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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Figuras heroicas no Horto do Esposo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Heroic Figures in Horto do Esposo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In Horto do Esposo there is an abundance of small stories of exemplary nature starring characters with a heroic profile. Given the nature of the work and the eminently didactic vocation of its writing, it is only logical that the doctrinal discourse rests on credible arguments and prestigious examples. Thus the frequent use of short narratives marked by the liveliness of the adventures and the excellence of its heroes. Many of them are kings, with a specific configuration in the vast world of heroes: they combine epic values with spiritual qualities. We propose to present a brief study on the specifics of the heroic figures in Horto and the morphology of their adventures, remembering the anonymous Cistercian prose writer of the end of the 14th century, who was taken by "the pleasure of narrating" (Rossi, 1979).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>VARIA</b></p>      <p><b>Figuras heroicas no <i>Horto do Esposo</i></b></p>      <p><b>Heroic Figures in <i>Horto do Esposo</i></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Elisa Nunes Esteves*</b></p>      <p>*Centro de Estudos em Letras (CEL UTAD-UE), Portugal.</p>      <p><a href="mailto:ene@uevora.pt">ene@uevora.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Abundam no Horto do Esposo pequenas hist&oacute;rias, de natureza exemplar, protagonizadas por personagens de perfil heroico. Tendo em conta a  natureza da obra e a voca&ccedil;&atilde;o eminentemente did&aacute;tica da sua escrita, faz sentido que o discurso doutrin&aacute;rio se apoie em  argumentos cred&iacute;veis e em exemplos prestigiados. Da&iacute; o recurso muito frequente a pequenas narrativas marcadas pela vivacidade das  aventuras e pela excel&ecirc;ncia dos seus her&oacute;is. Muitos deles s&atilde;o reis, t&ecirc;m por isso uma configura&ccedil;&atilde;o  espec&iacute;fica dentro do  vasto mundo dos her&oacute;is: o sopro &eacute;pico que os anima e os tra&ccedil;os cavaleirescos que os distinguem combinam-se com valores e  qualidades espirituais superiores. Propomos apresentar um breve estudo sobre a especificidade das figuras heroicas no Horto e a morfologia das suas  aventuras, recordando o prosador an&oacute;nimo cisterciense do final do s&eacute;c. XIV, que se deixou tomar pelo "prazer de narrar" (Rossi,  1979).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras chave</b>: <i>Horto do Esposo</i>, her&oacute;is, <i>exempla</i>, aventura</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>In Horto do Esposo there is an abundance of small stories of exemplary nature starring characters with a heroic profile. Given the nature of the work and the eminently didactic vocation of its writing, it is only logical that the doctrinal discourse rests on credible arguments and prestigious examples. Thus the frequent use of short narratives marked by the liveliness of the adventures and the excellence of its heroes. Many of them are kings, with a specific configuration in the vast world of heroes: they combine epic values with spiritual qualities. We propose to present a brief study on the specifics of the heroic figures in Horto and the morphology of their adventures, remembering the anonymous Cistercian prose writer of the end of the 14th century, who was taken by "the pleasure of narrating" (Rossi, 1979).</p>      <p><b>Keywords</b>: <i>Horto do Esposo</i>, heroes, <i>exempla</i>, adventure</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i>E por em maior prol trage ao homem o nome de temeroso como a lebre ca o nome de ardido e bravo come leon.</i></p>      <p align="right">Horto do Esposo</p>      <p>A obra que me propus estudar tem uma orienta&ccedil;&atilde;o doutrin&aacute;ria claramente afastada de hero&iacute;smos, feitos de armas, guerras, preferindo a humildade &agrave; coragem destemperada e ao atrevimento, o que n&atilde;o augura, aparentemente, grandes probabilidades de sucesso no tratamento do tema anunciado no t&iacute;tulo.<sup><a href="#1" name="top1">&#091;1&#093;</a></sup> Salva-nos nesta demanda, contudo, a ocorr&ecirc;ncia pontual de <i>exempla</i> onde se concede a oportunidade a alguns her&oacute;is para mostrarem as suas fa&ccedil;anhas. Ter&aacute; sido talvez uma bondosa ced&ecirc;ncia do autor aos desejos da primeira destinat&aacute;ria da obra, que lhe pedira explicitamente "uu livro dos fectos antigos e das fa&ccedil;anhas dos nobres bar&otilde;es" (<i>Horto</i>: 3) que lhe permitisse uma leitura recreativa e prazenteira nos dias de descanso. Avisa, contudo, o cisterciense que os assuntos seculares e profanos n&atilde;o conduzem ao amor de Deus e por isso o livro falar&aacute; sobretudo "das fa&ccedil;&atilde;nhas e dos exemplos dos sanctos homees" (<i>Idem</i>, 5).</p>      <p>O <i>Horto do Esposo</i> &eacute; agora uma obra de f&aacute;cil acesso depois da edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de Irene Freire Nunes, coordenada pelo Prof. Helder Godinho e publicada no final de 2007. Antes, t&iacute;nhamos que recorrer &agrave; edi&ccedil;&atilde;o de Bertil Maler, publicada no Rio de Janeiro em 1956. Ambas se basearam em duas vers&otilde;es integrais do texto (nenhuma &eacute; a original), dois manuscritos alcobacenses da Biblioteca Nacional de Lisboa, um redigido na primeira metade do s&eacute;c. XV e o outro nos finais deste mesmo s&eacute;culo.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No lapso de tempo que medeia entre as duas iniciativas de trazer a p&uacute;blico esta important&iacute;ssima obra do nosso patrim&oacute;nio cultural e liter&aacute;rio da Idade M&eacute;dia est&aacute; a descoberta, na Torre do Tombo, de fragmentos desconhecidos da obra, em pergaminho, provenientes do Mosteiro de Santa Maria de Lorv&atilde;o e que poder&atilde;o sugerir a exist&ecirc;ncia de um terceiro manuscrito. Foram descobertos por Arthur Askins, em Junho de 1997, Harvey Sharrer e Aida Fernanda Dias, em Julho de 1998. Estes fragmentos foram publicados em 2002, em transcri&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica (Askins &amp; Dias &amp; Sharrer, 2002).</p>      <p>Nada se apurou sobre a identidade do autor do <i>Horto</i> para l&aacute; da tese defendida por M&aacute;rio Martins, j&aacute; em 1948, de que se trata de um texto escrito originalmente em l&iacute;ngua portuguesa (e n&atilde;o de uma tradu&ccedil;&atilde;o) por um monge da abadia cisterciense de Alcoba&ccedil;a. A tese foi corroborada por Bertil Maler, que adiantou ainda a convic&ccedil;&atilde;o de que, tendo em conta a identifica&ccedil;&atilde;o das fontes em que o mesmo se baseou, estamos perante um autor culto e que tinha por certo ao seu dispor uma biblioteca bastante rica e variada. Uma refer&ecirc;ncia &uacute;nica na obra a factos pol&iacute;ticos contempor&acirc;neos, nomeadamente o per&iacute;odo conturbado que se viveu em Portugal depois da morte de D. Fernando, levou tamb&eacute;m M&aacute;rio Martins a apontar o per&iacute;odo entre 1383 e as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;c. XV como o que corresponde &agrave; sua composi&ccedil;&atilde;o. Estaria certamente conclu&iacute;do antes de 1438, data da morte de D. Duarte, uma vez que j&aacute; consta do invent&aacute;rio da sua biblioteca.</p>      <p>Os estudos sobre o <i>Horto</i> insistem sobre a rece&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel que a obra ter&aacute; tido no seu tempo, a avaliar pelas informa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o muito abundantes &eacute; certo, sobre a exist&ecirc;ncia de c&oacute;dices em institui&ccedil;&otilde;es religiosas mas tamb&eacute;m em bibliotecas particulares. Jos&eacute; Mattoso identificou a aquisi&ccedil;&atilde;o de um exemplar do <i>Horto do Esposo</i> pelo mosteiro de Bouro entre 1408 e 1437 (Mattoso, 2002: 289-290); a descoberta dos fragmentos da Torre do Tombo coloca a obra tamb&eacute;m no mosteiro de Lorv&atilde;o. Temos alguns dados seguros sobre o conhecimento da obra por parte de duas ilustres figuras da elite intelectual portuguesa da primeira metade do s&eacute;c. XV, o rei D. Duarte e o seu sobrinho, o Condest&aacute;vel D. Pedro (Maler, 1964: 24; Fonseca, 1982: 297, Mattoso, <i>ibidem</i>). Sobre as raz&otilde;es desta difus&atilde;o, tem sido enfatizado sobretudo o seu car&aacute;ter did&aacute;tico e a sua natureza doutrin&aacute;ria orientada para um "p&uacute;blico simples" (Pereira, 2007: LVII).</p>      <p>&Eacute; seguramente verdade que a escrita no <i>Horto</i> tem uma voca&ccedil;&atilde;o eminentemente did&aacute;tica e que o discurso doutrin&aacute;rio se apoia em argumentos cred&iacute;veis e em hist&oacute;rias de natureza exemplar colocados ao servi&ccedil;o de uma expl&iacute;cita inten&ccedil;&atilde;o edificante. A obra parece ter sido apreciada, contudo, muito para al&eacute;m dessa vertente de vulgariza&ccedil;&atilde;o e de simplifica&ccedil;&atilde;o hermen&ecirc;utica das fontes, tal como o seu autor prev&ecirc; no Pr&oacute;logo, afirmando que o livro servir&aacute; a destinat&aacute;rios de qualquer condi&ccedil;&atilde;o, incluindo s&aacute;bios e estudiosos. Ad&atilde;o da Fonseca, no seu estudo sobre o Condest&aacute;vel D. Pedro, aponta o apre&ccedil;o que obras como o <i>Horto</i> e outras relacionadas com o mosteiro de Alcoba&ccedil;a mereceram na corte portuguesa at&eacute; ao tempo de D. Afonso V, pela sua tem&aacute;tica, valores e espiritualidade.</p>      <p>Tamb&eacute;m se lamenta, de forma recorrente, que o monge tenha ignorado a realidade que o circundava, "um homem que mostra na sua obra pouqu&iacute;ssimo interesse pela sua &eacute;poca e que por isso n&atilde;o nos ensina nada sobre ela. (&#8230;) S&oacute; por acaso deixa escapar &#8211; felizmente para n&oacute;s &#8211; a alus&atilde;o que nos permite datar o livro." (Maler, 1964: 23). Em primeiro lugar, o <i>Horto</i> n&atilde;o est&aacute; concebido como uma cr&oacute;nica, nem o seu autor parece ser um homem que viva pr&oacute;ximo de ambientes laicos, dominados pelos sucessos imediatos da pol&iacute;tica e da sociedade. Devemos reconhecer, como Gouveia Fernandes, que o autor do <i>Horto</i> viveu "refugiado no mosteiro, mas nem por isso &#091;deixou&#093; de observar atentamente a agita&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo" (Fernandes, 2001: 100), referindo-se em concreto ao acontecimento que parece ter tido maiores reflexos e implica&ccedil;&otilde;es no seu tempo, a crise gerada pela morte do rei D. Fernando. A &ecirc;nfase nessa passagem do <i>Horto</i> tem deixado na sombra e no esquecimento a refer&ecirc;ncia que, no mesmo contexto, se faz a acontecimentos da hist&oacute;ria de Castela (Livro IV, cap. XLIII).<sup><a href="#2" name="top2">&#091;2&#093;</a></sup> N&atilde;o podemos deixar de notar como estes coment&aacute;rios, ainda que breves, s&atilde;o reveladores dos horizontes alargados ao &acirc;mbito peninsular atrav&eacute;s do olhar abrangente da realidade que une, sob o signo da instabilidade e da incerteza, toda a Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica naquele per&iacute;odo, para onde se transferiram tamb&eacute;m as hostilidades entre a Inglaterra e a Fran&ccedil;a no &acirc;mbito da Guerra dos Cem Anos.</p>      <p>Embora n&atilde;o seja esse o seu foco principal, o monge cisterciense n&atilde;o est&aacute; alheado do seu tempo, um tempo que lhe inspira uma escrita que nos seus prop&oacute;sitos pedag&oacute;gicos se prop&otilde;e demonstrar como tudo neste mundo &eacute; ef&eacute;mero e incerto. Agora, como no passado, n&atilde;o se escapa ao capricho da Fortuna e os mais tr&aacute;gicos exemplos s&atilde;o os daqueles cuja vida se reparte entre os extremos: a mudan&ccedil;a do mais alto estado para a condi&ccedil;&atilde;o mais indigna. Da&iacute; que recorra com frequ&ecirc;ncia a figuras exemplares marcadas pela sua condi&ccedil;&atilde;o social, reis, imperadores, pr&iacute;ncipes, marcados pela arbitrariedade da Fortuna: "Por em Boecio, falando do estado dos rex que parece mais firme, diz assi: Cheos som os tempos antigos e os tempos d&#8217;agora de enxemplos de muitos rex que a sua bem aventuran&ccedil;a foi mudada em grande mezquindade<i>.</i>" (<i>Horto</i>: 236).<sup><a href="#3" name="top3">&#091;3&#093;</a></sup></p>      <p>S&atilde;o mais eficazes do ponto de vista persuasivo os <i>exempla</i> protagonizados por figuras hist&oacute;ricas, mas o autor n&atilde;o despreza outras personagens cuja for&ccedil;a ret&oacute;rica prov&eacute;m da reconhecida qualidade cultural associada &agrave; sua cria&ccedil;&atilde;o. Refiro-me em particular &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias liter&aacute;rias da Antiguidade cl&aacute;ssica, como &eacute; o caso de Ulisses e de H&eacute;cuba. Sobre esta hero&iacute;na da lenda troiana recorda-se que foi por muito tempo rainha de Troia e caiu no cativeiro e na servid&atilde;o depois de chegar &agrave; velhice (<i>Idem</i>, 174).</p>      <p>Da Antiguidade chegam tamb&eacute;m os exemplos hist&oacute;ricos, mais fortes em credibilidade, em particular os ligados &agrave; hist&oacute;ria de Roma: Viriato, Vespasiano, Cipi&atilde;o, An&iacute;bal, Trajano, J&uacute;lio C&eacute;sar. E tamb&eacute;m Alexandre Magno, talvez a figura heroica mais importante da obra, aqui retratada sobretudo a partir dos confrontos com os reis orientais Dario e Poro, dos quais sai sempre vencedor, mesmo quando os combates s&atilde;o desproporcionados. &Eacute; nesses casos que a sua figura se reveste de expressivos contornos &eacute;picos, glorificando-o como guerreiro inigual&aacute;vel (<i>Horto</i>: 174). Mas as virtudes de Alexandre excedem esta sua faceta militar. Assim, vemo-lo em combate singular com o rei Poro, que vence, ferindo-o e derrubando-o do cavalo. Mas poupa-lhe a vida por generosidade, dando assim testemunho da s&aacute;bia educa&ccedil;&atilde;o e dos valores que lhe foram incutidos pelo seu mestre, Arist&oacute;teles (<i>Idem</i>, 63).</p>      <p>Dario morreu depois de um combate com Alexandre, v&iacute;tima da trai&ccedil;&atilde;o dos seus servos. Alexandre vingou e chorou a sua morte, prestou-lhe as &uacute;ltimas homenagens, ainda que fosse seu inimigo, mostrando "grande bondade de justi&ccedil;a" (<i>Ibidem</i>). A sua qualidade como her&oacute;i ultrapassa a virilidade guerreira, est&aacute; tamb&eacute;m na sua forma&ccedil;&atilde;o espiritual.</p>      <p>O perfil heroico de Alexandre tra&ccedil;a-se ainda a partir da sua rela&ccedil;&atilde;o com o ouro e com as riquezas de um modo geral. Tem a no&ccedil;&atilde;o clara de que a riqueza pode ser fatal para os guerreiros, entorpecendo a sua energia, atrofiando a sua for&ccedil;a, por isso diz aos soldados: "Enquanto vos nom haviades riquezas nom havia gente que podesse empeecer-nos mas, despois que fostes carregados de ouro e de prata, fostes fectos pregui&ccedil;osos e deleixados" (<i>Idem</i>, 131). Mas, por outro lado, n&atilde;o abdica ele pr&oacute;prio das riquezas conquistadas. A prosperidade econ&oacute;mica &eacute; incompat&iacute;vel com a fun&ccedil;&atilde;o guerreira, mas n&atilde;o com a fun&ccedil;&atilde;o de soberania. &Eacute; assim que encontramos refer&ecirc;ncias aos tesouros que rei Poro distribui generosamente e que ele aceita: "E por em mostrou-lhe rei Poro todos seus tesouros, que tiinha escondidos e fez rico Alexandre e seus cavaleiros daqueles tesouros" (<i>Idem</i>, 63). O tesouro est&aacute; sempre associado &agrave; figura do rei, como nos diz Duby:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>Toujours le palais des souverains avait abrit&eacute; un tr&eacute;sor, une collection d&#8217;objects pr&eacute;cieux, brillants, &eacute;tranges, que l&#8217;on disposait aux grandes f&ecirc;tes autour de la personne du lieutenant de Dieu, comme une lisi&egrave;re d&#8217;&eacute;tincellement entre lui et le reste des hommes (&#8230;). &Agrave; ces bijoux s&#8217;ajoutaient des livres puisque la premi&egrave;re des vertus royales &eacute;tait la sagesse, la facult&eacute; de percer les myst&egrave;res d&#8217;une &Eacute;criture. (Duby, 1979: 49-50)</p></blockquote>      <p>O rei precisa, assim, de se rodear de um tesouro que evidencie o seu poder e que lhe permita ser generoso. Dele podem fazer parte os livros mas tamb&eacute;m as mulheres, eventualmente roubadas ou conquistadas.<sup><a href="#4" name="top4">&#091;4&#093;</a></sup> No <i>Horto</i> uma das vit&oacute;rias de Alexandre sobre Dario arrasta para o cativeiro a m&atilde;e e a mulher do rei persa, que daria por elas metade do seu reino, uma troca que Alexandre nunca aceitou (<i>Horto</i>: 175).</p>      <p>A esta face luminosa do guerreiro forte e justo junta-se em Alexandre a do soberano. Um rei, normalmente, n&atilde;o ascende &agrave; realeza antes de ser armado cavaleiro, isto &eacute;, antes de atingir o grau supremo na ordem da cavalaria. Mas esses n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos valores para se atingir a realeza. A intelig&ecirc;ncia, a sabedoria, a indulg&ecirc;ncia e a seguran&ccedil;a, a generosidade s&atilde;o, entre outros, os atributos de um soberano. A espada cede lugar a outros instrumentos pr&oacute;prios desta fun&ccedil;&atilde;o: o cetro, o trono, a coroa, o manto. O poder do rei n&atilde;o &eacute; apenas militar, &eacute; o de regulador da Ordem. Alexandre v&ecirc; o seu poder estender-se a todo o mundo e no <i>Horto</i> ele surge-nos em toda a majestade, exercendo o seu poder a partir do trono, elevado e central:</p>      <blockquote>    <p>Outrossi el-rei Alexandre o Grande veeo aa cidade de Babilonia. E estando ali, veerom-lhe messegeiros das provincias de todo o mundo. Ca de Cartago e de Africa veerom a ele messegeiros pera lhe obedecerem e de Espanha e de Fran&ccedil;a e de Cicilia e das partes de Italia. Tam grande foi o temor que houverom os poboos do Occidente de Alexandre, que andava no Oriente, que de todo o mundo lhe mandavam subjei&ccedil;om e obediencia e de tam estranhas e tam alongadas terras que adur era de creer que podessem chegar novas de seus fectos. Estando Alexandre em esta tam grande gloria deste mundo, perdeo todo mui tostemente, ca seus servidores lhe derom ali pe&ccedil;onha, com que morreo. (<i>Horto</i>: 109)</p></blockquote>      <p>E a&iacute; temos a ilustra&ccedil;&atilde;o da trag&eacute;dia a que nem os mais poderosos escapam: Alexandre, que atingiu o auge do poder e da gl&oacute;ria, morreu tra&iacute;do pelos seus, como Dario e Viriato.</p>      <p>Este &eacute; um eixo fundamental na defini&ccedil;&atilde;o do percurso vital das personagens do <i>Horto.</i> Assume particular import&acirc;ncia a interven&ccedil;&atilde;o da Fortuna no caso daquelas cuja queda &eacute; mais imprevis&iacute;vel e inesperada. O tema &eacute; t&atilde;o relevante que no seu esfor&ccedil;o para atingir a maior efic&aacute;cia persuasiva o autor recorre a imagens diferentes para ilustrar o conceito. Dessas, destacamos tr&ecirc;s que nos pareceram as mais sugestivas. Em primeiro lugar, a inevit&aacute;vel compara&ccedil;&atilde;o com a roda para expressar os vaiv&eacute;ns da vida e da sorte:</p>      <blockquote>    <p>E assi podedes entender como a boa andan&ccedil;a do mundo &eacute; v&atilde;a e mudadi&ccedil;a. Ca assi como aquele que see sobre a roda aas vezes cae em baixo e aas vezes &eacute; posto em alto, segundo se move a roda, bem assi faz a fortuna do mundo: aas vezes abaixa os grandes e aas vezes exal&ccedil;a os baixos. (<i>Idem</i>, 124)</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tradicionalmente a Fortuna &eacute; comparada &agrave; roda, mas a imagem pode ser mais completa, com a representa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m de uma mulher. O monge cisterciense n&atilde;o ignoraria essa tradi&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m ele nos apresenta a associa&ccedil;&atilde;o da instabilidade da Fortuna ao feminino, apoiando-se numa fonte que s&oacute; &agrave; primeira vista pode parecer inesperada neste contexto, o poeta Ov&iacute;dio:</p>      <blockquote>    <p>Uu grande poeta que chamam Ouvidio, em uu livro dos Enganos da Fortuna, figura e pinta a fortuna em esta guisa: ua fegura de molher que tem na m&atilde;o seestra duas flores, scilicet, ua rosa seca, porque a fortuna da boa andan&ccedil;a deste mundo tostemente trespassa. Outrossi tiinha em na m&atilde;o ua flor de lilio a que ca&iacute;am as folhas. (<i>Idem</i>, 325)</p></blockquote>      <p>&Eacute; uma bela figura&ccedil;&atilde;o, uma mulher, n&atilde;o com uma roda, mas segurando duas flores, ambas em decl&iacute;nio. A imagem marca de modo redundante e portanto refor&ccedil;ado, a inexor&aacute;vel mudan&ccedil;a a que estamos sujeitos, entre a prosperidade e a decad&ecirc;ncia. Tudo neste quadro sugere fragilidade, beleza ef&eacute;mera, promessa de dissolu&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Mas o nosso autor encontra ainda um outro s&iacute;mile, uma terceira imagem para mostrar a instabilidade da Ventura, que aqui substitui a Fortuna:</p>      <blockquote>    <p>Nom queiras confiar em na paz e em no assessego da ventura, ca o mar em uu ponto se avolve, e em uu dia meesmo, em que os navios andarom assessegados e com prazer, em esse mesmo dia se alagarom. Ex que fremosa compara&ccedil;om do mar e da ventura que faz perder o assessego e a paz do cora&ccedil;om e faz alagar a primeira alegria. (<i>Idem</i>, 197)</p></blockquote>      <p>O contexto em que se insere a compara&ccedil;&atilde;o sugere que a mesma se atribui a S&eacute;neca, mas o que aqui nos parece mais relevante &eacute; percebermos que estamos perante um escritor, algu&eacute;m que conhece bem o valor das palavras e para quem estas n&atilde;o t&ecirc;m um valor meramente instrumental. O espanto do sujeito do discurso perante a beleza desta compara&ccedil;&atilde;o d&aacute; bem a medida do seu apurado sentido est&eacute;tico, da sua voca&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, como hoje dir&iacute;amos.</p>      <p>As aventuras heroicas n&atilde;o merecem um grande desenvolvimento narrativo, com algumas exce&ccedil;&otilde;es, porque, como dissemos no in&iacute;cio, a obra faz uma apologia da <i>cavalaria do c&eacute;u</i> em detrimento da <i>cavalaria secular</i>, e assim o discurso &eacute; contido nas fa&ccedil;anhas e mais aberto na explora&ccedil;&atilde;o das virtudes e valores espirituais. Gostar&iacute;amos de terminar com a refer&ecirc;ncia a um epis&oacute;dio que ganhou maior visibilidade que qualquer das outras pequenas narrativa do <i>Horto</i> depois de ter sido fonte de inspira&ccedil;&atilde;o de Jorge de Sena para a sua novela <i>O F&iacute;sico Prodigioso</i> (1979). Luciano Rossi chamou-lhe <i>novela arturiana</i> porque o <i>incipit</i> nos remete para um prometedor relato de aventuras: um jovem que encontra e consola tr&ecirc;s donzelas chorosas &agrave;s portas de um castelo habitado apenas por mulheres. Na verdade, o protagonista desta narrativa &#8211; "filho de uu rei", "fremoso", "grande fisico" e "virgem" (<i>Horto</i>: 40) &#8211; assume o papel de her&oacute;i libertador, mas os meios a que recorre n&atilde;o s&atilde;o os dos cavaleiros andantes. Oferece o seu sangue casto, de virtudes terap&ecirc;uticas, para curar a senhora do castelo e com o dom da palavra resgata da cova escura os cavaleiros mortos, devolvendo o equil&iacute;brio e a ordem &agrave;quela comunidade. Este her&oacute;i parece ser um dos que t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es para inverter a din&acirc;mica da Fortuna, restaurando o bem perdido. Ao serem devolvidos &agrave; vida, os cavaleiros do castelo imploram ao mancebo: "Vem trigosamente e d&aacute; a n&oacute;s as doas que perdemos em outro tempo<i>.</i>" (<i>Ibidem</i>). O an&oacute;nimo caminheiro, filho de rei, casto e formoso, facilmente se associa &agrave; figura de Cristo, pela dimens&atilde;o redentora do sangue, pelo poder milagroso da Palavra.</p>      <p>O <i>Horto</i> insiste nesta mensagem: s&oacute; nos libertamos da lei inconstante da Fortuna pelo despojamento dos bens materiais, pela convers&atilde;o e pela aspira&ccedil;&atilde;o &agrave; pureza espiritual. A vasta galeria de personagens do <i>Horto</i> e principalmente as que t&ecirc;m perfil heroico, porque foram poderosas, realizaram feitos extraordin&aacute;rios, ganharam um lugar na Hist&oacute;ria, s&atilde;o apresentadas em fun&ccedil;&atilde;o do contraste entre a fase luminosa da prosperidade e o negro decl&iacute;nio e servem precisamente como demonstra&ccedil;&atilde;o desta doutrina. Dir-se-&aacute; que esta tem&aacute;tica n&atilde;o apresenta nada de novo, nem de original. Pelo contr&aacute;rio, ela tem, de facto, uma longa tradi&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria, filos&oacute;fica, doutrinal, que vem da Antiguidade cl&aacute;ssica e domina toda a Idade M&eacute;dia. Mas isso n&atilde;o faz do <i>Horto</i> um produto cultural tardio ou anacr&oacute;nico, porque o tema da vida terrena sujeita &agrave; inst&aacute;vel Fortuna e a liberta&ccedil;&atilde;o pela Divina Provid&ecirc;ncia (e pela Fama, em obras de cariz profano) estar&aacute; presente ainda ao longo de todo o s&eacute;c. XV na literatura ib&eacute;rica, em obras de poetas e intelectuais portugueses, como &eacute; o caso do Condest&aacute;vel D. Pedro na <i>Tragedia de la Insigne Reyna do&ntilde;a Isabel</i> (1457) e nas <i>Coplas del menosprecio e contempto de las cosas fermosas del mundo</i> (1453-1454) e ainda de castelhanos como Juan de Mena em <i>Laberinto de Fortuna</i>, mais conhecido como <i>Las Trescientas</i> (1444), e Jorge Manrique com as bel&iacute;ssimas <i>Coplas por la muerte de su padre</i> (1476), que o haviam de imortalizar, e onde avulta a imagem da Fortuna:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&#091;XI&#093;</p>      <p align="center">Los estados e riqueza, que nos dexan a deshora quien lo duda?</p>      <p align="center">non les pidamos firmeza, pues que son d&#8217;una se&ntilde;ora; que se muda,</p>      <p align="center">que bienes son de Fortuna que revuelven con su rueda presurosa,</p>      <p align="center">la cual non puede ser una ni estar estable ni queda en una cosa.</p>      <p align="right">(Manrique, 2008: 153-154)</p>      <p>E terminamos assim esta nossa breve reflex&atilde;o sobre o percurso de algumas figuras exemplares do <i>Horto do Esposo</i>, sublinhando o que nos parece ser mais relevante: a convic&ccedil;&atilde;o de que o seu autor comp&ocirc;s o livro em perfeita harmonia e conson&acirc;ncia com as tend&ecirc;ncias culturais e filos&oacute;ficas do seu tempo, recuperando t&oacute;picos com uma vasta tradi&ccedil;&atilde;o anterior, como s&atilde;o os que aqui vimos abordados a prop&oacute;sito das vidas destes her&oacute;is &#8211; a fugacidade das coisas terrenas, o desprezo do mundo, o car&aacute;ter exemplar das &#8216;ca&iacute;das&#8217; de grandes personagens &#8211; que estar&atilde;o no centro de obras da literatura portuguesa e castelhana ao longo do s&eacute;culo XV.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Askins, L-F. Arthur; Dias, Aida Fernanda; Sharrer, Harvey L. (2002), <i>Fragmentos de Textos Medievais Portugueses da Torre do Tombo</i>, Lisboa, Instituto dos Arquivos Nacionais/ Torre do Tombo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0807-8967201400030001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Duby, Georges (1979), <i>Saint Bernard. L&#8217;Art Cistercien</i>, Paris, Flammarion.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0807-8967201400030001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fernandes, Ra&uacute;l Cesar Gouveia (2001), "A pedagogia da alma no <i>Orto do Esposo</i>", in L&ecirc;nia Mongelli (coord.), <i>A Literatura Doutrin&aacute;ria na Corte de Avis</i>, S. Paulo, Martins Fontes, pp.51-105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0807-8967201400030001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fonseca, Lu&iacute;s Ad&atilde;o da (1982), <i>O condest&aacute;vel D. Pedro de Portugal</i>, Lisboa, INIC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0807-8967201400030001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Maler, Bertil (ed.) (1956), <i>Orto do Esposo</i>, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro &#091;vols. I e II&#093;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0807-8967201400030001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>      <!-- ref --><p>_____ (ed.) (1964), <i>Orto do Esposo</i>, Estocolmo, Almequist e Wiksell &#091;vol. III&#093;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0807-8967201400030001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>       <!-- ref --><p>Manrique, Jorge (2008), <i>Poes&iacute;a</i>, Madrid, C&aacute;tedra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0807-8967201400030001600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Martins, M&aacute;rio (1948), "&Agrave; volta do Orto do Esposo", <i>Brot&eacute;ria</i>, t. XLVI, pp.164-176.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0807-8967201400030001600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Mattoso, Jos&eacute; (2002), <i>Obras Completas. Religi&atilde;o e Cultura na Idade M&eacute;dia Portuguesa</i>, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0807-8967201400030001600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Nunes, Elisa Rosa Pisco (1987), <i>Da imagem do Rei no Orto do Esposo. Contribui&ccedil;&atilde;o para um estudo da personagem do rei na literatura da Idade M&eacute;dia</i>, Universidade de &Eacute;vora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0807-8967201400030001600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Nunes, Irene Freire (ed.) e GODINHO, Helder (coord.) (2007), <i>Horto do Esposo</i>, Lisboa, Colibri. &#091;edi&ccedil;&atilde;o citada sob t&iacute;tulo abreviado da obra como refer&ecirc;ncia: <i>Horto</i>&#093;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0807-8967201400030001600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pereira, Paulo Alexandre (2007), "Uma Did&aacute;ctica da Salva&ccedil;&atilde;o: o <i>Exemplum</i> no <i>Horto do Esposo</i>", <i>Horto do Esposo</i>, Lisboa, Colibri, pp. LIII-LXXXVI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0807-8967201400030001600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rossi, Luciano (1979), <i>A literatura novel&iacute;stica na Idade M&eacute;dia</i>, Lisboa, Instituto de Cultura Portuguesa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0807-8967201400030001600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sena, Jorge de (1979), <i>O F&iacute;sico Prodigioso</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0807-8967201400030001600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&#091;Recebido em 7 de junho de 2014 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 8 de outubro de 2014&#093;</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >&#091;1&#093;</a></sup>Faremos todas as cita&ccedil;&otilde;es do <i>Horto do Esposo</i> a partir da edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de 2007 e usaremos o t&iacute;tulo abreviado da obra como refer&ecirc;ncia.</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">&#091;2&#093;</a></sup>Cremos que se refere &agrave;s disputas pelo trono que opuseram dois irm&atilde;os e a morte tr&aacute;gica, em 1369, de Pedro I &agrave;s m&atilde;os de Enrique de Trast&acirc;mara, com graves consequ&ecirc;ncias sociais e pol&iacute;ticas nas d&eacute;cadas seguintes.</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3">&#091;3&#093;</a></sup>A relev&acirc;ncia deste tema no <i>Horto</i> foi sublinhada por Paulo Alexandre Pereira no estudo introdut&oacute;rio da &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da obra (cf. Pereira, 2007: LXXI-LXXII).</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">&#091;4&#093;</a></sup>Abord&aacute;mos a quest&atilde;o da import&acirc;ncia do ouro, dos livros e das mulheres na composi&ccedil;&atilde;o da imagem do rei no pequeno estudo <i>Da imagem do Rei no Orto do Esposo</i> (Nunes, 1987).</p>       ]]></body><back>
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