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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Memória e identidade alicerces da construção do eu na tetralogia de Luísa Beltrão]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Letras da Universidade do Porto Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Through a diegesies of two centuries, passing by the XIX and XX centuries with all its convulsions, the Luísa Beltrão tethralogy tries to catch not only the way how the national identity was made, but mainly to understand the leading process in order to build a personal identity. So it is questioned the memory role as an indispensable condition to the maintenance of an unite and cohesive identity (as it is the case of the characters conde de Aguim and tia Elisinha, among others) and the perverse effects coming from its destruction (showed by the eternal search of the "I" by Conta and in the identity crises faced by Gena).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>V&Aacute;RIA</b></p>      <p><b>Mem&oacute;ria e identidade alicerces da constru&ccedil;&atilde;o do eu na tetralogia de Lu&iacute;sa Beltr&atilde;o</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Paula Morais*</b></p>      <p>*Doutorada em Literaturas e Culturas Rom&acirc;nicas, especialidade de Literatura Portuguesa, pela FLUP. &Eacute; professora do ensino b&aacute;sico e secund&aacute;rio na Escola B&aacute;sica e Secund&aacute;ria do Cerco, Porto, Portugal. Colabora, pontualmente, com o CITCEM/FLUP.</p>      <p><a href="mailto:paumorais@hotmail.com">paumorais@hotmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Ao longo de uma diegese de dois s&eacute;culos, abarcando o s&eacute;culo XIX e XX com todas as convuls&otilde;es internas e externas que os caracterizaram, a tetralogia de Lu&iacute;sa Beltr&atilde;o procura apreender n&atilde;o s&oacute; a forma como foi urdida a identidade nacional, mas principalmente compreender o processo conducente &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade pessoal.</p>     <p>Assim, &eacute; equacionado o papel da mem&oacute;ria como condi&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de uma identidade una e coesa (como &eacute; o caso das personagens conde de Aguim e tia Elisinha, entre outras) e os efeitos perversos advindos da sua destrui&ccedil;&atilde;o (em evid&ecirc;ncia na eterna busca do Eu de Conta e na crise identit&aacute;ria enfrentada por Gena).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras chave</b>: Lu&iacute;sa Beltr&atilde;o, identidade nacional, mem&oacute;ria.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>Through a diegesies of two centuries, passing by the XIX and XX centuries with all its convulsions, the Lu&iacute;sa Beltr&atilde;o tethralogy tries to catch not only the way how the national identity was made, but mainly to understand the leading process in order to build a personal identity.</p>     <p>So it is questioned the memory role as an indispensable condition to the maintenance of an unite and cohesive identity (as it is the case of the characters conde de Aguim and tia Elisinha, among others) and the perverse effects coming from its destruction (showed by the eternal search of the "I" by Conta and in the identity crises faced by Gena).</p>      <p><b>Keywords</b>: Lu&iacute;sa Beltr&atilde;o, national identity, memory.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>"Move-me sim a vontade de entender o fio condutor que nos transporta ao que hoje somos"(BELTR&Atilde;O, 1997<sup>a</sup>:11) afirma Lu&iacute;sa Beltr&atilde;o em <i>Os Bem Aventurados</i> (terceiro volume da tetralogia). Desejo esse espraiado numa extensa diegese de dois s&eacute;culos dividida em quatro volumes (dois dedicados ao s&eacute;culo XIX &#8211; <i>Os Pioneiros</i> (<i>idem</i>, 2004) e <i>Os Impetuosos</i> (<i>idem</i>, 2000) &#8211; e dois ao s&eacute;culo XX &#8211; <i>Os Bem-Aventurados</i> (<i>idem</i>, 1997<sup>1</sup>) e <i>Os Mal-Amados</i> (<i>idem</i>, 1997<sub>b</sub>).</p>      <p>A hist&oacute;ria da fam&iacute;lia Teixeira e seus descendentes vai propiciar a reflex&atilde;o n&atilde;o s&oacute; sobre a forma como a identidade nacional foi constru&iacute;da, remodelada, sintetizada e/ou mantida ao longo desses dois s&eacute;culos, mas tamb&eacute;m sobre o percurso efetuado pelo homem-indiv&iacute;duo e o homem-social para progredirem ao longo de uma determinada conjuntura, qual ou quais o(s) fio(s) condutor(es) subjacente(s) &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade pessoal, no fundo, &agrave; explana&ccedil;&atilde;o do trajeto efetuado para se ser "[transportado] ao que hoje somos". Por isso mesmo, a autora v&ecirc; na tetralogia uma fun&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica:</p>      <blockquote>Depois do 25 de Abril as novas gera&ccedil;&otilde;es passaram por um corte muito grande, devido a uma revolu&ccedil;&atilde;o de costumes a todos os n&iacute;veis. A evolu&ccedil;&atilde;o social implica qualquer coisa que vem detr&aacute;s, porque nada acontece que n&atilde;o esteja ligado ao passado que se projecta no futuro. Nessa linha creio que as novas gera&ccedil;&otilde;es perderam um pouco das suas refer&ecirc;ncias e estes livros foram uma reflex&atilde;o em termos de hist&oacute;ria recente, onde teve in&iacute;cio a nova mentalidade da democracia. (BELTR&Atilde;O, s/d)</blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para encontrar o homem-indiv&iacute;duo &eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o escamotear o facto de ele estar imerso num coletivo, de a sua identidade pessoal ser constru&iacute;da a partir da social/nacional e das suas diversas flutua&ccedil;&otilde;es. Como salienta Fernando Gil, "Identificamo-nos a n&oacute;s pr&oacute;prios atrav&eacute;s da nossa experi&ecirc;ncia porque cremos descobrir nela uma continuidade que conservamos e que nos conserva. O passado exige ser apercebido como uma linha ininterrupta de exist&ecirc;ncia e n&atilde;o como uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos instant&acirc;neos." (GIL, 2003: 41)</p>      <p>Em face dessa perce&ccedil;&atilde;o, as diferentes na&ccedil;&otilde;es incentivaram a cren&ccedil;a na ancestralidade de cada comunidade, tornando clara a manuten&ccedil;&atilde;o de um conjunto de valores, ideologias e saberes culturais habilmente perpetuados pela escola, meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, pelas artes, entre outros.</p>      <p>Essa linha dorsal da identidade coletiva s&oacute; persiste porque a sociedade tem mem&oacute;ria ou, pelo menos, procura cultivar um determinado tipo de mem&oacute;ria social e hist&oacute;rica. Sem ela, o homem perde a no&ccedil;&atilde;o de perten&ccedil;a a uma comunidade que o antecede e se projeta inelutavelmente no futuro, ficando imerso no caos e nas d&uacute;vidas.</p>      <p>Assim, em determinados per&iacute;odos da Hist&oacute;ria nacional, o poder pol&iacute;tico construiu, manipulou, subverteu e/ou manteve uma determinada mem&oacute;ria da identidade portuguesa, dos agentes envolvidos na sua constru&ccedil;&atilde;o, dos itens a serem expurgados por poderem contaminar com falsas vis&otilde;es os portugueses ou a serem mantidos por se adequarem aos objetivos estabelecidos pelo poder pol&iacute;tico. N&atilde;o &eacute; por isso de estranhar o facto de a identidade nacional surgir como uma espiral de mem&oacute;rias valorativas e de rasuras ou sil&ecirc;ncios, &agrave; semelhan&ccedil;a de um rizoma (onde todos os veios se intersecionam sem nenhum ser o primordial, segundo a conce&ccedil;&atilde;o de Deleuze e Guattari (DELEUZE e GUATTARI, 1980: 13-31), raz&atilde;o pela qual nem sempre &eacute; f&aacute;cil particularizar uma imagem una da identidade nacional. Apesar de ela se alicer&ccedil;ar em diversas linhas continuamente em interse&ccedil;&atilde;o, muitas vezes, o poder institu&iacute;do procurou sobrevalorizar uma delas ou atrofiar outras consoante a imagem de portugu&ecirc;s que pretendia difundir num determinado momento temporal.</p>      <p>Decorrente dessa cont&iacute;nua oscila&ccedil;&atilde;o, Miguel Real (REAL, 2007) explora a constru&ccedil;&atilde;o da identidade nacional a partir da altern&acirc;ncia de quatro complexos culturais: o viriatino e o vieirino (associados &agrave; atua&ccedil;&atilde;o dos grandes her&oacute;is e &agrave; perpetua&ccedil;&atilde;o das suas fa&ccedil;anhas, como &eacute; o caso de Viriato e a sua luta contra os romanos ou a funda&ccedil;&atilde;o e o milagre de Ourique), o pombalino e o canibalista (inerentes &agrave; demoniza&ccedil;&atilde;o de certos acontecimentos ou figuras hist&oacute;ricas &#8211; a dinastia de Bragan&ccedil;a, a primeira Rep&uacute;blica, o per&iacute;odo do Estado Novo &#8211; e &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s como pequeno, perif&eacute;rico e dependente da civilizada Europa).</p>      <p>Esses quatro complexos acabam tamb&eacute;m por emergir da identidade pessoal de cada portugu&ecirc;s for&ccedil;ado a conviver com os mitos e gl&oacute;rias do passado, a pequenez geogr&aacute;fica do pa&iacute;s face aos restantes cong&eacute;neres europeus, a consci&ecirc;ncia de existirem em si pr&oacute;prio tempos diversos, personalidades e objetivos distintos. Tal decorre do facto de a denominada identidade pessoal corresponder a uma esp&eacute;cie de elo entre os discursos e as pr&aacute;ticas que interagem com o sujeito de forma a ele poder incluir-se num determinado mundo social. Dessa perspetiva, "As identidades ser&atilde;o, (&#8230;), constru&ccedil;&otilde;es relativamente est&aacute;veis num processo cont&iacute;nuo de actividade social" (MENDES, 2005: 490); no entanto, s&atilde;o male&aacute;veis &agrave;s fric&ccedil;&otilde;es, tens&otilde;es e flutua&ccedil;&otilde;es da conjuntura.</p>      <p>A constru&ccedil;&atilde;o da identidade processa-se numa esp&eacute;cie de di&aacute;logo plurivocal entre um eu e os outros, no qual interv&ecirc;m for&ccedil;as centr&iacute;petas e centr&iacute;fugas, numa luta cont&iacute;nua entre a vontade de se aproximar do outro e o desejo de se afastar dele para regressar ao eu, havendo um recentramento; recria-se, desse modo, uma esp&eacute;cie de universo polif&oacute;nico tal como foi apresentado por Bakhtine (BAKHTINE, 1990 e 2001).</p>      <p>Relativamente ao pol&iacute;gono evidente no conceito de identidade nacional e pessoal dos portugueses, h&aacute; ainda a perce&ccedil;&atilde;o da altern&acirc;ncia de dois grandes fulcros: o lado her&oacute;ico e o lado dominado pela passividade e aparente nulidade. Ambos perpetuados pela rememora&ccedil;&atilde;o de um passado vivido, aprendido e intu&iacute;do. Como salienta Fernando Catroga, "recordar &eacute; em si mesmo um ato de alteridade. Ningu&eacute;m se recorda exclusivamente de si mesmo, e a exig&ecirc;ncia de fidelidade, que &eacute; inerente &agrave; recorda&ccedil;&atilde;o, incita ao testemunho do outro" (CATROGA, 2001: 45). &Eacute; a hierarquiza&ccedil;&atilde;o dessas recorda&ccedil;&otilde;es na mem&oacute;ria coletiva ou pessoal a condi&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um sujeito pensante uno e coerente, apesar das muta&ccedil;&otilde;es conjunturais.</p>      <p>Para n&atilde;o ocorrer a perda da mem&oacute;ria, &eacute; necess&aacute;ria a atua&ccedil;&atilde;o dos "contadores de hist&oacute;rias", isto &eacute;, de todos os que transmitem os ensinamentos do passado &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras. Sem esses <i>aedos</i>, o ser humano perde as ra&iacute;zes, torna-se num ente &agrave; deriva em busca de respostas capazes de o elucidar sobre quem &eacute;, qual o seu destino, quais os objetivos a tra&ccedil;ar para o futuro. Essa busca incessante de um Eu que renegou o passado/a mem&oacute;ria &eacute; corporizado, na tetralogia, pela personagem Conta. De igual modo, a prima Gena viver&aacute; uma profunda crise de identidade ao ser for&ccedil;ada a optar por uma imagem de si associada aos princ&iacute;pios basilares da sociedade salazarista e outra, ainda em constru&ccedil;&atilde;o, que lhe permita integrar-se no Portugal democr&aacute;tico.</p>      <p>Constan&ccedil;a corresponde ao ser humano &aacute;vido de construir uma identidade pessoal distinta da imposta pela fam&iacute;lia; rejeita as ra&iacute;zes, nega-se a aprender com os acontecimentos do passado; para al&eacute;m disso n&atilde;o aceita pertencer a um pa&iacute;s onde os habitantes parecem estar fossilizados e presos num tempo inexistente. Ao assumir essa posi&ccedil;&atilde;o, Conta sentir-se-&aacute; durante grande parte da sua exist&ecirc;ncia como um ser sem ra&iacute;zes, sem capacidade para se integrar plenamente numa comunidade, sempre em busca de algo indefin&iacute;vel e inalcan&ccedil;&aacute;vel:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Desde que lhe viera a consci&ecirc;ncia, concebera-se como um ser extraviado e anguloso, errando por entre as geometrias previs&iacute;veis da classe a que pertencia por direito de ber&ccedil;o e a que ansiava pertencer de facto. Imagem inc&oacute;moda que a levava a procurar suportes jamais encontrados, num desequil&iacute;brio amargo entre o plano male&aacute;vel do imagin&aacute;rio e o plano r&iacute;gido da realidade (&#8230;) (BELTR&Atilde;O, 1997<sup>b</sup>: 57).</blockquote>      <p>O seu processo de crescimento e consolida&ccedil;&atilde;o de ser adulto ser&aacute; pautado pela incapacidade em fugir ou responder &agrave; pergunta "Quem &eacute;s tu?". Da&iacute;, ao relembrar-se da interven&ccedil;&atilde;o do Romeiro do <i>Frei Lu&iacute;s de Sousa</i>, ver na sua resposta uma "Frase bomb&aacute;stica que se tatuava nela como uma praga incontorn&aacute;vel." (<i>Ibidem</i>: 61)</p>      <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de qualquer indiv&iacute;duo, Constan&ccedil;a deambula pelo mundo em busca de respostas, deseja saber quem &eacute;, muito embora n&atilde;o queira, ainda, compreender s&oacute; ser poss&iacute;vel encontrar uma ao assumir a perten&ccedil;a a uma comunidade com um passado, que molda o indiv&iacute;duo, apesar de lhe permitir edificar a sua individualidade. Tal decorre do facto de, segundo Jos&eacute; Mendes, "... as identidades [serem] baseadas em significados que derivam da perten&ccedil;a a certas categorias ou a aspectos da biografia pessoal culturalmente significantes. As identidades s&atilde;o signos do valor pragm&aacute;tico do indiv&iacute;duo, variando de acordo com os contextos, podendo induzir respostas e expectativas erradas, ou levar a ambiguidades." (MENDES, 2005: 494)</p>       <p>A err&acirc;ncia da personagem terminar&aacute; ao aceitar fazerem parte do seu EU o passado e a antecipa&ccedil;&atilde;o do futuro, a tradi&ccedil;&atilde;o e a inova&ccedil;&atilde;o, as diversas faces da conjuntura circundante e a capacidade para fazer op&ccedil;&otilde;es. Esse reencontro consigo pr&oacute;pria e com a mem&oacute;ria familiar surgir-lhe-&aacute; como uma esp&eacute;cie de apari&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; o surgimento "do puro ser vivo, subitamente erguido &agrave; [sua] frente, separado de [si] enquanto precisamente [vive e pensa]" (FERREIRA, 2004: 88). Como enfatiza Verg&iacute;lio Ferreira "se a individualiza&ccedil;&atilde;o de um &#8216;eu&#8217; implica o &#8216;outro&#8217;, negando-o, a verdade &eacute; que na afirma&ccedil;&atilde;o irrecus&aacute;vel de quem somos estamos falando de algo que de certo modo nos transcende, sendo n&oacute;s e por transposi&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o por contraste) os outros." (<i>Ibidem</i>: 88)</p>      <p>Em plena democracia, quando lhe compete auxiliar a fam&iacute;lia a redescobrir-se num Portugal distinto do passado, Conta compreende a import&acirc;ncia dos erros, da reflex&atilde;o sobre modelos, da necessidade de nada rasurar: "Devagarinho, intu&iacute;a que finalmente talvez fosse encontrar o que sempre procurara, n&atilde;o de repente nem de rompante, mas numa grande espiral onde se encontrava h&aacute; muito sem o saber. Uma longa espiral que subia a n&iacute;veis cada vez mais altos." (BELTR&Atilde;O, 1997<sup>b</sup>: 98)</p>      <p>Esta personagem poder&aacute;, desta perspetiva, simbolizar os portugueses do per&iacute;odo democr&aacute;tico aos quais foram amputadas as ra&iacute;zes, foi negada a mem&oacute;ria do passado como se ela fosse improdutiva e nefasta. Por isso, t&ecirc;m dificuldade em assumir uma identidade pessoal coerente visto dela n&atilde;o fazer parte o passado, como se ignor&aacute;-lo permitisse come&ccedil;ar do zero. No entanto, como enfatizara Isabel, a m&atilde;e da personagem, "O ser humano precisa de refer&ecirc;ncias para as poder contestar." (BELTR&Atilde;O, 1997<sup>a</sup>: 240), de coordenadas para n&atilde;o se perder no multiperspetivismo e na pluralidade das op&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis.</p>      <p>Conta &eacute;, assim, mais uma portuguesa em busca de uma identidade pessoal unit&aacute;ria, &agrave; espera de uma revela&ccedil;&atilde;o ou, como diria Boaventura de Sousa Santos (SANTOS, 1994: 49-50), &agrave; espera do regresso do Encoberto para poder assumir-se enquanto Eu aut&oacute;nomo, uno e coerente. No entanto, acabar&aacute; por perceber estar a sua indefini&ccedil;&atilde;o associada &agrave; denega&ccedil;&atilde;o do passado, &agrave; vontade de rasurar s&eacute;culos de vida comunit&aacute;ria, independentemente de ela ter sido mais ou menos prof&iacute;cua. Ser&aacute; essa a grande descoberta da sua vida, o motor do reencontro consigo pr&oacute;pria, com o seu pa&iacute;s e com os afetos familiares rejeitados. A personagem escapa &agrave; bruma do mito do Encoberto e aceita ser a s&uacute;mula de v&aacute;rios fragmentos, valores, perspetivas. Ao aceitar a multiplicidade do presente e a imutabilidade do passado, a coexist&ecirc;ncia da tradi&ccedil;&atilde;o e da inova&ccedil;&atilde;o, da import&acirc;ncia da manuten&ccedil;&atilde;o de uma mem&oacute;ria social continuamente transmitida pelas contadoras de hist&oacute;rias, as av&oacute;s, Conta deixa de ser perseguida pela resposta do Romeiro do <i>Frei Lu&iacute;s de Sousa</i>. &Agrave; pergunta "Quem &eacute;s tu?", ela sabe agora responder com as diversas e inarm&oacute;nicas camadas da sua densa identidade pessoal e social.</p>      <p>Sendo um termo amb&iacute;guo e complexo, a no&ccedil;&atilde;o de identidade implica a aceita&ccedil;&atilde;o das dicotomias a ela subjacentes, tal como s&atilde;o enfatizadas por Gaulejac (GAULEJAC, 2009: 59): similitude/diferen&ccedil;a, singularidade/alteridade, individual/coletivo, unidade/distin&ccedil;&atilde;o, objetividade/ subjetividade. Nesse contexto, o sujeito s&oacute; pode definir-se a partir da inven&ccedil;&atilde;o de um Eu assente no conhecimento daquilo que ele pr&oacute;prio &eacute; (<i>idem</i>: 60). Tal como Conta compreender&aacute; no final da sua busca, o homem s&oacute; se torna livre ao aceitar quem &eacute;, reconstruindo-se a partir das viv&ecirc;ncias pr&eacute;vias, e n&atilde;o ao tentar negar o passado e a mem&oacute;ria (<i>idem</i>: 195).</p>      <p>Quer ela quer a prima Gena ser&atilde;o for&ccedil;adas a edificar/remodelar a identidade pessoal em fun&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia de que o passado (caracterizado pela seguran&ccedil;a, equil&iacute;brio, no&ccedil;&atilde;o de perten&ccedil;a a uma comunidade repleta de her&oacute;is) desapareceu para dar lugar, no final do s&eacute;culo XX, &agrave; aus&ecirc;ncia de mem&oacute;ria e &agrave; perda de referentes, cerceadoras da completa elabora&ccedil;&atilde;o de uma identidade apreendida como consistente e perpetu&aacute;vel (SANTOS, 2011 e REAL, 2012). No fundo, ambas surgem inseridas na contemporaneidade, definida por Gaulejac como a era da "hipermodernidade", dominada por uma sociedade cada vez mais l&iacute;quida, dado as metanarrativas estarem em crise. Desse modo, o sujeito "hipermoderno" &eacute; for&ccedil;ado a lutar contra o desencanto e a desilus&atilde;o atrav&eacute;s de um extenso processo de bricolage de valores e pr&aacute;ticas sociais (GAULEJAC, 2009: 15-16).</p>      <p>Gena foi educada em conformidade com o modelo de mulher em vigor desde o s&eacute;culo XIX: deveria utilizar a sua beleza para concretizar o objetivo de vida de qualquer mulher portuguesa &#8211; o casamento &#8211;, n&atilde;o manifestar qualquer tipo de aptid&atilde;o intelectual e dedicar-se &agrave; fam&iacute;lia. Tendo interiorizado esses itens como linhas centrais da sua identidade pessoal, a personagem entrar&aacute; em depress&atilde;o, em plena democracia, ao ver o seu papel de m&atilde;e e esposa questionado bem como a organiza&ccedil;&atilde;o social em que se inseria.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Durante algum tempo, Gena cindir-se-&aacute; em duas faces antag&oacute;nicas e inconcili&aacute;veis, impeditivas da reformula&ccedil;&atilde;o da identidade pessoal da personagem. Cr&ecirc; s&oacute; poder inserir-se na nova estrutura social se rasurar o passado, encarar como inv&aacute;lidos todos os princ&iacute;pios inerentes &agrave; sua forma&ccedil;&atilde;o enquanto indiv&iacute;duo. Quando compreende n&atilde;o ser necess&aacute;rio abdicar do passado e de quem foi, precisar apenas de reajustar, reformular, (re)hierarquizar os valores do passado com os do presente, a personagem reencontra-se e, juntamente com o marido, optar&aacute; por adaptar-se aos tempos modernos, fazendo concess&otilde;es, mas sem negar ou esquecer o passado. Por isso, transmitem aos filhos valores, princ&iacute;pios e formas de estar aparentemente anacr&oacute;nicas, mas que lhes possibilitar&atilde;o nunca se perder no emaranhado das imensas possibilidades trazidas pela democracia.</p>      <blockquote>&#8211; A Gena &eacute; muito boazinha. (...). &Eacute; importante que ela exista tal como &eacute;. Coerente, est&eacute;tica, virtuosa. (...)    <br> &#8211; (...) &Eacute; uma virtude ing&eacute;nua, herdada. Conserva aquilo que foi posto em causa e que talvez volte com outras embalagens. Simp&aacute;tica, bem-intencionada, esfor&ccedil;a-se por transmitir aos filhos o que recebeu, sem mudan&ccedil;as mas tamb&eacute;m sem distor&ccedil;&otilde;es.    <br> &#8211; E acha que os filhos v&atilde;o conseguir viver com essas refer&ecirc;ncias anacr&oacute;nicas?    <br> &#8211; Olhe, Madalena, se quer que lhe diga sou capaz de achar que sim, embora n&atilde;o tenha a certeza. (BELTR&Atilde;O, 1997<sup>b</sup>: 261)</blockquote>      <p>Consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da mem&oacute;ria como elo de liga&ccedil;&atilde;o na imensa cadeia temporal, como raiz da constru&ccedil;&atilde;o da identidade t&ecirc;m outras personagens da tetralogia: o conde de Aguim (com uma exist&ecirc;ncia confinada ao s&eacute;culo XIX) e a tia Elisinha (uma senhora de 100 anos, cuja vida iniciou na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX e se prolongou at&eacute; ao per&iacute;odo democr&aacute;tico).</p>      <p>O primeiro &eacute; um pol&iacute;tico incorrupt&iacute;vel, verdadeiramente interessado no progresso do pa&iacute;s. Valoriza os ensinamentos do passado dado apreender a hist&oacute;ria n&atilde;o como a sucess&atilde;o de acontecimentos irrepet&iacute;veis, mas como a ocorr&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es equivalentes, muito embora adaptadas &agrave;s novas conjunturas. Segundo ele, a humanidade andaria em c&iacute;rculos viciosos gerados pela sua incapacidade em aprender com os erros do passado, raz&atilde;o pela qual os volta a repetir, muito embora em novos contextos e com outras propor&ccedil;&otilde;es. Por isso mesmo, assume gostar de ouvir as vozes dos grandes pensadores da antiguidade visto eles serem um &oacute;timo instrumento pedag&oacute;gico para compreender o presente.</p>      <blockquote>(...) gosto tanto dos cl&aacute;ssicos. Hor&aacute;cio, Ov&iacute;dio, S&eacute;neca. Eles ensinam-nos a relatividade das coisas. H&aacute; quase dois mil anos viviam e pensavam com as mesmas inten&ccedil;&otilde;es, os mesmos conflitos, os mesmos desejos que n&oacute;s continuamos a ter, embora pensemos que somos &uacute;nicos e diferentes. Ensinam-nos que aquilo que nos acontece n&atilde;o &eacute; uma ilha isolada no oceano. As notas s&atilde;o sempre as mesmas, a melodia &eacute; que muda. Os s&aacute;bios antigos ensinam-nos a n&atilde;o cair na tenta&ccedil;&atilde;o do absoluto. (BELTR&Atilde;O, 2004: 109)</blockquote>      <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de Giambattista Vico (VICO, 1963 e 1977), o conde encara o devir humano como uma imensa teia de viv&ecirc;ncias e reviv&ecirc;ncias, de fluxo e refluxo, de renascimento cont&iacute;nuo, muito embora os acontecimentos nunca sejam c&oacute;pias uns dos outros, visto n&atilde;o serem equivalentes. Para ele, o futuro s&oacute; pode ser edificado a partir de alicerces est&aacute;veis e fortes e esses est&atilde;o associados ao passado e &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o: "acho que a tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial, &eacute; ela que nos d&aacute; a lucidez necess&aacute;ria para construir o progresso. Repare que s&oacute; com ra&iacute;zes fortes uma &aacute;rvore pode crescer. O passado e o futuro." (BELTR&Atilde;O, 2004: 108) Tal como a &aacute;rvore, a sociedade e o homem constroem a sua identidade a partir de uma base que os alimenta &#8211; o passado, as ra&iacute;zes &#8211;, se ela se deteriorar ou for amputada, tal como a &aacute;rvore, fica d&eacute;bil, seca e morre, n&atilde;o havendo constru&ccedil;&atilde;o nem de um presente nem de um futuro.</p>      <p>O conde de Aguim &eacute;, assim, defensor da coabita&ccedil;&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o e da inova&ccedil;&atilde;o, das mem&oacute;rias do passado imprescind&iacute;veis &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de uma identidade social e pessoal coerente e una, muito embora sujeitas a flutua&ccedil;&otilde;es epocais. Dominado pela sabedoria dos antigos, a personagem sabe n&atilde;o valer a pena come&ccedil;ar do in&iacute;cio, salvo se houvesse crit&eacute;rios claros e bem definidos; contudo, essa possibilidade n&atilde;o &eacute; vi&aacute;vel visto a sociedade funcionar a partir da manuten&ccedil;&atilde;o, rejei&ccedil;&atilde;o ou adapta&ccedil;&atilde;o de valores e princ&iacute;pios de &eacute;pocas anteriores. Decorrente dessa postura, toda a sua atividade pol&iacute;tica &eacute; balizada pela vontade de inovar sem destruir abruptamente a tradi&ccedil;&atilde;o, contribuir para o progresso do pa&iacute;s sem o fazer perder a sua identidade, corrigir os erros de forma a n&atilde;o voltar a comet&ecirc;-los, quebrando, assim, o ciclo vicioso em que a hist&oacute;ria nacional se tornou.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; a tia Elisinha representa a voz dos negligenciados, dos silenciados pela hist&oacute;ria. Ao nascer nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX, v&ecirc; toda a sua vida norteada pelos preconceitos associados ao g&eacute;nero a que pertence. Por isso, foi uma "mulher de segunda" porque nunca casou, n&atilde;o concluiu a instru&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, n&atilde;o p&ocirc;de brilhar atrav&eacute;s de um marido. Durante parte da diegese, a personagem desempenha um papel secund&aacute;rio e, por vezes, quase irrelevante, para, com a instaura&ccedil;&atilde;o da democracia, ver o seu papel social significativamente alterado.</p>      <p>Dado ter uma mem&oacute;ria prodigiosa, gostar de contar as hist&oacute;rias da vida dos outros (visto a sua ser mon&oacute;tona e insignificante), conseguir concatenar as viv&ecirc;ncias privadas com as p&uacute;blicas, a tia Elisinha desempenhar&aacute; o papel das contadoras de hist&oacute;rias, dos <i>aedos</i>. As suas hist&oacute;rias "ligavam os novos aos velhos" (<i>idem</i>: 102), muito embora, o fio condutor parecesse estar partido visto ningu&eacute;m a querer ouvir.</p>      <p>Todavia, com a perda de refer&ecirc;ncias t&iacute;picas do per&iacute;odo democr&aacute;tico, com a urg&ecirc;ncia em redefinir identidades e fun&ccedil;&otilde;es sociais, a nova gera&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia Teixeira recorre &agrave; tia Elisinha, ela &eacute; a mem&oacute;ria, s&oacute; ela lhes permitir&aacute; descobrir/redescobrir a linha aparentemente ininterrupta entre passado e futuro. Como enfatiza o neto Francisco: "O presente &eacute; apenas um ponto numa longa linha que vem de tr&aacute;s e se continua." (<i>Idem</i>: 260)</p>      <p>Apesar da sua aparente falta de instru&ccedil;&atilde;o, a tia Elisinha &eacute; detentora duma capacidade extraordin&aacute;ria para captar o mundo e as suas transforma&ccedil;&otilde;es sociais sem as julgar. O seu ecletismo mental decorre n&atilde;o s&oacute; da sua longa exist&ecirc;ncia (um s&eacute;culo), mas tamb&eacute;m de n&atilde;o ter esquecido todas as muta&ccedil;&otilde;es, todos os percursos efetuados pelos diversos membros da fam&iacute;lia Teixeira e ter desenvolvido a consci&ecirc;ncia de n&atilde;o haver mundos melhores e piores, cada um deve inserir-se na conjuntura que o rodeia, muito embora mantendo vivo os ensinamentos do passado.</p>      <p>Em virtude de n&atilde;o denegarem o passado, o conde de Aguim e a tia Elisinha n&atilde;o t&ecirc;m problemas de identidade. Adequaram-se &agrave;s expectativas epocais, desempenharam os pap&eacute;is que lhes foram atribu&iacute;dos e souberam evoluir porque n&atilde;o esqueceram, optaram por manter viva a mem&oacute;ria das &eacute;pocas passadas sem nunca ficarem prisioneiros delas.</p>      <p>No fundo, a generalidade das personagens constatar&aacute; por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria ou mediada a import&acirc;ncia da manuten&ccedil;&atilde;o de elementos conservadores, de n&atilde;o rasurar o passado (tenha ele sido her&oacute;ico ou doloroso), de encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o de compromisso entre o passado e o presente dado este &uacute;ltimo ser movido pela necessidade de transformar o primeiro. Desse modo, a tradi&ccedil;&atilde;o, a mem&oacute;ria, o passado s&atilde;o os motores da inova&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Ao longo da extensa diegese, a generalidade das personagens aprende a valorizar a mem&oacute;ria e a identidade como alicerces da constru&ccedil;&atilde;o do sujeito pensante, assim como a desvalorizar uma vis&atilde;o manique&iacute;sta do mundo (os bons e os maus, a sociedade tradicional <i>versus</i> a moderna, a tradi&ccedil;&atilde;o <i>versus</i> inova&ccedil;&atilde;o). Tal como a tia Elisinha, aprendem a relativizar o presente e o passado, dado em cada &eacute;poca poderem coexistir os quatro complexos apresentados por Miguel Real, muitas vezes, no interior de uma mesma sociedade ou indiv&iacute;duo. Assim, constatam n&atilde;o poder assumir apenas os lados positivos de um passado recente (associado &agrave; ditadura salazarista com a apologia dos her&oacute;is do passado) e os negativos do presente (o Portugal democr&aacute;tico pautado pela perda de mem&oacute;ria e pelas inova&ccedil;&otilde;es cont&iacute;nuas); urge relembrar a estagna&ccedil;&atilde;o e apatia da sociedade em plena ditadura e a r&aacute;pida adapta&ccedil;&atilde;o de uma sociedade atrasada &agrave;s exig&ecirc;ncias de uma Europa desenvolvida.</p>      <p>Como referiu Nietzsche em <i>A Gaia Ci&ecirc;ncia</i> (NIETZSCHE, 1998: 17), &eacute; imprescind&iacute;vel "o regresso da charrua do mal" para haver evolu&ccedil;&atilde;o; no entanto, ela s&oacute; ocorre se o homem tiver consci&ecirc;ncia de ser autor e ator de uma determinada sociedade, de ser o resultado de uma hist&oacute;ria que o antecede e precede. Como real&ccedil;a Gaulejac: "Vouloir &ecirc;tre sujet, c&#8217;est avant tout comprendre en quoi il est originairement assujetti." (GAULEJAC, 2009: 26)</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>I &#8211; Ativa:</b></p>      <p>1. Textos da autora:</p>      <!-- ref --><p>BELTR&Atilde;O, Lu&iacute;sa (2004), <i>Os Pioneiros Uma Hist&oacute;ria Privada</i>, 7.&ordf; ed., Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0807-8967201400020001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---(2000), <i>Os Impetuosos Uma Hist&oacute;ria Privada</i>, 5.&ordf; ed., Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S0807-8967201400020001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---(1997a), <i>Os Bem-Aventurados Uma Hist&oacute;ria Privada</i>, 3.&ordf; ed., Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S0807-8967201400020001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---(1997b), <i>Os Mal-Amados Uma Hist&oacute;ria Privada</i>, 2.&ordf; ed., Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0807-8967201400020001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2. Artigos e entrevistas da autora:</p>      <!-- ref --><p>BELTR&Atilde;O, Lu&iacute;sa (2003), "Enredos privados na teia da hist&oacute;ria" in FERREIRA, Maria Lu&iacute;sa Ribeiro (org.), <i>As teias que as mulheres tecem</i>, Lisboa: Colibri, pp. 135-147.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0807-8967201400020001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>(s/d), Entrevista a Lu&iacute;sa Beltr&atilde;o in <a href="http://www.mulherportuguesa.com/sociedade/entrevistas/1863" target="_blank">http://www.mulherportuguesa.com/sociedade/entrevistas/1863</a> (Consultado em 14/12/2009)</p>      <p><b>II &#8211; Passiva:</b></p>      <p>1. Geral:</p>      <p>BAKHTINE, Mikha&iuml;l (1990), <i>The Dialogic Imagination, Four Essays</i> (trad. Caryl Emerson e Michael Holquist), 7.&ordf; ed., Austin: University of Texas Press.</p>      <p>---(2001), <i>Esth&eacute;tique et th&eacute;orie du roman</i>, (trad. de Daria Olivier), Paris: Gallimard.</p>      <p>BERGER, Peter e LUCKMANN, Thomas (1985), <i>The Social Construction of reality</i>, Middlesex, England: Penguin Books.</p>      <p>CATROGA, Fernando (2001), "Mem&oacute;ria e Hist&oacute;ria" in PESAVENTO, Sandra Jatahy (org.), <i>Fronteiras do Mil&ecirc;nio,</i> Porto Alegre, RS: UFRGS, pp. 43-69.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DELEUZE, Gilles e GUATTARI, F&eacute;lix (1980), <i>Mille plateaux: capitalisme et schizophr&eacute;nie</i>, Paris: Les &Eacute;ditions de Minuit.</p>      <p>FERREIRA, Verg&iacute;lio (2004), "Existencialismo" in SARTRE, Jean-Paul, <i>O Existencialismo &eacute; um humanismo</i> (trad. Verg&iacute;lio Ferreira), Lisboa: Bertrand.</p>      <!-- ref --><p>GAULEJAC, Vincent (2009), Qui est &laquo;je&raquo;?, Paris: &Eacute;ditions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S0807-8967201400020001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>GIL, Fernando (2003), <i>A convic&ccedil;&atilde;o</i>, (trad. Adelino Cardoso e Marta Lan&ccedil;a, rev. da trad. Fernando Gil), Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0807-8967201400020001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>HOBSBAWM, Eric e RANGER, Terence (ed.), 1992, <i>The Invention of Tradition</i>, Cambridge: Cambridge University Press, Canto Edition.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0807-8967201400020001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MENDES, Jos&eacute; Manuel Oliveira (2005), "O desafio das identidades" in SANTOS, Boaventura de Sousa (org.), <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o: Fatalidade ou Utopia?</i>, 3.&ordf; ed., Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, pp. 489 &#8211; 523.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0807-8967201400020001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>NIETZSCHE, Friedrich (1998), <i>A Gaia Ci&ecirc;ncia</i> (trad. Maria Helena Carvalho, Maria Leopoldina Almeida, Maria Casquinho; pref. Ant&oacute;nio Marques), Lisboa: Rel&oacute;gio d&#8217;&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0807-8967201400020001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>REAL, Miguel (2007), <i>A Morte de Portugal</i>, 1.&ordf; ed., Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0807-8967201400020001400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>VICO, Giambattista (1963), <i>Philosophie de l&#8217;histoire</i> (trad. Jules Michelet), Paris: Librairie Armand Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0807-8967201400020001400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>---(1977), <i>La Scienzia Nuova</i> (intr. Paolo Rossi), 2.&ordf; ed. Milano: Rizzoli Editore.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0807-8967201400020001400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>SANTOS, Boaventura de Sousa (1994), <i>Pela M&atilde;o de Alice: O Social e o Pol&iacute;tico na P&oacute;s-Modernidade</i>, 5.&ordf; ed., Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0807-8967201400020001400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>---(2011), <i>Portugal Ensaio Contra a Autoflagela&ccedil;&atilde;o</i>, Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0807-8967201400020001400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>[Submetido em 15 de junho de 2014 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 15 de julho de 2014]</p>       ]]></body><back>
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