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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A concordância entre medidas sociométricas e a estabilidade dos estatutos sociais em crianças de idade pré-escolar]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação (UIPCDE) ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Firstly introduced by Moreno (1934/1953), sociometry construct refers to a set of methodologies used to identify, simultaneously, the group social structure and the relative position each individual occupies in that structure. Despite being frequently applied, in a variety of psychology domains, only a small number of studies (e.g., Jiang & Cillessen, 2005; Wasik, 1987; Wu, Hart, Draper & Olsen, 2001) have posed the coherence question, among the assessments obtained via different measures, during the preschool period (i.e., children ages 3-to-5). Much more commonly, coherence questions tend to focus in the same measures examining, for instance, the evolution/change on sociometric status classifications. In the present study, eleven groups of children were interviewed (three groups of 3-yearolds; four groups of 4-year-old; and four groups of 5years-old children), using three different sociometric tasks/techniques: (1) nominations - 3 positive choices; 3 negative choices; (2) rating-scale - each child assessed each colleague individually and give him/her a rating ranging between 1 (like to play with a lot) and 3 (not at all); (3) paired comparison - each child was asked to choose one of the two children according to the stimulus which of these two children do you especially like?, for each possible pairs. The results obtained indicate that the three different sociometric tasks are statistically and significantly correlated, further suggesting that the coherence between these measures tend to increase, as children grow older. For the second question of this study - sociometric status stability, depicted from the nomination task, according to Coie, Dodge and Coppotteli&#8217;s procedures (1982), the results indicate a lack of stability, from one year to another, suggesting that the social status in the peer group tend to change, as assessed by the different evaluation moments.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Medidas sociométricas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>A concord&acirc;ncia entre medidas sociom&eacute;tricas e a estabilidade  dos estatutos sociais em crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)  </B></P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="RIGHT">In&ecirc;s Peceguina (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P>    <P align="RIGHT">Ant&oacute;nio  J. Santos (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>    <P align="RIGHT">Jo&atilde;o  R. Daniel (<a href="#4">****</a><a name="top4"></a>) </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER">RESUMO </P>      <p>O conceito de <I>sociometria</I>, introduzido por Moreno (1934/1953), refere-se  a um conjunto de m&eacute;todos que permitem identificar, simultaneamente, a  estrutura social dos grupos e a posi&ccedil;&atilde;o relativa que cada indiv&iacute;duo  ocupa, na referida estrutura. N&atilde;o obstante a sua utiliza&ccedil;&atilde;o  recorrente, em diversos campos da psicologia, s&atilde;o poucos os estudos (e.g.,  Jiang &amp; Cillessen, 2005; Wasik, 1987; Wu, Hart, Draper, &amp; Olsen, 2001) que,  durante o per&iacute;odo correspondente ao pr&eacute;-escolar (i.e., entre os 3 e os  5 anos de idade), avaliam a quest&otilde;es da <I>concord&acirc;ncia </I>entre as  avalia&ccedil;&otilde;es obtidas atrav&eacute;s de diferentes medidas, sendo mais  comum que se considere a <I>estabilidade </I>de cada medida, de modo a analisar,  por exemplo, a evolu&ccedil;&atilde;o das classifica&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas  (i.e., estatuto no grupo de pares). No presente estudo, foram entrevistados 263  crian&ccedil;as, 140 do sexo feminino e 123 do sexo masculino, distribu&iacute;das por  11 grupos (3 de 3 anos, 4 de 4 anos e 4 de 5 anos de idade), utilizando tr&ecirc;s  t&eacute;cnicas sociom&eacute;tricas diferentes: (1) <I>nomea&ccedil;&otilde;es </I> &ndash; 3 <I>escolhas positivas</I>, 3 <I>negativas </I>(2) <I>escala de  aprecia&ccedil;&atilde;o </I>(<I>rating scale</I>) &ndash; cada crian&ccedil;a foi  classificada entre 1 (<I>n&atilde;o gosta muito de brincar</I>) e 3 (<I>gosta muito  de brincar</I>); e (3) <I>compara&ccedil;&atilde;o entre pares </I>(<I>paired  comparisons</I>) &ndash; escolha de uma entre duas crian&ccedil;as, pelo crit&eacute;rio  gosta mais de brincar, em todas as d&iacute;ades poss&iacute;veis no grupo. Os  resultados apontam para a exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&otilde;es estatisticamente  significativa entre as diferentes medidas, isto &eacute;, <I>coer&ecirc;ncia entre  as medidas</I>, que aumentam de magnitude em fun&ccedil;&atilde;o da idade das  crian&ccedil;as. Relativamente aos estatutos sociom&eacute;tricos, obtidos a partir  da tarefa de <I>nomea&ccedil;&otilde;es</I>, seguindo os procedimentos de Coie,  Dodge e Coppotelli (1982), os resultados apontam para uma aus&ecirc;ncia de estabilidade  das classifica&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas ao longo do desenvolvimento. </P>      <p><I>Palavras-chave</I>: Medidas sociom&eacute;tricas, rela&ccedil;&otilde;es entre  pares, eststuto sociom&eacute;trico. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="CENTER">ABSTRACT </P>      <p>Firstly introduced by Moreno (1934/1953), <I>sociometry </I>construct refers to  a set of methodologies used to identify, simultaneously, the group social structure  and the relative position each individual occupies in that structure. Despite being  frequently applied, in a variety of psychology domains, only a small number of studies  (e.g., Jiang &amp; Cillessen, 2005; Wasik, 1987; Wu, Hart, Draper &amp; Olsen, 2001)  have posed the <I>coherence </I>question, among the assessments obtained <I>via </I> different measures, during the preschool period (i.e., children ages 3-to-5). Much more  commonly, <I>coherence </I>questions tend to focus in the same measures examining,  for instance, the evolution/change on sociometric status classifications. In the present  study, eleven groups of children were interviewed (three groups of 3-yearolds; four  groups of 4-year-old; and four groups of 5years-old children), using three different  sociometric tasks/techniques: (1) <I>nominations </I>&ndash; 3 <I>positive choices</I>;  3 <I>negative choices</I>; (2) <I>rating-scale </I>&ndash; each child assessed each  colleague individually and give him/her a rating ranging between <I>1 </I>(<I>like to  play with a lot</I>) and 3 (<I>not at all</I>); (3) <I>paired comparison </I>&ndash;  each child was asked to choose one of the two children according to the stimulus  <I>which of these two children do you especially like?</I>, for each possible pairs.  The results obtained indicate that the three different sociometric tasks are  statistically and significantly correlated, further suggesting that the <I>coherence </I> between these measures tend to increase, as children grow older. For the second  question of this study &ndash; sociometric status stability, depicted from the  <I>nomination </I>task, according to Coie, Dodge and Coppotteli&rsquo;s procedures  (1982), the results indicate a lack of stability, from one year to another, suggesting  that the social status in the peer group tend to change, as assessed by the different  evaluation moments. </P>      <p><I>Key words</I>: Sociometric measures, peer relations, sociometric status. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P>      <p>A compet&ecirc;ncia social das crian&ccedil;as, de acordo com a maioria  das concep&ccedil;&otilde;es, implica a efic&aacute;cia ao n&iacute;vel das  rela&ccedil;&otilde;es com os pares, pelo que a popularidade, o ser gostado  pelos pares, tem sido frequentemente considerada uma boa medida da compet&ecirc;ncia  social (Rose-Krasnor, 1997; Waters &amp; Sroufe, 1983). A ampla utiliza&ccedil;&atilde;o  de medidas sociom&eacute;tricas, como um instrumento fi&aacute;vel para avaliar o  ajustamento/ desenvolvimento social, sustenta-se em diversas investiga&ccedil;&otilde;es  que apontam para a exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&otilde;es estatisticamente  significativas entre a compet&ecirc;ncia social e, por exemplo, o estatuto  sociom&eacute;trico, obtido atrav&eacute;s destas medidas (Asher, 1985).  Outros estudos sugerem, ainda, que o estatuto sociom&eacute;trico pode ser  utilizado como um bom predictor do desenvolvimento social futuro (Kupersmidt,  Coie, &amp; Dodge, 1990; Parker &amp; Asher, 1987), referindo que, comparativamente  &agrave;s crian&ccedil;as que s&atilde;o populares no seu grupo de pares (i.e.,  as crian&ccedil;as com maior n&uacute;mero de escolhas positivas), as  crian&ccedil;as impopulares tendem a abandonar a escola entre duas a oito vezes  mais que as primeiras (Asher &amp; Parker, 1989). Do ponto de vista afectivo/emocional,  as crian&ccedil;as avaliadas como impopulares, referem, frequentemente, sentimentos  de solid&atilde;o e insatisfa&ccedil;&atilde;o social (Cassidy &amp; Asher, 1992),  apresentando, tamb&eacute;m, uma maior tend&ecirc;ncia para desenvolver problemas  ao n&iacute;vel do comportamento, tornando-se, por exemplo, excessivamente agressivas  ou anti-sociais (Sandstrom &amp; Coie, 1999). Contudo, e apesar de, com relativa  frequ&ecirc;ncia, o estatuto de rejei&ccedil;&atilde;o estar associado a comportamentos  de natureza agressiva, algumas investiga&ccedil;&otilde;es (e.g., Coie &amp; Cillessen,  1998), t&ecirc;m vindo a demonstrar que esta associa&ccedil;&atilde;o nem sempre  se verifica, ou seja, nem todas as crian&ccedil;as rejeitadas manifestam agressividade  e, uma vez comparadas com as crian&ccedil;as simultaneamente rejeitadas e agressivas,  estas &uacute;ltimas parecem estar numa situa&ccedil;&atilde;o de risco, em termos  de desajuste social, muito mais elevado. </P>     <p>Adicionalmente, alguns estudos evidenciam ainda que, quando avaliada  como uma estrat&eacute;gia social, igualmente v&aacute;lida na gest&atilde;o/controlo  dos recursos sociais (e.g., brinquedos, espa&ccedil;o, aten&ccedil;&atilde;o  dos pares, etc.) a agressividade, durante o per&iacute;odo pr&eacute;-escolar,  n&atilde;o apresenta um perfil de associa&ccedil;&atilde;o regular, nem  com a aceita&ccedil;&atilde;o social (i.e., a popularidade), nem com a  compet&ecirc;ncia social (Hawley, 2002, 2003; Rodkin, Farmer, Pearl, &amp;  Acker, 2000; Sandstrom &amp; Coie, 1999; Vaughn &amp; Santos, 2007).  Contrariamente a uma concep&ccedil;&atilde;o adulta ocidentalizada (e, por vezes, moralista) do conceito de compet&ecirc;ncia social, durante este  per&iacute;odo de desenvolvimento, a utiliza&ccedil;&atilde;o de comportamentos  agressivos, quando conjugada com comportamentos pr&oacute;-sociais, surge  positivamente associada &agrave; compet&ecirc;ncia social e &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o  pelo grupo de pares, como demonstram os estudos previamente citados. </P>     <p>Na investiga&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento cognitivo e social,  durante a inf&acirc;ncia, o recurso &agrave;s escolhas sociom&eacute;tricas  tornou-se um procedimento bastante comum a partir do final da d&eacute;cada de  1970, na sequ&ecirc;ncia de diversos estudos (e.g., Kohlberg, Lacrosse &amp; Ricks,  1972; Roff, Sells &amp; Golden, 1972) que vieram acentuar a import&acirc;ncia dos  pares, como fontes de informa&ccedil;&atilde;o fundamentais, para uma boa  avalia&ccedil;&atilde;o do ajustamento social das crian&ccedil;as. Desde  ent&atilde;o, as escolhas sociom&eacute;tricas t&ecirc;m sido correlacionadas  com diversas vari&aacute;veis de natureza social, cognitiva e comportamental,  designadamente, o <I>isolamento social</I>, frequentemente associado a um estatuto  social de rejei&ccedil;&atilde;o e/ou neglig&ecirc;ncia (e.g., Harrist, Zaia,  Bates, Dodge, &amp; Pettit, 1997); a <I>adapta&ccedil;&atilde;o/ajustamento social  </I>e <I>escolar</I>, frequentemente mais dif&iacute;cil para crian&ccedil;as  com um estatuto social negativo (e.g., Buhs &amp; Ladd, 2001; Coie &amp; Cillessen,  1993); o <I>racioc&iacute;nio moral </I>e o <I>comportamento social</I>, estando  o estatuto de rejei&ccedil;&atilde;o positivamente associado a maiores  dificuldades/d&eacute;fices no racioc&iacute;nio moral (Bear &amp; Rys, 1994); o  <I>comportamento agressivo vs. pr&oacute;-social</I>, associados &agrave;  previs&atilde;o do estatuto social de <I>rejei&ccedil;&atilde;o vs.  aceita&ccedil;&atilde;o</I>, respectivamente (e.g., Denham &amp; Holt, 1993; Ladd,  Price, &amp; Hart, 1988; Salmivalli, Kaukiainen, &amp; Lagerspetz, 2000); as  <I>capacidades sociocognitivas</I>, que apontam para uma rela&ccedil;&atilde;o  positiva e significativa entre as compet&ecirc;ncias de descentra&ccedil;&atilde;o  afectiva, a descodifica&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es a partir das  express&otilde;es faciais e um estatuto social positivo entre os pares (Spence, 1987). </P>     <p>Para al&eacute;m do estatuto social do indiv&iacute;duo, relativamente ao  seu grupo de pares (i.e., o seu grau de popularidade, que em termos conceptuais  &eacute; geralmente classificado como <I>popular</I>, <I>m&eacute;dio</I>,  <I>controverso</I>, <I>rejeitado </I>e <I>negligenciado</I>, em fun&ccedil;&atilde;o  das escolhas de todos os membros do grupo), existem outras abordagens te&oacute;ricas  que atribuem uma menor import&acirc;ncia a esta classifica&ccedil;&atilde;o, algo  inflex&iacute;vel, optando por compreender as prefer&ecirc;ncias sociais (i.e.,  as escolhas sociom&eacute;tricas), no contexto da natureza da rela&ccedil;&atilde;o  que existe entre os elementos da d&iacute;ade, ou seja, entre quem escolhe e quem  foi escolhido (e.g., Santos, Vaughn, &amp; Bonnet, 2000). N&atilde;o obstante a  exist&ecirc;ncia de uma liga&ccedil;&atilde;o entre as rela&ccedil;&otilde;es de  amizade e as rela&ccedil;&otilde;es com os pares, como um todo, a pertin&ecirc;ncia  desta diferencia&ccedil;&atilde;o (i.e., analisar as escolhas sociom&eacute;tricas  em fun&ccedil;&atilde;o da natureza da rela&ccedil;&atilde;o entre as crian&ccedil;as),  resulta da possibilidade destas serem, eventualmente, experi&ecirc;ncias de  socializa&ccedil;&atilde;o distintas (Newcomb &amp; Bagwell, 1996). </P>     <p>Nesta linha de racioc&iacute;nio, o conceito de <I>popularidade </I>&eacute;,  ent&atilde;o, de natureza unilateral, direccionado para o grupo, revelando as suas  opini&otilde;es gerais sobre o indiv&iacute;duo; a <I>amizade </I>(prefer&ecirc;ncia  rec&iacute;proca) implica, por sua vez, a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o  di&aacute;dica m&uacute;tua entre dois indiv&iacute;duos (Bukowski &amp; Hoza,  1989). Por consequ&ecirc;ncia, o facto de uma crian&ccedil;a, no geral,  ser popular/impopular, n&atilde;o implica, for&ccedil;osamente, que essa mesma  crian&ccedil;a tenha ou n&atilde;o amigos. Devido a esta distin&ccedil;&atilde;o,  em vez do estatuto social representar, por si s&oacute;, uma avalia&ccedil;&atilde;o  completa do desenvolvimento social e do ajustamento normativo da crian&ccedil;a,  as suas implica&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o, eventualmente, mediadas por  este segundo elemento, designadamente, a exist&ecirc;ncia (ou n&atilde;o), de  rela&ccedil;&otilde;es de amizade rec&iacute;proca, identificadas, igualmente,  atrav&eacute;s de medidas sociom&eacute;tricas. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Com base neste pressuposto, alguns estudos sobre as rela&ccedil;&otilde;es  de amizade entre as crian&ccedil;as t&ecirc;m utilizado as escolhas sociom&eacute;tricas  para determinar, n&atilde;o (apenas) o estatuto sociom&eacute;trico, mas (tamb&eacute;m)  o <I>estatuto de amizade </I>(e.g., Hartup, French, Laursen, Johnston, &amp; Ogawa,  1993; Hartup, Laursen, Stewart, &amp; Eastenson, 1988; Vaughn <I>et al.</I>, 2000).  Tal como mostram estas investiga&ccedil;&otilde;es, o recurso &agrave;s medidas  sociom&eacute;tricas, na avalia&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento social, &eacute;  um procedimento bastante comum. Contudo, n&atilde;o obstante a sua popularidade,  s&atilde;o raros os estudos que t&ecirc;m analisado a quest&atilde;o da coer&ecirc;ncia  entre as medidas, durante o pr&eacute;-escolar (i.e., a correla&ccedil;&atilde;o  entre as diferentes medidas avaliadas em diferentes momentos no tempo), eventualmente  devido &agrave; concep&ccedil;&atilde;o, mais ou menos generalizada, de que as  rela&ccedil;&otilde;es entre os pares, durante este per&iacute;odo de desenvolvimento,  funcionam como precursoras das <I>verdadeiras </I>rela&ccedil;&otilde;es, que s&oacute;  dever&atilde;o ter in&iacute;cio j&aacute; em idade escolar (Furman, 1982).  Independentemente da sua natureza hipoteticamente <I>provis&oacute;ria </I>ou mais  inst&aacute;vel, estas <I>rela&ccedil;&otilde;es precursoras </I>parecem, todavia,  ser suficientemente importantes para que as diferen&ccedil;as entre as crian&ccedil;as  que t&ecirc;m/n&atilde;o t&ecirc;m <I>amigos </I>sejam j&aacute; evidentes, como  mostram v&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es sobre a amizade durante o  pr&eacute;-escolar (Berndt, 2002; Dunn &amp; Herrera, 1997; Hartup, 1989). </P>     <p>Utilizando como crit&eacute;rio as frequ&ecirc;ncias de interac&ccedil;&atilde;o  entre as crian&ccedil;as, para determinar o estatuto de amizade (i.e., amizade  m&uacute;tua; unilateral; n&atilde;o amigos), alguns estudos verificaram que entre  crian&ccedil;as amigas (em idade pr&eacute;-escolar), tende a existir uma  propor&ccedil;&atilde;o significativamente maior de interac&ccedil;&otilde;es  positivas e de verbaliza&ccedil;&otilde;es (Guralnick &amp; Groom, 1988). Em  conson&acirc;ncia com estes resultados, e tendo as escolhas sociom&eacute;tricas  como crit&eacute;rio, outros estudos mostraram que as crian&ccedil;as que t&ecirc;m  amigos m&uacute;tuos, durante o pr&eacute;-escolar, tendem a ter mais sucesso na  entrada para o grupo, a participar mais frequentemente em jogos cooperativos e a  demonstrar mais afecto positivo, comparativamente &agrave;s crian&ccedil;as que  n&atilde;o t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o deste tipo (Hartup, 1996). </P>     <p>Relativamente &agrave; quest&atilde;o da coer&ecirc;ncia entre diferentes medidas  sociom&eacute;tricas (o primeiro objectivo do presente estudo), os resultados obtidos  por Wasik (1987), apontam para a exist&ecirc;ncia de elevada <I>coer&ecirc;ncia</I>,  sobretudo entre as medidas de <I>prefer&ecirc;ncia</I>, <I>escala de aprecia&ccedil;&atilde;o  </I>e <I>nomea&ccedil;&otilde;es negativas</I>, que apresentam as  correla&ccedil;&otilde;es mais fortes ao longo do tempo. Neste estudo, o autor  analisou a <I>coer&ecirc;ncia </I>entre as avalia&ccedil;&otilde;es obtidas  atrav&eacute;s de duas medidas sociom&eacute;tricas (<I>nomea&ccedil;&otilde;es </I> e <I>escala de aprecia&ccedil;&atilde;o</I>), aplicadas duas vezes, num intervalo  de cinco meses, numa amostra de crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar. </P>     <p>Quanto &agrave; quest&atilde;o da estabilidade das medidas sociom&eacute;tricas  (i.e., a correla&ccedil;&atilde;o entre as medi&ccedil;&otilde;es da(s) mesma(s)  amostra(s) em, pelo menos, dois momentos temporais distintos), avaliada no segundo  objectivo do presente estudo, Maassen, Steenbeek e van Geert (2004) referem que o  acordo entre duas classifica&ccedil;&otilde;es dever&aacute; ser indicado  atrav&eacute;s de uma medida de associa&ccedil;&atilde;o para vari&aacute;veis nominais  (por tradi&ccedil;&atilde;o, o <I>Kappa de Cohen</I>). Numa revis&atilde;o sobre  a estabilidade das classifica&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas, Cillessen,  Bukowski e Haselager (2000) verificaram que os valores Kappa variavam entre .01 e .44.  Segundo Maassen e colaboradores (2004), tais varia&ccedil;&otilde;es nos resultados  n&atilde;o s&atilde;o surpreendentes, na medida em que a estabilidade deste constructo  depende fortemente do contexto social onde decorre a avalia&ccedil;&atilde;o e, por  isso, as condi&ccedil;&otilde;es em que os dados s&atilde;o obtidos podem alterar-se,  mesmo num curto espa&ccedil;o de tempo (e.g., mudan&ccedil;as na constitui&ccedil;&atilde;o  dos grupos). Adicionalmente, os autores referem que as prefer&ecirc;ncias sociais,  independentemente das mudan&ccedil;as na estrutura do grupo, podem igualmente modificar-se,  sobretudo, quando se trata de crian&ccedil;as muito novas, o que remete, mais uma vez,  para a ideia de instabilidade das rela&ccedil;&otilde;es, como uma caracter&iacute;stica  t&iacute;pica dos grupos sociais de crian&ccedil;as entre os tr&ecirc;s e os cinco anos de idade. </P>     <p>Numa meta-an&aacute;lise sobre a estabilidade das medidas sociom&eacute;tricas,  na avalia&ccedil;&atilde;o do estatuto social, Jiang e Cillessen (2005) verificaram  que todas as medidas consideradas (aceita&ccedil;&atilde;o, rejei&ccedil;&atilde;o,  prefer&ecirc;ncia social e escala de aprecia&ccedil;&atilde;o) evidenciavam n&iacute;veis  satisfat&oacute;rios de concord&acirc;ncia teste-reteste (<I>Kappa de Cohen</I>).  Entre as quatro medidas, a <I>prefer&ecirc;ncia social </I>e a <I>escala de  aprecia&ccedil;&atilde;o </I>(.82 e .78, respectivamente), obtiveram correla&ccedil;&otilde;es  relativamente maiores que as medidas da <I>aceita&ccedil;&atilde;o </I>e da  <I>rejei&ccedil;&atilde;o </I>(.72 e .70, respectivamente). De acordo com os  autores, estes resultados t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es importantes, dado que,  contrariamente ao que sugerem algumas investiga&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias  (e.g., Asher &amp; Hymel, 1981), n&atilde;o se encontram evid&ecirc;ncias de uma  primazia, em termos da estabilidade, da tarefa sociom&eacute;trica <I>escala de  aprecia&ccedil;&atilde;o </I>(<I>rating-scale</I>), sobre a tarefa <I>nomea&ccedil;&otilde;es</I>. </P>     <p>Quanto &agrave; estabilidade das medidas, a longo termo, os resultados  obtidos mostraram correla&ccedil;&otilde;es moderadas a elevadas, com valores  m&eacute;dios pr&oacute;ximos de 0.50. </P>     <p>Jiang e Cillessen (2005) salientam que a interpreta&ccedil;&atilde;o destes  resultados dever&aacute; considerar, antes de mais, a pr&oacute;pria natureza,  mais ou menos est&aacute;vel/ inst&aacute;vel, do constructo desenvolvimental s ubjacente, neste caso, o estatuto social no grupo de pares. Assim, parte-se do  pressuposto de que os coeficientes de estabilidade, a curto prazo, n&atilde;o  s&atilde;o influenciados por mudan&ccedil;as sistem&aacute;ticas, ao n&iacute;vel  do constructo. Por consequ&ecirc;ncia, estes coeficientes s&atilde;o interpretados  como indicadores <I>puros </I>da estabilidade. Contudo, quando se trata de avaliar  a estabilidade das medidas, a longo prazo, as duas fontes de instabilidade &ndash;  mudan&ccedil;as sistem&aacute;ticas ao n&iacute;vel do desenvolvimento e mudan&ccedil;as  n&atilde;o sistem&aacute;ticas da medi&ccedil;&atilde;o, em si mesma, podem  sobrepor-se uma &agrave; outra, limitando a validade das interpreta&ccedil;&otilde;es  que da&iacute; decorrem. Por esta raz&atilde;o, os autores advertem para que a  interpreta&ccedil;&atilde;o dos coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o entre  as medidas sociom&eacute;tricas ocorra no sentido destes se tratarem apenas de  indicadores, em vez de equivalentes da estabilidade do constructo. No presente  estudo avaliaram-se (1) a coer&ecirc;ncia entre as diferentes avalia&ccedil;&otilde;es  obtidas atrav&eacute;s de tr&ecirc;s medidas sociom&eacute;tricas e (2) a estabilidade  dos estatutos sociom&eacute;tricos. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </P>      <p><I>Participantes </I></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Participaram neste estudo 263 crian&ccedil;as, 140 do sexo feminino e  123 do sexo masculino, distribu&iacute;das por 11 grupos de crian&ccedil;as &ndash;  tr&ecirc;s grupos de 3 anos (67 crian&ccedil;as), quatro grupos de 4 anos  (99 crian&ccedil;as) e quatro grupos de 5 anos de idade (97 crian&ccedil;as).  As crian&ccedil;as s&atilde;o provenientes de fam&iacute;lias com um estatuto  socioecon&oacute;mico m&eacute;dio e frequentam institui&ccedil;&otilde;es de  ensino privadas no Concelho de Oeiras. O n&uacute;mero de crian&ccedil;as por  sala variava entre os 20 e os 26. </P>      <p><I>Instrumentos </I></P>      <p>Medidas Sociom&eacute;tricas </P>      <p>A aceita&ccedil;&atilde;o social foi avaliada atrav&eacute;s de tr&ecirc;s  medidas sociom&eacute;tricas, aplicadas por seis observadores (dois por ano),  durante tr&ecirc;s anos lectivos. As crian&ccedil;as foram entrevistadas  individualmente. </P>      <p>Para a tarefa de <I>Nomea&ccedil;&atilde;o </I>(McCandless &amp; Marshall, 1957),  uma medida <I>standard </I>que consiste na selec&ccedil;&atilde;o dos elementos do  grupo, utilizando um determinado crit&eacute;rio (positivo ou negativo), pediu-se a  cada crian&ccedil;a que escolhesse (a partir das fotografias de rosto dos colegas),  os tr&ecirc;s colegas com quem <I>mais gosta de brincar </I>(primeiras tr&ecirc;s  escolhas positivas), os tr&ecirc;s colegas com quem <I>n&atilde;o gosta de brincar </I> (tr&ecirc;s escolhas negativas) e, por fim, que seleccionasse os restantes, um a um,  em fun&ccedil;&atilde;o do est&iacute;mulo <I>com quem gostas mais de brincar</I>.  O procedimento decorria, at&eacute; serem esgotadas todas as possibilidades. As  classifica&ccedil;&otilde;es de aceita&ccedil;&atilde;o basearam-se nas tr&ecirc;s  primeiras escolhas (i.e., consideraram-se apenas as escolhas que ocorreram nas  primeiras tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es). </P>     <p>Para a tarefa de <I>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o </I>(<I>rating-scale</I>),  solicitou-se a cada crian&ccedil;a a classifica&ccedil;&atilde;o dos colegas, numa  escala do tipo Likert, que variava entre &ldquo;1&rdquo; (<I>n&atilde;o gosta muito  de brincar</I>) e &ldquo;3&rdquo; (<I>gosta muito de brincar</I>). Para facilitar  a compreens&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia (i.e., &ldquo;2&rdquo;  &ndash; <I>gosta mais ou menos de brincar</I>), utilizaram-se cart&otilde;es  com <I>smiles </I>(cara contente &ndash; <I>gosta muito de brincar</I>, cara triste  &ndash; <I>n&atilde;o gosta muito de brincar </I>e cara s&eacute;ria &ndash; <I>gosta mais  ou menos de brincar</I>). O total de aceita&ccedil;&atilde;o foi obtido atrav&eacute;s da  divis&atilde;o entre o resultado total recebido por cada crian&ccedil;a e o n&uacute;mero  de colegas que completaram a tarefa. </P>     <p>Por fim, para a tarefa de <I>Compara&ccedil;&otilde;es entre Pares </I>(<I>paired  comparison</I>), pediu-se a cada crian&ccedil;a que escolhesse um colega, utilizando  novamente o crit&eacute;rio <I>com quem gosta mais de brincar</I>, para cada uma das  d&iacute;ades poss&iacute;veis no grupo (i.e., N.(N-1)/2). O total de aceita&ccedil;&atilde;o  para esta medida consiste no n&uacute;mero m&eacute;dio de escolhas em fun&ccedil;&atilde;o  do total de d&iacute;ades poss&iacute;veis. </P>     <p>As m&eacute;dias de confian&ccedil;a teste-reteste para as tarefas sociom&eacute;tricas  (coeficientes <I>Kappa de Cohen</I>), t&ecirc;m variado entre .50, para a tarefa de  Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o e .75, para a tarefa de Compara&ccedil;&otilde;es  de Pares (Baldia, Punia, &amp; Singh, 2005; McCloskey, 1983; Vaughn &amp; Waters, 1981). </P>      <p>Estatuto Sociom&eacute;trico </P>      <p>O estatuto sociom&eacute;trico das crian&ccedil;as foi determinado a partir  da medida das <I>nomea&ccedil;&otilde;es</I>, anterior-mente descrita, seguindo  os procedimentos descritos por Coie e colaboradores (1982), que permitem a  estima&ccedil;&atilde;o do grau de popularidade das crian&ccedil;as, tendo por  base o princ&iacute;pio das duas dimens&otilde;es &ndash; <I>impacto social </I> e <I>prefer&ecirc;ncia social</I>. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em s&iacute;ntese, o m&eacute;todo proposto pelos autores (Coie <I>et al.</I>, 1982),  descrito como um modelo cont&iacute;nuo normativo, tem por base as frequ&ecirc;ncias  absolutas de nomea&ccedil;&otilde;es positivas e negativas, recebidas por cada  crian&ccedil;a. Estas frequ&ecirc;ncias, uma vez obtidas, s&atilde;o convertidas  em resultados estandardizados (<I>z scores</I>) que representam as medidas <I>LM </I> (<I>like most</I>) e <I>LL </I>(<I>like least</I>). A partir destes dois  resultados estandardizados (derivados a partir dos totais das nomea&ccedil;&otilde;es  positivas e negativas recebidas), calculam-se, seguidamente, os resultados da  <I>prefer&ecirc;ncia social </I>(P = LM - LL) e do <I>impacto social </I>(I = LM + LL). </P>     <p>A classifica&ccedil;&atilde;o num dado estatuto &eacute; determinada com base  nestes &uacute;ltimos resultados que representam as dimens&otilde;es <I>P </I> (<I>prefer&ecirc;ncia</I>) e <I>I </I>(<I>impacto</I>). Uma vez calculados,  obt&eacute;m-se um sistema de classifica&ccedil;&atilde;o bidimensional dos  estatutos, baseado na distribui&ccedil;&atilde;o normal, que resulta nos seis  grupos seguintes: (a) <I>crian&ccedil;as populares </I>&ndash; P&gt;1.0, LM&gt;0 e  LL&lt;0; (b) <I>crian&ccedil;as rejeitadas </I>&ndash; P&lt;1.0, LL&gt;0 e LM&lt;0;  (c) <I>crian&ccedil;as negligenciadas </I>&ndash; I&lt;1.0 e frequ&ecirc;ncia absoluta  de nomea&ccedil;&otilde;es positivas = 0; (d) <I>crian&ccedil;as controversas </I> &ndash; I&gt;1.0, LM e LL &gt; 0; (e) <I>crian&ccedil;as m&eacute;dias </I>&ndash;  P e I entre -0.5 e 0.5; e (f) <I>outras</I>, todas as crian&ccedil;as que n&atilde;o  s&atilde;o classificadas nas restantes categorias. </p>     <p>Para que a crian&ccedil;a seja classificada num dos estatutos, ambas as  condi&ccedil;&otilde;es definidas para cada estatuto ter&atilde;o de ocorrer  em simult&acirc;neo, ou seja, os valores de <I>P</I>, <I>I</I>, <I>LM </I>e  <I>LL</I>, devem estar compreendidos entre os limites acima apresentados. </P>      <p><I>Procedimento </I></P>      <p>Os dados foram recolhidos durante tr&ecirc;s anos lectivos, por dois  observadores diferentes em cada ano. Durante o primeiro ano de recolha de dados  foram observados dois grupos de crian&ccedil;as de tr&ecirc;s anos e um grupo  de quatro anos; no segundo ano, foram observados um grupo de crian&ccedil;as de  tr&ecirc;s anos, dois grupos de quatro anos e dois grupos de cinco anos. &Agrave;  excep&ccedil;&atilde;o do grupo de tr&ecirc;s anos, os restantes grupos eram  constitu&iacute;dos pelas crian&ccedil;as observadas no primeiro ano. No terceiro  e &uacute;ltimo ano de recolha de dados, foram observados dois grupos de cinco anos,  constitu&iacute;dos pelas mesmas crian&ccedil;as avaliadas no ano anterior, aos  quatro anos de idade. </P>     <p>Em cada ano, dois observadores entrevistaram individualmente cada crian&ccedil;a,  correspondendo cada tarefa a um momento de observa&ccedil;&atilde;o. Para as  crian&ccedil;as de tr&ecirc;s anos foram necess&aacute;rias, pelo menos, duas  entrevistas para a tarefa de compara&ccedil;&atilde;o entre pares, potencialmente  mais cansativa devido ao elevado n&uacute;mero de d&iacute;ades para as quais a  crian&ccedil;a teria de efectuar as suas escolhas. Por consequ&ecirc;ncia, sempre  que a crian&ccedil;a manifestava sinais de distrac&ccedil;&atilde;o, interrompia-se a  tarefa e retomava-se noutro momento. </P>     <p>As instru&ccedil;&otilde;es dadas &agrave;s crian&ccedil;as foram id&ecirc;nticas,  bem como a ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o das tarefas (i.e., (1) nomea&ccedil;&atilde;o,  (2) escala de aprecia&ccedil;&atilde;o e (3) compara&ccedil;&atilde;o entre pares).  Para al&eacute;m das instru&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; tarefa, explicaram-se  ainda, de forma relativamente simples, os objectivos do trabalho, que foi  apresentado como <I>um estudo para nos ajudar a compreender melhor como  &eacute; que as crian&ccedil;as brincam umas com as outras e como &eacute; que  fazem amigos. </I>No in&iacute;cio da recolha de dados, pedia-se &agrave;s  crian&ccedil;as que identificassem todos os colegas pelo nome, para assim garantir  que existia o m&iacute;nimo de conhecimento sobre quem eram os seus colegas. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESULTADOS </P>      <p>Uma vez normalizadas as vari&aacute;veis (i.e., convers&atilde;o em <I>z scores</I>),  procedeu-se &agrave; an&aacute;lise transversal das associa&ccedil;&otilde;es entre  as tr&ecirc;s medidas sociom&eacute;tricas atrav&eacute;s do calculo dos coeficientes  de correla&ccedil;&atilde;o de <I>Pearson</I>. Os resultados obtidos, evidenciam a  exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&otilde;es estatisticamente significativa entre  as tr&ecirc;s medidas, que aumenta de magnitude em fun&ccedil;&atilde;o da idade  das crian&ccedil;as. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <a href="#t1">Tabela 1</a><a name="topt1"></a> apresenta a correla&ccedil;&atilde;o  global entre as medidas sociom&eacute;tricas utilizadas. Tal como se pode verificar,  &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o entre a medida das  <I>nomea&ccedil;&otilde;es negativas vs. escala de aprecia&ccedil;&atilde;o </I>(-.17),  observam-se correla&ccedil;&otilde;es significativas entre todas as medidas, que  variam entre -.29 (<I>nomea&ccedil;&otilde;es negativas vs. compara&ccedil;&atilde;o  entre pares</I>) e .74 (<I>compara&ccedil;&atilde;o entre pares vs. escala de  aprecia&ccedil;&atilde;o</I>). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER"><a href="#topt1">TABELA 1</a><a name="t1"></a> </P>      <p align="CENTER"><I>Correla&ccedil;&atilde;o entre as medidas sociom&eacute;tricas    </I></P>     <div align="center">   <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"><b>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</b></div></td>       <td>    <div align="center"><b>Compara&ccedil;&otilde;es entre Pares</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Nomea&ccedil;&otilde;es Positivas</td>       <td>    <div align="center">.30*</div></td>       <td>    <div align="center">.49**</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Nomea&ccedil;&otilde;es Negativas</td>       <td>    <div align="center">-.17</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-.29*</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Compara&ccedil;&otilde;es entre Pares</td>       <td>    <div align="center">.74**</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>   </table> </div>     <p align="CENTER"><I>Legenda</I>: *<I>p </I>&lt; .05; ** <I>p </I>&lt; .01</P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Para analisar a coer&ecirc;ncia entre as medidas sociom&eacute;tricas  nas diferentes idades, procedeu-se a uma an&aacute;lise transversal dos dados,  a partir da distribui&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as num de dois grupos  et&aacute;rios estabelecidos (3 anos <I>vs. </I>4/5 anos). A op&ccedil;&atilde;o  por organizar os dados desta forma, resultou da tentativa para manter os grupos  equivalentes em termos de dimens&atilde;o, e do facto de existir um menor  n&uacute;mero de crian&ccedil;as de cinco anos, com avalia&ccedil;&otilde;es  independentes (i.e., que n&atilde;o foram avaliadas nos anos anteriores). </P>     <p>Na <a href="#t2">Tabela 2</a><a name="topt2"></a> apresentam-se as correla&ccedil;&otilde;es  entre as medidas sociom&eacute;tricas para os dois grupos et&aacute;rios. Para  as crian&ccedil;as mais novas, verificaram-se correla&ccedil;&otilde;es estatisticamente  significativas a medida das <I>nomea&ccedil;&otilde;es positivas </I>e as medidas  <I>escala de aprecia&ccedil;&atilde;o </I>e <I>compara&ccedil;&atilde;o entre  pares </I>(.25 e .39 respectivamente). Entre as crian&ccedil;as de 4/5 anos, todas  as correla&ccedil;&otilde;es entre as medidas foram estatisticamente significativas,  sendo o aumento de magnitude, bastante evidente, sobretudo para a associa&ccedil;&atilde;o  entre a medida <I>compara&ccedil;&atilde;o entre pares </I>e as restantes medidas.  Comparativamente &agrave;s crian&ccedil;as mais novas, as crian&ccedil;as entre  os quatro e os cinco anos obtiveram, n&atilde;o apenas, correla&ccedil;&otilde;es  relativamente mais fortes, entre a medida das <I>nomea&ccedil;&otilde;es negativas  </I> e as restantes medidas (-.27 para <I>escala de aprecia&ccedil;&atilde;o </I>e  -.40 para <I>compara&ccedil;&atilde;o pares</I>) mas tamb&eacute;m mais pr&oacute;ximas  das correla&ccedil;&otilde;es entre as <I>nomea&ccedil;&otilde;es positivas </I>e  as medidas <I>escala de aprecia&ccedil;&atilde;o </I>(-.45) e <I>compara&ccedil;&atilde;o  entre pares </I>(-.56). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER"><a href="#topt2">TABELA 2</a><a name="t2"></a> </P>      <p align="CENTER"><I>Correla&ccedil;&atilde;o entre as medidas sociom&eacute;tricas  em fun&ccedil;&atilde;o da idade </I></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">   <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"><b>Nomea&ccedil;&otilde;es Positivas</b></div></td>       <td>    <div align="center"><b>Nomea&ccedil;&otilde;es Negativas</b></div></td>       <td>    <div align="center"><b>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td><b><u>3 anos</u></b></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</td>       <td>    <div align="center">.25*</div></td>       <td>    <div align="center">-.07</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Compara&ccedil;&atilde;o entre Pares</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">.39**</div></td>       <td>    <div align="center">-.14</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td><b><u>4/5 anos</u></b></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</td>       <td>    <div align="center">.45**</div></td>       <td>    <div align="center">27*</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Compara&ccedil;&atilde;o entre Pares</td>       <td>    <div align="center">.56**</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-.40**</div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>   </table> </div>      <p align="center"><I>Legenda</I>: *<I>p</I>&lt;.05; **<I>p</I>&lt;.01 </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>A <a href="#t3">Tabela 3</a><a name="topt3"></a> apresenta as correla&ccedil;&otilde;es  entre as medidas sociom&eacute;tricas em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero.  Como se pode verificar, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o  entre a medida <I>escala de aprecia&ccedil;&atilde;o vs. nomea&ccedil;&otilde;es  negativas</I>, as restantes correla&ccedil;&otilde;es s&atilde;o estatisticamente  significativas independentemente do g&eacute;nero. As correla&ccedil;&otilde;es  mais fortes observaram-se entre as <I>nomea&ccedil;&otilde;es positivas </I>e  a medida <I>compara&ccedil;&atilde;o entre pares </I>(.49 para as raparigas e  .51 para os rapazes). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER"><a href="#topt3">TABELA 3</a><a name="t3"></a></P>      <p align="CENTER"><I>Correla&ccedil;&atilde;o entre as medidas sociom&eacute;tricas  em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero </I></P>     <div align="center">   <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center"><b>Nomea&ccedil;&otilde;es Positivas</b></div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center"><b>Nomea&ccedil;&otilde;es Negativas</b></div></td>       <td>    <div align="center"><b>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td><b><u>Feminino</u></b></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</td>       <td>    <div align="center">.23*</div></td>       <td>    <div align="center">18</div></td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>Compara&ccedil;&atilde;o entre Pares</td>       <td>    <div align="center">.49**</div></td>       <td>    <div align="center">-.28*</div></td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td><b><u>Masculino</u></b></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>Escala de Aprecia&ccedil;&atilde;o</td>       <td>    <div align="center">.38**</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-.15</div></td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>Compara&ccedil;&atilde;o entre Pares</td>       <td>    <div align="center">.51**</div></td>       <td>    <div align="center">-.36**</div></td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>   </table> </div>      <P align="center"><I>Legenda</I>: *<I>p</I>&lt;0.05; **<I>p</I>&lt;0.01 </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Relativamente aos estatutos sociom&eacute;tricos, considerados no segundo  objectivo deste trabalho, procedeu-se a (1) uma an&aacute;lise da estabilidade/  concord&acirc;ncia das classifica&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas  atribu&iacute;das a cada crian&ccedil;a, dos tr&ecirc;s para os quatro anos,  dos tr&ecirc;s para os cinco anos e dos quatro para os cinco anos (atrav&eacute;s  do c&aacute;lculo do coeficiente <I>Kappa de Cohen</I>); e, por fim, (2) uma  an&aacute;lise da associa&ccedil;&atilde;o entre a vari&aacute;vel <I>idade </I> e a vari&aacute;vel <I>estatuto sociom&eacute;trico</I>, utilizando o coeficiente  de correla&ccedil;&atilde;o <I>V de Cramer</I>. </P>     <p>A <a href="#t4">Tabela 4</a><a name="topt4"></a> apresenta a evolu&ccedil;&atilde;o  da classifica&ccedil;&atilde;o dos estatutos sociom&eacute;tricos de uma faixa  et&aacute;ria para outra, ou seja, atrav&eacute;s da an&aacute;lise longitudinal  dos dados. Recorrendo ao coeficiente Kappa, uma medida da concord&acirc;ncia entre  as classifica&ccedil;&otilde;es, verificou-se um n&iacute;vel de concord&acirc;ncia  muito baixo (K=0.07, <I>p</I>&gt;.05) indicativo de aus&ecirc;ncia de estabilidade  nas classifica&ccedil;&otilde;es do estatuto sociom&eacute;trico, dos tr&ecirc;s  para os quatro anos. A transi&ccedil;&atilde;o mais frequente entre os estatutos,  parece ocorrer na direc&ccedil;&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o <I>m&eacute;dio</I>,  como se observa, por exemplo, entre as nove crian&ccedil;as classificadas aos  tr&ecirc;s anos, no estatuto <I>negligenciado</I>, que passaram, aos quatro anos,  a ser classificadas, sobretudo, no estatuto <I>m&eacute;dio </I>(7 em 9 crian&ccedil;as).  Aos quatro anos, nenhuma crian&ccedil;a recebeu a classifica&ccedil;&atilde;o  no estatuto <I>controverso</I>. </P>     <p>Como se observa na <a href="#t4">Tabela 4</a><a name="topt4"></a>, e &agrave;  semelhan&ccedil;a do que se verificou para os quatro anos, nenhuma crian&ccedil;a  recebeu a classifica&ccedil;&atilde;o <I>controverso </I>aos cinco anos. Quanto  &agrave;s mudan&ccedil;as mais evidentes nas classifica&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas,  dos tr&ecirc;s para os cinco anos, verifica-se, novamente, uma evolu&ccedil;&atilde;o  do estatuto <I>negligenciado </I> para o estatuto <I>m&eacute;dio </I>(i.e., das  dez crian&ccedil;as, classificadas aos tr&ecirc;s anos como <I>negligenciadas</I>,  seis passam a receber a classifica&ccedil;&atilde;o <I>m&eacute;dio</I>, aos cinco  anos). No global, o n&uacute;mero de crian&ccedil;as classificadas no estatuto  m&eacute;dio parece tender a aumentar entre estas duas idades (doze crian&ccedil;as  aos tr&ecirc;s anos <I>vs. </I>dezanove crian&ccedil;as aos quatro anos), contrariamente  ao n&uacute;mero de crian&ccedil;as classificadas no estatuto negligenciado, que  evidencia uma tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o (dez crian&ccedil;as aos  tr&ecirc;s anos <I>vs. </I>cinco crian&ccedil;as aos cinco anos), equivalente  ao que j&aacute; se verificou dos tr&ecirc;s para os quatro anos (nove crian&ccedil;as  aos tr&ecirc;s anos <I>vs. </I>duas crian&ccedil;as aos quatro anos). O valor  do coeficiente Kappa foi de .22 (n&atilde;o significativo), apontando para um  n&iacute;vel de concord&acirc;ncia baixo, pelo que, mais uma vez, n&atilde;o existe  estabilidade entre as classifica&ccedil;&otilde;es dos estatutos sociom&eacute;tricos  dos tr&ecirc;s para os cinco anos. </P>      <p align="CENTER"><a href="#topt4">Tabela 4</a><a name="t4"></a></p>    <p align="CENTER">Estabilidade dos Estatutos Sociométricos</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="CENTER"><img src="/img/revistas/aps/v26n3/26n3a09t4.gif"></p>      
<p>Finalmente, dos quatro para os cinco anos a maioria das crian&ccedil;as tende a  receber uma classifica&ccedil;&atilde;o diferente, ao n&iacute;vel do estatuto  sociom&eacute;trico. &Agrave; semelhan&ccedil;a do que se verificou para as  transi&ccedil;&otilde;es 3-4 anos e 3-5 anos, tamb&eacute;m dos quatro para os cinco anos  o estatuto <I>m&eacute;dio </I>parece ser a classifica&ccedil;&atilde;o <I>tend&ecirc;ncia</I>,  isto &eacute;, as mudan&ccedil;as de estatuto tendem a ocorrer na direc&ccedil;&atilde;o  deste estatuto, embora, neste &uacute;ltimo de caso, o total global para o estatuto  m&eacute;dio, n&atilde;o aumente. O valor de Kappa (.04) n&atilde;o &eacute; estatisticamente  significativo indicando, novamente, um n&iacute;vel de concord&acirc;ncia muito baixo  entre as classifica&ccedil;&otilde;es, que atesta a aus&ecirc;ncia de estabilidade entre  as classifica&ccedil;&otilde;es do estatuto sociom&eacute;trico dos quatro para os cinco anos  de idade. O coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o <I>V de Cramer </I>(<I>V</I>=.11;  <I>N</I>=241; <I>p</I>=.7) corrobora os resultados obtidos atrav&eacute;s do coeficiente  Kappa, demonstrando a inexist&ecirc;ncia de uma associa&ccedil;&atilde;o estaticamente  significativa entre o estatuto sociom&eacute;trico e a idade. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </P>      <p>O primeiro objectivo deste trabalho foi verificar a coer&ecirc;ncia entre  diferentes medidas sociom&eacute;tricas, durante o pr&eacute;-escolar, a partir  de tr&ecirc;s t&eacute;cnicas (medidas) frequentemente utilizadas na  investiga&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento social das crian&ccedil;as  (e.g., Asher, 1985; Harrist <I>et al.</I>, 1997; Kohlberg <I>et al.</I>, 1972;  Roff <I>et al.</I>, 1972), por&eacute;m raramente avaliadas quanto &agrave;  coer&ecirc;ncia (consist&ecirc;ncia) das avalia&ccedil;&otilde;es obtidas  atrav&eacute;s de cada uma. </P>     <p>Nos poucos estudos publicados que trataram esta quest&atilde;o, (quase sempre  de forma secund&aacute;ria ou indirecta), os resultados obtidos sugerem que existe  elevada coer&ecirc;ncia entre diferentes medidas sociom&eacute;tricas, durante  o per&iacute;odo pr&eacute;-escolar (Wasik, 1987), contrariando a ideia de que,  neste per&iacute;odo de desenvolvimento, as rela&ccedil;&otilde;es entre pares  tendem a ser menos est&aacute;veis e mais casuais, quando comparadas com as  rela&ccedil;&otilde;es entre crian&ccedil;as em idade escolar. </P>     <p>No nosso estudo, os resultados obtidos s&atilde;o concordantes com os de  Wasik (1987) e indicam que, de um modo geral, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o  da medida <I>nomea&ccedil;&otilde;es negativas </I>que, em algumas  situa&ccedil;&otilde;es, apresenta valores de correla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o  significativos, quer na amostra global, quer nas sub-amostras referentes &agrave;  idade e ao g&eacute;nero, as restantes medidas apresentam n&iacute;veis de  coer&ecirc;ncia (i.e. associa&ccedil;&atilde;o entre as medidas) estatisticamente  significativos mesmo entre as crian&ccedil;as de tr&ecirc;s anos. </P>     <p>Na globalidade, os resultados mostram que, para a amostra global, as  correla&ccedil;&otilde;es entre as diferentes medidas s&atilde;o estatisticamente  significativas para todas as associa&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis, excepto  entre as medidas <I>escala de aprecia&ccedil;&atilde;o vs. nomea&ccedil;&otilde;es  negativas</I>. Quanto &agrave;s correla&ccedil;&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o  da vari&aacute;vel idade (3 anos <I>vs. </I>4/5 anos), verifica-se um aumento  dos valores das associa&ccedil;&otilde;es entre todas as medidas, estatisticamente  significativas, incluindo a associa&ccedil;&atilde;o entre <I>escala de  aprecia&ccedil;&atilde;o vs. nomea&ccedil;&otilde;es negativas </I>(n&atilde;o  significativa para o grupo de crian&ccedil;as de tr&ecirc;s anos). Por fim,  na an&aacute;lise em fun&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel g&eacute;nero,  verifica-se um padr&atilde;o de correla&ccedil;&otilde;es id&ecirc;ntico para  os dois grupos, onde, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o das correla&ccedil;&otilde;es  entre a medida <I>nomea&ccedil;&otilde;es negativas vs. escala de aprecia&ccedil;&atilde;o</I>,  se observam correla&ccedil;&otilde;es estatisticamente significativas entre  todas as medidas. Quer entre as raparigas, quer entre os rapazes, os resultados  indicam a exist&ecirc;ncia de uma maior coer&ecirc;ncia entre as medidas  <I>nomea&ccedil;&otilde;es positivas vs. compara&ccedil;&atilde;o entre pares </I> (.49 e .51 para o sexo feminino e para o sexo masculino, respectivamente). </P>     <p>Como se referiu anteriormente, comparativamente &agrave;s crian&ccedil;as  de tr&ecirc;s anos, os dados para as crian&ccedil;as de 4/5 anos evidenciam,  n&atilde;o apenas, correla&ccedil;&otilde;es mais fortes entre as medidas mas,  tamb&eacute;m, estatisticamente significativas, em todas as associa&ccedil;&otilde;es  poss&iacute;veis, com valores de <I>r </I>que variam entre .27 e .56. Este  aumento de coer&ecirc;ncia entre as medidas, &agrave; medida que a idade aumente  (e em amostras independentes), &eacute; congruente com algumas investiga&ccedil;&otilde;es  sobre as estruturas afiliativas, durante o pr&eacute;-escolar (e.g., Santos, Vaughn,  &amp; Bost, 2008; Strayer &amp; Santos, 1996; Vaughn &amp; Santos, 2008) que t&ecirc;m  vindo a sugerir uma progressiva consolida&ccedil;&atilde;o destas estruturas de  organiza&ccedil;&atilde;o social, &agrave; medida que a idade aumenta. De acordo  com os seus resultados, as crian&ccedil;as parecem tornam-se gradualmente mais precisas  sobre quem s&atilde;o os seus amigos e, embora o n&uacute;mero de nomea&ccedil;&otilde;es  permane&ccedil;a relativamente id&ecirc;ntico, o n&uacute;mero de escolhas  rec&iacute;procas tende, de facto, a aumentar, o que significa que as crian&ccedil;as  atribuem progressivamente as suas escolhas aos pares que tamb&eacute;m as nomearam  nas suas primeiras tr&ecirc;s escolhas (Berndt &amp; Hoyle, 1985). </P>     <p>Noutro estudo sobre a amizade (classificada a partir de escolhas sociom&eacute;tricas)  e a compet&ecirc;ncia social, durante o pr&eacute;-escolar, Vaughn e colaboradores (2000)  verificaram, de modo id&ecirc;ntico, que as crian&ccedil;as mais velhas, quer nas  an&aacute;lises transversais, quer nas longitudinais, tinham significativamente mais  amizades rec&iacute;procas que as crian&ccedil;as mais novas. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os aumentos (a) do n&iacute;vel da coer&ecirc;ncia entre diferentes medidas  sociais em fun&ccedil;&atilde;o da idade, (b) da precis&atilde;o sobre das escolhas  que a crian&ccedil;as faz, e (c) da reciprocidade das suas rela&ccedil;&otilde;es  de amizade, s&atilde;o consistente com as teorias do desenvolvimento social e  cognitivo, que sugerem um aumento gradual do mundo social, particularmente do  contexto do grupo de pares e, simultaneamente, por avan&ccedil;os significativos,  ao n&iacute;vel das compet&ecirc;ncias cognitivas (Flavell, Flavell, &amp; Green,  1987; Flavell, &amp; Miller, 1998; Flavell, Miller, &amp; Miller, 1999). </P>     <p>Segundo Flavell e colaboradores (1999), quando adquirem uma compreens&atilde;o  mais ampla acerca da mente, como o <I>lugar </I>onde ocorrem os desejos, as  cren&ccedil;as, os pensamentos e os sentimentos, as crian&ccedil;as t&ecirc;m  tamb&eacute;m maiores possibilidades para construir, elas pr&oacute;prias, conceitos  acerca dos outros, particularmente, sobre as suas caracter&iacute;sticas pessoais  singulares, como os tra&ccedil;os de personalidade. &Agrave; semelhan&ccedil;a do  que acontece com o conhecimento n&atilde;o social, tamb&eacute;m no conhecimento  social a compreens&atilde;o da crian&ccedil;a come&ccedil;a por ser relativamente  simples, evoluindo progressivamente, &agrave; medida que interage com os objectos  sociais e n&atilde;o sociais, para uma compreens&atilde;o mais complexa e estruturada  (Flavell, 1996; Flavell <I>et al.</I>, 1999). No caso das rela&ccedil;&otilde;es  entre os pares, permite, provavelmente, que as escolhas dos parceiros sociais, de  acordo com um dado crit&eacute;rio, sejam elas pr&oacute;prias suportadas por regras  mais consistentes e menos <I>vol&aacute;teis</I>. </P>     <p>Relativamente ao segundo objectivo deste trabalho &ndash; avaliar  a frequ&ecirc;ncia e estabilidade das classifica&ccedil;&otilde;es  sociom&eacute;tricas em fun&ccedil;&atilde;o da idade &ndash; os resultados  obtidos mostram que o estatuto mais frequente, em todas as idades, corresponde  &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o <I>m&eacute;dio</I>, um resultado positivo,  do ponto do desenvolvimento desta amostra de crian&ccedil;as, na medida em que,  a este estatuto social, se associam, geralmente, caracter&iacute;sticas e  compet&ecirc;ncias tidas como indicadores de um crescimento social ajustado  (Schaffer, 1996). Tamb&eacute;m por essa raz&atilde;o, como se constata em  diversas investiga&ccedil;&otilde;es, as crian&ccedil;as cujo estatuto social  &eacute; melhor caracterizado como <I>m&eacute;dio </I>s&atilde;o frequentemente  exclu&iacute;das das an&aacute;lises, quando se pretende estudar, por exemplo, a  agressividade, o abandono/ insucesso escolar, etc. (Coie &amp; Cillessen, 1998;  Sandstrom &amp; Coie, 1999). </P>     <p>Os testes estat&iacute;sticos realizados (coeficiente <I>Kappa de Cohen </I>e  coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o <I>V </I>de Cramer) apontam para  aus&ecirc;ncia de estabilidade nas classifica&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas  atribu&iacute;das &agrave;s crian&ccedil;as, de ano para ano, nas tr&ecirc;s idades  consideradas e para a aus&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente  significativa entre a vari&aacute;vel idade e a vari&aacute;vel estatuto  sociom&eacute;trico. Estes resultados s&atilde;o contradit&oacute;rios com a  literatura vigente, que tem indicado que o estatuto social, no grupo de pares,  tende a ser relativamente est&aacute;vel ao longo do tempo (e.g., Cillessen <I>et al.</I>,  2000). Entre outros aspectos, os estudos que sugerem estabilidade nas  classifica&ccedil;&otilde;es sociom&eacute;tricas, mostram que, independentemente  do sistema de classifica&ccedil;&atilde;o utilizado, as crian&ccedil;as populares  tendem a permanecer populares, tal como as crian&ccedil;as rejeitadas tendem a  manter-se rejeitadas (e.g., Brendgen, Vitaro, Bukowski, Doyle, &amp; Markiewicz,  2001). Adicionalmente, as evid&ecirc;ncias dispon&iacute;veis sugerem, tamb&eacute;m,  que a classifica&ccedil;&atilde;o do estatuto social (particularmente o de  rejei&ccedil;&atilde;o), n&atilde;o s&oacute; tende a ser est&aacute;vel num grupo  em particular, como a ser consistente de forma transversal, ou seja, de grupo  para grupo (Bierman, 2004). </P>     <p>A estabilidade na aceita&ccedil;&atilde;o e rejei&ccedil;&atilde;o pelo  grupo &eacute; um fen&oacute;meno pertinente para alguns investigadores, por  corroborar as suas perspectivas te&oacute;ricas sobre o que constitui a base  para a forma&ccedil;&atilde;o de um dado estatuto social, designadamente, o  pressuposto de que o estatuto reflecte as compet&ecirc;ncias da crian&ccedil;a,  em vez de idiossincrasias ou artefactos inerentes aos grupos de que fazem parte  (Parker, Rubin, Erath, Wojslawowicz, &amp; Buskirk, 2006). Tal como mostram  investiga&ccedil;&otilde;es recentes sobre o contexto social, a reputa&ccedil;&atilde;o  e outros factores grupais favor&aacute;veis &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o <I>vs. </I> aceita&ccedil;&atilde;o pelo grupo de pares (e.g., Santos &amp; Wineger, 1999;  Abrams, Rutland &amp; Cameron, 2003; Santos, Vaughn &amp; Bost, 2008; Vaughn &amp;  Santos, 2008), &eacute; errado subestimar a import&acirc;ncia que os factores ao  n&iacute;vel do grupo desempenham, quer na emerg&ecirc;ncia do estatuto social,  quer na sua subsist&ecirc;ncia. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="CENTER">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      <p>Abrams, D., Rutland, A., &amp; Cameron, L. (2003). The development of  subjective group dynamics: Children&rsquo;s judgments of normative and  deviant in-group and out-group individuals. <I>Child Development, 74</I>,  1840-1856. </P>      <p>Asher, S. R. (1985). An evolving paradigm in social skill training  research with children. In B. H. Schneider, K. H. Rubin, &amp; J. E.  Ledingham (Eds.), <I>Children&rsquo;s peer relations: Issues in assessment  and intervention </I> (pp. 157-171). New York: Springer-Verlag. </P>      <p>Asher, S. R., &amp; Dodge, K. A. (1986). Identifying children who are  rejected by their peers. <I>Developmental Psychology, 22</I>, 444-449. </P>      ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Terry, R., &amp; Coie, J. D. (1991). A comparison of methods for defining  sociometric status among children. <I>Developmental Psychology, 27</I>, 867-880. </P>      <p>Vaughn, B., &amp; Santos, A. J. (2008). Behavioral structures governing  social transactions among young children: Affiliation and dominance in groups  of preschool age children. In Kenneth H. Rubin, William Bukowski, &amp; Brett  Laursen (Eds.), <I>Handbook of peer interactions, relationships, and groups </I> (pp. 195-214). New York: Guilford Press. </P>      <p>Vaughn, B. E., Azria, M. R., Krzyik, L., Caya, L. R., Bost, K. K.,  Newell, W., &amp; Kazura, K. L. (2000). Friendship and social competence  in a sample of preschool children attending head start. <I>Developmental  Psychology, 36</I>, 326-338. </P>      <p>Vaughn, B. E., &amp; Waters, E. (1981). Attention structure, sociometric  status, and dominance &ndash; Interrelations, behavioral correlates, and  relationships to social competence. <I>Developmental Psychology, 17</I>, 275-288. </P>      <p>Wasik, B. H. (1987). Sociometric measures and peer descriptors of kindergarten  children: A study of reliability and validity. <I>Journal of Clinical Child Psychology,  16</I>, 218-224. </P>      <p>Wu, X., Hart, C. H., Draper, T. W., &amp; Olsen, J. A. (2001). Peer  and teacher sociometrics for preschool children: Cross-informant concordance,  temporal stability, and reliability. <I>Merrill-Palmer Quarterly, 47</I>, 416-443. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Agradecimentos: Os autores gostariam  de agradecer a todas as crian&ccedil;as que aceitaram participar neste estudo,  financiado pela FCT (POCTI/PSI/46739/2002, PTDC/ PSI/66172/2006). Os autores gostariam  ainda de agradecer a colabora&ccedil;&atilde;o de todos os colegas que colaboraram  na recolha dos dados. </P>     <p>Contacto: <a href="mailto:inespeceguina@gmail.com">inespeceguina@gmail.com</a>,  Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041  Lisboa, Portugal. </P>     <p>(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Bolseira FCT (SFRH/BD/23350/2005),  UIPCDE, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa, Portugal. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) UIPCDE, Instituto Superior de Psicologia  Aplicada, Lisboa, Portugal. </P>     <p>(<a href="#top4">****</a><a name="4"></a>) Bolseiro FCT (FCT-SFRH/BD/27489/2006),  UIPCDE, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa, Portugal. </P>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Rutland]]></surname>
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<volume>74</volume>
<page-range>1840-1856</page-range></nlm-citation>
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