<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0807-8967</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Diacrítica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Diacrítica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0807-8967</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0807-89672014000300018</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Todo lo cercano se aleja: Roberto Bolaño e Enrique Vila-Matas, da autoficção ao ‘espaço biográfico’]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Todo lo cercano se aleja: Roberto Bolaño and Enrique Vila-Matas, from ‘autofiction’ to ‘biographical space’]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sá]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Paula dos Santos de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Campinas SP]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>28</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>201</fpage>
<lpage>228</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0807-89672014000300018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0807-89672014000300018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0807-89672014000300018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo aborda a questão das poéticas de Bolaño e de Vila-Matas no que tange à denominada ‘autoficção’. A partir de um questionamento da associação de determinados títulos dos autores a tal artifício literário, desenvolve-se uma reflexão acerca da relação da obra com seu exterior na contemporaneidade, destacando assim algumas das implicações da relação estabelecida pelo chileno e pelo catalão com o universo midiático. Para além de um olhar aos contornos da escrita híbrida desenvolvida por ambos os autores, ressaltam-se suas inscrições no que Leonor Arfuch (2010) entende por "espaço biográfico", a fim de elucidar a possível origem da crescente assimilação, por parte da crítica, de seus personagens-escritores às suas próprias figuras / biografias.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to discuss Bolaño’s and Vila-Matas’ poetics concerning the concept of autofiction. Questioning the current relation of some of these authors’ titles with this narrative strategy, it develops a reflection about the relation between the novel and its exterior in contemporary times, emphasizing the implications of the relation established by each of the authors (the Chilean and the Catalan) with the media universe. In addition, through observing the outlines of their hybrid writing, it highlights their potential of using the "biographical space" (Arfuch, 2010), in order to explain one of the possible origins of the increasing assimilation, noted by some critics, of their characters to their own performances / biographies.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Roberto Bolaño]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Enrique Vila-Matas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Autoficção]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Espaço biográfico]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Roberto Bolaño]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Enrique Vila-Matas]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Autofiction]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Biographical space]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>VARIA</b></p>      <p><b><i>Todo lo cercano se aleja</i>. Roberto Bola&ntilde;o e Enrique Vila-Matas, da autofic&ccedil;&atilde;o ao &#8216;espa&ccedil;o biogr&aacute;fico&#8217;</b></p>      <p><b><i>Todo lo cercano se aleja.</i> Roberto Bola&ntilde;o and Enrique Vila-Matas, from &#8216;autofiction&#8217; to &#8216;biographical space&#8217;</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ana Paula dos Santos de S&aacute;*</b></p>      <p>*UNICAMP/ FAPESP, Campinas-SP, Brasil.</p>      <p><a href="mailto:anapss.unicamp@gmail.com">anapss.unicamp@gmail.com</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>      <p>Este artigo aborda a quest&atilde;o das po&eacute;ticas de Bola&ntilde;o e de Vila-Matas no que tange &agrave; denominada &#8216;autofic&ccedil;&atilde;o&#8217;. A partir de um questionamento da associa&ccedil;&atilde;o de determinados t&iacute;tulos dos autores a tal artif&iacute;cio liter&aacute;rio, desenvolve-se uma reflex&atilde;o acerca da rela&ccedil;&atilde;o da obra com seu exterior na contemporaneidade, destacando assim algumas das implica&ccedil;&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o estabelecida pelo chileno e pelo catal&atilde;o com o universo midi&aacute;tico. Para al&eacute;m de um olhar aos contornos da escrita h&iacute;brida desenvolvida por ambos os autores, ressaltam-se suas inscri&ccedil;&otilde;es no que Leonor Arfuch (2010) entende por "espa&ccedil;o biogr&aacute;fico", a fim de elucidar a poss&iacute;vel origem da crescente assimila&ccedil;&atilde;o, por parte da cr&iacute;tica, de seus personagens-escritores &agrave;s suas pr&oacute;prias figuras / biografias.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras chave</b>: Roberto Bola&ntilde;o; Enrique Vila-Matas; Autofic&ccedil;&atilde;o; Espa&ccedil;o biogr&aacute;fico.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT</b></p>      <p>This article aims to discuss Bola&ntilde;o&#8217;s and Vila-Matas&#8217; poetics concerning the concept of autofiction. Questioning the current relation of some of these authors&#8217; titles with this narrative strategy, it develops a reflection about the relation between the novel and its exterior in contemporary times, emphasizing the implications of the relation established by each of the authors (the Chilean and the Catalan) with the media universe. In addition, through observing the outlines of their hybrid writing, it highlights their potential of using the "biographical space" (Arfuch, 2010), in order to explain one of the possible origins of the increasing assimilation, noted by some critics, of their characters to their own performances / biographies.</p>      <p><b>Keywords</b>: Roberto Bola&ntilde;o; Enrique Vila-Matas; Autofiction; Biographical space.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</p></b>      <p align="right"><i>(...) "Todo lo cercano se aleja". Goethe lo escribi&oacute; refiri&eacute;ndose al crep&uacute;sculo de la tarde. Todo lo cercano se aleja, es verdad, tengo que pensar que es verdad. De nuevo, respiro aliviado. Goethe me ha permitido volver a alejarme algo de Bola&ntilde;o.</i></p>      <p align="right">Enrique Vila-Matas</p>      <p>Roberto Bola&ntilde;o nasceu em 1953, em Santiago do Chile, viveu sua adolesc&ecirc;ncia no M&eacute;xico e regressou a seu pa&iacute;s de origem no ano do Golpe Militar (1973), com o prop&oacute;sito de apoiar os ideais socialistas do presidente Salvador Allende. Ap&oacute;s ser preso devido &agrave; sua atua&ccedil;&atilde;o junto &agrave; Unidade Popular, retornou ao M&eacute;xico, de onde partiria definitivamente para a Espanha, em 1977. Na mesma d&eacute;cada, antes de mudar-se para a Europa, fundara junto ao poeta Mario Santiago o Movimento Infrarrealista, um "dad&aacute; a la mexicana" segundo palavras do escritor chileno. Embora o fracasso do grupo tenha sido rapidamente assumido, ele &eacute; mantido at&eacute; hoje por alguns de seus ex e rec&eacute;m-membros, conforme indica a <i>web site</i> oficial do Infrarrealismo.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bola&ntilde;o publicou seu primeiro livro, <i>Consejos de un d&iacute;scipulo de Morrison a un fan&aacute;tico de Joyce</i>, em 1984, em coautoria com o espanhol A. G. Porta. Antes dessa data &eacute; poss&iacute;vel encontrar publica&ccedil;&otilde;es isoladas em peri&oacute;dicos, desde poemas e manifestos liter&aacute;rios at&eacute; artigos cr&iacute;ticos. A parte mais significante de sua produ&ccedil;&atilde;o centra-se em seus &uacute;ltimos dez anos de vida, de 1993 a 2003, com destaque para <i>Los Detectives Salvajes</i> (1998), livro pelo qual o autor recebeu no ano seguinte &agrave; sua publica&ccedil;&atilde;o o "Premio Internacional de Novela R&oacute;mulo Gallegos", inscrevendo-se definitivamente entre os nomes mais importantes da prosa contempor&acirc;nea em l&iacute;ngua espanhola. Desde sua morte, decorrente de um problema hep&aacute;tico, publicaram-se tr&ecirc;s romances p&oacute;stumos, em parte inacabados, <i>2666</i> (2004), <i>El tercer Reich</i> (2010) e <i>Los sinsabores del verdadero polic&iacute;a</i> (2011). De acordo com pessoas pr&oacute;ximas, Bola&ntilde;o intensificou seu trabalho ao descobrir a doen&ccedil;a, a fim de garantir a estabilidade financeira de sua fam&iacute;lia.</p>      <p>Nascido em Barcelona em 1948, Enrique Vila-Matas possui uma biografia consideravelmente distinta da de Bola&ntilde;o. Distante dos problemas financeiros enfrentados pelo autor chileno durante toda a vida, o espanhol cursou Direito e Jornalismo, esteve na &Aacute;frica cumprindo com o servi&ccedil;o militar obrigat&oacute;rio, e residiu fora de sua cidade natal apenas por dois anos, durante a d&eacute;cada de 70, per&iacute;odo em que viveu em Paris. Suas primeiras publica&ccedil;&otilde;es foram <i>Mujer en el espejo contemplando el paisaje</i> (1973) e <i>La asesina ilustrada</i> (1977), sendo a primeira pouco comentada e n&atilde;o reconhecida pela cr&iacute;tica, e a segunda a estreia do car&aacute;ter metaficcional que permearia muitos dos textos futuros do escritor. <i>Historia abreviada de la literatura port&aacute;til</i> (1985) &eacute; tido como seu livro de consagra&ccedil;&atilde;o, com o qual Vila-Matas ganhou grande notoriedade na Am&eacute;rica Latina. Com <i>El viaje vertical</i> (1999), seu &uacute;nico romance de vertente mais realista, Vila-Matas &eacute; tamb&eacute;m agraciado com o "Premio Internacional de Novela R&oacute;mulo Gallegos". Embora nunca tenha morado no continente americano, o autor declara ter grande afinidade com sua literatura.</p>      <p>Atualmente o autor mant&eacute;m uma m&eacute;dia de publica&ccedil;&atilde;o de dois livros por ano. Entre suas produ&ccedil;&otilde;es, destacam-se <i>Bartleby y compa&ntilde;&iacute;a</i> (2001), <i>El mal de Montano</i> (2002) e <i>Doctor Pasavento</i> (2005), eleitas sua "Catedral Metaliteraria" pelo editor espanhol Jorge Herralde. Seus &uacute;ltimos romances, como <i>Dublinesca</i> (2010) e <i>Aire de Dylan</i> (2012), indicam que Vila-Matas continua seguindo pelo mesmo caminho, mantendo o escritor, a escrita e o leitor como alicerces de seus enredos.</p>      <p>Um breve olhar &agrave;s biografias dos autores &eacute; suficiente para se constatar que muitos epis&oacute;dios de suas vidas fazem-se presentes nas narrativas. A sequ&ecirc;ncia de romances <i>Estrella Distante</i> (1996a), <i>Los Detectives Salvajes</i> (1998) e <i>Amuleto</i> (1999) tra&ccedil;am para o personagem Arturo Belano um caminho quase id&ecirc;ntico ao vivido pelo autor chileno: de suas passagens pelo M&eacute;xico &agrave; pris&atilde;o ap&oacute;s o Golpe Militar chileno, de sua doen&ccedil;a hep&aacute;tica &agrave; funda&ccedil;&atilde;o de um movimento de poesia marginal, muito do escritor &eacute; emprestado a seu <i>alter ego</i>. Vila-Matas, por sua vez, distribui entre seus narradores, a maior parte deles nascidos em Barcelona, em 1948, muitas das lembran&ccedil;as de sua estadia em Paris, al&eacute;m de inseri-los frequentemente em confer&ecirc;ncias / eventos liter&aacute;rios efetivamente ocorridos e vincul&aacute;-los a nomes de pessoas reais, como, por exemplo, a falta que o narrador de <i>Doctor Pasavento</i> (2005), Andr&eacute;s Pasavento, declara sentir de Bola&ntilde;o.</p>      <p>A an&aacute;lise mais minuciosa desse uso da realidade para compor a fic&ccedil;&atilde;o permite notar que tais epis&oacute;dios pessoais, geralmente relatados em suas entrevistas, alcan&ccedil;am esferas ainda menos conhecidas pelos leitores, entre eles o fato de Bola&ntilde;o ter sido funcion&aacute;rio de um <i>camping</i> na Espanha e de Vila-Matas ir com frequ&ecirc;ncia a Portugal, bem como assumir grande afetuosidade pelo pa&iacute;s. Na segunda parte de <i>Los Detectives Salvajes</i>, no depoimento da inglesa Mary Watson sobre Belano, tem-se um relato referente aos dias em que ela e seus amigos hospedaram-se no <i>camping</i> onde o protagonista trabalhava; j&aacute; nos romances de Vila-Matas, os narradores viajam com frequ&ecirc;ncia para cidades portuguesas bem conhecidas pelo escritor.</p>      <p>Em suma, a partir dos exemplos aqui listados, entre tantos outros poss&iacute;veis, nota-se que os dois autores servem-se de tra&ccedil;os autobiogr&aacute;ficos para compor o perfil de seus personagens-escritores. De fato, ao retratar jovens poetas marginais com anseios vanguardistas, pertencentes &agrave; Am&eacute;rica Hisp&acirc;nica dos anos 70, Bola&ntilde;o parece, por vezes, discorrer sobre sua pr&oacute;pria trajet&oacute;ria. Vila-Matas, por outro lado, contextualizando seus enredos nos dias atuais, apresenta por meio de seus protagonistas a imagem de um escritor de condi&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave; experimentada por ele atualmente: um autor j&aacute; maduro e consagrado, dividido entre a escrita e os compromissos e deveres profissionais inerentes a ela. Entre as atuais discuss&otilde;es acerca desse aspecto de seus estilos liter&aacute;rios, destacam-se os trabalhos que fazem men&ccedil;&atilde;o &agrave; &#8216;autofic&ccedil;&atilde;o&#8217;, um termo recorrente em estudos contempor&acirc;neos, em especial no que se refere &agrave; literatura em l&iacute;ngua espanhola, mas ainda sem defini&ccedil;&atilde;o canonizada pela Teoria Liter&aacute;ria.</p>      <p>Leitores das obras dos dois autores n&atilde;o demoram a perceber o principal ponto que aproxima suas po&eacute;ticas: a metaliteratura. Tanto o chileno quanto o catal&atilde;o utilizam a literatura como alicerce para suas hist&oacute;rias, destacando-a como fio condutor, tema e / ou personagem. No que concerne a este artigo, entende-se a autofic&ccedil;&atilde;o como uma das perspectivas poss&iacute;veis para se estudar essa literatura sobre literatura, uma perspectiva caracterizada, sobretudo, pelo estudo do papel do personagem-escritor. Nesse sentido, observar em que medida os textos de Bola&ntilde;o e Vila-Matas aproximam-se ou afastam-se de alguns dos conceitos de autofic&ccedil;&atilde;o propostos at&eacute; o momento abre caminho a um melhor entendimento do lugar ocupado pela figura do escritor em suas obras, bem como do cunho autobiogr&aacute;fico que &eacute; associado a seus perfis.</p>      <p>Conforme se busca esclarecer neste trabalho, e com base em uma revis&atilde;o cr&iacute;tica de parte dos subs&iacute;dios te&oacute;ricos dispon&iacute;veis, a leitura aqui desenvolvida distancia-se de tal vertente cr&iacute;tica por n&atilde;o interpretar os vest&iacute;gios autobiogr&aacute;ficos que perpassam os romances de Bola&ntilde;o e Vila-Matas como indicadores de uma nova estrat&eacute;gia narrativa, no caso, a autofic&ccedil;&atilde;o, e sim como mais um entre outros elementos de suas est&eacute;ticas. Emprestando de Enrique Vila-Matas a met&aacute;fora que define sua rela&ccedil;&atilde;o com a literatura de Bola&ntilde;o, este artigo busca ressaltar que o tom pessoal de seus romances frente &agrave;s teorias acerca da autofic&ccedil;&atilde;o parece ecoar a frase de Goethe, tornando-se outro exemplo de que "todo lo cercano se aleja".</p>      <p><b>Sobre o &#8216;retorno do Autor&#8217;</p></b>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The Romantic "author", as originating and original source of meaning may well be dead, as Roland Barthes argued years ago, but his position &#8211; one of discursive authority &#8211; remains, and increasingly is the focus of much contemporary literature and also much theoretical debate. (...) In today&#8217;s metafiction, the artist reappears, not as a God-like Romantic creator &#8211;, but as the inscribed maker of a social product that has the potential to participate in social change through its reader. (...) No longer to believe in the manipulating "author" as a person is to restore the wholeness as the act of the <i>&eacute;nonciation</i>: the "author" becomes a position to be filled, a role to be inferred, by the reader reading the text. (Hutcheon, 1991a: xv-xvi)</p></blockquote>      <p>A recorrente presen&ccedil;a do personagem-escritor nas narrativas contempor&acirc;neas tem levantado reflex&otilde;es sobre o que seria um poss&iacute;vel "retorno do Autor", reavivando assim discuss&otilde;es acerca do papel e do lugar da entidade narrativa, do nome de assinatura na capa do livro, da imagem p&uacute;blica do escritor, etc.</p>      <p>Em seu famoso ensaio de 1967, "A morte do Autor", Barthes defende fundamentalmente que "o nascimento do leitor tem de pagar-se com a morte do Autor" (Barthes, 1988: 70). Em sua concep&ccedil;&atilde;o, "o escritor moderno nasce ao mesmo tempo em que o seu texto" (<i>Idem</i>, 68), de modo que, com o fim do "imp&eacute;rio do Autor", desde Mallarm&eacute;, sua figura n&atilde;o mais serviria de explica&ccedil;&atilde;o ou assumiria a fun&ccedil;&atilde;o de origem da obra. Trata-se, linguisticamente, do emergir de um sujeito da enuncia&ccedil;&atilde;o em detrimento do reconhecimento da pessoa do autor (<i>Idem</i>, 67). Foucault, por outro lado, com "O que &eacute; um autor?" (1969), chama a aten&ccedil;&atilde;o para a "fun&ccedil;&atilde;o autor", alegando que o nome do autor, n&atilde;o sendo "exatamente um nome pr&oacute;prio como os outros" (Foucault, 2006: 273) &#8211; visto que "mais do que uma indica&ccedil;&atilde;o equivale a uma descri&ccedil;&atilde;o" (<i>Idem</i>, 272) &#8211;, &eacute; dotado de uma fun&ccedil;&atilde;o discursiva. Segundo sua vis&atilde;o, n&atilde;o se trata de resgatar sua figura como a origem do texto, mas de aceit&aacute;-la como um complemento do discurso, uma vez que "o anonimato liter&aacute;rio n&atilde;o &eacute; suport&aacute;vel para n&oacute;s" (<i>Idem</i>, 276). Conforme sugere a cita&ccedil;&atilde;o de Hutcheon, a hip&oacute;tese de um "retorno do Autor" atrav&eacute;s das/nas fic&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas n&atilde;o aponta para a recupera&ccedil;&atilde;o do autor como um deus, possuidor de todo o significado, mas parece fundamentar-se tanto no refor&ccedil;o do car&aacute;ter <i>performativo</i> da escrita j&aacute; assinalado por Barthes, quanto em um constante jogo com as diferentes inst&acirc;ncias da "fun&ccedil;&atilde;o autor" defendida por Foucault. Como resultado desse fen&ocirc;meno, multiplica-se na atualidade um tipo de romance (h&iacute;brido) que aposta simultaneamente em estrat&eacute;gias que obscure&ccedil;am os contornos e limites da voz narrativa, fragmentando-a, e em elementos que a associem ao seu maior referente externo, a pessoa do autor.</p>      <p>Tomando como exemplo o conto "Borges y yo", escrito pelo escrito argentino hom&ocirc;nimo em 1960, &eacute; poss&iacute;vel notar o emprego de uma estrat&eacute;gia fundada precisamente em um jogo em torno dessa condi&ccedil;&atilde;o por vezes paradoxal da voz narrativa na literatura contempor&acirc;nea. A oposi&ccedil;&atilde;o de um "eu" narrador a um "outro" chamado Borges apresenta uma voz narrativa que "nasce", fazendo uso do termo de Barthes, junto com o texto, ao mesmo tempo em que se observa uma refer&ecirc;ncia &agrave; bagagem extratextual que o nome Borges carrega consigo, visto que, segundo Foucault, o nome de um autor "manifesta a ocorr&ecirc;ncia de um certo conjunto de discursos, e refere-se ao <i>status</i> desse discurso no interior de uma sociedade e de uma cultura" (Foucault, 2006: 273). O excerto abaixo torna evidente que, longe de uma men&ccedil;&atilde;o gratuita, o "Borges" descrito sugere uma refer&ecirc;ncia &agrave; imagem p&uacute;blica / m&iacute;tica do escritor argentino, a uma imagem constru&iacute;da / encenada que o aproxima da figura do ator; trata-se do escritor que est&aacute; nos dicion&aacute;rios em contraste ao escritor que &eacute; apenas o "eu" de um texto, o "eu" simplesmente escritor:</p>      <blockquote>    <p>Al otro, a Borges, es a quien le ocurren las cosas. Yo camino por Buenos Aires y me demoro, acaso ya mec&aacute;nicamente, para mirar el arco de un zagu&aacute;n y la puerta cancel; de Borges tengo noticias por el correo y <u>veo su nombre en una terna de profesores o en un diccionario biogr&aacute;fico</u>. Me gustan los relojes de arena, los mapas, la tipograf&iacute;a del siglo XVIII, las etimolog&iacute;as, el sabor del caf&eacute; y la prosa de Stevenson; el otro comparte esas preferencias, <u>pero de un modo vanidoso que las convierte en atributos de un actor</u>. Ser&iacute;a exagerado afirmar que nuestra relaci&oacute;n es hostil; yo vivo, yo me dejo vivir, para que Borges pueda tramar su literatura y esa literatura me justifica (Borges, 1996: 186). &#091;sublinhado meu&#093;</p></blockquote>      <p>Entre as diversas leituras poss&iacute;veis, o texto de Borges revela certo di&aacute;logo com o conceito de &#8216;performance&#8217; atualmente associado a narrativas que jogam com a figura autoral na contemporaneidade. Segundo Klinger (2008), a pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o de autofic&ccedil;&atilde;o relacionar-se-ia a uma forma de escrita de si como performance, no sentido art&iacute;stico do termo, por meio da qual observa-se a constru&ccedil;&atilde;o (de car&aacute;ter teatralizado) da imagem do autor dentro do pr&oacute;prio texto. De acordo com essa concep&ccedil;&atilde;o, em textos autoficcionais o autor (vida, refer&ecirc;ncia externa, imagem p&uacute;blica) e o personagem-escritor (texto) constroem-se simultaneamente, independentemente de uma imagem pr&eacute;via que possa existir com rela&ccedil;&atilde;o a esse sujeito (Klinger, 2008: 20). Assim como o ator e seu personagem formam no palco um sujeito duplo, tamb&eacute;m autor e personagem-escritor iserem-se em um <i>work in progress</i>, cabendo ao leitor "assistir ao vivo ao processo de escrita" (<i>Idem</i>, 26).</p>      <p>Delinear os pontos de contato entre a escrita borgeana e o que hoje &eacute; intitulado autofic&ccedil;&atilde;o demandaria uma pesquisa que excede os objetivos deste trabalho. Dito isso, e considerando os fins dessa breve introdu&ccedil;&atilde;o, o que deve ser ressaltado em rela&ccedil;&atilde;o a trabalhos como os de Klinger (2008) &eacute; a aten&ccedil;&atilde;o e import&acirc;ncia dispensadas &agrave; reflex&atilde;o sobre o espa&ccedil;o que essas novas formas da j&aacute; conhecida "estrategia borgeana de desorientar" (Speranza, 2001: 101) &#8211; formas estas muitas vezes interpretadas como resultado de um "desejo narcisista de falar de si" (Klinger, 2008: 13) &#8211;, vem, significativamente, alcan&ccedil;ando nos dias de hoje. Ainda no que tange aos trabalhos desenvolvidos recentemente no Brasil, tamb&eacute;m se destacam as ideias de Azevedo (2008) e Viegas (2007), as quais, em di&aacute;logo com Klinger, defendem que debates sobre a dupla h&iacute;brida autobiografia-fic&ccedil;&atilde;o na atualidade, sejam eles voltados especificamente a esse "retorno do Autor" na literatura contempor&acirc;nea, sejam sobre narrativas perform&aacute;ticas, autoficcionais ou de outra ordem, n&atilde;o podem desconsiderar o papel da cultura midi&aacute;tica na constru&ccedil;&atilde;o da imagem ou do mito do escritor nos dias de hoje. Segundo suas concep&ccedil;&otilde;es, a autofic&ccedil;&atilde;o, por exemplo, seria um tipo textual em di&aacute;logo com o "narcisismo de uma sociedade midi&aacute;tica" (Azevedo, 2008: 32), decorrente de certa "obsess&atilde;o contempor&acirc;nea pela <i>presen&ccedil;a</i>" (Viegas, 2007: 18).</p>      <p>Situando-se no &acirc;mbito dessas discuss&otilde;es, e partindo da hip&oacute;tese de que o personagem-escritor surja como o principal elemento desencadeador de tais reflex&otilde;es, este artigo busca, para al&eacute;m do questionamento do lugar das po&eacute;ticas de Roberto Bola&ntilde;o e Enrique Vila-Matas frente &agrave; autofic&ccedil;&atilde;o, pensar as implica&ccedil;&otilde;es da rela&ccedil;&atilde;o do chileno e do catal&atilde;o com o universo midi&aacute;tico, a fim de explorar os poss&iacute;veis ponto de contato entre obra e exterior na contemporaneidade.</p>      <p><b>Da auto?c&ccedil;&atilde;o ao &#8216;espa&ccedil;o biogr&aacute;?co&#8217;</p></b>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A palavra autofic&ccedil;&atilde;o surge pela primeira vez no romance <i>Fils</i>, publicado em 1977 pelo escritor franc&ecirc;s Serge Doubrovsky, em resposta a uma janela deixada em branco por Philippe Lejeune em <i>Le pacte autobiographique</i>, de 1973; na tabela esbo&ccedil;ada pelo te&oacute;rico, desconsiderava-se a possibilidade de coincid&ecirc;ncia entre o nome do autor e o nome do personagem dentro de um romance, haja vista tratar-se de uma ocorr&ecirc;ncia exclusiva &agrave; autobiografia. <i>Fils</i> surge nesse momento como um afrontamento a essa restri&ccedil;&atilde;o de ordem est&eacute;tica, ao atribuir ao narrador-personagem o mesmo nome presente na capa do livro, Serge Doubrovsky.</p>      <p>Ainda que muitos tenham sido os escritos de Lejeune sobre a repercuss&atilde;o de seu texto, e apesar das novas formula&ccedil;&otilde;es que a autofic&ccedil;&atilde;o vem ganhando na atualidade, defende-se neste trabalho que a relev&acirc;ncia do nome pr&oacute;prio enquanto origem de tal discuss&atilde;o n&atilde;o deva ser esquecida &#8211; Lejeune assume em <i>Le pacte...</i> a possibilidade de a rela&ccedil;&atilde;o de identidade entre o autor, o narrador e o personagem estabelecer-se de forma impl&iacute;cita na autobiografia, mas insiste, a todo o momento, na relev&acirc;ncia de uma identifica&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita, garantida pela repeti&ccedil;&atilde;o do nome do autor.</p>      <p>No que concerne aos atuais estudos acerca da autofic&ccedil;&atilde;o, vale frisar que a cr&iacute;tica &eacute; un&acirc;nime em afast&aacute;-la do "pacto referencial" ao qual a autobiografia estaria, segundo Lejeune (1973), sujeita, isentando-a do que o franc&ecirc;s denomina "prova de verifica&ccedil;&atilde;o". Como bem esclarece Manuel Alberca (2007), a autofic&ccedil;&atilde;o seria um tipo textual regido por "la verdad de las ficciones", uma verdade "de orden y coherencia est&eacute;ticas", diferentemente do g&ecirc;nero autobiogr&aacute;fico, que pode chegar at&eacute; mesmo a uma vertente jur&iacute;dica, consequente de seu compromisso com a verdade (Alberca, 2007: 285). Segundo a tese postulada pelo pesquisador espanhol, verifica-se nesse tipo texto um "pacto amb&iacute;guo" consequente de sua particularidade de n&atilde;o pertencer nem ao pacto romanesco nem ao pacto autobiogr&aacute;fico, mas precisamente &agrave; tens&atilde;o fronteiri&ccedil;a entre esses dois espa&ccedil;os narrativos. Com isso, Alberca n&atilde;o nega o estatuto ficcional da autofic&ccedil;&atilde;o reivindicado j&aacute; em Doubrovsky, de modo que a referida ambiguidade associa-se, sobretudo, a uma confus&atilde;o em torno da figura e do papel do narrador e n&atilde;o da estrutura narrativa:</p>      <blockquote>    <p>la propuesta y la pr&aacute;ctica autoficcional (...) se fundamentan de manera m&aacute;s o menos consciente en confundir persona y personaje o en hacer de la propia persona un personaje, insinuando, de manera confusa y contradictoria, que ese personaje es y no es el autor. (<i>Idem</i>, 32)</p></blockquote>      <p>Embora seja indiscut&iacute;vel a qualidade da revis&atilde;o te&oacute;rica que Alberca oferece em <i>El pacto amb&iacute;guo. De la novela autobiogr&aacute;fica a la autoficci&oacute;n</i> (2007), o qual se revela uma produtiva leitura para aqueles que pretendam entender melhor o caminho percorrido pelos diferentes tipos e g&ecirc;neros de escritas de si nas narrativas em l&iacute;ngua espanhola, alguns dos exemplos de textos autoficcionais listados pelo pesquisador d&atilde;o margem a questionamentos, sobretudo ao deixarem em segundo plano a presen&ccedil;a do nome do autor. Sua sugest&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o de um pacto exclusivo &agrave; autofic&ccedil;&atilde;o, o "pacto amb&iacute;guo", que a afaste n&atilde;o apenas do "pacto autobiogr&aacute;fico", como prev&ecirc; a maior parte da cr&iacute;tica atualmente, mas tamb&eacute;m de um pacto exclusivamente romanesco, contrariando aqueles que a entendem simplesmente como um romance entre tantos poss&iacute;veis, demonstra o rigor de seu estudo e tem o m&eacute;rito de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de se observar as singularidades desse artif&iacute;cio. Por&eacute;m, ao mesmo tempo em que o "pacto amb&iacute;guo" surge como uma inovadora e relevante perspectiva te&oacute;rica, romances como os de Bola&ntilde;o e Vila-Matas citados ao longo de sua an&aacute;lise &#8211; especificamente <i>Estrella Distante</i> (1996a), <i>Los Detectives Salvajes</i> (1998), <i>El mal de Montano</i> (2002) e <i>Doctor Pasavento</i> (2005) &#8211; enfraquecem sua abordagem, por n&atilde;o se configurarem enredos necessariamente determinados pela ambiguidade, ainda que esta assuma seu lugar em passagens determinadas.</p>      <p>Al&eacute;m das ocorr&ecirc;ncias (de cunho autobiogr&aacute;fico) citadas no in&iacute;cio desta se&ccedil;&atilde;o, outras estrat&eacute;gias observadas nos romances de Bola&ntilde;o e Vila-Matas explicam a interpreta&ccedil;&atilde;o de seus textos como autoficcionais, encaixando--se nos par&acirc;metros descritos por Alberca. Em rela&ccedil;&atilde;o a <i>Estrella Distante</i> (1996a), destaca-se a nota introdut&oacute;ria assinada por Bola&ntilde;o, por meio da qual se institui um narrador d&uacute;bio no livro: Arturo Belano (seu <i>alter ego</i> e personagem recorrente de seus textos) / o pr&oacute;prio escritor chileno. De acordo com a nota, e dado que o romance origina-se do &uacute;ltimo cap&iacute;tulo do livro de Bola&ntilde;o que o antecede, <i>La literatura nazi en America</i> (1996b), Belano n&atilde;o ficara satisfeito com o texto anterior do autor &#8211; um texto cuja hist&oacute;ria fora narrada pelo personagem a Bola&ntilde;o &#8211;, o que deu in&iacute;cio &agrave; escrita de <i>Estrella Distante</i>:</p>      <blockquote>    <p>(...) Arturo deseaba una historia m&aacute;s larga (...). As&iacute; pues, nos encerramos durante un mes y medio en mi casa de Blanes y con el &uacute;ltimo cap&iacute;tulo en mano y al dictado de sus sue&ntilde;os y pesadillas compusimos la novela que el lector tiene ahora ante s&iacute;. Mi funci&oacute;n se redujo a preparar bebidas, consultar algunos libros, y discutir, con &eacute;l y con el fantasma cada d&iacute;a m&aacute;s vivo de Pierre Menard, la validez de muchos p&aacute;rrafos repetidos. (Bola&ntilde;o, 1996a: 11)</p></blockquote>      <p>A partir de uma clara men&ccedil;&atilde;o a Borges, Bola&ntilde;o coloca-se na condi&ccedil;&atilde;o de ouvinte, mas n&atilde;o transfere totalmente a autoria do livro a seu <i>alter ego</i>, quase que descrevendo uma obra feita a quatro m&atilde;os. Vale destacar que o chileno opta por apresentar o personagem como Arturo B. ao inv&eacute;s de Arturo Belano &#8211; depois, faz men&ccedil;&atilde;o apenas ao primeiro nome, Arturo, como consta no trecho acima transcrito &#8211;, causando no leitor uma impress&atilde;o compar&aacute;vel &agrave; experimentada por um leitor de Franz Kafka ao se deparar com um de seus personagens "K.".</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com a leitura aqui desenvolvida, em ambos os casos, tanto em Bola&ntilde;o, quanto em Kafka, a familiaridade percebida pelo leitor nos nomes dos personagens n&atilde;o &eacute; considerada suficiente para se levantar d&uacute;vidas quanto ao estatuto ficcional das obras, nem indica um pacto de leitura particular, ainda que seja dif&iacute;cil um leitor ficar indiferente &agrave; provoca&ccedil;&atilde;o dos autores. Por&eacute;m, sob a luz de Manuel Alberca, mais do que uma provoca&ccedil;&atilde;o, a grafia do nome do narrador, ora com um sobrenome de mesma inicial do autor factual (B.), ora com um sobrenome homof&ocirc;nico (Belano / Bola&ntilde;o), se somada ao pr&oacute;logo redigido por Bola&ntilde;o e aos vest&iacute;gios autobiogr&aacute;ficos anteriormente citados, funciona como um alerta inicial de leitura do car&aacute;ter autoficcional do texto que o leitor est&aacute; prestes a descobrir. A partir desses argumentos, pode-se inferir que a presen&ccedil;a de <i>Los Detectives Salvajes</i> (1998) no invent&aacute;rio autoficcional de Alberca, uma inclus&atilde;o n&atilde;o explicada pelo pesquisador, &eacute; justificada pelos mesmos pressupostos, haja vista a reapari&ccedil;&atilde;o e o papel do personagem Arturo Belano nesse romance, bem como os tra&ccedil;os autobiogr&aacute;ficos que Bola&ntilde;o novamente lhe empresta &#8211; nesse contexto, tra&ccedil;os referentes aos anos em que viveu no M&eacute;xico, na companhia do poeta cofundador do Infrarrealismo, Mario Santiago.</p>      <p>A primeira grande quest&atilde;o que se pode levantar sobre uma poss&iacute;vel interpreta&ccedil;&atilde;o de <i>Estrella Distante</i> (1996a) e <i>Los Detectives Salvajes</i> (1998) como sendo textos autoficcionais surge da identidade e do papel assumidos pelos narradores nos dois livros. Diferentemente de <i>El mal de Montano</i> (2002) e <i>Doctor Pasavento</i> (2005), de Enrique Vila-Matas, ambos di&aacute;rios de personagens-escritores, em Bola&ntilde;o os escritores-protagonistas n&atilde;o assumem o papel de narradores, sendo, portanto, apresentados por outros personagens-escritores. Em s&iacute;ntese, observa-se que, contrariamente &agrave; premissa autoficcional de identifica&ccedil;&atilde;o entre autor, narrador e personagem aceita por Alberca, Arturo Belano assume em <i>Estrella Distante</i> (1996a) o papel de um narrador observador (e investigador) respons&aacute;vel por tra&ccedil;ar a biografia/ descrever a trajet&oacute;ria do real protagonista da trama, o misterioso poeta-assasino Carlos Wieder, aviador a servi&ccedil;o dos militares nos anos do Golpe Militar chileno. Tudo o que o leitor descobre acerca do narrador, de tra&ccedil;os de sua personalidade a epis&oacute;dios pessoais, est&aacute; sempre associado a hist&oacute;rias em torno da rela&ccedil;&atilde;o de Belano com Wieder, e n&atilde;o a um falar de si autobiogr&aacute;fico. Considerando-se que nessa obra a biografia do personagem de maior identifica&ccedil;&atilde;o com o autor factual fica em segundo plano, seria poss&iacute;vel atribuir-lhe um "pacto amb&iacute;guo", conforme sugere Alberca? Tendo em vista que a aproxima&ccedil;&atilde;o entre fic&ccedil;&atilde;o e autobiografia d&aacute;-se de forma sutil, caberia falar em uma "vacila&ccedil;&atilde;o interpretativa" por parte do leitor?</p>      <p>Tamb&eacute;m em <i>Los Detectives Salvajes</i> (1998) os pap&eacute;is de narrador e de protagonista s&atilde;o atribu&iacute;dos a personagens distintos, cabendo a Arturo Belano, agora no M&eacute;xico de 1975 e 1976, assumir o segundo deles, encenando, juntamente a seu fiel companheiro Ulises Lima, a busca pela poetisa mexicana desaparecida Ces&aacute;rea Tinajero. Tanto os registros do di&aacute;rio do jovem Garcia Madero, que comp&otilde;e a primeira e a terceira (e &uacute;ltima) parte do romance, quanto os depoimentos dos diferentes personagens inseridos na segunda se&ccedil;&atilde;o do livro tornam duplo o mist&eacute;rio do enredo, j&aacute; que Belano e Ulises apresentam-se t&atilde;o misteriosos quanto o paradeiro e o destino da poetisa por eles procurada. Em s&iacute;ntese, e fazendo uso das palavras da pesquisadora Mar&iacute;a Alejandra Guti&eacute;rrez Tovar, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que h&aacute; insistentemente em Bola&ntilde;o "el enigma de un escritor que debe ser develado por otros" (Guti&eacute;rrez Tovar, 2011: 269).</p>      <p>Com base nesse aspecto, observa-se que o tom policial de seus textos funda-se, com frequ&ecirc;ncia, na dissocia&ccedil;&atilde;o entre escritor-narrador e escritor-protagonista, de modo que a aus&ecirc;ncia da voz do segundo legitime a busca/investiga&ccedil;&atilde;o empreendida pelo primeiro; em outras palavras, tem-se o personagem-escritor como uma pe&ccedil;a fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio. Ao encontro das conclus&otilde;es da Tese de Guti&eacute;rrez Tovar a respeito desses "autores secretos" (<i>Idem</i>, 102), entende-se nesta pesquisa que, embora em certa medida ausentes, "no hay una ausencia total, porque al presentarse al autor como un enigma de alguna manera se demuestra su presencia, aunque parad&oacute;jicamente se haga desde la ausencia" (<i>Ibidem</i>). Cabe destacar que nos romances do chileno descobrir o paradeiro desses poetas confunde-se com a pr&oacute;pria descoberta da literatura. Por meio de Carlos Wieder, o leitor acompanha a descoberta de uma literatura de sofistica&ccedil;&atilde;o perversa, da express&atilde;o da arte como barb&aacute;rie; nela, &eacute;tica e est&eacute;tica estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o conflituosa, que acaba dividindo o narrador--investigador entre uma valora&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica dos atos-po&eacute;ticos de Wieder e um julgamento &eacute;tico de sua postura pol&iacute;tica. Em Ces&aacute;rea Tinajero observa-se a personifica&ccedil;&atilde;o da utopia vanguardista, sendo sua busca uma concomitante procura pelas aproxima&ccedil;&otilde;es entre arte e vida.</p>      <p>A partir dessas considera&ccedil;&otilde;es, conclui-se que a falta de coincid&ecirc;ncia entre voz narrativa e escritor-protagonista, juntamente com a apresenta&ccedil;&atilde;o do perfil de Arturo Belano em meio &agrave; busca da enigm&aacute;tica poeta Tinajero levantam d&uacute;vidas quanto &agrave; sufici&ecirc;ncia da presen&ccedil;a do <i>alter ego</i> de Bola&ntilde;o, ainda que portador de todas as refer&ecirc;ncias autobiogr&aacute;ficas citadas anteriormente, para se instituir (e se manter) uma leitura amb&iacute;gua das obras. At&eacute; mesmo os relatos que de certa forma constroem uma biografia m&iacute;nima de Arturo Belano e Ulises Lima na segunda parte de <i>Los Detectives Salvajes</i> n&atilde;o se limitam &agrave; descri&ccedil;&atilde;o e ao julgamento de suas personalidades, ou seja, n&atilde;o ficam restritos a suas hist&oacute;rias pessoais, mas funcionam, sobretudo, como ampliador do romance. A partir de men&ccedil;&otilde;es a acontecimentos anteriores e posteriores &agrave; morte de Tinajero, fato este que encerra o alcance do di&aacute;rio de Garcia Madero, o cap&iacute;tulo caminha em dire&ccedil;&atilde;o ao retrato de uma gera&ccedil;&atilde;o ao explorar a origem e os desdobramentos do Real Visceralismo.</p>      <p>Em Enrique Vila-Matas discutir o princ&iacute;pio de identidade que norteia a autofic&ccedil;&atilde;o torna-se mais delicado, uma vez que o autor faz da busca e/ ou fragmenta&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria o tema central de seus enredos. Ao incluir <i>El mal de Montano</i> (2002) e <i>Doctor Pasavento</i> (2005) em sua lista de textos autoficcionais, di&aacute;rios narrados respectivamente pelos personagens-escritores Rosario Girondo e Andr&eacute;s Pasavento, Manuel Alberca justifica-se preponderantemente com base no que reconhece como uma ambiguidade constru&iacute;da a n&iacute;vel textual, haja vista os escritores-protagonistas possu&iacute;rem nomes sem nenhuma similaridade ao do autor, impedindo que a ambiguidade ocorra a n&iacute;vel paratextual, isto &eacute;, explicitamente.</p>      <p>Em <i>El mal de Montano</i> o nome do narrador n&atilde;o chega a ser informado ao leitor, j&aacute; que "Rosario Girondo" &eacute; assumido pelo protagonista como um pseud&ocirc;nimo, ou um "matr&oacute;nimo" (Vila-Matas, 2002: 125), por se tratar do empr&eacute;stimo do nome de sua m&atilde;e. Somado a isso, a identidade atribu&iacute;da a esse personagem no primeiro cap&iacute;tulo, momento em que o narrador se apresenta como cr&iacute;tico liter&aacute;rio e pai de um escritor enfermo chamado Montano, &eacute; posteriormente desmentida &#8211; Girondo explica que a hist&oacute;ria exposta no primeiro cap&iacute;tulo correspondia a um livro de sua autoria, uma fic&ccedil;&atilde;o, "la <i>nouvelle</i> en la que se entrelazan la ficci&oacute;n con mi vida real" (<i>Idem</i>, 106) &#8211;, momento em que o pseud&ocirc;nimo passa a ser assumido. Na interpreta&ccedil;&atilde;o de Alberca (2007: 138), o fato de o Eu do narrador e protagonista ser apresentado como um espa&ccedil;o vazio nesse romance garante, junto aos dados autobiogr&aacute;ficos de Vila-Matas e discuss&otilde;es expl&iacute;citas sobre o tema do duplo, a identifica&ccedil;&atilde;o entre narrador, personagem e autor, exemplificando o que o pesquisador entende por "anonimato sugestivo". Com base nisso, afirma-se que <i>El mal de Montano</i> desenvolve com clareza muitos aspectos comuns a textos autoficcionais, como o fato de o "eu" t&iacute;pico desse tipo de narrativa oscilar "entre la carencia de una identidad propia y la necesidad de auto-invenci&oacute;n" (Alberca, 2007: 213). Vale citar que, colaborando com a argumenta&ccedil;&atilde;o de Alberca, o texto que integra a contracapa de <i>El mal de Montano</i> apresenta o romance da seguinte forma: "entre el diario &iacute;ntimo y la novela, el viaje sentimental, la <u>autoficci&oacute;n</u> y el ensayo, <i>El mal de Montano</i> nos propone el triunfo de la literatura" (sublinhado meu).</p>      <p>Fascinado pelo escritor su&iacute;&ccedil;o Robert Walser, que passara seus &uacute;ltimos dias de vida em um manic&ocirc;mio, e desejoso por desaparecer, por fugir da condi&ccedil;&atilde;o de escritor de sucesso, o personagem-escritor, protagonista e narrador de <i>Doctor Pasavento</i>, extrapola o desdobramento de identidade j&aacute; presente em <i>El mal de Montano</i> para adotar um comportamento &agrave; beira da esquizofrenia: do reconhecido escritor catal&atilde;o Andr&eacute;s Pasavento, o personagem, inspirado pela hist&oacute;ria de seu "h&eacute;roe moral", Walser, passa a inventar para si distintas identidades de m&eacute;dicos psiquiatras: de escritor para Dr. Pasavento, seguido de Doctor Ingravallo, o qual se transforma, no decorrer da hist&oacute;ria, em uma esp&eacute;cie de superego do narrador, e por fim, Doctor Pynchon (inspirado no escritor Thomas Pynchon).</p>      <p>Em meio a tantas personalidades associadas &agrave; figura do narrador-protagonista de <i>Doctor Pasavento</i> (2005), &eacute; not&oacute;ria a dificuldade em se identificar um pacto autoficcional com base na reincid&ecirc;ncia do nome autor. Diferentemente de sua leitura de <i>El mal de Montano</i>, Alberca n&atilde;o associa a <i>Doctor Pasavento</i> a ideia de um "anonimato sugestivo", pois neste romance o nome do narrador, Andr&eacute;s Pasavento, &eacute; imediatamente fornecido, e n&atilde;o ocultado por um <i>alter ego</i> como o faz Vila-Matas no primeiro romance. Por&eacute;m, considerando as distintas identidades que seu narrador assume ao longo da narrativa, Alberca explica que, assim como na maioria dos relatos autoficcionais, h&aacute; em <i>Doctor Pasavento</i> o retrato de um sujeito contradit&oacute;rio, "un tipo de h&eacute;roe que hace ostentaci&oacute;n de su fragmentaci&oacute;n y vulnerabilidad" (Alberca, 2007: 279).</p>      <p>Em sua percep&ccedil;&atilde;o, "el objetivo de hacerse invisible tras la propia identidad es una de las metas de Vila-Matas en sus relatos" (<i>Idem</i>, 206); dito de outra forma, para Alberca o uso de diferentes "m&aacute;scaras" num mesmo personagem, ou esse "haz de yos en movimiento" (<i>Idem</i>, 207), afirma-se como uma eficaz estrat&eacute;gia para o autor esconder-se por detr&aacute;s da pr&oacute;pria identidade &#8211; "en la autoficci&oacute;n la identidad del yo narrativo y su autor resultan tan transparentes que podr&iacute;a pasar desapercebido, pues nada mejor que esconderse tras la propria identidad que, al hacerse expl&iacute;cita, resulta impenetrable" (<i>Idem</i>, 205).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>En fin, el h&eacute;roe de la autoficci&oacute;n es un acabado ejemplo del neonarcisismo posmoderno que hace de la fragmentaci&oacute;n y la falta de unidad del sujeto un motivo contradictorio de est&iacute;mulo al autoconocimiento y de necesidad de construirse un mito personal, un suplemento de ficci&oacute;n o vi&aacute;tico que le ayude a transitar por el desierto del ser. Son personajes que cuanto m&aacute;s inter&eacute;s muestran en conocerse, cuanto m&aacute;s saben de si mismos, m&aacute;s fr&aacute;giles y vulnerables se sienten. (Alberca, 2007: 281)</p></blockquote>      <p>Contra-argumentando a an&aacute;lise de Manuel Alberca, inclusive com men&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas a seu livro, o tamb&eacute;m espanhol Jos&eacute; Mar&iacute;a Pozuelo Yvancos (2010) observa mais uma peculiar "figuraci&oacute;n del yo" nos livros Vila-Matas do que um pacto autoficcional. Insistindo na rememora&ccedil;&atilde;o do contexto de origem do neologismo, Pozuelo Yvancos adverte que o princ&iacute;pio de identidade nominal fora decisivo na resposta de Doubrovsky ao "pacto autobiogr&aacute;fico" lejeuneano e que fadar a presen&ccedil;a de uma voz pessoal &agrave; autofic&ccedil;&atilde;o &eacute; desconsiderar as m&uacute;ltiplas possibilidades dessa "figuraci&oacute;n del yo":</p>      <blockquote>    <p>(...) este origen que sigue vinculando la autoficci&oacute;n a la identidad real biogr&aacute;fica coincidente entre personaje y autor (que es la constante inevitable sostenida en la definici&oacute;n de la categor&iacute;a), ha permanecido como fondo impl&iacute;cito que ha hecho entender la cr&iacute;tica que la representaci&oacute;n del yo personal es asimilable a poseer un fondo autobiogr&aacute;fico o, dicho de otro modo, que el problema de la <i>figuraci&oacute;n del yo</i> se resuelve principalmente en la relaci&oacute;n entre el texto y la vida (que es solamente una de las posibilidades que la novela ha experimentado desde que existe). (...) tal presunci&oacute;n y &eacute;nfasis en la correlaci&oacute;n una relaci&oacute;n texto-vida, ha reducido notablemente el panorama de posibilidades de <i>representaci&oacute;n de un yo figurado de car&aacute;cter personal</i>, que no tiene por qu&eacute; coincidir con la autoficci&oacute;n, ni siquiera cuando se establece como personal, puesto que la figuraci&oacute;n de un <i>yo personal</i> puede adoptar formas de representaci&oacute;n distintas a la referencialidad biogr&aacute;fica o existencial, aunque adopte ret&oacute;ricamente algunos de los protocolos de &eacute;sta (por semejanzas o asimilaciones que pueden hacerse de la <i>presencia</i> del autor) (Pozuelo Yvancos, 2010: 22).</p></blockquote>      <p>Diferentemente da autofic&ccedil;&atilde;o, o "eu" presente em Vila-Matas &#8211; e tamb&eacute;m nas narrativas do espanhol Javier Mar&iacute;as, outro escritor analisado em <i>Figuraciones del yo en la narrativa</i> (2010) &#8211; &eacute;, segundo Pozuelo Yvancos, mistificado de forma consciente pelo autor (<i>Idem</i>, 29). Ainda que um tom pessoal seja reconhecido, h&aacute; nesses textos um "yo figurado" que ironiza a pr&oacute;pria distancia entre autor e narrador. Para o pesquisador espanhol, a &uacute;nica identidade reconhec&iacute;vel nos textos vilamatianos &eacute; a <i>identidade liter&aacute;ria</i> (<i>Idem</i>, 140) que o autor construiu para si mesmo atrav&eacute;s de seus personagens, e n&atilde;o sua identidade factual. Nesse ponto, resume-se o eixo da argumenta&ccedil;&atilde;o de Pozuelo Yvancos contra leituras que relacionem VilaMatas a autofic&ccedil;&atilde;o: em sua vis&atilde;o, a porosidade das fronteiras gen&eacute;ricas caracter&iacute;stica dos enredos do catal&atilde;o inclina-se mais para um contato com os g&ecirc;neros ensa&iacute;sticos do que para com a autobiografia; em suma, defende-se a presen&ccedil;a de uma <i>voz</i> familiar vinda de um "eu ensa&iacute;stico" em detrimento do reconhecimento da identidade do autor propriamente dita &#8211; "de manera que figuraciones presentes en novelas o cuentos han sido adelantadas en art&iacute;culos, conferencias y ensayos, existiendo un trasvase continuo entre una parcela de su producci&oacute;n literaria y la otra" (<i>Idem</i>, 144).</p>      <p>Expandido os apontamentos de Pozuelo Yvancos acerca de Vila-Matas para o universo liter&aacute;rio de Bola&ntilde;o, pode-se afirmar que a <i>voz reflexiva</i> definida pelo pesquisador perpassa grande parte da obra de ambos. Trata-se de uma voz "que com&uacute;nmente conocemos asociada al ensayo", mas que &eacute; concedida pelos autores aos seus personagens (Pozuelo Yvancos, 2010: 30); "que le pertenece y no le pertenece al autor, o le pertenece de una forma diferente a la referencial. Le pertenece como voz <i>figurada</i>" (<i>Ibidem</i>). As recorrentes refer&ecirc;ncias a Robert Musil e Robert Walser, em Vila-Matas, e a Enrique Lihn e Nicanor Parra, de um lado, e a Pablo Neruda e Octavio Paz, de outro, em Bola&ntilde;o &#8211; apenas para citar alguns dos principais nomes &#8211;, instigam o leitor a perceber em suas narrativas um discurso liter&aacute;rio marcado por certa linearidade, que transforma suas obras em uma esp&eacute;cie de autobiografia liter&aacute;ria dessa voz figurada ("que pertence e n&atilde;o pertence ao autor").</p>      <p>Em <i>El Mal de Montano</i> (2002) a origem da paralisia liter&aacute;ria experimentada pelo narrador no come&ccedil;o do romance &eacute; por ele interpretada como um "castigo" decorrente do tema de seu &uacute;ltimo livro. Com uma not&oacute;ria refer&ecirc;ncia ao romance anteriormente publicado por Vila-Matas, <i>Bartleby y compa&ntilde;&iacute;a</i> (2001), esp&eacute;cie de cat&aacute;logo que re&uacute;ne refer&ecirc;ncias a escritores que deixaram precocemente de escrever, o personagem suspeita que "estuviera recibiendo un castigo por haber escrito sobre los que dejan de escribir" (Vila-Matas, 2001: 109). Assim como em <i>Estrella Distante</i> (1996a) de Bola&ntilde;o, a cita&ccedil;&atilde;o de Vila-Matas d&aacute; margem &agrave; suspeita de uma dualidade narrativa, contudo, &eacute; preciso ressaltar que se trata de exemplos fundamentalmente ligados a outro recurso comum de suas po&eacute;ticas: a intertextualidade. Ou seja, verifica-se mais a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede intertextual que rememora a voz narrativa / a figura do narrador de outros textos do que uma expl&iacute;cita refer&ecirc;ncia &agrave; figura do autor.</p>      <p>No pr&oacute;logo de <i>Estrella Distante</i> anteriormente comentado, a grafia alternativa do nome de Arturo Belano, Arturo B., sugere ao leitor um v&iacute;nculo entre o <i>alter</i> ego de seus romances e o protagonista de muitos contos do autor, o misterioso personagem "B." &#8211; entre os contos destacam-se "Una aventura literaria" e "Llamadas telef&oacute;nicas", publicados em <i>Llamadas telef&oacute;nicas</i> (1997), e "&Uacute;ltimos atardeceres en la tierra", "D&iacute;as de 1978" e "Vagabundo en Francia y B&eacute;lgica", de <i>Putas asesinas</i> (2001). Com base nessa reincid&ecirc;ncia, uma leitura comparativa-investigativa dos textos de Bola&ntilde;o permitiria interpretar o conjunto de sua obra como uma biografia fragment&aacute;ria de tal personagem. Estrat&eacute;gias como esta constroem um ar familiar ao leitor e d&atilde;o margem para que o autor elabore uma voz narrativa pr&oacute;pria (Pozuelo Yvancos, 2010: 143). No que se refere &agrave; perspectiva adotada neste trabalho, considera-se que determinadas perspectivas te&oacute;ricas latino-americanas recentes, como as da argentina Florencia Garramu&ntilde;o, descrevem de forma mais satisfat&oacute;ria essas po&eacute;ticas do que o conceito de autofic&ccedil;&atilde;o. A rede intertextual aqui destacada &eacute; prevista, por exemplo, como caracter&iacute;stica comum &agrave; literatura formada a partir dos "restos do real" descrita por Garramu&ntilde;o, que interpreta tais "repeti&ccedil;&otilde;es, retornos, releituras e reescritas" como uma manifesta&ccedil;&atilde;o do "questionamento do conceito moderno de originalidade" (Garramu&ntilde;o, 2012: 229). Para a pesquisadora, em an&aacute;lise da obra de Juan Jos&eacute; Saer, mas em refer&ecirc;ncia a ocorr&ecirc;ncias igualmente comuns a Vila-Matas e Bola&ntilde;o, em especial ao segundo, essa repeti&ccedil;&atilde;o de personagens e/ou "amplia&ccedil;&otilde;es e condensa&ccedil;&otilde;es dos tempos narrativos" n&atilde;o apenas conecta as obras, "mas, sobretudo, fazem com que um romance reescreva o outro, dado que a informa&ccedil;&atilde;o desconhecida sobre os personagens num deles, que outro romance rep&otilde;e, funciona corrigindo &#8211; de modo gram&aacute;tico &agrave;s vezes &#8211; a intriga e seu significado" (<i>Idem</i>, 103).</p>      <p>A t&iacute;tulo de s&iacute;ntese, e recorrendo a um dos romances aqui analisados como exemplo, faz-se v&aacute;lida a pergunta: quantos leitores de <i>Estrella Distante</i> relacionariam, sem um aviso pr&eacute;vio, a pris&atilde;o do narrador Arturo Belano a um fato vivenciado pelo autor do livro, decorrente de sua postura pol&iacute;tica no contexto do Golpe Militar? Tanto a veracidade do ocorrido quanto uma d&uacute;vida em rela&ccedil;&atilde;o a esta s&atilde;o irrelevantes na leitura dessa obra, pois o pacto de leitura estabelecido entre Bola&ntilde;o e seu leitor &eacute; genuinamente ficcional. Em outras palavras, &eacute; preciso ter-se em conta que os leitores n&atilde;o necessariamente conhecem a biografia dos autores, salvo suas nacionalidades e faixas et&aacute;rias. Logo, sem a expl&iacute;cita informa&ccedil;&atilde;o de que autor e narrador possam dividir dados pessoais comuns, o pacto de leitura autoficcional n&atilde;o &eacute; atestado. Conclui-se, portanto, que, enquanto o "pacto autobiogr&aacute;fico" assegura a "certeza" quanto ao que &eacute; lido, o pacto autoficcional, pautado na reincid&ecirc;ncia do nome pr&oacute;prio, asseguraria a certeza da d&uacute;vida.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, ao se considerar o cen&aacute;rio (social, econ&ocirc;mico e cultural) da literatura contempor&acirc;nea, &eacute; preciso reconhecer que o advento da internet, somado a certa espetaculariza&ccedil;&atilde;o associada &agrave; ind&uacute;stria editorial nos dias de hoje, aproximou o escritor de seu p&uacute;blico, n&atilde;o sendo raras as ocasi&otilde;es em que este conhece em detalhes a vida e personalidade de determinado autor. Barthes j&aacute; criticara em "A morte do autor" (1967) a exacerbada import&acirc;ncia conferida &agrave; "pessoa" do autor, de modo que junto ao an&uacute;ncio de sua "morte", pretendido por seu ensaio, v&ecirc;-se a admiss&atilde;o de que a figura do escritor ainda reinava "nos manuais de hist&oacute;ria liter&aacute;ria, nas biografias de escritores, nas entrevistas dos peri&oacute;dicos, e na pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia dos literatos, ciosos por juntar, gra&ccedil;as ao seu di&aacute;rio intimo, a pessoa e a obra" (Barthes, 1988: 66). Trata-se de um fen&ocirc;meno n&atilde;o apenas igualmente v&aacute;lido para a atualidade, mas que desde a d&eacute;cada de 70 sofreu um gradual agravamento. Junto a um bom &ecirc;xito de vendas, os escritores, incluindo Bola&ntilde;o e Vila-Matas, deparam-se com uma proporcional participa&ccedil;&atilde;o em eventos e feiras liter&aacute;rias, al&eacute;m de diversos convites para entrevistas (para TV, jornais, revistas e internet), etc. Como bem assinala Alberca (2007: 24-25), ao deixar para tr&aacute;s a posi&ccedil;&atilde;o de relev&acirc;ncia e prest&iacute;gio social do s&eacute;culo XIX, o escritor perde seu car&aacute;ter heroico e passa a ter um valor mercantil, que, paradoxalmente, o coloca em evid&ecirc;ncia ao mesmo tempo em que o "democratiza", tornando-o uma figura "banal".</p>      <p>Reiterando o argumento inicial, pode-se afirmar que, no que diz respeito &agrave; relev&acirc;ncia da identifica&ccedil;&atilde;o do nome do autor em textos autoficcionais, essa crescente valoriza&ccedil;&atilde;o da imagem p&uacute;blica do escritor n&atilde;o traz grandes implica&ccedil;&otilde;es, pois, o que est&aacute; (ou, ao menos, deveria estar) em jogo na autofic&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o os conhecimentos pr&eacute;vios do leitor, mas o alerta para um protocolo espec&iacute;fico de leitura. Os leitores podem ser dotados de diferentes graus de conhecimento da biografia dos autores, entretanto, uma vez instaurado o pacto autoficcional, essas poss&iacute;veis informa&ccedil;&otilde;es perdem valor, dando protagonismo &agrave; incerteza (o que &eacute; verdadeiro passa a soar falso, o falso come&ccedil;ar a parecer verdadeiro), n&atilde;o importando a constata&ccedil;&atilde;o dos fatos.</p>      <p>A morte prematura de Bola&ntilde;o em 2003 fez com que o autor n&atilde;o vivenciasse a era midi&aacute;tica com a mesma plenitude que Vila-Matas. &Eacute; not&oacute;rio que a frequente rela&ccedil;&atilde;o do espanhol com a internet e os jornais tornou suas publica&ccedil;&otilde;es de dom&iacute;nio p&uacute;blico t&atilde;o acessadas e requisitadas quanto seus livros. Consciente disso, Vila-Matas faz da ironia sua marca registrada para lidar com os compromissos de seu of&iacute;cio, de modo que a veracidade das opini&otilde;es e relatos proferidos por meio de entrevistas, <i>blogs</i> etc. &eacute; posta em causa pelo leitor. Repetindo a estrat&eacute;gia empregada em suas fic&ccedil;&otilde;es, o autor atribui &agrave; sua imagem p&uacute;blica uma biografia t&atilde;o duvidosa quanto &agrave;s de seus narradores, exercendo uma autofic&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o dupla. Nesse sentido, Vila-Matas torna-se um bom exemplo de que uma eventual consci&ecirc;ncia dos leitores quanto &agrave; biografia de escritores n&atilde;o significa necessariamente um conhecimento da "verdadeira" vida dos autores, mas das hist&oacute;rias e dados pessoais que esses autores assumem /atribuem a si mesmos. Na vis&atilde;o de Alberca, em ressalva &agrave; (im)possibilidade do g&ecirc;nero autobiogr&aacute;fico, &eacute; necess&aacute;rio relembrar que em volta do conceito de "verdade" tem-se em jogo mais o cr&eacute;dito que o leitor d&aacute; &agrave;s declara&ccedil;&otilde;es do autor devido ao comprometimento que sua voz e/ou contexto profere, do que a garantia de uma verdade indiscut&iacute;vel inerente ao g&ecirc;nero (Alberca, 2007: 46-47).</p>      <p>Atenta ao atual alcance dos "g&ecirc;neros biogr&aacute;ficos midi&aacute;ticos" (<i>blogs</i>, entrevistas, redes sociais, entre muitos outros), Leonor Arfuch (2010) faz uso do termo "espa&ccedil;o biogr&aacute;fico" para referir-se tanto a modelos biogr&aacute;ficos cl&aacute;ssicos quanto a g&ecirc;neros discursivos atuais, muitos deles relacionados &agrave; ind&uacute;stria cultural; em sua opin&atilde;o, trata-se de "um espa&ccedil;o comum de intelec&ccedil;&atilde;o dessas diversas narrativas" (Arfuch, 2010: 37). Defendendo, em di&aacute;logo com Bakhtin, a impossibilidade de identifica&ccedil;&atilde;o entre "autor e personagem, nem mesmo na autobiografia, porque n&atilde;o existe coincid&ecirc;ncia entre a experi&ecirc;ncia vivencial e a &#8216;totalidade art&iacute;stica&#8217;" (<i>Idem</i>, 55), Arfuch contesta as formula&ccedil;&otilde;es de Lejeune e Starobinski e justifica a import&acirc;ncia de se pensar os g&ecirc;neros biogr&aacute;ficos na contemporaneidade a partir do conceito de "espa&ccedil;o biogr&aacute;fico" em detrimento de modelos narrativos e pactos de leitura r&iacute;gidos:</p>      <blockquote>    <p>Na impossibilidade de chegar a uma f&oacute;rmula "clara e total", de distinguir com propriedade, para al&eacute;m do "pacto" (de Lejeune) explicitado, entre formas auto e "heterodieg&eacute;ticas", entre, por exemplo, autobiografia, romance e romance autobiogr&aacute;fico, o centro das aten&ccedil;&otilde;es se deslocar&aacute; ent&atilde;o para um <i>espa&ccedil;o biogr&aacute;fico</i>, onde, um tanto mais livremente, o leitor poder&aacute; integrar as diversas focaliza&ccedil;&otilde;es provenientes de um ou outro registro, o "ver&iacute;dico" e o ficcional, num sistema compat&iacute;vel de cren&ccedil;as. Nesse espa&ccedil;o, podemos acrescentar, com o treinamento de mais de dois s&eacute;culos, esse leitor estar&aacute; igualmente em condi&ccedil;&otilde;es de jogar os jogos do equ&iacute;voco, das armadilhas, das m&aacute;scaras, de decifrar os desdobramentos, essas perturba&ccedil;&otilde;es de identidade que constituem <i>topoi</i> j&aacute; cl&aacute;ssicos da literatura. (Arfuch, 2010: 56)</p></blockquote>      <p>Os apontamentos de Arfuch sobre a entrevista midi&aacute;tica, g&ecirc;nero privilegiado ao longo de sua an&aacute;lise, fornecem bons subs&iacute;dios para o entendimento do contexto ao qual Bola&ntilde;o e Vila-Matas pertencem, al&eacute;m de esbo&ccedil;ar poss&iacute;veis justificativas para a frequente rela&ccedil;&atilde;o de suas po&eacute;ticas ao recurso autoficcional. Nas palavras da pesquisadora, "entre os territ&oacute;rios biogr&aacute;ficos que a entrevista conquistou, h&aacute; um privilegiado: o dos escritores (...), aos quais, paradoxalmente, se solicita um suplemento de outra voz" (<i>Idem</i>, 209). Em s&iacute;ntese, nota-se uma correla&ccedil;&atilde;o entre perguntas de cunho profissional e &iacute;ntimo que tendem &agrave; "constru&ccedil;&atilde;o compartilhada de uma narrativa pessoal" do entrevistado (<i>Idem</i>, 212), necess&aacute;ria, por sua vez, &agrave; configura&ccedil;&atilde;o (mercadol&oacute;gica) da imagem p&uacute;blica (ou mito) do autor. Ao buscar por esta "outra voz", a entrevista hoje seria caracterizada, sobretudo, pela tentativa de se conhecer o "al&eacute;m da obra". Com base nesses pontos, Arfuch discorre sobre o porqu&ecirc; de a entrevista nada assegurar quanto &agrave; identidade do escritor, ainda que esteja atualmente imersa em um "espa&ccedil;o biogr&aacute;fico":</p>      <blockquote>    <p>Como em qualquer tipo de entrevista, e por mais especializada que seja, haver&aacute; uma constru&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca do personagem, entrevistador e entrevistado, uma apresenta&ccedil;&atilde;o muito cuidadosa de si &#8211; n&atilde;o em v&atilde;o s&atilde;o compartilhados um saber sobre o poder e a significa&ccedil;&atilde;o do dizer e do mostrar &#8211;, uma previs&iacute;vel barreira interposta entre narra&ccedil;&atilde;o e intimidade, mesmo quando abundam anedotas (Arfuch, 2010: 217).</p></blockquote>      <p>O caso de Bola&ntilde;o e Vila-Matas serve de exemplo para muitas das observa&ccedil;&otilde;es feitas por Arfuch. A consci&ecirc;ncia de uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre as experi&ecirc;ncias biogr&aacute;ficas de ambos e alguns epis&oacute;dios de suas narrativas t&ecirc;m como principal fonte as declara&ccedil;&otilde;es proferidas (ou as "narrativas pessoais constru&iacute;das") em entrevistas:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>&#8211; <i>&iquest;Has formado parte de alg&uacute;n grupo po&eacute;tico semejante al &laquo;real-visceralismo&raquo; de</i> Los detectives salvajes<i>?</i></p>      <p>RB: S&iacute;, s&iacute;. El infrarrealismo. Mario Santiago, un poeta mexicano, y yo lo fundamos en M&eacute;xico, en el a&ntilde;o 74 o 75, ya no me acuerdo. Que es lo que est&aacute; detr&aacute;s del real-visceralismo de <i>Los detectives salvajes</i>. El infrarrealismo. Que fue un movimiento totalmente dada&iacute;sta, anarquista, y con el que nos divertimos como chinos. Editamos revistas, como <i>Correspondencia Infra, Rimbaud, vuelve a casa</i>, y cosas as&iacute; (Bola&ntilde;o <i>apud</i> Gras Miravet, 2000: 55).</p>      <p>&#8211; <i>Precisamente, a partir de la publicaci&oacute;n de</i> Los detectives salvajes<i>, el lector de tus novelas suele considerar el personaje Arturo Belano como un alter ego tuyo, &iquest;aceptas esta lectura, consideras Arturo Belano como una de tus m&aacute;scaras?</i></p>      <p>RB: En cierta forma. Es un <i>alter ego</i> en el sentido de que hay cosas que le pasan a &eacute;l que a m&iacute; me han ocurrido. Pero en otros casos, no, por supuesto. Como cualquier <i>alter ego</i>. Es decir, un <i>alter ego</i> es lo que uno querr&iacute;a ser, pero tambi&eacute;n es lo que uno se ha salvado de ser. Yo me salve de ser Arturo Belano, y hubiera querido ser tambi&eacute;n en alg&uacute;n otro momento Arturo Belano. Por lo dem&aacute;s, much&iacute;simas cosas en com&uacute;n. (<i>Idem</i>, 62).</p>      <p>&#8211; <i>(...) Pero te detuvieron.</i></p>      <p>RB: Me detuvieron, pero un mes y medio despu&eacute;s (del Golpe), en el sur.</p>      <p>&#8211; <i>Y te ayudaron a escapar unos compa&ntilde;eros.</i></p>      <p>RB: Unos compa&ntilde;eros de liceo. Estuve detenido ocho d&iacute;as, aunque poco, en Italia, me preguntaron: &iquest;qu&eacute; le pas&oacute; a usted?, &iquest;nos puede contar algo de su medio a&ntilde;o en prisi&oacute;n? Y eso debe al malentendido de un libro en alem&aacute;n donde me pusieron medio a&ntilde;o de prisi&oacute;n. Al principio me pon&iacute;an menos tiempo. Es el t&iacute;pico tango latinoamericano. En el primer libro que me editan en Alemania me ponen un mes de prisi&oacute;n; en el segundo, en vistas que el primero no ha vendido tanto, me suben tres meses; en el tercer libro a cuatro meses, en el cuarto libro a cinco meses y, como siga, todav&iacute;a voy a estar preso (Bola&ntilde;o <i>apud</i> &Aacute;lvarez, 2005: 37-38).</p></blockquote>      <p>Diferentemente de Bola&ntilde;o, que reage com naturalidade frente a perguntas que buscam aproximar ou verificar poss&iacute;veis pontos de contato entre fic&ccedil;&atilde;o e realidade, Vila-Matas revela certo inc&ocirc;modo quando confrontado &agrave; mesma esp&eacute;cie de indaga&ccedil;&atilde;o:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p><i>(...)</i></p>      <p>VM: Ahora que lo pienso: siempre que termino una novela, las preguntas de los periodistas giran alrededor de si me ha ocurrido o no aquello que escrib&iacute;.</p>      <p><i>&#8211; &iquest;Es muy pesado eso?</i></p>      <p>VM: S&iacute;, casi que dejar&iacute;as de escribir para no tener que contestar esa pregunta (risa). &iquest;Y si hubiera pasado de verdad, qu&eacute;? Hay una escritora amiga de Franzen que a esa pregunta siempre dice que hay en su novela un 17 por ciento de autobiogr&aacute;fico. En las m&iacute;as el porcentaje se eleva al 27, que es un n&uacute;mero shandy (Vila-Matas <i>apud</i> Meruane, 2013: s/p).</p></blockquote>      <p>Especificamente no que diz respeito ao conte&uacute;do das declara&ccedil;&otilde;es do espanhol, &eacute; prov&aacute;vel que suas frequentes opini&otilde;es acerca do recurso autoficcional possam ter exercido, e/ou ainda exer&ccedil;am, certa influ&ecirc;ncia no recorrente interesse dos pesquisadores pela poss&iacute;vel proximidade entre esta estrat&eacute;gia e seus romances:</p>      <blockquote>    <p><i>&#8211; Siempre me he preguntado qu&eacute; pensar&aacute; Vila-Matas sobre esta forma de escritura (la autoficci&oacute;n). &iquest;La practicar&aacute; de forma consciente? &iquest;Ver&aacute; en ella una forma de futuro para la novela?</i></p>      <p>VM: Aprecio del libro de Alberca &#8211; libro irregular, repetitivo despu&eacute;s de las l&iacute;neas que dedica a mis libros &#8211; que haya sabido tener en cuenta que ya en 1992 escrib&iacute;a yo autoficci&oacute;n muy conscientemente, aunque debo confesar que en aquel entonces desconoc&iacute;a por completo el t&eacute;rmino autoficci&oacute;n. En 1992 es cuando publiqu&eacute; <i>Recuerdos inventados</i>, libro cuyo mismo t&iacute;tulo lo dice todo. Me adelant&eacute; a muchos, que yo sepa (Vila-Matas <i>apud</i> Arroyo &amp; Fern&aacute;ndez, 2008: 201).</p>      <p>VM: Considero &#8211; como dec&iacute;a Nabokov &#8211; que la mejor parte de la biograf&iacute;a de un escritor no es la cr&oacute;nica de sus aventuras, sino la historia de su estilo. Y mi estilo ha ido evolucionando lentamente hacia lo que algunos llaman la <i>autoficci&oacute;n</i>, que es un neologismo creado por el profesor y novelista franc&eacute;s Serge Doubrovsky en 1977. Hasta ah&iacute; todo lo que s&eacute; sobre la autoficci&oacute;n. Me sonrojo de pronto. Me doy cuenta de que debo pedir perd&oacute;n, pues s&eacute; algunas cosas m&aacute;s sobre el tema. Ya ven ustedes c&oacute;mo soy. Sin apenas darme cuenta, me hab&iacute;a puesto ya a hacer <i>autoficci&oacute;n</i>. S&iacute;, s&eacute; algunas cosas m&aacute;s. S&eacute;, por ejemplo, que la autoficci&oacute;n es la autobiograf&iacute;a bajo sospecha. Y s&eacute; tambi&eacute;n que, muchos a&ntilde;os antes de que oyera hablar de <i>autoficci&oacute;n</i>, escrib&iacute; un libro que se llamo <i>Recuerdos inventados</i>, donde me apropiaba de los recuerdos de otros para construirme mis recuerdos personales. Todav&iacute;a hoy sigo sin saber si eso era o no autoficci&oacute;n. El hecho es que con el tempo aquellos recuerdos se me han vuelto totalmente verdaderos. Lo dir&eacute; m&aacute;s claro: <i>son mis recuerdos</i> (Vila-Matas <i>apud</i> Heredia, 2007: 16-17).</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Al&eacute;m de ter-se em conta o papel do contexto midi&aacute;tico na insistente associa&ccedil;&atilde;o entre autobiografia e fic&ccedil;&atilde;o, a repetida men&ccedil;&atilde;o de Vila-Matas a seu livro <i>Recuerdos inventados</i> (1994) chama a aten&ccedil;&atilde;o para outro grande motivador de leituras que interpretam seus romances, e tamb&eacute;m os de Bola&ntilde;o, como autofic&ccedil;&otilde;es: ainda que os t&iacute;tulos citados ao longo deste ensaio afastem-se das premissas desse tipo textual, isso n&atilde;o significa que a autofic&ccedil;&atilde;o esteja completamente ausente de suas obras. "Carnet de baile" e "Encuentro con Enrique Lihn" de Bola&ntilde;o, por exemplo, respondem a todos os pressupostos da autofic&ccedil;&atilde;o aqui discutidos: apesar de se tratarem de textos compilados na colet&acirc;nea de contos <i>Putas asesinas</i> (2001), e n&atilde;o de romances, o narrador em primeira pessoa explicitamente identificado como Roberto Bola&ntilde;o surge como um desestabilizador do pacto de leitura, tornando-o, como sugere a teoria de Alberca, amb&iacute;guo. O primeiro descreve a rela&ccedil;&atilde;o do narrador com a obra de Neruda, entrela&ccedil;ando experi&ecirc;ncias pessoais e epis&oacute;dios de sua forma&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria como um todo, e tendo por frase inicial "1. Mi madre nos le&iacute;a a Neruda en Quilpu&eacute;, en Cauquenes, en Los &Aacute;ngeles" (Bola&ntilde;o, 2001: 207). Nele, a identifica&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita entre autor e narrador d&aacute;-se atrav&eacute;s da men&ccedil;&atilde;o do nome do av&ocirc; do narrador, "Roberto &Aacute;valos Mart&iacute;", enquanto que no segundo conto, como o pr&oacute;prio t&iacute;tulo sugere, narra-se um suposto encontro entre Bola&ntilde;o e Lihn:</p>      <blockquote>    <p>De cualquier forma lo que quer&iacute;a decir es que yo a Lihn lo conoc&iacute;a y que no era por tanto necesaria ninguna presentaci&oacute;n. Sin embargo los entusiastas proced&iacute;an a presentarme y tanto Lihn como yo no objet&aacute;bamos nada. As&iacute; que all&iacute; est&aacute;bamos, en un reservado, y unas voces dec&iacute;an &eacute;ste es <u>Roberto Bola&ntilde;o</u> y yo tend&iacute;a la mano, mi brazo se incrustaba en la oscuridad del reservado, y recib&iacute;a la mano de Lihn, una mano ligeramente fr&iacute;a que estrechaba durante unos segundos, la mano de una persona triste, pensaba entonces, una mano y un apret&oacute;n de manos que se correspond&iacute;a a la perfecci&oacute;n con el rostro que en aquel instante me miraba sin reconocerme (Bola&ntilde;o, 2001: 216). &#091;sublinhado meu&#093;</p></blockquote>      <p>Curiosamente, o fato de ambas as narrativas encerrarem o livro ap&oacute;s terem sido precedidas tanto por contos em conformidade com o modelo cl&aacute;ssico atribu&iacute;do ao g&ecirc;nero quanto por hist&oacute;rias protagonizadas pelo personagem B. abre caminho &agrave; suspeita de que a disposi&ccedil;&atilde;o sequencial dos textos que formam de <i>Putas asesinas</i> (2001), ou seja, sua macroestrutura, n&atilde;o tenha sido acidentalmente definida, mas que funcione como uma prepara&ccedil;&atilde;o, gradual e consciente, do espa&ccedil;o autoficcional que marca o fim da obra.</p>       <p>Assim como <i>Putas asesinas</i>, <i>Recuerdos inventados</i> &eacute; um livro de contos, a primeira antologia pessoal do autor &#8211; a obra re&uacute;ne, al&eacute;m de contos in&eacute;ditos, textos de <i>Nunca voy al cine</i> (1982)<i>, Suicidios ejemplares</i> (1991) e <i>Hijos sin hijos</i> (1993). Entretanto, ainda que o t&iacute;tulo funcione como uma boa met&aacute;fora para se definir, &agrave; Vila-Matas, a autofic&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o poucas as narrativas inclu&iacute;das nessa colet&acirc;nea que levantam d&uacute;vidas quanto ao car&aacute;ter ficcional do pacto de leitura estabelecido. No que concerne &agrave; produ&ccedil;&atilde;o do espanhol, s&atilde;o <i>Par&iacute;s no se acaba nunca</i> (2003) e <i>Dietario voluble</i> (2008) as publica&ccedil;&otilde;es recorrentemente analisadas sob os preceitos da autofic&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, ao contr&aacute;rio do que sugere o conceito de autofic&ccedil;&atilde;o desde a men&ccedil;&atilde;o de Doubrovsky, ou seja, um texto que se assume ficcional para ent&atilde;o a todo o momento subverter este estatuto, tanto <i>Par&iacute;s...</i> quanto <i>Dietario...</i> apresentam-se como relatos e posteriormente t&ecirc;m seu car&aacute;ter de veracidade posto em prova, devido, preponderantemente, ao estilo efabulador de Vila-Matas. Eis ent&atilde;o uma importante pergunta: qual &eacute; a linha que separa um texto fortemente h&iacute;brido das particularidades de um texto tido como autoficcional?</p>      <p><i>Par&iacute;s no se acaba nunca</i> &eacute; apresentado como um conjunto de relatos de epis&oacute;dios que marcaram o per&iacute;odo em que Vila-Matas viveu em Paris durante sua juventude, e <i>Dietario voluble</i> como um livro correspondente ao conte&uacute;do registrado no caderno de anota&ccedil;&otilde;es pessoais do autor de 2005 a 2008. O personagem e narrador &eacute; Vila-Matas, e as porosas fronteiras entre realidade e fic&ccedil;&atilde;o s&atilde;o destacadas j&aacute; nas sinopses que integram as contracapas dos livros:</p>      <blockquote>    <p><i>Par&iacute;s no se acaba nunca</i> es una revisi&oacute;n ir&oacute;nica de los d&iacute;as de aprendizaje literario del narrador en el Par&iacute;s de los a&ntilde;os setenta. Fundiendo magistralmente autobiograf&iacute;a, ficci&oacute;n y ensayo, nos va contando la aventura en la que se adentr&oacute; cuando, en una buhardilla de Par&iacute;s, redact&oacute; su primer libro.</p>      <p><i>Dietario voluble</i> abarca los tres &uacute;ltimos a&ntilde;os (2005-2008) del cuaderno de notas personal de Enrique Vila-Matas. Al tratarse de un diario literario que se origina en la lectura, es una obra escrita desde el centro mismo de la escritura. (...) No se aleja, adem&aacute;s, Dietario voluble de los procedimientos literarios m&aacute;s habituales en Vila-Matas, donde las diferencias estil&iacute;sticas entre libros de ficci&oacute;n y colecciones de ensayos son cada vez menos relevantes y m&aacute;s fieles a una feliz consigna de literatura h&iacute;brida y fragmentaria en la que los l&iacute;mites siempre se confunden y la realidad baila en la frontera con lo ficticio, y el ritmo borra esa frontera.</p></blockquote>      <p>Leituras que explorem a proximidade entre essas hist&oacute;rias e a autofic&ccedil;&atilde;o possuem, portanto, fundamentos, entretanto, o predominante grau de referencialidade que funda esses enredos se comparado a outras narrativas amb&iacute;guas coloca em relevo os desafios de tal abordagem anal&iacute;tica. Ciente de que na obra vilamatiana certa "vacila&ccedil;&atilde;o interpretativa" por parte do leitor evela-se um lugar comum, independentemente de haver ou n&atilde;o resqu&iacute;cios autoficcionais &#8211; haja vista o hibridismo de g&ecirc;neros e outros jogos com a linguagem n&atilde;o se configurarem apenas marcas do estilo liter&aacute;rio do autor, mas a origem e base do mesmo &#8211;, Alba del Pozo Garc&iacute;a (2009) sugere uma interpreta&ccedil;&atilde;o menos redutora sobre a autofic&ccedil;&atilde;o que permeia alguns livros do escritor espanhol: segundo a pesquisadora, para al&eacute;m de um "pacto amb&iacute;guo", nota-se em Vila-Matas um "pacto ir&oacute;nico", visto que "ante un narrador tan ir&oacute;nico, un eventual pacto de lectura en clave biogr&aacute;fica se desautomatiza completamente" (Del Pozo Garc&iacute;a, 2009: 93).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Considera&ccedil;&otilde;es ?nais</p></b>      <blockquote>    <p>Essa insist&ecirc;ncia em nos convencer da proximidade &#8211; e at&eacute; identidade &#8211; entre vida e obra, em acentuar o car&aacute;ter (pretensamente) testemunhal, autobiogr&aacute;fico ou autorreferencial de textos que n&atilde;o o s&atilde;o explicitamente, &eacute; mais uma prova da extens&atilde;o do espa&ccedil;o biogr&aacute;fico contempor&acirc;neo, enquanto ancoragem obsessiva &#8211; e tranquilizadora? &#8211; numa hipot&eacute;tica unidade do sujeito (Arfuch, 2010: 235).</p></blockquote>      <p>Este artigo teve como foco repensar o car&aacute;ter autoficcional frequentemente atribu&iacute;do aos textos de Bola&ntilde;o e Vila-Matas, abrangendo tanto quest&otilde;es de cunho formal, quanto fatores externos ao texto, em especial a influ&ecirc;ncia exercida pelo contexto midi&aacute;tico na constru&ccedil;&atilde;o de biografias de escritores na atualidade, bem como na recep&ccedil;&atilde;o e leitura de suas obras.</p>      <p>Conforme indica a leitura aqui exposta, os vest&iacute;gios autobiogr&aacute;ficos que perpassam os personagens-escritores de <i>Estrella Distante</i> (1996a), <i>Los Detectives Salvajes</i> (1998), <i>El mal de Montano</i> (2002) e <i>Doctor Pasavento</i> (2005) n&atilde;o obscurecem, confundem e/ou aproximam significativamente as identidades do autor e do narrador/personagem/protagonista, n&atilde;o havendo, portanto, uma desestabiliza&ccedil;&atilde;o do pacto de leitura inicialmente instaurado. Ao encontro dos apontamentos de Linda Hutcheon sobre os poss&iacute;veis contornos de uma "po&eacute;tica do p&oacute;s-modernismo", assume-se que a presen&ccedil;a do nome pr&oacute;prio, ainda que na qualidade de um "designador r&iacute;gido da realidade", "n&atilde;o enquadra nem nega o referente (por mais que este seja definido)", mas surge nas fic&ccedil;&otilde;es atuais como um problematizador de "toda a atividade de refer&ecirc;ncia" (Hutcheon, 1991b: 196). Nesse sentido, ao defender a coincid&ecirc;ncia entre o nome do autor e do personagem-escritor como um elemento formal fundador da autofic&ccedil;&atilde;o, este trabalho n&atilde;o visa propor defini&ccedil;&otilde;es redutoras ou dotadas de um formalismo radical, mas sim dar destaque a abordagens te&oacute;ricas atentas ao contexto de origem do termo, no qual a reincid&ecirc;ncia do nome do autor assume uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e relevante (precisamente por instaurar a "problematiza&ccedil;&atilde;o de toda a atividade de refer&ecirc;ncia" mencionada por Hutcheon), e &agrave; necessidade de conceitua&ccedil;&otilde;es que caminhem rumo a uma m&iacute;nima diferencia&ccedil;&atilde;o entre a autofic&ccedil;&atilde;o e outros textos h&iacute;bridos de vertente autobiogr&aacute;fica.</p>      <p>Por fim, entende-se que o conceito de "espa&ccedil;o biogr&aacute;fico" formulado por Leonor Arfuch p&otilde;e em evid&ecirc;ncia alguns dos contornos do cen&aacute;rio experimentado pelos dois escritores. Ao destacar certa "<i>obsessiva apresenta&ccedil;&atilde;o &#8216;biogr&aacute;fica&#8217; de todo tipo de relato</i>" (Arfuch, 2010: 235) como um fen&ocirc;meno da contemporaneidade, Arfuch busca observar de que modo as entrevistas, os ensaios, os romances, e, em certa medida, grande parte da fortuna cr&iacute;tica de escritores passaram a compartilhar um mesmo espa&ccedil;o, de dimens&atilde;o "intertextual e interdicursiva" (<i>Idem</i>, 59), tornando-se todos, igualmente, fontes de dados biogr&aacute;ficos. Bola&ntilde;o e Vila-Matas, imersos nesse contexto, dada a evidente predile&ccedil;&atilde;o de ambos por estrat&eacute;gias narrativas que desafiem os limites que separam realidade e fic&ccedil;&atilde;o, ilustram muitas das consequ&ecirc;ncias que este "espa&ccedil;o biogr&aacute;fico" reserva aos escritores nos dias de hoje, sendo a (por vezes) precipitada vincula&ccedil;&atilde;o de seus romances ao recurso autoficcional apenas um exemplo entre outros poss&iacute;veis.</p>      <p>Na an&aacute;lise que a pesquisadora Ana Cecilia Olmos (2011) faz dos "limites da autobiografia" na obra Mario Bellatin, por exemplo, considerando diferentes estrat&eacute;gias narrativas de aproxima&ccedil;&atilde;o do narrador &agrave; figura do autor, desde a presen&ccedil;a de enuncia&ccedil;&otilde;es subjetivas que prescindem da media&ccedil;&atilde;o da personagem (Olmos, 2011: 14), at&eacute; a ocorr&ecirc;ncia de personagens que n&atilde;o levam o nome do autor, mas que escreveram um livro por ele publicado (<i>Idem</i>, 15), v&ecirc;-se, sem qualquer alus&atilde;o ao termo autofic&ccedil;&atilde;o, um destaque ao car&aacute;ter amb&iacute;guo que permeia parte dos romances desse escritor:</p>      <blockquote>    <p>Esse jogo de posi&ccedil;&otilde;es enunciativas transgride as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade do g&ecirc;nero autobiogr&aacute;fico na medida em que desestabiliza as rela&ccedil;&otilde;es de identifica&ccedil;&atilde;o entre autor, narrador e personagem, fragmenta a sequ&ecirc;ncia temporal do relato de vida e prescinde da garantia de veracidade do relato. (<i>Ibidem</i>)</p></blockquote>      <p>Independentemente de as estrat&eacute;gias de Belattin dialogarem com recentes ou futuras concep&ccedil;&otilde;es de autofic&ccedil;&atilde;o, trabalhos como o de Olmos atestam que as atuais discuss&otilde;es em torno desses textos "transgressores" t&atilde;o abundantes nos dias de hoje n&atilde;o est&atilde;o fadadas a abordar o neologismo de Doubrovsky, seja pela falta de consenso te&oacute;rico ainda existente, seja pela escolha de afastar-se de defini&ccedil;&otilde;es mais restritas. A leitura integral do artigo da pesquisadora permite notar que a falta de um reconhecimento expl&iacute;cito entre seus apontamentos e certas correntes te&oacute;ricas direcionadas ao artif&iacute;cio autoficcional em nada deixa a dever para o entendimento da rela&ccedil;&atilde;o entre autobiografia e fic&ccedil;&atilde;o nos romances escolhidos, embora seu texto possa, logicamente, despertar o interesse de outros pesquisadores pela rela&ccedil;&atilde;o de Belattin com a autofic&ccedil;&atilde;o. Ao enfatizar o lugar ocupado pelo hibridismo gen&eacute;rico na contemporaneidade, as formula&ccedil;&otilde;es de Olmos juntamente a outras pesquisas de mesmo enfoque indicam que, talvez, o grande desafio a ser vencido pela autofic&ccedil;&atilde;o seja precisamente o de classificar o que por si s&oacute; constitui-se transgressor.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Alberca, Manuel (2007), <i>El pacto amb&iacute;guo. De la novela autobiogr&aacute;fica a la autoficci&oacute;n</i>. Madrid: Editorial Biblioteca Nueva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0807-8967201400030001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>&Aacute;lvarez, Eliseo (2005), "Las posturas son las posturas y el sexo es el sexo", <i>Revista Turia</i>, junho de 2005, reimpr. in Andr&eacute;s Braithwaite (org.), <i>Bola&ntilde;o por s&iacute; mismo &#8211; entrevistas escogidas</i>, Santiago de Chile: Universidad Diego Portales &#091;2&ordf; ed. 2008&#093;, pp. 34-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0807-8967201400030001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Arfuch, Leonor (2010), <i>O espa&ccedil;o biogr&aacute;fico &#8211; dilemas da subjetividade contempor&acirc;nea</i>, trad. Paloma Vidal, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0807-8967201400030001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Arroyo, Susana &amp; Fern&aacute;ndez, Javier (2008), "&iquest;Viaje o literatura? (entrevista anticipatoria con Enrique Vila-Matas)". <i>Revista de Investigaci&oacute;n y Cr&iacute;tica Est&eacute;tica</i>, pp. 199-204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0807-8967201400030001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Azevedo, Luciane de Almeida (2008), "Autofic&ccedil;&atilde;o e literatura contempor&acirc;nea", <i>Revista Brasileira de Literatura Comparada</i>, n&ordm;12, pp. 31-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0807-8967201400030001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Barthes, Roland (1988), "A morte do autor", in.: BARTHES, Roland. <i>O rumor da l&iacute;ngua</i>, trad. Mario Laranjeira, S&atilde;o Paulo: Editora Brasiliense, pp.65-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0807-8967201400030001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Bola&ntilde;o, Roberto (2001), <i>Putas asesinas</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0807-8967201400030001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1999), <i>Amuleto</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0807-8967201400030001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1998), <i>Los detectives salvajes</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0807-8967201400030001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>_____ (1997), <i>Llamadas telef&oacute;nicas</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0807-8967201400030001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1996a), <i>Estrella Distante</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0807-8967201400030001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1996b), <i>La literatura nazi en Am&eacute;rica</i>. Barcelona: Seix Barral.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0807-8967201400030001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Borges, Jorge Luis (1996), "Borges y yo", in <i>id</i>., <i>Obras Completas II (1952-1972)</i>, Buenos Aires: Emec&eacute; Editores, pp. 186-186.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0807-8967201400030001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Del Pozo Garc&iacute;a, Alba (2009), "La autoficci&oacute;n en <i>Par&iacute;s no se acaba nunca</i> de Enrique Vila-Matas". <i>Revista electr&oacute;nica de teor&iacute;a de la literatura y literatura comparada</i>, n&ordm; 1, pp. 89-103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0807-8967201400030001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Doubrovsky, Serge (1977), <i>Fils</i>. Paris: Galil&eacute;e.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0807-8967201400030001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Foucault, Michel (2006), "O que &eacute; um autor?", in Manoel Barros Motta (org.), <i>Ditos e escritos III &#8211; Est&eacute;tica: Literatura e Pintura, M&uacute;sica e Cinema</i>, trad. In&ecirc;s A. D. Barbosa, Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, pp. 264-298.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0807-8967201400030001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Garramu&ntilde;o, Florencia (2012), <i>A experi&ecirc;ncia opaca &#8211; literatura e desencanto</i>, trad. Paloma Vidal, Rio de Janeiro: EdUERJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0807-8967201400030001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gras Miravet, Dunia (2000), "Entrevista con Roberto Bola&ntilde;o", <i>Cuadernos Hispanoamericanos</i>, n. 604, Madrid, pp. 53-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0807-8967201400030001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Guti&eacute;rrez Tovar, Mar&iacute;a Alejandra (2011), <i>El enigma del personaje escritor en la narrativa hispanica posmoderna</i>. Tese de Doutorado, Charlottesville: University of Virginia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0807-8967201400030001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Heredia, Margarita (2007), "Autobiografia caprichosa", in Margarita Heredia (org.), <i>Vila-Matas port&aacute;til: un escritor ante la cr&iacute;tica</i>. Barcelona: Candaya, 2&ordf; ed., pp. 15-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0807-8967201400030001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Hutcheon, Linda (1991a), <i>Narcissistic narrative: the metafictional paradox</i>. Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0807-8967201400030001800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1991b), <i>Po&eacute;tica do p&oacute;s-modernismo: hist&oacute;ria, teoria, fic&ccedil;&atilde;o</i>, trad. Ricardo Cruz, Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0807-8967201400030001800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Klinger, Diana Irene (2008), "Escrita de si como performance", <i>Revista Brasileira de Literatura Comparada</i>, n.12, pp. 11-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0807-8967201400030001800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Lejeune, Philippe (1975), <i>Le pacte autobiographique</i>. Paris: Seuil &#091;1973&#093;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0807-8967201400030001800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Meruane, Lina (2013), "Entrevista de Lina Meruane a Vila-Matas", <i>Revista BOMB</i>, n&ordm; 123.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0807-8967201400030001800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Olmos, Ana Cecilia (2011), "Transgredir o g&ecirc;nero: pol&iacute;ticas da escritura na literatura hispanoamericana atual". <i>Estudos de Literatura Brasileira Contempor&acirc;nea</i>, n&ordm; 38. Bras&iacute;lia, julho/dezembro de 2011, pp. 11-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0807-8967201400030001800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pozuelo Yvancos, Jos&eacute; Mar&iacute;a (2010), <i>Figuraciones del yo en la narrativa: Javier Mar&iacute;as y E. Vila-Matas</i>. Valladolid: C&aacute;tedra Miguel Delibes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0807-8967201400030001800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Viegas, Ana Cl&aacute;udia Coutinho (2007), "O retorno do Autor &#8211; relatos de e sobre escritores contempor&acirc;neos", in Henriqueta do Coutto Prado Valladares (org.), <i>Paisagens Ficcionais: perspectivas entre o eu e o outro</i>, Rio de Janeiro: 7 letras, pp. 13-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0807-8967201400030001800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Speranza, Graciela (2001), "Autobiograf&iacute;a, cr&iacute;tica y ficci&oacute;n: Juan Jos&eacute; Saer y Ricardo Piglia". <i>Bolet&iacute;n del Centro de Estudios de Teor&iacute;a y Cr&iacute;tica Literaria</i>, Univ. Nacional Rosario, n&ordm; 9, dez. 2001, pp. 90-103 &#091;Dossi&ecirc; tem&aacute;tico <i>El ensayo de los escritores</i>&#093;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0807-8967201400030001800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Vila-Matas, Enrique (2008), <i>Dietario voluble</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0807-8967201400030001800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (2005), <i>Doctor Pasavento</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0807-8967201400030001800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (2004), <i>Bartleby e companhia</i>, trad. Maria Carolina de Ara&uacute;jo e Josely Vianna Baptista, S&atilde;o Paulo: Cosac Naify.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0807-8967201400030001800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (2003), <i>Par&iacute;s no se acaba nunca</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0807-8967201400030001800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (2002), <i>El mal de Montano</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S0807-8967201400030001800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>_____ (1993), <i>Hijos sin hijos</i>, Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0807-8967201400030001800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1991), <i>Suicidios ejemplares</i>, Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0807-8967201400030001800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1985), <i>Historia abreviada de la literatura port&aacute;til</i>. Barcelona: Anagrama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S0807-8967201400030001800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>_____ (1982), <i>Nunca voy al cine</i>, Barcelona: Laertes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S0807-8967201400030001800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&#091;recebido em 8 de maio de 2013, novamente submetido e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 9 de novembro de 2014&#093;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alberca]]></surname>
<given-names><![CDATA[Manuel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[El pacto ambíguo: De la novela autobiográfica a la autoficción]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Biblioteca Nueva]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Álvarez]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eliseo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Las posturas son las posturas y el sexo es el sexo]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Braithwaite]]></surname>
<given-names><![CDATA[Andrés]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Revista TuriaBolaño por sí mismo: entrevistas escogidas]]></source>
<year>2005</year>
<month>ju</month>
<day>nh</day>
<edition>2</edition>
<page-range>34-45</page-range><publisher-loc><![CDATA[Santiago de Chile ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidad Diego Portales]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Arfuch]]></surname>
<given-names><![CDATA[Leonor]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vidal]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paloma]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Arroyo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Susana]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fernández]]></surname>
<given-names><![CDATA[Javier]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA["¿Viaje o literatura?: (entrevista anticipatoria con Enrique Vila-Matas)]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Investigación y Crítica Estética]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>199-204</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Azevedo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luciane de Almeida]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Autoficção e literatura contemporânea]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Literatura Comparada]]></source>
<year>2008</year>
<volume>12</volume>
<page-range>31-49</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barthes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A morte do autor]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[BARTHES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roland]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Laranjeira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mario]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O rumor da língua]]></source>
<year>1988</year>
<page-range>65-70</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bolaño]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roberto]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Putas asesinas]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Amuleto]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Los detectives salvajes]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Llamadas telefónicas]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estrella Distante]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La literatura nazi en América]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Seix Barral]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Borges]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jorge Luis]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Borges y yo]]></source>
<year>1996</year>
<page-range>186-186</page-range><publisher-loc><![CDATA[Buenos Aires ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Emecé Editores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Del Pozo García]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alba]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La autoficción en París no se acaba nunca de Enrique Vila-Matas]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista electrónica de teoría de la literatura y literatura comparada]]></source>
<year>2009</year>
<volume>1</volume>
<page-range>89-103</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Doubrovsky]]></surname>
<given-names><![CDATA[Serge]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fils]]></source>
<year>1977</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Galilée]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Foucault]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O que é um autor?]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Motta]]></surname>
<given-names><![CDATA[Manoel Barros]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barb]]></surname>
<given-names><![CDATA[Inês A. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ditos e escritos III: Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>264-298</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Forense Universitária]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Garramuño]]></surname>
<given-names><![CDATA[Florencia]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vidal]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paloma]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A experiência opaca: literatura e desencanto]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[EdUERJ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gras Miravet]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dunia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Entrevista con Roberto Bolaño]]></article-title>
<source><![CDATA[Cuadernos Hispanoamericanos]]></source>
<year>2000</year>
<volume>604</volume>
<page-range>53-65</page-range><publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gutiérrez Tovar]]></surname>
<given-names><![CDATA[María Alejandra]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[El enigma del personaje escritor en la narrativa hispanica posmoderna]]></source>
<year>2011</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heredia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Margarita]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Autobiografia caprichosa]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Heredia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Margarita]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vila-Matas portátil: un escritor ante la crítica]]></source>
<year>2007</year>
<edition>2</edition>
<page-range>15-18</page-range><publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Candaya]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hutcheon]]></surname>
<given-names><![CDATA[Linda]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Narcissistic narrative: the metafictional paradox]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ricardo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Poética do pós-modernismo: história, teoria, ficção]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Klinger]]></surname>
<given-names><![CDATA[Diana Irene]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Escrita de si como performance]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Literatura Comparada]]></source>
<year>2008</year>
<volume>12</volume>
<page-range>11-30</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lejeune]]></surname>
<given-names><![CDATA[Philippe]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Le pacte autobiographique]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Seuil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Meruane]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lina]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entrevista de Lina Meruane a Vila-Matas]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista BOMB]]></source>
<year>2013</year>
<volume>123</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Olmos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Cecilia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Transgredir o gênero: políticas da escritura na literatura hispanoamericana atual]]></source>
<year>2011</year>
<month>ju</month>
<day>lh</day>
<volume>38</volume>
<page-range>11-21</page-range><publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pozuelo Yvancos]]></surname>
<given-names><![CDATA[José María]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Figuraciones del yo en la narrativa: Javier Marías y E. Vila-Matas]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Valladolid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cátedra Miguel Delibes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Viegas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Cláudia Coutinho]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O retorno do Autor: relatos de e sobre escritores contemporâneos]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Valladares]]></surname>
<given-names><![CDATA[Henriqueta do Coutto Prado]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Paisagens Ficcionais: perspectivas entre o eu e o outro]]></source>
<year>2007</year>
<page-range>13-26</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[7 letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Speranza]]></surname>
<given-names><![CDATA[Graciela]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Autobiografía, crítica y ficción: Juan José Saer y Ricardo Piglia]]></article-title>
<source><![CDATA[Boletín del Centro de Estudios de Teoría y Crítica Literaria]]></source>
<year>2001</year>
<month>de</month>
<day>z.</day>
<volume>9</volume>
<page-range>90-103</page-range><publisher-name><![CDATA[Univ. Nacional Rosario]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vila-Matas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Enrique]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dietario voluble]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Doctor Pasavento]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Carolina de]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Baptista]]></surname>
<given-names><![CDATA[Josely Vianna]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Bartleby e companhia]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cosac Naify]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[París no se acaba nunca]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[El mal de Montano]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Hijos sin hijos]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Suicidios ejemplares]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Historia abreviada de la literatura portátil]]></source>
<year>1985</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Anagrama]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nunca voy al cine]]></source>
<year>1982</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Laertes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
