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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[ISPA-Instituto Universitário]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A adopção: O Direito e os afectos. Caracterização das famílias adoptivas do Distrito de Lisboa]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação (UIPCDE) ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Adoption as a human experience is a universal phenomenon which has fulfilled different functions across history, reflecting the way societies view children and their needs, as well as their biological and adoptive parents. In Europe and in America, as well as in other cultures, the family is considered the socio-emotional context where the child should develop. Therefore adoption is the legal procedure which allows the child to have a family, when the biological family is not able to fulfill its role. In Portugal the law has been reviewed in order to protect and defend the children&#8217;s rights. This study aims to analyze the characteristics of the adoptive families in the Lisbon District. Adoptive families are similar to biological families in different parameters, with the exception of the infertility and the years of marriage prior to the first child. The adopted child fulfills the expectations of the adoptive parents.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Adopção]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>A adop&ccedil;&atilde;o: O Direito e os afectos. </B></P>     <p><B>Caracteriza&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias adoptivas do Distrito de    Lisboa (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>) </B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right">Fernanda Salvaterra (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P>     <P align="right">Manuela Ver&iacute;ssimo (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">RESUMO </P>     <p>A adop&ccedil;&atilde;o como experi&ecirc;ncia humana transcende todas as culturas    e existe desde sempre, tendo desempenhado diferentes fun&ccedil;&otilde;es ao    longo do tempo, reflectindo as mudan&ccedil;as sociais relativas ao modo como    a sociedade encara as necessidades da crian&ccedil;a, os modos de guarda, consoante    as necessidades dos pais biol&oacute;gicos e dos pais adoptivos. Nas culturas    da Europa Ocidental e Americana e ainda num grande n&uacute;mero de outras culturas,    acredita-se que a fam&iacute;lia &eacute; o melhor meio para a crian&ccedil;a    crescer. Assim a adop&ccedil;&atilde;o &eacute; um procedimento legal que visa    dar uma fam&iacute;lia &agrave; crian&ccedil;a cujos pais biol&oacute;gicos    n&atilde;o s&atilde;o capazes, n&atilde;o t&ecirc;m vontade ou est&atilde;o    legalmente proibidos de tomarem conta dela, assegurando-lhe uma fam&iacute;lia    de car&aacute;cter definitivo, capaz de lhe proporcionar um ambiente prop&iacute;cio    ao seu desenvolvimento, assegurando as suas necessidades. Em Portugal, a legisla&ccedil;&atilde;o    tem sido revista e alterada no sentido da promo&ccedil;&atilde;o dos interesses    da crian&ccedil;a e da defesa dos seus Direitos. O presente estudo tem como    objectivo geral a caracteriza&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias adoptivas    do distrito de Lisboa e faz parte de uma investiga&ccedil;&atilde;o mais ampla    sobre a qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o nas crian&ccedil;as adoptadas.    Pudemos constatar que as fam&iacute;lias adoptivas apresentam a mesma diversidade    e heterogeneidade que as fam&iacute;lias com filhos n&atilde;o adoptados, &agrave;    excep&ccedil;&atilde;o da sua (in)fertilidade e do n&uacute;mero de anos de    casamento (que &eacute; superior nas fam&iacute;lia adoptivas) at&eacute; &agrave;    chegada do primeiro filho. A adop&ccedil;&atilde;o continua a ser, para a maioria    das fam&iacute;lias adoptivas uma solu&ccedil;&atilde;o para o problema da infertilidade,    embora as fam&iacute;lias procurem associar tamb&eacute;m uma motiva&ccedil;&atilde;o    social. A crian&ccedil;a adoptada est&aacute;, na maioria dos casos, de acordo    com a crian&ccedil;a idealizada. </P>     <p><I>Palavras-chave</I>: Adop&ccedil;&atilde;o, fam&iacute;lia adoptiva, crian&ccedil;as    adoptadas. </P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">ABSTRACT </P>     <p>Adoption as a human experience is a universal phenomenon which has fulfilled    different functions across history, reflecting the way societies view children    and their needs, as well as their biological and adoptive parents. In Europe    and in America, as well as in other cultures, the family is considered the socio-emotional    context where the child should develop. Therefore adoption is the legal procedure    which allows the child to have a family, when the biological family is not able    to fulfill its role. In Portugal the law has been reviewed in order to protect    and defend the children&rsquo;s rights. This study aims to analyze the characteristics    of the adoptive families in the Lisbon District. Adoptive families are similar    to biological families in different parameters, with the exception of the infertility    and the years of marriage prior to the first child. The adopted child fulfills    the expectations of the adoptive parents. </P>     <p><I>Key words</I>: Adoption, adoptive family, adopted children. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p>A adop&ccedil;&atilde;o como experi&ecirc;ncia humana transcende todas s culturas    e existe desde sempre, tendo desempenhado diferentes fun&ccedil;&otilde;es ao    longo do tempo, influenciadas pela evolu&ccedil;&atilde;o das sociedades. &Eacute;    um assunto que pela curiosidade que desperta na generalidade das pessoas, tem    sido muito explorado pelos <I>media</I>. &Eacute; um tema sobre o qual muitas    pessoas t&ecirc;m informa&ccedil;&atilde;o, que gera sentimentos fortes e cuja    pr&aacute;tica origina fortes cr&iacute;ticas, mais emotivas que racionais,    n&atilde;o sendo tamb&eacute;m alheia a interesses pol&iacute;ticos. Poucos    s&atilde;o os servi&ccedil;os que est&atilde;o sob a aten&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica,    quanto os servi&ccedil;os de adop&ccedil;&atilde;o o t&ecirc;m estado nos &uacute;ltimos    anos. Trata-se, pois, de uma problem&aacute;tica actual quer quanto ao interesse    p&uacute;blico, quer ao n&iacute;vel da investiga&ccedil;&atilde;o, tanto no    intuito de melhorar as pr&aacute;ticas da adop&ccedil;&atilde;o, como no &acirc;mbito    da psicologia do desenvolvimento, no estudo das crian&ccedil;as privadas, precocemente,    de uma rela&ccedil;&atilde;o privilegiada com a(s) figura(s) parentais. </P>     <p>A fam&iacute;lia &eacute; um sistema que tem servido a sociedade de v&aacute;rias    formas mas a sua fun&ccedil;&atilde;o essencial &eacute;, sem d&uacute;vida,    dar suporte social e emocional aos seus membros e criar e educar os filhos,    ajudando-os a lidar com as crises pr&oacute;prias do desenvolvimento. A adop&ccedil;&atilde;o    surge como uma forma de resposta da sociedade &agrave;s crian&ccedil;as privadas    da sua fam&iacute;lia biol&oacute;gica, responsabilizando uma outra fam&iacute;lia    pelo cumprimento das fun&ccedil;&otilde;es parentais. A adop&ccedil;&atilde;o    &eacute; um procedimento legal que visa dar uma fam&iacute;lia &agrave; crian&ccedil;a    cujos pais biol&oacute;gicos n&atilde;o s&atilde;o capazes, n&atilde;o t&ecirc;m    vontade ou est&atilde;o legalmente proibidos de tomarem conta da crian&ccedil;a.    As boas pr&aacute;ticas focalizam-se no bem-estar da crian&ccedil;a no imediato    mas tamb&eacute;m no longo prazo. Uma adop&ccedil;&atilde;o bem sucedida &eacute;    a que vai ao encontro das necessidades da crian&ccedil;a, dando-lhe um lar e    uma fam&iacute;lia de car&aacute;cter permanente, para que a crian&ccedil;a    se sinta em seguran&ccedil;a e, no seu melhor, a adop&ccedil;&atilde;o vai tamb&eacute;m    ao encontro das necessidades da fam&iacute;lia adoptiva que desejou uma crian&ccedil;a,    assim como da fam&iacute;lia na qual a crian&ccedil;a nasceu, que, n&atilde;o    podendo tomar conta dela, desejou para ela o seu melhor. A adop&ccedil;&atilde;o    &eacute; um processo que envolve todas as partes. Come&ccedil;a com a identifica&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a que precisa de uma nova fam&iacute;lia    e progride com o pedido dos candidatos a pais adoptivos de uma crian&ccedil;a    e o ajustamento das capacidades de uma determinada fam&iacute;lia &agrave;s    necessidades de uma determinada crian&ccedil;a. Continua com os procedimentos    legais e ao longo da vida da fam&iacute;lia adoptiva. </P>     <p>Os pais adoptivos esperam e desejam ser capazes de assumir a sua fun&ccedil;&atilde;o    parental, de se tornar pais e de dar resposta &agrave;s necessidades da crian&ccedil;a;    e &agrave; crian&ccedil;a deve ser assegurada uma fam&iacute;lia de car&aacute;cter    definitivo, capaz de lhe proporcionar um ambiente prop&iacute;cio ao seu desenvolvimento,    assegurando as suas necessidades, ao n&iacute;vel da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o,    mas tamb&eacute;m e sobretudo, as de car&aacute;cter afectivo e social; uma    fam&iacute;lia que a crian&ccedil;a sinta como sua e na qual se sinta segura    e protegida, ao mesmo tempo que os pais adoptivos aceitam e reconhecem as suas    origens. </P>     <p>A fam&iacute;lia alargada est&aacute; tamb&eacute;m envolvida na adop&ccedil;&atilde;o.    A contribui&ccedil;&atilde;o das redes familiares tem vindo a ser cada vez mais    reconhecida. Exemplo disso &eacute; a legisla&ccedil;&atilde;o em Inglaterra    que estendeu certos direitos aos av&oacute;s, tais como o de ser consultados    quando apropriado. Contudo, os direitos da fam&iacute;lia alargada n&atilde;o    est&atilde;o, geralmente, legalmente protegidos e, segundo Triseliotis, Shiremanin    e Hundleby (1997), parte das boas pr&aacute;ticas em adop&ccedil;&atilde;o reside    no envolvimento destes membros da fam&iacute;lia no processo. </P>     <p>A adop&ccedil;&atilde;o tem vindo a ser cada vez mais defendida como uma das    medidas mais eficazes de protec&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as em    risco. No &acirc;mbito do direito internacional p&uacute;blico em mat&eacute;ria    de adop&ccedil;&atilde;o, podemos destacar a Declara&ccedil;&atilde;o sobre    os Princ&iacute;pios Sociais e Jur&iacute;dicos Aplic&aacute;veis &agrave; Protec&ccedil;&atilde;o    e ao Bem-Estar das Crian&ccedil;as de 1986, que definiu princ&iacute;pios orientadores    relativos ao bem-estar da crian&ccedil;a, e a Conven&ccedil;&atilde;o sobre    Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional e Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as    e Adolescentes em Mat&eacute;ria de Adop&ccedil;&atilde;o Internacional (Conven&ccedil;&atilde;o    de Haia, de 20 de Maio de 1993). Existe ainda, um vasto quadro legal que visa    consagrar os direitos da crian&ccedil;a, do qual podemos destacar a Declara&ccedil;&atilde;o    dos Direitos da Crian&ccedil;a, adoptada pela Assembleia-Geral das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas em 1959 e a Conven&ccedil;&atilde;o dos Direitos da Crian&ccedil;a, aprovada    pela ONU em 1989 e ratificada em Portugal em 1990. De entre os direitos da crian&ccedil;a,    podemos destacar o direito a uma parentalidade respons&aacute;vel para acompanhar    esse &ldquo;desenvolvimento sem descontinuidades graves (o direito a nascer    e a crescer numa fam&iacute;lia em que seja amado, respeitado e ajudado como    filho biol&oacute;gico ou adoptivo, ou, na impossibilidade de tal, o direito    de ser apoiado no seu crescimento e aquisi&ccedil;&atilde;o de autonomia mediante    solu&ccedil;&otilde;es de tipo familiar ou institucional que garantam acompanhamento    individualizado e din&acirc;mico, com qualidade afectiva e educacional)&rdquo;    (Leandro, 2004, p. 109). </P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">A ADOP&Ccedil;&Atilde;O EM PORTUGAL </P>     <p>Em Portugal, o abandono de crian&ccedil;as &agrave; sua pr&oacute;pria sorte    aconteceu durante s&eacute;culos, sobretudo para ocultar a maternidade por raz&otilde;es    morais e sociais, em mulheres de classe social alta. Esta pr&aacute;tica levou    &agrave; publica&ccedil;&atilde;o da ent&atilde;o chamada Carta R&eacute;gia,    em 1543, que atribuiu &agrave; Santa Casa da Miseric&oacute;rdia de Lisboa as    fun&ccedil;&otilde;es &ldquo;de recolher, proteger e criar as crian&ccedil;as,    filhas de ningu&eacute;m&rdquo; (Basto, 1995, p. 21), tamb&eacute;m chamadas    de &ldquo;enjeitados&rdquo; ou &ldquo;expostos&rdquo;, fun&ccedil;&otilde;es    que a Miseric&oacute;rdia j&aacute; exercia. A Roda dos Expostos<Sup><a href="#4">1</a><a name="top4"></a>    </Sup>viria a ser extinta em 1870 por se considerar que tal medida n&atilde;o    tinha acabado com os abandonos nem com as elevadas taxas de mortalidade infantil,    adoptando-se antes a concess&atilde;o de subs&iacute;dios &agrave;s m&atilde;es    indigentes, &agrave;s pu&eacute;rperas e &agrave;s fam&iacute;lias que viessem    buscar &agrave; Roda as crian&ccedil;as que outrora tinham enjeitado. </P>     <p>Em Portugal, a adop&ccedil;&atilde;o foi regulada nas Ordena&ccedil;&otilde;es    Afonsinas e Manuelinas com o objectivo de conceder ao adoptado a qualidade de    herdeiro. Contudo, o C&oacute;digo Civil de 1867, conhecido por C&oacute;digo    de Seabra, n&atilde;o contemplava o instituto da adop&ccedil;&atilde;o. Durante    a vig&ecirc;ncia do C&oacute;digo de Seabra, ocorreram a I e II guerras mundiais    que fizeram um grande n&uacute;mero de &oacute;rf&atilde;os. Este facto teve    um grande impacto em todo o mundo, tendo, nalguns pa&iacute;ses a adop&ccedil;&atilde;o    ressurgido como uma forma de dar resposta ao grande n&uacute;mero de crian&ccedil;as    que tinham ficado sem fam&iacute;lia. &Eacute; neste contexto que a adop&ccedil;&atilde;o    &eacute; introduzida no nosso regime jur&iacute;dico, atrav&eacute;s do C&oacute;digo    Civil de 1966 (Decreto-Lei n.&ordm; 47344, de 25 de Novembro de 1966) e, mais    tarde de uma forma mais assumida na reforma de 1977 (Decreto-Lei n.&ordm; 496/77,    de 25 de Novembro). Assim, foi retomada uma tradi&ccedil;&atilde;o no nosso    direito, interrompido durante a vig&ecirc;ncia do c&oacute;digo de Seabra. </P>     <p>O C&oacute;digo Civil (CC) de 1966 vem considerar o instituto da adop&ccedil;&atilde;o    num quadro geral de protec&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a desprovida    de meio familiar normal, privilegiando o interesse do adoptado (pre&acirc;mbulo    do Decreto-Lei 185/93, de 22 de Maio), por&eacute;m, at&eacute; &agrave; Reforma    de 1977, a regra foi a adop&ccedil;&atilde;o restrita<Sup><a href="#5">2</a><a name="top5"></a></Sup>,    sendo a adop&ccedil;&atilde;o plena<Sup><a href="#6">3</a><a name="top6"></a>    </Sup>apenas aplicada aos &oacute;rf&atilde;os e aos filhos de pais inc&oacute;gnitos.    A principal diferen&ccedil;a &eacute; que na Reforma de 1966 a crian&ccedil;a    adopt&aacute;vel era essencialmente a crian&ccedil;a sujeita a abandono f&iacute;sico,    enquanto que na Reforma de 1977 foi tamb&eacute;m considerado o abandono afectivo.    &ldquo;O regime que vigorou at&eacute; &agrave; reforma de 1977, de aplica&ccedil;&atilde;o    restrita, revelou, com o desenrolar dos anos e a sequ&ecirc;ncia das transforma&ccedil;&otilde;es    socio-pol&iacute;ticas ocorridas na d&eacute;cada de 1970, algumas limita&ccedil;&otilde;es.    Assim, e a partir de 1 de Abril de 1978, data em que (&hellip;) a reforma entrou    em vigor, houve uma valoriza&ccedil;&atilde;o do instituto (&hellip;)&rdquo;    (pre&acirc;mbulo do Decreto-Lei n.&ordm;185/93, de 22 de Maio). Embora se tivesse    mantido a adop&ccedil;&atilde;o restrita, a adop&ccedil;&atilde;o plena foi    incrementada e o seu campo de aplica&ccedil;&atilde;o amplamente alargado. </P>     <p>Sendo inicialmente um instituto que visava sobretudo os interesses do adulto,    a adop&ccedil;&atilde;o foi-se tornando progressivamente um instituto da crian&ccedil;a,    promovendo os seus interesses e a defesa dos seus direitos. </P>     <p>Em 1977, houve um conjunto de altera&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de    adop&ccedil;&atilde;o. Regulamentou-se a declara&ccedil;&atilde;o do estado    de abandono<Sup><a href="#7">4</a><a name="top7"></a> </Sup>e a tomada do consentimento    pr&eacute;vio<Sup><a href="#8">5</a><a name="top8"></a> </Sup>com vista a futura    adop&ccedil;&atilde;o, pelos pais do menor, reafirmando-se a natureza secreta    do processo (n.&ordm; 4, Decreto-Lei n.&ordm; 314/78, de 27 de Outubro). O legislador    justificou esta revis&atilde;o do instituto da adop&ccedil;&atilde;o &ldquo;por    for&ccedil;a do pretexto constitucional que proscreveu a distin&ccedil;&atilde;o    entre filhos leg&iacute;timos e ileg&iacute;timos&rdquo; (Lei n.&ordm; 496/77    de 25 de Novembro). As altera&ccedil;&otilde;es foram no sentido do alargamento,    renova&ccedil;&atilde;o e incrementa&ccedil;&atilde;o do campo de aplica&ccedil;&atilde;o    da adop&ccedil;&atilde;o plena, aumentando assim o n&uacute;mero de adop&ccedil;&otilde;es.    As principais altera&ccedil;&otilde;es foram as idades dos adoptantes que baixaram,    a n&atilde;o exig&ecirc;ncia da n&atilde;o exist&ecirc;ncia de filhos dos adoptantes,    admiss&atilde;o da adop&ccedil;&atilde;o plena singular, a introdu&ccedil;&atilde;o    de modifica&ccedil;&otilde;es no regime de consentimento dos pais naturais,    o estabelecimento da possibilidade do consentimento pr&eacute;vio e o car&aacute;cter    secreto das decis&otilde;es de adop&ccedil;&atilde;o (artigo 1985 do CC e 169.&ordm;    da OTM). Relativamente aos menores admitiu-se que a adop&ccedil;&atilde;o fosse    poss&iacute;vel para al&eacute;m dos menores filhos do c&ocirc;njuge do adoptante    ou de pais inc&oacute;gnitos ou falecidos, para os menores declarados judicialmente    em estado de abandono e para aqueles que residissem com os adoptantes e estivessem    a seu cargo h&aacute; mais de um ano (Rodrigues, 1997). </P>     <p>No dizer de Almiro Rodrigues (1997, p. 49) &ldquo;a adop&ccedil;&atilde;o &eacute;,    assim, a consagra&ccedil;&atilde;o legal da paternidade psico-afectiva&rdquo;    que o artigo 1586.&ordm; do CC reflecte quando diz que &ldquo;a adop&ccedil;&atilde;o    &eacute; o v&iacute;nculo que, &agrave; semelhan&ccedil;a da filia&ccedil;&atilde;o    natural, mas independentemente dos la&ccedil;os de sangue, se estabelece entre    duas pessoas nos termos dos artigos 1973.&ordm; e seguintes&rdquo; (artigo 1586.&ordm;    do CC). </P>     <p>Apesar da inten&ccedil;&atilde;o do legislador, com a cria&ccedil;&atilde;o    do estado de abandono, ter sido facilitar e viabilizar a adop&ccedil;&atilde;o,    o que se passou na pr&aacute;tica foi que o n&uacute;mero de adop&ccedil;&otilde;es    diminuiu, enquanto aumentou o n&uacute;mero de candidatos &agrave; adop&ccedil;&atilde;o    e o n&uacute;mero de crian&ccedil;as institucionalizadas, as quais, na sua maioria,    n&atilde;o t&ecirc;m contacto com os pais ou s&oacute; o t&ecirc;m esporadicamente.  </P>     <p>Com o decorrer dos anos e as transforma&ccedil;&otilde;es sociais ocorridas    houve necessidade de proceder a nova revis&atilde;o do regime da adop&ccedil;&atilde;o.    Essa revis&atilde;o surgiu com o Decreto-Lei n.&ordm; 185/93, de 22 de Maio    e reflectiu as altera&ccedil;&otilde;es no plano legislativo resultantes da    ades&atilde;o de Portugal &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o Europeia em Mat&eacute;ria    de Adop&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as, ratificada por Portugal pelo Decreto    do Presidente da Rep&uacute;blica n.&ordm; 7/90, de 20 de Fevereiro, e a cria&ccedil;&atilde;o    das novas comiss&otilde;es de protec&ccedil;&atilde;o de menores, pelo Decreto-Lei    n.&ordm; 189/91 de 17 de Maio e ainda pela representa&ccedil;&atilde;o de Portugal    nos trabalhos preparat&oacute;rios da Confer&ecirc;ncia de Haia de Direito Internacional    Privado, em que se perspectivava a adop&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as    estrangeiras. Foi tamb&eacute;m regulamentada a coloca&ccedil;&atilde;o no estrangeiro    de menores residentes em Portugal para a&iacute; serem adoptados, em harmonia    com as orienta&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito da adop&ccedil;&atilde;o transnacional.    Os organismos de seguran&ccedil;a social passaram a ter compet&ecirc;ncia para    decidir da confian&ccedil;a administrativa do menor e legitimidade para requerer    a sua confian&ccedil;a judicial, sendo ouvidos obrigatoriamente antes da decis&atilde;o    do tribunal. Houve assim, com esta revis&atilde;o, um refor&ccedil;o do papel    e da ac&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a social em todo o processo tutelar    e de adop&ccedil;&atilde;o, conferindo-lhe a posi&ccedil;&atilde;o de articula&ccedil;&atilde;o    entre cidad&atilde;os, fam&iacute;lias e institui&ccedil;&otilde;es que tenham    a seu cargo ou conhe&ccedil;am crian&ccedil;as desprovidas de meio familiar    normal e em risco. </P>     <p>A 18 de Mar&ccedil;o de 1997, um despacho conjunto do Ministro da Justi&ccedil;a    e da Solidariedade e Seguran&ccedil;a Social criou o Programa Adop&ccedil;&atilde;o    2000, para uma reforma da legisla&ccedil;&atilde;o sobre a adop&ccedil;&atilde;o,    para uma reestrutura&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de adop&ccedil;&atilde;o    da Seguran&ccedil;a Social e para uma melhor articula&ccedil;&atilde;o entre    os servi&ccedil;os p&uacute;blicos e privados, na convic&ccedil;&atilde;o de    que o Estado e a sociedade t&ecirc;m o dever de protec&ccedil;&atilde;o das    crian&ccedil;as, especialmente das crian&ccedil;as sujeitas a maus-tratos, abandono    ou orfandade, acolhidas em estruturas financiadas pela seguran&ccedil;a social.    Na altura, identificavam-se cerca de 4000 crian&ccedil;as e jovens em situa&ccedil;&atilde;o    de acolhimento familiar e 9068 em lares para crian&ccedil;as e jovens privados    de meio familiar (Santos, 2002). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Era ent&atilde;o necess&aacute;rio &ldquo;definir os crit&eacute;rios de acolhimento,    de diagn&oacute;stico e de elabora&ccedil;&atilde;o do projecto de vida dos    menores sem enquadramento familiar, pelos quais face ao caso concreto, o encaminhamento    para a adop&ccedil;&atilde;o &eacute; mais ajustado que as medidas de coloca&ccedil;&atilde;o    familiar ou institucionaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (despacho que criou o programa    Adop&ccedil;&atilde;o 2000). </P>     <p>Assim, em 1998 procedeu-se a nova revis&atilde;o com o Decreto-Lei n.&ordm;    120/98 de 8 de Maio, visando &ldquo;adequar a adop&ccedil;&atilde;o &agrave;s    nobres finalidades para que foi projectada, em contextos de permanentes transforma&ccedil;&otilde;es&rdquo;    (pre&acirc;mbulo do Decreto-Lei n.&ordm; 120/98 de 8 de Maio). As modifica&ccedil;&otilde;es    desta revis&atilde;o v&ecirc;m refor&ccedil;ar na lei o interesse do menor e    a responsabilidade que a comunidade tem, com todas as crian&ccedil;as e, em    especial com as que se encontram privadas de meio familiar normal. </P>     <p>Em 1999 na sequ&ecirc;ncia de uma nova pol&iacute;tica de protec&ccedil;&atilde;o    &agrave;s crian&ccedil;as e jovens surge a Lei n.&ordm; 147/99, de 1 de Setembro    & ndash; Lei de protec&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens em perigo.  </P>     <p>J&aacute; neste s&eacute;culo, novas altera&ccedil;&otilde;es legislativas    se deram com a Lei n.&ordm; 31/2003 de 22 de Agosto, na sequ&ecirc;ncia da enorme    visibilidade p&uacute;blica que a adop&ccedil;&atilde;o tem tido nos &uacute;ltimos    anos, do grande n&uacute;mero de crian&ccedil;as institucionalizadas e do crescente    n&uacute;mero de candidatos a adoptantes que esperam cada vez mais anos para    verem concretizado o seu desejo e a sua pretens&atilde;o. Esta lei introduziu    um novo paradigma: sempre que est&atilde;o em conflito os direitos da crian&ccedil;a    e os direitos dos adultos, a lei opta claramente pelos direitos da crian&ccedil;a.    Surge pela primeira vez na Lei o conceito de vincula&ccedil;&atilde;o, conceito    importante da psicologia do desenvolvimento e fundamental na caracteriza&ccedil;&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o parental. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">O PROCESSO DE ADOP&Ccedil;&Atilde;O </P>     <p>O processo de adop&ccedil;&atilde;o exige um sistema de grande colabora&ccedil;&atilde;o    interdisciplinar e interinstitucional, coordenada e dialogante, entre os organismos    de seguran&ccedil;a social, os tribunais, as institui&ccedil;&otilde;es particulares    ou oficiais que tenham a seu cargo crian&ccedil;as em risco, e ainda entre todos    os cidad&atilde;os, fam&iacute;lias e quaisquer organismos que tenham conhecimento    de crian&ccedil;as desprovidas de um meio familiar normal. </P>     <p>A ac&ccedil;&atilde;o correcta dos organismos de seguran&ccedil;a social tem,    em Portugal, um papel fulcral em todo o processo de adop&ccedil;&atilde;o desenvolvendo    uma intensa comunica&ccedil;&atilde;o entre as fam&iacute;lias, as institui&ccedil;&otilde;es    e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico dos tribunais de Fam&iacute;lia e Menores.  </P>     <p>As compet&ecirc;ncias da seguran&ccedil;a social inscrevem-se no &acirc;mbito    da detec&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o    nas condi&ccedil;&otilde;es de vida da crian&ccedil;a, delineando um novo projecto    de vida, tendo como princ&iacute;pios orientadores o seu bem-estar f&iacute;sico    e psicol&oacute;gico, indo de encontro aos seus superiores interesses, respeitando    a pr&oacute;pria crian&ccedil;a, mas tamb&eacute;m a sua fam&iacute;lia biol&oacute;gica,    a fam&iacute;lia adoptiva e as institui&ccedil;&otilde;es envolvidas. </P>     <p>Na defini&ccedil;&atilde;o do projecto de vida da crian&ccedil;a &eacute; essencial    o estudo aprofundado da fam&iacute;lia biol&oacute;gica e da qualidade das rela&ccedil;&otilde;es    afectivas existentes entre esta e a crian&ccedil;a. Se for vi&aacute;vel a perman&ecirc;ncia    da crian&ccedil;a na sua fam&iacute;lia, isto &eacute; se existem v&iacute;nculos    afectivos de qualidade e se a fam&iacute;lia, embora disfuncional, der mostras    de que com apoio tem capacidade de reassumir a sua fun&ccedil;&atilde;o parental    em tempo &uacute;til para a crian&ccedil;a, ent&atilde;o &eacute; com a sua    fam&iacute;lia biol&oacute;gica que a crian&ccedil;a deve permanecer. Se, por    outro lado, os v&iacute;nculos s&atilde;o pobres ou inexistentes, ou, muito    embora exista afecto, a fam&iacute;lia n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es,    n&atilde;o &eacute; capaz ou n&atilde;o deseja reorganizar-se para assumir a    sua fun&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o deve dar-se a oportunidade &agrave; crian&ccedil;a    de ter uma nova fam&iacute;lia que lhe permita um desenvolvimento harmonioso    e a ruptura de um ciclo de abandono/rejei&ccedil;&atilde;o/incapacidade, e a    constitui&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos afectivos seguros est&aacute;veis    e duradoiros. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando se conclui que o projecto de vida &eacute; a adop&ccedil;&atilde;o,    a seguran&ccedil;a social em articula&ccedil;&atilde;o com o tribunal deve intervir,    decidindo a confian&ccedil;a administrativa ou judicial ou a confian&ccedil;a    a pessoa id&oacute;nea seleccionada para adop&ccedil;&atilde;o. Os servi&ccedil;os    de adop&ccedil;&atilde;o devem ent&atilde;o decidir qual, de entre as fam&iacute;lias    candidatas &agrave; adop&ccedil;&atilde;o, a que poder&aacute; dar melhor resposta    &agrave; crian&ccedil;a em termos emocionais, educativos e de desenvolvimento    social. Ap&oacute;s esta decis&atilde;o, segue-se a apresenta&ccedil;&atilde;o    da situa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a aos candidatos que dever&atilde;o    decidir se a aceitam ou n&atilde;o. No caso de a decis&atilde;o ser a de prosseguir    com o processo de adop&ccedil;&atilde;o, inicia-se um per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o,    que se destina ao conhecimento m&uacute;tuo e ao estabelecimento dos primeiros    la&ccedil;os afectivos entre a crian&ccedil;a e os candidatos, com acompanhamento    dos t&eacute;cnicos, cujo objectivo &eacute; a observa&ccedil;&atilde;o do in&iacute;cio    do processo de vincula&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s este per&iacute;odo, que    tem uma dura&ccedil;&atilde;o vari&aacute;vel, consoante as caracter&iacute;sticas    da crian&ccedil;a (idade, est&aacute;dio de desenvolvimento, caracter&iacute;sticas    de personalidade, entre outras) e dos candidatos, procede-se &agrave; entrega    formal da crian&ccedil;a &agrave; sua nova fam&iacute;lia. Proceder-se-&aacute;    ao acompanhamento da nova fam&iacute;lia durante o per&iacute;odo de pr&eacute;-adop&ccedil;&atilde;o    (at&eacute; seis meses) a que se seguir&aacute; o processo judicial de adop&ccedil;&atilde;o    que termina com a senten&ccedil;a de adop&ccedil;&atilde;o plena que &eacute;    comunicada &agrave; conservat&oacute;ria do registo civil, permitindo o novo    registo da crian&ccedil;a com o nome da sua nova fam&iacute;lia (Salvaterra,    2005). </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">AS CRIAN&Ccedil;AS ADOPT&Aacute;VEIS </P>     <p>As crian&ccedil;as encaminhadas para adop&ccedil;&atilde;o s&atilde;o crian&ccedil;as    cuja fam&iacute;lia de origem ou deu voluntariamente o seu consentimento para    adop&ccedil;&atilde;o, ou foi manifestamente incapaz de dar resposta adequada    &agrave;s suas necessidades afectivas, educativas, de sa&uacute;de e de desenvolvimento    social. S&atilde;o crian&ccedil;as cujos pais falharam no fornecimento de um    n&iacute;vel de cuidados m&iacute;nimos. H&aacute; geralmente uma hist&oacute;ria    parental de liga&ccedil;&otilde;es perturbadas, priva&ccedil;&atilde;o emocional,    &aacute;lcool, abuso de drogas, assim como a falta de compet&ecirc;ncias sociais    e recursos emocionais necess&aacute;rios para criar rela&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis.    Estes factores interagem habitualmente com factores de ordem social e cultural    e levam a sentimentos de frustra&ccedil;&atilde;o, depress&atilde;o, auto-deprecia&ccedil;&atilde;o    e, nalguns casos, agress&atilde;o, o que conduz a neglig&ecirc;ncia e maus-tratos    da crian&ccedil;a. S&atilde;o muitas vezes crian&ccedil;as que tiveram experi&ecirc;ncias    traum&aacute;ticas graves na sua fam&iacute;lia de origem e/ou tiveram uma ou    mais fam&iacute;lias de acolhimento ou vivem em centros de acolhimento, enquanto    se determina o seu projecto de vida: possibilidade ou n&atilde;o de retorno    &agrave; fam&iacute;lia biol&oacute;gica ou a adop&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o,    portanto, crian&ccedil;as de risco ou em risco, ou mesmo em perigo, de tal forma    que foi necess&aacute;rio afast&aacute;-las desse perigo a que estavam expostas,    protegendo-as. S&atilde;o crian&ccedil;as abandonadas pela fam&iacute;lia logo    quando nascem, ou mais tarde; s&atilde;o crian&ccedil;as que estiveram muito    tempo hospitalizadas, ou por terem nascido com doen&ccedil;a ou defici&ecirc;ncia    e terem sido esquecidas pelos pais, ou por a determinada altura do seu desenvolvimento    apresentarem um problema grave que conduziu ao internamento hospitalar e que    os pais aos poucos deixaram de visitar. Ou s&atilde;o crian&ccedil;as negligenciadas    ou maltratadas que foram retiradas &agrave; fam&iacute;lia por estarem numa    situa&ccedil;&atilde;o de perigo. </P>     <p>Embora existam muitas crian&ccedil;as institucionalizadas em Portugal (cerca    de 15646 segundo o Relat&oacute;rio de Caracteriza&ccedil;&atilde;o da Situa&ccedil;&atilde;o    das Crian&ccedil;as e Jovens em situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento em 2004)<Sup><a href="#9">6</a><a name="top9"></a></Sup>,    s&oacute; um n&uacute;mero reduzido de situa&ccedil;&otilde;es &eacute; encaminhado    para adop&ccedil;&atilde;o. Este t&atilde;o elevado n&uacute;mero de crian&ccedil;as    institucionalizadas revela a persist&ecirc;ncia de uma filosofia institucionalizadora,    oriunda dos anos 1950 e que actual-mente n&atilde;o configura a solu&ccedil;&atilde;o    que melhor defende o superior interesse dessas crian&ccedil;as. Os dados do    Relat&oacute;rio acima referido &ldquo;permitem retirar como conclus&atilde;o    que as medidas de coloca&ccedil;&atilde;o (quer institucional, quer familiar),    sendo destinadas &agrave; protec&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens,    evidenciam a necessidade de um maior acompanhamento por parte de todo o sistema    de protec&ccedil;&atilde;o (incluindo o Estado, nomeadamente as &aacute;reas    de seguran&ccedil;a social, justi&ccedil;a, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o,    bem como a sociedade civil) por forma a desempenharem cabalmente o seu papel    de protec&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de constru&ccedil;&atilde;o de    projectos de vida adequados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em causa. Estas    crian&ccedil;as s&oacute; podem ser adoptadas quando os pais forem considerados    incapazes de levar a cabo a tarefa educativa de forma satisfat&oacute;ria para    a crian&ccedil;a e houver uma determina&ccedil;&atilde;o judicial nesse sentido    (confian&ccedil;a judicial ou medida de promo&ccedil;&atilde;o e protec&ccedil;&atilde;o    de confian&ccedil;a a pessoa seleccionada para adop&ccedil;&atilde;o ou a institui&ccedil;&atilde;o    com vista a futura adop&ccedil;&atilde;o). </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">AS FAM&Iacute;LIAS ADOPTIVAS </P>     <p>O desejo de ter um filho continua a ser uma situa&ccedil;&atilde;o comum da    maioria das fam&iacute;lias. Embora alguns casais, por raz&otilde;es de v&aacute;ria    ordem, decidam n&atilde;o ter filhos, estes s&atilde;o uma minoria. Este desejo    de aceder &agrave; parentalidade est&aacute; ligado &agrave; forma como cada    um viveu a sua inf&acirc;ncia, &agrave; sua situa&ccedil;&atilde;o de filho    e &agrave; forma como resolveu os conflitos inerentes ao seu pr&oacute;prio    desenvolvimento, o que significa que est&aacute; ligado a situa&ccedil;&otilde;es    muito diversas do ponto de vista psicol&oacute;gico. Quando esta necessidade    ou desejo de ser pai e m&atilde;e encontra obst&aacute;culos &agrave; sua realiza&ccedil;&atilde;o,    as fam&iacute;lias procuram solu&ccedil;&otilde;es alternativas para concretizarem    o projecto de serem pais (Diniz, 1997). </P>     <p>O que &eacute; necess&aacute;rio ter em conta &eacute; que uma rela&ccedil;&atilde;o    de parentalidade/filia&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode ser boa e proporcionar    felicidade, se for favor&aacute;vel para ambas as partes. O bem-estar de uma    fam&iacute;lia s&oacute; pode resultar do bom funcionamento de todo o sistema    familiar. Ou seja, para que a adop&ccedil;&atilde;o sirva os &ldquo;melhores    interesses da crian&ccedil;a&rdquo;, ela tamb&eacute;m ter&aacute; de ter em    conta e promover certos interesses dos adoptantes. A fam&iacute;lia adoptiva    n&atilde;o se distingue, no essencial, da fam&iacute;lia biol&oacute;gica, competindo-lhe    assegurar relativamente &agrave; crian&ccedil;a as mesmas fun&ccedil;&otilde;es    e exercer os mesmos direitos e deveres que a fam&iacute;lia biol&oacute;gica.  </P>     <p>Entre as muitas tarefas relacionadas com a adop&ccedil;&atilde;o, experimentadas    pelos pais ao longo do ciclo de vida familiar, est&atilde;o as que s&atilde;o    associadas &agrave; transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade adoptiva, como    sejam lidar com a quest&atilde;o da infertilidade, lidar com a incerteza do    tempo que demora o processo e lidar com o estigma social que est&aacute; associado    &agrave; adop&ccedil;&atilde;o (Brodzinsky, Lang &amp; Smith, 1995). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A grande maioria dos pais adoptivos, enfrentou uma situa&ccedil;&atilde;o de    infertilidade, problema que est&aacute; frequentemente associado a problemas    psicol&oacute;gicos para ambos os elementos do casal (Epstein &amp; Rosenberg,    1997, cit. por Brodzinsky, Smith &amp; Brodzinsky, 1998; Lieblum &amp; Greenfeld,    1997, cit. por Brodzinsky <I>et al.</I>, 1998), como sejam a baixa auto-estima,    a ansiedade, a depress&atilde;o, a imagem corporal distorcida, a diminui&ccedil;&atilde;o    da apet&ecirc;ncia sexual, problemas de comunica&ccedil;&atilde;o no casal e    ressentimentos para com o parceiro. Se os pais adoptivos n&atilde;o conseguiram    lidar com estes problemas, ent&atilde;o a confian&ccedil;a, a seguran&ccedil;a    e a uni&atilde;o do casal podem estar amea&ccedil;adas bem como a sua capacidade    para estabelecer um ambiente que suporte uma rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos    adequada, surgindo ainda dificuldades em ultrapassar as tarefas espec&iacute;ficas    relacionadas com a adop&ccedil;&atilde;o (Brodzinsky <I>et al.</I>, 1995). </P>     <p>A incerteza do tempo que levar&aacute; at&eacute; ser concretizada a adop&ccedil;&atilde;o    &eacute; um outro factor causador de stress. Ao contr&aacute;rio da gravidez,    a dura&ccedil;&atilde;o do tempo do processo de adop&ccedil;&atilde;o &eacute;    altamente imprevis&iacute;vel. </P>     <p>Os pais adoptivos t&ecirc;m ainda de lidar com o estigma social de que a adop&ccedil;&atilde;o    &eacute; a segunda melhor via de aceder &agrave; parentalidade. Os coment&aacute;rios    como &ldquo;que pena n&atilde;o poderem ter um filho vosso!&rdquo; ou &ldquo;que    coisa maravilhosa que v&atilde;o fazer&rdquo; ou ainda &ldquo;que coragem!&rdquo;    com que os pais adoptivos s&atilde;o confrontados, v&ecirc;m confirmar a ideia    da adop&ccedil;&atilde;o como &ldquo;segunda escolha&rdquo;. Os pais adoptivos    v&ecirc;em-se muitas vezes obrigados a justificar a sua decis&atilde;o e, quando    anunciam a sua inten&ccedil;&atilde;o de adoptar, recebem menos suporte da fam&iacute;lia    alargada e dos amigos do que recebem habitualmente os pais biol&oacute;gicos    (Singer, Brodzinsky, Ramsay, Steir, &amp; Waters, 1985). </P>     <p>H&aacute; ainda outros factores, relacionados com o filho adoptado que podem    complicar esta transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade adoptiva: a idade    da crian&ccedil;a na altura da adop&ccedil;&atilde;o e o risco biol&oacute;gico.  </P>     <p>Ao contr&aacute;rio dos beb&eacute;s, cuja hist&oacute;ria p&oacute;s-natal    &eacute; praticamente inexistente, as crian&ccedil;as mais crescidas trazem    uma hist&oacute;ria e todo um conjunto de viv&ecirc;ncias que causam impacto    na fam&iacute;lia adoptiva e dificuldades no seu ajustamento, complicando as    rela&ccedil;&otilde;es pais-filhos e o funcionamento familiar (Rosenthal &amp;    Groze, 1991). </P>     <p>Brodzinsky (1987) considera contudo que os pais adoptivos t&ecirc;m um conjunto    de caracter&iacute;sticas que os ajuda a ultrapassar estas dificuldades mais    facilmente que os pais n&atilde;o adoptivos. Regra geral os pais adoptivos s&atilde;o    mais velhos, com carreiras profissionais mais estabelecidas e com maior seguran&ccedil;a    financeira, e &eacute; prov&aacute;vel que tenham desenvolvido estrat&eacute;gias    mais eficazes de lidar com situa&ccedil;&otilde;es adversas, bem como, com os    v&aacute;rios factores de stress associados &agrave; vida familiar. Est&atilde;o    tamb&eacute;m, geralmente casados h&aacute; mais tempo, o que pode significar    maior estabilidade, maior sensibilidade conjugal e melhor comunica&ccedil;&atilde;o,    e desejam de tal forma este filho que, a chegada da crian&ccedil;a lhes tr&aacute;s    um forte sentimento de plenitude, capaz de amortecer os factores de stress associados    a esta primeira fase da vida da fam&iacute;lia adoptiva. Os pais adoptivos t&ecirc;m    expectativas positivas sobre os efeitos que um filho pode ter na sua vida pessoal    e familiar. </P>     <p>Os pais adoptivos s&atilde;o, no entanto, pais que se encontram numa situa&ccedil;&atilde;o    muito especial, pois t&ecirc;m uma crian&ccedil;a que vem sempre de uma outra    fam&iacute;lia. Eles desejam e t&ecirc;m a expectativa de ser capazes de criar    uma rela&ccedil;&atilde;o com esta crian&ccedil;a e que, a n&iacute;vel emocional,    esta se torne realmente seu filho (Hoksbergen, 1997). </P>     <p>Desde os primeiros sinais de vida da crian&ccedil;a, os pais biol&oacute;gicos    est&atilde;o envolvidos com o seu desenvolvimento e educa&ccedil;&atilde;o.    As hist&oacute;rias de vida da crian&ccedil;a e dos seus pais biol&oacute;gicos    est&atilde;o interligadas desde os primeiros momentos. Isto &eacute; diferente    para os pais adoptivos, que recebem sempre uma crian&ccedil;a &ldquo;crescida&rdquo;.    Este crescido pode significar um beb&eacute; de algumas semanas ou meses, mas    pode tamb&eacute;m ter 5,6 ou mesmo 10 anos. A integra&ccedil;&atilde;o de uma    crian&ccedil;a numa fam&iacute;lia numa idade mais tardia pode significar que    os pais adoptivos desconhe&ccedil;am, parcial ou completamente, a hist&oacute;ria    de vida da crian&ccedil;a. Em regra, muito pouco se sabe sobre a gravidez, o    nascimento e sobre o seu desenvolvimento. </P>     <p>Outra importante diferen&ccedil;a &eacute; que para os pais biol&oacute;gicos    ter um filho &eacute; um assunto privado e para os pais adoptivos pressup&otilde;e    ter de passar por uma avalia&ccedil;&atilde;o, ter de se expor. Outra diferen&ccedil;a    s&atilde;o os aspectos legais, pois a adop&ccedil;&atilde;o s&oacute; se oficializa    em tribunal. Outra diferen&ccedil;a, ainda, &eacute; que adoptar e ser adoptado    t&ecirc;m influ&ecirc;ncia na situa&ccedil;&atilde;o relacional. Para os pais    biol&oacute;gicos os la&ccedil;os de sangue t&ecirc;m um importante papel no    processo de vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; sua crian&ccedil;a, sentem a crian&ccedil;a    como sua desde sempre. Os pais adoptivos t&ecirc;m de se habituar &agrave; ideia    de que a sua crian&ccedil;a, nascida de estranhos, realmente lhes pertence.  </P>     <p>A primeira tarefa inerente &agrave; parentalidade psicol&oacute;gica &eacute;    a forma&ccedil;&atilde;o de um la&ccedil;o afectivo e de um sentimento de perten&ccedil;a.    A forma&ccedil;&atilde;o deste sentimento, ou seja, a constitui&ccedil;&atilde;o    desses la&ccedil;os afectivos vai depender das caracter&iacute;sticas dos pais,    das suas qualidades parentais mas tamb&eacute;m da hist&oacute;ria relacional    da crian&ccedil;a. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os pais t&ecirc;m de come&ccedil;ar por criar um ambiente que n&atilde;o s&oacute;    v&aacute; ao encontro das necessidades das crian&ccedil;as, em geral, mas do    seu filho adoptivo, em particular. Em primeiro lugar devem ajudar a crian&ccedil;a    a sentir-se integrada na fam&iacute;lia e a desenvolver um sentimento de seguran&ccedil;a    e confian&ccedil;a, que s&atilde;o os alicerces de um desenvolvimento psicol&oacute;gico    saud&aacute;vel (Brodzinsky, Smith, &amp; Brodzinsky, 1998). </P>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o desses la&ccedil;os pode ser mais dif&iacute;cil se    a crian&ccedil;a tiver desenvolvido sentimentos de desconfian&ccedil;a face    &agrave;s figuras parentais, quando s&atilde;o mais crescidos e j&aacute; tiverem    desenvolvido sentimentos de perten&ccedil;a com outra fam&iacute;lia, quando    tiverem sido abusados ou maltratados ou tido m&uacute;ltiplos prestadores de    cuidados (Rodrigo &amp; Pal&aacute;cios, 1998). Mas &eacute; no exerc&iacute;cio    da rela&ccedil;&atilde;o parental que se criam as condi&ccedil;&otilde;es para    que as rela&ccedil;&otilde;es maternas e paternas se desenvolvam e intensifiquem.  </P>     <p>Mas os pais adoptivos n&atilde;o t&ecirc;m s&oacute; de criar um ambiente prop&iacute;cio    &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os fortes e seguros com o filho,    eles t&ecirc;m tamb&eacute;m de criar condi&ccedil;&otilde;es e dar suporte    a uma explora&ccedil;&atilde;o adequada das quest&otilde;es relacionadas com    a adop&ccedil;&atilde;o, que a crian&ccedil;a ir&aacute; fazer ao longo do seu    processo de desenvolvimento. </P>     <p>Podemos ent&atilde;o considerar que existem outros desafios inerentes &agrave;    parentalidade psicol&oacute;gica, como sejam, discutir a adop&ccedil;&atilde;o    com o filho(a), lidar com a curiosidade da crian&ccedil;a sobre a sua fam&iacute;lia    de origem, ajudar o filho(a) com o sentimento de perda relacionado com a adop&ccedil;&atilde;o,    dar suporte a uma auto-imagem positiva e identidade do seu filho relativamente    &agrave; adop&ccedil;&atilde;o e nalguns casos, quando o adoptado chega &agrave;    adolesc&ecirc;ncia e &agrave; idade adulta, lidar com os seus planos de procura    da sua fam&iacute;lia de origem (Brodzinsky <I>et al.</I>, 1998). </P>     <p>Os pais adoptivos t&ecirc;m tamb&eacute;m de explorar e compreender os seus    pr&oacute;prios sentimentos para com a fam&iacute;lia biol&oacute;gica do seu    filho, bem como preparar-se para partilhar com ele(a) informa&ccedil;&otilde;es    sobre as suas origens e a hist&oacute;ria da sua adop&ccedil;&atilde;o (Brodzinsky    <I>et al.</I>, 1998). </P>     <p>Uma tarefa importante dos pais adoptivos &eacute; falar &agrave; crian&ccedil;a    do seu passado e colocar os pais biol&oacute;gicos numa posi&ccedil;&atilde;o    neutra, isto &eacute;, n&atilde;o os culpando, nem denegrindo a sua imagem.  </P>     <p>Kirk (1964) foi um dos primeiros investigadores a abordar o problema do ajustamento    da fam&iacute;lia adoptiva aos desafios espec&iacute;ficos da adop&ccedil;&atilde;o.    De acordo com este autor, h&aacute; duas atitudes poss&iacute;veis: a nega&ccedil;&atilde;o    das diferen&ccedil;as ou a aceita&ccedil;&atilde;o dessas diferen&ccedil;as.    A nega&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as passa pela atitude da fam&iacute;lia    adoptiva de n&atilde;o se querer diferenciar de qualquer fam&iacute;lia biol&oacute;gica,    procurando esquecer quanto antes que t&ecirc;m uma situa&ccedil;&atilde;o especial,    relacionando-se com o filho adoptado simplesmente como qualquer pai e m&atilde;e    se relaciona com os seus filhos. A aceita&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as    d&aacute;-se em fam&iacute;lias que reconhecem que a parentalidade adoptiva    implica um conjunto de factores que n&atilde;o acontecem nas fam&iacute;lias    biol&oacute;gicas, enfrentando essas situa&ccedil;&otilde;es e falando abertamente    delas com o filho. Kirk (1964) considerou haver uma rela&ccedil;&atilde;o entre    estas duas atitudes e o grau de ajustamento da fam&iacute;lia e da crian&ccedil;a;    assim, nas fam&iacute;lias que negavam as diferen&ccedil;as existiam problemas    de identidade na crian&ccedil;a, problemas de comunica&ccedil;&atilde;o e de    ajustamento; nas fam&iacute;lias que reconheciam haver diferen&ccedil;as, havia    um clima de comunica&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o de sentimentos    que se traduziam numa identidade mais clara e num sentimento de perten&ccedil;a    mais forte. </P>     <p>Mais tarde, Brodzinsky (1987, 1990) concluiu nos seus estudos que nem sempre    o padr&atilde;o de nega&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as &eacute; um mal,    nem, t&atilde;o pouco, o reconhecimento das diferen&ccedil;as &eacute; sempre    a melhor estrat&eacute;gia. Esta conclus&atilde;o foi refor&ccedil;ada por Fuertes    e Amor&oacute;s (1996) que conclu&iacute;ram que n&atilde;o se pode determinar    qual &eacute; o modelo mais adequado, pois cada um deles pode ser mais funcional    em momentos ou circunst&acirc;ncias diferentes; assim, o modelo de nega&ccedil;&atilde;o    das diferen&ccedil;as pode ser uma boa estrat&eacute;gia nos primeiros anos,    quando o objectivo principal &eacute; o estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o    de vincula&ccedil;&atilde;o segura crian&ccedil;a/pais, enquanto que nos anos    que se seguem ser&aacute; mais adequado um modelo de aceita&ccedil;&atilde;o    das diferen&ccedil;as que permita uma comunica&ccedil;&atilde;o aberta sobre    a condi&ccedil;&atilde;o de filho adoptivo e sobre os sentimentos que esse estatuto    veicula. </P>     <p>Devem ser os pais a revelar &agrave; crian&ccedil;a a sua condi&ccedil;&atilde;o    de adoptada e mostrar-se abertos a responder &agrave;s suas perguntas sobre    a adop&ccedil;&atilde;o; devem compreender e aceitar a necessidade da crian&ccedil;a    em obter informa&ccedil;&atilde;o sobre o seu passado, as suas origens e as    raz&otilde;es por que foi para adop&ccedil;&atilde;o; os pais devem criar um    clima em que seja f&aacute;cil para a crian&ccedil;a fazer perguntas; a comunica&ccedil;&atilde;o    deve ser franca e aberta, devendo os pais ap&oacute;s a revela&ccedil;&atilde;o    inicial, continuar a falar sobre o tema com os filhos nos anos seguintes, tendo    em considera&ccedil;&atilde;o o n&iacute;vel de informa&ccedil;&atilde;o adequado    &agrave;s capacidades cognitivas e emocionais da crian&ccedil;a. </P>     <p>V&aacute;rios estudos (Brodzinsky, 1984, 1987, 1990; Brodzinsky, Schechter    &amp; Brodzinsky, 1986; Brodzinsky, Singer, &amp; Braff, 1984) t&ecirc;m abordado    esta quest&atilde;o do ponto de vista da evolu&ccedil;&atilde;o da compreens&atilde;o    da crian&ccedil;a sobre o conceito de adoptado e do que esse estatuto implica.  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na idade pr&eacute;-escolar as crian&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m capacidade    para formar uma ideia clara sobre o que significa ser adoptado; a crian&ccedil;a    pode saber que &eacute; adoptada, contar a hist&oacute;ria da sua adop&ccedil;&atilde;o    tal como ela lhe foi relatada pelos pais adoptivos, mas sem compreender o significado    dessa hist&oacute;ria e as implica&ccedil;&otilde;es do seu estatuto de adoptado;    assim, se a revela&ccedil;&atilde;o for rodeada de um clima de afecto e protec&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o se d&atilde;o reac&ccedil;&otilde;es negativas na crian&ccedil;a.  </P>     <p>Com a entrada na idade escolar, a crian&ccedil;a acede a um pensamento cada    vez mais l&oacute;gico, reflexivo e anal&iacute;tico, tendo uma no&ccedil;&atilde;o    mais clara do que &eacute; uma fam&iacute;lia e as diferen&ccedil;as entre a    fam&iacute;lia biol&oacute;gica e a fam&iacute;lia adoptiva. Toma consci&ecirc;ncia    de que ser adoptado implica ter sido aceite por uma fam&iacute;lia na qual vive    mas tamb&eacute;m que foi rejeitado por uma outra fam&iacute;lia na qual nasceu.    Esta tomada de consci&ecirc;ncia pode levar a sentimentos de ambival&ecirc;ncia,    por vezes de revolta, levando a comportamentos diversos desde a agress&atilde;o    ao isolamento ou depress&atilde;o. O papel dos pais adoptivos deve ser o de    compreender a confus&atilde;o de sentimentos pelo qual as crian&ccedil;as est&atilde;o    a passar, as suas ambival&ecirc;ncias e inseguran&ccedil;as, ajudando-as a ultrapass&aacute;-las.  </P>     <p>Na adolesc&ecirc;ncia, quer as capacidades cognitivas quer o conhecimento social    aumentaram enormemente e a tarefa de constru&ccedil;&atilde;o da sua identidade    tem de ter em conta quer a sua hist&oacute;ria passada, quer a sua hist&oacute;ria    actual ou futura; o sentimento de perda e de rejei&ccedil;&atilde;o pode ser    agora sentido de forma mais profunda e mais dolorosa. Os pais devem ter consci&ecirc;ncia    da dificuldade acrescida que &eacute; para os adolescentes adoptados a constru&ccedil;&atilde;o    da sua identidade e proporcionar-lhes o apoio necess&aacute;rio e adequado &agrave;s    suas necessidades. </P>     <p>Emocionalmente estas s&atilde;o tarefas inerentes &agrave; parentalidade psicol&oacute;gica,    que levantam algumas dificuldades numa fam&iacute;lia adoptiva e que para a    fam&iacute;lia n&atilde;o adoptiva n&atilde;o existem. Mas a parentalidade adoptiva    &eacute; na generalidade uma experi&ecirc;ncia positiva para a maioria das fam&iacute;lias.    &Eacute; uma experi&ecirc;ncia diferente da de criar um filho biol&oacute;gico,    mas, quando os pais conseguem ultrapassar com sucesso os desafios espec&iacute;ficos    da parentalidade adoptiva, como a maioria consegue, concluem que a experi&ecirc;ncia    de criar um filho adoptivo &eacute; pessoalmente recompensadora e bem sucedida    em termos do ajustamento e desenvolvimento do seu filho (Brodzinsky <I>et al.</I>,    1995). </P>     <p>O presente estudo tem como objectivo geral a caracteriza&ccedil;&atilde;o das    fam&iacute;lias adoptivas do distrito de Lisboa e faz parte de uma investiga&ccedil;&atilde;o    mais ampla sobre a qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o nas crian&ccedil;as    adoptadas. Pretendemos apresentar as caracter&iacute;sticas do sistema familiar,    as caracter&iacute;sticas do pedido de adop&ccedil;&atilde;o (motivo e crian&ccedil;a    desejada), alguns aspectos sobre o processo de adop&ccedil;&atilde;o e uma caracteriza&ccedil;&atilde;o    das crian&ccedil;as adoptadas. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">M&Eacute;TODO </P>     <p><I>Participantes </I></P>     <p>Os participantes deste estudo s&atilde;o 461 fam&iacute;lias que adoptaram    540 crian&ccedil;as, no Distrito de Lisboa (excepto cidade de Lisboa), atrav&eacute;s    do Servi&ccedil;o de Adop&ccedil;&otilde;es do Centro Distrital de Lisboa, entre    1984 e 2004. </P>     <p>As fam&iacute;lias adoptivas (N=461) eram constitu&iacute;das por 450 casais    e 11 fam&iacute;lias monoparentais (10 m&atilde;es e 1 pai). As idades &agrave;    altura da candidatura variavam entre os 23 e os 51 anos para as mulheres (<I>M</I>=34,17;    <I>DP</I>=5,39) e os 24 e 55 para os homens (<I>M</I>=35,28; <I>DP</I>=7,57).  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias das m&atilde;es variam entre    o n&atilde;o possuir a escolaridade m&iacute;nima (N=1) at&eacute; ao grau de    Doutoramento (N=5) e as dos pais entre o n&atilde;o possuir a escolaridade m&iacute;nima    (N=1) at&eacute; ao grau de Doutoramento (N=2). </P>     <p>As profiss&otilde;es s&atilde;o variadas sendo a maior incid&ecirc;ncia nas    mulheres em &ldquo;quadro superior&rdquo; (N=118; 25,6%) e &ldquo;quadro m&eacute;dio&rdquo;    (N=108; 23,4%) e nos homens &ldquo;quadro m&eacute;dio&rdquo; (N=122; 26,5%),    &ldquo;empregados de servi&ccedil;os&rdquo; (N=115; 24,9%) seguido de &ldquo;quadros    superiores&rdquo; (N=109; 23,6%). </P>     <p><I>Instrumentos </I></P>     <p>Roteiro de Caracteriza&ccedil;&atilde;o </P>     <p>Os dados relativos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o estudada foram recolhidos    com base numa an&aacute;lise documental. Este roteiro recolhe dados relativos    a: caracter&iacute;sticas dos candidatos &agrave; adop&ccedil;&atilde;o (nome,    idade, habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, profiss&atilde;o, morada,    telefone e anos de casamento); caracter&iacute;sticas do pedido de adop&ccedil;&atilde;o    (data, caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a desejada &ndash; idade, sexo,    ra&ccedil;a e estado de sa&uacute;de &ndash; e motivo do pedido); data da entrega    da crian&ccedil;a e tempo de espera; caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a    adoptada (nome, data de nascimento, idade, institui&ccedil;&atilde;o de origem,    caracteriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia de origem, situa&ccedil;&atilde;o    jur&iacute;dica e motivo da entrega da crian&ccedil;a para adop&ccedil;&atilde;o);    data do requerimento para adop&ccedil;&atilde;o plena; data da senten&ccedil;a/per&iacute;odo    de pr&eacute;-adop&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">FIGURA 1 </P>     <p align="center"><B>Habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias dos candidatos    &agrave; adop&ccedil;&atilde;o </B></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n3/26n3a11f1.gif"> </div>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Procedimento </P>     <p>A primeira caracteriza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o do presente    estudo foi feita atrav&eacute;s da consulta dos processos de adop&ccedil;&atilde;o    do Servi&ccedil;o de Adop&ccedil;&otilde;es do Centro Distrital de Seguran&ccedil;a    Social de Lisboa, relativos a adop&ccedil;&otilde;es realizadas desde o in&iacute;cio    do servi&ccedil;o, isto &eacute;, desde 1984 at&eacute; ao ano 2004. Os dados    foram recolhidos e o roteiro de caracteriza&ccedil;&atilde;o subsequente preenchimento,    tendo para isso sido obtida autoriza&ccedil;&atilde;o do Director do Servi&ccedil;o.  </P>     <p>Foi feita a caracteriza&ccedil;&atilde;o das 540 crian&ccedil;as e das 461    fam&iacute;lias que as adoptaram em termos das caracter&iacute;sticas do sistema    familiar, caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a que desejavam adoptar, caracter&iacute;sticas    da crian&ccedil;a adoptada, hist&oacute;ria pessoal da crian&ccedil;a adoptada    e, caracter&iacute;sticas do processo de adop&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">RESULTADOS </P>     <p><I>Caracter&iacute;sticas do sistema familiar </I></P>     <p>Assim, das 461 fam&iacute;lias adoptivas (450 casais, 11 fam&iacute;lias monoparentais,    10 m&atilde;es e 1 pai) na altura da sua candidatura &agrave; adop&ccedil;&atilde;o,    a maioria eram casadas<Sup><a href="#10">7</a><a name="top10"></a> </Sup>(N=450;    97,6%) e no caso das fam&iacute;lias monoparentais, 10 (2,2%) eram solteiros    e 1 (0,2%) divorciado. A maioria das fam&iacute;lias adoptivas estavam casadas    h&aacute; muitos anos, a maior frequ&ecirc;ncia (N=154; 33,4%) verificava-se    entre os &ldquo; <I>10-14 anos de casamento</I>&rdquo;, seguida de entre &ldquo;<I>7-9    anos de casamento</I>&rdquo; (N=96; 20,8%) e um n&uacute;mero significativo    (N=59; 12,8%) com &ldquo;<I>4 anos de casamento</I>&rdquo;<Sup><a href="#11">8</a><a name="top11"></a></Sup>.  </P>     <p>A maioria das fam&iacute;lias, na altura da candidatura &agrave; adop&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o tinha filhos (N=418; 86,6%), 35 (7,2%) fam&iacute;lias tinham filhos    biol&oacute;gicos, 28 (5,8%) tinham filhos adoptados (incluem-se aqui as fam&iacute;lias    que pediram segunda adop&ccedil;&atilde;o), 2 (0,4%) tinham filhos biol&oacute;gicos    e adoptados e numa fam&iacute;lia existiam filhos biol&oacute;gicos s&oacute;    de um dos membros do casal. Quanto ao n&uacute;mero de filhos, 45 (9,3%) tinham    1 filho, 15 (3,1%) tinham 2 filhos, 5 (1%) tinham 3 filhos e 1 fam&iacute;lia    tinha 10 filhos (<a href="#t1">Tabela 1</a><a name="topt1"></a>). </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="#topt1">TABELA 1</a><a name="t1"></a> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>N&uacute;mero de filhos * tipo de filhos </I></P>     <div align="center">    <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="14%">&nbsp;</td>       <td colspan="5">    <div align="center"><b>Tipo de filhos</b></div></td>       <td width="9%">&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td width="10%">    <div align="center"><b>Sem filhos</b></div></td>       <td width="14%">    <div align="center"><b>Com filhos biol&oacute;gicos</b></div></td>       <td width="15%">    <div align="center"><b>Com filhos adoptados</b></div></td>       <td width="18%">    <div align="center"><b>Com filhos biol&oacute;gicos e adoptados</b></div></td>       <td width="20%">    <div align="center"><b>Com filhos biol&oacute;gicos s&oacute;            de um dos membros do casal</b></div></td>       <td>    <div align="center"><b>Total</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td><b>N&uacute;mero de filhos</b></td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>Sem filhos</td>       <td>    <div align="center">418</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">418</div></td>     </tr>     <tr>        <td>1 filho</td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">19</div></td>       <td>    <div align="center">26</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">45</div></td>     </tr>     <tr>        <td>2 filhos</td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">14</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">15</div></td>     </tr>     <tr>        <td>3 filhos</td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>     </tr>     <tr>        <td>10 filhos</td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>     </tr>     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>       <td>&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>Total</td>       <td>    <div align="center">418</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">35</div></td>       <td>    <div align="center">28</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">484</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">FIGURA 2 </P>     <p align="center"><B>Idade da crian&ccedil;a desejada </B></P>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n3/26n3a11f2.gif"> </div>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Caracter&iacute;sticas do pedido de adop&ccedil;&atilde;o </I></P>     <p>Quanto ao motivo que as fam&iacute;lias apresentaram para se candidatarem &agrave;    adop&ccedil;&atilde;o foi, na maioria dos casos a &ldquo;<I>infertilidade</I>&rdquo;    (N=309; 57,2%), seguida da &ldquo;<I>esterilidade masculina</I>&rdquo; (N=60;    11,1%), &ldquo; <I>esterilidade feminina</I>&rdquo; (N=34; 6,3%), &ldquo;<I>solidariedade</I>    &rdquo; (N=30; 5,6%), &ldquo;<I>gravidez invi&aacute;vel</I>&rdquo; (N=20; 5,6%),    ser &ldquo;<I>singular</I>&rdquo; (N=5; 0,9%), por &ldquo;<I>morte do filho    biol&oacute;gico</I>&rdquo; (N=3; 0,6%), &ldquo;<I>gravidez de risco por problemas    de sa&uacute;de</I>&rdquo; (N=2; 0,4%) e 1 caso por &ldquo; <I>consanguinidade</I>&rdquo;.  </P>     <p>Quanto ao pedido, isto &eacute;, sobre as caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a    desejada, dos 465 pedidos de adop&ccedil;&atilde;o, 380 (70,4%) foram de 1 crian&ccedil;a,    84 (15,6%) de 2 crian&ccedil;as e 1 de 3 crian&ccedil;as. Relativamente ao g&eacute;nero,    a maioria (N=256; 55,1%) n&atilde;o mostrou prefer&ecirc;ncia, 144 (31%) desejavam    uma menina e 65 (14%) desejavam um menino. Quanto &agrave;s idades desejadas    a maior parte (N=208; 44,7%) desejava crian&ccedil;as no primeiro ano de vida    e apenas 6 (1,3%) candidatos aceitavam uma crian&ccedil;a com mais de 10 anos;    21 (1,3%) candidatos n&atilde;o manifestaram prefer&ecirc;ncia et&aacute;ria.  </P>     <p>Sobre a ra&ccedil;a/etnia da crian&ccedil;a desejada a maioria (N=387; 83,2%)    pretendia uma crian&ccedil;a de origem europeia, para 46 (9,9%) fam&iacute;lias    esta quest&atilde;o era indiferente, para 19 (4,1%) fam&iacute;lias o pedido    era de uma crian&ccedil;a mesti&ccedil;a, 8 (1,7%) pediram uma crian&ccedil;a    de ra&ccedil;a negra, 4 (0,9%) pediram uma crian&ccedil;a branca ou mesti&ccedil;a    e 1 candidato pediu uma crian&ccedil;a euro-asi&aacute;tica. Quanto &agrave;    sa&uacute;de praticamente a totalidade dos pedidos (N=461; 99,1%) foram de uma    crian&ccedil;a saud&aacute;vel, 3 aceitariam uma crian&ccedil;a com problemas    de sa&uacute;de e 1 pedido era indiferente. </P>     <p><I>Caracter&iacute;sticas do processo de adop&ccedil;&atilde;o </I></P>     <p>Quanto ao tempo de espera entre o pedido de adop&ccedil;&atilde;o e a entrega    da crian&ccedil;a, a maioria das fam&iacute;lias (N=146; 30,3%) esperou &ldquo;<I>de    1 a 2 anos</I>&rdquo;, 133 (27,7%) fam&iacute;lias esperaram &ldquo; <I>de 2    a 3 anos</I>&rdquo;, 104 (21,7%) fam&iacute;lias esperaram &ldquo;<I>menos de    1 ano</I>&rdquo;, 68 (14,1%) fam&iacute;lias esperaram &ldquo;<I>de 4 a 5 anos</I>&rdquo;,    26 (4,8%) &ldquo;<I>mais de 5 anos</I>&rdquo; e em 4 situa&ccedil;&otilde;es    a adop&ccedil;&atilde;o veio s&oacute; legalizar uma situa&ccedil;&atilde;o    que j&aacute; existia de facto. </P>     <p>Sobre o per&iacute;odo que decorreu entre a entrega da crian&ccedil;a e a adop&ccedil;&atilde;o    plena ser decretada, isto &eacute; at&eacute; o processo de adop&ccedil;&atilde;o    ser legalmente conclu&iacute;do, dando o direito &agrave; crian&ccedil;a de    adquirir o nome de fam&iacute;lia, em 117 (21,7%) casos o per&iacute;odo foi    de &ldquo;<I>12 a 17 meses</I>&rdquo;, seguido de &ldquo;<I>6 a 11 meses</I>&rdquo;    para 106 (19,6%) casos, de &ldquo;<I>24 a 29 meses</I>&rdquo; para 82 (15,2%),  </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">FIGURA 3 </P>     <p align="center"><B>Tempo de espera entre o pedido de adop&ccedil;&atilde;o e    a entrega da crian&ccedil;a </B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n3/26n3a11f3.gif"> </div>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center">TABELA 2 </P>     <p align="center"><I>Per&iacute;odo entre entrega e a adop&ccedil;&atilde;o plena    </I></P>     <div align="center">    <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="67%">&nbsp;</td>       <td width="17%">    <div align="center"><b>N</b></div></td>       <td width="16%">    <div align="center"><b>%</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td>6 a 11 meses</td>       <td>    <div align="center">106</div></td>       <td>    <div align="center">19,6</div></td>     </tr>     <tr>        <td>12 a 17 meses</td>       <td>    <div align="center">117</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">21,7</div></td>     </tr>     <tr>        <td>18 a 23 meses</td>       <td>    <div align="center">77</div></td>       <td>    <div align="center">14,3</div></td>     </tr>     <tr>        <td>24 a 29 meses</td>       <td>    <div align="center">82</div></td>       <td>    <div align="center">15,2</div></td>     </tr>     <tr>        <td>30 a 36 meses</td>       <td>    <div align="center">12</div></td>       <td>    <div align="center">2,2</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Mais de 36 meses</td>       <td>    <div align="center">20</div></td>       <td>    <div align="center">3,7</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Pr&eacute;-adop&ccedil;&atilde;o em curso</td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">,6</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Desconhecido</td>       <td>    <div align="center">121</div></td>       <td>    <div align="center">22,4</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Morte da crian&ccedil;a no per&iacute;odo pr&eacute;-adop&ccedil;&atilde;o</td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">,2</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Devolu&ccedil;&atilde;o da cr no ppa</td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">,2</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Total</td>       <td>    <div align="center">540</div></td>       <td>    <div align="center">100,0</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>de &ldquo;<I>18 a 23 meses</I>&rdquo; para 77 (14,3%) casos, &ldquo;<I>mais    de 36 meses</I>&rdquo; para 20 (3,7%) casos; em 3 situa&ccedil;&otilde;es a    <I>pr&eacute;-adop&ccedil;&atilde;o </I>ainda est&aacute; <I>em curso</I>, num    caso houve <I>morte da crian&ccedil;a </I>(por doen&ccedil;a oncol&oacute;gica)    no per&iacute;odo de pr&eacute;-adop&ccedil;&atilde;o, num outro caso os pais    adoptivos &ldquo;<I>devolveram</I>&rdquo; a crian&ccedil;a, e em 121 casos n&atilde;o    foi poss&iacute;vel determinar este per&iacute;odo pela an&aacute;lise processual.  </P>     <p><I>Caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as adoptadas </I></P>     <p>Das 461 fam&iacute;lias adoptivas, 390 adoptaram apenas uma crian&ccedil;a    e 71 fam&iacute;lias adoptaram mais do que uma crian&ccedil;a, das quais 64    adoptaram 2 crian&ccedil;as (sendo que 20 foram adop&ccedil;&otilde;es em simult&acirc;neo),    6 adoptaram 3 crian&ccedil;as (das quais 5 eram fratrias de 3 crian&ccedil;as    adoptadas em simult&acirc;neo e 1 adoptou uma fratria de 2 em simult&acirc;neo    e mais tarde adoptou mais uma crian&ccedil;a) e 1 fam&iacute;lia adoptou uma    fratria de 4 crian&ccedil;as, em simult&acirc;neo. Dito de outra forma, das    540 crian&ccedil;as adoptadas, 390 foram adop&ccedil;&otilde;es &uacute;nicas,    105 foram adop&ccedil;&otilde;es de irm&atilde;os em simult&acirc;neo (21 fratrias    de 2 crian&ccedil;as, 5 fratrias de 3 crian&ccedil;as e 1 fratria de 4 crian&ccedil;as).  </P>     <p>Relativamente &agrave; institui&ccedil;&atilde;o de origem das crian&ccedil;as    adoptadas, a maioria veio de hospitais/maternidades (N=208; 38,5%) ou de centros    de acolhimento tempor&aacute;rios (N=189; 35%), seguindo-se as fam&iacute;lias    de acolhimento (N=93; 17,2%), os lares (N=32; 5,9%); em 9 (1,7%) casos as crian&ccedil;as    foram para adop&ccedil;&atilde;o directamente da fam&iacute;lia biol&oacute;gica    (m&atilde;e e/ou pai, av&oacute; materna e tia materna) e 4 (0,7%) casos vieram    de casa da ama ou vizinha. </P>     <p>Relativamente &agrave;s fam&iacute;lias biol&oacute;gicas das crian&ccedil;as    adoptadas, as idades das m&atilde;es variavam entre os 12 e os 43 anos, sendo    a maioria m&atilde;es solteiras (N=313; 58,4%), 53 (9,9%) eram casadas ou em    uni&atilde;o de facto, 32 (6%) eram separadas/divorciadas e em 129 casos desconhecia-se    o estado civil. Quanto &agrave; profiss&atilde;o, esta era desconhecida na maior    parte dos casos (N=472; 87,3%), 15 (2,8%) eram desempregadas, 8 eram estudantes    (1,5%), 6 (1,1%) empregadas de servi&ccedil;os, e em 22 casos tinham como actividade    conhecida a prostitui&ccedil;&atilde;o. Sobre o pai, em 423 (79,2%) casos era    desconhecido. As idades dos pais biol&oacute;gicos conhecidos variavam entre    os 14 e os 64 anos. </P>     <p>Sobre a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica que permitiu o encaminhamento    das crian&ccedil;as para a adop&ccedil;&atilde;o, a maioria (N=293; 54,3%) tiveram    &ldquo;<I>consentimento pr&eacute;vio para adop&ccedil;&atilde;o</I>&rdquo;    por parte dos pais biol&oacute;gicos, 79 (14,6%) tiveram declara&ccedil;&atilde;o    de &ldquo;<I> estado de abandono</I>&rdquo;, as restantes foram encaminhadas    ap&oacute;s processos judiciais, em 139 (25,7%) houve &ldquo;<I>confian&ccedil;a    judicial</I>&rdquo;, em 25 (4,6%) processo de promo&ccedil;&atilde;o e protec&ccedil;&atilde;o    ao abrigo do &ldquo;<I>artigo 35.&ordm; al&iacute;nea g)</I>&rdquo;, em 2 casos    &ldquo;<I>artigo </I><I>44.&ordm;</I>&rdquo;<Sup><a href="#12">9</a><a name="top12"></a>    </Sup>e em 2 casos n&atilde;o foi poss&iacute;vel determinar a situa&ccedil;&atilde;o    jur&iacute;dica atrav&eacute;s da an&aacute;lise processual. </P>     <p><I>Compara&ccedil;&atilde;o entre os pedidos e as caracter&iacute;sticas das    crian&ccedil;as adoptadas </I></P>     <p>Fomos analisar se as caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as adoptadas se    aproximavam das caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a desejada no in&iacute;cio    do processo de adop&ccedil;&atilde;o e conclu&iacute;mos que existe uma grande    proximidade, quer relativamente &agrave;s idades, quer &agrave; ra&ccedil;a/etnia,    quer quanto ao estado de sa&uacute;de e de desenvolvimento. </P>     <p>Assim, quanto &agrave;s idades a <a href="#t3">Tabela 3</a><a name="topt3"></a>    mostra que existe uma not&aacute;vel coincid&ecirc;ncia entre as idades da crian&ccedil;a    desejada e a que efectivamente &eacute; adoptada (tivemos apenas em conta as    primeiras adop&ccedil;&otilde;es). </P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a href="#topt3">TABELA 3</a><a name="t3"></a> </P>     <p align="center"><I>Idade da crian&ccedil;a adoptada * Idade da crian&ccedil;a    desejada </I></P>     <div align="center">    <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="18%"><b>Adoptada</b></td>       <td width="6%">    <div align="center"><b>12 meses</b></div></td>       <td width="6%">    <div align="center"><b>2 anos</b></div></td>       <td width="6%">    <div align="center"><b>3 anos</b></div></td>       <td width="7%">    <div align="center"><b>4 anos</b></div></td>       <td width="7%">    <div align="center"><b>5 anos</b></div></td>       <td width="8%">    <div align="center"><b>6 anos</b></div></td>       <td width="6%">    <div align="center"><b>10 anos</b></div></td>       <td width="9%">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center"><b>14 anos</b></div></td>       <td width="14%">    <div align="center"><b>Indiferente</b></div></td>       <td width="13%">    <div align="center"><b>Total</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Rec&eacute;m-nascido</td>       <td>    <div align="center">24</div></td>       <td>    <div align="center">9</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">38</div></td>     </tr>     <tr>        <td>1 m&ecirc;s</td>       <td>    <div align="center">44</div></td>       <td>    <div align="center">12</div></td>       <td>    <div align="center">6</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">73</div></td>     </tr>     <tr>        <td>2 meses</td>       <td>    <div align="center">29</div></td>       <td>    <div align="center">14</div></td>       <td>    <div align="center">9</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">57</div></td>     </tr>     <tr>        <td>3 meses</td>       <td>    <div align="center">17</div></td>       <td>    <div align="center">6</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">25</div></td>     </tr>     <tr>        <td>3 a 5 meses</td>       <td>    <div align="center">22</div></td>       <td>    <div align="center">8</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">43</div></td>     </tr>     <tr>        <td>6 a 8 meses</td>       <td>    <div align="center">9</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">17</div></td>     </tr>     <tr>        <td>9 a 11 meses</td>       <td>    <div align="center">9</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">4</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">18</div></td>     </tr>     <tr>        <td>12 a 17 meses</td>       <td>    <div align="center">16</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">8</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">34</div></td>     </tr>     <tr>        <td>18 a 23 meses</td>       <td>    <div align="center">4</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">14</div></td>     </tr>     <tr>        <td>2 a 3 anos</td>       <td>    <div align="center">11</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">4</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">33</div></td>     </tr>     <tr>        <td>3 a 4 anos</td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">27</div></td>     </tr>     <tr>        <td>4 a 5 anos</td>       <td>    <div align="center">8</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">11</div></td>       <td>    <div align="center">4</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">38</div></td>     </tr>     <tr>        <td>6 a 8 anos</td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">4</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">4</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">33</div></td>     </tr>     <tr>        <td>9 a 11 anos</td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">10</div></td>     </tr>     <tr>        <td>12 a 14 anos</td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Total</td>       <td>    <div align="center">205</div></td>       <td>    <div align="center">82</div></td>       <td>    <div align="center">55</div></td>       <td>    <div align="center">32</div></td>       <td>    <div align="center">35</div></td>       <td>    <div align="center">17</div></td>       <td>    <div align="center">9</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">6</div></td>       <td>    <div align="center">21</div></td>       <td>    <div align="center">462</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente &agrave; ra&ccedil;a/etnia, como podemos verificar na <a href="#t4">Tabela    4</a><a name="topt4"></a>, h&aacute; tamb&eacute;m uma grande semelhan&ccedil;a    entre a etnia da crian&ccedil;a desejada e a etnia da crian&ccedil;a adoptada.    Fomos estudar a rela&ccedil;&atilde;o entre as duas vari&aacute;veis atrav&eacute;s    do teste do Qui-quadrado e o resultado obtido foi significativo (X<Sup>2</Sup>=261.2;    p=.000). </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="#topt4">TABELA 4</a><a name="t4"></a> </P>     <p align="center"><I>Etnia da crian&ccedil;a desejada * Etnia da crian&ccedil;a    adoptada </I></P>     <div align="center">    <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="32%">&nbsp;</td>       <td colspan="4">    <div align="center"><b>Etnia da crian&ccedil;a adoptada</b></div></td>       <td width="15%">&nbsp;</td>     </tr>     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td width="10%">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">Europeia</div></td>       <td width="13%">    <div align="center">Africana</div></td>       <td width="14%">    <div align="center">Mesti&ccedil;a </div></td>       <td width="16%">    <div align="center">Euro-asi&aacute;tico</div></td>       <td>    <div align="center">Total</div></td>     </tr>     <tr>        <td><b>Etnia da crian&ccedil;a desejada</b></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>       <td>    <div align="center"></div></td>     </tr>     <tr>        <td>Europeia</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">366</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">12</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">387</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Africana</td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">8</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Mesti&ccedil;o</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">9</div></td>       <td>    <div align="center">8</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">19</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Indiferente</td>       <td>    <div align="center">18</div></td>       <td>    <div align="center">17</div></td>       <td>    <div align="center">8</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">43</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Euro-Asi&aacute;tico</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Branco ou mesti&ccedil;o</td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">4</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Total</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">387</div></td>       <td>    <div align="center">42</div></td>       <td>    <div align="center">31</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">462</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quanto &agrave; sa&uacute;de e desenvolvimento existe tamb&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o    significativa (X<Sup>2</Sup>=312.7; p=.000) entre a crian&ccedil;a desejada    e a crian&ccedil;a adoptada. A quase totalidade dos candidatos deseja adoptar    uma crian&ccedil;a saud&aacute;vel e s&atilde;o de facto essas as crian&ccedil;as    adoptadas. O n&uacute;mero de crian&ccedil;as com defici&ecirc;ncia, adoptadas    &eacute; muito reduzido, sendo o atraso de desenvolvimento, uma das poucas situa&ccedil;&otilde;es    aceites pelos adoptantes. </P>     <p>Relativamente ao g&eacute;nero, embora a maioria (N=254; 55,1%) dos adoptantes    n&atilde;o tenha manifestado prefer&ecirc;ncia, os pedidos das fam&iacute;lias    que mostraram prefer&ecirc;ncia quanto ao g&eacute;nero, desejavam sobretudo    raparigas (31%), sendo contudo a maioria das crian&ccedil;as adoptadas, rapazes    (N=269; 58,2%). </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pudemos constatar que as fam&iacute;lias adoptivas apresentam a mesma diversidade    e heterogeneidade que as fam&iacute;lias com filhos n&atilde;o adoptados. Esta    diversidade observa-se quer em termos do n&iacute;vel de estudos, quer profissional,    quer do estatuto socio-econ&oacute;mico, entre outras caracter&iacute;sticas,    &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da sua (in)fertilidade e do n&uacute;mero de    anos de casamento (que &eacute; superior nas fam&iacute;lia adoptivas) at&eacute;    &agrave; chegada do primeiro filho. Como refere Pal&aacute;cios (Pal&aacute;cios    <I>et al.</I>, 1996) &ldquo;no existe un &uacute;nico tipo de fam&iacute;lia    adoptiva, como no existe un &uacute;nico tipo de hijo adoptado&rdquo; (p. 142)    prevalecendo a velha m&aacute;xima latina <I>adoptio naturam imitatur </I>que    significa a grande semelhan&ccedil;a entre a rela&ccedil;&atilde;o adoptiva    e a rela&ccedil;&atilde;o natural. </P>     <p>O motivo mais frequentemente apontado pelas fam&iacute;lias adoptivas &eacute;    querer aceder &agrave; parentalidade e n&atilde;o poder faz&ecirc;-lo pela via    biol&oacute;gica. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">TABELA 5 </P>     <p align="center"><I>G&eacute;nero da crian&ccedil;a desejada * G&eacute;nero    da crian&ccedil;a adoptada </I></P> <table width="75%" border="1" bordercolor="#FFFFFF">   <tr>      <td>&nbsp;</td>     <td>&nbsp;</td>     <td colspan="2">    <div align="center"><b>Adoptada</b></div></td>     <td>&nbsp;</td>   </tr>   <tr>      <td>    <div align="center"></div></td>     <td>    <div align="center"></div></td>     <td>    <div align="center">Masculino</div></td>     <td>    <div align="center">Feminino</div></td>     <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">Total</div></td>   </tr>   <tr>      <td>    <div align="center"><b>Desejada</b></div></td>     <td>    <div align="center">Masculino</div></td>     <td>    <div align="center">55</div></td>     <td>    <div align="center">10</div></td>     <td>    <div align="center">65</div></td>   </tr>   <tr>      <td>    <div align="center"></div></td>     <td>    <div align="center">Feminino</div></td>     <td>    <div align="center">41</div></td>     <td>    <div align="center">102</div></td>     <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">143</div></td>   </tr>   <tr>      <td>    <div align="center"></div></td>     <td>    <div align="center">Indiferente</div></td>     <td>    <div align="center">173</div></td>     <td>    <div align="center">81</div></td>     <td>    <div align="center">254</div></td>   </tr>   <tr>      <td>    <div align="center"></div></td>     <td>    <div align="center">Total</div></td>     <td>    <div align="center">269</div></td>     <td>    <div align="center">193</div></td>     <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">462</div></td>   </tr> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este facto &eacute; claramente demonstrado no nosso estudo, no qual, a maioria    dos candidatos (86,6%) n&atilde;o tinham filhos biol&oacute;gicos e a motiva&ccedil;&atilde;o    solidariedade s&oacute; foi apontada em 5% dos casos. Este facto confirma que    a adop&ccedil;&atilde;o continua a ser, para a maioria das fam&iacute;lias adoptivas    uma solu&ccedil;&atilde;o para o problema da infertilidade, embora as fam&iacute;lias    procurem associar tamb&eacute;m uma motiva&ccedil;&atilde;o social ou altru&iacute;sta.    O que as fam&iacute;lias procuram &eacute;, sem d&uacute;vida, um filho que    substitua o filho biol&oacute;gico, isto &eacute;, que tenha as mesmas caracter&iacute;sticas    que eles pr&oacute;prios (ra&ccedil;a/etnia), que seja o mais pequeno poss&iacute;vel    e, tal como todos os pais desejam, que seja saud&aacute;vel. Estes resultados    est&atilde;o de acordo com os obtidos no estudo de Pal&aacute;cios <I>et al.    </I>(1996) sobre a adop&ccedil;&atilde;o na prov&iacute;ncia espanhola de Andaluzia,    no qual a principal raz&atilde;o para adoptar era n&atilde;o poder ter filhos    biol&oacute;gicos (60%), em que apenas 11% das fam&iacute;lias o fazem por altru&iacute;smo    e a crian&ccedil;a desejada &eacute; tamb&eacute;m o mais pequena poss&iacute;vel    e de pele branca. Relativamente ao g&eacute;nero, embora a maioria dos candidatos    (55,1%) n&atilde;o tenha prefer&ecirc;ncia, dos candidatos que manifestam uma    prefer&ecirc;ncia, o maior n&uacute;mero (31%) deseja meninas e apenas alguns    (14%) desejam um rapaz. J&aacute; quanto ao estado de sa&uacute;de, as fam&iacute;lias    de Andaluzia parecem ter uma maior abertura (15,1%) para aceitar crian&ccedil;as    com alguns problemas, com excep&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas    e terminais; contudo a motiva&ccedil;&atilde;o parece ser o facilitar ou agilizar    a adop&ccedil;&atilde;o ou porque conhecem a crian&ccedil;a, tal como acontece    com as fam&iacute;lias de Lisboa. No entanto, ao contr&aacute;rio das fam&iacute;lias    adoptivas de Andaluzia, em Lisboa s&atilde;o as fam&iacute;lias com maior n&iacute;vel    de estudos que procedem a adop&ccedil;&otilde;es especiais. </P>     <p>Na maioria dos casos a crian&ccedil;a adoptada est&aacute; de facto de acordo    com a crian&ccedil;a idealizada. &Eacute; de salientar que o servi&ccedil;o    de adop&ccedil;&otilde;es procura, tanto quanto poss&iacute;vel, respeitar o    desejo das fam&iacute;lias adoptivas, propondo crian&ccedil;as cujo perfil seja    o mais pr&oacute;ximo poss&iacute;vel do perfil da crian&ccedil;a desejada (78,7%),    muito embora isto leve a que os potenciais pais adoptivos esperem v&aacute;rios    anos at&eacute; concretizarem a adop&ccedil;&atilde;o desejada, sobretudo se    o seu pedido &eacute; restrito relativamente &agrave; cor, idade e desenvolvimento/sa&uacute;de    da crian&ccedil;a, como &eacute; o caso da maior parte dos pedidos, tal como    os nossos dados comprovam. O tempo de espera varia entre 1 e 5 ou mais anos,    consoante as caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a pretendida. Havendo poucos    candidatos que aceitem adoptar crian&ccedil;as com mais de 5 anos e/ou de etnia    africana e/ou com problemas de sa&uacute;de/desenvolvimento, os que pretendem    estas crian&ccedil;as esperam menos tempo para concretizarem a adop&ccedil;&atilde;o.    Este facto tamb&eacute;m faz que os pais adoptivos acedam &agrave; parentalidade    com uma idade mais avan&ccedil;ada. De acordo com Brodzinsky e colaboradores    (1998) este facto pode ser um factor positivo se significar maior estabilidade    profissional e financeira, bem como maior estabilidade conjugal e estrat&eacute;gias    mais eficazes de lidar com o stress desta nova fase da vida familiar. </P>     <p>Verific&aacute;mos que sobre as caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as    adoptadas pouco se sabe sobre a sua hist&oacute;ria pessoal e familiar. Os pais    biol&oacute;gicos s&atilde;o, na sua maioria (75,2%) desconhecidos e as m&atilde;es    s&atilde;o em regra muito jovens e a maioria (64,4%) sozinhas, solteiras ou    separadas/divorciadas. Em pouco mais de metade (54,3%) dos casos houve consentimento    pr&eacute;vio para a adop&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, a adop&ccedil;&atilde;o    foi decidida pelos pais biol&oacute;gicos (sobretudo m&atilde;es sozinhas),    mas pouco se sabe sobre a vida da crian&ccedil;a pr&eacute;via &agrave; adop&ccedil;&atilde;o,    nomeadamente sobre a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es afectivas estabelecidas.  </P>     <p>Para futuras pesquisas seria interessante verificar qual a import&acirc;ncia    da idade da adop&ccedil;&atilde;o na qualidade da vincula&ccedil;&atilde;o estabelecida    com os pais adoptivos e ainda qual a import&acirc;ncia que os modos de guarda    pr&eacute;vios &agrave; adop&ccedil;&atilde;o ter&aacute; no desenvolvimento    da crian&ccedil;a. </P>     <p>Teria ainda interesse perceber o impacto que o tempo de espera, para concretizar    a adop&ccedil;&atilde;o, teve nas fam&iacute;lias adoptivas, nomeadamente no    relacionamento do casal e na crian&ccedil;a imaginada. Importa ainda saber qual    o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias adoptivas e relacion&aacute;-lo    com a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de uma correspond&ecirc;ncia entre a crian&ccedil;a    imaginada e a crian&ccedil;a real. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>     <p>Basto, M. E. (1995). Da roda dos expostos &agrave; adop&ccedil;&atilde;o nos    nossos dias. In <I>Congresso Europeu da Adop&ccedil;&atilde;o </I>(pp. 21-24).    Lisboa: Ed. Centro de Estudos Judici&aacute;rios. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Brodzinsky, D. M. (1987). Adjustment to adoption: A psychosocial perspective.    <I>Clinical Psychology Review, 7</I>, 25-47. </P>     <p>Brodzinsky, D. M., Lang, R., &amp; Smith, D. W. (1995). Parenting adopted children.    In M. Bornstein (Ed.), <I>Handbook of parenting: Status and social conditions    of parenting </I>(Vol. 3, pp. 209-232). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.  </P>     <p>Brodzinsky, D. M., &amp; Schechter, D. (1990). <I>The psychology of adoption</I>.    New York: Oxford University Press. </P>     <p>Brodzinsky, D. M., Schechter, D., &amp; Brodzinsky, A. B. (1986). Children&rsquo;s    knowledge of adoption: Developmental changes and implications for adjustment.    In R. Ashmore, &amp; D. Brodzinsky (Ed.), <I>Thinking about the family: Views    of parents and children</I>. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. </P>     <p>Brodzinsky, D. M., Singer, L. M., &amp; Braff, A. M. (1984). Children&rsquo;s    understanding of adoption. <I>Child Development, 55</I>, 869-878. </P>     <p>Brodzinsky, D. M., Smith, &amp; Brodzinsky, A. B. (1998). <I>Children&rsquo;s    adjustment to adoption. Vol. 38: Developmental Clinical Psychology and Psychiatry</I>.    New York: Sage Publications. </P>     <p>C&oacute;digo Civil e legisla&ccedil;&atilde;o complementar (2004) (9.&ordf;    ed.). Lisboa: Quid J&uacute;ris? (Ed.) </P>     <p>Conven&ccedil;&atilde;o sobre os direitos da crian&ccedil;a, Resolu&ccedil;&atilde;o    da Assembleia da Rep&uacute;blica n.&ordm; 20/90, de 12 de Setembro. </P>     <P><I>Decreto-Lei n.&ordm; 47344</I>, de 25 de Novembro (1966).</P>     <P><I>Decreto-Lei n.&ordm; 496/77</I>, de 25 de Novembro (1977).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Decreto-Lei n.&ordm; 314/78</I>, de 27 de Outubro (1978).</P>     <P><I>Decreto do Presidente da Rep&uacute;blica n.&ordm; 7/90</I>, de 20 de Fevereiro    (1990). </P>     <p><I>Decreto-Lei n.&ordm; 189/91</I>, de 17 de Maio (1991). </P>     <p><I>Decreto-lei n.&ordm; 185/93</I>, de 22 de Maio (1993). </P>     <p><I>Decreto-Lei n.&ordm; 120/98</I>, de 8 de Maio (1998). </P>     <p>Diniz, S. (1997). <I>Este meu filho que eu n&atilde;o tive &ndash; A adop&ccedil;&atilde;o    e os seus problemas </I>(2.&ordf; ed.). Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.  </P>     <p>Fuertes, J., &amp; Amor&oacute;s, P. (1996). Pr&aacute;ctica de la adopci&oacute;n.    In J. Pa&uacute;l, J. &amp; Arruabarrena (Eds.), <I>Manual de protecci&oacute;n    infantil </I>(pp. 447-490). Barcelona: Masson. </P>     <p>Hoksbergen, R. A. C. (1997). Needs and rights of adopted children. In <I>Adoption.    Third International Conference</I>, October 3-5, 1996 (102-112). New Delhi:    Indian Council for child welfare. </P>     <p>Kirk, H. D. (1964). <I>Shared fate: A theory of adoption and mental health</I>.    New York: Free Press. </P>     <p>Leandro, A. (2004). Protec&ccedil;&atilde;o dos direitos da crian&ccedil;a    em Portugal. In A. R. Monteiro, A. G. Leandro, C. Albuquerque, D. Rocha, I.    C. Barreto, &amp; R. Benes (Eds.), <I>Direitos das Crian&ccedil;as</I>. Coimbra:    Coimbra Editora. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lei n.&ordm; 496/77, de 25 de Novembro. </P>     <p>Lei n.&ordm; 147/99, de 1 de Setembro &ndash; Lei de protec&ccedil;&atilde;o    de crian&ccedil;as e jovens em perigo. </P>     <p>Lei n.&ordm; 31/2003, de 22 de Agosto. </P>     <p>Palacios, J., Sandoval, Y. S., &amp; Espinosa, E. M. S. (1996). <I>La ad&oacute;pcion    en Andaluc&iacute;a</I>. Sevilla: Universidad de Sevilla, ed. Junta de Andal&uacute;cia.  </P>     <p>Instituto Seguran&ccedil;a Social (2006). <I>Relat&oacute;rio anual</I>. Documento    n&atilde;o publicado. </P>     <p><I>Relat&oacute;rio de Caracteriza&ccedil;&atilde;o da Situa&ccedil;&atilde;o    das Crian&ccedil;as e Jovens em situa&ccedil;&atilde;o de acolhimento </I>(2004).    Documento n&atilde;o publicado. </P>     <!-- ref --><p>Rodrigues, A. (1997). A adop&ccedil;&atilde;o: Um antes; e depois? <I>Inf&acirc;ncia    e Juventude, 2</I>, 31-70. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000499&pid=S0870-8231200800030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Rodrigo, M. J., &amp; Pal&aacute;cios, J. (1998). <I>Fam&iacute;lia y desarrolo    humano</I>. Madrid: Alianza Editorial. </P>     <p>Rosenthal, J. A., &amp; Groze, V. (1991). Behavioral problems of special needs    adopted children. <I>Children and Youth Service Review, 13</I>, 343-361. </P>     <p>Salvaterra, F. (2005). <I>Procedimentos </I>(Documento interno). Lisboa: Servi&ccedil;o    de Adop&ccedil;&otilde;es do Centro Distrital de Seguran&ccedil;a Social de    Lisboa. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Santos, B. S. (2002). <I>Uma reforma da justi&ccedil;a civil em avalia&ccedil;&atilde;o.    A adop&ccedil;&atilde;o: Os bloqueios de um processo administrativo e jur&iacute;dico    complexo</I>. Coimbra: Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais. </P>     <p>Singer, L., Brodzinsky, D., Ramsay, D., Steir, M., &amp; Waters, E. (1985).    Mother-infant attachment in adoptive families. <I>Child Development, 56</I>,    15431551. </P>     <p>Triseliotis, J., Shiremanin, J., &amp; Hundleby, M. (1997). <I>Adoption, theory,    policy and practice</I>. London: Cassel. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p><Sup><a href="#top4">1</a><a name="4"></a></Sup> A Roda dos Expostos era um    &ldquo;mecanismo cil&iacute;ndrico com as suas duas partes, c&ocirc;ncava e    convexa, girando sobre si mesmo, duas faces da face humana, a mulher que nele    coloca o filho e com o movimento de o fazer girar o perde; a mulher que travando    o movimento o recebe, recolhe e acalenta.&rdquo; (Bastos, 1995, p. 22) </P>     <p><Sup><a href="#top5">2</a><a name="5"></a> </Sup>Na adop&ccedil;&atilde;o restrita    os adoptados mantinham todos os direitos e deveres em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; fam&iacute;lia natural (artigo 1990.&ordm;) e o adoptado n&atilde;o    era herdeiro legitim&aacute;rio do adoptante, nem este daquele (artigo 1994.&ordm;).  </P>     <p><Sup><a href="#top6">3</a><a name="6"></a> </Sup>Na adop&ccedil;&atilde;o plena,    o adoptado adquiria a situa&ccedil;&atilde;o de filho leg&iacute;timo para todos    os efeitos legais (artigo 1979.&ordm;) e ainda o direito de usar os apelidos    dos adoptantes (artigo 1994.&ordm;). </P>     <p><Sup><a href="#top7">4</a><a name="7"></a> </Sup>A declara&ccedil;&atilde;o    de estado de abandono levava &agrave; dispensa de consentimento dos pais biol&oacute;gicos    nos casos em que, por decis&atilde;o do tribunal, embora n&atilde;o haja consentimento    para adop&ccedil;&atilde;o este &eacute; dispensado, quando o seu comportamento    for considerado indigno. </P>     <p><Sup><a href="#top8">5</a><a name="8"></a> </Sup>O consentimento pr&eacute;vio    &eacute; uma autoriza&ccedil;&atilde;o expressa pelos progenitores, prestada    em tribunal, na qual declaram concordar com a adop&ccedil;&atilde;o do filho,    depois de esclarecidos sobre o significado dessa decis&atilde;o. </P> <Sup><a href="#top9">6</a><a name="9"></a> </Sup>O relat&oacute;rio teve por objectivo  dar cumprimento ao imperativo legal imposto pelo art.&ordm; 10.&ordm; do Cap&iacute;tulo  V da Lei n.&ordm; 31/2003, de 22 de Agosto, que determina a apresenta&ccedil;&atilde;o  anual, at&eacute; ao final do m&ecirc;s de Mar&ccedil;o, de um relat&oacute;rio  sobre a exist&ecirc;ncia e evolu&ccedil;&atilde;o dos projectos de vida das crian&ccedil;as  e jovens que estejam acolhidas em lares, centros de acolhimento e fam&iacute;lias  de acolhimento.      <p></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top10">7</a><a name="10"></a> </Sup>A candidatura de fam&iacute;lias    em uni&atilde;o de facto foi s&oacute; permita a partir de 1999 com a Lei n.&ordm;    135/99 de 28 de Agosto, que regula a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica    das pessoas de sexo diferente que vivem em uni&atilde;o de facto h&aacute; mais    de dois anos, permitindo-lhes &ldquo;adoptar nos termos previstos para os c&ocirc;njuges    no artigo 1979.&ordm; do CC, &hellip;&rdquo; (artigo 3.&ordm;). </P>     <p><Sup><a href="#top11">8</a><a name="11"></a> </Sup>O tempo m&iacute;nimo de    4 anos de casamento necess&aacute;rio para os candidatos &agrave; adop&ccedil;&atilde;o    &eacute; um requisito legal (Art&ordm; 1979.&ordm; do CC). </P>     <p><Sup><a href="#top12">9</a><a name="12"></a> </Sup>O art.&ordm; 44.&ordm; da    Lei 147/99 de 1 de Setembro refere-se &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a    sob a guarda de pessoa id&oacute;nea seleccionada para adop&ccedil;&atilde;o.  </P>     <p>&nbsp;</p>     <p>(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Agradecimentos: Os autores gostariam    de agradecer a todos os colegas da <B><I>Linha 1, Psicologia do Desenvolvimento</I></B>,    da UIPCDE pelos seus coment&aacute;rios valiosos. </P>     <p>Contacto: Fernanda Salvaterra, C.D.S.S.L., Rua Sant&rsquo;Ana &agrave; Lapa,    52, 1200-798 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:M.Fernanda.Salvaterra@seg-social.pt">M.Fernanda.Salvaterra@seg-social.pt</a>  </P>     <p>(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Servi&ccedil;o de Adop&ccedil;&otilde;es    do CDSSL. </P>     <p>(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) UIPCDE, Instituto Superior de Psicologia    Aplicada, Lisboa, Portugal. </P>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Rodrigues]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A adopção: Um antes; e depois?]]></article-title>
<source><![CDATA[Infância e Juventude]]></source>
<year>1997</year>
<volume>2</volume>
<page-range>31-70</page-range></nlm-citation>
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