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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O uso de lubrificante na citologia cervico-vaginal: Revisão baseada na evidência]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-71032011000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-71032011000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-71032011000600008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Objectivos: Avaliar se a utilização de lubrificante interfere no resultado da citologia cervico-vaginal. Fonte de dados: Sítios de medicina baseada na evidência e Índex de Revistas Médicas Portuguesas. Métodos de revisão: Foi realizada uma pesquisa de artigos usando os termos MeSH vaginal smears e lubricants, publicados entre Janeiro de 2000 e Janeiro 2011; foram usadas também algumas referências cruzadas. Foi utilizada a Oxford Centre for Evidence-based Medicine - Levels of Evidence para avaliação da qualidade dos estudos e posterior atribuição de níveis de evidência e forças de recomendação. Resultados: Dos 41 artigos identificados, foram seleccionados oito: sete ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) e um estudo retrospectivo. Seis dos estudos (três de nível de evidência 1b e três de nível 2b) concluem que o uso de lubrificante na citologia cervico-vaginal não altera a qualidade do resultado das amostras citológicas obtidas. Os restantes dois artigos (nível 2b) apontam para uma interferência do lubrificante no resultado citológico. Conclusões: Os conhecimentos actuais relativos a este tema são escassos e os estudos apresentam protocolos heterogéneos quanto ao desenho e técnicas usadas. No entanto, os estudos cujas metodologias mais se aproximam da prática clínica apontam para que o uso de uma pequena quantidade de lubrificante aquoso não interfira com o resultado da citologia cervico-vaginal (Força de Recomendação A), pelo que poderá ser um procedimento a ter em conta nas situações avaliadas pelo clínico como sendo de interesse para a mulher.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objectives: To review recent evidence on the effect of lubricant on the cytological result obtained from cervical smears. Data sources: Evidence-based medicine websites and Índex de Revistas Médicas Portuguesas. Methods: A search for articles using the MeSH terms vaginal smears and lubricants published between January 2000 and January 2011 was conducted. Citations were also searched. The Oxford Centre for Evidence-based Medicine - Levels of Evidence was used to assess the quality of studies, the levels of evidence and the strength of recommendations. Results: Of the 41 articles identified, eight were selected for this review. These included seven randomized controlled trials (RCT) and one retrospective study. Six of them (three with evidence level 1b and three with level 2b) conclude that lubricant does not affect the quality of the cytological samples obtained. The remaining two articles (level 2b) found interference with the cytological result by lubricant. Discussion: The use of lubricant in obtaining cervical smears is controversial and is usually not advised. Current knowledge in this area is limited. Clinical trials are heterogeneous with regard to design and techniques used. Trials with protocols that most resemble current clinical practice demonstrate no interference by lubricant with the quality of cytological samples. There is evidence that a small amount of water-based lubricant does not compromise the quality of cervical cytology results (Strength of recommendation A).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Lubrificantes]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>REVIS&#213;ES</b></p>     <p><font size="4"><b>O uso de lubrificante na citologia cervico-vaginal – Revis&#227;o baseada na evid&#234;ncia</b></font></p>         <p><font size="3"><b>Cervical cytology and the use of lubricants: an evidence based review</b></font></p>     <p><b>Clara Pinto Ferreira,<sup>1</sup> Alexandra Machado,<sup>2 </sup>Alexandra Pina,<sup>1</sup> Ana Margarida Cruz<sup>3</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Internas de Medicina Geral e Familiar na Unidade de Sa&#250;de Familiar Horizonte, ACES de Matosinhos</p>     <p><sup>2</sup> Interna de Medicina Geral e Familiar na Unidade de Sa&#250;de Familiar Lagoa, ACES de Matosinhos</p>     <p><sup>3</sup> M&#233;dica de Fam&#237;lia, Unidade de Cuidados de Sa&#250;de Personalizados de Grij&#243;, ACES de Espinho/Gaia</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr />     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Objectivos:&#160;</b>Avaliar se a utiliza&#231;&#227;o de lubrificante interfere no resultado da citologia cervico-vaginal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Fonte de dados:</b>&#160;S&#237;tios de medicina baseada na evid&#234;ncia e &#205;ndex de Revistas M&#233;dicas Portuguesas.</p>     <p><b>M&#233;todos de revis&#227;o:</b>&#160;Foi realizada uma pesquisa de artigos usando os termos MeSH&#160;vaginal smears&#160;e&#160;lubricants, publicados entre Janeiro de 2000 e Janeiro 2011; foram usadas tamb&#233;m algumas refer&#234;ncias cruzadas. Foi utilizada a&#160;Oxford Centre for Evidence-based Medicine – Levels of Evidence&#160;para avalia&#231;&#227;o da qualidade dos estudos e posterior atribui&#231;&#227;o de n&#237;veis de evid&#234;ncia e for&#231;as de recomenda&#231;&#227;o.</p>     <p><b>Resultados:</b>&#160;Dos 41 artigos identificados, foram seleccionados oito: sete ensaios cl&#237;nicos aleatorizados e controlados (ECAC) e um estudo retrospectivo. Seis dos estudos (tr&#234;s de n&#237;vel de evid&#234;ncia 1b e tr&#234;s de n&#237;vel 2b) concluem que o uso de lubrificante na citologia cervico-vaginal n&#227;o altera a qualidade do resultado das amostras citol&#243;gicas obtidas. Os restantes dois artigos (n&#237;vel 2b) apontam para uma interfer&#234;ncia do lubrificante no resultado citol&#243;gico.</p>     <p><b>Conclus&#245;es:&#160;</b>Os conhecimentos actuais relativos a este tema s&#227;o escassos e os estudos apresentam protocolos heterog&#233;neos quanto ao desenho e t&#233;cnicas usadas. No entanto, os estudos cujas metodologias mais se aproximam da pr&#225;tica cl&#237;nica apontam para que o uso de uma pequena quantidade de lubrificante aquoso n&#227;o interfira com o resultado da citologia cervico-vaginal (For&#231;a de Recomenda&#231;&#227;o A), pelo que poder&#225; ser um procedimento a ter em conta nas situa&#231;&#245;es avaliadas pelo cl&#237;nico como sendo de interesse para a mulher.</p>     <p><b>Palavras-chave:&#160;</b>Lubrificantes; Esfrega&#231;o Vaginal.</p>     <hr />     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Objectives:</b>&#160;To review recent evidence on the effect of lubricant on the cytological result obtained from cervical smears.</p>     <p><b>Data sources:&#160;</b>Evidence-based medicine websites and&#160;&#205;ndex de Revistas M&#233;dicas Portuguesas.</p>     <p><b>Methods:&#160;</b>A search for articles using the MeSH terms&#160;vaginal smears&#160;and&#160;lubricants&#160;published between January 2000 and January 2011 was conducted. Citations were also searched. The Oxford Centre for Evidence-based Medicine - Levels of Evidence was used to assess the quality of studies, the levels of evidence and the strength of recommendations.</p>     <p><b>Results:</b>&#160;Of the 41 articles identified, eight were selected for this review. These included seven randomized controlled trials (RCT) and one retrospective study. Six of them (three with evidence level 1b and three with level 2b) conclude that lubricant does not affect the quality of the cytological samples obtained. The remaining two articles (level 2b) found interference with the cytological result by lubricant.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discussion:</b>&#160;The use of lubricant in obtaining cervical smears is controversial and is usually not advised. Current knowledge in this area is limited. Clinical trials are heterogeneous with regard to design and techniques used. Trials with protocols that most resemble current clinical practice demonstrate no interference by lubricant with the quality of cytological samples. There is evidence that a small amount of water-based lubricant does not compromise the quality of cervical cytology results (Strength of recommendation A).</p>     <p><b>Keywords:</b>&#160;Lubricants; Vaginal Smears.</p> <hr/>     <p><b>INTRODU&#199;&#195;O</b></p>     <p>O cancro do colo do &#250;tero &#233; o s&#233;timo cancro mais prevalente a n&#237;vel mundial, sendo o segundo mais frequente no sexo feminino; de acordo com dados de 2002, causou a morte a cerca de 275 mil mulheres.<sup>1</sup> Dados portugueses de 2004 apontam para o aparecimento de cerca de mil novos casos por ano e indicam que esta doen&#231;a &#233; respons&#225;vel pela morte de, em m&#233;dia, uma mulher por dia.<sup>2 </sup>A implementa&#231;&#227;o de sistemas de rastreio organizado e de base populacional em alguns pa&#237;ses como Canad&#225; e pa&#237;ses do Norte da Europa tem-se reflectido numa diminui&#231;&#227;o da incid&#234;ncia e mortalidade desta patologia.<sup>3</sup></p>     <p>A t&#233;cnica de citologia cervico-vaginal &#233; o m&#233;todo de base para o rastreio do cancro do colo do &#250;tero. &#201; um procedimento sentido como desconfort&#225;vel por muitas mulheres, o que poder&#225; determinar o seu n&#227;o comparecimento &#224;s consultas de rastreio.<sup>4-5</sup> A utiliza&#231;&#227;o de lubrificante para facilitar a introdu&#231;&#227;o do esp&#233;culo &#233; tida empiricamente como uma forma de minimizar o desconforto sentido pela mulher durante o exame. Em &#250;ltima inst&#226;ncia, esta facilita&#231;&#227;o pode contribuir para uma maior ades&#227;o ao rastreio, levando a uma diminui&#231;&#227;o da incid&#234;ncia da doen&#231;a. Por outro lado, o uso de lubrificante &#233; controverso e desencorajado por v&#225;rios autores,<sup>5-6</sup> com base no pressuposto de que poder&#225; alterar a qualidade das citologias, mas sem um fundamento cient&#237;fico concreto.</p>     <p>O rastreio do cancro do colo do &#250;tero assume-se como uma das actividades preventivas principais em Medicina Geral e Familiar (MGF), com resultados comprovados de ganhos em sa&#250;de para a popula&#231;&#227;o feminina. A melhoria da qualidade da t&#233;cnica de rastreio em termos de conforto poder&#225; ser encarada como uma mais-valia na ades&#227;o das mulheres a este procedimento. O objectivo deste estudo foi rever a evid&#234;ncia dispon&#237;vel sobre a interfer&#234;ncia do uso de lubrificante no resultado das citologias do colo do &#250;tero.</p>     <p><b>M&#201;TODOS</b></p>     <p>Foi realizada uma pesquisa sistem&#225;tica nas bases de dados <i>UpToDate, BMJ Clinical Evidence, EBM Journal, TRIP Database, Cochrane Library, DARE, Bandolier, National Guideline Clearinghouse, NeLH Guidelines Finder, Medline</i> e &#205;ndex de Revistas M&#233;dicas Portuguesas, de normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica, revis&#245;es sistem&#225;ticas, meta-an&#225;lises e estudos originais, publicados entre Janeiro de 2000 e Janeiro de 2011, em ingl&#234;s, franc&#234;s, espanhol e portugu&#234;s, utilizando os termos MeSH vaginal smears e lubricants.</p>     <p>Os crit&#233;rios definidos para inclus&#227;o de artigos nesta revis&#227;o foram: a) Popula&#231;&#227;o: mulheres que realizaram rastreio do cancro do colo do &#250;tero por t&#233;cnica convencional ou em meio l&#237;quido; b) Interven&#231;&#227;o: utiliza&#231;&#227;o de lubrificante aquando da colheita da amostra para citologia; c) Compara&#231;&#227;o: utiliza&#231;&#227;o de &#225;gua ou aus&#234;ncia de qualquer tipo de lubrificante aquando da colheita da amostra para citologia; d) Resultado: altera&#231;&#227;o da qualidade das amostras com comprometimento do resultado citol&#243;gico. A exist&#234;ncia pr&#233;via de patologia cervical e a presen&#231;a de infec&#231;&#227;o vaginal activa foram crit&#233;rios de exclus&#227;o.</p>     <p>Para avaliar a qualidade dos estudos e posterior atribui&#231;&#227;o do n&#237;vel de evid&#234;ncia (NE) e for&#231;as de recomenda&#231;&#227;o (FR) foi utilizada a escala <i>Oxford Centre for Evidence-based Medicine – Levels of Evidence</i>.<sup>7</sup> Esta taxonomia subdivide a qualidade do estudo em cinco N&#237;veis de Evid&#234;ncia (<a href="#q1">Quadro I</a>) e a For&#231;a de Recomenda&#231;&#227;o em quatro graus, como descrito no <a href="#q2">Quadro II</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n6/27n6a08q1.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n6/27n6a08q2.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>Da pesquisa inicial obtiveram-se 41 artigos. Destes foram exclu&#237;dos os artigos em que se verificou discord&#226;ncia com o objectivo da revis&#227;o, aqueles que n&#227;o cumpriam os crit&#233;rios de inclus&#227;o e os artigos repetidos.</p>     <p>Foram seleccionados oito artigos,<sup>8-15</sup> sete dos quais representam ensaios cl&#237;nicos controlados e aleatorizados (ECAC) (<a href="#q3">Quadro III</a>) e um estudo retrospectivo (<a href="#q4">Quadro IV</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><a href="/img/revistas/rpcg/v27n6/27n6a08q3.jpg" target="_blank"><img src="/img/revistas/rpcg/v27n6/27n6a08q3.jpg" width="300" height="167" /><br />(clique para ampliar ! click to enlarge)</a></p>         
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/rpcg/v27n6/27n6a08q4.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Foi atribu&#237;do n&#237;vel de evid&#234;ncia 1b aos estudos de Amies <i>et al</i>,<sup>8</sup> Griffith WF<i> et al</i><sup>9</sup> e Hathaway <i>et al</i>,10 todos eles ECAC individuais com intervalo de confian&#231;a estreito, popula&#231;&#227;o de dimens&#227;o significativa e com metodologia e resultados bem descritos e compreens&#237;veis. Nos primeiros dois estudos foi aplicada uma pequena quantidade (<i>&#171;dime-sized&#187;</i><sup>1</sup>) de gel lubrificante aquoso na superf&#237;cie externa do esp&#233;culo quando da realiza&#231;&#227;o da citologia cervico-vaginal em l&#226;mina (convencional), com utiliza&#231;&#227;o de &#225;gua como lubrificante no grupo controlo. Relativamente ao estudo de Griffith WF, e atendendo &#224; metodologia, as colheitas foram realizadas por diferentes profissionais de sa&#250;de, com experi&#234;ncias tamb&#233;m d&#237;spares, pelo que esta variabilidade de profissionais pode causar um vi&#233;s e ser uma limita&#231;&#227;o do estudo. No terceiro ensaio, duplamente cego e com recurso a citologia em meio l&#237;quido, foram colhidas duas amostras citol&#243;gicas para cada mulher, aplicando-se posteriormente e de forma aleat&#243;ria uma pequena quantidade de lubrificante directamente na esp&#225;tula e escova, colocando-as de seguida no meio l&#237;quido destinado a an&#225;lise, usando-se como controlo amostras n&#227;o &#171;contaminadas&#187;. O procedimento deste estudo em nada espelha a pr&#225;tica cl&#237;nica real, o que dificulta a transposi&#231;&#227;o das suas conclus&#245;es para a pr&#225;tica m&#233;dica. Estes tr&#234;s estudos concluem que a aplica&#231;&#227;o de uma pequena quantidade de lubrificante aquoso n&#227;o interfere na interpreta&#231;&#227;o nem altera os resultados da citologia cervico-vaginal.</p>     <p>1. A quantidade de gel aplicada pelos investigadores foi descrita como “dime-sized”, sendo o termo comparativo a moeda de dez c&#234;ntimos americana, que tem cerca de 17 mm de di&#226;metro e 2,268 g de peso.</p>     <p>Aos restantes cinco estudos foi atribu&#237;do um n&#237;vel de evid&#234;ncia 2b. No estudo duplamente cego de Charoenkwan K <i>et al</i><sup>11</sup> concluiu-se que a aplica&#231;&#227;o de lubrificante no colo uterino pode comprometer a avalia&#231;&#227;o da citologia cervico-vaginal convencional; neste ensaio, houve uma primeira colheita de c&#233;lulas cervicais, seguindo-se a aplica&#231;&#227;o directa de lubrificante no colo uterino, procedimento esse que n&#227;o espelha a pr&#225;tica cl&#237;nica real e que poder&#225; ter determinado, por efeito directo de barreira f&#237;sica, uma colheita celular deficit&#225;ria. Assim, embora se trate de um ensaio com uma amostra consider&#225;vel, apresenta uma metodologia de fraca qualidade.</p>     <p>Harer WB e colaboradores<sup>12</sup> afirmam no seu estudo que a lubrifica&#231;&#227;o do intr&#243;ito vaginal e das superf&#237;cies externas do esp&#233;culo com lubrificante facilitam o exame e n&#227;o afectam a qualidade do esfrega&#231;o citol&#243;gico, efectuado pelo m&#233;todo convencional com recurso a esp&#225;tula e escova. A amostra utilizada foi, no entanto, demasiado reduzida para poder obter uma signific&#226;ncia estat&#237;stica para esta conclus&#227;o.</p>     <p>No ensaio de Holton T <i>et al</i>,<sup>13</sup> os investigadores procederam &#224; aplica&#231;&#227;o directa de quantidades crescentes de dois tipos de lubrificante no meio l&#237;quido da amostra citol&#243;gica, tendo como controlo amostras n&#227;o &#171;contaminadas&#187;, e conclu&#237;ram que esta ac&#231;&#227;o pode resultar numa celularidade reduzida. Neste estudo, verificou-se que, com o lubrificante K-Y<sup>&#174;</sup> Jelly, a contamina&#231;&#227;o apenas se deu com as quantidades mais altas de lubrificante (0,4 e 0,5 g), enquanto para o lubrificante Aquagel&#174; a contamina&#231;&#227;o aconteceu com qualquer quantidade de lubrificante. &#201; ainda importante referir que o efeito provocado pelo lubrificante &#233; aquando da prepara&#231;&#227;o da amostra no laborat&#243;rio, prepara&#231;&#227;o que n&#227;o acontece de igual forma na l&#226;mina convencional. A reduzida dimens&#227;o da amostra de l&#226;minas foi, no entanto, uma grande limita&#231;&#227;o neste estudo, uma vez que, para cada tipo e quantidade de lubrificante, apenas foram analisadas dez amostras, que foram comparadas com amostras de controlo que n&#227;o pertenciam &#224; mesma mulher. Para al&#233;m deste facto, a forma como foram obtidos e apresentados os resultados &#233; pouco clara.</p>     <p>Gilson M <i>et al</i><sup>14</sup> realizaram um estudo com uma amostra de pequena dimens&#227;o, no qual foram efectuadas para cada mulher duas citologias convencionais consecutivas, com esp&#225;tula e escova: a primeira sem lubrificante; a segunda com lubrificante aquoso para os casos ou novamente sem lubrificante para os controlos. Conclu&#237;ram que uma pequena quantidade de gel lubrificante no esp&#233;culo n&#227;o altera a citologia cervico-vaginal. Apesar de ser um estudo bem desenhado, o seu n&#237;vel de evid&#234;ncia &#233; limitado pela dimens&#227;o da amostra utilizada.</p>     <p>O estudo conduzido por Tavernier LA<i> et al</i><sup>15</sup> &#233; de car&#225;cter retrospectivo, com base em registos m&#233;dicos que inclu&#237;am uma an&#225;lise anatomopatol&#243;gica relatando a adequa&#231;&#227;o da amostra citol&#243;gica, e na informa&#231;&#227;o dada pelo m&#233;dico em resposta a um question&#225;rio sobre a sua pr&#225;tica de utiliza&#231;&#227;o ou n&#227;o utiliza&#231;&#227;o de lubrificante. Na an&#225;lise conclu&#237;ram que o uso de uma camada fina de lubrificante aquoso no esp&#233;culo n&#227;o compromete a adequa&#231;&#227;o ou a interpreta&#231;&#227;o da citologia convencional, por n&#227;o terem encontrado diferen&#231;as estatisticamente significativas entre o uso de gel lubrificante, o uso de &#225;gua para lubrificar e a n&#227;o lubrifica&#231;&#227;o. Este tipo de desenho &#233; limitado pelo poss&#237;vel vi&#233;s de mem&#243;ria dos cl&#237;nicos e pelo facto de n&#227;o se tratar de um ensaio cl&#237;nico aleatorizado e com oculta&#231;&#227;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUS&#213;ES</b></p>     <p>O reduzido n&#250;mero de estudos encontrados apresenta elevada heterogeneidade, sobretudo em termos metodol&#243;gicos, relativamente ao desenho e t&#233;cnicas utilizadas, como por exemplo a quantidade de lubrificante usado e a t&#233;cnica de colheita da citologia. Todos eles apresentam resultados relativos ao uso de lubrificantes do tipo aquoso. Os estudos cujas metodologias mais se aproximam da pr&#225;tica cl&#237;nica real apontam para que n&#227;o haja interfer&#234;ncia do lubrificante no resultado das citologias do colo do &#250;tero. No entanto, &#233; relevante ter em considera&#231;&#227;o que alguns autores consideram ainda a possibilidade do lubrificante diminuir a ac&#231;&#227;o dos agentes fixadores ap&#243;s a colheita por citologia convencional.</p>     <p>Embora n&#227;o fosse um dos objectivos deste trabalho, &#233; importante real&#231;ar que o &#250;nico estudo inclu&#237;do nesta revis&#227;o que avaliou o grau de desconforto da mulher n&#227;o comprovou uma melhoria com o uso de lubrificante, contrariando a no&#231;&#227;o emp&#237;rica de que poder&#225; diminuir o desconforto provocado na mulher pelo procedimento de colheita da citologia cervico-vaginal.</p>     <p>Em conclus&#227;o, e de acordo com os dados obtidos, pode afirmar-se que <b>o uso de uma pequena quantidade de lubrificante aquoso n&#227;o interfere com o resultado da citologia cervico-vaginal (For&#231;a de Recomenda&#231;&#227;o A)</b>, pelo que poder&#225; ser um procedimento a ter em conta nas situa&#231;&#245;es avaliadas pelo cl&#237;nico como sendo de interesse para a mulher. Esta recomenda&#231;&#227;o &#233; suportada pelos tr&#234;s estudos com n&#237;vel de evid&#234;ncia elevado (1b), elaborados com rigor cient&#237;fico e metodologias semelhantes, onde participou um elevado n&#250;mero de mulheres, sendo que dois deles reflectem a pr&#225;tica cl&#237;nica na t&#233;cnica de colheita do material para an&#225;lise.</p>     <p>Apesar da quest&#227;o cl&#237;nica inicial desta revis&#227;o poder ser vista como tendo um resultado orientado para a doen&#231;a e n&#227;o para a doente, a sua implica&#231;&#227;o pr&#225;tica poder&#225; ser &#250;til por trazer uma op&#231;&#227;o vi&#225;vel para a realiza&#231;&#227;o de citologias de rastreio do cancro do colo do &#250;tero em mulheres que de outra forma poderiam n&#227;o permitir esse procedimento. A decis&#227;o pela sua utiliza&#231;&#227;o, que a ter lugar dever-se-&#225; referir a um lubrificante do tipo aquoso, deve ser efectuada com base no crit&#233;rio cl&#237;nico do m&#233;dico, orientado para cada mulher.</p>     <p>No futuro, ser&#227;o necess&#225;rios mais estudos cientificamente rigorosos, com metodologia mais homog&#233;nea e maior poder estat&#237;stico.</p>     <p>Ser&#227;o ainda pertinentes estudos que avaliem se a quantidade de gel interfere com a qualidade da amostra, bem como a eventual redu&#231;&#227;o do desconforto das mulheres pela utiliza&#231;&#227;o de lubrificante na realiza&#231;&#227;o da citologia cervico-vaginal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Programa de Rastreio do Cancro do Colo do &#218;tero na Regi&#227;o Norte. Porto: ARS Norte; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0870-7103201100060000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Consenso Nacional do Cancro Ginecol&#243;gico. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Ginecologia; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0870-7103201100060000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Manual Executivo do Programa de Rastreio do Cancro do Colo do &#218;tero na Regi&#227;o Norte. Porto: ARS Norte; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0870-7103201100060000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Byrd TL, Peterson SK, Chavez R, Heckert A. Cervical cancer screening beliefs among young Hispanic women. Prev Med 2004 Feb; 38 (2): 192-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0870-7103201100060000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Harmanli O, Jones KA. Using lubricant for speculum insertion. Obstet Gynecol 2010 Aug; 116 (2 Pt 1): 415-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0870-7103201100060000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. European guidelines for quality assurance in cervical cancer screening. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0870-7103201100060000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Oxford Centre for Evidence-based Medicine - Levels of Evidence. March 2009. Dispon&#237;vel em:<a href="http://www.cebm.net/index.aspx?o=1025" target="_blank">http://www.cebm.net/index.aspx?o=1025</a> [acedido em 18/04/2011].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0870-7103201100060000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Amies AM, Miller L, Lee SK, Koutsky L. The effect of vaginal speculum lubrication on the rate of unsatisfactory cervical cytology diagnosis. Obstet Gynecol 2002 Nov; 100 (5 Pt 1): 889-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0870-7103201100060000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Griffith WF, Stuart GS, Gluck KL, Heartwell SF. Vaginal speculum lubrication and its effects on cervical cytology and microbiology. Contraception 2005 Jul; 72 (1): 60-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0870-7103201100060000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Hathaway JK, Pathak PK, Maney R. Is liquid-based pap testing affected by water-based lubricant? Obstet Gynecol 2006 Jan; 107 (1): 66-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0870-7103201100060000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Charoenkwan K, Ninunanahaeminda K, Khunamornpong S, Srisomboon J, Thorner PS. Effects of gel lubricant on cervical cytology. Acta Cytol 2008 Nov-Dec; 52 (6): 654-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0870-7103201100060000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Harer WB, Valenzuela G Jr, Lebo D. Lubrication of the vaginal introitus and speculum does not affect Papanicolaou smears. Obstet Gynecol 2002 Nov; 100 (5 Pt 1): 887-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0870-7103201100060000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>13. Holton T, Smith D, Terry M, Madgwick A, Levine T. The effect of lubricant contamination on ThinPrep<sup>&#174;</sup>(Cytyc) cervical cytology liquid-based preparations. Cytopathology 2008 Aug; 19 (4): 236-43.</p>     <!-- ref --><p>14. Gilson M, Desai A, Cardoza-Favarato G, Vroman P, Thornton JA. Does gel affect cytology or comfort in the screening papanicolaou smear? J Am Board Fam Med 2006 Jul-Aug; 19 (4): 340-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0870-7103201100060000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15. Tavernier LA, Connor PD, Gates D. Water versus gel lubricant for cervical cytology specimens. J Fam Pract 2003 Sep; 52 (9): 701-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0870-7103201100060000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONFLITOS DE INTERESSE</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As autoras declaram aus&#234;ncia de conflitos de interesses e financiamento do estudo.</p>     <p><a href="#topc0"><b>ENDERE&Ccedil;O PARA CORRESPOND&Ecirc;NCIA</b></a><a name="c0"></a></p>     <p>Clara Pinto Ferreira</p>     <p>R. Alfredo Cunha 365</p>     <p>4450-021 Matosinhos</p>     <p><a href="mailto:clarapf.mgf@gmail.com">clarapf.mgf@gmail.com</a></p>     <p><b>Recebido em 18/04/2011</b></p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o em 27/11/2011</b></p>      ]]></body><back>
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