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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O efeito de ordem temporal no pensamento contrafactual das crianças]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[When adults think in a counterfactual way, about what might have been different in a random sequence of events, such as in the case of a cointossing game (heads or tails), they are influenced by the order in which these events take place, showing an effect of temporal order and thus attribute emotions, such as guilt (in the case of loss), to the last player. In this context we will present two experiments. In a first experiment we studied if the temporal order effect occurred in children, as well as the emotional judgments of sadness and guilt caused by this effect. And, moreover, we also wanted to know if this can be eliminated, as occurs in adults when the game is interrupted and then restarts from the beginning. We found that the effect of temporal order happens from 6 years old, but its reduction/elimination occurs only to 10 years of age, as expected, given the increased representational capacity of these children comparing to the younger. At the level of emotional trials, they differed over the ages. In a second experiment, we studied if the temporal order effect would take place in the children when of a positive result, as well as the emotional judgements of happiness and pride. We found that from early the children also show an effect of temporal order for beneficial results. At the level of the emotional judgments, this seems congruent with the temporal order effect. These results will be discussed in terms of his implications for the understanding of the development of the mental representations.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Crianças]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>O efeito de ordem temporal no pensamento contrafactual das crian&ccedil;as</b></P >     <P align="right">C&eacute;lia Rasga (<a href="#4">*</a>) <a name="top4" id="top4"></a></P >     <P align="right">Ana Cristina Quelhas (<a href="#4">*</a><a name="top4"></a>)</P>      <P>&nbsp;</P >     <P align="center">RESUMO </P >     <P>Quando os adultos pensam contrafactualmente, acerca do que poderia ter sido    diferente numa sequ&ecirc;ncia aleat&oacute;ria de acontecimentos, como por    exemplo num jogo de moeda ao ar (cara ou coroa), s&atilde;o influenciadas pela    ordem em que esses acontecimentos ocorrem, exibindo um efeito de ordem temporal,    e consequentemente atribuem emo&ccedil;&otilde;es como a culpa (no caso de perderem)    ao &uacute;ltimo jogador (ver Byrne, 2005, para uma revis&atilde;o). Neste &acirc;mbito,    iremos apresentar duas experi&ecirc;ncias. Numa primeira experi&ecirc;ncia    estud&aacute;mos se o efeito de ordem temporal ocorria nas crian&ccedil;as,    assim como os julgamentos emocionais de tristeza e culpa decorrentes deste efeito.    E, por outro lado, tamb&eacute;m quer&iacute;amos saber se este efeito pode    ser eliminado, tal como se verifica em adultos quando o jogo &eacute; interrompido    e depois recome&ccedil;a do in&iacute;cio. Verific&aacute;mos que o efeito de    ordem temporal se cumpre desde os 6 anos de idade, mas a sua redu&ccedil;&atilde;o/elimina&ccedil;&atilde;o surge apenas aos 10 anos de idade, tal como se esperava,    dada a maior capacidade representacional destas crian&ccedil;as face &agrave;s    mais novas. Ao n&iacute;vel dos julgamentos emocionais, estes diferem ao longo    das idades. Numa segunda experi&ecirc;ncia, estud&aacute;mos se o efeito de    ordem temporal ocorreria nas crian&ccedil;as aquando de um resultado positivo,    bem como os julgamentos emocionais de felicidade e orgulho. E encontr&aacute;mos    que desde cedo as crian&ccedil;as tamb&eacute;m exibem um efeito de ordem temporal    para resultados ben&eacute;ficos. Ao n&iacute;vel dos julgamentos emocionais,    estes aparecem congruentes com o efeito de ordem temporal. Estes resultados    ser&atilde;o discutidos em termos das suas implica&ccedil;&otilde;es para a    compreens&atilde;o do desenvolvimento das representa&ccedil;&otilde;es mentais.  </P >     <P><I>Palavras chave: </I>Crian&ccedil;as, Emo&ccedil;&otilde;es, Modelos mentais,    Ordem temporal, Pensamento contrafactual. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">ABSTRACT </P >     <P>When adults think in a counterfactual way, about what might have been different    in a random sequence of events, such as in the case of a cointossing game (heads    or tails), they are influenced by the order in which these events take place,    showing an effect of temporal order and thus attribute emotions, such as guilt    (in the case of loss), to the last player. In this context we will present two    experiments. In a first experiment we studied if the temporal order effect occurred    in children, as well as the emotional judgments of sadness and guilt caused    by this effect. And, moreover, we also wanted to know if this can be eliminated,    as occurs in adults when the game is interrupted and then restarts from the    beginning. We found that the effect of temporal order happens from 6 years old,    but its reduction/elimination occurs only to 10 years of age, as expected, given    the increased representational capacity of these children comparing to the younger.    At the level of emotional trials, they differed over the ages. In a second experiment,    we studied if the temporal order effect would take place in the children when    of a positive result, as well as the emotional judgements of happiness and pride.    We found that from early the children also show an effect of temporal order    for beneficial results. At the level of the emotional judgments, this seems    congruent with the temporal order effect. These results will be discussed in    terms of his implications for the understanding of the development of the mental    representations. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Key words: </I>Children, Counterfactual thinking, Emotions, Temporal order.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>&nbsp; </P >     <P>Imaginar racionalmente? Ser&aacute; poss&iacute;vel? Quando as pessoas pensam    sobre o que poderia ter sido, imaginam como uma situa&ccedil;&atilde;o poderia    ter sido diferente. &ldquo;Se a Madame Bovary tivesse casado com outro homem    ent&atilde;o n&atilde;o aturava o palerma do Henry Bovary...&rdquo;. Quem entre    n&oacute;s nunca se questionou acerca do que poderia ter sido ou sucedido se    uma escolha passada tivesse sido diferente? Quem de n&oacute;s, nunca sentiu    arrependimento por uma escolha feita ou um rumo seguido? E tristeza? At&eacute;    culpa ou ainda felicidade? Talvez se tiv&eacute;ssemos estudado mais, talvez    se tiv&eacute;ssemos apostado noutra lotaria, talvez se tiv&eacute;ssemos escolhido    outra rua. De facto, pensar no que poderia ter sido, ou seja, em alternativas    para o nosso pr&oacute;prio passado &eacute; central quer no pensamento humano    quer nos julgamentos de emo&ccedil;&otilde;es. Esta capacidade para pensar em    situa&ccedil;&otilde;es que poderiam ter acontecido, mas que de facto n&atilde;o    aconteceram, emerge cedo no desenvolvimento (Harris, German, &amp; Mills, 1996)    e arrasta-se atrav&eacute;s das diferentes culturas, desenvolvendo-se inclusivamente    na aus&ecirc;ncia de pistas lingu&iacute;sticas (Au, 1983). Deste modo, implica    n&atilde;o apenas uma grande diversidade de compet&ecirc;ncias e processos cognitivos,    como a criatividade (Holfstader, 1985), a capacidade de jogo simb&oacute;lico    (Harris, 2000), a teoria da mente (Ferrell, 2005) a mem&oacute;ria de trabalho    e as fun&ccedil;&otilde;es executivas (Baird &amp; Fugelsang, 2004), o racioc&iacute;nio    dedutivo (Johnson-Laird &amp; Byrne, 1991), aos julgamentos causais (Roese &amp;    Olson, 1995), como tamb&eacute;m implica e cumpre um papel importante nos processos    emocionais, como a culpa (Miller &amp; Gunasegaram, 1990) ou o arrependimento    (Landman, 1987). </P >     <P>A sabedoria popular equipara estes pensamentos <I>do que poderia ter sido    </I>com consequ&ecirc;ncias emocionais negativas (Roese, 1997), tamb&eacute;m    os fil&oacute;sofos ao longo do tempo reflectiram acerca deste pensamento enigm&aacute;tico    (Goodman, 1947), e s&oacute; mais tarde, os psic&oacute;logos se inclinaram    sobre a sua signific&acirc;ncia sobre os sentimentos e o pensamento (Roese &amp;    Olson, 1995). Estamos ent&atilde;o a falar acerca de <I>pensamentos contrafactuais</I>.  </P >     <P>A palavra contrafactual significa, literalmente, contra o facto, o que revela que somos capazes de pensar sobre estados de coisas contr&aacute;rios &agrave; realidade, contr&aacute;rios aos factos. Geralmente, o pensamento contrafactual &eacute; descrito atrav&eacute;s de uma proposi&ccedil;&atilde;o condicional do tipo &ldquo;Se... ent&atilde;o...&rdquo;, envolvendo um antecedente e um consequente. </P >    <P>O pensamento contrafactual ajusta-se em duas grandes fun&ccedil;&otilde;es, por um lado a fun&ccedil;&atilde;o preparativa, ou seja, ajudar as pessoas a aprender com os seus erros de forma a prepar&aacute;-las para uma decis&atilde;o futura; por outro lado, a fun&ccedil;&atilde;o afectiva, a de ajudar as pessoas a sentirem-se melhor acerca de situa&ccedil;&otilde;es que podiam ter corrido pior. Surge paralelamente, uma outra dimens&atilde;o do pensamento contrafactual, a sua direc&ccedil;&atilde;o (Roese, 1994). Quando a alternativa imaginada com a realidade se expressa mais positiva do que a situa&ccedil;&atilde;o presente, experimentamos um pensamento contrafactual ascendente, quando a alternativa imaginada com a realidade se desvenda mais negativa do que a situa&ccedil;&atilde;o presente, geramos um pensamento contrafactual descendente (Kasimatis &amp; Wells, 1995; Roese, 1994). Associadas &agrave; fun&ccedil;&atilde;o e direc&ccedil;&atilde;o do pensamento contrafactual podem estar experi&ecirc;ncias emocionais de arrependimento, culpa, al&iacute;vio, entre outras. </P >     <P>Mas, quando &eacute; que o pensamento contra-factual surge? Ser&aacute; desde    cedo, ou necessita ter como base uma capacidade cognitiva adquirida?</P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>O desenvolvimento do pensamento contra-factual e emo&ccedil;&otilde;es contrafactuais </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Trabalhos recentes t&ecirc;m direccionado os seus objectivos no sentido de    explorarem o papel do pensamento contrafactual em diferentes julgamentos emocionais    nas crian&ccedil;as. Todavia, estas quest&otilde;es ainda n&atilde;o s&atilde;o    de todo claras, embora hoje se reconhe&ccedil;a que, desde cedo, as crian&ccedil;as    desenvolvam o pensamento contra-factual para ocasionar a causalidade para diferentes    acontecimentos. Contudo, ainda n&atilde;o &eacute; evidente como as crian&ccedil;as    ancoram a compet&ecirc;ncia para ponderar alternativas contrafactuais para uma    realidade, assim como o impacto do pensamento contrafactual nas respostas emocionais    para distintos acontecimentos. E, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; clara a    rela&ccedil;&atilde;o entre o desenvolvimento do pensamento contrafactual e    o desenvolvimento das emo&ccedil;&otilde;es contrafactuais (Amsel, Robbins,    Tumarkin, Janit, Foulkes, &amp; Smalley, 2003; Ferrell, 2005; Riggs, Petersen,    Robinson, &amp; Mitchell, 1998). </P >     <P>Come&ccedil;amos por falar na teoria da mente, ou seja, na capacidade de pensar    acerca do conhecimento, das cren&ccedil;as, desejos, inten&ccedil;&otilde;es    e emo&ccedil;&otilde;es dos outros, de forma a prognosticar um comportamento.    Esta habilidade parece surgir na vida das crian&ccedil;as por volta dos tr&ecirc;s/quatro    anos de idade (Bloom, 2003; Wellman, 1992; Wellman 2000). Mas, porqu&ecirc;    a teoria da mente? Existem, na verdade, algumas evid&ecirc;ncias para confiar    numa rela&ccedil;&atilde;o entre o desenvolvimento da teoria da mente e o desenvolvimento    da compreens&atilde;o do pensamento e emo&ccedil;&atilde;o contrafactuais. </P >     <P>O trabalho desenvolvido por Riggs e colaboradores (1998), invoca o conceito de <I>deriva&ccedil;&atilde;o modificada</I>, associando-o a problemas quando as crian&ccedil;as t&ecirc;m dificuldade nas tarefas de falsas cren&ccedil;as. Este conceito traduz-se como uma estrat&eacute;gia usada pelas crian&ccedil;as para, num determinado acontecimento, ignorarem uma parte da informa&ccedil;&atilde;o real e colocarem uma nova parte em cima desse mesmo acontecimento. E, o ser capaz de pensar sobre uma situa&ccedil;&atilde;o ou cren&ccedil;a imagin&aacute;ria que difere da realidade que percebem como verdadeira, &eacute; como um vest&iacute;gio presente em ambos, tanto no pensamento contrafactual como na teoria da mente. </P >    <P>Noutro estudo, Guajardo e Turley-Ames (2004), mant&ecirc;m a conson&acirc;ncia na afinidade entre as capacidades pertencentes ao pensamento contrafactual e teoria da mente, contudo, acrescenta que o parentesco destas duas capacidades pode descender da capacidade lingu&iacute;stica, ou de outras compet&ecirc;ncias cognitivas, tais como a flexibilidade, a mem&oacute;ria de trabalho ou o controlo inibit&oacute;rio. Mas, as suas argumenta&ccedil;&otilde;es estendem-se tamb&eacute;m a que esta rela&ccedil;&atilde;o possa ir mais al&eacute;m, ou seja, estes autores consideram que esta rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas correlacional, como tamb&eacute;m causal. Desde modo, consideram que &eacute; importante o desenvolvimento do racioc&iacute;nio contrafactual, uma vez que este se comporta como necess&aacute;rio para que a teoria da mente se desenvolva. </P >    <P>Mas em que momento &eacute; que a crian&ccedil;a come&ccedil;a a apreender estas realidades e alternativas? Harris, German, e Mills (1996), demonstraram que desde cedo as crian&ccedil;as apresentam uma capacidade de criar pensamentos contrafactuais, sugerindo que as crian&ccedil;as desde os tr&ecirc;s anos de idade, conseguem modelar pensamentos contrafactuais para compreender conclus&otilde;es causais acerca de um resultado que poderia ter sido diferente. Contudo, Kuczaj e Daly (1979) mostraram que em idade pr&eacute;-escolar, as crian&ccedil;as n&atilde;o det&ecirc;m ainda uma capacidade consistente para elaborar espontaneamente pensamentos contrafactuais, apesar de quando solicitados a pensar contrafactualmente, estas crian&ccedil;as demonstram capacidade para responder contrafactualmente (Sobel, 2004). Tamb&eacute;m Riggs e colaboradores (1998), desafiaram as conclus&otilde;es de que as crian&ccedil;as possu&iacute;am uma capacidade precoce de raciocinar contrafactualmente e que as crian&ccedil;as de idade pr&eacute;-escolar avaliavam com base contrafactual a causa de um acontecimento passado. Os seus resultados revelaram um padr&atilde;o indicador de que a capacidade de elaborar um pensamento contrafactual na idade pr&eacute;-escolar era limitado, uma vez que menos de metade da amostra, de ambos os grupos, conseguiram atingir sucesso nas tarefas apresentadas. </P >    <P>Recentemente, tenta-se explicar esta disparidade entre Harris et al. (1996) e Riggs et al. (1998). Por exemplo, German e Nichols (2003) demonstraram que o desempenho nas tarefas que cont&ecirc;m racioc&iacute;nios contrafactuais &eacute; afectado pela complexidade da tarefa proposta. Ao apresentaram a crian&ccedil;as, de tr&ecirc;s e quatro anos, hist&oacute;rias que descreviam uma situa&ccedil;&atilde;o que era fraccionada em tr&ecirc;s cadeias causais, uma pequena, uma m&eacute;dia e uma longa, pediam depois &agrave;s crian&ccedil;as que raciocinassem na alternativa que podia ter acontecido atrav&eacute;s de v&aacute;rios pontos da cadeia, isto &eacute;, consoante o comprimento da respectiva cadeia causal. Paralelamente, estes autores avaliavam tamb&eacute;m a teoria da mente atrav&eacute;s de uma tarefa de falsas cren&ccedil;as. E, o que encontraram foi uma correla&ccedil;&atilde;o entre o pensamento contrafactual e a teoria da mente para as infer&ecirc;ncias subjacentes &agrave;s cadeias m&eacute;dias e longas. Por outro lado, conclu&iacute;ram que a capacidade para raciocinarem contrafactualmente depende firmemente do comprimento inferencial da cadeia, como tamb&eacute;m da idade. Estes autores, acrescentam assim &agrave; literatura uma nova luz, por um lado, a dificuldade nas tarefas de falsas cren&ccedil;as n&atilde;o resulta de uma incapacidade de pensar contrafactualmente, por outro lado, salientam a import&acirc;ncia de ter em conta a complexidade da tarefa. </P >     <P>J&aacute; percebemos que, desde cedo, as crian&ccedil;as demonstram alguma    capacidade para pensar contrafactualmente, mas, quando come&ccedil;am a compreender    as emo&ccedil;&otilde;es nos outros? A compreens&atilde;o emocional dos outros    a partir de uma base contrafactual exige n&atilde;o apenas possuir a capacidade    de pensar contrafactualmente, como tamb&eacute;m conter uma teoria da mente    amadurecida, mas tamb&eacute;m, impera a coordena&ccedil;&atilde;o de ambas.    Desde modo, numa tarefa que solicite um racioc&iacute;nio contrafactual, as    crian&ccedil;as s&atilde;o desafiadas a pensar sobre os estados mentais de outra    pessoa, o que n&atilde;o &eacute; de todo um processo simples, pelo contr&aacute;rio,    comporta-se como um processo bastante complexo, o que faz com que apenas por    volta dos sete anos as crian&ccedil;as consigam ter em conta uma situa&ccedil;&atilde;o    contrafactual para julgar uma resposta emocional de uma personagem. </P >     <P>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tem-se procurado saber mais sobre a compreens&atilde;o    das emo&ccedil;&otilde;es nas crian&ccedil;as. Por volta dos cinco anos de idade,    sabe-se que as crian&ccedil;as reconhecem n&atilde;o apenas a natureza de emo&ccedil;&otilde;es    b&aacute;sicas como a felicidade, tristeza, medo ou ira, como tamb&eacute;m    o tipo de situa&ccedil;&otilde;es que as provocam (Fabes, Eisenberg, Nyman,    &amp; Michelieu, 1991). Sabe-se, tamb&eacute;m, que s&atilde;o capazes de compreender    como a antecipa&ccedil;&atilde;o destas emo&ccedil;&otilde;es pode afectar o    comportamento (Denham &amp; Couchoud, 1990; Strayer, 1986). Por volta dos sete    anos de idade pensa-se que as crian&ccedil;as come&ccedil;am a consciencializarem-se    de como algumas situa&ccedil;&otilde;es podem evocar emo&ccedil;&otilde;es mais    complexas, tais como, a culpa, o orgulho ou a vergonha (Amsel et al., 2003;    Berti, Garattoni, &amp; Venturini, 2000; Guttentag &amp; Ferrell, 2004; Harris,    Olthof, Terwogt, &amp; Hard-Man, 1987; Nunner-Winkler &amp; Sodian, 1988; Thompson,    1987). </P >     <P>Contudo, subsiste uma escassez liter&aacute;ria que desvende a compreens&atilde;o    das crian&ccedil;as sobre a liga&ccedil;&atilde;o entre o pensamento contrafactual    e as respostas emocionais. Uma das tr&ecirc;s excep&ccedil;&otilde;es que quebra    esta escassez &eacute; a investiga&ccedil;&atilde;o recente de Amsel e colaboradores    (2003) que abordam a quest&atilde;o do arrependimento em crian&ccedil;as de    idade pr&eacute;-escolar e escolar. Os resultados mostraram que as crian&ccedil;as    de idade pr&eacute;-escolar conseguem compreender como eles e os outros se sentiriam    se um acontecimento se tivesse revelado de forma diferente. Ou seja, estas crian&ccedil;as    conseguem reproduzir alternativas para a realidade e, inclusivamente, fazer    julgamentos apropriados para emo&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas como a felicidade    e tristeza. Todavia, s&oacute; pelos sete anos de idade, &eacute; que as crian&ccedil;as    conseguem elaborar a informa&ccedil;&atilde;o e compreender como as alternativas    contrafactuais imaginadas os podem afectar emocionalmente perante os acontecimentos    actuais (Amsel et al., 2003). </P >     <P>Guttentag e Ferrell (2004), exploraram, em dois estudos, as mudan&ccedil;as desenvolvimentais na compreens&atilde;o das crian&ccedil;as sobre os julgamentos emocionais de arrependimento e al&iacute;vio. Num primeiro estudo, tal como o esperado, os resultados demonstraram que apenas as crian&ccedil;as de sete e nove anos apresentavam um padr&atilde;o semelhante ao adulto, isto &eacute;, que a Mary se sentiria mais arrependida que a Susan, e, estas crian&ccedil;as constroem os seus julgamentos confrontando a realidade com a alternativa contrafactual. Enquanto que as crian&ccedil;as de cinco anos n&atilde;o levam ainda em conta a informa&ccedil;&atilde;o resultante desse confronto, e, assim, consideram que ambas as meninas sentiram o mesmo. Num segundo estudo, inclu&iacute;ram outros cen&aacute;rios, estes com personagens que eventualmente poderiam sentir al&iacute;vio como consequ&ecirc;ncia de um pensamento contrafactual descendente. Agora, os resultados afastaram-se um pouco ao padr&atilde;o esperado, ou seja, neste cen&aacute;rio de al&iacute;vio, as crian&ccedil;as de sete anos afastam-se um pouco do padr&atilde;o adulto, considerando com maior express&atilde;o que ambas as personagens sentiriam o mesmo. Os autores conclu&iacute;ram assim que, quando expostas a um cen&aacute;rio que descreve arrependimento, as crian&ccedil;as de cinco anos conseguem pensar contrafactualmente, embora a informa&ccedil;&atilde;o retirada deste racioc&iacute;nio s&oacute; seja apreendida pelos sete anos de idade, idade onde as crian&ccedil;as compreendem como essa informa&ccedil;&atilde;o afecta as emo&ccedil;&otilde;es das personagens ou de outras pessoas. Quando o cen&aacute;rio descrito evoca al&iacute;vio, parece que as crian&ccedil;as de sete anos, at&eacute; como os pr&oacute;prios adultos, empregam com menor probabilidade o pensamento contrafactual quando comparado com o julgamento de outras emo&ccedil;&otilde;es, nomeadamente emo&ccedil;&otilde;es resultantes de um acontecimento indesejado, o que sugere que a val&ecirc;ncia do resultado pode ter alguma influ&ecirc;ncia na idade (Guttentag &amp; Ferrell, 2004). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Outra excep&ccedil;&atilde;o foi o trabalho de Ferrell (2005). Esta autora quis analisar com maior profundidade o desenvolvimento da compreens&atilde;o das crian&ccedil;as sobre o impacto do pensamento contrafactual nas emo&ccedil;&otilde;es, manipulando tra&ccedil;os salientes nas alternativas contrafactuais como bases para compreender os estados emocionais nos outros, mas tamb&eacute;m correlacionando-os a diferen&ccedil;as individuais. Os resultados indicaram que, a grande maioria das crian&ccedil;as, para as hist&oacute;rias em que a sali&ecirc;ncia contrafactual n&atilde;o &eacute; n&iacute;tida, afirmam que ambas as personagens poderiam sentir o mesmo. Ao contr&aacute;rio, para as hist&oacute;rias em que a sali&ecirc;ncia contrafactual &eacute; acentuada, as crian&ccedil;as de oito anos aproximam-se do padr&atilde;o adulto. Deste estudo, resultou ainda o conhecimento acrescido que a tarefa da teoria da mente de segunda ordem, uma das medidas de diferen&ccedil;as individuais utilizadas, &eacute; um predictor chave para a compreens&atilde;o do pensamento contrafactual baseado nas emo&ccedil;&otilde;es. </P >    <P>Mas o que &eacute; que acontece quando os acontecimentos assumem entre si uma rela&ccedil;&atilde;o independente? </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Um destino chamado efeito da ordem temporal </I></P >     <P>Quando, na segunda-feira, depois do &uacute;ltimo fim-de-semana desportivo da &eacute;poca, os adeptos se juntam para pensar sobre como a sua equipa podia ter tido um melhor desempenho nos dez jogos da liga de basquetebol, eles tendem mentalmente a anular o d&eacute;cimo jogo , portanto, o &uacute;ltimo, independentemente de como a sua equipa tenha desempenhado os restantes nove jogos antes dessa derrota (Sherman &amp; McConnell, 1996). </P >    <P>O efeito da ordem temporal pode traduzir-se na tend&ecirc;ncia para apagar mentalmente o mais recente acontecimento numa sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes. Hoje sabe-se que este efeito atinge n&atilde;o apenas o quotidiano dos adultos, como tamb&eacute;m o dia a dia das crian&ccedil;as e que tr&aacute;s com ele n&atilde;o apenas a elabora&ccedil;&atilde;o de diferentes representa&ccedil;&otilde;es mentais como tamb&eacute;m julgamentos emocionais (Meehan &amp; Byrne, 2005). Adoptemos agora como exemplo um cen&aacute;rio t&iacute;pico deste tipo de investiga&ccedil;&atilde;o para que ilustre as linhas anteriores: </P >    <P><I>Imagine dois indiv&iacute;duos (John e Michael), aos quais &eacute; oferecidos um pr&eacute;mio aliciante. A cada indiv&iacute;duo &eacute; dado um baralho de cartas, e cada um tira uma carta do seu pr&oacute;prio baralho. Se as duas cartas que eles tiraram forem da mesma cor (ou ambas pretas ou ambas vermelhas), cada indiv&iacute;duo ganha &pound;1,000. Contudo, se as duas cartas n&atilde;o forem da mesma cor, ent&atilde;o nenhum dos indiv&iacute;duos ganha. O John escolhe primeiro e tira uma carta de cor vermelha. Michael escolhe depois e tira uma carta de cor preta. Ent&atilde;o o resultado &eacute; que nenhum dos indiv&iacute;duos ganha. </I>(Byrne, Segura, Culhane, Tasso, &amp; Berrocal, 2000, p. 280) </P >    <P>Encontramos, neste cen&aacute;rio, dois acontecimentos independentes alinhados numa sequ&ecirc;ncia temporal que produzem um resultado negativo, o qual mentalmente se pretende mudar. Neste sentido, quando &eacute; solicitado aos participantes que mudem um acontecimento, eles mostram uma tend&ecirc;ncia acentuada para seleccionarem o segundo evento, i.e., eles tendem a mudar a escolha do Michael, imaginando como alternativa uma escolha de uma carta de cor vermelha (condi&ccedil;&atilde;o para que ambos ven&ccedil;am o pr&eacute;mio). N&atilde;o obstante, salienta-se, ainda, que os participantes se inclinam para julgar o Michael, o segundo participante, como aquele que sente mais culpa por n&atilde;o terem ganho o pr&eacute;mio como, tamb&eacute;m, aquele que poder&aacute; ser culpado pelo outro participante (Miller &amp; Gunasegaram, 1990; Byrne et al., 2000). Contudo, ambos os acontecimentos t&ecirc;m a mesma viabilidade, pelo que coerentemente demonstra que nenhum dos acontecimentos deve ser vivido como mais alter&aacute;vel, o que conduz a que nenhum dos jogadores se sinta ou mais culpado ou mais culp&aacute;vel. </P >    <P>Tamb&eacute;m Miller e Gunasegaram (1990) destacaram que apesar das pessoas eliminarem o primeiro acontecimento numa sequ&ecirc;ncia causal (Wells, Taylor, &amp; Turtle, 1987), quando se deparam com uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes, as pessoas eliminam o acontecimento mais recente, o que levou estes investigadores a sugerir que &eacute; o primeiro acontecimento na sequ&ecirc;ncia temporal que &eacute; pressuposto, ou seja, este pode funcionar como o contexto ou como um apoio, no qual os acontecimentos seguintes s&atilde;o interpretados. Outra explica&ccedil;&atilde;o alternativa avan&ccedil;ada foi o facto deste efeito surgir porque o segundo acontecimento pode estar mais presente na mem&oacute;ria de trabalho, e portanto mais dispon&iacute;vel para evocar (Miller &amp; Gunasegaram, 1990). </P >    <P>Em 2002, Byrne, Segura, e Fernadez-Berrocal, partindo do pressuposto que as pessoas s&atilde;o influenciadas pela ordem em que os acontecimentos decorrem, investigaram se esta influ&ecirc;ncia dependeria do n&uacute;mero de acontecimentos de uma sequ&ecirc;ncia de dois e quatro acontecimentos. Constru&iacute;ram assim, com base no t&iacute;pico cen&aacute;rio de cartas empregado por Byrne et al. (2000), duas vers&otilde;es onde uma correspondia a sequ&ecirc;ncias de dois acontecimentos e outra a sequ&ecirc;ncias de quatro acontecimentos. Os resultados sublinharam que o efeito de ordem temporal n&atilde;o depende do n&uacute;mero de acontecimentos existentes numa sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes. Esta investiga&ccedil;&atilde;o permitiu-nos assim perceber que o efeito de ordem temporal ocorre quer em sequ&ecirc;ncias de dois acontecimentos, quer em sequ&ecirc;ncias de quatro acontecimentos, ou seja, as pessoas tendem a apagar mentalmente o &uacute;ltimo acontecimento numa sequ&ecirc;ncia temporal (Byrne et al., 2002). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>J&aacute; percebemos que o efeito de ordem temporal ocorre, nos adultos, quando o resultado de uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes &eacute; desfavor&aacute;vel. Mas, o que acontecer&aacute; quando o resultado de uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes &eacute; favor&aacute;vel? A propens&atilde;o para alterar a excepcionalidade de um acontecimento &eacute; maior que para um acontecimento rotineiro, ou, a tend&ecirc;ncia para apagar as ac&ccedil;&otilde;es &eacute; superior face as inac&ccedil;&otilde;es, e sucede tanto mediante resultados maus, como tamb&eacute;m nos resultados bons (Kahneman &amp; Tversky, 1982; Landman, 1987). A prestabilidade do pensamento contra-factual n&atilde;o se estende apenas &agrave; aprendizagem proveniente de um resultado desfavor&aacute;vel, como tamb&eacute;m se estende &agrave; aprendizagem resultante de um epis&oacute;dio favor&aacute;vel (Roese, 1994). </P >     <P>Byrne et al. (2000) procuraram a resposta a esta quest&atilde;o. Na sua experi&ecirc;ncia,    v&aacute;rios adultos foram comparados atrav&eacute;s do cen&aacute;rio habitualmente    utilizado por estas autoras, contudo, este apresentava uma ligeira, mas expressiva    varia&ccedil;&atilde;o, o resultado do jogo. Agora, os participantes experimentaram    um cen&aacute;rio em que ambos os jogadores retiram uma carta da mesma cor,    o que consequentemente lhes garantia o pr&eacute;mio. Em seguida pedia-se que    respondessem a uma quest&atilde;o que pretendia avaliar qual dos jogadores se    sentia mais aliviado por terem ganho o pr&eacute;mio. Os resultados acentuaram    a const&acirc;ncia do efeito de temporalidade, ou seja, este estudo demonstra    que os adultos exibem um efeito de ordem temporal n&atilde;o apenas mediado    por um resultado negativo, como tamb&eacute;m por um resultado positivo, e,    atribuem ao segundo jogador uma maior experi&ecirc;ncia de al&iacute;vio (Byrne    et al., 2000). </P >     <P>Mas ser&aacute; que o efeito de ordem temporal ocorre em todas as condi&ccedil;&otilde;es?    Byrne e colaboradores (2000) explicaram atrav&eacute;s de uma variante do seu    cen&aacute;rio t&iacute;pico para testar o efeito de ordem temporal que este    pode ser reduzido ou at&eacute; mesmo eliminado quando &eacute; fornecido &agrave;s    pessoas uma alternativa expl&iacute;cita para o primeiro acontecimento. Assim,    partiram do cen&aacute;rio t&iacute;pico onde dois participantes est&atilde;o    a jogar um jogo de cartas, todavia, estes participantes est&atilde;o num concurso    televisivo, no qual a dado momento ocorre uma avaria t&eacute;cnica. Neste jogo,    o primeiro a escolher uma carta &eacute; o Jones e escolhe uma carta de cor    preta, e, em seguida, ocorre uma avaria t&eacute;cnica. Depois de alguns minutos,    a respectiva avaria t&eacute;cnica &eacute; solucionada e o jogo pode ser ent&atilde;o    recome&ccedil;ado, para o que o Jones tem de escolher novamente uma carta. A    partir deste ponto da hist&oacute;ria, tra&ccedil;aram duas condi&ccedil;&otilde;es.    A primeira, onde o Jones escolhe novamente primeiro uma carta, e desta vez escolhe    uma carta de cor vermelha. Em seguida, o Brady escolhe uma carta preta. Ent&atilde;o,    o resultado &eacute; que nenhum dos participantes ganhou o pr&eacute;mio (vers&atilde;o    <I>carta diferente</I>). E uma segunda, onde o Jones escolhe novamente primeiro    uma carta, e desta vez escolhe uma carta de cor preta. Em seguida, o Brady escolhe    uma carta vermelha. Ent&atilde;o, o resultado &eacute; que nenhum dos participantes    ganhou o pr&eacute;mio (vers&atilde;o <I>mesma carta</I>). A avaria t&eacute;cnica    aparece para permitir a interrup&ccedil;&atilde;o da sequ&ecirc;ncia temporal    de acontecimentos proporcionando consequ&ecirc;ncias diferentes, e os resultados    mostraram que para a vers&atilde;o <I>mesma carta </I>n&atilde;o se verificou    a elimina&ccedil;&atilde;o do efeito de ordem temporal. Contudo, na vers&atilde;o    <I>carta diferente</I>, verificou-se que o efeito de ordem temporal podia ser    reduzido, isto &eacute;, os pensamentos contrafactuais dos participantes salientaram    com id&ecirc;ntica frequ&ecirc;ncia a escolha do Brady como a escolha do Jones,    pelo que a variante avaria t&eacute;cnica permitiu que as pessoas se focassem    tamb&eacute;m no primeiro participante, o que susceptibiliza as infer&ecirc;ncias    de Miller e Gunasegaram (1990). </P >     <P>Os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o de Byrne e colaboradores (2000) sugerem que, o efeito de ordem temporal pode surgir porque as pessoas prev&ecirc;em o primeiro acontecimento, possivelmente porque o adoptam mais como uma garantia do que o segundo acontecimento, tornando-o assim como imut&aacute;vel (Miller &amp; Gunasegaram, 1990). Contudo, essa imutabilidade pode ser enfraquecida quando aparece claramente uma alternativa contrafactual dispon&iacute;vel para o primeiro evento (o Jones escolheu, antes de ocorrer a avaria uma carta de cor preta, e depois de ocorrer a no avaria escolheu uma carta de cor vermelha, desde modo, a escolha pr&eacute;-avaria funciona como uma alternativa dispon&iacute;vel para a escolha p&oacute;s-avaria). E, sabe-se que as pessoas t&ecirc;m uma maior facilidade para apagar os acontecimentos para os quais existe uma alternativa contrafactual dispon&iacute;vel (Wells &amp; Gavansky, 1989). Na consequ&ecirc;ncia destes resultados, a pressuposi&ccedil;&atilde;o do primeiro acontecimento e a disponibilidade de uma alternativa contrafactual organizam-se como marcos antag&oacute;nicos afim da mutabilidade desse acontecimento, procedendo-se a uma redu&ccedil;&atilde;o do efeito temporal, impedindo que este provenha do facto de haver um segundo acontecimento que se manifesta como o &ldquo;mais fresco&rdquo; na mem&oacute;ria de trabalho, mas tamb&eacute;m rompe com a perspectiva que este efeito surge porque as pessoas calculam as probabilidades para um resultado positivo depois de cada jogada (Byrne et al., 2000; Miller &amp; Gunasegaram, 1990; Spellman, 1997). </P >     <P>Byrne et al. (2000) exploraram tamb&eacute;m se a elimina&ccedil;&atilde;o    deste efeito se observava em resultados positivos, para o que delinearam duas    novas vers&otilde;es, com a diferen&ccedil;a que em ambas os jogadores ganhavam    o pr&eacute;mio. Os resultados para o resultado positivo replicaram os resultados    para o resultado negativo, ou seja, na vers&atilde;o <I>carta diferente</I>,    o efeito de ordem temporal pode ser eliminado. A an&aacute;lise dos dados revelou    que os participantes, na vers&atilde;o <I>carta diferente</I>, focaram-se frequentemente    no primeiro acontecimento, e tendem a julgar que o primeiro jogador, o Jones,    teria experimentado mais alivio ao terem ganho o pr&eacute;mio. Esta experi&ecirc;ncia    mostra-nos assim que tamb&eacute;m nos resultados positivos o efeito de ordem    temporal pode ser reduzido e at&eacute;, eliminado. Desde modo, estes resultados    destacam a possibilidade de que o aparecimento de uma alternativa contrafactual    pode comportar-se como um forte impacto na elimina&ccedil;&atilde;o deste efeito.  </P >     <P>Estas investiga&ccedil;&otilde;es foram passos importantes para a an&aacute;lise    deste efeito. Parece n&atilde;o restarem d&uacute;vidas que o efeito de ordem    temporal &eacute; um fen&oacute;meno poderoso na vida contrafactual adulta,    contudo, poucos s&atilde;o ainda os conhecimentos desta tend&ecirc;ncia no mundo    contrafactual das crian&ccedil;as. A excep&ccedil;&atilde;o incide nos trabalhos    desenvolvidos por Byrne e Meehan (2005), que procuraram examinar se as crian&ccedil;as    tendem tamb&eacute;m a exibir um efeito de ordem temporal, ou seja, se tendem    a salientar o acontecimento mais recente, aquando de uma sequ&ecirc;ncia independente    de eventos. E, procuraram tamb&eacute;m, analisar o desenvolvimento dos julgamentos    emocionais e as avalia&ccedil;&otilde;es sociais das crian&ccedil;as. No seu    estudo, recorreram a dois grupos de crian&ccedil;as em idade escolar, respectivamente,    de seis e oito anos de idade, nos quais, supuseram encontrar em ambos um padr&atilde;o    similar ao adulto no que diz respeito ao efeito de ordem temporal, mas, esperaram    observar uma diferen&ccedil;a entre as duas idades relativamente aos julgamentos    emocionais e sociais de culpabilidade e atribui&ccedil;&atilde;o de culpa. O    tipo de cen&aacute;rio &eacute; id&ecirc;ntico ao utilizado por Byrne et al.    (2000), o qual incluiu algumas adapta&ccedil;&otilde;es, uma vez tratar-se de    uma aplica&ccedil;&atilde;o a crian&ccedil;as, tais como o uso de marionetas,    Al e Bil, uma sensibilidade maior na escolha de palavras, ou ainda o pr&eacute;mio    ser substitu&iacute;do por autocolantes em vez de uma quantia monet&aacute;ria.    Foram ainda acrescentadas algumas quest&otilde;es, afim de assegurarem se a    crian&ccedil;a tinha efectivamente compreendido (e.g.: Podes dizer-me como &eacute;    que ambos podem ganhar o pr&eacute;mio?). </P >     <P>Byrne e Meehan (2005) verificaram que em ambas as idades, as crian&ccedil;as    anulam o segundo acontecimento mais que o primeiro, o que mostra que tamb&eacute;m    nas crian&ccedil;as se apura o efeito de ordem temporal Contudo, no que diz    respeito aos julgamentos de culpabilidade e atribui&ccedil;&atilde;o de culpa,    verificaram que estes diferiam dos seis anos para os oito anos. Relativamente    &agrave; culpabilidade, na idade dos oito anos avaliaram a segunda marioneta    como mais culpada, enquanto que na idade dos seis anos a avalia&ccedil;&atilde;o    de culpa n&atilde;o assinalou destacadamente qualquer das marionetas. Comparativamente    &agrave; atribui&ccedil;&atilde;o de culpa, em ambas as idades acharam que a    primeira marioneta poderia culpabilizar a outra mais do que a segunda marioneta.    Por &uacute;ltimo, nos julgamentos acerca de qual marioneta se poderia sentir    pior, ambos os grupos, inclinaram as suas respostas para a segunda marioneta.  </P >     <P>O estudo de Byrne e Meehan (2005) sugere que as crian&ccedil;as e os adultos    apresentam um padr&atilde;o similar quando pensam como um resultado negativo    poderia ter sido transformado em outro diferente, positivo. Quando s&atilde;o    levados a pensar sobre uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes,    as crian&ccedil;as de idade escolar, de seis e oito anos, tendem a alterar o    segundo acontecimento. Todavia, apesar de compreenderem emo&ccedil;&otilde;es    como a culpa atrav&eacute;s do pensamento contrafactual, esta n&atilde;o emerge    simultaneamente com a sua compreens&atilde;o acerca de quem se poder&aacute;    sentir pior. Queremos assim dizer que, para emo&ccedil;&otilde;es mais complexas    como a culpa, apenas as crian&ccedil;as de oito anos exibem o efeito de ordem    temporal no respectivo julgamento emocional (Byrne &amp; Meehan, 2005). Esta    separa&ccedil;&atilde;o entre o pensamento contrafactual e os julgamentos de    emo&ccedil;&otilde;es nas crian&ccedil;as de seis anos pode querer dizer-nos    que a elabora&ccedil;&atilde;o de alternativas contrafactuais pode n&atilde;o    estar ainda inteiramente desenvolvida. Contudo, quando se invoca uma emo&ccedil;&atilde;o    mais prim&aacute;ria, como quem se sente pior, as crian&ccedil;as desde os seis    anos que s&atilde;o capazes de produzir mentalmente as alternativas contrafactuais    e seguir o efeito de ordem temporal. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>O interior contrafactual, as suas representa&ccedil;&otilde;es mentais </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em especial na &uacute;ltima d&eacute;cada, a compreens&atilde;o processual do pensamento contrafactual tem-se sustentado na teoria dos modelos mentais (Byrne, 1997; Byrne &amp; Meehan, 2005; Quelhas &amp; Byrne, 1999; para uma revis&atilde;o global ver Byrne, 2005). Uma das no&ccedil;&otilde;es centrais &eacute; a de que as pessoas quando est&atilde;o a pensar acerca do que aconteceu, ou mesmo das possibilidades ou impossibilidades que podiam ter acontecido, est&atilde;o a arquitectar mentalmente diferentes representa&ccedil;&otilde;es que descrevem o seu meio envolvente (Byrne et al., 2002; Johnson-Laird &amp; Byrne, 1991). Relembremos o cen&aacute;rio proposto por Byrne e colaboradores (2000): </P >    <P><I>Imagine dois indiv&iacute;duos (John e Michael), aos quais s&atilde;o oferecidos um pr&eacute;mio aliciante. A cada indiv&iacute;duo &eacute; dado um baralho de cartas, e cada um tira uma carta do seu pr&oacute;prio baralho. Se as duas cartas que eles tiraram forem da mesma cor (ou ambas pretas ou ambas vermelhas), cada indiv&iacute;duo ganha &pound;1,000. Contudo, se as duas cartas n&atilde;o forem da mesma cor, ent&atilde;o nenhum dos indiv&iacute;duos ganha. O John escolhe primeiro e tira uma carta de cor vermelha. O Michael escolhe depois e tira uma carta de cor preta. Ent&atilde;o o resultado &eacute; que nenhum dos indiv&iacute;duos ganha. </I></P >    <P>As pessoas, perante este cen&aacute;rio de um jogo de cartas, podem construir diferentes leituras, poss&iacute;veis e imposs&iacute;veis, real e contrafactuais, ou seja, podem construir um conjunto de modelos, representa&ccedil;&otilde;es mentais que correspondem a uma estrutura do mundo (Johnson-Laird &amp; Byrne, 1991). E, neste caso, os seus modelos podem representar, inicialmente, determinados aspectos da situa&ccedil;&atilde;o factual da seguinte forma: </P >     <P   >Situa&ccedil;&atilde;o Factual:</P >     <p>John vermelha &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Michael preta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Perdem</p>     <p>&nbsp;</p>     <P>Onde &ldquo;John vermelho&rdquo; representa &ldquo;John retirou uma carta de cor vermelha&rdquo;, &ldquo;Michael preta&rdquo; equivale &ldquo;Michael retirou uma carta de cor preta&rdquo; e &ldquo;Perdem&rdquo; corresponde ao resultado (Byrne et al., 2000). E, a partir desta situa&ccedil;&atilde;o factual, arquitectam os seus modelos contrafactuais alterando aspectos do modelo factual: </P >     <P   >Situa&ccedil;&atilde;o Contrafactual: </P >     <P   >John vermelha &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Michael vermelha &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vencem</P >     <P   > John preta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Michael preta&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vencem </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >John preta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Michael    vermelha &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Perdem </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P>As diferentes possibilidades s&atilde;o afiguradas em diferentes linhas, e os modelos s&atilde;o rotulados afim de manterem o contacto com os seu estatuto epist&eacute;mico (Johnson-Laird &amp; Byrne, 1991). </P >     <P>No entanto, quando &eacute; pedido para que imaginem uma escolha de uma carta    que possa alterar o resultado de forma a que ambos ganhem o pr&eacute;mio, as    pessoas tendem a escolher o segundo acontecimento. Desde modo, o efeito de ordem    revela que as pessoas retiram dos seus modelos contrafactuais, apenas uma das    alternativas constru&iacute;das: </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>Situa&ccedil;&atilde;o Factual:</P >     <P   >John vermelha &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Michael preta &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Perdem</P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   >Situa&ccedil;&atilde;o Contrafactual:</P >     <P   >John vermelha &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Michael vermelha &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vencem</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >&nbsp;</P >     <P>Porque &eacute; que as pessoas tendem a seleccionar esta possibilidade? </P >     <P>Uma primeira explica&ccedil;&atilde;o reside no facto de a alternativa em que    ambos perdem, n&atilde;o ser de facto uma alternativa contrafactual efectiva,    uma vez que o resultado desfavor&aacute;vel n&atilde;o &eacute; desfeito (Byrne,    1997). Por outro lado, o primeiro acontecimento &eacute; presumivelmente considerado    como inalter&aacute;vel porque, segundo Byrne e colaboradores (2000), &eacute;    ele quem contextualiza o modelo, assumindo-se como um alicerce que sustenta    o desenrolar da constru&ccedil;&atilde;o das alternativas contrafactuais, presidindo    &agrave; funda&ccedil;&atilde;o do modelo. Desde modo, este primeiro acontecimento    desempenha um papel imperativo na integra&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o    subsequente dentro do modelo. Contudo, esta imutabilidade do primeiro acontecimento    pode ser suprimida, quando o primeiro acontecimento tem a concorr&ecirc;ncia    de alternativas, ou seja, quando lhe s&atilde;o disponibilizadas alternativas    expl&iacute;citas (como sucede na vers&atilde;o interrompida do jogo de Byrne    et al., 2000). </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>O presente trabalho </I></P >     <P>Este trabalho pretende ampliar o ainda pouco conhecimento acerca da rela&ccedil;&atilde;o    entre o desenvolvimento do pensamento contrafactual das crian&ccedil;as e o    desenvolvimento das emo&ccedil;&otilde;es. Para isso procur&aacute;mos verificar,    numa primeira experi&ecirc;ncia, se as crian&ccedil;as tendem a reproduzir o    efeito de ordem temporal id&ecirc;ntico ao dos adultos, ou seja, responsabilizar    o &uacute;ltimo acontecimento de uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes    (vers&atilde;o cont&iacute;nua), e, por outro lado, se &eacute; poss&iacute;vel    reduzir ou mesmo eliminar o efeito de ordem temporal atrav&eacute;s da interrup&ccedil;&atilde;o    de uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes, uma vez que nos adultos    essa redu&ccedil;&atilde;o &eacute; verificada (vers&atilde;o interrompida).    Pretendemos tamb&eacute;m investigar os consequentes julgamentos emocionais    decorrentes deste efeito (Byrne et al., 2000; Meehan &amp; Byrne, 2005; Miller    &amp; Gunasegaram, 1990; Sherman &amp; McConnell, 1996). </P >     <P>Numa segunda experi&ecirc;ncia, objectivamos perceber se o efeito de ordem    temporal existe nas crian&ccedil;as, quando um resultado &eacute; ben&eacute;fico    para as personagens, e, os julgamentos emocionais decorrentes deste efeito.    Nos adultos, j&aacute; se percebeu que este efeito persiste mesmo quando o resultado    &eacute; positivo, atribuindo a emo&ccedil;&atilde;o de al&iacute;vio ao segundo    personagem (Byrne et al., 2002). </P >     <P>Para testar as hip&oacute;teses, apresentamos um cen&aacute;rio adaptado dos    trabalhos de Byrne e McEleney (2000, 2002), que nos permitiu manipular e ajustar    os diferentes resultados de uma realidade, afim de percebermos se o efeito de    ordem temporal persiste consoante as diferentes realidades apresentadas, mas    tamb&eacute;m nos permite compreender, se as crian&ccedil;as levam em conta    o pensamento contrafactual para esbo&ccedil;ar os julgamentos emocionais decorrentes    dessas mesmas realidades. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">EXPERI&Ecirc;NCIA 1 </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A nossa hip&oacute;tese geral &eacute; de que, na vers&atilde;o cont&iacute;nua,    o efeito de ordem temporal deve aparecer em todas as idades (6, 8 e 10 anos),    tal como acontece nos adultos (Byrne et al., 2000; Meehan &amp; Byrne, 2005).    Para a vers&atilde;o interrompida, j&aacute; n&atilde;o esperamos que este ocorra    linearmente em todas as idades, mas apenas nas crian&ccedil;as com 10 anos,    uma vez que tendem a pensar num maior n&uacute;mero de possibilidades, dado    possu&iacute;rem uma menor limita&ccedil;&atilde;o mn&eacute;sica (Byrne et    al., 2000). </P >     <P>Relativamente aos julgamentos emocionais, para a vers&atilde;o cont&iacute;nua,    esperamos para as idades de 8 e 10 anos, a emo&ccedil;&atilde;o culpa associada    ao segundo jogador e a emo&ccedil;&atilde;o tristeza repartida pelos dois jogadores,    enquanto que nos 6 anos n&atilde;o se encontra ainda um padr&atilde;o definido,    e assim, ambas as emo&ccedil;&otilde;es se encontram repartidas pelos dois jogadores    (Amsel et al., 2003; Meehan &amp; Byrne, 2005). Desta maneira, apontamos para,    a exist&ecirc;ncia de uma diferen&ccedil;a no desenvolvimento dos julgamentos    emocionais entre as tr&ecirc;s idades, 6 e 8 e 10 anos. Para a vers&atilde;o    interrompida, contudo, este julgamento deve ser alterado, nomeadamente no sentido    inverso. A distin&ccedil;&atilde;o entre os julgamentos emocionais pode aparecer    entre os 8 e 10 anos, esperamos assim que para a idade dos 10 anos a culpa seja    atribu&iacute;da ao primeiro jogador, enquanto que para a idade dos 8 anos,    como nos 6 anos, as emo&ccedil;&otilde;es de culpa e tristeza devam ser distribu&iacute;das    por ambos os jogadores (Byrne et al., 2000). </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Participantes e delineamento </I></P >    <P>Colaboraram nesta experi&ecirc;ncia, devidamente autorizados e de forma volunt&aacute;ria, 63 crian&ccedil;as, com idades compreendidas entre os 6 e 10 anos, dos quais 48% eram do sexo feminino. Os participantes foram distribu&iacute;dos ao longo de seis c&eacute;lulas do delineamento misto 3 idades (6 anos <I>vs. </I>8 anos <I>vs. </I>10 anos) x 2 vers&otilde;es (continuo <I>vs. </I>interrompido), no qual o &uacute;ltimo factor &eacute; intra-participantes. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Material </I></P >     <P>Foram constru&iacute;dos dois diferentes cen&aacute;rios, correspondendo um    &agrave; vers&atilde;o cont&iacute;nua e outro &agrave; vers&atilde;o interrompida.    Estes cen&aacute;rios contam a hist&oacute;ria de um jogo de cartas disputado    entre duas crian&ccedil;as, contudo, diferem no seu enredo, apesar de terminarem    ambos com um resultado negativo para os participantes. O primeiro cen&aacute;rio    pretendeu analisar a vers&atilde;o cont&iacute;nua e foi traduzido e adaptado    de Meehan e Byrne (2005)<a href="#1"><Sup>1</Sup></a>. <a name="top1"></a></P >     <P>O segundo cen&aacute;rio pretendeu estudar a vers&atilde;o interrompida, e    foi traduzido e adaptado de Byrne e colaboradores (2000)<a href="#2"><Sup>2</Sup></a><a name="top2"></a>.    Todavia, este cen&aacute;rio estava descrito para adultos, desta forma, esta    hist&oacute;ria sofreu uma adapta&ccedil;&atilde;o de forma a aproxim&aacute;-la    do contexto transcrito anteriormente. Assim, constru&iacute;mos uma mesma hist&oacute;ria    de um jogo de bolas, contudo, a interrup&ccedil;&atilde;o em vez de uma avaria    t&eacute;cnica, passou para o toque da campainha para o intervalo. </P >     <P>A sua tradu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi literal, tentando aproximar-se    fielmente tanto da cultura portuguesa como do contexto em que foi aplicada,    procurando tamb&eacute;m palavras que fossem de compreens&atilde;o acess&iacute;vel    para as crian&ccedil;as. O material seleccionado tentou criar um ambiente l&uacute;dico,    apelativo e real, para isso foram escolhidos v&aacute;rios bonecos (com os nomes    devidamente assinalados nas costas, para que as crian&ccedil;as os pudessem    identificar facilmente), meninos e meninas, como tamb&eacute;m algum mobili&aacute;rio    escolar, como mesas e cadeiras, como tamb&eacute;m algum material que reenviava    para o recreio. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Foram tamb&eacute;m inclu&iacute;das duas quest&otilde;es, uma de compreens&atilde;o    e uma quest&atilde;o final afim de assegurarem que as crian&ccedil;as tinham    realmente compreendido como os jogadores podiam ganhar o pr&eacute;mio. A quest&atilde;o    de compreens&atilde;o era introduzida antes do primeiro jogador retirar uma    bola (Podes dizer-me como &eacute; que eles podem ganhar o pr&eacute;mio?),    enquanto a quest&atilde;o final era introduzida ap&oacute;s as crian&ccedil;as    tecerem os seus julgamentos emocionais (Podes relembrar-me como &eacute; que    eles podem ganhar o pr&eacute;mio?) </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Procedimento </I></P >     <P>Num ambiente calmo e silencioso, individualmente, cada crian&ccedil;a era envolvida    numa conversa breve para que quebrasse alguma poss&iacute;vel, ansiedade. Em    seguida, era-lhe explicado que iria assistir a uma interac&ccedil;&atilde;o    entre aqueles bonecos, a qual representava um jogo, e que, depois de o observar    atentamente, lhe seriam colocadas tr&ecirc;s quest&otilde;es, salientado aqui,    que n&atilde;o haveriam respostas certas nem erradas, o pretendido era apenas    sabermos a sua opini&atilde;o. Pass&aacute;vamos &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o    da interac&ccedil;&atilde;o baseada no cen&aacute;rio constru&iacute;do. No    final do jogo eram colocadas duas quest&otilde;es que avaliavam os julgamentos    emocionais de tristeza (Um dos meninos/as disse que se sentia mais triste por    n&atilde;o terem ganho o pr&eacute;mio. Qual desses meninos/as tu pensas que    se sente mais triste?) e culpabilidade (Um dos meninos/as disse que se sentia    mais culpado por n&atilde;o terem ganho o pr&eacute;mio. Qual desses meninos/as    tu pensas que se sente mais culpado?) referentes aos jogadores. Era ainda introduzida    uma tarefa de manipula&ccedil;&atilde;o, que consistia em a pr&oacute;pria crian&ccedil;a    mover as personagens e as suas escolhas com o intuito final de os jogadores    puderem vencer o pr&eacute;mio. Esta tarefa media, indirectamente, a cria&ccedil;&atilde;o    de alternativas contrafactuais organizadas pela crian&ccedil;a, e a sua medi&ccedil;&atilde;o    era sustentada na observa&ccedil;&atilde;o e anota&ccedil;&atilde;o de que bola    era mudada. </P >     <P>Cada crian&ccedil;a participava nas duas vers&otilde;es, cuja ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o    foi contra-balanceada, assim como as quest&otilde;es que avaliavam os julgamentos    emocionais. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O </P >     <P>Com o objectivo de testar as hip&oacute;teses em estudo calcularam-se, para ambas as vers&otilde;es (cont&iacute;nua <I>vs. </I>interrompida), por um lado as respostas dadas na tarefa de manipula&ccedil;&atilde;o (primeira <I>vs. </I>segunda, aparecendo contudo uma terceira resposta &ldquo;ambas&rdquo;, as quais avaliaram o efeito de ordem temporal), e por outro lado os julgamentos de emo&ccedil;&otilde;es, tristeza e culpa (primeiro <I>vs. </I>segundo <I>vs. </I>ambos). </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Vers&atilde;o cont&iacute;nua </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Na Tabela 1 podemos observar os resultados na tarefa de manipula&ccedil;&atilde;o,    atrav&eacute;s da percentagem em que foi escolhido mudar o primeiro <I>vs. </I>o    segundo acontecimento. </P >     <P align="center">Tabela 1 </P >     <P align="center"><I>Percentagens das respostas dadas na tarefa de manipula&ccedil;&atilde;o,    vers&atilde;o cont&iacute;nua, nos diferentes grupos et&aacute;rios</I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a04t1.gif" width="320" height="90"></P >     
<P>&nbsp;</P >     <P>A an&aacute;lise revelou a exist&ecirc;ncia de um efeito de ordem temporal    para os tr&ecirc;s grupos, uma vez que ao longo dos tr&ecirc;s grupos, mais    crian&ccedil;as apagaram mentalmente o segundo acontecimento do que o primeiro.    Assim, como mostra a Tabela 1, o efeito de ordem temporal foi observado para    os 6 anos (27,0% <I>vs. </I>68,2%, diferen&ccedil;a esta que &eacute; marginalmente    significativa, binomial <I>n=</I>21, <I>p</I>=.078), para os 8 anos (23.8% <I>vs.    </I>76,2%, binomial <I>n=</I>21, <I>p</I>=.027), como tamb&eacute;m para os    10 anos (10,0% <I>vs. </I>65,0%, binomial <I>n=</I>15, <I>p</I>=.007). Os tr&ecirc;s    grupos apresentam entre si uma diferen&ccedil;a marginalmente significativa    [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=63)=7.938, <I>p</I>=.071]. Desde modo, os    resultados apoiam a nossa hip&oacute;tese, sugerindo que o efeito de ordem temporal    se verifica desde os 6 anos de idade. </P >     <P>Na Tabela 2 pode-se observar os resultados obtidos na atribui&ccedil;&atilde;o    de tristeza e culpa ao primeiro <I>vs. </I>ao segundo jogador. </P >     <P align="center">Tabela 2 </P >     <P align="center"><I>Percentagens das respostas dadas aos julgamentos emocionais,    tristeza e culpa, na vers&atilde;o cont&iacute;nua, e nos diferentes grupos    et&aacute;rios </I></P >     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a04t2.gif" width="320" height="152"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P>Como mostra a Tabela 2, para a emo&ccedil;&atilde;o tristeza, foi observado    na idade de 6 anos uma maior atribui&ccedil;&atilde;o de tristeza ao segundo    jogador (27.3% <I>vs. </I>50,0%, binomial <I>n=</I>17, <I>p</I>=.332), na idade    dos 8 anos, mais crian&ccedil;as atribuem identicamente a tristeza ao segundo    jogador (28,6% <I>vs. </I>61,9%, binomial <I>n=</I>19, <I>p</I>=.167), ao passo    que na idade de 10 anos a tristeza &eacute; repartida pelos dois jogadores (40,0%    <I>vs. </I>30.0%, binomial <I>n=</I>14, <I>p</I>=.791), revelando inclusivamente    que ambos os jogadores se sentiriam tristes (30,0%). Apesar de n&atilde;o se    verificarem diferen&ccedil;as significativas entre os grupos [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=63)=5.073,    <I>p=</I>.283] o padr&atilde;o encontra-se como o esperado para a idade de 10    anos. </P >     <P>Para a emo&ccedil;&atilde;o culpa, foi observado na idade dos 6 anos uma distribui&ccedil;&atilde;o    igual da culpa pelos dois jogadores (50,0% <I>vs. </I>50,0%, binomial <I>n=</I>22,    <I>p</I>=1), na idade dos 8 anos, inesperadamente, a culpa foi atribu&iacute;da    com maior frequ&ecirc;ncia ao primeiro jogador (42,9% <I>vs. </I>33,3%, <I>n=</I>16,    <I>p</I>=.804), contudo, na idade de 10 anos, tal como esper&aacute;vamos, a    culpa &eacute; atribu&iacute;da com maior frequ&ecirc;ncia ao segundo jogador    (10,0% <I>vs. </I>65,0%, binomial <I>n=</I>15, <I>p</I>=.007). Relativamente    aos julgamentos de culpa, os tr&ecirc;s grupos diferem significativamente [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=63)=14.489,    <I>p=</I>.004], o que nos mostra que a emo&ccedil;&atilde;o culpa apenas na    idade dos 10 anos &eacute; compreendida e por isso atribu&iacute;da ao segundo    jogador, encontrando-se o padr&atilde;o esperado. </P >     <P>Tal como no trabalho de Meehan e Byrne (2005), os resultados demonstraram,    para a idade de 6 anos, uma dissocia&ccedil;&atilde;o entre o efeito de ordem    temporal e o julgamento emocional de culpa, este que assume um refor&ccedil;o    na verifica&ccedil;&atilde;o deste efeito. Contudo, neste trabalho esta dissocia&ccedil;&atilde;o    estendeu-se tamb&eacute;m &agrave; idade de 8 anos. </P >     <P>Parece-nos evidente a dissocia&ccedil;&atilde;o entre o pensamento contrafactual    e os julgamentos emocionais mais complexos para as idades mais novas, contudo    quando analisamos os julgamentos emocionais mais b&aacute;sicos, verificamos    que nestas idades o efeito de ordem temporal se cumpre para a emo&ccedil;&atilde;o    tristeza, o que nos parece de todo relevante. Apesar destas crian&ccedil;as    n&atilde;o apresentarem um padr&atilde;o semelhante ao adulto, estas crian&ccedil;as    parecem compreender que &eacute; o segundo jogador que se sente mais triste,    evidenciando em certa medida um efeito de ordem temporal. Ao inv&eacute;s, na    idade de 10 anos verifica-se um padr&atilde;o consistente entre a tarefa de    manipula&ccedil;&atilde;o e o julgamento de culpa, demonstrando-se id&ecirc;ntico    &agrave;s repostas adultas. Este resultado mostra-nos que aos 10 anos estas    duas capacidades j&aacute; se encontram totalmente desenvolvidas. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P   ><I>Vers&atilde;o interrompida </I></P >     <P>Na Tabela 3 podemos observar os resultados na tarefa de manipula&ccedil;&atilde;o,    atrav&eacute;s da percentagem em que foi escolhido mudar o primeiro <I>vs.    </I>o segundo acontecimento. </P >     <P align="center">Tabela 3 </P >     <P align="center"><I>Percentagens das respostas dadas na tarefa de manipula&ccedil;&atilde;o,    vers&atilde;o interrompida, consoante o n&iacute;vel et&aacute;rio</I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a04t3.gif" width="320" height="90"></P >     
<P>&nbsp;</P >     <P>Na Tabela 3 podemos ver que o efeito de ordem temporal pode ser reduzido, apesar    desta elimina&ccedil;&atilde;o ocorrer apenas na idade de 10 anos, uma vez que    s&oacute; neste grupo, mais crian&ccedil;as apagaram mentalmente o primeiro    acontecimento em vez do segundo (65,0% <I>vs. </I>30,0%). Apesar das percentagens    referidas irem no sentido esperado, a sua diferen&ccedil;a n&atilde;o &eacute;    estatisticamente significativa (binomial <I>n=</I>19, <I>p</I>=.167) mesmo assim,    o padr&atilde;o &eacute; semelhante ao dos adultos, mostrando que pode ser consideravelmente    reduzido. Na idade de 8 anos, observa-se o efeito de ordem temporal (28,6% <I>vs.    </I>61,9%, binomial <I>n=</I>19, <I>p</I>=.167), enquanto que para a idade dos    6 anos as respostas encontram-se distribu&iacute;das identicamente, o que n&atilde;o    reduz nem confirma o efeito de ordem temporal (45,5% <I>vs. </I>50,0%, binomial    <I>n=</I>21, <I>p</I>=.100). Os tr&ecirc;s grupos, no entanto, n&atilde;o apresentam    entre si uma diferen&ccedil;a estatisticamente significativa [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=63)=5.805,    <I>p=</I>.177], embora o padr&atilde;o se encontre como o esperado para a idade    de 10 anos. </P >     <P>Estes resultados sugerem que apenas aos 10 anos de idade as crian&ccedil;as conseguem criar e integrar mais do que uma alternativa contrafactual dispon&iacute;vel para a realidade, seguindo um padr&atilde;o que corresponde &agrave;quele que os adultos possuem (Byrne et al., 2000). </P >    <P>Na Tabela 4 pode-se observar os resultados obtidos na atribui&ccedil;&atilde;o de tristeza e culpa ao primeiro <I>vs. </I>ao segundo jogador. </P >     <P align="center">Tabela 4 </P >     <P align="center"><I>Percentagens das respostas dadas aos julgamentos emocionais,    tristeza e culpa, vers&atilde;o interrompida, consoante o n&iacute;vel et&aacute;rio</I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a04t4.gif" width="320" height="139"></P >     
<P>&nbsp;</P >     <P>Como mostra a Tabela 4, na emo&ccedil;&atilde;o tristeza, apesar de as diferen&ccedil;as    n&atilde;o serem significativas para as idades de 6 anos e 8 anos, (ambos <I>p</I>&gt;.05),    podemos verificar que estas crian&ccedil;as atribuem a tristeza ao primeiro    jogador, excepto na idade de 10 anos onde a tristeza &eacute; repartida pelos    dois jogadores (50,0% <I>vs. </I>45.0%, binomial <I>n=</I>19, <I>p</I>=.100).    Estes tr&ecirc;s grupos, relativamente aos julgamentos de tristeza, n&atilde;o    diferem significativamente [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=63)=5.099, <I>p</I>=.279],    embora na idade de 10 anos se encontre o padr&atilde;o esperado. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Para a emo&ccedil;&atilde;o culpa, na idade de 10 anos observ&aacute;mos um padr&atilde;o similar ao encontrado na tarefa de manipula&ccedil;&atilde;o, no qual o primeiro jogador &eacute; aquele a que &eacute; atribu&iacute;do um maior n&uacute;mero de respostas, neste caso, a culpa (60,0% <I>vs. </I>25,0%, binomial <I>n=</I>17, <I>p</I>=.143), na idade dos 6 anos, a culpa foi com maior frequ&ecirc;ncia atribu&iacute;da ao segundo jogador (27,3% <I>vs. </I>72,7%, binomial <I>n=</I>22, <I>p</I>=.052), assim como na idade de 8 anos (28,6% <I>vs. </I>61,9%, binomial <I>n=</I>19, <I>p=</I>.167). Relativamente aos julgamentos de culpa, os tr&ecirc;s grupos diferem significativamente [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=63)=11.526, <I>p</I>=.011], o que acentua o facto de a compreens&atilde;o da emo&ccedil;&atilde;o culpa s&oacute; nos 10 anos &eacute; que est&aacute; desenvolvida, uma vez que agora &eacute; atribu&iacute;da ao primeiro jogador, indo de encontro ao padr&atilde;o esperado, o que por conseguinte se aproxima do padr&atilde;o desenvolvido pelos adultos (Byrne et al., 2000). </P >     <P>No que diz respeito &agrave;s idades de 6 e 8 anos, o facto de a tristeza se    encontrar agora associada ao primeiro jogador, pode querer dizer-nos alguma    coisa. No entanto, verificamos novamente que existe uma diferen&ccedil;a ao    n&iacute;vel do desenvolvimento emocional e contrafactual, o que nos indica    que ambos n&atilde;o emergem simultaneamente no desenvolvimento da crian&ccedil;a.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">EXPERI&Ecirc;NCIA 2 </P >     <P>Pareceu-nos importante perceber se as crian&ccedil;as tamb&eacute;m exibiriam o efeito de ordem temporal quando expostas a um resultado em que uma sequ&ecirc;ncia de acontecimentos independentes determinasse um final positivo. Levant&aacute;mos desde modo a hip&oacute;tese que nos leva a esperar que o efeito de ordem temporal ocorra em todas as idades, atribuindo a emo&ccedil;&atilde;o de orgulho ao segundo jogador, enquanto que a emo&ccedil;&atilde;o de felicidade pode aparecer repartida entre os dois jogadores (Byrne et al., 2002; Guttentag &amp; Ferrell, 2004). </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">M&Eacute;TODO </P >     <P><I>Participantes e delineamento </I></P >    <P>Colaboraram nesta experi&ecirc;ncia, devidamente autorizados e de forma volunt&aacute;ria, 62 crian&ccedil;as, com idades compreendidas entre os 6 e 10 anos, dos quais 49% eram do sexo feminino. Os participantes foram distribu&iacute;dos ao longo de tr&ecirc;s grupos (6 <I>vs. </I>8 <I>vs. </I>10 anos). </P >     <P>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Material </I></P >     <P>Para esta experi&ecirc;ncia, traduzimos e adapt&aacute;mos um cen&aacute;rio    do trabalho de Meehan e Byrne (2005), correspondendo &agrave; vers&atilde;o    que design&aacute;mos de resultado positivo. Este cen&aacute;rio conta tamb&eacute;m    a hist&oacute;ria de um jogo de cartas disputado entre duas crian&ccedil;as,    contudo, difere no seu resultado, uma vez que termina com um resultado agrad&aacute;vel    para os participantes<a href="#3"><Sup>3</Sup></a><a name="top3"></a>. O material    f&iacute;sico foi o mesmo. Foram tamb&eacute;m inclu&iacute;das, duas quest&otilde;es,    &agrave;s quais cham&aacute;mos de quest&atilde;o de compreens&atilde;o e quest&atilde;o    final. Estas asseguraram o mesmo objectivo, assim como o seu posicionamento    no decorrer da hist&oacute;ria. </P >     <P>&nbsp; </P >     <P><I>Procedimento </I></P >     <P>Os passos seguidos neste estudo foram em tudo id&ecirc;nticos ao estudo referido    anteriormente. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O </P >     <P>Com o objectivo de testar a hip&oacute;tese em estudo calcularam-se apenas    as respostas referentes aos julgamentos de emo&ccedil;&otilde;es, felicidade    e orgulho (primeiro <I>vs. </I>Segundo <I>vs. </I>ambos). </P >     <P>Na Tabela 5 podemos observar a percentagem dos julgamentos emocionais de felicidade    e orgulho, atribu&iacute;da ao primeiro jogador, ao segundo, e a ambos. </P >     <P align="center">Tabela 5 </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><I>Percentagens das respostas dadas aos julgamentos emocionais,    felicidade e orgulho, vers&atilde;o positiva </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a04t5.gif" width="320" height="151"></P >     
<P>&nbsp;</P >     <P>Como mostra a Tabela 5, na emo&ccedil;&atilde;o felicidade, foi observado nas    idade de 6 (60,0% <I>vs. </I>30,0%, binomial <I>n=</I>18, <I>p</I>=.238) e 8    anos (60,0% <I>vs. </I>25,0%, binomial <I>n=</I>17, <I>p</I>=.143) uma maior    atribui&ccedil;&atilde;o de felicidade ao primeiro jogador, ao contr&aacute;rio    destas idades, nos 10 anos a felicidade &eacute; atribu&iacute;da ao segundo    jogador (25,0% <I>vs. </I>50,0%, binomial <I>n=</I>15, <I>p</I>=.302). Estes    tr&ecirc;s grupos, relativamente aos julgamentos de felicidade, n&atilde;o diferem    significativamente [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=60)=6.770, <I>p</I>=.144],    embora o padr&atilde;o se encontre como o esperado para a idade de 10 anos.  </P >     <P>Para a emo&ccedil;&atilde;o orgulho, observ&aacute;mos um padr&atilde;o similar para as idades de 6 (binomial <I>n=</I>18, <I>p</I>=.096) e 8 anos (binomial <I>n=</I>15, <I>p</I>=.118), ou seja, &eacute; ao segundo jogador que &eacute; atribu&iacute;do um maior n&uacute;mero de resposta orgulho, contudo, inesperadamente na idade de 10 anos o orgulho &eacute; repartido entre os dois jogadores, aparecendo a resposta ambos como a mais expressiva (35,0% <I>vs. </I>25,0% <I>vs. </I>40,0%, binomial <I>n=</I>12, <I>p</I>=.774, binomial <I>n=</I>15, <I>p</I>=1.00, e binomial <I>n=</I>13, <I>p</I>=.581). Relativamente aos julgamentos de orgulho, os tr&ecirc;s grupos diferem marginalmente [&chi;<Sup><I>2</I></Sup>(<I>N</I>=60)=8.155, <I>p</I>=.089], o que nos mostra que na emo&ccedil;&atilde;o orgulho pode encontrar-se um padr&atilde;o diferente ao n&iacute;vel das respostas, ou seja, estas respostas dependem da idade. </P >     <P>O padr&atilde;o esperado s&oacute; se verifica para as idades de 6 e 8 anos,    ao passo que na idade de 10 anos n&atilde;o se encontra um padr&atilde;o definido,    no qual a emo&ccedil;&atilde;o orgulho de apresenta distribu&iacute;da pelos    dois jogadores. Relativamente &agrave; idade de 10 anos, o resultado surpreendeu-nos,    uma vez que esper&aacute;vamos igualmente que estas crian&ccedil;as exibissem    o efeito de ordem temporal para a emo&ccedil;&atilde;o orgulho, e n&atilde;o    como se observou para a emo&ccedil;&atilde;o felicidade. Pensamos que este resultado    se deva em parte &agrave; resposta &ldquo;ambos&rdquo;, inclusivamente esta    &eacute; aquela que obt&eacute;m mais respostas na emo&ccedil;&atilde;o orgulho.    Contudo, estes resultados podem traduzir que as crian&ccedil;as podem exibir    um efeito de ordem temporal aquando de um resultado positivo. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">DISCUSS&Atilde;O GERAL </P >     <P>Este trabalho tencionou procurar mais dados sobre o pensamento contrafactual em crian&ccedil;as e a sua rela&ccedil;&atilde;o com diferentes julgamentos emocionais. Tal como Meehan e Byrne (2005), encontr&aacute;mos que desde cedo as crian&ccedil;as exibem um efeito de ordem temporal, dirigindo significativamente a sua altera&ccedil;&atilde;o ao segundo acontecimento. As crian&ccedil;as, assim como os adultos, demonstram padr&otilde;es similares e est&aacute;veis aquando das suas muta&ccedil;&otilde;es de situa&ccedil;&otilde;es factuais quando pensam contrafactualmente, queremos ent&atilde;o dizer que quando as crian&ccedil;as, como os adultos, vivenciam uma realidade composta por acontecimentos independentes, todos apresentam uma tend&ecirc;ncia para alterar o segundo acontecimento com o prop&oacute;sito de alterar um resultado que lhes foi negativo (Byrne et al., 2000; Meehan &amp; Byrne, 2005; Miller &amp; Gunasegaram, 1990). </P >    <P>A explica&ccedil;&atilde;o mais consensual para este fen&oacute;meno (e.g., Byrne et al., 2002; Miller &amp; Gunasegaram, 1990) &eacute; a de que o primeiro acontecimento &eacute; pressuposto como aquele que contextualiza o modelo, funcionando como um alicerce, um fundador do modelo. Assim, este primeiro acontecimento assume um papel primordial e facilitador na integra&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o subsequente no modelo contrafactual, o que o leva a n&atilde;o manifestar uma disponibilidade maior para ser alterado (&ldquo;<I>alterava a segunda bola porque o T&oacute; j&aacute; tinha tirado a bola laranja, ent&atilde;o o Z&eacute; tinha que ter tirado tamb&eacute;m uma laranja!</I>&rdquo;). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Outro aspecto relevante na primeira experi&ecirc;ncia, era perceber a rela&ccedil;&atilde;o entre o pensamento contrafactual e os julgamentos emocionais de tristeza e culpa. Estas s&atilde;o emo&ccedil;&otilde;es com uma mesma natureza negativa mas que diferem na sua complexidade. A tristeza &eacute; uma emo&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, na qual o seu reconhecimento e compreens&atilde;o surge na crian&ccedil;a por volta dos 5 anos de idade (Fabes, Eisenberg, Nyman, &amp; Michelieu, 1991). Pelo contr&aacute;rio, a culpa &eacute; uma emo&ccedil;&atilde;o complexa que s&oacute; mais tarde, por volta dos 8 anos, &eacute; reconhecida e compreendida (Amsel et al., 2003; Berti, Garattoni, &amp; Venturini, 2000; Guttentag &amp; Ferrell, 2004; Harris, Olthof, Terwogt, &amp; Hard-Man, 1987; Nunner-Winkler &amp; Sodian, 1988; Thompson, 1987). Estas duas emo&ccedil;&otilde;es, uma vez de complexidades diferentes, permitem-nos perceber um pouco melhor a compreens&atilde;o das alternativas contrafactuais nas crian&ccedil;as. </P >    <P>Os julgamentos emocionais dos adultos seguem frequentemente o mesmo padr&atilde;o dos seus pensamentos contrafactuais, ou seja, os seus julgamentos emocionais, de culpa, assim como os seus pensamentos acerca do que poderia ter sido dirigem-se significativamente ao segundo jogador (Byrne et al., 2000). Contudo este padr&atilde;o conjunto n&atilde;o se cumpre desde cedo, queremos assim dizer que existe uma dissocia&ccedil;&atilde;o entre ambas as capacidades (Meehan &amp; Byrne, 2005). </P >     <P>As crian&ccedil;as de 6 e 8 anos apresentam alguma dificuldade em tecer estes    julgamentos mais complexos. Desde modo, embora as crian&ccedil;as desde cedo    consigam pensar sobre o que poderia ter acontecido, representando mentalmente    n&atilde;o apenas os factos como as alternativas, estas mesmas crian&ccedil;as    parecem ter algumas limita&ccedil;&otilde;es na representa&ccedil;&atilde;o    mental da influ&ecirc;ncia de uma alternativa contrafactual, quando lhes &eacute;    solicitado para tecerem um julgamento emocional. Apesar das crian&ccedil;as    de 6 e 8 anos n&atilde;o demonstrarem um padr&atilde;o semelhante ao adulto,    no qual atribuem a culpa com maior frequ&ecirc;ncia ao segundo jogador, estas    crian&ccedil;as revelam perceber que &eacute; o segundo jogador que se sente    mais triste. Este dado parece-nos relevante, uma vez que apesar da compreens&atilde;o    da culpa no pensamento contrafactual n&atilde;o emergir simultaneamente com    a capacidade de pensar contrafactualmente devido a uma incapacidade desenvolvimental    do reconhecimento e compreens&atilde;o emocional, as crian&ccedil;as parecem    compreender a influ&ecirc;ncia dessas alternativas nas suas representa&ccedil;&otilde;es    dos factos (&ldquo;<I>o Z&eacute; sente-se mais triste porque n&atilde;o tirou    uma bola da mesma cor do T&oacute;</I>&rdquo;). </P >     <P>Na idade de 10 anos, contudo, j&aacute; encontr&aacute;mos um padr&atilde;o    similar ao dos adultos, no qual os julgamentos emocionais de culpa seguem o    efeito de ordem temporal, isto &eacute;, dirigem-se ao segundo jogador. Desde    modo, percebemos que aos 10 anos de idade, as crian&ccedil;as para al&eacute;m    de representarem n&atilde;o apenas o que &eacute; verdade, ou os factos como    o que &eacute; temporariamente pressuposto como ser verdadeiro ou alternativa    contrafactual, as crian&ccedil;as de 10 anos integram com sucesso os julgamentos    de culpa, demonstrando uma capacidade compar&aacute;vel &agrave; dos adultos    em compreender as diferentes alternativas contrafactuais, sugerindo que o seu    desenvolvimento est&aacute; completo. </P >     <P>Percebemos tamb&eacute;m que nas crian&ccedil;as o efeito de ordem temporal pode ser reduzido/eliminado tal como nos adultos, embora esta redu&ccedil;&atilde;o somente se verifique nos 10 anos de idade, o que sugere que apenas a partir desta idade as crian&ccedil;as adquirem a capacidade para reter um maior n&uacute;mero de possibilidades ou alternativas uma vez que possuem uma menor limita&ccedil;&atilde;o mn&eacute;sica (Byrne et al., 2000; Meehan &amp; Byrne, 2005). </P >     <P>A redu&ccedil;&atilde;o do efeito de ordem temporal ocorre quando o primeiro    acontecimento de uma sequ&ecirc;ncia independente &eacute; mais considerado,    o que sucede quando &eacute; disponibilizada uma alternativa contrafactual expl&iacute;cita.    Esta alternativa expl&iacute;cita &eacute; como que um produto do toque da campainha,    ou seja, &eacute; adicionado ao modelo mental uma alternativa para o primeiro    acontecimento, surgindo uma concorr&ecirc;ncia de alternativas, a qual s&oacute;    &eacute; integrada e tida em conta pelas crian&ccedil;as de 10 anos (Byrne et    al., 2000). Estas crian&ccedil;as det&eacute;m j&aacute; uma capacidade desenvolvida,    ou seja, para al&eacute;m de constru&iacute;rem as representa&ccedil;&otilde;es    mentais da realidade que os envolvem, e muito embora as suas representa&ccedil;&otilde;es    iniciais contenham pouca informa&ccedil;&atilde;o ou apenas a informa&ccedil;&otilde;es    expl&iacute;cita (representam explicitamente a situa&ccedil;&atilde;o factual,    mas n&atilde;o constroem todas as possibilidades contrafactuais, n&atilde;o    apenas por economia cognitiva mas tamb&eacute;m por ainda poss&iacute;veis limita&ccedil;&otilde;es    da mem&oacute;ria de trabalho), estas crian&ccedil;as de 10 anos conseguem integrar    no seu modelo uma alternativa factual que concorre com o primeiro acontecimento    que fundou todo o modelo, e ainda a tomam como influ&ecirc;ncia de um resultado    que n&atilde;o foi favor&aacute;vel (Byrne et al., 2000). </P >     <P>Podemos ainda assim excluir que o efeito de ordem temporal se cumpre porque    o segundo acontecimento est&aacute; mais fresco ou mais dispon&iacute;vel na    mem&oacute;ria das crian&ccedil;as ou adultos (Byrne et al., 2000). Na vers&atilde;o    interrompida, as crian&ccedil;as deparam-se com tr&ecirc;s acontecimentos, entre    os quais apenas os &uacute;ltimos dois contribuem para um resultado final. Estes    tr&ecirc;s acontecimentos s&atilde;o diferentes entre si o que leva a que as    crian&ccedil;as considerem o segundo e terceiro acontecimento como dispon&iacute;veis    para serem alterados (Byrne et al., 2000). </P >     <P>Os julgamentos de tristeza e culpa ocuparam nesta experi&ecirc;ncia um lugar    revelador e significativo. Na idade de 10 anos os julgamentos de culpa apresentam    igualmente uma redu&ccedil;&atilde;o/elimina&ccedil;&atilde;o do efeito de    ordem temporal, uma vez que esta aparece associada mais frequentemente ao primeiro    jogador. De facto, aos 10 anos o desenvolvimento dos julgamentos emocionais    est&aacute; atingido e completamente integrado na compreens&atilde;o do pensamento    contrafactual. Curiosamente, na idade de 6 e 8 anos os julgamentos de culpa    seguem o efeito de ordem temporal, ao passo que os julgamentos de tristeza seguem    a redu&ccedil;&atilde;o desse mesmo efeito. Este facto pode dever-se, nomeadamente    na idade de 8 anos, &agrave; explica&ccedil;&atilde;o dada anteriormente, uma    vez que atribuem a emo&ccedil;&atilde;o de tristeza diversas vezes &agrave;    justifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;<I>o T&oacute; sente-se mais triste porque    tirou primeiro uma cor e depois tirou outra cor e assim nenhum ganhou nada!</I>&rdquo;  </P >     <P>A redu&ccedil;&atilde;o do efeito de ordem temporal &eacute; ainda uma &aacute;rea    quase desconhecida no mundo das crian&ccedil;as, &eacute; assim importante que    futuros interesses tracem novas pesquisas e hip&oacute;teses no sentido de compreender    outros modos de como este efeito poder&aacute; ser reduzido, compondo por exemplo    uma alternativa expl&iacute;cita diferente daquela que se estudou aqui ou inclusivamente    aquando de resultados positivos.</P >     <P>O pensamento contrafactual tem tamb&eacute;m como fun&ccedil;&atilde;o a de    aprender n&atilde;o apenas com os resultados negativos como tamb&eacute;m com    os resultados positivos, o que leva a que o efeito de ordem temporal possa ocorrer    tamb&eacute;m quando o resultado &eacute; favor&aacute;vel. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>As emo&ccedil;&otilde;es felicidade e orgulho tiveram o mesmo prop&oacute;sito    daquelas utilizadas no primeiro estudo, uma mesma natureza e uma diferente complexidade.    A felicidade corresponde a uma emo&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, a primeira    a ser reconhecida e compreendida, muito pelos mediadores exteriores como o    sorriso que desde cedo &eacute; conhecido (Fabes, Eisenberg, Nyman, &amp; Michelieu,    1991). Por outro lado, o orgulho &eacute; uma emo&ccedil;&atilde;o mais complexa    que s&oacute; por volta dos 8 anos &eacute; reconhecida e compreendida (Amsel    et al., 2003; Berti, Garattoni, &amp; Venturini, 2000; Guttentag &amp; Ferrell,    2004; Harris, Olthof, Terwogt, &amp; Hard-Man, 1987; Nunner-Winkler &amp; Sodian,    1988; Thompson, 1987). </P >     <P>O efeito de ordem temporal tamb&eacute;m ocorre nas crian&ccedil;as quando    o resultado &eacute; o desejado. Desde cedo as crian&ccedil;as conseguem comparar    a realidade com as alternativas contrafactuais, e perceber a influ&ecirc;ncia    dessas alternativas quando o resultado se revela como positivo, assim como os    adultos (Byrne et al. 2000). As emo&ccedil;&otilde;es positivas s&atilde;o,    ao n&iacute;vel do desenvolvimento, primeiramente reconhecidas e compreendidas,    talvez por isso estas emo&ccedil;&otilde;es estejam associadas mais cedo ao    pensamento contrafactual. </P >     <P>Thompson (1987) referiu que as crian&ccedil;as conseguem atribuir a emo&ccedil;&atilde;o    orgulho quando sentem que algu&eacute;m conseguiu algo com o seu esfor&ccedil;o    (&ldquo;<I>o Z&eacute; sente-se mais orgulhoso porque conseguiu tirar uma bola    da mesma cor da do T&oacute;</I>&rdquo;). Verificamos ainda que tamb&eacute;m    aquando de um resultado positivo, o primeiro acontecimento, de certa forma,    comporta-se como uma &acirc;ncora e o principiante ou fundador do modelo, suportando    e balizando a informa&ccedil;&atilde;o subsequente no modelo contrafactual (Miller    &amp; Gunasegaram, 1990; Byrne et al., 2002). </P >     <P>Na idade de 10 anos, surpreendentemente n&atilde;o encontr&aacute;mos o efeito    de ordem temporal para a emo&ccedil;&atilde;o orgulho. Talvez porque as explica&ccedil;&otilde;es    dadas pelas crian&ccedil;as de 10 anos implicavam os dois jogadores (&ldquo;<I>sentem-se    os dois orgulhosos porque ganharam os dois o pr&eacute;mio</I>.&rdquo;). Outra    explica&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel que nos ocorre devido ao equil&iacute;brio    entre as respostas, &eacute; o de que as crian&ccedil;as de 10 anos julgam ambos    os jogadores como felizes e orgulhosos porque os dois ganhavam o pr&eacute;mio    no fim (&ldquo;<I>se um se sente orgulhoso o outro sente-se feliz pois os dois    ganharam o pr&eacute;mio!</I>&rdquo;). Este facto pode levar a que as crian&ccedil;as    distribuam as suas respostas pelos dois jogadores uma vez que estas emo&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o dirigidas a um s&oacute; jogador como por exemplo    o al&iacute;vio analisado nos trabalhos de Byrne e colaboradores (2000). Esta    indecis&atilde;o pode ter pesado e mesmo comprometido os resultados apesar do    cuidado em contra-balancear as quest&otilde;es. Contudo, pensamos que se esta    resposta fosse eliminada, possivelmente estas respostas dirigiam-se para o segundo    jogador. Esta suposi&ccedil;&atilde;o leva-nos a um pr&oacute;ximo trabalho,    no sentido de tentar compreender atrav&eacute;s de alternativas o porqu&ecirc;    deste resultado. </P >     <P   >Este trabalho foi um passo no sentido do alargamento do conhecimento do pensamento    contrafactual, todavia, muitos outros passos t&ecirc;m ainda que ser adoptados    e seguidos. &Eacute; importante perceber como outras vari&aacute;veis, como    a idade, as alternativas, os instrumentos, entre outras, podem condicionar o    pensamento contrafactual, assim como outras emo&ccedil;&otilde;es. Todavia,    atrav&eacute;s dos pouco trabalhos realizados, podemos constatar que existe    realmente uma rela&ccedil;&atilde;o entre a forma&ccedil;&atilde;o de pensamentos    contrafactuais e os julgamentos de emo&ccedil;&otilde;es, contudo esta pode    n&atilde;o ser uma rela&ccedil;&atilde;o simples e linear. Mesmo assim, a altera&ccedil;&atilde;o    dos acontecimentos afim de um resultado favor&aacute;vel ou desfavor&aacute;vel    pode influenciar claramente os julgamentos emocionais, uma vez que as alternativas    contrafactuais podem originar um importante contributo para experi&ecirc;ncias    de tristeza, culpa e felicidade, orgulho. Desta forma, o pensamento contrafactual    une a cogni&ccedil;&atilde;o e a emo&ccedil;&atilde;o. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P align="center"><a href="#5">ANEXO A</a> <a name="top5"></a></P >     <P   ><I>Na sala de aula, a professora escolheu &agrave; sorte dois/duas meninas para    jogar um jogo divertido. </I></P >     <P   ><I>E quem foi escolhido foram o T&oacute;/Ana e o Z&eacute;/Bia. A cada menino/a    foi dada uma caixa com bolas dentro, e cada um dos meninos/as tirava uma bola    da sua pr&oacute;pria caixa. Cada caixa tem dentro apenas bolas verdes e bolas    laranjas, consegues ver?</I></P >     <P   ><I> No jogo, se as duas bolas que eles tirarem forem da mesma cor, ou duas verdes    ou duas laranjas, cada menino/na ganha um pr&eacute;mio. Mas se as bolas que    eles tirarem n&atilde;o forem da mesma cor, ent&atilde;o nenhum menino ganha    nada. Primeiro &eacute; T&oacute;/Ana a tirar uma bola da sua caixa, e tira    uma bola verde. </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><I>O Z&eacute;/Bia tira depois uma bola da sua caixa, e tira uma laranja. </I></P >     <P   ><I>Ent&atilde;o, nenhum dos meninos/as ganha nada. </I></P >     <P   ><I>Se o T&oacute;/Ana e o Z&eacute;/Bia, tirassem os dois uma bola da mesma cor,    ent&atilde;o eles ganhavam o pr&eacute;mio. </I></P >     <P   >&nbsp;</P >     <P align="center"   ><a href="#6">ANEXO B</a> <a name="top6"></a></P >     <P   ><I>Na sala de aula, a professora escolheu &agrave; sorte dois/duas meninos/as    para jogar um jogo divertido. </I></P >     <P   ><I>E quem foi escolhido foram o T&oacute;/Ana e o Z&eacute;/Bia. A cada menino/a    foi dada uma caixa com bolas dentro, e cada um dos meninos/as tirava uma bola    da sua pr&oacute;pria caixa. </I></P >     <P   ><I>Cada caixa tem dentro apenas bolas verdes e bolas laranjas, consegues ver?    </I></P >     <P   ><I>No jogo, se as duas bolas que eles tirarem forem da mesma cor, ou duas verdes    ou duas laranjas, cada menino/na ganha um pr&eacute;mio. Mas se as bolas que    eles tirarem n&atilde;o forem da mesma cor, ent&atilde;o nenhum menino ganha    nada. Primeiro &eacute; T&oacute;/Ana a tirar uma bola da sua caixa, e tira    uma bola verde. </I></P >     <P   ><I>Mas, &ldquo;trimmmm&rdquo;, a campainha tocou para o intervalo, e os meninos    t&ecirc;m que sair para o recreio. </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><I>Depois de regressar &agrave; sala, a professora diz para come&ccedil;ar </I><I>o    jogo do in&iacute;cio.</I></P >     <P   ><I>O T&oacute;/Ana tira assim novamente uma bola da sua caixa, e tira uma bola    laranja.</I></P >     <P   ><I>O Z&eacute;/Bia tira depois uma bola da sua caixa, e tira uma laranja. </I></P >     <P   ><I>Ent&atilde;o, nenhum dos meninos/as ganha nada.</I></P >     <P   ><I>Se o T&oacute;/Ana e o Z&eacute;/Bia, tirassem os dois uma bola da mesma cor,    ent&atilde;o eles ganhavam o pr&eacute;mio.</I></P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center"><a href="#7">ANEXO C</a> <a name="top7"></a></P >     <P   ><I>Na sala de aula, a professora escolheu &agrave; sorte dois/duas meninos/as    para jogar um jogo divertido. </I></P >     <P   ><I>E quem foi escolhido foram o T&oacute;/Ana e o Z&eacute;/Bia. </I></P >     <P   ><I>Consegues dizer-me quem &eacute; o T&oacute;/Ana e o Z&eacute;/Bia? </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><I>A cada menino/a foi dada uma caixa com bolas dentro, e cada um dos meninos/as    tirava uma bola da sua pr&oacute;pria caixa. Cada caixa tem dentro apenas bolas    verdes e bolas laranjas, consegues ver? </I></P >     <P   ><I>No jogo, se as duas bolas que eles tirarem forem da mesma cor, ou duas verdes    ou duas laranjas, cada menino/na ganha um pr&eacute;mio. Mas se as bolas que    eles tirarem n&atilde;o forem da mesma cor, ent&atilde;o nenhum menino ganha    nada Primeiro &eacute; o T&oacute;/Ana a tirar uma bola da sua caixa, e tira    uma bola verde. </I></P >     <P   ><I>O Z&eacute;/Bia tira depois uma bola da sua caixa, e tira uma verde. </I></P >     <P   ><I>Ent&atilde;o, os dois meninos/as ganharam um pr&eacute;mio. </I></P >     <P   ><I>Se o T&oacute;/Ana e o Z&eacute;/Bia, n&atilde;o tirassem os dois uma bola    da mesma cor, ent&atilde;o eles n&atilde;o ganhavam o pr&eacute;mio. </I></P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P   >Amsel, E., Robbins, M., Tumarkin, T., Janit, A., Foulkes, S., &amp; Smalley, J.D. (2003). The card not chosen: The development of judgments of regret in self and others. Manuscript submitted for publication. </P >    <P>Au, T. K. (1983). Chinese and English Counterfactuals: The Sapir-Whorf Hypothesis revisited. <I>Cognition, 15</I>, 155-187. </P >    <P>Baird, A., &amp; Fugelsang, J. (2004). The emergence of consequential thought: Evidence from neuroscience. <I>The Royal Society, 359</I>, 1797-1804. </P >    ]]></body>
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<surname><![CDATA[Quelhas]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Byrne]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. M. J.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Raciocínio contrafactual e modelos mentais]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>1999</year>
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<page-range>713-721</page-range></nlm-citation>
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