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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Clínica Geral]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Referenciação aos cuidados de saúde secundários em idade pediátrica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An analysis of referrals from primary care to a pediatric hospital outpatient clinic]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To determine the rate of referral of pediatric patients from the Grão Vasco Family Health Unit and the Viriato Family Health Units (FHU) to the São Teotónio Hospital (STH) pediatric outpatient clinic, to characterize these referrals, and to analyze the hospital’s response to these referral. Design: Cross-sectional Setting: Two family health units and one pediatric hospital outpatient clinic. Population: Children and adolescents under 18 years of age registered at the Grão Vasco and Viriato Family Health Units who attended the child and adolescent outpatient clinic at São Teotónio Hospital in 2009. Methods: We reviewed all pediatric referrals made during 2009. Data were collected by examining hospital and FHU clinical records. The variables assessed were: gender, age, number of children referred per physician, number of consultations per physician, physician’s years of practice, consult requested, reason for referral, initiator of referral, format of the referral letter, quality of referral letter, time to first consultation, and hospital feedback. Results: A total of 135 referrals were analyzed. 63% of patients referred were male. The mean age of referred patients was 6.1 ± 4.2 years. A referral rate of 1.1% (0.9; 1.3) was found. No significant correlation between years of clinical practice of the family physician and the rate of referral was found. The specialties with the greatest number of referrals were general pediatrics (35.6%) and pediatric surgery (33.3%). The referral letters were of good quality in 69.6% of cases. There was a significant association between the quality of letters and the referred specialty. There was a significant association between referrals to pediatric surgery and letters with reasonable or bad quality. The median waiting time for consultation was 92 days (83.6; 100.4). A reply to the referral from the hospital to the referring physician was found in 10.5% of cases. Conclusions: The referral rate in this study was lower than that found in other studies. The quality of referral letters and the hospital’s response time require improvement.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Referenciação e Consulta]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ESTUDOS ORIGINAIS</b></p>     <p><font size="4"><b>Referencia&ccedil;&atilde;o aos cuidados de sa&uacute;de secund&aacute;rios em idade pedi&aacute;trica</b></font></p>     <p><font size="3"><b>An analysis of referrals from primary care to a pediatric hospital outpatient clinic</b></font></p>     <p><b>Maria In&ecirc;s Santos,<sup>1</sup> In&ecirc;s Coelho,<sup>2</sup> Frederico Ros&aacute;rio,<sup>3</sup> Patr&iacute;cia Machado,<sup>4</sup> Lurdes Nery,<sup>5</sup> Jo&atilde;o Ribeiro,<sup>6</sup> Ant&oacute;nio Lemos<sup>5</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Interna de 4.<sup>o</sup> Ano do Internato Complementar de Pediatria do Hospital de S&atilde;o Teot&oacute;nio EPE, Viseu;</p>     <p><sup>2</sup>Interna do 2.<sup>o</sup> Ano do Internato Complementar de Medicina Geral e Familiar na USF Gr&atilde;o Vasco, Viseu;</p>     <p><sup>3</sup>Assistente de Medicina Geral e Familiar na UCSP Quinta da Lomba, Barreiro;</p>     <p><sup>4</sup>Interna do 2.<sup>o</sup> Ano do Internato Complementar de Medicina Geral e Familiar na USF Viriato, Viseu;</p>     <p><sup>5</sup>Assistente Graduado de Medicina Geral e Familiar na USF Gr&atilde;o Vasco, Viseu;</p>     <p><sup>6</sup>Assistente de Medicina Geral e Familiar na USF Viriato, Viseu.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr />     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Objectivos:</b> Estimar a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o &agrave; consulta externa hospitalar em idade pedi&aacute;trica das Unidades de Sa&uacute;de Familiar (USF) Gr&atilde;o Vasco e Viriato ao Hospital de S&atilde;o Teot&oacute;nio (HST); caracterizar a referencia&ccedil;&atilde;o nestas USF &agrave; consulta externa do HST; analisar a resposta hospitalar.</p>     <p><b>Tipo de estudo:</b> Observacional, transversal e anal&iacute;tico.</p>     <p><b>Local:</b> HST, USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato.</p>     <p><b>Popula&ccedil;&atilde;o:</b> Crian&ccedil;as e adolescentes (menos de 18 anos de idade), inscritas nas USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato, que utilizaram as consultas de Sa&uacute;de Infantil e Juvenil durante o ano de 2009.</p>     <p><b>M&eacute;todos:</b> Foram analisadas todas as referencia&ccedil;&otilde;es efectuadas durante o ano de 2009. Os dados foram colhidos por consulta dos processos hospitalares e das USF. Vari&aacute;veis estudadas: sexo, idade, n&uacute;mero de crian&ccedil;as referenciadas por m&eacute;dico, n&uacute;mero de consultas por m&eacute;dico, anos de pr&aacute;tica do m&eacute;dico, consulta pedida, motivo de referencia&ccedil;&atilde;o, iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o, forma de escrita das cartas, qualidade das cartas, tempo at&eacute; primeira consulta, informa&ccedil;&atilde;o de retorno.</p>     <p><b>Resultados:</b> Foram analisadas 135 referencia&ccedil;&otilde;es, 63% do sexo masculino, m&eacute;dia de idades 6,1 &plusmn; 4,2 anos. Foi encontrada uma taxa de referencia&ccedil;&atilde;o de 1,1% (0,9; 1,3). N&atilde;o se encontrou correla&ccedil;&atilde;o significativa entre os anos de pr&aacute;tica cl&iacute;nica do m&eacute;dico de fam&iacute;lia e a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As especialidades mais referenciadas foram Pediatria Geral (35,6%) e Cirurgia Pedi&aacute;trica (33,3%). As cartas de referencia&ccedil;&atilde;o apresentaram boa qualidade em 69,6% dos casos. Verificou-se uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a qualidade das cartas e a especialidade referenciada, tendo-se encontrado uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a Cirurgia Pedi&aacute;trica e cartas de qualidade razo&aacute;vel/m&aacute;.</p>     <p>A mediana do tempo de espera pela consulta foi de 92 dias (83,6; 100,4). Encontrou-se informa&ccedil;&atilde;o de retorno em 10,5% dos casos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&otilde;es:</b> A taxa de referencia&ccedil;&atilde;o encontrada foi inferior &agrave; observada noutros artigos. Existem aspectos a melhorar na qualidade das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o e no tempo de resposta hospitalar &agrave;s consultas.</p>     <p><b>Palavras-Chave:</b> Referencia&ccedil;&atilde;o e Consulta; Comunica&ccedil;&atilde;o; Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios; Hospital; Pediatria; Qualidade dos Cuidados de Sa&uacute;de.</p> <hr />     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Objectives:</b> To determine the rate of referral of pediatric patients from the Gr&atilde;o Vasco Family Health Unit and the Viriato Family Health Units (FHU) to the S&atilde;o Teot&oacute;nio Hospital (STH) pediatric outpatient clinic, to characterize these referrals, and to analyze the hospital&rsquo;s response to these referral.</p>     <p><b>Design:</b> Cross-sectional</p>     <p><b>Setting:</b> Two family health units and one pediatric hospital outpatient clinic.</p>     <p><b>Population:</b> Children and adolescents under 18 years of age registered at the Gr&atilde;o Vasco and Viriato Family Health Units who attended the child and adolescent outpatient clinic at S&atilde;o Teot&oacute;nio Hospital in 2009.</p>     <p><b>Methods:</b> We reviewed all pediatric referrals made during 2009. Data were collected by examining hospital and FHU clinical records. The variables assessed were: gender, age, number of children referred per physician, number of consultations per physician, physician&rsquo;s years of practice, consult requested, reason for referral, initiator of referral, format of the referral letter, quality of referral letter, time to first consultation, and hospital feedback.</p>     <p><b>Results:</b> A total of 135 referrals were analyzed. 63% of patients referred were male. The mean age of referred patients was 6.1 &plusmn; 4.2 years. A referral rate of 1.1% (0.9; 1.3) was found. No significant correlation between years of clinical practice of the family physician and the rate of referral was found.</p>     <p>The specialties with the greatest number of referrals were general pediatrics (35.6%) and pediatric surgery (33.3%). The referral letters were of good quality in 69.6% of cases. There was a significant association between the quality of letters and the referred specialty. There was a significant association between referrals to pediatric surgery and letters with reasonable or bad quality. The median waiting time for consultation was 92 days (83.6; 100.4). A reply to the referral from the hospital to the referring physician was found in 10.5% of cases.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclusions:</b> The referral rate in this study was lower than that found in other studies. The quality of referral letters and the hospital&rsquo;s response time require improvement.</p>     <p><b>Keywords:</b> Referral and Consultation; Communication; Primary Health Care; Hospital; Pediatrics; Quality of Health Care.</p> <hr />     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O M&eacute;dico de Fam&iacute;lia (MF) constitui um dos pilares fundamentais na organiza&ccedil;&atilde;o estrutural e funcional dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, constituindo a porta de entrada do utente/doente nos cuidados de sa&uacute;de.<sup>1,2</sup> Cabe ao MF fazer a avalia&ccedil;&atilde;o inicial da situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e decidir quanto &agrave; necessidade de referencia&ccedil;&atilde;o aos cuidados secund&aacute;rios, tendo em conta as medidas j&aacute; realizadas, os meios ao seu dispor e o &acirc;mbito da sua ac&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Dos diferentes objectivos dos dois n&iacute;veis de cuidados nasce a complementaridade de ac&ccedil;&otilde;es. Numa altura em que cada vez mais se procura melhorar a qualidade do servi&ccedil;o prestado &agrave; comunidade e, ao mesmo tempo, racionalizar os escassos recursos humanos e tecnol&oacute;gicos,<sup>3</sup> &eacute; importante que a interac&ccedil;&atilde;o entre os diferentes intervenientes no servi&ccedil;o nacional de sa&uacute;de seja eficaz. Dada a complexidade crescente dos v&aacute;rios problemas de sa&uacute;de e o risco de utiliza&ccedil;&atilde;o excessiva dos servi&ccedil;os, uma comunica&ccedil;&atilde;o adequada entre os Cuidados de Sa&uacute;de Secund&aacute;rios e os Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios (CSP) &eacute; considerada um bom indicador de qualidade de cuidados.<sup>3</sup> Alguns autores verificaram a exist&ecirc;ncia de falhas nesta articula&ccedil;&atilde;o de cuidados no nosso pa&iacute;s, salientando a import&acirc;ncia de uma boa informa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, quer de referencia&ccedil;&atilde;o, quer de retorno, com o objectivo da partilha da responsabilidade dos diversos profissionais na eficaz orienta&ccedil;&atilde;o do doente.<sup>2,3</sup> Na literatura n&atilde;o est&atilde;o descritas taxas de referencia&ccedil;&atilde;o para a idade pedi&aacute;trica,<sup>2-5</sup> nem se encontra analisada a comunica&ccedil;&atilde;o entre os diferentes n&iacute;veis de cuidados neste grupo et&aacute;rio particular.</p>     <p>Assim, este trabalho teve como objectivos: estimar a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o &agrave; consulta externa hospitalar em idade pedi&aacute;trica das USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato ao HST; caracterizar a referencia&ccedil;&atilde;o em idade pedi&aacute;trica nestas USF &agrave; consulta externa do HST; e analisar a resposta hospitalar &agrave;s referencia&ccedil;&otilde;es efectuadas.</p>     <p><b>M&eacute;todos</b></p>     <p><u>Tipo de estudo:</u> observacional, transversal, anal&iacute;tico.</p>     <p><u>Dura&ccedil;&atilde;o e per&iacute;odo:</u> a recolha de dados, relativos ao ano de 2009, foi efectuada entre um de Mar&ccedil;o e nove de Abril de 2010.</p>     <p><u>Local:</u> estudo realizado no Hospital de S&atilde;o Teot&oacute;nio, E.P.E. (HST), Unidade de Sa&uacute;de Familiar (USF) Gr&atilde;o Vasco e USF Viriato.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><u>Popula&ccedil;&atilde;o:</u> crian&ccedil;as e adolescentes (menos de 18 anos de idade), inscritas nas USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato, que utilizaram as consultas de Sa&uacute;de Infantil e Juvenil durante o ano de 2009.</p>     <p><u>Amostra:</u> de conveni&ecirc;ncia, constitu&iacute;da por todas as crian&ccedil;as e adolescentes referenciadas &agrave; consulta externa do HST pelas USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato durante o ano de 2009.</p>     <p><u>Defini&ccedil;&atilde;o conceptual e operacional das vari&aacute;veis</u></p>     <p><b>1. Sexo,</b> operacionalizado em &laquo;Feminino&raquo; e &laquo;Masculino&raquo;;</p>     <p><b>2. Idade &agrave; data da referencia&ccedil;&atilde;o,</b> definida como n&uacute;mero de anos completos &agrave; data da colheita dos dados exceptuando os lactentes (&lt; 1 ano) nos quais a idade foi calculada de acordo com a equa&ccedil;&atilde;o</p>     <p>Idade = N&uacute;mero de meses completos/12</p>     <p>(1)</p>     <p>Esta vari&aacute;vel foi posteriormente operacionalizada em lactentes, 1-5 anos, 6-9 anos e adolescentes (&gt;9 anos). Optou-se por esta divis&atilde;o por se tratar dos grupos et&aacute;rios utilizados no Servi&ccedil;o de Pediatria do HST; </p>     <p><b>3. N&uacute;mero de crian&ccedil;as referenciadas por m&eacute;dico, </b>definida como o n&uacute;mero total de referencia&ccedil;&otilde;es efectuadas por cada MF nas USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato durante o ano de 2009;</p>     <p><b>4. N&uacute;mero de consultas por m&eacute;dico,</b> definida como o n&uacute;mero total de consultas efectuadas por cada MF nas USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato a crian&ccedil;as e adolescentes durante o ano de 2009;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>5. Anos de pr&aacute;tica do M&eacute;dico de Fam&iacute;lia,</b> definida como o n&uacute;mero de anos completos de exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o M&eacute;dico;</p>     <p><b>6. Consulta pedida,</b> definida como a consulta solicitada na carta de referencia&ccedil;&atilde;o, nas diferentes especialidades m&eacute;dicas encontradas nas cartas: Pediatria Geral, Cirurgia Pedi&aacute;trica, Oftalmologia, Desenvolvimento, Pedopsiquiatria, Ortopedia, Otorrinolaringologia (ORL), Gastrenterologia e Dermatologia. Tendo em conta que muitas das especialidades referenciadas tinham poucos casos, optou-se por agrupar todas as que tinham 9 ou menos referencia&ccedil;&otilde;es, de forma a poder estimar-se a mediana do tempo de resposta. Para este efeito assumiu-se que as consultas pedidas que aguardavam agendamento iriam coincidir com as consultas marcadas. Assim, a vari&aacute;vel foi operacionalizada em: Pediatria Geral, Cirurgia Pedi&aacute;trica, Oftalmologia e Outras;</p>     <p><b>7. Motivo de referencia&ccedil;&atilde;o,</b> definida como o motivo que levou ao pedido de consulta hospitalar, procedeu-se &agrave; sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o em &laquo;Desenvolvimento&raquo; e &laquo;Som&aacute;tico&raquo; consoante o motivo de refer&ecirc;ncia aos cuidados hospitalares fosse do foro do desenvolvimento/comportamento ou do foro f&iacute;sico, respectivamente;</p>     <p><b>8. Iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o,</b> definida como a entidade que sugeriu inicialmente a necessidade de referencia&ccedil;&atilde;o, operacionalizada em &laquo;M&eacute;dico de Fam&iacute;lia&raquo;, &laquo;Fam&iacute;lia/Utente&raquo;, &laquo;Escola/Infant&aacute;rio&raquo; e &laquo;Outras&raquo;, avaliada atrav&eacute;s da consulta dos processos cl&iacute;nicos das USF;</p>     <p><b>9. Forma de escrita das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o.</b> As cartas de referencia&ccedil;&atilde;o foram enviadas atrav&eacute;s do sistema ALERT P1&reg; ou atrav&eacute;s de via postal, manuscritas ou dactilografadas. Esta vari&aacute;vel foi definida de acordo com a forma como a carta foi elaborada: m&eacute;todos inform&aacute;ticos ou manuscrita, operacionalizada em &laquo;Manuscrita&raquo; e &laquo;Dactilografada&raquo;;</p>     <p><b>10. Qualidade das cartas,</b> avaliada atrav&eacute;s de consulta das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o integradas no processo cl&iacute;nico hospitalar,<sup>1,2</sup> provenientes das USF Gr&atilde;o Vasco e Viriato, operacionalizada em &laquo;Boa&raquo;, &laquo;Aceit&aacute;vel&raquo; e &laquo;M&aacute;&raquo; (<a href="#q1">Quadro I</a>);</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04q1.gif" width="337" height="433" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>11. Tempo at&eacute; primeira consulta,</b> definida como o n&uacute;mero de dias completos decorridos entre a data de envio da carta de referencia&ccedil;&atilde;o e a data da primeira consulta hospitalar. Para aferir a data da primeira consulta foi consultado o sistema ALERT&reg; hospitalar;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>12. Informa&ccedil;&atilde;o de retorno,</b> definida como a presen&ccedil;a da informa&ccedil;&atilde;o de retorno nos processos das USF das crian&ccedil;as e adolescentes que tinham recebido alta da consulta externa hospitalar, operacionalizada em &laquo;Presente&raquo; quando esta constava no processo e &laquo;Ausente&raquo; caso contr&aacute;rio.</p>     <p><u>Taxa de referencia&ccedil;&atilde;o:</u> Calculada pelo quociente entre o n&uacute;mero de referencia&ccedil;&otilde;es efectuadas a utentes com menos de 18 anos de idade e o n&uacute;mero total de consultas efectuadas a utentes com menos de 18 anos de idade,<sup>2</sup> durante o ano de 2009, em ambas as USF. Estes dados foram obtidos atrav&eacute;s das aplica&ccedil;&otilde;es inform&aacute;ticas Sonho<sup>&reg;</sup> no HST, Vitacare<sup>&reg;</sup> na USF Gr&atilde;o Vasco e SAM<sup>&reg;</sup> na USF Viriato.</p>     <p><u>Recolha e tratamento dos dados:</u> Todos os dados foram colhidos atrav&eacute;s de consulta dos processos hospitalares e dos das USF. Os dados obtidos foram codificados e registados no suporte inform&aacute;tico Microsoft<sup>&reg;</sup> Excel 2007 tendo depois sido tratados com os softwares estat&iacute;sticos SPSS 15.0<sup>&reg;</sup> (SPSS Inc, Chicago, IL)6 e R<sup>&reg;</sup> 2.7.0.<sup>7</sup></p>     <p><u>An&aacute;lise dos dados:</u> A descri&ccedil;&atilde;o dos dados teve como base a distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncias, medidas de tend&ecirc;ncia central (m&eacute;dias e medianas) e medidas de dispers&atilde;o (desvio-padr&atilde;o). A compara&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis qualitativas foi efectuada atrav&eacute;s do teste &#967;<sup>2</sup> quando verificados os pressupostos para a sua utiliza&ccedil;&atilde;o (dimens&atilde;o amostral &gt; 20; todas as frequ&ecirc;ncias esperadas &gt; 1; pelo menos 80% das frequ&ecirc;ncias esperadas &#8805; 5), ou teste exacto de <i>Fisher</i> caso contr&aacute;rio.<sup>8</sup> As vari&aacute;veis cont&iacute;nuas foram comparadas com o teste <i>t de Student</i> para 2 amostras independentes ap&oacute;s verifica&ccedil;&atilde;o dos pressupostos de normalidade e homocedasticidade das amostras, tendo-se recorrido &agrave; <i>correc&ccedil;&atilde;o de Welch</i> no caso de viola&ccedil;&atilde;o deste &uacute;ltimo.<sup>8</sup> A exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&atilde;o entre os anos de pr&aacute;tica do m&eacute;dico e a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o foi estudada atrav&eacute;s do coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o <i>Kendall&rsquo;s tau b.</i> Optou-se pela utiliza&ccedil;&atilde;o deste coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o pois os dados n&atilde;o apresentavam uma distribui&ccedil;&atilde;o normal (invalidando a utiliza&ccedil;&atilde;o do coeficiente <i>R de Pearson</i>) e continham elevado n&uacute;mero de empates (invalidando a utiliza&ccedil;&atilde;o do coeficiente <i>R&oacute; de Spearman</i>).<sup>9</sup> A associa&ccedil;&atilde;o entre a qualidade das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o e as especialidades hospitalares, e entre a iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o e o motivo de referencia&ccedil;&atilde;o, foi avaliada atrav&eacute;s da an&aacute;lise de res&iacute;duos normalizados ajustados em tabelas de conting&ecirc;ncia (considerou-se significativo se res&iacute;duo &lt; &#8211; 1,96 ou res&iacute;duo &gt; 1,96). A an&aacute;lise dos tempos de resposta hospitalar aos pedidos de consulta foi efectuada com recurso ao estimador <i>Kaplan-Meier,</i> tendo os tempos de resposta entre cada tipo de consulta sido comparados com o teste <i>log-rank,</i> com o valor <i>p</i> corrigido pelo m&eacute;todo de <i>Hochberg</i> quando se efectuaram compara&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas. Para a tomada de decis&atilde;o foi considerado o n&iacute;vel de signific&acirc;ncia 5%.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra</b></p>     <p>Foram referenciadas 135 crian&ccedil;as, 63% do sexo masculino. As 43 crian&ccedil;as referenciadas pela USF Gr&atilde;o Vasco tinham idade m&eacute;dia de 7,2 &plusmn; 5,0 anos e as 92 referenciadas pela USF Viriato 5,7 &plusmn; 3,7 anos. A maioria das referencia&ccedil;&otilde;es foi efectuada no grupo et&aacute;rio entre os 1 e 5 anos (38,5%), seguido dos 6 aos 9 anos (31,9%), adolescentes (20%) e lactentes (9,6%).</p>     <p>As USF estudadas revelaram-se homog&eacute;neas quanto &agrave; idade (<i>t&lt;sub&gt;welch&lt;/sub&gt;(64,7)</i> = 1,74; <i>p</i> = 0,09) e sexo das crian&ccedil;as referenciadas (&#967;<sup>2</sup><i>&lt;sub&gt;Pearson&lt;/sub&gt;(1)</i> = 2,43; p = 0,12).</p>     <p><b>Taxa de referencia&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Foram efectuadas 12273 consultas no ano de 2009, 6287 (51,2%) das quais na USF Viriato. A taxa de referencia&ccedil;&atilde;o global foi de 1,1% (IC95%: [ 0,9; 1,3 ]), sendo de 1,46% na USF Viriato e de 0,72% na USF Gr&atilde;o Vasco. Foi encontrada uma diferen&ccedil;a significativa entre as taxas de referencia&ccedil;&atilde;o nas duas USF (&#967;<sup>2</sup><i>&lt;sub&gt;Pearson&lt;/sub&gt;(1)</i> = 15,3; p &lt; 0,001). Os anos de pr&aacute;tica cl&iacute;nica dos M&eacute;dicos de Fam&iacute;lia das duas USF variaram entre 7 e 34 anos, n&atilde;o se tendo verificado rela&ccedil;&atilde;o entre a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o de cada MF e os respectivos anos de pr&aacute;tica cl&iacute;nica (<i>Kendall&rsquo;s tau b</i> = &#8211; 0,095; p = 0,62).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Caracter&iacute;sticas da referencia&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As consultas mais solicitadas foram Pediatria Geral, Cirurgia Pedi&aacute;trica e Oftalmologia. Na &aacute;rea m&eacute;dica, 41,5% dos motivos de referencia&ccedil;&atilde;o estavam relacionados com o desenvolvimento, como a perturba&ccedil;&atilde;o de hiperactividade e d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o, as dificuldades de aprendizagem, o atraso global do desenvolvimento, as dificuldades da linguagem e a dislexia. (<a href="#q2">Quadro II</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04q2.gif" width="453" height="727" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Da an&aacute;lise dos processos familiares nas USF apurou-se que a principal iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o foi o M&eacute;dico de Fam&iacute;lia (77,8%), seguida da Escola/Infant&aacute;rio (12,6%), Fam&iacute;lia/Utente (5,2%) e Outras (4,4%).</p>     <p>Quando a referencia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi inicialmente proposta pelo MF, a patologia implicada foi maioritariamente ao foro do desenvolvimento e do comportamento (<a href="#q3">Quadro III</a>). A an&aacute;lise das vari&aacute;veis Iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o e Motivo de referencia&ccedil;&atilde;o, dicotomizada em Som&aacute;tico/Desenvolvimento, mostrou haver uma associa&ccedil;&atilde;o muito significativa entre elas (teste exacto de <i>Fisher,</i> <i>p</i> &lt; 0,001). Pela an&aacute;lise dos res&iacute;duos em tabelas de conting&ecirc;ncia foi poss&iacute;vel constatar que, quando os sintomas eram som&aacute;ticos, a iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o foi preferencialmente do MF (res&iacute;duo &gt; 1,96), ao passo que, quando os sintomas eram do foro do desenvolvimento/comportamento, a iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o teve como origem preferencial a Escola/Infant&aacute;rio e Outras fontes (res&iacute;duo &gt; 1,96).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04q3.gif" width="417" height="392" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Analisando o conte&uacute;do das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o, constatou-se que a maioria apresentava boa qualidade (69,6%), com 15,6% dos casos de m&aacute; qualidade. No <a href="#q4">Quadro IV</a> podem verificar-se os dados que estavam presentes nas cartas de referencia&ccedil;&atilde;o analisadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04q4.gif" width="337" height="352" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A maioria das cartas de m&aacute; qualidade foram dirigidas &agrave; consulta de Cirurgia Pedi&aacute;trica (<a href="#q5">Quadro V</a>), tendo-se verificado uma rela&ccedil;&atilde;o significativa entre as cartas de referencia&ccedil;&atilde;o apresentarem qualidade aceit&aacute;vel ou m&aacute; e a referencia&ccedil;&atilde;o &agrave; Consulta de Cirurgia Pedi&aacute;trica (&#967;<sup>2</sup><i>&lt;sub&gt;Pearson&lt;/sub&gt;(2)</i> = 20,3; p &lt; 0,001; res&iacute;duo &gt; 1,96).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q5"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04q5.gif" width="345" height="342" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A maioria das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o foi dactilografada (77,3%), n&atilde;o se tendo verificado associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a forma de escrita e a qualidade das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o (&#967;<sup>2</sup><i>&lt;sub&gt;Pearson&lt;/sub&gt;(2)</i> = 1,96; <i>p</i> = 0,38).</p>     <p><b>Caracter&iacute;sticas da resposta hospitalar</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tempo de espera at&eacute; primeira consulta variou com a especialidade de referencia&ccedil;&atilde;o, apresentando no global uma mediana de 92 dias, m&iacute;nimo de 13 dias e m&aacute;ximo de 421 dias; 23% das referencia&ccedil;&otilde;es aguardavam marca&ccedil;&atilde;o &agrave; data de conclus&atilde;o do estudo, variando os seus tempos de espera entre os 130 e os 449 dias. Uma vez que algumas especialidades tinham poucas referencia&ccedil;&otilde;es, optou-se por agrupar as que tinham 9 ou menos referencia&ccedil;&otilde;es, conforme descrito na sec&ccedil;&atilde;o &laquo;M&eacute;todos&raquo;. Obteve-se assim uma nova distribui&ccedil;&atilde;o das especialidades referenciadas: 52 referencia&ccedil;&otilde;es a Pediatria Geral, 46 a Cirurgia Pedi&aacute;trica, 14 a Oftalmologia e 23 para Outras Especialidades. Nenhuma consulta foi marcada durante os primeiros oito dias. Doze semanas ap&oacute;s a data da referencia&ccedil;&atilde;o aguardavam consulta 56,3% das referencia&ccedil;&otilde;es. Analisando a resposta hospitalar por especialidade, verificou-se que ao fim de doze semanas estavam por realizar 38,5% das consultas de Pediatria, 42,9% de Oftalmologia, 71,7% de Cirurgia Pedi&aacute;trica e 73,9% de Outras especialidades.</p>     <p>Trinta dias ap&oacute;s a referencia&ccedil;&atilde;o haviam sido realizadas 4,4% das consultas, ascendendo a 21,5% aos 60 dias. Ao fim de 150 dias estavam por realizar 28,1% das consultas solicitadas. A an&aacute;lise por especialidades revelou que, ao fim deste tempo, Pediatria Geral tinha por realizar 1,9% das consultas solicitadas, 7,1% de Oftalmologia, 63% de Cirurgia Pedi&aacute;trica e 30,4% de Outras especialidades.</p>     <p>As medianas dos tempos de resposta hospitalar podem ser consultadas na <a href="#q6">Quadro VI</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q6"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04q6.gif" width="337" height="267" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>N&atilde;o foi poss&iacute;vel calcular o Intervalo de Confian&ccedil;a 95% para a mediana da Consulta de Cirurgia Pedi&aacute;trica, uma vez que 54,3% das consultas solicitadas a esta especialidade ainda aguardavam agendamento &agrave; data da conclus&atilde;o do estudo (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><a href="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04f1.gif" target="_blank"><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04f1_small.gif" width="300" height="167" /><br />(clique para ampliar ! click to enlarge)</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise da <a href="#f1">Figura 1</a> mostra que as curvas dos tempos de resposta hospitalar das diferentes especialidades parecem ser semelhantes at&eacute; cerca dos 70 dias, altura em que come&ccedil;am a divergir dois grupos: o primeiro, composto pelas especialidades de Oftalmologia e Pediatria, com os menores tempos de resposta hospitalar; o segundo, constitu&iacute;do pela especialidade de Cirurgia Pedi&aacute;trica e pelo grupo das restantes especialidades, correspondendo a tempos de resposta mais elevados. Este &uacute;ltimo grupo parece come&ccedil;ar a divergir ap&oacute;s os 130 dias, apresentando a Cirurgia Pedi&aacute;trica tempos de resposta mais elevados. A aplica&ccedil;&atilde;o do teste <i>log-rank</i> ao conjunto dos tempos de resposta mostrou haver pelo menos um tipo de consulta que diferia dos restantes (<i>p</i> &lt; 0,001) pelo que se procedeu a compara&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas entre os diferentes tempos de marca&ccedil;&atilde;o, tendo o valor <i>p</i> sido corrigido pelo m&eacute;todo de <i>Hochberg.</i> Assim, foram encontradas diferen&ccedil;as significativas no tempo de resposta entre os diferentes tipos de consulta excepto entre as de Pediatria Geral e Oftalmologia, e entre as de Cirurgia Pedi&aacute;trica e Outras Consultas (<a href="#q7">Quadro VII</a>), n&atilde;o se confirmando a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;a significativa entre estas duas &uacute;ltimas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q7"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a04q7.gif" width="498" height="200" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Das referencia&ccedil;&otilde;es efectuadas, 23% aguardavam marca&ccedil;&atilde;o. A maioria destas (80,6%) era dirigida &agrave; consulta de Cirurgia Pedi&aacute;trica.</p>     <p>At&eacute; &agrave; data da conclus&atilde;o do estudo tinham tido alta 38 crian&ccedil;as, tendo-se encontrado informa&ccedil;&atilde;o de retorno em 10,5% dos casos (IC95%: [ 3,4%; 23,5% ]).</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p><b>Taxa de referencia&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A taxa de referencia&ccedil;&atilde;o encontrada neste estudo foi inferior &agrave;s estimadas em estudos anteriores, que variam entre os 5,1% e os 10,1%.<sup>2-5</sup> Contudo, estes estudos abordam a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o global e n&atilde;o apenas a pedi&aacute;trica. A diferen&ccedil;a encontrada est&aacute; provavelmente relacionada com o menor n&uacute;mero de patologias encontradas nas crian&ccedil;as quando comparadas com os adultos, em particular com os mais idosos. Um achado inesperado deste estudo relaciona-se com a diferen&ccedil;a encontrada nas taxas de referencia&ccedil;&atilde;o entre as duas USF. Apesar da sua proximidade geogr&aacute;fica e da homogeneidade encontrada nas idades e sexo das crian&ccedil;as referenciadas, a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o estimada para a USF Viriato foi o dobro da USF Gr&atilde;o Vasco. Poder-se-ia argumentar que esta diferen&ccedil;a estaria relacionada com os anos de pr&aacute;tica cl&iacute;nica dos M&eacute;dicos de Fam&iacute;lia. No entanto, n&atilde;o foi encontrada rela&ccedil;&atilde;o significativa entre a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o e os anos de pr&aacute;tica cl&iacute;nica. Uma poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o para esta discrep&acirc;ncia poder&aacute; estar relacionada com as datas de inicio de fun&ccedil;&otilde;es das respectivas USF. A USF Gr&atilde;o Vasco iniciou fun&ccedil;&otilde;es a 23 de Outubro de 2006 e a USF Viriato a 9 de Dezembro de 2008. Ap&oacute;s estas datas, as respectivas USF continuaram a incluir nas suas listas novos utentes sem MF, possivelmente com patologias j&aacute; estabelecidas mas ainda por diagnosticar. Tendo em conta que os dados foram colhidos relativamente ao ano de 2009, &eacute; conceb&iacute;vel que a USF Viriato tenha apresentado uma maior taxa de referencia&ccedil;&atilde;o. Ou seja, para al&eacute;m da incid&ecirc;ncia habitual de problemas de sa&uacute;de, em teoria semelhante nas duas USF, os m&eacute;dicos da USF Viriato poder&atilde;o ter sido confrontados com uma maior preval&ecirc;ncia de problemas de sa&uacute;de n&atilde;o diagnosticados. Este fen&oacute;meno n&atilde;o ter&aacute; assim sido observado na USF Gr&atilde;o Vasco, pois muitos destes problemas ter&atilde;o sido diagnosticados durante os anos de 2007 e 2008. Esta hip&oacute;tese, n&atilde;o considerada durante a fase de planeamento do estudo, alerta para a necessidade de ter em conta o tempo de forma&ccedil;&atilde;o das listas de utentes do MF em estudos de referencia&ccedil;&atilde;o, podendo em parte ser respons&aacute;vel pela discrep&acirc;ncia encontrada nas taxas de referencia&ccedil;&atilde;o estimadas, quer neste estudo, quer noutros j&aacute; publicados. Seria ainda importante que estudos futuros investigassem outros motivos para estas diferen&ccedil;as, avaliando o efeito de outras vari&aacute;veis socio-demogr&aacute;ficas das listas utentes e dos MF nas taxas de referencia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Caracter&iacute;sticas da referencia&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do que foi verificado em estudos anteriores,<sup>1-5</sup> a maioria das referencia&ccedil;&otilde;es foi dirigida a especialidades cir&uacute;rgicas ou m&eacute;dico-cir&uacute;rgicas, onde s&atilde;o utilizadas t&eacute;cnicas espec&iacute;ficas de diagn&oacute;stico e/ou tratamento n&atilde;o dispon&iacute;veis nos CSP.</p>     <p>Na &aacute;rea m&eacute;dica, uma parte significativa das referencia&ccedil;&otilde;es deveu-se a problemas do foro do desenvolvimento. Os resultados obtidos mostraram que este tipo de problemas &eacute; essencialmente identificado a n&iacute;vel da escola/infant&aacute;rio, ao passo que o MF identifica maioritariamente os problemas de &iacute;ndole som&aacute;tica. Isto pode ser explicado: pelo maior contacto dos professores/educadores com a crian&ccedil;a quando comparado com o tempo que o MF passa com a crian&ccedil;a em consulta, devido ao grande intervalo temporal entre as consultas preconizadas pela Direc&ccedil;&atilde;o Geral da Sa&uacute;de; pelo facto das crian&ccedil;as recorrerem aos CSP, entre as consultas definidas pela Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de, essencialmente por problemas som&aacute;ticos; e por os professores/educadores possu&iacute;rem hoje forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para a detec&ccedil;&atilde;o deste tipo de problemas, o que os leva a identific&aacute;-los antes mesmo dos pr&oacute;prios pais. Uma solu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel para aumentar a detec&ccedil;&atilde;o precoce deste problema seria a integra&ccedil;&atilde;o, em todas as unidades de CSP, de consultas de Psicologia em idades-chave para avalia&ccedil;&atilde;o formal do desenvolvimento e comportamento. Actualmente, o Agrupamento de Centros de Sa&uacute;de D&atilde;o Laf&otilde;es I integra nos seus quadros profissionais apenas uma psic&oacute;loga, insuficiente para a implementa&ccedil;&atilde;o deste tipo de programa.</p>     <p>A an&aacute;lise da qualidade das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o revelou que 69,6% delas apresentava boa qualidade, bastante superior &agrave; encontrada em estudos anteriores, em que a percentagem de cartas de boa qualidade variou entre 9,4% e 20,6%.<sup>1,2</sup> Poder-se-ia pensar que a melhoria da qualidade das cartas fosse o resultado da implementa&ccedil;&atilde;o da referencia&ccedil;&atilde;o por via inform&aacute;tica, que automaticamente assume alguns dos crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o de qualidade, como por exemplo a legibilidade ou a identifica&ccedil;&atilde;o do utente, ao passo que os estudos anteriores avaliaram essencialmente cartas manuscritas. Contudo, n&atilde;o encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as significativas na qualidade entre as cartas de referencia&ccedil;&atilde;o manuscritas e enviadas por via inform&aacute;tica, o que atesta a favor de uma evolu&ccedil;&atilde;o na qualidade da referencia&ccedil;&atilde;o. Estas melhorias devem ser analisadas com alguma cautela uma vez que os estudos anteriores abrangem todas as referencia&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o apenas as efectuadas em idade pedi&aacute;trica.</p>     <p>Uma an&aacute;lise mais detalhada das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o permitiu verificar que a qualidade destas n&atilde;o se distribuiu de forma homog&eacute;nea pelas diferentes especialidades, pois foi encontrada uma associa&ccedil;&atilde;o significativa entre as cartas de pior qualidade e a referencia&ccedil;&atilde;o &agrave; consulta de Cirurgia Pedi&aacute;trica. Esta associa&ccedil;&atilde;o ficou a dever-se ao facto de na maioria destas cartas constarem apenas a identifica&ccedil;&atilde;o, idade e diagn&oacute;stico prov&aacute;vel. Estes resultados mostram a necessidade de alertar os profissionais de sa&uacute;de para este problema, com o intuito de melhorar a informa&ccedil;&atilde;o presente nas cartas de referencia&ccedil;&atilde;o, e assim melhorar o servi&ccedil;o prestado ao utente. Num estudo anterior, em que foram detectadas lacunas na qualidade da informa&ccedil;&atilde;o das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o, ficou demonstrado que a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es de servi&ccedil;o de avalia&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o melhorou significativamente a qualidade das mesmas.<sup>1</sup> Este poderia ser um tema a incluir periodicamente nas reuni&otilde;es das USF visando a melhoria cont&iacute;nua da informa&ccedil;&atilde;o presente nas cartas. Estudos futuros dever&atilde;o procurar identificar as eventuais barreiras &agrave; melhoria da qualidade das cartas, bem como desenhar estrat&eacute;gias que as permitam ultrapassar.</p>     <p><b>Caracter&iacute;sticas da resposta hospitalar</b></p>     <p>A mediana global do tempo de espera encontrada neste estudo foi 92 dias. &Eacute; dif&iacute;cil fazer compara&ccedil;&otilde;es com outros estudos, uma vez que estes utilizam principalmente m&eacute;dias, abrangem todos os grupos et&aacute;rios, apresentam crit&eacute;rios de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o heterog&eacute;neos, e n&atilde;o t&ecirc;m em conta as consultas que aguardam marca&ccedil;&atilde;o para o seu c&aacute;lculo. A bibliografia consultada apresenta tempos m&eacute;dios de espera que variam entre 29 e 82,5 dias.<sup>3,10</sup></p>     <p>Alguns estudos referem como indicador de qualidade a resposta aos oito dias e &agrave;s doze semanas.<sup>3,10</sup> Neste estudo nenhuma crian&ccedil;a tinha sido observada ao fim de oito dias, valor semelhante ao encontrado num estudo anterior,<sup>3</sup> no qual 94% das consultas ainda n&atilde;o tinham sido realizadas ao fim deste tempo. Por outro lado, ao fim de doze semanas, verific&aacute;mos que 56,3% ainda n&atilde;o tinham tido uma primeira consulta. Outros estudos encontraram tamb&eacute;m elevadas percentagens de consultas por realizar ao fim deste tempo, variando entre 36,6% e 58%.<sup>3,10,11</sup></p>     <p>A Portaria n.<sup>o</sup> 1529/2008, de 26 de Dezembro,<sup>12</sup> define os tempos m&aacute;ximos de resposta garantidos para todo o tipo de presta&ccedil;&otilde;es de cuidados de sa&uacute;de sem car&aacute;cter de urg&ecirc;ncia. Para os hospitais do SNS, o tempo &eacute; dividido, consoante o n&iacute;vel de prioridade atribu&iacute;do pela triagem hospitalar, em 30 dias (consulta de realiza&ccedil;&atilde;o muito priorit&aacute;ria), 60 dias (priorit&aacute;ria) e 150 dias (normal). N&atilde;o tendo tido acesso &agrave; prioridade atribu&iacute;da a cada referencia&ccedil;&atilde;o pudemos apenas verificar que cerca de 28% das consultas n&atilde;o tinham respeitado os 150 dias admitidos para uma referencia&ccedil;&atilde;o de prioridade normal fixados pela portaria citada. No entanto, deve-se tamb&eacute;m ter em conta que cerca de um quinto das consultas foi realizada num prazo m&aacute;ximo de 60 dias, pelo que se admite a possibilidade de as referencia&ccedil;&otilde;es consideradas priorit&aacute;rias ou muito priorit&aacute;rias estarem a ter resposta dentro dos tempos estipulados. Estudos futuros que abordem a resposta hospitalar &agrave;s referencia&ccedil;&otilde;es dos CSP poder&atilde;o clarificar estes aspectos devendo para o efeito ter acesso &agrave;s prioridades atribu&iacute;das a cada referencia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A an&aacute;lise dos tempos de resposta hospitalar por especialidades veio mostrar a exist&ecirc;ncia de dois grupos distintos: um primeiro constitu&iacute;do por Pediatria e Oftalmologia, com cerca de 60% das consultas realizadas ao fim de doze semanas e mais de 90% das consultas realizadas antes dos 150 dias; um segundo grupo, englobando a Cirurgia Pedi&aacute;trica e o conjunto das restantes especialidades, com cerca de 30% das consultas realizadas ao fim de doze semanas e com uma importante percentagem de consultas com tempo de resposta acima dos 150 dias ainda por efectuar. O facto de a Cirurgia Pedi&aacute;trica ter um tempo mediano de espera duas vezes superior ao tempo m&aacute;ximo de espera definido por portaria para prioridade normal deve ter em conta que no HST existe apenas um profissional com a especialidade de Cirurgia Pedi&aacute;trica. N&atilde;o foi poss&iacute;vel calcular o intervalo de confian&ccedil;a para a mediana do tempo de espera para esta especialidade uma vez que cerca de 50% dos casos aguardavam ainda agendamento &agrave; data da conclus&atilde;o do estudo.</p>     <p>Importa tamb&eacute;m referir que no HST a triagem &eacute; feita por m&eacute;dicos e portanto &eacute; conceb&iacute;vel que os tempos de resposta, que variaram entre um m&iacute;nimo de 13 dias e um m&aacute;ximo de 421 dias, poder&atilde;o estar relacionados com a informa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica dispon&iacute;vel na carta de referencia&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o apenas com a capacidade de resposta hospitalar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o foi poss&iacute;vel determinar a mediana do tempo de espera para cada uma das especialidades englobadas no grupo Outras especialidades por apresentarem poucas referencia&ccedil;&otilde;es. No entanto, a sua an&aacute;lise conjunta sugere que o tempo de espera est&aacute; acima da mediana geral. Estudos futuros devem ter em conta esta limita&ccedil;&atilde;o e alargar o tempo de estudo ou o n&uacute;mero de USF/Centros de Sa&uacute;de estudados.</p>     <p>Neste estudo foi encontrada uma taxa de informa&ccedil;&atilde;o de retorno de 10,5%. Outros estudos publicados encontraram taxas de retorno mais elevadas, entre os 26,3% e os 36,6%.<sup>2,3,10</sup> Estudos futuros devem ter em conta este aspecto no sentido de identificar as suas causas para futura correc&ccedil;&atilde;o. A inexist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o de retorno limita a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados prestados pelo MF, podendo levar a tratamentos inadequados, presta&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o contradit&oacute;ria ao doente, encaminhamento inadequado para o servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia e solicita&ccedil;&atilde;o de novas consultas, o que resulta numa inadequada gest&atilde;o dos recursos. A informa&ccedil;&atilde;o de retorno deve constituir um ve&iacute;culo de continuidade assistencial sendo, no entanto, muitas vezes descurada pelo m&eacute;dico hospitalar, devido &agrave; press&atilde;o assistencial a que est&aacute; sujeito, o que o poder&aacute; levar a descuidar o seu dever e a considerar este documento como um mero passo burocr&aacute;tico.<sup>13</sup> Deve-se ter em aten&ccedil;&atilde;o que, no caso particular da Pediatria, muita informa&ccedil;&atilde;o &eacute; veiculada atrav&eacute;s do boletim de sa&uacute;de infantil e juvenil e n&atilde;o foi nosso objectivo avaliar este meio de comunica&ccedil;&atilde;o, pelo que a taxa de informa&ccedil;&atilde;o de retorno obtida poder&aacute; estar subestimada. &Eacute; de salientar que no HST, desde Janeiro de 2010, todas as altas na Consulta de Pediatria Geral t&ecirc;m nota de alta enviada ao MF por correio com hist&oacute;ria cl&iacute;nica, evolu&ccedil;&atilde;o, diagn&oacute;stico, exames efectuados e indica&ccedil;&otilde;es importantes para seguimento.</p>     <p><b>Pontos fortes e limita&ccedil;&otilde;es do estudo</b></p>     <p>Pode ser apontado como ponto forte deste estudo a metodologia estat&iacute;stica usada para estimar o tempo de resposta hospitalar &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es por parte dos CSP. Os estudos anteriormente publicados optaram por estimar este tempo atrav&eacute;s de m&eacute;dias. Esta metodologia &eacute; menos precisa por dois motivos: em primeiro lugar, o tempo at&eacute; determinado evento n&atilde;o assume geralmente uma distribui&ccedil;&atilde;o normal, sendo muito influenciada por valores extremos; em segundo, as referencia&ccedil;&otilde;es que aguardam agendamento n&atilde;o podem ser contabilizadas, perdendo-se informa&ccedil;&atilde;o preciosa. O uso deste tipo de an&aacute;lise permite que estudos futuros usando a mesma metodologia possam comparar de forma mais fidedigna os seus resultados. Pode ainda ser referida como mais-valia deste estudo o facto de estudar em particular as referencia&ccedil;&otilde;es em idade pedi&aacute;trica, levando a uma an&aacute;lise mais precisa dos problemas espec&iacute;ficos da referencia&ccedil;&atilde;o neste grupo et&aacute;rio.</p>     <p>Devem ser consideradas algumas limita&ccedil;&otilde;es deste estudo. Em primeiro lugar trata-se de uma amostra de conveni&ecirc;ncia referente apenas ao ano de 2009 das duas USF estudadas. Este facto limita a extrapola&ccedil;&atilde;o dos resultados para outras unidades prestadores de CSP. Por outro lado, para estimar o tempo de resposta assumiu-se que as consultas que aguardavam agendamento iriam ser coincidentes com consulta marcada. Admitimos que esta metodologia possa ter conduzido a algum vi&eacute;s na estimativa. Contudo, a maioria das refer&ecirc;ncias que ainda n&atilde;o tinham consulta agendada eram de Cirurgia Pedi&aacute;trica (cerca de 80%) e n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as entre as refer&ecirc;ncias a Cirurgia Pedi&aacute;trica e a consulta efectivamente marcada. Como tal, para efeitos da estima&ccedil;&atilde;o da mediana do tempo de resposta hospitalar o vi&eacute;s, a existir, ter&aacute; sido m&iacute;nimo. Deve-se considerar tamb&eacute;m como limita&ccedil;&atilde;o o facto da &laquo;iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o&raquo; ter sido verificada atrav&eacute;s da consulta do processo cl&iacute;nico da USF. &Eacute; poss&iacute;vel que os resultados possam n&atilde;o corresponder &agrave; realidade, uma vez que o MF poder&aacute; n&atilde;o ter registado a iniciativa da referencia&ccedil;&atilde;o quando esta n&atilde;o tenha sido sua. &Eacute; tamb&eacute;m poss&iacute;vel que a estimativa da taxa de resposta hospitalar encontrada tenha sido influenciada por factores n&atilde;o investigados como perda da informa&ccedil;&atilde;o pelo doente, ter sido incorrectamente arquivada noutro processo ou pelo facto de n&atilde;o terem sido analisados os BSIJ. Por fim, o sistema de classifica&ccedil;&atilde;o aplicado para avaliar a qualidade das cartas, apesar de j&aacute; ter sido usado em estudos anteriores, est&aacute; sempre sujeito a algum grau de subjectividade.</p>     <p>Em conclus&atilde;o, podemos dizer que a taxa de referencia&ccedil;&atilde;o encontrada foi inferior &agrave; observada noutros artigos, e que existem aspectos pass&iacute;veis de ser melhorados, por um lado no que respeita &agrave; qualidade das cartas de referencia&ccedil;&atilde;o, por outro no tempo de resposta hospitalar &agrave;s consultas solicitadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Rubio Arribas V, Rodr&iacute;guez Ib&aacute;&ntilde;ez ML, Sampedro Mart&iacute;nez E, Victores Benavente C, Alechiguerra Garc&iacute;a A, Barrio Gamarra JL. Evaluaci&oacute;n de la calidad de comunicaci&oacute;n eentre niveles asistenciales mediante el documento interconsulta. Aten Primaria. 2000 Dec; 26 (10): 681-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-7103201100050000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>2. Ponte CM, Moura BG, Cerejo AC, Braga R, Marques I, Teixeira A, et al. Referencia&ccedil;&atilde;o aos cuidados de sa&uacute;de secund&aacute;rios. Rev Port Clin Geral 2006 Set-Out; 22 (5): 555-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0870-7103201100050000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Janeiro M. Acesso aos cuidados de sa&uacute;de secund&aacute;rios numa extens&atilde;o do Centro de Sa&uacute;de de Serpa: 10 anos depois. Rev Port Clin Geral 2001 Mai-Jun; 17 (3): 193-207.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-7103201100050000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>4. Forrest CB, Nutting PA, Starfield B, von Schrader S. Family physicians&rsquo; referral decisions: results from the ASPN referral study. J Fam Pract 2002 Mar; 51 (3): 215-22.</p>     <!-- ref --><p>5. de Prado Prieto L, Garc&iacute;a Olmos L., Rodriguez Salvan&eacute;s F, Otero Puime A. Evaluaci&oacute;n de la demanda derivada en atenci&oacute;n primaria. Aten Primaria 2005 Feb 28; 35 (3): 146-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-7103201100050000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. SPSS 15.0 for Windows Release 15.0.0 (6 Sep 2006).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-7103201100050000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. R Development Core Team (2009). R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria. ISBN 3-900051-07-0. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.R-project.org" target="_blank">http://www.R-project.org</a> [acedido em 21/09/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-7103201100050000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Mar&ocirc;co J. An&aacute;lise Estat&iacute;stica com o PASW Statistics. P&ecirc;ro Pinheiro: Jo&atilde;ao Mar&ocirc;co Livros; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-7103201100050000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Pestana M, Gageiro J. An&aacute;lise de Dados para Ci&ecirc;ncias Sociais: a complementaridade do SPSS. 5&ordf; ed. Lisboa: S&iacute;labo; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-7103201100050000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Barreiro S. Referencia&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o entre cuidados prim&aacute;rios e secund&aacute;rios. Rev Port Clin Geral. 2005 Nov-Dez; 21 (6): 545-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-7103201100050000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. S&aacute; A, Jord&atilde;o J. Estudo europeu sobre referencia&ccedil;&atilde;o em cuidados prim&aacute;rios III - compara&ccedil;&otilde;es internacionais. Rev Port Clin Geral 1994; 11: 115-24.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0870-7103201100050000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>12. Portaria n&ordm; 1529/2008, de 26 de Dezembro. &ldquo;Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, 1&ordf; s&eacute;rie - N&ordm; 249&rdquo;. p. 9040-4.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>13. Buxad&eacute; Marti I, Canals Innamorati J, Montero Alcaraz JC, P&eacute;rez Galindo J, Bol&iacute;bar Ribas I. El informe de alta hospitalaria en atenci&oacute;n primaria (I): an&aacute;lisis de su utilidad. Aten Primaria 2000 Oct; 26 (6): 383-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-7103201100050000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONFLITOS DE INTERESSES</b></p>     <p>O autor Frederico Ros&aacute;rio &eacute; revisor convidado da Revista Portuguesa de Cl&iacute;nica Geral e declara n&atilde;o ter estado envolvido no processo de decis&atilde;o editorial para este artigo.</p>     <p><a href="#topc0"><b>ENDERE&Ccedil;O PARA CORRESPOND&Ecirc;NCIA</b></a><a name="c0"></a></p>     <p>Maria In&ecirc;s Santos</p>     <p>Av. Rei D. Duarte 3504-509 Viseu</p>     <p><a href="mailto:mines.santos82@gmail.com">mines.santos82@gmail.com</a></p>     <p><b>Recebido em 12/05/2011</b></p>     ]]></body>
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