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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entre o horror, a missão e a epopeia: Modalidades de atribuição de significado à participação na Guerra Colonial Portuguesa pelos seus ex-combatentes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study had the objective of exploring the meanings the veterans have atributed to war. A total of 314 (87.7%) subjects of a sample of 350 Portuguese colonial war veterans (M=57.3, SD=3.69; 68.3% with 4 year education) answer to the question: What does it mean in your life to have participated in a war. The qualitative analysis of the answers, acording to the grounded theory (Glaser & Strauss, 1967) brought two concepts to light; revelation and war spoils, showing that the traumatic significance of the war experience is not one, and war can also mean the fulfillment of a duty or the aquisition of benefits at emotional, intelectual and ethic maturity. Our results are consonant with Aldwin, Levenson, and Spiro III (1994) and with Fontana and Rosenhek (1998) because those authors had found that the war experience can result for veterans both in positive and negative outcomes.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Crescimento pós-traumático]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Estudo qualitativo]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Traumatic stress]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Entre o horror, a miss&atilde;o e a epopeia. Modalidades de atribui&ccedil;&atilde;o de  significado &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na Guerra Colonial Portuguesa pelos seus  ex-combatentes </b></P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right">Sandra Sendas(<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</P>     <p align="right">&Acirc;ngela da Costa Maia (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</P>     <p align="right">Eug&eacute;nia Fernandes (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)  </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESUMO </P>      <p>Este estudo teve como objectivo explorar os significados atribu&iacute;dos por uma amostra  de 314 ex-combatentes da guerra colonial portuguesa (m&eacute;dia idade 57,3 anos, <I>d.p. </I>3,69)  &agrave; experi&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o na guerra. Utilizou-se a metodologia da  <I>Grounded Theory </I>(Glaser &amp; Strauss, 1967) para realizar uma an&aacute;lise qualitativa  &agrave;s respostas dadas pelos sujeitos &agrave; quest&atilde;o, <I>Que significado tem na sua vida  ter estado na guerra</I>. Os nossos resultados foram ao encontro das conclus&otilde;es de Aldwin,  Levenson, e Spiro III (1994) e de Fontana e Rosenhek (1998) sugerindo que os ex-combatentes da guerra  colonial constru&iacute;ram significados m&uacute;ltiplos para as suas experi&ecirc;ncias de guerra.  A guerra enquanto <I>experi&ecirc;ncia </I>ou a guerra enquanto <I>esp&oacute;lio </I>revestiram-se  tanto de significados negativos (i.e., decep&ccedil;&otilde;es/perdas) como de significados positivos  (i.e. satisfa&ccedil;&atilde;o/benef&iacute;cios). </P>      <p><I>Palavras-chave: </I>Crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico, Guerra, Estudo qualitativo, Trauma. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">ABSTRACT </P>      <p>This study had the objective of exploring the meanings the veterans have atributed to war.  A total of 314 (87.7%) subjects of a sample of 350 Portuguese colonial war veterans (<I>M</I>=57.3,  <I>SD</I>=3.69; 68.3% with 4 year education) answer to the question: <I>What does it mean in your  life to have participated in a war. </I>The qualitative analysis of the answers, acording to the  <I>grounded theory </I>(Glaser &amp; Strauss, 1967) brought two concepts to light; revelation and  war spoils, showing that the traumatic significance of the war experience is not one, and war can  also mean the fulfillment of a duty or the aquisition of benefits at emotional, intelectual and  ethic maturity. Our results are consonant with Aldwin, Levenson, and Spiro III (1994) and with  Fontana and Rosenhek (1998) because those authors had found that the war experience can result  for veterans both in positive and negative outcomes. </P>      <p><I>Key words: </I>Meaning attribution, Posttraumatic growth, Qualitative investigation, Traumatic stress. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p><I>Quem esteve aqui n&atilde;o consegue voltar o mesmo &hellip; </I>(Lobo Antunes,  1979, <I>Os cus de Judas) </I></P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P>      <p>N&atilde;o obstante a acentuada preval&ecirc;ncia de PTSD nas amostras de combatentes,  &agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece com outras situa&ccedil;&otilde;es potencialmente  traum&aacute;ticas, estas n&atilde;o t&ecirc;m como &uacute;nico desfecho a patologia  f&iacute;sica ou psicol&oacute;gica. Schnurr, Rosemberg, e Friedman (1993, citado por Aldwin,  Levenson, &amp; Spiro III, 1994) j&aacute; haviam demonstrado que uma exposi&ccedil;&atilde;o  moderada a situa&ccedil;&otilde;es de combate poderia resultar em modifica&ccedil;&otilde;es  positivas de personalidade, contrariamente ao que acontecia com uma exposi&ccedil;&atilde;o baixa  ou acentuada. Elder e Clipp (1989, citado por Aldwin, Levenson, &amp; Spiro III, 1994) sugeriram que  a exposi&ccedil;&atilde;o a combate tanto poderia originar patogenia como ganhos desenvolvimentais. </P>     <p>Presentemente, no contexto da Psicologia Positiva, tem-se vindo a desviar a aten&ccedil;&atilde;o  da patologia e a defender a elabora&ccedil;&atilde;o de modelos compreensivos do funcionamento humano  que abranjam a totalidade da experi&ecirc;ncia humana desde o sofrimento, passando pela resili&ecirc;ncia  at&eacute; ao crescimento e funcionamento optimal (Linley &amp; Joseph, 2005; Seligman &amp;  Csikszentmihalyi, 2000, citado por Amy, Cascio, Stangelo, &amp; Campbell, 2005; Seligman, Steen, Park,  &amp; Peterson, 2005). Bonanno (2004) refere mesmo que grande parte da comunidade cient&iacute;fica  subestima a exist&ecirc;ncia de resili&ecirc;ncia face ao trauma, considerando-a quer um estado  patol&oacute;gico quer algo extremamente raro, presente apenas em indiv&iacute;duos excepcionalmente  saud&aacute;veis, o que se poder&aacute; dever ao facto do conhecimento sobre as estrat&eacute;gias de  <I>coping </I>usadas pelos adultos expostos ao trauma resultar essencialmente do estudo daqueles que  apresentam grandes perturba&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas. </P>     <p>A possibilidade das situa&ccedil;&otilde;es de <I>stress </I>extremo poderem apresentar n&atilde;o  s&oacute; consequ&ecirc;ncias negativas mas tamb&eacute;m positivas, n&atilde;o &eacute; uma descoberta  recente. Em 1964 Gerald Caplan, na sua teoria da interven&ccedil;&atilde;o na crise, j&aacute; havia  descrito de que modo as situa&ccedil;&otilde;es de crise podiam ser perturbadoras ou maturantes. De  acordo com este autor, os indiv&iacute;duos ao esfor&ccedil;arem-se por repor o equil&iacute;brio  psicol&oacute;gico perturbado pela crise, poderiam beneficiar das dificuldades enfrentadas, vindo a  desenvolver estrat&eacute;gias de <I>coping </I>inovadoras e mais eficazes. Autores como Frankl (1963)  e Maslow (1970, citado por Tedeschi &amp; Calhoun, 2005) subscreviam igualmente a possibilidade das  crises de vida poderem desencadear mudan&ccedil;as pessoais positivas. Na mesma linha, a exist&ecirc;ncia  de consequ&ecirc;ncias positivas nas situa&ccedil;&otilde;es extremas de <I>stress </I>j&aacute; havia  sido demonstrada empiricamente por alguns autores no passado (e.g., Spprenkkle &amp; Cyrus, 1983, citados  por Aldwin, Levenson, &amp; Spiro, 1994). De facto, j&aacute; em 1983, Zautra e Sandler (citado por  Aldwin, Levenson, &amp; Spiro, 1994), haviam proposto dois modelos complementares para os efeitos de  longo curso das situa&ccedil;&otilde;es extremas de <I>stress</I>, considerando a possibilidade das  mesmas poderem vir a desencadear situa&ccedil;&otilde;es de sofrimento ou de crescimento psicol&oacute;gico.  Na mesma linha de pensamento, Antonovsky (1987, citado por Nunes, 1999) prop&ocirc;s o conceito de sentido  de coer&ecirc;ncia para explicar porque motivo alguns indiv&iacute;duos apresentavam uma boa sa&uacute;de  f&iacute;sica e psicol&oacute;gica n&atilde;o obstante viverem em situa&ccedil;&otilde;es de <I>stress  </I>extremo. Este conceito j&aacute; indiciava a mudan&ccedil;a de interesse dos investigadores dos  paradigmas patog&eacute;nicos para os salutog&eacute;nicos e mostra-se consonante com o objecto de estudo  da recente Psicologia Positiva. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No &acirc;mbito dos aspectos positivos associados &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de <I>stress </I>extremo,  a literatura apresenta-nos basicamente dois conceitos, a resili&ecirc;ncia (Aldwin, Levenson, &amp; Spiro III,  1994; Bonanno, 2004; Fredrickson, Tugade, Waugh, &amp; Larkin, 2003; Stein, Tran, Lund, Haji, Dashevsky,  &amp; Backer, 2005) e o crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico (Amy <I>et al.</I>, 2005; Frazier,  Amy, &amp; Glasser, 2001; Frederickson <I>et al.</I>, 2003; Joseph, linley, Andrews, Harris, Howle,  Woodward, &amp; Shevlin, 2005; Linley &amp; Joseph, 2004, 2005; Powell, Rosner, Butollo, Tedeshi, &amp;  Calhoun, 2003; Tedeschi &amp; Kilmer, 2005; Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997). </P>     <p>O conceito de resili&ecirc;ncia tem sido caracterizado como a capacidade dos indiv&iacute;duos  para lidarem com experi&ecirc;ncias emocionais negativas adaptando-se com flexibilidade  &agrave;s exig&ecirc;ncias de mudan&ccedil;a das experi&ecirc;ncias stressantes (Lazarus, 1993,  citado por Tugade &amp; Fredrickson, 2004). Bonanno (2004, p. 20) fala na resili&ecirc;ncia  &agrave; perda e ao trauma e define-a &ldquo;como a capacidade dos adultos, habitualmente a  viverem em circunst&acirc;ncias normais, de manterem um estado relativamente est&aacute;vel e  saud&aacute;vel de funcionamento f&iacute;sico e psicol&oacute;gico quando expostos a um acontecimento  isolado potencialmente perturbador como por exemplo a morte de algum familiar pr&oacute;ximo ou  uma situa&ccedil;&atilde;o de grande perigo de vida&rdquo; <I>e </I>acrescenta que a resili&ecirc;ncia  dever&aacute; ser distinguida da simples recupera&ccedil;&atilde;o &agrave; psicopatologia traum&aacute;tica  pois, na sua opini&atilde;o, ser resiliente ao trauma exige que a pessoa mantenha um equil&iacute;brio e st&aacute;vel, gra&ccedil;as &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de <I>coping </I> adaptativas, aquando da viv&ecirc;ncia de uma situa&ccedil;&atilde;o de <I>stress </I>extremo. </P>     <p>A capacidade pr&eacute;via de resili&ecirc;ncia face &agrave; adversidade, apesar de inquestion&aacute;vel,  n&atilde;o explica o facto, amplamente descrito na religi&atilde;o e na filosofia, de que a luta e o  confronto com grandes perdas na vida poder vir a ser, para algumas pessoas, fonte de desenvolvimento  da percep&ccedil;&atilde;o do sentido da vida e uma motiva&ccedil;&atilde;o para mudan&ccedil;as  positivas de personalidade. Curiosamente, os novos desenvolvimentos na &aacute;rea da psicotraumatologia  t&ecirc;m vindo a mostrar que algumas pessoas usam os acontecimentos de <I>stress </I>extremo como  mat&eacute;ria-prima para seu crescimento e desenvolvimento, por outras palavras, s&atilde;o capazes  de apresentar Crescimento P&oacute;s-Traum&aacute;tico &ndash; CPT (Amy <I>et al.</I>, 2005; Frazier,  Amy &amp; Glasser, 2001; Frederickson <I>et al.</I>, 2003; Joseph <I>et al.</I>, 2005; Linley &amp;  Joseph, 2004, 2005; Powell, Rosner, Butollo, Tedeshi, &amp; Calhoun, 2003; Tedeschi &amp; Kilmer,  2005; Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997). </P>     <p>Mais do que a manuten&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;estado relativamente est&aacute;vel  e saud&aacute;vel de funcionamento f&iacute;sico e psicol&oacute;gico (...)&rdquo; (Bonanno,  2004, p. 20) as pessoas com crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico denotam mudan&ccedil;as pessoais  positivas e um n&iacute;vel de funcionamento f&iacute;sico e psicol&oacute;gico superior ao que  tinham antes de haverem lidado com as experi&ecirc;ncias adversas (Linley &amp; Joseph, 2004). </P>     <p>As evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas neste dom&iacute;nio mostram que 40 a 70% das pessoas que  experimentam um acontecimento traum&aacute;tico referem, mais tarde, alguma forma de benef&iacute;cio  dessa experi&ecirc;ncia, nomeadamente ap&oacute;s desastres, lutos, cancro, entre outros (Davis,  Nolean-Hoeksema, &amp; Larson, 1998; Schwartzberg &amp; Janoff-Bulman, 1991, citado por Joseph  <I>et al.</I>, 2005). </P>     <p>Conv&eacute;m salientar que n&atilde;o &eacute; a adversidade e o trauma que levam  ao crescimento, mas o enfrentamento que a pessoa lhes faz. Neste sentido, o crescimento  p&oacute;s-traum&aacute;tico surge frequentemente em concomit&acirc;ncia com o sofrimento emocional  e muitas das pessoas que o referem apresentam total consci&ecirc;ncia tanto dos aspectos positivos  como dos negativos da sua experi&ecirc;ncia (Calhoun &amp; Tedeschi, 2001). As investiga&ccedil;&otilde;es  t&ecirc;m encontrado resultados amb&iacute;guos no que se refere &agrave; associa&ccedil;&atilde;o entre  crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico e outras medidas de ajustamento psicol&oacute;gico. Alguns  resultados indicam que essa associa&ccedil;&atilde;o existe mas, outros n&atilde;o (Calhoun &amp;  Tedeschi, 1998; Park, Cohen, &amp; Hunt, 1996). Lev-Wiesel e Amir (2003), num estudo feito em  crian&ccedil;as sobreviventes ao Holocausto, verificaram que o crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico  coexistia com o sintoma de activa&ccedil;&atilde;o da PTSD. </P>     <p>O crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico &eacute; uma consequ&ecirc;ncia e um processo  face &agrave; viv&ecirc;ncia da adversidade (Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997) resultante  dum trabalho cognitivo orientado para a reconstru&ccedil;&atilde;o dos pressupostos da v&iacute;tima  sobre o eu e sobre o mundo postos em causa pelo acontecimento traum&aacute;tico. Se o processo for bem  sucedido o resultado ser&aacute; a integra&ccedil;&atilde;o do acontecimento adverso em construtos  psicol&oacute;gicos de maior complexidade (Joseph <I>et al.</I>, 2005; Tedeschi, Park, &amp; Calhoun,  1997). Tomando o crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico como uma consequ&ecirc;ncia, &eacute;  poss&iacute;vel identific&aacute;-lo em tr&ecirc;s grandes dom&iacute;nios de mudan&ccedil;as: ao  n&iacute;vel da percep&ccedil;&atilde;o do eu, dos relacionamentos pessoais e da filosofia de vida  (Tedeschi &amp; Calhoun, 1995, citado por Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997). </P>     <p>As mudan&ccedil;as na percep&ccedil;&atilde;o do eu levam a pessoa a deixar de se ver  como uma v&iacute;tima e a intitular-se sobrevivente. Esta mudan&ccedil;a &eacute; de alguma  forma paradoxal, pois o sobrevivente antecipa uma maior vulnerabilidade face a posteriores  acontecimentos adversos mas, ao mesmo tempo, apresenta um sentimento aumentado de for&ccedil;a pessoal  (Calhoun &amp; Tedeschi, 2001; Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997) que lhe provoca uma sensa&ccedil;&atilde;o  de inocula&ccedil;&atilde;o face &agrave; adversidade. As mudan&ccedil;as nos relacionamentos pessoais  reflectem-se quer num sentimento acrescido de empatia e de proximidade aos outros, quer numa  expressividade emocional aumentada (Calhoun &amp; Tedeschi, 2001). As altera&ccedil;&otilde;es na  filosofia de vida podem materializar-se em mudan&ccedil;as nas prioridades de vida, na atitude existencial,  na espiritualidade e na aquisi&ccedil;&atilde;o de sabedoria (Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997).  As mudan&ccedil;as nas prioridades da vida passam pela capacidade de apreciar &ldquo;as pequenas coisas  da vida&rdquo;, nomeadamente o valor de cada dia (Tedeschi &amp; Calhoun, 1996). A atitude existencial  parece alterar-se em consequ&ecirc;ncia da transforma&ccedil;&atilde;o dos pressupostos pr&eacute;vios  das v&iacute;timas em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo e manifesta-se numa maior consci&ecirc;ncia do  &ldquo;sentido da vida&rdquo; (Calhoun &amp; Tedeschi, 2001) ou seja, as pessoas que enfrentam a perda  de familiares, viola&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia (...) questionam-se muito mais sobre o sentido d a vida e inevitabilidade da morte, independentemente de encon-trarem ou n&atilde;o respostas  satisfat&oacute;rias para essas quest&otilde;es (Calhoun &amp; Tedeschi, 2001; Yalom &amp; Lieberman,  1991, citado por Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997). Ao n&iacute;vel espiritual, o crescimento  p&oacute;s-traum&aacute;tico pode reflectir-se por si s&oacute; na possibilidade de dar sentido ao  trauma permitindo a sua compreens&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o (Weisner, Betzer, &amp; Stolze,  1991, citado por Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997), no desenvolvimento de um sentimento acrescido  de compromisso para com as suas cren&ccedil;as religiosas ou numa reconvers&atilde;o (Pargament,  1996, citado por Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997). Relativamente &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de  sabedoria, Tedeschi, Park, e Calhoun (1997) apresentam-na como um conceito unificador das mudan&ccedil;as  ocorridas na generalidade das dimens&otilde;es antes referidas, o que se traduz nas aprendizagens feitas  pelos sobreviventes ao trauma ao n&iacute;vel de aspectos tais como: a valoriza&ccedil;&atilde;o da vida;  a clarifica&ccedil;&atilde;o das suas prioridades; investimento no relaciona-mento com os outros;  aquisi&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias para lidar com situa&ccedil;&otilde;es adversas e na  viv&ecirc;ncia do sentido espiritual da vida. </P>     <p>No &acirc;mbito das investiga&ccedil;&otilde;es sobre os efeitos positivos/benef&iacute;cios  percebidos da participa&ccedil;&atilde;o em combate, os estudos de Aldwin, Levenson, e Spiro III  (1994) e os de Fontana e Rosenheck (1998) s&atilde;o de especial relev&acirc;ncia para o nosso  trabalho uma vez que os autores analisaram o papel das avalia&ccedil;&otilde;es positivas e negativas  feitas pelos ex-combatentes para as suas experi&ecirc;ncias de exposi&ccedil;&atilde;o ao combate na  predi&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre a exposi&ccedil;&atilde;o ao combate e a vulnerabilidade  ou resili&ecirc;ncia face ao desenvolvimento de PTSD. </P>     <p>Aldwin <I>et al. </I>(1994), ao estudarem os veteranos da II.&ordf; Guerra Mundial e da Coreia,  perceberam que estes enumeravam significativamente mais consequ&ecirc;ncias positivas do que negativas  para a experi&ecirc;ncia de combate, sendo estas a aprendizagem da coopera&ccedil;&atilde;o/trabalho de  equipa; a valoriza&ccedil;&atilde;o da paz; o desenvolvimento de um sentido de independ&ecirc;ncia, a  clarifica&ccedil;&atilde;o do objecto e sentido da vida, auto-estima acrescida e o reconhecimento  do valor da vida. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fontana e Rosenheck (1998), num estudo com veteranos da guerra do Vietname, identificaram um leque  de benef&iacute;cios e dificuldades psicol&oacute;gicas para a experi&ecirc;ncia de combate mais abrangente  do que os que foram descritas por Aldwin <I>et al. </I>(1994). Relativamente &agrave;s consequ&ecirc;ncias  psicol&oacute;gicas positivas, as categorias salientadas pelos participantes foram: o auto-desenvolvimento  (i.e., reconhecimento de maior assertividade, responsabilidade e f&eacute; religiosa), a afirma&ccedil;&atilde;o  de cren&ccedil;as patri&oacute;ticas (i.e., valoriza&ccedil;&atilde;o da liberdade e da miss&atilde;o de combate)  e a solidariedade para com os outros (i.e., desenvolvimento de toler&acirc;ncia, compaix&atilde;o e  proximidade em rela&ccedil;&atilde;o aos outros). No &acirc;mbito das dificuldades psicol&oacute;gicas  enumeradas pelos veteranos, Fontana e Rosenheck (1998) referem a decep&ccedil;&atilde;o nas cren&ccedil;as  patri&oacute;ticas (i.e., a constata&ccedil;&atilde;o do absurdo da guerra, dos motivos econ&oacute;micos  que a sustentam e o descr&eacute;dito na &eacute;tica da conduta de guerra), a autodecad&ecirc;ncia (i.e.,  a constata&ccedil;&atilde;o de se haver tornado menos ambicioso, descrente no valor da vida, mais negligente  e receoso da morte) e a aliena&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos outros (i.e., mais intolerante,  conflituoso e c&eacute;ptico quanto &agrave; bondade da natureza humana). </P>     <p>Em ambos os estudos foi poss&iacute;vel verificar que as consequ&ecirc;ncias positivas/benef&iacute;cios  psicol&oacute;gicos diminu&iacute;am a rela&ccedil;&atilde;o entre PTSD e grau de exposi&ccedil;&atilde;o  ao combate, e que as consequ&ecirc;ncias negativas/dificuldades psicol&oacute;gicas a aumentavam.  As evid&ecirc;ncias de ambas as investiga&ccedil;&otilde;es mostraram que a capacidade de enumerar  consequ&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas positivas para a exposi&ccedil;&atilde;o ao trauma parece  proteger os indiv&iacute;duos relativamente ao desenvolvimento de PTSD, enquanto que a enumera&ccedil;&atilde;o  de dificuldades psicol&oacute;gicas parece potenci&aacute;-la. Assim, as consequ&ecirc;ncias  psicol&oacute;gicas positivas e as dificuldades psicol&oacute;gicas revelaram-se mediadoras da  rela&ccedil;&atilde;o entre a exposi&ccedil;&atilde;o ao combate e desenvolvimento de PTSD.  Adicionalmente, Fontana e Rosenheck verificaram que as consequ&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas positivas  tinham um papel moderador relativamente &agrave;s dificuldades psicol&oacute;gicas face ao desenvolvimento  de PTSD ou seja, quando a autodecad&ecirc;ncia estava presente em concomit&acirc;ncia com o  autodesenvolvimento, a probabilidade dos indiv&iacute;duos desenvolverem PTSD era muito menor do que  quando era apenas referida a autodecad&ecirc;ncia. </P>     <p>Os resultados destes estudos mostraram ainda que as consequ&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas  positivas e as dificuldades psicol&oacute;gicas enumeradas pelos veteranos de guerra eram mutuamente  independentes. Face a esse resultado, Fontana e Rosenheck (1998) conclu&iacute;ram que mesmo  circunst&acirc;ncias t&atilde;o terr&iacute;veis e horr&iacute;ficas como o trauma de guerra podem  desencadear nas v&iacute;timas, lado a lado, significados positivos e negativos. Sendo as experi&ecirc;ncias  de <I>stress </I>extremo, como as de combate, suscept&iacute;veis de fomentarem nos indiv&iacute;duos  tanto consequ&ecirc;ncias positivas como negativas, concordamos com Linley e Joseph (2005) quando  os autores nos dizem que a adversidade pode desencadear tr&ecirc;s ordens de consequ&ecirc;ncias,  a psicopatologia, a resili&ecirc;ncia e o crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico, pelo facto  de desafiarem as teorias pessoais/ /significados das v&iacute;timas a respeito do eu, dos outros e  do mundo. Esse desafio surge como um risco e uma oportunidade. Por um lado, aumenta a vulnerabilidade  da v&iacute;tima ao sofrimento emocional e aos sintomas de PTSD (Bramsen, van der Ploeg, van der Kamp,  &amp; Ad&eacute;rc, 2001), por outro lado, pode desembocar quer em resili&ecirc;ncia quer em crescimento  p&oacute;s-traum&aacute;tico, em fun&ccedil;&atilde;o da forma como a v&iacute;tima venha a fazer,  posteriormente, o processamento/ /atribui&ccedil;&atilde;o de significado ao trauma (O&rsquo;Leary,  Aldway, &amp; Ickovicks, 1998). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">OBJECTIVO DO ESTUDO </P>      <p>Este estudo teve como objectivo a compreens&atilde;o da natureza e diversidade dos  significados atribu&iacute;dos pelos ex-combatentes &agrave; sua experi&ecirc;ncia de  participa&ccedil;&atilde;o na guerra colonial portuguesa que decorreu entre 1961 e 1974 em Angola,  Guin&eacute; e Mo&ccedil;ambique, e procurou explorar a possibilidade de, &agrave; semelhan&ccedil;a  dos autores mencionados, tamb&eacute;m n&oacute;s podermos encontrar atribui&ccedil;&otilde;es de  significado diversificadas para a experi&ecirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o na guerra. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </P>      <p><I>Design e an&aacute;lises </I></P>      <p>Para a prossecu&ccedil;&atilde;o deste estudo opt&aacute;mos pela utiliza&ccedil;&atilde;o de  uma metodologia qualitativa, especificamente, a <I>Grounded Theory </I>(Strauss &amp; Corbin, 1990).  Esta metodologia revelou-se em conformidade com os nossos objectivos pois, por defini&ccedil;&atilde;o,  permite a compreens&atilde;o das experi&ecirc;ncias e dos significados que os seres humanos constroem  em interac&ccedil;&atilde;o (Fernandes &amp; Maia, 2001) e apresenta como princ&iacute;pio basilar a  explora&ccedil;&atilde;o, elabora&ccedil;&atilde;o e sistematiza&ccedil;&atilde;o dos significados  de um determinado fen&oacute;meno tendo em considera&ccedil;&atilde;o as modalidades interpretativas  do conhecimento do mundo social e o pr&oacute;prio entendimento do investigador relativamente ao  fen&oacute;meno investigado (Pires, 2001). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sendo a constru&ccedil;&atilde;o de teoria a pedra basilar da <I>Grounded Theory</I>,  implement&aacute;mos uma metodologia de trabalho baseada em modalidades de pensamento indutivo. P rocur&aacute;mos concretizar as caracter&iacute;sticas distintivas da <I>Grounded Theory </I>conforme  foram apresentadas por Glaser e Strauss (1967), nomeadamente recolher e analisar os dados em simult&acirc;neo;  criar c&oacute;digos anal&iacute;ticos e categorias de an&aacute;lise dos dados a partir dos pr&oacute;prios  dados e n&atilde;o a partir de hip&oacute;teses pr&eacute;vias; construir teorias provis&oacute;rias  para explicar os comportamentos e processos; escrever de forma sistem&aacute;tica memorandos sobre  a an&aacute;lise dos dados com vista &agrave; constru&ccedil;&atilde;o e explica&ccedil;&atilde;o de  categorias; realiza&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de compara&ccedil;&otilde;es entre os dados,  entre os dados e os conceitos e entre os pr&oacute;prios conceitos; o refinamento de categorias e  realiza&ccedil;&atilde;o da revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica ap&oacute;s a an&aacute;lise dos dados. </P>      <p><I>Participantes </I></P>      <p>Participaram neste estudo 361 ex-combatentes da Guerra Colonial Portuguesa, todos homens  (m&eacute;dia idade 57,53 anos, <I>d.p. </I>3,69; m&iacute;nimo 51, m&aacute;ximo 68), dos quais  314 viriam a constituir a nossa sub-amostra. Estes sujeitos faziam parte da amostra do estudo r ealizado por Maia, McIntyre, Pereira, e Fernandes (2005) intitulado <I>Factores preditores de PTSD,  problemas de sa&uacute;de f&iacute;sica e psicol&oacute;gica, ajustamento familiar, laboral e social  em ex-combatentes da Guerra Colonial </I>no Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da  Universidade do Minho. Os sujeitos eram provenientes dos distritos de Beja (2,6%), Braga (48%), Chaves (2%),  Faro (4%), Porto (30.3%), Viana do Castelo (9,7%) e Viseu (3,4%). Os sujeitos apresentam um baixo  n&iacute;vel escolar sendo que 68,3% tem como escolaridade o primeiro ciclo do ensino b&aacute;sico.  Relativamente ao estado civil, 90,3% s&atilde;o casados. A grande maioria dos sujeitos n&atilde;o exerce  actividade profissional, 42,6% est&atilde;o desem-pregados e 21,2% s&atilde;o reformados. Entre os  participantes, 57% considera que durante a Guerra Colonial esteve exposto a experi&ecirc;ncias traum&aacute;ticas.  Uma grande parte dos sujeitos apresenta sintomas de perturba&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica (56%) e  39% apresenta sintomas suficientes para lhes ser diagnosticado PTSD. </P>      <p><I>Procedimentos </I></P>      <p>Os sujeitos foram seleccionados aleatoriamente a partir de uma base de dados de uma  associa&ccedil;&atilde;o de ex-combatentes e foram convidados telefonicamente a participarem  num estudo nacional com ex-combatentes, a decorrer na Universidade do Minho. </P>     <p>O protocolo de investiga&ccedil;&atilde;o era constitu&iacute;do por v&aacute;rios instrumentos  que caracterizam social e demograficamente os participantes e fazem uma descri&ccedil;&atilde;o da  hist&oacute;ria militar, nomeadamente no que diz respeito &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o a combate  e outras experi&ecirc;ncias adversas bem como &agrave; forma como avaliam actualmente esta experi&ecirc;ncia.  Para al&eacute;m disso procura fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria de desenvolvimento  em termos de cuidados recebidos e uma caracteriza&ccedil;&atilde;o do funcionamento actual tanto em  termos de psicopatologia como de queixas de sa&uacute;de. </P>     <p>Os resultados aqui relatados referem-se &agrave; an&aacute;lise das respostas escritas  dadas pelos sujeitos &agrave; quest&atilde;o de estudo, <I>Que significado tem na sua vida  ter estado na guerra </I>(Maia e col., 2005) que constitui a &uacute;nica parte de resultados  de natureza qualitativa integrada neste protocolo. </P>     <p>A an&aacute;lise das respostas dos sujeitos foi feita segundo os procedimentos de  codifica&ccedil;&atilde;o aberta e axial tal como s&atilde;o preconizados pela <I>Grounded Theory </I> e sem recurso a qualquer programa inform&aacute;tico de an&aacute;lise qualitativa de dados. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESULTADOS </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise das respostas mostrou-nos a exist&ecirc;ncia de 61 afirma&ccedil;&otilde;es    diferentes, que indexam a experi&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o na    guerra a significados positivos, negativos e amb&iacute;guos. As respostas de    maior frequ&ecirc;ncia foram <I>nenhum, algo sem objectivos e sem futuro </I>(16,2%),    <I>defender a p&aacute;tria servi&ccedil;o cumprido </I>(12,4%) (<a href="#q1">Quadro    1</a><a name="topq1"></a>). </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topq1">QUADRO 1</a><a name="q1"></a></P>      <P align="center"><I>Frequ&ecirc;ncia das afirma&ccedil;&otilde;es sobre o significado        da guerra (</I>n<I>=361</I><I>)</I></P>     <TABLE       align="center" border=0 cellspacing=0 cellpadding=2     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="14"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Afirma&ccedil;&atilde;o </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="14"      >Frequ&ecirc;ncia </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="middle" height="17"      >Nenhum, algo sem objectivos e sem futuro </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="middle" height="17"      >51 (16,2) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Defender a p&aacute;tria, servi&ccedil;o cumprido </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >39 (12,4) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Obrigado, contrariado, cumprir um dever imposto </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >37 (11,8) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Atraso na vida pessoal/profissional </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >28 (8,9) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Perda de tempo irrepar&aacute;vel, inutilidade </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >27 (8,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Orgulho/honra </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >23 (7,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Crescimento pessoal </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >7 (2,2) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Contribui&ccedil;&atilde;o para problemas a n&iacute;vel de sa&uacute;de f&iacute;sica e psicol&oacute;gica </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >7 (2,2) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Guerra roubou melhor tempo da vida &ndash; a juventude </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >7 (2,2) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Um tempo de sofrimento </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >6 (1,9) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Uma injusti&ccedil;a </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >5 (1,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Marcou para toda a vida quer pela positiva quer pela negativa </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >5 (1,6) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Guerra sem vantagens &ndash; afinal perdeu-se tudo </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >4 (1,3) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Sentir-se usado pelo estado portugu&ecirc;s </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >3 (1,0) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Mal-estar permanente </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >3 (1,0) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Conhecer &aacute;frica </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >3 (1,0) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Defender e proteger os portugueses que l&aacute; estavam ou a popula&ccedil;&atilde;o que l&aacute; vivia </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Conhecer amigos </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Desgosto </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Foi bom </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Sentimento de raiva, desgosto pela forma como ex-combatentes s&atilde;o tratados, esquecimento </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Impedimento &ndash; progredir profissionalmente </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Prazer de conhecer novas terras </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Destruiu a n&iacute;vel psicol&oacute;gico </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Uma v&iacute;tima </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Anos de vida perdidos </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Inseguran&ccedil;a </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Contribui&ccedil;&atilde;o para a forma&ccedil;&atilde;o </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 0(,6) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Revolta </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >2 (0,6) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Sente-se um homem diferente </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Foi horr&iacute;vel, queria fugir </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Modificou a maneira de ser para pior </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Fez coisas que n&atilde;o devia ter feito </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Sentiu-se &uacute;til pelo seu desempenho </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>N&atilde;o se sentir orgulhoso </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Sociedade em que vive n&atilde;o reconhece o sacrif&iacute;cio que passou </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >N&atilde;o ter medo a nada </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Arruinou a sa&uacute;de e vida pessoal </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Grande altera&ccedil;&atilde;o do sistema nervoso </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Defender-se a si pr&oacute;prio </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Ajudou a formar a sua personalidade-mais resistente </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Contribuiu para estragar fam&iacute;lias e pa&iacute;ses atrasados </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Defender uma causa que era justa </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Tomada de consci&ecirc;ncia das suas capacidades e for&ccedil;as </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>A vida por um fio </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1(0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Ser um bom portugu&ecirc;s </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Amadurecer, mais conhecimento </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Mais compreensivo para com o ser humano </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Satisfa&ccedil;&atilde;o </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Sentir-se mais agarrado &agrave; vida </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Sentir-se um her&oacute;i </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Raiva da descoloniza&ccedil;&atilde;o </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Defender o que era nosso </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Disciplina </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Racismo </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Mais compreensivo para com situa&ccedil;&otilde;es de vida </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Medo </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ]]></body>
<body><![CDATA[></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="12"      >Muitas vidas perdidas </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="12"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ]]></body>
<body><![CDATA[><TD        align="left" width="461"  valign="top" height="15"      >Contribui&ccedil;&atilde;o para problemas </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="top" height="15"      >1 (0,3) </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="middle" height="17"      ]]></body>
<body><![CDATA[>Total das respostas </TD     ><TD        align="right" width="104"  valign="middle" height="17"      >314 </TD     ></TR     ><TR       ><TD        align="left" width="461"  valign="middle" height="11"      >N&atilde;o respondem </TD     ><TD       ]]></body>
<body><![CDATA[ align="right" width="104"  valign="middle" height="11"      >48 </TD     ></TR     ></TABLE>     <p>&nbsp;</p>      <p>Na sequ&ecirc;ncia da codifica&ccedil;&atilde;o aberta e axial que lev&aacute;mos a cabo  a partir das afirma&ccedil;&otilde;es dos sujeitos foi-nos poss&iacute;vel identificar duas  categorias centrais como representantes do significado atribu&iacute;do &agrave; participa&ccedil;&atilde;o  na Guerra Colonial Portuguesa, a Guerra enquanto viv&ecirc;ncia e a Guerra enquanto esp&oacute;lio.  A Guerra enquanto viv&ecirc;ncia &eacute; m&uacute;ltipla nas suas manifesta&ccedil;&otilde;es. Para  alguns sujeitos constituiu um per&iacute;odo da vida pautado pelo tormento, para outros, o simples  cumprimento de um servi&ccedil;o ou at&eacute; a viv&ecirc;ncia de uma epopeia. A Guerra enquanto  esp&oacute;lio pode ser vista nas perdas e nas aquisi&ccedil;&otilde;es que dela resultaram para os sujeitos. </P>      <p><I>A guerra enquanto tormento </I></P>      <p>O tormento dos soldados apresenta express&atilde;o emocional e perceptiva. As emo&ccedil;&otilde;es  indexadas ao per&iacute;odo de mobiliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o a amea&ccedil;a sentida devido  ao perigo de morte eminente, o sentimento de injusti&ccedil;a por haverem sido obrigados a participar  na guerra e a viv&ecirc;ncia de sentimentos de culpa por ac&ccedil;&otilde;es perpetradas nos teatros d e guerra. Entre as afirma&ccedil;&otilde;es que ilustram esta propriedade referem-se a <I>um tempo  de sofrimento; a vida por um fio; foi horr&iacute;vel; queria fugir; uma injusti&ccedil;a; mal-estar  permanente, fez coisas que n&atilde;o devia ter feito (...). </I>Ao n&iacute;vel perceptivo o sofrimento  manifesta-se na den&uacute;ncia do absurdo dos motivos da guerra, no reconhecimento de terem sido  mobilizados para a guerra atrav&eacute;s da coac&ccedil;&atilde;o e da manipula&ccedil;&atilde;o.  Nas palavras dos sujeitos, <I>nenhum significado, algo sem objectivos e sem futuro; sentir-se usado  pelo estado portugu&ecirc;s; ter sido obrigado; ter participado contrariado; cumprir um dever imposto. </I></P>      <p><I>A guerra enquanto cumprimento de um servi&ccedil;o </I></P>      <p>A guerra enquanto o cumprimento de um servi&ccedil;o manifesta-se na aceita&ccedil;&atilde;o  da legitimidade das causas da guerra, na vis&atilde;o do servi&ccedil;o militar enquanto uma  obriga&ccedil;&atilde;o &agrave; P&aacute;tria e na execu&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es  com uma atitude de profissiona-lismo, <I>defender o que era nosso; defender e proteger os portugueses  que l&aacute; estavam ou a popula&ccedil;&atilde;o que l&aacute; vivia; defender a p&aacute;tria;  servi&ccedil;o cumprido</I>. Ao n&iacute;vel emocional a indexa&ccedil;&atilde;o da guerra ao cumprimento  de um servi&ccedil;o manifesta-se em sentimentos de satisfa&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o  pessoal, sentiu<I>-se &uacute;til pelo seu desempenho; sentiu-se um bom portugu&ecirc;s; satisfa&ccedil;&atilde;o</I>. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>A guerra enquanto epopeia </I></P>      <p>A guerra enquanto epopeia caracteriza-se pela percep&ccedil;&atilde;o da guerra enquanto  uma oportunidade para conhecer pa&iacute;ses, povos e culturas completa-mente desconhecidos  at&eacute; h&aacute; data e desenvolver novas amizades, <I>prazer de conhecer novasterras; conhecer  &Aacute;frica; conhecer amigos </I>e pela express&atilde;o de sentimentos de patriotismo e de hero&iacute;smo,  <I>satisfa&ccedil;&atilde;o; sentir-se um her&oacute;i; foi bom; orgulho/honra. </I></P>      <p><I>A Guerra enquanto perdas irrepar&aacute;veis </I></P>      <p>As perdas irrepar&aacute;veis decorrentes da guerra manifestam-se aos n&iacute;veis  pol&iacute;tico/humanit&aacute;rio e pessoal. No &acirc;mbito das perdas pol&iacute;ticas/humanit&aacute;rias  contam-se a perda das col&oacute;nias, o atraso do desenvolvimento dos pa&iacute;ses Africanos e  as in&uacute;meras baixas tanto nos militares como na popula&ccedil;&atilde;o civil, <I>muitas vidas  perdidas, guerra sem vantagens &ndash; afinal perdeu-se tudo, contribuiu para estragar fam&iacute;lias  e pa&iacute;ses atrasados</I>. As perdas ao n&iacute;vel pessoal distribuem-se pelas &aacute;reas da  sa&uacute;de, <I>grande altera&ccedil;&atilde;o do sistema nervoso; arruinou a sa&uacute;de e vida pessoal;  destruiu a n&iacute;vel psicol&oacute;gico; contribui&ccedil;&atilde;o para problemas aos n&iacute;veis  de sa&uacute;de f&iacute;sica e psicol&oacute;gica, do ciclo de desenvolvimento pessoal, guerra roubou  melhor tempo da vida &ndash; a juventude; anos de vida perdidos; perda de tempo irrepar&aacute;vel;  inutilidade, da integra&ccedil;&atilde;o social, sociedade em que vive n&atilde;o reconhece o sacrif&iacute;cio  que passou, sentimento de raiva, desgosto pela forma como ex-combatentes s&atilde;o tratados, esquecimento;  da progress&atilde;o acad&eacute;mica e profissional, impedimento de progredir profissionalmente;  perda de tempo irrepar&aacute;vel, inutilidade, atraso na vida pessoal/profissional. </I></P>      <p><I>A Guerra enquanto aquisi&ccedil;&atilde;o </I></P>      <p>A guerra permitiu efectuar aquisi&ccedil;&otilde;es aos n&iacute;veis instrumental e psicol&oacute;gico.  As mais-valias instrumentais foram a possibilidade dada a alguns dos sujeitos para finalizarem a sua  escolaridade b&aacute;sica e para tirarem a carta de condu&ccedil;&atilde;o, <I>contribui&ccedil;&atilde;o  para a forma&ccedil;&atilde;o; amadurecer; mais conhecimento</I>. As aquisi&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel  psicol&oacute;gico distribuem-se entre a vulnerabilidade e a maturidade. As vulnerabilidades expressam-se  na consci&ecirc;ncia de se haver adquirido uma maior instabilidade emocional, <I>contribui&ccedil;&atilde;o  para problemas a n&iacute;vel de sa&uacute;de f&iacute;sica e psicol&oacute;gica; mal-estar permanente;  sentir-se uma v&iacute;tima; grande altera&ccedil;&atilde;o do sistema nervoso e no sentimento de  exclus&atilde;o social, sociedade em que vive n&atilde;o reconhece o sacrif&iacute;cio que passou; sentimento  de raiva, desgosto pela forma como ex-combatentes s&atilde;o tratados; esquecimento. </I>A maturidade expressa-se  nas &aacute;reas da autonomia, <I>amadurecer; mais conhecimento; tomada de consci&ecirc;ncia das suas capacidades  e for&ccedil;as; ajudou a tornar a sua personalidade mais resistente; defender-se a si pr&oacute;prio, e  filos&oacute;fica, mais compreensivo para com o ser humano; mais compreensivo para com situa&ccedil;&otilde;es  de vida</I>. </P>     <p>Nas <a href="#f1">Figuras 1</a><a name="topf1"></a> e <a href="#f2">2</a><a name="topf2"></a>    apresentamos uma tentativa de organiza&ccedil;&atilde;o axial das categorias    <I>Experi&ecirc;ncia de Guerra </I>e <I>Esp&oacute;lio de Guerra </I>tendo em    considera&ccedil;&atilde;o as suas respectivas propriedades. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topf1">FIGURA 1</a><a name="f1"></a></P>      <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n4/26n4a06f1.gif"> </div>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topf2">FIGURA 2</a><a name="f2"></a></P>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n4/26n4a06f2.gif"> </div>      
<p>&nbsp;</p>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </P>      <p>Os nossos resultados sugerem a exist&ecirc;ncia de significados m&uacute;ltiplos  para a experi&ecirc;ncia da guerra colonial refor&ccedil;ando a ideia de Quintais (2000)  quando refere que apesar da faceta narrativa mais destacada desta guerra ser a que remete  para os significados traum&aacute;ticos, ela n&atilde;o &eacute; de forma nenhuma a &uacute;nica.  A an&aacute;lise das afirma&ccedil;&otilde;es dos ex-combatentes permitiu-nos perceber com mais  acuidade o apelo da Psicologia Positiva face ao desenvolvimento de modelos compreensivos do funcionamento  humano que abranjam a totalidade da experi&ecirc;ncia desde o sofrimento, passando pela resili&ecirc;ncia,  at&eacute; ao crescimento e funcionamento optimal (Linley &amp; Joseph, 2005; Seligman &amp; Csikszentmihalyi,  2000, citado por Amy <I>et al.</I>, 2005; Seligman <I>et al.</I>, 2005). A emerg&ecirc;ncia de  significados negativos e positivos face &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o ao combate mostra que mesmo  em situa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o horr&iacute;ficas como a guerra, &eacute; poss&iacute;vel encontrar,  lado a lado, significados positivos e negativos (Fontana &amp; Rosenheck, 1998). </P>     <p>A <I>grounded </I>an&aacute;lise dos dados permitiu-nos seleccionar duas grandes categorias  integradoras dos significados das experi&ecirc;ncias de guerra, a guerra enquanto <I>viv&ecirc;ncia </I> e a guerra enquanto o <I>esp&oacute;lio </I>que dela resultou. O car&aacute;cter da guerra enquanto  experi&ecirc;ncia surge nas propriedades Tormento, Servi&ccedil;o e Epopeia. A Viv&ecirc;ncia de Guerra  na sua propriedade <I>Tormento </I>poder&aacute; estar associada ao aspecto &ldquo;s&iacute;smico&rdquo;  que &eacute; atribu&iacute;do aos acontecimentos traum&aacute;ticos dada a sua capacidade para destruir  os pressupostos dos indiv&iacute;duos sobre si pr&oacute;prios, sobre os outros e sobre o mundo (i.e.,  enquanto local justo e seguro) (Bramsen <I>et al.</I>, 2001; Ferreira, 2003; Joseph <I>et al.</I>, 2005;  Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997). De facto, os dados sugerem que a experi&ecirc;ncia de tormento  resultou de sentimentos de decep&ccedil;&atilde;o face &agrave; constata&ccedil;&atilde;o do  absurdo da guerra, da percep&ccedil;&atilde;o de haver sido manipulado para nela participar e em  sentimentos de amea&ccedil;a de morte e de culpa pelas ac&ccedil;&otilde;es praticadas. Estas  emo&ccedil;&otilde;es parecem em conformidade com a defini&ccedil;&atilde;o de acontecimento  traum&aacute;tico de acordo com o DSM-IV (APA, 2000). Relativamente &agrave; experi&ecirc;ncia de  guerra na sua dimens&atilde;o de <I>Servi&ccedil;o, </I>as afirma&ccedil;&otilde;es mostram-nos que,  para alguns ex-combatentes, a guerra parece ter sido apenas o cumprimento de um dever profissional/ /militar.  Poder-se-&aacute; supor que esta indexa&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o na guerra ao  cumprimento de um servi&ccedil;o possa ter contribu&iacute;do para que alguns ex-combatentes tenham  passado por ela de uma forma resiliente, mantendo um estado relativamente est&aacute;vel e saud&aacute;vel  de ajustamento f&iacute;sico e psicol&oacute;gico n&atilde;o obstante terem sido expostos a acontecimentos  extremamente perturbadores (Bonanno, 2004). A propriedade <I>Epopeia </I>da categoria Viv&ecirc;ncia de  Guerra parece classific&aacute;-la como uma situa&ccedil;&atilde;o pertinente e fomentadora de sentimentos  de patriotismo, hero&iacute;smo e de satisfa&ccedil;&atilde;o pelas oportunidades de descoberta de  novas terras e novos amigos. Esses sentimentos de satisfa&ccedil;&atilde;o, hero&iacute;smo e patriotismo  poder&atilde;o estar pr&oacute;ximos dos benef&iacute;cios percebidos ao n&iacute;vel do desenvolvimento  de sentimentos positivos em rela&ccedil;&atilde;o ao eu, e em sentimentos acrescidos de patriotismo  encontrados no estudo de Aldwin <I>et al. </I>(1994). </P>     <p>O esp&oacute;lio da guerra colonial apresentou-se diversificado quer nas perdas irrepar&aacute;veis,  quer nas aquisi&ccedil;&otilde;es com as quais os ex-combatentes continuam a ver-se contemplados.  Afirma&ccedil;&otilde;es como: <I>mal-estar permanente, sofrimento, arruinou a sa&uacute;de e a vida  pessoal</I>, <I>destruiu a n&iacute;vel psicol&oacute;gico </I>mostram que, na sua faceta de perdas  irrepar&aacute;veis e vulnerabilidade, a guerra colonial ainda n&atilde;o adquiriu a qualidade de  passado nas narrativas dos ex-combatentes. Esta incapacidade de integrar o acontecimento traum&aacute;tico  como parte do passado pessoal e a sua perman&ecirc;ncia na vida ps&iacute;quica (Ferreira, 2003),  espelhada nos nossos resultados, mostra-se em conson&acirc;ncia com o facto de 36% dos sujeitos da nossa  amostra apresentarem sintomas suficientes para lhes ser diagnosticado PTSD (Maia <I>et al.</I>, 2005). </P>     <p>Mas nem s&oacute; de perdas irrepar&aacute;veis e de vulnerabilidades se faz o esp&oacute;lio  de guerra dos ex-combatentes. A outra face da moeda destas guerras coloniais mostra-nos que, em  conson&acirc;ncia com Aldwin, Levenson, e Spiro III (1994) e Fontana e Rosenheck (1998), para  alguns ex-combatentes, esta guerra fomentou o desenvolvimento de uma maior maturidade pessoal.  A propriedade Maturidade Pessoal emergiu a partir das afirma&ccedil;&otilde;es que associam a  guerra ao desenvolvimento de uma personalidade mais resistente e madura; ao desenvolvimento de  uma maior compreens&atilde;o da vida, e da natureza humana; &agrave; tomada de consci&ecirc;ncia  das pr&oacute;prias capacidades e for&ccedil;a pessoal; ao desenvolvimento da autodisciplina e a  uma maior valoriza&ccedil;&atilde;o da vida e parece reflectir crescimento ao n&iacute;vel das  dimens&otilde;es formativa, emocional e &eacute;tica. Estes resultados sugerem alguma proximidade  ao conceito de Crescimento P&oacute;s-Traum&aacute;tico (Amy <I>et al.</I>, 2005; Frazier <I>et al.</I>, 2001,  Frederickson <I>et al.</I>, 2003; Joseph <I>et al.</I>, 2005; Linley &amp; Joseph, 2004, 2005; Powell  <I>et al.</I>, 2003; Tedeschi &amp; Kilmer, 2005; Tedeschi, Park, &amp; Calhoun, 1997).  Poder-se-&aacute; supor que alguns ex-combatentes poder&atilde;o ter conseguido, atrav&eacute;s da  luta/enfrentamento das mem&oacute;rias perturbadoras dos acontecimentos da Guerra Colonial construir  uma narrativa pessoal capaz de conferir sentido a um per&iacute;odo de mudan&ccedil;a das suas vidas  (Neimeyer, Prigerson, &amp; Davies, 2002) e em consequ&ecirc;ncia ter&atilde;o conseguido fomentar  um sentimento de continuidade entre a vida antes e depois da guerra (Tedeschi, 1999). De facto, as  consequ&ecirc;ncias mais positivas da exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; adversidade/trauma relacionam-se  com a capacidade de aprender algo que leve &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o da auto-imagem, da  rela&ccedil;&atilde;o com os outros e das cren&ccedil;as (Sledge <I>et al.</I>, 1980, citado por  Fontana &amp; Rosenheck, 1998; Tedeschi &amp; Calhoun, 1996). Essa narrativa pessoal alterada vai  ao encontro de Maia (2001, p. 187) quando diz que se espera que as pessoas saud&aacute;veis &ldquo;mudem  ao longo das suas experi&ecirc;n-cias de interac&ccedil;&atilde;o com diferentes pessoas em diferentes  contextos&rdquo; e faz-nos repensar Lobo Antunes (1979) quando o autor afirma que <I>Quem esteve aqui  (i.e., guerra colonial) n&atilde;o consegue voltar o mesmo... </I></P>     <p>E &eacute; exactamente de mudan&ccedil;a ao n&iacute;vel da percep&ccedil;&atilde;o do eu,  da rela&ccedil;&atilde;o com os outros e da filosofia de vida (i.e., crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico)  que nos falam Tedeschi, Park, e Calhoun (1997) ao afirmarem que algumas pessoas conseguem atingir um  n&iacute;vel de funcionamento f&iacute;sico, social e psicol&oacute;gico superior ao que apresentavam  antes de terem sido desafiadas a enfrentar a disson&acirc;ncia cognitiva provocada por acontecimentos  altamente perturbadores como &eacute; o caso da viol&ecirc;ncia de guerra. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Concluindo, o nosso trabalho &eacute; francamente explorat&oacute;rio e como tal poder&aacute;  ter algum m&eacute;rito mas tamb&eacute;m limita&ccedil;&otilde;es. Pensamos que o seu valor reside  no facto de, atrav&eacute;s de uma metodologia qualitativa, nos ter permitido perceber que  os ex-combatentes da guerra colonial foram capazes de construir significados m&uacute;ltiplos  para as suas experi&ecirc;ncias de guerra. A guerra enquanto Experi&ecirc;ncia ou a guerra enquanto  Esp&oacute;lio tanto se pode revestir de grandes decep&ccedil;&otilde;es/perdas como de  satisfa&ccedil;&atilde;o/benef&iacute;cios. </P>     <p>Quanto &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es patentes neste trabalho, salientamos o desafio/dificuldade  de utilizar a metodologia da <I>Grounded Theory </I>com dados t&atilde;o parcos como as afirma&ccedil;&otilde;es  de resposta a uma &uacute;nica quest&atilde;o. Por vezes o conte&uacute;do das afirma&ccedil;&otilde;es  parecia-nos amb&iacute;guo ou incompleto e n&atilde;o nos era poss&iacute;vel recolher dados  adicionais. No sentido de minimizar esta limita&ccedil;&atilde;o encontra-se em curso um estudo  aprofundado com a aplica&ccedil;&atilde;o da <I>Grounded Theory </I>a entrevistas de hist&oacute;rias  de vida dos ex-combatentes com o objectivo de perceber se existir&atilde;o de facto diferen&ccedil;as  nas modalidades de atribui&ccedil;&atilde;o de significados &agrave;s viv&ecirc;ncias de guerra entre  os ex-combatentes com e sem perturba&ccedil;&otilde;es psicopatol&oacute;gicas e se em alguns  poderemos identificar resili&ecirc;ncia e/ou crescimento p&oacute;s-traum&aacute;tico. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      <p>Aldwin, C. M., Levenson, R.M., &amp; Spiro III (1994). Vulnerability and resilience to  combate exposure: Can stress have lifelong effects? <I>Psychology and Aging</I>, 9, 34-44. </P>      <p>Amy, L. A.I., Cascio, T., Stangelo, L.K., &amp; Campbell, T. E. (2005). Hope, meaning,  and growth following the september 11, 2001, terrorist attacks. <I>Journal of Interpersonal  Violence</I>, <I>20, </I>523-548. </P>      <p>Antunes, A. L. (1979). <I>Mem&oacute;ria de elefante</I>. Porto: Editora D. Quixote.</P>       <P>Antunes, A.L. (1979). <I>Os cus de judas</I>. Porto: Editora D. Quixote. </P>      <p>Bonanno, G. A. (2004). Loss, trauma, and human resilience &ndash; Have we understimated  the human capacity to thrive after extremely aversive events? <I>American Psychologist, 59, </I>20-28.</P>       <P>Bramsen, I., van der Ploeg, H.M., van der Kamp, L. J. Th., &amp; Ad&egrave;rc, H.J. (2001).  Exposure to traumatic war events and neuroticism: The mediating role of attributing meaning.  <I>Personality and Individual Differences</I>, <I>32, </I>747-760.</P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Calhoun, L. G., &amp; Tedeschi, R. G. (1998). Posttraumatic Growth: Future Directions.  In R. Tedeschi &amp; L. Calhoun (Eds.), Posttraumatic Growth: Positive Changes in the Aftermath  of Crisis (pp. 215-240). Mahwah, NJ: Lawrence Earlbaum Associates. </P>      <p>Calhoun, L., &amp; Tedeschi, R. (2001). 	Meaning reconstruction and the experience of loss.  Washington, DC: American Psychological Association. </P>      <P>Caplan, G. (1964). <I>Principles of preventive psychiatry</I>. New York: Basic Books. </P>      <p>Charmaz, K. (2003). Grounded Theory. In J. A. Smith (Ed.), <I>Qualitative psychology &ndash;  A practical guide to research methods </I>(pp. 81-109)<I>. </I>London: SAGE Publications. </P>      <p>Davies, C.G., Nolen-Hoeksema, S., &amp; Larson, J. (1998). Making sense of loss and benefiting  from experience: Two construals of meaning. <I>Journal of Personality and Social Psychology</I>,  <I>75</I>, 561-574. </P>      <p>Fernandes, E. M., &amp; Maia, A. (2001). Grounded Theory. In E. Fernandes &amp; L. Almeida (Eds.),  <I>M&eacute;todos e t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o: Contributos para a pr&aacute;tica  e investiga&ccedil;&atilde;o </I>(pp. 49-76). Braga: CEEP-UM. </P>      <p>Ferreira, J. M. (2003). Trauma e coping: Natureza e curso de um processo. In M. G. Pereira  &amp; J. M. Ferreira (Eds.), <I>Stress traum&aacute;tico </I>(1.&ordf; ed., pp. 55-90). Lisboa:  Climepsi Editores. </P>      <p>Fontana, E., &amp; Rosenheck, R. (1998). Psychological benefits and liabilities of traumatic  exposure in war zone. <I>Jounal of Traumatic Stress, 11, </I>485-505. </P>      <p>Franckl, V.E. (1963). <I>Man&acute;s search for meaning</I>. New York: Pocket Books. </P>      <p>Frazier, P., Amy, C., &amp; Glasser T. (2001). Positive and negative life changes  following sexual assault. <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 69, </I> 1048-1055. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fredrickson, B. L., Tugade, M. M., Waugh, C.E., &amp; Larkin, G. L. (2003). What good are  positive emotions in crises? A prospective study of resilience and emotions following the terrorist  attacks on the united states on september 11th, 2001. <I>Journal of Personality and Social Psychology</I>,  <I>84, </I>365-376. </P>      <p>Glaser, B., &amp; Strauss, A. (1967). <I>The discovery of Grounded Theory: Strategies for  qualitative research</I>. New York: Aldine de Gruyter. </P>      <p>Joseph, S., &amp; Linley, P. A. (2005). Positive adjustment to threatening events: An organismic  valuing theory of growth through adversity. <I>Review of General Psychology</I>, <I>9, </I>262-280. </P>      <p>Joseph, S., Linley, P. A., Andrews, L., Harris, G., Howle, B., Woodward, C., &amp; Shevlin, M. (2005).  Assessing positive and negative changes in the aftermath of adversity: Psychometric evaluation of  changes in outlook questionaire. <I>Psychological Assessment</I>, <I>17</I>, 70-80. </P>      <p>Lev-Wiesel, R., &amp; Amir, M. (2003). Posttraumatic growth among holocaust child survivors.  <I>Journal of Loss and Trauma, 8, </I>229-237. </P>      <p>Linley, P. A., &amp; Joseph, S. (2004). Positive change following trauma and adversity.  <I>Journal of Traumatic Stress, 17, </I>11-21. </P>      <p>Linley, P. A., &amp; Joseph, S. (2005). The human capacity for growth through    adversity. <I>American Psychologist, 60</I>, 262-264. Retirado em 12 de Outubro    de 2005 de <a href="http://www.psychiatrictimes.com/home" target="_blank">http://www.psychiatrictimes.com</a>  </P>      <!-- ref --><p>Maia, A. (2001). Abuso sexual na inf&acirc;ncia: A reconstru&ccedil;&atilde;o depois do trauma.  <I>Psicologia: Teoria, Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica, 2</I>, 347-357. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000610&pid=S0870-8231200800040000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Maia, A., McIntyre, T., Pereira, G., &amp; Fernandes, E. M., (2005). <I>Factores preditores de  PTSD, problemas de sa&uacute;de f&iacute;sica e psicol&oacute;gica, ajustamento familiar, laboral.  </I>Relat&oacute;rio n&atilde;o publicado, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da  Universidade do Minho, Braga. </P>      <p>Neimeyer, R., Prigerson, H. G., &amp; Davies, B. (2002). Mourning and meaning. <I>American  Behavioral Scientist, 46</I>, 235-251. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nunes, L. A. S. (1999). <I>O sentido de coer&ecirc;ncia: Operacionaliza&ccedil;&atilde;o de  um conceito que influencia a sa&uacute;de mental e a qualidade de vida. </I>Lisboa:  Universidade Nova de Lisboa. </P>      <p>O&rsquo;Leary, V. E, Aldway, C. S., &amp; Ickovics, J. (1998). Models of life change  and postraumatic growth. In R. Tedeschi, G. Park, &amp; L. G. Calhoun (Eds.), <I>Posttraumatic growth:  Positive changes in aftermath of crisis </I>(pp. 127-151). New Jersey: Library of Congress  Catolinging-in-Publication Data. </P>      <p>Park, C. L., Cohen, L. H., &amp; Hunt, R. L. (1996). Assessment and prediction of  stress related growth. <I>Journal of Personality, 64, </I>71-105. </P>      <p>Pires, A. (2001). <I>Crian&ccedil;as e pais em risco</I>. Lisboa: ISPA. </P>      <p>Powell, S., Rosner, R., Butollo, W., Tedeschi, R. G., &amp; Calhoun, L. G. (2003). Posttraumatic  growth after war: A study with former refugees and displaced people in sarajevo. <I>Journal of Clinical  Psychology, 59, </I>71-83. </P>      <!-- ref --><p>Quintais, L. (2000). Liminaridade e metamorfose: Uma reflex&atilde;o antropol&oacute;gica  sobre a desordem psiqui&aacute;trica. <I>An&aacute;lise Social, 153</I>, 985-1005. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000618&pid=S0870-8231200800040000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Seligman, M. E. P. M., Steen, T., Park, N., &amp; Peterson, C. (2005). Positive psychology  progress &ndash; Empirical validations of interventions<I>. American Psychologist</I>, <I>60</I>,  410-421. </P>      <p>Stein, L. A., Tran, G. Q., Lund, M. L., Haji, U., Dashevsky, B. A., &amp; Baker., D. G. (2005).  Correlates for posttraumatic stress disorder in Gulf war veterans: A retrospective study of main  and moderating effects. <I>Journal of Anxiety Disorders</I>, <I>19</I>, 861-876. </P>      <p>Strauss, A., &amp; Corbin, J. (1990, 1st ed.; 1998, 2nd ed.). <I>Basic of qualitative research  &ndash; Techniques and procedures for developing grounded theory. </I>Thousands Oaks: Sage Publications. </P>      <p>Tedeschi, R. (1999). Violence transformed: Post-traumatic growth in survivors and their societies.  <I>Agression and Violent Behavior, 4, </I>319-341. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tedeschi, R. G., &amp; Calhoun, L.G. (1996). The posttraumatic growth inventory: Measuring the  positive legacy of trauma. <I>Journal of Traumatic Stress, 9, </I>455-471. </P>      <p>Tedeschi, R., &amp; Calhoun, L. (2005). Posttraumatic growth: A new perspective    on psychotraumatology. <I>Psychiatric Times</I>, <I>21</I>(4), 58-60. Retirado    em 20 de Outubro de 2005 de <a href="http://www.psychiatrictimes.com/home" target="_blank">http://www.psychiatrictimes.com</a>.  </P>      <p>Tedeschi, R. G., &amp; Kilmer, R. P. (2005). Assessing strengths, resilience, and growth to guide  clinical interventions. <I>Professional Psychology: Research and Practice</I>, <I>36, </I>230-237. </P>      <p>Tedeschi, R. G., Park., C. L., &amp; Calhoun, L. G. (1997). <I>Posttraumatic growth: Positive  changes in aftermath of crisis. </I>New Jersey: Library of Congress Catolinging-in-Publication Data. </P>      <p>Tugade, M., &amp; Fredrickson, B. L. (2004). Resilient individuals use positive experiences to bounce  back from negative emotional experiences. <I>Journal of Personality and Social Psychology</I>, <I>86, </I>320-333. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o    e Psicologia da Universidade do Minho, Braga. </P>     <p>Este estudo foi financiado pela FCT &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e  Tecnologia (POCTI &ndash; SFRH/BD/21990/ 2005). </P>     <p>Agradecemos &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Veteranos de Guerra &ndash; APVG  o apoio na recolha de dados. </P>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Maia]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Abuso sexual na infância: A reconstrução depois do trauma.]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Teoria, Investigação e Prática]]></source>
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<surname><![CDATA[Quintais]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Liminaridade e metamorfose: Uma reflexão antropológica sobre a desordem psiquiátrica.]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>2000</year>
<volume>153</volume>
<page-range>985-1005</page-range></nlm-citation>
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