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<institution><![CDATA[,Universidade do Vale do Rio dos Sinos Centro de Ciências da Saúde ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The goal of the present study is to examine the subjective well-being in adolescents who have undergone solid organ transplantation and its relationship to self-concept, self-esteem and variables related to disease and transplant. Twenty-six transplanted adolescents, who were in routine treatment after transplant in three public hospitals in Madrid, Spain, aged 13-17 years old, were part of the study. Measures to evaluate subjective well-being, self-concept and self-esteem and a questionnaire with socio demographic and clinical data were used. It was shown that positive affect was predicted by self-esteem, while self-concept and waiting list time were predictors of negative affect. These results support the idea that there is an important connection between clinical and psychological variables. Therefore, indicate the need to help transplanted adolescents to construct adequate levels of self-concept and self-esteem. Psychological interventions that may facilitate the adolescent have body and health problem conscience, helping them to accept their condition and limitations are necessary to minimize suffering.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>Bem-estar subjetivo de adolescentes transplantados de &oacute;rg&atilde;os    </b></P >     <P align="right">Elisa Kern De Castro (<a href="#1">*</a>)<a name="top1"></a></P >     <P align="center">&nbsp;</P >     <P align="center">RESUMO </P >     <P>O presente estudo tem por objetivo examinar o bem-estar subjetivo de adolescentes    transplantados de &oacute;rg&atilde;os s&oacute;lidos e sua rela&ccedil;&atilde;o    com auto-conceito, auto-estima e vari&aacute;veis relacionadas &agrave; doen&ccedil;a    e ao transplante. Participaram do estudo 26 adolescentes transplantados com    idades variando de 13 a 17 anos de idade, que estavam em tratamento de rotina    p&oacute;s-transplante em tr&ecirc;s hospitais p&uacute;blicos de Madrid, Espanha.    Os adolescentes responderam a instrumentos que medem bem-estar subjetivo, auto-conceito    e auto-estima, e a um question&aacute;rio com dados s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos    e cl&iacute;nicos. A auto-estima mostrou ser uma vari&aacute;vel preditora de    estado de &acirc;nimo positivo nos adolescentes transplantados, enquanto o    auto-conceito pessoal e o tempo em lista de espera foram preditoras de estado    de &acirc;nimo negativo. Esses resultados apoiam a no&ccedil;&atilde;o de que    existe uma conex&atilde;o importante entre aspectos m&eacute;dicos e psicol&oacute;gicos.    Indicam tamb&eacute;m que &eacute; necess&aacute;rio ajudar os adolescentes    transplantados a ter um bom auto-conceito e auto-estima. Interven&ccedil;&otilde;es    psicol&oacute;gicas que possam facilitar o adolescente a ter consci&ecirc;ncia    de seu corpo e de seu problema de sa&uacute;de, ajudando-o a aceitar sua condi&ccedil;&atilde;o    e suas limita&ccedil;&otilde;es s&atilde;o necess&aacute;rias para minimizar    sofrimentos. </P >     <P><I>Palavras-chave: </I>Adolescentes, Auto-conceito, Auto-estima, Bem-estar    subjetivo, Transplante de &oacute;rg&atilde;os. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">ABSTRACT </P >     <P>The goal of the present study is to examine the subjective well-being in adolescents    who have undergone solid organ transplantation and its relationship to self-concept,    self-esteem and variables related to disease and transplant. Twenty-six transplanted    adolescents, who were in routine treatment after transplant in three public    hospitals in Madrid, Spain, aged 13-17 years old, were part of the study. Measures    to evaluate subjective well-being, self-concept and self-esteem and a questionnaire    with socio demographic and clinical data were used. It was shown that positive    affect was predicted by self-esteem, while self-concept and waiting list time    were predictors of negative affect. These results support the idea that there    is an important connection between clinical and psychological variables. Therefore,    indicate the need to help transplanted adolescents to construct adequate levels    of self-concept and self-esteem. Psychological interventions that may facilitate    the adolescent have body and health problem conscience, helping them to accept    their condition and limitations are necessary to minimize suffering. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Key-words: </I>Adolescents, Organ transplantation, Self-concept, Self-esteem,    Subjective well-being. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P>Os avan&ccedil;os nas ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas e t&eacute;cnicas cir&uacute;rgicas    fizeram com que a mortalidade associada a diferentes tipos de doen&ccedil;as    pedi&aacute;tricas diminu&iacute;sse consideravelmente. Um dos grandes avan&ccedil;os    nessa &aacute;rea ocorrido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas foi o surgimento    e desenvolvimento do transplante de &oacute;rg&atilde;os. Esse procedimento    cir&uacute;rgico pode beneficiar crian&ccedil;as e adolescentes com diferentes    tipos de enfermidades f&iacute;sicas, cr&ocirc;nicas ou agudas, que seriam fatais    e que melhoram a sua qualidade de vida (Burra &amp; De Bona, 2007; Evans, Belle,    Wei, Penovich, Ruppert, &amp; Detre, 2005). </P >     <P>Para alguns pacientes pedi&aacute;tricos, esse tratamento &eacute; a sua &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia, apesar de que n&atilde;o signifique a cura, pois implica em risco de morte e diversas limita&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas. Aproximadamente 3% das listas de espera para transplante de &oacute;rg&atilde;os &eacute; de pacientes menores de 18 anos (AAP, 2002). </P >     <P>Considerando a natureza das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas pedi&aacute;tricas    e os riscos do transplante de &oacute;rg&atilde;os, as condi&ccedil;&otilde;es    psicol&oacute;gicas dos adolescentes podem ter um papel importante no seu resultado    e na sua reabilita&ccedil;&atilde;o (Aley, 2002). As mudan&ccedil;as f&iacute;sicas,    emocionais e cognitivas dessa fase associadas &agrave; doen&ccedil;a e ao transplante    de &oacute;rg&atilde;os podem ter um efeito negativo na sua autonomia, adapta&ccedil;&atilde;o    social, atitude frente ao seu corpo e a sua sexualidade. Enquanto alguns adolescentes    aceitam bem sua depend&ecirc;ncia relacionada &agrave; doen&ccedil;a e transplante    (toma dos rem&eacute;dios, visitas sistem&aacute;ticas aos hospitais e outras    interven&ccedil;&otilde;es), muitos pacientes podem se rebelar contra as limita&ccedil;&otilde;es    das suas vidas e apresentar condutas desafiantes e de risco (Masi &amp; Brovedani,    1999). Al&eacute;m disso, fatores psicol&oacute;gicos como baixa auto-estima,    ansiedade, impulsividade e isolamento social podem influenciar a compreens&atilde;o    do adolescente sobre sua doen&ccedil;a/tratamento e sua ades&atilde;o ao tratamento    m&eacute;dico. </P >     <P>O bem-estar subjetivo &eacute; o termo t&eacute;cnico para &ldquo;felicidade&rdquo; (Howell, Kern, &amp; Lyubomirsky, 2007). Frequentemente este conceito tem sido estudado em termos de afeto positivo e negativo (Charles, Reynolds, &amp; Gatz, 2001; Howell et al., 2007). Altos n&iacute;veis de afeto positivo e baixos n&iacute;veis de afeto negativo resultam num n&iacute;vel aceit&aacute;vel de bem-estar subjetivo. O afeto positivo tem sido associado a estados ativos como alerta e entusiasmo, enquanto o afeto negativo est&aacute; relacionado a medos, irrita&ccedil;&atilde;o, monotonia, etc. (Watson, Clark, &amp; Tellegen, 1988). </P >    <P>O bem-estar subjetivo est&aacute; relacionado a melhoras nos resultados em sa&uacute;de e na diminui&ccedil;&atilde;o de comorbidades, embora seu efeito ainda esteja em discuss&atilde;o (Howell et al., 2007; Lyubomirsky, King, &amp; Diener, 2005). Howell et al. (2007) fizeram uma meta-an&aacute;lise no qual integraram os resultados de 150 estudos experimentais e longitudinais que avaliaram o impacto do bem-estar em &iacute;ndices objetivos de sa&uacute;de. Os autores observaram que o impacto positivo do bem-estar na sa&uacute;de estava relacionado a resultados a curto e longo prazo e na capacidade em controlar do sintoma da doen&ccedil;a. Al&eacute;m disso, verificou-se que o impacto do bem-estar subjetivo na melhora da sa&uacute;de foi maior para respostas do sistema imune e toler&acirc;ncia &agrave; dor, mas n&atilde;o foi significativo para melhorar a reatividade cardiovascular ou fisiol&oacute;gica. </P >    <P>De acordo com o modelo transacional do estresse, o bem-estar subjetivo pode minimizar os efeitos negativos dos eventos estressantes, aumentando a capacidade de resili&ecirc;ncia e de enfrentamento do indiv&iacute;duo (Pressman &amp; Cohen, 2005). Por outro lado, o afeto positivo pode tamb&eacute;m afetar diretamente pr&aacute;ticas em sa&uacute;de, diminuindo a atividade do sistema nervoso aut&ocirc;nomo, ajudando na regula&ccedil;&atilde;o dos horm&ocirc;nios do estresse, influenciando a resposta imune e melhorando as redes sociais das pessoas. </P >    <P>Em adolescentes com problemas de sa&uacute;de, o bem-estar subjetivo pode estar afectado pela gravidade da doen&ccedil;a que o paciente apresenta, a quantidade de tratamento que requer e especialmente pelas dificuldades sociais e psicol&oacute;gicas que podem acompanhar essa condi&ccedil;&atilde;o (Suris, Michaud, &amp; Viner, 2004). Wit, de Wall, Bokma, Haasnoot, Houdijk, Gemke, e Snoek (2007) encontraram uma rela&ccedil;&atilde;o forte entre baixos n&iacute;veis de bem-estar subjetivo e altos n&iacute;veis de depress&atilde;o em adolescentes com diabetes tipo 1. Castro, Moreno, e Rodr&iacute;guez-Carvajal (2007), observaram a import&acirc;ncia do bem-estar subjetivo para jovens adultos transplantados de &oacute;rg&atilde;os em idade pedi&aacute;trica. Esses autores verificaram que a auto-estima foi um fator preditor importante do afeto positivo, enquanto as vari&aacute;veis preditoras do afeto negativo foram auto-conceito f&iacute;sico, tempo em lista de espera e o estado de sa&uacute;de. </P >     <P>O auto-conceito, entendido como a percep&ccedil;&atilde;o que a pessoa tem    de seus sentimentos, atitudes, aceita&ccedil;&atilde;o social e aspectos f&iacute;sicos,    tem sido estudado como um importante fator no ajustamento da doen&ccedil;a cr&ocirc;nica    e transplante (Beanlands, Lipton, McCay, Schimmer, Elliot, Messner, &amp; Devins,    2003; Blum-Gordillo, Gordillo-Paniagua, &amp; Garcia-Lozano, 2003; Castro, Moreno,    &amp; Rodr&iacute;guez-Carvajal, 2007). De forma complementar, a auto-estima    est&aacute; relacionada &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o pessoal de si mesmo    que influencia seu comportamento, particularmente na adolesc&ecirc;ncia, e tamb&eacute;m    &eacute; um indicador importante na &aacute;rea da sa&uacute;de (Guillon &amp;    Crocq, 2004). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A doen&ccedil;a cr&ocirc;nica tem um impacto importante no auto-conceito do indiv&iacute;duo, transforma&ccedil;&otilde;es essas que ocorrem no per&iacute;odo do diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a, se estendem durante o tratamento e tamb&eacute;m no per&iacute;odo subseq&uuml;ente (Beanlands et al., 2003). Essas mudan&ccedil;as no auto-conceito, segundo os autores associam-se &agrave; depress&atilde;o, a satisfa&ccedil;&atilde;o reduzida com a vida e a intrusividade da doen&ccedil;a. </P >    <P>Em adolescentes com doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas f&iacute;sicas, o auto-conceito e a auto-estima t&ecirc;m sido considerados como um fator importante de adapta&ccedil;&atilde;o social (Aasland &amp; Diseth, 1999). Apesar disso, h&aacute; evid&ecirc;ncias de que um grande n&uacute;mero de pacientes pedi&aacute;tricos tem um bom n&iacute;vel de auto-conceito e auto-estima (Aasland &amp; Diseth, 1999; Adeb&auml;ck, Nemeth, &amp; Fishler, 2003; T&ouml;rnquist, van Broeck., Finkenauer, Rosati, Schwering, Hayez, Janssen, &amp; Otte, 1999). </P >     <P>Em pacientes adultos transplantados, observou-se que o indiv&iacute;duo passa    a definir-se a si mesma como doente, mudando seu auto-conceito, enquanto outros    aspectos da sua vida passam a ser menosprezados, o que tem sido chamado de engolfamento    (&ldquo;<I>engulfment</I>&rdquo;) (Beanlands et al., 2003). Al&eacute;m disso,    observou-se a intrusividade da doen&ccedil;a, ou seja, o quanto esta implica    em mudan&ccedil;as na sua vida di&aacute;ria, gerava maiores mudan&ccedil;as    no auto-conceito desses indiv&iacute;duos. De forma similar, P&eacute;rez-San-Gregorio,    Mart&iacute;n-Rodr&iacute;guez, Gal&aacute;n-Rodr&iacute;guez, e P&eacute;rez-Bernal    (2005) observaram que adultos transplantados apresentam baixos n&iacute;veis    de auto-conceito, auto-estima, maiores n&iacute;veis de ansiedade e depress&atilde;o.    Al&eacute;m disso, os &iacute;ndices s&atilde;o piores no primeiro ano ap&oacute;s    o transplante e passados dois anos do transplante. N&atilde;o foram encontrados    estudos semelhantes com adolescentes transplantados. </P >     <P>A baixa auto-estima pode gerar dificuldades sociais e sexuais em adolescentes transplantados, tendo influ&ecirc;ncia negativa dentro do seu grupo de iguais, por exemplo (Kauffman, 2006; Sucato &amp; Murray, 2005; Suris, Michaud, &amp; Viner, 2004). Por outro lado, para se sentir aceito dentro do grupo, alguns adolescentes transplantados podem apresentar comportamentos de risco como fazendo uso do &aacute;lcool, drogas, e sexo sem prote&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, os efeitos adversos dos rem&eacute;dios e as mudan&ccedil;as na apar&ecirc;ncia f&iacute;sica podem causar muitas conseq&uuml;&ecirc;ncias para sua auto-imagem (Aley, 2002; Suris, Michaud, &amp; Viner, 2004). A necessidade de mostrar o corpo frequentemente &agrave; equipe m&eacute;dica, as cicatrizes vis&iacute;veis no corpo e os exames peri&oacute;dicos e inje&ccedil;&otilde;es a que s&atilde;o submetidos podem causar vergonha nos adolescentes transplantados ou doentes. Essas experi&ecirc;ncias podem comprometer sua privacidade e sua rela&ccedil;&atilde;o com seu pr&oacute;prio corpo. </P >    <P>As frustra&ccedil;&otilde;es emocionais causadas pelas limita&ccedil;&otilde;es em sua vida di&aacute;ria e a depend&ecirc;ncia ao tratamento s&atilde;o freq&uuml;entes em adolescentes transplantados (Aley, 2002). A agress&atilde;o do adolescente pode ser dirigida a seus pais, &agrave; equipe que os trata ou a si mesmo, como em casos de n&atilde;o ades&atilde;o ao tratamento (Griffin &amp; Elkin, 2001). Muitos pacientes podem experimentar a sensa&ccedil;&atilde;o de ser &ldquo;super-her&oacute;is&rdquo; j&aacute; que venceram a morte e podem acreditar que de agora em diante nada de mal lhes acontecer&aacute; (Aley, 2002). Alguns pacientes transplantados na primeira inf&acirc;ncia e que na adolesc&ecirc;ncia n&atilde;o apresentam sintomas f&iacute;sicos podem ver a si mesmos como saud&aacute;veis e, portanto ter mais comportamentos de risco para sua sa&uacute;de. Uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias desse tipo de comportamento pode ser a rejei&ccedil;&atilde;o aguda ou cr&ocirc;nica do &oacute;rg&atilde;o transplantado, que &eacute; uma causa importante de mortalidade nessa popula&ccedil;&atilde;o. </P >     <P>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, conforme referido na revis&atilde;o de literatura,    pesquisadores t&ecirc;m feito estudos sobre a import&acirc;ncia do bem-estar    subjetivo, auto-conceito e auto-estima para a sa&uacute;de de pessoas com doen&ccedil;as    cr&ocirc;nicas, por&eacute;m h&aacute; escassa informa&ccedil;&atilde;o sobre    o bem-estar subjetivo de adolescentes transplantados de &oacute;rg&atilde;os.    O &uacute;nico estudo relacionando essas vari&aacute;veis foi realizado com    adultos jovens (Castro, Moreno-Jim&eacute;nez, &amp; Rodr&iacute;guez-Carvajal,    2007) apontou para rela&ccedil;&otilde;es importantes entre elas, assim como    com vari&aacute;veis da doen&ccedil;a e do tratamento. Assim, o objetivo do    presente estudo foi investigar o bem-estar subjetivo de adolescentes transplantados    de &oacute;rg&atilde;os, e identificar o peso do auto-conceito, da auto-estima    e de algumas vari&aacute;veis cl&iacute;nicas (ex.: tempo em lista de espera,    idade no transplante) na sua predi&ccedil;&atilde;o. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">M&Eacute;TODO </P >     <P><I>Participantes </I></P >     <P>Foram avaliados 26 adolescentes transplantados de &oacute;rg&atilde;os com    idades que variaram dos 13 aos 17 anos. Todos os participantes estavam em tratamento    de rotina p&oacute;s-transplante (terapia imunossupressora) em tr&ecirc;s hospitais    p&uacute;blicos de Madrid, Espanha. Sete pacientes eram transplantados de rim,    4 eram transplantados de cora&ccedil;&atilde;o e 15 eram transplantados de f&iacute;gado.    Vinte e cinco pacientes receberam seus &oacute;rg&atilde;os de um doador cad&aacute;ver    e um paciente recebeu o rim de sua m&atilde;e. Foram exclu&iacute;dos da amostra    pacientes com evid&ecirc;ncia de problema neurol&oacute;gico ou psiqui&aacute;trico.    Os dados s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos s&atilde;o apresentados na Tabela    1. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">TABELA 1 </P >     <P align="center"><I>Dados s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos e cl&iacute;nicos    conforme o tipo de transplante (tx) </I></P >     <P align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a07t1.gif" width="656" height="348"></i></P >     
<blockquote>        <blockquote>          <blockquote>            <blockquote>             <p><I>Legenda: </I>*Idade no transplante ou idade no primeiro transplante            (no caso dos pacientes que sofreram transplantes em mais de uma ocasi&atilde;o)</p>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Delineamento e procedimentos </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O estudo &eacute; de car&aacute;ter transversal. O recrutamento dos pacientes ocorreu durante as consultas ambulatoriais no hospital. Uma vez que a equipe de transplantes concordou em colaborar com o projeto de pesquisa, a autora passou a estar presente no ambulat&oacute;rio de transplantes, quando convidava formalmente os adolescentes e seus pais a participar da pesquisa. Todos os pacientes contatados aceitaram participar do estudo. Inicialmente, eram explicados os objetivos da pesquisa e a seguir o pai/m&atilde;e/respons&aacute;vel pelo adolescente assinava o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A pesquisadora, ent&atilde;o, perguntava sobre os dados s&oacute;cio-demogr&aacute;ficos e alguns dados da hist&oacute;ria cl&iacute;nica do paciente. Finalmente, os question&aacute;rios eram aplicados. Nenhum paciente ou fam&iacute;lia tiveram ou estavam participando de programas de apoio psicossocial relacionado ao transplante de &oacute;rg&atilde;os. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Instrumentos </I></P >    <P><I>Bem-estar subjetivo: </I>foi medido atrav&eacute;s das escalas de afeto positivo e negativo PANAS (Watson, Clark &amp; Tellegen, 1988). O instrumento consiste em 20 adjetivos (10 para afeto positivo e 10 para afeto negativo), em que a pessoa deve dar uma pontua&ccedil;&atilde;o de 1 a 5 numa escala de tipo likert. A vers&atilde;o espanhol foi feita por Sand&iacute;n, Chorot, Lostao, Joiner, Santed, e Valiente (1999) com &iacute;ndice alfa de 0,87 para afeto positivo e 0,89 para afeto negativo. </P >    <P><I>Auto-estima</I>: foi avaliada atrav&eacute;s da Escala de Rosenberg (Rosenberg, 1965). A pontua&ccedil;&atilde;o total obtida resulta de 10 quest&otilde;es que a pessoa deve responder sobre seus sentimentos sobre si mesmos. A valida&ccedil;&atilde;o espanhola foi realizada por Ba&ntilde;os e Guill&eacute;n (2000). O alpha encontrado nesse estudo foi de 0,88. </P >    <P><I>Auto-conceito: </I>foram utilizadas as subescalas Eu pessoal e Eu f&iacute;sico da Escala de Autoconceito de Tennessee para medir auto-conceito (Roid &amp; Fitts, 1988). A subescala Eu pessoal mede como os pacientes pontuam sua adequa&ccedil;&atilde;o como pessoa. A subescala Eu f&iacute;sico mede como os pacientes percebem sua sa&uacute;de, seu corpo e sua apar&ecirc;ncia f&iacute;sica. O escore de cada subescala &eacute; obtido a partir dos resultados de um instrumento auto-aplic&aacute;vel de 18 quest&otilde;es. A vers&atilde;o em espanhol foi feita por Galanto-Al&oacute;s (1984), com alpha de Cronbach de 0,89. </P >     <P><I>Informa&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas e cl&iacute;nicas:    </I>os adolescentes e seus pais foram questionados sobre, entre outras coisas,    idade, n&iacute;vel educacional, informa&ccedil;&otilde;es familiares, diagn&oacute;stico,    tratamento, dura&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, idade do adolescente no    transplante, n&uacute;mero de transplantes, etc. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P><I>Considera&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas </I></P >     <P>O Consentimento Livre e Esclarecido foi obtido de todos os pais/m&atilde;es    dos adolescentes. O projeto foi aprovado pelos coordenadores das equipes de    transplantes e foi realizado de acordo com os princ&iacute;pios &eacute;ticos    gerais. Os hospitais em quest&atilde;o n&atilde;o tinham, na ocasi&atilde;o    da coleta de dados (2004-2005), comit&ecirc;s de &eacute;tica em pesquisa em    funcionamento. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P >     <P><I>An&aacute;lises </I></P >     <P>An&aacute;lises descritivas, n&atilde;o-param&eacute;tricas e an&aacute;lise    de regress&atilde;o m&uacute;ltipla hier&aacute;rquica foram utilizadas. O teste    Kruskal-Wallis foi usado para comparar os dados dos adolescentes com diferentes    tipos de transplante (Tabela 2). An&aacute;lises descritivas e teste U Mann-Whitney    foram usados para comparar os dados de acordo com o g&ecirc;nero (Tabela 3).    Finalmente, para determinar quais vari&aacute;veis contribu&iacute;am significativamente    para a vari&acirc;ncia do afeto nos adolescentes transplantados, foi feita an&aacute;lise    de regress&atilde;o m&uacute;ltipla hier&aacute;rquica. As vari&aacute;veis    s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas (idade e sexo) entraram no Passo 1, enquanto    as vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas (auto-estima e auto-conceito) entraram    no Passo 2. As vari&aacute;veis cl&iacute;nicas (idade no diagn&oacute;stico,    tempo em lista de espera, idade no transplante e problemas de rejei&ccedil;&atilde;o)    foram inclu&iacute;das no Passo 3. Foi utilizado o pacote estat&iacute;stico    SPSS 14.0 para as an&aacute;lises. </P >     <P align="center"><a href="#topt2">TABELA 2</a> <a name="t2"></a></P >     <P align="center"><I>M&eacute;dia, desvio padr&atilde;o, teste Kruskal-Wallis    e n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de acordo com o tipo de transplante (Tx)    </I></P >     <P align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a07t2.gif" width="657" height="118"></P >     
<P align="center">&nbsp;</P >     <P align="center"><a href="#topt3">TABELA 3</a> <a name="t3"></a></P >     <P align="center"><I>M&eacute;dia, desvio padr&atilde;o, teste de Mann-Whitney    e n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de acordo com o g&ecirc;nero </I>Masculino    (<I>n</I>=10) Feminino (<I>n</I>=16) U <I>p </I></P >     <P align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a07t3.gif" width="657" height="117"></i></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center">&nbsp;</P >     <P align="center">RESULTADOS </P >     <P>Como mostra a <a href="#t2">Tabela 2</a>,<a name="topt2"></a> n&atilde;o h&aacute;    diferen&ccedil;as significativas na auto-estima, auto-conceito e bem-estar subjetivo    entre os pacientes transplantados de rim, cora&ccedil;&atilde;o e f&iacute;gado.    Entretanto, a m&eacute;dia 27,50 (DT=0,71) no afeto negativo dos adolescentes    transplantados de rim mostra que eles apresentaram piores resultados que os    pacientes transplantados de cora&ccedil;&atilde;o ou f&iacute;gado, de maneira    parcialmente significativa (<I>p</I>=0,06). </P >     <P>A <a href="#t3">Tabela 3</a><a name="topt3"></a> apresenta as diferen&ccedil;as    de g&ecirc;nero com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas.    N&atilde;o foram observadas diferen&ccedil;as significativas entre adolescentes    transplantados do sexo feminino e masculino. </P >     <P>Tamb&eacute;m n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as significativas com respeito as vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas entre os adolescentes transplantados relacionado a idade no diagn&oacute;stico, idade no transplante e problemas de rejei&ccedil;&atilde;o. </P >     <P>Para investigar as vari&aacute;veis preditoras do afeto negativo e positivo    em adolescentes transplantados, duas an&aacute;lises de regress&atilde;o hier&aacute;rquica    foram realizadas separadamente (ver Tabela 4). Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    vari&aacute;vel dependente Afeto Positivo, no segundo e no terceiro passo a    an&aacute;lise de regress&atilde;o indicou a auto-estima como uma vari&aacute;vel    independente significativa e parcialmente significativa (&beta;=.661; <I>p</I>&lt;.05;    &beta;=.747; <I>p</I>&lt;.10). O coeficiente beta estandarizado indica que altos    n&iacute;veis de auto-estima foram associados com altos n&iacute;veis de afeto    positivo. A auto-estima foi o &uacute;nico fator isolado capaz de predizer o    afeto positivo de adolescentes transplantados, que explicou 63,1% da vari&acirc;ncia    no Passo 3. Com respeito &agrave; vari&aacute;vel dependente Afeto Negativo,    a an&aacute;lise de regress&atilde;o mostrou a influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis    auto-conceito pessoal (&beta;=-.686; <I>p</I>&lt;.05) e tempo em lista de espera    no Passo 3 (&beta;=.686; <I>p</I>&lt;.01). Um pior auto-conceito associado a    um maior tempo maior na lista de espera para o transplante esteve relacionado    a um aumento significativo no afeto negativo dos adolescentes transplantados.    O modelo explicou 78,7% da vari&acirc;ncia do afeto negativo e foi significativo    (<I>p</I>&lt;.05). </P >     <P align="center">TABELA 4 </P >     <P align="center"><I>An&aacute;lise de Regress&atilde;o Hier&aacute;rquica </I></P >     <P align="center"><i><img src="/img/revistas/aps/v27n1/27n1a07t4.gif" width="657" height="232"></i></P >     
<blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>          <blockquote>            <blockquote>             <p><I>Legenda: </I>&dagger;<I>p</I>&lt;.10; *<I>p</I>&lt;.05; **<I>p</I>&lt;.01;            &beta;=coeficientes estandarizados de regress&atilde;o; g&ecirc;nero            (0=masculino, 1=feminino), problemas de rejei&ccedil;&atilde;o (0=n&atilde;o,            1=sim) </p>       </blockquote>     </blockquote>   </blockquote> </blockquote>     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">DISCUSS&Atilde;O E CONCLUS&Otilde;ES </P >     <P>O presente estudo buscou examinar o bem-estar subjetivo e sua rela&ccedil;&atilde;o    com vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas e cl&iacute;nicas de adolescentes    receptores de transplantes de &oacute;rg&atilde;os. Nesse sentido, foram analisadas    as poss&iacute;veis diferen&ccedil;as entre os diferentes tipos de transplante    (rim, cora&ccedil;&atilde;o ou f&iacute;gado) e g&ecirc;nero, e o poss&iacute;vel    valor preditivo das vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas, cl&iacute;nicas e    s&oacute;cio-demogr&aacute;ficas no bem-estar subjetivo desses jovens. </P >     <P>Com rela&ccedil;&atilde;o ao tipo de &oacute;rg&atilde;o transplantado, n&atilde;o    foram encontradas diferen&ccedil;as significativas auto-estima, auto-conceito    e afeto positivo e negativo. Os adolescentes transplantados de rim apresentaram    n&iacute;veis mais altos de afeto negativo que os pacientes transplantados de    cora&ccedil;&atilde;o ou f&iacute;gado, mas essa diferen&ccedil;a foi apenas    parcialmente significativa. De acordo com Starzomski e Hilton (2000), o per&iacute;odo    que antecede a di&aacute;lise/hemodi&aacute;lise produz estresse f&iacute;sico    e emocional que pode afetar a sa&uacute;de mental do paciente. Essa caracter&iacute;stica    particular da doen&ccedil;a renal e do seu tratamento pode explicar os altos    n&iacute;veis de afeto negativo nesses pacientes, incluindo tamb&eacute;m o    per&iacute;odo p&oacute;s-transplante. </P >     <P>Existem poucos estudos que incluem amostras de pacientes transplantados de    diferentes &oacute;rg&atilde;os, e as poss&iacute;veis diferen&ccedil;as associadas    a isso na adapta&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica dos pacientes ainda n&atilde;o    foram esclarecidos. Em parte, isso acontece porque &eacute; muito dif&iacute;cil    ter amostras grandes o suficiente de pacientes transplantados de diferentes    tipos para realizar uma an&aacute;lise nesse sentido. Por outra parte, &eacute;    poss&iacute;vel que essas diferen&ccedil;as inexistam (Castro, Moreno-Jim&eacute;nez,    &amp; Rodr&iacute;guez-Carvajal, 2007; Eiser, 1985). De qualquer forma, a idade    no diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a e a idade no transplante podem ser fatores    que t&ecirc;m um efeito importante na adapta&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica    de crian&ccedil;as e adolescentes, conforme Blum-Gordillo, Gordillo-Paniagua,    e Garc&iacute;a-Lozano (2003). No presente estudo, contudo, essas diferen&ccedil;as    n&atilde;o foram evidenciadas e mais estudos s&atilde;o necess&aacute;rios para    esclarecer essa quest&atilde;o. </P >     <P>Com rela&ccedil;&atilde;o ao g&ecirc;nero, n&atilde;o foram observadas diferen&ccedil;as importantes entre os adolescentes transplantados. Outros estudos (DeBolt, Stewart, Kennard, Petrik, &amp; Andrews, 1995; Qvist, N&atilde;rhi, Apajasalo, R&ouml;nnholm, Jalanko, Amqvist, &amp; Holmberg, 2004) j&aacute; haviam demonstrado que pacientes pedi&aacute;tricos transplantados do sexo masculino poderiam estar mais vulner&aacute;veis a apresentar problemas psicol&oacute;gicos, por&eacute;m essa quest&atilde;o ainda est&aacute; em discuss&atilde;o. De qualquer forma, &eacute; poss&iacute;vel que o reduzido n&uacute;mero de participantes n&atilde;o tenha contribu&iacute;do para o aparecimento dessas diferen&ccedil;as nas an&aacute;lises realizadas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Os resultados da an&aacute;lise de regress&atilde;o hier&aacute;rquica mostraram diferen&ccedil;as nas vari&aacute;veis preditoras de afeto positivo e negativo. Com rela&ccedil;&atilde;o ao afeto positivo atual, observou-se a import&acirc;ncia da auto-estima como vari&aacute;vel preditora. &Eacute; poss&iacute;vel pensar que manter a auto-estima elevada pode ser um fator de prote&ccedil;&atilde;o ao bem-estar ou sentimento de &ldquo;felicidade&rdquo; desses adolescentes. Segundo Blum-Gordillo et al. (2003), pacientes transplantados pedi&aacute;tricos podem ter sua auto-estima prejudicada devido a uma variedade de perdas que influenciam seu bem-estar e sua sa&uacute;de. Esse resultado corrobora tamb&eacute;m o estudo de Castro et al. (2007), que observou a import&acirc;ncia do papel da auto-estima na predi&ccedil;&atilde;o do afeto positivo de adultos jovens transplantados em idade pedi&aacute;trica. </P >     <P>Em contraste, os fatores relacionados ao afeto negativo foram o auto-conceito    pessoal e o tempo em lista de espera. Esse resultado &eacute; muito importante    porque enfatiza a import&acirc;ncia das vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas    e clinicas no estado emocional do adolescente transplantado. Conforme Beanlands    et al. (2003), a doen&ccedil;a cr&ocirc;nica (e o transplante) podem afetar    a auto-conceito do indiv&iacute;duo, fazendo com que esse acontecimento seja    o evento principal de sua vida. Nesse sentido, poder&iacute;amos pensar que    na adolesc&ecirc;ncia, &eacute;poca de transforma&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o    da identidade, a doen&ccedil;a cr&ocirc;nica e o transplante podem ser um fator    de dificuldade para a supera&ccedil;&atilde;o dessa tarefa desenvolvimental,    &ldquo;engolfando&rdquo; a constru&ccedil;&atilde;o de um auto-conceito saud&aacute;vel    para esses pacientes. </P >     <P>O tempo em lista de espera &eacute; um per&iacute;odo caracterizado pela ansiedade, decl&iacute;nio f&iacute;sico progressivo e hospitaliza&ccedil;&otilde;es freq&uuml;entes (Stubblefield &amp; Murray, 2002). Dessa forma, o presente estudo demonstra que um per&iacute;odo longo em lista de espera pode aumentar o afeto negativo nos adolescentes, e que esses sentimentos negativos como irritabilidade e hostilidade continuam depois do transplante. Esse achado &eacute; similiar a outros encontrados com pacientes adultos transplantados (Baker, Wingard, Curbow, Zabora, Fogarty, &amp; Legro, 1994; Castro et al., 2007) e indica que os esfor&ccedil;os para aumentar a doa&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os s&atilde;o necess&aacute;rios n&atilde;o s&oacute; para reduzir a lista de espera, mas tamb&eacute;m para favorecer a sa&uacute;de mental dos receptores. </P >    <P>Os resultados do estudo devem ser visto com limita&ccedil;&otilde;es. Em primeiro lugar, &eacute; um estudo transversal que utiliza question&aacute;rios de auto-informe respondidos pelos adolescentes, apesar de que esses instrumentos sejam extensivamente reconhecidos e utilizados em diversos pa&iacute;ses (Ba&ntilde;os &amp; Guill&eacute;m, 2000; Roid &amp; Fitts, 1988; Rosenberg, 1965; Sand&iacute;n e cols., 1999; Watson, Clark, &amp; Tellegen, 1988). Al&eacute;m disso, o estudo &eacute; eminentemente explorat&oacute;rio dada a escassa literatura existente sobre bem-estar subjetivo e transplantes. Por fim, o tamanho reduzido da amostra (<I>n</I>=26) &eacute; motivo de alguma limita&ccedil;&atilde;o. Apesar de que a amostra possa parecer inicialmente pequena, &eacute; importante salientar que a autora coletou dados nos tr&ecirc;s hospitais de Madrid mais importante na &aacute;rea de transplantes pedi&aacute;tricos. Tendo em vista que o sucesso do transplante de &oacute;rg&atilde;os na inf&acirc;ncia &eacute; um acontecimento recente e que a grande maioria desses participantes foram transplantados em idades bastante precoces, podemos concluir que a amostra tem tamanho razo&aacute;vel considerando o tempo de transplante desses pacientes. </P >    <P>Esses resultados ap&oacute;iam, ainda, a no&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; uma importante conex&atilde;o entre o transplante de &oacute;rg&atilde;os e o estado psicol&oacute;gico do adolescente. Confirma tamb&eacute;m pesquisas previas que encontraram que o transplante de &oacute;rg&atilde;os pode causar ou agravar diversos transtornos psicol&oacute;gicos, causar stress e trauma nesses pacientes (Qvist et al., 2004; Serrano-Ikos &amp; Lask, 2003; Walker, Harris, Baker, Kelly, &amp; Houghton, 1999). </P >     <P>Os principais resultados dessa pesquisa s&atilde;o de que as vari&aacute;veis    psicol&oacute;gicas, especialmente a auto-estima, s&atilde;o importantes para    o afeto positivo de adolescentes transplantados, enquanto o auto-conceito e    o tempo em lista de espera s&atilde;o significativas para a predi&ccedil;&atilde;o    do afeto negativo. Esses resultados destacam a necessidade de um trabalho preventivo    e de suporte emocional ap&oacute;s o transplante. Embora a qualidade de vida    no &acirc;mbito f&iacute;sico melhore ap&oacute;s o transplante de &oacute;rg&atilde;os    pedi&aacute;trico (Apar&iacute;cio-L&oacute;pez, 2003), &eacute; necess&aacute;rio    um trabalho integral de reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial com esses pacientes.  </P >     <P>Interven&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas que ajudem o adolescente a lidar    com a mudan&ccedil;a no seu corpo e seu sofrimento relacionado &agrave; doen&ccedil;a    e transplante s&atilde;o necess&aacute;rias. Isso lhes ajudar&aacute; a aceitar    sua condi&ccedil;&atilde;o e suas limita&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de,    facilitando a compreens&atilde;o sobre o impacto emocional e as conseq&uuml;&ecirc;ncias    do transplante de &oacute;rg&atilde;os para suas vidas e ajud&aacute;-los a    ter expectativas realistas sobre seu futuro. A adolesc&ecirc;ncia, que &eacute;    uma fase de questionamentos sobre a identidade dos jovens, pode ficar problem&aacute;tica    para os pacientes transplantados que levam dentro de si um &oacute;rg&atilde;o    que n&atilde;o &eacute; seu. Esses aspectos precisam ser trabalhados no atendimento    cl&iacute;nico para que possam ser felizes aceitando sua condi&ccedil;&atilde;o    e limita&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, a redu&ccedil;&atilde;o no tempo    em lista de espera para transplante melhoraria sem d&uacute;vida o sofrimento    e, como observamos nesse estudo, diminuiria os estados de &acirc;nimo negativos    desses adolescentes transplantados a longo prazo. </P >     <P>Futuras pesquisas deveriam examinar mais a fundo o papel de outras vari&aacute;veis    psicol&oacute;gicas no bem-estar subjetivo de adolescentes transplantados,    a percep&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a ou auto-efic&aacute;cia, por exemplo.    Tamb&eacute;m, &eacute; importante avaliar as implica&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas    do transplante de &oacute;rg&atilde;os na adolesc&ecirc;ncia em pesquisas longitudinais,    verificando crises espec&iacute;ficas e dificuldades relacionadas &agrave;s    diferentes fases da adolesc&ecirc;ncia. </P >     <P>&nbsp;</P >     <P align="center">REFER&Ecirc;NCIAS </P >     ]]></body>
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<body><![CDATA[<P><a name="1"></a>(<a href="#top1">*</a>) Universidade do Vale do Rio dos Sinos,    Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Avenida Unisinos, 950 &ndash; Bairro    Cristo Rei. CEP 93.022-000, S&atilde;o Leopoldo, RS, Brazil. E-mail: <a href="mailto:elisakc@unisinos.br">elisakc@unisinos.br</a>  </P >      ]]></body><back>
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<collab>AAP - American Academy of Pediatrics</collab>
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<page-range>982-984</page-range></nlm-citation>
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