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<journal-title><![CDATA[Corrosão e Protecção de Materiais]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reabilitação de uma estrutura contaminada por iões cloret utilizando a técnica da dessalinização]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The most common techniques to treat chloride contaminated concrete are mechanical removal of contaminated concrete and electrochemical techniques such as cathodic protection and chloride extraction, alsoknown as desalination. Although the mechanical removal approach is still often used, is unlikely to be a very long term effective solution. If the repair does not remove all chloride contaminated concrete from around reinforcing bars, then new corroding areas know as incipient anodes, can be formed in the neighbouring regions. Electrochemical techniques offer a more efficient, economic and environmental friendly solution. This article describes the rehabilitation process of a school building, where part of the reinforced concrete structure was severely affected by corrosion of the reinforcement, due to contamination of the concrete by chloride ions. As a rehabilitation technique, the desalination treatment was implemented, in order to reduce the chloride content of the concrete near the reinforcement, to acceptable values, thus eliminating the cause of corrosion. The use of this technique has allowed the complete rehabilitation of the affected part of the concrete structure, without the need to remove the contaminated concrete.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Betão Armado]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Electrochemical Techniques]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Reabilita&ccedil;&atilde;o de uma estrutura contaminada por i&otilde;es cloret utilizando a t&eacute;cnica da dessaliniza&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Rehabilitation of a reinforced concrete structure using chloride extraction</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Henrique Alves(1), Zita Louren&ccedil;o (1)(*) e Pedro Cola&ccedil;o (2)</b></p>     <p>(1) Zetacorr, Lda, Rua J. M. Sim&otilde;es, 8, Torres Vedras</p>     <p>(2) Stap, Rua Marqu&ecirc;s da Fronteira, 8, 3.&ordm; Dto, 1070-296 Lisboa</p>     <p>(*) A quem a correspond&ecirc;ncia deve ser dirigida, e-mail:  <a href="mailto:zetacorr@zetacorr.com">zetacorr@zetacorr.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As t&eacute;cnicas mais utilizadas para reabilitar estruturas em que a corros&atilde;o &eacute; devida &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o por i&otilde;es cloreto, s&atilde;o a repara&ccedil;&atilde;o localizada e os m&eacute;todos electroqu&iacute;micos, como a protec&ccedil;&atilde;o cat&oacute;dica e a dessaliniza&ccedil;&atilde;o. Embora a repara&ccedil;&atilde;o localizada seja uma t&eacute;cnica bastante utilizada, a sua aplica&ccedil;&atilde;o na reabilita&ccedil;&atilde;o de estruturas contaminadas por i&otilde;es cloreto, &eacute; pouco eficaz a longo prazo. Isto porque, se a repara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o remover todo o bet&atilde;o contaminado, novas &aacute;reas de corros&atilde;o s&atilde;o formadas nas regi&otilde;es adjacentes &agrave;s zonas reparadas, designadas por &acirc;nodos incipientes, dando assim continua&ccedil;&atilde;o &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o. A aplica&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos electroqu&iacute;micos resulta em solu&ccedil;&otilde;es mais eficazes e econ&oacute;micas no controlo da corros&atilde;o.</p>     <p>Este artigo descreve o processo de reabilita&ccedil;&atilde;o de um edif&iacute;cio escolar, em que parte da estrutura de bet&atilde;o armado se encontrava severamente afectada por corros&atilde;o das armaduras devido &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o por i&otilde;es cloreto. Como t&eacute;cnica de reabilita&ccedil;&atilde;o foi implementada a dessaliniza&ccedil;&atilde;o, com o objectivo de diminuir o teor de cloretos do bet&atilde;o junto &agrave;s armaduras, para valores aceit&aacute;veis, eliminando assim a causa da corros&atilde;o. O recurso a esta t&eacute;cnica possibilitou a reabilita&ccedil;&atilde;o integral da parte afectada da estrutura de bet&atilde;o armado sem recorrer &agrave; remo&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o contaminado. </p>     <P><b>Palavras-Chave</b>: Bet&atilde;o Armado, Corros&atilde;o, Dessaliniza&ccedil;&atilde;o, T&eacute;cnicas Electroqu&iacute;micas</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The most common techniques to treat chloride contaminated concrete are mechanical removal of contaminated concrete and electrochemical techniques such as cathodic protection and chloride extraction, alsoknown as desalination. Although the mechanical removal approach is still often used, is unlikely to be a very long term effective solution. If the repair does not remove all chloride contaminated concrete from around reinforcing bars, then new corroding areas know as incipient anodes, can be formed in the neighbouring regions. Electrochemical techniques offer a more efficient, economic and environmental friendly solution. </p>     <p>This article describes the rehabilitation process of a school building, where part of the reinforced concrete structure was severely affected by corrosion of the reinforcement, due to contamination of the concrete by chloride ions. As a rehabilitation technique, the desalination treatment was implemented, in order to reduce the chloride content of the concrete near the reinforcement, to acceptable values, thus eliminating the cause of corrosion. The use of this technique has allowed the complete rehabilitation of the affected part of the concrete structure, without the need to remove the contaminated concrete. </p>     <p><b>Keywords</b>: Reinforced Concrete, Corrosion, Desalination, Electrochemical Techniques </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>1. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A corros&atilde;o das armaduras &eacute; uma das principais causas da degrada&ccedil;&atilde;o das estruturas de bet&atilde;o armado, normalmente, associada ao fen&oacute;meno da carbonata&ccedil;&atilde;o ou &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o por cloretos. Estes fen&oacute;menos est&atilde;o na maioria dos casos associados ao ambiente envolvente. A carbonata&ccedil;&atilde;o deve-se a teores elevados de di&oacute;xido de carbono, facilmente encontrados em ambientes industriais e citadinos, enquanto a contamina&ccedil;&atilde;o por cloretos est&aacute;, normalmente, associada &agrave; proximidade de ambientes mar&iacute;timos. No entanto, a contamina&ccedil;&atilde;o por cloretos pode tamb&eacute;m ter origem nos inertes utilizados na constru&ccedil;&atilde;o, em res&iacute;duos industriais ou em fluidos de processo. Em qualquer das situa&ccedil;&otilde;es, pode ocorrer despassiva&ccedil;&atilde;o das armaduras devido &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o do filme passivo (camada de &oacute;xidos), que no caso do a&ccedil;o carbono se forma naturalmente em meios alcalinos, como o bet&atilde;o. O pH do bet&atilde;o, n&atilde;o contaminado, varia entre 12 e 14, essencialmente devido &agrave; presen&ccedil;a de hidr&oacute;xido de c&aacute;lcio na sua composi&ccedil;&atilde;o. O filme passivo &eacute; est&aacute;vel para valores de pH superiores a 9,5 em bet&atilde;o n&atilde;o contaminado. &Eacute; de salientar que, para valores de pH inferiores a 9,5 pode ocorrer corros&atilde;o mesmo sem a presen&ccedil;a de i&otilde;es cloreto, desde que exista humidade suficiente [1].</p>     <p>Na presen&ccedil;a de i&otilde;es cloreto, ocorre a dissolu&ccedil;&atilde;o local do filme passivo, originando &acirc;nodos localizados. Iniciando-se o processo de corros&atilde;o localizada, a sua propaga&ccedil;&atilde;o &eacute; autocatal&iacute;tica dado que os i&otilde;es cloreto n&atilde;o s&atilde;o consumidos no processo. Este tipo de corros&atilde;o leva &agrave; perda de sec&ccedil;&atilde;o do a&ccedil;o podendo atingir n&iacute;veis que comprometem a estabilidade da estrutura.</p>     <p>O teor de cloretos considerado cr&iacute;tico para a indu&ccedil;&atilde;o de corros&atilde;o, em estruturas de bet&atilde;o armado, varia entre 0,3 e 0,4 % (massa de cimento) [1]. No entanto, estes valores n&atilde;o devem ser aceites em todas as situa&ccedil;&otilde;es, especialmente se j&aacute; foram efectuados tratamentos el&eacute;ctroqu&iacute;micos no passado ou ainda est&atilde;o a ser aplicados no momento.</p>     <p>A reabilita&ccedil;&atilde;o de estruturas nestas condi&ccedil;&otilde;es &eacute; efectuada essencialmente pelo m&eacute;todo tradicional da repara&ccedil;&atilde;o localizada ou por m&eacute;todos electroqu&iacute;micos, tais como a protec&ccedil;&atilde;o cat&oacute;dica e a dessaliniza&ccedil;&atilde;o. A repara&ccedil;&atilde;o localizada, envolvendo apenas as zonas visivelmente deterioradas, nem sempre &eacute; eficaz, para al&eacute;m de poder ser um processo moroso e originar grandes quantidades de detritos. A corros&atilde;o pode propagar-se &agrave;s zonas adjacentes, contaminadas por cloretos, mas n&atilde;o reparadas, dando assim continuidade ao processo de deteriora&ccedil;&atilde;o. Estas novas &aacute;reas de corros&atilde;o, formadas nas regi&otilde;es adjacentes &agrave;s zonas reparadas, s&atilde;o designadas por &acirc;nodos incipientes [2]. Os m&eacute;todos electroqu&iacute;micos representam uma alternativa economicamente mais atractiva, menos morosa e amiga do ambiente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>DESSALINIZA&Ccedil;&Atilde;O</B></p>     <p>A dessaliniza&ccedil;&atilde;o &eacute; um m&eacute;todo electroqu&iacute;mico, que se aplica temporariamente, para controlar a corros&atilde;o das armaduras em bet&atilde;o contaminado por cloretos. A implementa&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica consiste na aplica&ccedil;&atilde;o de corrente el&eacute;ctrica cont&iacute;nua, entre a armadura do bet&atilde;o (c&aacute;todo - polo negativo) e uma malha met&aacute;lica externa (&acirc;nodo - polo positivo). A malha &eacute; aplicada na superficie do bet&atilde;o e embebida numa solu&ccedil;&atilde;o electrol&iacute;tica. Esta t&eacute;cnica envolve processos f&iacute;sico-qu&iacute;micos tais como: electr&oacute;lise, electromigra&ccedil;&atilde;o i&oacute;nica e electro-osmose. Embora, ocorram todos em simult&acirc;neo, devido &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de corrente el&eacute;ctrica entre o &acirc;nodo e o c&aacute;todo, a electr&oacute;lise e a electromigra&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os mais relevantes neste tratamento.</p>     <p>Ambos os processos contribuem para a redu&ccedil;&atilde;o do r&aacute;cio de i&otilde;es Cl-/ OH- na interface a&ccedil;o/bet&atilde;o, que desfavorece o fen&oacute;meno de corros&atilde;o. Na electr&oacute;lise ocorre forma&ccedil;&atilde;o de i&otilde;es hidr&oacute;xido (OH-) na interface a&ccedil;o/bet&atilde;o (reac&ccedil;&atilde;o cat&oacute;dica 1), originando um ambiente alcalino, que conduz &agrave; repassiva&ccedil;&atilde;o das armaduras e produ&ccedil;&atilde;o de oxig&eacute;nio no &acirc;nodo (reac&ccedil;&atilde;o an&oacute;dica 2).</p> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01e1.jpg">     
<p>Na electromigra&ccedil;&atilde;o, os i&otilde;es cloreto livres (Cl-, carregados negativamente) s&atilde;o atra&iacute;dos para o &acirc;nodo externo (carregado positivamente) e os i&otilde;es s&oacute;dio (Na<sup>+</sup>), pot&aacute;ssio (k<sup>+</sup>), c&aacute;lcio (Ca<sup>2+</sup>) (carregados positivamente) s&atilde;o atra&iacute;dos para o c&aacute;todo (armaduras - carregadas negativamente). Deste modo, os i&otilde;es cloreto s&atilde;o removidos da interface a&ccedil;o/bet&atilde;o, na direc&ccedil;&atilde;o do &acirc;nodo externo, podendo mesmo ser removidos do bet&atilde;o. Simultaneamente, o enriquecimento em metais alcalinos, na proximidade das armaduras, desempenha um papel importante na preserva&ccedil;&atilde;o da alcalinidade na interface a&ccedil;o/bet&atilde;o ap&oacute;s o tratamento. Este facto deve-se &agrave; capacidade destes i&otilde;es formarem compostos com grande parte dos i&otilde;es hidr&oacute;xido formados no processo de electr&oacute;lise. O princ&iacute;pio de funcionamento da dessaliniza&ccedil;&atilde;o &eacute; esquematicamente representado na <a href="#f1">Figura 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; de salientar que o fen&oacute;meno da electromigra&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo lento, mas determinante na dura&ccedil;&atilde;o do tratamento, normalmente compreendido entre tr&ecirc;s a sete semanas [1, 3 - 5].</p>     <p>&Acirc;nodo</p>     <p>Podem ser utilizados dois materiais como &acirc;nodo: tit&acirc;nio activado e malha de a&ccedil;o carbono. Os &acirc;nodos de tit&acirc;nio activado s&atilde;o mais comuns devido n&atilde;o s&oacute; ao seu baixo consumo durante o processo, podendo mesmo ser reutilizados em v&aacute;rios tratamentos, mas tamb&eacute;m pela aus&ecirc;ncia de res&iacute;duos associados ao seu consumo. A malha de a&ccedil;o, que &eacute; consumida no processo, deve ser dimensionada de modo a conter massa suficiente em toda a sua extens&atilde;o at&eacute; ao final do processo. O consumo do &acirc;nodo produz grandes quantidades de produtos ferrosos, afectando o aspecto do acabamento final, que por vezes, torna invi&aacute;vel a sua aplica&ccedil;&atilde;o. A principal vantagem dos &acirc;nodos consum&iacute;veis relativamente aos inertes &eacute; de natureza econ&oacute;mica.</p>     <p>Solu&ccedil;&atilde;o Electrol&iacute;tica</p>     <p>A &aacute;gua &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o mais utilizada devido ao seu baixo custo e f&aacute;cil acesso. No entanto, a tend&ecirc;ncia da solu&ccedil;&atilde;o aquosa para acidificar pode provocar um decr&eacute;scimo no pH e promover a liberta&ccedil;&atilde;o de cloro gasoso nos &acirc;nodos inertes. Caso o pH tenda a ser inferior a 6, a &aacute;gua poder&aacute; ser substitu&iacute;da por solu&ccedil;&otilde;es aquosas de hidr&oacute;xido de s&oacute;dio ou de borato de l&iacute;tio.</p>     <p>Para garantir a presen&ccedil;a de solu&ccedil;&atilde;o electrol&iacute;tica em toda a extens&atilde;o do tratamento &eacute; utilizado um suporte, designado suporte de electr&oacute;lito, que pode ser constitu&iacute;do por fibra de celulose projectada, manta de feltro ou outro material polim&eacute;rico que assegure essa fun&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Crit&eacute;rios de Aplicabilidade</p>     <p>A aplica&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica de dessaliniza&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e o cumprimento de quatro crit&eacute;rios impostos pela norma [3]:</p>     <p>1) A exist&ecirc;ncia de contamina&ccedil;&atilde;o suficiente, garantindo que uma aplica&ccedil;&atilde;o local ou geral de tratamento retarde a contamina&ccedil;&atilde;o &agrave; posteriori;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2) A presen&ccedil;a de &aacute;gua na estrutura seja control&aacute;vel durante o tratamento de modo que a densidade de corrente aplicada possa ser mantida e controlada, especialmente, em estruturas mar&iacute;timas. Por exemplo, este tratamento n&atilde;o &eacute; adequado para as zonas da mar&eacute; e de salpicos;</p>     <p>3) N&atilde;o exista a&ccedil;o pr&eacute;-esfor&ccedil;ado, na &aacute;rea de tratamento, que possa ser suscept&iacute;vel ao fen&oacute;meno de fragiliza&ccedil;&atilde;o por hidrog&eacute;nio. No caso da exist&ecirc;ncia de a&ccedil;o pr&eacute;-esfor&ccedil;ado, o seu potencial el&eacute;ctrico durante o tratamento n&atilde;o deve ser mais negativo que -1100 mV vs. el&eacute;ctrodo de CuSO4- ;</p>     <p>4) Qualquer suceptibilidade &agrave; ocorr&ecirc;ncia de reac&ccedil;&otilde;es alcalis salic&iacute;licas deve ter em considera&ccedil;&atilde;o o risco de propaga&ccedil;&atilde;o deste tipo de reac&ccedil;&otilde;es e, caso seja necess&aacute;rio, utilizar um electr&oacute;lito apropriado.</p>     <p>Crit&eacute;rios de Finaliza&ccedil;&atilde;o de Tratamento</p>     <p>Para que se possa dar como conclu&iacute;do o tratamento, de acordo com a norma [5] , &eacute; necess&aacute;rio que seja cumprido pelo menos um dos seguintes crit&eacute;rios:</p>     <p>1) Teor de cloretos no bet&atilde;o: o tratamento deve decorrer at&eacute; que o teor de cloretos no bet&atilde;o, na proximidade das armaduras, varie entre 0,2 e 0,4 % (massa de cimento);</p>     <p>2) A quantidade de carga por unidade de &aacute;rea: os valores recomendados variam entre 600 A.h/m<sup>2</sup> e 1500 A.h/m<sup>2</sup> ;</p>     <p>3) R&aacute;cio Cl<sup>-</sup>/OH<sup>-</sup>: utilizando este crit&eacute;rio, o r&aacute;cio Cl<sup>-</sup>/OH<sup>-</sup> deve ser inferior a 0,6.</p>     <p>Este artigo apresenta um caso pr&aacute;tico de aplica&ccedil;&atilde;o de dessaliniza&ccedil;&atilde;o num edif&iacute;cio escolar, em que parte da estrutura de bet&atilde;o armado se encontrava severamente afectada por corros&atilde;o das armaduras, devido &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o por cloretos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>2. TRATAMENTO ELECTROQU&Iacute;MICO</B></p>     <p><B>2.1 Estrutura e condi&ccedil;&otilde;es</B></p>     <p>Durante o projecto de reabilita&ccedil;&atilde;o do edif&iacute;cio escolar, ap&oacute;s a remo&ccedil;&atilde;o dos materiais de revestimento dos pavimentos, detectaram-se sinais de corros&atilde;o severa das armaduras superiores da laje do 1&ordm; piso. Consequentemente, foi elaborado um estudo com o objectivo de caracterizar os elementos estruturais principais, avaliar a extens&atilde;o da deteriora&ccedil;&atilde;o e determinar as causas da corros&atilde;o.</p>     <p>Relativamente &agrave; extens&atilde;o da deteriora&ccedil;&atilde;o e suas causas, as principais conclus&otilde;es do estudo indicaram [6]:</p>     <p>-as zonas que apresentavam maior deteriora&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o eram as partes maci&ccedil;as das lajes, com maior densidade de armadura;</p>     <p>-a corros&atilde;o das armaduras foi causada pela elevada contamina&ccedil;&atilde;o de cloretos no bet&atilde;o ao n&iacute;vel das armaduras superiores;</p>     <p>-o perfil de cloretos (varia&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o de cloretos com a profundidade) obtido nas duas faces da laje, diminuindo para o interior e de baixo valor na face inferior da laje, sugere que a sua origem ter&aacute; sido o material de revestimento da face superior, constitu&iacute;do por uma betonilha feita com agregados salgados, removida durante os trabalhos de reabilita&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Relativamente &agrave;s t&eacute;cnicas a adoptar para a reabilita&ccedil;&atilde;o da laje, e tendo em conta que a contamina&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o por cloretos ao n&iacute;vel das armaduras era elevado, considerou-se que a repara&ccedil;&atilde;o local n&atilde;o seria eficaz nem aconselh&aacute;vel, dado que seria necess&aacute;rio demolir todo o bet&atilde;o envolvente das armaduras, bet&atilde;o contaminado. Este procedimento arriscaria a seguran&ccedil;a estrutural na fase de repara&ccedil;&atilde;o e poderia alterar significativamente a distribui&ccedil;&atilde;o de tens&otilde;es na estrutura. Em alternativa, foram consideradas duas op&ccedil;&otilde;es: a protec&ccedil;&atilde;o cat&oacute;dica e a remo&ccedil;&atilde;o electroqu&iacute;mica de cloretos. Concluiu-se que a metodologia mais adequada para a reabilita&ccedil;&atilde;o da laje, seria a remo&ccedil;&atilde;o electroqu&iacute;mica dos cloretos, eliminando-se, deste modo, o agente causador da corros&atilde;o, e dispensando a monitoriza&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica, inerente aos sistemas de protec&ccedil;&atilde;o cat&oacute;dica.</p>     <p>A reabilita&ccedil;&atilde;o da estrutura consistiu numa interven&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla que incluiu a substitui&ccedil;&atilde;o do bet&atilde;o nas zonas degradadas, a correc&ccedil;&atilde;o do recobrimento das armaduras em &aacute;reas consideradas deficientes, a implementa&ccedil;&atilde;o do tratamento de dessaliniza&ccedil;&atilde;o na face superior das lajes e a aplica&ccedil;&atilde;o de um esquema de pintura na face inferior.</p>     <p><B>2.2 Aplica&ccedil;&atilde;o da dessaliniza&ccedil;&atilde;o</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Antes da aplica&ccedil;&atilde;o do tratamento de dessaliniza&ccedil;&atilde;o, foi necess&aacute;rio reparar adequadamente as &aacute;reas que apresentavam bet&atilde;o deteriorado. Em algumas zonas, devido &agrave; extens&atilde;o da deteriora&ccedil;&atilde;o, foi necess&aacute;rio repor as armaduras corro&iacute;das atrav&eacute;s da sua substitui&ccedil;&atilde;o por armaduras novas.</p>     <p>O tratamento das lajes dos tr&ecirc;s blocos, que constituem o edif&iacute;cio, foi faseado de modo a que cada bloco fosse tratado individualmente. A instala&ccedil;&atilde;o do sistema compreendeu as seguintes etapas:</p>     <p>-Realiza&ccedil;&atilde;o de ensaios preliminares: verifica&ccedil;&atilde;o da continuidade el&eacute;ctrica das armaduras, determina&ccedil;&atilde;o do teor de cloretos em &aacute;reas consideradas de controlo, etc.;</p>     <p>-Aplica&ccedil;&atilde;o do &acirc;nodo, composto por uma malha de a&ccedil;o electrossoldado, entre camadas de feltro (<a href="#f2">Figura 2</a>);</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>-Realiza&ccedil;&atilde;o das liga&ccedil;&otilde;es an&oacute;dicas e cat&oacute;dicas (armaduras) (<a href="#f3">Figura 3</a>);</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>-Montagem de um sistema de "rega" que garantiu a humidade adequada e uniforme do material de suporte do &acirc;nodo (feltro), para assegurar a distribui&ccedil;&atilde;o uniforme da corrente el&eacute;ctrica a toda a superf&iacute;cie do bet&atilde;o a tratar em cada zona el&eacute;ctrica (<a href="#f4">Figura 4</a>);</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>-Realiza&ccedil;&atilde;o de testes para verifica&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia de curto circuitos entre o &acirc;nodo e o c&aacute;todo;</p>     <p>-Aplica&ccedil;&atilde;o de corrente el&eacute;ctrica (<a href="#f5">Figura 5</a>) e monitoriza&ccedil;&atilde;o da funcionalidade de todo o sistema;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>-Monitoriza&ccedil;&atilde;o da amperagem (A.h), em cada zona, para determina&ccedil;&atilde;o da carga total;</p>     <p>-Extrac&ccedil;&atilde;o de carotes, em &aacute;reas consideradas representativas, para determina&ccedil;&atilde;o do teor de cloretos ao n&iacute;vel das armaduras.</p>     <p>O sistema foi dimensionado de modo a fornecer uma densidade de corrente m&eacute;dia de 1 A/m<sup>2</sup> de a&ccedil;o das armaduras. O sistema an&oacute;dico, em cada m&oacute;dulo, foi dividido em m&uacute;ltiplas zonas, electricamente independentes, e cada zona foi alimentada por uma sa&iacute;da independente da fonte de alimenta&ccedil;&atilde;o, de modo a assegurar um controlo adequado da corrente a toda a superf&iacute;cie do bet&atilde;o. A dura&ccedil;&atilde;o do tratamento em cada m&oacute;dulo (com cerca de 500 m<sup>2</sup> de &aacute;rea de bet&atilde;o) variou de 4 a 7 semanas.</p>     <p>Os crit&eacute;rios utilizados para determina&ccedil;&atilde;o do fim do tratamento basearam-se nas normas aplic&aacute;veis [3 - 5] e foram:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>-redu&ccedil;&atilde;o do teor de cloretos no bet&atilde;o junto &agrave;s armaduras para valores inferiores a 0,4 % (massa de cimento);</p>     <p>-a quantidade de carga por unidade de &aacute;rea m&iacute;nima fornecida durante o tratamento foi de 600 A.h/m<sup>2</sup> de a&ccedil;o.</p>     <p>No final do tratamento, o &acirc;nodo, o material de suporte e equipamento (liga&ccedil;&otilde;es) foram removidos e a superf&iacute;cie do bet&atilde;o limpa dos vest&iacute;gios do tratamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>3. RESULTADOS</B></p>     <p>Os resultados da determina&ccedil;&atilde;o do teor de cloretos nas carotes extra&iacute;das antes e durante o tratamento, s&atilde;o apresentados nas <a href="#f6">Figuras 6</a>, <a href="#f7">7</a> e <a href="#f8">8</a>, para os m&oacute;dulos A4, A3 e A2, respectivamente.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f7"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f8"> <img src="/img/revistas/cpm/v32n1/32n1a01f8.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A dura&ccedil;&atilde;o do tratamento foi de 4 semanas nos Blocos A4 e A3 e de 7 semanas no Bloco A2. No Bloco A2, os resultados obtidos antes do in&iacute;cio do tratamento indicaram um teor de cloretos muito elevado, tanto no bet&atilde;o superficial como ao n&iacute;vel das armaduras. Valores da ordem de 2,7 % foram encontrados a 5-6 cm de profundidade. Devido &agrave; elevada contamina&ccedil;&atilde;o inicial do bet&atilde;o na laje deste bloco, comparativamente aos Blocos A3 e A4, o tratamento neste bloco foi mais prolongado. Nos Blocos A3 e A4 ao fim de 4 semanas de tratamento, o teor de cloretos ao n&iacute;vel das armadura (4-5 cm de profundidade) era inferior ao valor cr&iacute;tico, 0,4 % (massa de cimento). Contudo, no Bloco A2, para que se verificasse a diminui&ccedil;&atilde;o de i&otilde;es cloreto ao n&iacute;vel das armaduras, foi necess&aacute;rio um tratamento de 7 semanas.</p>     <p>Os resultados demonstraram a efic&aacute;cia da aplica&ccedil;&atilde;o da dessaliniza&ccedil;&atilde;o na remo&ccedil;&atilde;o dos i&otilde;es cloreto ao n&iacute;vel das armaduras do bet&atilde;o das lajes, em todos os blocos tratados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>4. CONCLUS&Otilde;ES</B></p>     <p>Na reabilita&ccedil;&atilde;o de estruturas de bet&atilde;o armado &eacute; fundamental que a estrat&eacute;gia de interven&ccedil;&atilde;o a adoptar seja baseada no conhecimento das causas e extens&atilde;o da deteriora&ccedil;&atilde;o, de modo a permitir a selec&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos tecnicamente e economicamente mais apropriados a cada situa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No caso do edif&iacute;cio em estudo, a repara&ccedil;&atilde;o localizada n&atilde;o seria eficaz nem aconselh&aacute;vel estruturalmente. A aplica&ccedil;&atilde;o da dessaliniza&ccedil;&atilde;o demonstrou ser eficaz no controle da corros&atilde;o, contribuindo para um menor enfraquecimento da estrutura, uma vez que o bet&atilde;o removido (e recolocado) foi confinado &agrave;s &aacute;reas deterioradas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS FINAIS</B></p>     <p>A inspec&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico da estrutura foi realizado pela Oz, Lda. Os trabalhos de repara&ccedil;&atilde;o e instala&ccedil;&atilde;o do tratamento foram realizados pela Stap, S.A. O projecto e supervis&atilde;o t&eacute;cnica do tratamento eletroqu&iacute;mico foi realizado pela Zetacorr, Lda.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>REFER&Ecirc;NCIAS</B></p>     <!-- ref --><p>[1] B. Miller John (Electrochemical chloride extraction and realkalisation - Part 1: Principles, durability, experience and post treatment), in Procedings do Semin&aacute;rio Ordem dos Engenheiros, Outubro, Lisboa (2006).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-1164201300010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>[2] M. Forsyth and M. Z. Louren&ccedil;o, Corrosion & Materials, 22, 13 (1997).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-1164201300010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>[3] CEN/TS 14038-2:2010. (Electrochemical Re-alkalization and chloride extraction treatments for reinforced concrete-Part 2: Chloride Extraction), CEN, Brussels, Belgium (2010).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-1164201300010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>[4] NACE SP0107-2007. (Electrochemical Realkalization and Chloride Extraction for Reinforced Concrete), NACE (2007).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-1164201300010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>[5] NACE Item 24214 (Electrochemical Chloride Extraction from Steel Reinforced Concrete - A State -of-the-Art Report (2001).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-1164201300010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>[6] C. Mesquita (Metodologias de Inspec&ccedil;&atilde;o e Ensaios para Avalia&ccedil;&atilde;o do Estado de Conserva&ccedil;&atilde;o de Estruturas Afectadas por Corros&atilde;o de Armaduras), Relat&oacute;rio da OZ, Lda (2011).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-1164201300010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo submetido em Agosto de 2012 e aceite em Novembro de 2012 </p>      ]]></body><back>
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