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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tematização linguística e arte narrativa em Luuanda]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The publication of Luuanda (1964) by Luandino Vieira establishes a key moment in Angolan literary writing, incorporating various experimental trends in the treatment of language and narrative art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER 50 ANOS DE <i>LUUANDA</i></b></p>     <p><b>Tematiza&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica e arte narrativa em Luuanda</b></p>      <p><b>Language thematization and the narrative art in Luuanda</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ana Mafalda Leite*</b></p>      <p>*Professora Associada da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Investigadora do CesA (UL). Publicou sete antologias de ensaios cr&iacute;ticos, oito livros de poesia e editou recente- mente os dois volumes que re&uacute;nem o produto do &uacute;ltimo projeto de investiga&ccedil;&atilde;o que coordenou: Na&ccedil;&atilde;o e Narrativa P&oacute;s-colonial (Entrevistas a escritores angolanos e mo&ccedil;ambicanos) e Na&ccedil;&atilde;o e Narrativa P&oacute;s-colonial (Ensaios), ambos de 2012.</p>      <p><a href="mailto:anamafaldaleite@gmail.com">anamafaldaleite@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Luandino Vieira marca, com a publica&ccedil;&atilde;o de Luuanda (1964), um momento fundamental na escrita liter&aacute;ria angolana que retoma v&aacute;rios dos trilhos experimentais no tratamento da l&iacute;ngua e da arte narrativa angolana.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras chave</b>: literatura angolana, l&iacute;ngua, arte narrativa, est&oacute;ria.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>The publication of Luuanda (1964) by Luandino Vieira establishes a key moment in Angolan literary writing, incorporating various experimental trends in the treatment of language and narrative art.</p>      <p><b>Keywords</b>: Angolan literature, language, fictional writing, tale.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p>A fic&ccedil;&atilde;o angolana destaca-se das experi&ecirc;ncias ficcionais dos outros pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa pela variedade de propostas lingu&iacute;sticas utilizadas. A emerg&ecirc;ncia de um escritor como Luandino Vieira motivou um grau de experimentalismo lingu&iacute;stico que se vem a detetar anos mais tarde, com variantes diversas, em outros escritores, como &eacute; o caso de Manuel Rui ou de, um dos mais recentes, Ondjaki.</p>      <p>A l&iacute;ngua torna-se, al&eacute;m de uma estrat&eacute;gia verbal, ela pr&oacute;pria &#8216;tema&#8217;, uma vez que nela come&ccedil;a o trabalho ficcional, a capta&ccedil;&atilde;o r&iacute;tmico-cultural da angolanidade. Sujeita a maior ou menor grau de criatividade, a l&iacute;ngua portuguesa procura encontrar a sua identidade angolana, nomeadamente e em especial na &aacute;rea urbana luandense, cujo grau de acultura&ccedil;&atilde;o tem uma ascend&ecirc;ncia e tradi&ccedil;&atilde;o que se prolongam retrospetivamente pelo menos at&eacute; ao s&eacute;culo dezanove. A prolifera&ccedil;&atilde;o de uma escrita ambaquista<sup><a href="#1" name="top1">&#091;1&#093;</a></sup> &eacute; um exemplo que vir&aacute; a ser retomado na fic&ccedil;&atilde;o de Luandino Vieira.</p>      <p>A aventura lingu&iacute;stica come&ccedil;ou com os prim&oacute;rdios da literatura angolana. Joaquim Dias Cordeiro da Matta que publicou entre muitos trabalhos sobre a sua l&iacute;ngua-m&atilde;e, uma <i>Cartilha Racional para se Aprender a ler o Kimbundu Escrito Segundo a Cartilha Maternal do Dr. Jo&atilde;o de Deus</i> (1892), ao escrever a sua poesia em registo duplo, colocando paralelamente o kimbundu ao lado do portugu&ecirc;s, iniciou um processo de cria&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica, cuja heran&ccedil;a vir&aacute; a tornar-se no futuro suscet&iacute;vel de tratamento diversificado.</p>      <p>Com efeito, Luandino Vieira marca, com a publica&ccedil;&atilde;o de <i>Luuanda</i> (1964), um momento fundamental na escrita liter&aacute;ria angolana que retoma v&aacute;rios dos trilhos experimentais no tratamento da l&iacute;ngua, iniciados anos antes. Foi-lhe atribu&iacute;do o Grande Pr&eacute;mio de Novel&iacute;stica da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1965, motivo que levou ao encerramento daquela institui&ccedil;&atilde;o pela pol&iacute;cia pol&iacute;tica portuguesa (<i>vd</i>. Ferreira, 1980).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos membros do j&uacute;ri, Alexandre Pinheiro Torres recenseou criticamente a obra nos seguintes termos:</p>      <blockquote>    <p>Tr&ecirc;s hist&oacute;rias que s&atilde;o &#8211; t&atilde;o-somente no meu modesto ju&iacute;zo que n&atilde;o pretendem sobrepor-se aos dos mais competentes e ao do tempo &#8211; tr&ecirc;s obras-primas do nosso conto contempor&acirc;neo, e a enorme e imprevista revela&ccedil;&atilde;o de um escritor de sensibilidade excepcional e de not&aacute;vel capacidade de cria&ccedil;&atilde;o de um estilo: o estilo que resulta da sapiente fus&atilde;o de regionalismos e latinismos (da mesma forma que Guimar&atilde;es Rosa), o estilo que deriva da mesma linguagem onde as tropelias fon&eacute;ticas, sint&aacute;cticas e sem&acirc;nticas sofridas pelo portugu&ecirc;s em contacto com os linguajares tradicionais aut&oacute;ctones s&atilde;o apropriados de maneira superior para a obten&ccedil;&atilde;o de uma escrita que, durante a leitura, me foi quase sempre, motivo de admirada e deleitada surpresa. (Torres, 1965)</p></blockquote>      <p>Antes desta obra, que marca uma rutura na sua escrita, Luandino Vieira j&aacute; tinha escrito <i>A Cidade e a Inf&acirc;ncia</i> (1957), seguindo-se <i>A Vida Verdadeira de Domingos Xavier</i> (1961) e <i>Vidas Novas</i> (1968). Publica depois a partir de 1974 <i>Velhas Est&oacute;rias, No Antigamente, na Vida</i>, e <i>N&oacute;s, os do Makulusu</i>. Seguem-se <i>Macandumba</i> (1978), <i>Jo&atilde;o V&ecirc;ncio: os Seus Amores</i> (1979), <i>Lourentinho Dona Antonia de Sousa Neto &amp; Eu</i> (1981). Ap&oacute;s uma longa pausa na escrita, publicou recentemente <i>De Livros Velhos e Guerrilheiros, O Livro dos Rios e o Livro dos Guerrilheiros</i> (2006), al&eacute;m de v&aacute;rios livros infantis.</p>      <p>Luandino Vieira desenvolveu na sua cria&ccedil;&atilde;o tradi&ccedil;&otilde;es j&aacute; iniciadas anteriormente na literatura angolana: a cr&iacute;tica social, a atitude expressamente anticolonialista, a ironia par&oacute;dica. Retoma de forma indireta a heran&ccedil;a de ficcionistas como Alfredo Troni, Ant&oacute;nio de Assis J&uacute;nior e Castro Soromenho, uma vez que recupera a tradi&ccedil;&atilde;o da narra&ccedil;&atilde;o oral, a cr&iacute;tica de costumes, a dimens&atilde;o simb&oacute;lica alusiva. Introduz nos textos repeti&ccedil;&otilde;es e redund&acirc;ncias discursivas intercalares, aberturas e fechos da narrativa caracter&iacute;sticos da tradi&ccedil;&atilde;o oral. Utiliza ainda t&eacute;cnicas expressivas que lhe adv&ecirc;m da utiliza&ccedil;&atilde;o do kimbundu, l&iacute;ngua que acentua e permite a animiza&ccedil;&atilde;o de conceitos mais abstratos, e uma dimens&atilde;o m&aacute;gico-espiritual mais ampla.</p>      <p>Por outro lado, Luandino recorre a uma moderniza&ccedil;&atilde;o da linguagem ficcional atrav&eacute;s do aproveitamento do discurso indireto, do mon&oacute;logo interior, do fluxo de consci&ecirc;ncia, da intertextualidade lexical e mudan&ccedil;a constante de planos e perspetivas, e ainda pelo recurso a t&eacute;cnicas narrativas pr&oacute;prias da linguagem cinematogr&aacute;fica como a composi&ccedil;&atilde;o, recomposi&ccedil;&atilde;o e montagens. Com efeito, no livro de contos <i>Luuanda</i> observa-se essa sinuosidade da t&eacute;cnica narrativa, que &#8216;naturaliza&#8217; a oralidade, recompondo-a, recortando-a, recombinando-a, revelando-se assim uma atitude reflexiva sobre o pr&oacute;prio processo estruturador da est&oacute;ria.</p>      <p>Simultaneamente ficcional e meta-ficcional, o texto recolhe a tradi&ccedil;&atilde;o oral, modernizando-a, e assume a impossibilidade de acesso a uma verdade, ao considerar haver m&uacute;ltiplas verdades e no seu reverso, outras tantas mentiras. Ambiguidades que a vida e seus "casos" demonstram e que encontram um lugar mais que perfeito na literatura. &Eacute; isto exatamente o que se l&ecirc; na "Est&oacute;ria do ladr&atilde;o e do papagaio", inclu&iacute;da em <i>Luuanda</i>:</p>      <blockquote>    <p>Pode mesmo a gente saber, com a certeza, como &eacute; um caso come&ccedil;ou, aonde come&ccedil;ou, porqu&ecirc;, praqu&ecirc;, quem? saber mesmo o que estava se passar no cora&ccedil;&atilde;o da pessoa que faz, que procura, desfaz ou estraga as conversas, as macas? Ou tudo o que na vida n&atilde;o pode-se-lhe agarrar no princ&iacute;pio, quando chega nesse princ&iacute;pio v&ecirc; afinal esse mesmo princ&iacute;pio era tamb&eacute;m um fim doutro princ&iacute;pio e ent&atilde;o, se a gente segue assim, para atr&aacute;s ou para a frente, v&ecirc; que n&atilde;o se pode partir o fio da vida, mesmo que est&aacute; podre nalgum lado, ele sempre se emenda noutro s&iacute;tio, cresce, desvia, foge, avan&ccedil;a, curva, p&aacute;ra, esconde, aparece...E digo isto, tenho minha raz&atilde;o. As pessoas falam, as gentes que est&atilde;o nas conversas, que sofrem os casos e as macas contam, e logo ali, ali mesmo, nessa hora em que passa qualquer confus&atilde;o, cada qual fala a sua verdade e se continuam falar e discutir, a verdade come&ccedil;a a dar fruta, no fim &eacute; mesmo uma quinda de verdade e uma quinda de mentiras, que a mentira &eacute; j&aacute; uma hora da verdade ou o contr&aacute;rio mesmo. (Vieira, 1964: 82).</p></blockquote>      <p>Salvato Trigo (1980) observou justamente que a "voz-do-povo": <i>Misoso ietu, kidi; muenhu uetu, makutu</i> &#8211; &eacute; o melhor ju&iacute;zo valorativo levantado na generalidade por todas as obras de Jos&eacute; Luandino Vieira.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Integrar os <i>missoso</i> tradicionais na narrativa moderna, como o faz Luandino, corresponder&aacute; n&atilde;o s&oacute; a revificar e perenizar o pr&oacute;prio objeto liter&aacute;rio, atualizando as suas origens culturais, mas tamb&eacute;m a torn&aacute;-lo mais circulante, e portanto mais sens&iacute;vel aos narrat&aacute;rios africanos, na medida em que consegue mimetizar a forma gri&oacute;tica de narra&ccedil;&atilde;o. Os narradores em Luandino, t&ecirc;m, pois, sempre em vista o narrat&aacute;rio, como acontece na po&eacute;tica popular. Esta foi descrita e classificada pelo mission&aacute;rio sui&ccedil;o Heli Chatelain em <i>Folk-tales of Angola</i> (1894) e considera a exist&ecirc;ncia de diferentes narrativas orais, as f&aacute;bulas (com animais) designadas em kimbundu por <i>mi-soso</i> e as hist&oacute;rias verdadeiras com fim instrutivo, designadas por <i>maka</i>. As narrativas hist&oacute;ricas s&atilde;o chamadas <i>ma-lunda.</i> Os prov&eacute;rbios, <i>ji-sabu</i>, est&atilde;o ligados de perto &agrave;s <i>makas</i>, assim como as adivinhas <i>ji-ngongo</i> (<i>vd</i>. Chatelain, 1960).</p>      <p>A este prop&oacute;sito, Phyllis Reisman chama a aten&ccedil;&atilde;o num artigo sobre Luandino para o uso do termo designativo do g&eacute;nero <i>est&oacute;ria</i>, que considera estar baseado na incorpora&ccedil;&atilde;o das estruturas da narrativa oral (Reisman, 1987: 73). A autora refere ainda que Tamara Bender na sua tradu&ccedil;&atilde;o inglesa de <i>Luuanda</i> (1980) sublinha tamb&eacute;m esta quest&atilde;o:</p>      <blockquote>    <p>He &#091;Luandino&#093; used the Portuguese termo &#8216;est&oacute;rias&#8217; (&#8216;tales&#8217;) instead of the more traditional Portuguese term &#8216;hist&oacute;rias&#8217;(&#8216;stories&#8217;) because he believed est&oacute;ria more correctly translated the kimbundu word "musoso", defined as a moral story or allegory, fable, narrative or tale.</p>      <p>(Bender, 1980)</p></blockquote>      <p>A &#8216;est&oacute;ria&#8217; &eacute; assim um g&eacute;nero caracter&iacute;stico, que parece ser uma s&aacute;bia reinven&ccedil;&atilde;o da <i>maka</i> e do <i>missoso</i>, mantendo a sua heran&ccedil;a de narrativa oralizante e procedimentos estil&iacute;sticos e ret&oacute;ricos que a tornam recet&aacute;culo de heran&ccedil;a do cancioneiro oral angolano. Por outro lado, as manipula&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas resultam tamb&eacute;m dessa necess&aacute;ria adequa&ccedil;&atilde;o entre os ritmos de relato que travejam a representa&ccedil;&atilde;o escrita da narra&ccedil;&atilde;o oral.</p>      <p>Se o processo reflexivo da narrativa de Luandino Vieira come&ccedil;a na l&iacute;ngua, atrav&eacute;s da sua tematiza&ccedil;&atilde;o, ela estende-se ao g&eacute;nero, pelo experimentalismo. Pode-se confirmar que a &#8216;est&oacute;ria&#8217; &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o que Luandino &#8211; enquanto griot urbano &#8211; escolhe para as suas narrativas e que a obra <i>Luuanda</i> t&atilde;o significativamente emblematiza.</p>      <p>Esta forma h&iacute;brida sustenta os v&aacute;rios cruzamentos de g&eacute;nero que se encontram na obra de Luandino. Sobre este tema, Carlos Ervedosa (1979) refere que, de forma mais ou menos indireta, se encontram na narrativa oral as matrizes de uma literatura angolana que, a partir da segunda metade do s&eacute;culo XX, e em especial com Luandino, foi ve&iacute;culo de um trabalho de subvers&atilde;o da hegemonia do discurso liter&aacute;rio europeu metropolitano, aliando a consci&ecirc;ncia de uma identidade cultural &agrave; ideia de nacionalidade e da liberta&ccedil;&atilde;o nacional.</p>      <p>As tr&ecirc;s est&oacute;rias de Luandino em <i>Luuanda</i> retomam essa heran&ccedil;a, em situa&ccedil;&atilde;o de sincretismo, reinventando os elementos do imagin&aacute;rio coletivo e do mitol&oacute;gico. E este sincretismo da voz e da letra constitui tal, como tem sido apontado pela cr&iacute;tica, um dos aspetos da originalidade da sua escrita (Mata, 1992: 52 seg.). Tal sincretismo, com suas formas espec&iacute;ficas, parece configurar, efetivamente, uma das dimens&otilde;es da angolanidade liter&aacute;ria, que se define pela conflu&ecirc;ncia de g&eacute;neros e pela modaliza&ccedil;&atilde;o de formas. Por sua vez, a l&iacute;ngua &eacute; mediatizada por uma forma concreta, a <i>est&oacute;ria</i>, tornando-se elemento indissoci&aacute;vel no processo de reatualizar o g&eacute;nero liter&aacute;rio. &Eacute; pois assumindo-se como est&oacute;ria que se faz a narrativiza&ccedil;&atilde;o do real quotidiano, &agrave; maneira dos contadores de &#8216;est&oacute;rias&#8217;, iniciando Luandino Vieira esta arte com uma obra singela de tr&ecirc;s narrativas, que misturam elementos fabulares &agrave; cr&iacute;tica social.</p>      <p>A insist&ecirc;ncia na tematiza&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica &eacute; evid&ecirc;ncia da import&acirc;ncia das metamorfoses formais no desenvolvimento da fic&ccedil;&atilde;o angolana. Luandino Vieira iniciou esse processo com as suas narrativas, e <i>Luuanda</i>, pela sua originalidade, pelo impacto medi&aacute;tico e hist&oacute;rico, torna-se sem d&uacute;vida uma obra exemplarmente emblem&aacute;tica neste dom&iacute;nio. Modelo experimental de ritmos e de formas de narrar as est&oacute;rias, <i>Luuanda</i> &eacute; um exerc&iacute;cio reflexivo sobre a l&iacute;ngua e sobre as formas de a narrar, obra que de certo modo est&aacute; na funda&ccedil;&atilde;o do diverso desenvolvimento da moderna fic&ccedil;&atilde;o angolana.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <p>Bender, Tamara (1980), &#091;coment&aacute;rio &agrave; sua tradu&ccedil;&atilde;o de&#093; Luandino Vieira, <i>Luuanda</i>, London: Heinemann.</p>      <!-- ref --><p>Chatelain, Heli (1960), <i>Contos Populares de Angola</i>. Lisboa: Ag&ecirc;ncia-Geral do Ultramar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000046&pid=S0807-8967201400030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ervedosa, Carlos (1979), <i>Roteiro da Literatura Angolana</i>. Luanda: UEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000048&pid=S0807-8967201400030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ferreira, Manuel (1980), "<i>Luuanda</i> / Sociedade Portuguesa de Escritores um caso de agress&atilde;o ideol&oacute;gica", in Michel Laban <i>et al</i>. (orgs.), <i>Luandino, Jos&eacute; Luandino Vieira e a sua obra &#8211; estudos, testemunhos, entrevistas, Lisboa</i>. Lisboa: Ed.70, 1980, pp. 105-116.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000050&pid=S0807-8967201400030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Laban, Michel <i>et al</i>. (1980, orgs.), <i>Luandino, Jos&eacute; Luandino Vieira e a sua obra &#8211; estudos testemunhos, entrevistas.</i> Lisboa: Ed.70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000052&pid=S0807-8967201400030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mata, Inoc&ecirc;ncia (1992), <i>Pelos Trilhos da Literatura Africana em L&iacute;ngua Portuguesa</i>. Braga: Cadernos do Povo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S0807-8967201400030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Reisman, Phyllis A (1987), "Jos&eacute; Luandino Vieira and the &#8216;new&#8217; Angolan fiction", <i>LusoBrazilian Review</i> XXIV, 1 (1987), pp. 69-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S0807-8967201400030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Torres, Alexandre Pinheiro (1965),"Vida Liter&aacute;ria e Art&iacute;stica", <i>Di&aacute;rio de Lisboa</i>,14/1/65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S0807-8967201400030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Trigo, Salvato (1980), "O Texto de Luandino Vieira", in Michel Laban <i>et al</i>. (orgs.), <i>Luandino, Jos&eacute; Luandino Vieira e a sua obra &#8211; estudos testemunhos, entrevistas</i>. Lisboa, Ed.70, pp. 231-248.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S0807-8967201400030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Vieira, Luandino (1964), <i>Luuanda</i>. Luanda: ABC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0807-8967201400030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&#091;Recebido em 18 de julho de 2014 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 15 de outubro de 2014&#093;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >&#091;1&#093;</a></sup>A vila de Ambaca, uns quil&oacute;metros ao norte de Malange, foi desde cedo um ponto comercial. Emergiu a&iacute; uma elite de africanos letrados, os ambaquistas, que ganhavam a vida como amanuenses para sobas analfabetos e colonos incultos. Designa-se de <i>ambaquismo</i> este fen&oacute;meno de escrita.</p>       ]]></body><back>
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