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</front><body><![CDATA[ <div class=Section1>      <p><b>Comunica&ccedil;&atilde;o em contexto cl&iacute;nico (2007)</b> <span class=GramE>-</span> Jos&eacute; Mendes Nunes. <span class=SpellE><span lang=EN-GB style='mso-ansi-language:EN-GB'>Lisboa</span></span><span lang=EN-GB style='mso-ansi-language:EN-GB'>: Bayer Health Care, 194 pp. <o:p></o:p></span></p>      <p><span lang=EN-GB style='mso-ansi-language:EN-GB'>&nbsp;<o:p></o:p></span></p>      <p>Numa &eacute;poca em que a sa&uacute;de em Portugal vive imersa em discursos economicistas sobre a necessidade de racionaliza&ccedil;&atilde;o dos recursos, em press&otilde;es para aumentar a efici&ecirc;ncia e a produtividade dos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de, bem como na comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica desastrosa que acompanhou encerramentos de maternidades, urg&ecirc;ncias e <span class=SpellE>SAPs</span>, este livro, dedicado &agrave; <i>comunica&ccedil;&atilde;o em contexto cl&iacute;nico e centrado na pr&aacute;tica da medicina geral e familiar</i>, &eacute; uma importante lufada de ar fresco que, deixando para tr&aacute;s os que gerem sa&uacute;de como quem gere grandes superf&iacute;cies, <i>focaliza nas pessoas e nos processos de comunica&ccedil;&atilde;o entre as pessoas</i>. Especificamente, <i>focaliza nos m&eacute;dicos e pacientes, que se encontram em contextos cl&iacute;nicos</i>. </p>      <p>Para al&eacute;m do espec&iacute;fico contexto social (e pol&iacute;tico) em que aparece, momento em que tamb&eacute;m est&aacute; em curso importante Reforma dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, &eacute; desde logo uma obra pertinente face a uma Medicina que se caracteriza pela utiliza&ccedil;&atilde;o crescente das tecnologias em desfavor da comunica&ccedil;&atilde;o e pela escassa <span class=SpellE>centra&ccedil;&atilde;o</span> dos m&eacute;dicos nas pessoas, nas suas experi&ecirc;ncias e nos seus problemas com o viver. A entrevista m&eacute;dica &eacute;, tradicionalmente, uma entrevista centrada no m&eacute;dico, constituindo-se por isto num obst&aacute;culo &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, uma vez que desse modo os assuntos que o paciente traz para a consulta, a sua &#8220;agenda&#8221; para a consulta, n&atilde;o s&atilde;o acomodados pela agenda do m&eacute;dico. </p>      <p>Ao mesmo tempo, criaram-se tantas expectativas de infalibilidade e perfei&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Medicina e aos m&eacute;dicos que, sendo ilus&otilde;es optimistas e irrealistas, v&atilde;o gerando frustra&ccedil;&otilde;es, conflitos e, at&eacute;, viol&ecirc;ncias, que emergem nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. &Eacute; por isso que &eacute; hoje necess&aacute;rio, mais do que nunca, dar lugar central aos processos de comunica&ccedil;&atilde;o na consulta e &agrave; qualidade das entrevistas cl&iacute;nicas, investindo na forma&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos, com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento das suas compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o. Mais, mais do que isso, &eacute; preciso dar voz aos utentes (no sentido proposto por <span class=SpellE>Ronald</span> <span class=SpellE>Laing</span> de &#8220;<i>dar voz aos pacientes</i>&#8221;) para compreender a experi&ecirc;ncia vivida do utente que consulta, para o compreender como pessoa e n&atilde;o como categoria nosol&oacute;gica que n&atilde;o &eacute; e, finalmente, para compreender tudo aquilo o que n&atilde;o &eacute; abrangido pelas racionalidades cl&iacute;nicas (biom&eacute;dicas) e que s&atilde;o processos e interac&ccedil;&otilde;es de natureza subjectiva. </p>      <p>A deriva tecnol&oacute;gica da larga maioria das especialidades m&eacute;dicas tem feito com que o m&eacute;todo cl&iacute;nico centrado no paciente e a entrevista cl&iacute;nica tenha perdido centralidade na consulta m&eacute;dica, com a consequente desumaniza&ccedil;&atilde;o e manipula&ccedil;&atilde;o dos pacientes como objectos. <i>Ser&aacute; realista pensar que a Medicina se consegue &#8220;humanizar&#8221; s&oacute; a partir &#8220;de dentro&#8221;? </i></p>      <p>O autor acredita que sim, nomeadamente ao enunciar que contribuir para a humaniza&ccedil;&atilde;o da Medicina e para consciencializar os m&eacute;dicos que a consulta pode ser rela&ccedil;&atilde;o de ajuda s&atilde;o os objectivos gerais do seu trabalho. A proposta essencial da sua obra pode inserir-se numa tend&ecirc;ncia geral de <span class=SpellE>remoraliza&ccedil;&atilde;o</span> da educa&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica m&eacute;dicas, apresentando o m&eacute;todo cl&iacute;nico centrado no paciente e a entrevista cl&iacute;nica como instrumento privilegiado de trabalho em Medicina Geral e Familiar, o que consegue fazer de forma clara, compreens&iacute;vel, preocupada com o rigor e com indiscut&iacute;vel didactismo. Em cada momento recorda ao leitor o essencial: <i>o paciente &eacute; uma pessoa. </i></p>      <p><i>Jos&eacute; Mendes Nunes</i>, licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa e Mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de pela Universidade Aberta, &eacute; Chefe de Servi&ccedil;o da Carreira M&eacute;dica de Cl&iacute;nica Geral do Centro de Sa&uacute;de de Oeiras, foi <span class=SpellE>Sub-Director</span> Geral de Sa&uacute;de, &eacute; orientador do Internato Complementar de Cl&iacute;nica Geral, Assistente Convidado do Departamento Universit&aacute;rio de Cl&iacute;nica Geral da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas de Lisboa (UNL), al&eacute;m de Coordenador do Departamento de Forma&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa dos M&eacute;dicos de Cl&iacute;nica Geral (APMCG) e membro do Conselho Consultivo do Departamento de Forma&ccedil;&atilde;o Permanente do ISPA, escreveu um <i>livro que s&oacute; poderia ser escrito por um M&eacute;dico com larga pr&aacute;tica cl&iacute;nica, capaz de reflectir criticamente sobre a sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia </i>e com uma percep&ccedil;&atilde;o clara sobre o que faz falta no desenvolvimento pessoal e profissional dos m&eacute;dicos em termos de compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o na consulta. </p>      <p>Trata-se de um livro que, em minha opini&atilde;o, ombreia ao mesmo n&iacute;vel de qualidade cient&iacute;fica de obras essenciais sobre o mesmo tema e praticamente com os mesmos destinat&aacute;rios: os livros publicados por <span class=SpellE>Roslyn</span> <span class=SpellE>Corney</span> (<span class=SpellE><i>Developing</i></span><i> <span class=SpellE>Communication</span> <span class=SpellE>and</span> <span class=SpellE>Counselling</span> <span class=SpellE>Skills</span></i>, 1991), <span class=SpellE>Debra</span> L. <span class=SpellE>Roter</span> e <span class=SpellE>Judith</span> A. Hall (<span class=SpellE><i>Doctors</i></span><i> <span class=SpellE>Talking</span> <span class=SpellE>with</span> <span class=SpellE>Patientes</span>/<span class=SpellE>Patients</span> <span class=SpellE>Talking</span> <span class=SpellE>with</span> <span class=SpellE>Doctors</span>. </i><i><span lang=EN-GB style='mso-ansi-language:EN-GB'>Improving Communication in Medical Visits</span></i><span lang=EN-GB style='mso-ansi-language:EN-GB'>, 1992), Peter Tate (The Doctor&#8217;s Communication Handbook, 2003). </span>Entre n&oacute;s<span class=GramE>,</span> tem o grande m&eacute;rito de ser o primeiro n&atilde;o psiquiatra a publicar uma obra relevante sobre comunica&ccedil;&atilde;o em contextos m&eacute;dicos, depois de Eduardo Cortes&atilde;o e, mais recentemente, de Pio Abreu. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A meu ver, o livro divide-se em tr&ecirc;s partes: </p>      <p>-Na <i>primeira </i>parte s&atilde;o apresentados aspectos essenciais sobre a comunica&ccedil;&atilde;o humana em geral (escolas, teorias e modelos), incluindo uma refer&ecirc;ncia &agrave; import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o em cl&iacute;nica geral. Talvez aqui, e n&atilde;o no fim do livro, fosse o momento de colocar em evid&ecirc;ncia a import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o na presta&ccedil;&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de, em termos de satisfa&ccedil;&atilde;o dos utentes e da melhoria dos comportamentos de ades&atilde;o e, j&aacute; agora, da influ&ecirc;ncia que pode ter nos comportamentos de procura de cuidados e utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos de sa&uacute;de por parte dos utentes e na satisfa&ccedil;&atilde;o dos profissionais, mais do que na terceira parte do livro; </p>      <p>-Na <i>segunda </i>parte, que &eacute; a parte mais relevante e representa cerca de metade do livro, desenvolve o m&eacute;todo cl&iacute;nico centrado no paciente e diferentes aspectos da t&eacute;cnica de entrevista cl&iacute;nica. Ao referir a incorpora&ccedil;&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e da preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a opta por incluir tr&ecirc;s modelos psicol&oacute;gicos, de forma simplificada: modelo de cren&ccedil;as de sa&uacute;de, auto-efic&aacute;cia e modelo <span class=SpellE>transte&oacute;rico</span> da mudan&ccedil;a de comportamento por fases. &Eacute; verdade que contemplam vari&aacute;veis com influ&ecirc;ncia na mudan&ccedil;a de comportamentos, mas n&atilde;o esgotam o assunto e, sobretudo, n&atilde;o se vislumbra como &eacute; que os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia dominam t&eacute;cnicas baseadas nesses modelos em termos de interven&ccedil;&otilde;es de aconselhamento preventivo, sobretudo para transformar uma inten&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel de mudar um comportamento numa mudan&ccedil;a efectiva e, sobretudo, como assegurar a manuten&ccedil;&atilde;o a longo prazo, a &uacute;nica que poder&aacute; relacionar-se com ganhos para a sa&uacute;de. A orienta&ccedil;&atilde;o geral &eacute; de inspira&ccedil;&atilde;o humanista <span class=SpellE>rogeriana</span> e concretiza-se no m&eacute;todo cl&iacute;nico centrado no paciente (MCCP) para a Medicina Familiar. O cap&iacute;tulo sobre as fases de entrevista cl&iacute;nica &eacute; particularmente bem conseguido, quer pelo seu didactismo quer pela ilustra&ccedil;&atilde;o com apropriadas vinhetas de casos </p>      <p>-Finalmente, na <i>terceira </i>parte aborda as emo&ccedil;&otilde;es na consulta, o impacto da comunica&ccedil;&atilde;o na consulta e alguns aspectos do pr&oacute;prio processo de consulta. &Eacute; talvez a parte menos conseguida do livro, uma vez que, especialmente as interac&ccedil;&otilde;es emocionais na consulta<span class=GramE>,</span> mereceriam maior profundidade da abordagem. Seria a oportunidade de abordar a intersubjectividade do di&aacute;logo cl&iacute;nico que s&oacute; acontece quando se estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a m&uacute;tua e reciprocidade, um processo intersubjectivo, n&atilde;o quantific&aacute;vel. Elaborar uma esp&eacute;cie de &#8220;<span class=SpellE>guidelines</span>&#8221; para a entrevista cl&iacute;nica &eacute; importante, como &eacute; feito na segunda parte do livro, at&eacute; porque &eacute; mais dif&iacute;cil fazer perguntas adequadas do que responder a elas e o di&aacute;logo tamb&eacute;m depende dos modos de comunica&ccedil;&atilde;o. No entanto, uma preocupa&ccedil;&atilde;o excessiva com &#8220;receitas&#8221; comunicacionais pode <span class=SpellE>sobrep&ocirc;r-se</span>, sobretudo para quem se est&aacute; a iniciar na profiss&atilde;o, ao facto do di&aacute;logo cl&iacute;nico depender tamb&eacute;m das qualidades emocionais e pessoais dos intervenientes, da sua capacidade para <span class=SpellE><i>estar-aberto</i></span><i> </i>e <span class=SpellE><i>estar-com</i></span><i> </i>e da qualidade afectiva da rela&ccedil;&atilde;o e respeito genu&iacute;no pela liberdade do outro. As exig&ecirc;ncias de um desempenho comunicacional &#8220;<span class=SpellE>by</span> <span class=SpellE>the</span> <span class=SpellE>book</span>&#8221; podem ser obst&aacute;culos para a arte de questionar com espontaneidade, intui&ccedil;&atilde;o, compreens&atilde;o, ironia e imagina&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Existem duas formas de abordar as quest&otilde;es da comunica&ccedil;&atilde;o na consulta m&eacute;dica, que s&atilde;o complementares. </p>      <p>A mais tradicional, que coloca acento t&oacute;nico no desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico e no seu permanente aperfei&ccedil;oamento, centradas na transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o sobre os processos de sa&uacute;de e doen&ccedil;a e na comunica&ccedil;&atilde;o persuasiva que visa a ades&atilde;o medicamentosa e aos auto-cuidados, sempre na perspectiva da melhoria cont&iacute;nua da qualidade dos processos de comunica&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia influenciam a satisfa&ccedil;&atilde;o dos utentes. N&atilde;o se interessa pelo desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o do utente. </p>      <p>A mais cr&iacute;tica, que coloca a comunica&ccedil;&atilde;o na consulta no contexto do sistema/servi&ccedil;o de sa&uacute;de em que ocorre a consulta e que inclui tamb&eacute;m os aspectos emocionais e irracionais da interac&ccedil;&atilde;o, bem como a preocupa&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o de quem consulta, pelo desenvolvimento da sua literacia de sa&uacute;de e pela sua participa&ccedil;&atilde;o activa na consulta, atrav&eacute;s da facilita&ccedil;&atilde;o da sua assertividade e <span class=SpellE><i>empowerment</i></span><i> </i>individual no pr&oacute;prio processo de consulta. </p>      <p>Para o ponto de vista mais tradicional digamos que a qualidade da comunica&ccedil;&atilde;o na consulta surge como uma exig&ecirc;ncia &#8220;t&eacute;cnica&#8221; para &#8220;<i>informar bem</i>&#8221; e &#8220;<i>obter uma boa ades&atilde;o</i>&#8221; ou &#8220;<i>uma boa colabora&ccedil;&atilde;o do doente</i>&#8221;, como tantas vezes se ouve por a&iacute; a prop&oacute;sito de um misterioso &#8220;lado humano&#8221; da Medicina. O centro &eacute; o desempenho comunicacional do m&eacute;dico. Fica geralmente de fora da agenda m&eacute;dica a preocupa&ccedil;&atilde;o com a rela&ccedil;&atilde;o dos problemas de sa&uacute;de com o contexto pessoal e social do utente, factor que, entre outros, pode influenciar o sucesso das medicinas alternativas&#8230;, bem como a representa&ccedil;&atilde;o leiga que o paciente j&aacute; traz do problema que o afecta ou faz sofrer. </p>      <p>Para o ponto de vista cr&iacute;tico, a qualidade da comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; importante para compreender as experi&ecirc;ncias do utente e contextualiz&aacute;-las em rela&ccedil;&atilde;o ao <span class=SpellE>seu-mundo</span>, mas tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas representa&ccedil;&otilde;es, cren&ccedil;as e atitudes face ao que considera ser o valor dos m&eacute;dicos, da Medicina e do sistema de sa&uacute;de. O contexto organizacional (por exemplo, problemas de acessibilidade, listas de espera, faltas de pontualidade, etc.) influencia atitudes negativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cren&ccedil;as e experi&ecirc;ncias dos utentes, que seriam irrelevantes face &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o acr&iacute;tica da ideia (err&oacute;nea) de que o m&eacute;dico actuaria de forma benevolente sempre no interesse do doente. H&aacute; por vezes a ilus&atilde;o de que os factores emocionais e irracionais desapareceriam apenas porque se faz um forte investimento no desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o&#8230; Pelo contr&aacute;rio, a atmosfera afectiva (relacional e organizacional) na qual decorre o processo de comunica&ccedil;&atilde;o na consulta &eacute; fundamental, particularmente quando existem atitudes ambivalentes dos utentes em rela&ccedil;&atilde;o aos m&eacute;dicos e, por vezes, mesmo uma atitude de hostilidade em rela&ccedil;&atilde;o ao aumento da burocracia, das tecnologias e, claro est&aacute;, das taxas moderadoras...</p>      <p>Se fosse necess&aacute;rio posicionar esta obra em rela&ccedil;&atilde;o a esses pontos de vista, diria que se situa numa posi&ccedil;&atilde;o de charneira entre as duas perspectivas, embora mais alinhado pela perspectiva mais tradicional, mais &#8220;cientificamente correcta&#8221;, que confere import&acirc;ncia decisiva &agrave; pessoa do m&eacute;dico e &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com o doente, isolando-os dos contextos sociais e culturais (e pol&iacute;ticos) nos quais essa interac&ccedil;&atilde;o social se desenrola. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre os seus <i>pontos mais fortes </i>contam-se: </p>      <p>- Ser uma voz cr&iacute;tica que, surgindo de dentro da pr&oacute;pria Medicina, procura respostas para o problema central do nosso tempo na pr&aacute;tica discursiva dos m&eacute;dicos na consulta: comunica&ccedil;&atilde;o insuficiente, amb&iacute;gua ou excessivamente t&eacute;cnica, num contexto relacional paternalista e controlador </p>      <p>-Desafiar o grande paradoxo da educa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica: as compet&ecirc;ncias comunicacionais que est&atilde;o no centro da actividade profissional s&oacute; muito raramente fazem parte dos conte&uacute;dos formativos pr&eacute; e p&oacute;s-graduados</p>      <p>-Reflectir seriamente sobre a comunica&ccedil;&atilde;o na consulta, que interpela todos os m&eacute;dicos</p>      <p>-Preocupa&ccedil;&atilde;o permanente em contribuir com instrumentos facilitadores do desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos no processo de consulta</p>      <p>-Apresentar propostas concretas de reconhecimento de que os pacientes s&atilde;o pessoas, com a consequente necessidade de focalizar na sua experi&ecirc;ncia subjectiva, nos significados que constroem e na dimens&atilde;o de &#8220;cuidar&#8221;, t&atilde;o importante como a de &#8220;tratar&#8221;</p>      <p>-Apresenta&ccedil;&atilde;o muito clara do m&eacute;todo cl&iacute;nico centrado no paciente e da entrevista cl&iacute;nica, fornecendo a cada passo sugest&otilde;es concretas atrav&eacute;s das quais o leitor pode melhorar o seu desempenho comunicacional e melhorar a sua t&eacute;cnica de entrevista. </p>      <p>Entre os seus <i>pontos menos fortes </i>contam-se:</p>      <p>-Conferir (deliberadamente) um estatuto amb&iacute;guo a quem consulta, que umas vezes &eacute; o &#8220;paciente&#8221;, outras vezes &eacute; &#8220;doente&#8221; </p>      <p>-N&atilde;o desenvolver aspectos comunicacionais sobre transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o de risco para sa&uacute;de, de forma a assegurar a compreens&atilde;o das mensagens, ajudar a lidar com a ansiedade e prevenir atitudes de falsa seguran&ccedil;a ap&oacute;s resultados negativos de exames m&eacute;dicos </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>-Deixar para segundo <span class=GramE>plano</span> os aspectos emocionais na consulta, aspectos que, pela sua subjectividade t&atilde;o oposta &agrave; racionalidade biom&eacute;dica, se reconhece que ser&atilde;o porventura mais dif&iacute;ceis de abordar <span class=GramE>mas</span> que t&ecirc;m import&acirc;ncia crucial na comunica&ccedil;&atilde;o na consulta nomeadamente, entre outros, o problema do distanciamento afectivo e da supress&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es que, sendo necess&aacute;rios para alguns aspectos do exerc&iacute;cio cl&iacute;nico dos m&eacute;dicos s&atilde;o frequentemente usados por estes tamb&eacute;m como atitude pessoal protectora e resposta defensiva sistem&aacute;tica contra as atitudes projectivas dos pacientes, transformando-se em obst&aacute;culos para a autenticidade na rela&ccedil;&atilde;o <span class=SpellE>m&eacute;dico-doente</span> </p>      <p>- Apesar de apresentar a tradicional ret&oacute;rica <span class=SpellE>biopsicossocial</span>, n&atilde;o contempla a influ&ecirc;ncia dos contextos sociais concretos dos pacientes e diferen&ccedil;as de g&eacute;nero, nem como adaptar as modalidades de comunica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico a diferentes n&iacute;veis educacionais, estilos cognitivos e contextos culturais dos pacientes, ou seja, comunicar na consulta com diversos tipos de pacientes (minorias sociais, &eacute;tnicas ou culturais, etc.). N&atilde;o aborda a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o escrita com os pacientes.</p>      <p>Em minha opini&atilde;o este livro &eacute; refer&ecirc;ncia obrigat&oacute;ria sobre o tema, com especial interesse para jovens m&eacute;dicos em forma&ccedil;&atilde;o, em qualquer especialidade. Pode ser tamb&eacute;m um &uacute;til instrumento de reflex&atilde;o sobre as pr&aacute;ticas para qualquer t&eacute;cnico de sa&uacute;de com actividade cl&iacute;nica em qualquer fase da sua carreira e desenvolvimento profissional, proporcionando uma oportunidade &uacute;nica de reflex&atilde;o sobre o que se faz e, sobretudo, como se faz a consulta. </p>      <p>Pelo seu car&aacute;cter de recurso did&aacute;ctico, poderia mesmo constituir-se como um precioso manual de forma&ccedil;&atilde;o sobre o tema. O autor tem agora essa responsabilidade adicional: a de contribuir tamb&eacute;m com oportunidade formativas concretas para mudar as atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o por parte dos seus Colegas que reconhe&ccedil;am essa necessidade de desenvolvimento pessoal e profissional. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p align=right style='text-align:right'>Jos&eacute; A. Carvalho Teixeira </p>  </div>       ]]></body>
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