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<institution><![CDATA[,Universidade Fernando Pessoa Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A reflective reading of José Régio’s Pages of Intimate Diary makes it clear that all major trends of his work converge into this text. From the theoretical approach under the presença influence to the literary criticism, from novel to poetry and to theatre, all can be found there. Furthermore, this work evidences the human conflict thus proposing new macrotextuals readings.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>V&Aacute;RIA</b></p>      <p><b>A Confiss&atilde;o de R&eacute;gio</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Isabel Ponce de Le&atilde;o*</b></p>      <p>*Professora Catedr&aacute;tica / Universidade Fernando Pessoa / Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais / CLEPUL. Porto. Portugal.</p>      <p><a href="mailto:blepl13@gmail.com">blepl13@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Uma leitura reflexiva de P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo de Jos&eacute; R&eacute;gio mostra que nele convergem todas as linhas de for&ccedil;a da sua produ&ccedil;&atilde;o desde a teoriza&ccedil;&atilde;o presencista, &agrave; cr&iacute;tica liter&aacute;ria, &agrave; fic&ccedil;&atilde;o, &agrave; poesia e ao teatro; de igual modo, a obra reflete o conflito humano, assim propondo novas leituras macro textuais.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: Di&aacute;rio, R&eacute;gio, presen&ccedil;a, conflitualidade, metacr&iacute;tica.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>A reflective reading of Jos&eacute; R&eacute;gio&#8217;s Pages of Intimate Diary makes it clear that all major trends of his work converge into this text. From the theoretical approach under the presen&ccedil;a influence to the literary criticism, from novel to poetry and to theatre, all can be found there. Furthermore, this work evidences the human conflict thus proposing new macrotextuals readings.</p>      <p><b>Keywords</b>: Diary, R&eacute;gio, presen&ccedil;a, conflict, metacriticism.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i>Neste di&aacute;rio [&#8230;] R&eacute;gio lega-nos [&#8230;] a certeza de um saco de segredos para sempre sepultados.</i></p>     <p align="right">Eug&eacute;nio Lisboa</p>      <p>O nome de Jos&eacute; R&eacute;gio sugere n&atilde;o s&oacute; uma reflex&atilde;o sobre a chamada gera&ccedil;&atilde;o da <i>presen&ccedil;a</i> como tamb&eacute;m sobre uma obra polifacetada onde todos os g&eacute;neros liter&aacute;rios t&ecirc;m assento. Contudo, esta diversidade n&atilde;o obsta a que seja mantida uma intransigente coer&ecirc;ncia, a n&iacute;vel de temas e motivos, expressa por uma estilizada ret&oacute;rica do eu que acentua a conflitualidade, sua marca distintiva.</p>      <p>Desde jovem, R&eacute;gio, na Coimbra de antanho, onde desembocou vindo de Vila do Conde para se formar em letras, manifestou inclina&ccedil;&atilde;o para a <i>coisa liter&aacute;ria</i> defendendo de forma intransigente os seus ide&aacute;rios. Colaborador habitual de revistas (<i>e.g. Bys&acirc;ncio</i>), funda, com Jo&atilde;o Gaspar Sim&otilde;es e Branquinho da Fonseca, a <i>presen&ccedil;a</i> (1927-1940) onde cooperam jovens de diferentes faculdades da Universidade, ligados pelo gosto da bo&eacute;mia, e amantes da tert&uacute;lia liter&aacute;ria que, &agrave; data, acalorava o ambiente de caf&eacute;s, pastelarias &#8211; neste caso a <i>Central</i> &#8211; e outros microcosmos cong&eacute;neres. Um pouco na senda da &#8220;Bande &agrave; Gide&#8221; da <i>Nouvelle Revue Fran&ccedil;aise</i>, passando &agrave; margem das vanguardas do in&iacute;cio do s&eacute;culo sem as ignorar, surge, nesta <i>Folha de Arte e Cr&iacute;tica</i> &#8211; subt&iacute;tulo da <i>presen&ccedil;a</i> &#8211; uma interessante proposta de equil&iacute;brio que &eacute; &#8220;uma bandeira, um grito de revolta, uma risada na paspalhona da cara da nossa literatura nacional&#8221; (R&eacute;gio, 1993a: 19). Tal como Schlumberger proclama, logo no primeiro n&uacute;mero da <i>NRF</i>, a independ&ecirc;ncia de esp&iacute;rito e a procura de verdade e sinceridade em arte, apenas condicionada pelo g&eacute;nio individual, tamb&eacute;m R&eacute;gio, no n&uacute;mero um da <i>presen&ccedil;a</i>, em 1927, escreve:</p>      <blockquote>Em arte, &eacute; vivo tudo o que &eacute; original. &Eacute; original tudo o que prov&eacute;m da parte mais virgem, mais verdadeira e mais &iacute;ntima de uma personalidade art&iacute;stica. [&#8230;] Literatura viva &eacute; aquela em que o artista insuflou a sua pr&oacute;pria vida, e que por isso mesmo passa a viver de vida pr&oacute;pria.(R&eacute;gio,1993d: 1)</blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Reitera esta ideia posteriormente, assegurando: &#8220;Reduzir a literatura a uma esp&eacute;cie de produto coletivo, mon&oacute;tono e uniforme de uma sociedade [&#8230;] &#8211; eis, precisamente o que mais detesto&#8221; (<i>Idem</i>, 1965: 143), defendendo assim o individualismo pois, &#8220;na Obra de Arte, o mundo existe atrav&eacute;s da individualidade do artista&#8221;(<i>Idem</i>, 1993c: 2). A afirma&ccedil;&atilde;o da originalidade e do individualismo como base da cria&ccedil;&atilde;o &eacute; reiterada em &#8220;Lance de Vista&#8221; (<i>Idem</i>, 1993b: 5), artigo provocat&oacute;rio &#8211; como provocat&oacute;ria &eacute; toda a obra regiana &#8211; em que afirma ser a arte o resultado da seguinte f&oacute;rmula: &#8220;o HOMEM + o ARTISTA + a REALIDADE = a ARTE&#8221;; admite, no entanto, que o valor da parcela homem dever&aacute; ser superior ao da parcela artista.</p>      <p>Enquanto principal mentor do chamado 2.&ordm; Modernismo, o autor de <i>A Velha Casa</i> n&atilde;o s&oacute; defende intransigentemente os princ&iacute;pios acima referidos, como convoca uma vis&atilde;o ecum&eacute;nica da Arte, albergadora da literatura &#8211; todas as formas de literatura &#8211;, das artes pl&aacute;sticas, da m&uacute;sica, da 7.&ordf; arte... Neste sentido, privilegia a rece&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o do pensamento e das artes estrangeiras, a fim de disseminar um esp&iacute;rito novo que reivindique uma necessidade urgente de renovar n&atilde;o s&oacute; a literatura como tudo aquilo a que chama &#8220;Arte&#8221; e cujas t&eacute;cnicas, ainda que diversificadas, convergem para um mesmo fim.</p>      <p>Mas a arte, enquanto cria&ccedil;&atilde;o, necessita de uma reflex&atilde;o, surgindo assim a cr&iacute;tica que, com ela, forma um bin&oacute;mio indissoci&aacute;vel. Esta explica, afinal, o porqu&ecirc; e para qu&ecirc; da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, e procede, em &uacute;ltima an&aacute;lise, &agrave; sua avalia&ccedil;&atilde;o de forma apartid&aacute;ria e incomplacente. &#8220;A cr&iacute;tica presencista, para al&eacute;m de apregoadamente individualista, &eacute; tamb&eacute;m espiritualista&#8221; (Ponce de Le&atilde;o, 1996: 75). A obra &eacute; o produto da elabora&ccedil;&atilde;o de algo, s&oacute; acess&iacute;vel &agrave; intelig&ecirc;ncia por um ser transcendental, distinto do <i>vulgus</i>, sociologicamente inexplic&aacute;vel. Segundo R&eacute;gio (1993e: 2), num artigo sobre Proust, a obra de arte eleva-se do particular ao universal, do ef&eacute;mero ao permanente, por virtude da sua intuitiva complexidade, originalidade e autenticidade. Esta dupla atividade da <i>presen&ccedil;a</i>, desde logo anunciada no seu subt&iacute;tulo &#8211; <i>Folha de arte e Cr&iacute;tica</i>, revela-se eficaz em textos cr&iacute;ticos que, se individualistas e espiritualistas, representantes de todo o ide&aacute;rio, n&atilde;o se apresentam, por isso, escassos em isen&ccedil;&atilde;o e em idoneidade, conferidas estas, tamb&eacute;m, pelo facto de os cr&iacute;ticos serem simultaneamente artistas.</p>      <p>A passagem de R&eacute;gio pela <i>presen&ccedil;a</i> n&atilde;o se pode dissociar do conjunto da sua obra posto que a revista tenha sido g&eacute;nese de princ&iacute;pios e preceitos posteriormente continuados. Assim, uma panor&acirc;mica da obra do autor da <i>Confiss&atilde;o de um Homem Religioso</i> &eacute; por demais demonstrativa da originalidade, individualismo e provoca&ccedil;&atilde;o anunciados na revista. Tamb&eacute;m o confessionalismo e a ess&ecirc;ncia do eu, quase sempre expressos em clima de grande conflitualidade, s&atilde;o manifestos. A isto acresce a diversidade de g&eacute;neros que a enformam, onde o ensaio cr&iacute;tico tem similarmente papel relevante, bem como o culto do desenho e da pintura. Tendo sido um dos principais mentores do 2.&ordm; Modernismo, toda a obra mant&eacute;m um clima de intransigente coer&ecirc;ncia que tamb&eacute;m se aplica &agrave; vida.</p>      <p>Quando, em 1994, foi publicada postumamente a obra <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i>, e apesar de a&iacute; haver uma forte argumenta&ccedil;&atilde;o justificativa de Jos&eacute; Alberto dos Reis Pereira em &#8220;Notas &agrave; Primeira Edi&ccedil;&atilde;o do Di&aacute;rio de Jos&eacute; R&eacute;gio&#8221;, que ainda assim mostrava a sua apreens&atilde;o &#8220;sobre como situar este in&eacute;dito no conjunto de uma obra exemplar&#8221; (Pereira, 1994: I), quando isto aconteceu, dizia, insurgi-me, mormente pela publica&ccedil;&atilde;o ser truncada por crit&eacute;rios de subjetividade extr&iacute;nsecos ao autor e por uma certa devassa da intimidade. Mesmo a afirma&ccedil;&atilde;o do seu herdeiro: &#8220;R&eacute;gio sabia que estas p&aacute;ginas &iacute;ntimas acabariam, um dia, por vir a ser publicadas&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: III), n&atilde;o me sossegou de imediato.</p>      <p>Nada garante, apesar da opini&atilde;o do herdeiro de R&eacute;gio, que as <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> almejassem publica&ccedil;&atilde;o. Assim se levanta o problema da publica&ccedil;&atilde;o p&oacute;stuma; se, ao n&atilde;o ser feita, se arrisca a remeter ao sil&ecirc;ncio verdadeiras obras de arte, tamb&eacute;m prenuncia, como cumpre, o respeito que ao seu autor &eacute; devido. No caso de autores com vasta obra publicada, como Jos&eacute; R&eacute;gio, poder-se-&aacute; tornar despiciendo e, porventura, temer&aacute;ria a publica&ccedil;&atilde;o de um di&aacute;rio aparentemente &iacute;ntimo.</p>      <p>Contudo &#8211; mudo propositadamente de par&aacute;grafo apesar da adversativa &#8211; v&aacute;rios s&atilde;o os motivos que me foram obrigando a aceitar esta publica&ccedil;&atilde;o. Desde logo o testemunho de Eug&eacute;nio Lisboa &#8211;</p>      <blockquote>Quando, em 1954, conheci pessoalmente Jos&eacute; R&eacute;gio, em Portalegre, foi-me dito pelo poeta, logo nos primeiros tempos do nosso conv&iacute;vio, que mantinha, com not&aacute;vel irregularidade, um di&aacute;rio. E logo advertiu, a explicar o seu err&aacute;tico arquivar de desabafos, ideias, emo&ccedil;&otilde;es, que o di&aacute;rio lhe n&atilde;o era um g&eacute;nero liter&aacute;rio muito pr&oacute;prio (Lisboa, 1994: V).</blockquote>      <p>&#8211; &eacute; demonstrativo de que n&atilde;o havia, por parte de R&eacute;gio uma inten&ccedil;&atilde;o de oculta&ccedil;&atilde;o; ainda porque o pr&oacute;prio autor amite, ao longo da obra, uma hipot&eacute;tica publica&ccedil;&atilde;o por &#8220;algu&eacute;m que porventura encontre estes cadernos, se eu morrer antes de me afirmar...&#8221; (R&eacute;gio, 1994: 29); depois, porque sendo R&eacute;gio um homem de teatro, muito naturalmente gostaria de subir a um <i>plateau</i> ascendendo a protagonista da sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria; finalmente porque se trata de &#8220;um reposit&oacute;rio variado de temas, preocupa&ccedil;&otilde;es, ideias, sondagens, emo&ccedil;&otilde;es, confiss&otilde;es, e rea&ccedil;&otilde;es que o v&atilde;o tornar refer&ecirc;ncia obrigat&oacute;ria para qualquer futuro estudante de Jos&eacute; R&eacute;gio e da sua obra&#8221; (Lisboa, 1994: XIII). E apesar do autor de <i>Benilde</i> se questionar sobre a valia do seu <i>Di&aacute;rio</i> e sobre o porqu&ecirc; da sua elabora&ccedil;&atilde;o, pondo em causa a sua prossecu&ccedil;&atilde;o &#8211; &#8220;Para deixar mais um livro? Para deixar qualquer coisa in&eacute;dita depois da minha morte? Mas isto presta, este di&aacute;rio cobarde?&#8221; (R&eacute;gio, 1994: 352) &#8211;, a verdade &eacute; que ele configura um imprescind&iacute;vel documento para todos os que se interessem pelo homem e pela obra.</p>      <p>O Di&aacute;rio de R&eacute;gio<a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> n&atilde;o &eacute; t&atilde;o s&oacute; fruto de um isolamento, outrossim uma capitaliza&ccedil;&atilde;o de viv&ecirc;ncias, um exerc&iacute;cio intelectual, um armaz&eacute;m epistologr&aacute;fico que assume uma fun&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, sobretudo no que diz respeito &agrave; postura da cr&iacute;tica na rece&ccedil;&atilde;o &agrave;s obras do autor. &#8220;Logo, se torna num lugar de interioriza&ccedil;&atilde;o e, concomitantemente, exterioriza&ccedil;&atilde;o, uma vez que n&atilde;o &eacute; rejeitada a publica&ccedil;&atilde;o, e o seu conte&uacute;do acaba por ser divulgado, quebrando-se assim a intimidade que parecia caracteriz&aacute;-lo&#8221; (Ponce de Le&atilde;o, 2003: 573). Por outro lado, n&atilde;o obedece a uma determinada periocidade, apresentando-se descont&iacute;nuo e fragmentado. Interessantemente, o tempo que o autor passou em Coimbra constitui um hiato nesta escrita diarista. Entre 25 de Julho de 1925 e 17 de Abril de 1937 &#8211; tempo mais ou menos coincidente com a &eacute;poca da publica&ccedil;&atilde;o da <i>presen&ccedil;a</i> (1927-1940) &#8211; n&atilde;o h&aacute; qualquer registo (pelo menos publicado), assim declinando obrigatoriedades temporais e estruturais.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seguro &eacute; que <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> abrem portas para toda a obra regiana. Quando R&eacute;gio diz &#8220;este pobre di&aacute;rio, se algum interesse ainda pode oferecer, &eacute; o de, sobretudo, ser o Di&aacute;rio dum escritor<i>.</i> &#8221; (<i>Idem</i> 1994: 376), p&otilde;e, modestamente embora, em evid&ecirc;ncia o contributo que este microtexto d&aacute; &agrave; destrin&ccedil;a do seu macro texto. &Eacute; que a obra regiana, enforma um <i>continuum</i> de temas e motivos aqui tamb&eacute;m sobrelevados. Acresce que este di&aacute;rio &eacute; um precioso documento caracterizador de tend&ecirc;ncias est&eacute;ticas, liter&aacute;rias e culturais de uma &eacute;poca, de onde sobressai o papel da cr&iacute;tica, sobretudo a liter&aacute;ria, e tamb&eacute;m a postura e a dignidade do autor ao analis&aacute;-la.</p>      <p>Fazendo f&eacute; em Montherlant, todo o homem grandioso atua, e escreve em torno de duas ou tr&ecirc;s ideias. Tal se passa com as intransigentes coer&ecirc;ncias e fidelidades do autor de <i>O vestido cor de fogo</i> que faz da sua obra um exerc&iacute;cio de autoconhecimento, uma procura de solu&ccedil;&atilde;o para um problema que aqui denominarei conflitualidade. O conflito &eacute; o seu, amargamente assimilado, que gere o jeito confessionalista em que o pudor se converte num exibicionismo &#8220;&agrave; Cristo&#8221; (<i>Idem</i>, 1970: 85). A profunda consci&ecirc;ncia de si, a demanda de uma auto resolu&ccedil;&atilde;o gera uma rela&ccedil;&atilde;o conflituosa consigo e com &#8220;o(s) outro(s)&#8221; que propaga atrav&eacute;s das suas ang&uacute;stias amorosas, existenciais e religiosas.</p>      <p>As contradi&ccedil;&otilde;es amorosas / sexuais, convertidas em permanente conflito, s&atilde;o as mesmas que perpassam a sua poesia, o seu teatro, a sua fic&ccedil;&atilde;o, o seu desenho.<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> Homem m&iacute;stico por natureza, nele se instala a oposi&ccedil;&atilde;o carne / esp&iacute;rito para a qual nunca alcan&ccedil;ar&aacute; um projeto conciliat&oacute;rio. Tragado por um desejo de absoluto, luta contra a escraviza&ccedil;&atilde;o da carne, denegrindo as pr&aacute;ticas amorosas, e vendo no amor terreno uma insatisfa&ccedil;&atilde;o permanente e uma colossal limita&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero humano. Contudo, o arrebatamento carnal nunca o abandona e, por tal, surge o conflito irresol&uacute;vel: a entrega com inoc&ecirc;ncia &eacute; ut&oacute;pica; o desejo carnal &eacute; conden&aacute;vel. Ocupando a mulher em toda a sua obra um lugar de destaque, debate-se numa impossibilidade de posse total que exacerba o desejo, fomentando procuras arbitr&aacute;rias e at&eacute;, por vezes, pouco seletivas. Por tal, depois de anunciar nas <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> que a castidade faz parte do seu ideal de vida &#8211; &#8220;A sexualidade continua em mim poderosa e violenta. Por isso &eacute; merit&oacute;ria a castidade em que vivo&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 260) &#8211;, recorrentemente refere a sua &#8220;pot&ecirc;ncia sexual&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 336), advinda, sobretudo, em crises de dores al&eacute;rgicas, ou mesmo a sua &#8220;pervers&atilde;o sexual&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 369) chegando a admitir: &#8220;Ontem, domingo, estive numa casa de raparigas.&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 12). Todavia, sistematicamente se penaliza tornando a contenda insol&uacute;vel: &#8220;Em Lisboa, reca&iacute; na sexualidade que procuro vencer&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 296), afirma; tal como o faz em &#8220;Carta de Amor&#8221;: &#8220;Querida!,/ Porque te chamo. / Mas amar-te?! / N&atilde;o!, minha vida&#8221; (<i>Idem</i>, 1970: 86).</p>      <p>Tamb&eacute;m o seu problema existencial se p&otilde;e com acuidade ao longo destas p&aacute;ginas. Exist&ecirc;ncia e coexist&ecirc;ncia, viv&ecirc;ncia em isolamento, e o ser necessariamente intramundanal dividem-no entre a facticidade e a trivialidade ou a autenticidade, onde, fruto de uma aturada introspe&ccedil;&atilde;o, se encontra consigo pr&oacute;prio ensaiando irresol&uacute;veis conflitos. O confronto eu individual / eu social, a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o do mundo, a recusa do convencional, o absurdo da exist&ecirc;ncia e a quest&atilde;o da liberdade s&atilde;o problemas sistematicamente levantados, que reclamam um poder decis&oacute;rio, o que arrasta R&eacute;gio a um temer&aacute;rio confronto consigo pr&oacute;prio, muitas vezes na figura de um duplo que o espelho projeta. Reconhecendo a necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o com o mundo, deixa que se sobrepuje o seu individualismo e a sua independ&ecirc;ncia, geradores de automarginalizar&atilde;o, ainda que, concomitantemente, propiciadores de autoan&aacute;lise que o levam a afirmar:</p>      <blockquote>Eles t&ecirc;m a for&ccedil;a da viol&ecirc;ncia, eu tenho a for&ccedil;a da insinua&ccedil;&atilde;o; eles t&ecirc;m os privil&eacute;gios da sa&uacute;de, eu tenho os privil&eacute;gios da doen&ccedil;a; eles s&atilde;o desejados pela sensualidade das mulheres, eu sou desejado pela sensibilidade das mulheres; eles, quando vencem, deixam atr&aacute;s de si revoltados &#8211; eu, quando ven&ccedil;o, deixo atr&aacute;s de mim agradecidos; eles s&atilde;o fortes, eu sou delicado; eles podem ter a beleza, eu, tenho a gra&ccedil;a; eles s&atilde;o alma feita corpo, eu sou corpo feito alma. (<i>Idem</i>, 1994: 29)</blockquote>      <p>N&atilde;o lega, de facto, R&eacute;gio, esperan&ccedil;a nem otimismo, j&aacute; que, ao questionar-se e questionando os outros sobre o enigma da exist&ecirc;ncia, n&atilde;o obt&eacute;m solu&ccedil;&otilde;es capazmente satisfat&oacute;rias mas, paradoxalmente, e paradoxal e antin&oacute;mica &eacute; toda a arte regiana, gera expectativas de indefinidas e infinitas respostas. Assim se reconhece nas <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> &#8220;um doido que por acaso nasceu com ju&iacute;zo&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 18), confessando: &#8220;Bem cedo me resignei a ser s&oacute; &#8211; e a amar seja quem for nos seus momentos de humanidade dolorosa e alta... ou mesquinha e lastim&aacute;vel. O que sou, afinal, &eacute; um pobre ser essencialmente humano, conscientemente humano...&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 34).</p>      <p>Por demais conhecido &eacute; o conflito religioso de R&eacute;gio sublimemente sintetizado no verso &#8220;Nascido do amor que h&aacute; entre Deus e o Diabo&#8221; (<i>Idem</i>, 1965: 52), prenunciador da t&atilde;o dilem&aacute;tica met&aacute;fora da encruzilhada. Tentando interpretar o sentido e o alcance da vida, muitas vezes se resigna face ao criador, numa atitude de impossan&ccedil;a e desespero de quem n&atilde;o encontra outras solu&ccedil;&otilde;es. Vendo-se sistematicamente dividido entre duas for&ccedil;as antag&oacute;nicas configuradoras do bem e do mal &#8211; Deus / Diabo, C&eacute;u / Inferno, Ascese / Queda &#8211; remete-se, assazmente, para posturas de um titanismo religioso humanizador do divino e divinizador do humano. Esta ambiguidade traduz-se no conformismo com que a criatura, presa &agrave; terra, aceita a supremacia divina, questionando-se, todavia, com alguma inquietude, sobre a quota-parte de deidade que lhe parece ser devida. Aceitando a divindade, n&atilde;o raro se revolta contra o que nela h&aacute; de rec&ocirc;ndito que lhe confere uma serena supremacia, sendo justamente esse rec&ocirc;ndito gerador de conflitualidade. Daqui nasce a explica&ccedil;&atilde;o de uma obra dual, prenhe de teatralidade, em que as m&aacute;scaras ocultam as tens&otilde;es internas, cujos polos s&atilde;o Deus e o Diabo, justificadoras de ades&otilde;es e recusas que configuram as <i>personae</i> que nele coexistem e que deixam antever o homem de teatro. A busca da totalidade, feita de aus&ecirc;ncias e presen&ccedil;as da entidade divina, ilustradoras de uma voca&ccedil;&atilde;o teatral, &eacute;, ent&atilde;o, base do m&iacute;stico conflito regiano. Por tudo contesto Luiz Piva quando afirma que &#8220;Na luta com Deus, sai vencido o Poeta&#8221; (Piva, 1977: 49). N&atilde;o sai, de facto, vencido mas convencido. Convic&ccedil;&atilde;o baseada em lutas &iacute;ntimas, em agressivas obstina&ccedil;&otilde;es, em oposi&ccedil;&otilde;es e d&uacute;vidas sofridas, mas, por isso mesmo, mais fortalecido, convicto e, porque n&atilde;o, quase convertido como o confirma nas <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> : &#8220;Continuo sempre a verific&aacute;-lo: Creia ou n&atilde;o creia, n&atilde;o posso viver sem Deus. Deus &eacute; a minha for&ccedil;a, o meu ref&uacute;gio, a minha companhia. E nada sei sobre Deus, &#8211; nem mesmo se existe.&#8221; (R&eacute;gio, 1994: 394). Escreve no primeiro anivers&aacute;rio da morte de sua m&atilde;e: &#8220;Mandei dizer uma missa pela Sua alma. Pude chorar e rezar na Igreja&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 87).</p>      <p>Para al&eacute;m da conflitualidade regiana, este Di&aacute;rio &eacute;, como atr&aacute;s referi, uma porta aberta para a obra e respetiva rece&ccedil;&atilde;o em que a cr&iacute;tica n&atilde;o o poupa nem &eacute; poupada.</p>      <p>O seu car&aacute;cter rebelde e aut&ecirc;ntico, a sua natureza independente e original, tal como sempre se afirmou na <i>presen&ccedil;a</i>, afastam consensos e fazem dele e, concomitantemente, da sua obra, uma figura que extrema posi&ccedil;&otilde;es de amor e &oacute;dio. Sentindo-se ignorado e injusti&ccedil;ado pelos cr&iacute;ticos, s&atilde;o recorrentes mult&iacute;modos desabafos que o distanciam da cr&iacute;tica com quem mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o de desconfian&ccedil;a e, n&atilde;o raro, de desprezo. Assim afirma: &#8220;A maior parte das cr&iacute;ticas que me fazem os popularizados cr&iacute;ticos &#8211; n&atilde;o est&atilde;o ao n&iacute;vel das minhas obras.&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 105), e mais adiante: &#8220;Que sofro, <i>humanamente</i>, por n&atilde;o ser compreendido, &#8211; &eacute; um facto. Mas tamb&eacute;m &eacute; um facto o meu profundo sentimento de desprezo (porventura tamb&eacute;m ainda humano) pela superficialidade da maioria dos cr&iacute;ticos&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 136). O sofrimento a que alude &eacute; um sofrimento real por n&atilde;o ser compreendido, pela mediocridade de que se cr&ecirc; cercado, mas tamb&eacute;m por aquele misto de complexo de inferioridade / superioridade, vis&iacute;vel na sua produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria.</p>      <p>A revolta perante a cr&iacute;tica assume posturas dolorosas quando se trata do seu teatro. R&eacute;gio foi, como atr&aacute;s referi, antes de mais, um homem de teatro. A necessidade de interlocutor, a ret&oacute;rica do eu, o tutear sistem&aacute;tico, p&otilde;em-no em cima de um palco onde exibe todas as suas antinomias. Tudo isto transparece ao longo das obras po&eacute;tica e ficcional afirmando-o claramente o pr&oacute;prio autor em carta a Adolfo Casais Monteiro: &#8220;sei que nasci para fazer teatro, e que devo lutar pelo meu teatro, at&eacute; com armas que, propriamente n&atilde;o sendo minhas, o teatro exige&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 165); reafirma-o, posteriormente, numa outra carta a Robles Monteiro: &#8220;o teatro continua no primeiro plano dos meus sonhos&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 169). A sua obra dram&aacute;tica merece-lhe, se poss&iacute;vel, maior acuidade, logo, se incompreendida, a insurrei&ccedil;&atilde;o &eacute; maior. Na senda de Wagner, concebe o teatro enquanto &#8220;<i>arte</i> aut&oacute;noma&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 119) porque atrav&eacute;s dela se procura &#8220;uma <i>express&atilde;o integral</i> lan&ccedil;ando m&atilde;o de v&aacute;rios recursos vindos de v&aacute;rios ramos de arte&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 119). Assim, considerando embora que a literatura &eacute; o seu componente primordial nega o teatro enquanto g&eacute;nero liter&aacute;rio, porque prefere olh&aacute;-lo como uma concilia&ccedil;&atilde;o de todas as artes em movimento:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>A verdade &eacute; que o meu teatro at&eacute; hoje realizado tenta conjugar elementos diversos como a poesia ou a literatura e a m&uacute;sica, a m&iacute;mica, a orat&oacute;ria ou declama&ccedil;&atilde;o, o bailado rudimentar, o cen&aacute;rio, os efeitos de luz, a indument&aacute;ria, etc.; &#8211; embora, est&aacute; claro, fique sendo ou continue sendo o poeta dram&aacute;tico o mestre da orquestra: o mantenedor da unidade da obra. (<i>Idem</i>, 1994: 119)</blockquote>      <p>S&atilde;o mult&iacute;modos os passos de <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> que demonstram o tra&ccedil;o quase obsessivo com que R&eacute;gio se refere &agrave; sua obra e &agrave;s cr&iacute;ticas de que &eacute; alvo. As refer&ecirc;ncias &agrave; poesia s&atilde;o confessamente escassas &#8211; &#8220;Dantes vinham-me os versos &agrave;s catadupas. Agora, s&oacute; de longe em longe.&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 361) &#8211; n&atilde;o deixando, contudo, de referir quer problemas com as editoras,<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> quer com a incompreens&atilde;o dos cr&iacute;ticos: &#8220;Continuam a louvar a minha poesia pelo seu aspeto dram&aacute;tico, violento, gesticulante, por vezes declamat&oacute;rio, (porventura esquecendo o que nela haja de mais rico e secreto)&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 117).</p>      <p>Quanto &agrave; fic&ccedil;&atilde;o, ombreia com o teatro &#8211; &#8220;Estou na fase do romance e do teatro&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 117) &#8211; chegando, em entrada datada de 5 de Outubro de 1952, a fazer o seguinte levantamento:</p>      <blockquote>Sou autor de seis volumes de ficc&atilde;o, n&atilde;o falando de quaisquer in&eacute;ditos: <i>Jogo da Cabra Cega</i>, romance; <i>O Pr&iacute;ncipe com Orelhas de Burro</i>, &#8220;hist&oacute;ria para crian&ccedil;as grandes&#8221;; <i>Davam Grandes Passeios aos Domingos&#8230;</i>, novela; <i>Uma Gota de Sangue</i> e <i>Ra&iacute;zes do Futuro</i>, primeira e segunda partes do romance <i>A Velha Casa</i> ; <i>Hist&oacute;rias de Mulheres</i>, novelas e contos. [&#8230;] Ora parece que todas estas obras s&atilde;o med&iacute;ocres, ou n&atilde;o interessam o p&uacute;blico contempor&acirc;neo (<i>Idem</i>, 1994: 117)</blockquote>      <p>Ao longo do Di&aacute;rio, lamenta a apreens&atilde;o do <i>Jogo da Cabra Cega<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup></i> mesmo considerando-o &#8220;um livro cheio de defeitos t&eacute;cnicos&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 48);<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> queixa-se da cr&iacute;tica feita por Gaspar Sim&otilde;es a <i>Hist&oacute;rias de Mulheres;</i> <sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup> exulta, cautamente, com a g&eacute;nese da <i>Confiss&atilde;o dum Homem Religioso</i> &#8211; &#8220;Terei coragem de escrever este livro como o sonhei?&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 374). &Eacute;, todavia, <i>A Velha Casa</i> que merece refer&ecirc;ncias quase obsessivas, quer queixando-se da cr&iacute;tica, acusado que foi, por Guibour de Vasconcelos, de plagiar <i>Les Thibault</i> de Martin du Gard, obra que desconhece &#8220;por completo&#8221; (<i>Idem</i>, 1994) 101), quer mostrando a sua predile&ccedil;&atilde;o por esta autofic&ccedil;&atilde;o, segredada em carta a Adolfo Casais Monteiro, a prop&oacute;sito de <i>Os Avisos do Destino</i> :</p>      <blockquote>Decerto, al&eacute;m do estilo do analista [&#8230;] tamb&eacute;m n&#8217; <i>A Velha Casa</i> h&aacute; o estilo do poeta, do narrador, do realista&#8230; Mas como renunciar na minha obra capital, &#8211; <i>A Velha Casa</i> !! Grande romance em 7 partes, ou sejam 7 volumes,<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> cada um dos quais pertence ao todo e forma um livro &agrave; parte!! &#8211; como renunciar nela a qualquer das tend&ecirc;ncias fundamentais que s&atilde;o parte integrante da minha originalidade&#8230; (<i>Idem</i>, 1994: 344)</blockquote>      <p>Trata-se, de facto, de uma obra-prima, do chamado romance longo, na senda de Balzac, Tolstoi ou Eliot, &#8220;uma esp&eacute;cie de testamento, como <i>log-book</i> de uma longa viagem de aprendizagem&#8221; (Lisboa, 2010: 36), que configura, como escrevi noutro local,<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> um n&atilde;o menos longo processo de autognose, para o qual s&atilde;o convocados elementos e personagens que, pertencendo ao mundo real, entram, por direito pr&oacute;prio, no ficcional, sem qua sua identidade seja desvirtuada. <i>Casa</i> que nem o tempo envelhece, uma casa intemporal, porque albergadora de mult&iacute;modas gera&ccedil;&otilde;es, alheias a modas ou costumes da ribalta, mas profundamente conscientes de uma ampla miss&atilde;o / dimens&atilde;o est&eacute;tica e humana indiciadora da coer&ecirc;ncia da obra regiana.</p>  Interessantemente, n&atilde;o h&aacute; refer&ecirc;ncias &agrave; sua obra pl&aacute;stica, ainda que atravesse o Di&aacute;rio &#8220;a paix&atilde;o pelas antiguidades&#8221; (R&eacute;gio, 1994: 67) e um interesse por todas as artes manifesto n&atilde;o s&oacute; na maiuscula&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica da palavra Arte, na senda dos postulados da <i>presen&ccedil;a</i>, como nas recorrentes tentativas de defini&ccedil;&atilde;o de Arte para quem esta &#8220;&eacute; a intimidade simp&aacute;tica de tudo&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 24). Considerando-se embora um &#8220;desenhista     <p>de domingo&#8221; reconhece &#8220;que poderia ser um artista pl&aacute;stico original se a isso se dedicasse&#8221; (<i>Idem</i>, 2001: 36); mesmo n&atilde;o se dedicando, como afirma, quero crer que a sua obra pl&aacute;stica tem, para al&eacute;m de outras, a virtude da coer&ecirc;ncia com a sua obra liter&aacute;ria como facilmente &eacute; verific&aacute;vel em muitos desenhos com que ilustrou alguns dos seus livros.<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/dia/v28n2/28n2a13f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda que a escrita diarista, seja por R&eacute;gio considerada um g&eacute;nero secund&aacute;rio, pelas caracter&iacute;sticas rem&aacute;ticas &#8211; descontinuidade discursiva e fragmentarismo &#8211;, pelo registo de um dia-a-dia trivial, pelo pr&oacute;prio n&iacute;vel de l&iacute;ngua usado e pela</p>      <blockquote>dificuldade quase invenc&iacute;vel que tenho em manter um di&aacute;rio &#8211; &eacute; que, gostando muito de falar de mim, gostando demasiado, me n&atilde;o interessa, todavia, falar diretamente de mim sen&atilde;o atrav&eacute;s duma obra liter&aacute;ria. Mas um Di&aacute;rio n&atilde;o &eacute; uma obra liter&aacute;ria; ou os Di&aacute;rios que o s&atilde;o deixam de ser Di&aacute;rios. (<i>Idem</i>, 1994: 385),</blockquote>      <p>a verdade &eacute; que <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> longe de corresponder a uma fase de menos inspira&ccedil;&atilde;o do autor, acompanha toda a sua cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria ao longo de 43 anos, tornando-se num precioso apoio para a sua compreens&atilde;o e para a descoberta do seu &#8220;eu profundo&#8221;; n&atilde;o lhe ser&aacute;, pois, alheio um certo egotismo, uns veios narc&iacute;sicos e o desejo de autoconhecimento j&aacute; anteriormente anunciados:</p>      <blockquote>Sim, foi por mim que gritei. Declamei,</blockquote>      <blockquote>Atirei frases em volta.</blockquote>      <blockquote>Cego de ang&uacute;stia e de revolta.</blockquote>       <blockquote>[&#8230;]</blockquote>      <blockquote>Sofro, assim, pelo que sou,</blockquote>       <blockquote>[&#8230;]</blockquote>      <blockquote>Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!</blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>[&#8230;] (R&eacute;gio, 1970: 107-108)</blockquote>      <p>Apesar de tudo, s&uacute;mula e s&iacute;ntese de toda a produ&ccedil;&atilde;o regiana, estas P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo configuram as preocupa&ccedil;&otilde;es latentes na obra do escritor e enunciam a intransig&ecirc;ncia, o rigor, a autenticidade, a coer&ecirc;ncia e a quase autopuni&ccedil;&atilde;o que sempre reclamou e que veiculou em toda a sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica.</p>      <p>Quanto &agrave; componente humana, o pr&oacute;prio autor afirma que ele est&aacute; &#8220;cheio de insinceridades, ou, pelo menos, semi-sinceridades&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 254) acrescentando: &#8220;h&aacute; particularidades da minha natureza e recantos da minha biografia que prefiro fiquem desconhecidos de todos&#8221; (<i>Idem</i>, 1994: 258). Ganha assim consist&ecirc;ncia a afirma&ccedil;&atilde;o de Eug&eacute;nio Lisboa que tomei como ep&iacute;grafe acicatando-se o desejo de continuar a estudar as <i>confiss&otilde;es</i> de R&eacute;gio.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>LISBOA, Eug&eacute;nio (1994), &#8220;Revela&ccedil;&atilde;o e mist&eacute;rio: o &#8216;Di&aacute;rio&#8217; de Jos&eacute; R&eacute;gio&#8221;, in Jos&eacute; R&eacute;gio, <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i>, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores, pp. V-XV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0807-8967201400020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (2010), <i>Ler R&eacute;gio</i>, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0807-8967201400020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>PEREIRA, Jos&eacute; Alberto (1994), &#8220;Notas &agrave; primeira edi&ccedil;&atilde;o do di&aacute;rio de Jos&eacute; R&eacute;gio&#8221;, in Jos&eacute; R&eacute;gio, <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i>, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores, 1994, pp. I-IV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0807-8967201400020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>PIVA, Lu&iacute;s (1977), <i>Jos&eacute; R&eacute;gio &#8211; O Ser Conflituoso</i>, Porto, Bras&iacute;lia Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0807-8967201400020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>PONCE DE LE&Atilde;O, Isabel (1996), <i>Imagens da Vida (</i> presen&ccedil;a<i>: poesia e artes pl&aacute;sticas)</i>, Porto, Edi&ccedil;&otilde;es Universidade Fernando Pessoa, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0807-8967201400020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (2002), &#8220;Uma Casa Intemporal&#8221;, in Jos&eacute; R&eacute;gio, <i>A Velha Casa</i>, I vol., Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pp. 9-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0807-8967201400020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (2003), &#8220;O dram&aacute;tico e o diar&iacute;stico: um di&aacute;logo (em torno de <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> de Jos&eacute; R&eacute;gio), in Jos&eacute; Romera Castillo (org), <i>Teatro y Memoria en la Segunda Mitad del Siglo XX</i>, Madrid, Visor Libros, pp. 573-580.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0807-8967201400020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>R&Eacute;GIO, Jos&eacute; (1965), <i>Poemas de Deus e do Diabo</i>, Lisboa, Portug&aacute;lia Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0807-8967201400020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (1970), <i>As Encruzilhadas de Deus</i>, Lisboa, Portug&aacute;lia Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0807-8967201400020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (1993a), &#8220;A <i>presen&ccedil;a</i> e os seus censores&#8221;, <i>presen&ccedil;a</i>, n.&ordm; 47, pp. 19-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0807-8967201400020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (1993b), &#8220;Lance de Vista&#8221;, <i>presen&ccedil;a</i>, n.&ordm; 6, p. 5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0807-8967201400020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (1993c), &#8220;Literatura Livresca e Literatura Viva&#8221;, <i>presen&ccedil;a</i>, n.&ordm; 9, pp. 18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0807-8967201400020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (1993d), &#8220;Literatura Viva&#8221;, <i>presen&ccedil;a</i>, n.&ordm; 1, pp. 12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0807-8967201400020001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (1993e), &#8220;Marcel Proust&#8221;, <i>presen&ccedil;a</i>, n.&ordm; 5, pp. 22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0807-8967201400020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (1994), <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i>, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0807-8967201400020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (2001), <i>Confiss&atilde;o dum Homem Religioso</i>, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0807-8967201400020001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p> _____________________ (2002), <i>A Velha Casa</i>, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0807-8967201400020001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[Submetido em 5 de maio de 2014 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 7 de outubro de 2014]</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> As <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> de Jos&eacute; R&eacute;gio foram escritas entre 1923 e 1966 e publicadas, postumamente, em 1994. O manuscrito era constitu&iacute;do por seis volumes, tr&ecirc;s dos quais o autor referenciava como <i>Di&aacute;rio</i>, chamando aos outros tr&ecirc;s <i>Cadernos de Jos&eacute; R&eacute;gio</i> . Os herdeiros publicaram o conte&uacute;do parcial dos manuscritos com o t&iacute;tulo j&aacute; referido, encontrando-se a outra parte nos reservados da <i>Biblioteca Nacional de Lisboa</i> </p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>Apesar de tudo, em <i>P&aacute;ginas do Di&aacute;rio &Iacute;ntimo</i> este conflito &eacute; deslindado com uma subtileza que se distancia de outras obras, <i>e.g.</i>, <i>Confiss&atilde;o dum Homem Religioso</i> (1971: 163), onde se l&ecirc;: &#8220;Natureza sensual, por um lado era atra&iacute;do &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o da mera sensualidade: ao gozo simples da sensa&ccedil;&atilde;o. Mas natureza espiritual, por outro lado reagia contra esse poder do sensitivo, que me escravizava; que me parecia reduzir o homem a pr&aacute;ticas puramente animais&#8221;. Esta ideia percorre a <i>Confiss&atilde;o</i> sendo concretamente explicitada nas pp. 161-162.</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>Cf. R&eacute;gio, 1994: 66 e 373.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>Cf. R&eacute;gio, 1994: 65.</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>&#8220;obra complexa e, at&eacute; certo ponto, &#8216;prematura&#8217;&#8221;, assim a denominou Eug&eacute;nio Lisboa (2010: 71).       <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup>Cf. R&eacute;gio, 1994: 81.</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>Sa&iacute;ram apenas cinco volumes: <i>Uma Gota de Sangue</i>, <i>As Ra&iacute;zes do Futuro</i>, <i>Os Avisos do Destino</i>, <i>As Monstruosidades Vulgares</i>, <i>Vidas s&atilde;o vidas</i> . Deixou, todavia rascunhos para o que seria o 6.&ordm; volume, publicados por Eug&eacute;nio Lisboa em &#8220;Anexo&#8221;, in <i>A Velha Casa</i>, IV vol., pp. 297-370.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top7" name="8">[8]</a></sup>Cf. Isabel Ponce de Le&atilde;o, &#8220;Uma Casa Intemporal&#8221;, in <i>A Velha Casa</i>, I vol., pp. 9-22.</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>Selecionei desenhos que presentificam, respetivamente, a conflitualidade religiosa, existencial e amorosa de Jos&eacute; R&eacute;gio. Os dois primeiros s&atilde;o ilustra&ccedil;&otilde;es da sua obra po&eacute;tica, o terceiro &eacute; um desenho avulso.</p>       ]]></body><back>
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