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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alunos de excelência no ensino superior: Comunalidades e singularidades na trajectória académica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Some theoretical perspectives try to explain the high levels of performance. Contextual, cognitive, and motivational, as well as personality factors seem to describe the way of life of the subjects with high levels of performance, suggesting the complexity and the multidimensionality of human excellence. The present study analyses the academic course trajectories of students with high academic performance in the areas of engineering and computer science. Through the content analysis of the interviews it was possible to identify the common aspects and singularities among participants, and also how such variables combine themselves in the determination development and expression of excellent performance. The results obtained suggest the presence of joint and combined variables of the academic success in their discourses. Among them we point out the abilities of self-regulation and self-control and the involvement and effort spent in the accomplishment of the tasks.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Alta realização e rendimento]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>Alunos de excel&ecirc;ncia no ensino superior: Comunalidades e singularidades    na traject&oacute;ria acad&eacute;mica </b></P >     <P align="right">S&iacute;lvia Monteiro (<a href="#1">*</a>)<a name="top1"></a></P >     <P align="right">Marlene Castro (<a href="#2">**</a>)<a name="top2"></a></P >     <P align="right">Leandro Almeida (<a href="#1">*</a>)</P >     <P align="right">Jos&eacute; Fernando A. Cruz (<a href="#1">*</a>)</P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">RESUMO </P >     <P>V&aacute;rias perspectivas te&oacute;ricas procuram explicar os altos n&iacute;veis    de desempenho. Factores de &iacute;ndole contextual, cognitiva, motivacional    e de personalidade parecem descrever o percurso de vida dos sujeitos com elevados    n&iacute;veis de rendimento, sugerindo a complexidade e a multidimensionalidade    da excel&ecirc;ncia humana. O presente estudo analisa o percurso acad&eacute;mico    de alunos com elevado rendimento acad&eacute;mico nas &aacute;reas da engenharia    e ci&ecirc;ncia da computa&ccedil;&atilde;o. Recorrendo &agrave; an&aacute;lise    qualitativa do conte&uacute;do das entrevistas identificaram-se os pontos em    comum e as singularidades nos percursos dos participantes e a forma como tais    vari&aacute;veis se combinam no desenvolvimento e express&atilde;o dos desempenhos    excelentes. Os resultados obtidos sugerem a presen&ccedil;a de uma combina&ccedil;&atilde;o    de vari&aacute;veis explicativas do sucesso acad&eacute;mico nos seus discursos.    Entre elas destacam-se as compet&ecirc;ncias de auto-regula&ccedil;&atilde;o    e de auto-controlo, assim como o envolvimento e esfor&ccedil;o dispendido na    realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas. </P >     <P><I>Palavras chave: </I>Alta realiza&ccedil;&atilde;o e rendimento, Ensino superior,    Excel&ecirc;ncia, Realiza&ccedil;&atilde;o excepcional, Sucesso acad&eacute;mico.  </P >     <P>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">ABSTRACT </P >     <P>Some theoretical perspectives try to explain the high levels of performance.    Contextual, cognitive, and motivational, as well as personality factors seem    to describe the way of life of the subjects with high levels of performance,    suggesting the complexity and the multidimensionality of human excellence. The    present study analyses the academic course trajectories of students with high    academic performance in the areas of engineering and computer science. Through    the content analysis of the interviews it was possible to identify the common    aspects and singularities among participants, and also how such variables combine    themselves in the determination development and expression of excellent performance.    The results obtained suggest the presence of joint and combined variables of    the academic success in their discourses. Among them we point out the abilities    of self-regulation and self-control and the involvement and effort spent in    the accomplishment of the tasks. </P >     <P><I>Key words: </I>Academic success, Excellence, Exceptional performance, High    performance and achievement, Higher education. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P>A promo&ccedil;&atilde;o do sucesso acad&eacute;mico dos estudantes constitui uma preocupa&ccedil;&atilde;o crescente das institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior. Tal objectivo passa quer pela diminui&ccedil;&atilde;o das taxas de insucesso e de abandono, quer pela melhoria geral da forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de compet&ecirc;ncias por parte daqueles que concluem os seus cursos. A investiga&ccedil;&atilde;o e a interven&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea assumem matizes e formas diversas, em boa medida porque s&atilde;o tamb&eacute;m diversos os factores que interferem no rendimento acad&eacute;mico. </P >     <P>Ao centrarmos este artigo na excel&ecirc;ncia acad&eacute;mica, interessa-nos    descrever alguns modelos te&oacute;ricos orientados para a identifica&ccedil;&atilde;o    e desenvolvimento do talento e do desempenho superior. Alguns modelos enfatizam    as capacidades dos sujeitos, associando algumas caracter&iacute;sticas pessoais    (nomeadamente de personalidade e motivacionais), enquanto outros salientam vari&aacute;veis    ambientais no desenvolvimento progressivo de tais capacidades. Entre ambos podemos    mencionar, ainda, os modelos que valorizam as vari&aacute;veis associadas &agrave;    pr&aacute;tica deliberada, esfor&ccedil;o e investimento por parte do indiv&iacute;duo    na tarefa. No primeiro caso, os autores investigam os factores explicativos    da <I>sobre-dota&ccedil;&atilde;o </I>e <I>talento </I>(Castell&oacute;, 2005;    Gagn&eacute;, 2004; Renzulli, 2002; Winner, 2000), enquanto no segundo grupo    situam-se os autores voltados para o treino e o desenvolvimento da <I>per&iacute;cia    </I>em determinado dom&iacute;nio do treino e realiza&ccedil;&atilde;o (Ericsson,    1996; Zimmerman, 2002a). Outras vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas como a    maturidade ou a componente afectiva, emocional e interpessoal surgem, sobretudo,    real&ccedil;adas nos estudos mais dedicados ao conceito de <I>sabedoria</I>,    destacando-se nesta &aacute;rea os trabalhos de Baltes e Staudinger (2000) e    Sternberg (2001a,b). </P >     <P>Assim, tomando em primeiro lugar a sobredota&ccedil;&atilde;o e o talento,    salientamos que a literatura aponta para estudos que incidem sobre o potencial,    as capacidades e factores motivacionais, que estimulam estes indiv&iacute;duos    ao investimento na &aacute;rea em que apresentam maiores habilidades. Neste    sentido, Renzulli (1986, 2002, 2005) aponta, como caracter&iacute;sticas associadas    &agrave; sobredota&ccedil;&atilde;o, a aptid&atilde;o cognitiva, o envolvimento    na tarefa e a criatividade, sendo que a perseveran&ccedil;a e o trabalho &aacute;rduo    resultam de oportunidades, recursos e do est&iacute;mulo e encorajamento provindo    dos contextos de aprendizagem. Distinguindo talento de sobredota&ccedil;&atilde;o,    Gagn&eacute; (2004, 2007) prop&otilde;e o Modelo Diferenciado de Sobredota&ccedil;&atilde;o    e Talento (DMGT &ndash; <I>Differentiated Model of Giftdeness and Talent</I>),    considerando que as aptid&otilde;es expressas naturalmente (<I>gifts) </I>podem    resultar, a partir da pr&aacute;tica sistem&aacute;tica, em talentos em dom&iacute;nios    espec&iacute;ficos. Este autor considera a exist&ecirc;ncia de catalisadores    intra-pessoais (caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, motiva&ccedil;&atilde;o,    voli&ccedil;&atilde;o, auto-gest&atilde;o e personalidade) e ambientais (<I>background    </I>socioecon&oacute;mico de origem do indiv&iacute;duo, pessoas significativas,    provis&otilde;es e eventos significativos) que, conjuntamente com a sorte e    as oportunidades, promovem ou dificultam o desenvolvimento do talento. Ainda    dentro das teorias da sobredota&ccedil;&atilde;o, Winner (2000) contrap&otilde;e    as teorias que defendem o treino e a pr&aacute;tica deliberada, defendendo as    aptid&otilde;es inatas como subjacentes &agrave; sobredota&ccedil;&atilde;o.    As crian&ccedil;as com maiores capacidades numa determinada &aacute;rea apresentam    concomitantemente maior interesse e propens&atilde;o natural para a pr&aacute;tica    intensiva nesse dom&iacute;nio. O n&iacute;vel elevado de motiva&ccedil;&atilde;o    intr&iacute;nseca permite aperfei&ccedil;oar mais a &aacute;rea de excel&ecirc;ncia    em que sobressaem, chegando a ser quase obsessivos neste investimento. Apesar    de considerar a import&acirc;ncia do trabalho &aacute;rduo para se atingirem    elevados desempenhos, Winner (2000) destaca o impacto do potencial inato que    os indiv&iacute;duos apresentam.</P >     <P> Relativamente ao segundo grupo de autores, mais centrados em torno da per&iacute;cia,    a literatura existente salienta que os n&iacute;veis superiores de desempenho    s&oacute; raramente est&atilde;o explicados por factores associados ao talento    inato, dependendo antes de mecanismos adquiridos atrav&eacute;s do investimento    em actividades de pr&aacute;tica deliberada ao longo de um per&iacute;odo extenso.    Nesta perspectiva, s&atilde;o necess&aacute;rios, em m&eacute;dia, dez anos    ou 10.000 horas de prepara&ccedil;&atilde;o intensa para que seja atingindo    um n&iacute;vel excepcional de desempenho, ou como surge frequentemente designado    na literatura como <I>&ldquo;expert performance&rdquo; </I>ou <I>&ldquo;expertise&rdquo;    </I>(Ericsson &amp; Lehmann, 1996). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Zimmerman (2002a,b) complementaria posteriormente a teoria do desenvolvimento    da per&iacute;cia (expertise) de Ericsson, demonstrando a import&acirc;ncia    da utiliza&ccedil;&atilde;o de processos auto-regulat&oacute;rios para sistematizar    a aprendizagem e o desempenho, salientando o seu importante papel no desenvolvimento    da per&iacute;cia, mais do que o talento inato ou as capacidades. Aquilo que    define a pr&aacute;tica dos peritos como &ldquo;deliberada&rdquo;, segundo este    autor, parece dizer muito mais respeito ao uso de processos auto-regulat&oacute;rios    cl&aacute;ssicos, como a auto-instru&ccedil;&atilde;o e auto-monitoriza&ccedil;&atilde;o,    a aten&ccedil;&atilde;o dirigida para objectivos e a considera&ccedil;&atilde;o    do <I>feedback </I>sistem&aacute;tico (Zimmerman, 2002b). </P >     <P>Por sua vez, os estudos mais voltados para o conceito de sabedoria <I>(&ldquo;wisdom&rdquo;), </I>s&atilde;o geralmente associados a momentos e etapas mais tardios do desenvolvimento humano, manifestado sobretudo atrav&eacute;s da componente afectiva e emocional, motivacional e de personalidade. Por um lado, os estudos referenciam contextos facilitadores, como o <I>background </I>cultural e social; factores espec&iacute;ficos da per&iacute;cia, como a experi&ecirc;ncia, a pr&aacute;tica e mentores ou professores; e ainda, factores pessoais, como as capacidades intelectuais e os tra&ccedil;os de personalidade. Isto aponta para a conjuga&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas pessoais com contextos experienciais espec&iacute;ficos como principal condi&ccedil;&atilde;o para a promo&ccedil;&atilde;o de sabedoria, reflectida num conhecimento heur&iacute;stico e pr&aacute;tico que, por sua vez, representa uma importante via, n&atilde;o s&oacute; para a constru&ccedil;&atilde;o e optimiza&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento, mas tamb&eacute;m para a excel&ecirc;ncia humana (Baltes &amp; Staudingerm, 2000). Paralelamente, a teoria &ldquo;balanceada&rdquo; da sabedoria de Sternberg (2001b, 2004) oferece uma dimens&atilde;o mais precisa e cuidada ao conceito de sabedoria, ao aproxim&aacute;-lo do conceito de intelig&ecirc;ncia, real&ccedil;ando em simult&acirc;neo a associa&ccedil;&atilde;o com os factores individuais e contextuais, e valorizando a experi&ecirc;ncia que os sujeitos adquirem face aos contextos a que s&atilde;o expostos. </P >    <P>Adicionalmente, tendo em vista a compreens&atilde;o de altos rendimentos associados a talentos, interessa-nos em particular a perspectiva multi-dimensional do talento proposta por Simonton (2001). Contrariamente &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es &ldquo;radicais&rdquo; de talento propostas pelos defensores das habilidades inatas ou da pr&aacute;tica deliberada, Simonton (2001) refere que o talento em qualquer dom&iacute;nio &eacute; um fen&oacute;meno din&acirc;mico e complexo, decorrente de um conjunto bastante heterog&eacute;neo de tra&ccedil;os psicol&oacute;gicos e de factores contextuais que permitem a manifesta&ccedil;&atilde;o da excel&ecirc;ncia. Nesta concep&ccedil;&atilde;o, determinados talentos apenas se desenvolvem perante a presen&ccedil;a de um conjunto espec&iacute;fico de tra&ccedil;os, considerando que esse conjunto pode ser diferenciado para cada dom&iacute;nio. Assim, n&atilde;o se considera suficiente a exist&ecirc;ncia de um talento inato pois que este ter&aacute; que ser necessariamente trabalhado, e de forma adequada, a fim de permitir o seu crescimento. Por outro lado, ao reconhecer-se que a aus&ecirc;ncia de um determinado componente (tra&ccedil;o) inviabiliza a manifesta&ccedil;&atilde;o de um correspondente talento, sustenta-se que os tra&ccedil;os gen&eacute;ticos n&atilde;o se manifestam todos &agrave; nascen&ccedil;a, desenvolvendo-se sobretudo mediante uma traject&oacute;ria epigen&eacute;tica de cariz maturativa (Simonton, 2001). </P >    <P>Sem pretens&otilde;es de descri&ccedil;&atilde;o exaustiva dos modelos te&oacute;ricos dispon&iacute;veis para explicar a excel&ecirc;ncia, podemos afirmar que este conjunto de modelos destaca o contributo de vari&aacute;veis de natureza cognitiva, motivacional e contextual, assim como vari&aacute;veis relacionadas com a pr&aacute;tica intensiva e auto-regulada e o envolvimento na tarefa. Logicamente n&atilde;o faz sentido fazer depender a excel&ecirc;ncia de um &uacute;nico factor explicativo e/ou preditivo. Pelo contr&aacute;rio, o desempenho excepcional e superior decorre de uma complexa interac&ccedil;&atilde;o de factores intra-individuais e inter-individuais, e a sua an&aacute;lise deve tomar as traject&oacute;rias e percursos de exist&ecirc;ncia, aprendizagem e realiza&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, os investigadores interrogam-se ainda sobre &ldquo;que&rdquo; vari&aacute;veis contribuem mais para a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno de excel&ecirc;ncia no dom&iacute;nio acad&eacute;mico? Sendo v&aacute;rios os factores intervenientes, &ldquo;como&rdquo; se combinam e interagem entre si? No caso do presente estudo, perguntamo-nos se a excel&ecirc;ncia em contextos acad&eacute;micos &eacute; algo permanente, com indicadores est&aacute;veis e mantidos ao longo do percurso educativo, ou ser&aacute; algo oscilante ao longo do tempo em fun&ccedil;&atilde;o dos factores que lhe est&atilde;o associados? </P >     <P>Neste artigo procuramos descrever os factores determinantes da excel&ecirc;ncia    acad&eacute;mica no Ensino Superior, tomando para o efeito o percurso acad&eacute;mico    de alunos com este n&iacute;vel de realiza&ccedil;&atilde;o. Mediante o recurso    a entrevistas semi-estruturadas, daremos particular aten&ccedil;&atilde;o aos    pontos em comum e &agrave;s singularidades dos percursos acad&eacute;micos dos    v&aacute;rios participantes, assim como &agrave; forma como tais vari&aacute;veis    se poder&atilde;o combinar e associar na determina&ccedil;&atilde;o dos desempenhos    excelentes. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">M&Eacute;TODO </P >     <P><I>Participantes </I></P >    <P>Dois subgrupos de participantes tomaram parte neste estudo. Referimo-nos a cinco alunos do 4&ordm; e 5&ordm; ano de algumas licenciaturas em Engenharia, e a quatro que, tendo conclu&iacute;do a sua gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia de Computadores, se encontravam a realizar o doutoramento em dom&iacute;nios diferenciados da &aacute;rea de Inform&aacute;tica. No Quadro 1 listamos os sujeitos participantes em termos de idade, sexo, situa&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e curso. </P >     <P align="center">QUADRO 1 </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><I>Descri&ccedil;&atilde;o dos participantes no estudo </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a06t1.gif" width="328" height="185"></P >     
<P>&nbsp;</P >     <P><I>Procedimentos </I></P >     <P>A identifica&ccedil;&atilde;o dos alunos em condi&ccedil;&otilde;es de participar    no estudo foi realizada a partir do levantamento da lista de alunos nomeados    para &ldquo;Pr&eacute;mios por M&eacute;rito&rdquo; atribu&iacute;dos pela universidade    de origem e atrav&eacute;s da sua nomea&ccedil;&atilde;o pelos professores das    respectivas licenciaturas. Como crit&eacute;rio na defini&ccedil;&atilde;o de    &ldquo;alunos excelentes&rdquo;, considerou-se a m&eacute;dia de curso igual    ou superior a 16 valores na escala de 0 a 20, o que representa o limite m&iacute;nimo    de classifica&ccedil;&atilde;o internacional de &ldquo;Muito Bom&rdquo;. Ap&oacute;s    a identifica&ccedil;&atilde;o destes alunos, foi feito um contacto electr&oacute;nico    com os potenciais participantes, apresentando os objectivos do estudo e solicitando    a sua participa&ccedil;&atilde;o no projecto de investiga&ccedil;&atilde;o,    atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o de uma entrevista com dura&ccedil;&atilde;o    prevista entre 40 a 60 minutos. As entrevistas foram desenvolvidas com base    num gui&atilde;o semi-estruturado, come&ccedil;ando com dados de identifica&ccedil;&atilde;o    pessoal, de resposta directa, e passando posteriormente para quest&otilde;es    mais abertas, sendo dada indica&ccedil;&atilde;o ao sujeito para procurar, sempre    que poss&iacute;vel, responder de forma a reflectirem as suas pr&oacute;prias    experi&ecirc;ncias pessoais e acad&eacute;micas. Os t&oacute;picos lan&ccedil;ados    na entrevista incidiram sobre o percurso acad&eacute;mico anterior e actual,    o auto-conceito e a percep&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncia, assim como    sobre os projectos futuros dos participantes. Alguns exemplos de quest&otilde;es    foram <I>&ldquo;como foi o seu percurso ao longo do ensino secund&aacute;rio?&rdquo;;    &ldquo;como se organiza, de um modo geral, em termos de estrat&eacute;gias de    estudo?&rdquo;; &ldquo;quais as suas caracter&iacute;sticas pessoais mais positivas?&rdquo;    ou &ldquo;o que seria um sonho de carreira profissional para si?&rdquo;</I>.  </P >     <P>Com consentimento pr&eacute;vio dos participantes, as entrevistas foram gravadas    de modo a assegurar o registo completo da informa&ccedil;&atilde;o. Posteriormente,    as mesmas foram transcritas e analisadas com base numa grelha constru&iacute;da    para o efeito, a partir da revis&atilde;o dos modelos te&oacute;ricos. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">RESULTADOS </P >     <P>Com base na an&aacute;lise de conte&uacute;do das entrevistas, no Quadro 2    apresentam-se os temas e as categorias emergentes das entrevistas e que, segundo    os entrevistados, melhor descrevem o seu percurso acad&eacute;mico. </P >     <P align="center">QUADRO 2 </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><I>Categorias de factores emergentes das entrevistas </I></P >     <P align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a06t2.gif" width="656" height="346"></i></P >     
<P align="center">&nbsp;</P >     <P>A an&aacute;lise do conte&uacute;do das entrevistas permitiu-nos, assim, identificar    a presen&ccedil;a de um conjunto de vari&aacute;veis comuns ao percurso acad&eacute;mico    excelente dos sujeitos, apesar de se reflectir em cada discurso as especificidades    e individualidades de cada um, nomeadamente na intensidade com que aludem a    determinados acontecimentos ou aspectos quotidianos (incluindo &ldquo;incidentes    cr&iacute;ticos&rdquo; e &ldquo;situa&ccedil;&otilde;es adversas&rdquo;). Um    dos aspectos mais enfatizados no discurso dos participantes &eacute; a capacidade    de trabalho, o esfor&ccedil;o e a persist&ecirc;ncia, como um investimento feito    pelos sujeitos de forma a melhorar os seus resultados e a alcan&ccedil;ar patamares    superiores caminhando para a excel&ecirc;ncia. Contudo, a intensidade de esfor&ccedil;o    e persist&ecirc;ncia aplicada na realiza&ccedil;&atilde;o difere entre os sujeitos    participantes, sendo moderadas pela pr&oacute;pria motiva&ccedil;&atilde;o e    interesses pessoais inerentes &agrave;s tarefas. Por outro lado, estas caracter&iacute;sticas    est&atilde;o tamb&eacute;m presentes na vida acad&eacute;mica dos sujeitos em    per&iacute;odos diferenciados dos seus percursos acad&eacute;micos. Estes aspectos    v&atilde;o assim de encontro &agrave; literatura no sentido de &lsquo;desempenho    perito&rsquo; e de &lsquo;pr&aacute;tica deliberada&rsquo; (Ericsson, 2006;    Ericsson &amp; Lehmann, 1996; Neumeister &amp; Finch, 2006). </P >     <P>Verific&aacute;mos, tamb&eacute;m, no discurso dos sujeitos, o seu envolvimento deliberado em actividades de planeamento, monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o, definindo objectivos e metas centradas na aprendizagem. Assumem a sua percep&ccedil;&atilde;o de sucesso mediante uma an&aacute;lise dos desempenhos demonstrados e evidenciam possuir elevadas capacidades de auto-controlo e regula&ccedil;&atilde;o emocional, apostando na redefini&ccedil;&atilde;o e reformula&ccedil;&atilde;o constante de m&eacute;todos e estrat&eacute;gias com vista &agrave; melhoraria dos pr&oacute;prios desempenhos. Esta readapta&ccedil;&atilde;o e flexibilidade de estrat&eacute;gias dos sujeitos, aquando da sua confronta&ccedil;&atilde;o com uma situa&ccedil;&atilde;o de insucesso, parecem estar directamente relacionadas com o conceito de auto-regula&ccedil;&atilde;o e de auto-monitoriza&ccedil;&atilde;o dos sujeitos. Assim, foi evidente uma abordagem ao estudo centrada essencialmente num enfoque compreensivo, nomeadamente atrav&eacute;s de uma atitude e uma &ldquo;forma de ser e de estar&rdquo;, procurando a aplica&ccedil;&atilde;o adequada do conhecimento, ao mesmo tempo que no conte&uacute;do das entrevistas emergem sinais claros de caracter&iacute;sticas pessoais como a auto-consci&ecirc;ncia e a auto-motiva&ccedil;&atilde;o (Zimmerman, 2002a). </P >     <P>A motiva&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca assume uma significativa presen&ccedil;a    e import&acirc;ncia no discurso dos sujeitos, surgindo como vari&aacute;vel    control&aacute;vel pelo pr&oacute;prio sujeito e pela atitude implicada na realiza&ccedil;&atilde;o    de tarefas directamente orientadas para o cumprimento de objectivo pr&eacute;-estabelecidos    (Siqueira &amp; Wechsler, 2006). Os sujeitos referem-se &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o,    como um factor respons&aacute;vel por um comportamento influenciado pela interac&ccedil;&atilde;o    de factores internos (personalidade) e externos (situa&ccedil;&atilde;o). Ao    envolverem-se numa tarefa, os indiv&iacute;duos servem-se de uma determinada    quantidade de energia (esfor&ccedil;o) que os impulsiona para a concretiza&ccedil;&atilde;o    do objectivo (por exemplo, entrar em competi&ccedil;&atilde;o com os outros,    ou tentar alcan&ccedil;ar um n&iacute;vel de excel&ecirc;ncia) para, numa fase    posterior, avaliarem a ac&ccedil;&atilde;o e assumirem-se respons&aacute;veis    pelos resultados obtidos (Pintrich &amp; Schunk, 2002). Relativamente &agrave;    personalidade, o auto-conceito parece sobretudo baseado em crit&eacute;rios    internos, mais do que determinado pelo <I>feedback </I>de pares e professores.    Este auto-conceito (de capacidade) parece funcionar como um pr&eacute;-requisito    dos elevados n&iacute;veis de realiza&ccedil;&atilde;o (Heller, 2007). Os sujeitos    demonstram, ainda, uma diferencia&ccedil;&atilde;o de interesses, no sentido    em que destacam a prefer&ecirc;ncia pela &aacute;rea das ci&ecirc;ncias exactas    verificando-se, assim, uma consist&ecirc;ncia nas op&ccedil;&otilde;es efectuadas    ao longo de todo o percurso escolar, parecendo ser este um outro indicador de    sucesso. Por outro lado, referem que as experi&ecirc;ncias e as oportunidades    com que se depararam permitiram, de alguma forma, o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias,    proporcionando efectivos e reais momentos de aprendizagem. </P >     <P>Importa salientar que os factores ambientais e contextuais se encontram igualmente    presentes na reflex&atilde;o destes sujeitos, surgindo contudo referenciados    de forma distinta. Mais especificamente, no que se refere ao papel dos professores,    importa referir que, enquanto para uns os docentes representam sobretudo um    factor de motiva&ccedil;&atilde;o mediante situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas,    para outros, eles assumem sobretudo um papel importante ao n&iacute;vel do fornecimento    de <I>feedback</I>, sobretudo na forma de reconhecimento do desempenho. Relativamente    ao papel da fam&iacute;lia, constat&aacute;mos que a sua influ&ecirc;ncia surge    mais como uma forma de apoio e como base para a postura que assumem perante    o trabalho e a necessidade de investimento pessoal. </P >     <P>No que concerne ao dom&iacute;nio cognitivo, importa referir que os sujeitos    consideram fundamental a exist&ecirc;ncia de um conjunto de pr&eacute;-requisitos    ou conhecimento base para alcan&ccedil;ar o sucesso, apesar do dom&iacute;nio    cognitivo ter fraca presen&ccedil;a no discurso destes sujeitos. Dentro deste    dom&iacute;nio, os processos b&aacute;sicos, mais especificamente, a mem&oacute;ria    e a aten&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o referidos com maior frequ&ecirc;ncia na    obten&ccedil;&atilde;o dos seus bons resultados acad&eacute;micos. Importa esclarecer    que a refer&ecirc;ncia a estas fun&ccedil;&otilde;es cognitivas reflectia, por    parte dos entrevistados, a sua import&acirc;ncia na aprendizagem (por exemplo    a aten&ccedil;&atilde;o nas aulas), descrevendo a sua maior facilidade, face    aos colegas, em reter e processar informa&ccedil;&atilde;o de uma forma organizada    nas situa&ccedil;&otilde;es de discuss&atilde;o em grupo e nas situa&ccedil;&otilde;es    de avalia&ccedil;&atilde;o. Por &uacute;ltimo, a componente afectivo-emocional    encontra-se pouco presente no discurso dos sujeitos, mas, quando referida, aparece    geralmente associada &agrave; regula&ccedil;&atilde;o emocional. De salientar,    que esta rela&ccedil;&atilde;o e interac&ccedil;&atilde;o entre ambos os dom&iacute;nios    (cognitivo e afectiv-emocional) tem vindo a ser, nos &uacute;ltimos anos, bem    evidenciada pela investiga&ccedil;&atilde;o que sugere o impacto da press&atilde;o    do rendimento e de estados emocionais desagrad&aacute;veis (ex.: ansiedade)    no &ldquo;consumo e ocupa&ccedil;&atilde;o&rdquo; da capacidade da mem&oacute;ria    de trabalho (necess&aacute;ria para manter a focaliza&ccedil;&atilde;o na tarefa),    que at&eacute; mesmo estudantes bem capacitados necessitam para os seus desempenhos    superiores em situa&ccedil;&otilde;es reais de avalia&ccedil;&atilde;o. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O conjunto da informa&ccedil;&atilde;o recolhida permite constatar a exist&ecirc;ncia    de vari&aacute;veis presentes em todos os sujeitos, combinando-se no entanto    de forma diferente ao longo do percurso de cada participante. Face a um conjunto    de vari&aacute;veis comuns a todos os sujeitos &ndash; as caracter&iacute;sticas    associadas ao trabalho e ao esfor&ccedil;o; os factores contextuais e ambientais;    as caracter&iacute;sticas de personalidade; as compet&ecirc;ncias de auto-regula&ccedil;&atilde;o;    e a motiva&ccedil;&atilde;o &ndash;, estas apresentam formas de manifesta&ccedil;&atilde;o    distintas de sujeito para sujeito, em momentos por vezes distintos e com &ldquo;pesos&rdquo;    igualmente diferenciados. Parece, deste modo, que estamos face a uma complexa    interac&ccedil;&atilde;o de factores intra-individuais (capacidades cognitivas    e n&atilde;o cognitivas, atributos motivacionais e emocionais e vari&aacute;veis    de personalidade) que, em interac&ccedil;&atilde;o com factores ambientais (fam&iacute;lia,    pares, universidade, experi&ecirc;ncias extra-curriculares, etc.), parecem &ldquo;combinar-se    em determinados moldes e quantidades&rdquo; para determinarem os elevados n&iacute;veis    de desempenho (Monteiro, 2007). </P >     <P>Debru&ccedil;ando-nos sobre a informa&ccedil;&atilde;o emergente das entrevistas    efectuadas, podemos ainda reflectir na hip&oacute;tese &ldquo;multiplicativa&rdquo;    das vari&aacute;veis, isto &eacute;, a presen&ccedil;a de determinadas vari&aacute;veis    favorecer o aparecimento subsequente de outras (Simonton, 2001). No caso dos    participantes em estudo, &eacute; prov&aacute;vel que o conjunto de pr&eacute;-requisitos    cognitivos favore&ccedil;a a capacidade de investimento e envolvimento na tarefa,    que surge refor&ccedil;ada pela obten&ccedil;&atilde;o de resultados positivos    (Winner, 2000). A pr&oacute;pria capacidade de auto-regula&ccedil;&atilde;o,    particularmente quando pensada no dom&iacute;nio da metacogni&ccedil;&atilde;o,    pressup&otilde;e um n&iacute;vel m&iacute;nimo de capacidades cognitivas (Sternberg,    2001a). Da mesma forma, alguns dos factores contextuais podem exercer maior    influ&ecirc;ncia face &agrave; express&atilde;o de determinadas habilidades    (Gagn&eacute;, 2004, 2007), ou, ainda, a diferencia&ccedil;&atilde;o de interesses    e escolhas vocacionais ganha maior consist&ecirc;ncia ao longo do percurso educativo    &agrave; medida que tamb&eacute;m as caracter&iacute;sticas cognitivas, contextuais    e motivacionais se tornam mais presentes no quotidiano dos participantes. Recentemente,    baseados num estudo longitudinal, Lubinski e Benbow (2000) e Lubinski, Benbow,    Webb, e Bleske-Rechek (2006) apontam para uma conjuga&ccedil;&atilde;o entre    as capacidades que, associadas a uma elevada diferencia&ccedil;&atilde;o de    interesses, geram elevados n&iacute;veis de satisfa&ccedil;&atilde;o, orientando    deste modo os indiv&iacute;duos para n&iacute;veis excelentes de desempenho.    As aptid&otilde;es determinariam a probabilidade de sucesso num dom&iacute;nio    espec&iacute;fico, enquanto os interesses determinariam o grau de motiva&ccedil;&atilde;o    para se investir em tais aprendizagens e realiza&ccedil;&otilde;es. O sucesso    no desempenho de determinadas tarefas conduz ao aumento do interesse e conhecimento    no respectivo dom&iacute;nio. Desta forma, os interesses e as aptid&otilde;es    parecem determinar, em conjunto, a orienta&ccedil;&atilde;o e o sucesso nos    dom&iacute;nios do conhecimento em causa. </P >     <P>Neste sentido, o presente estudo parece ser consistente com uma abordagem ao    &ldquo;lado positivo&rdquo; da motiva&ccedil;&atilde;o, assumindo-a como factor    determinante na optimiza&ccedil;&atilde;o do potencial dos indiv&iacute;duos:    um estilo optimista, estrat&eacute;gias mais flex&iacute;veis e de auto-regula&ccedil;&atilde;o    e auto-controle, e padr&otilde;es mais ajustados e adaptativos de atribui&ccedil;&otilde;es    causais (Moon, 2003; Jin &amp; Moon, 2006). A excel&ecirc;ncia pressup&otilde;e    concretiza&ccedil;&atilde;o do potencial humano e a investiga&ccedil;&atilde;o    futura dever&aacute; perceber melhor como os objectivos de realiza&ccedil;&atilde;o    e os processos de aquisi&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da motiva&ccedil;&atilde;o    (e.g., compromisso, persist&ecirc;ncia, tempo e esfor&ccedil;o) convergem para    explicar o envolvimento em actividades estruturadas de pr&aacute;tica deliberada    (Ericsson, Roring, &amp; Nandagopal, 2007). Os dados do presente estudo explicitam    que o talento tem que ser &ldquo;alimentado&rdquo; (Muratori, Stanley, Gross,    Ng, Tao, Ng, &amp; Tao, 2007, p. 307), sugerindo que o percurso da excel&ecirc;ncia    se assemelha a uma &ldquo;corrida de maratona&rdquo;. &Eacute; ao longo deste    longo percurso, desenvolvimental e optimizado, que os jovens talentos se podem    transformar em adultos independentes e excelentes, onde se &ldquo;divertem&rdquo;,    &ldquo;apaixonam&rdquo; e t&ecirc;m prazer no uso que fazem dos seus talentos.  </P >     <P>Em s&iacute;ntese, a an&aacute;lise dos discursos dos sujeitos participantes    permitiu-nos identificar um conjunto diferenciado de vari&aacute;veis que caracterizam    a sua excel&ecirc;ncia acad&eacute;mica, sugerindo que os modelos te&oacute;ricos    valorizam factores que se combinam para explicar a excel&ecirc;ncia. Neste sentido,    podemos destacar uma diferencia&ccedil;&atilde;o entre os sujeitos quer ao n&iacute;vel    dos interesses por eles demonstrados, quer ao n&iacute;vel da regula&ccedil;&atilde;o    que operam nos factores ambientais, contextos de aprendizagem e avalia&ccedil;&atilde;o,    ou na sua &aacute;rea emocional, de forma a favorecer o seu rendimento acad&eacute;mico    (Elliot &amp; McGregor, 2001; Goetz, Preckrel, Pekrun &amp; Hall, 2007; Neumeister    &amp; Finch, 2006; Schutz &amp; DeCuir, 2002; Zimmerman, 2002a). Assim, os participantes    demonstram comportamentos auto-regulados em termos de planeamento, de monitoriza&ccedil;&atilde;o    e de uma pr&aacute;tica deliberada, considerando os seus objectivos centrados    na aprendizagem e partindo de uma motiva&ccedil;&atilde;o mais intr&iacute;nseca    do que extr&iacute;nseca. Na linha de Simonton (2001), a excel&ecirc;ncia parece    aproximar-se mais de um modelo multidimensional e multiplicativo, indo al&eacute;m    de um processo gen&eacute;tico est&aacute;tico, unidimensional e aditivo. Deste    modo, m&uacute;ltiplos componentes poder&atilde;o determinar o talento num determinado    dom&iacute;nio, podendo inclusivamente haver oscila&ccedil;&otilde;es nas manifesta&ccedil;&otilde;es    ao longo do tempo e do contexto em que o indiv&iacute;duo se encontra inserido.  </P >     <P>Deste modo, e considerando que os resultados neste estudo salientam o trabalho    e o esfor&ccedil;o, podemos questionar-nos se esta vari&aacute;vel, por si s&oacute;,    permite explicar o rendimento superior no contexto acad&eacute;mico. Por outras    palavras, ser&aacute; que qualquer indiv&iacute;duo que treina e se esfor&ccedil;a    face a uma determinada tarefa conseguir&aacute; obter n&iacute;veis de excel&ecirc;ncia    na sua realiza&ccedil;&atilde;o? Ou, na base do trabalho, estar&atilde;o outros    factores associados que permitem ao indiv&iacute;duo persistir at&eacute; atingir    o seu rendimento m&aacute;ximo ou pugnar sempre por um n&iacute;vel de rendimento    superior? Julgamos que a reflex&atilde;o sobre esta e outras quest&otilde;es    representa um importante ponto de partida para uma compreens&atilde;o mais profunda    do rendimento superior e dos factores associados ao conceito de excel&ecirc;ncia    nas m&uacute;ltiplas &aacute;reas ou dom&iacute;nios da realiza&ccedil;&atilde;o    humana. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P>Baltes, P. B., &amp; Staudinger, U. M. (2000). Wisdom: A metaheuristic (pragmatic) to orchestrate mind and virtue toward excellence. <I>American Psychologist</I>, <I>55</I>(1), 122-136. </P >    <P>Castell&oacute;, A. (2005). Aproximaci&oacute;n a la evaluati&oacute;n de la superdotaci&oacute;n y los talentos. In M. S&aacute;nchez-Cano &amp; J. B. 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<body><![CDATA[<P>Simonton, D. K. (2001). Talent development as a multidimensional, multiplicative,    and dynamic process. <I>American Psychological Society, 10</I>(2), 39-43. </P >     <!-- ref --><P>Siqueira, L., &amp; Wechsler, S. M. (2006). Motiva&ccedil;&atilde;o para a    aprendizagem escolar: Possibilidade de medida. <I>Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica</I>,    <I>5</I>(1), 21-31. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0870-8231200900010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>Sternberg, R. J. (2001a). Giftedness as developing expertise: A theory of the interface between high abilities and achieved excellence. <I>High Ability Studies, 12</I>(2), 159-179. </P >    <P>Sternberg, R. J. (2001b). Why schools should teach for wisdom? The balance theory of wisdom in educational settings. <I>Educational Psychologist, 36</I>(4), 227-245. </P >     <P>Sternberg, R. J. (2004). Words to the wise about wisdom? A commentary on Ardelt&acute;s    critique of Baltes. <I>Human Development, 47</I>, 286-289. </P >     <P>Winner, E. (2000). The origins and ends of giftedness. <I>American Psychologist, 55</I>(1), 159-169. </P >    <P>Zimmerman, B. J. (2002a). Achieving academic excellence: A self-regulatory perspective. In M. Ferrari (Ed.), <I>The pursuit of excellence in education </I>(pp. 85-110). Hillsdale, NJ: Erlbaum. </P >     <P>Zimmerman, B. J. (2002b). Becoming a self-regulated learner: An overview. <I>Theory    Into Practice, 41</I>(2), 64-72. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><a name="1"></a>(<a href="#top1">*</a>) Universidade do Minho.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><a name="2"></a>(<a href="#top2">**</a>) Universidade do Porto.</P >      ]]></body><back>
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