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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Caracterização psicológica de uma amostra forense de abusadores sexuais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article the authors investigated the characteristics of the psychological profiles of 41 child sex offenders (age range=17-43 years; mean age=43 years) placed in state prisons. The Millon Clinical Multiaxial Inventory II (Millon, 1987) and some descriptive variables (e.g., victim’s sex and age, sexual behaviors) were used. The results showed a wide range of possible psychological profiles, some more frequent than others, which don’t corroborate the existence of a single typical psychological profile. The results put in question the use of psychological evaluations as juridical evidence.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Abusadores sexuais]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Sexual offenders]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Caracteriza&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica de uma amostra forense de abusadores sexuais</B></p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right">Pedro Santos Pechorro (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)  </P>     <p align="right">Carlos Poiares (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>) </P>     <p align="right">Rui Xavier Vieira (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>) </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESUMO </P>      <p>Na presente investiga&ccedil;&atilde;o procedeu-se &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica  de 41 abusadores sexuais (leque et&aacute;rio=17-73 anos; <I>M</I>=43 anos) actualmente detidos em  estabelecimentos prisionais recorrendo ao <I>Millon Clinical Multiaxial Inventory II </I>(Millon, 1987)  e a algumas vari&aacute;veis classificativas (e.g., idade das v&iacute;timas, comportamentos sexuais  praticados). Os resultados demonstraram uma grande multiplicidade de perfis psicol&oacute;gicos  poss&iacute;veis, alguns dos quais mais frequentes do que outros, o que n&atilde;o corrobora a  exist&ecirc;ncia dum perfil t&iacute;pico e estereotipado para abusadores sexuais. Os resultados  p&otilde;em em causa o valor da avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica enquanto prova jur&iacute;dica  no caso concreto da identifica&ccedil;&atilde;o de abusadores sexuais. </P>      <p><I>Palavras-chave: </I>Abusadores sexuais, Avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, Comportamentos  sexuais, Pedofilia. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">ABSTRACT </P>      <p>In this article the authors investigated the characteristics of the psychological profiles  of 41 child sex offenders (age range=17-43 years; mean age=43 years) placed in state prisons.  The Millon Clinical Multiaxial Inventory II (Millon, 1987) and some descriptive variables (e.g.,  victim&rsquo;s sex and age, sexual behaviors) were used. The results showed a wide range of possible  psychological profiles, some more frequent than others, which don&rsquo;t corroborate the existence  of a single typical psychological profile. The results put in question the use of psychological  evaluations as juridical evidence. </P>      <p><I>Key words: </I>Pedophylia, Psychological evaluation, Sexual behaviours, Sexual offenders. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Pesquisas cient&iacute;ficas indicam que cerca de uma em cada quatro mulheres e um em  cada oito homens foram sexualmente abusados na inf&acirc;ncia (e.g., Finkelhor <I>et al.</I>, 1990,  cit. por Porter, Fairweather, Drugge, Herv&eacute;, Birt, &amp; Boer, 2002). Os abusadores sexuais  de crian&ccedil;as t&ecirc;m sido tradicionalmente retratados perante o p&uacute;blico em geral como  indiv&iacute;duos psicologicamente doentes (geralmente psic&oacute;ticos, psicopatas ou introvertidos)  que actuam como predadores desenfreados de crian&ccedil;as. Tal estere&oacute;tipo &eacute; provavelmente  originado pela extensa cobertura medi&aacute;tica dos casos mais aberrantes e chocantes para a opini&atilde;o  p&uacute;blica. Em parte devido a estes casos, t&ecirc;m sido efectuados uma quantidade de estudos sobre  o perfil psicopatol&oacute;gico dos abusadores sexuais de crian&ccedil;as. </P>     <p>Mohr, Turner, e Jerry (1964, cit. por Quinsey &amp; Lalumi&egrave;re, 2001) efectuaram uma  investiga&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica na d&eacute;cada de 60 na qual avaliaram 55 abusadores  sexuais de crian&ccedil;as referenciados pelos tribunais. Estes autores evidenciaram que os abusadores  sexuais de crian&ccedil;as raramente sofriam de perturba&ccedil;&atilde;o psic&oacute;tica e n&atilde;o  eram nem menos inteligentes nem menos escolarizados que a popula&ccedil;&atilde;o geral. O seu estatuto  profissional e trabalho tamb&eacute;m nada tinham de invulgar. Verificou-se sim uma tend&ecirc;ncia ao  isolamento do contacto social adulto e &agrave; presen&ccedil;a de perturba&ccedil;&atilde;o de personalidade.  Investiga&ccedil;&otilde;es recentes baseadas no DSM-IV (American Psychiatric Association, 1996; e.g.,  Raymond, Coleman, Ohlerking, Christenson, &amp; Miner, 1999) confirmam que raramente &eacute;  encontrada perturba&ccedil;&atilde;o psic&oacute;tica nos abusadores de crian&ccedil;as, apesar de  lhes serem frequentemente diagnosticadas perturba&ccedil;&otilde;es do humor, perturba&ccedil;&otilde;es  da ansiedade e perturba&ccedil;&otilde;es do abuso de subst&acirc;ncias (especialmente &aacute;lcool). </P>     <p>&Agrave; medida que a sofistica&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o em abusos sexuais  de crian&ccedil;as foi aumentando passou-se a recorrer cada vez mais &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o  psicol&oacute;gica e psicofisiol&oacute;gica (Seto, 2004). Segundo Chantry e Craig (1994) a  avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica forense em abusadores sexuais de crian&ccedil;as pode ter  v&aacute;rios objectivos: (1) avaliar a compet&ecirc;ncia do arguido em ser julgado ou como auxiliar  de uma defesa de alega&ccedil;&atilde;o de insanidade; (2) definir as necessidades espec&iacute;ficas  do arguido relativamente a servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental tanto dentro como fora da  institui&ccedil;&atilde;o penal; (3) prever reincid&ecirc;ncia futura, especificamente no que diz  respeito a recomenda&ccedil;&otilde;es de liberdade condicional; e (4) investigar diferen&ccedil;as  b&aacute;sicas entre subgrupos de arguidos. </P>     <p>O <I>Minnesota Multiphasic Personality Inventory </I>(MMPI; Butcher, Dahlstrom, Graham,  Tellegen, &amp; Kaemmer, 1999) tem sido o teste psicol&oacute;gico mais utilizado na avalia&ccedil;&atilde;o  psicol&oacute;gica e investiga&ccedil;&atilde;o de abusadores sexuais de crian&ccedil;as. O MMPI &eacute;  melhor conceptualizado como uma medida geral de psicopatologia do que como uma medida de personalidade.  Em geral, os abusadores de crian&ccedil;as tendem a ter uma pontua&ccedil;&atilde;o mais alta na escala  de desvio psicop&aacute;tico, e os indiv&iacute;duos mais violentos e os abusadores de crian&ccedil;as  mais reincidentes tendem a pontuar secundariamente na escala de esquizofrenia (Quinsey &amp;  Lalumi&egrave;re, 2001). Todavia, este padr&atilde;o de resposta n&atilde;o parece ser unicamente  espec&iacute;fico dos abusadores de crian&ccedil;as, sendo comum entre outros tipos de agressores, e  tende efectivamente a desaparecer quando se utilizam os controlos adequados (Okami &amp; Goldberg,  1992; Quinsey &amp; Lalumi&egrave;re, 2001). </P>     <p>Langevin <I>et al. </I>(1985, cit. por Okami &amp; Goldberg, 1992) utilizaram o MMPI  para avaliar abusadores de crian&ccedil;as exclusivamente homossexuais e heterossexuais.  Os abusadores homossexuais de crian&ccedil;as, quando comparados com n&atilde;o-abusadores,  apresentavam um perfil emocionalmente perturbado, pontuando mais alto nas escalas de depress&atilde;o,  esquizofrenia, desvio psicop&aacute;tico, paran&oacute;ia, e introvers&atilde;o social.  Os abusadores heterossexuais de crian&ccedil;as exibiram um perfil &ldquo;tenso,&rdquo; pontuando  alto na escala de hipocondria e nas escalas que mediam timidez e reserva, mas diferiram dos  abusadores homossexuais de crian&ccedil;as apenas no serem menos conservadores. Tamb&eacute;m  apresentavam evid&ecirc;ncias de perturba&ccedil;&atilde;o emocional. Os casos de incesto, em  contraste, pareciam emocionalmente mais est&aacute;veis que os outros grupos, mas eram menos assertivos.  Nenhum dos grupos de abusadores de crian&ccedil;as obteve pontua&ccedil;&otilde;es altas em feminilidade,  o que confirma que os abusadores de crian&ccedil;as e os n&atilde;o-abusadores n&atilde;o diferem  quanto &agrave; identidade de g&eacute;nero feminina. </P>     <p>A validade do MMPI relativamente ao planeamento de tratamento e predi&ccedil;&atilde;o de  reincid&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; encorajante (Hanson &amp; Bussi&egrave;re, 1998). Hall (1989), por exemplo, n&atilde;o encontrou qualquer diferen&ccedil;a nos perfis do MMPI entre os v&aacute;rios  subgrupos de abusadores de crian&ccedil;as (incestuosos <I>vs. </I>extra-familiares, agressivos <I>vs.  </I>n&atilde;o-agressivos, homossexuais <I>vs. </I>heterossexuais, prefer&ecirc;ncia por v&iacute;tima  pr&eacute;-pubere <I>vs. </I>prefer&ecirc;ncia por v&iacute;tima p&uacute;bere). Todavia, devido a que uma certa propor&ccedil;&atilde;o de abusadores de crian&ccedil;as demonstram ter perturba&ccedil;&otilde;es  psicol&oacute;gicas, o MMPI pode ser &uacute;til em certos casos para avaliar como certos aspectos da  psicopatologia podem estar relacionados com as caracter&iacute;sticas de abuso de certos indiv&iacute;duos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <I>Psychopathy Checklist-Revised </I>(PCL-R; Hare, 2004) &eacute; um instrumento psicom&eacute;trico  promissor no campo da avalia&ccedil;&atilde;o de abusadores sexuais. Porter, Fairweather, Drugge, Herv&eacute;,  Birt, e Boer (2002) utilizaram o PCL-R com uma amostra de 329 reclusos canadianos, dos quais 228 a  cumprir pena por pelo menos um crime sexual. A amostra foi dividida em sub-grupos: abusador extra-familiar,  abusador intra-familiar, abusador intra- e extra-familiar, violador, abusador-violador, e criminoso  n&atilde;o sexual. Os resultados demonstraram que os grupos de abusadores de crian&ccedil;as tinham as  taxas de psicopatia mais baixas, os violadores e os criminosos n&atilde;o sexuais tinham taxas moderadamente altas,  enquanto que a taxa mais alta de psicopatia foi encontrada no grupo abusador-violador. Este estudo  corroborou o que j&aacute; outros (e.g., Forth &amp; Kroner, 1995, cit. Porter <I>et al.</I>, 2002; Serin  <I>et al.</I>, 1994, cit. Porter <I>et al.</I>, 2002) haviam demonstrado, nomeadamente a presen&ccedil;a de  baixas taxas de psicopatia em abusadores exclusivos de crian&ccedil;as quando comparados com violadores e  com a popula&ccedil;&atilde;o prisional em geral. </P>     <p>Um outro instrumento psicom&eacute;trico promissor na avalia&ccedil;&atilde;o de abusadores  sexuais de crian&ccedil;as &eacute; o <I>Millon Clinical Multiaxial Inventory </I>(MCMI; Choca  &amp; Van Denburg, 1997; Groth-Marnat, 2003; Millon, 1987). O MCMI &eacute; um question&aacute;rio  de auto-resposta estandardizado que avalia um largo espectro de informa&ccedil;&atilde;o relacionado  com a personalidade do indiv&iacute;duo e o seu ajustamento emocional. Tem a vantagem de ser um dos  raros testes que se foca simultaneamente em perturba&ccedil;&otilde;es da personalidade e em s&iacute;ndromas  cl&iacute;nicos, tendo sido demonstrado que a sua validade factorial se mant&eacute;m em amostras forenses  (e.g., Ownby <I>et al.</I>, 1990, 1991, cit. Chantry &amp; Craig, 1994). </P>     <p>Bard e Knight (1987, cit. por Millon, 1987) utilizaram o MCMI para avaliar 101 sujeitos  condenados por ofensas sexuais repetitivas, violentas e/ou compulsivas. Focando-se apenas nas  escalas de personalidade b&aacute;sicas (1-8), o perfil geral para a amostra foi Antisocial-Narcissico-Histri&oacute;nico  (654). Todavia, recorrendo-se a uma an&aacute;lise de <I>clusters </I>surgiram quatro subgrupos distintos.  O primeiro subgrupo, em que se distinguiu o perfil Evitante-Esquiz&oacute;ide-Dependente (213), era  constitu&iacute;do por indiv&iacute;duos de QI tendencialmente baixo condenados por viola&ccedil;&atilde;o  de mulheres e por abuso de crian&ccedil;as. O segundo subgrupo, caracterizado pelo perfil  Narcissico-Antisocial-Histri&oacute;nico (564), era principalmente constitu&iacute;do por violadores de mulheres. O terceiro subgrupo obteve pontua&ccedil;&otilde;es elevadas nas escalas Antisocial e  Passivo-agressivo e era caracterizado pelos actos agressivos e pelo abuso de &aacute;lcool e drogas.  O quarto subgrupo era caracterizado pela aus&ecirc;ncia de eleva&ccedil;&otilde;es no MCMI, sendo  constitu&iacute;do por indiv&iacute;duos com uma hist&oacute;ria familiar menos problem&aacute;tica,  que aparentavam estar a compensar sentimentos de inadequa&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; sua masculinidade,  e que agiam de forma premeditada (n&atilde;o-impulsiva). </P>     <p>Chantry e Craig (1994) utilizaram o MCMI num grupo de 603 reclusos subdivididos em  abusadores sexuais de crian&ccedil;as (<I>n</I>=201), violadores de mulheres (<I>n</I>=195) e  criminalidade n&atilde;o-sexual (<I>n</I>=205). O objectivo do estudo consistiu em determinar se  o MCMI seria capaz de distinguir diferen&ccedil;as de personalidade entre os tr&ecirc;s grupos. Os  resultados demonstraram que o estilo de personalidade dos abusadores de crian&ccedil;as era mais  dependente e emocionalmente desligado, mas tamb&eacute;m era emocionalmente mais l&aacute;bil com  ansiedade e depress&atilde;o, que o estilo de personalidade dos violadores e os criminosos n&atilde;o-sexuais.  Estes dois &uacute;ltimos grupos eram mais narc&iacute;sicos e tinham menos perturba&ccedil;&atilde;o  psicol&oacute;gica que os abusadores de crian&ccedil;as. Todavia, tanto os abusadores de crian&ccedil;as  como os violadores de mulheres eram mais passivo-agressivos. Estes autores conclu&iacute;ram, em conson&acirc;ncia  com numerosos estudos anteriores (e.g., Kalichman, 1990, cit. por Chantry &amp; Craig, 1994), que os violadores  de mulheres eram mais semelhantes em termos de estrutura de personalidade aos criminosos n&atilde;o-sexuais  que aos abusadores sexuais de crian&ccedil;as. </P>     <p>Pode-se concluir que os abusadores sexuais de crian&ccedil;as presos demonstram ter n&iacute;veis  relativamente altos de psicopatologia, nomeadamente uma maior perturba&ccedil;&atilde;o emocional,  depend&ecirc;ncia, timidez, introvers&atilde;o e tendem a responder de uma forma mais reservada que  os homens da popula&ccedil;&atilde;o normal. A psicopatia, se presente, &eacute; um forte preditor  de elevada perigosidade do indiv&iacute;duo, embora n&atilde;o seja consensual que seja preditor forte  da reincid&ecirc;ncia relativamente a crimes sexuais (e.g., Porter <I>et al.</I>, 2002; Quinsey &amp;  Lalumi&egrave;re, 2001) dada a rela&ccedil;&atilde;o complexa existente entre psicopatia e crimes sexuais.  N&atilde;o &eacute; actualmente claro se estas caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas s&atilde;o  atribu&iacute;veis, pelo menos em parte, &agrave;s vicissitudes da reclus&atilde;o dos arguidos dado q ue raramente os abusadores sexuais de crian&ccedil;as foram comparados com grupos controlo adequados,  nomeadamente criminosos n&atilde;o-sexuais da mesma institui&ccedil;&atilde;o (Okami &amp; Goldberg,  1992; Quinsey &amp; Lalumi&egrave;re, 2001; Seto, 2004). </P>     <p>O objectivo da presente investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; identificar diferen&ccedil;as no  estilo de personalidade de abusadores sexuais de crian&ccedil;as portugueses e verificar a sua  consist&ecirc;ncia com as caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas demonstradas nos estudos internacionais,  recolhendo tamb&eacute;m informa&ccedil;&atilde;o sobre as caracter&iacute;sticas do tipo de abuso que cometeram. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">M&Eacute;TODO </P>      <p><I>Participantes </I></P>      <p>A amostra foi obtida em meio prisional (amostra forense), intencionalmente de conveni&ecirc;ncia,  e ficou constitu&iacute;da por 41 homens (<I>N</I>=41) com uma idade m&eacute;dia de 43 anos (leque  et&aacute;rio=17-73 anos; <I>M</I>=42.78; <I>DP</I>=14.12). O estado civil dos reclusos obtido foi  39% solteiros, 7.3% uni&atilde;o-de-facto, 31.7% casados, 19.5% separados/divorciados, e 2.4% vi&uacute;vos.  A ra&ccedil;a dos reclusos obtida foi de 92.7% brancos e 7.3% negros. A escolaridade dos reclusos obtida  foi de 29.3% com o primeiro ciclo do ensino b&aacute;sico, 31.7% com o segundo ciclo do ensino b&aacute;sico,  19.5% com o terceiro ciclo do ensino b&aacute;sico, 9.8% com o ensino secund&aacute;rio, e 9.7% com  bacharelato ou licenciatura. A escolaridade m&eacute;dia foi de 8 anos (<I>M</I>=7.61; <I>DP</I>=3.88). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Instrumentos </I></P>      <p>O question&aacute;rio iniciou-se com um termo de consentimento informado que explica o  prop&oacute;sito geral da investiga&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>Seguidamente surgia um question&aacute;rio demogr&aacute;fico com as seguintes quest&otilde;es:  Idade, Estado civil actual, Ra&ccedil;a ou grupo &eacute;tnico, Grau de escolaridade, e Profiss&atilde;o. </P>     <p>Finalmente surgia o instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o da personalidade escolhido para  esta investiga&ccedil;&atilde;o, nomeadamente o <I>Millon Clinical Multiaxial Inventory-II </I> (MCMI-II; Choca &amp; Van Denburg, 1997; Groth-Marnat, 2003; Millon, 1987), que, como j&aacute;  foi referido, &eacute; um question&aacute;rio de auto-resposta estandardizado que avalia um largo  espectro de informa&ccedil;&atilde;o relacionado com a personalidade do indiv&iacute;duo e o seu  ajustamento emocional. Na presente investiga&ccedil;&atilde;o foi utilizada uma tradu&ccedil;&atilde;o  elaborada pela equipa do Prof. Dr. Branco Vasco da Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da  Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa. </P>     <p>O MCMI-II &eacute; composto por 175 itens que constituem 26 escalas divididas nas seguintes categorias:  &Iacute;ndices Modificadores (<I>Validity Index</I>, <I>Disclosure Index</I>, <I>Desirability Index</I>,  <I>Debasement Index</I>), Padr&otilde;es de Personalidade Cl&iacute;nicos (<I>Schizoid</I>, <I>Avoidant</I>,  <I>Dependent</I>, <I>Histrionic</I>, <I>Narcissistic</I>, <I>Antisocial</I>, <I>Aggressive-Sadistic</I>,  <I>Compulsive</I>, <I>Passive-Aggressive</I>, <I>Self-Defeating</I>), Patologia de Personalidade Grave  (<I>Schizotypal</I>, <I>Borderline</I>, <I>Paranoid</I>), S&iacute;ndromas Cl&iacute;nicas (<I>Anxiety  Disorder</I>, <I>Somatoform Disorder</I>, <I>Bipolar-Manic Disorder</I>, <I>Dysthymic Disorder</I>,  <I>Alcohol Disorder</I>, <I>Drug Dependence</I>), e S&iacute;ndromas Graves (<I>Thought Disorder</I>,  <I>Major Depression</I>, <I>Delusional Disorder</I>). </P>     <p>O MCMI-II tem a vantagem de ser um dos raros testes que se foca simultaneamente em perturba&ccedil;&otilde;es  da personalidade e em s&iacute;ndromas cl&iacute;nicos, tendo sido demonstrado que a sua validade factorial  se mant&eacute;m em amostras forenses (e.g., Ownby <I>et al.</I>, 1990, 1991, cit. Chantry &amp; Craig, 1994).  As normas utilizadas s&atilde;o as da aferi&ccedil;&atilde;o norte-americana, dado que, tal como para  a grande maioria dos question&aacute;rios de personalidade, n&atilde;o existe aferi&ccedil;&atilde;o portuguesa.  Foi utilizado o respectivo programa inform&aacute;tico para cota&ccedil;&atilde;o dos protocolos  tamb&eacute;m elaborado pela equipa do Prof. Dr. Branco Vasco da Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias  da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa. </P>     <p>Adicionalmente, foi elaborada uma ficha de recolha de dados que procurou explorar uma s&eacute;rie  de vari&aacute;veis pertinentes para a classifica&ccedil;&atilde;o dos abusadores e para a  caracteriza&ccedil;&atilde;o do tipo de abuso. A ficha come&ccedil;a com um item referente ao  n&uacute;mero conhecido de v&iacute;timas. Seguidamente operacionalizam-se os comportamentos  sexuais efectuados com a(s) v&iacute;tima(s), tendo estes sido divididos em: Car&iacute;cias,  <I>Frottage </I>(ro&ccedil;ar os genitais na v&iacute;tima), Sexo oral, Sexo vaginal, e Sexo anal. </P>     <p>Na operacionaliza&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel &ldquo;Maturidade da(s) v&iacute;tima(s)  (pr&eacute;-p&uacute;bere <I>vs. </I>p&uacute;bere)&rdquo; foram consideradas pr&eacute;-p&uacute;beres  v&iacute;timas menores de 14 anos, conforme o Art. 172.&ordm; do C&oacute;digo Penal, e  v&iacute;timas p&uacute;beres menores entre 14 anos e 16 anos, conforme o Art. 174.&ordm; do  C&oacute;digo Penal (Albuquerque, 2006). </P>     <p>Na operacionaliza&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel &ldquo;Sexo da(s) v&iacute;tima(s)  (orienta&ccedil;&atilde;o heterossexual <I>vs. </I>homos-sexual do abusador)&rdquo; considerou-se  a exist&ecirc;ncia de abusadores heterossexuais exclusivos, homossexuais exclusivos, e bissexuais  (v&iacute;timas de ambos os sexos). </P>     <p>Na operacionaliza&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel &ldquo;Parentesco biol&oacute;gico  com a(s) v&iacute;tima(s) (incestuoso <I>vs. </I>extra-familiar)&rdquo; considerou-se incestuoso  quando existia parentesco biol&oacute;gico com a v&iacute;tima, extra-familiar quando n&atilde;o  existia (e.g., padrasto que abusa filha da esposa &eacute; considerado extra-familiar). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na operacionaliza&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel &ldquo;Utiliza&ccedil;&atilde;o de  agress&atilde;o f&iacute;sica (agressivo <I>vs. </I>n&atilde;o-agressivo)&rdquo; considerou-se o a busador agressivo quando este utilizou viol&ecirc;ncia f&iacute;sica para concretizar o abuso. </P>      <p><i>Procedimentos</i></p>      <p>Foi obtida junto da Direc&ccedil;&atilde;o Geral dos Servi&ccedil;os Prisionais    a necess&aacute;ria autoriza&ccedil;&atilde;o para efectuar a presente investiga&ccedil;&atilde;o    em v&aacute;rios estabelecimentos prisionais da zona da grande Lisboa. Recolheram-se    question&aacute;rios no Estabelecimento Prisional de Lisboa, Estabelecimento    Prisional junto &agrave; Pol&iacute;cia Judici&aacute;ria de Lisboa e Estabelecimento    Prisional da Carregueira. Na <a href="#t1">Tabela 1</a><a name="topt1"></a>    temos dados sobre a participa&ccedil;&atilde;o dos reclusos por Estabelecimento    Prisional (EP): </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt1">TABELA 1</a><a name="t1"></a> </P>      <p align="center"><I>Aplica&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rios </I></P>     <div align="center">   <table width="50%" border="1">     <tr>        <td width="9%">Local</td>       <td width="21%">    <div align="center">N&atilde;o participaram</div></td>       <td width="15%">    <div align="center">Participaram</div></td>       <td width="27%">    <div align="center">Question&aacute;rios inv&aacute;lidos</div></td>       <td width="28%">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">Question&aacute;rios utiliz&aacute;veis</div></td>     </tr>     <tr>        <td>EPL</td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>       <td>    <div align="center">0</div></td>       <td>    <div align="center">3</div></td>     </tr>     <tr>        <td>EPLJL</td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">7</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">6</div></td>     </tr>     <tr>        <td>EPC</td>       <td>    <div align="center">14</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">33</div></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>       <td>    <div align="center">32</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Total</td>       <td>    <div align="center">15</div></td>       <td>    <div align="center">43</div></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>       <td>    <div align="center">41</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p align="center"><I>Legenda: EPL</I>=Estabelecimento Prisional de Lisboa; <I>EPPJL</I>=    Estabelecimento Prisional Instalado Junto &agrave; Pol&iacute;cia Judici&aacute;ria    de Lisboa; <I>EPC=</I>Estabelecimento Prisional da Carregueira. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>O question&aacute;rio foi aplicado individualmente a cada recluso, estando o investigador  sempre presente para esclarecer qualquer d&uacute;vida que pudesse surgir. A taxa total de participa&ccedil;&atilde;o  foi de 74.14%. Os dois motivos alegados pelos reclusos para a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o  foram o desinteresse (10 reclusos) e o analfabetismo (5 reclusos). Os dois question&aacute;rios  exclu&iacute;dos foram considerados inv&aacute;lidos devido aos valores obtidos nos respectivos  &iacute;ndices modificadores. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Da amostra final cerca de 75% dos reclusos j&aacute; haviam sido condenados, e cerca de 25%  aguardavam julgamento em pris&atilde;o preventiva. Devido &agrave; exist&ecirc;ncia de presos  preventivos nem sempre foi poss&iacute;vel recolher informa&ccedil;&atilde;o precisa sobre os  factos dos quais os detidos estavam acusados. </P>     <p>Recorrendo ao programa inform&aacute;tico <I>SPSS for Windows V. 14 </I>foram efectuadas as e stat&iacute;sticas descritivas para as vari&aacute;veis demogr&aacute;ficas, para as escalas do  MCMI-II obtidas ap&oacute;s cota&ccedil;&atilde;o inform&aacute;tica, e para as vari&aacute;veis de  classifica&ccedil;&atilde;o de abusadores sexuais e comportamentos sexuais. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESULTADOS </P>      <p>Na <a href="#t2">Tabela 2</a><a name="topt2"></a> temos a pontua&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dia e o desvio-padr&atilde;o para cada das escalas cl&iacute;nicas    do MCMI-II. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt2">TABELA 2 </a><a name="t2"></a></P>     <p align="center"><I>Pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia e desvio-padr&atilde;o    por escala </I></P>      <div align="center">   <table width="50%" border="1">     <tr>        <td width="14%">Escalas</td>       <td width="43%">&nbsp;</td>       <td width="16%">    <div align="center">M&eacute;dia</div></td>       <td width="27%">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">Desvio-padr&atilde;o</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>1</i></td>       <td><i>Schizoid</i></td>       <td>    <div align="center">70.78</div></td>       <td>    <div align="center">19.14</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>2</i></td>       <td><i>Avoidant</i></td>       <td>    <div align="center">73.20</div></td>       <td>    <div align="center">26.18</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>3</i></td>       <td><i>Dependent</i></td>       <td>    <div align="center">75.10</div></td>       <td>    <div align="center">25.39</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>4</i></td>       <td><i>Histrionic</i></td>       <td>    <div align="center">61.49</div></td>       <td>    <div align="center">13.33</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>5</i></td>       <td><i>Narcissistic</i></td>       <td>    <div align="center">69.22</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">17.15</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>6A</i></td>       <td><i>Antisocial</i></td>       <td>    <div align="center">63.02</div></td>       <td>    <div align="center">23.71</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>6B</i></td>       <td><i>Aggressive-Sadistic</i></td>       <td>    <div align="center">59.32</div></td>       <td>    <div align="center">19.23</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>7</i></td>       <td><i>Compulsive</i></td>       <td>    <div align="center">74.73</div></td>       <td>    <div align="center">16.56</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>8A</i></td>       <td><i>Passive-Aggressive</i></td>       <td>    <div align="center">55.34</div></td>       <td>    <div align="center">27.76</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>8B</i></td>       <td><i>Self-Defeating</i></td>       <td>    <div align="center">69.51</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">24.41</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>S</i></td>       <td><i>Schizotypal</i></td>       <td>    <div align="center">69.27</div></td>       <td>    <div align="center">20.52</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>C</i></td>       <td><i>Borderline</i></td>       <td>    <div align="center">63.46</div></td>       <td>    <div align="center">20.92</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>P</i></td>       <td><i>Paranoid</i></td>       <td>    <div align="center">68.20</div></td>       <td>    <div align="center">10.75</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>A</i></td>       <td><i>Anxiety Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">69.85</div></td>       <td>    <div align="center">25.14</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>H</i></td>       <td><i>Somatoform Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">57.85</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">17.45</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>N</i></td>       <td><i>Bipolar; Manic Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">56.56</div></td>       <td>    <div align="center">10.61</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>D</i></td>       <td><i>Dysthymic Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">64.98</div></td>       <td>    <div align="center">28.80</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>B</i></td>       <td><i>Alcohol Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">61.51</div></td>       <td>    <div align="center">23.77</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>T</i></td>       <td><i>Drug Dependence</i></td>       <td>    <div align="center">59.90</div></td>       <td>    <div align="center">17.93</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>SS</i></td>       <td><i>Thought Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">61.88</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">13.31</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>CC</i></td>       <td><i>Major Depression</i></td>       <td>    <div align="center">60.63</div></td>       <td>    <div align="center">13.31</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>PP</i></td>       <td><i>Delusional Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">63.51</div></td>       <td>    <div align="center">13.35</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>&nbsp;</p>      <p>Como se pode verificar, as quatro escalas mais elevadas s&atilde;o, respectivamente,  a <I>3 Dependent </I>(Dependente), <I>7 Compulsive </I>(Compulsivo), <I>2 Avoidant </I>(Evitante),  e <I>1 Schizoid </I>(Esquiz&oacute;ide), todas elas pertencentes &agrave; categoria Padr&otilde;es  de Personalidade Cl&iacute;nicos. Dentro da categoria Patologia da Personalidade Grave salienta-se  a eleva&ccedil;&atilde;o relativa da escala <I>S Schizotypal </I>(Esquiz&oacute;tipico).  Dentro da categoria S&iacute;ndromas Cl&iacute;nicas salienta-se a eleva&ccedil;&atilde;o  relativa da escala <I>A Anxiety Disorder </I>(Perturba&ccedil;&atilde;o da Ansiedade). Dentro  da categoria S&iacute;ndromas Graves salienta-se a eleva&ccedil;&atilde;o relativa da escala  <I>PP Delusional Disorder </I>(Perturba&ccedil;&atilde;o Delirante). De notar que apenas a escala  3 Dependente, pertencente &agrave; categoria Padr&otilde;es de Personalidade Cl&iacute;nicos,  atingiu o ponto de corte definido para a valida&ccedil;&atilde;o norte-americana (<I>BR</I>&ge;75). </P>     <p>Na <a href="#f1">Figura 1</a><a name="topf1"></a> temos a representa&ccedil;&atilde;o    gr&aacute;fica da Como se pode verificar, a frequ&ecirc;ncia m&aacute;xima pontua&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dia por escala.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topf1">FIGURA 1</a><a name="f1"></a> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b>Pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia por escala </b></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/aps/v26n4/26n4a07f1.gif"> </div>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Na <a href="#t3">Tabela 3</a><a name="topt3"></a> temos a frequ&ecirc;ncia    com que, para toda a amostra, cada escala ultrapassou o ponto de corte definido    para a valida&ccedil;&atilde;o norte-americana <I>BR</I>&ge;75).</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt3">TABELA 3</a><a name="t3"></a></P>      <p align="center"><I>Frequ&ecirc;ncia por escala de ultrapassagem do ponto de    corte BR</I>&ge;75</p>     <div align="center">   <table width="50%" border="1">     <tr>        <td colspan="2">Escalas</td>       <td>    <div align="center">BR</I>&ge;75</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>1</i></td>       <td><i>Schizoid</i></td>       <td>    <div align="center">18</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>2</i></td>       <td><i>Avoidant</i></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">20</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>3</i></td>       <td><i>Dependent</i></td>       <td>    <div align="center">26</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>4</i></td>       <td><i>Histrionic</i></td>       <td>    <div align="center">6</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>5</i></td>       <td><i>Narcissistic</i></td>       <td>    <div align="center">16</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>6A</i></td>       <td><i>Antisocial</i></td>       <td>    <div align="center">8</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>6B</i></td>       <td><i>Aggressive-Sadistic</i></td>       <td>    <div align="center">9</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>7</i></td>       <td><i>Compulsive</i></td>       <td>    <div align="center">23</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>8A</i></td>       <td><i>Passive-Aggressive</i></td>       <td>    <div align="center">10</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>8B</i></td>       <td><i>Self-Defeating</i></td>       <td>    <div align="center">15</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>S</i></td>       <td><i>Schizotypal</i></td>       <td>    <div align="center">10</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>C</i></td>       <td><i>Borderline</i></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">7</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>P</i></td>       <td><i>Paranoid</i></td>       <td>    <div align="center">5</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>A</i></td>       <td><i>Anxiety Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">22</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>H</i></td>       <td><i>Somatoform Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>N</i></td>       <td><i>Bipolar; Manic Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">1</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>D</i></td>       <td><i>Dysthymic Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">20</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>B</i></td>       <td><i>Alcohol Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">11</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>T</i></td>       <td><i>Drug Dependence</i></td>       <td>    <div align="center">4</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>SS</i></td>       <td><i>Thought Disorder</i></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>CC</i></td>       <td><i>Major Depression</i></td>       <td>    <div align="center">2</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>PP</i></td>       <td><i>Delusional Disorder</i></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">5</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>&nbsp;</p>      <p>Como se pode verificar, a frequencia maxima encontra-se na escala 3 (Dependent) (26 sujeitos ultrapassam <i>BR</i>&ge;75), e a frequencia minima encontra-se nas escalas <i>H Somatoform Disorder</i> (Perturbacao Somatoforme) e <i>N Bipolar: Manic Disorder</i> (Perturbacao Bipolar: Mania) (1 sujeito ultrapassa <i>BR</i>&ge;.75). Todas as escalas e todos os sujeitos obtiveram pelo menos uma elevacao BR.75.</p>     <p>Relativamente as variaveis de classificacao de abusadores sexuais, os dados obtidos quanto ao numero conhecido de vitimas de cada abusador variaram entre um minimo de 1 vitima e um maximo de 8 vitimas  (M=2.05; DP=1.80).</p>     <p>Em termos da variavel &#34;Maturidade da(s) vitima(s) (pre-pubere vs. pubere)&#34;,    verifica-se que a grande maioria dos abusadores dos abusadores molestaram exclusivamente    vitimas prépúberes (vd. <a href="#t4">Tabela 4</a><a name="topt4"></a>).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt4">TABELA 4</a><a name="t4"></a></p>     <P align="center"><i>Maturidade da(s) vítima(s) (pré-púbere</i> vs. <i>púbere</i></P>      <div align="center">   <table width="60%" border="1">     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center">V&iacute;timas pr&eacute;-p&uacute;beres</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">V&iacute;timas p&uacute;beres</div></td>       <td>    <div align="center">Ambas</div></td>       <td>    <div align="center">Omisso</div></td>     </tr>     <tr>        <td>    <div align="left">Maturidade</div></td>       <td>    <div align="center">71.4%</div></td>       <td>    <div align="center">16.7%</div></td>       <td>    <div align="center">9.5%</div></td>       <td>    <div align="center">2.4%</div></td>     </tr>   </table> </div>      <p>&nbsp;</p>      <p>Relativamente à variável "Sexo da(s) vítima(s) (orientação sexual do abusador)",    verifica-se que a maioria dos abusadores molestaram exclusivamente vítimas do    sexo feminino (vd. <a href="#t5">Tabela 5</a><a name="topt5"></a>). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt5">TABELA 5</a><a name="t5"></a> </P>     <p align="center"><I>Sexo da(s) v&iacute;tima(s) (orienta&ccedil;&atilde;o sexual    do abusador)</I></P>      <div align="center">   <table width="60%" border="1">     <tr>        <td width="24%">&nbsp;</td>       <td width="15%">    <div align="center">Feminino</div></td>       <td width="17%">    <div align="center">Masculino</div></td>       <td width="27%">    <div align="center">Ambos os sexos</div></td>       <td width="17%">    <div align="center">Omisso</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Sexo da v&iacute;tima</td>       <td>    <div align="center">54.8%</div></td>       <td>    <div align="center">26.2%</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">14.3%</div></td>       <td>    <div align="center">4.8%</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>&nbsp;</p>      <p>No que diz respeito &agrave; vari&aacute;vel &ldquo;Parentesco biol&oacute;gico    com a(s) v&iacute;tima(s) (incestuoso <I>vs. </I>extra-familiar)&rdquo;, verifica-se    que os abusadores que molestaram exclusivamente v&iacute;timas de tipo extra-familiar    foram um pouco mais numerosos do que os que molestaram exclusivamente v&iacute;timas    de tipo incestuoso (vd. <a href="#t6">Tabela 6</a><a name="topt6"></a>). No    que concerne &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de parentesco biol&oacute;gico    encontraram-se rela&ccedil;&otilde;es diversas em que o abusador tinha o papel    de pai, av&ocirc;, tio, primo ou irm&atilde;o. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt6">TABELA 6</a><a name="t6"></a> </P >     <p align="center"><I>Parentesco biol&oacute;gico com a(s) v&iacute;tima(s) (incestuoso    vs. extra-familiar) </I></P>     <div align="center">   <table width="60%" border="1">     <tr>        <td width="24%">&nbsp;</td>       <td width="15%">    <div align="center">Incestuoso</div></td>       <td width="17%">    <div align="center">Extra-familiar</div></td>       <td width="27%">    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">Ambas</div></td>       <td width="17%">    <div align="center">Omisso</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Parentesco</td>       <td>    <div align="center">40.5%</div></td>       <td>    <div align="center">47.6%</div></td>       <td>    <div align="center">2.4%</div></td>       <td>    <div align="center">9.5%</div></td>     </tr>   </table> </div>      <p>&nbsp;</p>      <p>Quanto &agrave; vari&aacute;vel &ldquo;Utiliza&ccedil;&atilde;o de agress&atilde;o    f&iacute;sica (agressivo <I>vs. </I>n&atilde;o-agressivo)&rdquo;, verifica-se    que a maioria foram considerados abusadores n&atilde;o-violentos (vd. <a href="#t7">Tabela    7</a><a name="topt7"></a>). </P>       <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt7">TABELA 7</a><a name="t7"></a> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>Utiliza&ccedil;&atilde;o de agress&atilde;o f&iacute;sica    (agressivo vs. n&atilde;o-agressivo) </I></P>     <div align="center">   <table width="60%" border="1">     <tr>        <td>&nbsp;</td>       <td>    <div align="center">Agressivo</div></td>       <td>    <div align="center">N&atilde;o-agressivo</div></td>       <td>    <div align="center">Omisso</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Agress&atilde;o f&iacute;sica</td>       <td>    <div align="center">23.8%</div></td>       <td>    <div align="center">61.9%</div></td>       <td>    <div align="center">14.3%</div></td>     </tr>   </table> </div>      <p>&nbsp;</P>      <p>Relativamente aos comportamentos sexuais efectuados pelos abusadores com as    v&iacute;timas raparigas verifica-se que o mais praticado foi as Car&iacute;cias,    seguidas pela <I>Frottage </I>e pelo Sexo vaginal (vd. <a href="#t8">Tabela    8</a><a name="topt8"></a>). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt8">TABELA 8</a><a name="t8"></a> </P >     <p align="center"><I>Comportamentos sexuais com v&iacute;timas raparigas </I></P>      <div align="center">   <table width="65%" border="1">     <tr>        <td>Comportamentos</td>       <td>    <div align="center">Efectuaram</div></td>       <td>    <div align="center">N&atilde;o efectuaram</div></td>       <td>    <div align="center">Omisso</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Car&iacute;cias</td>       <td>    <div align="center">56.5%</div></td>       <td>    <div align="center">34.8%</div></td>       <td>    <div align="center">8.7%</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>Frottage</i></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">47.8%</div></td>       <td>    <div align="center">43.5%</div></td>       <td>    <div align="center">8.7%</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Sexo oral</td>       <td>    <div align="center">26.1%</div></td>       <td>    <div align="center">65.2%</div></td>       <td>    <div align="center">8.7%</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Sexo vaginal</td>       <td>    <div align="center">47.8%</div></td>       <td>    <div align="center">43.5%</div></td>       <td>    <div align="center">8.7%</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Sexo anal</td>       <td>    <div align="center">4.3%</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">87%</div></td>       <td>    <div align="center">8.7%</div></td>     </tr>   </table> </div>      <p>&nbsp;</p>      <p>Relativamente aos comportamentos sexuais efectuados pelos abusadores com as    v&iacute;timas rapazes verifica-se que o mais praticado foi o Sexo anal, seguido    pelas Car&iacute;cias (vd. <a href="#t9">Tabela 9</a><a name="topt9"></a>).  </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a href="#topt9">TABELA 9</a><a name="t9"></a> </P >     <p align="center"><I>Comportamentos sexuais com v&iacute;timas rapazes </I></P>      <div align="center">   <table width="65%" border="1">     <tr>        <td>Comportamentos</td>       <td>    <div align="center">Efectuaram</div></td>       <td>    <div align="center">N&atilde;o efectuaram</div></td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">Omisso</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Car&iacute;cias</td>       <td>    <div align="center">45.5%</div></td>       <td>    <div align="center">36.4%</div></td>       <td>    <div align="center">18.2%</div></td>     </tr>     <tr>        <td><i>Frottage</i></td>       <td>    <div align="center">27.3%</div></td>       <td>    <div align="center">54.5%</div></td>       <td>    <div align="center">18.2%</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Sexo oral</td>       <td>    <div align="center">27.3%</div></td>       <td>    <div align="center">54.5%</div></td>       <td>    <div align="center">18.2%</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Sexo vaginal</td>       <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>       <td>    <div align="center">-</div></td>     </tr>     <tr>        <td>Sexo anal</td>       <td>    <div align="center">72.7%</div></td>       <td>    <div align="center">9.1%</div></td>       <td>    <div align="center">18.2%</div></td>     </tr>   </table> </div>     <p>Utilizou-se o teste exacto de Fisher para verificar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as  quanto aos comportamentos sexuais efectuados pelos abusadores nas v&iacute;timas raparigas e rapazes.  Nos comportamentos Car&iacute;cias, <I>Frottage</I>, e Sexo oral n&atilde;o foram encontrados  efeitos estatisticamente significativos. Para o comportamento Sexo vaginal foram encontrados  os &oacute;bvios e esperados efeitos estatisticamente significativos [Fisher (2-<I>sided</I>),  <I>p</I>&le;.05] favor&aacute;veis ao grupo das v&iacute;timas raparigas. Para o comportamento  Sexo anal foram encontrados efeitos estatisticamente significativos [Fisher (2-<I>sided</I>),  <I>p</I>&lt;.001] favor&aacute;veis ao grupo das v&iacute;timas rapazes. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">DISCUSS&Atilde;O </P>      <p>No MCMI-II pudemos verificar que as escalas mais elevadas se encontravam na categoria  Padr&otilde;es de Personalidade Cl&iacute;nicos. As escalas das restantes categorias &ndash;  Patologia da Personalidade Grave, S&iacute;ndromas Cl&iacute;nicas e S&iacute;ndromas Graves  &ndash; encontraram-se consideravelmente menos elevadas (<I>BR</I>&ge;70). Estes dados s&atilde;o  compat&iacute;veis com os estudos que revelam a predomin&acirc;ncia de perturba&ccedil;&otilde;es  da personalidade sobre as perturba&ccedil;&otilde;es de s&iacute;ndromas cl&iacute;nicas (e.g.,  perturba&ccedil;&atilde;o psic&oacute;tica) nas amostras de abusadores sexuais de crian&ccedil;as. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dentro da categoria Padr&otilde;es de Personalidade Cl&iacute;nicos verific&aacute;mos que  as escalas mais elevadas foram respectivamente: 3 Dependente, 7 Compulsivo, 2 Evitante, e 1  Esquiz&oacute;ide. Tal &eacute; consistente com os estudos que demonstraram a presen&ccedil;a de  alguns desses estilos de personalidade (e.g., Bard &amp; Knight, 1987, cit. Millon, 1987; Chantry  &amp; Craig, 1994). A excep&ccedil;&atilde;o foi para a escala 7 Compulsivo. De salientar que na  generalidade n&atilde;o se encontraram eleva&ccedil;&otilde;es proeminentes das escalas relativas  aos construtos <I>6A Antisocial </I>(Anti-social), <I>D Dysthymic Disorder </I>(Perturba&ccedil;&atilde;o  Distimica), <I>A Anxiety Disorder </I>(Perturba&ccedil;&atilde;o da Ansiedade), e <I>B Alcohol Disorder </I> (Perturba&ccedil;&atilde;o Alco&oacute;lica) relatadas por alguns estudos. </P>     <p>&Eacute; de salientar a grande diversidade de perfis obtidos dado que todos os sujeitos obtiveram  pelo menos uma eleva&ccedil;&atilde;o (<I>BR</I>&ge;75) numa das escalas. Os resultados permitem-nos  concluir que, apesar de certos perfis serem mais frequentes, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel excluir  <I>a priori </I>um dado perfil de personalidade como n&atilde;o pertencendo ao grupo dos abusadores sexuais.  Tal coloca seriamente em causa o valor da avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica enquanto prova  jur&iacute;dica nos casos de abuso sexual de crian&ccedil;as. Okami e Goldberg (1992), na sua revis&atilde;o  de literatura, j&aacute; haviam ali&aacute;s alertado contra a ideia de exist&ecirc;ncia dum perfil  de personalidade &ldquo;t&iacute;pico&rdquo; relativamente a abusadores sexuais. </P>     <p>Relativamente &agrave;s vari&aacute;veis de classifica&ccedil;&atilde;o dos abusadores sexuais e  do tipo de abuso sexual verific&aacute;mos que cada abusador da nossa amostra molestou em m&eacute;dia  duas crian&ccedil;as. Na quest&atilde;o do sexo e da maturidade das v&iacute;timas comprov&aacute;mos  a tend&ecirc;ncia descrita por Gomes e Coelho (2003) de a maioria das v&iacute;timas serem meninas e  de serem pr&eacute;-p&uacute;beres. Na quest&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o de agress&atilde;o  f&iacute;sica comprov&aacute;mos (indirectamente) a tend&ecirc;ncia descrita por Gomes e Coelho (2003)  de haver um menor n&iacute;vel de agress&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as mais novas (a maioria da  nossa amostra foi constitu&iacute;da por crian&ccedil;as pr&eacute;-p&uacute;beres e apenas uma minoria  de abusadores utilizou agress&atilde;o f&iacute;sica). </P>     <p>Na quest&atilde;o da tend&ecirc;ncia a que o abuso fosse maioritariamente intra-familiar  n&atilde;o se verificou a tend&ecirc;ncia descrita por Gomes e Coelho (2003), o que pode  eventualmente ser explicado por quest&otilde;es metodol&oacute;gicas (e.g., operacionaliz&aacute;mos  a vari&aacute;vel intra-familiar restringindo-a exclusivamente a parentesco biol&oacute;gico). </P>     <p>Relativamente &agrave; quest&atilde;o dos comportamentos sexuais praticados pelos abusadores  tamb&eacute;m se comprovou a tend&ecirc;ncia descrita por Gomes e Coelho (2003) de n&atilde;o  haver diferen&ccedil;as, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o sexo da v&iacute;tima, quanto a  certos comportamentos (e.g., car&iacute;cias), mas hav&ecirc;-las quanto a outros comportamentos  (e.g., sexo anal). Efectivamente n&atilde;o encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as estatisticamente  significativas quanto aos comportamentos sexuais Car&iacute;cias, <I>Frottage</I>, e Sexo oral,  mas encontr&aacute;mo-las quanto ao sexo anal (e obviamente ao sexo vaginal). </P>     <p>Devemos salientar algumas limita&ccedil;&otilde;es desta investiga&ccedil;&atilde;o. A nossa  amostra forense n&atilde;o &eacute; homog&eacute;nea dado que 25% dos detidos s&atilde;o preventivos  que aguardam julgamento, n&atilde;o tendo ainda sido juridicamente estabelecida a sua culpa. Devido  &agrave; nossa amostra ser exclusiva-mente forense se deve ter cautela em generalizar os resultados  aos abusadores sexuais existentes na popula&ccedil;&atilde;o geral. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      <!-- ref --><p>Albuquerque, A. (2006). <I>Minorias er&oacute;ticas e agressores sexuais</I>.  Lisboa: Dom Quixote.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000281&pid=S0870-8231200800040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>American Psychiatric Association. (1996). <I>Manual de diagn&oacute;stico  e estat&iacute;stica das perturba&ccedil;&otilde;es mentais </I>(4&ordf; ed.).  Lisboa: Climepsi Editores.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Butcher, J., Dahlstrom, W., Graham, J., Tellegen, A., &amp; Kaemmer, B. (1999).  <I>Manual del Inventario Multif&aacute;sico de Personalidad de Minnesota-2</I>.  Madrid: TEA Ediciones S.A.</P>       <P>Chantry, K., &amp; Craig, R. (1994). Psychological screening of sexually violent  offenders with the MCMI. <I>Journal of Clinical Psychology, 50</I>, 430-435.</P>       <P>Choca, J., &amp; Van Denburg, E. (1997). <I>Interpretative guide to the Millon Clinical  Multiaxial Inventory </I> (2nd ed.). Washington, DC: American Psychological Association. </P>      <p>Groth-Marnat, G. (2003). <I>Handbook of psychological assessment</I>. Hoboken, New Jersey:  John Wiley &amp; Sons, Inc. </P>      <p>Hall, G. (1989). WAIS-R and MMPI profiles of men who have sexually assaulted children:  Evidence of limited validity. <I>Journal of Personality Assessment, 53</I>, 404-412. </P>      <p>Hanson, R., &amp; Bussi&egrave;re, M. (1998). Predicting relapse: A meta-analysis of sexual  offender recidivism studies. <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology, 66</I>, 348-362. </P>      <p>Hare, R. (2004). <I>Hare psychopathy checklist-revised</I>. New York: MHS. </P>      <p>Millon, T. (1987). <I>Millon Clinical Multiaxial Inventory-II</I>. Minneapolis: National Computer Systems, Inc.</P>       <P>Okami, P., &amp; Goldberg, A. (1992). Personality correlates of pedophilia: Are they  reliable indicators? <I>The Journal of Sex Reserch, 29</I>, 297-328.</P>       <P>Porter, S., Fairweather, D., Drugge, J., Herv&eacute;, H., Birt, A., &amp; Boer, D. (2002).  Profiles of psychopathy in incarcerated sexual offenders. In R. Holmes &amp; S. Holmes (Eds.),  <I>Current perspectives on sex crimes </I>(pp. 193-202). Thousand Oaks, California: Sage  Publications, Inc.</P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Quinsey, V., &amp; Lalumi&egrave;re, M. (2001). <I>Assessment of sexual offenders  against children </I>(2nd ed.). Thousand Oaks, California: Sage Publications, Inc.</P>       <P>Raymond, N., Coleman, E., Ohlerking, F., Christenson, G., &amp; Miner, M. (1999).  Psychiatric comorbidity in pedophilic sex offenders. <I>American Journal of Psychiatry , 156</I>,  786-788.</P>       <P>Seto, M. (2004). Pedophilia and sexual offenses against children. <I>Annual Review of  Sex Research, XV</I>, 321-361. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Faculdade de Medicina da Universidade    de Lisboa. </P>     <p>(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades    e Tecnologias </P>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Albuquerque]]></surname>
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<publisher-name><![CDATA[Dom Quixote]]></publisher-name>
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