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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prescrição de exercício físico: a sua inclusão na consulta]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The prescription of physical exercise: inclusion in the office visit]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The proportion of individuals in the population with sedentary habits has increased in the last few years. A sedentary lifestyle is an important risk factor for chronic non-communicable diseases, especially for cardiovascular diseases. Therefore it is important to promote changes in attitudes, values and practices related to health and exercise. There is evidence that the inclusion of physical exercise in a medical prescription is one way to approach sedentary habits in the general population. Family physicians are in a privileged position to try to change behavior, not only because of their continuous contact with a population over time but also because their knowledge of the family, the environment and the community. The prescription of exercise should be understood as a process in which an exercise program is recommended in a systematic and individualized way based on the needs and preferences of each person, in order to obtain benefits without increasing risks. Physicians should not just state that one should do exercise. As for medications, it is necessary to specify the quantitative and qualitative aspects of exercise. The purpose of this article is to discuss the prescription of exercise and to propose it as one of the medical activities that can be performed in an office visit. The benefits of exercise, the role of the physician as a promoter of exercise, the models and theories explaining exercise behaviour, the characteristics of exercise prescriptions, the strategies for their implementation in clinical practice, and primary care programs for advice on exercise are discussed. As the rates of sedentary habits in the population are increasing, it is important to promote exercise counseling in primary care.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Estilo de Vida Sedentário]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Mudança de Comportamentos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Exercício]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>OPINI&Atilde;O E DEBATE</b></p>     <p><font size="4"><b>Prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico: a sua inclus&atilde;o na consulta</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The prescription of physical exercise: inclusion in the office visit</b></font></p>     <p><b>Diana Carneiro*</b></p>     <p>*Interna do 1.<sup>o</sup> ano da Forma&ccedil;&atilde;o Espec&iacute;fica de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Sa&uacute;de Familiar Horizonte &#8211; Unidade Local de Sa&uacute;de de Matosinhos.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr />     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A percentagem de indiv&iacute;duos com h&aacute;bitos sedent&aacute;rios tem aumentado nos &uacute;ltimos anos, sendo o sedentarismo um factor de risco importante das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis, nomeadamente das doen&ccedil;as cardiovasculares. Assim, &eacute; de extrema import&acirc;ncia que ocorram altera&ccedil;&otilde;es na nossa sociedade, nomeadamente, nas atitudes, nos valores e na conduta no que concerne &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre a sa&uacute;de e o exerc&iacute;cio f&iacute;sico.</p>     <p>H&aacute; evid&ecirc;ncia que a inclus&atilde;o do exerc&iacute;cio f&iacute;sico na prescri&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica &eacute; um caminho vi&aacute;vel para diminuir os n&iacute;veis de sedentarismo da popula&ccedil;&atilde;o em geral. Os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia encontram-se numa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada para tentar mudar o comportamento das pessoas, n&atilde;o s&oacute; pelo acompanhamento longitudinal e continuado da popula&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m pelo conhecimento do meio familiar, ambiental e comunit&aacute;rio que rodeia os indiv&iacute;duos.</p>     <p>A prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico deve ser vista como um processo pelo qual se recomenda um programa de exerc&iacute;cios de forma sistem&aacute;tica e individualizada, segundo as necessidades e prefer&ecirc;ncias de cada pessoa, com a finalidade de obter os maiores benef&iacute;cios com os menores riscos. N&atilde;o basta indicar que se deve fazer exerc&iacute;cio. &Agrave; semelhan&ccedil;a de como se faz com qualquer outra medica&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio especificar os aspectos quantitativos e qualitativos do exerc&iacute;cio f&iacute;sico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com este artigo pretende-se chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico e abord&aacute;-lo como um dos actos m&eacute;dicos que pode ser realizado em consulta. Faz-se refer&ecirc;ncia aos benef&iacute;cios do exerc&iacute;cio f&iacute;sico, ao papel do m&eacute;dico como prescritor de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, aos modelos e teorias de comportamento que visam a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, &agrave;s caracter&iacute;sticas da prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, &agrave;s estrat&eacute;gias a implementar na pr&aacute;tica cl&iacute;nica e aos programas baseados no aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico desenvolvidos nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios.</p>     <p>Perante um aumento significativo dos h&aacute;bitos sedent&aacute;rios da nossa popula&ccedil;&atilde;o, torna-se urgente rever o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Estilo de Vida Sedent&aacute;rio; Mudan&ccedil;a de Comportamentos; Exerc&iacute;cio; Aconselhamento.</p> <hr />     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The proportion of individuals in the population with sedentary habits has increased in the last few years. A sedentary lifestyle is an important risk factor for chronic non-communicable diseases, especially for cardiovascular diseases. Therefore it is important to promote changes in attitudes, values and practices related to health and exercise.</p>     <p>There is evidence that the inclusion of physical exercise in a medical prescription is one way to approach sedentary habits in the general population. Family physicians are in a privileged position to try to change behavior, not only because of their continuous contact with a population over time but also because their knowledge of the family, the environment and the community.</p>     <p>The prescription of exercise should be understood as a process in which an exercise program is recommended in a systematic and individualized way based on the needs and preferences of each person, in order to obtain benefits without increasing risks. Physicians should not just state that one should do exercise. As for medications, it is necessary to specify the quantitative and qualitative aspects of exercise.</p>     <p>The purpose of this article is to discuss the prescription of exercise and to propose it as one of the medical activities that can be performed in an office visit. The benefits of exercise, the role of the physician as a promoter of exercise, the models and theories explaining exercise behaviour, the characteristics of exercise prescriptions, the strategies for their implementation in clinical practice, and primary care programs for advice on exercise are discussed.</p>     <p>As the rates of sedentary habits in the population are increasing, it is important to promote exercise counseling in primary care.</p>     <p><b>Key-words:</b> Sedentary Lifestyle; Behavior Change; Exercise; Counseling.</p> <hr />     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A sociedade actual tem vindo a assistir ao aumento da preval&ecirc;ncia de certas doen&ccedil;as cr&oacute;nicas. Este aumento, que se tem verificado nos &uacute;ltimos anos, est&aacute; estritamente relacionado com altera&ccedil;&otilde;es dos estilos de vida; nomeadamente o tabagismo, o alcoolismo, os maus h&aacute;bitos alimentares e o sedentarismo. O sedentarismo, caracter&iacute;stico das sociedades contempor&acirc;neas, &eacute; um factor de risco importante para uma grande parte das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis, nomeadamente para as doen&ccedil;as cardiovasculares.<sup>1-4</sup></p>     <p>No nosso pa&iacute;s, a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico de forma cont&iacute;nua e programada ao longo da vida &eacute; realizada por um escasso n&uacute;mero de indiv&iacute;duos. O eurobar&oacute;metro 72.3, publicado em 2010, indica que 55% da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa &eacute; inactiva.<sup>5</sup> A preval&ecirc;ncia de sedentarismo em Portugal &eacute; superior &agrave; da hipertens&atilde;o arterial (42%),<sup>6</sup> do tabagismo (22%),<sup>7</sup> da obesidade (15%)<sup>8</sup> e da diabetes mellitus (7.3%).<sup>9</sup> O sedentarismo deveria ser considerado um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica pelas suas propor&ccedil;&otilde;es end&eacute;micas. Neste sentido, &eacute; de extrema import&acirc;ncia que ocorram altera&ccedil;&otilde;es na nossa sociedade, nomeadamente, nas atitudes, nos valores e na conduta no que concerne &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre a sa&uacute;de e o exerc&iacute;cio f&iacute;sico.</p>     <p>A promo&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico representa assim, uma prioridade ao n&iacute;vel da sa&uacute;de p&uacute;blica, sendo necess&aacute;rio intervir em v&aacute;rias frentes: individual, familiar, cuidados de sa&uacute;de, comunit&aacute;ria e governamental.<sup>10</sup> Ao n&iacute;vel dos cuidados de sa&uacute;de, os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia desempenham um papel importante na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e na preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, e portanto t&ecirc;m nas suas m&atilde;os a possibilidade de dar o seu contributo na resolu&ccedil;&atilde;o deste problema t&atilde;o actual &#8211; a inactividade f&iacute;sica.</p>     <p>&Eacute; urgente abordar a prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico como mais um acto m&eacute;dico, como se de um medicamento se tratasse. A prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico deve ser vista como um processo pelo qual se recomenda um programa de exerc&iacute;cios (com uma correcta indica&ccedil;&atilde;o da quantidade e da qualidade de exerc&iacute;cio f&iacute;sico) de forma sistem&aacute;tica e individualizada, segundo as necessidades e prefer&ecirc;ncias de cada um, com a finalidade de obter os maiores benef&iacute;cios com os menores riscos.<sup>2,11</sup></p>     <p><b>OS BENEF&Iacute;CIOS DO EXERC&Iacute;CIO F&Iacute;SICO S&Atilde;O INDISCUT&Iacute;VEIS</b></p>     <p>O exerc&iacute;cio f&iacute;sico implica a exist&ecirc;ncia da planifica&ccedil;&atilde;o de uma actividade, com o objectivo de melhorar a qualidade da sa&uacute;de de cada indiv&iacute;duo.<sup>2,11</sup></p>     <p>Os benef&iacute;cios do exerc&iacute;cio f&iacute;sico s&atilde;o indiscut&iacute;veis, sendo este respons&aacute;vel pela: promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar psicol&oacute;gico e redu&ccedil;&atilde;o do stress, da ansiedade e dos sintomas depressivos, melhoria das fun&ccedil;&otilde;es cognitivas, melhoria da auto-imagem e da auto-estima, diminui&ccedil;&atilde;o do absentismo laboral, ajuda no controlo da tens&atilde;o arterial, do perfil lip&iacute;dico e das glicemias, melhoria do padr&atilde;o de sono, ajuda no controlo do peso, maior mineraliza&ccedil;&atilde;o dos ossos em idades jovens, contribuindo para a preven&ccedil;&atilde;o da osteoporose e de fracturas em idades mais avan&ccedil;adas, preven&ccedil;&atilde;o e controlo das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas.<sup>2-4,10-13</sup></p>     <p>De acordo com os documentos orientadores da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, a meta recomendada pela Uni&atilde;o Europeia e os seus Estados-membros para adultos saud&aacute;veis, com idade entre os 18 e os 65 anos, &eacute; de 30 minutos de exerc&iacute;cio f&iacute;sico de intensidade moderada, 5 dias por semana; ou pelo menos 20 minutos de exerc&iacute;cio f&iacute;sico de intensidade vigorosa, 3 dias por semana. A dose necess&aacute;ria de exerc&iacute;cio f&iacute;sico pode ser acumulada em sess&otilde;es de pelo menos 10 minutos e poder&aacute; compreender uma combina&ccedil;&atilde;o de per&iacute;odos de intensidades moderada e vigorosa. Para adultos com mais de 65 anos, dever&atilde;o em princ&iacute;pio ser alcan&ccedil;adas metas id&ecirc;nticas &agrave;s de adultos mais jovens. Nesta faixa et&aacute;ria s&atilde;o ainda especialmente importantes exerc&iacute;cios de flexibilidade, de fortalecimento muscular e de equil&iacute;brio. Os jovens em idade escolar devem participar diariamente em 60 minutos, ou mais, de actividades de intensidade moderada a vigorosa, sob formas adequadas do ponto de vista do crescimento, divertidas e que envolvam uma variedade de actividades. O tempo total poder&aacute; ser acumulado em sess&otilde;es de pelo menos 10 minutos.<sup>14</sup></p>     <p>Paralelamente &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o da roda dos alimentos como instrumento para ajudar as pessoas a elaborarem um plano alimentar, a pir&acirc;mide de exerc&iacute;cio f&iacute;sico<sup>15</sup> (<a href="#f1">Figura 1</a>) tamb&eacute;m pode ser usada pelos profissionais de sa&uacute;de para o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a10f1.gif" width="492" height="400" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>OS M&Eacute;DICOS DE FAM&Iacute;LIA COMO PRESCRITORES DE EXERC&Iacute;CIO F&Iacute;SICO</b></p>     <p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada, v&aacute;rios estudos demonstraram que o aconselhamento sobre exerc&iacute;cio f&iacute;sico realizado pelos profissionais de sa&uacute;de &eacute; eficaz.<sup>10,16-22</sup> A inclus&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico na prescri&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica provou ser um caminho vi&aacute;vel para diminuir os n&iacute;veis de sedentarismo da popula&ccedil;&atilde;o em geral.<sup>19</sup> No entanto, este papel exercido pelos profissionais de sa&uacute;de necessita de um melhor reconhecimento.<sup>14</sup></p>     <p>Um dos temas abordados na &uacute;ltima reuni&atilde;o anual do <i>American College of Sports Medicine,</i> que teve lugar em Denver em Junho de 2011, foi precisamente o aconselhamento sobre exerc&iacute;cio f&iacute;sico. O autor desta comunica&ccedil;&atilde;o referiu que existe evid&ecirc;ncia que cerca de dois ter&ccedil;os das pessoas estariam dispostas a serem mais fisicamente activas se os seus m&eacute;dicos realizassem um aconselhamento nesse sentido. Al&eacute;m disso, foi tamb&eacute;m referido que a maioria das pessoas considera que, se o aconselhamento sobre exerc&iacute;cio f&iacute;sico fosse realizado por um m&eacute;dico activo e saud&aacute;vel, seria mais cred&iacute;vel e motivador. Foi tamb&eacute;m salientado a necessidade dos actuais e futuros m&eacute;dicos compreenderem a import&acirc;ncia da transmiss&atilde;o de orienta&ccedil;&otilde;es acerca do exerc&iacute;cio f&iacute;sico a cada pessoa.<sup>23</sup> Nesta mesma comunica&ccedil;&atilde;o foram transmitidos os resultados de um estudo que revelou que os estudantes de medicina com h&aacute;bitos saud&aacute;veis, que praticam exerc&iacute;cio f&iacute;sico de forma regular, est&atilde;o mais propensos a prescreverem exerc&iacute;cio f&iacute;sico na sua pr&aacute;tica cl&iacute;nica futura.<sup>23</sup></p>     <p>Os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia encontram-se numa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada, n&atilde;o s&oacute; pelo acompanhamento longitudinal e continuado da popula&ccedil;&atilde;o em geral mas tamb&eacute;m pelo conhecimento do meio familiar, ambiental e comunit&aacute;rio que rodeia os indiv&iacute;duos. Os ensaios cl&iacute;nicos suportam o valor potencial do aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. Estes estudos revelaram que o n&iacute;vel de exerc&iacute;cio f&iacute;sico dos indiv&iacute;duos pode aumentar (pelo menos a curto prazo) atrav&eacute;s de um aconselhamento breve, focado e orientado por objectivos, moldado &agrave;s necessidades de sa&uacute;de/escolhas da pessoa e oferecido em m&uacute;ltiplos contactos (consultas de seguimento, contacto telef&oacute;nico, via e-mail, sess&otilde;es de grupo).<sup>22,24</sup> O aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico deve conter um plano escrito com os objectivos a alcan&ccedil;ar.<sup>25</sup></p>     <p>Os dados dispon&iacute;veis sugerem que os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia revelam atitudes positivas relativamente &agrave;s medidas preventivas em geral e que acreditam que o exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; um determinante importante na preven&ccedil;&atilde;o. Surpreendentemente, a maioria dos m&eacute;dicos, nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, n&atilde;o regista os h&aacute;bitos de exerc&iacute;cio f&iacute;sico dos seus utentes e realiza um aconselhamento sobre exerc&iacute;cio f&iacute;sico poucas vezes estruturado. O que contrasta com o aconselhamento de outras altera&ccedil;&otilde;es de estilos de vida, como o tabagismo e a alimenta&ccedil;&atilde;o, onde os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia mostram maior actividade.<sup>26</sup> As barreiras &agrave; prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, que podem explicar as diferen&ccedil;as observadas na pr&aacute;tica de aconselhamento de mudan&ccedil;a de comportamentos em sa&uacute;de, incluem: a falta de tempo, a falta de forma&ccedil;&atilde;o e de qualifica&ccedil;&atilde;o, a inexist&ecirc;ncia de materiais/protocolos de aconselhamento e a falta de confian&ccedil;a na altera&ccedil;&atilde;o de comportamentos.<sup>3,14,26-28</sup> Para aumentar ainda mais este dilema, os doentes frequentemente identificam os seus m&eacute;dicos de fam&iacute;lia como fonte preferencial de aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico.<sup>29,30</sup> Apesar da maioria dos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia considerarem o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico uma tarefa complicada, uma mensagem sucinta nesta &aacute;rea pode ser um potente catalisador para motivar a mudan&ccedil;a de comportamento.<sup>24,26</sup></p>     <p>Ajudar as pessoas a modificarem os seus comportamentos em sa&uacute;de &eacute; uma tarefa &aacute;rdua mas n&atilde;o imposs&iacute;vel. O comportamento individual &eacute; determinado por m&uacute;ltiplos factores pessoais, institucionais, ambientais que operam e interagem a n&iacute;vel individual, interpessoal e comunit&aacute;rio.<sup>16</sup> O movimento &eacute; uma forma de comportamento que implica o indiv&iacute;duo no seu todo, nas suas dimens&otilde;es biol&oacute;gica, psicol&oacute;gica e social.<sup>30</sup> O aconselhamento individualizado implica uma avalia&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, dos n&iacute;veis motivacionais e das prefer&ecirc;ncias, bem como dos riscos de sa&uacute;de relacionados com o exerc&iacute;cio f&iacute;sico e o acompanhamento da evolu&ccedil;&atilde;o verificada.<sup>14</sup></p>     <p><b>MODELOS E TEORIAS DO COMPORTAMENTO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das dificuldades, mencionadas pelos profissionais de sa&uacute;de, para modificar os estilos de vida dos indiv&iacute;duos, &eacute; a falta de conhecimento das t&eacute;cnicas, modelos e teorias que s&atilde;o utilizadas na mudan&ccedil;a de comportamentos em sa&uacute;de.<sup>19,32</sup> Entre os modelos e as teorias visando a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico mais utilizados destacam-se: a teoria social cognitiva e o modelo transte&oacute;rico.<sup>19</sup></p>     <p>A teoria social cognitiva prop&otilde;e a exist&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplas influ&ecirc;ncias no comportamento humano e enfatiza que as altera&ccedil;&otilde;es est&atilde;o relacionadas com factores sociais e cognitivos. Um dos objectivos desta teoria &eacute; aumentar a auto-efic&aacute;cia do indiv&iacute;duo, que faz parte do controlo cognitivo, e o seu objectivo &eacute; aumentar a auto-confian&ccedil;a at&eacute; n&iacute;veis suficientes para iniciar e manter mudan&ccedil;as comportamentais espec&iacute;ficas. Existem imensas t&eacute;cnicas baseadas nesta teoria, entre as quais auto-monitoriza&ccedil;&atilde;o, defini&ccedil;&atilde;o de objectivos, auto-esfor&ccedil;o, an&aacute;lise dos pr&oacute;s e contras da mudan&ccedil;a de determinado comportamento, preven&ccedil;&atilde;o de reca&iacute;das e suporte social.<sup>33</sup></p>     <p>O modelo transte&oacute;rico de Prochaska e Diclemente avalia a fase de motiva&ccedil;&atilde;o em que a pessoa se encontra, determinada pela inten&ccedil;&atilde;o em manter ou alterar um tra&ccedil;o comportamental espec&iacute;fico. Representa um avan&ccedil;o te&oacute;rico fundamental na compreens&atilde;o de quando, como e porqu&ecirc; as pessoas mudam os seus comportamentos relacionados com a sa&uacute;de. O pressuposto b&aacute;sico deste sucesso reside no facto de considerar a mudan&ccedil;a comportamental como um processo e n&atilde;o um acontecimento, e de que os indiv&iacute;duos t&ecirc;m diferentes n&iacute;veis de motiva&ccedil;&atilde;o ou disposi&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a. Assim, pessoas em diferentes fases do processo de mudan&ccedil;a podem e devem beneficiar de interven&ccedil;&otilde;es distintas e diferenciadas, mais adequadas &agrave; fase em que se encontram no momento.<sup>34</sup> Este modelo foi desenvolvido para avaliar os h&aacute;bitos tab&aacute;gicos e foi posteriormente adaptado para outros padr&otilde;es de estilo de vida, como o exerc&iacute;cio f&iacute;sico.<sup>35</sup> Deste modo, o conceito central do modelo transte&oacute;rico &eacute; a dimens&atilde;o temporal representada pelas cinco fases do ciclo de mudan&ccedil;a, pelas quais as pessoas passam na modifica&ccedil;&atilde;o de comportamentos em sa&uacute;de (<a href="#q1">Quadro I</a>). Apresenta-se como um modelo circular e n&atilde;o linear, uma vez que as pessoas podem evoluir ao longo das fases, assim como sair em qualquer ponto do processo, e por diversas vezes.<sup>34</sup> Por isso, em cada fase motivacional existem estrat&eacute;gias (<a href="#q1">Quadro I</a>) para ajudar o indiv&iacute;duo a manter o seu n&iacute;vel de motiva&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><a href="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a10q1.gif" target="_blank"><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a10q1_small.gif" width="300" height="308" /><br />(clique para ampliar | click to enlarge)</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>AS BARREIRAS DA PR&Aacute;TICA DE EXERC&Iacute;CIO F&Iacute;SICO</b></p>     <p>Um dos aspectos mais importantes no aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; a discuss&atilde;o de estrat&eacute;gias para ultrapassar as barreiras mencionadas pelo indiv&iacute;duo para alcan&ccedil;ar a pr&oacute;xima fase no ciclo de motiva&ccedil;&atilde;o. As barreiras para a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico devem ser categorizadas como demogr&aacute;ficas, socioculturais ou ambientais ou podem estar relacionadas com o pr&oacute;prio exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Tem sido demonstrado que a idade est&aacute; inversamente correlacionada com os n&iacute;veis de exerc&iacute;cio f&iacute;sico e que os homens tendem a ser mais activos que as mulheres. Tamb&eacute;m h&aacute; evid&ecirc;ncia que a percep&ccedil;&atilde;o das barreiras varia de acordo com a idade, a classe social e o n&iacute;vel socioecon&oacute;mico.<sup>19</sup></p>     <p>Apesar de conscientes relativamente &agrave;s consequ&ecirc;ncias dos seus h&aacute;bitos sedent&aacute;rios, as pessoas enumeram algumas raz&otilde;es para justificarem o seu comportamento: falta de tempo (&laquo;levanto-me cedo e chego a casa tarde e cansado&raquo;), custos elevados (vestu&aacute;rio e cal&ccedil;ado adequados), medo de les&otilde;es, reduzida auto-confian&ccedil;a, falta de um local adequado perto da sua resid&ecirc;ncia.<sup>36</sup></p>     <p><b>A PRESCRI&Ccedil;&Atilde;O DE EXERC&Iacute;CIO F&Iacute;SICO COMO MAIS UM ACTO M&Eacute;DICO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico necessita de um conjunto de conhecimentos cient&iacute;ficos e de normas elementares, fundamentais para que se obtenha um bom resultado. Quando se pretende realizar uma prescri&ccedil;&atilde;o a este n&iacute;vel, deve-se esclarecer as suas indica&ccedil;&otilde;es/objectivos para se evitarem m&aacute;s orienta&ccedil;&otilde;es, que podem induzir consequ&ecirc;ncias nefastas para a sa&uacute;de das pessoas. N&atilde;o basta indicar que se deve fazer exerc&iacute;cio, &eacute; necess&aacute;rio especificar os aspectos quantitativos e qualitativos do exerc&iacute;cio f&iacute;sico, como se faz com qualquer outra medica&ccedil;&atilde;o. Considera-se, mesmo, uma verdadeira prescri&ccedil;&atilde;o, semelhante a outras terap&ecirc;uticas, com as suas indica&ccedil;&otilde;es e efeitos secund&aacute;rios.<sup>31</sup></p>     <p>Portanto, o acto da prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico deve conter os seguintes itens: tipo, frequ&ecirc;ncia, dura&ccedil;&atilde;o, intensidade, regularidade, progress&atilde;o e personaliza&ccedil;&atilde;o.<sup>11,15,31</sup> Contrariando, assim, o que se faz habitualmente na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, onde apenas se aborda o tema de uma forma leve, realizando-se um aconselhamento m&iacute;nimo sem regras.<sup>11,15,31</sup></p>     <p>O tipo de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, em qualquer idade e com qualquer problema de sa&uacute;de, deve, sempre que n&atilde;o haja contra-indica&ccedil;&otilde;es, ter em considera&ccedil;&atilde;o a motiva&ccedil;&atilde;o e as prefer&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos e ter objectivos bem delineados. Quando a pessoa a quem foi prescrito exerc&iacute;cio f&iacute;sico realiza uma actividade que lhe d&aacute; prazer, h&aacute; um maior empenho da sua parte, o que influencia positivamente a ades&atilde;o ao plano de exerc&iacute;cio f&iacute;sico proposto.<sup>11,15,31</sup> De salientar que o exerc&iacute;cio aer&oacute;bio, fundamental em qualquer idade, &eacute; o tipo de exerc&iacute;cio mais importante para manter e melhorar a resist&ecirc;ncia cardio-respirat&oacute;ria.<sup>31</sup></p>     <p>O n&uacute;mero de dias por semana nos quais se deve realizar o exerc&iacute;cio f&iacute;sico negociado n&atilde;o &eacute; indiferente. A frequ&ecirc;ncia est&aacute; intimamente relacionada com a intensidade e com a dura&ccedil;&atilde;o, portanto a indica&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de vezes por semana que se deve praticar exerc&iacute;cio f&iacute;sico dever&aacute; ter em considera&ccedil;&atilde;o estes dois factores. A frequ&ecirc;ncia das sess&otilde;es depende ainda da idade, dos problemas de sa&uacute;de, da motiva&ccedil;&atilde;o e da disponibilidade individual de cada indiv&iacute;duo.<sup>11,15,31</sup></p>     <p>A intensidade &eacute; provavelmente o par&acirc;metro mais importante mas tamb&eacute;m o mais complicado. Quando se decide a intensidade do exerc&iacute;cio f&iacute;sico, deve ter-se em considera&ccedil;&atilde;o os n&iacute;veis mais adequados a cada pessoa, para que a actividade seja realizada com seguran&ccedil;a. Para definir-se a intensidade usam-se alguns m&eacute;todos, dos quais os mais comuns s&atilde;o: determina&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca m&aacute;xima, crit&eacute;rios subjectivos (o indiv&iacute;duo deve ser capaz de conversar durante o exerc&iacute;cio f&iacute;sico e ter a sensa&ccedil;&atilde;o permanente de estar preparado para prolongar o exerc&iacute;cio f&iacute;sico sem esfor&ccedil;o) e determina&ccedil;&atilde;o da capacidade funcional m&aacute;xima.<sup>11,15,31</sup> Relativamente &agrave; determina&ccedil;&atilde;o da frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca m&aacute;xima, esta pode ser obtida de uma forma simples para o indiv&iacute;duo, subtraindo a sua idade a duzentos e vinte. As pessoas com uma capacidade funcional muito baixa, como os idosos, os sedent&aacute;rios, os obesos e os doentes card&iacute;acos devem iniciar um exerc&iacute;cio f&iacute;sico com uma intensidade de 40% da frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca m&aacute;xima, fazendo depois uma progress&atilde;o lenta at&eacute; atingir 60-70%.<sup>31</sup> A unidade de determina&ccedil;&atilde;o da capacidade funcional m&aacute;xima &eacute; o MET, que expressa a intensidade do metabolismo em repouso num dado momento. Assim, um MET corresponde ao metabolismo em repouso, dois MET ao dobro do metabolismo em repouso e assim sucessivamente. Existem tabelas onde est&atilde;o expressas em MET as intensidades das actividades mais correntes.<sup>15,31</sup></p>     <p>Qualquer exerc&iacute;cio f&iacute;sico deve ser regular, portanto deve-se praticar um exerc&iacute;cio f&iacute;sico de forma cont&iacute;nua e sistem&aacute;tica. Qualquer programa de exerc&iacute;cio f&iacute;sico deve permitir uma progress&atilde;o lenta, com um aumento gradual da dura&ccedil;&atilde;o, da frequ&ecirc;ncia e da intensidade. Cada sess&atilde;o deve iniciar-se por um per&iacute;odo de aquecimento proporcional &agrave; sua dura&ccedil;&atilde;o e terminar com um per&iacute;odo de arrefecimento.<sup>11,15,31</sup></p>     <p>A personaliza&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio f&iacute;sico engloba v&aacute;rios itens: sexo, idade, passado desportivo, gostos, tempo livre, hor&aacute;rios preferenciais, grau de solicita&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica da actividade profissional e dom&eacute;stica, objectivos e motiva&ccedil;&atilde;o de cada um, antecedentes pessoais, os problemas m&eacute;dicos actuais e a medica&ccedil;&atilde;o habitual. Deve, ainda, ter-se em considera&ccedil;&atilde;o as capacidades espec&iacute;ficas de cada pessoa (resist&ecirc;ncia aer&oacute;bia, resist&ecirc;ncia anaer&oacute;bia, velocidade, for&ccedil;a, coordena&ccedil;&atilde;o neuromuscular e flexibilidade).<sup>11,31</sup></p>     <p>O respeito por estes princ&iacute;pios contribui para a individualiza&ccedil;&atilde;o e personaliza&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Aplicam-se aos indiv&iacute;duos de todas as idades e capacidades funcionais, independentemente da presen&ccedil;a ou n&atilde;o de factores de risco e eventuais doen&ccedil;as.<sup>31</sup></p>     <p>Ser um mero agente de sa&uacute;de que d&aacute; autoriza&ccedil;&atilde;o e ordens no que concerne &agrave; pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico certamente n&atilde;o trar&aacute; qualquer benef&iacute;cio para a pessoa. Ser conselheiro, avaliar e ajudar o indiv&iacute;duo negociando o plano de exerc&iacute;cio f&iacute;sico com o pr&oacute;prio, &eacute; sem d&uacute;vida a melhor solu&ccedil;&atilde;o.<sup>19</sup> No <a href="#q2">Quadro II</a> apresentam-se alguns conselhos para o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico numa primeira abordagem e em consultas posteriores.<sup>19,24</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q2"></a><a href="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a10q2.gif" target="_blank"><img src="/img/revistas/rpcg/v27n5/27n5a10q2_small.gif" width="300" height="218" /><br />(clique para ampliar | click to enlarge)</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A consulta programada de um m&eacute;dico de fam&iacute;lia &eacute; abrangente e por vezes o tempo &eacute; escasso para abordar v&aacute;rios assuntos numa s&oacute; consulta. Contudo, o facto dos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia terem o privil&eacute;gio de fazer um acompanhamento longitudinal dos seus utentes permite repartir os v&aacute;rios assuntos a tratar pelas diversas consultas e definir objectivos para cada uma delas. Podendo assim incluir tamb&eacute;m o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico numa consulta definida.</p>     <p><b>PROGRAMAS BASEADOS NO ACONSELHAMENTO DE EXERC&Iacute;CIO F&Iacute;SICO</b></p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, os m&eacute;dicos t&ecirc;m vindo a aceitar gradualmente o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico como uma estrat&eacute;gia preventiva. Muitos pa&iacute;ses t&ecirc;m desenvolvido programas que se baseiam no aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico durante o tratamento m&eacute;dico.</p>     <p>O projecto <i>physician-based assessment and counseling for exercise</i> (PACE) &eacute; um programa de aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico baseado em sess&otilde;es m&eacute;dicas nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, no qual a orienta&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a pela identifica&ccedil;&atilde;o da fase motivacional. As orienta&ccedil;&otilde;es do programa sugerem tr&ecirc;s ou cinco minutos de aconselhamento por visita m&eacute;dica, durante a qual t&oacute;picos relevantes para o indiv&iacute;duo s&atilde;o discutidos e objectivos para o exerc&iacute;cio f&iacute;sico s&atilde;o estabelecidos. O programa engloba tr&ecirc;s est&aacute;dios: &laquo;getting out of the chair&raquo; (pr&eacute;-contemplativo), &laquo;planning the first steps&raquo; (contemplativo) e &laquo;keeping the PACE&raquo; (activo). Adicionalmente, os m&eacute;dicos avaliam as fontes do suporte social, identificam as poss&iacute;veis barreiras para a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico e ajudam as pessoas a encontrar caminhos para ultrapassar essas barreiras, demonstrando assim a confian&ccedil;a de que o indiv&iacute;duo manter&aacute; a ades&atilde;o ao programa de exerc&iacute;cio f&iacute;sico estabelecido.<sup>19,36</sup></p>     <p>O projecto <i>physically active for life</i> (PAL) foi desenvolvido com o intuito de reduzir os h&aacute;bitos sedent&aacute;rios entre os idosos. Como o projecto PACE, o modelo PAL foi desenvolvido nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e utiliza o modelo transte&oacute;rico da mudan&ccedil;a de comportamentos, tendo como objectivo ultrapassar as barreiras para a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico. O modelo PAL integra caracter&iacute;sticas cognitivas, instrumentais, comportamentais e sociais; numa abordagem centrada na educa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo. Isto &eacute; realizado usando uma s&eacute;rie de quest&otilde;es e demonstra&ccedil;&otilde;es baseadas nos 5 A&acute;s (abordar, aconselhar, avaliar, ajudar e acompanhar).<sup>19,36</sup></p>     <p>O projecto <i>the step test exercise prescription</i> (STEP) &eacute; outro programa de aconselhamento sobre exerc&iacute;cio f&iacute;sico realizado nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, atrav&eacute;s do qual os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia fornecem aconselhamento sobre exerc&iacute;cio f&iacute;sico tendo em conta orienta&ccedil;&otilde;es publicadas, entregam um papel com a descri&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios do exerc&iacute;cio f&iacute;sico e prescrevem exerc&iacute;cio f&iacute;sico tendo em conta a capacidade aer&oacute;bia e a frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca de cada indiv&iacute;duo.<sup>26,36</sup></p>     <p>No projecto <i>increasing and maintaining physical activity by connecting and tracking participants</i> (IMPACT) &eacute; realizado um contacto telef&oacute;nico ou um contacto via e-mail de forma peri&oacute;dica, atrav&eacute;s do qual os profissionais de sa&uacute;de esclarecem d&uacute;vidas, sugerem formas de ultrapassar as barreiras e enviam informa&ccedil;&otilde;es adicionais &agrave;s transmitidas em consulta.<sup>36</sup></p>     <p>No projecto <i>green prescription</i> as orienta&ccedil;&otilde;es e a prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico s&atilde;o efectuadas de acordo com o grupo et&aacute;rio, problemas de sa&uacute;de, capacidade e actividades di&aacute;rias. Inicialmente s&atilde;o transmitidas verbalmente e posteriormente s&atilde;o escritas num papel para fornecer ao indiv&iacute;duo.<sup>22,36</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>SER&Aacute; QUE ESTAMOS PREPARADOS?</b></p>     <p>O programa nacional de interven&ccedil;&atilde;o integrada sobre determinantes da sa&uacute;de relacionados com estilos de vida reitera o exerc&iacute;cio f&iacute;sico como um dos principais factores determinantes a considerar, a par da alimenta&ccedil;&atilde;o, tabaco, &aacute;lcool e gest&atilde;o de stress.<sup>4</sup> Contudo, actualmente, no nosso pa&iacute;s n&atilde;o existe qualquer projecto de aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico implementado nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios &agrave; semelhan&ccedil;a do que se verifica noutros pa&iacute;ses. Cada m&eacute;dico de fam&iacute;lia, perante as condi&ccedil;&otilde;es existentes, realiza um aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico baseado nos conhecimentos e experi&ecirc;ncia que tem. Estes profissionais n&atilde;o possuem actualmente protocolos, instrumentos, ferramentas de aconselhamento estandardizados que permitam um aconselhamento eficaz.</p>     <p>Ser&aacute; que na actual sociedade, com h&aacute;bitos sedent&aacute;rios t&atilde;o implementados e com o fardo de um aumento da preval&ecirc;ncia de algumas doen&ccedil;as resultantes da inactividade f&iacute;sica, n&atilde;o se justificaria um projecto com uma abordagem semelhante &agrave; realizada noutros pa&iacute;ses? Ser&aacute; que n&atilde;o seria &uacute;til a cria&ccedil;&atilde;o de um local para o registo dos h&aacute;bitos de exerc&iacute;cio f&iacute;sico nos sistemas inform&aacute;ticos como j&aacute; existe para o &aacute;lcool e o tabagismo? Ser&aacute; que os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia est&atilde;o sensibilizados para este tipo de aconselhamento, que engloba duas vertentes important&iacute;ssimas da sua pr&aacute;tica cl&iacute;nica: a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e a preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a?</p>     <p>&Eacute; urgente rever o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. &Eacute; fundamental ver a prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico como mais um acto m&eacute;dico. Por um lado, os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia precisam rever o seu papel na promo&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, por outro lado as faculdades de medicina necessitam de realizar uma revis&atilde;o cr&iacute;tica aos seus curr&iacute;culos, assegurando a prepara&ccedil;&atilde;o dos seus estudantes e futuros cl&iacute;nicos para esta abordagem.<sup>24,37</sup></p>     <p>A prescri&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico deve tornar-se uma componente integral da pr&aacute;tica cl&iacute;nica nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. &Eacute; dif&iacute;cil imaginar uma abordagem com maior potencial na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de da nossa popula&ccedil;&atilde;o.<sup>38</sup></p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>Estamos perante uma sociedade com h&aacute;bitos sedent&aacute;rios e portanto o risco do aumento da preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as relacionadas com o sedentarismo &eacute; elevad&iacute;ssimo. Sabemos que o exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; importante para a sa&uacute;de e bem-estar da popula&ccedil;&atilde;o em geral, contudo muitas vezes o tempo escasseia para abordar diversos temas numa s&oacute; consulta e n&atilde;o temos uma prepara&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica adequada.</p>     <p>A necessidade de mudan&ccedil;a de comportamentos em rela&ccedil;&atilde;o ao exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; dupla. Os indiv&iacute;duos devem realizar uma revis&atilde;o &agrave;s prioridades na sua vida e os m&eacute;dicos devem rever o seu papel na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e na preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</p>     <p>Est&aacute; demonstrada a efic&aacute;cia do aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico baseado nos modelos de mudan&ccedil;a de comportamentos e nos instrumentos/protocolos de apoio. Existem estrat&eacute;gias definidas para a realiza&ccedil;&atilde;o de aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico durante as consultas em cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios.</p>     <p>Presentemente prescrever exerc&iacute;cio f&iacute;sico &eacute; &laquo;imperativo &eacute;tico&raquo;, t&atilde;o importante como a prescri&ccedil;&atilde;o de um plano alimentar ou de um f&aacute;rmaco.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem condi&ccedil;&otilde;es para que o aconselhamento de exerc&iacute;cio f&iacute;sico n&atilde;o seja negligenciado. N&atilde;o vamos desistir dos nossos utentes, vamos ajud&aacute;-los a tornarem-se mais activos. Mexam-se pela sa&uacute;de da nossa sociedade!</p>     <p>Est&aacute; lan&ccedil;ado o desafio para todos n&oacute;s!</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Proper KI, singh AS, van Mechelen W, Chinapaw MJ. Sedentary behaviors and health outcomes among adults: a systematic review of prospective studies. Am J Prev Med 2011 Feb; 40 (2): 174-82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0870-7103201100050001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Teixeira PJ, Sardinha LB, Barata JL, edcitores. Nutri&ccedil;&atilde;o, exerc&iacute;cio e sa&uacute;de. Lisboa: Lidel; 2008. p. 181-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0870-7103201100050001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Weidinger KA, Lovegreen SL, Elliott MB, Hagood L, Haire-Joshu D, mcGill JB, et al. How to make exercise counseling more effective: lessons from rural America. J Fam Pract 2008 Jun; 57 (6): 394-402.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0870-7103201100050001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4. Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de. Actividade f&iacute;sica e desporto: actua&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de. Circular informativa. Lisboa: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0870-7103201100050001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>5. European Comission. Sport and physical activity. Eurobarometer 72.3. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_334_en.pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_334_en.pdf</a> [acedido em 222/04/2011].</p>     <!-- ref --><p>6. Macedo ME, Lima MJ, Silva AO, Alc&acirc;ntara P, Ramalhinho V, Carmona J. Preval&ecirc;ncia, conhecimento, tratamento e controlo da hipertens&atilde;o em Portugal. Estudo PAP. Rev Port Cardiol 2007 Jan; 26 (1): 21-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-7103201100050001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Bridgehead International, EQUIPP: Europe Quitting: Progress and Pathways, London, 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ersnet.org/images/stories/weekly/EQUIP_REPORT_COMPLETE.PDF" target="_blank">http://www.ersnet.org/images/stories/weekly/EQUIP_REPORT_COMPLETE.PDF</a> [acedido em 22/04/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-7103201100050001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de. Plataforma contra a obesidade. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt" target="_blank">http://www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt</a> [acedido em 22/04/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-7103201100050001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Diabetes: factos e n&uacute;meros 2010. Relat&oacute;rio Anual do Observat&oacute;rio Nacional da Diabetes. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.rncci.min-saude.pt/SiteCollectionDocuments/RelatorioAnualDiabetes_2010.pdf" target="_blank">http://www.rncci.min-saude.pt/SiteCollectionDocuments/RelatorioAnualDiabetes_2010.pdf</a> [acedido em 22/04/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-7103201100050001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Grandes G, Sanchez A, Sanchez-Pinilla RO, Montoya I, Lizarraga K, Serra J; PEPAF Group. Effectiveness of physical activity advice and prescription by physicians in routine primary care: a cluster randomized trial. Arch Intern Med 2009 Apr 13; 169 (7): 649-701.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-7103201100050001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Institut Catal&aacute; de la Salut. Manual d&acute;activitat f&iacute;sica en atenci&oacute; prim&agrave;ria. Barcelona: Institut Catal&agrave; de la Salut; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-7103201100050001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Warburton DE, Nicol CW, Bredin SS. Prescribing exercise as preventive therapy. CMAJ 2006 Mar 28; 174 (7): 961-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-7103201100050001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Villanueva T, Khan KM. Exercise for good health. Student BMJ 2004 Jul; 12: 266-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-7103201100050001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Instituto do Desporto de Portugal. Orienta&ccedil;&otilde;es da Uni&atilde;o Europeia para a actividade f&iacute;sica: Pol&iacute;ticas recomendadas para a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e do bem-estar. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.idesporto.pt/ficheiros/File/Livro_IDPfinalJan09.pdf" target="_blank">http://www.idesporto.pt/ficheiros/File/Livro_IDPfinalJan09.pdf</a> [acedido em 22/04/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-7103201100050001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>15. American College of Sports Medicine. ACSM&rsquo;s Guidelines for exercise testing and prescription. Phuladelphia, PA: Lippincott Williams &amp; Wilkins; 2009.</p>     <!-- ref --><p>16. Grandes G, Sanchez A, Cortada JM, Balague L, Calderon C, Arrazola A, et al. Is integration of healthy lifestyle promotion into primary care feasible? Discussion and consensus sessions between clinicians and researchers. BMC Health Serv Res 2008 Oct 14; 8: 213.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0870-7103201100050001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Petrella RJ, Lattanzio CN. Does counseling help patients get active? Can Fam Physician 2002 Jan; 48:72-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0870-7103201100050001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18. Smith BJ, Bauman AE, Bull FC, Booth ML, Harris MF. Promoting physical activity in general practice: a controlled trial of written advice and information materials. Br J Sports Med 2000 Aug; 34 (4): 262-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0870-7103201100050001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>19. Ribeiro MA~, Martins MA, Carvalho CR. The role of physician counseling in improving adherence to physical activity among the general population. Sao Paulo Med J 2007 Mar; 125 (2): 115-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-7103201100050001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>20. Hell&eacute;nius ML, Sundberg CJ. Physical activity as medicine: time to translate evidence into clinical practice. Br J Sports Med 2011 Mar; 45 (3): 158.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-7103201100050001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>21. S&oslash;rensen JB, Skovgaard T, Puggaard L. Exercise on prescription in general practice: a systematic review. Scand J Prim Health Care 2006 Jun; 24 (2): 69-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-7103201100050001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>22. Martin SN, Crownover BK, Kovach FE. What&rsquo;s the best way to motivate patients to exercise? J Fam Pract 2010 Jan; 59 (1): 43-4.</p>     <p>23. American College of Sports Medicine. Fit doctors more likely to encourage patients to exercise. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.acsm.org/AM/Template.cfm?Section=ACSM_News_Releases&amp;TEMPLATE=/CM/ContentDisplay.cfm&amp;CONTENTID=15938" target="_blank">http://www.acsm.org/AM/Template.cfm?Section=ACSM_News_Releases&amp;TEMPLATE=/CM/ContentDisplay.cfm&amp;CONTENTID=15938</a> [acedido em 30/06/2011].</p>     <!-- ref --><p>24. Khan KM, Weiler R, Blair SN. Prescribing exercise in primary care. BMJ 2011 Jul 15; 343: d4141. doi: 10.1136/bmj.d4141.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-7103201100050001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>25. Carroll JK, Fiscella K, Epstein RM, Jen-Pierre P, Figueroa-Moseley C, Williams GC, et al. Getting patients to exercise more: a systematic review of underserved populations. J Fam Pract 2008 Mar; 57 (3): 170-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-7103201100050001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>26. Petrella RJ, Wight D. An office-based instrument for exercise counseling and prescription in primary care: the Step Test Exercise Prescription (STEP). Arch Fam Med&nbsp;2000 Apr; 9 (4): 339-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0870-7103201100050001000026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>27. Meriwheter RA, Lee JA, Lafleur AS, Wiseman P. Physical activity counseling. Am Fam Physician 2008 Apr 15; 77 (8): 1129-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-7103201100050001000027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>28. Chakravarthy MV, Joyner MJ, Booth FW. An obligation for primary care physicians to prescribe physical activity to sedentary patients to reduce the risk of chronic health conditions. Mayo Clin Proc 2002 Feb; 77 (2): 165-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-7103201100050001000028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>29. Van der Ploeg HP, Smith BJ, Stubbs T, Vita P, Holford R, Bauman AE. Physical activity promotion: are GPs getting the message? Aust Fam Physician 2007 Oct; 36 (10): 871-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-7103201100050001000029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>30. Swedish Council on Technology Assessment in Health Care. Methods of Promoting Physical Activity: a systematic review. 2007. dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.sbu.se/upload/Publikationer/Content1/1/Fysisk_sam_ENG.pdf" target="_blank">http://www.sbu.se/upload/Publikationer/Content1/1/Fysisk_sam_ENG.pdf</a> [acedido em 21/04/2011].</p>     <!-- ref --><p>31. Nunes L. A prescri&ccedil;&atilde;o de actividade f&iacute;sica. Lisboa: Caminho; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-7103201100050001000031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>32. Whitlock EP, Orleans CT, Pender N, Allan J. Evaluating primary care behavioral counseling interventions: an evidence-based approach. Am J Prev Med 2002 May; 22 (4): 267-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-7103201100050001000032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>33. Bandura A. Social foundations of thought and action: a social cognitive theory. Englewood Cliffs: Prentice Hall; 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-7103201100050001000033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>34. Sallis J, Owen N. Physical activity and behavioral medicine. Thousand Oaks: Sage Publications; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-7103201100050001000034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>35. Marcus BH, Simkin LR. The transtheoretical model: applications to exercise behavior. Med Sci Sports Exerc 1994 Nov; 26 (11): 1400-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0870-7103201100050001000035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>36. Sociedade Brasileira de Medicina de Fam&iacute;lia e Comunidade e Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Rastreamento do sedentarismo em adultos e interven&ccedil;&otilde;es na promo&ccedil;&atilde;o da atividade f&iacute;sica na aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de. Projeto Diretrizes 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/36-Rastreamento.pdf" target="_blank">http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/36-Rastreamento.pdf</a> [acedido em 30/06/2011]. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>37. Connaughton AV, Weiler RM, Connaughton DP. Graduating medical students&rsquo; exercise prescription competence as perceived by deans and directors of medical education in the United States: implications for Healthy People 2010. Public Health Rep 2001 May-Jun; 116 (3): 226-34.</p>     <!-- ref --><p>38. Eakin EG, Glasgow RE, Riley KM. Review of primary care&#8211;based physical activity intervention studies: effectiveness and implications for practice and future research. J Fam Pract 2000 Feb; 49 (2): 158-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0870-7103201100050001000038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>Informa&ccedil;&atilde;o adicional</b></p>     <p>MacAuley D, editor. Oxford Handbook of Sport and Exercise Medicine. Oxford, NY: Oxford University Press; 2007.</p>     <p>Heyward VH. Advanced Fitness Assessment and Exercise Prescription. Champaign, IL: Human Kinetics; 2010.</p>     <p>Swedish National Institute of Public Health. Physical activity in the prevention and treatment of disease. Stockholm: SNIPH; 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fhi.se/PageFiles/10682/Physical-Activity-Prevention-Treatment-Disease-webb.pdf" target="_blank">http://www.fhi.se/PageFiles/10682/Physical-Activity-Prevention-Treatment-Disease-webb.pdf</a> [acedido em 30/06/2011].</p>      <p><b>CONFLITO DE INTERESSES</b></p>     <p>O autor declara n&atilde;o existir conflitos de interesse na elabora&ccedil;&atilde;o deste artigo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0"><b>ENDERE&Ccedil;O PARA CORRESPOND&Ecirc;NCIA</b></a><a name="c0"></a></p>     <p>Diana Carneiro</p>     <p>Rua S. Jos&eacute;, n.<sup>o</sup> 140 &#8211; Balasar</p>     <p>4570-055 P&oacute;voa de Varzim</p>     <p><a href="mailto:dianaaccarneiro@gmail.com">dianaaccarneiro@gmail.com</a></p>     <p><b>Recebido em 24/05/2011</b></p>     <p><b>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 07/08/2011</b></p>      ]]></body><back>
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