccedil;os habit&aacute;veis pelas mulheres cujo corpo permanentemente se imiscuiu no espa&ccedil;o da obra e no espa&ccedil;o social enquanto forma e n&atilde;o enquanto mera representa&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s destes dispositivos de ordena&ccedil;&atilde;o, as artistas e as obras em quest&atilde;o arriscaram mapear um territ&oacute;rio que n&atilde;o pertencia antes &agrave;s mulheres e aos seus corpos, territ&oacute;rio de liminaridades como no caso de Clara Men&eacute;res que transforma o corpo feminino, a sexualidade feminina, n&atilde;o s&oacute; num sujeito que habita um espa&ccedil;o, mas no espa&ccedil;o ele mesmo. Este corpo-paisagem, parcial como todos os outros que apresent&aacute;mos at&eacute; agora, prova que o corpo feminino n&atilde;o se mostra apenas, mas &eacute; ele pr&oacute;prio territ&oacute;rio, espa&ccedil;o que habita e &eacute; habitado. Sobre esta obra, diz a artista:</p>      <blockquote>Um dia passo os olhos &agrave; volta e descubro o corpo-paisagem da terra-m&atilde;e. Regado de neblina, h&uacute;mido, coberto de uma pelagem leve e verde no ventre feito de outeiro e os seios de colinas, ondula tranquilo, curva ap&oacute;s sulco, repetido em formas, desdobrado em texturas.</p>      <p>Foi ver uma realidade que se multiplica na transforma&ccedil;&atilde;o que sofre no tempo e no espa&ccedil;o, alongada na irrecusada forma de se dar, reproduzindo o c&iacute;rculo gen&eacute;tico comum &agrave;s mulheres e &agrave; terra.</p>      <p>Refazer o que j&aacute; estava feito, torn&aacute;-lo s&oacute; mais evidente, dar em objecto limitado o que desde sempre nos foi oferecido de forma plena e extensa, esse corpo vivo, em movimento, gerador e fecundado.</p>      <p>De um anterior projecto de jardim, integrado em outras zonas de passeio e lazer, executei recentemente uma obra de dimens&otilde;es mais pequenas, como que um bloco de passagem arrancada &agrave; natureza, transportado para uma sala de exposi&ccedil;&otilde;es. Hoje executei a ideia inicial, na dimens&atilde;o adaptada a um espa&ccedil;o exterior, integrando-a no terreno e tendo em conta todos os condicionamentos do meio em que iria viver (in E. M. de Melo e Castro 1977: s/p)<sup><a href="#20" name="top20">[20]</a></sup>.</blockquote>      <p>Estas obras, realizadas em 1977, seguiram-se a uma pesquisa de matriz neo-dada intitulada <i>D(eu)s</i><sup><a href="#21" name="top21">[21]</a></sup>, de 1975 (o di&aacute;logo com <i>Pri&egrave;re de Toucher</i>, escultura da autoria de Marcel Duchamp datada de 1947 &eacute; inevit&aacute;vel)<sup><a href="#22" name="top22">[22]</a></sup>, sugerindo claramente que qualquer explora&ccedil;&atilde;o da tem&aacute;tica de uma identidade feminina a partir de uma estrat&eacute;gia visual teria que se desenvolver tendo em considera&ccedil;&atilde;o uma dimens&atilde;o h&aacute;ptica da obra de arte, dimens&atilde;o ali&aacute;s bem expressa no substrato est&eacute;tico do dada&iacute;smo, como bem comprovou Janine Mileaf (Mileaf 2010). O tr&iacute;ptico (madeira, a&ccedil;o, pergaminho e cabelo) remete j&aacute; para os elementos do corpo feminino que vemos nas obras de 1977, os seios e o p&uacute;bis, n&atilde;o nos permitindo tamb&eacute;m esquecer que um substrato arqueol&oacute;gico (atrav&eacute;s do recurso ao pergaminho para assumir a fun&ccedil;&atilde;o de pele, por exemplo) nos sugere a possibilidade de organicidade da obra mas tamb&eacute;m, e simultaneamente, a capacidade de o corpo ser permanentemente alvo de (re)escrita na obra de Men&eacute;res (que tamb&eacute;m vamos encontrar em Hatherly, por exemplo, embora neste caso ao n&iacute;vel da palavra).</p>      <p>Podemos assim afirmar que o processo de genderiza&ccedil;&atilde;o encontra resson&acirc;ncia nas liminaridades espaciais destas obras, cujas formas partem de estruturas est&eacute;ticas modernistas para se aventurarem na constru&ccedil;&atilde;o de espacialidades outras que definir&iacute;amos como particularmente produtivas do ponto de vista feminista. De facto, o confronto com o espa&ccedil;o p&uacute;blico (exemplo da <i>Mulher-Terra-Viva </i>de Clara Men&eacute;res), ou a utiliza&ccedil;&atilde;o desse espa&ccedil;o no contexto material da obra e na delimita&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o expositivo, &eacute; central da defini&ccedil;&atilde;o de uma espacialidade genderizada. Tal sucede com <i>Descolagens da Cidade </i>ou <i>Revolu&ccedil;&atilde;o</i>, mas tamb&eacute;m na incurs&atilde;o por tem&aacute;ticas macro-pol&iacute;ticas a partir de uma localiza&ccedil;&atilde;o que &eacute; a do corpo feminino no caso de <i>Jaz morto e arrefece o menino de sua m&atilde;e </i>(1973)<sup><a href="#23" name="top23">[23]</a></sup>, escultura atrav&eacute;s da qual Clara Men&eacute;res confronta a dif&iacute;cil tem&aacute;tica da Guerra Colonial e das suas consequ&ecirc;ncias partindo da localiza&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e do soldado. Contrastando com a realidade dos soldados mortos que chegavam a casa dentro de uma caix&atilde;o, des-identificado, anulado na abstra&ccedil;&atilde;o da caixa que continha um corpo, neste caso Men&eacute;res inverte a espacialidade que separa a vida da morte, confrontando-nos com uma viol&ecirc;ncia quase palp&aacute;vel, e de certa forma sensual, uma viol&ecirc;ncia inscrita num corpo-escultura, cuja epiderme ensanguentada parece querer mostrar-se &agrave; frieza do a&ccedil;o que o sustenta e eleva, como que nos fazendo lembrar que a escultura &eacute;, e sempre foi, acima de tudo corpo. Nesta escultura hiper-realista, cujo t&iacute;tulo convoca versos de Fernando Pessoa, na qual se retrata um jovem vestido com farda militar, Men&eacute;res convoca a figura da m&atilde;e atrav&eacute;s da sua invisibilidade: "O que mais me impressionava na Guerra de &Aacute;frica era a morte escondida, os caix&otilde;es que vinham de barco, descarregados de noite em Lisboa e recebidos apenas por familiares pr&oacute;ximos, pelas m&atilde;es que nesse momento assumiam a eterna figura da <i>Piet&agrave;</i>", refere a escultora (Men&eacute;res 2000).</p>      <p>Todas as express&otilde;es de espacialidade aqui convocadas tratam de diferentes ocupa&ccedil;&otilde;es/habita&ccedil;&otilde;es femininas de espa&ccedil;os tradicionalmente masculinos, quer se trate de espa&ccedil;o p&uacute;blicos como as ruas, o espa&ccedil;o semi&oacute;tico da publicidade, o jardim ou a galeria, ou de espacialidades est&eacute;ticas &#8211; a caixa, a grelha &#8211; que manifestam sensibilidades alternativas &agrave; sua expressividade modernista. Estas espacialidades s&atilde;o assim vividas atrav&eacute;s da sua dimens&atilde;o est&eacute;tica, &oacute;ptica e h&aacute;ptica, e tamb&eacute;m atrav&eacute;s de uma disrup&ccedil;&atilde;o de sentidos pelas micro-sensa&ccedil;&otilde;es introduzidas nestes gestos macro-pol&iacute;ticos construtores de heterotopias.</p>      <p>Podemos servir-nos das diversas matrizes formais e conceptuais at&eacute; aqui explanadas para inferir n&atilde;o s&oacute; acerca dos ecos feministas que estas obras produzem, mas tamb&eacute;m acerca da forma como esses ecos s&atilde;o materializados atrav&eacute;s de linhas, de marcas, de demarca&ccedil;&otilde;es, as quais, no entanto, se caracterizam por uma mobilidade que nos &eacute; estranha. Podemos dizer que cada uma das linhas que demarcam o limite de cada peda&ccedil;o de cada colagem, ou de cada objeto de uma assemblagem, podem funcionar como uma moldura, e essa moldura por sua vez como um elemento serial que abre a obra a uma espacialidade infi ta &#8211; cosmos, portanto &#8211; dirimindo, anulando mesmo, as fronteiras entre o espa&ccedil;o de representa&ccedil;&atilde;o e o espa&ccedil;o do real, cuja percep&ccedil;&atilde;o se corporaliza. Sem fronteiras sensitivas e perceptivas, portanto, estes espa&ccedil;os s&atilde;o feministas no sentido em que permitem essa multiplicidade, apenas poss&iacute;vel numa rela&ccedil;&atilde;o directa e efectiva com os corpos, das mulheres e das artistas, e n&atilde;o s&oacute; com a sua representa&ccedil;&atilde;o, pois "o feminismo e a arte feminista insistiram na import&acirc;ncia do g&eacute;nero como princ&iacute;pio ordenador do social e tamb&eacute;m na pol&iacute;tica da domina&ccedil;&atilde;o que irrompe por toda a vida social, quer pessoal, quer p&uacute;blica" (Rosler 1983: 182). Enquanto a consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica feminista impeliu a realiza&ccedil;&atilde;o de arte feminista, a rela&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica e arte n&atilde;o se conforma com uma l&oacute;gica linear de causa e efeito" (Phelan 2007b: 361). As artistas entram assim no espa&ccedil;o p&uacute;blico porque deixa de haver divis&atilde;o dos espa&ccedil;os sociais; a obra, enquanto espa&ccedil;o social ela pr&oacute;pria, participa desta movimenta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica em torno das espacialidades atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de dispositivos e de processos que s&atilde;o, apesar de tudo, historicamente interligados ao passado e &agrave; hist&oacute;ria do modernismo pois, como nota David Summers "(...) as divis&otilde;es dos espa&ccedil;os sociais, desde exemplos mais antigos at&eacute; aos mais recentes, frequentemente se alinham com distin&ccedil;&otilde;es gramaticais de g&eacute;nero e por isso contribuem das formas mais b&aacute;sicas para a concretiza&ccedil;&atilde;o das defi es da sexualidade em concreto, <u>espa&ccedil;os reais</u> de acesso, inclus&atilde;o e exclus&atilde;o" (Summers 2003: 24) (sublinhado nosso).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Acciaiuoli, Margarida (2001), &#8216;KWY: a revista, as edi&ccedil;&otilde;es e o grupo&#8217;, <i>KWY: Paris 19581968</i>, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Cultural de Bel&eacute;m, Ass&iacute;rio e Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0807-8967201400020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Butler, Cornelia (ed.), (2007), <i>WACK! Art and the Feminist Revolution</i>, Los Angeles: MOCA e MIT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0807-8967201400020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Castro, E. M. de Melo e (ed.), (1977), <i>Representa&ccedil;&atilde;o Portuguesa &agrave; XIV Bienal de S. Paulo</i>, S. Paulo: MNE/SEC/SNBA/AICA/FCG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0807-8967201400020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Celant, Germano (2000), <i>Andy Warhol. A Factory</i>, Porto: MACS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0807-8967201400020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Chic&oacute;, S&iacute;lvia (1977), <i>Artistas Portuguesas</i>, Lisboa: SNBA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0807-8967201400020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Couceiro, Gon&ccedil;alo (2004), <i>Arte e Revolu&ccedil;&atilde;o 1974-1979</i>, Estudos de Arte; Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0807-8967201400020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Deutsche, Rosalyn (1998), <i>Evictions. Art and spatial politics</i>, Cambridge e Londres: The MIT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0807-8967201400020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Dias, Francisco da Silva e Rui M&aacute;rio Gon&ccedil;alves (1985), <i>10 Anos de Artes Pl&aacute;sticas e Arquitectura em Portugal 1974-1984</i>, Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S0807-8967201400020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fer, Briony (1997), <i>On Abstract Art </i>(2000 ed.); New Haven e Londres: Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0807-8967201400020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Fran&ccedil;a, Jos&eacute;-Augusto (1977), &#8216;Warhol, Nadal e C&ordf;.&#8217;, <i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>, Folhetim Art&iacute;stico, 27 de Julho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0807-8967201400020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Grosz, Elizabeth (2001), <i>Architecture from the Outside: Essays on Virtual and Real Space</i>, Cambridge, Massachussets: Massachussets Institute of Technology.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0807-8967201400020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hatherly, Ana (1968), <i>Eros Fren&eacute;tico</i>, Lisboa: Moraes Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0807-8967201400020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hatherly, Ana (1975), <i>A Reinven&ccedil;&atilde;o da Leitura</i>, Lisboa: Editorial Futura.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0807-8967201400020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hatherly, Ana (1992), <i>Obra Visual 1960-1990</i>, Lisboa: Centro de Arte Moderna Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0807-8967201400020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hatherly, Ana (2005), <i>Dessins, collages, papiers peintes</i>, Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0807-8967201400020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hatherly, Ana (2009), <i>Obrigat&oacute;rio n&atilde;o Ver</i>, Lisboa: Quimera.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0807-8967201400020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Jorge, Jo&atilde;o Miguel Fernandes (1995), <i>Abstract &amp; Tartarugas. Luz e Sombra Vis&iacute;vel</i>, Lisboa: Rel&oacute;gio D&#8217;&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0807-8967201400020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Listopad (1977), &#8216;Alternativa sem Alternativa&#8217;, <i>Expresso</i>, 25 de Mar&ccedil;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0807-8967201400020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mcdonough, Thomas F. (1994), &#8216;Situationist Space&#8217;, <i>October, </i>67 (Winter), 58-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0807-8967201400020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Macedo, Ana Gabriela (2010), <i>Paula Rego e o poder da vis&atilde;o. A minha pintura &eacute; como uma hist&oacute;ria interior</i>, Lisboa: Cotovia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0807-8967201400020000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Melo, Alexandre (2007), <i>Arte e Artistas em Portugal </i>(Lisboa: Instituto Cam&otilde;es/Bertrand Editora).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0807-8967201400020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Men&eacute;res, Clara (2000), <i>(Auto) &#8211; Retrato</i>, Faces de Eva, Revista de Estudos sobre a Mulher, Lisboa: FCSH/UNL, 4, p.159-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0807-8967201400020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mileaf, Janine (2010), <i>Please Touch: Dada and Surrealist objects after the ready-made</i>, New England: University Press of New England.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0807-8967201400020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Nadal, Em&iacute;lia (1980), <i>Embalagens para produtos naturais e imagin&aacute;rios liofilizados </i>(TS, Lisboa), arquivo particular de Em&iacute;lia Nadal .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0807-8967201400020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Nochlin, Linda (2010), &#8216;Running on Empty: Women, Pop and the Society of Consumption&#8217;, in Sid Sachs e Kalliopi Minioudaki (eds.), <i>Seductive Subversion: Women Pop Artists 1958-1968</i>, Nova Iorque, Londres e Filad&eacute;lfia: University of the Arts Philadelphia e Abbeville Press Publishers, 12-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0807-8967201400020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Oliveira, M&aacute;rcia (2010), <i>A &#8216;escrita-corpo&#8217; de Ana Hatherly: "Poema d&#8217;Entro" e "Rotura"</i>, XI Col&oacute;quio de Outono. Estudos performativos, 75-85, Vila Nova de Famalic&atilde;o: Ed. H&uacute;mus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0807-8967201400020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pareyson, Luigi (1988), <i>Conversaciones de Est&eacute;tica</i>, A. Machado Libros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0807-8967201400020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rego, Paula (1962), &#8216;Pedido de Subs&iacute;dio de Investiga&ccedil;&atilde;o&#8217;, Lisboa: Arquivo FCG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0807-8967201400020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rego, Paula (1963), &#8216;Relat&oacute;rio de Subs&iacute;dio de Investiga&ccedil;&atilde;o&#8217;, Lisboa: FCG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0807-8967201400020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rodrigues, Julieta A. (1977), &#8216;A mulher portuguesa urbana: que mito, que realidade?&#8217;, in S&iacute;lvia Chic&oacute; (ed.), <i>Artistas Portuguesas</i>, Lisboa: SNBA, 29-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0807-8967201400020000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rosler, Martha (1983), &#8216;The Figure of the artist, the figure of the woman&#8217;, in Sid Sachs e Kalliopi Minioudaki (eds.), <i>Seductive Subversion: Women Pop Artists 1958-1968 </i>(2010 ed.); Nova Iorque, Londres e Filad&eacute;lfia: University of the Arts Philadelphia e Abbeville Press Publishers, 176-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0807-8967201400020000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sachs, Sid e Minioudaki, Kalliopi (eds.) (2010), <i>Seductive Subversion: Women Pop Artists 1958-1968</i>, Nova Iorque, Londres e Filad&eacute;lfia: University of the Arts, Philadelphia e Abbeville Press Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0807-8967201400020000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silva, Raquel Henriques da, Candeias, Ana Filipa, e Ruivo, Ana (2007), <i>50 Years of Portuguese Art</i>, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0807-8967201400020000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sousa, Ernesto de (1977), &#8216;Balan&ccedil;o da "Alternativa Zero"&#8217;, <i>Col&oacute;quio Artes</i>, Outubro (34).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0807-8967201400020000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sousa, Ernesto de (1998), <i>Ser Moderno... em Portugal</i>, Lisboa: Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0807-8967201400020000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Summers, David (2003), <i>Real Spaces. World Art History and the Rise of Western Modernism</i>, Londres: Phaidon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0807-8967201400020000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Perniola, M&aacute;rio (2005), <i>A arte e a sua sombra</i>, trad. Armando Silva Carvalho, Lisboa: Ass&iacute;rio &amp; Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0807-8967201400020000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pinharanda, Jo&atilde;o Lima (2003), &#8216;Imagem-Ac&ccedil;&atilde;o&#8217;, in Ana Hatherly, <i>A M&atilde;o Inteligente</i>, Lisboa: Quimera Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0807-8967201400020000800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pinharanda, Jo&atilde;o (2011), &#8216;Algumas Faces de um Cristal&#8217;, in Em&iacute;lia Nadal, <i>Tudo o que acontece</i>, Cascais: Centro Cultural de Cascais/Funda&ccedil;&atilde;o D. Lu&iacute;s I.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0807-8967201400020000800039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[Submetido em 16 de junho de 2014 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 18 de setembro de 2014]</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup>O contexto art&iacute;stico do per&iacute;odo p&oacute;s-revolu&ccedil;&atilde;o em Portugal foi particularmente marcado pelas ac&ccedil;&otilde;es de rua, das quais se destaca o Mural do 10 de Junho (painel de 24 x 4,5 m), realizado colectivamente por diversos artistas do Movimento Democr&aacute;tico de Artistas Pl&aacute;sticos. Rui M&aacute;rio Gon&ccedil;alves e Francisco da Silva Dias destacam a proemin&ecirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es coletivas no per&iacute;odo entre 1974 e 1984, fruto do ambiente e ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;ticos que se manifestavam na altura. Para al&eacute;m do mural, destaca-se a apropria&ccedil;&atilde;o dos muros das cidades, utilizados sobretudo como ve&iacute;culos de propaganda pol&iacute;tica, e a invas&atilde;o do Pal&aacute;cio Foz, no dia 28 de Maio de 1974: "No <i>happening </i>que assim aconteceu (&#8230;) proclamou-se que &laquo;a arte fascista faz mal &agrave; vista&raquo;, frase constru&iacute;da por Vespeira". Rui M&aacute;rio Gon&ccedil;alves e Francisco da Silva Dias, <i>10 Anos de Artes Pl&aacute;sticas e Arquitectura em Portugal 1974-1984 </i>(Lisboa: Editorial Caminho, 1985), p. 27.</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>Enquanto o grupo ACRE (criado em 1974 pelos escultores Queiroz Ribeiro e Clara Men&eacute;res e pelo pintor Lima de Carvalho) se assumia como um grupo de guerrilha est&eacute;tica urbana, j&aacute; o Puzzle "com actividade entre 1975 e 1980, optou por quest&otilde;es ligadas &agrave; fun&ccedil;&atilde;o social do artista". Alexandre Melo, <i>Arte e Artistas em Portugal</i>, p. 54. Como salienta Alexandre Melo, a actividade de artistas organizados em colectivos manifesta uma larga influ&ecirc;ncia do Movimento Fluxus (fruto tamb&eacute;m do empenho do operador est&eacute;tico Ernesto de Sousa), sendo tamb&eacute;m "marcada pelo ambiente de festa e utopia pr&oacute;prio do contexto socio-pol&iacute;tico". Ibidem, p. 53. Em Agosto de 1974, o Grupo Acre realizou a sua primeira ac&ccedil;&atilde;o de guerrilha urbana, realizando uma cal&ccedil;ada da Rua do Carmo (Lisboa) composta por "uma malha de c&iacute;rculos de duas dimens&otilde;es e cores &aacute;cidas, atrav&eacute;s das quais o grupo pretendia demarcar-se da gama crom&aacute;tica elegida pela maior parte dos partidos pol&iacute;ticos da &eacute;poca, o vermelho e o preto". <i>Anos 70 Atravessar Fronteiras </i>(Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 2009), p. 116. No &acirc;mbito da difus&atilde;o de diversos textos que o grupo designava como "Decretos-Lei", lan&ccedil;aram tamb&eacute;m a ac&ccedil;&atilde;o intitulada Diploma de Artista, distribu&iacute;do na Galeria Opini&atilde;o (cf. Gon&ccedil;alo Couceiro, <i>Arte e Revolu&ccedil;&atilde;o 1974-1979</i>. Estudos de Arte; Lisboa: Livros Horizonte, 2004, p. 37).</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>A norte-americana Martha Rosler construiu uma reflex&atilde;o feminista a partir do contexto macropol&iacute;tico com a s&eacute;rie de foto-montagens <i>Bringing the War Home: House Beautifull </i>(1967-72), linguagem adoptada porque, como nota a pr&oacute;pria artista, "uma montagem fotogr&aacute;fica rompe a no&ccedil;&atilde;o do real utilizando material fotogr&aacute;fico, o que apela mais intimamente &agrave;s pessoas". Cornelia Butler (ed.), <i>Wack! Art and the Feminist Revolution </i>(Los Angeles: MOCA e MIT Press, 2007), p. 290. <i>Cleaning the Drapes </i>mostra uma dona de casa a aspirar os cortinados, por detr&aacute;s dos quais surge uma cena de campo de batalha; em <i>First Lady </i>a autora utiliza a mesma estrat&eacute;gia de montagem para mostrar, em primeiro plano, uma fotografia oficial da primeira dama norte-americana Nancy Reagan no ambiente dom&eacute;stico, no qual se encontra disposta, por cima da lareira, uma moldura cuja pintura foi substitu&iacute;da pela imagem de uma v&iacute;tima (mulher) baleada.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>Pareyson nota a diferen&ccedil;a entre contempla&ccedil;&atilde;o e consumo, j&aacute; que este, por iner&ecirc;ncia do pr&oacute;prio conceito, implica a destrui&ccedil;&atilde;o do objecto. Cf. Luigi Pareyson, <i>Conversasiones de Est&eacute;tica </i>(A.Machado Libros, 1988).</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>&Eacute; importante notar n&atilde;o s&oacute; o anacronismo de Em&iacute;lia Nadal relativamente ao fen&oacute;meno Pop norte-americano (ali&aacute;s notado por Jos&eacute;-Augusto Fran&ccedil;a, que alinha o contexto portugu&ecirc;s com estrat&eacute;gias mais em sintonia com o neo-realismo europeu), mas tamb&eacute;m a diferen&ccedil;a de base relativamente &agrave; abordagem do mecanismo pl&aacute;stico. Enquanto "a parte mais importante da obra de Warhol consiste (&#8230;) na elabora&ccedil;&atilde;o de uma &#8216;estrat&eacute;gia&#8217; da imagem e ocupa-se do consenso e da ades&atilde;o, do poder e da promo&ccedil;&atilde;o" [Germano Celant, <i>Andy Warhol. A Factory</i>, (Porto: MACS, 2000), s/p], esta fase da obra de Nadal alinha-se mais com as bases de uma artista como Martha Rosler no seu confronto permanente entre linguagens da cultura popular, ideologia e conflito e pap&eacute;is sociais, nomeadamente no que diz respeito ao papel da mulher relativamente a estes discursos. &Eacute; ainda de salientar o trabalho de revis&atilde;o hist&oacute;rico que tem vindo a ser feito no sentido de desmistificar o movimento e a sua estrutura aparentemente masculina. Neste sentido, confrontar Sid Sachs e Kalliopi Minioudaki (eds.), <i>Seductive Subversion: Women Pop Artists 1958-1968 </i>(Nova Iorque, Londres e Filad&eacute;lfia: University of the Arts Philadelphia e Abbeville Press Publishers, 2010).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup>Vulgarmente conhecido como PREC: Processo Revolucion&aacute;rio em Curso. Per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o entre a Revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de Abril e a aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa em 1976 marcado por um conjunto de actividades revolucion&aacute;rias, aos n&iacute;veis pol&iacute;tico, social e cultural.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>Sousa refere-se a Lucio Fontana.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup>Com realiza&ccedil;&atilde;o, imagem e montagem da autoria de Ana Hatherly e sonoriza&ccedil;&atilde;o da autoria de Alexandre Gon&ccedil;alves.</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>Esta espacialidade vivida [lived spatiality] representa, para Grosz, um espa&ccedil;o exterior [outer space] que &eacute; de natureza cultural. Sendo o "corpo um dos primeiros produtos socioculturais, este envolve a problematiza&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de oposi&ccedil;&otilde;es bin&aacute;rias e de categorias dicot&oacute;micas que dominam a forma como entendemos os corpos e as suas rela&ccedil;&otilde;es com outros objectos e o mundo". Grosz, Elizabeth, <i>Architecture from the Outside: Essays on Virtual and Real Space </i>(Cambridge, Massachussets: Massachussets Institute of Technology, 2001), p. 31. Como Grosz, entendemos o corpo com um destes espa&ccedil;os exteriores, espa&ccedil;o de profundidade, interioridade e exterioridade, mas tomamos a obra de arte no mesmo sentido.</p>      <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup>Na exposi&ccedil;&atilde;o intitulada <i>Desenho e Pintura sobre Papel. Anos 60 e 70</i>, Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, Junho-Setembro de 2005.</p>      <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup>Como nota a pr&oacute;pria artista, em entrevista com Ana Vasconcelos e Melo, estes "(&#8230;) pequenos trabalhos, fortemente coloridos, que realizei na &eacute;poca (&#8230;) n&atilde;o passaram de uma experi&ecirc;ncia feita por minha iniciativa, sem qualquer inten&ccedil;&atilde;o de difus&atilde;o. Eles correspondem a uma natureza explorat&oacute;ria da poss&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o entre a imagem, a cor e a escrita enquanto meio de representa&ccedil;&atilde;o visual, mais pr&oacute;ximos da Pop Art do que do Concretismo ortodoxo da altura". Ana Hatherly, &#8216;Dessins, Collages, Papiers Peintes&#8217;, Centre Culturel Calouste Gulbenkian, (Paris: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 2005), p. 7. Numa outra entrevista, transmitida no programa Magazine &#8211; Artes Pl&aacute;sticas (RTP2), Hatherly refere que se tratam de trabalhos mais pessoais nos quais se refletem as suas experi&ecirc;ncias pessoais de forma mais evidente: "&Eacute; um trabalho que n&atilde;o &eacute; trabalho. &Eacute; a minha maneira pessoal de me distrair e tamb&eacute;m de confiar alguns segredos porque eles t&ecirc;m muitas passagens escritas de uma maneira ileg&iacute;vel, porque &eacute; t&atilde;o pequeno que mesmo com lupa &eacute; dif&iacute;cil ler. Digamos que &eacute; como se fosse um di&aacute;rio &iacute;ntimo". Acerca da import&acirc;ncia do contexto social e cultural da &eacute;poca em que estes trabalhos foram realizados, diz ainda Hatherly que esta "era uma &eacute;poca extremamente turbulenta e interessante e criativa, porque nos anos 60 e parte dos 70 em Inglaterra era uma &eacute;poca verdadeirametne emocionante para se viver e eu quando era jovem tamb&eacute;m vivi emocionadamente essa &eacute;poca". Entrevista a M&aacute;rcia Oliveira emitida na RTP2 a 8 de Mar&ccedil;o de 2005 no programa <i>Magazine Artes Pl&aacute;sticas </i>(Ideias e Conte&uacute;dos, 2005).</p>      <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup>Como complemento do entendimento entre esta rela&ccedil;&atilde;o de intimidade entre leitor e escritor, que pode dizer-se concomitante &agrave; rela&ccedil;&atilde;o palavra/imagem, veja-se <i>A Reinven&ccedil;&atilde;o da Leitura,</i> livro no qual Hatherly apresenta um "breve ensaio seguido de 19 textos visuais". Ana Hatherly, <i>A Reinven&ccedil;&atilde;o da Leitura </i>(Lisboa: Editorial Futura, 1975).</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup>Podemos dizer que as obras s&atilde;o, na maior parte destes casos, os pr&oacute;prios espa&ccedil;os habitados pelos corpos.</p>      <p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup><i>Bombeiros de Alij&oacute; </i>(1966) e o <i>Regic&iacute;dio </i>(1965) fazem todos coment&aacute;rio pol&iacute;tico e social reportando-se normalmente a acontecimentos espec&iacute;ficos que, de uma forma ou outra, marcaram a artista. <i>Regic&iacute;dio</i>, por exemplo, surge atrav&eacute;s do Republicanismo do av&ocirc; de Paula Rego, enquanto <i>Os Bombeiros de Alij&oacute; </i>refere-se &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de pobreza dos bombeiros volunt&aacute;rios da vila de Alij&oacute;, a qual a artista presenciou durante uma visita &agrave;quela vila que integra a regi&atilde;o demarcada do Douro.</p>      <p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup>No relat&oacute;rio realizado na sequ&ecirc;ncia do subs&iacute;dio de investiga&ccedil;&atilde;o concedido pela Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, Paula Rego nota que "os meus quadros ganharam uma liberdade de formas e de cor que n&atilde;o tinham". Paula Rego, &#8216;Relat&oacute;rio de Subs&iacute;dio de Investiga&ccedil;&atilde;o&#8217;.</p>      <p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup>Em <i>Evictions</i>, Rosalyn Deutsche salienta as estruturas ideol&oacute;gicas de esquerda que assumem as quest&otilde;es de classe como &uacute;nico antagonismo da sociedade, refutando a ideia de que o Marxismo tem a capacidade de resolver a subordina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero: "Ao afirmar notar uma base absoluta de unidade social, Harvey tem que negar o reconhecimento da contribui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de uma arte informada pelo feminismo nas teorias da representa&ccedil;&atilde;o. Isto porque as feministas analisaram a imagem fundadora da sociedade como uma fic&ccedil;&atilde;o composta por sujeitos impulsionados pelo desejo de rejeitar a sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o parcial e fragment&aacute;ria". Rosalyn Deutsche, <i>Evictions. Art and Spatial Politics </i>(Cambridge e Londres: The MIT Press, 1998), p. xx.</p>      <p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup>Esta representa&ccedil;&atilde;o de uma mulher em tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es (a apertar o soutien, a prender a meia de liga e a pentear-se) remete para uma prostituta, pela refer&ecirc;ncia &agrave; Rua do Almada, zona de prostitui&ccedil;&atilde;o no Porto, cidade onde Clara Men&eacute;res vivia. No entanto, esta refer&ecirc;ncia &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o era menos localizada e mais lata, remetendo para a situa&ccedil;&atilde;o da mulher na sociedade da &eacute;poca e, em particular, o seu papel no casamento: "cedo me apercebi de que, para a mulher, a quest&atilde;o sexual era a chave da sua condi&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, e na &eacute;poca, toda a mulher era colocada na posi&ccedil;&atilde;o de prostituta pela depend&ecirc;ncia social e econ&oacute;mica a que era sujeita. Compreendi que estas infelizes mulheres e as outras, as "s&eacute;rias", pertenciam ao mesmo sistema de cataloga&ccedil;&atilde;o produzido pela sociedade masculina. Eram julgadas pela mesma tabela de pesos e medidas, colocadas em cada um dos pratos da mesma balan&ccedil;a e, por esse facto, irmanadas na mesma sujei&ccedil;&atilde;o. Esta escultura foi exposta em 1969 no Museu de Amarante e retirada pouco tempo depois, devido a um abaixo-assinado de senhoras dessa vila que consideraram a pe&ccedil;a atentat&oacute;ria da moral p&uacute;blica. S&oacute; voltou &agrave;s salas do mesmo museu, em meados dos anos 90" (Men&eacute;res 2000).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup>Embora sejam inevit&aacute;veis as refer&ecirc;ncias &agrave; <i>Land Art</i>, e &agrave; influ&ecirc;ncia que este movimento art&iacute;stico exerceu sobre esta obra de Clara Men&eacute;res e a sua obra de cariz p&uacute;blico, &eacute; necess&aacute;rio ressalvar as devidas dist&acirc;ncias entre ambas as manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. De facto, esta obra de Men&eacute;res destaca-se mais pelas diferen&ccedil;as de alguns dos paradigmas da <i>Land Art</i>, sobretudo porque aborda uma perspectiva da natureza mais em sintonia com a pesquisa de Ana Mendieta, na sua dimens&atilde;o ritual de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza. <i>Grass Grows </i>(1968), monte de terra no qual sementes de relva s&atilde;o deixadas a germinar, de Hans Haacke, e <i>Le petit Espace Vert </i>(1970), trabalho em esmalte sobre plexiglass e p&ecirc;lo sint&eacute;tico da autoria de Evelyne Axell, s&atilde;o duas obras que podem ser confrontadas e colocadas em di&aacute;logo com esta pe&ccedil;a de Men&eacute;res.</p>      <p><sup><a href="#top19" name="19">[19]</a></sup>Ernesto de Sousa responde a Jorge Listopad que, em artigo sobre a exposi&ccedil;&atilde;o Alternativa Zero, publicado no jornal Expresso, escreveu: "Algu&eacute;m, sem cantar (&eacute; pena), aparava a relva do p&uacute;bis (a natureza n&atilde;o descansa nem enquanto voc&ecirc;s dormem, a segunda natureza, a arte, idem)". Jorge Listopad, &#8216;Alternativa Sem Alternativa&#8217;, <i>Expresso, </i>25 de Mar&ccedil;o, 1977.</p>      <p><sup><a href="#top20" name="20">[20]</a></sup>No mesmo volume, e integrando o conjunto de artistas que constitui a representa&ccedil;&atilde;o portuguesa &agrave; XIV Bienal de S&atilde;o Paulo, est&atilde;o publicadas as <i>Notas para um Manifesto de Arte Ecol&oacute;gica </i>de Alberto Carneiro. No entanto, e apesar do trabalho significativo de Carneiro neste &acirc;mbito, salientamos as diferen&ccedil;as de base que distinguem a sua pesquisa daquela realizada por Men&eacute;res em <i>Mulher-Terra-Viva</i>, da mesma forma que achamos mais produtivo procurar linhas de leitura que n&atilde;o se relacionam directamente com o movimento da Land Art. Sobre este manifesto cf. E. M. de Melo e Castro (ed.), <i>Representa&ccedil;&atilde;o Portuguesa &agrave; XIV Bienal de S. Paulo </i>(S. Paulo: MNE/SEC/SNBA/AICA/FCG, 1977).</p>      <p><sup><a href="#top21" name="21">[21]</a></sup>Esta pe&ccedil;a foi apresentada em 1975 na exposi&ccedil;&atilde;o <i>Figura&ccedil;&atilde;o-Hoje?</i>, apresentada na SNBA em 1975.</p>      <p><sup><a href="#top22" name="22">[22]</a></sup>O espa&ccedil;o &eacute; um conceito determinante n&atilde;o s&oacute; no contexto do dada&iacute;smo mas tamb&eacute;m do situacionismo, desenvolvido no contexto europeu. Thomas F. Mcdonough destaca precisamente a centralidade do espa&ccedil;o na actua&ccedil;&atilde;o dos Situacionistas a partir da publica&ccedil;&atilde;o de um mapa da cidade de Paris intitulado <i>The Naked City</i>: "o mapa funcionava quer como resumo de muitas das preocupa&ccedil;&otilde;es partilhadas pelas tr&ecirc;s organiza&ccedil;&otilde;es [MIBI &#8211; Mouvement internationale pour un Bauhaus Imaginiste, Internacional Letriste e a Psycogeographical Society of London] sobretudo no que diz respeito &agrave; constru&ccedil;&atilde;o e percep&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, e como forma de demonstra&ccedil;&atilde;o das direc&ccedil;&otilde;es que viriam a ser exploradas pela Internacional situacionista nos anos subsequentes". Thomas F. Mcdonough, &#8216;Situationist Space&#8217;, <i>October, </i>67/Winter (1994), 58-77, p. 60.</p>      <p><sup><a href="#top23" name="23">[23]</a></sup>Esta obra foi apresentada pela primeira vez em 1973 na <i>Exposi&ccedil;&atilde;o 73 </i>(SNBA, Lisboa, 1973).</p>       ]]></body><back>
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