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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Qualidade da vinculação ao pai e à mãe e o desenvolvimento da amizade recíproca em crianças de idade pré-escolar]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Superior Psicologia Aplicada (ISPA) Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação (UIPCDE) ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Attachment research suggests that children with secure attachments are more able to construct meaningful relationships with peers. Few studies, however, have attempted to map early attachment security to the formation and maintenance of preschool friendships. Special attention has been paid to affiliative relationships (particularly friendships) because these are presumed to be of special importance with respect to a number of developmental outcomes and social adjustment indices. The present study examined the relations between mother-child and father-child attachment relationships and the number of child preschool friendships. Thirty-five mother/child and father/child dyads from bi-parental families participated in the study. Children were between 29 and 38 months of age (M=31.75; SD=2.56), all Caucasian, 23 were girls. 24 were firstborn and 31 had siblings. Both parents were employed outside home, and families are from middle class status according to local community standards. The AQS (Waters, 1995) was used to measure the organization of children&#8217;s secure base behavior with both parents at 2,5 years of age. Subsequently, two sociometric measures were used at 4 years of age: 1) Nominations (Marshall & McCandless, 1957), a standard measure composed of attributions of positive and negative nominations, and 2) Rating-scale (Asher, Singleton, Tinsley, & Hymel, 1979). The correlation between the independent AQS scores for fathers and mothers was positive and reached significance levels, (r=.47, p<.05). Thus, there was consistency in child secure base behavior across visits with each parent. There was a significant positive correlation between secure base behavior with fathers and the number of reciprocal friendships (r=.43, p<.05). In the present study secure children with fathers tend to have more reciprocal friends, a result that may indicate the existence of a distinct relational effect of father&#8217;s style of interaction.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Vinculação pai]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[vinculação mãe]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[amizade recíproca]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[reciprocal friendship]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o ao pai e &agrave; m&atilde;e e o desenvolvimento    da amizade rec&iacute;proca em crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)    </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right">Nuno Torres (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P>     <p align="right">Ant&oacute;nio J. Santos (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)  </P>     <p align="right">Orlando Santos (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>) </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESUMO </P>      <p>Estudos emp&iacute;ricos demonstraram que as crian&ccedil;as com uma  vincula&ccedil;&atilde;o mais segura com as figuras parentais s&atilde;o mais  capazes de co-construir rela&ccedil;&otilde;es significativas com os pares, e  que os relacionamentos afiliativos das crian&ccedil;as (em particular as amizades)  parecem ter um grande impacto no desenvolvimento social ao longo da vida.  Grande parte dos estudos t&ecirc;m-se centrado sobretudo na rela&ccedil;&atilde;o  de vincula&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e e n&atilde;o &eacute; claro qual  o papel da vincula&ccedil;&atilde;o com o pai no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es  pr&oacute;ximas com os pares. O presente estudo examinou as rela&ccedil;&otilde;es  entre a seguran&ccedil;a da vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; m&atilde;e e ao pai  aos 2,5 anos e o n&uacute;mero de amizades da crian&ccedil;a aos quatro anos.  Participaram neste estudo 35 d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a e pai-crian&ccedil;a  de fam&iacute;lias bi-parentais. A idade inicial das crian&ccedil;as variou entre 29  e 38 meses (<I>M</I>=31.75; <I>DP</I>=2.56), 23 eram raparigas. Ambos os progenitores  trabalhavam fora de casa e as fam&iacute;lias pertenciam a um n&iacute;vel  socio-econ&oacute;mico m&eacute;dio. Para avaliar a seguran&ccedil;a dos  comportamentos de vincula&ccedil;&atilde;o com ambos os pais foi utilizada a  vers&atilde;o portuguesa do Attachment Behavior Q-Set (AQS) (Waters, 1995) aos  2,5 anos de idade. Para avaliar o n&uacute;mero de amizades foram usadas duas  t&eacute;cnicas sociom&eacute;tricas aos quatro anos de idade: 1) M&eacute;todo  das Nomea&ccedil;&otilde;es: (McCandless &amp; Marshall, 1957), e 2) Escala de  Aprecia&ccedil;&atilde;o (Asher, Singleton, Tinsley, &amp; Hymel, 1979). Os  resultados demonstraram uma consist&ecirc;ncia significativa nos comportamentos  de base-segura da crian&ccedil;a com os dois progenitores (<I>r</I>=.47, <I>p</I>&lt;.05),  e a uma correla&ccedil;&atilde;o positiva entre comportamentos de base-segura  com o pai e o posterior numero de amizades rec&iacute;procas da crian&ccedil;a  (<I>r</I>=.43, <I>p</I>&lt;.05), o que sugere a exist&ecirc;ncia de um efeito  da interac&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica com o pai no estilo relacional  da crian&ccedil;a com os pares. Discutem-se os resultados argumentando que a  vincula&ccedil;&atilde;o segura ao pai pode ser uma condi&ccedil;&atilde;o  necess&aacute;ria para o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas  na gest&atilde;o da rede social das crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar. </P>      <p><I>Palavras-chave</I>: Vincula&ccedil;&atilde;o pai, vincula&ccedil;&atilde;o m&atilde;e,  amizade rec&iacute;proca. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">ABSTRACT </P>      <p>Attachment research suggests that children with secure attachments are  more able to construct meaningful relationships with peers. Few studies,  however, have attempted to map early attachment security to the formation  and maintenance of preschool friendships. Special attention has been paid to  affiliative relationships (particularly friendships) because these are  presumed to be of special importance with respect to a number of developmental  outcomes and social adjustment indices. The present study examined the relations  between mother-child and father-child attachment relationships and the number of  child preschool friendships. Thirty-five mother/child and father/child dyads  from bi-parental families participated in the study. Children were between 29  and 38 months of age (<I>M</I>=31.75; <I>SD</I>=2.56), all Caucasian, 23 were girls.  24 were firstborn and 31 had siblings. Both parents were employed outside home,  and families are from middle class status according to local community standards.  The AQS (Waters, 1995) was used to measure the organization of children&rsquo;s  secure base behavior with both parents at 2,5 years of age. Subsequently, two  sociometric measures were used at 4 years of age: 1) Nominations (Marshall &amp;  McCandless, 1957), a standard measure composed of attributions of positive and  negative nominations, and 2) Rating-scale (Asher, Singleton, Tinsley, &amp; Hymel,  1979). The correlation between the independent AQS scores for fathers and mothers  was positive and reached significance levels, (<I>r</I>=.47, <I>p</I>&lt;.05).  Thus, there was consistency in child secure base behavior across visits with  each parent. There was a significant positive correlation between secure base  behavior with fathers and the number of reciprocal friendships (<I>r</I>=.43,  <I>p</I>&lt;.05). In the present study secure children with fathers tend to  have more reciprocal friends, a result that may indicate the existence of a  distinct relational effect of father&rsquo;s style of interaction. </P>      <p><I>Key words</I>: Father attachment, mother attachment, reciprocal friendship. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>A maioria das crian&ccedil;as na sociedade urbana actual toma contacto com  uma rede alargada de relacionamentos, fora da fam&iacute;lia nuclear e da supervis&atilde;o  dos pais, durante o chamado per&iacute;odo pr&eacute;-escolar, ou seja sensivelmente  entre os 2-3 e os 5-6 anos de idade. As crian&ccedil;as inseridas em contextos  educativos e de cuidados pr&eacute;-escolares estabelecem relacionamentos cada vez  mais numerosos e qualitativamente diferenciados, configurando uma rede social afiliativa  complexa (Hay, Payne, &amp; Chadwick, 2004; Howes <I>et al.</I>, 1998; Strayer &amp;  Santos, 1996). Esta rede afiliativa normalmente inclui o contacto frequente com  crian&ccedil;as desconhecidas, interac&ccedil;&otilde;es mais ou menos espor&aacute;dicas  com crian&ccedil;as familiares, mas tamb&eacute;m relacionamentos preferenciais e  est&aacute;veis que podem configurar as chamadas amizades (Howes, 1983). </P>     <p>De facto, parece existir um aumento linear no tamanho dos grupos afiliativos  da crian&ccedil;a &agrave; medida que a idade avan&ccedil;a e o desenvolvimento ocorre.  Se j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel observar rela&ccedil;&otilde;es di&aacute;dicas  coesas em crian&ccedil;as com cerca de dois anos de idade, cerca dos tr&ecirc;s anos  os la&ccedil;os di&aacute;dicos parecem ser aspectos nascentes de organiza&ccedil;&atilde;o  grupal mais vasta e mais complexa (Strayer &amp; Santos, 1996; Hay <I>et al.</I>, 2004).  O contacto com uma nova rede social de adultos e outras crian&ccedil;as &eacute; uma  oportunidade para o desenvolvimento socio-emocional ao mesmo tempo que representa um  desafio &agrave;s capacidades de adapta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a num ambiente  social complexo (Hay <I>et al.</I>, 2004; Waters &amp; Sroufe, 1983). </P>     <p>O estabelecimento, manuten&ccedil;&atilde;o e estabilidade de rela&ccedil;&otilde;es  positivas de amizade parece conduzir ao desenvolvimento de repert&oacute;rios de  compet&ecirc;ncias sociais mutuamente aprendidas, que se tornam cada vez mais sofisticados  (Howes, 1983) e estes s&atilde;o considerados factores importantes para uma melhor  adapta&ccedil;&atilde;o ao jardim-escola (Ladd &amp; Price, 1987; Rubin &amp; Coplan,  1998), bem como para o ajustamento psicol&oacute;gico, bem-estar e rela&ccedil;&atilde;o  social ao longo da vida (e.g. Szewczyk-Sokolwski <I>et al.</I>, 2005). </P>     <p>Trabalhos emp&iacute;ricos t&ecirc;m mostrado a influ&ecirc;ncia decisiva da  interac&ccedil;&atilde;o com os pares e da amizade na socializa&ccedil;&atilde;o dos  impulsos agressivos, na cogni&ccedil;&atilde;o e cogni&ccedil;&atilde;o social, nas  compet&ecirc;ncias lingu&iacute;sticas, e no desenvolvimento moral da crian&ccedil;a,  bem como no ajustamento posterior em pelo menos tr&ecirc;s dom&iacute;nios: abandono  escolar, criminalidade juvenil e adulta e psicopatologia (Coie <I>et al.</I>, 1992;  Parker &amp; Asher, 1987; Szewczyk-Sokolwski <I>et al.</I>, 2005). Segundo alguns  autores a influ&ecirc;ncia dos pares no comportamento da crian&ccedil;a pode igualar  ou mesmo ultrapassar a influ&ecirc;ncia dos pais em dom&iacute;nios como o brincar,  a agressividade e a justi&ccedil;a (Vaughn <I>et al.</I>, 2000). Por outro lado a  exist&ecirc;ncia de amigos na inf&acirc;ncia aumenta a probabilidade de acesso a  suporte social quando a crian&ccedil;a dele necessita (Ladd &amp; Kochenderfer, 1996). </P>     <p>Assim, a qualidade da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; rede social da crian&ccedil;a  pr&eacute;-escolar, tanto dentro da fam&iacute;lia como fora dela, pode determinar em  grande parte o desenvolvimento social nesta faixa et&aacute;ria, bem como ter importantes  implica&ccedil;&otilde;es para o ajustamento psicossocial durante o resto da vida (Hawley,  2002; Santos &amp; Winegar, 1999; Wood <I>et al.</I>, 2004). </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">DIFEREN&Ccedil;AS INDIVIDUAIS NA INTERAC&Ccedil;&Atilde;O COM    OS PARES </P>      <p>&Eacute; poss&iacute;vel observar desde cedo na inf&acirc;ncia assinal&aacute;veis  diferen&ccedil;as individuais no estilo de interac&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a  com as outras crian&ccedil;as: se por um lado algumas desfrutam de muitas amizades e  s&atilde;o bem aceites socialmente, no outro extremo algumas crian&ccedil;as s&atilde;o  quase totalmente rejeitadas e n&atilde;o tem amigos (Hay <I>et al.</I>, 2004; Parker  &amp; Asher, 1987). </P>     <p>Apesar de n&atilde;o existir uma sobreposi&ccedil;&atilde;o total entre determinados  comportamentos (ex., agressividade, empatia, etc.) e a afilia&ccedil;&atilde;o da  crian&ccedil;a, as crian&ccedil;as emocionalmente perturbadas demonstram agressividade  e antagonismo com os pares, e parecem formar afilia&ccedil;&otilde;es inst&aacute;veis  (Strayer, 1979). Com base numa meta-an&aacute;lise, Newcomb e Bagwell (1996)  conclu&iacute;ram que ter amigos &eacute; um indicador de compet&ecirc;ncias interpessoais  espec&iacute;ficas. </P>     <p>Segundo o modelo de desenvolvimento s&oacute;cio-emocional proposto por Waters  e Sroufe (1983) as vicissitudes da adapta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a a novas  situa&ccedil;&otilde;es sociais dependem 1) dos recursos materiais e sociais  dispon&iacute;veis no ambiente externo e 2) dos recursos pessoais da crian&ccedil;a,  nomeadamente ao n&iacute;vel das compet&ecirc;ncias sociais para estabelecer  relacionamentos e interac&ccedil;&otilde;es positivas e para explorar o ambiente de  forma adequada. </P>     <p>Ao n&iacute;vel dos recursos pessoais da crian&ccedil;a pr&eacute;-escolar,  o estabelecimento de amizades est&aacute; dependente de compet&ecirc;ncias para a  troca de ac&ccedil;&otilde;es prosociais rec&iacute;procas entre indiv&iacute;duos  tais como o brincar em coopera&ccedil;&atilde;o, partilhar, ajudar, confortar, etc.  (Hay <I>et al.</I>, 2004; Hinde, 1979; Parker &amp; Asher, 1987; Ross, Cheyne, &amp;  Lollis, 1988; Youniss, 1986), bem como da express&atilde;o e controlo da agressividade,  da tomada de perspectiva, e da reciprocidade de afecto positivo (Hay <I>et al.</I>,  2004; Howes, 1983, Kramer &amp; Gottman, 1992). </P>     <p>Apesar do relacionamento com os pares constituir uma tarefa desenvolvimental muito  saliente e importante nesta idade, n&atilde;o &eacute; no entanto o &uacute;nico factor  de desenvolvimento social. &Eacute; comummente aceite que a rela&ccedil;&atilde;o  prim&aacute;ria com os pais durante os primeiros anos de vida fornece &agrave;  crian&ccedil;a as funda&ccedil;&otilde;es da capacidade ou incapacidade de desenvolver  rela&ccedil;&otilde;es sociais em geral e rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas  em particular (e.g. Schneider <I>et al.</I>, 2001). Assim, &eacute; importante  compreender o interc&acirc;mbio entre diferentes tipos de relacionamentos na rede  social das crian&ccedil;as (Hay <I>et al.</I>, 2004). Por exemplo, de acordo com o  modelo sinerg&eacute;tico de Hartup (1983), os relacionamentos com os pares e com  as figuras parentais contribuem de forma complementar para o desenvolvimento social.  Segundo McElwain e Volling (2004), e em concord&acirc;ncia  com Waters e Sroufe (1983), estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o  segura aos pais assume a maior relev&acirc;ncia na primeira inf&acirc;ncia e  providencia as funda&ccedil;&otilde;es para um bom desempenho da crian&ccedil;a  nas tarefas desenvolvimentais posteriores, especialmente as relacionadas com as  rela&ccedil;&otilde;es entre pares (Waters &amp; Sroufe, 1983). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RELA&Ccedil;&Otilde;ES DE AMIZADE E VINCULA&Ccedil;&Atilde;O    AOS PAIS </P>      <p>A teoria da vincula&ccedil;&atilde;o, originalmente proposta por John Bowlby,  prop&otilde;e que a qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com  os pais vai influenciar a qualidade da interac&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es  com os pares (Ainsworth <I>et al.</I>, 1978; Bowlby, 1973, 1980, 1982; Park  &amp; Waters, 1989; Verissimo <I>et al.</I>, 2003; Waters &amp; Sroufe, 1983).  O estudo das rela&ccedil;&otilde;es com os pares na idade pr&eacute;-escolar  &eacute; de particular interesse na perspectiva da teoria da vincula&ccedil;&atilde;o,  uma vez que nesta idade costuma ocorrer o j&aacute; referido alargamento  significativo da rede social da crian&ccedil;a, e assim os efeitos da  rela&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria com os pais nos padr&otilde;es de relacionamento  com outros parceiros se devem fazer sentir mais claramente (Weinfield <I>et al.</I>,  1997; Clark &amp; Ladd, 2000). </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">PROCESSOS COMUNS &Agrave; VINCULA&Ccedil;&Atilde;O AOS PAIS    E AO ESTABELECIMENTO DE AMIZADES </P>      <p>Existem v&aacute;rias raz&otilde;es te&oacute;ricas para esperar uma  associa&ccedil;&atilde;o entre a seguran&ccedil;a da vincula&ccedil;&atilde;o  com os cuidadores prim&aacute;rios e a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es da  crian&ccedil;a com outras pessoas nomeadamente atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o  de modelos internos din&acirc;micos (Ainsworth <I>et al.</I>, 1978; Bowlby, 1973;  Kerns, 2000; Wood <I>et al.</I>, 2004). Crian&ccedil;as com vincula&ccedil;&atilde;o  segura podem construir modelos internos din&acirc;micos caracterizados por  expectativas sociais positivas para as rela&ccedil;&otilde;es (Bretherton, 1990;  Booth <I>et al.</I>, 1998; Weinfield <I>et al.</I>, 1997; Wood <I>et al.</I>, 2004).  Simultaneamente o fen&oacute;meno da &ldquo;base segura&rdquo; (Ainsworth <I>et al.</I>,  1978; Waters &amp; Cummings, 2000) pode promover a explora&ccedil;&atilde;o  do meio e as interac&ccedil;&otilde;es com novas crian&ccedil;as, representando  oportunidades para exercer e desenvolver compet&ecirc;ncias sociais gerais  (Booth <I>et al.</I>, 1998). Uma vincula&ccedil;&atilde;o segura pode determinar  uma boa auto-estima e sentimentos de efic&aacute;cia, o que combinado com a  aprendizagem de interac&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas satisfat&oacute;rias  nas rela&ccedil;&otilde;es precoces pode resultar numa tend&ecirc;ncia a  obter respostas positivas dos pares e a formar la&ccedil;os de amizade (Booth  <I>et al.</I>, 1998; Wood <I>et al.</I>, 2004). </P>     <p>Em contraste, os padr&otilde;es precoces <I>inseguros </I>de vincula&ccedil;&atilde;o  parental, pela aus&ecirc;ncia dos referidos recursos pessoais e pelo afecto  negativo resultante dessa mesma vincula&ccedil;&atilde;o insegura (Wood <I>et al.</I>,  2004), podem resultar em relacionamentos pobres com outras crian&ccedil;as  e rejei&ccedil;&atilde;o pelos pares. Crian&ccedil;as com uma vincula&ccedil;&atilde;o  insegura podem tornar-se mais sens&iacute;veis a comportamentos percepcionados  como rejei&ccedil;&atilde;o e hostilidade e dar origem respostas t&iacute;picas  tais como evitamento ou agress&atilde;o (e.g. Weinfield <I>et al.</I>, 1997).  Assim estas crian&ccedil;as, podem tender a esperar dos outros hostilidade e  relacionar-se com pares com base nessa expectativa (Troy &amp; Sroufe, 1987). </P>     <p>A influ&ecirc;ncia da vincula&ccedil;&atilde;o parental pode ser considerada  de uma forma mais global, ou seja explicando todos ou quase todos os aspectos  do desenvolvimento social da crian&ccedil;a, ou pode ser tomada de uma forma  mais restrita, ou seja prevendo apenas a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es  pr&oacute;ximas, &iacute;ntimas, da crian&ccedil;a com os seus amigos (Schneider  <I>et al.</I>, 2001). Assim, segundo Howes (1983), enquanto o pequeno n&uacute;mero  de rela&ccedil;&otilde;es di&aacute;dicas de crian&ccedil;as mais novas pode  servir a necessidade de seguran&ccedil;a da crian&ccedil;a face &agrave;  aus&ecirc;ncia das figuras parentais, por outro lado as crian&ccedil;as do  pr&eacute;-escolar parecem explorar um n&uacute;mero maior de rela&ccedil;&otilde;es  mais espor&aacute;dicas e menos est&aacute;veis, o que pode implicar diferentes  tipos de compet&ecirc;ncias sociais. </P>     <p>Desta forma, v&aacute;rios podem ser os processos que podem ligar  causalmente os fen&oacute;menos de vincula&ccedil;&atilde;o aos pais e a  rela&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com as outras crian&ccedil;as; estes  processos podem ocorrer em v&aacute;rios n&iacute;veis e ter v&aacute;rias  ordens de interac&ccedil;&atilde;o entre eles. Na literatura s&atilde;o referidos  quatro grandes tipos de processos: 1) modelos internos din&acirc;micos, 2)  imagem de si e auto-estima, 3) emocionalidade de base e regula&ccedil;&atilde;o  emocional, 4) compet&ecirc;ncias sociais espec&iacute;ficas para interac&ccedil;&otilde;es  sociais, pr&oacute;-sociais e cooperativas. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">MODELO INTERNO DIN&Acirc;MICO </P>      <p>O modelo interno din&acirc;mico de vincula&ccedil;&atilde;o pode guiar  o comportamento e a cogni&ccedil;&atilde;o do sujeito de uma forma generalizada  face a outros relacionamentos fora da esfera familiar nuclear e em particular  na rela&ccedil;&atilde;o com os pares (Park &amp; Waters, 1989; Weinfeild <I>et al.</I>,  1997; Wood <I>et al.</I>, 2004). Os esquemas cognitivos e afectivos tais como  <I>expectativas</I>, <I>cren&ccedil;as </I>e <I>atitudes </I>sobre as rela&ccedil;&otilde;es  humanas s&atilde;o considerados pela teoria como sendo partes operantes deste  modelo interno (e.g. Monteiro <I>et al.</I>, 2008). Assim, crian&ccedil;as com  vincula&ccedil;&atilde;o do tipo seguro podem ter expectativas sociais positivas  que levam a uma interpreta&ccedil;&atilde;o geralmente ben&eacute;vola dos  comportamentos dos outros, e a respostas pr&oacute;-sociais (Weinfield <I>et al.</I>,  1997). A explora&ccedil;&atilde;o activa de um meio novo &eacute; favorecido  pelo fen&oacute;meno de &ldquo;base segura&rdquo;, aumentando as oportunidades  para interac&ccedil;&atilde;o positiva e rela&ccedil;&otilde;es satisfat&oacute;rias  (Booth <I>et al.</I>, 1998). Por outro lado, as crian&ccedil;as inseguramente  vinculadas est&atilde;o geralmente mais predispostas a dar aten&ccedil;&atilde;o,  a interpretar e a responder a comportamentos de rejei&ccedil;&atilde;o e hostilidade,  podendo levar a respostas contingentes de afastamento e agressividade (Wood <I>et al.</I>,  2004). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">COMPET&Ecirc;NCIAS SOCIAIS ESPEC&Iacute;FICAS </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As compet&ecirc;ncias sociais espec&iacute;ficas necess&aacute;rias para  a integra&ccedil;&atilde;o sequencial de comportamentos, de modo a ser capaz  de realizar interac&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas com outras pessoas,  parecem ser aprendidas nas primeiras rela&ccedil;&otilde;es com as figuras  parentais (Weinfield <I>et al.</I>, 1997). O mesmo sucede com a capacidade  de tomada de perspectiva social e comportamentos pr&oacute;-sociais de  aproxima&ccedil;&atilde;o (Wood <I>et al.</I>, 2004). Estudos emp&iacute;ricos  t&ecirc;m revelado associa&ccedil;&otilde;es entre o relacionamento positivo  com os pais (em particular o suporte emocional), e compet&ecirc;ncias  altru&iacute;stas e de redu&ccedil;&atilde;o da agressividade na crian&ccedil;a.  Estes estudos, revelaram por seu lado que o controlo excessivo e a intrusividade  parental est&atilde;o associados a um baixo estatuto da crian&ccedil;a entre  os seus pares (Clark &amp; Ladd, 2000). As crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar  com uma vincula&ccedil;&atilde;o segura, t&ecirc;m mostrado ser mais emp&aacute;ticas  e competentes com os seus pares e simultaneamente terem melhores desempenhos  nas medidas sociom&eacute;tricas de popularidade, bem como uma melhor qualidade  de interac&ccedil;&atilde;o com os amigos pr&eacute;-escolares do que as  crian&ccedil;as com vincula&ccedil;&atilde;o insegura (Troy &amp; Sroufe, 1987;  Park &amp; Waters, 1989). Num estudo com 192 crian&ccedil;as de 5 anos,  Clark e Ladd (2000) definiram um constructo de &ldquo;orienta&ccedil;&atilde;o  pr&oacute;-social&rdquo; composto por um conjunto de capacidades da crian&ccedil;a  para empatizar com as emo&ccedil;&otilde;es das outras crian&ccedil;as;  verificaram que a rela&ccedil;&atilde;o de suporte emocional com os pais  determinava esta orienta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-social da crian&ccedil;a;  por sua vez a orienta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-social da crian&ccedil;a  estava significativamente relacionada com a) aceita&ccedil;&atilde;o pelos  pares, b) n&uacute;mero de amizades (m&uacute;tuas), c) harmonia da amizade,  e d) redu&ccedil;&atilde;o de conflito nas interac&ccedil;&otilde;es. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">ESTUDOS SOBRE A ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE VINCULA&Ccedil;&Atilde;O    E RELA&Ccedil;&Atilde;O COM PARES </P>      <p>A grande variedade de estudos usando medidas diferentes tanto de  vincula&ccedil;&atilde;o como de rela&ccedil;&atilde;o com pares e amizade  tem demonstrado resultados congruentes e que revelam uma associa&ccedil;&atilde;o  significativa entre seguran&ccedil;a da vincula&ccedil;&atilde;o parental com  a aceita&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a entre os pares, assim como com o  n&uacute;mero e a qualidade das amizades rec&iacute;procas da crian&ccedil;a  (Clark &amp; Ladd, 2000; Schneider <I>et al.</I>, 2001) mas in&uacute;meros  aspectos permanecem ainda pouco claros e insuficientemente estudados. </P>     <p>Numa meta-an&aacute;lise realizada com 65 estudos publicados entre 1970  e 1998, Schneider <I>et al. </I>(2001) verificaram que o efeito da dimens&atilde;o  (<I>effect size</I>) da associa&ccedil;&atilde;o entre a vincula&ccedil;&atilde;o  &agrave; figura materna e o sucesso das rela&ccedil;&otilde;es com pares foi  de 0.20 (Z=11.91, p&lt;0.001). O grupo de estudos que avaliou especificamente  as amizades pr&oacute;ximas revelou um efeito significativamente maior da  vincula&ccedil;&atilde;o com m&atilde;e que o grupo de estudos sobre outro  tipo de rela&ccedil;&atilde;o entre pares. Estudos posteriores t&ecirc;m obtido  resultados na mesma linha (e.g. Kerns, 2000; Wood <I>et al.</I>, 2004). </P>     <p>Por outro lado, grande parte dos estudos tem-se centrado sobretudo na  rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e, e n&atilde;o  &eacute; claro qual o papel da vincula&ccedil;&atilde;o a outras figuras  importantes da rede social da crian&ccedil;a, tal como o pai, nestes processos.  Apenas cinco estudos dos 65 analisados por Schneider <I>et al. </I>(2001)  envolveram a avalia&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o ao pai. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">O PAPEL DA VINCULA&Ccedil;&Atilde;O AO PAI </P>      <p>Apesar da teoria original de Bowlby (1973, 1980, 1982) propor a exist&ecirc;ncia  de vincula&ccedil;&atilde;o ao pai e salientar a sua grande import&acirc;ncia no  desenvolvimento da crian&ccedil;a, sobretudo como um companheiro de brincadeiras,  existem muito poucos estudos emp&iacute;ricos sobre a especificidade do pai na  &aacute;rea da vincula&ccedil;&atilde;o (para uma revis&atilde;o ver Monteiro, 2008). </P>     <p>No entanto, resultados contradit&oacute;rios no que respeita aos factores  antecedentes da vincula&ccedil;&atilde;o com a figura paterna, e a aus&ecirc;ncia  de correla&ccedil;&otilde;es da magnitude esperada entre a vincula&ccedil;&atilde;o  &agrave; m&atilde;e e a vincula&ccedil;&atilde;o ao pai (e.g. van IJzendoorf  &amp; de Wolff, 1997), levaram os investigadores a propor que a vincula&ccedil;&atilde;o  &agrave;s duas figuras parentais deve ter traject&oacute;rias e determinantes  espec&iacute;ficos e &uacute;nicos a cada uma delas (Caldera, 2004; Grossman  <I>et al.</I>, 2002). Schneider <I>et al. </I>(2001) referiram a grande  import&acirc;ncia de continuar a explorar as implica&ccedil;&otilde;es entre a  vincula&ccedil;&atilde;o ao pai e as rela&ccedil;&otilde;es de pares da crian&ccedil;a. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alguns estudos utilizando o <I>Attachment Q-Sort </I>(AQS) de Waters e Deane  (1985) encontraram correla&ccedil;&otilde;es moderadas mas significativas  entre a seguran&ccedil;a de vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a ao pai  e &agrave; m&atilde;e, embora com importantes diferen&ccedil;as em determinadas  facetas da vincula&ccedil;&atilde;o ao pai e &agrave; m&atilde;e, tais como  a maior proximidade e o maior contacto f&iacute;sico entre a crian&ccedil;a  com a m&atilde;e (Caldera, 2004; Monteiro, 2008; Monteiro <I>et al.</I>, 2008). </P>     <p>Verifica-se que desde os primeiros meses de vida, os estilos de  interac&ccedil;&atilde;o, de comunica&ccedil;&atilde;o e de actividades  l&uacute;dicas de pais e de m&atilde;es apresentam caracter&iacute;sticas distintas:  o pai costuma ser mais imprevis&iacute;vel e estimulantes do ponto de vista  f&iacute;sico, e a m&atilde;e mais tranquila e usar objectos para mediar as  interac&ccedil;&otilde;es com a crian&ccedil;a (Lewis &amp; Lamb, 2003). &Eacute;  assim bastante prov&aacute;vel que m&atilde;es e pais desempenhem pap&eacute;is  diferentes na vida dos filhos em geral e no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es  de vincula&ccedil;&atilde;o em particular (Lamb, 2005), o que se pode verificar  empiricamente em fam&iacute;lias mais tradicionais (Grossman <I>et al.</I>, 2002;  Monteiro, 2008). </P>     <p>Num estudo longitudinal com fam&iacute;lias tradicionais, Grossman <I>et al. </I>(2002)  verificaram que os modelos internos de vincula&ccedil;&atilde;o segura da crian&ccedil;a  aos dez e aos dezasseis anos estavam significativamente relacionados com a sensibilidade  do estilo de brincadeira mais desafiante, anteriormente exercido pelo pai aos dois anos  de idade das crian&ccedil;as. Lamb (1975) prop&ocirc;s a hip&oacute;tese que a figura  paterna exerce um papel fundamental na socializa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a,  papel esse qualitativamente diferente do papel desempenhado pela figura materna.  Cerca de trinta anos mais tarde, e depois de uma vasta revis&atilde;o de estudos  sobre o papel do pai tendo em conta a ecologia da paternidade, Grossman <I>et al. </I>(2002)  conclu&iacute;ram que o pai desempenha um papel muito saliente de suporte nos aspectos  explorat&oacute;rios do fen&oacute;meno de base segura, providenciando seguran&ccedil;a  psicol&oacute;gica em momentos de brincadeira e excurs&otilde;es explorat&oacute;rias,  e permitindo que a crian&ccedil;a se sinta segura ao experimentar certas coisas que  as m&atilde;es evitariam por considerarem perigosas. </P>     <p>Alguns estudos t&ecirc;m sugerido que a an&aacute;lise da rede de  rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, que inclui n&atilde;o apenas a m&atilde;e mas uma s&eacute;rie de figuras incluindo  o pai, podem predizer melhor os resultados das interac&ccedil;&otilde;es  entre a crian&ccedil;a e o amigo do que somente a qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o  entre a m&atilde;e e a crian&ccedil;a (Schneider <I>et al.</I>, 2001; Lamb, 2005).  Marcus e Mirle (1990) descobriram que a vincula&ccedil;&atilde;o ao pai  estava correlacionada com a compet&ecirc;ncia social dos rapazes e Rice, Cunningham  e Young (1997) verificaram que enquanto a vincula&ccedil;&atilde;o ao pai  estava associada &agrave; compet&ecirc;ncia social na universidade a  vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; m&atilde;e n&atilde;o estava. </P>     <p>Assim, a inclus&atilde;o da d&iacute;ade pai-crian&ccedil;a nos estudos sobre    as amizades das crian&ccedil;as no pr&eacute;-escolar permitir&aacute; examinar    como &eacute; que as rela&ccedil;&otilde;es com a m&atilde;e e o pai contribuem,    de forma conjunta e diferenciada, para a interac&ccedil;&atilde;o crian&ccedil;a-amigo.    Segundo Daniels-Beirness, (1989) espera-se que a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o    de vincula&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a e pai esteja fortemente relacionada    com as rela&ccedil;&otilde;es sociais da crian&ccedil;a, especialmente em rapazes    de idade pr&eacute;-escolar. </P>      <p>&nbsp;</P>      <p align="center">AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DA AMIZADE NA IDADE PR&Eacute;-ESCOLAR</P>      <p>A defini&ccedil;&atilde;o e operacionaliza&ccedil;&atilde;o do conceito  de amizade em v&aacute;rias idades e per&iacute;odos de desenvolvimento  t&ecirc;m sido alvos de consider&aacute;veis esfor&ccedil;os nas &uacute;ltimas  d&eacute;cadas. A no&ccedil;&atilde;o mais consensual &eacute; de que  caracter&iacute;stica mais central de amizade &eacute; a reciprocidade e  intimidade numa s&eacute;rie de dimens&otilde;es do relacionamento (e.g. Larsen  &amp; Hartup, 2002). Muitas crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar n&atilde;o  t&ecirc;m ainda capacidades cognitivas e lingu&iacute;sticas para descrever as  qualidades da amizade e para identificar amigos espec&iacute;ficos. No entanto,  elas demonstram no seu comportamento prefer&ecirc;ncias claras e est&aacute;veis  por determinados parceiros de brincadeira (Santos, Vaughn, &amp; Bost, 2008;  Santos &amp; Winegar, 1999; Strayer &amp; Santos, 1996). De facto, comportam-se  com esses parceiros preferenciais de uma forma particular, que levam os  adultos (pais, professores, observadores) a descrev&ecirc;-la como sendo uma  rela&ccedil;&atilde;o de &ldquo;amizade&rdquo; (e.g. Howes, 1983; Kerns, 2000;  Vaughn &amp; Santos, 2008). </P>     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o por entrevistas sociom&eacute;tricas tem  demonstrado fornecer informa&ccedil;&atilde;o &uacute;til e adequada sobre  os membros das redes sociais de pares das crian&ccedil;as. Pesquisas recentes  sugerem que a sociometria de crian&ccedil;as a partir dos quatro anos  fornece dados v&aacute;lidos e fi&aacute;veis sobre as amizades (Vaughn <I>et  al.</I>, 2000, 2001). &Eacute; poss&iacute;vel abordar as escolhas  sociom&eacute;tricas (ou seja as prefer&ecirc;ncias sociais), focando n&atilde;o  apenas o estatuto de aceita&ccedil;&atilde;o social do indiv&iacute;duo em  rela&ccedil;&atilde;o ao seu grupo de pares atrav&eacute;s do n&uacute;mero  de nomea&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas que recebe e envia, mas  focando tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es di&aacute;dicas existentes  entre os elementos do grupo, ou seja, a exist&ecirc;ncia de bilateralidade  ou reciprocidade entre quem escolhe e quem foi escolhido (e.g., Santos, Vaughn,  &amp; Bonnet, 2000). De facto, alguns autores sugeriram que a inclus&atilde;o  de escolhas sociom&eacute;tricas rec&iacute;procas e n&atilde;o rec&iacute;procas  indistintamente na mesma categoria de &ldquo;amizade&rdquo; acaba por  negligenciar as diferen&ccedil;as entre amizades pr&oacute;ximas e  liga&ccedil;&otilde;es superficiais que podem ser unilaterais; desta forma  obscurece-se o aspecto di&aacute;dico, m&uacute;tuo e rec&iacute;proco  das amizades (Hartup, 1996; Newcomb &amp; Bagwell, 1995). Assim,  analis&aacute;mos separadamente escolhas sociom&eacute;tricas de amizade  rec&iacute;procas (ou m&uacute;tuas) e escolhas n&atilde;o-rec&iacute;procas  (ou unilaterais), determinada pelas entrevistas sociom&eacute;tricas de  cada crian&ccedil;a, seguindo a proposta de Vaughn <I>et al. </I>(2001). </P>      <p>O presente estudo tem por objectivo esclarecer de que forma a qualidade  da vincula&ccedil;&atilde;o na rede familiar nuclear, (na perspectiva da qualidade  da vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a ao pai e &agrave; m&atilde;e)  est&aacute; relacionada com a adapta&ccedil;&atilde;o posterior &agrave; rede  de pares, em particular na forma&ccedil;&atilde;o de amizades di&aacute;dicas  rec&iacute;procas com outras crian&ccedil;as da mesma idade. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </P>      <p><I>Participantes </I></P>      <p>Os participantes neste estudo foram contactados no &acirc;mbito do projecto  (PTDC/PSI/66172/2006 e PTDC/PSI/64149/2006). Consistem em 35 d&iacute;ades  m&atilde;e-crian&ccedil;a e 35 d&iacute;ades pai-crian&ccedil;a oriundos de  35 fam&iacute;lias. Todas as fam&iacute;lias s&atilde;o bi-parentais. A idade  das crian&ccedil;as na altura da primeira avalia&ccedil;&atilde;o variava e ntre os 29 e os 38 meses (<I>M</I>=31.75; <I>DP</I>=2.56). Do total de 35  crian&ccedil;as, 23 raparigas e 12 eram rapazes. 24 das crian&ccedil;as  eram primog&eacute;nitos, e 31 tinham irm&atilde;os. A Idade das m&atilde;es  na altura da primeira avalia&ccedil;&atilde;o variava entre os 26-48 anos  (<I>M</I>=34.95; <I>DP</I>=4.33) e a Idade dos pais entre 28-63 anos (M=37.48;  <I>DP</I>=6.08). O N&iacute;vel educativo das m&atilde;es entre variava  entre 7-23 anos de escolaridade (<I>M</I>=15.46; <I>DP</I>=3.34) e o  N&iacute;vel educativo dos pais entre 7-23 anos de escolaridade (<I>M</I>=14.77;  <I>DP</I>=3.17). Ambos os progenitores trabalhavam fora de casa e as  fam&iacute;lias pertenciam a um n&iacute;vel socio-econ&oacute;mico m&eacute;dio. </P>      <p><I>Instrumentos </I></P>      <p>Attachment Behavior Q-Set (AQS) </P>      <p>O AQS (Waters, 1995) mede a organiza&ccedil;&atilde;o da <I>base-segura </I> pela crian&ccedil;a (i.e., equil&iacute;brio entre comportamentos de  manuten&ccedil;&atilde;o da proximidade e de explora&ccedil;&atilde;o do  ambiente), na presen&ccedil;a de figuras de vincula&ccedil;&atilde;o  (m&atilde;e, pai e outras) em contextos ecologicamente v&aacute;lidos.  Trata-se de um Q-sort com noventa itens, usados para descrever comportamentos  relevantes em que a crian&ccedil;a usa os progenitores como base-segura.  Estudos pr&eacute;vios demonstraram suporte para a validade e adequa&ccedil;&atilde;o  do AQS na cultura Portuguesa (Ver&iacute;ssimo <I>et al.</I>, 2005; Ver&iacute;ssimo  <I>et al.</I>, 2006). </P>      <p>Entrevistas Sociom&eacute;tricas </P>      <p>Foram usadas duas t&eacute;cnicas sociom&eacute;tricas. </P>     <p>1) <U>M&eacute;todo das Nomea&ccedil;&otilde;es</U>: uma medida  <I>standard</i> composta de nomea&ccedil;&otilde;es de pares com atribui&ccedil;&otilde;es  positivas e com atribui&ccedil;&otilde;es negativas (McCandless &amp; Marshall, 1957). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2) <U>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</U>: uma medida da aprecia&ccedil;&atilde;o  dos colegas de aula atrav&eacute;s de uma escala de 3 pontos (Asher, Singleton,  Tinsley &amp; Hymel, 1979). </P>     <p>Apesar de existirem ainda muito poucos estudos em crian&ccedil;as do  pr&eacute;-escolar sobre a coer&ecirc;ncia de diferentes medidas sociom&eacute;tricas,  tais como o m&eacute;todo das nomea&ccedil;&otilde;es e as escalas de  aprecia&ccedil;&atilde;o, os resultados apontam para uma associa&ccedil;&atilde;o  significativa entre eles (Wasik, 1987; ver o artigo de In&ecirc;s Peceguina  <I>et al. </I>neste n&uacute;mero, para uma revis&atilde;o detalhada). </P>      <p><I>Procedimentos </I></P>      <p>Visitas ao lar e aplica&ccedil;&atilde;o do AQS </P>      <p>As d&iacute;ades m&atilde;e-crian&ccedil;a e pai-crian&ccedil;a foram  observadas em visitas separadas, cada uma com a dura&ccedil;&atilde;o entre  duas a tr&ecirc;s horas, efectuadas por duas equipas diferentes de investigadores  treinados para o efeito, e foram contrabalan&ccedil;adas. Os observadores  ordenaram os itens num cont&iacute;nuo de nove categorias desde &ldquo;extremamente  incaracter&iacute;stico&rdquo; at&eacute; &ldquo;extremamente caracter&iacute;stico&rdquo;  da crian&ccedil;a. As visitas foram realizadas aos 2,5 anos de idade  (aproximadamente aos trinta meses; <I>M</I>=31.75; <I>DP</I>=2.56)  da crian&ccedil;a. </P>      <p>Sociometria </P>      <p>As crian&ccedil;as foram entrevistadas individualmente, durante o  segundo semestre do ano escolar, aos quatro anos de idade. </P>     <p>1) <U>M&eacute;todo das Nomea&ccedil;&otilde;es </U>(McCandless &amp;  Marshall, 1957). Pediu-se a cada crian&ccedil;a que escolhesse (a partir  das fotografias de rosto dos colegas), as tr&ecirc;s crian&ccedil;as com  quem <I>mais gosta de brincar </I>(tr&ecirc;s primeiras escolhas positivas),  as tr&ecirc;s crian&ccedil;as com quem <I>n&atilde;o gosta de brincar </I> (tr&ecirc;s escolhas negativas) e, por fim, que seleccionasse as restantes,  uma a uma, pelo crit&eacute;rio <I>gosta mais de brincar</I>.  As nomea&ccedil;&otilde;es positivas basearam-se nas tr&ecirc;s primeiras  escolhas. As escolhas sociom&eacute;tricas positivas foram depois usadas para  identificar d&iacute;ades de nomea&ccedil;&otilde;es positivas rec&iacute;procas  (amigos) e o n&uacute;mero de nomea&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-rec&iacute;procas. </P>      <P>2) <U>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o </U>(Asher, Singleton, Tinsley, &amp;  Hymel, 1979). Pediu-se a cada crian&ccedil;a que classificasse os colegas, numa  escala do tipo Likert, que variava entre &ldquo;1&rdquo; (<I>n&atilde;o gosta muito  de brincar</I>) e &ldquo;3&rdquo; (<I>gosta muito de brincar</I>). Para facilitar  a compreens&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia (i.e., &ldquo;2&rdquo;  &ndash; <I>gosta mais ou menos de brincar</I>), utilizaram-se cart&otilde;es com  smiles (cara contente &ndash; <I>gosta muito de brincar</I>, cara triste &ndash;  <I>n&atilde;o gosta muito de brincar </I>e cara s&eacute;ria &ndash; <I>gosta mais  ou menos de brincar</I>). O total de aceita&ccedil;&atilde;o baseou-se na  posi&ccedil;&atilde;o relativa de cada crian&ccedil;a no grupo. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">RESULTADOS </P>      <P><I>AQS </I></P>      <P>Os valores de seguran&ccedil;a no AQS com o pai variaram entre -.04 e .79  (<I>M</I>=.41; <I>SD</I>=0.22). As notas com a m&atilde;e foram entre -.12 e .79  (<I>M</I>=.43; <I>SD</I>=0.24). Estes valores est&atilde;o no intervalo de  valores t&iacute;picos identificados por van Ijzendoorn <I>et al. </I>(2004)  na sua meta-an&aacute;lise de estudos com o AQS em amostras normais. Uma  ANOVA de medidas repetidas agrupada pelo sexo da crian&ccedil;a testou  diferen&ccedil;as entre as notas AQS de pais e m&atilde;es. N&atilde;o foram  encontradas diferen&ccedil;as significativas nos efeitos principais referentes  aos progenitores (entre grupos), ao sexo da crian&ccedil;a, nem &agrave;  interac&ccedil;&atilde;o entre eles. </P>     <P>A correla&ccedil;&atilde;o entre as notas AQS do pai e da m&atilde;e foi  positiva e atingiu o n&iacute;vel de signific&acirc;ncia estat&iacute;stico  (r[35]=.47, p&lt;.05). Assim, verificou-se uma consist&ecirc;ncia significativa  nos comportamentos de base-segura da crian&ccedil;a com os dois progenitores,  isto &eacute;, crian&ccedil;as com resultados mais elevados nos comportamentos  de base segura com um dos progenitores tinham tend&ecirc;ncia a ter resultados  mais elevados tamb&eacute;m com o outro progenitor. </P>      <p><I>Sociometria </I></P>      <p>A an&aacute;lise da coer&ecirc;ncia entre as duas medidas sociom&eacute;tricas  utilizadas nesta amostra (ver Peceguina <I>et al. </I>neste n&uacute;mero) revelou  a exist&ecirc;ncia de uma correla&ccedil;&atilde;o significativa entre a quantidade  de nomea&ccedil;&otilde;es positivas e os resultados da escala de aprecia&ccedil;&atilde;o  tanto para rapazes como para raparigas. Assim, utiliz&aacute;mos apenas uma delas,  a medida de nomea&ccedil;&otilde;es positivas, para identificar as d&iacute;ades  de nomea&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas e o n&uacute;mero de nomea&ccedil;&otilde;es  n&atilde;o-rec&iacute;procas de cada crian&ccedil;a. Ambos os valores brutos  variam entre 0 e 3, e foram estandardizados dividindo-os pelo n&uacute;mero de  crian&ccedil;as em cada grupo, de modo a controlar os efeitos do tamanho do  grupo no n&uacute;mero de nomea&ccedil;&otilde;es. </P>      <p><I>Rela&ccedil;&atilde;o entre AQS e n&uacute;mero de Amizades  rec&iacute;procas e n&atilde;o-rec&iacute;procas </I></P>      <p>Como se pode verificar na <a href="#t1">Tabela 1</a><a name="topt1"></a>, os    comportamentos de base segura com o pai e com a m&atilde;e est&atilde;o ambos    positivamente correlacionados com o n&uacute;mero de amizades rec&iacute;procas    da crian&ccedil;a, e ambos est&atilde;o negativamente correlacionadas com o    n&uacute;mero de nomea&ccedil;&otilde;es n&atilde;o rec&iacute;procas da crian&ccedil;a    (isto &eacute;, com nomea&ccedil;&otilde;es positivas da crian&ccedil;a &ldquo;n&atilde;o    correspondidas&rdquo; pelos pares). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt1">TABELA 1</a><a name="t1"></a> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>Correla&ccedil;&otilde;es entre seguran&ccedil;a no AQS e    nomea&ccedil;&otilde;es positivas na sociometria </I></P>      <div align="center">   <table width="74%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="35%">&nbsp;</td>       <td width="29%">    <div align="center"><b>N&uacute;mero de Amizades Rec&iacute;procas</b></div></td>       <td width="36%">    <div align="center"><b>N&uacute;mero de Nomea&ccedil;&otilde;es            N&atilde;o Rec&iacute;procas</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Comportamento de Base Segura com a <i>M&atilde;e</i></td>       <td>    <div align="center">0.31</div></td>       <td>    <div align="center">-0.21</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Comportamento de Base Segura com o <i>Pai</i></td>       <td>    <div align="center">0.43*</div></td>       <td>    <div align="center">-0.22</div></td>     </tr>   </table> </div>      <p align="center"><I>Legenda</I>: * <I>p</I>&lt;.05 </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, apenas a correla&ccedil;&atilde;o positiva entre comportamentos    de base-segura com o pai e o n&uacute;mero de amizades rec&iacute;procas atingiu    signific&acirc;ncia estat&iacute;stica. Este resultado demonstra que as crian&ccedil;as    que manifestaram mais seguran&ccedil;a na vincula&ccedil;&atilde;o com o pai    aos 2.5 anos de idade obtiveram significativamente mais nomea&ccedil;&otilde;es    rec&iacute;procas de amizade com os pares do jardim-de-inf&acirc;ncia aos quatro    anos de idade (r[35]=0.43; p&lt;0.05) </P>      <p>&nbsp;</P>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </P>      <p>Os resultados apoiam a ideia de que em geral ambos os pais desta amostra  s&atilde;o capazes de construir relacionamentos de base segura com os seus  filhos, isto &eacute;, s&atilde;o sens&iacute;veis &agrave;s caracter&iacute;sticas  e compet&ecirc;ncias dos filhos e ajustam os seus comportamentos durante as interac&ccedil;&otilde;es  com eles (Lewis &amp; Lamb, 2003), o que &eacute; demonstrado pelos  valores m&eacute;dios do AQS que se encontram dentro do intervalo normativo  (van Ijzendoorn <I>et al.</I>, 2004). No presente estudo crian&ccedil;as com  uma vincula&ccedil;&atilde;o mais segura com a figura paterna tendem a ter  mais amizades rec&iacute;procas. Este resultado sugere a exist&ecirc;ncia  de efeitos relacionais distintos que o estilo de interac&ccedil;&atilde;o  com a figura paterna pode ter no posterior relacionamento da crian&ccedil;a  com os pares. </P>     <p>De facto, a literatura sugere que a presen&ccedil;a de estilos diferentes  de interac&ccedil;&atilde;o e brincadeira evidenciado pelo pai e pela m&atilde;e  pode ter impactos diferentes na traject&oacute;ria de desenvolvimento.  &Eacute; poss&iacute;vel que a interac&ccedil;&atilde;o com o pai, por ser  tipicamente mais estimulante, imprevis&iacute;vel e desafiante, contribua  para o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias que s&atilde;o adequadas  num contexto mais complexo, imprevis&iacute;vel e desafiante para a  crian&ccedil;a pr&eacute;-escolar, tal como a interac&ccedil;&atilde;o com  um grupo de crian&ccedil;as inicialmente desconhecidas num ambiente externo  &agrave; fam&iacute;lia. Neste sentido, Grossman <I>et al. </I>(2002)  verificaram que a sensibilidade do pai nas brincadeiras desafiantes e  explorat&oacute;rias com a crian&ccedil;a aos dois anos era um preditor  longitudinal significativo da seguran&ccedil;a do modelo interno da  crian&ccedil;a aos dez anos. O estilo de interac&ccedil;&atilde;o  espec&iacute;fico do pai, desde que ao mesmo tempo promova uma vincula&ccedil;&atilde;o  segura, pode exercer um efeito nas capacidades de gerir a agressividade e  afectos negativos dos filhos. </P>     <p>Adicionalmente, e tendo em conta uma perspectiva ecol&oacute;gica das  redes sociais e complexidade proposta por Lamb (2005), &eacute; poss&iacute;vel  integrar a no&ccedil;&atilde;o de <I>rela&ccedil;&atilde;o triangular</I>,  proposta por uma linha psicodin&acirc;mica de pensamento, na tentativa de  compreender estes resultados (e.g. Sharpless, 1990). A exist&ecirc;ncia de  uma rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o segura simultaneamente  &agrave; m&atilde;e e ao pai pode estar dependente de variados factores  inerentes aos tr&ecirc;s elementos em estudo da fam&iacute;lia (crian&ccedil;a,  m&atilde;e e pai), entre as quais a compet&ecirc;ncia social para gerir uma  din&acirc;mica afectiva n&atilde;o apenas <I>di&aacute;dica </I>mas tamb&eacute;m  <I>tri&aacute;dica</I>, proposta por exemplo pela no&ccedil;&atilde;o de  Rela&ccedil;&atilde;o de Objecto Tri&aacute;dica (T.O.R.; Sharpless, 1990). </P>     <p>&Eacute; ent&atilde;o poss&iacute;vel conceber que o desenvolvimento precoce  de compet&ecirc;ncias para gerir uma rela&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel mais  complexo do que a d&iacute;adica, tanto cognitivamente como emocionalmente,  como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o tri&aacute;dica familiar, possa servir  como facilitador para a gest&atilde;o de tr&iacute;ades de amigos pela crian&ccedil;a  pequena em contextos extra-familiares. A capacidade de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es  transitivas do tipo triangular pela crian&ccedil;a (ou seja, em que &ldquo;o amigo  do meu amigo se torna tamb&eacute;m meu amigo&rdquo;) pode certamente aumentar  o n&uacute;mero de amizades rec&iacute;procas e pode mesmo ser um antecedente  da gest&atilde;o adequada de tri&acirc;ngulos de amigos, os quais, tendendo  a agrupar-se em cliques durante o per&iacute;odo pr&eacute;-escolar, aumentam  significativamente o n&uacute;mero de amizades da crian&ccedil;a. </P>     <p>Sem a exist&ecirc;ncia de vincula&ccedil;&atilde;o segura aos dois elementos  parentais estas capacidades podem estar menos desenvolvidas e dificultar a  aquisi&ccedil;&atilde;o de novos amigos atrav&eacute;s do processo de  transitividade afiliativa, comum em redes afiliativas de crian&ccedil;as a  partir de tenra idade (e.g. Lamb, 2005; Santos <I>et al.</I>, 2008; Strayer &amp;  Santos, 1996; Vaughn &amp; Santos, 2008). Assim, a vincula&ccedil;&atilde;o  segura ao pai pode ser a condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para o  desenvolvimento de compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas na gest&atilde;o de  relacionamentos numa rede social que tem fen&oacute;menos estruturais de  complexidade progressivamente crescente </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainsworth, M. D. S., Blehar, M., Waters, E., &amp; Wall, S. (1978).  <I>Patterns of attachment: A psychological study of the strange situation</I>.  Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. </P>      <p>Asher, S. R., Singleton, L. C., Tinsley, B. R., &amp; Hymel, S. (1979).  A reliable sociometric measure for children. <I>Developmental Psychology,  15</I>, 443-444. </P>      <p>Booth, C. L., Rubin, K. H., &amp; Rose-Krasnor, L. (1998). Perceptions  of emotional support from mother and friend in middle childhood: Links with  social-emotional adaptation and pre-school attachment security. <I>Child Development,  69</I>, 427-442. </P>      <p>Bowlby, J. (1973). <I>Attachment and loss. Separation: Anxiety and anger </I> (Vol. 2). New York: Basic Books.</P>      <P>Bowlby, J. (1980). <I>Attachment and loss. Loss: Sadness and depression </I> (Vol. 3). New York: Basic Books.</P>      <p>Bowlby, J. (1982). <I>Attachment and loss: Attachment </I>(Vol. 1, 2nd ed.  rev.). New York: Basic Books (Original work published, 1969). </P>      <p>Bretherton, I. (1990). Communication patterns, internal working models  and the intergenerational transmission of attachment relationships.  <I>Infant Mental Health Journal, 11</I>, 237-251. </P>      <p>Caldera, Y. (2004). Paternal involvement and infant-father attachment:  A Q-set study. <I>Fathering: A Journal of Theory, Research, and Practice  about Men as Fathers, 2</I>, 191-210. </P>      <p>Clark, K. E., &amp; Ladd, G. W. (2000). Connectedness and autonomy support  in parent-child relationships: Links to children&rsquo;s socioemotional  orientation and peer relationships. <I>Developmental Psychology, 36</I>, 485-498. </P>      <p>Coie, J. D., Lochman, J. E., Terry, R., &amp; Hyman, C. (1992). Predicting  early adolescent disorder from childhood aggression and peer rejection.  <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 60</I>, 783-792. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Daniels-Beirness, T. (1989). Measuring peer status in boys and girls: A  problem of apples and oranges. In B. H. Schneider, G. Attili, J. Nadel, &amp;  R. P. Wiessberg (Eds.), <I>Social competence in developmental perspective </I> (pp. 107-120). Dordrecht, The Netherlands: Kluwer. </P>      <p>Grossmann, K., Grossmann, K. E., Fremmer-Bombik, E., Kindler, H.,  Scheuerer-Englisch, H., &amp; Zimmermann, A. P. (2002). The uniqueness of  the child-father attachment relationship: Fathers sensitive and challenging  play as a pivotal variable in a 16-year longitudinal study. <I>Social Development,  11</I>, 301-337. </P>      <p>Hawley, P. (2002). Social dominance and prosocial and coercive strategies  of resource control in preschoolers. <I>International Journal of Behavioral  Development, 26</I>, 167-176. </P>      <p>Hay, D. F., Payne, A., &amp; Chadwick, A. (2004). Peer relations in childhood.  <I>Journal of Child Psychology and Psychiatry, and Allied Disciplines, 45</I>,  84-108. </P>      <p>Hartup, W. W. (1983). Peer groups. In P. H. Mussen (Gen Ed.), <I>Handbook  of child psychology </I>(Vol. 4, pp. 103-196). New York: Wiley. </P>      <p>Howes, C. (1983). Patterns of friendship. <I>Child Development, 54</I>, 1041-1053. </P>      <p>Hinde, R. A. (1979). <I>Towards understanding relationships</I>. London:  Academic Press. </P>      <p>Howes, C., Hamilton, C. E., &amp; Phillipsen, L. C. (1998). Stability and  continuity of child-caregiver and child-peer relationships. <I>Child Development,  69</I>, 418-426. </P>      <p>Kerns, K. A. (2000). Types of preschool friendships. <I>Personal Relationships,  7</I>, 311-324. </P>      <p>Kramer, L., &amp; Gottman, J. M. (1992). Becoming a sibling: &lsquo;With a  little help from my friends&rsquo;. <I>Developmental Psychology, 28</I>, 685. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ladd, G. W., &amp; Price, J. M. (1987). Predicting children&rsquo;s social  and school adjustment following the transition from preschool to kindergarten.  <I>Child Development, 58</I>, 1168-1189. </P>      <p>Ladd, G. W., &amp; Kochenderfer, B. J. (1996). Linkages between friendship  and adjustment during early school transitions. In W. M. Bukowski, A. F. Newcomb,  &amp; W. W. Hartup (Eds.), <I>The company they keep: Friendship in childhood  and adolescence </I>(pp. 322345). New York: Cambridge University Press. </P>      <p>Lamb, M. (1975). Fathers: Forgotten contributors to child development.  <I>Human Development, 18</I>, 245-266. </P>      <p>Lamb, M. E. (1977). The development of mother-infant and father-infant  attachments in the second year of life. <I>Developmental Psychology, 13 </I>(6),  637-648 </P>      <p>Lamb, M. E. (2005). Attachments, Social Networks, and Developmental Contexts.  <I>Human Development, 48</I>, 108-112. </P>      <p>Laursen, B., &amp; Hartup, W. (2002). The origins of reciprocity and social  exchange in friendships. <I>New Directions for Child &amp; Adolescent Development,  95</I>, 27-40. </P>      <p>Lewis, C., &amp; Lamb, M. E. (2003). Fathers&rsquo; influences on  children&rsquo;s development. The evidence from two-parent families.  <I>European Journal of Psychology of Education, 18</I>, 211-228. </P>      <p>Marcus, R. F., &amp; Volling, J. (1990). Validity of a child interview  measure of attachment as used in child custody evaluations. <I>Perceptual and  Motor Skills, 70</I>, 1043-1054. </P>      <p>McCandless, B. R., &amp; Marshall, H. R. (1957). A picture sociometric  technique for preschool children and its relation to teacher judgments of  friendship. <I>Child Development, 28</I>, 139-148. </P>      <p>McElwain, N. L., &amp; Volling, B. L. (2004). Attachment security and parental  sensitivity during infancy: Associations with friendship quality and false-belief  understanding at age 4. <I>Journal of Social and Personal Relationships, 21</I>,  639-667. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Monteiro, L. (2008). <I>An&aacute;lise do fen&oacute;meno de base segura em  contexto familiar: A especificidade das rela&ccedil;&otilde;es crian&ccedil;a/m&atilde;e  e crian&ccedil;a/pai</I>. Tese de Doutoramento. Instituto Superior de Psicologia  Aplicada, Lisboa. </P>      <p>Monteiro, L., Ver&iacute;ssimo, M., Vaughn, B. E., Santos, A. J., &amp;  Bost, K. K. (2008). Secure base representations for both fathers and mothers  predict children&rsquo;s secure base behavior in a sample of Portuguese families.  <I>Attachment &amp; Human Development, 10</I>, 1-18. </P>      <p>Newcomb, A. F., &amp; Bagwell, C. L. (1996). The developmental significance  of children&rsquo;s friendship relations. In W. Bukowski, A. Newcomb, &amp; W.  Hartup (Eds.), <I>The company they keep: Friendship in childhood and adolescence </I> (pp. 289-321). Cambridge: Cambridge University Press. </P>      <p>Park, K. A., &amp; Waters, E. (1989). Security of attachment and preschool  friendships. <I>Child Development, 60</I>, 1076-1081. </P>      <p>Parker, J. G., &amp; Asher, S. R. (1987). Peer relations and later personal  adjustment: Are low-accepted children at risk? <I>Psychological Bulletin, 102</I>, 3 57-389. </P>      <p>Rice, K. G., Cunningham, T. J., &amp; Young, M. (1997). Attachment,  social competence, and emotional wellbeing: A comparison of black and white  late adolescents. <I>Journal of Counseling Psychology, 44</I>, 89-101. </P>      <p>Ross, H. S., Cheyne, J. A., &amp; Lollis, S. P. (1988). Defining and studying  reciprocity in young children. In S. W. Duck (Ed.), <I>Handbook of interpersonal  relationships </I>(pp. 143-160). New York: Wiley. </P>      <p>Rubin, K. H., &amp; Coplan, R. J. (1998). Social and non-social play in  early childhood: An individual differences perspective. In O. N. Saracho,  &amp; B. Spodeck (Eds.), <I>Multiple perspectives on play in early childhood  education </I>(pp. 144-170). Albany: SUNY Press. </P>      <p>Santos, A. J., Vaughn, B. E., &amp; Bonnet, J. (2000). L&rsquo;influence  du r&eacute;seau affiliatif sur la r&eacute;partition de l&rsquo;attention  sociale chez l&rsquo;enfant en groupe pr&eacute;scolaire. <I>Revue des Sciences  de l&acute;&Eacute;ducation, 26</I>, 17-34. </P>      <p>Santos, A. J., &amp; Winegar, L. T. (1999). Child social ethology and  peer relations: A developmental review of methodology and findings.  <I>Acta Ethologica, 2</I>, 1-11. </P>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Vaughn, B., &amp; Santos, A. J. (2008). Behavioral structures governing  social transactions among young children: Affiliation and dominance in  groups of preschool age children. In K. H. Rubin, W. Bukowski, &amp; B. Laursen  (Eds.), <I>Handbook of peer interactions, relationships, and groups </I>(pp. 195-214).  New York: Guilford Press. </P>      <!-- ref --><p>Ver&iacute;ssimo, M., Monteiro, L., Vaughn, B., &amp; Santos, A. J. (2003).  Qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento s&oacute;cio-cognitivo.  <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 21</I>, 419-430. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0870-8231200800030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ver&iacute;ssimo, M., Monteiro, L., Vaughn, B. E., Santos, A. J., &amp;  Watters, H. (2005). Coordena&ccedil;&atilde;o entre o Modelo Interno Din&acirc;mico  da M&atilde;e e o comportamento de base segura dos seus filhos.  <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 23</I>, 7-17. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-8231200800030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ver&iacute;ssimo, M., &amp; Salvaterra, F. (2006). O modelo interno  din&acirc;mico da m&atilde;e e o comportamento de base segura dos seus filhos  num grupo de crian&ccedil;as adoptadas. <I>Psicologia, 20</I>, 37-50. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0870-8231200800030000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Wasik, B. H. (1987). Sociometric measures and peer descriptors of  kindergarten children: A study of reliability and validity. <I>Journal of  Clinical Child Psychology, 16</I>, 218-224. </P>      <p>Waters, E. (1995). Appendix A: Attachment Q-set (version 3.0). In E. Waters,  B. E. Vaughn, G. Posada, &amp; K. Kondon-Ikemura (Eds.), Caregiving, cultural,  and cognitive perspectives on secure-base behavior and working models: New  growing points of attachment theory and research. <I>Monographs of the Society  for Research in Child development, 60</I>, 234-246. </P>      <p>Waters, E., &amp; Deane, K. (1985). Defining and assessing individual  diferences in attachment relationships: Q-methodology and the organization  of behavior in infancy and early childhood. In I. Bretherton, &amp; E. Waters  (Eds.), <I>Monographs of the Society for Research in the Child Development, 50</I>, 41-65. </P>      <p>Waters, E., &amp; Sroufe, L. A. (1983). Social competence as a developmental  construct. <I>Developmental Review, 3</I>, 79-97.</P>       <P>Weinfield, N., Ogawa, J., &amp; Sroufe, L. A. (1997). Early attachment  as a pathway to adolescent peer competence. <I>Journal of Research on Adolescence,  7</I>, 241-265.</P>       <P>Wood, J. J., Emmerson, N. A., &amp; Cowan, P. A. (2004). Is early attachment  security carried forward into relationships with preschool peers? <I>British  Journal of Developmental Psychology, 22, </I>245-253.</P>       ]]></body>
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