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</front><body><![CDATA[ <P><B>O primeiro ano de escolaridade</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><I>PAULO PASSOS <a name="top1"></a>(<a href="#1">*</a>) </I></p>     <p align="right">&nbsp;</p>      <p>Para o cumprimento das exig&ecirc;ncias inerentes ao primeiro ano de escolaridade,    sup&otilde;e-se o exerc&iacute;cio ajustado e adequado das fun&ccedil;&otilde;es    cognitivas/intelectuais, de socializa&ccedil;&atilde;o e afectivas, como crit&eacute;rios    de suporte ao conceito de maturidade escolar.</P>     <p>A decomposi&ccedil;&atilde;o destas fun&ccedil;&otilde;es traduz-se num efectivo panorama de determinantes que, na din&acirc;mica do seu conjunto e operacionalidade, constituem a estrutura b&aacute;sica de acesso aos sucessivos patamares de evolu&ccedil;&atilde;o escolar e sobretudo de evolu&ccedil;&atilde;o existencial. </P>     <P>De modo a que seja promovido o sucesso psicol&oacute;gico (que engloba o sucesso escolar), alguns requisitos s&atilde;o de cariz indispens&aacute;vel. </P>     <P>O principal de entre estes requisitos &eacute;, naturalmente, o factor maturidade,    directamente ligado &agrave; idade cronol&oacute;gica. Neste sentido n&atilde;o    parece l&oacute;gico que uma crian&ccedil;a seja confrontada com os programas    de aprendizagem, bem como com as modalidades comportamentais esperadas, do primeiro    ano de escolaridade, antes de efectivar os 6 anos de vida. Seguramente, esta    realidade encontra-se saturada de directrizes operativas e funcionais, dirigidas    aos conte&uacute;dos acad&eacute;micos e igualmente &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o    atitudinal e da personalidade. </P>     <P>Infelizmente e perigosamente, o que se verifica est&aacute; mais consonante    com opini&otilde;es infundamentadas ou com o cumprimento de aspira&ccedil;&otilde;es    de outrem, em nada ajustadas ao desenvolvimento infantil. E isto &eacute; v&aacute;lido,    tanto para os legisladores como para os respons&aacute;veis directos do processo    de vida da crian&ccedil;a.</P>     <P>O fundamento cient&iacute;fico e cl&iacute;nico parece estar, na escala de    valoriza&ccedil;&atilde;o, muito aqu&eacute;m das opini&otilde;es (frequentemente    extrapoladas para certezas educativas), das cren&ccedil;as, do cumprimento de    necessidades subjectivas dos adultos, bem como da habitual constata&ccedil;&atilde;o    de ser feito o que se considera (na base do senso comum) o mais vantajoso. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A tend&ecirc;ncia usual de transformar uma crian&ccedil;a em aluno, aquando    a sua entrada na escola &eacute;, por si s&oacute;, significativamente preocupante.    Acrescente-se a esta preocupa&ccedil;&atilde;o (s&eacute;ria!!!) o impacto desorganizador,    quando tal acontece ainda mais precocemente. </P>     <P>De facto, continua-se a verificar que a primeira matr&iacute;cula na escolaridade    obrigat&oacute;ria &eacute; feita ainda aos 5 anos, muitas vezes passando a    crian&ccedil;a todo o primeiro per&iacute;odo escolar com essa idade. </P>     <P>A decis&atilde;o de matr&iacute;cula antes dos 6 anos (facilitado pelo absurdo da lei), passa por crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o centrados, quase exclusivamente, nos conhecimentos adquiridos, no grau de destreza cognitiva e intelectual, para al&eacute;m da obedi&ecirc;ncia aos n&iacute;veis de expectativa e aspira&ccedil;&atilde;o dos adultos, bem como das necessidades institucionais. Contudo, raramente se examina o grau de maturidade da personalidade, a din&acirc;mica afectiva e a conduta de adapta&ccedil;&atilde;o, que dificilmente acompanha a matura&ccedil;&atilde;o acelerada das fun&ccedil;&otilde;es. </P>     <P>Fala-se de maturidade escolar, n&atilde;o apenas no que diz respeito &agrave; capacidade de desempenho e de rentabilidade acad&eacute;mica. Por maturidade escolar entende-se a capacidade de integrar, com uniformidade e harmonia, novos espa&ccedil;os relacionais, de crescimento e desenvolvimento, onde as aprendizagens espec&iacute;ficas ocupam igualmente o seu territ&oacute;rio mas n&atilde;o esgotam o conceito de maturidade para a escola. </P>     <P>Os s&iacute;ndromes de desajustamento ou os de inadapta&ccedil;&atilde;o, promotores de compromissos desenvolvimentais diversos t&ecirc;m, na sua origem, multifactores de entre os quais a entrada precoce na escola se pode encontrar. </P>     <P>Nos momentos de satura&ccedil;&atilde;o, geralmente coincidentes com o pedido de ajuda externa &agrave; fam&iacute;lia e escola (consulta), &eacute; frequentemente observ&aacute;vel a facilidade com que a atribui&ccedil;&atilde;o de causas recai sobre contextos externos, sem que se assuma o confronto vivido com o n&atilde;o cumprimento de expectativas e/ou exig&ecirc;ncias. No efectivo, verificase uma difus&atilde;o de responsabilidades, em que a crian&ccedil;a se v&ecirc; confrontada com mecanismos inoperantes (e refor&ccedil;adores de desorganiza&ccedil;&atilde;o), estando, naturalmente, desprovida de instrumentos mentais de resolu&ccedil;&atilde;o. Observa, com d&eacute;bito de sintomas, as ocorr&ecirc;ncias da sua vida, muitas vezes assumindo atrav&eacute;s da culpa, o sentimento de incapacidade de gratifica&ccedil;&atilde;o das figuras parentais, ou melhor, o que dele esperavam. Numa organiza&ccedil;&atilde;o mental em forma&ccedil;&atilde;o, com uma capacidade de elabora&ccedil;&atilde;o reduzida &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a, esta v&ecirc;-se numa rede de articula&ccedil;&atilde;o de medidas que em nada colaborou. </P>     <P>A instala&ccedil;&atilde;o de sentimentos de incapacidade, a press&atilde;o exercida pelos pares relacionais, as exig&ecirc;ncias e refor&ccedil;os de estimula&ccedil;&atilde;o escolar, promovem o agravamento gradual de sensa&ccedil;&otilde;es de menos-valia. </P>     <P>Crescer na convic&ccedil;&atilde;o da incerteza e da inseguran&ccedil;a permite    o recurso a medidas defensivas, altamente punidas e refreadas pelos sistemas    sociais (com inclus&atilde;o dos familiares), sem que se consiga pensar (preferencialmente    antes!!!) quais as origens da necessidade deste recurso e que n&iacute;veis    de exig&ecirc;ncias e de responsabilidades (quase com obrigatoriedade) se atribui    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o infantil!!! </P>     <P>&nbsp;</P>     <P><a name="1"></a>(<a href="#top1">*</a>) Centro de Sa&uacute;de de Braga I.  </P>     ]]></body>
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