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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os efeitos dos maus-tratos e da negligência sobre as representações da vinculação em crianças de idade pré-escolar]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ISPA - Instituto Superior de Psicologia Aplicada UIPCDE - Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva, do Desenvolvimento e da Educação ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312009000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312009000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312009000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A presente investigação tem como objectivo esclarecer a influência dos maus-tratos e da negligência, ocorridos durante a infância, sobre as representações da vinculação em crianças de idade pré-escolar (3 a 6 anos). Com este trabalho, pretende-se também contribuir para o esclarecimento da influência do género da criança sobre a adopção de estratégias não seguras de vinculação e determinar a importância, na minimização dos efeitos que os maus-tratos ou a negligência (perpetrados pelos cuidadores), que a relação com um adulto significativo não maltratante ou negligente pode ter sobre o sistema de vinculação. As crianças vítimas de maus-tratos (N=20) ou de negligência (N=40) foram identificadas através de Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) da periferia de Lisboa. As crianças do grupo &#8220;controlo&#8221; frequentavam o ensino pré-escolar ou Actividades de Tempos Livres (ATL) em Instituição Particular de Solidariedade Social do concelho de Almada. Procurou-se o emparelhamento das amostras em relação ao nível socio-económico, às competências verbais, ao género e à idade. A distinção, em termos do tipo de abuso sofrido, foi feita com o recurso ao Questionário de Maus-tratos e de Negligência (Calheiros, 1996) adaptado para este estudo. A garantia de homogeneidade das amostras em termos de competências verbais foi assegurada pelo uso da Escala de Audição e Fala da Prova de Desenvolvimento de Griffiths (1970). O instrumento de avaliação das representações da vinculação utilizado foi a Tarefa de Completamento de Histórias (ASCT) concebida por Bretherton, Ridgeway, e Cassidy (1990), classificada de acordo com a metodologia Q-Sort proposta por Miljkovitch, Pierrehumbert, Karmaniola, e Halfon (2003). Os resultados obtidos neste estudo indicam que as crianças maltratadas ou negligenciadas em idade pré-escolar tendem a adoptar estratégias inseguras de vinculação (desactivadas, hiperactivadas ou desorganizadas), recorrendo menos à estratégia segura, quando comparadas com crianças que não foram vítimas de maus-tratos ou de negligência. Não se encontraram diferenças, entre o grupo de crianças maltratadas e o grupo de crianças negligenciadas. Também não se verificaram diferenças significativas, em função do género das crianças nem em função da existência de relações com outros adultos significativos não maltratantes ou não negligentes, no desenvolvimento de estratégias de vinculação inseguras. Os resultados são discutidos com base na Teoria da Vinculação, sendo também feitas algumas propostas de investigação futura.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study assessed the influence of maltreatment or neglect during childhood on preschoolers&#8217; (3 to 6 years of age) attachment representations. The second goal of this article was to explore the relation between child&#8217;s gender and attachment representations. The role of a non-abusive relationship with an alternative caregiver (minimizing the effects of maltreatment or neglect) in the child&#8217;s attachment system was also investigated. Maltreated children (N=20) and neglect children (N=40) were recruited from Portuguese Child Protective Services (CYPC). The non-maltreated and non-neglected children (n=30) were recruited from a Private Preschool Institution (they attend Kindergarten or Leisure Activities). Groups were similar in Socio-Economic Status (SES), age, gender and verbal abilities. Abuse status was assessed with an adapted version of the Maltreatment and Neglect Questionnaire (Calheiros, 1996). Verbal abilities of children were assessed with the &#8220;Hearing and Language&#8221; Scale of the Griffiths scales of mental development (Griffiths, 1970). Attachment representations were assessed with the Attachment Story Completion Task (ASCT; Bretherton, Ridgeway, & Cassidy, 1990). The stories were coded according to Miljkovitch, Pierrehumbert, Karmaniola, and Halfon (2003) Q-score methodology. Results show that maltreat or neglected preschool children have more insecure (deactivation or hyperactivation) and disorganized attachment representations, and less secure strategies when compared to controls. No differences in attachment representations were found as a function of the child&#8217;s gender or as a function of the existence of relationship with a non maltreating or non neglectful adult. Results are discussed in terms of Attachment Theory and future investigation proposals are made.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Maus-tratos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Os efeitos dos maus-tratos e da neglig&ecirc;ncia sobre as representa&ccedil;&otilde;es    da vincula&ccedil;&atilde;o em crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar</b></P >     <p align="right">Renata Benavente (<a href="#1">*</a>)<a name="top1"></a></P >     <p align="right">Jo&atilde;o Justo (<a href="#2">**</a>)<a name="top2"></a></p>     <p align="right">Manuela Ver&iacute;ssimo (<a href="#3">***</a>)<a name="top3"></a>    <br> </p>     <p align="center">    <br>   RESUMO </P >     <P>A presente investiga&ccedil;&atilde;o tem como objectivo esclarecer a influ&ecirc;ncia    dos maus-tratos e da neglig&ecirc;ncia, ocorridos durante a inf&acirc;ncia,    sobre as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o em crian&ccedil;as    de idade pr&eacute;-escolar (3 a 6 anos). Com este trabalho, pretende-se tamb&eacute;m    contribuir para o esclarecimento da influ&ecirc;ncia do g&eacute;nero da crian&ccedil;a    sobre a adop&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias n&atilde;o seguras de vincula&ccedil;&atilde;o    e determinar a import&acirc;ncia, na minimiza&ccedil;&atilde;o dos efeitos que    os maus-tratos ou a neglig&ecirc;ncia (perpetrados pelos cuidadores), que a    rela&ccedil;&atilde;o com um adulto significativo n&atilde;o maltratante ou    negligente pode ter sobre o sistema de vincula&ccedil;&atilde;o. As crian&ccedil;as    v&iacute;timas de maus-tratos (<I>N</I>=20) ou de neglig&ecirc;ncia (<I>N</I>=40)    foram identificadas atrav&eacute;s de Comiss&otilde;es de Protec&ccedil;&atilde;o    de Crian&ccedil;as e Jovens (CPCJ) da periferia de Lisboa. As crian&ccedil;as    do grupo &ldquo;controlo&rdquo; frequentavam o ensino pr&eacute;-escolar ou    Actividades de Tempos Livres (ATL) em Institui&ccedil;&atilde;o Particular de    Solidariedade Social do concelho de Almada. Procurou-se o emparelhamento das    amostras em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel socio-econ&oacute;mico, &agrave;s    compet&ecirc;ncias verbais, ao g&eacute;nero e &agrave; idade. A distin&ccedil;&atilde;o,    em termos do tipo de abuso sofrido, foi feita com o recurso ao Question&aacute;rio    de Maus-tratos e de Neglig&ecirc;ncia (Calheiros, 1996) adaptado para este estudo.    A garantia de homogeneidade das amostras em termos de compet&ecirc;ncias verbais    foi assegurada pelo uso da Escala de Audi&ccedil;&atilde;o e Fala da Prova de    Desenvolvimento de Griffiths (1970). O instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o    das representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o utilizado foi a    Tarefa de Completamento de Hist&oacute;rias (ASCT) concebida por Bretherton,    Ridgeway, e Cassidy (1990), classificada de acordo com a metodologia Q-Sort    proposta por Miljkovitch, Pierrehumbert, Karmaniola, e Halfon (2003). Os resultados    obtidos neste estudo indicam que as crian&ccedil;as maltratadas ou negligenciadas    em idade pr&eacute;-escolar tendem a adoptar estrat&eacute;gias inseguras de    vincula&ccedil;&atilde;o (desactivadas, hiperactivadas ou desorganizadas), recorrendo    menos &agrave; estrat&eacute;gia segura, quando comparadas com crian&ccedil;as    que n&atilde;o foram v&iacute;timas de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia.    N&atilde;o se encontraram diferen&ccedil;as, entre o grupo de crian&ccedil;as    maltratadas e o grupo de crian&ccedil;as negligenciadas. Tamb&eacute;m n&atilde;o    se verificaram diferen&ccedil;as significativas, em fun&ccedil;&atilde;o do    g&eacute;nero das crian&ccedil;as nem em fun&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia    de rela&ccedil;&otilde;es com outros adultos significativos n&atilde;o maltratantes    ou n&atilde;o negligentes, no desenvolvimento de estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o    inseguras. Os resultados s&atilde;o discutidos com base na Teoria da Vincula&ccedil;&atilde;o,    sendo tamb&eacute;m feitas algumas propostas de investiga&ccedil;&atilde;o futura.  </P >     <P><I>Palavras chave: </I>Maus-tratos, Neglig&ecirc;ncia, Vincula&ccedil;&atilde;o.  </P >     <P>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp; </P >     <P align="center">ABSTRACT </P >     <P>This study assessed the influence of maltreatment or neglect during childhood    on preschoolers&rsquo; (3 to 6 years of age) attachment representations. The    second goal of this article was to explore the relation between child&rsquo;s    gender and attachment representations. The role of a non-abusive relationship    with an alternative caregiver (minimizing the effects of maltreatment or neglect)    in the child&rsquo;s attachment system was also investigated. Maltreated children    (<I>N</I>=20) and neglect children (<I>N</I>=40) were recruited from Portuguese    Child Protective Services (CYPC). The non-maltreated and non-neglected children    (<I>n</I>=30) were recruited from a Private Preschool Institution (they attend    Kindergarten or Leisure Activities). Groups were similar in Socio-Economic Status    (SES), age, gender and verbal abilities. Abuse status was assessed with an adapted    version of the Maltreatment and Neglect Questionnaire (Calheiros, 1996). Verbal    abilities of children were assessed with the &ldquo;Hearing and Language&rdquo;    Scale of the Griffiths scales of mental development (Griffiths, 1970). Attachment    representations were assessed with the Attachment Story Completion Task (ASCT;    Bretherton, Ridgeway, &amp; Cassidy, 1990). The stories were coded according    to Miljkovitch, Pierrehumbert, Karmaniola, and Halfon (2003) Q-score methodology.    Results show that maltreat or neglected preschool children have more insecure    (deactivation or hyperactivation) and disorganized attachment representations,    and less secure strategies when compared to controls. No differences in attachment    representations were found as a function of the child&rsquo;s gender or as a    function of the existence of relationship with a non maltreating or non neglectful    adult. Results are discussed in terms of Attachment Theory and future investigation    proposals are made. </P >     <P><I>Key words: </I>Attachment, Maltreatment, Neglect. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>&nbsp;</P >     <P>A organiza&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento das interac&ccedil;&otilde;es    afectivas entre a m&atilde;e e a crian&ccedil;a foram alvo de diversas investiga&ccedil;&otilde;es    que tiveram como base a hip&oacute;tese conceptual formulada por Bowlby (1940,    1958, 1969, 1981) e mais tarde revista por Ainsworth e Bell (1970), por Ainsworth,    Bell, e Stayton (1971) e por Ainsworth, Blehar, Waters, e Wall (1978). O conceito    de vincula&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e que as crian&ccedil;as desenvolvem    modelos de representa&ccedil;&atilde;o interna do objecto prim&aacute;rio com    que se relacionam, de si pr&oacute;prias e de si pr&oacute;prias em rela&ccedil;&atilde;o    com os outros, com base na experi&ecirc;ncia de relacionamento com o prestador    prim&aacute;rio de cuidados (Bowlby, 1988; George &amp; Solomon, 1999). Atrav&eacute;s    destes modelos, os afectos, as cogni&ccedil;&otilde;es e as expectativas acerca    das interac&ccedil;&otilde;es futuras v&atilde;o-se organizando de modo a influenciar    as rela&ccedil;&otilde;es subsequentes (Cicchetti &amp; Toth, 1995). Ao estabelecimento    de uma vincula&ccedil;&atilde;o segura, por parte da crian&ccedil;a, liga-se    um modelo representacional das figuras de vincula&ccedil;&atilde;o como estando    dispon&iacute;veis para a interac&ccedil;&atilde;o e suscept&iacute;veis de    proporcionar ajuda e bem-estar e um modelo de si pr&oacute;pria, complementar    do primeiro, em que o indiv&iacute;duo se sente potencialmente capaz de ser    amado (Cicchetti et al., 1995; Figueiredo, 1998). A confian&ccedil;a que estabelece    em si e nos outros permite que a crian&ccedil;a com uma vincula&ccedil;&atilde;o    segura possa entrar mais facilmente numa rela&ccedil;&atilde;o interpessoal    calorosa e de confian&ccedil;a com os outros, ao longo da sua traject&oacute;ria    de desenvolvimento (Figueiredo, 1998). </P >     <P>A par da evolu&ccedil;&atilde;o do conceito de vincula&ccedil;&atilde;o surgiram as t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o dos diferentes padr&otilde;es. O primeiro procedimento de avalia&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o, designado por Situa&ccedil;&atilde;o Estranha (Ainsworth et al., 1978), permite a classifica&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as a partir dos doze meses, com base nos comportamentos observados em contexto laboratorial. Posteriormente foram concebidos instrumentos n&atilde;o s&oacute; para crian&ccedil;as, mas tamb&eacute;m para adultos e adolescentes, tendo por base as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o. Os tr&ecirc;s padr&otilde;es (seguro, inseguro-ambivalente/resistente, inseguro-evitante) inicialmente propostos por Ainsworth e colaboradores (1978), revelaram-se insuficientes para caracterizar todas as crian&ccedil;as, sobretudo as provenientes de amostras de alto-risco como as v&iacute;timas de maus-tratos ou filhas de m&atilde;es deprimidas (Carlson, Cicchetti, Barnett, &amp; Braunwald, 1989; Crittenden, 1988a,b; Radke-Yarrow, Cummings, Kuczynski, &amp; Chapman, 1985; Spieker &amp; Booth, 1988). Surgiu assim, a necessidade de conceber um quarto padr&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o &ndash; o padr&atilde;o desorganizado, cuja caracter&iacute;stica principal &eacute; a aus&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia organizada e consistente ao n&iacute;vel da regula&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es (Carlson et al., 1989; van IJzendoorn, Schuengel, &amp; Bakersman-Kranenburg, 1999). </P >     <P>Quando os prestadores de cuidados adoptam, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    crian&ccedil;a, comportamentos desadequados, nomeadamente sob a forma de maus-tratos    ou de neglig&ecirc;ncia, os comportamentos e as representa&ccedil;&otilde;es    da vincula&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as s&atilde;o afectados. A investiga&ccedil;&atilde;o    tem demonstrado que as crian&ccedil;as sujeitas a experi&ecirc;ncias de maus-tratos    ou de neglig&ecirc;ncia t&ecirc;m maiores probabilidades de desenvolver padr&otilde;es    inseguros de vincula&ccedil;&atilde;o (Crittenden, 1985, 1988a) e vincula&ccedil;&otilde;es    desorganizadas (Carlson et al., 1989). Estes padr&otilde;es parecem surgir como    forma de maximizar as experi&ecirc;ncias de seguran&ccedil;a e de minimizar    a ansiedade num contexto de indisponibilidade ou rejei&ccedil;&atilde;o (Stovall-McClough    &amp; Dozier, 2004). Diversos estudos t&ecirc;m conclu&iacute;do que as crian&ccedil;as    sujeitas a este tipo de experi&ecirc;ncias desenvolvem padr&otilde;es muito    inseguros de vincula&ccedil;&atilde;o, constroem modelos distorcidos do Self    e percepcionam os outros como indispon&iacute;veis e rejeitantes (Carlson et    al., 1989; Crittenden, 1988b; van IJzendoorn et al., 1999). Existe, no entanto,    pouca investiga&ccedil;&atilde;o acerca dos efeitos das experi&ecirc;ncias de    maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia sobre as representa&ccedil;&otilde;es da    vincula&ccedil;&atilde;o, em crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar. Assim,    para esclarecer as consequ&ecirc;ncias deste tipo de vitimiza&ccedil;&atilde;o    na organiza&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o foi delineado o presente    estudo. </P >     <P>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">OBJECTIVOS </P >     <P>Os objectivos da investiga&ccedil;&atilde;o, alicer&ccedil;ados nos princ&iacute;pios da Teoria da Vincula&ccedil;&atilde;o foram: </P >    <P>(1) Determinar as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as v&iacute;timas de maus-tratos e de neglig&ecirc;ncia, que permanecem na fam&iacute;lia, comparando-as com as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as que n&atilde;o forma sujeitas a este tipo de vitimiza&ccedil;&atilde;o; (2) Esclarecer a influ&ecirc;ncia do g&eacute;nero da crian&ccedil;a na adop&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seguras (desactivada, hiperactivada ou desorganizada); (3) Avaliar a influ&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o com um adulto n&atilde;o negligente e n&atilde;o maltratante na minimiza&ccedil;&atilde;o dos efeitos dos maus-tratos e da neglig&ecirc;ncia perpetrados pelos prestadores de cuidados; (4) Refor&ccedil;ar a necessidade de desenvolvimento de uma interven&ccedil;&atilde;o protectora t&atilde;o precoce quanto poss&iacute;vel junto de crian&ccedil;as integradas em fam&iacute;lias maltratantes ou negligentes, designadamente atrav&eacute;s do desenvolvimento e implementa&ccedil;&atilde;o de projectos de interven&ccedil;&atilde;o desenhados para este tipo de popula&ccedil;&otilde;es de risco e (5) Contribuir para o melhor conhecimento das t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o utilizadas neste estudo &ndash; Attachment Story Completion Task (ASCT; Bretherton et al., 1990) e o sistema de codifica&ccedil;&atilde;o das hist&oacute;rias proposto por Miljkovitch e colaboradores em 2003. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">METODOLOGIA </P >     <P><I>Participantes </I></P >     <P>Participaram no estudo 90 crian&ccedil;as com idades compreendidas entre os    33 e os 82 meses. A m&eacute;dia de idades era de 57,54 meses (desvio-padr&atilde;o:    12,73). Relativamente ao g&eacute;nero 39 crian&ccedil;as eram do g&eacute;nero    feminino (43,33%) e 51 do g&eacute;nero masculino (56,7%). A selec&ccedil;&atilde;o    da amostra, designadamente dos grupos &ldquo;experimentais&rdquo;, foi feita    com base numa abordagem combinada em que se consideraram as classifica&ccedil;&otilde;es    existentes nas CPCJ&rsquo;s (Almada, Seixal e Set&uacute;bal) e os indicadores    decorrentes da aplica&ccedil;&atilde;o de uma vers&atilde;o modificada do Question&aacute;rio    de Avalia&ccedil;&atilde;o de Maus-tratos e de Neglig&ecirc;ncia (Calheiros,    1996, 1998). O grupo &ldquo;controlo&rdquo; era composto por utentes de uma    Institui&ccedil;&atilde;o Particular de Solidariedade Social integradas em ensino    pr&eacute;-escolar e ATL, n&atilde;o apresentando ind&iacute;cios de maus-tratos    ou de neglig&ecirc;ncia. Desta forma, procurou-se obter a melhor aproxima&ccedil;&atilde;o    das amostras em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; idade, ao g&eacute;nero, &agrave;    classe social e &agrave;s compet&ecirc;ncias verbais. </P >     <P>Das 105 fam&iacute;lias de crian&ccedil;as com processo nas CPCJ&rsquo;s que    convoc&aacute;mos, compareceram 65 (ou seja 61,9%). Em 5 situa&ccedil;&otilde;es,    as crian&ccedil;as recusaram-se a permanecer com a observadora inviabilizando    a aplica&ccedil;&atilde;o da prova de avalia&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es    da vincula&ccedil;&atilde;o. Todos os respons&aacute;veis pelas crian&ccedil;as    aceitaram participar na investiga&ccedil;&atilde;o, numa taxa bastante superior    &agrave; registada noutros estudos designadamente o de Hollman e McNamara (1999)    em que a percentagem de pais que prestaram o consentimento activo para que os    filhos participassem em investiga&ccedil;&otilde;es deste tipo foi de 38,76%.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Instrumentos </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Question&aacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o de Maus-tratos e Neglig&ecirc;ncia Adaptado </I>(adapta&ccedil;&atilde;o do instrumento original de Calheiros, 1996) </P >    <P>Para uma avalia&ccedil;&atilde;o global das v&aacute;rias tipologias de maus-tratos a que uma crian&ccedil;a pode estar sujeita, surgiu no nosso pa&iacute;s o Question&aacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o do Mau Trato e Neglig&ecirc;ncia, desenvolvido por Calheiros em 1996. O QMN (Calheiros, 1996) considera os valores culturais prevalecentes na nossa sociedade sobre os limites do que &eacute; considerado aceit&aacute;vel e n&atilde;o aceit&aacute;vel nas pr&aacute;ticas da rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos, permitindo uma avalia&ccedil;&atilde;o clara e objectiva da situa&ccedil;&atilde;o de cada crian&ccedil;a. Todas as &aacute;reas definidas pela autora no instrumento foram encontradas nos C&oacute;digos do Direito Portugu&ecirc;s (C&oacute;digo Civil Portugu&ecirc;s, 1990; C&oacute;digo Penal Portugu&ecirc;s, 1982). O instrumento teve por base a valida&ccedil;&atilde;o dos constructos mau trato e neglig&ecirc;ncia e destina-se a avaliar a ocorr&ecirc;ncia destes fen&oacute;menos, ap&oacute;s o seu preenchimento por t&eacute;cnicos que conhe&ccedil;am a crian&ccedil;a e a din&acirc;mica familiar que a envolve. Trata-se de uma medida v&aacute;lida acerca das situa&ccedil;&otilde;es associadas aos actos parentais abusivos e &agrave;s consequ&ecirc;ncias destes para as crian&ccedil;as (Calheiros, 1998). </P >    <P>O question&aacute;rio &eacute; composto por 18 itens organizados em 6 categorias: mau trato psicol&oacute;gico, mau trato f&iacute;sico, neglig&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, neglig&ecirc;ncia f&iacute;sica, abuso sexual e trabalho infantil. Para cada item, s&atilde;o efectuadas tr&ecirc;s afirma&ccedil;&otilde;es relativas a factos observ&aacute;veis que dizem respeito &agrave; crian&ccedil;a, ou ao comportamento parental, ou dos adultos substitutos (ex.: a crian&ccedil;a sofreu pequenos acidentes provocados por falta de seguran&ccedil;a que causaram danos f&iacute;sicos; os pais/adultos substitutos n&atilde;o tratam a crian&ccedil;a quando est&aacute; doente, etc.). Em rela&ccedil;&atilde;o a cada afirma&ccedil;&atilde;o, solicita-se que seja identificada a presen&ccedil;a, aus&ecirc;ncia, desconhecimento ou suspeita dos factos. Este instrumento pode tamb&eacute;m ser utilizado para despiste de circunst&acirc;ncias de risco (quer de maus-tratos, quer de neglig&ecirc;ncia) favorecendo um diagn&oacute;stico mais preciso, quando h&aacute; suspeitas de vitimiza&ccedil;&atilde;o. </P >     <P>A utiliza&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o adaptada do Question&aacute;rio    de Avalia&ccedil;&atilde;o do Mau Trato e Neglig&ecirc;ncia (Calheiros, 1996),    apesar da exist&ecirc;ncia de processo na Comiss&atilde;o de Protec&ccedil;&atilde;o    de Crian&ccedil;as e Jovens (que indiciava algum tipo de vitimiza&ccedil;&atilde;o),    visou apurar a tipologia do abuso de que a crian&ccedil;a &eacute; ou foi alvo,    de modo mais rigoroso. Por outro lado, a nova vers&atilde;o daquele instrumento    permitiu-nos aceder a uma pan&oacute;plia de informa&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas    essenciais para este estudo. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Attachment Story Completion Task </I>(ASCT; Bretherton et al., 1990) </P >    <P>A Attachment Story Completion Task (ASCT), foi criada em 1990 por Bretherton e colaboradores. A prova consiste numa tarefa de completamento de hist&oacute;rias (com recurso a pequenas figuras representativas da fam&iacute;lia) e permite aceder aos modelos internos de funcionamento em crian&ccedil;as com 3 anos de idade. Trata-se de uma t&eacute;cnica que avalia as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a (Main, Kaplan, &amp; Cassidy, 1985; Waters, Rodrigues, &amp; Ridgeway, 1998). As hist&oacute;rias que comp&otilde;em a tarefa foram concebidas para fazer real&ccedil;ar as diferen&ccedil;as individuais acerca de temas relacionados com a vincula&ccedil;&atilde;o. </P >     <P>A aplica&ccedil;&atilde;o da prova come&ccedil;a por uma primeira hist&oacute;ria    neutra (festa de anivers&aacute;rio), cujo objectivo &eacute; familiarizar a    crian&ccedil;a com a metodologia. Seguidamente, apresentam-se 5 in&iacute;cios    de hist&oacute;rias (o sumo entornado, o joelho magoado, o monstro no quarto,    a partida e o reencontro) sugerindo-se que a crian&ccedil;a lhes d&ecirc; continuidade    verbalmente, ou encenando pela manipula&ccedil;&atilde;o dos bonecos representativos    da fam&iacute;lia. A classifica&ccedil;&atilde;o das hist&oacute;rias produzidas    pelas crian&ccedil;as tem em conta n&atilde;o apenas as verbaliza&ccedil;&otilde;es    mas tamb&eacute;m o comportamento n&atilde;o verbal, designadamente a manipula&ccedil;&atilde;o    das figuras representativas da fam&iacute;lia.</P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Cartes pour le Compl&egrave;tement d&rsquo;Histoires </I>(CCH; Miljkovitch    et al., 2003) </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O sistema de codifica&ccedil;&atilde;o da ASCT, utilizado neste estudo, foi concebido em 2003 por Miljkovitch, Pierrehumbert, Karmaniola, e Halfon. Este instrumento consiste numa metodologia de tipo Q-sort que permite classificar as produ&ccedil;&otilde;es (verbais e n&atilde;o verbais) das crian&ccedil;as desencadeadas pelas hist&oacute;rias da ASCT (Bretherton et al., 1990). </P >    <P>A t&eacute;cnica permite quantificar as estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as (ao n&iacute;vel das representa&ccedil;&otilde;es) e caracterizar o modo como constroem uma narrativa. Trata-se de question&aacute;rio, sob a forma de Q-sort, que &eacute; usado pelo codificador. Este modelo permite uma codifica&ccedil;&atilde;o global dos comportamentos observados, apesar de alguns &iacute;ndices remeterem para aspectos espec&iacute;ficos do brincar. A classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; obtida pela determina&ccedil;&atilde;o das dist&acirc;ncias, atrav&eacute;s duma correla&ccedil;&atilde;o de Pearson, entre as respostas do sujeito e de outros prot&oacute;tipos, relativamente a 4 estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o (seguran&ccedil;a, desactiva&ccedil;&atilde;o, hiperactiva&ccedil;&atilde;o e desorganiza&ccedil;&atilde;o). Assim, obt&ecirc;m-se os &iacute;ndices de aproxima&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a observada e desses prot&oacute;tipos, ou seja os Q-scores. A crian&ccedil;a n&atilde;o &eacute; apenas enquadrada numa categoria, mas caracterizada em 4 eixos que correspondem a cada estrat&eacute;gia de vincula&ccedil;&atilde;o. </P >    <P>A adop&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia segura de vincula&ccedil;&atilde;o perante a tarefa de completamento de hist&oacute;rias implica que a crian&ccedil;a n&atilde;o se sinta amea&ccedil;ada pelos temas evocados. Estas crian&ccedil;as n&atilde;o exibem uma ansiedade exagerada perante a prova e mostram-se dispostas a brincar produzindo uma narrativa com facilidade e espontaneidade. Envolvem-se sem dificuldades nas hist&oacute;rias e desenvolvem conte&uacute;dos expressivos, n&atilde;o estereotipados e pautados pelo afecto. S&atilde;o capazes de simbolizar uma variedade de estados emocionais designadamente as emo&ccedil;&otilde;es negativas tais como a tristeza e a zanga. As personagens apresentam m&uacute;ltiplas facetas e a narrativa n&atilde;o se centra apenas aspectos positivos. Por outro lado, as crian&ccedil;as seguras tendem a mostrar uma atitude construtiva face aos problemas pelo que, neste contexto, s&atilde;o capazes de reagir aos temas da separa&ccedil;&atilde;o e desenvolver ac&ccedil;&otilde;es que permitam manter a vincula&ccedil;&atilde;o. </P >    <P>As crian&ccedil;as que mostram uma inibi&ccedil;&atilde;o do sistema de vincula&ccedil;&atilde;o (desactiva&ccedil;&atilde;o) tendem a evitar os temas relacionados com a vincula&ccedil;&atilde;o, causadores de n&iacute;veis de stresse significativos. Perante as tarefas propostas pela ASCT estas crian&ccedil;as mostram-se muito relutantes em participar no completamento das hist&oacute;rias. Quando se envolvem na constru&ccedil;&atilde;o das narrativas fazem-no de modo superficial centrando-se nos estere&oacute;tipos familiares sem introduzir emo&ccedil;&otilde;es. Outro aspecto importante &eacute; o facto de apresentarem dificuldades marcadas no reconhecimento dos aspectos negativos das personagens e das rela&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o incapazes de relatar acontecimentos ou emo&ccedil;&otilde;es negativas. T&ecirc;m grande dificuldade em representar-se como alvo da protec&ccedil;&atilde;o e ajuda no seio da fam&iacute;lia e quando na hist&oacute;ria sugere uma amea&ccedil;a aos la&ccedil;os de vincula&ccedil;&atilde;o estas crian&ccedil;as s&atilde;o incapazes de desencadear conte&uacute;dos que permitam o restabelecimento da proximidade e da seguran&ccedil;a. Na hist&oacute;ria do regresso, por exemplo, as crian&ccedil;as evitantes n&atilde;o mostram sentimentos de alegria impedindo, muitas vezes, que o reencontro seja consumado. </P >    <P>Nas crian&ccedil;as em que predominam estrat&eacute;gias de hiperactiva&ccedil;&atilde;o do sistema de vincula&ccedil;&atilde;o observa-se o inverso do se regista nas crian&ccedil;as evitantes: h&aacute; uma focaliza&ccedil;&atilde;o nas emo&ccedil;&otilde;es negativas e uma grande dificuldade em descrever sentimentos de serenidade. No plano das representa&ccedil;&otilde;es, as crian&ccedil;as ambivalentes mostram uma incapacidade para reagir de modo construtivo perante as problem&aacute;ticas da vincula&ccedil;&atilde;o. A simples evoca&ccedil;&atilde;o de tais situa&ccedil;&otilde;es pode provocar um sentimento de c&oacute;lera tornando-se evidente a dificuldade em gerir emo&ccedil;&otilde;es. O stresse desencadeado pelas hist&oacute;rias iniciadas pode limitar a capacidade de brincar, pelo que se observa frequentemente uma not&oacute;ria dificuldade em construir narrativas e um envolvimento emocional desadequado. Estas crian&ccedil;as parecem ficar bloqueadas nos aspectos negativos das hist&oacute;rias o que as impede de conceber um final feliz. Apesar desta aus&ecirc;ncia de resolu&ccedil;&atilde;o &eacute; prov&aacute;vel que tomem consci&ecirc;ncia quase imediata das emo&ccedil;&otilde;es negativas associadas a cada situa&ccedil;&atilde;o. Comparando com o que se observa na Situa&ccedil;&atilde;o Estranha (Ainsworth et al., 1978), procuram reagir instantaneamente ao tema da separa&ccedil;&atilde;o, procurando p&ocirc;r fim &agrave; dist&acirc;ncia sem simbolizar um reencontro feliz. </P >    <P>A caracteriza&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as desorganizadas obedeceu aos pressupostos definidos por Solomon, George, e De Jong (1995). H&aacute; uma tend&ecirc;ncia para desfechos marcados pelo controlo da situa&ccedil;&atilde;o ou fins catastr&oacute;ficos em que as personagens s&atilde;o geralmente representadas como totalmente impotentes ou absolutamente s&oacute;s. A introdu&ccedil;&atilde;o de temas de desintegra&ccedil;&atilde;o das personagens ou da fam&iacute;lia &eacute; comum. O exerc&iacute;cio da disciplina evocado traduz-se geralmente em ac&ccedil;&otilde;es exageradas e violentas, onde predominam os conte&uacute;dos agressivos e de destrui&ccedil;&atilde;o. Muitas vezes, s&atilde;o atribu&iacute;das fun&ccedil;&otilde;es parentais &agrave;s personagens representativas das crian&ccedil;as. Estas narrativas s&atilde;o muitas vezes pouco coerentes e desorganizadas, podendo a crian&ccedil;a tamb&eacute;m adoptar uma postura de inibi&ccedil;&atilde;o, ansiedade ou mutismo. </P >     <P>Para al&eacute;m dos prot&oacute;tipos enunciados, os autores desta metodologia    de codifica&ccedil;&atilde;o procuraram real&ccedil;ar as caracter&iacute;sticas    do brincar e das representa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. Assim, ap&oacute;s    uma an&aacute;lise em componentes principais, definiram 6 escalas, correspondentes    a cada aspecto espec&iacute;fico do brincar: A &ndash; colabora&ccedil;&atilde;o;    B &ndash; representa&ccedil;&otilde;es do apoio parental; C &ndash; narrativa    positiva; D &ndash; express&atilde;o adequada dos afectos; E &ndash; reac&ccedil;&atilde;o    &agrave; separa&ccedil;&atilde;o; F &ndash; dist&acirc;ncia simb&oacute;lica    e, G &ndash; falha na compet&ecirc;ncia narrativa. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Escala de Audi&ccedil;&atilde;o e Fala da Prova de Desenvolvimento de Ruth Griffiths </I>(Griffiths, 1970) </P >     <P>Para garantir a comparabilidade dos v&aacute;rios grupos da nossa investiga&ccedil;&atilde;o,    em termos de compet&ecirc;ncias lingu&iacute;sticas, recorremos a uma escala    da prova de desenvolvimento concebida por Griffiths (1970), a &ldquo;Escala    de Audi&ccedil;&atilde;o e Fala&rdquo;. De todas as escalas que comp&otilde;em    a prova, esta &eacute;, segundo Griffiths (1970), a mais intelectual por apelar    &agrave; diversifica&ccedil;&atilde;o do vocabul&aacute;rio, &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o    de diferentes componentes do discurso e ao uso de frases para descrever as rela&ccedil;&otilde;es    entre imagens. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P >     <P><I>Procedimento </I></P >    <P>Neste estudo foram constitu&iacute;dos dois grupos &ldquo;experimentais&rdquo; (v&iacute;timas de maus-tratos e v&iacute;timas de neglig&ecirc;ncia) e um grupo &ldquo;controlo&rdquo; (crian&ccedil;as sem suspeita de maus-tratos ou neglig&ecirc;ncia) atendendo ao delineamento &ldquo;quasi-experimental&rdquo; adoptado. Constitu&iacute;mos tamb&eacute;m grupos em fun&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel independente g&eacute;nero das crian&ccedil;as e da exist&ecirc;ncia uma rela&ccedil;&atilde;o privilegiada com um de adulto significativo n&atilde;o maltratante ou negligente. </P >    <P>A composi&ccedil;&atilde;o dos grupos foi feita com base numa abordagem combinada em que se conciliaram as classifica&ccedil;&otilde;es de maus-tratos e neglig&ecirc;ncia usadas pelas institui&ccedil;&otilde;es que colaboraram connosco (Comiss&otilde;es de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens) com crit&eacute;rios espec&iacute;ficos para a investiga&ccedil;&atilde;o e os resultados da vers&atilde;o modificada do QMN (Calheiros, 1996), de acordo com a proposta de Crittenden, Claussen, e Sugarman (1994). Esta op&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica baseou-se nos resultados obtidos em investiga&ccedil;&otilde;es com amostras de crian&ccedil;as maltratadas ou negligenciadas, que demonstram que a utiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es provenientes de diferentes fontes (ex.: registos m&eacute;dicos, question&aacute;rios, entrevistas, relat&oacute;rios de servi&ccedil;os de protec&ccedil;&atilde;o de menores, etc.), permite uma defini&ccedil;&atilde;o mais clara da tipologia de maus-tratos e de neglig&ecirc;ncia e uma redu&ccedil;&atilde;o da heterogeneidade dos grupos (Mash &amp; Wolfe, 1991). De facto, a adop&ccedil;&atilde;o de combina&ccedil;&otilde;es de crit&eacute;rios em que se associam designa&ccedil;&otilde;es oficiais com designa&ccedil;&otilde;es independentes, permite garantir a especificidade necess&aacute;ria para os objectivos da investiga&ccedil;&atilde;o (Giovannoni, 1989). </P >     <P>Considerando os objectivos do estudo, as crian&ccedil;as avaliadas permaneciam    integradas na fam&iacute;lia. O primeiro grupo estudado era composto por crian&ccedil;as    com hist&oacute;ria de maus-tratos com processo instaurado nas Comiss&otilde;es    de Protec&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as e Jovens, situa&ccedil;&atilde;o    confirmada e tipificada atrav&eacute;s da vers&atilde;o modificada do QMN (Calheiros,    1996). O segundo grupo incluiu as crian&ccedil;as v&iacute;timas de neglig&ecirc;ncia    cuja situa&ccedil;&atilde;o foi tamb&eacute;m sinalizada &agrave;quelas entidades    e corroborada pelo QMN (Calheiros, 1996). As crian&ccedil;as que compunham o    grupo &ldquo; controlo&rdquo; eram utentes de Institui&ccedil;&atilde;o Particular    de Solidariedade Social, integradas no ensino pr&eacute;-escolar ou em ATL (Actividades    de Tempos Livres) e n&atilde;o apresentavam indicadores de vitimiza&ccedil;&atilde;o.    O recrutamento dos participantes visou a comparabilidade das amostras relativamente    &agrave;s vari&aacute;veis: idade, g&eacute;nero, compet&ecirc;ncias verbais    e estatuto s&oacute;cio-econ&oacute;mico. </P >     <P>Ap&oacute;s o contacto com as CPCJ&rsquo;s foi efectuado o preenchimento do    QMN (Calheiros, 1996) em conjunto com os t&eacute;cnicos gestores de caso e    com base nos registos existentes nos processos individuais das crian&ccedil;as.    Em seguida, agendaram-se os momentos de contacto com os pais de modo a prestarem    o consentimento para que os seus filhos pudessem participar no estudo e, havendo    concord&acirc;ncia, marcaram-se os momentos de avalia&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as,    preferencialmente nas instala&ccedil;&otilde;es das CPCJ&rsquo;s. Houve, no    entanto, uma excep&ccedil;&atilde;o: realizou-se a avalia&ccedil;&atilde;o de    uma crian&ccedil;a no equipamento de apoio &agrave; inf&acirc;ncia que frequentava,    a pedido dos pais. </P >     <P>A aplica&ccedil;&atilde;o das provas de avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica    teve a dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 45 minutos por crian&ccedil;a e    foi sempre efectuada em gabinete fechado, com as dimens&otilde;es e as condi&ccedil;&otilde;es    de conforto adequadas. A ASCT (Bretherton et al., 1990) foi gravada em &aacute;udio,    sendo o registo dos comportamentos n&atilde;o-verbais efectuado por escrito.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">RESULTADOS </P >     <P>Os Q-scores de seguran&ccedil;a, desactiva&ccedil;&atilde;o, hiperactiva&ccedil;&atilde;o    e desorganiza&ccedil;&atilde;o foram determinados para todos os indiv&iacute;duos    estudados (<I>N</I>=90). As m&eacute;dias, os devios-padr&atilde;o, os valores    m&iacute;nimos e m&aacute;ximos de cada estrat&eacute;gia da vincula&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o apresentados no Quadro 1. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">QUADRO 1 </P >     <P align="center"><I>Valores m&eacute;dios, m&aacute;ximos e m&iacute;nimos observados    nas representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o por estrat&eacute;gia    de vincula&ccedil;&atilde;o </I></P >     <P align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a02t1.gif" width="656" height="93"></i></P >     
<P align="center">&nbsp;</P >     <P>Nos Quadros 2, 3 e 4 apresentamos as m&eacute;dias, os devios-padr&atilde;o,    os valores m&iacute;nimos e m&aacute;ximos, por estrat&eacute;gia de vincula&ccedil;&atilde;o,    para cada grupo. A testagem das hip&oacute;teses de investiga&ccedil;&atilde;o    foi antecedida da garantia de homocedasticidade e de comparabilidade das amostras,    pela confirma&ccedil;&atilde;o da inexist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas    entre os grupos, relativamente &agrave;s vari&aacute;veis: idade (atrav&eacute;s    da an&aacute;lise de vari&acirc;ncia), compet&ecirc;ncias verbais, classe social    e g&eacute;nero (atrav&eacute;s do teste de Qui-Quadrado). As 2 vari&aacute;veis    relacionadas com a idade (idade da crian&ccedil;a &agrave; data da aplica&ccedil;&atilde;o    da prova de avalia&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o    e idade da crian&ccedil;a &agrave; data da sinaliza&ccedil;&atilde;o), s&atilde;o    cont&iacute;nuas e, por isso, apur&aacute;mos se diferiam significativamente    da distribui&ccedil;&atilde;o normal, nas 3 amostras, atrav&eacute;s do teste    de Kolmogorov-Smirnov. Garantidos estes pressupostos prosseguimos para a testagem    das hip&oacute;teses. </P >     <P align="center">QUADRO 2 </P >     <P align="center"><I>M&eacute;dias, Desvios-padr&atilde;o, valores m&iacute;nimos    e m&aacute;ximos das estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o no grupo    de crian&ccedil;as maltratadas </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a02t2.gif" width="659" height="96"></P >     
<P align="center">QUADRO 3 </P >     <P align="center"><I>M&eacute;dias, Desvios-padr&atilde;o, valores m&iacute;nimos    e m&aacute;ximos das estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o no grupo    de crian&ccedil;as negligenciadas </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a02t3.gif" width="657" height="93"></P >     
<P align="center">QUADRO 4 </P >     <P align="center"   ><I>M&eacute;dias, Desvios-padr&atilde;o, valores m&iacute;nimos e m&aacute;ximos    das estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o no grupo controlo </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a02t4.gif" width="656" height="94"></P >     
<P>&nbsp;</P >     <P>As 6 primeiras hip&oacute;teses de investiga&ccedil;&atilde;o (Hip&oacute;tese    1 &ndash; no grupo composto por crian&ccedil;as maltratadas, as m&eacute;dias    dos Q-scores de desactiva&ccedil;&atilde;o, hiperactiva&ccedil;&atilde;o e desorganiza&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o significativamente mais elevadas do que as m&eacute;dias dos Q-scores    do grupo de crian&ccedil;as sem suspeita de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia;    Hip&oacute;tese 2 &ndash; a m&eacute;dia dos Q-scores de seguran&ccedil;a &eacute;    significativamente mais elevada no grupo de crian&ccedil;as sem suspeita de    maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia que no grupo de crian&ccedil;as v&iacute;timas    de maus-tratos; Hip&oacute;tese 3 &ndash; no grupo de crian&ccedil;as v&iacute;timas    de neglig&ecirc;ncia, as m&eacute;dias do Q-scores de desactiva&ccedil;&atilde;o,    hiperactiva&ccedil;&atilde;o e desorganiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o significativamente    mais elevadas do que as m&eacute;dias dos Q-scores do grupo de crian&ccedil;as    sem suspeita de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia; Hip&oacute;tese 4 &ndash;    a m&eacute;dia do Q-score de seguran&ccedil;a &eacute; mais elevada no grupo    de crian&ccedil;as sem suspeita de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia que no    grupo de crian&ccedil;as v&iacute;timas de neglig&ecirc;ncia; Hip&oacute;tese    5 &ndash; no grupo de crian&ccedil;as maltratadas, a m&eacute;dia do Q-score    de desorganiza&ccedil;&atilde;o &eacute; significativamente mais elevada do    que a m&eacute;dia do Q-score de desorganiza&ccedil;&atilde;o no grupo de crian&ccedil;as    negligenciadas; Hip&oacute;tese 6 &ndash; no grupo de crian&ccedil;as v&iacute;timas    de neglig&ecirc;ncia, a m&eacute;dia do Q-score de desactiva&ccedil;&atilde;o    &eacute; significativamente mais elevada do que a m&eacute;dia do Q-score de    desactiva&ccedil;&atilde;o no grupo de crian&ccedil;as maltratadas) foram testadas    com o recurso &agrave; estat&iacute;stica param&eacute;trica, designadamente    &agrave; an&aacute;lise de vari&acirc;ncia seguida dos testes de Tukey e Scheffe.    A homogeneidade das vari&acirc;ncias foi confirmada pelo teste de Levene e a    igualdade das m&eacute;dias das amostras, atrav&eacute;s dos testes de Welch    e de Brown-Forsythe. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vari&aacute;vel seguran&ccedil;a,    verific&aacute;mos que existem diferen&ccedil;as entre os 3 grupos [<i>F</i>(2,87)=18,235;    <i>p</i>=0,000]. Na vari&aacute;vel desactiva&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m    se observam diferen&ccedil;as entre os 3 grupos [<i>F</i>(2,87)= 16,306; <i>p</i>=0,000].    Tamb&eacute;m se observaram diferen&ccedil;as na vari&aacute;vel dependente    hiperactiva&ccedil;&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o da amostra sujeitos [<i>F</i><sub>(2,87)</sub>=5,776;    <I>p</I>=0,004]. Finalmente, no que concerne &agrave; desorganiza&ccedil;&atilde;o    os valores da estat&iacute;stica tamb&eacute;m indiciam a exist&ecirc;ncia de    diferen&ccedil;as entre as amostras [<I>F</I><Sub>(2,87)</Sub>=13,020; <I>p</I>=0,000].    Para percebermos entre que grupos ocorrem as diferen&ccedil;as identificadas    na an&aacute;lise de vari&acirc;ncia, efectu&aacute;mos o teste de Tukey (Honest    Significant Difference). Esta an&aacute;lise permite-nos aceitar H1 relativamente    &agrave;s vari&aacute;veis seguran&ccedil;a, desactiva&ccedil;&atilde;o e desorganiza&ccedil;&atilde;o,    pois observaram-se diferen&ccedil;as significativas entre a amostra de crian&ccedil;as    maltratadas e a amostra de crian&ccedil;as sem suspeita de vitimiza&ccedil;&atilde;o.  </P >     <P>As hip&oacute;teses 5 (no grupo de crian&ccedil;as maltratadas, a m&eacute;dia do Q-score de desorganiza&ccedil;&atilde;o &eacute; significativamente mais elevada do que a m&eacute;dia do Q-score de desorganiza&ccedil;&atilde;o no grupo de crian&ccedil;as negligenciadas) e 6 (no grupo de crian&ccedil;as v&iacute;timas de neglig&ecirc;ncia, a m&eacute;dia do Q-score de desactiva&ccedil;&atilde;o &eacute; significativamente mais elevada do que a m&eacute;dia do Q-score de desactiva&ccedil;&atilde;o no grupo de crian&ccedil;as maltratadas) n&atilde;o foram confirmadas, uma vez que n&atilde;o se observaram diferen&ccedil;as significativas ao n&iacute;vel da desorganiza&ccedil;&atilde;o e desactiva&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as v&iacute;timas de maus-tratos e crian&ccedil;as v&iacute;timas de neglig&ecirc;ncia. </P >    <P>O facto de n&atilde;o se terem confirmado diferen&ccedil;as significativas entre as crian&ccedil;as do g&eacute;nero masculino e feminino, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o adoptadas, n&atilde;o permite aceitar as hip&oacute;teses 7 (nas crian&ccedil;as do g&eacute;nero masculino dos 3 grupos &ndash; maltratadas, negligenciadas e sem suspeita de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia &ndash;, as m&eacute;dias dos Q-scores de desactiva&ccedil;&atilde;o, hiperactiva&ccedil;&atilde;o e desorganiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o significativamente mais elevadas do que as m&eacute;dias dos Q-scores das crian&ccedil;as do g&eacute;nero feminino dos mesmos grupos) e 8 (a m&eacute;dia do Q-score de seguran&ccedil;a &eacute; significativamente mais elevada nas crian&ccedil;as do g&eacute;nero feminino dos 3 grupos do que a m&eacute;dia do Q-score observada em crian&ccedil;as do g&eacute;nero masculino dos mesmos grupos). Os resultados do teste <I>t </I>de Student, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quatro vari&aacute;veis dependentes foram: seguran&ccedil;a [<I>t</I><Sub>(88)</Sub>=0,907; <I>p</I>=0,367], desactiva&ccedil;&atilde;o [<I>t</I><Sub>(88)</Sub>=-0,016; <I>p</I>=0,312], hiperactiva&ccedil;&atilde;o [<I>t</I><Sub>(88)</Sub>= 1,341; <I>p</I>=0,183] e desorganiza&ccedil;&atilde;o [<I>t</I><Sub>(88)</Sub>=-0,300; <I>p</I>=0,765]. </P >     <P>A influ&ecirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o com um adulto significativo n&atilde;o    maltratante ou n&atilde;o negligente tamb&eacute;m n&atilde;o pareceu determinar    diferen&ccedil;as em termos de estrat&eacute;gias de vincula&ccedil;&atilde;o    em crian&ccedil;as v&iacute;timas de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia, pelo    que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel aceitar as hip&oacute;teses 9 (as crian&ccedil;as    maltratadas ou negligenciadas que n&atilde;o estabeleceram uma rela&ccedil;&atilde;o    com um adulto significativo n&atilde;o maltratante ou n&atilde;o negligente    apresentam m&eacute;dias dos Q-scores de desactiva&ccedil;&atilde;o, hiperactiva&ccedil;&atilde;o    e desorganiza&ccedil;&atilde;o significativamente mais elevadas do que as m&eacute;dias    dos Q-scores das crian&ccedil;as maltratadas ou negligenciadas que estabeleceram    uma rela&ccedil;&atilde;o com um adulto significativo n&atilde;o maltratante    ou n&atilde;o negligente) e 10 (a m&eacute;dia do Q-score de seguran&ccedil;a    &eacute; significativamente mais elevada no grupo de crian&ccedil;as maltratadas    ou negligenciadas que estabeleceram uma rela&ccedil;&atilde;o com um adulto    significativo n&atilde;o maltratante ou n&atilde;o negligente do que a m&eacute;dia    no grupo de crian&ccedil;as maltratadas ou negligenciadas que n&atilde;o estabeleceram    qualquer rela&ccedil;&atilde;o com um adulto significativo n&atilde;o maltratante    ou n&atilde;o negligente). Os valores registados foram: em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; estrat&eacute;gia segura, <I>t</I><Sub>(58)</Sub>=-0,157 e <I>p</I>=0,876;    para a desactiva&ccedil;&atilde;o, <I>t</I><Sub>(58)</Sub>=0,259 e <I>p</I>=0,797;    na estrat&eacute;gia hiperactivada <I>t</I><Sub>(58)</Sub>=-0,195 e <I>p</I>=0,846    e, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; estrat&eacute;gia desorganizada <I>t</I><Sub>(58)</Sub>=0,575    e <I>p</I>=0,568. </P >     <P>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">DISCUSS&Atilde;O </P >     <P>Os resultados da presente investiga&ccedil;&atilde;o corroboram a hip&oacute;tese    de que as experi&ecirc;ncias de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia na inf&acirc;ncia    est&atilde;o significativamente associadas a representa&ccedil;&otilde;es inseguras    da vincula&ccedil;&atilde;o (desactivadas, hiperactivadas e desorganizadas)    em crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar. N&atilde;o se verificaram, contudo,    diferen&ccedil;as significativas entre o grupo de crian&ccedil;as maltratadas    e o grupo de crian&ccedil;as negligenciadas no que concerne &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es    da vincula&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m no que diz respeito ao g&eacute;nero    das crian&ccedil;as, n&atilde;o se observaram diferen&ccedil;as ao n&iacute;vel    das representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o. A exist&ecirc;ncia    de um adulto significativo n&atilde;o maltratante n&atilde;o influenciou significativamente    as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as    maltratadas ou negligenciadas. </P >     <P>A presente investiga&ccedil;&atilde;o permitiu ainda concluir que as metodologias de avalia&ccedil;&atilde;o e de classifica&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o utilizadas parecem adequar-se &agrave;s amostras estudadas. Quanto &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es deste estudo, importa real&ccedil;ar as dificuldades observadas ao n&iacute;vel da discrimina&ccedil;&atilde;o entre maus-tratos e neglig&ecirc;ncia (fen&oacute;menos geralmente concomitantes), as dificuldades na avalia&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o (aplica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o filmadas; investiga&ccedil;&atilde;o, aplica&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o das provas efectuada pela mesma pessoa), a impossibilidade metodol&oacute;gica de determinar a influ&ecirc;ncia da precocidade dos abusos nas representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o bem como a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o com um adulto significativo sobre as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, no contexto da hierarquia das vincula&ccedil;&otilde;es (Main, 1999). Assim, sugere-se o aprofundamento destas influ&ecirc;ncias recorrendo ao conceito de apoio social (percebido pela pr&oacute;pria crian&ccedil;a e pelo adulto prestador de cuidados). Parece-nos, tamb&eacute;m, premente esclarecer at&eacute; que ponto estas representa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o est&aacute;veis e a sua rela&ccedil;&atilde;o com as representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o do adulto respons&aacute;vel pela crian&ccedil;a, segundo o princ&iacute;pio da transmiss&atilde;o intergeracional (Fonagy &amp; Target, 1997; Miljokovitch, Pierrehumbert, Bretherton, &amp; Halfon, 2004; Soares, 1996; Zeanah, Benoit, Barton, Regan, &amp; Hirshberg, 1993), com vista &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de factores protectores e de risco que possam orientar a adop&ccedil;&atilde;o de medidas preventivas e de interven&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as v&iacute;timas de maus-tratos ou de neglig&ecirc;ncia e suas fam&iacute;lias. </P >     <P>O facto de termos observado um n&uacute;mero significativo de vincula&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o seguras nos grupos de alto-risco estudados (v&iacute;timas de maus-tratos    ou de neglig&ecirc;ncia) justifica o delineamento de programas de interven&ccedil;&atilde;o    baseados na Teoria da Vincula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;ficos para estas    fam&iacute;lias. Estes programas teriam como objectivo principal a promo&ccedil;&atilde;o    de mudan&ccedil;as nas representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o    atrav&eacute;s de uma abordagem centrada nas interac&ccedil;&otilde;es m&atilde;e-crian&ccedil;a.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P>Ainsworth, M., &amp; Bell, S. (1970). Attachment, exploration, and separation:    Illustrated by the behavior of one-year-olds in a strange situation. <I>Child    Development</I>, <I>41</I>, 49-67. </P >     <P>Ainsworth, M., Bell, S., &amp; Stayton, J. (1971). Individual differences in    Strange-Situation Behavior of One-year-olds. In H. Schaffer (Ed.), <I>The origins    of </I><I>Human Social Relations. </I>London: Academic Press.</P >     <P> Ainsworth, M. Blehar, M., Waters, E., &amp; Wall, S. (1978). <I>Patterns of    attachment: A psychological study of the </I><I>strange situation. </I>Hillsdale:    Lawrence Erlbaum. </P >     <P>Bowlby, J. (1940). The influence of early environment in the development of    neurosis and neurotic character. <I>The International Journal of Psycho-</I><I>Analysis</I>,    <I>21</I>, 154-178. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Bowlby, J. (1958). The nature of the child&rsquo;s tie to the mother. <I>The International Journal of Psycho-Analysis</I>, <I>39</I>, 350-373. </P >    <P>Bowlby, J. (1969). <I>Attachment and loss </I>(vol. I). New York: Basic Books. </P >    <P>Bowlby, J. (1981). <I>Cuidados maternos e sa&uacute;de mental</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. </P >    <P>Bowlby, J. (1988). <I>A secure base</I>. New York: Basic Books. </P >     <P>Bretherton, I., Ridgeway, D., &amp; Cassidy, J. (1990). Assessing internal    working models of the attachment relationship: An attachment story completion    task for 3 year-olds. In M. Greenberg, D. Cicchetti, &amp; E. Cummings (Eds.),    <I>Attachment in the preschool years: theory, research, and intervention </I>(pp.    273-308). Chicago: The Chicago University Press.</P >     <P> Calheiros, M. (1996). <I>Defini&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o    e factores psico-sociais do mau trato e neglig&ecirc;ncia a crian&ccedil;as    na fam&iacute;lia</I>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Psicologia Social    e das Organiza&ccedil;&otilde;es no Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias do    Trabalho e da Empresa. Lisboa: ISCTE. </P >     <!-- ref --><P>Calheiros, M. (1998). Elabora&ccedil;&atilde;o e Estudo de um Question&aacute;rio    de Avalia&ccedil;&atilde;o de Maus-tratos e Neglig&ecirc;ncia a Crian&ccedil;as.    <I>Revista Portuguesa de Psicologia</I>, <I>33</I>, 91-121. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0870-8231200900010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>Carlson, V., Cicchetti, D., Barnett, D., &amp; Braunwald, K. (1989). Disorganized/Disoriented    attachment relationships in maltreated infants<I>. Developmental Psychology,    25, </I>525-531. </P >     <P>Cicchetti, D., &amp; Toth, S. (1995). A developmental psychopathology perspective    on child abuse and neglect. <I>Journal of the American Academy of Child and    Adolescent Psychiatry, 34, </I>541-565. </P >     <P>C&oacute;digo Civil Portugu&ecirc;s. (1990). Coimbra: Almedina. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>C&oacute;digo Penal Portugu&ecirc;s. (1982). Coimbra: Almedina. </P >     <P>Crittenden, P. (1985). Social networks, quality of child rearing and child    development. <I>Child Development, 56, </I>1299-1313.</P >     <P> Crittenden, P. (1988a). Maltreated infants: Vulnerability and resilience.    <I>Journal of Child Psychology and Psychiatry and Allied Disciplines</I>, <I>26</I>,    85-96. </P >     <P>Crittenden, P. (1988b). Relationships at risk. In J. Belsky &amp; T. Nezworski    (Eds.), <I>Clinical implications of attachment</I>. Hillsdale: Lawrence Erlbaum.  </P >     <P>Crittenden, P., Claussen, A., &amp; Sugarman, D. (1994). Physical and psychological    maltreatment in middle childhood and adolescence. <I>Development and Psychopathology</I>,    <I>6</I>, 145-164. </P >     <!-- ref --><P>Figueiredo, B. (1998). Maus-tratos &agrave; crian&ccedil;a e aos adolescente    (I): Situa&ccedil;&atilde;o e enquadramento da problem&aacute;tica. <I>Psicologia:    Teoria, Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica, 3, </I>197-216. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-8231200900010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>Fonagy, P., &amp; Target, M. (1997). Attachment and reflexive function: Their role in self-organization. <I>Development and Psychopathology</I>, <I>9</I>, 679-700. </P >    <P>George, C., &amp; Solomon, J. (1999). Attachment and caregiving: The caregiving behavioral system. In J. Cassidy &amp; P. Shaver (Eds.), <I>Handbook of attachment: Theory, research and clinical implications </I>(pp. 649-670). New York: Guilford Press. </P >     <P>Giovannoni, J. (1989). Definitional issues in child maltreatment. In D. Cicchetti    &amp; V. Carlson (Eds.), <I>Child maltreatment: Theory and research on the causes    and consequences of child abuse and neglect. </I>New York: Cambridge University    Press. </P >     <P>Griffiths, R. (1970). <I>The abilities of young children</I>. London: Child development research centre. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Hollman, C., &amp; McNamara, J. (1999). Considerations in the use of active and passive parental consent procedures. <I>The Journal of Psychology</I>, <I>133</I>, 141-156. </P >    <P>Main, M. (1999). Epilogue. Attachment theory: Eighteen points with suggestions for future studies. In J. Cassidy &amp; P. Shaver (Eds.), <I>Handbook of attachment: Theory, research and clinical implications </I>(pp. 845-888). New York: The Guilford Press. </P >    <P>Main, M., Kaplan, N., &amp; Cassidy, J. (1985). Security in infancy, childhood and adulthood: A move to the level of representation. In I. Bretherton &amp; E. Waters (Eds.), <I>Growing points of attachment theory and research. Monographs for the Society in Child Development</I>, <I>50 </I>(1-2, Serial n&ordm;. 209), 66-104. </P >    <P>Mash, E., &amp; Wolfe, D. (1991). Methodological issues in research on physical child abuse. <I>Criminal Justice and Behavior</I>, 18, 8-29. </P >    <P>Miljokovitch, R., Pierrehumbert, B., Bretherton, I., &amp; Halfon, O. (2004). Associations between parental and child attachment representations<I>. Attachment &amp; Human Development, 6, </I>305-325. </P >    <P>Miljokovitch, R., Pierrehumbert, B., Karmaniola, A., &amp; Halfon, O. (2003). Les representations d&rsquo;attachment du jeune enfant. D&eacute;veloppement d&rsquo;un syst&egrave;me de codage pour les histoires &agrave; compl&eacute;ter<I>. Devenir</I>, <I>15</I>, 143-177. </P >    <P>Radke-Yarrow, M., Cummings, E., Kuczynski, L., &amp; Chapman, M. (1985). Patterns of attachment in two- and three-year-olds in normal families and in families with parental depression. <I>Child Development</I>, <I>56</I>, 884-893. </P >    <P>Soares, I. (1996). <I>Representa&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o na idade adulta e na adolesc&ecirc;ncia</I>. Braga: Servi&ccedil;o de Publica&ccedil;&otilde;es do Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia. </P >    <P>Solomon, J., George, C., &amp; De Jong, A. (1995). Children classified as controlling at age six: Evidence of disorganized representational strategies and aggression at home and at school. <I>Development and Psychopathology</I>, <I>7</I>, 447-463. </P >     <P>Spieker, S., &amp; Booth, C. (1988). Maternal antecedents of attachment quality.    In J. Belsky &amp; T. Nezworski (Eds.), <I>Clinical implications of attachment    </I>(pp. 95-135). Hillsdale: Lawrence Erlbaum. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Stovall-McClough, K., &amp; Dozier, M. (2004). Forming attachment in foster    care: Infant attachment behaviors during the first 2 months of placement. <I>Development    and Psychopathology, 16, </I>253-271. </P >     <P>van IJzendoorn, M., Schuengel, C., &amp; Bakersman-Kranenburg, M. (1999). Disorganized    attachment in early childhood: Meta-analysis of precursors, concomitants, and    sequelae. <I>Development and Psychopathology</I>, <I>11</I>, 225-249. </P >     <P>Waters, H., Rodrigues, L., &amp; Ridgeway, D. (1998). Cognitive underpinnings    of narrative attachment assessment. <I>Journal of Experimental Child Psychology</I>,    <I>71</I>, 211-234 </P >     <P>Zeanah, C., Benoit, D., Barton, M., Regan, C., &amp; Hirshberg, D. (1993).    Representations of attachment in mothers and their one-year-old infants. <I>Journal    of the American Academy of Child &amp; Adolescent Psychiatry, 32, </I>278-286.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>Agradecimentos: Os autores gostariam de agradecer a todas as crian&ccedil;as    que aceitaram participar neste estudo. </P >     <P><a name="1"></a>(<a href="#top1">*</a>) Doutoranda em Psicologia Cl&iacute;nica    na Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da    Universidade de Lisboa, Bolseira pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia    e Tecnologia SFRH/BD/23178/2005. E-mail: <a href="mailto:renatabenavente@gmail.com">renatabenavente@gmail.com</a>  </P >     <P><a name="2"></a>(<a href="#top2">**</a>) Professor Auxiliar, Faculdade de Psicologia    e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa. </P >     <P><a name="3"></a>(<a href="#top3">***</a>) Professora Associada, UIPCDE; Instituto    Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. </P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Calheiros]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Elaboração e Estudo de um Questionário de Avaliação de Maus-tratos e Negligência a Crianças]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Psicologia]]></source>
<year>1998</year>
<volume>33</volume>
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<surname><![CDATA[Figueiredo]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Maus-tratos à criança e aos adolescente (I): Situação e enquadramento da problemática]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Teoria, Investigação e Prática]]></source>
<year>1998</year>
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<page-range>197-216</page-range></nlm-citation>
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