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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A abordagem cognitivo-comportamental no tratamento das perturbações do comportamento alimentar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Eating disorders are rare disorders associated with a great psychological comorbility and often with serious medical complications. Although treatment is difficult and complex, several studies have showed that Cognitive-Behavioral Treatment is effective and the first choice treatment for these disorders. Research has been focusing on the study of the psychopathological processes that maintain the problem, and in the treatment components that contribute to enhance treatment efficacy. This paper intends to describe the characteristics of the cognitive-behavioral treatment for Eating Disorders, in a transdiagnostic perspective. Finally, a stepped care approach for eating disorders&#8217; treatment is presented as a strategy for adjusting treatment intensity to each patient's particular needs.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Perturbações do comportamento alimentar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Terapia cognitivo-comportamental]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Cognitive behavioral therapy]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A abordagem cognitivo-comportamental no tratamento das perturba&ccedil;&otilde;es    do comportamento alimentar </b></P >     <p align="right">Ana Rita Vaz (<a href="#1">*</a>)<a name="top1"></a></P >     <p align="right">Eva M. Concei&ccedil;&atilde;o (<a href="#1">*</a>)</P >     <p align="right">Paulo P.P. Machado (<a href="#1">*</a>)</P >     <p align="right">&nbsp;</P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <p>As Perturba&ccedil;&otilde;es do Comportamento Alimentar (PCA) s&atilde;o doen&ccedil;as    raras, mas que implicam grande comorbilidade ps&iacute;quica e t&ecirc;m, por    vezes, complica&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas s&eacute;rias. Apesar do tratamento    ser complexo e dif&iacute;cil, os estudos tem demonstrado que o tratamento Cognitivo-Comportamental    se apresenta como o mais eficaz e o de primeira escolha para estas perturba&ccedil;&otilde;es.    A investiga&ccedil;&atilde;o tem vindo a focar-se no estudo dos processos psicopatol&oacute;gicos    que mant&eacute;m o problema, e nas componentes terap&ecirc;uticas que permitem    melhorar a efic&aacute;cia do tratamento. </P >     <p>Este coment&aacute;rio prop&otilde;e-se a fazer uma an&aacute;lise das particularidades    e evolu&ccedil;&atilde;o do tratamento Cognitivo-Comportamental para as Perturba&ccedil;&otilde;es    Alimentares, enquadrando-o na teoria Cognitivo-Comportamental e na perspectiva    transdiagn&oacute;stica das PCAs. </P >     <p>O coment&aacute;rio reflecte ainda sobre a import&acirc;ncia de uma abordagem    de tratamento por passos, que permite uma adapta&ccedil;&atilde;o da intensidade    terap&ecirc;utica &agrave;s necessidades pessoais do paciente, de forma a maximizar    a rela&ccedil;&atilde;o custo-efic&aacute;cia e a fazer chegar a cada paciente,    a quantidade de tratamento adequada. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Palavras chave: </I>Perturba&ccedil;&otilde;es do comportamento alimentar,    Terapia cognitivo-comportamental. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >ABSTRACT </P >     <p>Eating disorders are rare disorders associated with a great psychological comorbility    and often with serious medical complications. Although treatment is difficult    and complex, several studies have showed that Cognitive-Behavioral Treatment    is effective and the first choice treatment for these disorders. Research has    been focusing on the study of the psychopathological processes that maintain    the problem, and in the treatment components that contribute to enhance treatment    efficacy. This paper intends to describe the characteristics of the cognitive-behavioral    treatment for Eating Disorders, in a transdiagnostic perspective. Finally, a    stepped care approach for eating disorders&rsquo; treatment is presented as    a strategy for adjusting treatment intensity to each patient's particular needs.  </P >     <p><I>Key words: </I>Cognitive behavioral therapy, Eating disorders. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <p>As Perturba&ccedil;&otilde;es do Comportamento Alimentar (PCA)    t&ecirc;m vindo a ser alvo de aten&ccedil;&atilde;o por parte da comunidade    cient&iacute;fica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, n&atilde;o s&oacute; pelo    comprometimento e morbilidade psiqui&aacute;trica associada, mas tamb&eacute;m    pelo facto de afectarem um n&uacute;mero importante de mulheres jovens. Estudos    recentes (Machado, Machado, Gon&ccedil;alves, &amp; Hoek, 2007) indicam uma    preval&ecirc;ncia de 0.39% para a Anorexia Nervosa, 0.30% para a Bulimia Nervosa    e 3.06% para PCA Sem Outra Especifica&ccedil;&atilde;o (PCA-SOE), em mulheres    entre os 15 e 18 anos de uma amostra nacional representativa. Embora pouco prevalentes    em termos de popula&ccedil;&atilde;o geral, as Perturba&ccedil;&otilde;esl do    Comportamento Alimentar tornam-se num problema importante de sa&uacute;de p&uacute;blica    por envolverem maioritariamente uma faixa da popula&ccedil;&atilde;o jovem para    a qual n&atilde;o se antecipariam problemas de sa&uacute;de com este de n&iacute;vel    de comprometimento funcional. </P >     <p>S&atilde;o v&aacute;rias as formula&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que tentam    conceptualizar os mecanismos associados ao desenvolvimento e manuten&ccedil;&atilde;o    das perturba&ccedil;&otilde;es do comportamento alimentar. No entanto, os modelos    Cognitivo-Comportamentais (CC) para a conceptualiza&ccedil;&atilde;o e tratamento    das Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares t&ecirc;m vindo conhecer um desenvolvimento    e apoio emp&iacute;rico significativo (Fairburn, 1997a; Wilson, Fairburn, Agras,    &amp; Walsh, 2002). Neste momento o tratamento CC &eacute; um dos tratamentos    aceites pela comunidade cient&iacute;fica como empiricamente validado e, portanto,    de refer&ecirc;ncia para estas perturba&ccedil;&otilde;es (Fairburn, 1997a,b;    Fairburn, Cooper, &amp; Shafran, 2003). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo pretende fazer uma revis&atilde;o da teoria cognitivo-comportamental, reflectindo sobre a sua evolu&ccedil;&atilde;o temporal, assim como do tratamento do tratamento CC para as PCA. Ao longo deste artigo, os autores ir&atilde;o enquadrar a teoria subjacente ao tratamento cognitivo-comportamental, numa perspectiva transdiagn&oacute;stica (Fairburn &amp; Harrinson, 2003) das perturba&ccedil;&otilde;es alimentares. </P >     <p>Descreveremos as perturba&ccedil;&otilde;es alimentares tendo em conta as suas    semelhan&ccedil;as e especificidades, passando para a discuss&atilde;o da teoria    cognitivo-comportamental de manuten&ccedil;&atilde;o do problema. O artigo terminar&aacute;    com a apresenta&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria do tratamento cognitivo-comportamental,    apresentando as diferentes possibilidades de intensidade terap&ecirc;utica estudadas    em termos de efic&aacute;cia, e fazendo refer&ecirc;ncia &agrave; abordagem    de tratamento por passos. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >PERTURBA&Ccedil;&Otilde;ES DO COMPORTAMENTOALIMENTAR: SEMELHAN&Ccedil;AS OU DIFEREN&Ccedil;AS?</P >     <p>Apesar da Anorexia (AN) e Bulimia Nervosa (BN) serem perturba&ccedil;&otilde;es sistematicamente referidas pelos cl&iacute;nicos e investigadores, a investiga&ccedil;&atilde;o tem vindo a mostrar que as PCA Sem Outra Especifica&ccedil;&atilde;o representam a categoria de diagn&oacute;stico mais comum nos estudos de preval&ecirc;ncia (Machado et al. 2007), estando associada a n&iacute;veis de comprometimento funcional semelhantes ao da AN e BN e sendo frequentemente encontradas na pr&aacute;tica cl&iacute;nica. As PCA-SOE correspondem a 60% dos casos cl&iacute;nicos quando comparados com 14,5% de AN e 25,5% de casos de BN (Fairburn &amp; Bohn, 2005). </P >    <p>Por outro lado, a investiga&ccedil;&atilde;o sobre o curso natural e a evolu&ccedil;&atilde;o das Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares tem demonstrado que se assiste frequentemente a uma migra&ccedil;&atilde;o temporal dos pacientes entre as categorias diagn&oacute;sticas. Num artigo de Fairburn e Harrison (2003), os autores descrevem a tend&ecirc;ncia para pacientes passarem, ao longo do tempo, por mais do que uma categoria de diagn&oacute;stico. </P >    <p>Ap&oacute;s um per&iacute;odo de restri&ccedil;&atilde;o alimentar intensa, habitualmente com in&iacute;cio em idades mais jovens, a evolu&ccedil;&atilde;o dos sintomas passa frequentemente pelo in&iacute;cio de ocorr&ecirc;ncia de epis&oacute;dios de Ingest&atilde;o Alimentares Compulsiva (IAC), podendo haver a instala&ccedil;&atilde;o de uma perturba&ccedil;&atilde;o bul&iacute;mica ou mesmo do quadro completo de Bulimia Nervosa. Da mesma forma, &eacute; comum assistir-se &agrave; remiss&atilde;o do uso de comportamentos compensat&oacute;rios e &agrave; instala&ccedil;&atilde;o de quadros parciais, onde persistem os comportamentos de ingest&atilde;o alimentar compulsiva ou de restri&ccedil;&atilde;o alimentar, com comprometimento do funcionamento clinicamente significativo. Numa percentagem destas pacientes, os sintomas acabaram por remitir naturalmente, ou ap&oacute;s interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Contudo, a cronicidade &eacute; frequente, nestas perturba&ccedil;&otilde;es (Cachelin, Striegel-Moore, Elder, Pike, Wilfley, &amp; Fairburn, 1999; Hsu, 1995; Steinhausen, 1995). </P >     <p>A constata&ccedil;&atilde;o da migra&ccedil;&atilde;o intradiagn&oacute;stica    comum nas Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares, e as grande preval&ecirc;ncia    de Perturba&ccedil;&otilde;es At&iacute;picas faz com que diversos investigadores    (Fairburn &amp; Bohn, 2005; Fairburn &amp; Harrison, 2003; Fairburn, Cooper,    Bohn, O&rsquo;Connor, Doll, &amp; Palmer, 2007) ponham em quest&atilde;o a validade    das categorias diagn&oacute;sticas actuais, argumentando que s&atilde;o mais    as caracter&iacute;sticas comuns do que as que as diferenciam. </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >DA TEORIA &Agrave; PR&Aacute;TICA: O TRATAMENTO DAS PCA</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Tratamento Cognitivo-Comportamental para a Bulimia Nervosa (CBT-BN) foi primeira vez descrito por Fairburn (1981), tendo sido, anos depois, elaborado e ampliado, em conjunto com a teoria em que este autor se baseia actualmente para a conceptualiza&ccedil;&atilde;o das Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares (Cooper, 1986; Fairburn, 1985; Fairburn, Cooper, &amp; Shafran, 2003). </P >    <p>Em 1993, Fairburn, Marcus, e Wilson publicaram o manual de tratamento para esta perturba&ccedil;&atilde;o. Ao longo do tempo, este tratamento t&ecirc;m vindo a ser amplamente utilizado e a sua efic&aacute;cia testada em diversos estudos (e.g., Agras, Walsh, Fairburn, Wilson, &amp; Kramer, 2000). </P >    <p>A Teoria Cognitivo-Comportamental, ao contr&aacute;rio de outras teorias para a Bulimia Nervosa, n&atilde;o se encontra t&atilde;o focada na procura de causas da perturba&ccedil;&atilde;o, mas est&aacute; mais interessada em fornecer uma teoria explicativa e compreender os mecanismos de manuten&ccedil;&atilde;o do problema. Ou seja, pretende responder &agrave; quest&atilde;o: Que factores est&atilde;o a manter os sintomas? A resposta permitir&aacute; estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o intencionais e potencialmente mais eficazes. </P >    <p>A TCC considera como um dos principais factores de manuten&ccedil;&atilde;o da Bulimia Nervosa a presen&ccedil;a de um sistema disfuncional de auto-avalia&ccedil;&atilde;o valor pessoal (Fairburn, 1985; Fairburn, Cooper, &amp; Cooper, 1986). Para a maioria das pessoas, o seu valor pessoal &eacute; resultado da percep&ccedil;&atilde;o do seu desempenho em diversas &aacute;reas da sua vida, como por exemplo, a qualidade do seu desempenho na escola, no trabalho, o modo como se organizam as suas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, como desempenham diferentes pap&eacute;is sociais, o grau de efic&aacute;cia e sucesso em actividades de lazer e desporto, etc. No entanto, para as pessoas com Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares, todas estas &aacute;reas parecem ter um peso reduzido no modo como contribuem para a avalia&ccedil;&atilde;o pessoal dos sujeitos e no modo como se sentem em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prias, na medida em que estes tendem a avaliar-se quase exclusivamente com base na sua capacidade de controlar os aspectos relacionados com a dieta restritiva, com o peso e a forma corporal. Estes aspectos s&atilde;o um factor caracter&iacute;stico e distintivo das perturba&ccedil;&otilde;es alimentares e s&atilde;o, eles pr&oacute;prios, um factor-chave na manuten&ccedil;&atilde;o dos sintomas (Fairburn, Cooper, &amp; Shafran, 2003). </P >    <p>Segundo Fairburn e colaboradores (2003), a maior parte dos aspectos cl&iacute;nicos das Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares, sejam os comportamentos extremos de controle de peso (por exemplo, a dieta restritiva), os comportamentos compensat&oacute;rios ou a preocupa&ccedil;&atilde;o recorrente com o peso e a forma corporal, podem ser entendidos como uma consequ&ecirc;ncia directa desta &ldquo;psicopatologia central&rdquo;. </P >    <p>Para os autores, esta sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do peso, forma corporal e alimenta&ccedil;&atilde;o, &eacute; respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o dos comportamentos alimentares disfuncionais, que s&atilde;o mantidos de um modo circular e de auto-perpetua&ccedil;&atilde;o, em que a sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o do peso, da forma e da alimenta&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m como consequ&ecirc;ncia a persecu&ccedil;&atilde;o de uma dieta restritiva, caracterizada por regras r&iacute;gidas e espec&iacute;ficas. Se por um lado o n&atilde;o cumprimento destas regras alimentares (&ldquo;s&oacute; vou comer fruta e beber &aacute;gua durante todo o dia&rdquo;) &eacute; visto como uma falha grave e inadmiss&iacute;vel, como uma falha no controle sobre a alimenta&ccedil;&atilde;o, por outro, a restri&ccedil;&atilde;o intensa na qualidade e quantidade alimentar conduz, muitas vezes, ao descontrolo alimentar e ao abandonar as tentativas de restri&ccedil;&atilde;o, surgindo assim epis&oacute;dios de ingest&atilde;o alimentar compulsiva. </P >    <p>Este &ldquo;quebrar das regras alimentares&rdquo; &eacute; frequentemente apontado pelos sujeitos como um dos factores desencadeantes dos epis&oacute;dios de ingest&atilde;o alimentar compulsiva (Fairburn, Cooper, &amp; Cooper, 1986; Fairburn, Cooper, &amp; Shafran, 2003). O ciclo &eacute;, assim, perpetuado, sendo que a ingest&atilde;o alimentar compulsiva &eacute; normalmente seguida de sentimentos de culpa e ang&uacute;stia pela perda de controlo e pelos efeitos temidos da ingest&atilde;o exagerada no peso e forma corporal, ampliando a preocupa&ccedil;&atilde;o com estes aspectos. O recurso a m&eacute;todos compensat&oacute;rios, como o v&oacute;mito, surge como forma de controlar os efeitos da ingest&atilde;o alimentar e de trazer al&iacute;vio aos sujeitos, interrompendo temporariamente o desconforto e a ansiedade provocados pela ingest&atilde;o exagerada. No entanto, estes mecanismos compensat&oacute;rios deixam os sujeitos mais vulner&aacute;veis para a ocorr&ecirc;ncia de um novo epis&oacute;dio de descontrolo alimentar. Este ciclo favorece a procura de novas tentativas de controlo do peso e aumenta a rigidez das regras alimentares, intensificando e mantendo assim as preocupa&ccedil;&otilde;es com o peso e controlo alimentar, num ciclo caracterizado pela restri&ccedil;&atilde;o-compuls&atilde;o alimentar. </P >    <P   align="center" >FIGURA 1 </P >    <P   align="center" ><I>Esquema representativo da Teoria Cognitivo Comportamental da Manuten&ccedil;&atilde;o da Bulimia Nervosa (Traduzido e adaptado de Fairburn et al., 2003)</I></P >     <div align="center">       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aps/v27n2/27n2a06t1.gif" width="381" height="482"></p>       
<p>&nbsp;</p> </div>     <p>Embora este mecanismo pare&ccedil;a explicar um grande n&uacute;mero dos epis&oacute;dios    de ingest&atilde;o alimentar compulsiva observados em pacientes com Bulimia    Nervosa, existem outros factores potencialmente associados a estes. Por exemplo,    nas formula&ccedil;&otilde;es iniciais da TCC-BN, os autores verificaram que    os epis&oacute;dios de ingest&atilde;o compulsiva n&atilde;o ocorriam de um    modo aleat&oacute;rio, mas estavam frequentemente associados a respostas a altera&ccedil;&otilde;es    no estado de humor. Estas altera&ccedil;&otilde;es pareciam interferir com a    capacidade de manter o controlo sobre a dieta restritiva, levando &agrave; ingest&atilde;o    compulsiva. Por outro lado, comer compulsivamente parece distrair as pessoas    de sentimentos e estados emocionais adversos, o que actuaria como refor&ccedil;o    da ingest&atilde;o alimentar compulsiva (Fairburn, Cooper, &amp; Cooper, 1986).  </P >     <p>Uma outra caracter&iacute;stica distintiva destes pacientes &eacute; o facto    de serem altamente cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prios,    e de estabelecerem para si padr&otilde;es demasiado elevados de realiza&ccedil;&atilde;o    e de desempenho em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua vida no geral e ao controle    da alimenta&ccedil;&atilde;o, peso e forma corporal em particular (Fairburn,    Cooper, &amp; Shafran, 2003; Fairburn, Marcus, &amp; Wilson, 1993). No contexto    destes padr&otilde;es altamente exigentes e elevados em rela&ccedil;&atilde;o    a si pr&oacute;prios, uma falha no cumprimento do plano r&iacute;gido alimentar    &eacute; visto como uma falha pessoal e n&atilde;o como um reflexo de padr&otilde;es    demasiado exigentes, o que refor&ccedil;a uma auto-avalia&ccedil;&atilde;o extremamente    negativa de si e tem como consequ&ecirc;ncia um maior empenho (maior restri&ccedil;&atilde;o,    mais tentativas de controle do peso), nesta &aacute;rea que &eacute; por si    considerada como central na sua auto-avalia&ccedil;&atilde;o. Mantem-se deste    modo, a preocupa&ccedil;&atilde;o elevada com a alimenta&ccedil;&atilde;o, o    peso e com a forma corporal, central para a manuten&ccedil;&atilde;o das PCA.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >TRATAMENTO COGNITIVO-COMPORTAMENTAL </P >     <p>A Teoria Cognitivo-Comportamental tem implica&ccedil;&otilde;es claras para o tratamento destas perturba&ccedil;&otilde;es. Nomeadamente, alerta para o facto de o foco do tratamento n&atilde;o dever ser apenas os sintomas de ingest&atilde;o alimentar compulsiva (apesar deste ser um dos principais sintomas e muitas vezes o que motiva a procura de ajuda), mas que tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio dirigir a interven&ccedil;&atilde;o para a restri&ccedil;&atilde;o alimentar, a resposta a estados de humor adversos e a sua sobre-avalia&ccedil;&atilde;o do peso, da forma corporal e da alimenta&ccedil;&atilde;o (Fairburn, 1985; Fairburn, Marcus, &amp; Wilson, 1993). </P >    <p>O Tratamento Cognitivo-Comportamental aqui descrito deriva dos pressupostos te&oacute;ricos apresentados e foi desenhado para dirigir a interven&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos processos de manuten&ccedil;&atilde;o associados aos sintomas bul&iacute;micos. O tratamento proposto desenvolve-se ao longo de 15 a 20 sess&otilde;es, aproximadamente e durante cinco meses, onde &eacute; constru&iacute;da uma formula&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica individualizada acerca do sistema de manuten&ccedil;&atilde;o dos sintomas Bul&iacute;micos e ensaiadas v&aacute;rias estrat&eacute;gias e procedimentos (Fairburn, Marcus, &amp; Wilson, 1993). </P >     <p>O tratamento consiste num conjunto de estrat&eacute;gias cognitivo-comportamentais,    de modo a: (1) desenvolver um plano alimentar regular e flex&iacute;vel que    inclua os alimentos at&eacute; ent&atilde;o evitados; (2) lidar com as situa&ccedil;&otilde;es    de risco para a ingest&atilde;o alimentar compulsiva e v&oacute;mito; (3) aprender    a reduzir a preocupa&ccedil;&atilde;o com o corpo e o peso; e, (4) prevenir    a reca&iacute;da ap&oacute;s a fase de tratamento. A efic&aacute;cia do tratamento    cognitivo comportamental cl&aacute;ssico da Bulimia Nervosa tem sido alvo de    intenso estudo e investiga&ccedil;&atilde;o ao longo dos &uacute;ltimos 20 anos.    V&aacute;rios estudos controlados que t&ecirc;m mostrado que a terapia cognitivo-comportamental    &eacute; um tratamento de 1&ordf; linha para a Bulimia Nervosa (NICE, 2004).  </P >     <p>Por outro lado, alguns autores t&ecirc;m sugerido que a terapia cognitivo-comportamental    para a Bulimia Nervosa se concentra demasiado na psicopatologia espec&iacute;fica    das Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares (e.g., Meyer, Waller, &amp; Waters,    1998). Al&eacute;m disso, Fairburn e colaboradores (2003) consideraram a necessidade    de rever as conceptualiza&ccedil;&otilde;es inicias dos processos que mant&eacute;m    a Bulimia Nervosa, como forma aumentar a resposta ao tratamento uma vez que    apenas 40% a 50% dos sujeitos recuperam completamente da perturba&ccedil;&atilde;o    e se mant&ecirc;m livre de sintomas. Esta necessidade motivou o desenvolvimento    da TCC j&aacute; existente expandindo as formula&ccedil;&otilde;es iniciais    e propondo um tratamento mais compreensivo. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >TEORIA TRANSDIAGN&Oacute;STICA PARA ASPERTURBA&Ccedil;&Otilde;ES ALIMENTARES </P >    <p><I>Uma extens&atilde;o da TCC para a manuten&ccedil;&atilde;o da Bulimia Nervosa </I></P >    <p>Fairburn e colaboradores (2003) propuseram uma extens&atilde;o &agrave; teoria original para a Bulimia Nervosa. De acordo com esta formula&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o propostos 4 mecanismos adicionais de manuten&ccedil;&atilde;o dos sintomas bul&iacute;micos que se manifestam em alguns pacientes e que interagem com os aspectos psicopatol&oacute;gicos de base descritos anteriormente. Para os autores, a presen&ccedil;a de algum destes mecanismos &eacute;, muitas vezes, uma dificuldade adicional, aquando do tratamento, e um obst&aacute;culo &agrave; mudan&ccedil;a. </P >    <p>Os quatro mecanismos propostos s&atilde;o: </P >    <p><I>Perfeccionismo Cl&iacute;nico: </I>O perfeccionismo cl&iacute;nico, consiste no perfeccionismo com signific&acirc;ncia cl&iacute;nica (Shafran, Cooper, &amp; Fairburn, 2002), e foi definido pelos autores como a busca por e a realiza&ccedil;&atilde;o de expectativas de realiza&ccedil;&atilde;o extremamente exigentes, sem olhar para as consequ&ecirc;ncias adversas que da&iacute; podem vir. Consiste num sistema de avalia&ccedil;&atilde;o do valor pessoal com base na realiza&ccedil;&atilde;o de objectivos e sucessos altamente exigentes. O perfeccionismo &eacute; visto como uma forma de psicopatologia que &eacute; semelhante &agrave; psicopatologia de base das Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares, sendo que em ambas os sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o disfuncional operam. </P >    <p>O perfeccionismo &eacute; uma caracter&iacute;stica que normalmente se encontra associada &agrave;s Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares (Shafran, Cooper, &amp; Fairburn, 2002). Na conceptualiza&ccedil;&atilde;o de Fairburn e colaboradores (2003) &eacute; defendido que, por vezes, estas duas formas de psicopatologia interagem, sendo que o funcionamento perfeccionista do paciente &eacute; posto a operar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tentativas de controlo sobre a alimenta&ccedil;&atilde;o, o peso e a forma corporal, bem como em rela&ccedil;&atilde;o a outros aspectos da sua vida. Como consequ&ecirc;ncia, o medo de fracassar &eacute; assim vivido, tamb&eacute;m, na forma de medo de engordar. As pacientes dirigem, normalmente, a aten&ccedil;&atilde;o de um modo selectivo em rela&ccedil;&atilde;o seu desempenho no que diz respeito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e incorrem em comportamentos, tais como, a contagem de calorias, repetida verifica&ccedil;&atilde;o corporal, e a emerg&ecirc;ncia de grande auto-cr&iacute;tica com origem nas consequentes avalia&ccedil;&otilde;es negativas do seu desempenho e das suas tentativas de controlo do peso, forma corporal e da alimenta&ccedil;&atilde;o. Novamente, esta auto-avalia&ccedil;&atilde;o negativa &eacute; mantida, sendo exacerbadas as tentativas de controlo. Este mecanismo acaba por ser respons&aacute;vel pela manuten&ccedil;&atilde;o dos sintomas, e, como tal, deve ser alvo de interven&ccedil;&atilde;o no tratamento. </P >    <p><I>Baixa Auto-Estima de Base: </I>As Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares est&atilde;o, frequentemente, relacionadas com problemas de auto-estima, em que o sujeito apresenta de si uma imagem negativa em termos do seu valor, em variadas aspectos da sua vida. Nos pacientes bul&iacute;micos, a baixa auto-estima, surge, tamb&eacute;m, muitas vezes, como consequ&ecirc;ncia da falha em atingir os seus objectivos de dieta e de restri&ccedil;&atilde;o, quando interrompidos por epis&oacute;dios de ingest&atilde;o alimentar compulsiva. Neste doentes, este sentimento, normalmente deixa de existir quando existe uma melhoria dos sintomas alimentares. No entanto, segundo Fairburn e colaboradores (2003), existe um grupo de pacientes que mostram um sentimento geral mais negativo e generalizado em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prios. Nestes pacientes, os sentimentos negativos n&atilde;o resultam apenas da sua incapacidade para controlar a sua alimenta&ccedil;&atilde;o e o seu peso, mas antes aparecem como uma forma de se verem a si pr&oacute;prios extremamente negativa e como parte permanente da sua identidade. Esta baixa auto-estima parece resistir apesar de uma melhoria na sintomatologia alimentar e tende a ser um obst&aacute;culo &agrave; mudan&ccedil;a. Se, por um lado, influencia a sua capacidade de acreditar na possibilidade de mudar, o que mina a sua ades&atilde;o ao tratamento, por outro, estes pacientes fazem depender o seu valor completamente da &aacute;rea que valorizam, neste caso, a alimenta&ccedil;&atilde;o, o que, &agrave; partida, dificulta a mudan&ccedil;a. O fracasso &eacute; visto como uma confirma&ccedil;&atilde;o da sua incapacidade para mudar, o que reafirma a vis&atilde;o negativa que t&ecirc;m de si pr&oacute;prios (Fairburn et al., 2003). </P >    <p><I>Intoler&acirc;ncia Afectiva: </I>J&aacute; nas formula&ccedil;&otilde;es iniciais da Teoria Cognitivo Comportamental (Fairburn, Cooper, &amp; Cooper, 1986) havia sido reconhecido que as altera&ccedil;&otilde;es de humor podem, muitas vezes, funcionar como antecedentes dos epis&oacute;dios de ingest&atilde;o alimentar compulsiva, que acontecem em muitas situa&ccedil;&otilde;es, como uma forma de resposta a estas altera&ccedil;&otilde;es do estado de humor. No entanto, v&aacute;rios autores t&ecirc;m vindo a referir que a rela&ccedil;&atilde;o entre estas altera&ccedil;&otilde;es emocionais e a ingest&atilde;o compulsiva s&atilde;o mais complexas (Steinberg, Tobin, &amp; Johnson, 1989; Stice, 2001; Waller, 2002). </P >    <p>Verifica-se que, um grupo de pacientes com Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares parece mostrar-se incapaz de lidar com os estados emocionais intensos, sendo que n&atilde;o conseguem lidar com as mudan&ccedil;as de humor e incorrem, naquilo que Fairburn e colaboradores (2003) caracterizam por comportamentos disfuncionais modulat&oacute;rios do humor. Estes comportamentos reduzem a capacidade para discernir quais os antecedentes das ingest&otilde;es alimentares compulsivas e cogni&ccedil;&otilde;es associadas, embora, por outro lado, as neutralizem. Estes comportamentos podem ter a forma, por exemplo, de comportamentos de mutila&ccedil;&atilde;o ou consumo de subst&acirc;ncias, muitas vezes utilizados como forma de dissipar o estado de humor inicial (e.g., tristeza, raiva, aborrecimento). Estes comportamentos s&atilde;o, muitas vezes, encontrados em pacientes com Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares (Claes, Vandereycken, &amp; Vertommen, 2002). Nos pacientes com Bulimia, a ingest&atilde;o compulsiva, o v&oacute;mito ou o exerc&iacute;cio excessivo, podem, eles pr&oacute;prios, ser utilizados como forma de modular o humor (Fairburn et al., 2003). Se por um lado estes pacientes parecem experienciar os estados emocionais de um modo mais intenso, por outro, parecem ser mais sens&iacute;veis a pequenas altera&ccedil;&otilde;es do estado emocional, sendo que, muitas vezes, se julgam incapazes de lidar com os sentimentos e pensamentos que da&iacute; adv&eacute;m, reac&ccedil;&atilde;o esta que, por sua vez, pode amplificar o estado emocional inicial (Fairburn et al., 2003). Os pacientes com Bulimia Nervosa parecem ser aqueles para quem a intoler&acirc;ncia afectiva &eacute; mais comum, funcionando, frequentemente, a ingest&atilde;o alimentar compulsiva e o v&oacute;mito como forma de lidar estados de humor intensos, sendo utilizados pelos pacientes como forma de lidar com os sentimentos, pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es adversos (ou n&atilde;o) e que n&atilde;o conseguem fazer dissipar de um outro modo. O v&oacute;mito e a ingest&atilde;o alimentar compulsiva funcionam para estes pacientes como forma de modular o humor e deste modo, como forma de lidar com diferentes estados emocionais intensos. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>Dificuldades Interpessoais: </I>Os antecedentes dos epis&oacute;dios de    ingest&atilde;o compulsiva est&atilde;o frequentemente associados a circunst&acirc;ncias    de vida dos pacientes. Este facto poder&aacute; explicar os bons resultados    terap&ecirc;uticos demonstrados pela terapia interpessoal no tratamento da Bulimia    (Agras, Walsh, Fairburn, Wilson, &amp; Kraemer, 2000). Esta abordagem chama    &agrave; aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia destes factores na manuten&ccedil;&atilde;o    da perturba&ccedil;&atilde;o. Estes factores podem ser dificuldades familiares,    contextos que enfatizam o valor da magreza, acontecimentos interpessoais negativos    e s&atilde;o, com frequ&ecirc;ncia, os antecedentes dos epis&oacute;dios de    ingest&atilde;o compulsiva. Tamb&eacute;m as dificuldades interpessoais mantidas    e prolongadas ao longo do desenvolvimento s&atilde;o, elas pr&oacute;prias,    fundamentais para a constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem negativa de si e    do seu valor, o que t&ecirc;m &oacute;bvias implica&ccedil;&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o    de uma auto-estima positiva. </P >     <p>Deste modo, &eacute; reconhecido que as dificuldades interpessoais t&ecirc;m    um papel extremamente importante no perpetuar das dificuldades alimentares,    sendo que intervir sobre estes aspectos pode, igualmente, ter um papel na facilita&ccedil;&atilde;o    da mudan&ccedil;a em termos do comportamento alimentar (Fairburn et al., 2003).  </P >     <p><I>Mecanismos comuns de manuten&ccedil;&atilde;o do problema alimentar </I></P >     <p>A par da inclus&atilde;o dos quatro novos mecanismos que actuam para a manuten&ccedil;&atilde;o    dos problemas, os mesmos autores (Fairburn et al., 2003) sugerem ainda que apesar    das diferentes perturba&ccedil;&otilde;es apresentarem algumas caracter&iacute;sticas    distintivas, elas partilham a mesma base psicopatol&oacute;gica, sendo comuns    os mecanismos envolvidos na manuten&ccedil;&atilde;o das diferentes perturba&ccedil;&otilde;es.    Esta evid&ecirc;ncia &eacute; suportada tamb&eacute;m pelo facto de os pacientes    se movimentarem, ao longo do tempo, entre os diferentes diagn&oacute;sticos,    tal com foi exposto anteriormente neste coment&aacute;rio. Fairburn e colaboradores    (2003) prop&otilde;em assim esta perspectiva transdiagn&oacute;stica de manuten&ccedil;&atilde;o    do problema, transversal &agrave;s diferentes perturba&ccedil;&otilde;es alimentares    (Bulimia Nervosa, Anorexia Nervosa, Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares At&iacute;picas).  </P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >O TRATAMENTO REFORMULADO </P >    <p>A conceptualiza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica das Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares segundo este modelo cognitivo-comportamental revisto (Fairburn, Cooper, &amp; Shafran, 2003) tem algumas implica&ccedil;&otilde;es para o tratamento. </P >    <p>Assim, foi proposto um novo tratamento Terapia Cognitivo-Comportamental para as Perturba&ccedil;&otilde;es Alimentares. O tratamento deriva da perspectiva transdiagn&oacute;stica, na medida em que &eacute; desenhado para ser realizado junto de pacientes com Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa ou PCA SOE, e na medida em que &eacute; defendido que s&atilde;o partilhadas por estes pacientes caracter&iacute;sticas psicopatol&oacute;gicas comuns. </P >     <p>Assim, deixa de ser relevante a perturba&ccedil;&atilde;o alimentar espec&iacute;fica,    sendo que cada caso &eacute; formulado com base nos aspectos psicopatol&oacute;gicos    presentes e nas particularidades de manuten&ccedil;&atilde;o do problema (Fairburn    et al., 2003). Por outro lado, o tratamento desenha-se inicialmente do modo    tradicional, para depois, num segundo passo serem abordados os mecanismos adicionais    de manuten&ccedil;&atilde;o da perturba&ccedil;&atilde;o eventualmente presentes.  </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >A ABORDAGEM COGNITVO-COMPORTAMENTAL POR PASSOS</P >     <p>A terapia cognitivo-comportamental (TCC) est&aacute; bem estabelecida como um tratamento eficaz para as PCA (Fairburn, 1997a; Wilson et al., 2002). No entanto, o facto de ser um tratamento com elevado n&iacute;vel de intensidade e de requerer profissionais especializados para a implementa&ccedil;&atilde;o do programa, torna-o uma alternativa que comporta custos elevados e que n&atilde;o se encontra ainda dispon&iacute;vel de um modo generalizado, sendo fundamental maximizar a rela&ccedil;&atilde;o custo-efic&aacute;cia da terap&ecirc;utica (Carter &amp; Fairburn, 1998). </P >    <p>A evid&ecirc;ncia de que diferentes pacientes respondem com sucesso a diferentes tipos e intensidades de tratamento (Haaga, 2000), nomeadamente manuais de auto-ajuda, tem levado a que novas variantes do tratamento CC tenham sido desenvolvidas, permitindo, por um lado, uma melhor dissemina&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os especializados, e por outro, que cada paciente obtenha a intensidade terap&ecirc;utica de que necessita. </P >    <p>Num ambiente de recursos limitados, uma abordagem de tratamento por passos de acordo com as necessidades pessoais, parece ser a alternativa mais sensata de modo a assegurar que todos recebam a quantidade de tratamento que necessitam. </P >    <p>Esta necessidade tem levado ao desenvolvimento de programas/manuais de Auto-ajuda e a Auto-ajuda Guiada, que se tem vindo a provar eficazes, para determinados indiv&iacute;duos (Carter &amp; Fairburn, 1998), menos dispendiosas e que possam ser mais facilmente difundidas e acess&iacute;veis aos pacientes com estas perturba&ccedil;&otilde;es. Tendo em considera&ccedil;&atilde;o o corpo emp&iacute;rico produzido nos &uacute;ltimos anos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; efic&aacute;cia dos programas de auto-ajuda, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que estes apresentam resultados positivos, sendo que o <I>National Institute for Clinical Excelence </I>(2004) reconhece a auto-ajuda como um &ldquo;poss&iacute;vel primeiro passo no tratamento da Bulimia Nervosa, pelo que estes pacientes devem ser encorajados a seguir programas de auto-ajuda empiricamente validados&rdquo; e que os &ldquo;profissionais de sa&uacute;de devem considerar fornecer encorajamento directo e apoio&rdquo; a pacientes a realizarem este programa, como forma de melhorar os resultados terap&ecirc;uticos (NICE, 2004, p. 14). </P >    <p>Assim, numa l&oacute;gica de tratamento por fases, s&oacute; os indiv&iacute;duos que n&atilde;o respondessem a este tipo de tratamento &eacute; que integrariam uma fase terap&ecirc;utica de maior intensidade (Birchall &amp; Palmer, 2002), restringindo, deste modo, o uso da TCC aos pacientes que tem realmente necessidade (Carter &amp; Fairburn, 1998). </P >     <p>Como nos foi poss&iacute;vel verificar, o tratamento das Perturba&ccedil;&otilde;es    de Comportamento Alimentar, especialmente para a Bulimia Nervosa, tem sido amplamente    investigado. A terapia cognitivo-comportamental aparece como o tratamento de    primeira escolha para a Bulimia Nervosa (NICE, 2004; Wilson &amp; Fairburn,    2000; Wilson, Vitousek, &amp; Loeb, 2000), que tem vindo a ser melhorado de    modo a responder ao crecente interesse de encontrar formas de tratamento alternativas,    menos dispendiosas e que possam ser facilmente difundidas e acess&iacute;veis    aos pacientes com estas perturba&ccedil;&otilde;es, como sejam os manuais de    auto-ajuda. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>&nbsp;</P >     <P   align="center" >REFER&Ecirc;NCIAS </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Agras, W. S., Walsh, B. T., Fairburn, C. G., Wilson, G. T., &amp; Kraemer, H. C. (2000). A multicenter comparison of cognitive-behavioral therapy and interpersonal psychotherapy for bulimia nervosa. <I>Archives of General Psychiatry</I>, <I>57</I>, 459-466. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S0870-8231200900020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Birchall, H., &amp; Palmer, B. (2002). Doing it by the book: What place for guided self-help for bulimic disorders? <I>European Eating Disorders Review</I>, <I>10</I>, 379-385. </P >    <p>Cachelin, P. M., Striegel-Moore, R. H., Elder, K. A., Pike, K. M., Wilfley, D. E., &amp; Fairburn, C. G. (1999). Natural course of a community sample of women with binge eating disorder. <I>International Journal of Eating Disorders</I>, <I>25</I>, 45-54. </P >    <p>Carter, J., &amp; Fairburn, C. (1998). Cognitive self-help for binge eating disorder: A controlled effectiveness study. <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology</I>, <I>66</I>, 616-623. </P >    <p>Claes, L., Vandereycken, W., &amp; Vertommen, H. (2002). Impulsive and compulsive traits in eating disordered patients compared with controls. <I>Personality and Individual Differences, 32</I>, 707-14. </P >    <p>Fairburn, C. G. (1981). A cognitive behavioural approach to the management of bulimia. <I>Psychological Medicine</I>, <I>11</I>, 707-711. </P >    <p>Fairburn, C. G. (1985). Cognitive-behavioral treatment for bulimia. In D. M. Garner &amp; P. E. Garfinkel (Eds.), <I>Handbook of psychotherapy for anorexia nervosa and bulimia </I>(pp. 160-192). New York: Guilford Press. </P >    <p>Fairburn, C. G. (1997a). Eating disorders. In D. M. Clark &amp; C. G. Fairburn (Eds.), <I>Science and practice of cognitive behaviour therapy </I>(pp. 209-241). Oxford: Oxford University Press. </P >    <p>Fairburn, C. G. (1997b). Interpersonal psychotherapy for bulimia nervosa. In D. M. Garner &amp; P. E. Garfinkel (Eds.), <I>Handbook of treatment for eating disorders </I>(pp. 278-294). New York: Guilford Press. </P >     <p>Fairburn, C. G., &amp; Bohn, K. (2005). Eating disorder NOS (EDNOS): An example    of the troublesome &ldquo;not otherwise specified&rdquo; (NOS) category in DSM    IV. <I>Behavior Research and Therapy, 43</I>, 691-701. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fairburn, C., &amp; Harrison, P. (2003). Eating Disorders. <I>The Lancet</I>,    <I>361</I>, 407-416. </P >     <p>Fairburn, C. G., Cooper, Z., &amp; Cooper, P. J. (1986). The clinical features    and maintenance of Bulimia Nervosa. In K. D. Brownell &amp; J. P. Foreyt (Eds.),    <I>Handbook of eating disorders: Physiology, psychology and treatment of obesity,    anorexia and bulimia </I>(pp. 389-404). New York: Basic Books. </P >     <p>Fairburn, C., Cooper, Z., &amp; Shafran, R. (2003). Cognitive behaviour therapy for eating disorders: A &ldquo;transdiagnostic&rdquo; theory and treatment. <I>Behaviour Research and Therapy</I>, <I>41</I>, 509-528. </P >    <p>Fairburn, C. G., Marcus, M. D., &amp; Wilson, G. T. (1993). Cognitive-behavioral therapy for binge eating and Bulimia Nervosa: A comprehensive treatment manual. In C. G. Fairburn &amp; G. T. Wilson (Eds.), <I>Binge eating: nature, assessment and treatment </I>(pp. 361-404). New York: Guilford Press. </P >    <p>Fairburn, C. G., Cooper, Z., Bohn, K., O&rsquo;Connor, M. E., Doll, H. A., &amp; Palmer, R. L. (2007). The severity and status of eating disorder NOS: Implications for the DSM-V. <I>Behaviour Research and Therapy</I>, <I>45</I>, 1705-1715. </P >    <p>Haaga, D. A. F. (2000). Introduction to the special section on stepped care models in psychotherapy. <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology</I>, <I>68</I>(4), 547-548. </P >     <p>Hsu, G. L. K. (1995). Outcome of bulimia nervosa. In K. D. Brownell &amp; C.    G. Fairburn (Eds.), <I>Eating disorders and obesity: A comprehensive handbook    </I>(pp. 238-244). New York: Guilford Press. </P >     <p>Machado, P., Machado, B., Gon&ccedil;alves, S., &amp; Hoek, H. (2007). The prevalence of eating disorders not otherwise specified. <I>International Journal of Eating Disorders, 40</I>, 212-217. </P >     <p>Meyer, C., Waller, G., &amp; Waters, A. (1998). Emotional states and bulimic    psychopathology. In H. W. Hoek, J. L. Treasure, &amp; M. A. Katzman (Eds.),    <I>Neurobiology in the treatment of eating disorders </I>(pp. 271-287). Chichester:    Wiley. </P >     <p>National Institute for Clinical Excellence. (2004). CG9 Eating Disorders: Core interventions in the treatment and management of anorexia, bulimia and related eating disorders &ndash; NICE Guidelines. NICE: UK. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Shafran, R., Cooper, Z., &amp; Fairburn, C. G. (2002). Clinical perfectionism: A cognitive-behavioural analysis. <I>Behaviour Research and Therapy</I>, <I>40</I>, 773-791. </P >    <p>Steinberg, S., Tobin D., &amp; Johnson, C. (1989). The role of bulimic behaviors in affect regulation: different functions for different patient subgroups? <I>International Journal of Eating Disorders</I>, <I>9, </I>51-55. </P >    <p>Steinhausen, H. C. (1995). The course and outcome of anorexia nervosa. In K. D. Brownell &amp; C. G. Fairburn (Eds.), <I>Eating disorders and obesity: A comprehensive handbook </I>(pp. 234-237). New York: Guilford Press. </P >     <P   align="" >Stice E. (2001). A prospective test of the dual pathway model of bulimic pathology:    Mediating effects of dieting and negative affect. <I>Journal of Abnormal Psychology</I>,    <I>110</I>, 1-12. </P >     <P   align="" >Waller, G. (2002). The psychology of binge eating. In C. G. Fairburn &amp; K.    D. Brownell (Eds.), <I>Eating disorders and obesity: A comprehensive handbook    </I>(2nd ed., pp. 98-102). New York: Guilford Press. </P >     <P   align="" >Wilson, G. T., &amp; Fairburn, C. G. (2000). The treatment of binge eating disorder.    <I>European Eating Disorders Review</I>, <I>8</I>, 351-354. </P >     <P   align="" >Wilson, G. T., Vitousek, K. M., &amp; Loeb, K. L. (2000). Stepped care treatment    for eating disorders. <I>Journal of Consulting and Clinical Psychology</I>,    <I>68</I>, 564-572. </P >     <P   align="" >Wilson, G. T., Fairburn, C. G., Agras, S., Walsh, B. (2002). Cognitive-Behavioral    Therapy for bulimia nervosa: Time course and mechanisms of change. <I>Journal    of Consulting and Clinical Psychology, 70</I>(2), 267-274. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>(<a href="#top1">*</a>) <a name="1"></a>Universidade do Minho. </P >     ]]></body>
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<surname><![CDATA[Agras]]></surname>
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<source><![CDATA[Archives of General Psychiatry]]></source>
<year>2000</year>
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<page-range>459-466</page-range></nlm-citation>
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