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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relações entre o conhecimento das emoções, as competências académicas, as competências sociais e a aceitação entre pares]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312008000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312008000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312008000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O presente estudo enquadra-se na perspectiva de que o conhecimento das emoções tem efeitos na prontidão e no ajustamento escolar, actuando como mediador entre os factores psicológicos (competências académicas; competências sociais) e os factores proximais (aceitação entre pares). Testaram-se duas hipóteses: (1) o conhecimento das emoções é um factor de mediação na associação entre as competências académicas e a aceitação entre pares; (2) o conhecimento das emoções é um factor de mediação na associação entre as competências sociais e a aceitação entre pares. P articiparam no estudo 40 crianças, 22 do sexo masculino e 18 do feminino, entre os 5 e os 6 anos. Com vista à análise do conhecimento das emoções utilizou-se a adaptação portuguesa do Teste de Conhecimento de Emoções (Denham, McKinley, Couchoud, & Holt, 1990), tendo sido, ainda, realizadas entrevistas sociométricas às crianças (Vaughn, Colvin, Azria, Caya, & Krysik, 2001). Mães e pais responderam separadamente à Escala de Avaliação do Comportamento e Competência Social de LaFreniere e Dumas (1996) e, à Escala de Competência Interpessoal (Cairns, Leung, Gest, & Cairns, 1995). Os resultados confirmaram a hipótese de que o conhecimento das emoções em crianças de cinco e seis anos é um factor de mediação nas associações entre as competências académicas e a aceitação entre pares. Porém, não se obteve resultados significativos desta mediação para a associação entre as competências sociais e a aceitação entre pares, infirmando a nossa segunda hipótese.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Studies the mediating effects of emotional knowledge on school adjustmentand readiness to learn via psychological factors (academic and socialcompetence) and via proximal factors (peer acceptance). Two hypotheses were tested: 1) emotional knowledge is a mediating factor inthe association between academic competence and peer acceptance 2) emotional knowledge is a mediating factor in the association between social competence and peer acceptance. Participants were 40 children, 22 boys, between 5 and 6 years of age. Emotional knowledge was assessed with the Portuguese version of the Emotional Knowledge Test (Denham, McKinley, Couchoud, & Holt, 1990). Peer acceptance was measured through sociometric interviews (Vaughn, Colvin, Azria, Caya, & Krysik, 2001). Social competence was assessed using two instruments administered to fathers and mothers independently: a) the Social Competence and Behavior Evaluation Scale (LaFreniere e Dumas, 1996) and the Interpersonal Competence Scale (Cairns, Leung, Gest, & Cairns, 1995). Results support the hypothesis that emotional knowledge in children of 5 and 6 years of age mediates the association of academic competence with peer acceptance. However, mediation analyses for the association of social competence with peer acceptance yielded no significant results.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Rela&ccedil;&otilde;es entre o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es,  as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas, as compet&ecirc;ncias sociais e a aceita&ccedil;&atilde;o  entre pares (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>) </B></P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right">Paula Machado (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P>     <p align="right">Manuela Ver&iacute;ssimo (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>     <p align="right">Nuno Torres (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>     <p align="right">In&ecirc;s Peceguina (<a href="#4">****</a><a name="top4"></a>)</P>     <p align="right">Ant&oacute;nio J. Santos (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>     <p align="right">Teresa Rol&atilde;o (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESUMO </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente estudo enquadra-se na perspectiva de que o conhecimento das  emo&ccedil;&otilde;es tem efeitos na prontid&atilde;o e no ajustamento escolar,  actuando como mediador entre os factores psicol&oacute;gicos (compet&ecirc;ncias  acad&eacute;micas; compet&ecirc;ncias sociais) e os factores proximais  (aceita&ccedil;&atilde;o entre pares). Testaram-se duas hip&oacute;teses:  (1) o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es &eacute; um factor de media&ccedil;&atilde;o  na associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e  a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares; (2) o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  &eacute; um factor de media&ccedil;&atilde;o na associa&ccedil;&atilde;o  entre as compet&ecirc;ncias sociais e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares. P articiparam no estudo 40 crian&ccedil;as, 22 do sexo masculino e 18 do feminino,  entre os 5 e os 6 anos. Com vista &agrave; an&aacute;lise do conhecimento das  emo&ccedil;&otilde;es utilizou-se a adapta&ccedil;&atilde;o portuguesa do  Teste de Conhecimento de Emo&ccedil;&otilde;es (Denham, McKinley, Couchoud,  &amp; Holt, 1990), tendo sido, ainda, realizadas entrevistas sociom&eacute;tricas  &agrave;s crian&ccedil;as (Vaughn, Colvin, Azria, Caya, &amp; Krysik, 2001).  M&atilde;es e pais responderam separadamente &agrave; Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o  do Comportamento e Compet&ecirc;ncia Social de LaFreniere e Dumas (1996) e,  &agrave; Escala de Compet&ecirc;ncia Interpessoal (Cairns, Leung, Gest, &amp;  Cairns, 1995). Os resultados confirmaram a hip&oacute;tese de que o conhecimento  das emo&ccedil;&otilde;es em crian&ccedil;as de cinco e seis anos &eacute; um  factor de media&ccedil;&atilde;o nas associa&ccedil;&otilde;es entre as  compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares.  Por&eacute;m, n&atilde;o se obteve resultados significativos desta  media&ccedil;&atilde;o para a associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias  sociais e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, infirmando a nossa segunda  hip&oacute;tese. </P>      <p><I>Palavras-chave</I>: Conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es,  aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">ABSTRACT </P>      <p>Studies the mediating effects of emotional knowledge on school adjustmentand  readiness to learn via psychological factors (academic and socialcompetence)  and via proximal factors (peer acceptance). Two hypotheses were tested: 1)  emotional knowledge is a mediating factor inthe association between academic  competence and peer acceptance 2) emotional knowledge is a mediating factor  in the association between social competence and peer acceptance. Participants  were 40 children, 22 boys, between 5 and 6 years of age. Emotional knowledge  was assessed with the Portuguese version of the Emotional Knowledge Test (Denham,  McKinley, Couchoud, &amp; Holt, 1990). Peer acceptance was measured through  sociometric interviews (Vaughn, Colvin, Azria, Caya, &amp; Krysik, 2001). Social  competence was assessed using two instruments administered to fathers and mothers  independently: a) the Social Competence and Behavior Evaluation Scale (LaFreniere  e Dumas, 1996) and the Interpersonal Competence Scale (Cairns, Leung, Gest, &amp;  Cairns, 1995). Results support the hypothesis that emotional knowledge in children  of 5 and 6 years of age mediates the association of academic competence with peer  acceptance. However, mediation analyses for the association of social competence  with peer acceptance yielded no significant results. </P>      <p><I>Key words</I>: Emotional knowledge, peer acceptance, academic competence. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Sendo a prontid&atilde;o escolar um constructo multi-dimensional que  envolve a fam&iacute;lia, pares, escola e a comunidade, s&atilde;o sobretudo  as compet&ecirc;ncias de auto-regula&ccedil;&atilde;o as que est&atilde;o  subjacentes a grande parte dos comportamentos e atributos associados ao  sucesso na adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; escola. Segundo Blair (2002),  dados obtidos a partir do Centro Nacional de Estat&iacute;stica para a  educa&ccedil;&atilde;o nos Estados Unidos, indicam que os professores se  preocupam predominantemente com os aspectos auto-regulat&oacute;rios:  comunicar necessidades, desejos e pensamentos verbalmente, seguir  instru&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o ser disruptivo na sala de aula e  estar sens&iacute;vel aos sentimentos dos outros. Crian&ccedil;as com  expressividade positiva e n&iacute;veis moderados de intensidade emocional  s&atilde;o descritas pelos professores como mais dispon&iacute;veis para a  aprendizagem, obtendo desta forma melhores resultados (Martin, Drew, Gaddis,  &amp; Moseley, 1988; Palinsin, 1986). </P>     <p>Os mecanismos de auto-regula&ccedil;&atilde;o envolvem compet&ecirc;ncias  cognitivas, emocionais e sociais, sobretudo as que est&atilde;o envolvidas  nas amizades e nas interac&ccedil;&otilde;es sociais, tendo estas, um papel  central nas capacidades auto-regulat&oacute;rias necess&aacute;rias &agrave;  transi&ccedil;&atilde;o para a escola b&aacute;sica (Ladd, Birch, &amp;  Buhs, 1999; Pianta, 2006). </P>     <p>Recentemente, a investiga&ccedil;&atilde;o tem sublinhado a import&acirc;ncia  da compet&ecirc;ncia social e da regula&ccedil;&atilde;o emocional na  prontid&atilde;o e adequa&ccedil;&atilde;o escolar (Carlton &amp; Winsler,  1999; Pianta, Steinberg, &amp; Rollins, 1995). Nomeadamente, que a  compet&ecirc;ncia emocional se relaciona com o sucesso social e acad&eacute;mico  (Denham, 2007; Izard, Fine, Shultz, Mostow, Ackerman, &amp; Youngstrom, 2001),  sendo central para o desenvolvimento da capacidade da crian&ccedil;a interagir  e de formar rela&ccedil;&otilde;es positivas com os outros (Denham, 2007; Parke,  1994; Saarni, 1999). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center">COMPET&Ecirc;NCIA EMOCIONAL </P>      <p>Nas crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar s&atilde;o destacadas  tr&ecirc;s componentes da compet&ecirc;ncia emocional, que se encontram  associadas com o ajustamento escolar: (1) o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es &ndash; identificar,  reconhecer e nomear emo&ccedil;&otilde;es; diferenciar as pr&oacute;prias  emo&ccedil;&otilde;es; compreender as emo&ccedil;&otilde;es dos outros com  base nas express&otilde;es faciais e, nas caracter&iacute;sticas das situa&ccedil;&otilde;es  de contexto emocional; (2) a regula&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es  &ndash; capacidade de modular a intensidade ou a dura&ccedil;&atilde;o dos  estados emocionais; (3) o expressar emo&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es  sociais (Denham, 2007; Miller, Fine, Gouley, Seifer, Dickstein, &amp; Shields, 2006). </p>     <p>O conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es implica quatro pressupostos: 1)  a avalia&ccedil;&atilde;o de que a pessoa est&aacute; a enviar uma mensagem  afectiva; 2) interpreta&ccedil;&atilde;o da mensagem afectiva; 3) compreens&atilde;o  de acordo com as regras sociais de expressividade; 4) aplica&ccedil;&atilde;o  dessa compreens&atilde;o ao contexto espec&iacute;fico. As crian&ccedil;as em idade  pr&eacute;-escolar s&atilde;o capazes de: (1) nomear e reconhecer as express&otilde;es  faciais da maior parte das emo&ccedil;&otilde;es, identificar situa&ccedil;&otilde;es  t&iacute;picas que desencadeiam emo&ccedil;&otilde;es (Denham &amp; Couchoud, 1990),  (2) conversar sobre causas e consequ&ecirc;ncias das emo&ccedil;&otilde;es, (3) ter  consci&ecirc;ncia de emo&ccedil;&otilde;es desencadeadas por situa&ccedil;&otilde;es  ambivalentes, (4) conciliar conflitos entre as caracter&iacute;sticas das situa&ccedil;&otilde;es  e as das express&otilde;es faciais, (5) utilizar a informa&ccedil;&atilde;o pessoal  acerca das reac&ccedil;&otilde;es emocionais (Denham &amp; Couchoud, 1990; Gnepp, 1989),  (6) compreender a regula&ccedil;&atilde;o emocional, as regras sociais de expressividade  e, simultaneamente a sua ambival&ecirc;ncia. Contudo, manifestam, ainda, algumas  dificuldades uma vez que ao interpretarem as emo&ccedil;&otilde;es, centram a  sua aten&ccedil;&atilde;o nas caracter&iacute;sticas das situa&ccedil;&otilde;es  ou, nas express&otilde;es faciais (Denham, 2007). As crian&ccedil;as desenvolvem  gradualmente a compet&ecirc;ncia de identificar emo&ccedil;&otilde;es, de  reconhecer o significado das express&otilde;es faciais, e de compreender  o modo como as caracter&iacute;sticas das situa&ccedil;&otilde;es podem  afectar as emo&ccedil;&otilde;es dos outros (Denham &amp; Couchoud, 1990;  Gross &amp; Ballif, 1991; Michalson &amp; Lewis, 1985). Estas  aquisi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o influenciadas por diversos factores de  risco/protec&ccedil;&atilde;o de natureza ambiental (e.g. sintomas depressivos  da m&atilde;e), pelo estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o de  vincula&ccedil;&atilde;o segura (Rosnay &amp; Harris, 2002), pelas  compet&ecirc;ncias cognitivas da crian&ccedil;a, em particular as suas  compet&ecirc;ncias verbais (Bennett, Bendersky, &amp; Lewis, 2005; Cutting  &amp; Dunn, 1999; Izard, 2001; Rosnay &amp; Harris, 2002) e, pela  intelig&ecirc;ncia verbal da m&atilde;e (Bennett <I>et al.</I>, 2005).  No entanto, Tronick (1989) e Izard (2001) sugerem que as compet&ecirc;ncias  para compreender sinais emocionais, os discriminar e, responder de modo  adequado sejam, de alguma forma, independentes do desenvolvimento cognitivo,  sendo influenciadas por factores heredit&aacute;rios. </P>     <p>A capacidade de nomear verbalmente as emo&ccedil;&otilde;es e de as  identificar, n&atilde;o verbalmente, aumenta dos dois aos quatro anos e meio  de idade (Denham &amp; Couchoud, 1990; Denham, 1998; Denham, 2007). As  crian&ccedil;as come&ccedil;am por aprender a diferenciar entre  situa&ccedil;&otilde;es felizes e situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o felizes,  e mais tarde a distinguir entre as situa&ccedil;&otilde;es de tristeza, raiva  ou medo (Denham, 1998; Mostow, Izard, Fine, &amp; Trentacosta, 2002). Entre  os tr&ecirc;s e os quatro anos, na sua maioria, as crian&ccedil;as j&aacute;  conseguem reconhecer e nomear express&otilde;es emocionais, com base nas  emo&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, quando lhes s&atilde;o apresentadas  fotografias (Hughes &amp; Dunn, 1998) e, com tr&ecirc;s anos, reconhecem um  m&iacute;nimo de quatro, de entre cinco, emo&ccedil;&otilde;es com base na  sua express&atilde;o facial (Pons &amp; Harris, 2004). As express&otilde;es  de alegria s&atilde;o discriminadas mais cedo e com maior facilidade pelas  crian&ccedil;as, seguidas das de tristeza e, mais tarde, das express&otilde;es  de raiva e surpresa (Walden &amp; Field, 1982). Crian&ccedil;as com cinco  anos identificam as emo&ccedil;&otilde;es (n&atilde;o verbalmente) com maior  facilidade do que as nomeiam verbalmente. Contudo, nomeiam mais facilmente  as emo&ccedil;&otilde;es de alegria e de tristeza, comparativamente com as  de raiva e medo, tendo maior dificuldade na nomea&ccedil;&atilde;o das  emo&ccedil;&otilde;es de medo e nojo (Denham, 1998). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RECONHECIMENTO DE EMO&Ccedil;&Otilde;ES, RELA&Ccedil;&Otilde;ES    ENTRE PARES E COMPET&Ecirc;NCIA SOCIAL </P>      <p>Alguns estudos demonstram que as crian&ccedil;as com maior capacidade de  reconhecer e nomear emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais aceites pelos pares  e t&ecirc;m melhores resultados acad&eacute;micos, quando se controla a  compet&ecirc;ncia verbal (Garner, Jones, &amp; Miner, 1994; Izard, 1971) e,  apresentam melhor adapta&ccedil;&atilde;o e sucesso escolar (Walden &amp; Field,  1990). Melhores resultados no reconhecimento e na nomea&ccedil;&atilde;o das  emo&ccedil;&otilde;es correlacionam-se positivamente com a compet&ecirc;ncia  social quando se controla &iacute;ndices de intelig&ecirc;ncia e de  temperamento (Izard, 2001). As capacidades de perceber e nomear  emo&ccedil;&otilde;es relacionam-se com a comunica&ccedil;&atilde;o da  emo&ccedil;&atilde;o &ndash; a descodifica&ccedil;&atilde;o e a  codifica&ccedil;&atilde;o dos sinais emocionais &ndash; e, quando em d&eacute;fice,  leva &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o inadequada ou insuficiente atrasando  a compet&ecirc;ncia social. S&atilde;o, tamb&eacute;m, fundamentais &agrave;  empatia e simpatia. A empatia est&aacute; positivamente associada ao  comportamento pr&oacute;social e negativamente associada &agrave; agressividade  e ao comportamento anti-social (Ars&eacute;nio &amp; Lover, 1997; Denham &amp;  Burger, 1991; Eisenberg &amp; Fabes, 1998; Miller &amp; Olson, 2000). </P>     <p>As crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar demonstram um conhecimento  consider&aacute;vel acerca das causas e consequ&ecirc;ncias das situa&ccedil;&otilde;es  emocionais, centrando-se nas qualidades salientes das situa&ccedil;&otilde;es  e, nas express&otilde;es emocionas dos indiv&iacute;duos. Na aus&ecirc;ncia  de express&atilde;o emocional, as crian&ccedil;as tendem a inferir a  emo&ccedil;&atilde;o a partir da situa&ccedil;&atilde;o (Denham, 1998).  No entanto, se as diversas fontes de informa&ccedil;&atilde;o forem  contradit&oacute;rias, as crian&ccedil;as tendem a orientar-se pelas  express&otilde;es emocionais estando, por&eacute;m, a iniciar uma fase em  que j&aacute; reconciliam conjuntos ambivalentes de sinais. Crian&ccedil;as  de quatro anos tendem a mencionar apenas factores situacionais, negligenciando  ou n&atilde;o explicitando a experi&ecirc;ncia mental da pessoa (e.g.  est&aacute; zangado, porque isto &eacute; s&oacute; para as raparigas),  enquanto as crian&ccedil;as mais velhas, de seis anos, mostram um aumento  progressivo de considera&ccedil;&atilde;o pelo car&aacute;cter subjectivo  das emo&ccedil;&otilde;es, o que se pode inferir pelas refer&ecirc;ncias  expl&iacute;citas aos desejos e/ou cren&ccedil;as dos intervenientes das  situa&ccedil;&otilde;es (e.g. est&aacute; zangado porque n&atilde;o quer isto  e quer outra coisa) (Denham, 1998). </P>     <p>Dunn (1988) observou um s&uacute;bito aumento do interesse das crian&ccedil;as  (tr&ecirc;s anos) pelas causas das emo&ccedil;&otilde;es de outras pessoas,  uma vez que nestas idades come&ccedil;am a compreender a liga&ccedil;&atilde;o  directa entre os elementos de uma situa&ccedil;&atilde;o e as emo&ccedil;&otilde;es,  antecipando por exemplo, a emo&ccedil;&atilde;o de alegria, quando se recebe  algo de desej&aacute;vel e, a emo&ccedil;&atilde;o de tristeza, quando se  frustra esse desejo (Wellman &amp; Banerjee, 1991). Compreendem, ainda, que  as emo&ccedil;&otilde;es podem ser consequ&ecirc;ncia da interpreta&ccedil;&atilde;o  de uma situa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o o mero produto mec&acirc;nico desta  por si s&oacute;. Tal requer uma teoria da mente que toma como refer&ecirc;ncia  n&atilde;o a realidade objectiva, mas sim as suas representa&ccedil;&otilde;es  subjectivas sabendo que s&atilde;o estas que guiam as emo&ccedil;&otilde;es  e os actos das pessoas. Por&eacute;m, a maioria das crian&ccedil;as desta idade,  ainda, pensam que as suas ideias acerca do que &eacute; desej&aacute;vel e  as suas cren&ccedil;as acerca do verdadeiro estado de coisas se aplicam a toda  a gente. Apenas por volta dos cinco anos, as crian&ccedil;as contemplam o facto  de as pessoas terem desejos e cren&ccedil;as diferentes dos seus (Rieffe, Terwogt,  &amp; Cowan, 2005). No entanto, as crian&ccedil;as poder&atilde;o n&atilde;o  manifestar a sua capacidade de levar em conta a informa&ccedil;&atilde;o pessoal  e os estados mentais de outras pessoas em situa&ccedil;&otilde;es de maior  intensidade emocional (Gnepp, 1983). Quando aumenta a intensidade das emo&ccedil;&otilde;es, as crian&ccedil;as tendem a focar-se em factores internos  associados aos seus pr&oacute;prios objectivos (Denham, 1998). Muitas crian&ccedil;as  de idade pr&eacute;-escolar citam os mesmos temas e as mesmas pessoas como  causas para a raiva e para a tristeza, compreendendo a ambival&ecirc;ncia das  situa&ccedil;&otilde;es e sabendo que ambas as emo&ccedil;&otilde;es podem  resultar de situa&ccedil;&otilde;es semelhantes: percebendo a obstru&ccedil;&atilde;o  dos seus objectivos pelo outro, activa-se a raiva, enquanto a tristeza resulta  de uma percep&ccedil;&atilde;o mais solit&aacute;ria da incapacidade de atingir  o objectivo (Fabes, Eisenberg, &amp; McCormick, 1988). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao longo da vida da crian&ccedil;a, as emo&ccedil;&otilde;es e as  cogni&ccedil;&otilde;es come&ccedil;am a formar r&aacute;pidas liga&ccedil;&otilde;es  entre si, tendo a linguagem um papel fundamental na sua forma&ccedil;&atilde;o.  No fim da primeira inf&acirc;ncia, muitas das crian&ccedil;as j&aacute; possuem  um vocabul&aacute;rio funcional, importante componente da capacidade cognitiva,  que prev&ecirc; v&aacute;rias facetas do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  (Izard <I>et al.</I>, 2001). V&aacute;rios autores salientam a interdepend&ecirc;ncia  entre a compet&ecirc;ncia emocional e a compet&ecirc;ncia social. Waters e Sroufe  (1983) sugerem uma aproxima&ccedil;&atilde;o integrada da compet&ecirc;ncia social,  definindo-a como capacidade de gerir o comportamento, o afecto e a cogni&ccedil;&atilde;o  de modo a atingir os seus objectivos sociais, sem (1) constranger as oportunidades  dos seus pares e (2) se envolver numa traject&oacute;ria de desenvolvimento  que possa inviabilizar oportunidades de objectivos sociais ainda n&atilde;o  pass&iacute;veis de antecipa&ccedil;&atilde;o. Em crian&ccedil;as do  pr&eacute;-escolar uma das tarefas fundamentais &eacute; a aquisi&ccedil;&atilde;o  da capacidade de envolvimento positivo com os pares, gerindo em simult&acirc;neo  a sua excita&ccedil;&atilde;o emocional e indo ao encontro de expectativas sociais  dos adultos significativos. Inclui-se nestas tarefas a coordena&ccedil;&atilde;o  do jogo e do brincar, resultado de processos sociais de coopera&ccedil;&atilde;o,  gest&atilde;o de conflito, cria&ccedil;&atilde;o de um clima de &ldquo;eu  tamb&eacute;m&rdquo;, fantasia partilhada, e amizade. As componentes da  compet&ecirc;ncia emocional ajudam no sucesso destas interac&ccedil;&otilde;es  sociais, apoiando capacidades tais como o ouvir, o cooperar, o pedir ajuda, o  entrar num pequeno grupo ou abordar um par, e o negociar. Interac&ccedil;&otilde;es  independentes e bem sucedidas com os pares prev&ecirc;em a sa&uacute;de mental e  o bem-estar desde o in&iacute;cio do pr&eacute;-escolar, passando pelos primeiros  anos de escola quando a reputa&ccedil;&atilde;o social se consolida e, continuando  ao longo da vida (Denham, 2007). </P>     <p>As crian&ccedil;as com maior conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es respondem  de forma mais positiva aos pares e professores, tornam-se mais capazes de verbalizar  as suas emo&ccedil;&otilde;es e est&atilde;o mais prontas a mostrar empatia e  preocupa&ccedil;&atilde;o com os outros, sugerindo-se que o conhecimento das  emo&ccedil;&otilde;es facilita as interac&ccedil;&otilde;es sociais e as  rela&ccedil;&otilde;es interpessoais ao contribuir para a aceita&ccedil;&atilde;o  entre pares. Efectivamente, crian&ccedil;as mais conhecedoras das emo&ccedil;&otilde;es  dos outros ser&atilde;o mais capazes de negociar as situa&ccedil;&otilde;es com  os seus pares, obtendo, assim, melhores resultados e um menor n&uacute;mero de  conflitos (Miller <I>et al.</I>, 2006). </P>     <p>&Agrave; medida que a crian&ccedil;a cresce e passa mais tempo na escola, o  efeito do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es sobre um comportamento socialmente  adaptado torna-se cada vez mais importante nas interac&ccedil;&otilde;es com os seus  pares, sendo a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares um dos melhores &iacute;ndices  do funcionamento social das crian&ccedil;as, em idades do pr&eacute;-escolar.  Crian&ccedil;as que, aos cinco anos de idade, n&atilde;o conseguem, ainda,  diferenciar a alegria da tristeza, ou que se confundem nas tarefas de reconhecimento  das express&otilde;es faciais e de infer&ecirc;ncias a partir de situa&ccedil;&otilde;es  de contexto emocional, est&atilde;o em risco de serem menos escolhidas (Denham, 1993).  As crian&ccedil;as mais aptas na compreens&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es  emocionais e as que exibem comportamentos mais pr&oacute;-sociais s&atilde;o as  que apresentam uma maior probabilidade de virem a ser as mais aceites pelos  seus pares (Denham <I>et al.</I>, 1990). Dados que apresentam maior relev&acirc;ncia  se considerarmos que as crian&ccedil;as mais aceites pelos pares tendem a  manifestar melhor adapta&ccedil;&atilde;o escolar, mais qualidade nas suas  rela&ccedil;&otilde;es e a interagir em ambientes sociais mais ricos (Ladd,  Kochenderfer, &amp; Coleman, 1997). As crian&ccedil;as mais escolhidas tendem  a ser mais amigas, mais conversadoras, mais cooperativas, mais prest&aacute;veis,  mais soci&aacute;veis e mais capazes de iniciarem e manterem interac&ccedil;&otilde;es  sociais e discurso coerente (Coie, Dodge, &amp; Kupersmidt, 1990; Denham &amp; Holt,  1993; Kemple, Speranza, &amp; Hazen, 1992; Parke <I>et al.</I>, 1997), s&atilde;o  mais capazes de se envolverem e organizarem actividades em grupo e de reconhecerem e regularem a express&atilde;o afectiva e emocional (Denham &amp; Grout, 1993;  Vaughn &amp; Waters, 1981; Bost, Vaughn, Washington, Cielinsky, Caya, &amp; Bradbard,  1998). </P>     <p>Crian&ccedil;as mais escolhidas pelos pares tendem a ter mais oportunidades  para se envolverem em interac&ccedil;&otilde;es socialmente ricas, aprendendo e  praticando comportamentos socialmente adequados. Assim, verifica-se que os efeitos  entre a compet&ecirc;ncia social e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares s&atilde;o  bi-direccionais, acrescentando-se que o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  prev&ecirc; a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (Denahm <I>et al.</I>, 1990;  Garner, Jones, &amp; Miner, 1994; Walden &amp; Field, 1990). O processamento da  informa&ccedil;&atilde;o social inclui compet&ecirc;ncias que requerem o conhecimento  das emo&ccedil;&otilde;es, e este contribui igualmente para as compet&ecirc;ncias  sociais (Mostow <I>et al.</I>, 2002). Deste modo, o conhecimento das  emo&ccedil;&otilde;es pode eventualmente representar o processo atrav&eacute;s do  qual as compet&ecirc;ncias sociais afectam a prefer&ecirc;ncia social. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RECONHECIMENTO DE EMO&Ccedil;&Otilde;ES, SUCESSO ACAD&Eacute;MICO    E ACEITA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE PARES </P>      <p>Crian&ccedil;as que apresentam uma capacidade verbal mais elevada  s&atilde;o mais capazes de aprender os sinais emocionais e comunicar verbalmente  a informa&ccedil;&atilde;o emocional, facilitando as interac&ccedil;&otilde;es  sociais positivas (Mostow <I>et al.</I>, 2002). O conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  est&aacute; relacionado com a compet&ecirc;ncia verbal (Smith &amp; Walden, 1998),  &eacute; considerado como capacidade s&oacute;cio-cognitiva (Mostow <I>et al.</I>,  2002), tendo ficado demonstrada uma associa&ccedil;&atilde;o directa entre o  conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es e a compet&ecirc;ncia acad&eacute;mica  (Trentacosta &amp; Izard, 2007). A investiga&ccedil;&atilde;o tem consistentemente  estabelecido associa&ccedil;&otilde;es positivas entre o conhecimento das  emo&ccedil;&otilde;es, sucesso escolar e compet&ecirc;ncias sociais (McClelland,  Morrison, &amp; Holmes, 2000; Mostow <I>et al.</I>, 2002). Ao contr&aacute;rio,  a aus&ecirc;ncia de conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es reduz a riqueza das  interac&ccedil;&otilde;es com os pares, afectando a disposi&ccedil;&atilde;o  emocional, a concentra&ccedil;&atilde;o e a motiva&ccedil;&atilde;o para a  realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas escolares (Izard <I>et al.</I>, 2001).  Por sua vez, as crian&ccedil;as que s&atilde;o adeptas da resolu&ccedil;&atilde;o  de problemas sociais tendem a ser mais aceites pelos seus pares (Rubin &amp;  Daniels-Beirness, 1983; Rubin, Daniels-Beirness, &amp; Hayvren, 1982). A capacidade  verbal e a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas sociais est&atilde;o correlacionadas  (Coy, Speltz, DeKleyn, &amp; Jones, 2001) e, est&atilde;o ambas ligadas aos processos  emocionais e ao comportamento socialmente adaptado, tendo sido tamb&eacute;m  estabelecidas anteriormente, pela investiga&ccedil;&atilde;o, correla&ccedil;&otilde;es  entre os factores cognitivos e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (Estell,  Farmer, Cairns, &amp; Cairns, 2002; Izard <I>et al.</I>, 2001, Denham, 2007).  A utiliza&ccedil;&atilde;o das palavras apropriadas possibilita a  interpreta&ccedil;&atilde;o e a comunica&ccedil;&atilde;o da emo&ccedil;&atilde;o  e dos sinais sociais, enquanto que a implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias  de processamento de informa&ccedil;&atilde;o social adequadas facilita as  interac&ccedil;&otilde;es sociais positivas (Mostow <I>et al.</I>, 2002).  Crian&ccedil;as inteligentes e academicamente competentes tendem a ter um  estatuto sociom&eacute;trico mais elevado, do que as menos inteligentes  (Field &amp; Walden, 1982). </P>     <p>Tamb&eacute;m em crian&ccedil;as mais velhas, a investiga&ccedil;&atilde;o  tem conclu&iacute;do que a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares se relaciona  com a motiva&ccedil;&atilde;o para o sucesso acad&eacute;mico (Wentzel, 1991)  e que as crian&ccedil;as de estatuto social rejeitado t&ecirc;m menos interesse  pela escola (Wentzel &amp; Asher, 1995) com resultados escolares mais negativos  (Coie, Dodge, &amp; Kupersmidt, 1990; Parker &amp; Asher, 1987). Ambas as  associa&ccedil;&otilde;es e o desejo de manter o estatuto podem refor&ccedil;ar  o seu comportamento e aumentar a sua motiva&ccedil;&atilde;o ao longo do tempo  (Estell <I>et al.</I>, 2002). Estes resultados poder&atilde;o ser explicados  pelo facto de (1) a aceita&ccedil;&atilde;o dos pares tender para a  promo&ccedil;&atilde;o e adop&ccedil;&atilde;o das normas institucionais,  enquanto a rejei&ccedil;&atilde;o pode levar &agrave; nega&ccedil;&atilde;o  de tais normas (Wentzel &amp; Asher, 1995); algumas das caracter&iacute;sticas  individuais comuns entre as crian&ccedil;as de elevado estatuto social que  promovem a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, podem levar tamb&eacute;m ao  sucesso acad&eacute;mico (Wentzell, 1991), como, por exemplo, o controlo  de impulsos e a auto-confian&ccedil;a. Por ser eventualmente capaz de  representar os processos atrav&eacute;s dos quais as capacidades acad&eacute;micas  prev&ecirc;em a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, o conhecimento das  emo&ccedil;&otilde;es foi examinado como mediador da rela&ccedil;&atilde;o  entre as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">OBJECTIVO </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente trabalho analisa as rela&ccedil;&otilde;es entre os factores  psicol&oacute;gicos, nomeadamente, o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es,  as compet&ecirc;ncias sociais e as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e,  os factores proximais, mais concretamente a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares.  &Eacute; assumido que estas s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis  aos mecanismos de auto-regula&ccedil;&atilde;o subjacentes ao sucesso na  prontid&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o escolar. </P>     <p>S&atilde;o testadas as seguintes hip&oacute;teses: (1) o conhecimento  das emo&ccedil;&otilde;es &eacute; um factor de media&ccedil;&atilde;o na  associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a  aceita&ccedil;&atilde;o entre pares; (2) o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  &eacute; um factor de media&ccedil;&atilde;o na associa&ccedil;&atilde;o  entre as compet&ecirc;ncias sociais e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </P>      <p><I>Participantes </I></P>      <p>Participaram neste estudo 40 crian&ccedil;as, com idades compreendidas  entre os 61 e os 88 meses, (<I>M</I>=72.47; <I>DP</I>=6.56), sendo 22 do  g&eacute;nero masculino e 18 do g&eacute;nero feminino, que frequentam  tr&ecirc;s salas de duas institui&ccedil;&otilde;es da rede particular de  ensino no Concelho de Oeiras e Cascais. As idades de entrada na Creche/  Jardim-de-Inf&acirc;ncia variam entre os 4 e os 30 meses (<I>M</I>=8.63,  <I>DP</I>= 6.22), passando entre 3 a 10 horas/ dia (<I>M</I>=7.47, <I>DP</I>=1.50)  neste contexto. Todas as m&atilde;es e pais trabalham a tempo inteiro.  As fam&iacute;lias pertencem a um n&iacute;vel socio-econ&oacute;mico  m&eacute;dio/m&eacute;dio alto, tendo sido recrutadas para o projecto  atrav&eacute;s das Creches/Jardins-de-inf&acirc;ncia de ensino particular  que as crian&ccedil;as frequentam. Estas fam&iacute;lias participam num  projecto longitudinal mais vasto que analisa o desenvolvimento social e  afectivo de crian&ccedil;as entre os dois anos e meio e os seis anos. </P>      <p><I>Instrumentos </I></P>      <p>An&aacute;lise do Conhecimento das Emo&ccedil;&otilde;es </P>      <p>O conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es foi avaliado individualmente,  utilizando a adapta&ccedil;&atilde;o portuguesa do Teste de Conhecimento de  Emo&ccedil;&otilde;es de Denham <I>et al. </I>(1990), realizada por Machado,  Ver&iacute;ssimo, Monteiro, Peceguina, Torres e Santos (2008). O instrumento  utiliza fantoches com faces amov&iacute;veis que poder&atilde;o expressar  uma de quatro poss&iacute;veis emo&ccedil;&otilde;es (alegria, tristeza,  raiva e medo). As tarefas organizam-se em dois conjuntos distintos: 1)  reconhecimento verbal e identifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal da  express&atilde;o emocional; 2) conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  desencadeadas em situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas e at&iacute;picas. </P>     <p>O reconhecimento verbal &eacute; composto por quatro tarefas, uma por  cada emo&ccedil;&atilde;o, avaliando a capacidade da crian&ccedil;a atribuir  um nome &agrave; emo&ccedil;&atilde;o expressa nas faces amov&iacute;veis  dos fantoches. A identifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal &eacute; igualmente  composta por quatro tarefas, uma por cada emo&ccedil;&atilde;o que avaliam  a capacidade da crian&ccedil;a em identificar a express&atilde;o facial nas  faces amov&iacute;veis, atrav&eacute;s da indica&ccedil;&atilde;o do seu nome  fornecida pelo administrador. Assim, estas tarefas inclu&iacute;ram tanto a  produ&ccedil;&atilde;o do vocabul&aacute;rio das emo&ccedil;&otilde;es,  como a compreens&atilde;o n&atilde;o verbal do seu significado. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conhecimento das situa&ccedil;&otilde;es emocionais foi avaliado  atrav&eacute;s de determinadas situa&ccedil;&otilde;es de contexto emocional,  descritas em vinte vinhetas, cujos protagonistas foram os fantoches (os irm&atilde;os  Jo&atilde;o e In&ecirc;s mais a respectiva m&atilde;e), sendo o fantoche  Jo&atilde;o ou In&ecirc;s (consoante o g&eacute;nero da crian&ccedil;a em  presen&ccedil;a) personalizado atrav&eacute;s da m&iacute;mica gestual, facial  e vocal do administrador, pretendendo-se avaliar a capacidade da crian&ccedil;a  em conhecer as causas das emo&ccedil;&otilde;es quando associadas a determinadas  situa&ccedil;&otilde;es. A cada situa&ccedil;&atilde;o a crian&ccedil;a escolhe  uma face amov&iacute;vel do Jo&atilde;o ou da In&ecirc;s que seja representativa  da emo&ccedil;&atilde;o adequada a esta. As situa&ccedil;&otilde;es dividem-se  entre t&iacute;picas e at&iacute;picas. As primeiras oito consistem em  situa&ccedil;&otilde;es desencadeantes de reac&ccedil;&otilde;es emocionais  t&iacute;picas, tais como a alegria em comer um gelado ou o medo de um pesadelo  (Denham, 1986). Todas as restantes situa&ccedil;&otilde;es, as at&iacute;picas,  podem suscitar uma de duas emo&ccedil;&otilde;es em alternativa, consoante as  cren&ccedil;as e os desejos subjectivos do fantoche, tal como ficar alegre ou  com medo de ir nadar para a piscina (Denham, 1986), avaliando-se assim a capacidade  em conhecer as emo&ccedil;&otilde;es que outras pessoas possam sentir, mesmo que  normalmente as crian&ccedil;as sintam de modo diferente do protagonista.  Relativamente a estas &uacute;ltimas, as situa&ccedil;&otilde;es decomp&otilde;em-se  ainda entre as que exploram a possibilidade de activa&ccedil;&atilde;o de  emo&ccedil;&otilde;es com diferentes val&ecirc;ncias, positivas ou negativas,  e as que exploram situa&ccedil;&otilde;es suscept&iacute;veis de activar uma  de entre duas emo&ccedil;&otilde;es negativas. </P>     <p>Todas as tarefas foram cotadas da seguinte forma: &ldquo;3&rdquo; pontos  para a escolha correcta, &ldquo;2&rdquo; pontos sempre que a val&ecirc;ncia  afectiva positiva/negativa foi correctamente atribu&iacute;da (e.g. &ldquo;triste&rdquo;  em vez de &ldquo;raiva&rdquo;), e &ldquo;1&rdquo; para uma escolha totalmente  incorrecta. Para a presente amostra o valor de Alfa de Cronbach para o total  de todos os itens &eacute; de &alpha;=.62. </P>      <p>Escala de Compet&ecirc;ncia Interpessoal </P>      <p>A Escala de Compet&ecirc;ncia Interpessoal (Cairns, Leung, Gest, &amp;  Cairns, 1995; Santos &amp; Ver&iacute;ssimo, 2000) avalia um conjunto de  caracter&iacute;sticas relacionadas com a compet&ecirc;ncia social e a  compet&ecirc;ncia acad&eacute;mica. Os dezoito itens, que comp&otilde;em  a escala, est&atilde;o organizados em seis sub-escalas; agressividade;  compet&ecirc;ncia acad&eacute;mica (ACA &ndash; composta por &ldquo;bom  conhecimento em n&uacute;meros&rdquo; e &ldquo;bom conhecimentos em  letras e palavras&rdquo;); popularidade; afabilidade; domin&acirc;ncia;  introvers&atilde;o. Neste estudo utilizou-se apenas a sub-escala ACA,  de compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas. Dado o valor de correla&ccedil;&atilde;o  obtido entre a m&eacute;dia dos itens da perspectiva da m&atilde;e e a  m&eacute;dia dos itens da perspectiva do pai (<I>r</I>=.55, <I>p</I>&lt;.01),  optou-se pela realiza&ccedil;&atilde;o do comp&oacute;sito (m&eacute;dia)  dos itens do pai e da m&atilde;e. O Alfa de Cronbach para esta sub-escala  &eacute; de (&alpha;=0.80), ap&oacute;s a elimina&ccedil;&atilde;o do item  (&ldquo;bom conhecimento em letras e palavras&rdquo;). </P>      <p>Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o do Comportamento e Compet&ecirc;ncia Social </P>      <p>Foi utilizada a vers&atilde;o reduzida da Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o  do Comportamento e Compet&ecirc;ncia Social (LaFreniere &amp; Dumas, 1996;  Santos &amp; Ver&iacute;ssimo, 2008). As dimens&otilde;es desta escala s&atilde;o  a compet&ecirc;ncia social (CS); a agressividade (A) e o isolamento (I) contendo  cada uma destas sub-escalas dez itens. Considerou-se, neste estudo, apenas a  dimens&atilde;o de compet&ecirc;ncia social que inclui os itens 13, 15, 17, 19,  20, 22, 24, 26, 27 e 30 desta escala, tendo sido cotados com os valores entre  &ldquo;1&rdquo; e &ldquo;6&rdquo;. Dado o valor de correla&ccedil;&atilde;o obtido  pela associa&ccedil;&atilde;o entre a m&eacute;dia dos itens da perspectiva da  m&atilde;e e a m&eacute;dia dos itens da perspectiva do pai (<I>r</I>=.61,  <I>p</I>&lt;.01), foi considerada a m&eacute;dia dos vinte itens do pai e da  m&atilde;e, para os quais se obteve o valor de Alfa de Cronbach de (&alpha;=.74). </P>      <p><I>T&eacute;cnicas Sociom&eacute;tricas </I></P>      <p>Foram utilizadas tr&ecirc;s medidas sociom&eacute;tricas: </P>     <p>1. <I>Nomea&ccedil;&atilde;o </I>(McCandless &amp; Marshall, 1957),  medida standard, consiste na designa&ccedil;&atilde;o de escolhas positivas  e negativas. Especificamente, pediu-se a cada crian&ccedil;a que escolhesse  (a partir das fotografias dos colegas), as tr&ecirc;s crian&ccedil;as como  quem mais gostasse de brincar (tr&ecirc;s primeiras escolhas positivas); as  tr&ecirc;s crian&ccedil;as com quem menos gostasse de brincar (tr&ecirc;s  escolhas negativas) e, por fim, que seleccionasse as restantes, uma a uma,  pelo crit&eacute;rio &ldquo;gosta mais de brincar&rdquo;, at&eacute; serem  esgotadas todas as possibilidades. A classifica&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as,  ap&oacute;s a escolha das primeiras tr&ecirc;s nomea&ccedil;&otilde;es positivas  e tr&ecirc;s negativas, permite obter mais informa&ccedil;&otilde;es sobre cada  crian&ccedil;a. As classifica&ccedil;&otilde;es de aceita&ccedil;&atilde;o  basearam-se nas tr&ecirc;s escolhas de topo. A propor&ccedil;&atilde;o de escolhas  positivas foi calculada obtendo a quantidade de escolhas positivas e  dividindo-a pelo total das crian&ccedil;as da sala, ao qual se subtraiu a pr&oacute;pria  crian&ccedil;a. O mesmo foi efectuado para a propor&ccedil;&atilde;o de escolhas negativas.  A propor&ccedil;&atilde;o total das nomea&ccedil;&otilde;es de cada crian&ccedil;a  foi obtida pela diferen&ccedil;a entre a propor&ccedil;&atilde;o das escolhas  positivas e a propor&ccedil;&atilde;o das escolhas negativas. </P>      <p>2. <I>Classifica&ccedil;&atilde;o de Escala </I>&ndash; pediu-se a  cada crian&ccedil;a que classificasse os colegas numa escala que variava  entre &ldquo;1&rdquo; (n&atilde;o gosta muito de brincar) e &ldquo;3&rdquo;  (gosta muito de brincar). Para facilitar a compreens&atilde;o da  classifica&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia (i.e., &ldquo;2&rdquo; &ndash;  gosta mais ou menos de brincar), utilizaram-se pe&ccedil;as de pl&aacute;stico  simulando comida em vez de cart&otilde;es (chocolate &ndash; gosta muito de brincar;  P&atilde;o &ndash; n&atilde;o gosta muito de brincar; e Tomate &ndash; gosta  mais ou menos de brincar). O total de aceita&ccedil;&atilde;o baseou-se na  posi&ccedil;&atilde;o relativa de cada crian&ccedil;a no grupo. Para cada  crian&ccedil;a foi calculada uma m&eacute;dia, somando as cota&ccedil;&otilde;es  atribu&iacute;das pelos seus pares e dividindo pelo total dos pares da sala, ao  qual se subtraiu a pr&oacute;pria crian&ccedil;a. Foi calculada a propor&ccedil;&atilde;o  da sua m&eacute;dia relativamente ao m&aacute;ximo, ou seja ao valor &ldquo;3&rdquo;. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>3. <I>Compara&ccedil;&otilde;es de Pares </I>&ndash; a cada crian&ccedil;a  pediu-se que escolhesse um colega, pelo crit&eacute;rio gosta mais de brincar,  em cada uma das d&iacute;ades poss&iacute;veis no grupo (i.e., N. (N-1)/2). O total  de aceita&ccedil;&atilde;o para esta medida baseou-se no n&uacute;mero m&eacute;dio  de escolhas em fun&ccedil;&atilde;o total de d&iacute;ades poss&iacute;veis  propor&ccedil;&atilde;o de escolhas foi calculada, obtendo-se o total atribu&iacute;do  pelos seus pares, dividindo este pela quantidade das crian&ccedil;as da sala ao qual  se retirou a pr&oacute;pria crian&ccedil;a multiplicando-se o resultado por 100. </P>     <p>A m&eacute;dia das medidas sociom&eacute;tricas foi calculada tendo em conta a s tr&ecirc;s propor&ccedil;&otilde;es calculadas para cada crian&ccedil;a. O valor  de Alfa de Cronbach encontrado para o agrupamento destes itens, foi de &alpha;=.79  (para os tr&ecirc;s itens). </P>      <p><I>Procedimento </I></P>      <p>Testes de Conhecimento das Emo&ccedil;&otilde;es </P>      <p>Nas tarefas relativas ao reconhecimento verbal da express&atilde;o emocional,  o administrador baralhou as quatro faces amov&iacute;veis do fantoche Jo&atilde;o  ou In&ecirc;s (consoante o g&eacute;nero da crian&ccedil;a em presen&ccedil;a),  ap&oacute;s o que as colocou em linha diante da crian&ccedil;a, questionando-as  uma a uma: &ldquo;O que sente esta cara?&rdquo;. As crian&ccedil;as indicaram os  nomes de cada uma das emo&ccedil;&otilde;es. </P>     <p>Findo este tipo de tarefa e, imediatamente antes das tarefas de  identifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal, o administrador baralhou de  novo as faces, colocou-as de igual forma em linha &agrave; frente da crian&ccedil;a,  passando agora a perguntar para cada uma das faces: &ldquo;Qual a cara que  est&aacute; a sentir (alegria/tristeza/raiva/medo)?&rdquo;. As crian&ccedil;as  apontaram para a face desenhada com a express&atilde;o de cada uma das emo&ccedil;&otilde;es. </P>     <p>Antes da utiliza&ccedil;&atilde;o dos fantoches para a representa&ccedil;&atilde;o  das situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas e at&iacute;picas, forneceu-se &agrave;  crian&ccedil;a uma breve explica&ccedil;&atilde;o de cada uma das emo&ccedil;&otilde;es,  nomeando-as verbalmente ao usar m&iacute;micas gestuais, faciais, vocais e corporais  do modo standard de expressar essas emo&ccedil;&otilde;es. </P>     <p>Nas tarefas de conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es desencadeadas em  situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas e at&iacute;picas, cada vinheta foi  apresentada pelo administrador que usou as mesmas m&iacute;micas figurativas do  modo standard de expressar cada uma das emo&ccedil;&otilde;es (simulando o fantoche  Jo&atilde;o ou In&ecirc;s). Ap&oacute;s solicitar &agrave; crian&ccedil;a para  observar com aten&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o em curso, foi-lhe  pedido para fixar ao fantoche a face com a emo&ccedil;&atilde;o adequada &agrave;  situa&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o colocada foi: &ldquo;Como se sente o  (Jo&atilde;o ou In&ecirc;s &ndash; representado pelo fantoche &ndash; conforme o  g&eacute;nero da crian&ccedil;a em presen&ccedil;a)&rdquo;. De seguida, pediu-se  a identifica&ccedil;&atilde;o verbal da emo&ccedil;&atilde;o, embora esta &uacute;ltima  indica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o interferisse na cota&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da. </P>     <p>Especificamente para as situa&ccedil;&otilde;es at&iacute;picas, foi pedido  aos pais o preenchimento pr&eacute;vio de um question&aacute;rio, no qual indicaram  qual seria a experi&ecirc;ncia emocional t&iacute;pica do seu filho em cada uma  das situa&ccedil;&otilde;es que configuraram as doze vinhetas das referidas  situa&ccedil;&otilde;es a express&atilde;o emocional do fantoche n&atilde;o  correspondeu &agrave; emo&ccedil;&atilde;o que os pais reportaram como provavelmente  experimentada pelo seu filho(a), naquelas circunst&acirc;ncias, providenciando  assim as condi&ccedil;&otilde;es de avaliar a descentra&ccedil;&atilde;o afectiva. </P>     <p>Todas as entrevistas foram gravadas, as respostas foram cotadas por dois  observadores n&atilde;o familiarizados com outras medidas. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sociometrias </P>      <p>Os dados foram recolhidos por dois observadores. Cada crian&ccedil;a foi  entrevistada individualmente, correspondendo cada tarefa a um momento de  observa&ccedil;&atilde;o. As instru&ccedil;&otilde;es dadas &agrave;s crian&ccedil;as  foram id&ecirc;nticas, bem como a ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o das tarefas  (i.e., 1. Nomea&ccedil;&atilde;o; 2. Classifica&ccedil;&atilde;o de Escala; 3.  Compara&ccedil;&atilde;o de Pares). Para a tarefa de nomea&ccedil;&atilde;o,  apresentou-se &agrave; crian&ccedil;a o conjunto de fotografias dos pares da sua  sala, pedindo para esta nomear cada uma das crian&ccedil;as fotografadas. Ap&oacute;s  a verifica&ccedil;&atilde;o de que a crian&ccedil;a reconhecia todos os seus pares  atrav&eacute;s das respectivas fotografias, pediu-se para ela identificar o par  &ldquo;de quem gostasse particularmente mais&rdquo; (repetindo a pergunta mais  duas vezes para duas novas crian&ccedil;as), seguindo-se o pedido para identificar  um par &ldquo;de quem n&atilde;o gostasse particularmente&rdquo; (repetindo a  pergunta mais duas vezes para duas novas crian&ccedil;as). Na tarefa da Escala  de Classifica&ccedil;&atilde;o as crian&ccedil;as foram ensinadas a usar uma  escala indicando o grau com que apreciavam um determinado alimento (e.g. chocolate,  p&atilde;o e tomate). Todas as crian&ccedil;as demonstraram compreender a escala  de classifica&ccedil;&atilde;o usando este tipo de procedimento. Pediu-se  ent&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as para classificarem os pares da sua sala, c olocando a sua fotografia num dos suportes contendo o alimento correspondente: 1)  crian&ccedil;as com quem gostassem muito de brincar (relacionado com o alimento  mais apreciado); 2) crian&ccedil;as com quem gostassem mais ou menos de brincar  (relacionado com o alimento mais ou menos apreciado); ou 3) com quem n&atilde;o  gostassem de brincar (relacionado com o alimento menos apreciado) &ndash; com  a cota&ccedil;&atilde;o 3, 2 e 1 respectivamente. A terceira t&eacute;cnica  sociom&eacute;trica consistiu numa tarefa de compara&ccedil;&atilde;o dos colegas  dois a dois, perfazendo o n&uacute;mero total de compara&ccedil;&otilde;es num  grupo de dimens&atilde;o <I>n</I>, o valor de n (n-1) / 2. Apresentaram-se os pares  de colegas, um a um, pedindo-se &agrave; crian&ccedil;a para escolher de entre  aqueles dois meninos, aquele de que gostasse mais. Os pares foram organizados de  forma que nenhuma das crian&ccedil;as da sala fosse vista duas vezes antes que  todas elas tivessem sido vistas pelo menos uma vez. </P>      <p><I>Escala de Compet&ecirc;ncia Interpessoal e Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o  do Comportamento e Compet&ecirc;ncia Social </I></P>      <p>A Escala de Compet&ecirc;ncia Interpessoal (SCBE &ndash; LaFreniere &amp;  Dumas, 1996), e a de Avalia&ccedil;&atilde;o do Comportamento e Compet&ecirc;ncia  Social (ICS-T &ndash; Cairns, Leung, Gest, &amp; Cairns, 1995), foram preenchidas s eparadamente pelos pais e entregues &agrave;s educadoras das salas de aula  frequentadas pelas crian&ccedil;as. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESULTADOS </P>      <p><I>Conhecimento de emo&ccedil;&otilde;es: M&eacute;dias e Percentagens de  Respostas Correctas para cada Dimens&atilde;o/ Emo&ccedil;&atilde;o </I></P>      <p>No sentido de analisar as diferen&ccedil;as em termos de dificuldade nos diversos    tipos de tarefas/emo&ccedil;&otilde;es procedeu-se, inicialmente, ao estudo    da normalidade de todas as vari&aacute;veis. Assim, recorreu-se ao teste de    normalidade de Shapiro-Wilk que permitiu inferir que as vari&aacute;veis n&atilde;o    seguiam, a distribui&ccedil;&atilde;o normal, pelo que se utilizou o teste n&atilde;o-param&eacute;trico    de Wilcoxon na compara&ccedil;&atilde;o entre as diversas vari&aacute;veis,    duas a duas. A <a href="#t1">Tabela 1</a><a name="topt1"></a> mostra os dados    descritivos para todas as medidas. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt1">TABELA 1</a><a name="t1"></a> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>Dados Descritivos do Conhecimento de emo&ccedil;&otilde;es    </I></P>  <TABLE   align="center" border=0 cellspacing=0 cellpadding=2 >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="top" height="18"  ><B>Medidas </B></TH >     <TH   align="center" width="161"  valign="top" height="18"  >M </TH >     <TH   align="right" width="79"  valign="top" height="18"  >    <div align="center">DP </div></TH >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="bottom" height="25"  ><B>Conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es </B></TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="bottom" height="25"  >2.78 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="bottom" height="25"  >    <div align="center">.14 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="top" height="15"  >Expressividade </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="top" height="15"  >2.24 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="top" height="15"  >    <div align="center">.42 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="top" height="14"  >Identifica&ccedil;&atilde;o </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="top" height="14"  >2.88 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="top" height="14"  >    <div align="center">.29 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="top" height="15"  >Expressividade/Identifica&ccedil;&atilde;o </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="top" height="15"  >2.56 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="top" height="15"  >    <div align="center">.27 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="top" height="14"  >Alegria </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="top" height="14"  >2.65 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="top" height="14"  >    <div align="center">.43 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="13"  >Tristeza </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="13"  >2.59 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="13"  >    <div align="center">.42 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="14"  >Raiva </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="14"  >2.71 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">.45 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="14"  >Medo </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="14"  >2.14 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">.47 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="16"  >Situa&ccedil;&otilde;es T&iacute;picas </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="16"  >2.94 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="16"  >    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">.14 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="top" height="14"  >Alegria </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="top" height="14"  >2.98 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="top" height="14"  >    <div align="center">.16 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="13"  >Tristeza </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="13"  >2.96 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="13"  >    <div align="center">.13 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="14"  >Raiva </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="14"  >2.94 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">.20 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="14"  >Medo </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="14"  >2.90 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="14"  >    <div align="center">.34 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="16"  >Situa&ccedil;&otilde;es At&iacute;picas </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="16"  >2.83 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="16"  >    <div align="center">.17 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="top" height="14"  >Positivas <I>vs </I>negativas </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="top" height="14"  >2.75 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="top" height="14"  >    <div align="center">.32 </div></TD >   </TR >   <TR    >     <TH   align="left" width="221"  valign="middle" height="12"  >Negativas <I>vs </I>negativas </TH >     <TD    align="center" width="161"  valign="middle" height="12"  >2.59 </TD >     <TD    align="right" width="79"  valign="middle" height="12"  >    <div align="center">.51 </div></TD >   </TR > </TABLE>      <p>&nbsp;</p>      <p>Relativamente &agrave;s medidas do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es,  verifica-se que as tarefas de identifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal  (<I>M</I>=2.88) foram mais bem sucedidas do que as de reconhecimento verbal  das emo&ccedil;&otilde;es (<I>M</I>=2.24), T=10, <I>z</I>=-5.18, <I>p</I>&lt;0.05.  De facto, as tarefas de reconhecimento verbal tamb&eacute;m apresentam diferen&ccedil;as  significativas com as tarefas de situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas  (<I>M</I>=2.94), T=0, <I>z</I>=-5.39, <I>p</I>&lt;0.05 e com as tarefas de  situa&ccedil;&otilde;es at&iacute;picas (<I>M</I>=2.83), T=18, <I>z</I>=-5.27,  <I>p</I>&lt;0.05. Reconhecer e identificar as express&otilde;es de raiva (<I>M</I>=2.71)  obteve uma m&eacute;dia superior ao reconhecimento e identifica&ccedil;&atilde;o  das express&otilde;es de alegria (<I>M</I>=2.65), bem como das de tristeza  (<I>M</I>=2.59) e das de medo (<I>M</I>=2.14). Nas tarefas das situa&ccedil;&otilde;es  t&iacute;picas, as situa&ccedil;&otilde;es de alegria (<I>M</I>=2.98) obtiveram  uma m&eacute;dia superior &agrave;s de tristeza (<I>M</I>=2.96), ambas mais  f&aacute;ceis de reconhecer do que as de raiva (<I>M</I>=2.94) e as de medo  (<I>M</I>=2.90). A resolu&ccedil;&atilde;o das tarefas das situa&ccedil;&otilde;es  t&iacute;picas (<I>M</I>=2.94) foi mais f&aacute;cil do que a das tarefas  at&iacute;picas (<I>M</I>=2.83). Para as tarefas de situa&ccedil;&otilde;es  at&iacute;picas n&atilde;o se encontraram diferen&ccedil;as significativas. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><I>Rela&ccedil;&otilde;es entre o Conhecimento das Emo&ccedil;&otilde;es,  as Compet&ecirc;ncias Acad&eacute;micas, as Compet&ecirc;ncias Sociais e a  Aceita&ccedil;&atilde;o entre Pares </I></P>      <p>A an&aacute;lise dos dados apresentados na <a href="#t2">Tabela 2</a><a name="topt2"></a>    permite-nos constatar que o conhecimento das situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas    correlaciona-se positivamente com as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas (<I>r</I>=.45,    <I>p</I>&lt;.01), com a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (<I>r</I>=.49, <I>p</I>&lt;.01)    e, negativamente, com as escolhas negativas (<I>r</I>=-.65, <I>p</I>&lt;.01).    O reconhecimento verbal d as emo&ccedil;&otilde;es correlaciona-se com a aceita&ccedil;&atilde;o    entre pares (<I>r</I>=.32, <I>p</I>&lt;.05) enquanto o conhecimento das situa&ccedil;&otilde;es    at&iacute;picas se correlaciona negativamente com as escolhas negativas (<I>r</I>=-.32,    <I>p</I>&lt;.05). O comp&oacute;sito total do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es    correlaciona-se positivamente com as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas (<I>r</I>=.33,    <I>p</I>&lt;.05), com a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (<I>r</I>=.45, <I>p</I>&lt;.01)    e, de modo negativo, com as escolhas negativas (<I>r</I>=-.51, <I>p</I>&lt;.01).    De igual modo, as escolhas negativas correlacionam-se negativamente com o conhecimento    das situa&ccedil;&otilde;es at&iacute;picas das emo&ccedil;&otilde;es (<I>r</I>=-.32,    <I>p</I>&lt;.05). Os resultados do estudo n&atilde;o indicam correla&ccedil;&otilde;es    significativas do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es com as compet&ecirc;ncias    sociais. </P>      <p align="center"><a href="#topt2">TABELA 2</a><a name="t2"></a> </P>      <p align="center"><I>Correla&ccedil;&otilde;es entre Conhecimento de Emo&ccedil;&otilde;es,    Compet&ecirc;ncias Acad&eacute;micas, Compet&ecirc;ncias Sociais e Aceita&ccedil;&atilde;o    entre Pares</I></P>      <div align="center">   <table width="66%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="28%">&nbsp;</td>       <td width="8%">    <div align="center">1</div></td>       <td width="8%">    <div align="center">2</div></td>       <td width="9%">    <div align="center">3</div></td>       <td width="8%">    <div align="center">4</div></td>       <td width="8%">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">5</div></td>       <td width="8%">    <div align="center">6</div></td>       <td width="8%">    <div align="center">7</div></td>       <td width="10%">    <div align="center">8</div></td>       <td width="5%">    <div align="center">9</div></td>     </tr>     <tr>        <td>1. R. Verbal</td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>2. Identifica&ccedil;&atilde;o</td>       <td>    <div align="center">.14</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>3. S. T&iacute;picas</td>       <td>    <div align="center">.34*</div></td>       <td>    <div align="center">.14</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>4. S. At&iacute;picas</td>       <td>    <div align="center">.24</div></td>       <td>    <div align="center">-.10</div></td>       <td>    <div align="center">.30</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center"></div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>5. T. Emo&ccedil;&otilde;es</td>       <td>    <div align="center">.71**</div></td>       <td>    <div align="center">.36*</div></td>       <td>    <div align="center">.64**</div></td>       <td>    <div align="center">.64**</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>6. C. Acad&eacute;micas</td>       <td>    <div align="center">.23</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">.05</div></td>       <td>    <div align="center">.45**</div></td>       <td>    <div align="center">.17</div></td>       <td>    <div align="center">.33*</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>7. C. Sociais</td>       <td>    <div align="center">.16</div></td>       <td>    <p align="center">-.13</p></td>       <td>    <div align="center">.27</div></td>       <td>    <div align="center">-.08</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">.06</div></td>       <td>    <div align="center">.33*</div></td>       <td>-</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>8. A. Pares</td>       <td>    <div align="center">.32*</div></td>       <td>    <div align="center">.25</div></td>       <td>    <div align="center">.49**</div></td>       <td>    <div align="center">.18</div></td>       <td>    <div align="center">.45**</div></td>       <td>    <div align="center">.35*-</div></td>       <td>.33*</td>       <td>-</td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>9. Escolhas Negativas</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-.28</div></td>       <td>    <div align="center">-.13</div></td>       <td>    <div align="center">-.65**</div></td>       <td>    <div align="center">-.32*</div></td>       <td>    <div align="center">-.51*</div></td>       <td>    <div align="center">-.27</div></td>       <td>-.28</td>       <td>-.79**</td>       <td>    <div align="center">-</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p align="center"><I>Legenda</I>: ** A correla&ccedil;&atilde;o &eacute; significativa    ao n&iacute;vel 0,01 </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Para al&eacute;m da associa&ccedil;&atilde;o com o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es,  as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas correlacionam-se positivamente com as compet&ecirc;ncias  sociais (<I>r</I>=.33, <I>p</I>&lt;.05) e com a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares  (<I>r</I>=.35, <I>p</I>&lt;.05). Igualmente, as compet&ecirc;ncias sociais correlacionam-se  positivamente com a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (<I>r</I>=.33, <I>p</I>&lt;.05). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Conhecimento de Emo&ccedil;&otilde;es como factor de media&ccedil;&atilde;o  entre as Compet&ecirc;ncias Acad&eacute;micas e a Aceita&ccedil;&atilde;o entre Pares </I></P>      <p>Segundo Baron e Kenny (1986), uma vari&aacute;vel que actua como mediador  explica como e porqu&ecirc; s&atilde;o verificados determinados efeitos, ao  reflectir a extens&atilde;o pela qual contribui na associa&ccedil;&atilde;o entre  uma vari&aacute;vel independente e uma vari&aacute;vel dependente. Para testar a  hip&oacute;tese da media&ccedil;&atilde;o, deve-se verificar os efeitos de tr&ecirc;s  equa&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o linear: Primeira equa&ccedil;&atilde;o  &ndash; an&aacute;lise da regress&atilde;o simples entre a vari&aacute;vel independente  e o mediador; Segunda equa&ccedil;&atilde;o &ndash; an&aacute;lise de regress&atilde;o  simples entre a vari&aacute;vel independente e a vari&aacute;vel dependente; Terceira  equa&ccedil;&atilde;o &ndash; an&aacute;lise de regress&atilde;o m&uacute;ltipla  entre a vari&aacute;vel independente e o mediador (ambas como vari&aacute;veis independentes)  e a vari&aacute;vel dependente. Para se confirmar o efeito de media&ccedil;&atilde;o  &eacute; necess&aacute;rio que se verifiquem as seguintes condi&ccedil;&otilde;es:(1)  que na primeira equa&ccedil;&atilde;o a vari&aacute;vel independente afecte  significativamente o mediador; (2) que na segunda equa&ccedil;&atilde;o a vari&aacute;vel  independente afecte significativamente a vari&aacute;vel dependente; (3) que  na terceira equa&ccedil;&atilde;o o mediador afecte significativamente a  vari&aacute;vel dependente. Verificadas as primeiras tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es,  &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio confirmar que o efeito da vari&aacute;vel  independente sobre a vari&aacute;vel dependente na terceira equa&ccedil;&atilde;o  seja inferior ao efeito demonstrado pela segunda equa&ccedil;&atilde;o, sabendo-se  que a media&ccedil;&atilde;o perfeita se verifica quando o efeito bi-variado entre  a vari&aacute;vel independente e a vari&aacute;vel dependente obtido na segunda  equa&ccedil;&atilde;o se perde totalmente ao controlar o mediador na equa&ccedil;&atilde;o  de regress&atilde;o m&uacute;ltipla (terceira equa&ccedil;&atilde;o). </P>     <p>Analisando a primeira hip&oacute;tese do nosso estudo, com o fim de verificar    em que extens&atilde;o o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es actua como mediador    explicando a associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas    e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, procedemos aos testes estat&iacute;sticos    de regress&atilde;o linear que obedeceram aos crit&eacute;rios de Baron e Kenny    (1986). Foram executadas as tr&ecirc;s equa&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o    linear que se apresentam na <a href="#f1">Figura 1</a><a name="topf1"></a> e    na <a href="#t3">Tabela 3</a><a name="topt3"></a>. </P>      <p align="center"><a href="#topf1">FIGURA 1</a><a name="f1"></a> </P>      <p align="center"><B>Modelo de equa&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o linear    de media&ccedil;&atilde;o das Situa&ccedil;&otilde;es T&iacute;picas (conhecimento    das emo&ccedil;&otilde;es) entre a associa&ccedil;&atilde;o das Compet&ecirc;ncias    Acad&eacute;micas e a Aceita&ccedil;&atilde;o entre Pares </B></p>      <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n3/26n3a08f1.gif"></p>      
<p align="center"><a href="#topt3">TABELA 3</a><a name="t3"></a> </P>      <p align="center"><I>Equa&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o linear na an&aacute;lise    da media&ccedil;&atilde;o entre Compet&ecirc;ncias Acad&eacute;micas e Aceita&ccedil;&atilde;o    entre Pares, pelo Conhecimento das Emo&ccedil;&otilde;es </I></P>     <div align="center">   <table width="69%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="19%">&nbsp;</td>       <td colspan="2">    <div align="center"><b>Conhecimento Emo&ccedil;&otilde;es            (1.&ordf; equa&ccedil;&atilde;o)</b></div></td>       <td colspan="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center"><b>Aceita&ccedil;&atilde;o Pares (2.&ordf;            equa&ccedil;&atilde;o)</b></div></td>       <td colspan="2">    <div align="center"><b>Aceita&ccedil;&atilde;o Pares (3.&ordf;            equa&ccedil;&atilde;o)</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td width="13%">    <div align="center">&beta;</div></td>       <td width="17%">    <div align="center">T </div></td>       <td width="11%">    <div align="center">&beta;</div></td>       <td width="13%">    <div align="center">T </div></td>       <td width="12%">    <div align="center">&beta;</div></td>       <td width="15%">    <div align="center">T </div></td>     </tr>     <tr>        <td>Conhecimento Emo&ccedil;&otilde;es</td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">.39</div></td>       <td>    <div align="center">2.55**</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Compet&ecirc;ncias Acad&eacute;micas</td>       <td>    <div align="center">.33</div></td>       <td>    <div align="center">2.12*</div></td>       <td>    <div align="center">.35</div></td>       <td>    <div align="center">2.24*</div></td>       <td>    <div align="center">.22</div></td>       <td>    <div align="center">1.43</div></td>     </tr>   </table> </div>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><I>Legenda</I>: ** p&lt;.01; * p&lt;.05 </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Obtiveram-se os seguintes resultados: (1) na primeira equa&ccedil;&atilde;o,  verifica-se o efeito estatisticamente significativo das compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas  sobre o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.11;  &beta;=.33; <I>p</I>&lt;.04); (2) na segunda equa&ccedil;&atilde;o, verifica-se  o efeito estatisticamente significativo das compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas  sobre a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.12;  &beta;=.35; <I>p</I>&lt;.03); (3) na terceira equa&ccedil;&atilde;o, verifica-se  o efeito estatisticamente significativo do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  sobre a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.15;  &beta;=.39; <I>p</I>&lt;.02) e, que o efeito significativo reflectido entre  as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares  na segunda equa&ccedil;&atilde;o, ficou reduzido a um n&iacute;vel n&atilde;o  significativo de (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.05; &beta;=.22; <I>p</I>&gt;.16)  na terceira equa&ccedil;&atilde;o, sendo <I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.07, o  valor da vari&acirc;ncia comum da associa&ccedil;&atilde;o entre as  compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares,  que &eacute; explicada pelo conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es. </P>     <p>Estes resultados confirmam a primeira hip&oacute;tese do nosso estudo, dado  que a vari&acirc;ncia comum bivariada estatisticamente significativa entre as  compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares  que era 12% (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.12 na segunda equa&ccedil;&atilde;o),  &eacute; na sua maioria explicada pelo conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es  (situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas), ou seja, reduz-se para um valor n&atilde;o  significativo de 5% quando se controla para a vari&aacute;vel mediadora num  modelo de regress&atilde;o m&uacute;ltipla (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.05  na terceira equa&ccedil;&atilde;o). </P>     <p>Este efeito de media&ccedil;&atilde;o aumenta quando se considera apenas a  sub-dimens&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas, ou seja, o conhecimento  das causas das emo&ccedil;&otilde;es, como se poder&aacute; verificar se considerarmos  que conhecimento das causas das emo&ccedil;&otilde;es actua como mediador explicando  a associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o  entre pares e executando as tr&ecirc;s equa&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o  linear que se apresentam na <a href="#f2">Figura 2</a><a name="topf2"></a> e na  <a href="#t4">Tabela 4</a><a name="topt4"></a>. Resumem-se os resultados do seguinte  modo: (1) na primeira equa&ccedil;&atilde;o, verifica-se o efeito estatisticamente  significativo das compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas sobre as situa&ccedil;&otilde;es  t&iacute;picas (conhecimento das causas das emo&ccedil;&otilde;es) (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.21;  &beta;=.45; <I>p</I>&lt;.004); (2) na segunda equa&ccedil;&atilde;o, verifica-se  o efeito estatisticamente significativo das compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas  sobre a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.12;  &beta;=.35; <I>p</I>&lt;.03); (3) na terceira equa&ccedil;&atilde;o, verifica-se  o efeito estatisticamente significativo das situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas  (conhecimento das causas das emo&ccedil;&otilde;es) sobre a aceita&ccedil;&atilde;o  entre pares (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.17; &beta;=.41; <I>p</I>&lt;.02) e que  o efeito estatisticamente significativo, obtido pela segunda equa&ccedil;&atilde;o  entre as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre  pares, ficou reduzido a um n&iacute;vel n&atilde;o significativo (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.03;  &beta;=.16; <I>p</I>&gt;.33) na terceira equa&ccedil;&atilde;o, sendo <I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.09  o valor da vari&acirc;ncia comum da associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias  acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, explicado pelas situa&ccedil;&otilde;es  t&iacute;picas (conhecimento das causas das emo&ccedil;&otilde;es). </P>      <p align="center"><a href="#topf2">FIGURA 2</a><a name="f2"></a></P>      <p align="center"><B>Modelo de equa&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o linear    de media&ccedil;&atilde;o das Situa&ccedil;&otilde;es T&iacute;picas (conhecimento    das causas das emo&ccedil;&otilde;es) entre a associa&ccedil;&atilde;o das Compet&ecirc;ncias    Acad&eacute;micas e a Aceita&ccedil;&atilde;o entre Pares  </B></P>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n3/26n3a08f2.gif"> </div>      
<p align="center"><a href="#topt4">TABELA 4</a><a name="t4"></a></P>      <p align="center"><I>Equa&ccedil;&otilde;es de regress&atilde;o linear na an&aacute;lise    da media&ccedil;&atilde;o entre Compet&ecirc;ncias Acad&eacute;micas e Aceita&ccedil;&atilde;o    entre Pares, pelas Situa&ccedil;&otilde;es T&iacute;picas (Conhecimento das    causas das emo&ccedil;&otilde;es) </I></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">   <table width="62%" height="182" border="1">     <tr>        <td width="22%">&nbsp;</td>       <td colspan="2">    <div align="center"><b>Situa&ccedil;&otilde;es T&iacute;picas            (1.&ordf; equa&ccedil;&atilde;o)</b></div></td>       <td colspan="2">    <div align="center"><b>Aceita&ccedil;&atilde;o Pares (2.&ordf;            equa&ccedil;&atilde;o)</b></div></td>       <td colspan="2">    <div align="center"><b>Aceita&ccedil;&atilde;o Pares (3.&ordf;            equa&ccedil;&atilde;o)</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td width="14%">    <div align="center">&beta;</div></td>       <td width="13%">    <div align="center">T </div></td>       <td width="14%">    <div align="center">&beta;</div></td>       <td width="12%">    <div align="center">T </div></td>       <td width="11%">    <div align="center">&beta;</div></td>       <td width="14%">    <div align="center">T</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Situa&ccedil;&otilde;es T&iacute;picas</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">.41</div></td>       <td>    <div align="center">2.54**</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Compet&ecirc;ncias Acad&eacute;micas</td>       <td>    <div align="center">.45</div></td>       <td>    <div align="center">3.10**</div></td>       <td>    <div align="center">.35</div></td>       <td>    <div align="center">2.24*</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">.16</div></td>       <td>    <div align="center">.99</div></td>     </tr>   </table> </div>      <p align="center"><I>Legenda</I>: ** p&lt;.01; * p&lt;.05 </P>       <p>&nbsp;</p>      <p>Assim, a vari&acirc;ncia comum bivariada estatisticamente significativa  entre as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre  pares que era de 12% (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.12 na segunda equa&ccedil;&atilde;o),  &eacute; na sua maioria explicada pelas situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas  (conhecimento das causas das emo&ccedil;&otilde;es), isto &eacute;, reduz-se  para um valor n&atilde;o significativo de 3% quando se controla para a  vari&aacute;vel mediadora num modelo de regress&atilde;o m&uacute;ltipla  (<I>R</I><Sup><I>2</I></Sup>=.03 na terceira equa&ccedil;&atilde;o). </P>      <p><I>Conhecimento de emo&ccedil;&otilde;es como factor de media&ccedil;&atilde;o  entre as compet&ecirc;ncias sociais e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares </I></P>      <p>A an&aacute;lise das correla&ccedil;&otilde;es entre compet&ecirc;ncias sociais  e o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es leva-nos a concluir que a segunda  hip&oacute;tese, a de que o conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es actuaria como  mediador explicando a associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias sociais  e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, n&atilde;o se verifica. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </P>      <p>Os resultados obtidos confirmam a hip&oacute;tese de que o conhecimento das  emo&ccedil;&otilde;es em crian&ccedil;as de cinco e seis anos &eacute; um factor  de media&ccedil;&atilde;o nas associa&ccedil;&otilde;es entre as compet&ecirc;ncias  acad&eacute;micas e a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares. Por&eacute;m, n&atilde;o  se obtiveram resultados significativos desta media&ccedil;&atilde;o para a  associa&ccedil;&atilde;o entre as compet&ecirc;ncias sociais e a aceita&ccedil;&atilde;o  entre pares pelo que se infere a segunda hip&oacute;tese. Verificou-se, ainda,  que foi essencialmente a sub-dimens&atilde;o do conhecimento das causas das  emo&ccedil;&otilde;es que contribuiu para a confirma&ccedil;&atilde;o da nossa  primeira hip&oacute;tese. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O reconhecimento verbal foi a &uacute;nica compet&ecirc;ncia do conhecimento  das emo&ccedil;&otilde;es que mobilizou compet&ecirc;ncias verbais na execu&ccedil;&atilde;o  do teste, j&aacute; que as restantes foram cotadas no seu valor m&aacute;ximo  atrav&eacute;s da indica&ccedil;&atilde;o dada pela crian&ccedil;a, seja atrav&eacute;s  do gesto ou pela coloca&ccedil;&atilde;o da face adequada no fantoche. No entanto,  em futuras investiga&ccedil;&otilde;es sugere-se o controlo da compet&ecirc;ncia verbal. </P>     <p>O reconhecimento verbal correlacionou-se com o conhecimento das causas das  emo&ccedil;&otilde;es e com a aceita&ccedil;&atilde;o entre pares, embora n&atilde;o  se tivesse encontrado resultados significativos na associa&ccedil;&atilde;o entre  esta capacidade e as compet&ecirc;ncias sociais e acad&eacute;micas. O valor  da m&eacute;dia das cota&ccedil;&otilde;es para esta sub-dimens&atilde;o do  conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es foi inferior &agrave;s das restantes  sub-dimens&otilde;es, coincidindo com a not&oacute;ria dificuldade revelada pelas  crian&ccedil;as da nossa amostra ao procurarem a palavra correcta para determinada  express&atilde;o facial nas faces dos fantoches que constitu&iacute;ram o material  deste teste. Muito frequentemente foram usadas express&otilde;es relacionadas com  o comportamento, tais como &ldquo;rir&rdquo;, &ldquo;chorar&rdquo;, &ldquo;gritar&rdquo;,  etc. reduzindo a cota&ccedil;&atilde;o das respostas. A correla&ccedil;&atilde;o  encontrada entre o reconhecimento verbal da express&atilde;o emocional e o conhecimento  das causas das emo&ccedil;&otilde;es, medido pela sub-dimens&atilde;o de  situa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas, est&aacute; de acordo com a perspectiva  de que s&atilde;o estas as dimens&otilde;es mais dependentes do desenvolvimento  cognitivo, nomeadamente do vocabul&aacute;rio das emo&ccedil;&otilde;es e da  utiliza&ccedil;&atilde;o da linguagem. Sendo assim, podemos sugerir que as  ac&ccedil;&otilde;es de apoio ao desenvolvimento da linguagem e do vocabul&aacute;rio d as emo&ccedil;&otilde;es possam promover o desenvolvimento das compet&ecirc;ncias emocionais,  sobretudo do conhecimento das causas das emo&ccedil;&otilde;es, assim como da  capacidade de ser aceite pelos pares. </P>     <p>As crian&ccedil;as do nosso estudo obtiveram uma maior cota&ccedil;&atilde;o  nas tarefas de reconhecimento e de identifica&ccedil;&atilde;o da raiva do que nas  suas correspondentes relativas &agrave; alegria, o que contraria a literatura  onde se afirma a evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica de que as express&otilde;es de  alegria s&atilde;o discriminadas e nomeadas mais cedo e com maior facilidade do  que as restantes (Denham, 1998; Walden, &amp; &amp; Field, 1982). </P>     <p>Verificou-se que o medo foi a emo&ccedil;&atilde;o mais dif&iacute;cil para  todas as tarefas do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es bem como o facto da  percentagem de respostas correctas decrescer a partir das tarefas de situa&ccedil;&otilde;es  t&iacute;picas desencadeantes da express&atilde;o da alegria, seguidas das de tristeza,  de raiva e de medo &ndash; o que confirma os dados da literatura, nomeadamente os  resultados obtidos por Susnne Denham (Denham, 1998). No entanto, a emo&ccedil;&atilde;o  raiva obteve uma percentagem mais elevada nas dimens&otilde;es de reconhecimento verbal,  identifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal e tarefas da sub-dimens&atilde;o de  situa&ccedil;&otilde;es at&iacute;picas, levando a sugerir que tal emo&ccedil;&atilde;o  possa, eventualmente, atrair muito a aten&ccedil;&atilde;o destas crian&ccedil;as que,  na presente fase do seu desenvolvimento, enfrentam novos desafios tanto ao n&iacute;vel  da resist&ecirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o como na resolu&ccedil;&atilde;o  de conflitos, quer nas suas actividades inter-pares quer na sala de aula. </P>     <p>Se entre os dois e os quatro anos e meio de idade, as crian&ccedil;as adquirem  as compet&ecirc;ncias de reconhecer e nomear as emo&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas,  apenas aos tr&ecirc;s anos a crian&ccedil;a d&aacute; inicio &agrave;  aquisi&ccedil;&atilde;o da teoria da mente, passando a compreender, a partir dos  cinco anos, que as cren&ccedil;as e desejos dos outros s&atilde;o diferentes dos  seus, apenas manifestando aos seis anos o levar em linha de conta o car&aacute;cter  subjectivo das emo&ccedil;&otilde;es (Denham <I>et al.</I>, 1990; Dunn, 1988).  De facto, a compet&ecirc;ncia de descentra&ccedil;&atilde;o afectiva, medida  atrav&eacute;s da sub-dimens&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es at&iacute;picas  do conhecimento das emo&ccedil;&otilde;es, obteve um resultado inferior ao conhecimento  das causas das emo&ccedil;&otilde;es, mas correlacionou-se negativamente com as  escolhas negativas obtidas atrav&eacute;s da t&eacute;cnica sociom&eacute;trica  de nomea&ccedil;&atilde;o. Desta forma, ficou demonstrada a import&acirc;ncia da  teoria da mente e da descentra&ccedil;&atilde;o afectiva (situa&ccedil;&otilde;es  at&iacute;picas) sobre o estatuto de rejei&ccedil;&atilde;o. No entanto, esta  compet&ecirc;ncia n&atilde;o se correlacionou nem com as compet&ecirc;ncias sociais,  nem com as compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas, nem com a aceita&ccedil;&atilde;o  entre pares, o que nos leva a concluir que, para estas idades, a descentra&ccedil;&atilde;o  afectiva poder&aacute; n&atilde;o ser um factor t&atilde;o fundamental  na aquisi&ccedil;&atilde;o destas compet&ecirc;ncias, quanto o demonstrado  pelo conhecimento das causas das emo&ccedil;&otilde;es. Este nosso estudo  quer sublinhar a import&acirc;ncia do desenvolvimento emocional na  promo&ccedil;&atilde;o do sucesso social e acad&eacute;mico, bem como a sua  centralidade para o desenvolvimento da capacidade da crian&ccedil;a  interagir e formar rela&ccedil;&otilde;es positivas com os outros. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      <p>Ars&eacute;nio, W. F., &amp; Lover, A. (1997). 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