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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Individualismo-colectivismo: Dos aspectos conceptuais às questões de avaliação]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present study, with 200 subjects, highlights the theoretical and methodological state of art of the debated cultural and intercultural dimension of individualism-collectivism (IND/COL). This aim was approached considering the validation process of an evaluation questionnaire of IND/COL in the Portuguese cultural context, namely the Questionnaire of Individualism-Collectivism (IND/COL) of Shulruf, Hattie, and Dixon (2003, Anonymous Questionnaire of Self-Attitudes - AQSA), constructed in New Zealand and composed by 26 items (15 evaluating the individualism dimension and 11 the collectivism one). The results of the confirmatory factor analysis (CFA) used with AQSA suggested a new factorial structure of this instrument, to be tested in future studies of second order CFA, and also the necessity to clarify the theoretical universe and the operacionalization of the IND/COL constructs.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Individualismo-colectivismo: Dos aspectos conceptuais &agrave;s quest&otilde;es de avalia&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right">Laura Ciochin&#227; (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</P>     <P align="right">Lu&iacute;sa Faria (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>) </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESUMO </P>      <p>O presente estudo, com 200 sujeitos, desenvolve o estado da arte, te&oacute;rico  e metodol&oacute;gico, da debatida dimens&atilde;o cultural e intercultural de  individualismo-colectivismo (IND/COL). Este objectivo foi operacionalizado &agrave; luz  do processo de valida&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o  do IND/COL para o contexto portugu&ecirc;s, nomeadamente o <I>Question&aacute;rio de  Individualismo-Colectivismo </I>de Shulruf, Hattie, e Dixon (2003, <I>Anonymous  Questionnaire of Self-Attitudes </I>&ndash; AQSA), constru&iacute;do no contexto  neozeland&ecirc;s e constitu&iacute;do por 26 itens, 15 ilustrativos da dimens&atilde;o  de individualismo (IND) e 11 da dimens&atilde;o de colectivismo (COL). Os resultados  das an&aacute;lises factoriais confirmat&oacute;rias (AFC) realizadas acerca do AQSA  apontaram para uma nova estrutura factorial deste instrumento, a ser verificada em estudos  futuros de AFC de segunda ordem, bem como para a necessidade de se clarificar o universo  te&oacute;rico e a operacionaliza&ccedil;&atilde;o dos constructos de IND/COL. </P>      <p><I>Palavras-chave: </I>Cultura, Individualismo-colectivismo. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">ABSTRACT </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The present study, with 200 subjects, highlights the theoretical and methodological  state of art of the debated cultural and intercultural dimension of individualism-collectivism  (IND/COL). This aim was approached considering the validation process of an evaluation  questionnaire of IND/COL in the Portuguese cultural context, namely the <I>Questionnaire  of Individualism-Collectivism </I>(IND/COL) of Shulruf, Hattie, and Dixon (2003, <I>Anonymous  Questionnaire of Self-Attitudes </I>&ndash; AQSA), constructed in New Zealand and composed  by 26 items (15 evaluating the individualism dimension and 11 the collectivism one).  The results of the confirmatory factor analysis (CFA) used with AQSA suggested a new factorial  structure of this instrument, to be tested in future studies of second order CFA, and also  the necessity to clarify the theoretical universe and the operacionalization of the IND/COL constructs. </P>      <p><I>Key words: </I>Culture, Individualism-collectivism. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">INDIVIDUALISMO-COLECTIVISMO &ndash;ASPECTOS CONCEPTUAIS</P>      <p>A dimens&atilde;o cultural de individualismo-colectivismo (IND/COL) representa  um dos mais teorizados e avaliados pilares que sustentam os estudos de compara&ccedil;&atilde;o  cultural no &acirc;mbito da Psicologia, nomeadamente porque esta dimens&atilde;o faz claramente  refer&ecirc;ncia &agrave; posi&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo face &agrave; sociedade,  em geral, e ao grupo de perten&ccedil;a, em particular. Deste modo, n&atilde;o &eacute; de  estranhar que este &ldquo;s&iacute;ndrome cultural de individualismo-colectivismo&rdquo;  (Triandis, 2001, p. 907) pare&ccedil;a representar a diferen&ccedil;a mais significativa  que existe entre culturas, logo, parece valer a pena apresentar mais detalhadamente estes  dois constructos. </P>     <p>Triandis (1995) salienta que os termos <I>individualismo </I>e <I>colectivismo </I> come&ccedil;aram por ser utilizados por fil&oacute;sofos pol&iacute;ticos ingleses  dos s&eacute;culos XVIII e XIX. Na vis&atilde;o ideol&oacute;gica daquele tempo, o  individualismo era sin&oacute;nimo de <I>liberalismo</I>, propagando ideais como a  liberdade m&aacute;xima do indiv&iacute;duo, a possibilidade de pertencer a v&aacute;rios  grupos e de os deixar quando quisesse e a participa&ccedil;&atilde;o igual dos  indiv&iacute;duos nas actividades de grupo; no p&oacute;lo oposto, encontrava-se o  <I>autoritarismo</I>, que anulava a liberdade do indiv&iacute;duo, tendo este que se  subordinar a uma autoridade superior, neste caso, o rei. Mais ainda, as teses individualistas  veiculadas pela Revolu&ccedil;&atilde;o Americana, ou seja, o facto dos homens serem iguais  e de terem todos o direito de procurar alcan&ccedil;ar a felicidade, a par dos ideais em  que se baseou a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, nomeadamente a liberdade e a igualdade,  conduziram ao surgimento de reac&ccedil;&otilde;es e de ideais colectivistas, que se opunham  &agrave; influ&ecirc;ncia nociva dos direitos individuais no bem-estar da comunidade e da  sua estrutura social. </P>     <p>Ora, na &aacute;rea da Sociologia e da Psicologia Social, a terminologia utilizada em  torno da distin&ccedil;&atilde;o entre os enfoques individualista e colectivista &eacute;  desconcertante, nomeadamente pela sua variedade. A t&iacute;tulo de exemplo, refira-se que  Durkheim (1887/1933, <I>in </I>Oyserman, Coon, &amp; Kemmelmeier, 2002), soci&oacute;logo,  distingue a <I>solidariedade org&acirc;nica </I>&ndash; ilustrativa do p&oacute;lo  individualista e dependente de rela&ccedil;&otilde;es tempor&aacute;rias, constitu&iacute;das  no seio de sociedades complexas entre indiv&iacute;duos diferentes uns dos outros &ndash; da  <I>solidariedade mec&acirc;nica </I>&ndash; ilustrativa do p&oacute;lo colectivista e  dependente de rela&ccedil;&otilde;es permanentes, constitu&iacute;das nas sociedades  tradicionais entre indiv&iacute;duos semelhantes. </P>     <p>Por sua vez, Margaret Mead (1967, <I>in </I>Triandis, Bontempo, Villareal, Asai, &amp;  Lucca, 1988), antrop&oacute;loga, considera que as culturas se diferenciam em fun&ccedil;&atilde;o  do grau de coopera&ccedil;&atilde;o ou de competi&ccedil;&atilde;o entre os seus indiv&iacute;duos,  sendo a dimens&atilde;o cultural resultante a de <I>coopera&ccedil;&atilde;o</I><I>-</I><I>individualismo</I>,  cujo corol&aacute;rio a n&iacute;vel individual &eacute; o <I>alocentrismo-idiocentrismo </I> (Triandis, McCusker, &amp; Hui, 1990). </P>     <p>Prosseguindo com a diversidade de terminologia utilizada em torno dos dois p&oacute;los  do constructo individualismo-colectivismo, &eacute; de salientar que outros autores adoptaram  constructos diferentes, veiculando, contudo, o mesmo universo de significa&ccedil;&atilde;o: o  <I>self </I>independente <I>vs</I>. o <I>self </I>interdependente (Markus &amp; Kitayama,  1991), o <I>self </I>privado <I>vs</I>. o <I>self </I>colectivo (Trafimow, Triandis, &amp;  Goto, 1991), o valor de mercado <I>vs. </I>a partilha comunit&aacute;ria (Fiske, 2002) ou  a comunidade (<I>Gemeinschaft) vs. </I>a sociedade (<I>Gesellschaft</I>) (T&ouml;nnies,  1887/1957, <I>in </I>Oyserman <I>et al.</I>, 2002). </P>     <p>Assim, este quadro de pesquisa tem gerado v&aacute;rios modelos conceptuais e sistemas  te&oacute;ricos acerca do constructo de IND/COL, que apontam para o seu estatuto de dimens&atilde;o  essencial de varia&ccedil;&atilde;o cultural: de facto, como salientam Freeman e Bordia (2001),  o constructo de individualismo-colectivismo tem desempenhado um papel central nos  estudos de Psicologia Intercultural, sendo estes estimulados, particularmente, pelo  trabalho pioneiro de Hofstede (1980), que vamos analisar de seguida. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center">IND/COL NA PERSPECTIVA DE HOFSTEDE </P>      <p>Hofstede (1980), na sua qualidade de soci&oacute;logo organizacional e  investigador da IBM, analisou acerca de 117.000 protocolos recolhidos a partir  de amostras estratificadas e equivalentes de trabalhadores da IBM, em mais de 40  pa&iacute;ses (dos iniciais 66 previstos para a realiza&ccedil;&atilde;o do estudo),  protocolos estes referentes a valores ligados ao trabalho. O question&aacute;rio  utilizado tinha 32 itens, considerados por Hofstede como representativos de tais valores.  A an&aacute;lise factorial, baseada nas correla&ccedil;&otilde;es entre as respostas  &agrave;s quest&otilde;es do question&aacute;rio nos pa&iacute;ses envolvidos na  investiga&ccedil;&atilde;o, revelou a exist&ecirc;ncia de quatro factores ou  dimens&otilde;es culturais: individualismo-colectivismo, dist&acirc;ncia hier&aacute;rquica,  masculinidade-feminilidade e controlo da incerteza. A partir dos resultados obtidos para  estas dimens&otilde;es nos diferentes pa&iacute;ses, Hofstede lan&ccedil;ou as bases de uma  tipologia para 40 na&ccedil;&otilde;es do mundo, partindo da sua posi&ccedil;&atilde;o nestas  quatro dimens&otilde;es culturais. </P>     <p>Na vis&atilde;o de Bond (2002), esta tipologia representou e ainda representa um  importante ponto de partida nas investiga&ccedil;&otilde;es realizadas pelos psic&oacute;logos  interculturais, especialmente para os que evocam a dimens&atilde;o de individualismo-colectivismo,  considerando as amostras dos estudos referidos como sendo representativas das na&ccedil;&otilde;es  investigadas. De referir, ainda, o facto do mesmo autor salientar que a dimens&atilde;o mais  tomada em considera&ccedil;&atilde;o em tais estudos ter sido a de IND/COL, uma vez que estes  dois constructos se relacionam com preocupa&ccedil;&otilde;es nucleares nas ci&ecirc;ncias sociais. </P>     <p>Na verdade, Hofstede concede um espa&ccedil;o de investiga&ccedil;&atilde;o consider&aacute;vel  a esta dimens&atilde;o cultural, ao evidenciar que um atributo fundamental das sociedades humanas,  que explica, em grande medida, as diferen&ccedil;as existentes entre as mesmas, reside no enfoque  colocado quer no papel do indiv&iacute;duo, quer no papel do grupo, pois esta dicotomia funcional,  de natureza s&oacute;cio-antropol&oacute;gica, est&aacute; indubitavelmente na base do  desenvolvimento diferencial das sociedades humanas. </P>     <p>Assim, integrando v&aacute;rios dos contributos por n&oacute;s apresentados, e  numa perspectiva mais geral, podemos afirmar que quando o indiv&iacute;duo representa  a unidade de an&aacute;lise e percep&ccedil;&atilde;o social, bem como uma inst&acirc;ncia  de ac&ccedil;&atilde;o &ndash; material-concreta e afectiva &ndash; independente dos outros,  falamos de sociedades individualistas, enquanto que por sociedades colectivistas se  entendem as sociedades em que o grupo de perten&ccedil;a opera como uma inst&acirc;ncia  de avalia&ccedil;&atilde;o e de controlo sobre as ac&ccedil;&otilde;es e as  interac&ccedil;&otilde;es dos seus membros, organizando-se a din&acirc;mica das  rela&ccedil;&otilde;es interpessoais em torno dos grupos a que os indiv&iacute;duos pertencem. </P>     <p>Mais concretamente, Hofstede (1980, p. 69) define a dimens&atilde;o cultural de IND/COL  da seguinte forma: &ldquo;O individualismo caracteriza as sociedades nas quais os la&ccedil;os  entre os indiv&iacute;duos s&atilde;o pouco firmes; cada um deve ocupar-se de si mesmo e da  sua fam&iacute;lia mais pr&oacute;xima. O colectivismo, pelo contr&aacute;rio, caracteriza  as sociedades nas quais as pessoas s&atilde;o integradas, desde o nascimento, em grupos fortes  e coesos, que as protegem para toda a vida em troca de uma lealdade inquestion&aacute;vel&rdquo;. </P>     <p>Ou seja, verifica-se que Hofstede utilizou as designa&ccedil;&otilde;es de IND/COL  particularmente para descrever as rela&ccedil;&otilde;es de depend&ecirc;ncia <I>vs</I>.  independ&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo face ao grupo de perten&ccedil;a. Contudo, tal como  salientam Smith, Dugan, Peterson, e Leung (1998), a dimens&atilde;o cultural de individualismo-colectivismo  est&aacute; relacionada com toda uma variedade de comportamentos sociais e n&atilde;o apenas  com a especificidade das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais desenvolvidas pelos indiv&iacute;duos  na sociedade. De facto, Hofstede tamb&eacute;m evidenciou, a partir da administra&ccedil;&atilde;o  do question&aacute;rio anteriormente referido, que a dimens&atilde;o de individualismo se  apresentou mais fortemente associada &agrave; import&acirc;ncia relativa atribu&iacute;da  pelos sujeitos a valores como o tempo pessoal, a liberdade e o desafio, enquanto que valores como  a forma&ccedil;&atilde;o, as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e a utiliza&ccedil;&atilde;o  de compet&ecirc;ncias estavam mais associados ao colectivismo. </P>     <p>Ora, Bond (2002) considera que os tr&ecirc;s primeiros valores est&atilde;o obviamente  relacionados com o individualismo, encarado nas ci&ecirc;ncias sociais como um constructo  multifacetado, enquanto que os &uacute;ltimos tr&ecirc;s valores descrevem de um modo mais  equ&iacute;voco o colectivismo. Assim, surgiu a necessidade de esclarecer e alargar o &acirc;mbito  conceptual dos dois constructos (IND/COL), tendo v&aacute;rios investigadores continuado os  trabalhos de Hofstede, contribuindo, deste modo, para o estabelecimento de novas  defini&ccedil;&otilde;es operacionais que possibilitam a sua mais adequada avalia&ccedil;&atilde;o  no dom&iacute;nio da Psicologia Cultural e Intercultural (Ciochin&#259;&amp; Faria, 2007). </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">IND/COL &ndash; ATRIBUTOS CARACTER&Iacute;STICOS </P>      <p><I>Individualismo </I></P>      <p>Na senda da investiga&ccedil;&atilde;o de Hofstede, o atributo central do individualismo  &eacute; constitu&iacute;do pelo facto dos indiv&iacute;duos serem independentes uns dos outros.  Na descri&ccedil;&atilde;o conceptual desta dimens&atilde;o cultural, Hofstede enfatiza a  preval&ecirc;ncia dos direitos sobre as obriga&ccedil;&otilde;es, a preocupa&ccedil;&atilde;o com  a pr&oacute;pria pessoa e a fam&iacute;lia imediata, a autonomia pessoal e a auto-realiza&ccedil;&atilde;o.  Por conseguinte, a constru&ccedil;&atilde;o da identidade pessoal tem como ponto de partida os  m&eacute;ritos, os atributos e as realiza&ccedil;&otilde;es pessoais. </P>     <p>Triandis e colaboradores (1988) completam este quadro descritivo, enfatizando o tipo  de rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com o <I>in-grupo</I>, salientando que nas  culturas individualistas existem v&aacute;rios <I>in-grupos </I>&ndash; como, por exemplo,  a fam&iacute;lia, o grupo de trabalho e os clubes, definidos pelos autores como  conjuntos de pessoas com quem se partilha um determinado atributo &ndash;, que fornecem  uma identidade social positiva, sendo o comportamento do indiv&iacute;duo moldado  pelos objectivos de cada um destes grupos. Contudo, n&atilde;o se pode deixar de salientar  o facto das rela&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo com um determinado <I>in-grupo </I>n&atilde;o  serem est&aacute;veis (ao contr&aacute;rio do que acontece nas culturas colectivistas), nomeadamente  porque o indiv&iacute;duo pode deixar um determinado <I>in-grupo</I>, caso este j&aacute; n&atilde;o  sirva os seus interesses pessoais. </P>      <p>No mesmo sentido, Triandis (2001) salienta que nas sociedades individualistas os objectivos  pessoais s&atilde;o privilegiados em detrimento dos do grupo de perten&ccedil;a, tendo os  comportamentos dos indiv&iacute;duos como factores causais as atitudes pessoais e n&atilde;o  as normas instauradas no <I>in-grupo</I>. A este respeito, Smith e colaboradores (1998),  quando descrevem a dimens&atilde;o de individualismo, falam na tend&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos  para se preocuparem com as consequ&ecirc;ncias dos seus comportamentos sobre as suas pr&oacute;prias  necessidades e os seus interesses e objectivos pessoais. </P>     <p>De referir, tamb&eacute;m, que em situa&ccedil;&otilde;es conflituais os individualistas  procuram fazer justi&ccedil;a &agrave;s partes envolvidas no respectivo conflito, manifestando  uma prefer&ecirc;ncia por modos de comunica&ccedil;&atilde;o aberta, precisa e assertiva  (Gudykunst, 1997). Mais ainda, Schwartz (1992) considera que as sociedades individualistas s&atilde;o  sociedades contratuais, consistindo em grupos prim&aacute;rios, de dimens&otilde;es reduzidas,  grupos estes que comportam um tipo de rela&ccedil;&otilde;es sociais em que, atrav&eacute;s  de negocia&ccedil;&otilde;es, as pessoas abordam as suas obriga&ccedil;&otilde;es de tal modo  que possam, com vantagem, modificar ou obter um determinado estatuto social. </P>      <p><I>Colectivismo </I></P>      <p>O n&uacute;cleo central do colectivismo &eacute; representado pela rela&ccedil;&atilde;o  de depend&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo face ao grupo de perten&ccedil;a, sendo de salientar  (Triandis, 1994; Triandis <I>et al.</I>, 1988) que se trata de uma rela&ccedil;&atilde;o  est&aacute;vel, na qual os interesses e os objectivos dos indiv&iacute;duos se subordinam  aos do grupo. De referir, ainda, que o indiv&iacute;duo n&atilde;o pode abandonar ou muito  dificilmente abandona o <I>in-grupo</I>, mesmo que os custos que decorrem desta perten&ccedil;a  sejam maiores do que os benef&iacute;cios. </P>     <p>Por sua vez, Smith e colaboradores (1998) consideram que o colectivismo se refere  &agrave; tend&ecirc;ncia dos indiv&iacute;duos de se preocuparem mais com as  consequ&ecirc;ncias dos seus comportamentos sobre os membros do grupo de perten&ccedil;a  e de estarem mais dispon&iacute;veis para sacrificar os seus interesses pessoais em  benef&iacute;cio dos interesses colectivos. </P>     <p>Quanto aos modos de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos no contexto colectivista,  Gudykunst (1997) fala na preocupa&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos com a manuten&ccedil;&atilde;o  da harmonia dentro do grupo de perten&ccedil;a, comunicando de uma maneira equ&iacute;voca  e defensiva, pois, segundo Schwartz (1990, <I>in </I>Oyserman <I>et al.</I>, 2002), as  sociedades colectivistas s&atilde;o caracterizadas por obriga&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas  e difusas, tendo os indiv&iacute;duos estatutos pr&eacute;-estabelecidos que n&atilde;o  podem modificar: assim, pode-se falar da exist&ecirc;ncia de um g&eacute;nero de vida  comunit&aacute;ria, com valores comuns e modelos de ac&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o  imut&aacute;veis. Ora, tal como evidenciam Ciochin&#259;e Faria (2006a, p. 177), &ldquo;esta  coes&atilde;o realiza-se atrav&eacute;s da coopera&ccedil;&atilde;o entre os indiv&iacute;duos,  das rela&ccedil;&otilde;es de interdepend&ecirc;ncia e de encorajamento colectivo&rdquo;. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, e &agrave; luz deste modo de relacionamento interpessoal, o sucesso n&atilde;o  &eacute; considerado como dependente de atributos individuais &ndash; como acontece nas  sociedades individualistas &ndash;, mas sim como sendo garantido pela perten&ccedil;a a  determinados grupos ou institui&ccedil;&otilde;es sociais (Triandis, McCusker, &amp; Hui, 1990). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DA DIMENS&Atilde;O DE IND/COL </P>      <p>Na perspectiva de Barrett, Wosinka, Butner, Petrova, Gornik-Durose, e Cialdini  (2004), apesar de existirem dificuldades conceptuais e metodol&oacute;gicas relacionadas  com a natureza e o conte&uacute;do multifacetado da dimens&atilde;o cultural de  individualismo-colectivismo, bem como de alguns constructos relacionados com esta,  nomeadamente a prioridade do individual <I>vs</I>. a do colectivo (Chen, Brockner,  &amp; Katz, 1998) ou o <I>self </I>independente <I>vs</I>. o <I>self </I>interdependente  (Singelis, 1994), este eixo de an&aacute;lise cultural (IND/COL) tem sido e continua  a ser frequentemente utilizado para compreender toda uma variedade de diferen&ccedil;as  interculturais acerca de modelos atitudinais (Bellah, Madsen, Sullivan, Swidler, &amp; Tipton,  1987), acerca da auto-estima e de outros processos de avalia&ccedil;&atilde;o pessoal  (Heine &amp; Lehman, 1995; Heine, Kitayama, &amp; Lehman, 2001; Kitayama, Markus, Matsumoto,  &amp; Norasakkunit, 1997) e acerca do estilo atribucional (Choi &amp; Nisbett, 1998) ou  do estilo comunicacional (Kapoor, Hughes, Baldwin, &amp; Blue, 2003). </P>     <p>&Eacute; de salientar que muitos destes estudos s&atilde;o correlacionais, isto  &eacute;, n&atilde;o avaliam, mas apenas invocam o IND/COL. Contudo, tal como evidenciam  Ciochin&#259;e Faria (2006b), v&aacute;rios investigadores, na &aacute;rea da Psicologia  Cultural e Intercultural, conceberam diferentes t&eacute;cnicas para avaliar esta  dimens&atilde;o cultural e, consequentemente, para indagar o seu impacto sobre v&aacute;rios  processos psicossociais. </P>     <p>Neste quadro, no &acirc;mbito de uma meta-an&aacute;lise recente, realizada por  Oyserman e colaboradores (2002), acerca da literatura produzida nos &uacute;ltimos  20 anos em mais de 80 estudos sobre IND/COL, estes autores apontaram para a exist&ecirc;ncia  de tr&ecirc;s instrumentos de medida mais utilizados &ndash; a Escala Independente-Interdependente  (Singelis, 1994), a Escala de Individualismo-Colectivismo Horizontal-Vertical (Singelis,  Triandis, Bhawuk, &amp; Gelfand, 1995, <I>in </I>Shulruf, Hattie, &amp; Dixon, 2003) e  a Escala de Colectivismo-Individualismo de Hui (1988, <I>in </I>Shulruf <I>et al.</I>, 2003). </P>     <p>Ao analisarem estas escalas, Oyserman e colaboradores (2002) identificaram sete  dom&iacute;nios principais ligados ao individualismo (independ&ecirc;ncia, prioridade  dos objectivos pessoais, competi&ccedil;&atilde;o, unicidade, privacidade, conhecimento  de si mesmo e comunica&ccedil;&atilde;o directa) e oito ligados ao colectivismo  (rela&ccedil;&otilde;es com os outros, sentido de perten&ccedil;a, obriga&ccedil;&otilde;es  face ao grupo de perten&ccedil;a, harmonia, procura dos conselhos dos outros, depend&ecirc;ncia  do contexto, hierarquia e trabalho em grupo). </P>     <p>Embora as escalas constru&iacute;das at&eacute; ao presente se caracterizem  por um consenso cient&iacute;fico significativo, no que se refere &agrave;s  operacionaliza&ccedil;&otilde;es produzidas pelos investigadores acerca dos dois  constructos (IND/COL), o problema que se coloca diz respeito &agrave; validade das  escalas destinadas &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o destes conceitos e aos seus  limites de investiga&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>Kitayama (2002), por exemplo, considera que &ldquo;j&aacute; n&atilde;o &eacute;  poss&iacute;vel assumir que os valores culturais possam ser avaliados com question&aacute;rios  atitudinais&rdquo; (p. 89), uma vez que os auto-relatos reflexivos geralmente n&atilde;o  conseguem captar as respostas mentais cognitivas e afectivo-motivacionais que  surgem espontaneamente em v&aacute;rios contextos de ac&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o.  A este respeito, Fiske (2002) salienta que um dos principais limites das escalas  e dos question&aacute;rios utilizados para avaliar a dimens&atilde;o cultural de  IND/COL est&aacute; relacionado com um problema de cariz epistemol&oacute;gico, pois  estes instrumentos implicam conte&uacute;dos verbais, orais ou escritos, de tal modo  que as escalas de avalia&ccedil;&atilde;o e, at&eacute;, os question&aacute;rios de resposta  livre e as entrevistas, atrav&eacute;s dos dados que recolhem, sugerem que a cultura  representa um conjunto de conhecimentos &ldquo;declarativos&rdquo;, &ldquo;sem&acirc;nticos&rdquo;  ou &ldquo;epis&oacute;dicos&rdquo; (Fiske, 2002, p. 81). </P>     <p>Apesar de tais cr&iacute;ticas, que remetem para o facto dos instrumentos  utilizados para avaliar o individualismo-colectivismo revelarem mais caracter&iacute;sticas  individuais do que culturais, n&atilde;o podendo, deste modo, os valores obtidos  para uma caracter&iacute;stica ser atribu&iacute;dos &agrave; especificidade de uma  cultura, a n&atilde;o ser que aquela caracter&iacute;stica seja considerada culturalmente  constru&iacute;da e transmitida, tais instrumentos podem ser utilizados com resultados  satisfat&oacute;rios se forem cuidadosamente constru&iacute;dos e administrados em  conjunto com outros de cariz complementar. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta quest&atilde;o de m&eacute;todos alternativos j&aacute; foi tomada em  considera&ccedil;&atilde;o pelos investigadores no dom&iacute;nio, tendo-se chegado  &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de, por exemplo, an&aacute;lises de conte&uacute;do  de autobiografias (Morsbach, 1980, <I>in </I>Triandis, 1995) ou cen&aacute;rios (Triandis,  1985, <I>in </I>Neto, 1995) que solicitam aos sujeitos que terminem ou interpretem certas  situa&ccedil;&otilde;es ilustrativas de comportamentos e atitudes individualistas ou  colectivistas: de facto, estimulando a projec&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica dos  sujeitos, tais cen&aacute;rios podem contribuir para esclarecer aspectos culturais importantes,  presentes a n&iacute;vel subconsciente nos indiv&iacute;duos. </P>     <p>Por fim, quanto &agrave; necessidade de investir na constru&ccedil;&atilde;o cuidadosa  de question&aacute;rios que avaliem a dimens&atilde;o cultural de individualismo-colectivismo,  uma das mais pertinentes e recentes tentativas nesse sentido &eacute; representada pelo  <I>Anonymous Questionnaire of Self-Attitudes </I> &ndash; AQSA &ndash;,  constru&iacute;do no contexto neozeland&ecirc;s por Shulruf, Hattie, e Dixon (2003).  O facto deste question&aacute;rio representar um dos mais recentes instrumentos  constru&iacute;dos no dom&iacute;nio da avalia&ccedil;&atilde;o dos constructos de IND/COL,  trazendo aspectos inovadores a n&iacute;vel metodol&oacute;gico e conceptual &ndash;  aspectos estes que detalharemos mais &agrave; frente &ndash;, levou-nos a proceder  &agrave; sua adapta&ccedil;&atilde;o preliminar para o contexto portugu&ecirc;s,  que apresentaremos a seguir, dado que Portugal j&aacute; foi inclu&iacute;do em estudos  interculturais que avaliaram a dimens&atilde;o de individualismo-colectivismo  (Neto, 1995) e esta dimens&atilde;o foi invocada na explica&ccedil;&atilde;o de  resultados obtidos a partir de estudos interculturais das concep&ccedil;&otilde;es  pessoais de intelig&ecirc;ncia (Ciochin&#259;&amp; Faria, 2006a; Faria, Pepi, &amp;  Alesi, 2004; Pepi, Faria, &amp; Alesi, 2006). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </P>      <p><I>Participantes </I></P>      <p>A amostra compreende 200 alunos, sendo constitu&iacute;da em fun&ccedil;&atilde;o    do ano de escolaridade (10&ordm; e 12&ordm;), do sexo (feminino <I>vs. </I>masculino),    do agrupamento de estudos (cient&iacute;fico-natural, humanidades e econ&oacute;mico-social)    e do n&iacute;vel facto dos indiv&iacute;duos privilegiarem os interesses s&oacute;cio-econ&oacute;mico    &ndash; NSE &ndash; (alto, m&eacute;dio e baixo). A m&eacute;dia de idade dos    sujeitos &eacute; de 17,6 (<I>DP</I>=1,86).</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">QUADRO 1 </P>      <p align="center"><I>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra em fun&ccedil;&atilde;o    do ano de escolaridade, do sexo, do agrupamento de estudos e do n&iacute;vel    s&oacute;cio-econ&oacute;mico </I></P>      <div align="center">   <table width="68%" height="20" border="1" bordercolor="#FFFFFF">     <tr>        <td width="2%">&nbsp;</td>       <td colspan="3">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">Ano escolar</div></td>       <td colspan="3">    <div align="center">Sexo</div></td>       <td colspan="4">    <div align="center">Agrupamento de estudos</div></td>       <td colspan="4">    <div align="center">NSE</div></td>     </tr>     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td width="5%">    <div align="center">10&ordm;</div></td>       <td width="5%">    <div align="center">12&ordm;</div></td>       <td width="9%">    <div align="center">Total</div></td>       <td width="4%">    <div align="center">Fem.</div></td>       <td width="6%">    <div align="center">Masc.</div></td>       <td width="9%">    <div align="center">Total</div></td>       <td width="5%">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">C.N</div></td>       <td width="5%">    <div align="center">H.</div></td>       <td width="5%">    <div align="center">E.S</div></td>       <td width="11%">    <div align="center">Total</div></td>       <td width="5%">    <div align="center">Alto</div></td>       <td width="7%">    <div align="center">M&eacute;dio</div></td>       <td width="6%">    <div align="center">Baixo</div></td>       <td width="16%">    <div align="center">Total</div></td>     </tr>     <tr>        <td><b>N</b></td>       <td>    <div align="center">100</div></td>       <td>    <div align="center">100</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center"><b>200</b></div></td>       <td>    <div align="center">69</div></td>       <td>    <div align="center">131</div></td>       <td>    <div align="center"><b>200</b></div></td>       <td>    <div align="center">70</div></td>       <td>    <div align="center">77</div></td>       <td>    <div align="center">53</div></td>       <td>    <div align="center"><b>200</b></div></td>       <td>    <div align="center">49</div></td>       <td>    <div align="center">77</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">73</div></td>       <td>    <div align="center"><b>199</b></div></td>     </tr>     <tr>        <td>%</td>       <td>    <div align="center">50.0</div></td>       <td>    <div align="center">50.0</div></td>       <td>    <div align="center">100</div></td>       <td>    <div align="center">34,5</div></td>       <td>    <div align="center">65,5</div></td>       <td>    <div align="center">100</div></td>       <td>    <div align="center">35,0</div></td>       <td>    <div align="center">38,5</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">26,5</div></td>       <td>    <div align="center">100</div></td>       <td>    <div align="center">24,6</div></td>       <td>    <div align="center">38,7</div></td>       <td>    <div align="center">36,7</div></td>       <td>    <div align="center">100</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p align="center"><I>Legenda: </I>C.N. &ndash; cient&iacute;fico-natural; H &ndash;    humanidades; E.S. &ndash; econ&oacute;mico-social; NSE &ndash; N&iacute;vel    s&oacute;cio-econ&oacute;mico.</P>     <P align="center"><I>Nota: </I>Houve uma omiss&atilde;o nas respostas &agrave;    vari&aacute;vel NSE. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p><I>Instrumento </I></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na constru&ccedil;&atilde;o do <I>AQSA, </I>Shulruf, Hattie, e Dixon (2003, 2007)  partiram da necessidade de ultrapassar uma s&eacute;rie de limita&ccedil;&otilde;es dos  instrumentos j&aacute; constru&iacute;dos para a avalia&ccedil;&atilde;o do constructo  de individualismo-colectivismo. Os autores salientam o facto de tais instrumentos  solicitarem aos sujeitos que produzam auto-relatos acerca de atitudes, valores, cren&ccedil;as  e modelos comportamentais que fazem parte da sua vida di&aacute;ria. Ora, Schwarz (1999)  considera que os indiv&iacute;duos n&atilde;o podem responder de uma maneira geral (tal como  &eacute; exigido pelo grau de generalidade presente no modo como as perguntas s&atilde;o formuladas),  uma vez que tais respostas podem ser sens&iacute;veis a diferen&ccedil;as espec&iacute;ficas  entre v&aacute;rios contextos. Mais concretamente, tal como evidenciam os referidos autores,  o IND e o COL podem ter express&otilde;es diversificadas em contextos e sociedades distintas. </P>     <p>Shulruf e colaboradores (2003) consideram que para captar comportamentos e atitudes  ligados ao IND/COL, que variam em diferentes contextos, seria mais adequado utilizar  escalas de frequ&ecirc;ncia e n&atilde;o de concord&acirc;ncia, isto &eacute;, deve-se  solicitar aos sujeitos que respondam acerca da frequ&ecirc;ncia e n&atilde;o da intensidade  de tais valores, cren&ccedil;as e atitudes. </P>     <p>Por conseguinte, o AQSA de Shulruf e colaboradores utiliza uma escala de <I>Likert </I> de frequ&ecirc;ncia. Al&eacute;m deste aspecto de novidade, os autores procuraram evitar  neste question&aacute;rio a dimens&atilde;o de rela&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia  (<I>familialism</I>, em ingl&ecirc;s), que se refere, particularmente, ao facto dos indivíduos privilegiarem os interesses da sua própria família e valorizarem o espírito de entreajuda  e o apoio recíproco dentro do núcleo familiar. </P>      <p>De facto, existem autores, entre os quais Hofstede (1980), que salientam que os  colectivistas atribuem um grande valor ao sentido de perten&ccedil;a &agrave; sua fam&iacute;lia.  No entanto, Fischer (2000, <I>in </I>Shulruf <I>et al.</I>, 2003) verificou que os norte-americanos,  frequentemente considerados como modelo de uma sociedade individualista, privilegiam os interesses  familiares em detrimento dos pessoais. Tais resultados, que parecem ser contradit&oacute;rios,  conduziram autores como Oyserman e colaboradores (2002) a considerarem a rela&ccedil;&atilde;o  com a fam&iacute;lia como um dom&iacute;nio distinto, n&atilde;o relacionado com a dimens&atilde;o  bipolar de IND/COL. </P>     <p>Assim, na constru&ccedil;&atilde;o do AQSA, Shulruf e colaboradores (2003, 2007)  procuraram evitar tal tema, chegando &agrave; conclus&atilde;o de que &eacute; poss&iacute;vel  que as rela&ccedil;&otilde;es com a fam&iacute;lia alargada sejam ilustrativas do colectivismo,  enquanto que as rela&ccedil;&otilde;es com os membros da fam&iacute;lia pr&oacute;xima sejam  similares em ambos os tipos de culturas. </P>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o do AQSA tomou como ponto de partida a meta-an&aacute;lise  de Oyserman e colaboradores (2002), referida anteriormente, acerca das principais escalas  utilizadas para avaliar os constructos de IND/COL. Na verdade, os objectivos de Shulruf  e colaboradores (2003) foram os de seleccionar os itens mais ilustrativos das dimens&otilde;es  estabelecidas por Oyserman e colaboradores (2002), de tal modo que o instrumento espelha  sete dessas dimens&otilde;es (independ&ecirc;ncia, prioridade dos objectivos pessoais,  competi&ccedil;&atilde;o, unicidade, privacidade, conhecimento de si mesmo e comunica&ccedil;&atilde;o  directa) para o constructo de IND e oito dessas dimens&otilde;es (rela&ccedil;&otilde;es  com os outros, sentido de perten&ccedil;a, obriga&ccedil;&otilde;es face ao grupo de  perten&ccedil;a, harmonia, procura dos conselhos dos outros, depend&ecirc;ncia do contexto,  hierarquia e trabalho em grupo) para o constructo de COL. </P>     <p>Mais concretamente, Shulruf e colaboradores (2003) estabeleceram uma lista inicial de  353 itens, incluindo itens das escalas de IND/COL j&aacute; existentes e itens constru&iacute;dos  pelos pr&oacute;prios autores. Ap&oacute;s a exclus&atilde;o dos itens que se revelaram  similares, ficaram 113 na lista, que foram posteriormente submetidos a uma an&aacute;lise  de conte&uacute;do realizada por tr&ecirc;s peritos, familiarizados com a literatura  acerca da dimens&atilde;o cultural de IND/COL. A partir das defini&ccedil;&otilde;es  fornecidas por Oyserman e colaboradores (2002), os tr&ecirc;s peritos tiveram que classificar  cada item em um dos quinze dom&iacute;nios ilustrativos dos dois p&oacute;los &ndash;  individualismo e colectivismo. Para que um item ficasse na lista era necess&aacute;rio  que fosse colocado no mesmo dom&iacute;nio por, pelo menos, dois dos tr&ecirc;s peritos.  Assim, em consequ&ecirc;ncia desta an&aacute;lise, a lista ficou reduzida a 79 itens. </P>     <p>Em seguida, os autores do instrumento exclu&iacute;ram quatro dom&iacute;nios,  nomeadamente a depend&ecirc;ncia do contexto, a prioridade dos objectivos pessoais,  as rela&ccedil;&otilde;es com os outros e o trabalho em grupo, considerando que os itens  destes dom&iacute;nios se sobrepunham aos de outros dom&iacute;nios. Por exemplo, os  itens da dimens&atilde;o objectivos pessoais, definida por Oyserman e colaboradores (2002)  como a realiza&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os para alcan&ccedil;ar objectivos pessoais,  revelaram uma grande similaridade com os itens da dimens&atilde;o competi&ccedil;&atilde;o,  definida como a ambi&ccedil;&atilde;o e sucesso pessoal, enquanto que os itens da dimens&atilde;o  depend&ecirc;ncia do contexto, definida pelos referidos autores como as modifica&ccedil;&otilde;es  do <I>self </I>dependentes do contexto ou da situa&ccedil;&atilde;o exterior, mostraram-se  semelhantes aos itens das dimens&otilde;es hierarquia, obriga&ccedil;&otilde;es e harmonia. </P>     <p>Por fim, a exclus&atilde;o dos referidos dom&iacute;nios reduziu a lista a 66 itens que,  ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lises factoriais e ap&oacute;s a exclus&atilde;o  de itens que n&atilde;o saturaram nenhum factor, nomeadamente sobre a unicidade, a  competi&ccedil;&atilde;o e a responsabilidade &ndash; ilustrativos do IND &ndash;, e a harmonia e  o conselho &ndash; ilustrativos do COL &ndash; (Shulruf, Hattie, &amp; Dixon, 2007), levou  a que o AQSA ficasse reduzido a 26 itens, 15 ilustrativos da escala de individualismo e  11 da escala de colectivismo. </P>     <p>Ora, o AQSA, por n&oacute;s adaptado e designado como <I>Question&aacute;rio de  Individualismo-Colecti</I><I>-</I><I>vismo </I>(QIC), tem duas escalas, a escala de individualismo  (EI) e a escala de colectivismo (EC). A EI abarca tr&ecirc;s subescalas &ndash; a <I>unicidade  </I>(itens 2, 12, 22 e 26), a <I>competi&ccedil;&atilde;o </I>(itens 1, 6, 7, 14, 21, 23 e 25)  e a <I>responsabilidade </I>(itens 5, 11, 17 e 19) &ndash;, enquanto que a EC compreende  duas subescalas &ndash; a <I>harmonia </I>(itens 4, 9, 16 e 20) e o <I>conselho </I>(itens  3, 8, 10, 13, 15, 18 e 24). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Concretizando, na EI os itens da subescala <I>unicidade </I>referem-se &agrave;  defini&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria identidade como diferente e independente dos  outros, os itens que constituem a subescala <I>competi&ccedil;&atilde;o </I>tentam captar  atitudes e comportamentos que implicam a defini&ccedil;&atilde;o da identidade em termos  de compara&ccedil;&atilde;o social e de competi&ccedil;&atilde;o com os outros e os  itens da subescala <I>responsabilidade </I>fazem refer&ecirc;ncia a ac&ccedil;&otilde;es  realizadas independentemente dos outros, de um modo respons&aacute;vel, e a modelos  comunicacionais que implicam clareza, logo, responsabilidade pelo que &eacute; dito. J&aacute;  para a EC, os itens da subescala <I>harmonia </I>espelham comportamentos que procuram manter  a harmonia dentro do grupo de perten&ccedil;a (atrav&eacute;s do evitamento de discuss&otilde;es  e do uso de modos de comunica&ccedil;&atilde;o indirecta), bem como comportamentos e atitudes  que privilegiam os interesses do grupo de perten&ccedil;a em detrimento dos pessoais e, por  sua vez, os itens da subescala <I>conselho </I>fazem refer&ecirc;ncia ao pedido de conselho  aos pais, aos colegas e aos amigos pr&oacute;ximos acerca da tomada de decis&otilde;es importantes,  bem como acerca da realiza&ccedil;&atilde;o de determinadas ac&ccedil;&otilde;es. </P>     <p>Finalmente, refira-se que os itens do QIC s&atilde;o cotados numa escala de <I>Likert </I> de frequ&ecirc;ncia, com seis pontos, variando entre <I>nunca </I>e <I>sempre </I>a  frequ&ecirc;ncia de atitudes e comportamentos de tipo individualista e de tipo colectivista. </P>      <p><I>Procedimento </I></P>      <p>A vers&atilde;o inglesa do AQSA foi traduzida para portugu&ecirc;s pela primeira  autora do presente estudo, tradu&ccedil;&atilde;o esta que foi revista pela segunda autora.  Nesta primeira fase, a tradu&ccedil;&atilde;o para portugu&ecirc;s conduziu-nos  &agrave; decis&atilde;o de substituir determinados termos por outros, mais adequados  &agrave; amostra utilizada na nossa investiga&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, a alunos  de 10&ordm; e de 12&ordm; anos. Mais concretamente, no que se refere ao item n.&ordm; 5  da vers&atilde;o original (<I>&ldquo;I consult with superiors on work related matters.&rdquo;</I>)  substitu&iacute;mos &ldquo;superiores&rdquo; por &ldquo;os mais velhos&rdquo; e mantivemos  o contexto de trabalho, considerando o caso dos estudantes que trabalham, mas  adicion&aacute;mos tamb&eacute;m o contexto escolar (&ldquo;Consulto os mais velhos acerca  de assuntos ligados &agrave; escola e ao trabalho.&rdquo;), e no que se refere ao item n.&ordm; 18 da vers&atilde;o original (<I>&ldquo;I discuss job or study-related problems  with my parents/partner.&rdquo;</I>) foi omitido o termo &ldquo;parceiro&rdquo; (<I>&ldquo;partner&rdquo;</I>)<I>. </I></P>     <p>A seguir recorremos &agrave; retrovers&atilde;o, realizada por uma autora portuguesa  com forma&ccedil;&atilde;o superior na &aacute;rea de L&iacute;nguas e Literaturas Estrangeiras  (Variante Portugu&ecirc;s e Ingl&ecirc;s). A retrovers&atilde;o sugeriu-nos a hip&oacute;tese  de substituir o termo &ldquo;pares&rdquo; do item n.&ordm; 21 (&ldquo;Tento obter melhores  notas do que os meus pares.&rdquo;) por &ldquo;colegas&rdquo; (&ldquo;colleagues&rdquo; na  retrovers&atilde;o). Esta hip&oacute;tese foi confirmada pelo estudo de reflex&atilde;o falada  dos itens traduzidos para portugu&ecirc;s, estudo este que foi realizado com 16 alunos,  de ambos os sexos, tendo a maioria dos sujeitos considerado o termo &ldquo;colegas&rdquo;  mais adequado e mais claro do que o termo &ldquo;pares&rdquo;. O referido estudo de reflex&atilde;o  falada n&atilde;o apontou para a necessidade de introduzir outro tipo de mudan&ccedil;as na  prepara&ccedil;&atilde;o do QIC. </P >    <p>O mesmo procedimento foi utilizado com o question&aacute;rio s&oacute;cio-demogr&aacute;fico,  que foi administrado conjuntamente com o QIC. </P>     <p>O objectivo de tal procedimento, no que respeita &agrave;s tradu&ccedil;&otilde;es  sucessivas da vers&atilde;o inglesa do question&aacute;rio e ao estudo de reflex&atilde;o falada, foi o de obter um equivalente lingu&iacute;stico e cultural fiel ao instrumento original  (Van de Vjver &amp; Hambleton, 1996). </P>     <p>Por fim, refira-se que a administra&ccedil;&atilde;o do QIC foi realizada  colectivamente, a turmas inteiras, em hor&aacute;rios lectivos, apelando-se &agrave;  participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria, bem como &agrave; opini&atilde;o sincera  dos participantes, aos quais foram garantidos o anonimato e a confidencialidade das respostas. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O E DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS    DA AN&Aacute;LISE FACTORIAL CONFIRMAT&Oacute;RIA</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise factorial confirmat&oacute;ria (AFC) foi realizada utilizando  o programa EQS, vers&atilde;o 6.1. Este tipo de an&aacute;lise factorial caracteriza-se  pela defini&ccedil;&atilde;o <I>a priori </I>de um modelo te&oacute;rico, a fim de se  analisar a forma como os dados se lhe ajustam (Byrne, 1994). Como m&eacute;todo de  estima&ccedil;&atilde;o, recorremos ao procedimento usual de m&aacute;xima verosimilhan&ccedil;a,  sendo todas as an&aacute;lises realizadas a partir de matrizes de covari&acirc;ncia. </P>     <p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do ajustamento dos modelos que test&aacute;mos, tom&aacute;mos  em considera&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltiplos &iacute;ndices de ajustamento. O primeiro  foi o &chi;<Sup><I>2</I></Sup>. Este &iacute;ndice analisa a discrep&acirc;ncia entre o  modelo te&oacute;rico e o modelo observado: se um determinado modelo apresenta um  &chi;<Sup><I>2 </I></Sup>estatisticamente significativo, isto revela que os dados se  afastam do modelo te&oacute;rico testado. Mais ainda, pelo facto do valor de &chi;<Sup><I>2 </I></Sup> ser sens&iacute;vel &agrave; dimens&atilde;o da amostra (Schumacker &amp; Lomax, 1996,  <I>in </I>Santos &amp; Maia, 2003), recorremos igualmente a outros dois &iacute;ndices,  com o fim de obtermos uma an&aacute;lise mais exaustiva da qualidade do ajustamento. </P>     <p>Deste modo, tamb&eacute;m consider&aacute;mos o CFI (<I>comparative fit index</I>),  que oscila entre 0 e 1. Os valores que ultrapassam 0,90 e 0,95 s&atilde;o considerados como  indicadores de um ajustamento respectivamente aceit&aacute;vel e bom. O CFI representa um  &iacute;ndice de ajustamento que compara os resultados do modelo proposto com os de um  modelo nulo (isto &eacute;, um modelo em que n&atilde;o s&atilde;o feitas quaisquer estimativas). </P>     <p>Por fim, um &uacute;ltimo &iacute;ndice de ajustamento observado foi o RMSEA (<I>root  mean-square error of approximation</I>), que analisa a aproxima&ccedil;&atilde;o do  ajustamento do modelo ao modelo populacional. Consequentemente, este &iacute;ndice apresenta  um <I>p </I>com um valor cr&iacute;tico de 0,05. Por norma, devem ser rejeitados modelos  que produzem valores de RMSEA superiores a 0,1 e mantidos modelos cujo valor oscila  entre 0,08 e 0,05 ou cujo valor seja inferior a 0,05. </P>      <p><I>Teste ao modelo te&oacute;rico do QIC </I></P>      <p>Cham&aacute;mos <I>modelo te&oacute;rico </I>ao modelo constitu&iacute;do pelas    cinco subescalas ou factores referidos anteriormente, com uma configura&ccedil;&atilde;o    tal como se apresenta na <a href="#f1">Figura 1</a><a name="topf1"></a>. A hip&oacute;tese    &eacute; que os itens dos cinco factores (unicidade, competi&ccedil;&atilde;o    e responsabilidade &ndash; ilustrativos do IND &ndash; e harmonia e conselho    &ndash; ilustrativos do COL) saturam apenas estas vari&aacute;veis latentes.  </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topf1">FIGURA 1</a><a name="f1"></a> </P>      <p align="center"><b>Modelo te&oacute;rico do QIC </b></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n4/26n4a01f1.gif"> </div>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Os resultados obtidos n&atilde;o indicam um bom ajustamento dos dados ao modelo  te&oacute;rico, apresentando os seguintes valores dos &iacute;ndices de ajustamento:  &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(292)=720,33, <I>p</I>=0,000; CFI=0,70; RMSEA=0,09, <I>p</I>(0,08-0,09). </P>      <p><I>Teste ao modelo reconfigurado do QIC </I></P>      <p>O facto dos &iacute;ndices de ajustamento dos dados ao modelo te&oacute;rico    n&atilde;o serem satisfat&oacute;rios, conduziu-nos &agrave; decis&atilde;o    de eliminar dos factores do QIC os itens que apresentavam satura&ccedil;&otilde;es    baixas, ou seja, inferiores a 0,40. Por consequ&ecirc;ncia, elimin&aacute;mos    dois itens da subescala <I>responsabilidade </I>(item n&ordm; 5 e item n&ordm;    11), dois itens da subescala <I>harmonia </I>(item n&ordm; 9 e item n&ordm;    16) e dois itens da subescala <I>conselho </I> (item n&ordm; 18 e item n&ordm;    24). A configura&ccedil;&atilde;o do novo modelo encontra-se apresentada na    <a href="#f2">Figura 2</a><a name="topf2"></a>. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topf2">FIGURA 2</a><a name="f2"></a> </P>      <p align="center"><b>Modelo reconfigurado do QIC </b></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n4//26n4a01f2.gif"> </div>     
<p>&nbsp;</p>      <p>O modelo reconfigurado produziu &iacute;ndices de ajustamento satisfat&oacute;rios.  Os resultados obtidos indicam: &chi;<Sup><I>2</I></Sup>(157)=319,21, <I>p</I>=0,000; CFI=0,85;  RMSEA=0,07, <I>p </I>(0,06-0,08). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No <a href="#q2">Quadro 2</a><a name="topq2"></a> apresenta-se uma s&iacute;ntese    dos &iacute;ndices de ajustamento para cada um dos dois modelos testados. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topq2">QUADRO 2</a><a name="q2"></a> </P>      <p align="center"><I>&Iacute;ndices de ajustamento do modelo te&oacute;rico e    do modelo reconfigurado </I></P>  <TABLE   align="center" border=0 cellspacing=0 cellpadding=2 ><TR    ><TH   align="left" width="114"  valign="top" height="15"  >QIC </TH ><TH   align="center" width="52"  valign="top" height="15"  >&chi;<I>2 </I></TH ><TH   align="center" width="32"  valign="top" height="15"  >gl </TH ><TH   align="center" width="32"  valign="top" height="15"  >CFI </TH ><TH   align="center" width="42"  valign="top" height="15"  >RMSEA </TH ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="114"  valign="middle" height="20"  >Modelo te&oacute;rico </TH ><TD    align="center" width="52"  valign="middle" height="20"  >720,33 </TD ><TD    align="center" width="32"  valign="middle" height="20"  >292 </TD ><TD    align="center" width="32"  valign="middle" height="20"  >0,70 </TD ><TD    align="center" width="42"  valign="middle" height="20"  >0,09 </TD ></TR ><TR    ><TH   align="left" width="114"  valign="middle" height="12"  >Modelo reconfigurado </TH ><TD    align="center" width="52"  valign="middle" height="12"  >319,21 </TD ><TD    align="center" width="32"  valign="middle" height="12"  >157 </TD ><TD    align="center" width="32"  valign="middle" height="12"  >0,85 </TD ><TD    align="center" width="42"  valign="middle" height="12"  >0,07 </TD ></TR ></TABLE>      <p align="center"><I>Legenda</I>: CFI &ndash; <I>Comparative fit index</I>; RMSEA    &ndash; <I>Root mean-square error of approximation</I>. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O E CONCLUS&Otilde;ES </P>      <p>O presente estudo prop&ocirc;s-se discutir aspectos te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos  em torno dos quais gravitam os constructos de individualismo-colectivismo, objectivo este que  foi complementado pela realiza&ccedil;&atilde;o de um estudo de valida&ccedil;&atilde;o  preliminar de um question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o do IND/COL para o contexto  cultural portugu&ecirc;s. </P>     <p>Assim, embora os dois constructos (IND/COL) re&uacute;nam consenso cient&iacute;fico  quanto &agrave; sua teoriza&ccedil;&atilde;o e operacionaliza&ccedil;&atilde;o, o mesmo  n&atilde;o acontece com os instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o destes conceitos.  Deste modo, &eacute; de salientar que os estudos de valida&ccedil;&atilde;o de tais  instrumentos em outros contextos culturais, podem n&atilde;o s&oacute; conduzir &agrave;  reconsidera&ccedil;&atilde;o do processo de constru&ccedil;&atilde;o destes instrumentos d e medida, mas tamb&eacute;m p&ocirc;r em quest&atilde;o a exactid&atilde;o e a pertin&ecirc;ncia  de operacionaliza&ccedil;&otilde;es, aparentemente consensuais, acerca dos constructos de IND/COL. </P>     <p>O presente estudo recorreu &agrave; an&aacute;lise factorial confirmat&oacute;ria,  com o objectivo de testar no contexto portugu&ecirc;s a plausibilidade do modelo  factorial te&oacute;rico do QIC &ndash; com cinco factores, tr&ecirc;s ilustrativos  da dimens&atilde;o de individualismo (unicidade, competi&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o)  e dois ilustrativos da dimens&atilde;o de colectivismo (harmonia e conselho), tudo isto na  tentativa de clarificar o enquadramento conceptual e a operacionaliza&ccedil;&atilde;o  da dimens&atilde;o cultural de individualismo-colectivismo e de matizar o mesmo em  fun&ccedil;&atilde;o da especificidade da amostra utilizada nesta investiga&ccedil;&atilde;o.  &Eacute; de referir que a pertin&ecirc;ncia deste objectivo &eacute; sustentada pelo facto  do instrumento por n&oacute;s utilizado ter sido constru&iacute;do a partir de uma  meta-an&aacute;lise recente de Oyserman e colaboradores (2002), como j&aacute; referido,  meta-an&aacute;lise esta que foi realizada considerando as principais escalas utilizadas  para avaliar os constructos de IND/COL. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ora, j&aacute; que o modelo te&oacute;rico do QIC apresentou maus &iacute;ndices  de ajustamento, decidimos testar um modelo reconfigurado, atrav&eacute;s da elimina&ccedil;&atilde;o  dos itens que evidenciaram satura&ccedil;&otilde;es baixas (inferiores a 0,40) nas  respectivas vari&aacute;veis latentes de origem. </P>     <p>Mais especificamente, elimin&aacute;mos o item n&ordm; 5 (&ldquo;Consulto os mais  velhos acerca de assuntos ligados &agrave; escola e ao trabalho.&rdquo;), da subescala  <I>responsabilidade</I>, item este que teve uma satura&ccedil;&atilde;o muito baixa no  seu factor de origem e que parece mais ilustrativo da subescala <I>conselho</I>. O  car&aacute;cter problem&aacute;tico deste item pode estar relacionado com a sua  tradu&ccedil;&atilde;o, dado que, como j&aacute; referimos anteriormente, substitu&iacute;mos  o termo &ldquo;superiores&rdquo; por &ldquo;os mais velhos&rdquo;, com o objectivo  de n&atilde;o induzir nos sujeitos respostas hipot&eacute;ticas, uma vez que, tratando-se  de alunos de 10&ordm; e 12&ordm; anos, o conceito de &ldquo;superiores&rdquo; n&atilde;o  faz refer&ecirc;ncia a um contexto real de ac&ccedil;&atilde;o, como o do trabalho.  Assim, &eacute; poss&iacute;vel que, dada a sua tradu&ccedil;&atilde;o para portugu&ecirc;s,  o item n&ordm; 5 tenha perdido a inten&ccedil;&atilde;o que os autores da escala lhe  tinham atribu&iacute;do, isto &eacute;, captar comportamentos de responsabilidade no  contexto hierarquizado do trabalho. Simultaneamente, o termo &ldquo;consultar&rdquo; n&atilde;o  exclui o pedido de conselho, pelo que o item n&ordm; 5 pode ilustrar tamb&eacute;m a  subescala de <I>conselho</I>. </P>     <p>Da mesma subescala de <I>responsabilidade </I>foi tamb&eacute;m eliminado o item  n&ordm; 11 (&ldquo;Gosto de ser claro e preciso quando comunico com os outros.&rdquo;),  que parece ilustrar de forma equ&iacute;voca a subescala referida. Mais concretamente,  embora exprimir de uma maneira clara o que se pensa possa implicar ser respons&aacute;vel  pelo que se pensa, esta atitude pode tamb&eacute;m representar um factor de harmonia  numa cultura mais individualista, uma vez que em tal contexto cultural a falta de  precis&atilde;o no modo de comunicar e a concentra&ccedil;&atilde;o no contexto exterior  ao acto comunicacional, e n&atilde;o no conte&uacute;do verbal transmitido, podem conduzir  a desentendimentos. Acresce que esta atitude comunicacional pode representar um factor de  desentendimentos e de falta de harmonia numa cultura mais colectivista, pelo que &eacute;  poss&iacute;vel que o item n&ordm; 11 ilustre a subescala de <I>harmonia</I>, devendo deste  modo ser reclassificado. Concomitantemente, sendo a amostra deste estudo constitu&iacute;da  por adolescentes, grupo n&atilde;o-hierarquizado em que a personalidade de cada um se  exprime atrav&eacute;s de di&aacute;logos directos, assertivos e menos formais, &eacute;  poss&iacute;vel que o item n&ordm; 11 n&atilde;o tenha sido sens&iacute;vel &agrave;  especificidade do contexto (individualista <I>vs</I>. colectivista). </P>     <p>Outro item eliminado foi o n&ordm; 9 (&ldquo;Sacrifico os meus interesses pessoais  em benef&iacute;cio do meu grupo&rdquo;), que teve uma satura&ccedil;&atilde;o baixa na  subescala de <I>harmonia</I>. Para este resultado invocamos de novo a especificidade da  amostra, ou seja, os adolescentes encontram-se numa fase em que a auto-realiza&ccedil;&atilde;o &eacute;  muito importante, sendo esta exigida pelo contexto social, pelo que os pr&oacute;prios objectivos  de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal e os interesses tendem a ser privilegiados. Assim, mesmo  num contexto caracterizado por uma mentalidade colectivista, quando se trata de adolescentes,  &eacute; poss&iacute;vel que a formula&ccedil;&atilde;o em termos de &ldquo;sacrif&iacute;cio&rdquo;  conduza a respostas menos categ&oacute;ricas. </P>     <p>A elimina&ccedil;&atilde;o do item n&ordm; 16 (&ldquo;Prefiro usar uma linguagem  indirecta em vez de dizer directamente coisas que &eacute; poss&iacute;vel que os meus  amigos n&atilde;o gostem de ouvir.&rdquo;), tamb&eacute;m da subescala <I>harmonia</I>, pode  ser explicada de modo an&aacute;logo ao que j&aacute; foi referido quanto ao item n&ordm;  11, isto &eacute;, para adolescentes, &eacute; poss&iacute;vel que a falta de clareza na  comunica&ccedil;&atilde;o com os outros seja mais um factor de desentendimento do que de harmonia. </P>     <p>Por fim, foram eliminados dois itens da subescala <I>conselho </I>(item n&ordm; 18  &ndash; &ldquo;Falo com os meus pais sobre assuntos ligados ao estudo ou ao trabalho.&rdquo;  &ndash; e item n&ordm; 24 &ndash; &ldquo;Consulto a minha fam&iacute;lia antes de tomar  decis&otilde;es importantes.&rdquo;). De referir que, dos sete itens estabelecidos pelos  autores do question&aacute;rio como ilustrando esta subescala, apenas os itens eliminados  (n&ordm; 18 e n&ordm; 24) est&atilde;o relacionados com o pedido de conselho aos pais e  &agrave; fam&iacute;lia, pois os restantes cinco itens ligam o pedido de conselho aos amigos.  Ora, as respostas aos dois itens eliminados n&atilde;o se correlacionaram com as respostas  aos outros cinco itens da subescala conselho, o que aponta para o facto das opini&otilde;es dos  amigos serem valorizadas de forma distinta das opini&otilde;es da fam&iacute;lia e dos pais.  &Eacute; ainda de referir que, quanto ao item n&ordm; 18 da subescala de <I>conselho</I>,  a sua formula&ccedil;&atilde;o comporta uma certa ambiguidade, uma vez que falar com os pais  sobre &ldquo;assuntos ligados ao estudo ou ao trabalho&rdquo; n&atilde;o implica necessariamente  o pedido de conselho. </P>     <p>Assim, a partir destas pistas preliminares de interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados  obtidos na presente investiga&ccedil;&atilde;o, devemos salientar o facto dos estudos de AFC  terem apontado para uma estrutura factorial do QIC parcialmente diferente da estabelecida  pelos seus autores. &Eacute; poss&iacute;vel que esta diferen&ccedil;a se tenha devido, por  um lado, &agrave; especificidade da amostra desta investiga&ccedil;&atilde;o &ndash; composta  por adolescentes &ndash; que, como j&aacute; referimos anteriormente, pode ter desviado o  sentido inicial de alguns dos itens do QIC e, por outro lado, ao modo como s&atilde;o encarados  e operacionalizados os conceitos relacionados com o IND/COL, &agrave; formula&ccedil;&atilde;o  dos itens e &agrave; sua distribui&ccedil;&atilde;o na estrutura factorial do QIC. </P>     <p>Deste modo, considerando os resultados obtidos nesta investiga&ccedil;&atilde;o, &eacute;  de salientar que, para o futuro, parece importante (i) reconsiderar o estatuto dos itens  eliminados, (ii) realizar uma an&aacute;lise factorial confirmat&oacute;ria considerando os  factores IND/COL como factores de segunda ordem e (iii) replicar o estudo com uma amostra  mais alargada para consolidar a clarifica&ccedil;&atilde;o conceptual da dimens&atilde;o  cultural de individualismo-colectivismo, e a adequa&ccedil;&atilde;o da respectiva  avalia&ccedil;&atilde;o, clarifica&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o estas  para as quais procur&aacute;mos um contributo inicial com a presente investiga&ccedil;&atilde;o. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Barrett, D. W., Wosinska, W., Butner, J., Petrova, P., Gornik-Durose, M., &amp;  Cialdini, R. B. (2004). Individual differences in the motivation to comply across cultures.  The impact of social obligation. <I>Personality and Individual Differences</I>, <I>37</I>, 19-31. </P>      <p>Bellah, R. N., Madsen, R., Sullivan, W. M., Swidler, A., &amp; Tipton, S. M. (1987).  <I>Individualism &amp; commitment in American life. Readings on the theme of habits of the  heart. </I>New York: Harper &amp; Row. </P>      <p>Bond, M. H. (2002). Reclaiming the individual from Hofstede&rsquo;s ecological  analysis &ndash; A 20-year odyssey: Comment on Oyserman et al. (2002).  <I>Psychological Bulletin</I>, <I>128</I>, 73-77. </P>      <p>Byrne, M. B. (1994). <I>Structural equation modeling with EQS and EQS/Windows  &ndash; Basic concepts, application and programming</I>. Thousand Oaks, California:  SAGE Publications. </P>      <p>Chen, Y., Brockner, J., &amp; Katz, T. (1998). Toward an explanation of cultural  differences in in-group favoritism: The role of individual versus collective primacy.  <I>Journal of Personality and Social Psychology</I>, <I>75</I>, 1490-1502. </P>      <p>Choi, I., &amp; Nisbett, R. E. (1998). Situational salience and cultural differences  in the correspondence bias and the actor-observer bias. <I>Personality and Social  Psychology Bulletin</I>, <I>24</I>, 949-960. </P>      <!-- ref --><p>Ciochin&#259;, L., &amp; Faria, L. (2006a). Concep&ccedil;&otilde;es pessoais de  intelig&ecirc;ncia de estudantes portugueses e romenos. Um estudo preliminar de  an&aacute;lise factorial confirmat&oacute;ria. <I>Psychologica</I>, <I>41</I>, 171-191. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0870-8231200800040000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ciochin&#259;, L., &amp; Faria, L. (2006b). Individualismo e colectivismo:  Fundamentos conceptuais para o estudo intercultural das concep&ccedil;&otilde;es  pessoais de intelig&ecirc;ncia de estudantes portugueses e romenos. <I>Psicologia</I>,  <I>20</I>, 143-165. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0870-8231200800040000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Ciochin&#259;, L., &amp; Faria, L. (2007). Dezvolt&#259;ri conceptuale preliminare  privind influen&#355;a dimensiunii culturale individualism-colectivism asupra concep&#355;iilor  personale despre inteligen&#355;&#259;ale elevilor rom&acirc;ni &#351;i portughezi  [Abordagem conceptual preliminar da influ&ecirc;ncia da dimens&atilde;o cultural de  individualismo-colectivismo nas concep&ccedil;&otilde;es pessoais de intelig&ecirc;ncia  de adolescentes romenos e portugueses]. <I>Sociologie Rom</I>&acirc;<I>neasc</I>&#259;, <I>5</I>, 76-89. </P>      <!-- ref --><p>Faria, L., Pepi, A., &amp; Alesi, M. (2004). 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