<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-7103</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Clínica Geral]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev Port Clin Geral]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-7103</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-71032011000200012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Internet e adolescentes: nem tanto, nem tão pouco!]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Neves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Daniela]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,ACES Grande Porto IX Espinho/Gaia Unidade de Saúde Familiar de Anta ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>27</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>217</fpage>
<lpage>219</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-71032011000200012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-71032011000200012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-71032011000200012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Internet e adolescentes: nem tanto, nem tão pouco!</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Daniela Neves</b></p>     <p>USF Anta</p>     <p>ACES Grande Porto IX Espinho/Gaia</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Bélanger RE, Akre C, Berchtold A, Michaud PA. A U-shaped association between    intensity of internet use and adolescent health. Pediatrics 2011 Feb; 127 (2):    e330-5.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A importância crescente da internet no quotidiano dos adolescentes tem motivado    a investigação da associação entre a utilização intensiva da internet e a existência    de problemas de saúde. Contudo, poucos estudos investigam a presença de problemas    de saúde nos adolescentes que têm uma utilização da internet baixa ou ausente.    O objectivo deste estudo foi avaliar a relação entre diferentes intensidades    de uso da internet e a saúde dos adolescentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Métodos</b></p>     <p>A base de dados do estudo foi obtida do 2002 Swiss Multicenter Adolescent Survey    on Health (estudo de âmbito nacional, realizado na Suíça, que incluiu 7.548    adolescentes dos 16 aos 20 anos, em escolaridade não </p>     <p>obrigatória, com aplicação de um questionário anónimo). O presente estudo incluiu    7.211 adolescentes (3.305 raparigas e 3.906 rapazes) que responderam a três    perguntas, incluídas no referido questionário, sobre a intensidade de uso da    internet nos últimos 30 dias.</p>     <p>Os adolescentes foram divididos em quatro grupos: utilizadores intensivos,    se existiu uso da internet durante duas ou mais horas diárias, todos os dias;    utilizadores regulares, se houve uso da internet vários dias por semana, mas    durante menos de duas horas diárias; utilizadores ocasionais, se existiu utilização    da internet uma vez por semana ou menos; não utilizadores, se não houve uso    da internet nos 30 dias anteriores. As variáveis de saúde analisadas foram:    auto-percepção do estado de saúde, sintomas depressivos, excesso de peso ou    obesidade, cefaleias, lombalgia e quantidade de sono. Avaliaram-se também características    pessoais que foram incluídas na análise multivariada: idade, situação académica,    nível socioeconómico, realização de exercício físico, presença de doença crónica    e de incapacidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Verificou-se que 7,3% dos rapazes e 2,2% das raparigas eram utilizadores intensivos.    A maioria dos rapazes foi classificada como utilizador regular (44,9%) ou ocasional    (31,4%). A proporção de raparigas foi semelhante (41,5% e 39,8%, respectivamente).    Verificou-se percentagem semelhante de não utilizadores: 16,4% dos rapazes e    16,5% das raparigas.</p>     <p>Encontraram-se diferenças estatisticamente significativas nas características    pessoais entre os vários grupos de utilizadores (idade, situação académica,    nível socioeconómico e actividade física nos rapazes e idade, situação académica    e presença de doença crónica nas raparigas).</p>     <p>Considerando os rapazes utilizadores regulares como referência, verificou-se    que os utilizadores intensivos tiveram maior risco de excesso de peso ou obesidade    (risco relativo [RR] 1,78; intervalo de confiança [IC] de 95% 1,07-2,95) e de    sintomas depressivos (RR 1,36; IC 95% 1,01-1,81). Os não utilizadores tiveram    maior risco de lombalgia (RR 1,87; IC 95% 1,26-2,79) e de sintomas depressivos    (RR 1,31; IC 95% 1,02- 1,67).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em comparação com as utilizadoras regulares, as utilizadoras intensivas apresentaram    maior risco de sono insuficiente (RR 1,91; IC 95% 1,07-3,42) e de sintomatologia    depressiva (RR 1,86; IC 95% 1,30-2,66). As utilizadoras ocasionais e as não    utilizadoras revelaram maior risco de sintomatologia depressiva (RR 1,24; IC    95% 1,06-1,44 e RR 1,46; IC 95% 1,14-1,87, respectivamente).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discussão</b></p>     <p>Encontrou-se um padrão de associação em «U» entre a intensidade de utilização    da internet e o compromisso da saúde mental. O facto de os utilizadores ocasionais    e os não utilizadores terem apresentado maior risco de sintomatologia depressiva    foi um resultado inesperado e não parece ser explicado pela falta de acesso    à internet. Uma explicação possível seria que os adolescentes poderiam estar    desadaptados do seu grupo de amigos ou isolados em contexto depressivo, utilizando    menos a internet.</p>     <p>A internet pode fazer com que os adolescentes se deitem mais tarde e tenham    distúrbios de sono, podendo ser a explicação para os resultados verificados    em relação ao sono nas utilizadoras intensivas. Os resultados encontrados sobre    excesso de peso ou obesidade nos utilizadores intensivos referem-se apenas aos    rapazes, o que pode ser explicado pelo motivo de na Suíça este problema de saúde    ser menos frequente nas raparigas. Em relação ao maior risco de lombalgia nos    não utilizadores, há que ter em conta que a maioria dos rapazes estava em estágios    profissionais, implicando mais actividades físicas, com consequentes queixas    álgicas.</p>     <p>Um ponto forte do estudo a realçar é que foi utilizada uma amostra representativa    nacional de adolescentes. Existem, contudo, limitações: o estudo não especifica    a quantidade e a qualidade do uso da internet e não inclui adolescentes que    não frequentam a escola. Além disso, o acesso à internet tem vindo a aumentar    ao longo dos anos logo, actualmente, o número de horas dispendido nesta actividade    deve ser superior.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclusão</b></p>     <p>A utilização da internet de forma moderada pode ser benéfica. Utilizar a internet    várias vezes por semana e menos de duas horas por dia parece ser um comportamento    saudável. Os médicos devem estar atentos, não só à utilização excessiva da internet,    mas também à utilização rara ou mesmo ausente nos adolescentes.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Comentário</b></p>     <p>À semelhança de trabalhos anteriores, este estudo demonstra que a utilização    excessiva da internet tem risco acrescido de problemas de saúde. Além disso,    acrescenta, de forma inovadora, que a ausência de uso e o uso ocasional da internet    se associam também a risco de problemas de saúde, tais como sintomas depressivos.</p>     <p>Contudo, o desenho do estudo não permite determinar a direcção da associação    e estabelecer causalidade (não se sabe se a utilização escassa ou nula da internet    causa sintomas depressivos ou se estes determinam menor utilização da internet).    Existiam algumas diferenças&nbsp;nas características iniciais entre os grupos    de utilizadores. Embora tenha sido feito um ajustamento estatístico para estas    características, uma das limitações de estudos observacionais como este é a    possibilidade de existirem outras variáveis que não foram consideradas e que    constituam factores de confundimento, alterando a força ou mesmo a direcção    da associação.</p>     <p>Os resultados do estudo foram recolhidos em 2002, o que constitui uma limitação    importante, já que o fenómeno das redes sociais na internet é posterior. Em    Portugal, nos últimos anos, verificou-se a implementação de programas que facilitam    o acesso à sociedade de informação, com um aumento importante da aquisição de    equipamentos informáticos e de acesso à banda larga pelos estudantes.<sup>1</sup>    Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a utilização da internet    pelo grupo etário dos 16 aos 24 anos tem vindo a aumentar ao longo dos últimos    anos.<sup>2</sup> Assim, actualmente, as definições dos vários tipos de utilizadores    podem ser bastante distintas, porque devem ser adaptadas à expansão da internet    em cada contexto cultural. É possível que o que foi considerado como um comportamento    saudável (utilização intermédia) ou potencialmente nefasto (uso excessivo, escasso    ou ausente) em 2002 seja diferente do que se verifica na actualidade na Suíça    e em Portugal.</p>     <p>Outra limitação é que o estudo não inclui adolescentes que não estudam ou outros    grupos etários. É pertinente saber se as conclusões seriam as mesmas se se considerasse    adolescentes com idade inferior a 16 anos, adultos ou idosos.</p>     <p>Em conclusão, a utilização da internet parece ser um elemento importante na    abordagem dos adolescentes e pode constituir um marcador associado a problemas    de saúde, embora se desconheça a existência de uma relação de causalidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>1. Despacho n.º 145/2008, de 3 de Janeiro. Diário da República nº2/2008 - 2ª    Série. p. 153-4.</p>     <!-- ref --><p>2. Instituto Nacional de Estatística, I.P. Indicadores sociais 2009. 12ª ed.    Lisboa: Instituto Nacional de Estatística2010. p. 98-9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000042&pid=S0870-7103201100020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Instituto Nacional de Estatística, I.P.</collab>
<source><![CDATA[Indicadores sociais 2009]]></source>
<year>2010</year>
<edition>12ª</edition>
<page-range>98-9</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Nacional de Estatística]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
