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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Testes de Nomeação Rápida: Contributos para a avaliação da linguagem oral]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Coimbra&#8217;s Neuropsychological Assessment Battery contains, amongst several other assessment instruments, a Colours Rapid Naming test for children aged 5-6, a Digits Rapid Naming test and a Shapes and Colours Rapid Naming test, both for children aged 7-15. This work presents data concerning these tests psychometric properties, namely temporal stability, tests&#8217; intercorrelations, degree of relationship with academic grades and differentiation of groups of children with and without learning problems. The results obtained show, on the one hand, the tests psychometric adequacy and, on the other hand, indicate that the Digits and Shapes and Colours Rapid Naming tests should not be regarded as equivalents.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Testes de Nomeação Rápida]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Rapid Naming Tests]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>Testes de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida: Contributos para a avalia&ccedil;&atilde;o    da linguagem oral (<a href="#1">*</a>) <a name="top1"></a></b></P >     <P align="right">Cristina Petrucci Albuquerque (<a href="#2">**</a>)<a name="top2"></a></P >     <P align="right">M&aacute;rio R. Sim&otilde;es (<a href="#2">**</a>)</P >     <P align="center">&nbsp;</P >     <P align="center">RESUMO </P >     <P>A Bateria de Avalia&ccedil;&atilde;o Neuropsicol&oacute;gica de Coimbra (BANC)    integra, entre diversos outros instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o, um teste    de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida de Cores para crian&ccedil;as com 5    e 6 anos, um teste de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida de N&uacute;meros    e um teste de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida de Formas e Cores, ambos    para crian&ccedil;as dos 7 aos 15 anos. No presente trabalho, apresentam-se    dados relativos &agrave;s propriedades psicom&eacute;tricas destes testes, designadamente    &agrave; estabilidade temporal, &agrave;s respectivas intercorrela&ccedil;&otilde;es    e rela&ccedil;&otilde;es com os resultados escolares, e &agrave; capacidade    de diferenciarem crian&ccedil;as com e sem problemas de aprendizagem. Os resultados    obtidos atestam, por um lado, a adequa&ccedil;&atilde;o psicom&eacute;trica    dos testes e, por outro lado, indicam que os testes de Nomea&ccedil;&atilde;o    de N&uacute;meros e de Formas e Cores n&atilde;o devem ser perspectivados como    equivalentes. </P >     <P><I>Palavras chave: </I>Testes de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">ABSTRACT </P >     <P>Coimbra&rsquo;s Neuropsychological Assessment Battery contains, amongst several    other assessment instruments, a Colours Rapid Naming test for children aged    5-6, a Digits Rapid Naming test and a Shapes and Colours Rapid Naming test,    both for children aged 7-15. This work presents data concerning these tests    psychometric properties, namely temporal stability, tests&rsquo; intercorrelations,    degree of relationship with academic grades and differentiation of groups of    children with and without learning problems. The results obtained show, on the    one hand, the tests psychometric adequacy and, on the other hand, indicate that    the Digits and Shapes and Colours Rapid Naming tests should not be regarded    as equivalents. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Key words: </I>Rapid Naming Tests. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>&nbsp;</P >     <P>Em 1976, Martha Denckla e Rita Rudel publicaram um artigo intitulado &ldquo;Rapid    Automatized Naming (R.A.N.): Dyslexia differentiated from other learning disabilities&rdquo;    que se tornou uma refer&ecirc;ncia incontorn&aacute;vel da investiga&ccedil;&atilde;o    referente &agrave;s dificuldades de aprendizagem da leitura. Nesse artigo, bem    como numa publica&ccedil;&atilde;o mais recente (Denckla &amp; Cutting, 1999),    identifica-se, como ponto de partida para o estudo da nomea&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida, o caso de um adulto, descrito por Geschwind e Fusillo, que apresentava    alexia, sem agrafia. Al&eacute;m de n&atilde;o conseguir ler, o sujeito era    incapaz de nomear cores, mas n&atilde;o manifestava quaisquer dificuldades em    tarefas de natureza perceptivo-visual, incluindo o estabelecimento de correspond&ecirc;ncias    entre cores. Por conseguinte, o problema residia na associa&ccedil;&atilde;o    de est&iacute;mulos visuais &agrave;s respectivas designa&ccedil;&otilde;es    verbais, o que, por seu turno, conduziu Denckla e Rudel a colocarem a hip&oacute;tese    de que algo similar se poderia verificar em crian&ccedil;as com dislexia. </P >     <P>A fim de testarem esta hip&oacute;tese, as autoras recorreram a uma prova,    j&aacute; existente, de nomea&ccedil;&atilde;o de cinco cores, as quais se repetiam    em sequ&ecirc;ncias aleat&oacute;rias, perfazendo um total de 50 est&iacute;mulos.    Com base nesta, criaram tr&ecirc;s outras provas semelhantes de nomea&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida, designadamente de letras, n&uacute;meros e objectos de uso comum.    Puderam, ent&atilde;o, observar que crian&ccedil;as com dislexia demoravam significativamente    mais tempo a nomear os est&iacute;mulos constantes de qualquer uma destas provas    do que crian&ccedil;as sem dificuldades de aprendizagem ou crian&ccedil;as com    outras dificuldades de aprendizagem que n&atilde;o a dislexia. </P >     <P>Desde ent&atilde;o at&eacute; ao presente, numerosos estudos confirmaram a justeza destas observa&ccedil;&otilde;es, pondo em evid&ecirc;ncia que testes ou provas de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida diferenciam, consistentemente, grupos de crian&ccedil;as e jovens com dislexia ou dificuldades de aprendizagem na leitura e qualquer um dos seguintes grupos: crian&ccedil;as e jovens sem nenhuma problem&aacute;tica identificada (Bowers &amp; Swanson, 1991; Korhonen, 1995; Korkman, Kirk, &amp; Kemp, 1998; Savage, Frederickson, Goodwin, Patni, Smith, &amp; Tuersley, 2005; Wolf, Bally, &amp; Morris, 1986); crian&ccedil;as e jovens cujas dificuldades na leitura se afiguram congruentes com o seu n&iacute;vel intelectual (Ackerman &amp; Dykman, 1993; Badian, 1996); e crian&ccedil;as e jovens com outras dificuldades de aprendizagem (Ackerman &amp; Dykman, 1993). </P >    <P>Al&eacute;m disso, os d&eacute;fices na capacidade de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida dos disl&eacute;xicos podem persistir na idade adulta (Korhonen, 1995; Vukovic, Wilson, &amp; Nash, 2004) e foram observados n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; l&iacute;ngua inglesa, mas tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o a outras l&iacute;nguas, como o Alem&atilde;o (Landerl, 2001), o Espanhol (Escribano, 2007), o Finland&ecirc;s (Korhonen, 1995), o Neerland&ecirc;s (van den Bos, 1998) ou o Chin&ecirc;s (Ho, Chan, Leung, Lee, &amp; Tsang, 2005). Nestes casos, os d&eacute;fices na nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida s&atilde;o, mesmo, uma das caracter&iacute;sticas mais importantes das crian&ccedil;as disl&eacute;xicas, possivelmente devido ao facto das exig&ecirc;ncias fonol&oacute;gicas das l&iacute;nguas e do sistema de escrita em quest&atilde;o serem menores do que as da l&iacute;ngua inglesa. Em suma, os d&eacute;fices na nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida n&atilde;o se restringem aos sistemas de escrita alfab&eacute;ticos e, no seio destes, abrangem diferentes ortografias, em termos de opacidade ou transpar&ecirc;ncia da cadeia da fala. </P >    <P>No seu conjunto, os dados que acab&aacute;mos de apontar conduziram Wolf e Bowers (1999; Wolf, Bowers, &amp; Biddle, 2000) a proporem uma nova conceptualiza&ccedil;&atilde;o das dificuldades na aprendizagem da leitura, conhecida como hip&oacute;tese do duplo d&eacute;fice, a qual tem sido amplamente estudada e debatida (Vukovic &amp; Siegel, 2006; Wolf, O&rsquo;Rourke, Gidney, Lovett, Cirino, &amp; Morris, 2002). Segundo esta hip&oacute;tese, os processos fonol&oacute;gicos e os processos envolvidos na nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida constituem-se como duas fontes das dificuldades na leitura, sendo poss&iacute;vel, inclusivamente, classificar os maus leitores, de acordo com a presen&ccedil;a isolada ou simult&acirc;nea dos d&eacute;fices a eles respeitantes. A altera&ccedil;&atilde;o de ambos os processos estaria na origem dos casos mais graves de dificuldades na aprendizagem de leitura, tal como demonstrado em v&aacute;rios estudos (Badian, 1996; Manis, Doi, &amp; Bhadha, 2000; Morris et al., 1998; Wolf et al., 2002). </P >    <P>Em estreita liga&ccedil;&atilde;o com a import&acirc;ncia de que se reveste no dom&iacute;nio das dificuldades de aprendizagem da leitura, a rela&ccedil;&atilde;o da nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida com a leitura tem, tamb&eacute;m, sido extensivamente estudada. Neste &acirc;mbito, tem-se destacado que a nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida: se correlaciona significativamente com a leitura (por ex., Bowers &amp; Swanson, 1991; Manis et al., 2000; Savage et al., 2005; Wolf et al., 2002); explica vari&acirc;ncia do desempenho em leitura depois de se ter controlado a influ&ecirc;ncia de outras vari&aacute;veis relevantes, como a consci&ecirc;ncia fonol&oacute;gica, isto &eacute;, exerce uma influ&ecirc;ncia espec&iacute;fica no desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de leitura (Cutting &amp; Denckla, 2001; Manis et al., 2000; Manis, Seidenberg, &amp; Doi, 1999); e prediz o desempenho subsequente em leitura (Meyer, Wood, Hart, &amp; Felton, 1998; van den Bos, Zijlstra, &amp; Spelberg, 2002; Wolf et al., 1986). Nota-se, no entanto, que o poder preditivo da nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida &eacute; influenciado por diversas vari&aacute;veis, sendo, por exemplo, mais importante em crian&ccedil;as mais jovens (Torgesen, Wagner, Rashotte, Burgess, &amp; Hecht, 1997; Wolf et al., 1986), em crian&ccedil;as com dificuldades de aprendizagem (Lepola, Poskiparta, Laakkonen, &amp; Niemi, 2005; Meyer et al., 1998) e em ortografias transparentes (Landerl, 2001; Lepola et al., 2005; van den Bos, 1998). </P >     <P>Por&eacute;m, a relev&acirc;ncia que a nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida    tem vindo a assumir no plano internacional, ainda que derivando largamente do    dom&iacute;nio da leitura e das dificuldades a ela respeitantes, estende-se    para al&eacute;m destas. Com efeito, tem-se, por um lado, posto em evid&ecirc;ncia    que o desempenho em tarefas ou testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida    diferencia, de forma significativa, crian&ccedil;as com outras perturba&ccedil;&otilde;es    de aprendizagem e/ou comportamento e crian&ccedil;as de grupos de controlo.    Referimo-nos, por exemplo, a crian&ccedil;as cujas dificuldades de aprendizagem    se reportam a outros dom&iacute;nios que n&atilde;o a leitura (Waber, Wolff,    Forbes, &amp; Weiler, 2000); a crian&ccedil;as com e sem Dist&uacute;rbio de    D&eacute;fice de Aten&ccedil;&atilde;o e Hiperactividade (DDAH; Carte, Nigg,    &amp; Hinshaw, 1996); a crian&ccedil;as com e sem DDAH do tipo hiperactivo (Semrud-Clikeman,    Steingard, Filipek, Biederman, Bekken, &amp; Renshaw, 2000) ou do tipo desatento    (Weiler, Bernstein, Bellinger, &amp; Waber, 2000); a crian&ccedil;as com e sem    perturba&ccedil;&otilde;es da linguagem (Wiig, Zureich, &amp; Chan, 2000).    Referimo-nos, igualmente, a crian&ccedil;as com e sem perturba&ccedil;&otilde;es    co-m&oacute;rbidas, designadamente a crian&ccedil;as com DDAH ou Perturba&ccedil;&atilde;o    do Desenvolvimento da Coordena&ccedil;&atilde;o (PDC), associados a problemas    de leitura, as quais apresentam resultados em testes de nomea&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida inferiores aos de crian&ccedil;as com apenas DDAH (Ho et al.,    2005; Tannock, Martinussen, &amp; Frijters, 2000) ou PDC (Ho et al., 2005).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Por outro lado, e ainda no &acirc;mbito de uma perspectiva abrangente do papel da nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, tem-se come&ccedil;ado a p&ocirc;r em destaque que ela representa um preditor importante do desempenho ortogr&aacute;fico (Plaza &amp; Cohen, 2004; Savage et al., 2005), bem como que pode estar associada a diferen&ccedil;as individuais ao n&iacute;vel das compet&ecirc;ncias matem&aacute;ticas (Bull &amp; Johnston, 1997; Hecht, Torgesen, Wagner, &amp; Rashotte, 2001). </P >     <P>Face ao exposto compreender-se-&aacute; que os instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o    da nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida tenham conhecido uma ampla prolifera&ccedil;&atilde;o    e utiliza&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, diversificaram-se em v&aacute;rios    sentidos (Albuquerque, 2003), sendo o mais essencial o que se consubstancia,    na literatura anglo-sax&oacute;nica, pela distin&ccedil;&atilde;o entre testes    RAN (<I>Rapid Automatized Naming</I>) ou <I>Rapid Serial Naming &ndash; Single    Category </I>(RSN &ndash; SC) e testes RAS (<I>Rapid Alternating Stimulus</I>)    ou <I>Rapid Serial Naming &ndash; Alternate Category </I>(RSN &ndash; AC). Conforme    estas designa&ccedil;&otilde;es permitem antever, os testes RAN ou RSN &ndash;    SC apelam a uma &uacute;nica categoria sem&acirc;ntica, isto &eacute;, comportam    somente um tipo de est&iacute;mulo (cores; formas; letras; n&uacute;meros...),    enquanto que os testes RAS ou RSN &ndash; AC implicam o acesso a duas ou mais    categorias sem&acirc;nticas, requerendo, por exemplo, que o sujeito nomeie letras    e n&uacute;meros ou formas e cores. </P >     <P>Por seu turno, o reconhecimento da import&acirc;ncia destes instrumentos de    avalia&ccedil;&atilde;o esteve na origem da sua integra&ccedil;&atilde;o na    Bateria de Avalia&ccedil;&atilde;o Neuropsicol&oacute;gica de Coimbra (BANC).    Na realidade, esta integra, no dom&iacute;nio espec&iacute;fico da linguagem    e a par de outros testes, um teste de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida de    Cores para crian&ccedil;as com 5 e 6 anos, um teste de Nomea&ccedil;&atilde;o    R&aacute;pida de N&uacute;meros e um teste de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida    de Formas e Cores, ambos para crian&ccedil;as dos 7 aos 15 anos. Os dois primeiros    correspondem a testes RAN, enquanto que o &uacute;ltimo corresponde a um teste    RAS. </P >     <P>O processo de elabora&ccedil;&atilde;o destes testes baseou-se quer na investiga&ccedil;&atilde;o    dispon&iacute;vel, quer no exame das in&uacute;meras provas e testes de nomea&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida existentes noutros pa&iacute;ses. No caso das crian&ccedil;as    de 5 e 6 anos, optou-se pela nomea&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua e r&aacute;pida    de cores, a fim de evitar que o seu desempenho pudesse ser prejudicado por um    conhecimento insuficiente dos est&iacute;mulos alfanum&eacute;ricos. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">OBJECTIVOS </P >     <P>Tivemos j&aacute; oportunidade de apresentar alguns dados referentes &agrave;s propriedades psicom&eacute;tricas destes testes (Albuquerque &amp; Sim&otilde;es, 2008), nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; validade de constructo e &agrave; validade referente a crit&eacute;rios externos. No presente trabalho, propomo-nos prosseguir essa caracteriza&ccedil;&atilde;o, focando no que respeita &agrave; precis&atilde;o, a estabilidade temporal, e no que concerne &agrave; validade, as interrela&ccedil;&otilde;es entre os testes de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e de Formas e Cores, as rela&ccedil;&otilde;es de qualquer um dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida com os resultados escolares, e dados relativos ao desempenho de um grupo com problemas de aprendizagem comparativamente ao obtido por um grupo de controlo. </P >    <P>Em suma, visa-se apresentar alguns elementos essenciais &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o destes testes no nosso pa&iacute;s, bem como &agrave; an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o dos respectivos resultados. Al&eacute;m disso, a abordagem das interrela&ccedil;&otilde;es entre os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e os dados relativos &agrave;s crian&ccedil;as com necessidades especiais afiguram-se particularmente interessantes. No primeiro caso, porque, tal como sublinham van den Bos et al. (2002, 28), &ldquo;the issue of interrelations of various naming-speed tasks (...) was treated superficially&rdquo;, se bem que se tenha vindo a colocar a possibilidade de que diferentes tarefas ou testes de nomea&ccedil;&atilde;o colocam em jogo diferentes processos, podendo, por isso, apresentar rela&ccedil;&otilde;es modestas entre si (N&auml;hri et al., 2005). No segundo caso, porque ao contemplarem-se crian&ccedil;as com problemas de aprendizagem, isto &eacute;, crian&ccedil;as cujas dificuldades, como veremos mais adiante, n&atilde;o se circunscrevem &uacute;nica ou exclusivamente &agrave; leitura, se amplia a an&aacute;lise do poder discriminativo dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida para al&eacute;m do que tem sido habitual e foi previamente recenseado. </P >     <P>Atendendo a estes objectivos, come&ccedil;amos por descrever os testes de nomea&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida e, de seguida, focaremos os dados referentes &agrave; precis&atilde;o    e &agrave; validade. As amostras utilizadas s&atilde;o espec&iacute;ficas de    cada uma das an&aacute;lises realizadas e, por esse motivo, s&atilde;o caracterizadas    no &acirc;mbito do contexto espec&iacute;fico em que se inserem. N&atilde;o    obstante, pode adiantar-se, desde j&aacute;, que com excep&ccedil;&atilde;o    do grupo com problemas de aprendizagem, todas as amostras englobam crian&ccedil;as    sem necessidades educativas especiais, apoio do ensino especial ou repeti&ccedil;&atilde;o    da frequ&ecirc;ncia de um ou mais anos de escolaridade. </P >     <P>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">TESTES DE NOMEA&Ccedil;&Atilde;O R&Aacute;PIDA </P >     <P>Em qualquer um dos testes, solicita-se &agrave; crian&ccedil;a que nomeie, o mais depressa que lhe for poss&iacute;vel, 50 est&iacute;mulos visuais constantes num cart&atilde;o e dispostos em 5 linhas com 10 est&iacute;mulos cada uma, os quais se repetem em sequ&ecirc;ncias aleat&oacute;rias e lhe s&atilde;o familiares. Constitui-se como excep&ccedil;&atilde;o &agrave; regra da aleatoriedade, o facto de nenhum est&iacute;mulo poder ser seguido por ele pr&oacute;prio. Al&eacute;m disso, ambos os testes comportam 10 est&iacute;mulos ou itens de exemplo, que se destinam a averiguar se s&atilde;o familiares &agrave; crian&ccedil;a e se esta &eacute;, efectivamente, capaz de os nomear. </P >    <P>Os est&iacute;mulos do teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros s&atilde;o 5 d&iacute;gitos, surgindo, cada um deles, 10 vezes. Por seu turno, os est&iacute;mulos do teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores s&atilde;o 4 formas de 4 cores diferentes, repetindo-se, cada uma delas, 12 ou 13 vezes. </P >     <P>Os erros (nomea&ccedil;&otilde;es incorrectas e omiss&otilde;es) foram registados    e o tempo de nomea&ccedil;&atilde;o medido com um cron&oacute;metro. Os resultados    empregues nas an&aacute;lises subsequentes foram os resultados brutos relativos    ao n&uacute;mero de erros cometidos e/ou ao tempo despendido ou o resultado    padronizado relativo ao tempo. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">PRECIS&Atilde;O </P >     <P>A precis&atilde;o dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida foi examinada em termos de teste-reteste num grupo de 37 crian&ccedil;as com 6 anos de idade no caso do teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de Cores e num grupo de 69 crian&ccedil;as com 8 (<I>n</I>=37) e 10 anos de idade (<I>n</I>=32) nos casos dos testes de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e de Formas e Cores. </P >    <P>Os resultados brutos respeitantes aos erros apresentam uma amplitude de varia&ccedil;&atilde;o muito restrita, j&aacute; que tanto nesta amostra, como na amostra de aferi&ccedil;&atilde;o, o n&uacute;mero de erros &eacute; muito reduzido em todos os testes de nomea&ccedil;&atilde;o, assumindo, apenas, alguma express&atilde;o no teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores e nos n&iacute;veis et&aacute;rios mais baixos (7, 8 e 10 anos na amostra normativa; Albuquerque &amp; Sim&otilde;es, 2008). Por esse motivo, na an&aacute;lise da estabilidade temporal, atendeu-se, apenas aos resultados padronizados relativos ao tempo. </P >    <P>No Quadro 1, apresentam-se os resultados obtidos nas duas aplica&ccedil;&otilde;es, separadas por um intervalo de 27 dias (&plusmn; 10 dias), e as correla&ccedil;&otilde;es entre eles. Como se pode verificar, os valores s&atilde;o elevados. </P >     <P align="center">Quadro 1 </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><I>Teste-reteste </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a05t1.gif" width="320" height="340"></P >     
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                  <blockquote>                    <blockquote>                      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                        <blockquote>                         <p><I>Legenda: </I>**<I>p</I>&lt;.01. </p>                   </blockquote>                 </blockquote>               </blockquote>             </blockquote>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <P>&nbsp;</P >     <P>N&atilde;o se procedeu &agrave; an&aacute;lise da consist&ecirc;ncia interna,    devido ao facto dos respectivos m&eacute;todos de avalia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    serem adequados para testes de velocidade ou rapidez (Anastasi &amp; Urbina,    1997). </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">VALIDADE</P >     <P><I>Rela&ccedil;&otilde;es entre os testes de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida </I></P >    <P>As correla&ccedil;&otilde;es entre os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida reportam-se, unicamente, aos testes de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e de Formas e Cores, uma vez que s&oacute; estes foram aplicados &agrave;s mesmas faixas et&aacute;rias, isto &eacute;, aos 904 sujeitos (451 rapazes e 453 raparigas), com idades e anos de escolaridade compreendidos, respectivamente, entre os 7 e os 15 anos e entre o 2&ordm; e o 10&ordm; ano, que integram a amostra de aferi&ccedil;&atilde;o. </P >     <P>A selec&ccedil;&atilde;o desta amostra baseou-se no m&eacute;todo de amostragem    estratificada aleat&oacute;ria e teve em considera&ccedil;&atilde;o os seguintes    crit&eacute;rios de estratifica&ccedil;&atilde;o: idade (aproximadamente 100    sujeitos por n&iacute;vel et&aacute;rio); g&eacute;nero (n&uacute;mero id&ecirc;ntico    de rapazes e raparigas por n&iacute;vel et&aacute;rio); ano de escolaridade    (aproximadamente 100 sujeitos por ano); &aacute;rea de resid&ecirc;ncia (distribui&ccedil;&atilde;o    por &aacute;reas de resid&ecirc;ncia predominantemente urbanas, moderadamente    urbanas e predominantemente rurais correspondente &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o    nacional; INE/DGOTDU, 1998); e localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica (distribui&ccedil;&atilde;o    por distritos do litoral e do interior pr&oacute;xima da popula&ccedil;&atilde;o    portuguesa; Paredes, 2004). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>No Quadro 2 apresentam-se as correla&ccedil;&otilde;es respeitantes aos 904    sujeitos e no Quadro 3 as correla&ccedil;&otilde;es relativas a cada uma das    faixas et&aacute;rias. Al&eacute;m disso, trata-se de correla&ccedil;&otilde;es    entre resultados padronizados no que respeita ao tempo registado em ambos os    testes, e de correla&ccedil;&otilde;es parciais, com controlo da vari&aacute;vel    idade cronol&oacute;gica, entre resultados brutos nos restantes casos. Como    se pode verificar, no seio de um mesmo teste, os resultados brutos tempo e erros    apresentam uma correla&ccedil;&atilde;o muito baixa na Nomea&ccedil;&atilde;o    de N&uacute;meros e moderada na Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores. Quando    se consideram os dois testes de nomea&ccedil;&atilde;o em simult&acirc;neo,    verifica-se que os resultados padronizados relativos ao tempo evidenciam uma    associa&ccedil;&atilde;o modesta entre si, enquanto que os resultados brutos    dos erros manifestam uma correla&ccedil;&atilde;o quase nula. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">Quadro 2 </P >     <P align="center"><I>Intercorrela&ccedil;&otilde;es entre os testes de Nomea&ccedil;&atilde;o    R&aacute;pida na amostra de aferi&ccedil;&atilde;o   </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a05t2.gif" width="320" height="102"></P >     
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                  <blockquote>                    <blockquote>                      <blockquote>                        <blockquote>                         <p><I>Legenda: </I>**<I>p</I>&lt;.01. </p>                   </blockquote>                 </blockquote>               </blockquote>             </blockquote>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <P>&nbsp;</P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">Quadro 3 </P >     <P align="center"><I>Intercorrela&ccedil;&otilde;es entre os testes de Nomea&ccedil;&atilde;o    R&aacute;pida por faixa et&aacute;ria </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a05t3.gif" width="321" height="183"></P >     
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              <blockquote>                <blockquote>                  <blockquote>                    <blockquote>                      <blockquote>                        ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                         <p><I>Legenda: </I>**<I>p</I>&lt;.01. </p>                   </blockquote>                 </blockquote>               </blockquote>             </blockquote>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <P>&nbsp;</P >     <P>Uma an&aacute;lise complementar entre os resultados correspondentes registados    em cada um dos testes (tempo na Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e de    Formas e Cores; erros na Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e de Formas    e Cores), nas diferentes faixas et&aacute;rias, pode ser observada no Quadro    3. O padr&atilde;o obtido &eacute;, por um lado, muito semelhante ao que acab&aacute;mos    de descrever e, por outro lado, caracteriza-se por alguma instabilidade, com    valores que tanto aumentam como decrescem em fun&ccedil;&atilde;o da idade.  </P >     <P>&nbsp; </P >     <P><I>Correla&ccedil;&otilde;es com os resultados escolares </I></P >    <P>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s correla&ccedil;&otilde;es dos resultados dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida com os resultados escolares, a an&aacute;lise centrou-se nas disciplinas de Matem&aacute;tica, Portugu&ecirc;s, Ingl&ecirc;s e Franc&ecirc;s, dada a potencial relev&acirc;ncia da nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida ao n&iacute;vel da aprendizagem destas &aacute;reas curriculares. Os resultados escolares correspondem &agrave;s classifica&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das pelos professores no final do per&iacute;odo lectivo em que as crian&ccedil;as foram avaliadas com a BANC. </P >     <P   >A dimens&atilde;o das amostras varia de acordo com o teste e/ou a disciplina,    sendo a mais restrita a relativa &agrave; Nomea&ccedil;&atilde;o de Cores que    compreende 47 rapazes e 46 raparigas com 6 anos de idade. No que respeita &agrave;    Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e Formas e Cores, as caracter&iacute;sticas    das amostras est&atilde;o assinaladas no Quadro 4.</P >     <P align="center"   >Quadro 4 </P >     <P align="center"><I>Caracteriza&ccedil;&atilde;o das amostras </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"   ><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a05t4.gif" width="660" height="323">  </P >     
<P   >&nbsp; </P >     <P   >Os valores constantes do Quadro 5 s&atilde;o correla&ccedil;&otilde;es parciais    entre os resultados brutos relativos ao tempo de nomea&ccedil;&atilde;o e os    resultados escolares, isto &eacute;, de correla&ccedil;&otilde;es em que se    controlaram os efeitos da vari&aacute;vel idade cronol&oacute;gica. Como um    resultado bruto mais elevado corresponde a um tempo de nomea&ccedil;&atilde;o    mais longo e este, por sua vez, traduz um pior desempenho, as correla&ccedil;&otilde;es    obtidas s&atilde;o, sem excep&ccedil;&atilde;o, negativas. </P >     <P align="center"   >Quadro 5 </P >     <P align="center"><I>Correla&ccedil;&otilde;es dos testes de Nomea&ccedil;&atilde;o    R&aacute;pida com os resultados escolares </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a05t5.gif" width="658" height="188"></P >     
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>              ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>                <blockquote>                 <p><I>Legenda: </I>*<I>p</I>&lt;.05, **<I>p</I>&lt;.01. </p>           </blockquote>         </blockquote>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <P   >&nbsp;</P >     <P   >As correla&ccedil;&otilde;es com os resultados escolares evidenciam dois aspectos    dignos de nota. O primeiro &eacute; o de que os valores, se bem que uniformemente    modestos, s&atilde;o mais elevados no teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas    e Cores e do que no teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros. O segundo    aspecto reporta-se aos valores das correla&ccedil;&otilde;es com a disciplina    de Matem&aacute;tica, as quais s&atilde;o similares ou, at&eacute; ocasionalmente,    um pouco superiores &agrave;s registadas nas disciplinas de L&iacute;nguas.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Problemas de aprendizagem </I></P >     <P>O grupo com problemas de aprendizagem compreende 44 crian&ccedil;as, dos 9    aos 13 anos e do 3&ordm; ao 8&ordm; ano de escolaridade. O seu desempenho foi    comparado com o de um grupo de controlo, constitu&iacute;do a partir da amostra    de aferi&ccedil;&atilde;o da BANC e de um emparelhamento caso a caso com cada    uma das crian&ccedil;as com problemas de aprendizagem, em termos de vari&aacute;veis    demogr&aacute;ficas como a idade, o g&eacute;nero, a escolaridade, a regi&atilde;o    geogr&aacute;fica, a &aacute;rea de resid&ecirc;ncia e a escolaridade dos pais.  </P >     <P>O grupo de crian&ccedil;as com problemas de aprendizagem foi observado na Consulta    de Insucesso Escolar do Centro de Desenvolvimento do Hospital Pedi&aacute;trico    de Coimbra e integra 31 rapazes e 13 raparigas, com uma idade cronol&oacute;gica    m&eacute;dia de 126.05 (<I>d.p.</I>=11.07). Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o    das crian&ccedil;as neste grupo contemplaram: a aus&ecirc;ncia de qualquer outro    diagn&oacute;stico; Quociente Intelectual Geral (QIEC) superior a 80 na WISC-III    (Escala de Intelig&ecirc;ncia de Wechsler para Crian&ccedil;as-Terceira Edi&ccedil;&atilde;o);    e percentil superior a 35 nas MPCR (Matrizes Progressivas Coloridas de Raven).    Trata-se, pois, de crit&eacute;rios de inclus&atilde;o abrangentes, cuja adop&ccedil;&atilde;o    resultou num grupo que, embora comportando uma maioria de crian&ccedil;as com    dificuldades espec&iacute;ficas de aprendizagem da leitura (63.6%), tamb&eacute;m    abarca: crian&ccedil;as com dificuldades na aprendizagem da leitura associadas    a perturba&ccedil;&otilde;es na linguagem expressiva (4.6%) e/ou a d&eacute;fices    de aten&ccedil;&atilde;o (4.6%); e crian&ccedil;as com dificuldades n&atilde;o    espec&iacute;ficas de aprendizagem (27.4%). </P >     <P>Por seu turno, o grupo de controlo abrange 32 rapazes e 12 raparigas, com uma    idade cronol&oacute;gica m&eacute;dia de 126.95 (<I>d.p.</I>=10.87). Os dois    grupos n&atilde;o se diferenciam significativamente em rela&ccedil;&atilde;o    a nenhuma das vari&aacute;veis que foram objecto de emparelhamento: idade [<I>F</I><Sub>(1,87)</Sub>=.147;    <I>p</I>=.702]; g&eacute;nero [&chi;<Sup><I>2</I></Sup><Sub>(1)</Sub>=.056;    <I>p</I>=.813]; escolaridade [<I>F</I><Sub>(1,87)</Sub>=3.655; <I>p</I>=.059];    regi&atilde;o geogr&aacute;fica [&chi;<Sup><I>2</I></Sup><Sub>(1)</Sub>=3.058;    <I>p</I>=.08]; &aacute;rea de resid&ecirc;ncia [&chi;<Sup><I>2</I></Sup><Sub>(2)</Sub>=4.260;    <I>p</I>=.119]; e habilita&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas do pai [&chi;<Sup><I>2</I></Sup><Sub>(4)</Sub>=3.650;    <I>p</I>=.445] e da m&atilde;e [&chi;<Sup><I>2</I></Sup><Sub>(4)</Sub>=4.554;    <I>p</I>=.336]. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Como se pode verificar no Quadro 6, os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida    discriminam, de forma estatisticamente significativa, sujeitos com e sem problemas    de aprendizagem, caracterizando-se os primeiros por despenderem mais tempo em    ambos os testes, bem como por cometerem um maior n&uacute;mero de erros na nomea&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida de Formas e Cores. </P >     <P align="center">Quadro 6 </P >     <P align="center"><I>Desempenho de crian&ccedil;as com e sem problemas de aprendizagem    </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a05t6.gif" width="659" height="160"></P >     
<P>&nbsp;</P >     <P align="center">DISCUSS&Atilde;O </P >     <P>Os dados previamente apresentados atestam a adequa&ccedil;&atilde;o psicom&eacute;trica dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida da BANC no que respeita &agrave; estabilidade temporal dos resultados padronizados relativos ao tempo, bem como no que concerne &agrave; sua capacidade de diferenciarem crian&ccedil;as com e sem problemas de aprendizagem. </P >    <P>A este &uacute;ltimo respeito, imp&otilde;em-se tr&ecirc;s ordens de considera&ccedil;&otilde;es. Em primeiro lugar, h&aacute; que salientar a abrang&ecirc;ncia dos crit&eacute;rios de selec&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as com problemas de aprendizagem, designadamente ao n&iacute;vel dos resultados obtidos em instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o intelectual, dos dom&iacute;nios acad&eacute;micos afectados ou da exist&ecirc;ncia de perturba&ccedil;&otilde;es associadas. Trata-se, por conseguinte, de um grupo distinto dos que t&ecirc;m sido mais extensivamente estudados no dom&iacute;nio da nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida (dislexia ou dificuldades na aprendizagem da leitura), e cujo desempenho se revelou significativamente inferior ao do grupo de controlo no tempo despendido em ambos os testes de nomea&ccedil;&atilde;o e no n&uacute;mero de erros cometido na nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores. Estes resultados confluem com os apontados por Waber et al. (2000), em rela&ccedil;&atilde;o a um grupo similar, j&aacute; que estes autores tamb&eacute;m verificaram a exist&ecirc;ncia de uma associa&ccedil;&atilde;o entre tempos de nomea&ccedil;&atilde;o mais longos e problemas de aprendizagem, globalmente considerados. A este respeito, Waber et al. (2000, 259) afirmaram, mesmo e de forma incisiva, que um tempo de nomea&ccedil;&atilde;o lento &ldquo;appears to be an indicator of neurodevelopmental vulnerability to learning or processing problems in general&rdquo;. </P >    <P>Em segundo lugar, e em apoio desta &uacute;ltima asser&ccedil;&atilde;o, gostar&iacute;amos de fazer refer&ecirc;ncia a trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o j&aacute; conclu&iacute;dos que compararam o desempenho na BANC de grupos de crian&ccedil;as com v&aacute;rias problem&aacute;ticas com os de grupos de controlo. Referimo-nos a grupos de crian&ccedil;as com traumatismo cr&acirc;neo-encef&aacute;lico (Santos, 2006), com epilepsia do lobo temporal ou do lobo frontal (Lopes, 2007) e com Perturba&ccedil;&atilde;o de Oposi&ccedil;&atilde;o e Desafio (S&aacute;, 2007; S&aacute;, Albuquerque, &amp; Sim&otilde;es, no Prelo), os quais revelaram, por refer&ecirc;ncia aos grupos de controlo, diferen&ccedil;as estatisticamente significativas no tempo de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e de Formas e Cores e nos erros cometidos na Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores. Trata-se, por conseguinte, de um perfil de resultados correspondente ao detectado no grupo com problemas de aprendizagem. </P >    <P>Em terceiro lugar, a similitude, que acab&aacute;mos de apontar, remete-nos para outras quest&otilde;es, nomeadamente a de determinar o que avaliam, efectivamente, os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e no caso de se verificar um tempo de nomea&ccedil;&atilde;o mais lento e/ou mais erros qual o significado a atribuir a estes resultados em diferentes entidades diagn&oacute;sticas. No que se refere &agrave;s compet&ecirc;ncias que os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida avaliam, h&aacute; que assinalar, que t&ecirc;m vindo a ser avan&ccedil;adas diversas hip&oacute;teses explicativas e, registado, importantes debates, sem que, contudo, se verifique um consenso. N&atilde;o obstante, e a t&iacute;tulo de s&uacute;mula, podem apontar-se as possibilidades de que constituem medidas de: processamento fonol&oacute;gico (Wagner, Torgesen, &amp; Rashotte, 1994); velocidade de processamento (Kail, Hall, &amp; Caskey, 1999); interliga&ccedil;&atilde;o entre a linguagem e as fun&ccedil;&otilde;es executivas (Denckla &amp; Cutting, 1999); diversificados processos lingu&iacute;sticos e cognitivos, tais como aten&ccedil;&atilde;o, processos perceptivos visuais, integra&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o visual com representa&ccedil;&otilde;es fonol&oacute;gicas e/ou ortogr&aacute;ficas, evoca&ccedil;&atilde;o de designa&ccedil;&otilde;es fonol&oacute;gicas, activa&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica, activa&ccedil;&atilde;o motora e sequencia&ccedil;&atilde;o temporal (Wolf &amp; Bowers, 1999; Wolf et al., 2000). Teremos ocasi&atilde;o de retomar esta quest&atilde;o um pouco mais adiante, quando analisarmos as correla&ccedil;&otilde;es entre os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, uma vez que a delimita&ccedil;&atilde;o do respectivo objecto de avalia&ccedil;&atilde;o se afigura ainda mais complexa, se se atender &agrave; possibilidade de diferentes tarefas ou testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida colocarem em jogo diferentes processos. De momento, limitamo-nos a assinalar que a possibilidade, formulada por Wolf e colaboradores (Wolf &amp; Bowers, 1999; Wolf et al., 2000), de que a nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida mobiliza um conjunto diversificado de processos se nos afigura consonante com a capacidade de discrimina&ccedil;&atilde;o de grupos com e sem diferentes problem&aacute;ticas evidenciada pelos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, tal como assinalado na introdu&ccedil;&atilde;o a este trabalho e descrito em rela&ccedil;&atilde;o aos que integram a BANC. Assim sendo, o significado a atribuir a um desempenho pobre nestes testes pode diferir em fun&ccedil;&atilde;o da entidade diagn&oacute;stica ou do grupo cl&iacute;nico que &eacute; objecto de estudo e, inclusivamente, em se tratando de um grupo pouco homog&eacute;neo, em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas apresentadas por subgrupos de sujeitos. Por exemplo, &eacute; poss&iacute;vel que, no caso do grupo com problemas de aprendizagem, a activa&ccedil;&atilde;o motora ou a aten&ccedil;&atilde;o tenham, a par de outros processos, desempenhado um papel relevante nas crian&ccedil;as que, reconhecidamente, apresentam perturba&ccedil;&otilde;es na linguagem expressiva ou d&eacute;fices de aten&ccedil;&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Ainda no plano da validade, o facto das correla&ccedil;&otilde;es entre o tempo obtido nos dois testes de nomea&ccedil;&atilde;o se terem revelado moderadas vai de encontro &agrave; possibilidade, anteriormente apontada, de que diferentes testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida avaliam processos n&atilde;o inteiramente coincidentes. Nota-se que os valores registados s&atilde;o semelhantes aos assinalados, por exemplo, por van den Bos et al. (2002) entre testes de nomea&ccedil;&atilde;o de cores e de n&uacute;meros, bem como que s&atilde;o consonantes com a verifica&ccedil;&atilde;o de que as correla&ccedil;&otilde;es entre testes de nomea&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos alfanum&eacute;ricos (letras, n&uacute;meros) e n&atilde;o alfanum&eacute;ricos (cores, objectos) s&atilde;o modestas (de Jong &amp; van der Leij, 2002; Manis et al., 2000; van den Bos et al., 2002; Wolf et al., 1986). </P >    <P>Al&eacute;m disso, a necessidade de estabelecer diferencia&ccedil;&otilde;es entre os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida de acordo com os est&iacute;mulos que comportam, isto &eacute;, consoante se trata de testes RAS ou RAN e, no &acirc;mbito destes &uacute;ltimos, consoante se trata de testes com est&iacute;mulos alfanum&eacute;ricos ou n&atilde;o alfanum&eacute;ricos, tem vindo a ser evidenciada em v&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es. Por exemplo, no que respeita aos est&iacute;mulos alfanum&eacute;ricos e n&atilde;o alfanum&eacute;ricos, para al&eacute;m do padr&atilde;o de correla&ccedil;&otilde;es j&aacute; assinalado, tem-se observado que podem apresentar percursos desenvolvimentais distintos (Denckla &amp; Rudel, 1976; van den Bos et al., 2002; Wolf et al., 1986), constituir-se como factores diferentes quando se recorre &agrave; an&aacute;lise factorial (N&auml;hri et al., 2005; van den Bos et al., 2002), evidenciar conex&otilde;es particulares com a leitura (van den Bos et al., 2002; Wolf et al., 1986) ou manifestar dissocia&ccedil;&otilde;es em grupos cl&iacute;nicos, representando um tipo de est&iacute;mulos dificuldades de nomea&ccedil;&atilde;o mais acentuadas do que o outro (Tannock et al., 2000). No que concerne &agrave; necessidade de diferenciar testes RAN e RAS, tem sido, tamb&eacute;m, observado que se constituem como componentes diferentes quando se analisa a estrutura de diversos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida (N&auml;hri et al., 2005). Pela nossa parte, tivemos oportunidade de, em conformidade com o indicado por outros autores (N&auml;hri et al., 2005; Wiig et al., 2000), verificar que t&ecirc;m traject&oacute;rias de desenvolvimento distintas e s&oacute; confluem parcialmente ao n&iacute;vel das respectivas associa&ccedil;&otilde;es com testes neuropsicol&oacute;gicos (Albuquerque &amp; Sim&otilde;es, 2008). Em complemento, e no contexto do presente estudo, constatamos que: se correlacionam moderadamente em termos do tempo despendido; n&atilde;o apresentam as mesmas associa&ccedil;&otilde;es com os resultados escolares; e que tal como indicado por Wiig et al. (2000) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s perturba&ccedil;&otilde;es de linguagem, as dificuldades de nomea&ccedil;&atilde;o s&atilde;o, no grupo com problemas de aprendizagem, particularmente evidentes num teste RAS, isto &eacute;, na Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores. Com efeito, o grupo com problemas de aprendizagem obteve resultados padronizados m&eacute;dios relativos ao tempo mais baixos no teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores do que no teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros, verifica&ccedil;&atilde;o esta que, ali&aacute;s, &eacute; extens&iacute;vel a todos os grupos cl&iacute;nicos, enunciados previamente, a quem j&aacute; foram aplicados os testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida da BANC (Lopes, 2007; S&aacute;, 2007; S&aacute;, Albuquerque, &amp; Sim&otilde;es, no Prelo; Santos, 2006). </P >    <P>Em suma, do ponto de vista da selec&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, h&aacute; que evitar perspectiv&aacute;-los como rigorosamente equivalentes, utilizando-os indistinta ou indiscriminadamente. Pelo contr&aacute;rio, afigura-se recomend&aacute;vel recorrer a v&aacute;rios e comparar o desempenho neles obtido, j&aacute; que, no caso dos que integram a BANC, o desempenho de uma crian&ccedil;a num deles pode ser diferente do registado no outro. </P >    <P>No que se refere aos resultados a utilizar e a interpretar, gostar&iacute;amos de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia de se considerar quer o tempo, quer os erros. As correla&ccedil;&otilde;es entre ambos foram, obviamente, condicionadas pela restri&ccedil;&atilde;o da amplitude dos erros e devem, por isso, ser encaradas com reserva. N&atilde;o obstante, os dados normativos dispon&iacute;veis dizem respeito ao tempo despendido e aos erros cometidos, isto &eacute;, ambos os resultados brutos obtidos por uma crian&ccedil;a podem ser comparados com as m&eacute;dias e os desvios-padr&atilde;o obtidos pelos cerca de 100 sujeitos da mesma faixa et&aacute;ria, podendo-se, adicionalmente, transformar o resultado bruto relativo ao tempo num resultado padronizado. Por outras palavras, as normas dizem respeito &agrave; rapidez e precis&atilde;o das respostas, pelo que &eacute; poss&iacute;vel caracterizar o desempenho individual em fun&ccedil;&atilde;o desses dois par&acirc;metros. Assim, podemos ter, entre outras possibilidades, estilos de resposta r&aacute;pidos e imprecisos, lentos e precisos ou lentos e imprecisos. Uma outra raz&atilde;o que confere apoio &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise dos resultados relativos aos erros reside no facto, j&aacute; indicado anteriormente, dos cometidos na Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores discriminarem crian&ccedil;as com e sem diversas perturba&ccedil;&otilde;es. </P >    <P>Por &uacute;ltimo, gostar&iacute;amos de salientar que a perspectiva abrangente, segundo a qual a nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida exerce influ&ecirc;ncia n&atilde;o apenas na aprendizagem da leitura, mas tamb&eacute;m noutras aprendizagens acad&eacute;micas, como a Matem&aacute;tica, encontra eco no facto das correla&ccedil;&otilde;es do teste de Nomea&ccedil;&atilde;o de Formas e Cores com a disciplina de Matem&aacute;tica se terem revelado significativas e similares &agrave;s registadas nas disciplinas de L&iacute;nguas. Em conson&acirc;ncia com esta perspectiva, tem-se apontado: a exist&ecirc;ncia de correla&ccedil;&otilde;es significativas entre a nomea&ccedil;&atilde;o discreta (Bull &amp; Johnston, 1997), ou cont&iacute;nua de letras e d&iacute;gitos (Wodaclo &amp; Rieger, 2007), e o desempenho em testes de desempenho matem&aacute;tico; o facto da nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida predizer o incremento nas compet&ecirc;ncias matem&aacute;ticas no in&iacute;cio da escolaridade (Hecht et al., 2001; Lachance &amp; Mazzocco, 2006); e a verifica&ccedil;&atilde;o de que as crian&ccedil;as com dificuldades na aprendizagem da matem&aacute;tica recuperam informa&ccedil;&atilde;o fonol&oacute;gica mais lentamente do que crian&ccedil;as sem essas dificuldades (Bull &amp; Johnston, 1997). </P >     <P>A fim de explicar esta associa&ccedil;&atilde;o, pode invocar-se que a nomea&ccedil;&atilde;o    r&aacute;pida constitui uma medida da capacidade de evoca&ccedil;&atilde;o de    designa&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es fonol&oacute;gicas,    dispon&iacute;veis na mem&oacute;ria a longo termo (Wagner et al., 1994), e    que a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas tamb&eacute;m requer o acesso a esse    tipo de representa&ccedil;&otilde;es, por exemplo &agrave;s relativas aos termos,    operadores ou dados aritm&eacute;ticos b&aacute;sicos. Pode, igualmente, invocar-se    que a nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida avalia a velocidade de processamento    (Kail et al., 1999) e que a matem&aacute;tica requer uma rapidez crescente na    execu&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios procedimentos. N&atilde;o obstante,    o facto das correla&ccedil;&otilde;es significativas com os resultados escolares    em Matem&aacute;tica se circunscreverem, quase exclusivamente, &agrave; Nomea&ccedil;&atilde;o    de Formas e Cores e, desta &uacute;ltima, ter revelado, em an&aacute;lises precedentes    (Albuquerque &amp; Sim&otilde;es, 2008), uma natureza multicomponencial mais    marcada do que a Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros, sugere que a rela&ccedil;&atilde;o    entre ambas pode derivar de v&aacute;rios e n&atilde;o de um &uacute;nico processo    cognitivo. Por&eacute;m, a informa&ccedil;&atilde;o respeitante &agrave; rela&ccedil;&atilde;o    entre a nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e a matem&aacute;tica &eacute;,    ainda, demasiado escassa, necessitando, obviamente, de ser ampliada e aprofundada.  </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">CONCLUS&Otilde;ES </P >     <P>Os dados apresentados documentam, por um lado, o car&aacute;cter satisfat&oacute;rio    das propriedades psicom&eacute;tricas dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida    da BANC e, por outro lado, evidenciam a necessidade de diferenciar os testes    de Nomea&ccedil;&atilde;o de N&uacute;meros e de Formas e Cores. Alguns dados    v&atilde;o, ainda, de encontro aos procedentes de outros estudos (Albuquerque    &amp; Sim&otilde;es, 2008; Lopes, 2007; S&aacute;, 2007; S&aacute;, Albuquerque,    &amp; Sim&otilde;es, no Prelo; Santos, 2006) e, assim sendo, o seu alcance afigura-se    mais amplo. </P >     <P>Contudo, o exame das propriedades psico-m&eacute;tricas de um instrumento de    avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; uma tarefa cont&iacute;nua, o que, no caso    dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, significa que a recolha    e an&aacute;lise de outros dados est&atilde;o previstas ou j&aacute; em curso.    Referimo-nos, por exemplo, &agrave; determina&ccedil;&atilde;o da estrutura    factorial da BANC, a investiga&ccedil;&otilde;es com outros grupos especiais    e a an&aacute;lises das correla&ccedil;&otilde;es com o desempenho em provas    de leitura e escrita. Todas elas poder&atilde;o contribuir com informa&ccedil;&atilde;o    adicional relativa a uma quest&atilde;o fundamental, mas ainda em aberto, isto    &eacute;, &agrave;s compet&ecirc;ncias efectivamente avaliadas por ambos e cada    um dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida. Por seu turno, a an&aacute;lise    das correla&ccedil;&otilde;es com o desempenho em provas de leitura e escrita    permitir&aacute; circunscrever, em parte, um dos limites deste estudo, ou seja,    a operacionaliza&ccedil;&atilde;o exclusiva do desempenho acad&eacute;mico em    termos das classifica&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das pelos professores.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>N&atilde;o obstante este e outros limites, disp&otilde;e-se j&aacute; de um    conjunto de elementos pass&iacute;veis de sustentarem a utiliza&ccedil;&atilde;o    dos testes de nomea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida da BANC no contexto nacional,    atenuando-se, assim, a lacuna respeitante a instrumentos deste tipo detentores    de dados normativos e psicom&eacute;tricos suficientemente s&oacute;lidos. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center"   >REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P>Ackerman, P. T., &amp; &amp; Dykman, R. A. (1993). Phonological processes, confrontation naming, and immediate memory in dyslexia. <I>Journal of Learning Disabilities</I>, <I>26</I>, 597-609. </P >    <P>Albuquerque, C. P. (2003). A avalia&ccedil;&atilde;o do processamento fonol&oacute;gico nas dificuldades de aprendizagem da leitura. <I>Psychologica</I>, <I>34</I>, 155-176. </P >    <P>Albuquerque, C. P., &amp; Sim&otilde;es, M. R. (2008). <I>Testes de Nomea&ccedil;&atilde;o R&aacute;pida: Traject&oacute;rias de desenvolvimento e rela&ccedil;&otilde;es com testes neuropsicol&oacute;gicos</I>. Manuscrito submetido para publica&ccedil;&atilde;o. </P >    <P>Anastasi, A., &amp; Urbina, S. (1997). <I>Psychological testing </I>(7th ed.). Upper Slade River, NJ: Prentice-Hall. </P >    <P>Badian, N. (1996). Dyslexia: A validation of the concept at two age levels. <I>Journal of Learning Disabilities</I>, <I>29</I>, 102-112. </P >    <P>Bowers, P. G., &amp; Swanson, L. B. (1991). Naming speed deficits in reading disability: Multiple measures of a singular process. <I>Journal of Experimental Child Psychology</I>, <I>51</I>, 195-219. </P >    <P>Bull, R., &amp; Johnston, R. S. (1997). Children&rsquo;s arithmetical difficulties: Contributions from processing speed, item identification, and short-term memory. <I>Journal of Experimental Child Psychology</I>, <I>65</I>, 1-24. </P >    ]]></body>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação neuropsicológica da Perturbação de Oposição e Desafio]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Saúde e Doenças]]></source>
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