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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A concordância entre o comportamento de base segura com a mãe nos primeiros anos de vida e os modelos internos dinâmicos no pré-escolar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Attachment Stability from infancy to preschoolers was studied in a sample that includes two countries - Portugal and the US -. The study examined associations between infant-mother secure base behaviour and attachment representation at preschooler years. 25 mother - child Portuguese dyads and 47 mother - child american dyads participated in the study. The quality of the children&#8217;s secure base behaviour was assessed with the Attachment Behaviour Q-Set (AQS) (Waters, 1995) and tree years later, to assess de quality and the security of the internal representations of the attachment relationship it was used Attachment Story Completion Task (ASCT) (Bretherton & Ridgeway, 1990). Correlations between AQS security and ASCT security were found. In this sample, internal working models seem to be relatively stable over a significant period of time.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Estabilidade da vinculação]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>A concord&acirc;ncia entre o comportamento de base segura com a m&atilde;e  nos primeiros anos de vida e os modelos internos din&acirc;micos no pr&eacute;-escolar  (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</B></P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="RIGHT">Filipa Silva (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</P>    <p align="RIGHT">Mar&iacute;lia  Fernandes (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P>    <p align="RIGHT">Manuela  Ver&iacute;ssimo (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P>    <p align="RIGHT">Nana  Shin (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>    <p align="RIGHT">Brian E. Vaughn  (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>    <p align="RIGHT">Kelly K. Bost (<a href="#4">****</a><a name="top4"></a>)</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER">RESUMO </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estuda-se, numa amostra que contempla dois pa&iacute;ses &ndash;  Portugal e Estados Unidos da Am&eacute;rica &ndash;, a estabilidade da  qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o, na rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e  crian&ccedil;a, analisando-se o comportamento de base segura na rela&ccedil;&atilde;o  m&atilde;e-crian&ccedil;a nos primeiros anos de vida e as representa&ccedil;&otilde;es  mentais da crian&ccedil;a acerca desta rela&ccedil;&atilde;o, no pr&eacute;-escolar.  Os participantes s&atilde;o 25 d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a portuguesas  e 47 d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a americanas. Utiliza-se o  <I>Attachment Behaviour Q-Set (AQS) </I>(Waters, 1995) para avaliar os  comportamentos de base segura e, tr&ecirc;s anos mais tarde, aplica-se &agrave;s  crian&ccedil;as o <I>Attachment Story Completion Task (ASCT) </I>(Bretherton  &amp; Ridgeway, 1990) que avalia a qualidade e a seguran&ccedil;a das  representa&ccedil;&otilde;es internas da rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o.  Os resultados mostram que, nesta amostra, h&aacute; uma estabilidade da  vincula&ccedil;&atilde;o entre os 2-3 anos de idade e os 5-6 anos de idade. O  valor de seguran&ccedil;a do <I>AQS </I>est&aacute; correlacionado positiva e  significativamente com a dimens&atilde;o de seguran&ccedil;a do <I>ASCT</I>.  Nesta amostra, os modelos internos din&acirc;micos parecem permanecer relativamente  est&aacute;veis ao longo de um per&iacute;odo significativo de tempo. </P>      <p><I>Palavras-chave</I>: Estabilidade da vincula&ccedil;&atilde;o, modelos  internos din&acirc;micos, comportamento de base segura. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER">ABSTRACT </P>      <p>Attachment Stability from infancy to preschoolers was studied in a sample  that includes two countries &ndash; Portugal and the US &ndash;. The study  examined associations between infant-mother secure base behaviour and attachment  representation at preschooler years. 25 mother &ndash; child Portuguese dyads  and 47 mother &ndash; child american dyads participated in the study. The  quality of the children&rsquo;s secure base behaviour was assessed with the  <I>Attachment Behaviour Q-Set (AQS) </I>(Waters, 1995) and tree years later,  to assess de quality and the security of the internal representations of the  attachment relationship it was used <I>Attachment Story Completion Task (ASCT)  </I>(Bretherton &amp; Ridgeway, 1990). Correlations between <I>AQS </I>security  and <I>ASCT </I>security were found. In this sample, internal working models  seem to be relatively stable over a significant period of time. </P>      <p><I>Key words</I>: Attachment stability, internal working models, secure base behaviour. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Um elemento central no estudo da vincula&ccedil;&atilde;o, particularmente,  em contexto familiar, refere-se &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es  das rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o no modelo interno din&acirc;mico  da crian&ccedil;a (Monteiro, Ver&iacute;ssimo, Silva &amp; Fernandes, 2005).  Segundo Bretherton e Munholland (1999), as crian&ccedil;as constroem os modelos internos  com base nos modelos de interac&ccedil;&atilde;o, provenientes das suas  experi&ecirc;ncias com as figuras de vincula&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>As diferen&ccedil;as individuais encontradas ao n&iacute;vel da qualidade  da rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as (e mesmo  nos adultos) s&atilde;o atribu&iacute;das &agrave;s diverg&ecirc;ncias sistem&aacute;ticas  existentes nos modelos internos do <I>self </I>e dos outros. O facto da qualidade  da rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o continuar a existir ao longo  da vida sugere a durabilidade desses mesmos modelos (Collins &amp; Read, 1994). </P>     <p>Os recentes avan&ccedil;os da Psicologia Cognitiva permitiram a transi&ccedil;&atilde;o  da investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da Teoria da Vincula&ccedil;&atilde;o,  baseada apenas na avalia&ccedil;&atilde;o dos comportamentos para o n&iacute;vel da  representa&ccedil;&atilde;o (Waters, Rodrigues &amp; Ridgeway, 1998). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center">MODELO INTERNO DIN&Acirc;MICO DA CRIAN&Ccedil;A </P>      <p>No quadro te&oacute;rico de Bowlby, o mundo interno da crian&ccedil;a come&ccedil;a  a desenvolver-se com a constru&ccedil;&atilde;o dos modelos internos din&acirc;micos das  figuras de vincula&ccedil;&atilde;o. Estes modelos s&atilde;o entendidos como  representa&ccedil;&otilde;es mentais conscientes e inconscientes do mundo e de si nesse  mundo, resultam das experi&ecirc;ncias de aprendizagem que come&ccedil;am no nascimento e  que se v&atilde;o tornando mais complexas e generaliz&aacute;veis e com os quais o sujeito  percebe os acontecimentos, prev&ecirc; o futuro e planeia as ac&ccedil;&otilde;es  (Ainsworth, Blehar, Waters, &amp; Wall, 1978). </P>     <p>Os modelos internos ajudam a crian&ccedil;a na regula&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o  e predi&ccedil;&atilde;o dos comportamentos, pensamentos e sentimentos relacionados  com a vincula&ccedil;&atilde;o, referentes a si mesma e &agrave; figura de vincula&ccedil;&atilde;o.  A crian&ccedil;a tem, ainda, a possibilidade de realizar uma reflex&atilde;o acerca  das situa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o passadas e futuras, assim como,  resolver conflitos relacionais (Bretherton &amp; Munholland, 1999). </P>     <p>O conte&uacute;do dos modelos internos consiste no que o sujeito sabe acerca das  rela&ccedil;&otilde;es, nomeadamente, o conhecimento factual &ndash; informa&ccedil;&atilde;o  actual do sujeito relativamente ao seu pr&oacute;prio comportamento de vincula&ccedil;&atilde;o  ou ao dos outros; e o conhecimento afectivo &ndash; sentimentos associados &agrave;s  rela&ccedil;&otilde;es (Crittenden, 1990). </P>     <p>Neste sentido, Collins e Read (1994), defendem que os modelos internos s&atilde;o  compostos por quatro componentes interrelacionais: as mem&oacute;rias das experi&ecirc;ncias  da rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o, as cren&ccedil;as, as atitudes e  expectativas acerca do <I>self </I>e dos outros na rela&ccedil;&atilde;o de  vincula&ccedil;&atilde;o, os objectivos, estrat&eacute;gias e necessidades relativas  &agrave; vincula&ccedil;&atilde;o, e os planos relacionados com os objectivos realizados  na rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>Relativamente &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es  das rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o, foram sugeridos tr&ecirc;s modelos:  o modelo hier&aacute;rquico, o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o integrativa e o  modelo de organiza&ccedil;&atilde;o independente (Howes, 1999). No primeiro modelo,  as representa&ccedil;&otilde;es das vincula&ccedil;&otilde;es est&atilde;o organizadas  de um modo hier&aacute;rquico, onde a representa&ccedil;&atilde;o da figura de  vincula&ccedil;&atilde;o mais importante, normalmente a m&atilde;e, &eacute; a mais  influente para a crian&ccedil;a (Bretherton, 1985). Assim, as rela&ccedil;&otilde;es  que a crian&ccedil;a estabelece com outras figuras s&atilde;o influenciadas pela  seguran&ccedil;a de vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a &agrave; m&atilde;e,  podendo-se esperar que as diferentes rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o  sejam concordantes com a vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; figura materna.  Em rela&ccedil;&atilde;o ao modelo de organiza&ccedil;&atilde;o integrativa, este  sugere que as crian&ccedil;as integram todas as suas rela&ccedil;&otilde;es de  vincula&ccedil;&atilde;o numa &uacute;nica representa&ccedil;&atilde;o. &Eacute;  dado um peso igual a todas as rela&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o h&aacute; qualquer  suposi&ccedil;&atilde;o de que uma rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o  seja mais influente do que outra. De acordo com o &uacute;ltimo modelo mencionado,  cada vincula&ccedil;&atilde;o &eacute; independente tanto em qualidade, como na sua  influ&ecirc;ncia no desenvolvimento da crian&ccedil;a. Este modelo considera que as  representa&ccedil;&otilde;es de diferentes rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o  t&ecirc;m diferentes influ&ecirc;ncias em diversas &aacute;reas do desenvolvimento  (Howes, 1999). </P>     <p>Os prestadores de cuidados assumem um papel muito importante na forma como as  crian&ccedil;as desenvolvem precocemente os seus modelos internos (Oppenheim &amp; Waters,  1995), atrav&eacute;s da qualidade do cuidado que lhes providenciam e das  interpreta&ccedil;&otilde;es das experi&ecirc;ncias que oferecem no contexto da  partilha de conversa com as crian&ccedil;as. </P>     <p>Assim, de acordo com Bowlby, &eacute; atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o verbal  e n&atilde;o verbal das figuras de vincula&ccedil;&atilde;o que as representa&ccedil;&otilde;es  de uma rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o segura e insegura s&atilde;o geradas  e mantidas (Bretherton &amp; Munholland, 1999). </P>     <p>Desta forma, a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com o prestador  de cuidados e a natureza dos seus modelos internos s&atilde;o determinados pela a valia&ccedil;&atilde;o emocional do prestador de cuidados e pela sua capacidade de  resposta &agrave;s necessidades da crian&ccedil;a (Collins &amp; Read, 1994). Um modelo  din&acirc;mico do <I>self </I>valorizado e competente &eacute; constru&iacute;do com  base num modelo din&acirc;mico dos pais como emocionalmente dispon&iacute;veis, mas  tamb&eacute;m como suportes das actividades explorat&oacute;rias. Contrariamente,  um modelo interno desvalorizado e incompetente &eacute; constru&iacute;do num contexto  de um modelo din&acirc;mico dos pais como figuras que rejeitam ou ignoram o  comportamento de vincula&ccedil;&atilde;o e/ou interferem na explora&ccedil;&atilde;o  (Sroufe &amp; Feeson, 1986). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center">OS MODELOS INTERNOS NA IDADE DO PR&Eacute;-ESCOLAR</P>      <p>Durante a inf&acirc;ncia, os modelos internos operam principalmente ao  n&iacute;vel do sens&oacute;rio motor. No per&iacute;odo pr&eacute;-escolar, e  em particular ap&oacute;s os tr&ecirc;s anos de idade, assiste-se a uma  reorganiza&ccedil;&atilde;o do comportamento para um n&iacute;vel mais simb&oacute;lico  (Main, Kaplan &amp; Cassidy, 1985). </P>     <p>As crian&ccedil;as, por volta dos 3-4 anos de idade precisam cada vez menos da  proximidade f&iacute;sica para se sentirem protegidas na rela&ccedil;&atilde;o com o  prestador de cuidados. As suas capacidades cognitivas e de linguagem desenvolveram-se  e s&atilde;o capazes de antecipar, de representar mentalmente, de representar numa  brincadeira e de descrever verbalmente o comportamento do prestador de cuidados no que  respeita a acessibilidade e responsividade quando se sentem amea&ccedil;adas  (Marvin &amp; Britner, 1999). </P>     <p>Assim, a crian&ccedil;a na idade do pr&eacute;-escolar apresenta uma grande e volu&ccedil;&atilde;o no conhecimento de experi&ecirc;ncias sociais e na sua  capacidade de representa&ccedil;&atilde;o esquem&aacute;tica. Estas  representa&ccedil;&otilde;es esquem&aacute;ticas resultam das experi&ecirc;ncias  rotineiras da crian&ccedil;a, apresentando progressivamente um car&aacute;cter  mais geral e distanciado das situa&ccedil;&otilde;es reais (Nelson, 1986). </P>     <p>Os esquemas s&atilde;o estruturas representacionais que fornecem um conjunto  organizado de expectativas sobre uma situa&ccedil;&atilde;o. Posteriormente aos  trabalhos realizados por Schank e Abelson (1977), este tipo de representa&ccedil;&otilde;es  t&ecirc;m sido denominadas de <I>script</I>. Estes autores definem os <I>scripts </I> como uma representa&ccedil;&atilde;o mental de uma sequ&ecirc;ncia estereotipada de  ac&ccedil;&otilde;es que acontecem num determinado contexto esp&aacute;cio-temporal.  Os <I>scripts </I>t&ecirc;m origem na repeti&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias  de natureza semelhante e mobilizados sempre que uma determinada experi&ecirc;ncia  se aproxima do <I>script </I>existente, o que permite ao sujeito prever, com maior  ou menor sucesso, o que ir&aacute; acontecer para al&eacute;m do contexto imediato  (Nelson, 1986). </P>     <p>Os <I>scripts </I>e as hist&oacute;rias s&atilde;o tipos de conhecimentos esquematicamente  organizados, que podem ser activados em determinadas situa&ccedil;&otilde;es e guiar a  compreens&atilde;o, a ac&ccedil;&atilde;o e a posterior recorda&ccedil;&atilde;o (Nelson, 1996). </P>     <p>Recentemente, Bretherton e H. Waters procuraram no conceito de <I>script </I>uma forma  para melhor compreender o funcionamento dos modelos internos din&acirc;micos. Bretherton  (1991), considera os <I>scripts </I>de vincula&ccedil;&atilde;o, os elementos cognitivos  base das representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>Estudos realizados por Waters, Rodrigues e Ridgeway (1998) sugerem que as  experi&ecirc;ncias de vincula&ccedil;&atilde;o vivenciadas no contexto das primeiras  rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o representadas sob a forma de uma estrutura de  <I>script </I>causal-temporal em torno das componentes do fen&oacute;meno de base  segura. A familiaridade e o acesso a este <I>script </I>adoptam um papel relevante  na organiza&ccedil;&atilde;o do equil&iacute;brio entre os comportamentos de  vincula&ccedil;&atilde;o e os comportamentos de explora&ccedil;&atilde;o, durante  a inf&acirc;ncia, emergindo posteriormente a base dos modelos internos de  vincula&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>Alguns autores (Bowlby, 1980; Stern, 1985) defendem que existe uma rela&ccedil;&atilde;o  entre a linguagem e os modelos internos. As evid&ecirc;ncias sugerem que aos tr&ecirc;s  anos de idade, a linguagem das crian&ccedil;as pode ser considerada um meio para  aceder aos modelos internos do <I>self </I>e da figura de vincula&ccedil;&atilde;o  (Bretherton, 1987). Quando estas encenam separa&ccedil;&otilde;es e reuni&otilde;es  com os brinquedos est&atilde;o provavelmente a activar os seus modelos internos da  sua actual experi&ecirc;ncia. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Attachment Story Completion Task (ASCT) (Bretherton &amp; Ridgeway, 1990) e o  Teste de Ansiedade de Separa&ccedil;&atilde;o (SAT) (adapta&ccedil;&atilde;o de Klaugsburn  &amp; Bowlby, 1976) s&atilde;o instrumentos que permitem avaliar a associa&ccedil;&atilde;o  entre as respostas das crian&ccedil;as relativamente &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es  e aos seus comportamentos de vincula&ccedil;&atilde;o para com a m&atilde;e na inf&acirc;ncia  (Bretherton, Ridgeway, &amp; Cassidy, 1990; Main, Kaplan, &amp; Cassidy, 1985). </P>     <p>O estudo desenvolvido por Miljkovitch, Pierrehumbert, Bretherton e Halfon (2004),  sugere que mesmo aos tr&ecirc;s anos de idade, as estrat&eacute;gias representacionais  utilizadas pelas crian&ccedil;as podem ser acedidas atrav&eacute;s da finaliza&ccedil;&atilde;o  das narrativas e que estas est&atilde;o de acordo com estrat&eacute;gias representacionais  de vincula&ccedil;&atilde;o semelhantes &agrave;s utilizadas pelas suas m&atilde;es. </P>     <p>O primeiro estudo para aceder aos modelos internos utilizando um m&eacute;todo de  narrativas (SAT), foi utilizado por Main, Kaplan e Cassidy (1985), com crian&ccedil;as  de seis anos de idade. Os resultados mostraram que as crian&ccedil;as classificadas  como seguras na inf&acirc;ncia foram capazes de permanecer organizadas quando confrontadas  com temas de vincula&ccedil;&atilde;o carregados de emo&ccedil;&atilde;o e falar abertamente  acerca de um extenso leque de emo&ccedil;&otilde;es, incluindo raiva e tristeza, dando  respostas coerentes, abertas e elaboradas. Enquanto que as crian&ccedil;as classificadas  como inseguras deram respostas desorganizadas, por vezes n&atilde;o responderam e algumas  deram respostas irracionais e bizarras, indicando que tais crian&ccedil;as podem apresentar  dificuldades em permanecer organizadas quando confrontadas com descri&ccedil;&otilde;es de  separa&ccedil;&atilde;o e outras situa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o  (Oppenheim &amp; Waters, 1995). </P>     <p>Bretherton, Ridgeway e Cassidy (1990), defendem que as crian&ccedil;as seguras de  tr&ecirc;s anos de idade, lidam igualmente com os problemas apresentados nas hist&oacute;rias  de forma emocionalmente aberta e apresentam resolu&ccedil;&otilde;es construtivas para as mesmas. </P>     <p>Na aplica&ccedil;&atilde;o do instrumento ASCT, as crian&ccedil;as evitantes  parecem desviar a sua aten&ccedil;&atilde;o dos temas de vincula&ccedil;&atilde;o  associados aos afectos negativos relatados nas hist&oacute;rias e evitam responder ou  negam os temas da vincula&ccedil;&atilde;o (Miljkovitch <I>et al.</I>, 2004). As  crian&ccedil;as ambivalentes frequentemente parecem estar &ldquo;ocupadas&rdquo; e  criam hist&oacute;rias que s&atilde;o constantemente interrompidas pela  distrac&ccedil;&atilde;o ou por actividades irrelevantes, reflectindo a incapacidade  destas crian&ccedil;as para resolverem os problemas de vincula&ccedil;&atilde;o  apresentados de uma forma construtiva (Solomon, George &amp; De Joung, 1995) e as  crian&ccedil;as desorganizadas apresentam hist&oacute;rias que cont&ecirc;m  resolu&ccedil;&otilde;es bizarras (Bretherton, Ridgeway &amp; Cassidy, 1990). </P>     <p>De acordo com Oppenheim e Waters (1995), &eacute; esperado que o conte&uacute;do  das respostas das crian&ccedil;as revele o conte&uacute;do dos modelos internos  das mesmas. Desta forma, espera-se que as crian&ccedil;as com uma vincula&ccedil;&atilde;o  segura construam narrativas que descrevam mais interac&ccedil;&otilde;es positivas  entre os pais e a crian&ccedil;a, e que as crian&ccedil;as com uma vincula&ccedil;&atilde;o  insegura d&ecirc;em respostas que descrevam interac&ccedil;&otilde;es mais negativas. </P>     <p>Segundo Bretherton, as crian&ccedil;as ao completarem as hist&oacute;rias, parecem,  por vezes, recorrer n&atilde;o s&oacute; &agrave;s experi&ecirc;ncias de interac&ccedil;&atilde;o  com as suas m&atilde;es, como tamb&eacute;m, reportam medos, desejos e  representa&ccedil;&otilde;es metaf&oacute;ricas das emo&ccedil;&otilde;es  (Miljkovitch <I>et al.</I>, 2004). S&atilde;o as trocas emocionais que ocorrem nas  &ldquo;conversas abertas&rdquo; entre m&atilde;e-crian&ccedil;a, que v&atilde;o permitir  que esta crie resolu&ccedil;&otilde;es e hist&oacute;rias coerentes, mesmo em  cen&aacute;rios de vincula&ccedil;&atilde;o que envolvam conflitos n&atilde;o vivenciados  pessoalmente pela crian&ccedil;a (Bowlby, 1980; Bretherton, 1993). </P>     <p>De acordo com Bowlby (1988) e Bretherton (1991), a fonte das dificuldades das  crian&ccedil;as est&aacute; nos dist&uacute;rbios da comunica&ccedil;&atilde;o  pais-crian&ccedil;a e nos processos de co-constru&ccedil;&atilde;o que deixam a  crian&ccedil;a sem capacidades para providenciar respostas coerentes relativamente  aos temas da vincula&ccedil;&atilde;o presentes nas hist&oacute;rias. </P>     <p>A explica&ccedil;&atilde;o para as diferen&ccedil;as encontradas nas narrativas  das crian&ccedil;as seguras e inseguras podem estar relacionadas com o conceito  de exclus&atilde;o defensiva. Segundo Bowlby (1980), a informa&ccedil;&atilde;o  que &eacute; muito dolorosa para a crian&ccedil;a &eacute; exclu&iacute;da do  conhecimento, processada e representada nos modelos internos que permanecem fora  do conhecimento. A crian&ccedil;a ter&aacute; dificuldades em construir respostas  emocionalmente coerentes quando &eacute; confrontada com um est&iacute;mulo da  vincula&ccedil;&atilde;o, porque esse vai for&ccedil;a-a a responder de acordo  com a classe de informa&ccedil;&atilde;o que ela tenta excluir (Bowlby, 1980). </P>     <p>O processo defensivo utilizado pela crian&ccedil;a torna-se num aux&iacute;lio  na medida em que guarda a informa&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias mentais  insuport&aacute;veis e leva-a a realizar adapta&ccedil;&otilde;es futuras dos  modelos internos para a realidade problem&aacute;tica (Bretherton, 1987). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como consequ&ecirc;ncia de uma exclus&atilde;o defensiva, Bowlby postulou, que  uma crian&ccedil;a pode vir a operar com dois padr&otilde;es incompat&iacute;veis  de modelos din&acirc;micos e da figura de vincula&ccedil;&atilde;o: um padr&atilde;o  acess&iacute;vel conscientemente, baseado em falsas informa&ccedil;&otilde;es; e  um padr&atilde;o inacess&iacute;vel conscientemente ou apenas com uma acessibilidade  intermitente, reflectindo a experi&ecirc;ncia/interpreta&ccedil;&atilde;o da  crian&ccedil;a da situa&ccedil;&atilde;o vivida (Bretherton &amp; Munholland, 1999). </P>     <p>Outra proposta defendida por Bowlby prende-se com as situa&ccedil;&otilde;es em  que a figura de vincula&ccedil;&atilde;o apresenta comportamentos marcadamente  contradit&oacute;rios, o que leva a que a crian&ccedil;a desenvolva diferentes  tipos de representa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o a essa figura (Steele,  Hodges, Kaniuk, Hillman &amp; Henderson, 2003). Contudo, Bowlby considera, ainda,  que os pais t&ecirc;m um papel facilitador em auxiliar os seus filhos na  constru&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o dos modelos din&acirc;micos atrav&eacute;s  do di&aacute;logo. Pais que experienciaram trocas com figuras de vincula&ccedil;&atilde;o  responsivas durante a inf&acirc;ncia, s&atilde;o mais capazes de responder aos  problemas dos seus pr&oacute;prios filhos com empatia e suporte emocional. Como  resultado, os seus filhos provavelmente sentem-se, n&atilde;o s&oacute; compreendidos,  valorizados e competentes, mas tamb&eacute;m est&atilde;o numa melhor posi&ccedil;&atilde;o  para construir um modelo din&acirc;mico funcional do <I>self </I>e do prestador  de cuidados (Bretherton &amp; Munholland, 1999). </P>     <p>Os pais servem como base segura para os seus filhos explorarem o mundo interno  atrav&eacute;s do di&aacute;logo sobre os modelos din&acirc;micos (Bretherton &amp;  Munholland, 1999). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">A ESTABILIDADE DO MODELO INTERNO </P>      <p>&Agrave; medida que estabelecemos novas rela&ccedil;&otilde;es, fazemo-nos  acompanhar de um historial de experi&ecirc;ncias sociais e de um conjunto de mem&oacute;rias,  cren&ccedil;as e expectativas que nos guiam no modo de interagir com o outro, e  no modo como constru&iacute;mos o nosso mundo social. As representa&ccedil;&otilde;es  continuam a evoluir &agrave; medida que nos envolvemos com novas pessoas e  desenvolvemos novas rela&ccedil;&otilde;es. Contudo, de acordo com a teoria da  vincula&ccedil;&atilde;o, os nossos modelos cognitivos, que come&ccedil;am a desenvolver-se  desde o in&iacute;cio da nossa hist&oacute;ria pessoal, tendem a permanecer como  base (Collins &amp; Read, 1994). </P>     <p>Propostos pela primeira vez por Bowlby (1973) e mais tarde retomados por Bretherton  (1985) e por Main (1991) os modelos internos s&atilde;o vistos como tra&ccedil;os centrais  da personalidade que modelam o modo como o sistema de vincula&ccedil;&atilde;o se  expressa, dirigindo os padr&otilde;es comportamentais, cognitivos e emocionais. </P>     <p>Segundo Bowlby (1990), os modelos internos din&acirc;micos podem ser est&aacute;veis  ao longo de um per&iacute;odo significativo de tempo; contudo, podem sofrer mudan&ccedil;as  resultantes das experi&ecirc;ncias vivenciadas pelo indiv&iacute;duo. Por exemplo,  quando a figura parental tende, repetidamente, a abandonar ou a n&atilde;o responder  aos sinais da crian&ccedil;a, a confian&ccedil;a desta na figura de vincula&ccedil;&atilde;o  pode diminuir, levando a que a crian&ccedil;a reconstrua o seu modelo interno da  figura parental e do <I>self </I>(Bowlby, 1973). Contrariamente, quando as  circunst&acirc;ncias de vida melhoram, a figura parental pode tornar-se mais  sens&iacute;vel &agrave;s necessidades de vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a,  levando a que esta reveja a constru&ccedil;&atilde;o dos modelos din&acirc;micos do  <I>self </I>e da figura parental (Bretherton &amp; Munholland, 1999). </P>     <p>Assim, durante os primeiros anos de vida, os modelos internos s&atilde;o  relativamente perme&aacute;veis &agrave; mudan&ccedil;a caso a qualidade dos  cuidados se modifique. Contudo, se estes apresentarem um padr&atilde;o consistente  durante a inf&acirc;ncia e a adolesc&ecirc;ncia, &eacute; de esperar que os modelos  se tornem mais s&oacute;lidos, isto &eacute;, que perante experi&ecirc;ncias que  se repetem continuamente passem a fazer parte da crian&ccedil;a mais do que da  rela&ccedil;&atilde;o, e que uma vez formadas tendam a ser operadas de modo  autom&aacute;tico e inconsciente, e assim se tornem resistentes &agrave; mudan&ccedil;a  (Collins &amp; Read, 1994). </P>     <p>Neste sentido, apesar de na inf&acirc;ncia os modelos internos come&ccedil;arem  por representar a rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica com a figura de  vincula&ccedil;&atilde;o, com o tempo e como resultado de um maior n&uacute;mero de  experi&ecirc;ncias, formam modelos mais generalizados e abstractos do <I>self </I>e  dos outros (Bowlby, 1973). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em dois estudos longitudinais desenvolvidos por Hamilton (2000) e Waters, Merrick,  Treboux, Crowell e Albershein (2000), foi encontrada uma continuidade nas  classifica&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o desde a inf&acirc;ncia  at&eacute; &agrave; adolesc&ecirc;ncia e in&iacute;cio da idade adulta. Num estudo  de Weinfield, Sroufe e Egeland (2000), os sujeitos pertencentes a uma amostra  considerada de risco n&atilde;o mantiveram as classifica&ccedil;&otilde;es de  vincula&ccedil;&atilde;o. Estes estudos enfatizam a import&acirc;ncia das  experi&ecirc;ncias relacionadas com a vincula&ccedil;&atilde;o vividas pelos sujeitos,  no sentido da continuidade ou da mudan&ccedil;a, mostrando, assim, uma perspectiva  coerente da vincula&ccedil;&atilde;o como sendo um processo din&acirc;mico ao longo  do desenvolvimento (Waters, Weinfield &amp; Hamilton, 2000). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">OBJECTIVOS </P>      <p>Este estudo tem como objectivo analisar a estabilidade da vincula&ccedil;&atilde;o,  centrando a sua an&aacute;lise nas representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o  das crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar. </P>     <p>Os modelos internos da crian&ccedil;a s&atilde;o constru&iacute;dos nas  interac&ccedil;&otilde;es com as figuras de vincula&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s  da qualidade do cuidado que estas figuras lhes providenciam e das interpreta&ccedil;&otilde;es  das experi&ecirc;ncias que oferecem no contexto da partilha de conversa com a crian&ccedil;a  (Oppenheim &amp; Waters, 1985). </P>     <p>A partir do momento em que a representa&ccedil;&atilde;o das figuras parentais  se torna predominantemente simb&oacute;lica nos processos de pensamento da crian&ccedil;a,  esta tem a capacidade de utilizar a rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o  como um modelo de funcionamento interno que serve de base para as restantes  interac&ccedil;&otilde;es. Assim, a crian&ccedil;a na idade do pr&eacute;-escolar,  torna-se sucessivamente capaz de contar com os modelos internos da rela&ccedil;&atilde;o  de vincula&ccedil;&atilde;o para se sentir segura, mesmo na aus&ecirc;ncia da figura  de vincula&ccedil;&atilde;o (Bretherton &amp; Munholland, 1999). </P>     <p>Para alguns autores (Bowlby, 1980; Stern, 1985) existe uma rela&ccedil;&atilde;o  entre a linguagem e os modelos internos, na medida em que a crian&ccedil;a pode  atrav&eacute;s da linguagem contar como constr&oacute;i acontecimentos espec&iacute;ficos  interpessoais. Assim, a linguagem das crian&ccedil;as pode ser considerada um meio  para aceder aos modelos internos (Bretherton, 1987). </P>     <p>Neste sentido, Miljkovitch <I>et al. </I>(2004) sugerem que as estrat&eacute;gias  representacionais podem ser acedidas atrav&eacute;s da finaliza&ccedil;&atilde;o de  narrativas. De acordo com Oppenheim e Waters (1995), &eacute; esperado que o conte&uacute;do  das narrativas das crian&ccedil;as revele o conte&uacute;do dos seus modelos internos. </P>     <p>Main, Kaplan e Cassidy (1985) foram as primeiras autoras a demonstrar uma  rela&ccedil;&atilde;o entre a vincula&ccedil;&atilde;o, a um n&iacute;vel comportamental  na inf&acirc;ncia, e a qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da  representa&ccedil;&atilde;o e da linguagem dessas mesmas crian&ccedil;as aos seis anos de idade. </P>     <p>De acordo com a teoria da vincula&ccedil;&atilde;o, a qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o  tende a estabilizar e consolidar pelo menos durante os primeiros seis anos de vida,  sendo que os modelos internos apresentam alguma &ldquo;resist&ecirc;ncia &agrave;  mudan&ccedil;a&rdquo; (Bretherton &amp; Munholland, 1999). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o o que foi referido anterior-mente, espera-se que  na idade do pr&eacute;-escolar se verifique uma estabilidade entre a qualidade da  rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o, acedida atrav&eacute;s de um  m&eacute;todo de observa&ccedil;&atilde;o de comportamentos, e os modelos internos  avaliados com base num m&eacute;todo de finaliza&ccedil;&atilde;o de narrativas. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </P>      <p><I>Participantes </I></P>      <p>Neste estudo participaram fam&iacute;lias provenientes de Portugal e dos  Estados Unidos da Am&eacute;rica, pelo que, seguidamente, se far&aacute; a  caracteriza&ccedil;&atilde;o separada de cada grupo de participantes. </P>      <p><I>Participantes Portugueses </I></P>      <p>Os participantes s&atilde;o 25 d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a. &Agrave;  data das observa&ccedil;&otilde;es do AQS, as crian&ccedil;as tinham idades  compreendidas entre os 28 e os 44 meses (<I>M</I>=33.16, <I>DP</I>=3.74), sendo  15 do sexo feminino e 10 do sexo masculino. A m&eacute;dia de idades das m&atilde;es  era de 36 anos (<I>DP</I>=4.11). Relativamente &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es  liter&aacute;rias maternas, 56% das m&atilde;es eram licenciadas (8% obtiveram  uma p&oacute;s-gradu&ccedil;&atilde;o, seja ela, mestrado ou doutoramento), 32%  completaram o ensino secund&aacute;rio e 12% tem o ensino secund&aacute;rio incompleto.  Destas, 21 trabalham a tempo inteiro. As fam&iacute;lias pertencem a um n&iacute;vel  socio-econ&oacute;mico m&eacute;dio/m&eacute;dio alto, tendo sido recrutadas  atrav&eacute;s das Creches/Jardins-de-Inf&acirc;ncia que as crian&ccedil;as frequentam. </P>      <p><I>Participantes Americanos </I></P>      <p>Os participantes s&atilde;o 47 d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a.  As observa&ccedil;&otilde;es do AQS foram realizadas antes das crian&ccedil;as  atingirem os 42 meses de idade (<I>M</I>=35.2, <I>DP</I>=4.03), sendo 22 do sexo  feminino e 25 do sexo masculino. A m&eacute;dia de idades das m&atilde;es  era de 35.6 anos (<I>DP</I>=4.4). Relativamente &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es  liter&aacute;rias maternas, mais de 85% das m&atilde;es eram licenciadas (mais de  50% obtiveram um grau pro-fissional ou uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o) e  todas, excepto uma, mencionaram ter frequentado a escola secund&aacute;ria ou  obtido algum treino profissional p&oacute;s-secund&aacute;rio. Todas as m&atilde;es  estavam empregadas ou a frequentar ensino escolar vinte horas por semana.  As fam&iacute;lias pertencem a um n&iacute;vel socio-econ&oacute;mico m&eacute;dio,  tendo sido recrutadas atrav&eacute;s de dois centros infantis pertencentes a  uma &aacute;rea metropolitana de um estado no sudoeste dos EUA. </P>     <p>Ambas as fam&iacute;lias participantes, portuguesas e americanas,  participam num projecto longitudinal que analisa o desenvolvimento s&oacute;cio-emocional  de crian&ccedil;as entre os dois anos e meio e os cinco anos. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Instrumentos </I></P>      <P><I>Attachment Behaviour Q-Set (AQS) &ndash; vers&atilde;o 3.0 de Waters  (1995) </I>O <I>AQS </I>avalia a organiza&ccedil;&atilde;o do comportamento  de base segura da crian&ccedil;a, definido como a organiza&ccedil;&atilde;o  harmoniosa e o equil&iacute;brio adequado entre a procura de proximidade e a  explora&ccedil;&atilde;o do meio (Posada, Goa, Wu, Posada, Tascon, Schoelmerich,  Sagi, Kondo-Ikemura, Haaland, &amp; Synnevaag, 1995), face &agrave; m&atilde;e  ou a outras figuras, em contexto ecologicamente v&aacute;lido. Este &eacute;  um instrumento de classifica&ccedil;&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o  sistem&aacute;tica, baseada na metodologia do <I>Q-Sort</I>, sendo preenchido  atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o de itens a categorias, utilizando  uma distribui&ccedil;&atilde;o fixa. A validade do <I>AQS</I>, realizado  por observadores, foi claramente confirmada na meta-an&aacute;lise de  van IJzendoorn, Vereijken, Bakermans-Kranenburg e Riksen-Walraven (2004),  assim como, em amostras portuguesas com crian&ccedil;as, em idade pr&eacute;-escolar  (e.g. Ver&iacute;ssimo, Monteiro, Vaughn, Santos, &amp; Waters, 2005; Ver&iacute;ssimo,  Monteiro, &amp; Santos, 2006). </P>      <p><I>Attachment Story Completion Task (Bretherton &amp; Ridgeway, 1990) </I></P>      <p>Este instrumento &eacute; constitu&iacute;do por cinco hist&oacute;rias  pass&iacute;veis de serem finalizadas pelas crian&ccedil;as, recorrendo-se a  pequenas figuras de elementos de uma fam&iacute;lia tradicional e outros adere&ccedil;os  simples. Cada hist&oacute;ria est&aacute; formulada de forma a desencadear respostas  correspondentes a uma quest&atilde;o particular da vincula&ccedil;&atilde;o  (Bretherton &amp; Ridgeway, 1990). </P>     <p>As quest&otilde;es levantadas nas hist&oacute;rias incompletas e iniciadas  pelo experimentador, s&atilde;o (1) a figura de vincula&ccedil;&atilde;o num  papel autorit&aacute;rio (a hist&oacute;ria do sumo entornado), (2) a dor como  um desencadeador de comportamentos de vincula&ccedil;&atilde;o e protec&ccedil;&atilde;o  (a hist&oacute;ria do joelho magoado), (3) o medo como um desencadeador de  comportamentos de vincula&ccedil;&atilde;o e protec&ccedil;&atilde;o (a hist&oacute;ria  do monstro no quarto), (4) a ansiedade de separa&ccedil;&atilde;o e <I>coping </I> (a hist&oacute;ria da partida) e (5) as respostas ao regresso dos pais (a hist&oacute;ria  do reencontro) (Bretherton &amp; Ridgeway, 1990). </P>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o da tarefa de avalia&ccedil;&atilde;o das  representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o utilizadas  figuras representativas de uma fam&iacute;lia com pai, m&atilde;e, vizinha e  duas crian&ccedil;as, um menino maior e um mais pequeno ou uma menina maior e  outra menina mais pequena, utilizados de acordo com o g&eacute;nero da  crian&ccedil;a (Bretherton &amp; Ridgeway, 1990). </P>     <p>S&atilde;o tamb&eacute;m utilizados: uma mesa e quatro cadeiras; um bolo de  anivers&aacute;rio; um conjunto de pequenos pratos e copos; uma pe&ccedil;a de  feltro verde para representar a relva (22,5cm x 22,5cm aprox.); uma pequena  esponja artificial cinzenta ou bege, cortada de forma a parecer-se com uma rocha;  camas e cobertores e um autom&oacute;vel. Todos os objectos t&ecirc;m tamanhos  proporcionais e adequados &agrave;s figuras (Bretherton &amp; Ridgeway, 1990). </P>      <p><I>Procedimento </I></P>      <p><I>Observa&ccedil;&otilde;es do AQS </I></P>      <p>As visitas domicili&aacute;rias, de cerca de duas a tr&ecirc;s horas,  foram combinadas com a m&atilde;e, de modo a observar as interac&ccedil;&otilde;es  crian&ccedil;a-m&atilde;e. Cerca de 82% das observa&ccedil;&otilde;es ocorreram  durante a semana, ap&oacute;s as m&atilde;es terem ido buscar as crian&ccedil;as  &agrave; escola, tendo as restantes sido efectuadas no fim-de-semana. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi dito &agrave;s m&atilde;es que o objectivo da visita era conhecer a  crian&ccedil;a e a m&atilde;e nas suas rotinas e experi&ecirc;ncias di&aacute;rias,  pelo que lhes foi pedido que mantivessem as suas actividades do dia-a-dia inalteradas.  As observa&ccedil;&otilde;es foram realizadas por duas equipas de observadores  independentes que se comportaram como se de visitas sociais a casa se tratassem,  procurando n&atilde;o interferir nas interac&ccedil;&otilde;es em curso, mas  participando nas brincadeiras da crian&ccedil;a quando solicitados e conversando  informal-mente com a m&atilde;e. Quando se tornava oportuno, e na sequ&ecirc;ncia  da conversa com a m&atilde;e, foram colocadas quest&otilde;es acerca de itens  que n&atilde;o se podem observar ou que n&atilde;o foram observados na visita. </P>     <p>No final, os observadores realizaram a distribui&ccedil;&atilde;o dos itens do  <I>AQS </I>relativos ao sujeito, de modo totalmente independente. Os 90 itens  foram distribu&iacute;dos por uma escala de nove pontos (10 itens em cada categoria),  em que os itens mais caracter&iacute;sticos da crian&ccedil;a s&atilde;o colocados  nas categorias mais elevadas (9&ndash;7) e os itens menos caracter&iacute;sticos,  ou os que n&atilde;o s&atilde;o como a crian&ccedil;a observada s&atilde;o colocados  nas categorias inferiores (3&ndash;1). Os itens que n&atilde;o s&atilde;o, nem  caracter&iacute;sticos, nem incaracter&iacute;sticos e/ou os itens que n&atilde;o  foram observados s&atilde;o colocados no centro da distribui&ccedil;&atilde;o (6&ndash;4).  O perfil do sujeito observado &eacute;, ent&atilde;o, correlacionado com o crit&eacute;rio  de seguran&ccedil;a (Waters, 1995), obtendo-se um valor que reflecte o lugar ocupado  pela crian&ccedil;a num cont&iacute;nuo de seguran&ccedil;a (ver Monteiro, Ver&iacute;ssimo,  Vaughn, Santos, &amp; Fernandes, 2005), aceite, para uma descri&ccedil;&atilde;o  mais pormenorizada do procedimento). A m&eacute;dia das correla&ccedil;&otilde;es  inter-observadores, na equipa portuguesa foi de .72. O <I>Q-Sort </I>de cada crian&ccedil;a  &eacute; o comp&oacute;sito (m&eacute;dia) das duas descri&ccedil;&otilde;es-q  realizadas pelos observadores. Na equipa americana, a maior parte das visitas (n=38),  foi realizada apenas por um observador; contudo, antes das observa&ccedil;&otilde;es  foi feito um acordo inter-observadores, em que as correla&ccedil;&otilde;es variaram  entre .70 e .80 para todo o <I>sort</I>. Quando as visitas foram realizadas por dois  observadores os itens foram ordenados por consenso. </P>      <p><I>Recolha das Narrativas </I></P>      <p>O instrumento foi aplicado numa sala dispon&iacute;vel do Jardim-de-inf&acirc;ncia,  com a crian&ccedil;a e o experimentador sentados frente a frente. As crian&ccedil;as  foram filmadas enquanto completavam as hist&oacute;rias iniciadas pelo experimentador,  para que os seus comportamentos verbais e n&atilde;o verbais pudessem ser posteriormente  analisados. </P>     <p>Os adere&ccedil;os foram colocados de acordo com o procedimento original,  nomeando cada um deles (excepto os bonecos identificados no in&iacute;cio).  Depois de cada hist&oacute;ria, foi pedido &agrave; crian&ccedil;a para colocar  as figuras da fam&iacute;lia e os adere&ccedil;os num dos lados da mesa, dizendo:  &ldquo;Podes prepar&aacute;-los para a pr&oacute;xima hist&oacute;ria?&rdquo;.  Para iniciar a hist&oacute;ria seguinte, o experimentador disse algo como: &ldquo;Tenho  uma ideia para uma hist&oacute;ria diferente?&rdquo; ou &ldquo;Est&aacute;s pronto  para uma hist&oacute;ria diferente?&rdquo;. </P>     <p>Em cada hist&oacute;ria, o experimentador questionou a crian&ccedil;a acerca  do tema em quest&atilde;o, se a crian&ccedil;a n&atilde;o o fez espontaneamente:  &ldquo;O que fizeram acerca do sumo entornado?&rdquo; ou &ldquo;O que fizeram  com o monstro?&rdquo;. Quando a crian&ccedil;a se limitou a dar uma resposta,  o experimentador perguntou: &ldquo;Mais alguma coisa?&rdquo;, &ldquo;O que  mais?&rdquo;, &ldquo;E depois?&rdquo;. Se a crian&ccedil;a agiu com as figuras  em ac&ccedil;&otilde;es amb&iacute;guas, perguntou: &ldquo;O que est&atilde;o a  fazer?&rdquo; e se a crian&ccedil;a usou um pronome amb&iacute;guo enquanto fala  acerca das figuras, o experimentador perguntou: &ldquo;Quem estava a fazer  isso?&rdquo;. O experimentador, tamb&eacute;m, pode repetir a frase da crian&ccedil;a  em forma de pergunta, para verificar o que a crian&ccedil;a disse (&ldquo;A m&atilde;e  entornou o sumo? E depois?&rdquo;). Se a crian&ccedil;a perguntou pela vizinha,  o experimentador respondeu: &ldquo;A vizinha n&atilde;o entra nesta hist&oacute;ria,  vamos busc&aacute;-la para outra hist&oacute;ria mais tarde&rdquo;. Notar que as  quest&otilde;es foram formuladas de forma a n&atilde;o sugerir ideias precisas &agrave;  crian&ccedil;a. A &uacute;nica excep&ccedil;&atilde;o &eacute; a quest&atilde;o sobre  o tema se a crian&ccedil;a n&atilde;o o fizer. </P>     <p>A cota&ccedil;&atilde;o das narrativas dos sujeitos foi realizada por dois  investigadores estranhos &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da recolha dos dados,  quer no <I>Attachment Story Completion Task</I>, quer no <I>Attachment Behavior Q-Set</I>. </P>     <p>Cada uma das cinco hist&oacute;rias foi cotada ao n&iacute;vel da Seguran&ccedil;a  e Coer&ecirc;ncia, numa escala de oito pontos (Heller, 2000). &Eacute; de notar  que estes crit&eacute;rios se afastam do m&eacute;todo de cota&ccedil;&atilde;o  originariamente proposto por Bretherton, Ridgeway e Cassidy (1990), de avalia&ccedil;&atilde;o  categorial das narrativas em seguras, inseguras ambivalentes/evitantes e desorganizadas.  Esta op&ccedil;&atilde;o por uma avalia&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es  de vincula&ccedil;&atilde;o num cont&iacute;nuo, privilegiando a extens&atilde;o em  que est&atilde;o presentes elementos de seguran&ccedil;a, em detrimento de uma  classifica&ccedil;&atilde;o categorial que pode ser redutora (Oppenheim, 1997), parece-nos  desej&aacute;vel, estando em acordo com as actuais tend&ecirc;ncias de investiga&ccedil;&atilde;o  na &aacute;rea (por exemplo, na an&aacute;lise de narrativas de adultos (Waters &amp;  Rodrigues-Doolabh, 2004) e em observa&ccedil;&otilde;es com o <I>Attachment Q-Set </I> (Waters, 1995). </P>     <p>No crit&eacute;rio da Coer&ecirc;ncia uma pontua&ccedil;&atilde;o acima de 6 &eacute;  dada quando a hist&oacute;ria &eacute; completada de forma consistente e unificada,  com poucas hesita&ccedil;&otilde;es e sem desvios inapropriados. Em contraste, as  hist&oacute;rias com pontua&ccedil;&otilde;es iguais ou menores que 4 n&atilde;o  s&atilde;o, geralmente, resolvidas e/ou apresentam desvios negativos, agressivos,  ou bizarros, sendo desconexas e il&oacute;gicas. </P>     <p>A Seguran&ccedil;a &eacute; um crit&eacute;rio mais lato que inclui, n&atilde;o  apenas a Coer&ecirc;ncia e a Resolu&ccedil;&atilde;o dada (extens&atilde;o em que  cada problema &eacute; reconhecido e resolvido de forma bem sucedida), mas  tamb&eacute;m uma avalia&ccedil;&atilde;o global do Comportamento n&atilde;o-verbal,  Representa&ccedil;&atilde;o parental, Investimento na tarefa, Flu&ecirc;ncia,  Emo&ccedil;&atilde;o geral expressa, Conhecimento emocional e qualidade da  Interac&ccedil;&atilde;o com o entrevistador. &Eacute; tamb&eacute;m avaliada ao  longo de uma escala de 8 pontos, que varia de <I>Desorganizado </I>(1) a <I>Muito Seguro </I> (8), onde est&atilde;o contidos os cambiantes dos comportamentos de evitamento  e de ambival&ecirc;ncia (distin&ccedil;&atilde;o n&atilde;o considerada no presente estudo). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A m&eacute;dia das correla&ccedil;&otilde;es inter-observadores, na equipa portuguesa,  para o valor de Seguran&ccedil;a foi de .85 e para o valor de Coer&ecirc;ncia foi de .81;  na equipa americana .72 para o valor de Seguran&ccedil;a e .71 para o valor de Coer&ecirc;ncia. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESULTADOS </P>      <p>H&aacute; a salientar que, apesar dos participantes pertencerem a dois grupos  s&oacute;cio-culturais diferentes, a m&eacute;dia dos resultados nas vari&aacute;veis  em estudo &eacute; semelhante, pelo que os resultados ser&atilde;o apresentados  de uma forma global. </P>      <p><I>Qualidade da Vincula&ccedil;&atilde;o da Crian&ccedil;a </I></P>      <p>Tendo como refer&ecirc;ncia o valor do crit&eacute;rio de seguran&ccedil;a  (Waters, 1995), definido por um conjunto de peritos relativamente a uma  crian&ccedil;a ideal; correlacionou-se a informa&ccedil;&atilde;o obtida  atrav&eacute;s do <I>Q-Sort</I>, com os valores dos crit&eacute;rios da  crian&ccedil;a ideal, tendo como objectivo obter o resultado para cada uma  das crian&ccedil;as no constructo em causa. </P>     <p>Neste estudo, a m&eacute;dia do valor de Seguran&ccedil;a para os  participantes portugueses &eacute; de 0.42 e para os participantes americanos  &eacute; de 0.37. Uma an&aacute;lise de vari&acirc;ncia revelou que n&atilde;o  existem diferen&ccedil;as significativas nos valores de Seguran&ccedil;a para  ambas as fam&iacute;lias participantes (F(71,1)=3.1; p&gt;.05). </P>      <p><I>Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia das Narrativas </I></P>      <p>Os valores da Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia representam as respostas  das crian&ccedil;as correspondentes a quest&otilde;es particulares da  vincula&ccedil;&atilde;o, desencadeadas pela apresenta&ccedil;&atilde;o  das narrativas. </P>     <p>De forma a compreendermos como se correlacionam as diferentes hist&oacute;rias,  realizou-se uma correla&ccedil;&atilde;o que nos permitiu relacionar os valores  de Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia de cada hist&oacute;ria entre si.  Da an&aacute;lise realizada, foram encontradas correla&ccedil;&otilde;es  positivas e significativas entre todas as hist&oacute;rias para os dois valores.  Relativamente &agrave; Seguran&ccedil;a, para os participantes portugueses, os  valores variam entre 0.74 e 0.84; para os participantes americanos os valores  variam entre 0.78 e 0.89. No que diz respeito &agrave; Coer&ecirc;ncia, os valores,  para os participantes portugueses, variam entre 0.71 e 0.86 e para os  participantes americanos variam entre 0.79 e 0.88. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De seguida, calculou-se a m&eacute;dia de todas as hist&oacute;rias para  o respectivo valor da Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia com vista &agrave;  obten&ccedil;&atilde;o do valor geral para cada um destes e posteriormente,  efectuou-se uma Correla&ccedil;&atilde;o de <I>Pearson </I>com o objectivo de  os relacionar entre si. Desta an&aacute;lise, verificou-se a exist&ecirc;ncia  de uma correla&ccedil;&atilde;o positiva e significativa entre o valor da  Seguran&ccedil;a e o valor da Coer&ecirc;ncia (r=0.94, p&lt;.01). </P>      <p><I>An&aacute;lise entre a Qualidade da Vincula&ccedil;&atilde;o da  Crian&ccedil;a e a Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia das Narrativas </I></P>      <p>Com o objectivo de analisar as correla&ccedil;&otilde;es entre a dimens&atilde;o    Seguran&ccedil;a, obtida pelo <I>Attachment Behaviour Q-Set </I>(Waters, 1995)    e os valores de Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia das hist&oacute;rias recolhidas    pelo <I>Attachment Story Completion Task </I>(Bretherton &amp; Ridgeway, 1990)    recorreu-se ao Coeficiente de Correla&ccedil;&atilde;o de <I>Pearson</I>. Os    resultados s&atilde;o apresentados na <a href="#t1">Tabela 1</a><a name="topt1"></a>.  </P>     <p>Como se pode observar na <a href="#t1">Tabela 1</a>, foram encontradas correla&ccedil;&otilde;es    positivas e significativas entre a dimens&atilde;o Seguran&ccedil;a do AQS e    a Coer&ecirc;ncia das hist&oacute;rias (r=0.40, p&lt;.01) e o mesmo aconteceu    para a Seguran&ccedil;a das hist&oacute;rias (r=0.40, p&lt;.01). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER"><a href="#topt1">TABELA 1</a><a name="t1"></a></P>      <p align="CENTER"><I>Correla&ccedil;&otilde;es entre a dimens&atilde;o Seguran&ccedil;a  do </I>AQS <I> e os valores de Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia das Hist&oacute;rias  </I></P>     <div align="center">   <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>       <td>    <div align="CENTER"></div></td>       <td>    <div align="CENTER"><b>Coer&ecirc;ncia</b></div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="CENTER"><b>Seguran&ccedil;a</b></div></td>     </tr>     <tr>       <td>    <div align="CENTER">Seguran&ccedil;a <i>AQS</i> </div></td>       <td>    <div align="CENTER">0.40*</div></td>       <td>    <div align="CENTER">0.41*</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p align="center"><i>Legenda</i>: * p<.01</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </P>      <p>Na teoria de vincula&ccedil;&atilde;o de Bowlby e Ainsworth o fen&oacute;meno  de base segura, ou seja, o funcionamento do sistema de controlo da vincula&ccedil;&atilde;o  ao longo do tempo, &eacute; o aspecto central (Waters &amp; Cummings, 2000).  Uma crian&ccedil;a vinculada a um adulto, organiza o seu comportamento  de vincula&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o e no tempo em redor desse adulto,  usando-o como base segura para explorar o meio e como porto de abrigo para onde  pode sempre regressar em situa&ccedil;&otilde;es de <I>stress</I>. </P>     <p>Os resultados obtidos revelam que as crian&ccedil;as, independentemente do  pa&iacute;s de origem, neste caso Portugal ou EUA, utilizam a m&atilde;e como  base segura, o que confirma a no&ccedil;&atilde;o de que este fen&oacute;meno  est&aacute; presente em crian&ccedil;as provenientes de diferentes grupos culturais  (Posada, Goa <I>et al.</I>, 1995). O valor m&eacute;dio de seguran&ccedil;a, para  ambas as fam&iacute;lias participantes, encontra-se dentro dos valores m&eacute;dios  dos estudos apresentados na meta-an&aacute;lise de van IJzendoorn <I>et al. </I>(2004). </P>     <p>Durante os primeiros anos de vida, a qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o  depende dos sinais externos como sejam a proximidade, disponibilidade e  responsividade da figura de vincula&ccedil;&atilde;o. &Agrave; medida que as  interac&ccedil;&otilde;es se repetem a crian&ccedil;a desenvolve os modelos  internos, ou seja, as representa&ccedil;&otilde;es para essas mesmas  interac&ccedil;&otilde;es, o que vai possibilitar a regula&ccedil;&atilde;o ao  n&iacute;vel interno do sistema (Bretherton, 1987; Bretherton &amp; Munholland,  1999; Collins &amp; Read, 1994). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Bretherton (1987), a linguagem das crian&ccedil;as pode ser  considerada um meio para aceder aos modelos internos do <I>self </I>e da figura  de vincula&ccedil;&atilde;o e, como tal, na encena&ccedil;&atilde;o das  separa&ccedil;&otilde;es e reuni&otilde;es com os brinquedos, as crian&ccedil;as  est&atilde;o, provavelmente, a activar os seus modelos internos. Deste modo, no  presente estudo, foi utilizado o <I>Attachment Story Completion Task </I> (Bretherton &amp; Ridgeway, 1990) para aceder aos modelos internos das crian&ccedil;as  em idade pr&eacute;-escolar. </P>      <p>De acordo com os resultados obtidos, as cinco hist&oacute;rias do  <I>Attachment Story Completion Task </I>(Bretherton &amp; Ridgeway, 1990)  relacionam-se positiva e significativamente entre si, relativamente aos  valores de Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia, o que significa que este instrumento & eacute; v&aacute;lido e apropriado para a avalia&ccedil;&atilde;o da  vincula&ccedil;&atilde;o na referida amostra. </P>     <p>A correla&ccedil;&atilde;o positiva e significativa encontrada entre o  valor de Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia das hist&oacute;rias indica que  as hist&oacute;rias cotadas como seguras apresentavam na sua maioria coer&ecirc;ncia. </P>     <p>Os resultados v&atilde;o no sentido de uma associa&ccedil;&atilde;o entre  a seguran&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-crian&ccedil;a e a  coer&ecirc;ncia como a crian&ccedil;a estrutura a sua hist&oacute;ria. Assim,  crian&ccedil;as com uma rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o mais  segura tendem a contar hist&oacute;rias mais coerentes. Como Waters, Rodrigues  e Ridgeway (1998) defendem, as experi&ecirc;ncias de vincula&ccedil;&atilde;o  s&atilde;o representadas sob a forma de uma estrutura de <I>script </I>causal-temporal  em torno das componentes do fen&oacute;meno de base segura. </P>     <p>Analisou-se a estabilidade da vincula&ccedil;&atilde;o com base na qualidade  da rela&ccedil;&atilde;o m&atilde;e-crian&ccedil;a e nas representa&ccedil;&otilde;es  de vincula&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar, uma vez  que estudos anteriores indicam que a estabilidade da vincula&ccedil;&atilde;o varia  consoante as experi&ecirc;ncias vividas pelos sujeitos com a figura de vincula&ccedil;&atilde;o  (<I>e.g.</I>, Weinfield, Sroufe &amp; Egeland, 2000; Waters, Weinfield &amp; Hamilton, 2000).  Neste estudo, com base nas correla&ccedil;&otilde;es efectuadas, verificou-se a  exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o positiva e significativa entre a  dimens&atilde;o Seguran&ccedil;a do AQS e o valor de Seguran&ccedil;a do ASCT. </P>     <p>Deste modo, as crian&ccedil;as que foram avaliadas com uma rela&ccedil;&atilde;o  de vincula&ccedil;&atilde;o segura desenvolveram, provavelmente, modelos internos de  rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o seguras e foram capazes de utilizar  esses modelos na resolu&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es apresentadas nas  hist&oacute;rias. No final das hist&oacute;rias narradas por estas crian&ccedil;as,  surgem adultos de confian&ccedil;a e protectores, que respondem de modo eficaz,  fornecendo ajuda, protec&ccedil;&atilde;o e cuidados de acordo com as necessidades.  As crian&ccedil;as seguras associam este adulto ao eliminar do perigo, da dor ou da  ansiedade; nas hist&oacute;rias que envolvem a separa&ccedil;&atilde;o e reuni&atilde;o,  os pais s&atilde;o bem recebidos, os elementos da fam&iacute;lia est&atilde;o finalmente  em seguran&ccedil;a e unidos; e o final das hist&oacute;rias &eacute; claro.  Por outro lado, as hist&oacute;rias desorganizadas s&atilde;o caracteristicamente  ca&oacute;ticas e frequentemente bizarras. Tendem a incluir ac&ccedil;&otilde;es  violentas com ferimentos, doen&ccedil;as ou morte dos personagens, e no final  da hist&oacute;ria as situa&ccedil;&otilde;es perigosas ficam por resolver. O  evitamento da necessidade de protec&ccedil;&atilde;o, conforto e de  vincula&ccedil;&atilde;o &eacute; caracter&iacute;stico do final das hist&oacute;rias  evitantes. As repostas podem ser obtidas atrav&eacute;s de uma estrat&eacute;gia  de minimiza&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es relevantes na  vincula&ccedil;&atilde;o, e pelo recurso a hist&oacute;rias estereotipadas, com  <I>scripts </I>de situa&ccedil;&otilde;es do quotidiano como sejam o comer e o dormir,  com a nega&ccedil;&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es, e com o negligenciar ou o  ignorar a reuni&atilde;o, enfatizando-se que tudo est&aacute; perfeito. Ainda,  as hist&oacute;rias ambivalentes terminam frequentemente com a preval&ecirc;ncia de  emo&ccedil;&otilde;es negativas &ndash; momentos de raiva, altos n&iacute;veis de  vulnerabilidade dos personagens, sem uma resolu&ccedil;&atilde;o clara dos  t&oacute;picos referentes &agrave; vincula&ccedil;&atilde;o, sendo hist&oacute;rias  longas e confusas. Assim, as narrativas das crian&ccedil;as no  <I>Attachment Story Completion Task </I>parecem restabelecer o que estas  experienciam com as suas figuras parentais na rela&ccedil;&atilde;o de  vincula&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>A qualidade da rela&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com a figura de  vincula&ccedil;&atilde;o &eacute; de extrema import&acirc;ncia no desenvolvimento  precoce dos modelos internos. &Eacute; atrav&eacute;s da qualidade do cuidado  que a figura de vincula&ccedil;&atilde;o providencia &agrave; crian&ccedil;a e,  tamb&eacute;m, das experi&ecirc;ncias que com ela partilha desde o nascimento,  que a crian&ccedil;a vai construindo as suas representa&ccedil;&otilde;es  mentais do mundo e de si nesse mundo. Contudo, h&aacute;, ainda, a salientar  que, tal como o nome indica, os modelos internos s&atilde;o din&acirc;micos e  portanto, abertos &agrave; mudan&ccedil;a. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      <p>Ainsworth, M. D. S., Blehar, M. C., Waters, E., &amp; Wall, S. (1978).  <I>Patterns of attachment: A psychological study of the SS</I>. Hillsdale, NJ:  Lawrence Erlbaum Associates. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bowlby, J. (1973). <I>Attachment and Loss: Separation, anxiety, and  anger </I>(Vol. 2). New York: Basic Books.</P>       <P>Bowlby, J. (1980). <I>Attachment and Loss: Loss </I>(Vol. 3). New York: Basic Books.</P>       <P>Bowlby, J. (1988). <I>A secure base. Parent-child attachment and healthy  development</I>. New York: Basic Books.</P>       <P>Bowlby, J. (1990). <I>Apego e perda: Apego </I>(Vol. 1). S&atilde;o  Paulo: Ed. Martins Fontes. </P>      <p>Bretherton, I. (1985). Attachment theory: Retrospect and prospect. In I.  Bretherton &amp; E. Waters (Eds.), <I>Growing points of attachment theory and  research: Monographs of the Society for Research in the Child Development</I>,  50, 3-35. </P>      <p>Bretherton, I. (1987). New perspectives on attachment relations: Security,  communication and internal working models. In J. D. Osofky (Ed.), <I>Handbook  of infant development </I>(2nd ed., pp. 1061-1100). New York: Wiley. </P>      <p>Bretherton, I. (1991). Pouring new nine into old bottles: The social self  as internal working model. In M. Gunnar &amp; L. A. Sroufe (Eds.),  <I>Minnesota Symposia on Child Psychology: Self-processes in development  </I>(Vol. 23, pp. 1-41). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. </P>      <p>Bretherton, I. (1993). From dialogue to internal working models: The co-construction  of self in relationships. In C. A. Nelson (Ed.), <I>Minnesota Symposia for Child  Development: Memory and affect in development </I>(Vol. 26, pp. 237-263). Hillsdale,  NJ: Erlbaum. </P>      <p>Bretherton, I., &amp; Munholland, K. A. (1999). Internal working models in  attachment relationships: A construct revisited. In J. Cassidy, &amp; P. R. Shaver  (Eds.), <I>Handbook of attachment: Theory, research, and clinical applications </I> (pp. 89-111). New York: Guilford Press. </P>      <p>Bretherton, I., &amp; Ridgeway, D. (1990). Appendix: Story completion  tasks to assess young children&rsquo;s internal working models of child and  parents in the attachment relationship. In M. T. Greenberg, D. Cicchetti, &amp;  E. M. Cummings (Eds.), <I>Attachment in the preschool years </I>(pp. 300-305).  Chicago: The University of Chicago Press. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bretherton, I., Ridgeway, D., &amp; Cassidy, J. (1990). Assessing internal working  models of the attachment relationship: An attachment story completion task for 3-yearolds.  In M. T. Greenberg, D. Cicchetti, &amp; E. M. Cummings (Eds.), <I>Attachment in  the preschool years </I>(pp. 273-308). Chicago: The University of Chicago Press. </P>      <p>Collins, N. L., &amp; Read, S. J. (1994). Cognitive representations of attachment:  The structure and function of working models. In K. Bartholomew, &amp; D.  Pearlman (Eds.), <I>Attachment processes in adulthood: Advances in personal  relationships </I>(pp. 53-90). London: Jessica Kingsley Publishers. </P>      <p>Crittenden, P. M. (1990). Internal representational models of attachment  relationships. <I>Infant Mental Health Journal, 11</I>, 259-277. </P>     <p>Hamilton, C. E. (2000). Continuity and discontinuity of attachment from  infancy through adolescence. <I>Child Development, 71</I>, 690-694. </P>      <p>Heller, C. (2000). <I>Narrative Coding Manual: Attachment ratings and  classifications</I>. Unpublished Manuscript. </P>      <p>Howes, C. (1999). Attachment relationships in the context of multiple  caregivers. In J. Cassidy, &amp; P. R. Shaver (Eds.), <I>Handbook of attachment  theory. Research and clinical applications </I>(pp. 671-685). New York:  The Guilford Press. </P>      <p>Klagsbrun, M., &amp; Bowlby, J. (1976). Responses to separation from  parents: A clinical test for young children. <I>British Journal of Projective  Psychology, 21</I>, 7-21. </P>      <p>Main, M. (1991). Metacognitive knowledge, metacognitive monitoring,  and singular (coherent) vs. multiple (incoherent) models of attachment:  Findings and directions for future research. In C. M. Parkes, J. Stevenson-Hinde,  &amp; P. Maris (Eds.), <I>Attachment across the life cycle </I>(pp. 127-159).  London: Routledge. </P>      <p>Main, M., Kaplan, N., &amp; Cassidy, J. (1985). Security in infancy,  childhood and adulthood: A move to the level of representation. In I. Bretherton,  &amp; E. Waters (Eds.), <I>Growing points of attachment theory and research:  Monographs of the Society for the Research in the Child Development</I>,  50, 66-104. </P>      <p>Marvin, R. S., &amp; Britner, P. A. (1999). Normative development:  The ontogeny of attachment. In J. Cassidy, &amp; P. R. Shaver (Eds.),  <I>Handbook of attachment theory: Research and clinical applications </I> (pp. 44-67). New York: The Guilford Press. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Miljkovitch, R., Pierrehumbert, B., Bretherton, I., &amp; Halfon, O.  (2004). Associations between parental and child attachment representations.  <I>Attachment &amp; Human Development, 6</I>, 305-325. </P>      <p>Monteiro, L., Ver&iacute;ssimo, M., Silva, F., &amp; Fernandes, M. (2005).  <I>A comparison of quality of child attachment to mothers and fathers</I>.  Poster apresentado na SRCD Biennial Meeting, Atlanta, EUA. </P>      <!-- ref --><p>Monteiro, L., Ver&iacute;ssimo, M., Vaughn, B., Santos, A. J., &amp;  Fernandes, M. (no prelo). An&aacute;lise do fen&oacute;meno de base segura  em contexto familiar: as rela&ccedil;&otilde;es Crian&ccedil;a/ M&atilde;e e  Crian&ccedil;a/pai. <I>Psicologia</I>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-8231200800030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Nelson, K. (1986). <I>Event knowledge: Structure and function in  development</I>. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. </P>      <p>Nelson, K. (1996). <I>Language in cognitive development: The emergence  of the mediated mind</I>. Cambridge: Cambridge University Press. </P>      <p>Oppenheim, D., &amp; Waters, H. S. (1995). Narrative processes and attachment  representations: Issues of development an assessment. In E. Waters, B. E.  Vaughn, G. Posada, &amp; K. Kondo-Ikemura (Eds.), Caregiving, cultural,  and cognitive perspectives on secure-base behaviour and working models: New  growing points of attachment theory and research. <I>Monographs of Society  for Research in Child Development, 60</I>, 197-215. </P>      <p>Posada, G., Goa, Y., Wu, F., Posada, R., Tascon, M., Schoelmerich, A.,  Sagi, A., Kondo-Ikemura, K., Haaland, W., &amp; Synnevaag, B. (1995).  The secure-base phenomenon across cultures: Children&rsquo;s behaviour,  mother&rsquo;s preferences and experts concepts. In E. Waters, B. E. Vaughn,  G. Posada, &amp; K. Kondo-Ikemura (Eds.), <I>Monographs of the Society  for Research in the Child Development, 60</I>, 27-47. </P>      <p>Schank, R. C., &amp; Abelson, R. P. (1977). <I>Scripts, plans, goals  and understanding</I>. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. </P>      <p>Solomon, J., George, C., &amp; De Jong, A. (1995). Children as controlling  at age six: Evidence of disorganized representational strategies and aggression  at home and at school. <I>Development and Psychopathology, 7</I>, 447-463. </P>      <p>Sroufe, L. A., &amp; Fleeson, J. (1986). Attachment and the construction  of relationships. In W. Hartrup, &amp; Z. Rubin (Eds.), <I>Relationships  and development </I>(pp. 51-71). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Steele, M., Hodges, J., Kaniuk, J., Hillman, S., &amp; Henderson, K. (2003).  Attachment representations and adoption: Associations between maternal states  of mind and emotional narratives in previously maltreated children. <I>Journal  of Child Psychotherapy, 29</I>, 187-205. </P>      <p>Stern, D. N. (1985). <I>The interpersonal world of the infant</I>. New York:  Basic Books. </P>      <p>van IJzendoorn, M. H., Vereijken C. M. J. L., Bakermans-Kranenburg, M. J., &amp;  Riksen-Walraven J. M. (2004). Assessing attachment security with attachment Q-Sort:  Meta-analytic evidence for the validity of the observer AQS. <I>Child Development,  75</I>, 1188-1213. </P>      <!-- ref --><p>Ver&iacute;ssimo, M., Monteiro, L., Vaughn, B. E., Santos, A. J., &amp; Waters, H.  (2005). Coordena&ccedil;&atilde;o entre o modelo interno din&acirc;mico da m&atilde;e  e o comportamento de base segura dos seus filhos. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica,  23</I>, 7-17. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0870-8231200800030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Ver&iacute;ssimo, M., Monteiro, L., &amp; Santos, A. J. (2006). Para al&eacute;m  da m&atilde;e: Vincula&ccedil;&atilde;o na tr&iacute;ade m&atilde;e-pai-crian&ccedil;a.  In J. C. Coelho Rosa, &amp; S. Sousa (Eds.), <I>Caderno do beb&eacute; </I>(pp. 73-85).  Lisboa: Fim de S&eacute;culo. </P>      <p>Waters, E. (1995). Appendix A. The Attachment Q-Set (version 3.0). In E. Waters,  B. E. Vaughn, G. Posada, &amp; K. Kondo-Ikemura (Eds.), <I>Monographs of the Society  for Research in the Child Development, 60</I>, 234-246. </P>      <p>Waters, E., &amp; Cummings, E. M. (2000). A secure base from which to explore  close relationships. <I>Child Development, 71</I>, 164-172. </P>      <p>Waters, E., Merrick, S., Treboux, D., Crowell, J., &amp; Albersheim, L. (2000).  Attachment stability in infancy and in early adulthood: A 20-years longitudinal study.  <I>Child Development, 71</I>, 684-689. </P>      <p>Waters, E., Weinfield, N. E., &amp; Hamilton, C. E. (2000). The stability of  attachment security from infancy to adolescence and early adulthood: General  discussion. <I>Child Development, 71</I>, 703-706. </P>      <p>Waters, H. S., Rodrigues, L. M., &amp; Ridgeway, D. (1998). Cognitive  underpinnings of narrative attachment assessment. <I>Journal of Experimental  Child Psychology, 71</I>, 211-234. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Weinfield, N. E., Sroufe, A., &amp; Egeland, B. (2000). The stability of  attachment security from infancy to early adulthood in a high-risk sample:  Continuity, discontinuity, and their correlates. <I>Child Development,  71</I>, 695-702. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Agradecimentos: Os autores gostariam  de agradecer a todas as m&atilde;es, pais e crian&ccedil;as que aceitaram participar  neste estudo, financiado em parte pela FCT (PTDC/PSI/66172/2006), e pela NSF (BCS-01-26163,  BCS-01-26427 e BCS-06-23019). Os autores gostariam ainda de agradecer a todos  os colegas da Linha 1, Psicologia do Desenvolvimento, da UIPCDE pelos seus valiosos  coment&aacute;rios. </P>     <p>Contactos: Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. E-mail: <a href="mailto:FMsilva@ispa.pt">FMsilva@ispa.pt</a>  </P>     <p>(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) UIPCDE, Instituto Superior Psicologia  Aplicada, Lisboa, Portugal. </P>     <p>(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Department of Human Development and  Family Studies, Auburn University, USA. </P>     <p>(<a href="#top4">****</a><a name="4"></a>) Human and Community Development,  University of Illinois at Urbana-Champaign, USA. </P>      ]]></body><back>
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