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</front><body><![CDATA[ <P align="left"><B>Nota de Abertura</B></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="right">ARM&Eacute;NIO SEQUEIRA </P>     <P>&nbsp;</P>     <P><I>O estudo e a investiga&ccedil;&atilde;o das dial&eacute;cticas de inser&ccedil;&atilde;o/exclus&atilde;o    social constitui hoje n&atilde;o s&oacute; objecto de numerosos discursos pol&iacute;ticos    e sociais mas tamb&eacute;m campo de profundo interesse e motiva&ccedil;&atilde;o    de estudiosos e investigadores. Com posturas te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas    diversas, v&aacute;rios s&atilde;o os trabalhos que relevam o quadro da conjuntura    internacional da globaliza&ccedil;&atilde;o e o contexto onde se originam e    desenvolvem os fen&oacute;menos sociais que as condicionam. </I></P>     <P><I>Sob uma perspectiva de multidimensionalidade e abrang&ecirc;ncia, diferentes autores mostram a import&acirc;ncia da pluralidade dos modelos, da diversidade dos princ&iacute;pios, mas tamb&eacute;m, da necessidade de reconceptualizar uma mais estruturada aproxima&ccedil;&atilde;o. Salientam, igualmente, que &eacute; necess&aacute;rio clarificar, redesenhar e redirigir preocupa&ccedil;&otilde;es sociais e trabalhos cient&iacute;ficos que garantam e estruturem novos objectivos e novas abordagens em reabilita&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o social. </I></P>     <P><I>Nascida, na moderna acep&ccedil;&atilde;o do conceito, em pleno s&eacute;culo XIX, a reabilita&ccedil;&atilde;o visa, na sua concep&ccedil;&atilde;o inicial, apoiar os milhares de v&iacute;timas da I Grande Guerra que regressam &agrave;s mais diferentes cidades da Europa e dos Estados Unidos. Com v&aacute;rias limita&ccedil;&otilde;es  f&iacute;sicas e mentais e sem emprego, s&atilde;o um sinal de permanente alerta a uma sociedade que considera imperioso honrar os soldados feridos na defesa da sua na&ccedil;&atilde;o. As respostas organizadas assentam em duas orienta&ccedil;&otilde;es: atendimento, incluindo familiares, em institui&ccedil;&otilde;es de grande dimens&atilde;o; procurar, atrav&eacute;s de reconvers&atilde;o e treino, promover o regresso ao trabalho. Os programas suportados nesta &uacute;ltima perspectiva &laquo;Soldiers Rehabilitation Act&raquo; (1918) t&ecirc;m uma extraordin&aacute;ria aceita&ccedil;&atilde;o e dois anos mais tarde tornam-se extensivos a qualquer pessoa com acentuada limita&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. Os governos come&ccedil;am, pela primeira vez, a assumir a responsabilidade destes apoios e orienta&ccedil;&otilde;es, constituindo o que alguns autores apontam como sendo o primeiro passo para a moderna Seguran&ccedil;a Social. Contudo, os servi&ccedil;os de reabilita&ccedil;&atilde;o destinam-se, exclusivamente, a pessoas com defici&ecirc;ncia f&iacute;sica que procuram trabalho. A variedade de ofertas de prepara&ccedil;&atilde;o e treino &eacute; pequena e a selec&ccedil;&atilde;o procura admitir os que s&atilde;o considerados mais aptos e melhor podem garantir o sucesso no emprego. </I></P>     <P><I>Com o in&iacute;cio do segundo quartel do s&eacute;culo XX, os servi&ccedil;os de reabilita&ccedil;&atilde;o expandem-se num menor mas importante caminho que permite &agrave;s pessoas com cegueira prioridade para trabalharem nos quiosques de venda, propriedade do Estado. Embora limitada, esta &eacute; das primeiras medidas que sob a &laquo;Afirmation Action&raquo; procura introduzir na reabilita&ccedil;&atilde;o/inser&ccedil;&atilde;o factores de compensa&ccedil;&atilde;o. </I></P>     <P><I>Com a II Grande Guerra, a maior diversidade e mais severas defici&ecirc;ncias que os avan&ccedil;os da medicina permitiam salvar imp&otilde;em a cria&ccedil;&atilde;o dum mais abrangente leque de oportunidades de reabilita&ccedil;&atilde;o. Os apoios &agrave;s defici&ecirc;ncias f&iacute;sicas e sensoriais alargam-se &agrave;s pessoas com defici&ecirc;ncia </I><I>mental. Abrangem, igualmente, os dispositivos t&eacute;cnicos e instrumentais espec&iacute;ficos. Estas novas tend&ecirc;ncias provocam um amplo desenvolvimento do sistema de reabilita&ccedil;&atilde;o que passa a considerar como objecto da sua interven&ccedil;&atilde;o os v&aacute;rios tipos de limita&ccedil;&otilde;es enfrentadas pelas pessoas com handicaps. A perspectiva de atendimento, contudo, &eacute; ainda marcada pelo modelo m&eacute;dico. O sistema &eacute; massificador e leva as pessoas a sentirem-se como pe&ccedil;as duma enorme m&aacute;quina. </I></P>     <P><I>As contradi&ccedil;&otilde;es entre os princ&iacute;pios que presidem ao &laquo;Soldiers Rehabilitation Act&raquo; e as pr&aacute;ticas das institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o not&oacute;rias. A por v&aacute;rios autores designada &laquo;Revolu&ccedil;&atilde;o da Desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o&raquo; toma corpo e tem como objectivo p&ocirc;r fim ao desajustado, e muitas vezes humanamente impr&oacute;prio, atendimento institucional. Pessoas com defici&ecirc;ncia e suas fam&iacute;lias organizam-se e criam o &laquo;Movimento das Pessoas com Defici&ecirc;ncia&raquo; que defende uma profunda mudan&ccedil;a da filosofia e pr&aacute;tica na defini&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o das respostas &agrave;s pessoas em processo de reabilita&ccedil;&atilde;o, agora entendido como uma resultante da organiza&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o concertadas de v&aacute;rios sectores do sistema. </I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Estruturas, organiza&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os s&atilde;o solicitados a reformular os seus programas, visando novos objectivos que promovam o desenvolvimento de capacidades e compet&ecirc;ncias de amplas camadas de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o/processo de desvantagem. A perspectiva &eacute; a de promover a participa&ccedil;&atilde;o destas pessoas nas actividades produtivas em contexto normal de trabalho, consideradas como um dos mais relevantes meios para a plena inser&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o negando as diferen&ccedil;as entre as pessoas, antes sustenta que &laquo;a natureza e significa&ccedil;&atilde;o dessas diferen&ccedil;as dependem de como as vemos e interpretamos&raquo; (Bogdan & Taylor, 1994). Em vez de procurar &laquo;fixar&raquo; uma pessoa em situa&ccedil;&atilde;o/processo de desvantagem, ou de a separar do resto da sociedade, esta perspectiva tem como objectivo problematizar mais a sociedade do que o indiv&iacute;duo. A solu&ccedil;&atilde;o reside n&atilde;o tanto na pessoa, mas no processo de quebrar barreiras que limitam, e muitas vezes impedem, as pessoas em desvantagem de participar social e economicamente nos desafios que se colocam &agrave;s suas comunidades e &agrave; sociedade em geral. </I></P>     <P><I>Esta abordagem da reabilita&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o visando a autonomia socialmente assistida, a par do desenvolvimento econ&oacute;mico que tem lugar ap&oacute;s a II Grande Guerra e que cria milhares de novos empregos, provocam uma profunda mudan&ccedil;a e exigem aos profissionais a compreens&atilde;o da nova filosofia bem como conhecimentos e saberes adequados &agrave;s necess&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es. </I></P>     <P><I>A necessidade de estudo e investiga&ccedil;&atilde;o dos contextos e circunst&acirc;ncias e das necess&aacute;rias respostas &eacute; reconhecida a diferentes n&iacute;veis, inst&acirc;ncias do poder pol&iacute;tico inclu&iacute;das. V&aacute;rios investigadores das &aacute;reas das disciplinas m&eacute;dicas e sociais incluem, nos seus projectos, investiga&ccedil;&otilde;es nestas &aacute;reas tem&aacute;ticas. Robert Scott (1969) com os seus trabalhos sobre a pessoa cega e Gary Albrecht (1976) sobre a sociologia das incapacidades f&iacute;sicas e sua reabilita&ccedil;&atilde;o marcam, do ponto de vista acad&eacute;mico, esta profunda mudan&ccedil;a. Outros estudos com maior car&aacute;cter de divulga&ccedil;&atilde;o, de que sobressaem &laquo;Handicapping America&raquo; de Frank Bowe (1978) e &laquo;A Chronicle of Living with a Disability&raquo; de Irving Zola (1982), influenciam largamente a abordagem social em reabilita&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o social. Com base no movimento social de protesto das pessoas com defici&ecirc;ncia, que j&aacute; marcara, profundamente, as anteriores orienta&ccedil;&otilde;es, surgem os primeiros trabalhos sobre a qualidade de vida, Safilios-Rothchild (1976) e Gerben Deyong (1981). </I></P>     <P><I>Uma postura social mais marcada chama a aten&ccedil;&atilde;o para as contradi&ccedil;&otilde;es    dos modelos em vigor, relevando a import&acirc;ncia da an&aacute;lise dos fen&oacute;menos    segundo uma perspectiva social, cultural e pol&iacute;tica. &laquo;Disability    Culture&raquo;, B. Ingstad e C. R. Whyte (Eds.) (1995), &laquo;The Disability    Studies Reader&raquo;, L. Y. Davis (Ed.) (1997) e &laquo;Disability    Studies/Not Disability Studies&raquo;, S. Linton (1998) centram e divulgam v&aacute;rios    trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o realizados. A ades&atilde;o de v&aacute;rios    investigadores provoca um amplo crescimento do n&uacute;mero de estudos e Len    Barton e Mike Oliver criam o primeiro jornal internacional acad&eacute;mico    exclusivamente dedicado &agrave; din&acirc;mica social das designadas incapacidades/desvantagens.    O campo de investiga&ccedil;&atilde;o e estudos alarga-se, igualmente, abrangendo    &aacute;reas como a educa&ccedil;&atilde;o e a desvantagem, defici&ecirc;ncia,    doen&ccedil;a estigma e desvantagem, perspectivas da pessoa com defici&ecirc;ncia,    etc.. Simp&oacute;sios, encontros cient&iacute;ficos, jornadas de estudo multiplicam-se.    </I></P>     <P><I>Um novo paradigma dos handicaps toma lugar, possibilitando uma actualizada conceptualiza&ccedil;&atilde;o dos fundamentos, organiza&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o dos fen&oacute;menos das desvantagens. As consequ&ecirc;ncias para a investiga&ccedil;&atilde;o e para a interven&ccedil;&atilde;o, daqui resultantes, s&atilde;o muito significativas. &Agrave;s quest&otilde;es: </I><I>qual a natureza das desvantagens? Quais as suas causas? Como s&atilde;o experienciadas social e pessoalmente? Organizam-se e desenvolvem-se diferentes respostas a n&iacute;vel te&oacute;rico e metodol&oacute;gico. As an&aacute;lises/interpreta&ccedil;&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es transversais revelam-se cruciais para reformular as desvantagens e transform&aacute;-las numa(s) quest&atilde;o(&otilde;es) a resolver pela sociedade num quadro duma mais apropriada compreens&atilde;o das respostas pol&iacute;ticas, sociais, cient&iacute;ficas, pr&aacute;ticas, profissionais e de experi&ecirc;ncia pessoal. Sob a cren&ccedil;a que os homens realizam a sua Hist&oacute;ria suportados na transitoriedade de todas as transforma&ccedil;&otilde;es e rela&ccedil;&otilde;es sociais a partir de ac&ccedil;&otilde;es conscientes e motivadas (H. Rattner, 2001), esta perspectiva encara a realidade humana, por mais contradit&oacute;ria e incerta que se apresente, como uma constru&ccedil;&atilde;o social. A condi&ccedil;&atilde;o &eacute; lograr alcan&ccedil;ar n&iacute;veis de consci&ecirc;ncia individual e colectiva que garantam, sob o primado do valor humano e social da pessoa e da comunidade, os contextos, as organiza&ccedil;&otilde;es, os centros de realiza&ccedil;&atilde;o do conhecimento e de dissemina&ccedil;&atilde;o do saber e do saber-fazer adequados &agrave; complexidade da vida social.</I></P>     <P><I>&Agrave;s quest&otilde;es que atr&aacute;s se enunciam outras se revelam    fundamentais: as teorias existentes permitem-nos analisar os fen&oacute;menos,    ditos hoje, de exclus&atilde;o? A luta contra a exclus&atilde;o realiza-se pela    inser&ccedil;&atilde;o dur&aacute;vel? Quais os princ&iacute;pios norteadores    da inser&ccedil;&atilde;o? </I></P>     <P><I>Mas a exclus&atilde;o social &eacute; tamb&eacute;m um drama individual que pode destruir uma ou v&aacute;rias vidas e que importa melhor conhecer para mais eficaz e rapidamente intervir. </I></P>     <P><I>Perfilhamos a cren&ccedil;a que o desenvolvimento sem exclus&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel no quadro dum contrato social que garanta o efectivo acesso de todos aos direitos fundamentais e abrindo a cada um perspectivas de iniciativa, educa&ccedil;&atilde;o e criatividade, forma&ccedil;&atilde;o e mobilidade ao longo da vida. Se as estrat&eacute;gias de inclus&atilde;o solicitam um pensar globalmente, um identificar o que &eacute; universal, apontam como fundamental pensar que grupos sens&iacute;veis, que exigem interven&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, produzem singularidades, quer pela cria&ccedil;&atilde;o de novos desejos e necessidades, quer pelas urg&ecirc;ncias que fazem emergir do fundo da organiza&ccedil;&atilde;o social. Singularidades que n&atilde;o devem ser, como na tradi&ccedil;&atilde;o social moderna, relacionadas com o interesse geral, mas afirmadas enquanto tal. &Eacute; do interesse geral o respeito das diferen&ccedil;as e das heterogeneidades. </I></P>     <P><I>Neste contexto, numa perspectiva dial&eacute;ctica entre o universal e o singular, entendemos necess&aacute;rio promover o empenho de mais colaboradores e mais esfor&ccedil;os na realiza&ccedil;&atilde;o e aprofundamento de conhecimentos cient&iacute;ficos que permitam conceber referenciais te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos com capacidade de enquadrar e sustentar saberes, bem como instrumentos t&eacute;cnicos e tecnol&oacute;gicos de interven&ccedil;&atilde;o e redimensionamento da reabilita&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o. Considera-se, de igual modo, fundamental a sua dissemina&ccedil;&atilde;o, visando despertar o interesse entre pessoas e organiza&ccedil;&otilde;es por mais agendas de quest&otilde;es sobre os contextos e pr&aacute;ticas de produ&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o dos handicaps e dos processos de reabilita&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o. </I></P>     <P><I>Precisamos de desenvolver a investiga&ccedil;&atilde;o nestas &aacute;reas tem&aacute;ticas, de promover estrat&eacute;gias de partilha do conhecimento, dos saberes e saberes-fazer que possibilitem a gera&ccedil;&atilde;o de interventores sociais com capacidade social, cient&iacute;fica, &eacute;tica e t&eacute;cnica para participarem na constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade com mais coes&atilde;o social, mas tamb&eacute;m com compet&ecirc;ncia para intervir nas mudan&ccedil;as e nas pr&aacute;ticas da reabilita&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o que hoje se realiza. </I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>&Eacute; esta, pensamos, a miss&atilde;o que o N&uacute;mero Especial da Revista </I><B>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica </B><I>sob o tema &laquo;</I>Redimensionar e Intervir em Reabilita&ccedil;&atilde;o e Inser&ccedil;&atilde;o Social<I>&raquo; assumiu e solicitou aos autores dos estudos e trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o que ora se re&uacute;nem e divulgam. </I></P>      ]]></body>
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