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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise biográfica de indivíduos com história de consumo de substâncias]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The study, exploratory and descriptive, has as an aim the search of occasional stability in the course of individuals with drug addiction. The homogeneous sample consists in 10 participants with substance abuse history, porters of human immunodeficiency virus in phase of acquired immunodeficiency syndrome submitted to antiretroviruses treatment and to methadone administration. It was verified that the individuals reveal common characteristcs, namely, showed a poor speech of imaginary, a relation style lacking of affections, and have actively participated in crime activities.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Biograma]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Drug addiction]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>An&aacute;lise biogr&aacute;fica de indiv&iacute;duos com hist&oacute;ria  de consumo de subst&acirc;ncias </b></P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right">Laura M. Nunes (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</P>     <P align="right">S&oacute;nia Alves (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>) </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESUMO </P>      <p>O estudo, explorat&oacute;rio e descritivo, visou a busca de uma eventual const&acirc;ncia  nos trajectos existenciais de indiv&iacute;duos toxicodependentes. A amostra, homog&eacute;nea,  constou de 10 participantes com hist&oacute;ria de abuso de subst&acirc;ncias, portadores  do v&iacute;rus de imunodefici&ecirc;ncia humana em fase de s&iacute;ndroma de imunodefici&ecirc;ncia  adquirida sujeitos a tratamento antiretrov&iacute;rico e &agrave; administra&ccedil;&atilde;o  de metadona. Verificou-se a presen&ccedil;a de caracter&iacute;sticas comuns, nomeadamente em  termos afectivos, de pobreza de imagin&aacute;rio e de participa&ccedil;&atilde;o em actos de  delito, entre outras similaridades. </P>      <p><I>Palavras-chave: </I>Biograma, Percurso de vida, Toxicodepend&ecirc;ncia. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">ABSTRACT </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The study, exploratory and descriptive, has as an aim the search of occasional  stability in the course of individuals with drug addiction. The homogeneous sample consists  in 10 participants with substance abuse history, porters of human immunodeficiency virus  in phase of acquired immunodeficiency syndrome submitted to antiretroviruses treatment and  to methadone administration. It was verified that the individuals reveal common characteristcs,  namely, showed a poor speech of imaginary, a relation style lacking of affections, and have  actively participated in crime activities. </P>      <p><I>Key words: </I>Biogramme, Course of life, Drug addiction. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P>      <p>O presente estudo baseia-se na an&aacute;lise biogr&aacute;fica de  indiv&iacute;duos com hist&oacute;ria de abuso de subst&acirc;ncias. O actual  estado da investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da depend&ecirc;ncia de  subst&acirc;ncias abarca uma multiplicidade de estudos, qualitativos e tamb&eacute;m de  car&aacute;cter quantitativo. Contudo, &eacute; imperativo que se prossiga na procura  de mais conhecimento a respeito de uma problem&aacute;tica cuja abrang&ecirc;ncia e impacte  n&atilde;o param de aumentar. Assim, urge compreender melhor e, sem pretens&otilde;es de  car&aacute;cter explicativo, focalizar a aten&ccedil;&atilde;o na explora&ccedil;&atilde;o  dos aspectos circunstanciais, relacionais, afectivos e desenvolvimentais dos percursos de  vida e de consumos destes indiv&iacute;duos, na explora&ccedil;&atilde;o de eventuais similaridades,  subjacentes &agrave; conduta adictiva. Por isso, o estudo visa capturar aspectos t&aacute;citos  e profundos que, no interst&iacute;cio das palavras, dos sil&ecirc;ncios e da comunica&ccedil;&atilde;o  n&atilde;o verbal, propiciem a oportunidade de melhor compreender para melhor prevenir e intervir. </P>     <p>Da multiplicidade de modelos explicativos e de tentativas de compreens&atilde;o, pode  apontar-se a perspectiva de Tinoco (2002) que, partindo da an&aacute;lise de hist&oacute;rias  de vida, acaba por referir a fissura biogr&aacute;fica do sujeito dependente de  drogas. Tudo se passa como se o Eu do passado n&atilde;o se reconhecesse no do presente,  numa desist&ecirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o de si, numa &ldquo;desarticu-la&ccedil;&atilde;o  biogr&aacute;fica&rdquo;, em que o pr&oacute;prio n&atilde;o sente a hist&oacute;ria de  vida como sua, tendendo a esquec&ecirc;-la ou a nem sequer desejar lembr&aacute;-la. </P>     <p>Apesar de se saber tratar-se de um grupo heterog&eacute;neo, este e outros factores  comuns t&ecirc;m sido encontrados em sujeitos dependentes de subst&acirc;ncias, nomeadamente  entre aqueles que apresentam j&aacute; uma hist&oacute;ria consideravelmente longa de consumos.  Costa (2002) refere-se ao estere&oacute;tipo do adicto &agrave;s drogas, incluindo um ar  degradado e geralmente afectado por um desgaste ao n&iacute;vel da qualidade de vida e a  todos os n&iacute;veis do seu funcionamento global. Outras similaridades t&ecirc;m sido  evidenciadas entre estes indiv&iacute;duos, como refere Farate (2001), a respeito de diferentes  estudos que apontam para a ades&atilde;o dos jovens consumidores a outras condutas problem&aacute;ticas  e at&eacute; violentas. O autor afirma ser claramente not&oacute;ria a associa&ccedil;&atilde;o  entre o consumo de drogas e as condutas socialmente transgressoras. Contudo, &eacute; fundamental n &atilde;o esquecer que, segundo Ribeiro (2001), a toxicodepend&ecirc;ncia &eacute; um fen&oacute;meno  muito complexo, da&iacute; que n&atilde;o exista um modelo que abarque a sua globalidade, at&eacute;  porque, a conduta do toxicodependente varia em fun&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria de cada um, d a forma singular como cada indiv&iacute;duo vive a toxicodepend&ecirc;ncia e de como organiza as  pr&oacute;prias defesas. </P>     <p>Jessor, em 1991 refere-se a alguns aspectos pr&eacute;vios aos consumos de drogas, ao propor  a teoria de risco dos adolescentes. Esta proposta centra-se na import&acirc;ncia de certas  ocorr&ecirc;ncias de risco entre adolescentes, na pobreza socialmente organizada, na desigualdade  e discrimina&ccedil;&atilde;o, como factores que mant&ecirc;m o risco entre os mais jovens.  Para o autor, o factor de risco leva &agrave; conduta de risco, sendo que esta pode comprometer  aspectos psicossociais e desenvolvimentais do jovem. Com tal comprometimento, chega-se ao resultado  de risco com impacto nefasto sobre quatro &aacute;reas: (1) a sa&uacute;de, com aparecimento  de enfermidades e de um estado de m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas; (2) os  pap&eacute;is sociais, em que se instala o fracasso escolar, o isolamento social, os problemas  legais e a paternidade prematura; (3) o desenvolvimento pessoal, cujo comprometimento passa por  um auto-conceito inadequado, pela presen&ccedil;a de depress&atilde;o e at&eacute; pelo risco  de suic&iacute;dio; (4) a prepara&ccedil;&atilde;o para a vida adulta, igualmente comprometida  pelas escassas compet&ecirc;ncias laborais, pela situa&ccedil;&atilde;o de desemprego e pela  reduzida motiva&ccedil;&atilde;o (Beco&ntilde;a &amp; Martin, 2004). </P>     <p>Torres (2003) apresenta uma interpreta&ccedil;&atilde;o diferente, mas igualmente  centrada nas ocorr&ecirc;n-cias pr&eacute;vias &agrave; hist&oacute;ria de consumos,  baseando-se em Bion (1961) para propor uma abordagem psicossom&aacute;tica na qual se  contempla a ideia do homem na sua globalidade, mediante a consi-dera&ccedil;&atilde;o de  uma multiplicidade de factores interactivos. &Eacute; um modelo que procura uma forma explicativa  do fen&oacute;meno, n&atilde;o resvalando, no entanto, para o reducionismo dos modelos baseados  na causalidade &uacute;nica e linear. Assim, segundo o autor, Bion ter&aacute; proposto a  doen&ccedil;a psicossom&aacute;tica como resultante da presen&ccedil;a de conflito entre  press&otilde;es impostas, de afilia&ccedil;&atilde;o e de perten&ccedil;a, e press&otilde;es  exercidas pelo n&iacute;vel biopsicol&oacute;gico do pr&oacute;prio. </P>     <p>A esta ideia, Torres (2003) acrescenta que uma revis&atilde;o de estudos, longitudinais  e retrospectivos, apoia que na origem da toxicodepend&ecirc;ncia s&atilde;o observadas  disfun&ccedil;&otilde;es aos n&iacute;veis do aleitamento materno, da vincula&ccedil;&atilde;o  prim&aacute;ria, da afilia&ccedil;&atilde;o social, do altru&iacute;smo rec&iacute;proco e da  religiosidade. Todos estes aspectos s&atilde;o conjugados no modelo, que refere o d&eacute;fice  na interac&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; com a m&atilde;e, num comprometimento da  vincula&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria do indiv&iacute;duo que, desde cedo, &eacute; alvo  de um estilo relacional pobre e n&atilde;o satisfat&oacute;rio das suas necessidades.  Consequentemente, o padr&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o que se desenvolve &eacute; inseguro  o que, por sua vez, vir&aacute; a afectar negativamente o processo de afilia&ccedil;&atilde;o social,  em que as rela&ccedil;&otilde;es com os outros ser&atilde;o marcadamente desinvestidas de afectos  e, n&atilde;o raras vezes, pautadas por condutas anti-sociais, num registo de funcionamento instrumental.  Estes aspectos do n&iacute;vel psicossocial influenciam o n&iacute;vel biol&oacute;gico onde, face  a uma eventual vulnerabilidade gen&eacute;tica do sistema opi&oacute;ide end&oacute;geno,  passar&aacute; a haver uma sub-regula&ccedil;&atilde;o ou insuficiente produ&ccedil;&atilde;o de  opi&oacute;ides end&oacute;genos. Esta insufici&ecirc;ncia conjugar-se-&aacute; com as caracter&iacute;sticas  decorrentes de uma vincula&ccedil;&atilde;o de padr&atilde;o inseguro para, conjuntamente, afectarem  o n&iacute;vel psicossom&aacute;tico. Desta forma, e num regime de substitui&ccedil;&atilde;o,  o contacto com as subst&acirc;ncias psicoactivas ex&oacute;genas conduzir&aacute; a uma procura  de compensa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de opi&oacute;ides end&oacute;genos,  cujo n&iacute;vel teria sido normal e naturalmente desenvolvido por via do contacto afectivo-emocional. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, s&atilde;o aqui apresentados tr&ecirc;s n&iacute;veis de interac&ccedil;&atilde;o  que concorrem para a motiva&ccedil;&atilde;o para o consumo de drogas: O n&iacute;vel psicossocial,  em que logo na primeira inf&acirc;ncia se verifica o d&eacute;fice na interac&ccedil;&atilde;o com  a m&atilde;e, comprometendo a vincula&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. Posteriormente, e j&aacute;  em idade adulta, o padr&atilde;o predominante de vincula&ccedil;&atilde;o &eacute; igualmente  deficit&aacute;rio, quer ao n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas, quer em  termos da precariedade da afilia&ccedil;&atilde;o social do indiv&iacute;duo. Tudo isto acarreta  implica&ccedil;&otilde;es sobre um segundo n&iacute;vel, o biol&oacute;gico, que apresenta um  d&eacute;fice na regula&ccedil;&atilde;o do sistema opi&oacute;ide end&oacute;geno que, a par  de uma vulnerabilidade gen&eacute;tica, conduz a uma sub-regula&ccedil;&atilde;o do mesmo sistema  com consequente tend&ecirc;ncia para a busca de subst&acirc;ncias ex&oacute;genas compensat&oacute;rias.  Ao terceiro n&iacute;vel, o psicossom&aacute;tico, encontram-se as oscila&ccedil;&otilde;es de humor,  a depress&atilde;o, a ansiedade, a indiferencia&ccedil;&atilde;o de sentimentos e de emo&ccedil;&otilde;es,  o desamparo e outros factores que contribuir&atilde;o tamb&eacute;m para o uso de drogas (Torres, 2003). </P>     <p>Poder-se-&aacute; ent&atilde;o falar da poss&iacute;vel exist&ecirc;ncia de factores de  car&aacute;cter afectivo-emocional, anteriores ao uso de subst&acirc;ncias, sendo que a busca  desses aspectos poder&aacute; contribuir para uma melhor compreens&atilde;o do fen&oacute;meno. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">O PORQU&Ecirc; DA ABORDAGEM QUALITATIVA </P>      <p>O presente estudo procura esse car&aacute;cter compreensivo, com recurso ao biograma  que, segundo Tinoco e Pinto (2003), se revela um instrumento de grande utilidade uma vez  que procede &agrave; busca das regularidades biogr&aacute;ficas, possibilitando, tamb&eacute;m,  a identifica&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o dos pontos de inflex&atilde;o,  num processo de tomada de consci&ecirc;ncia dos momentos chave do percurso existencial do indiv&iacute;duo. </P>     <p>A an&aacute;lise, de &iacute;ndole compreensiva e de procura de significados, passa  necessariamente pela palavra e pelo que ela representa para o indiv&iacute;duo, detentor de uma  realidade subjectiva, &uacute;nica e irredut&iacute;vel. De acordo com Elliott e Shapiro (1992),  o m&eacute;todo de an&aacute;lise compreensiva &eacute; um sistema de pesquisa qualitativa que  obedece a um processo de averigua&ccedil;&atilde;o de acontecimentos, numa busca de  compreens&atilde;o do contexto das ocorr&ecirc;ncias e do seu impacto no indiv&iacute;duo. Na  verdade, a hist&oacute;ria contada na primeira pessoa ultrapassa o acto de a relatar, uma vez  que o narrador &eacute; tamb&eacute;m o protagonista, que pode ir construindo uma nova  orienta&ccedil;&atilde;o para a autobiografia (Eisenberg, 2001). Trata-se de uma abordagem em  que se considera a relatividade da realidade, sem verdades &uacute;nicas e absolutas, mas antes  subjectivas, m&uacute;ltiplas e mentalmente constru&iacute;das por cada sujeito. Est&aacute;  tamb&eacute;m presente uma subjectividade em que investigador e objecto de investiga&ccedil;&atilde;o  se interligam no processo, cujo m&eacute;todo assenta na hermen&ecirc;utica e na dial&eacute;ctica,  em que as constru&ccedil;&otilde;es individuais se subsidiam, atrav&eacute;s e ao longo da  interac&ccedil;&atilde;o investigador/objecto (Guba &amp; Lincoln, 1994). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">O ESTUDO EMP&Iacute;RICO </P>      <p>O estudo explorat&oacute;rio, descritivo e transversal foi desenvolvido com indiv&iacute;duos  com hist&oacute;ria de abuso de subst&acirc;ncias, perseguindo os seguintes objectivos: </P>      <p>&ndash;	Aprofundar conhecimentos sobre a problem&aacute;tica, numa perspectiva compreensiva; </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ndash;	Procurar uma inteligibilidade para o fen&oacute;meno, com base na busca de aspectos  t&aacute;citos e subjacentes &agrave; conduta adictiva; </P>     <p>&ndash;	Averiguar a exist&ecirc;ncia de um padr&atilde;o de funcionamento global, com pontos  convergentes no percurso de vida dos participantes.</P>      <p>Em conformidade com a perspectiva de conhecimento adoptada, interessa fundamentalmente  aceder &agrave;s experi&ecirc;ncias e &agrave;s significa&ccedil;&otilde;es de cada indiv&iacute;duo,  enquanto actor e autor da sua pr&oacute;pria mudan&ccedil;a. Trata-se de um registo que evoca Kelly  (1955), o qual j&aacute; referia o homem com capacidade de edificar os seus pr&oacute;prios constructos,  e como autor din&acirc;mico e activo da sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria de vida. </P>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o dos biogramas baseou-se na condu&ccedil;&atilde;o de uma  entrevista semi-estruturada e semi-directiva, cujo gui&atilde;o foi previamente elaborado. Foram  tamb&eacute;m constru&iacute;das fichas de registo de aspectos paraverbais, como a flu&ecirc;ncia,  o d&eacute;bito locut&oacute;rio, os conte&uacute;dos do discurso e os aspectos pros&oacute;dicos,  nomeadamente, o tom e o ritmo da fala. Tamb&eacute;m os comportamentos n&atilde;o verbais,  observados no decorrer das entrevistas, foram registados numa grelha previamente elaborada para o efeito. </P>     <p>Foram entrevistados 10 participantes, com idades compreendidas entre os 35 e os 44 anos, com  um n&iacute;vel de escolaridade vari&aacute;vel entre os 0 e os 9 anos. A amostra incluiu 6  indiv&iacute;duos do sexo masculino e 4 do sexo feminino, sendo que do total apenas 1 estava  empregado, estando os restantes se encontravam em situa&ccedil;&atilde;o de desemprego (6) ou de reforma (3). </P>     <p>Todos os dados recolhidos foram alvo de an&aacute;lise de conte&uacute;do de    tipo categorial (Bardin, 2004), a partir da qual se criaram tr&ecirc;s grandes    categorias que, por sua vez, inclu&iacute;ram subcategorias, como se pode ver    no <a href="#q1">Quadro 1</a><a name="topq1"></a>. </P>      <p align="center"><a href="#topq1">QUADRO 1</a><a name="q1"></a> </P>      <p align="center"><I>As categorias resultantes do processo de an&aacute;lise de    conte&uacute;do </I></P>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n4/26n4a03q1.gif"> </div>     
<p>A cria&ccedil;&atilde;o do sistema de categorias passou por um processo de elabora&ccedil;&atilde;o  do invent&aacute;rio com isolamento dos elementos a considerar e subsequente classifica&ccedil;&atilde;o  e agrega&ccedil;&atilde;o desses elementos, atrav&eacute;s de um trabalho conducente &agrave;  constru&ccedil;&atilde;o das diferentes categorias por &ldquo;milha&rdquo;, conforme o m&eacute;todo  proposto por Bardin (2004). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao longo do processo de an&aacute;lise tem&aacute;tica e categorial, foi-se    desenvolvendo a classifica&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica e progressiva dos    v&aacute;rios elementos at&eacute; se criar o sistema de categorias que consta    do <a href="#q1">Quadro 1</a><a name="topq1"></a> e que se passa a descrever    sucintamente. </P>     <p>A grande categoria designada por &ldquo;An&aacute;lise do discurso&rdquo; centrou-se na  an&aacute;lise dos comportamentos, verbais e n&atilde;o verbais, dos sujeitos. Esta categoria  incluiu tr&ecirc;s subcategorias: </P>     <p>&ndash;	A subcategoria intitulada por &ldquo;Verbal&rdquo;, que focalizou as  verbaliza&ccedil;&otilde;es dos sujeitos, atendendo &agrave; forma e ao conte&uacute;do  e incluindo a flu&ecirc;ncia (tida como comprometida ou normal) e o d&eacute;bito  locut&oacute;rio (tido como reduzido, normal ou elevado) de cada participante; </p>     <p>&ndash;A subcategoria denominada &ldquo;Paraverbal&rdquo;, foi aquela em que se  agruparam os indiv&iacute;duos em fun&ccedil;&atilde;o dos aspectos pros&oacute;dicos evidenciados,  como a entoa&ccedil;&atilde;o (tida como adequada ou n&atilde;o concordante com o conte&uacute;do  do discurso) e o ritmo (tamb&eacute;m considerado como adequado ou como n&atilde;o concordante  com o conte&uacute;do); </p>     <p>&ndash;	A terceira subcategoria, chamada &ldquo;N&atilde;o-Verbal&rdquo;,  remeteu para aspectos como a apresenta&ccedil;&atilde;o (considerada cuidada ou descuidada),  a express&atilde;o facial (tida como rica ou, pelo contr&aacute;rio, pobre quando n&atilde;o  variava em fun&ccedil;&atilde;o dos diferentes momentos e t&oacute;picos abordados), o contacto  ocular (considerado evitante ou directo) e os movimentos corporais (tidos como lentos, adequados  ao discurso ou de agita&ccedil;&atilde;o). </P>     <p>Quanto &agrave; segunda grande categoria, designada por &ldquo;Hist&oacute;ria de vida&rdquo;,  resultou nas quatro subcategorias cuja descri&ccedil;&atilde;o se segue: </P>     <p>&ndash;	A subcategoria respeitante &agrave; &ldquo;Inf&acirc;ncia/ /Vincula&ccedil;&atilde;o&rdquo;  remeteu para os aspectos afectivos da rela&ccedil;&atilde;o com as figuras de vincula&ccedil;&atilde;o  dos sujeitos, tendo-se revelado fraca, quando eram evidentes os sinais de reduzida proximidade afectiva,  ou distante, sempre que eram evidentes os sinais e verbaliza&ccedil;&otilde;es indicadores de grande  afastamento e aus&ecirc;ncia por parte das figuras parentais; </p>     <p>&ndash;	A segunda subcategoria, intitulada &ldquo;Adolesc&ecirc;ncia/Figuras de  autoridade&rdquo; registou o estilo educativo de que os participantes ter&atilde;o sido alvo.  Os sujeitos revelaram ter percebido permissividade e/ou neglig&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o  recebida;</p>      <p>&ndash;	Quanto ao &ldquo;Percurso escolar&rdquo;, foi a subcategoria em que se registou a  percep&ccedil;&atilde;o dos sujeitos, relativamente &agrave;s suas aptid&otilde;es escolares e  ao interesse que ter&atilde;o sentido pela escola;</p>      <p>&ndash;	A subcategoria relativa &agrave;s &ldquo;Rela&ccedil;&otilde;es afectivas&rdquo;  foi aquela em que se analisou o registo de emo&ccedil;&otilde;es e afectos manifestados pelos  participantes ao longo da entrevista, tendo-se encontrado um registo est&aacute;vel ou plano  (sem resson&acirc;ncia afectiva).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maior das categorias foi a da &ldquo;Hist&oacute;ria dos consumos&rdquo; que abarcou  oito subcategorias cuja breve descri&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentada de seguida: </P>     <p>&ndash;	A primeira subcategoria, &ldquo;Idade da primeira experi&ecirc;ncia&rdquo;, remeteu  para a idade em que cada participante referiu ter-se iniciado nas drogas;</p>      <p>&ndash;	J&aacute; a subcategoria respeitante ao &ldquo;Contexto da primeira experi&ecirc;ncia&rdquo;  focalizou-se na(s) figura(s) que acompanhou cada sujeito     <p>durante o primeiro consumo, tendo-se  encontrado figuras como o companheiro, os colegas e os amigos; </P>     <p>&ndash;	Os &ldquo;Motivos/Raz&otilde;es&rdquo; para a inicia&ccedil;&atilde;o no mundo  das drogas constitu&iacute;ram outra sub-categoria na qual se encontraram explica&ccedil;&otilde;es  relacionadas com a press&atilde;o e influ&ecirc;ncia e, sobretudo, com factores meramente hedonistas; </p>     <p>&ndash;	Quanto &agrave; subcategoria da &ldquo;Subst&acirc;ncia(s) de inicia&ccedil;&atilde;o&rdquo;  remeteu para a droga, ou drogas, com que se iniciou cada participante, encontrando-se, neste subcategoria,  o haxixe, a hero&iacute;na e a coca&iacute;na;</p>      <p>&ndash;	A &ldquo;Evolu&ccedil;&atilde;o dos consumos&rdquo;  consistiu na subcategoria em que se registou a maior ou menor rapidez de transi&ccedil;&atilde;o para  o consumo de drogas como a hero&iacute;na e a coca&iacute;na;</p>      <p>&ndash;	A subcategoria relativa aos &ldquo;Problemas jur&iacute;dico-legais&rdquo; registou a  participa&ccedil;&atilde;o em actos de delito e a ocorr&ecirc;ncia de eventuais deten&ccedil;&otilde;es  e/ou pris&otilde;es, para cada um dos sujeitos;</p>      <p>&ndash;	As &ldquo;Consequ&ecirc;ncias percebidas&rdquo; inclu&iacute;ram o registo de como  os participantes percebiam as ocorr&ecirc;ncias decorrentes do seu percurso;</p>      <p>&ndash;	A subcategoria designada por &ldquo;Consumos p&oacute;s-metadona&rdquo; centrou-se  nos consumos mantidos ap&oacute;s a inicia&ccedil;&atilde;o do tratamento de substitui&ccedil;&atilde;o.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Finalmente, a &uacute;ltima subcategoria remeteu para a &ldquo;An&aacute;lise prospectiva&rdquo;  dos sujeitos, permitindo registar a forma como cada participante se projectava no futuro, e  como definia os seus projectos de vida. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESULTADOS </P>      <p><I>An&aacute;lise do discurso </I></P>      <p>Na subcategoria verbal apenas 1 dos participantes apresentou comprometimento da  flu&ecirc;ncia, denotando alguns problemas ao n&iacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o da fala.  Os conte&uacute;dos eram l&oacute;gicos e sequenciais em 6 dos indiv&iacute;duos e 1 deles  apresentava-os ligeiramente confusos. 3 dos participantes denunciavam alguma tangencialidade,  n&atilde;o conseguindo focalizar-se num t&oacute;pico e apenas contornando superficialmente  cada tema. O d&eacute;bito locut&oacute;rio era elevado em 2 dos sujeitos, reduzido em 3,  nomeadamente ao n&iacute;vel da fala espont&acirc;nea, e normal ou adequado nos restantes 5 sujeitos. </P>     <p>No que respeita aos aspectos paraverbais e relativamente aos pros&oacute;dicos, 5 dos sujeitos  exibiram um tom e um ritmo n&atilde;o concordantes com os conte&uacute;dos do discurso, o qual  ocorreu em tom monoc&oacute;rdico. </P>     <p>No que concerne aos aspectos n&atilde;o verbais, 6 dos participantes apresentaram-se de forma  claramente desleixada, denunciando reduzidos cuidados com a higiene e a apar&ecirc;ncia. 5  indiv&iacute;duos evitavam o contacto ocular e, 4 manifestaram uma clara agita&ccedil;&atilde;o motora,  cuja explica&ccedil;&atilde;o pode basear-se nos consumos regulares de coca&iacute;na. </P>      <p><I>Hist&oacute;rias de vida </I></P>      <p>No que toca &agrave; subcategoria inf&acirc;ncia/ /vincula&ccedil;&atilde;o, a totalidade  dos sujeitos (10) evidenciou um padr&atilde;o inseguro de vincula&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria,  o qual de acordo com Aron (1975), mais n&atilde;o &eacute; que a consequ&ecirc;ncia de um processo  desenvolvimental que p&otilde;e em causa a seguran&ccedil;a e estabilidade do ambiente social  pr&oacute;ximo, com uma percep&ccedil;&atilde;o das figuras parentais que &eacute; perturbadora de  um desenvolvimento ps&iacute;quico e emocional seguro e equilibrado. </P>     <p>No plano da adolesc&ecirc;ncia/figuras de autoridade, todos os indiv&iacute;duos (10) percepcionaram  a educa&ccedil;&atilde;o de que foram alvo como permissiva e/ou negligente, num padr&atilde;o de clara  auto-regula&ccedil;&atilde;o. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente ao percurso escolar, 9 dos participantes demonstraram uma auto-percep&ccedil;&atilde;o  de incapacidade para os estudos, sentida desde tenra idade. </P>     <p>Na subcategoria respeitante &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es afectivas, 9 dos sujeitos evidenciaram  um estilo relacional evitante, num registo de rela&ccedil;&otilde;es instrumentais e sem  resson&acirc;ncia de afectos. </P>      <p><I>Hist&oacute;ria dos consumos </I></P>      <p>A idade de inicia&ccedil;&atilde;o no consumo de subst&acirc;ncias il&iacute;citas foi  a da adolesc&ecirc;ncia para 7 dos participantes, sendo que os 3 restantes se iniciaram j&aacute;  em idade adulta. Estes &uacute;ltimos, do sexo feminino, iniciaram-se com o companheiro e  referiram como motivos para consumir a press&atilde;o ou influ&ecirc;ncia do mesmo. Os motivos  apontados pelos que se iniciaram na adolesc&ecirc;ncia foram de natureza hedonista. </P>     <p>Quanto &agrave; subst&acirc;ncia de inicia&ccedil;&atilde;o, 9 sujeitos referiram ter sido  o haxixe e apenas 1 se iniciou com hero&iacute;na e coca&iacute;na. </P>     <p>No que respeita aos problemas jur&iacute;dico-legais, 4 participantes afirmaram ter sofrido  uma ou mais deten&ccedil;&otilde;es, sendo que os 10 indiv&iacute;duos confessaram ter participado  activamente em ac&ccedil;&otilde;es delituosas. </P>     <p>As consequ&ecirc;ncias percebidas por todos os sujeitos relativamente ao seu percurso de  consumo de drogas foram descritas como sendo de perda total em todas as &aacute;reas de vida. </P>     <p>No respeitante aos consumos p&oacute;s-metadona de subst&acirc;ncias que n&atilde;o a hero&iacute;na,  9 dos sujeitos referiram ter mantido ou at&eacute; aumentado tais consumos, sendo a coca&iacute;na e o &aacute;lcool as subst&acirc;ncias mais frequentemente consumidas nestas circunst&acirc;ncias. </P>     <p>No que toca &agrave; an&aacute;lise prospectiva foi not&oacute;rio, em todos os participantes,  um registo de pobreza ou at&eacute; de vazio de projectos de vida futura, num patamar de alheamento  e desesperan&ccedil;a. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">NOTAS INTERPRETATIVAS </P>      <p>Entre os participantes deste estudo parece ser poss&iacute;vel identificar um padr&atilde;o  com uma converg&ecirc;ncia de aspectos a considerar nas categorias definidas. </P>     <p>No percurso de vida encontrou-se, em todos os indiv&iacute;duos, um padr&atilde;o  inseguro de vincula&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, decorrente da aus&ecirc;ncia de  supervis&atilde;o, de cuidados e de afectos. Esse estilo relacional parece ter sido  transportado para a idade adulta e reproduzido, num regime transgeracional, por 9 dos  participantes, os quais n&atilde;o estabelecem rela&ccedil;&otilde;es de intimidade e  compromisso, mas antes factuais, instrumentais e desinvestidas de afectos. Essa aus&ecirc;ncia  de resson&acirc;ncia afectiva &eacute; ali&aacute;s sentida nos sujeitos relativamente a si  pr&oacute;prios, com reduzida auto-estima, baixa auto-confian&ccedil;a e not&oacute;rio  abandono de si. Foram tamb&eacute;m notadas a percep&ccedil;&atilde;o de incapacidade para  os estudos desde tenra idade, o vazio de projectos de vida, o pr&oacute;prio abandono do  corpo e dos cuidados de que o mesmo carece, num claro desinvestimento. </P>     <p>O discurso, em tom monoc&oacute;rdico e ritmo constante, denotou um registo emocional  discordante dos conte&uacute;dos e t&oacute;picos abordados, num processo de banaliza&ccedil;&atilde;o  e de superficialidade de an&aacute;lise das ocorr&ecirc;ncias mais marcantes. Pobre de imagin&aacute;rio, o discurso apenas ganhou alguma riqueza quando tocava aspectos do consumo de subst&acirc;ncias, em  que os sujeitos se referiam &agrave;(s) droga(s) como se a(s) personificassem. </P>     <p>Reconhecendo a perda de tudo e de todos como consequ&ecirc;ncia dos consumos, os  participantes persistiram num discurso pleno de significados relativamente &agrave;s  subst&acirc;ncias, num registo que se aproxima da identifica&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo  apenas enquanto dependente daquelas, como se de uma absor&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria se  tratasse. Tal aspecto pode relacionar-se com a busca de outras subst&acirc;ncias que n&atilde;o a  hero&iacute;na, ap&oacute;s iniciar o abandono daquela droga, numa tentativa que se assemelha  ao preenchimento de um v&aacute;cuo. O vazio foi, ali&aacute;s, verbalizado pelos pr&oacute;prios  que assumiram nada ter e nada investir. O indiv&iacute;duo abandonou-se, perdeu-se de si, n&atilde;o  sentindo a pr&oacute;pria hist&oacute;ria como sua nem o pr&oacute;prio corpo como seu, parecendo  que a sua exist&ecirc;ncia se confina, identifica e reconhece, apenas como consumidor de subst&acirc;ncias. </P>     <p>Se &eacute; certo que h&aacute; uma converg&ecirc;ncia de certos aspectos consequentes dos  longos per&iacute;odos de consumo, n&atilde;o &eacute; menos correcto afirmar que se encontram,  logo na inf&acirc;ncia, factores comuns que parecem ter contribu&iacute;do para os percursos  existenciais destes indiv&iacute;duos, bem como para os seus trajectos desviantes. O estudo, mais  do que fornecer respostas parece levantar quest&otilde;es, sobretudo a respeito da forma como se  cresce e das circunst&acirc;ncias em que cada um constr&oacute;i a sua pr&oacute;pria realidade.  De facto, nesta problem&aacute;tica tudo se conjuga, n&atilde;o havendo apenas um determinante.  No entanto, tudo parece estar ligado a uma vida afectiva (ou &agrave; aus&ecirc;ncia dela) que  &eacute; diferentemente edificada por, e para, cada indiv&iacute;duo. Assim, parece pertinente  referir a import&acirc;ncia de se estar atento a estes sinais que podem alertar para ac&ccedil;&otilde;es  preventivas mais atempadas. </P>      <p>&nbsp;</p>      <P align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      <p>Aron, W. S. (1975). Family background and personal trauma among drug addicts  in the United States: Implications for treatment. <I>British Journal of Addiction</I>,  <I>70</I>, 295-305. </P>      <p>Bardin, L. (2004). <I>An&aacute;lise de conte&uacute;do </I>(3&ordf; ed., L. Reto &amp;  A Pinheiro, Trad.). Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70 (original publicado em 1977). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Beco&ntilde;a, E., &amp; Martin, E. (2004). <I>Manual de intervenci&oacute;n en  drogodependencias</I>. Madrid: Sintesis. </P>      <p>Bion, W. R. (1961). <I>Experiences in groups and other papers</I>. London: Routledge. </P>      <p>Costa, N. F. (2002). Psiquiatria e toxicodepend&ecirc;ncias. In J. C. D. Cordeiro (Ed.),  <I>Manual de psiquiatria cl&iacute;nica </I>(2&ordf; ed., pp. 243-286). Lisboa:  Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. </P>      <p>Eisenberg, E. M. (2001). Building a mystery: Toward a new theory of communication identity.  <I>Journal of comunication</I>, <I>9</I>, 534-552. </P>      <p>Elliott, R., &amp; Shapiro, D. A (1992). Client and therapist as analysts of significant  events. In S. G. Toukmanian &amp; D. L. Rennie (Eds.), <I>Psychotherapy process research </I> (pp. 163-186). London: SAGE Publications. </P>      <p>Farate, C. (2001). <I>O acto do consumo e o gesto que consome</I>. Coimbra: Quarteto Editora. </P>      <p>Guba, E. G., &amp; Lincoln, Y. S. (1994). Competing paradigms in qualitative research.  In N. K. Denzin &amp; Y. S. Lincoln (Eds.), <I>Handbook of qualitative research </I>(pp. 105-117).  London: SAGE Publications. </P>      <p>Jessor, R. (1991). Risk behavior in adolescence: A psychosocial framework for understanding  and action. <I>Journal of Adolescent Health, 12</I>, 597-605. </P>      <p>Kelly, G. A. (1995). <I>The psychology of personal constructs </I>(vol. 1).  New York: Norton. </P>      <!-- ref --><p>Ribeiro, J. S. (2001). Tornar-se toxicodependente: Op&ccedil;&atilde;o ou fatalidade?  <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, <I>7</I>, 73-78. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-8231200800040000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Tinoco, R. (2002). Indetermina&ccedil;&atilde;o biogr&aacute;fica &ndash; De  condi&ccedil;&atilde;o natural a uma fissura na hist&oacute;ria do sujeito.  <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, <I>8</I>, 61-67. </P>      <!-- ref --><p>Tinoco, R., &amp; Pinto, S. (2003). As potencialidades cl&iacute;nicas do biograma.  <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, <I>9</I>, 39-46. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-8231200800040000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Torres, N. M. (2003). A qu&iacute;mica da depend&ecirc;ncia e as depend&ecirc;ncias  t&oacute;xicas. Para um modelo bio-psicosocial. <I>Toxicodepend&ecirc;ncias</I>, <I>9</I>, 29-45. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0870-8231200800040000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p>(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Universidade Fernando Pessoa, Porto.  </P>       ]]></body><back>
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