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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reflexões sobre o pesquisar em psicologia como processo de criação ético, estético e político]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text, based on theoretical-methodological concepts of the description-cultural approach in psychology, presents reflections about the production process of knowledge and defends the thesis that to search is an ethical, esthetic and politician creation process. According with the academic research, some discussions are presented about the process of knowledge production to identify basis of searching that can come to be recognized as common to the different methodological trends in psychology, what is understood as condition for some dialogue could become instituted around the thesis proposed here. These basis are: the importance of the research question; the recognition of complexity of it wants to investigate; the inexorable relation between research question, method and theoretician-epistemological reference; the false dichotomy between research and intervention; the presumption of to search is to create.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Reflex&otilde;es sobre o pesquisar em psicologia como processo de cria&ccedil;&atilde;o &eacute;tico, est&eacute;tico e pol&iacute;tico</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right">Andr&eacute;a Vieira Zanella(<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</P>     <p align="right">Almir Pedro Sais (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">RESUMO </P>      <p>Este texto, fundamentado nos aportes te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos do enfoque  hist&oacute;rico-cultural em psicologia, apresenta reflex&otilde;es sobre o processo de  produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos e defende a tese de que pesquisar &eacute; um processo  de cria&ccedil;&atilde;o &eacute;tico, est&eacute;tico e pol&iacute;tico. Tendo como foco a pesquisa  acad&ecirc;mica, apresentam-se alguns debates sobre o processo de produ&ccedil;&atilde;o de  conhecimentos para identificar fundamentos do pesquisar que podem vir a ser reconhecidos como comuns  &agrave;s diferentes tend&ecirc;ncias metodol&oacute;gicas em psicologia, o que se entende como  condi&ccedil;&atilde;o para que algum di&aacute;logo possa vir a ser institu&iacute;do em torno  da tese aqui apresentada. Esses fundamentos s&atilde;o: a import&acirc;ncia da pergunta de pesquisa;  o reconhecimento da complexidade do que se quer investigar; a inexor&aacute;vel rela&ccedil;&atilde;o  entre pergunta de pesquisa, m&eacute;todo e referencial te&oacute;rico-epistemol&oacute;gico; a falsa  dicotomia entre pesquisa e interven&ccedil;&atilde;o; a assun&ccedil;&atilde;o de que pesquisar &eacute; criar. </P>      <p><I>Palavras-chave: </I>Metodologia, M&eacute;todo, Pesquisa em psicologia, Pr&aacute;tica social  &eacute;tica-est&eacute;tica-pol&iacute;tica. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">ABSTRACT </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>This text, based on theoretical-methodological concepts of the description-cultural approach in  psychology, presents reflections about the production process of knowledge and defends the thesis that  to search is an ethical, esthetic and politician creation process. According with the academic research,  some discussions are presented about the process of knowledge production to identify basis of searching  that can come to be recognized as common to the different methodological trends in psychology, what is  understood as condition for some dialogue could become instituted around the thesis proposed here.  These basis are: the importance of the research question; the recognition of complexity of it wants to  investigate; the inexorable relation between research question, method and theoretician-epistemological  reference; the false dichotomy between research and intervention; the presumption of to search is to create. </P>      <p><I>Key words: </I>Methodology, Method, Research in Psychology, Social practice ethical-esthetic-politician. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P>      <p>Este texto apresenta reflex&otilde;es sobre o pesquisar para alicer&ccedil;ar a tese de que se  trata de um processo de cria&ccedil;&atilde;o que se caracteriza como &eacute;tico, est&eacute;tico  e pol&iacute;tico. </P>     <p>S&atilde;o apresentados alguns debates sobre esse processo de produ&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos  que mobilizam pesquisadores de diferentes &aacute;reas do conhecimento, debates esses que balizam, de certo modo,  os embates e tens&otilde;es entre diferentes enfoques metodol&oacute;gicos em psicologia. Dessa reflex&atilde;o  s&atilde;o identificados fundamentos do pesquisar que podem vir a ser reconhecidos como comuns &agrave;s  diferentes tend&ecirc;ncias metodol&oacute;gicas, o que se apresenta como condi&ccedil;&atilde;o para que  algum di&aacute;logo possa vir a ser institu&iacute;do em torno da tese aqui apresentada. </P>     <p>Inicialmente cabe esclarecer alguns aspectos da produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos    em Psicologia no Brasil para que o leitor possa se situar em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; realidade onde estas reflex&otilde;es se originam. A produ&ccedil;&atilde;o    brasileira de conhecimentos em Psicologia vem sendo incrementada nos &uacute;ltimos    tempos, o que se relaciona diretamente com a expans&atilde;o dos Programas de    P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. &Eacute; express&atilde;o    desse aumento o n&uacute;mero de titulados entre 1996 e 2003 nos Programas de    P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o: o documento de &aacute;rea (Tri&ecirc;nio    2001-2003) da CAPES<Sup><a href="#3">1</a><a name="top3"></a> </Sup>registra    298 mestres e 61 doutores em Psicologia titulados no ano de 1996, n&uacute;mero    que no ano 2003 passa a ser de 810 mestres e 218 doutores em psicologia titulados<Sup><a href="#4">2</a><a name="top4"></a></Sup>.    A produ&ccedil;&atilde;o de artigos publicados em peri&oacute;dicos, por sua    vez, distribui-se por mais de 500 t&iacute;tulos nacionais e estrangeiros, muitos    deles vinculados a outras &aacute;reas de conhecimento. </P>     <p>Al&eacute;m dos Programas de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o, os cursos de Gradua&ccedil;&atilde;o  em Psicologia tamb&eacute;m contribuem para o incremento da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica na  &aacute;rea, em especial os que v&ecirc;m dando &ecirc;nfase &agrave; dimens&atilde;o de pesquisador na  forma&ccedil;&atilde;o profissional. Essa forma&ccedil;&atilde;o acontece em espa&ccedil;os formais,  como as disciplinas de m&eacute;todos e procedimentos de pesquisa, mas tamb&eacute;m e fundamentalmente  em espa&ccedil;os outros em que se investe nas possibilidades de leitura cr&iacute;tica da realidade. </P>     <p>A significativa produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em psicologia no Brasil n&atilde;o &eacute;  acompanhada, com a mesma intensidade, pela divulga&ccedil;&atilde;o de reflex&otilde;es sobre os embates  metodol&oacute;gicos que a caracterizam. &Eacute; prop&oacute;sito deste texto justamente contribuir,  &agrave; luz das reflex&otilde;es te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas do enfoque hist&oacute;rico-cultural  em psicologia, com esse debate. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">SOBRE CI&Ecirc;NCIA(S): ALGUNS APONTAMENTOS PARA IN&Iacute;CIO    DE CONVERSA</P>      <p>Ao refletir sobre o pesquisar no campo da Psicologia, uma primeira quest&atilde;o que se apresenta  diz respeito a poss&iacute;veis especificidades de uma pr&aacute;tica social em um determinado campo  disciplinar: afinal, h&aacute; especificidades no processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos  em Psicologia que diferencie as pesquisas a&iacute; desenvolvidas das realizadas em outros campos disciplinares?  Essa pergunta, por sua vez, remete &agrave; reflex&atilde;o sobre poss&iacute;veis especificidades intradisciplinares,  o que engendra outra pergunta: diferenciam-se as pesquisas psicol&oacute;gicas em contexto de interven&ccedil;&atilde;o,  na doc&ecirc;ncia ou na esfera acad&ecirc;mica? </P>     <p>Estas duas perguntas s&atilde;o consideradas como dispositivos para a reflex&atilde;o    que se apresenta neste texto, a qual se assenta em um debate maior: o processo    de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos, independentemente dos seus fins,    &eacute; sempre e necessariamente marcado pelas tens&otilde;es e os jogos de    poder que caracterizam as rela&ccedil;&otilde;es em diferentes contextos sociais    e que caracterizam a realidade como essencialmente poliss&ecirc;mica, plural    e complexa. Sujeitos e(em) realidade s&atilde;o, na perspectiva do enfoque hist&oacute;rico-cultural    em psicologia adotado neste trabalho, constantemente constitu&iacute;dos, sendo    tudo, todos e cada um, express&atilde;o e fundamento de condi&ccedil;&otilde;es    essencialmente hist&oacute;ricas, marcadas pelas (im)possibilidades de cada    tempo e lugar<Sup><a href="#5">3</a><a name="top5"></a></Sup>. </P>     <p>O n&atilde;o reconhecimento dessa pluralidade, historicidade e complexidade caracterizam uma  hist&oacute;ria da civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental, marcada por fundamentalismos e exerc&iacute;cios  de intoler&acirc;ncia. No que se refere &agrave;s ci&ecirc;ncias, por muitas d&eacute;cadas o debate sobre  o processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos tamb&eacute;m foi marcado pelos mesmos dogmatismos e  intoler&acirc;ncias, o que demarcou limites por vezes intranspon&iacute;veis entre diferentes campos de saber,  geralmente objetivados na cis&atilde;o entre ci&ecirc;ncias da natureza, por um lado, e ci&ecirc;ncias humanas  e sociais, por outro. Essa separa&ccedil;&atilde;o, problematizada por Boaventura de Souza Santos em uma obra  que &eacute; refer&ecirc;ncia em discuss&otilde;es epistemol&oacute;gicas e que foi publicada pela primeira vez  em 1978 (&ldquo;Um discurso sobre as ci&ecirc;ncias&rdquo;), provocou uma s&eacute;rie de acontecimentos e  pol&ecirc;micas que o pr&oacute;prio autor e v&aacute;rios pesquisadores por ele convidados, de diferentes  &aacute;reas de conhecimento, discutem quase 20 anos depois (Souza Santos, 2004). </P>     <p>A &ldquo;Guerra das Ci&ecirc;ncias&rdquo;, modo como o embate ficou conhecido no universo acad&ecirc;mico,  explicitou que &ldquo;as diferen&ccedil;as epistemol&oacute;gicas n&atilde;o ocorriam apenas entre cientistas  naturais e cientistas sociais, mas tamb&eacute;m entre cientistas naturais e entre cientistas sociais, e que  tais diferen&ccedil;as se articulavam de modo complexo com diferen&ccedil;as culturais e pol&iacute;ticas, com  diferentes concep&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre conhecimento cient&iacute;fico e outras  formas de conhecimento&rdquo; (Souza Santos, 2004, p. 25). </P>     <p>Al&eacute;m das discuss&otilde;es epistemol&oacute;gicas, demarcadas por diferentes modos de se conceber sujeito,  validade, possibilidades de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e sua generaliza&ccedil;&atilde;o, as  pol&ecirc;micas eram caracterizadas por intoler&acirc;ncias e pr&aacute;ticas de exclus&atilde;o assentes em  crit&eacute;rios de verdade que assumiam dogmaticamente, por um lado, os preceitos iluministas que fundamentavam as  ci&ecirc;ncias modernas ou, por outro lado, crit&eacute;rios de verdade opostos que negavam peremptoriamente  esses mesmos preceitos. Em uma ou outra perspectiva, o crit&eacute;rio de realidade como verdade era assumido  como fundamento. </P>     <p>Essas oposi&ccedil;&otilde;es apresentaram-se visivelmente no interior das ci&ecirc;ncias humanas e sociais,  demarcando territ&oacute;rios distintos e geralmente excludentes em rela&ccedil;&atilde;o ao modo como se  concebia o processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos. Sob a &eacute;gide do debate, por vezes mais  animoso do que animado, apresentava-se o embate sobre o que se legitimava como conhecimento cient&iacute;fico,  luta em que se procurou impor um determinado modo de fazer ci&ecirc;ncia com argumentos de objetividade,  neutralidade e generalidade. </P>     <p>Um dos modos de objetiva&ccedil;&atilde;o desse embate foi o suposto antagonismo entre pesquisas  quantitativas e qualitativas, sendo as primeiras privilegiadas nas pesquisas das ditas ci&ecirc;ncias naturais,  e as pesquisas qualitativas reconhecidas como pertinentes ao campo das ci&ecirc;ncias humanas e sociais.  Importante ressaltar que estas tamb&eacute;m foram historicamente marcadas pela territorializa&ccedil;&atilde;o  anteriormente referida em raz&atilde;o de muitas de suas pr&aacute;ticas assumirem, sob o mesmo discurso  de cientificidade, os preceitos metodol&oacute;gicos e epistemol&oacute;gicos das ci&ecirc;ncias da natureza. </P>     <p>A estat&iacute;stica foi utilizada como art&iacute;fice da oposi&ccedil;&atilde;o quantitativo/qualitativo  em raz&atilde;o de sua suposta objetividade e precis&atilde;o, fundamentais na busca da dist&acirc;ncia  da polissemia que obnubilava a inteligibilidade das express&otilde;es cient&iacute;ficas. Procedimentos  estat&iacute;sticos, portanto, foram apresentados como instrumentos por excel&ecirc;ncia na produ&ccedil;&atilde;o  de conhecimentos que se pretendiam exatos, precisos, fi&eacute;is &agrave; realidade investigada, enfim,  cient&iacute;ficos. </P>     <p>A exatid&atilde;o estat&iacute;stica, no entanto, pouco serve &agrave;s pretens&otilde;es de verdade  un&iacute;voca e igualmente se apresenta como fal&aacute;cia, assim como a oposi&ccedil;&atilde;o  quantitativo/qualitativo que, por seu interm&eacute;dio, buscou-se afirmar. Estranham Bourdieu, Chamboredon,  e Passeron (2004, p. 20) que &ldquo;a estat&iacute;stica &ndash; ci&ecirc;ncia do erro e do conhecimento  pr&oacute;ximo que, em procedimentos t&atilde;o usuais quanto o c&aacute;lculo do erro ou dos limites  de confian&ccedil;a, coloca em a&ccedil;&atilde;o uma filosofia da vigil&acirc;ncia cr&iacute;tica &ndash;  possa ser utilizada como &aacute;libi cient&iacute;fico da submiss&atilde;o cega ao instrumento&rdquo;. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora se reconhe&ccedil;a o car&aacute;ter hist&oacute;rico da separa&ccedil;&atilde;o quantitativo e  qualitativo, que demarca possibilidades de pesquisa a reivindicar/lutar por espa&ccedil;o em contextos  acad&ecirc;micos e verbas junto &agrave;s inst&acirc;ncias de fomento, entende-se que necess&aacute;rio se  faz superar falsas oposi&ccedil;&otilde;es e reconhecer as contribui&ccedil;&otilde;es de diferentes modos de  produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos. Afinal, a realidade n&atilde;o fala por si s&oacute; e todo  n&uacute;mero &ndash; apresentado como &iacute;cone das pesquisas quantitativas &ndash; &eacute; sempre e  necessariamente express&atilde;o de uma qualidade que precisa ser explicitada. A oposi&ccedil;&atilde;o  quantitativo/qualitativo &eacute;, nesse sentido, falaciosa e mant&ecirc;-la significa reproduzir dicotomias  que marcam o pensamento ocidental e pouco revela sobre a diversidade que caracteriza a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia. </P>     <p>Toda homogeneiza&ccedil;&atilde;o precisa ser problematizada, pois uniformizar diferen&ccedil;as que  demarcam singularidades no processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos &ndash; tanto no que se refere  &agrave;s ferramentas a serem utilizadas para a coleta de informa&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lise de dados,  quanto na assun&ccedil;&atilde;o dos resultados da&iacute; advindos &ndash; oblitera a possibilidade de olhar  criticamente o que se faz e diz, assim como s&atilde;o dificultadas as condi&ccedil;&otilde;es para engendrar  pr&aacute;ticas criativas necess&aacute;rias &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de respostas para os complexos  problemas sociais que contemporaneamente se apresentam. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">PESQUISA ACAD&Ecirc;MICA EM PSICOLOGIA: FUNDAMENTOS COMUNS? </P>      <p>A pesquisa em contextos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o ou institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa  tem por compromisso a produ&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos, de novas explica&ccedil;&otilde;es  sobre a ou compreens&otilde;es da realidade, explica&ccedil;&otilde;es/compreens&otilde;es essas que  necessariamente se assentam sobre o que j&aacute; foi dito ou sobre os n&atilde;o ditos, sobre os  sil&ecirc;ncios e omiss&otilde;es que tamb&eacute;m requerem atualiza&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>&ldquo;Novo&rdquo; aqui pode ser entendido tanto como a explicita&ccedil;&atilde;o de algo at&eacute;  ent&atilde;o desconhecido, portanto in&eacute;dito, original, quanto a apresenta&ccedil;&atilde;o de uma  nova faceta/uma nova leitura sobre algo h&aacute; muito tempo estudado e cuja familiaridade cega para o  que pode vir a ser (re)conhecido. Em qualquer das situa&ccedil;&otilde;es, o conhecimento sobre o dito e o  n&atilde;o dito &eacute; condi&ccedil;&atilde;o <I>sine qua non </I>para o pesquisar, a base sobre a qual  se assentam as reflex&otilde;es a serem produzidas. </P>     <p>A pesquisa acad&ecirc;mica caracteriza-se, pois, pelo di&aacute;logo estabelecido com a realidade  e com a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, com o que se fala em seu nome e o uso que dela se  faz. Poderia-se dizer que, de modo geral, a pesquisa em psicologia &eacute; assim delimitada na medida  em que aquilo que se investiga &eacute; atinente &agrave; ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, aos seus focos  de estudo: maiores especifica&ccedil;&otilde;es, por sua vez, implicam em riscos na medida em que n&atilde;o  se caracteriza como ci&ecirc;ncia singular. Seus dilemas s&atilde;o os mesmos que concernem &agrave;s  ci&ecirc;ncias em geral, assim como sua hist&oacute;ria &eacute; marcada pelas rela&ccedil;&otilde;es de  for&ccedil;a e tens&otilde;es caracter&iacute;sticas dos momentos hist&oacute;ricos em que se insere. </P>     <p>Se h&aacute;, por sua vez, compromisso com a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia e seu desenvolvimento, toda  e qualquer pesquisa em psicologia, para al&eacute;m da diversidade epistemol&oacute;gica em que pode se assentar,  responde a inquieta&ccedil;&otilde;es que marcam o status do processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos,  com suas implica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas. A intera&ccedil;&atilde;o & eacute; uma constante, seja com a realidade (re)conhecida ou com os muitos interlocutores que caracterizam  a civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental da qual se &eacute; signat&aacute;rio. Nessa complexa e intrincada rede  de rela&ccedil;&otilde;es, com suas influ&ecirc;ncias e press&otilde;es variadas, as uniformidades s&atilde;o  poucas e as exig&ecirc;ncias muitas, nem sempre reveladas. </P>     <p>Dif&iacute;cil pensar, nessa condi&ccedil;&atilde;o, em fundamentos que possam ser comuns &agrave;s  pesquisas e suas diferentes pr&aacute;ticas. Esse exerc&iacute;cio de identifica&ccedil;&atilde;o de  conson&acirc;ncias, por&eacute;m, &eacute; importante, pois quando se nega a possibilidade de reconhecimento  de afinidades, de pontos de refer&ecirc;ncia em comum ainda que destes possam decorrer explica&ccedil;&otilde;es  variadas, qui&ccedil;&aacute; opostas, o di&aacute;logo &eacute; imposs&iacute;vel, as trocas ficam obliteradas,  negadas. Negadas tal como acontece no di&aacute;logo verbal de surdos relatado por Vigotski (1992), onde tr&ecirc;s  deficientes auditivos defendem veementemente seus pontos de vista, sem se dar conta de que falam sobre assuntos  diferentes. Para que n&atilde;o continuem surdos e cegos &agrave;s diferen&ccedil;as, para que algum di&aacute;logo  possa acontecer, &eacute; preciso (re)conhecer aspectos de interesse comum &agrave;s diferentes pr&aacute;ticas  em pesquisa que permitam instituir a pr&oacute;pria interlocu&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>Que fundamentos podem ser esses que, ao mesmo tempo, reconhe&ccedil;am/preservem    as especificidades dos diferentes m&eacute;todos<Sup><a href="#6">4</a><a name="top6"></a>    </Sup>de pesquisa em psicologia e viabilizem algum di&aacute;logo? Como reconhec&ecirc;-los    sem recair em discursos normatizadores, discursos esses que afirmam dire&ccedil;&otilde;es    un&iacute;vocas para o pesquisar e se traduzem em manuais onde a produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos &eacute; reduzida &agrave; seq&uuml;&ecirc;ncia de passos a    serem seguidos? </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Procura-se apresentar aqui algumas respostas para essas perguntas. Respostas provis&oacute;rias, por certo,  e que s&atilde;o somente anunciadas, pois cada uma delas demanda uma complexa reflex&atilde;o que se estende  para al&eacute;m dos limites desse texto. Ousa-se apresent&aacute;-las com a pretens&atilde;o de contribuir  para o di&aacute;logo sobre o pesquisar e como suporte para a defesa desse processo como cria&ccedil;&atilde;o  &eacute;tica, est&eacute;tica e pol&iacute;tica. </P>      <p><I>1) Toda e qualquer pesquisa parte de uma pergunta que se quer responder </I></P>      <p>Como afirma S&eacute;rgio Luna (2000), &ldquo;a realidade n&atilde;o se mostra    a quem n&atilde;o pergunta&rdquo;. Afirma-se que ela tampouco se esconde, por&eacute;m    a assertiva deste autor &eacute; apresentada porque revela a possibilidade de    exist&ecirc;ncia humana como mera passagem, uma exist&ecirc;ncia cuja cotidianidade    e garantia da sobreviv&ecirc;ncia imediata se apresentam como suficientes. Por&eacute;m,    &eacute; facultado ao ser humano, enquanto caracter&iacute;stica de sua pr&oacute;pria    humaniza&ccedil;&atilde;o, superar o existente e projetar-se em dire&ccedil;&atilde;o    a devires, instituir rela&ccedil;&otilde;es outras que se diferenciem das rela&ccedil;&otilde;es    utilit&aacute;rias e impessoais que caracterizam a sociedade capital&iacute;stica<Sup><a href="#7">5</a><a name="top7"></a></Sup>.    Essas rela&ccedil;&otilde;es outras s&atilde;o fundamentalmente rela&ccedil;&otilde;es    est&eacute;ticas<Sup><a href="#8">6</a><a name="top8"></a></Sup>, pautadas em    uma sensibilidade que revela a cada um e a todos a riqueza de ser ao mesmo tempo    uno e coletivo, de ser express&atilde;o e fundamento da realidade. Sensibilidade    que se funda na possibilidade de reinven&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria    exist&ecirc;ncia, problematizada e problematizadora, supera&ccedil;&atilde;o    do fato, do dado. </P>     <p>Nesse sentido, &eacute; preciso (re)aprender a olhar, a admirar e, fundamentalmente,    a perguntar, a questionar, a problematizar. Em pesquisa, perguntar &eacute;    fundamental, uma tarefa primeira e dif&iacute;cil, pois h&aacute; que se considerar    de certa forma v&aacute;rios aspectos: se essa mesma pergunta j&aacute; n&atilde;o    foi feita e, em caso afirmativo, analisar a qualidade da(s) resposta(s) que    foi(foram) produzida(s); as condi&ccedil;&otilde;es que se t&ecirc;m para respond&ecirc;-la;    as possibilidades de respostas para esta pergunta, considerando suas implica&ccedil;&otilde;es    &eacute;ticas<Sup><a href="#9">7</a><a name="top9"></a></Sup>. </P>     <p>Apontar esses aspectos n&atilde;o significa que boas perguntas se caracterizem pelo grau de dificuldade na  sua compreens&atilde;o. Ao contr&aacute;rio, Souza Santos (2003, p. 15) prop&otilde;e que &ldquo;&eacute; preciso  voltar &agrave;s coisas simples, &agrave; capacidade de formular perguntas simples, perguntas que, como Einstein  costumava dizer, s&oacute; uma crian&ccedil;a pode fazer, mas que, depois de feitas, s&atilde;o capazes de trazer  uma luz nova &agrave; nossa perplexidade&rdquo;. </P>     <p>Perguntas, por sua vez, indicam escolhas, e em pesquisa essas se relacionam com o referencial te&oacute;rico  de base de quem questiona, com os seus valores e concep&ccedil;&otilde;es de mundo, escolhas essas que apontam  alguns caminhos a serem trilhados para a produ&ccedil;&atilde;o de respostas. Por sua vez, &eacute; importante  destacar que esse mesmo referencial de base permite problematizar explica&ccedil;&otilde;es j&aacute;  consolidadas, verdades supostas, ou ent&atilde;o reafirm&aacute;-las, posi&ccedil;&otilde;es essas que revelam  igualmente condi&ccedil;&otilde;es &eacute;tico-est&eacute;ticas e pol&iacute;ticas. </P>      <p><I>2) Reconhecer, no caso das pesquisas em psicologia, a complexidade do que se investiga </I></P>      <p>Este &eacute; outro aspecto que se pode apontar como comum a diferentes m&eacute;todos de pesquisa e  reconhecido, embora com diferentes implica&ccedil;&otilde;es, por te&oacute;ricos de vertentes t&atilde;o  distintas como Sokal e Bricmont (1999), Morin (1998) e Souza Santos (2004). </P>     <p>Reconhecer a realidade como complexa &eacute; mais um indicador da necessidade de se transcender supostas  fronteiras no que se refere a procedimentos e pr&aacute;ticas de pesquisa. Isso n&atilde;o significa que  fronteiras n&atilde;o existam: afinal, foram historicamente produzidas para demarcar lugares de saber/poder.  No entanto, estas parecem n&atilde;o se situar nos locais tradicionalmente reconhecidos, ou seja, nos  procedimentos de coleta de informa&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lise de dados, pois dependendo do que e  como se investiga, &eacute; preciso lan&ccedil;ar m&atilde;o de t&eacute;cnicas diferentes e referenciais  de an&aacute;lise variados. Por exemplo: informa&ccedil;&otilde;es obtidas com a observa&ccedil;&atilde;o  participante, ferramenta fundamental da pesquisa etnogr&aacute;fica que provoca a institui&ccedil;&atilde;o de  olhares para al&eacute;m do contexto imediato, reportando a uma busca hist&oacute;rica de modo a  reconstituir cen&aacute;rios e problematizar o supostamente conhecido, podem ser cotejadas com a leitura de  dados estat&iacute;sticos: utilizados em uma mesma investiga&ccedil;&atilde;o, a ser desenvolvida n&atilde;o  necessariamente por um pesquisador, mas por uma equipe, observa&ccedil;&otilde;es participantes e dados  estat&iacute;sticos possibilitam (re)conhecer diferentes &acirc;ngulos de uma mesma situa&ccedil;&atilde;o/problema. </P>     <p>Assumir o princ&iacute;pio da complexidade do real significa, portanto, conceber que o pr&oacute;prio processo  de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos &eacute; igualmente complexo, o que leva ao reconhecimento de que  explica&ccedil;&otilde;es causais diretas, ou seja, que partem do isolamento de vari&aacute;veis desconsiderando  que o isolamento real &eacute; uma fic&ccedil;&atilde;o posto que todos os fen&ocirc;menos se interrelacionam e  mutuamente constituem, t&ecirc;m um poder explicativo limitado. Por sua vez, toda e qualquer explica&ccedil;&atilde;o  &eacute; datada, e &ldquo;... a ci&ecirc;ncia &eacute; ci&ecirc;ncia de um mundo real e que este, por sua natureza,  &eacute; mudan&ccedil;a, movimento e varia&ccedil;&atilde;o constantes. As proposi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,  portanto, s&oacute; tem uma estabilidade relativa, o que n&atilde;o quer dizer que por isso sejam falsas, pois  exatamente por serem relativas se ajustam ao ritmo mutante e din&acirc;mico do real. Nesse sentido, todas as  ci&ecirc;ncias &ndash; e muito especialmente as ci&ecirc;ncias humanas e sociais, entre as quais seria preciso  lutar para incluir a Est&eacute;tica &ndash; s&atilde;o t&atilde;o mutantes &ndash; ou seja,  t&atilde;o hist&oacute;ricas &ndash; quanto a realidade que estudam&rdquo; (S&aacute;nchez V&aacute;zquez, 1999,  p. 20). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>3) Rela&ccedil;&atilde;o entre pergunta, m&eacute;todo de pesquisa e referencial  te&oacute;rico-epistemol&oacute;gico </I></P>      <p>Toda e qualquer pergunta de pesquisa indica, em maior ou menor grau, o lugar de onde fala o  pesquisador. Lugar te&oacute;rico, epistemol&oacute;gico, &eacute;tico, institu&iacute;do e instituinte  de possibilidades de olhar, de compreender, de (re)conhecer e de ser (re)conhecido, o que demarca a  inexor&aacute;vel condi&ccedil;&atilde;o social do pr&oacute;prio pesquisador e do que investiga. </P>     <p>As escolhas metodol&oacute;gicas, a defini&ccedil;&atilde;o dos procedimentos    para coleta de informa&ccedil;&otilde;es e an&aacute;lise de dados, por sua    vez, carecem de sentido se feitas &agrave; priori, descoladas do que se quer    investigar. Esclarece Vigotski (1995, p. 47) que &ldquo;a elabora&ccedil;&atilde;o    do problema e do m&eacute;todo se desenvolvem conjuntamente, ainda que n&atilde;o    de modo paralelo. A busca do m&eacute;todo se converte em uma das tarefas de    maior import&acirc;ncia na investiga&ccedil;&atilde;o. O m&eacute;todo, nesse    caso, &eacute; ao mesmo tempo premissa e produto, ferramenta e resultado da    investiga&ccedil;&atilde;o&rdquo;<Sup><a href="#10">8</a><a name="top10"></a></Sup>.  </P>      <p>Problematiza-se assim a assun&ccedil;&atilde;o de procedimentos melhores desconsiderando-se  as perguntas que se quer responder. Problematiza-se a desqualifica&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas  de pesquisa e seus resultados, baseada em pressuposi&ccedil;&otilde;es do que &eacute; cient&iacute;fico  cunhadas na afirma&ccedil;&atilde;o de verdades ahist&oacute;ricas, e que se sustentam no uso de  determinados procedimentos e linguagem tidos como exatos, precisos. Por sua vez, as respostas poss&iacute;veis,  ou a interpreta&ccedil;&atilde;o do que se produziu como dado (vale observar a inadequa&ccedil;&atilde;o  desse termo, posto que em pesquisa nada &eacute; &ldquo;dado&rdquo;, &eacute; gratuito, nada est&aacute;  pronto, tudo &eacute; resultado de &aacute;rduo trabalho do pesquisador), igualmente se sustentam em uma  perspectiva te&oacute;rica epistemol&oacute;gica, seja esta explicitada ou n&atilde;o. </P>     <p>No que se refere &agrave; pesquisa acad&ecirc;mica, a afirma&ccedil;&atilde;o <I>a priori </I>de  procedimentos a serem utilizados se esvai, pois a escolha destes decorre da pergunta que se pretende  responder e dos fundamentos ontol&oacute;gicos em que se sustentam os diferentes referenciais te&oacute;ricos  que balizar&atilde;o as an&aacute;lises a serem empreendidas. </P>      <p><I>4) Pesquisar &eacute; intervir </I></P>      <p>Toda e qualquer pesquisa implica rela&ccedil;&otilde;es entre sujeitos, entre    pesquisador e as pessoas e/ou pr&aacute;ticas sociais que s&atilde;o foco de    seu olhar, ou entre pesquisador e o conhecimento j&aacute; produzido, no caso    de pesquisas documentais, onde muitos outros, ausentes, se fazem presentes.    Destaca-se aqui a no&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es, que necessariamente    pressup&otilde;em um e outros, entendidos &agrave; luz do enfoque hist&oacute;rico-cultural    em psicologia como mutuamente constitutivos. Isso porque, aparentemente distintos,    separados, as pessoas em rela&ccedil;&atilde;o se amalgamam pela pr&oacute;pria    condi&ccedil;&atilde;o de que uma pressup&otilde;e a outra e tem sua exist&ecirc;ncia    (re)conhecida nessa condi&ccedil;&atilde;o, fundadora da pr&oacute;pria humaniza&ccedil;&atilde;o.    Por sua vez, modificam-se no curso dessas rela&ccedil;&otilde;es todos os envolvidos,    posto que lhes &eacute; facultado ressignificarem a si mesmos em raz&atilde;o    tanto do outro presencial, quanto dos muitos outros an&ocirc;nimos que s&atilde;o    necessariamente parceiros de toda e qualquer atividade<Sup><a href="#11">9</a><a name="top11"></a></Sup>.    Mesmo no caso de documentos, considerados &ldquo;n&atilde;o reativos&rdquo;    (Valles, 1997), &eacute; importante considerar que estes (re)existem nas rela&ccedil;&otilde;es    que com eles os pesquisadores estabelecem, rela&ccedil;&otilde;es essas em que    novos sentidos necessariamente se produzem sobre o que se apresenta como imagem/texto    a ser lido. </P>     <p>Nesse sentido, toda pesquisa &eacute; uma interven&ccedil;&atilde;o, posto que ali se recriam sujeitos,  conhecimentos e a pr&oacute;pria realidade. Toda pesquisa transforma tanto o pesquisador quanto as pessoas  com as quais trabalha no processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos, assim como seu produto,  uma vez publicado, tornado p&uacute;blico, apresenta-se como dispositivo a deflagrar di&aacute;logos e  interven&ccedil;&otilde;es outras. Esclarece Maraschin que &ldquo;O pr&oacute;prio fato de perguntar produz,  ao mesmo tempo, tanto no observador quanto nos observados, possibilidades de auto-produ&ccedil;&atilde;o,  de autoria. Nossos &lsquo;objetos de pesquisa&rsquo; tamb&eacute;m s&atilde;o observadores ativos, produzem  outros sentidos ao se encontrarem com o pesquisador, participam de redes de conversa&ccedil;&otilde;es que  podem ser transformadas a partir de novas conex&otilde;es, novos encontros&rdquo; (Maraschin, 2004, p. 105). </P>      <p><I>5) Pesquisar &eacute; criar </I></P>      <p>Se o compromisso da pesquisa cient&iacute;fica &eacute; produzir novos conhecimentos, pesquisar caracteriza-se  como atividade est&eacute;tica criadora, como atividade &ldquo;que n&atilde;o se limita a reproduzir fatos ou  impress&otilde;es vividas, mas que cria novas imagens, novas a&ccedil;&otilde;es...&rdquo; (Vigotski, 1990, p. 9),  novos conceitos e explica&ccedil;&otilde;es sobre a realidade investigada. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Necess&aacute;rio ressaltar que criar n&atilde;o &eacute; atividade m&aacute;gica, sequer tranq&uuml;ila.  Vigotski (1990) esclarece que quem cria o faz a partir de um complexo processo em que aspectos da pr&oacute;pria  realidade s&atilde;o descolados dentre uma infinidade de poss&iacute;veis, e combinados de m&uacute;ltiplas maneiras.  O inusitado est&aacute; nas infind&aacute;veis possibilidades de decomposi&ccedil;&atilde;o, de recortes de  fragmentos daqui e dali que s&atilde;o recompostos em novas combina&ccedil;&otilde;es, em produ&ccedil;&otilde;es  inovadoras, decorrentes tanto do que intencionalmente se produz quanto dos acasos, dos encontros inesperados  que surpreendem com o que emerge. </P>     <p>Por sua vez, para criar &eacute; necess&aacute;rio conhecimento, t&eacute;cnica    e uma boa dose de sensibilidade. Conhecimento porque s&oacute; &eacute; novo    aquilo que n&atilde;o repete o j&aacute; existente, e no caso da pesquisa cient&iacute;fica,    conhecer o que j&aacute; foi produzido sobre a tem&aacute;tica investigada &eacute;    condi&ccedil;&atilde;o para a delimita&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio problema    e dos di&aacute;logos que se ir&aacute; estabelecer com os conhecimentos j&aacute;    produzidos<Sup><a href="#12">10</a><a name="top12"></a></Sup>. T&eacute;cnica,    porque toda e qualquer pesquisa, independente do referencial te&oacute;rico-epistemol&oacute;gico    que a sustenta, requer rigor na escolha e explicita&ccedil;&atilde;o dos procedimentos    para coleta de informa&ccedil;&otilde;es e para a an&aacute;lise dos dados.    Rigor que n&atilde;o significa engessamento, ou ado&ccedil;&atilde;o cega de    instrumentos considerados cient&iacute;ficos. Rigor que se traduz como coer&ecirc;ncia,    pois como afirmado anteriormente, a escolha de procedimentos n&atilde;o se faz    &agrave; priori, mas sim em raz&atilde;o do que se busca investigar e do referencial    te&oacute;rico-epistemol&oacute;gico que, como uma luneta, foca o olhar sobre    a realidade e os fragmentos que dela ser&atilde;o recortados e sustentar&atilde;o    o processo de cria&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>Desse modo, questiona-se a assun&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de procedimentos mais ou menos adequados.  Afinal, toda pesquisa &eacute; uma (re)inven&ccedil;&atilde;o, e procedi-mentos se atualizam a cada nova  investiga&ccedil;&atilde;o, embora seja importante reiterar que n&atilde;o se cria do nada. O que se quer d estacar &eacute; a necessidade de se (re)conhecer as importantes contribui&ccedil;&otilde;es sobre o tema que  j&aacute; se encontram difundidas na literatura (como exemplo, ver Olabu&eacute;naga, 1999; Delgado &amp; Gutierrez,  1994) e, no di&aacute;logo com o j&aacute; dito, refletir sobre o que se diz e os muitos n&atilde;o ditos que  carecem de voz e vez. </P>     <p>Por fim, criar requer rela&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas pautadas em uma sensibilidade que possibilite  n&atilde;o somente ver, mas fundamente olhar, admirar, problematizar a realidade; sensibilidade para n&atilde;o  somente estar, mas para viver intensamente e sensivelmente os encontros e desencontros que caracterizam a  exist&ecirc;ncia humana &ndash; as rela&ccedil;&otilde;es que caracterizam o pesquisar a&iacute; se incluem  &ndash; e o que esta produz como media&ccedil;&atilde;o fundamental para o seu pr&oacute;prio vir a ser.  Sensibilidade, enfim, que mobilize para a procura de algumas respostas &agrave;s perguntas que s&atilde;o  feitas e que movem o pesquisador em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis  respostas, respostas essas decorrentes da reflex&atilde;o sobre os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o  e que n&atilde;o raro provocam a afirma&ccedil;&atilde;o de muito mais d&uacute;vidas do que certezas. </P>     <p>Mas o criar n&atilde;o se encerra a&iacute;, pois o ciclo do processo de cria&ccedil;&atilde;o    se completa somente com a objetiva&ccedil;&atilde;o do produto criado, o que    requer a escolha de signos mediadores que permitam expressar o que se quer comunicar.    Mas essa &eacute; uma outra quest&atilde;o, que foge ao escopo deste trabalho<Sup><a href="#13">11</a><a name="top13"></a></Sup>.  </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </P>      <p>As reflex&otilde;es aqui apresentadas sobre o pesquisar em psicologia permitem afirmar que se  trata de um processo de cria&ccedil;&atilde;o, de uma pr&aacute;tica social complexa que busca  compreender/explicar ou encontrar solu&ccedil;&otilde;es para uma realidade igualmente complexa.  Enquanto pr&aacute;tica social, pressup&otilde;e sujeitos em todo o seu processo e necess&aacute;rio se faz,  considerando a sua implica&ccedil;&atilde;o com as condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas em que se vive  e com a hist&oacute;ria que se quer (re)produzir, reconhecer que se trata de uma a&ccedil;&atilde;o &eacute;tica,  est&eacute;tica e pol&iacute;tica. </P>     <p>&Eacute;tica, porquanto socialmente comprometida com alguma vis&atilde;o de mundo, com os valores,  conhecimentos e cren&ccedil;as que (re)(de)formam o olhar do pesquisador e constituem seu projeto de vida.  No caso da pesquisa acad&ecirc;mica, est&aacute; presente em todos os momentos do processo de produ&ccedil;&atilde;o  de conhecimentos, desde a formula&ccedil;&atilde;o da pergunta de partida at&eacute; a interpreta&ccedil;&atilde;o  dos resultados e sua divulga&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m uma pr&aacute;tica est&eacute;tica, posto que se pauta em sensibilidades que  estranham o institu&iacute;do e reconhecem infinitas possibilidades de devir e acolhimento das diferen&ccedil;as  que conotam ou podem vir a conotar a exist&ecirc;ncia humana. Est&eacute;tica porque se funda em rela&ccedil;&otilde;es  est&eacute;ticas, ou seja, em &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis em que &eacute; poss&iacute;vel  reconhecer a pot&ecirc;ncia criadora que afirma o ser humano enquanto humanidade&rdquo; (Zanella, 2006, p. 36). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, pesquisar &eacute; uma pr&aacute;tica pol&iacute;tica, na medida em que, como toda e qualquer a&ccedil;&atilde;o  humana, necessariamente se engaja em um projeto de sociedade que se quer (re)produzir. Desse  modo, a reflex&atilde;o sobre o que se faz, o como se faz e o que resulta dessa pr&aacute;tica vincula-se  inexoravelmente &agrave; reflex&atilde;o sobre as implica&ccedil;&otilde;es ou decorr&ecirc;ncias dessas  pr&aacute;ticas, sejam estas tecnol&oacute;gicas, sejam no plano das id&eacute;ias. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P>      <p>Alves-Mazzotti, A. J. (2002). A &ldquo;revis&atilde;o da bibliografia&rdquo; em teses e  disserta&ccedil;&otilde;es: Meus tipos inesquec&iacute;veis &ndash; O retorno. In L. Bianchetti, L.  Etti, &amp; A. M. N. Machado (Eds.), <I>A b&uacute;ssola do escrever: Desafios e estrat&eacute;gias na  orienta&ccedil;&atilde;o de teses e disserta&ccedil;&otilde;es </I>(pp. 25-41). Florian&oacute;polis:  Ed. da UFSC &amp; S&atilde;o Paulo: Cortez. </P>      <p>Bianchetti, L., &amp; Machado, A. M. N. (2002). <I>A b&uacute;ssola do escrever: Desafios e  estrat&eacute;gias na orienta&ccedil;&atilde;o de teses e disserta&ccedil;&otilde;es</I>.  Florian&oacute;polis: Ed. da UFSC &amp; S&atilde;o Paulo: Cortez. </P>      <p>Bourdieu, P., Chamboredon, J., &amp; Passeron, J. (2004). <I>Of&iacute;cio de soci&oacute;logo:  Metodologia da pesquisa na sociologia</I>. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes. </P>      <p>Delgado, J. M., &amp; Gutierrez, J. (1994). <I>M&eacute;todos y tecnicas cualitativas de  investigaci&oacute;n en ciencias sociales</I>. Madrid: Editorial S&iacute;ntesis. </P>      <p>Guattari, F., &amp; Rolnik, S. (1986). <I>Micropol&iacute;tica: Cartografias do desejo </I> (2&ordf; ed.). Petr&oacute;polis: Vozes</P>      <p>Luna, S. V. (2000). <I>Planejamento de pesquisa: Uma introdu&ccedil;&atilde;o. </I> S&atilde;o Paulo: EDUC. </P>      <p>Machado, A. M. N. (2007). Do modelo ao estilo: As possibilidades de autoria em contextos acad&ecirc;micos.  In E. Calil (Ed.), <I>As trilhas da escrita: Autoria, leitura e ensino </I>(pp. 171-207).  S&atilde;o Paulo: Cortez. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Maraschin, C. (2004). Pesquisar e intervir. <I>Psicologia </I>&amp; <I>Sociedade</I>, <I>1</I>, 98-107. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0870-8231200800040001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Morin, E. (1998). <I>Ci&ecirc;ncia com consci&ecirc;ncia. </I>Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. </P>      <p>Olabu&eacute;naga, J. I. R. (1999). <I>Metodolog&iacute;a de la investigaci&oacute;n cualitativa </I> (2&ordf; ed.). Bilbao: Universidad de Deusto. </P>      <!-- ref --><p>Pino, A. (2000). O social e o cultural na obra de Lev S. Vigotski. <I>Educa&ccedil;&atilde;o &amp;  Sociedade, 71</I>, 45-78. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0870-8231200800040001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Sais, A. P., Zanella, A. V., &amp; Zanella, R. M. V. (2007). Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira,  direitos humanos e &eacute;tica: Algumas considera&ccedil;&otilde;es. <I>Revista Brasileira de Direito  Constitucional</I>, <I>9</I>, 321-335. </P>      <p>S&aacute;nchez V&aacute;zquez, A. (1999). <I>Convite &agrave; est&eacute;tica</I>. Rio de Janeiro:  Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira. </P>      <p>Sokal A., &amp; Bricmont, J. (1999). <I>Imposturas intelectuais</I>. Rio de Janeiro: Record. </P>      <p>Souza Santos, B. (2003). <I>Um discurso sobre as ci&ecirc;ncias</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez. </P>      <p>Souza Santos, B. (2004). <I>Conhecimento prudente para uma vida decente: &lsquo;Um discurso sobre as  ci&ecirc;ncias&rsquo; revisitado</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez. </P>      <p>Valles, M. S. (1997). <I>T&eacute;cnicas cualitativas de investigaci&oacute;n social: Reflexi&oacute;n  metodol&oacute;gica y pr&aacute;ctica profesional. </I>Madrid: Universidad Complutense. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vigotski, L. S. (1990). <I>La imaginaci&oacute;n y el arte en la infancia </I>(2&ordf; ed.).  Madri: Ed. Akaal<I>. </I></P>      <p>Vigotski, L. S. (1992). <I>Obras escogidas II</I>: <I>Problemas de psicolog&iacute;a general</I>.  Madrid: Visor Distribuiciones S.A. </P>      <p>Vigotski, L. S. (1995). <I>Obras escogidas III</I>: <I>Problemas del desarollo de la psique</I>.  Madrid: Visor distribuiciones. </P>      <!-- ref --><p>Vigotski, L. S. (2000). Manuscrito de 1929. <I>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade</I>, <I>21</I>, 23-44. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-8231200800040001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zanella, A. V. (2004). Atividade, significa&ccedil;&atilde;o e constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito:  Considera&ccedil;&otilde;es &agrave; luz da psicologia hist&oacute;rico-cultural. <I>Psicologia em Estudo, 9</I>,  127-135. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0870-8231200800040001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Zanella, A. V. (2005). Sujeito e alteridade: Reflex&otilde;es a partir da psicologia hist&oacute;rico-cultural.  <I>Psicologia &amp; Sociedade, 17</I>, 99-104. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-8231200800040001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Zanella, A. V. (2006). &ldquo;Pode ser flor se flor parece a quem o diga&rdquo;: Reflex&otilde;es  sobre educa&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica e o processo de constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito.  In S. Z. Da Ros, K. Maheirie, &amp; A. V. Zanella (Eds.), <I>Rela&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas,  atividade criadora e imagina&ccedil;&atilde;o</I>: <I>Sujeitos e(em) experi&ecirc;ncia</I>. Florian&oacute;polis:  NUP/CED/UFSC. </P>      <!-- ref --><p>Zanella, A. V., Reis, A. C. dos, Titon, A. P., Urnau, L. C., &amp; Dassoler, T. (2007).  Quest&otilde;es de m&eacute;todo em textos de Vigotski: Contribui&ccedil;&otilde;es &agrave; pesquisa  em psicologia. <I>Psicologia e </I><I>Sociedade, 19</I>, 25-33. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-8231200800040001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p><Sup><a href="#top3">1</a><a name="3"></a> </Sup>Consulta realizada em 19/08/2005,    no site <a href="http://www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/2003_037_Doc_Area.pdf" target="_blank">http://www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/2003_037_Doc_Area.pdf</a>  </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top4">2</a><a name="4"></a> </Sup>No Brasil, ap&oacute;s a gradua&ccedil;&atilde;o    &eacute; poss&iacute;vel realizar cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    <I>lato sensu</I>, denominados especializa&ccedil;&otilde;es e voltados para    a atualiza&ccedil;&atilde;o profissional, ou cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    <I>strictu sensu</I>. Estes s&atilde;o oferecidos por Programas de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    vinculados a Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior ou Institutos de    Pesquisa. H&aacute; duas modalidades: mestrado, com dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia    de 30 meses, e doutorado, com tempo previsto de conclus&atilde;o de 48 meses.    Informa&ccedil;&otilde;es sobre a realidade da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    <I>strictu sensu </I>no Brasil podem ser obtidas no site <a href="http://www.capes.gov.br/" target="_blank">www.capes.gov.br</a>.  </P>     <p><Sup><a href="#top5">3</a><a name="5"></a> </Sup>Sobre as rela&ccedil;&otilde;es    sujeito e sociedade na perspectiva do enfoque hist&oacute;rico-cultural em psicologia,    ver Vigotski (2000), Pino (2000) e Zanella (2004, 2005). </P>     <p><Sup><a href="#top6">4</a><a name="6"></a> </Sup>Utiliza-se aqui m&eacute;todo    em sua acep&ccedil;&atilde;o etimol&oacute;gica, ou seja, como caminho para    se chegar a algum lugar. </P>     <p><Sup><a href="#top7">5</a><a name="7"></a> </Sup>&ldquo;Guattari acrescenta    o sufixo &lsquo;&iacute;stico&rsquo; a &lsquo;capitalista&rsquo; por lhe parecer    necess&aacute;rio criar um termo que possa designar n&atilde;o apenas as sociedades    qualificadas como capitalistas, mas tamb&eacute;m setores do &lsquo;Terceiro    Mundo&rdquo; ou do capitalismo &lsquo;perif&eacute;rico&rsquo;, assim como as    economias ditas socialistas dos pa&iacute;ses do leste, que vivem numa esp&eacute;cie    de depend&ecirc;ncia e contradepend&ecirc;ncia do capitalismo&rdquo; (Guattari    &amp; Rolnik, 1986, p. 15 &ndash; nota de rodap&eacute;). </P>     <p><Sup><a href="#top8">6</a><a name="8"></a> </Sup>Sobre rela&ccedil;&otilde;es    pr&aacute;tico-utilit&aacute;rias e rela&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas    ver S&aacute;nchez V&aacute;zques (1999). </P>     <p><Sup><a href="#top9">7</a><a name="9"></a> </Sup>&Eacute;tica, neste trabalho,    &eacute; entendida como &ldquo;uma postura que se pauta pelas no&ccedil;&otilde;es    do que &eacute; bom ou mau para a vida, para a exist&ecirc;ncia humana. Sendo    esta exist&ecirc;ncia necessariamente relacional, posto que somos sujeitos em    rela&ccedil;&atilde;o, falar em &eacute;tica significa falar no compromisso    com os outros e consigo mesmo de valoriza&ccedil;&atilde;o e luta pela vida,    pela den&uacute;ncia de toda e qualquer forma de viol&ecirc;ncia e degrada&ccedil;&atilde;o    humana. Luta permanente por modos de vida dignos para todos, o que requer o    exerc&iacute;cio cont&iacute;nuo e permanente de cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o    ao que se faz cotidianamente e as conseq&uuml;&ecirc;ncias dessas a&ccedil;&otilde;es    para a vida em sociedade&rdquo; (Sais, Zanella, &amp; Zanella, 2007, p. 323).  </P>     <p><Sup><a href="#top10">8</a><a name="10"></a> </Sup>Sobre as reflex&otilde;es    metodol&oacute;gicas de Vigotski, ver Zanella et al. (2007). </P>     <p><Sup><a href="#top11">9</a><a name="11"></a> </Sup>Sobre a no&ccedil;&atilde;o    de outro &ndash; alteridade &ndash; &agrave; luz do enfoque hist&oacute;rico-cultural    em psicologia ver Zanella (2005). </P>     <p><Sup><a href="#top12">10</a><a name="12"></a> </Sup>Esclarece Alves-Mazzotti    (2002, p. 27): &ldquo;A proposi&ccedil;&atilde;o adequada de um problema de    pesquisa exige, portanto, que o pesquisador se situe nesse processo, analisando    criticamente o estado atual do conhecimento em sua &aacute;rea de interesse,    comparando e contrastando abordagens te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas utilizadas    e avaliando o peso e a confiabilidade de resultados de pesquisa, de modo a identificar    pontos de consenso, bem como controv&eacute;rsias, regi&otilde;es de sombra    e lacunas que merecem ser esclarecidas&rdquo;. </P>     <p><Sup><a href="#top13">11</a><a name="13"></a> </Sup>Sobre a rela&ccedil;&atilde;o    pesquisar e escrever, consultar Machado (2007) e os v&aacute;rios textos compilados    por Bianchetti e Machado (2002), entre outros. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Professora do Departamento e do Programa    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da UFSC, Florian&oacute;polis,    Santa Catarina, Brasil. Bolsista em produtividade do CNPq. </P>     <p>(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Professor e coordenador do curso de    Psicologia da UNIVALI, Bigua&ccedil;u, Brasil. </P>      ]]></body><back>
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