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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O pensar: Suas (im)possibilidades em sujeitos com fibrose quística, através do Rorschach]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The authors propose to conceptualize the mind-body relationship in a particular illness, cystic fibrosis, resorting to concepts such as thought and symbolization. They turn to, and thoroughly examine the Rorschach, as a privileged instrument that has access to the quality of the thought and symbolization processes in four adolescents with the said illness.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center" ><b>O pensar: Suas (im)possibilidades em sujeitos com fibrose qu&iacute;stica,    atrav&eacute;s do Rorschach (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</b></P >     <P align="right" >Catarina Bray Pinheiro (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>) </P >     <P align="right" >Maria Em&iacute;lia Marques (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>) </P >     <P align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <P   align="justify" >A partir de conceitos como o pensar e a simboliza&ccedil;&atilde;o, as autoras    prop&otilde;em conceptualizar a rela&ccedil;&atilde;o corpo-mente numa doen&ccedil;a    particular, a Fibrose Qu&iacute;stica. Recorrem e aprofundam a prova Rorschach,    enquanto instrumento privilegiado de acesso &agrave; qualidade dos processos    de pensamento e de simboliza&ccedil;&atilde;o em quatro adolescentes com a referida    doen&ccedil;a. </P >     <P   align="justify" ><I>Palavras chave: </I>Adolesc&ecirc;ncia, Doen&ccedil;a, Pensar, Rorschach.  </P >     <P   align="center" >ABSTRACT </P >     <P   align="justify" >The authors propose to conceptualize the mind-body relationship in a particular    illness, cystic fibrosis, resorting to concepts such as thought and symbolization.    They turn to, and thoroughly examine the Rorschach, as a privileged instrument    that has access to the quality of the thought and symbolization processes in    four adolescents with the said illness. </P >     <P   align="justify" ><I>Key words: </I>Adolescence, Illness, Rorschach, Thought. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P   align="justify" >Enquanto em muitos estudos m&eacute;dicos se privilegia o org&acirc;nico, numa    escotomia do sujeito, em estudos psicol&oacute;gicos a escotomia &eacute; do    corpo, o que leva a uma vis&atilde;o cindida, que dificulta a elabora&ccedil;&atilde;o    de um pensamento integrado da unidade psicossom&aacute;tica inerente &agrave;    condi&ccedil;&atilde;o humana. Temos verificado que sobre a doen&ccedil;a e    o adoecer, sobre as (des)liga&ccedil;&otilde;es entre o corpo e a mente, se    realizam m&uacute;ltiplos estudos que, a partir de diferentes prismas, procuram    desvendar esse enigma do adoecer som&aacute;tico na rela&ccedil;&atilde;o com    o sujeito psicol&oacute;gico. Nestas perspectivas da liga&ccedil;&atilde;o corpo-mente,    a doen&ccedil;a aparece como meio de escapar ao insuport&aacute;vel, no sentido    em que a doen&ccedil;a &eacute; entendida como um aliado do sujeito, n&atilde;o    o mal em si mas um paliativo a uma dor maior (C. Herzlic &amp; J. Pierret, 1984).  </P >     <P   align="justify" >Propomo-nos pensar estas rela&ccedil;&otilde;es entre o sujeito e a doen&ccedil;a,    entre o corpo e a mente, numa doen&ccedil;a particular, a Fibrose Qu&iacute;stica    (F.Q.), a partir do <I>pensar </I>e da <I>simboliza&ccedil;&atilde;o</I>. Como    &eacute; o pensar e o simbolizar sobre esta dor que &eacute; a doen&ccedil;a?    Haver&aacute; diferen&ccedil;as no que concerne as capacidades de simboliza&ccedil;&atilde;o,    consoante o estado cl&iacute;nico apresentado pelo sujeito? </P >     <P   align="justify" >A F.Q. &eacute; uma doen&ccedil;a heredit&aacute;ria que altera o funcionamento    das gl&acirc;ndulas ex&oacute;crinas, interferindo com fun&ccedil;&otilde;es    vitais do organismo como a respira&ccedil;&atilde;o e a digest&atilde;o. Trata-se    de uma doen&ccedil;a que se revela nos primeiros tempos de vida, transmitida    hereditariamente. No entanto, apesar desta inscri&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica,    um dos factores inerentes &agrave; F.Q. &eacute; que a sua evolu&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica &eacute; muito vari&aacute;vel de indiv&iacute;duo para indiv&iacute;duo.    Se algumas crian&ccedil;as e adolescentes t&ecirc;m interna-mentos mais repetidos,    como consequ&ecirc;ncia de infec&ccedil;&otilde;es pulmonares frequentes, outras    t&ecirc;m uma boa qualidade de vida. &Eacute; uma doen&ccedil;a cuja descri&ccedil;&atilde;o    est&aacute; envolvida de aspectos em que a variabilidade parece ser o dominante,    quer na idade em que se iniciam os primeiros sintomas (frequentemente nos tr&ecirc;s    primeiros anos de vida), quer no tipo de sintomas (respira&ccedil;&atilde;o    sibilante, tosse, mucosidade excessiva, pneumo-nias recorrentes, dificuldade    em ganhar peso, dificuldade em respirar e em realizar exerc&iacute;cio f&iacute;sico,    fadiga...), quer na sua gravidade. </P >     <P   align="center" >O PENSAR E A SIMBOLIZA&Ccedil;&Atilde;O NA F.Q. </P >     <P   align="justify" >A doen&ccedil;a &eacute; por n&oacute;s considerada como um promotor disruptivo de unidades perdidas, nela se encontra o incognosc&iacute;vel, a morte. Mas sempre que Tanatos se apresenta com um rosto vis&iacute;vel, logo se espera que Eros seja reanimado, tamb&eacute;m com novas faces. A F.Q., a doen&ccedil;a, aparece, assim, estreitamente ligada &agrave;s perdas, o que nos colocou na senda do luto e da melan-colia com Freud, das possibilidades de repara&ccedil;&atilde;o com Klein, da representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica &agrave;s possibilidades de transforma&ccedil;&atilde;o com Segal e Bion. Todos estes autores assinalam um percurso evolutivo que vai do negativo ao s&iacute;mbolo. </P >    <P   align="justify" >Em Freud (1915-1917) &eacute; explicitada a rela&ccedil;&atilde;o entre o <I>luto </I>e a <I>melancolia</I>, como sendo semelhantes quanto aos sintomas e sinais. Embora no luto o respeito pela realidade prevale&ccedil;a, na melancolia verifica-se uma retirada da realidade objectal, no dizer de Freud, a sombra do objecto cai sobre o Eu. J&aacute; em 1914, em <I>Introdu&ccedil;&atilde;o ao Narcisismo</I>, Freud e havia referido &agrave; doen&ccedil;a som&aacute;tica como um local prop&iacute;cio &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es do narcisismo, enquanto retraimento e desinvestimento objectal. Assim, a perda pode originar dois movimentos: com o luto, potencializar a criatividade nos rearranjos descobertos a partir do negativo; na melancolia, obstruir a novidade e o diferente num processo autodestrutivo que promove a mesmecidade (pr&oacute;ximo do que Freud ir&aacute; descrever em 1920, em <I>Para Al&eacute;m do Princ&iacute;pio do Prazer). </I>Podemos denominar estas duas possibilidades como, respectivamente, um <I>narcisismo positivo</I>, na promo&ccedil;&atilde;o de objectos transnarc&iacute;sicos, como diria Green (1983), e um <I>narcisismo negativo</I>, onde a falta rasga buracos ps&iacute;quicos. </P >    <P   align="justify" >M. Klein fala dos processos de <I>repara&ccedil;&atilde;o </I>que abrem via a movimentos de integra&ccedil;&atilde;o. &Eacute; do luto que surge a simboliza&ccedil;&atilde;o, existindo a possibili-dade de recriar o objecto perdido (Bleichmar &amp; Bleichmar, 1992; Hinshelwood, 1992; Klein, 1930). Segal, acrescenta aqui a no&ccedil;&atilde;o de <I>forma&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica</I>, para dar conta deste processo de conferir sentido a um estado interior ca&oacute;tico, explicitando, &ldquo;<I>O simbolismo &eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o tr&iacute;plice: o s&iacute;mbolo, o objecto que ele simboliza e a pessoa para quem o s&iacute;mbolo &eacute; s&iacute;mbolo do objecto</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Bion (1991) inscreve na toler&acirc;ncia ao sofrimento e &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o um dos pilares do <I>pensar</I>. Atrav&eacute;s das no&ccedil;&otilde;es rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do, e da rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paran&oacute;ide&harr;posi&ccedil;&atilde;o depressiva, descreve os processos que permitem a transforma&ccedil;&atilde;o e a cria&ccedil;&atilde;o (Bion, 1965/1982). Tamb&eacute;m em Bion nos deparamos com o negativo enquanto pot&ecirc;ncia. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A incapacidade de pensar e a n&atilde;o toler&acirc;ncia ao n&atilde;o-significado que procura uma significa&ccedil;&atilde;o, conduzem Bion a conceptualizar o sintoma f&iacute;sico nas doen&ccedil;as psicossom&aacute;ticas como um anti-significado ou desist&ecirc;ncia de significado. Daqui surge a somatopsicose: a dor do que nunca foi entendido, &ldquo;<I>do que podendo ser transformando-se se contenta com o mais alto grau de ignor&acirc;ncia</I>&rdquo; (Dias, 1992, p. 79). Trata-se de uma desist&ecirc;ncia em favor de uma sobreadapta&ccedil;&atilde;o. O pensamento reflecte a realidade n&atilde;o a transformando. E quando a realidade n&atilde;o &eacute; transformada, a mente &eacute; povoada por conte&uacute;dos mentais sem signi-ficado que n&atilde;o servem para a imagina&ccedil;&atilde;o criadora. Servem para a constru&ccedil;&atilde;o da ilus&atilde;o e do del&iacute;rio, para a evacua&ccedil;&atilde;o projectiva e a passagem ao acto &ndash; acto comportamental e acto som&aacute;tico. </P >    <P   align="justify" >Da supera&ccedil;&atilde;o da perda com repara&ccedil;&atilde;o do objecto, da integra&ccedil;&atilde;o de um mundo interno disperso, surge a <I>simboliza&ccedil;&atilde;o</I>. Klein, Segal, e Bion indicam-nos que a repara&ccedil;&atilde;o, a forma&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, a rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica continente-conte&uacute;do e PSD s&atilde;o a ess&ecirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >&Eacute; assim que a doen&ccedil;a, como qualquer perda, implica um luto. O que pode variar &eacute; a viv&ecirc;ncia ou n&atilde;o viv&ecirc;ncia da perda, a (im)possibilidade de trabalhar a perda. Qual a resposta que o sujeito tem para dar a uma situa&ccedil;&atilde;o que amea&ccedil;a a seguran&ccedil;a do seu mundo interno? E qual a import&acirc;ncia de &ldquo;novos pensamentos&rdquo; na evolu&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a? </P >    <P   align="center" >PERCURSOS METODOL&Oacute;GICOS </P >    <P   align="justify" >Se os fundamentos te&oacute;ricos apresentados nos fornecem um modelo que nos permite pensar a doen&ccedil;a, tamb&eacute;m nos possibilitam aceder a outras dimens&otilde;es da prova projectiva Rorschach, instrumento escolhido para procurarmos aprofundar as nossas quest&otilde;es. Aqui, a teoria alia-se a uma t&eacute;cnica de elei&ccedil;&atilde;o na avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica<I>. </I></P >    <P   align="justify" >Procuramos, seguindo os trabalhos de Marques (1999) sobre o Rorschach, descrever na situa&ccedil;&atilde;o de teste &ndash; que confronta o sujeito com a realidade imprecisa das manchas que imp&otilde;em a constitui&ccedil;&atilde;o de um sentido, a atribui&ccedil;&atilde;o de um nome (s&iacute;mbolo) que emerge da actividade de pensar &ndash;, os processos mentais que referimos como promotores da elabora&ccedil;&atilde;o da perda maior que &eacute; a doen&ccedil;a: a repara&ccedil;&atilde;o, a transforma&ccedil;&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Procuramos, na situa&ccedil;&atilde;o Rorschach, as resson&acirc;ncias significativas, pr&oacute;ximo do que ser&aacute; a <I>disposi&ccedil;&atilde;o depressiva</I>, a possibilidade de nos emocionarmos sem invas&atilde;o, a capacidade de comunicarmos, via identifica&ccedil;&atilde;o projectiva. </P >    <P   align="justify" >A <I>adolesc&ecirc;ncia </I>&eacute; uma fase do desenvolvi-mento apontada como particularmente vulner&aacute;vel na viv&ecirc;ncia desta doen&ccedil;a. Abre-se um tempo de desarmonia, em que o corpo pode n&atilde;o acom-panhar as mudan&ccedil;as da adolesc&ecirc;ncia, mudan&ccedil;as que imp&otilde;em uma reorganiza&ccedil;&atilde;o do passado. Como se (re)adapta o adolescente &agrave; sua doen&ccedil;a? Como integra as suas desarmonias? </P >    <P   align="justify" >Importa lembrar a especificidade desta fase de desenvolvimento, e suas tradu&ccedil;&otilde;es no Rorchach, que se encontram documentadas na literatura (Marques, 1993, 1999), onde &eacute; destacada a vari-ante idade (adolesc&ecirc;ncia e pr&eacute; adolesc&ecirc;ncia) e g&eacute;nero (masculino e feminino). A adolesc&ecirc;ncia, no mais essencial, representa &ldquo;<I>novas caracter&iacute;s</I><I>-</I><I>ticas </I>(que) <I>podem ser entendidas como um espa&ccedil;o de ac&ccedil;&atilde;o e de interac&ccedil;&atilde;o, como um espa&ccedil;o de cria&ccedil;&atilde;o e de recria&ccedil;&atilde;o, como um espa&ccedil;o de transforma&ccedil;&atilde;o e de integra&ccedil;&atilde;o, como um espa&ccedil;o de feminiza&ccedil;&atilde;o e/ou de masculiniza&ccedil;&atilde;o com novas caracter&iacute;sticas, novos atributos e novas fun&ccedil;&otilde;es</I>&rdquo; (E. Marques, 1993, p. 5). </P >    <P   align="center" >SUJEITOS </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O nosso estudo foi realizado com quatro protocolos de adolescentes com F.Q. (segundo    crit&eacute;rios cl&iacute;nicos previamente fornecidos pela sua m&eacute;dica    assistente): <I>Grupo 1</I>, com um adolescente com 14 anos (sujeito 1), cujo    score cl&iacute;nico &eacute; de I, e um adolescente de 16 anos (sujeito 2)    com score I &ndash;; <I>Grupo 2</I>, com uma adolescente de 17 anos (sujeito    3) com score III, e uma adolescente de 16 anos (sujeito 4) de score IV. O score    III e IV referem-se a uma maior gravidade da doen&ccedil;a, o que implica internamentos    mais frequentes e um progn&oacute;stico mais limitado. </P >     <P align="center"   >TRADU&Ccedil;&Otilde;ES DO PENSAR E DA SIMBOLIZA&Ccedil;&Atilde;O NO RORSCHACH  </P >     <P   align="justify" >O <I>pensar </I>e a <I>simboliza&ccedil;&atilde;o</I>, com os seus mecanismos inerentes (repara&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, PSD, fun&ccedil;&atilde;o alfa, transforma&ccedil;&atilde;o), n&atilde;o teve, nos v&aacute;rios protocolos estudados, uma presen&ccedil;a suficientemente s&oacute;lida, ao mesmo tempo que tamb&eacute;m n&atilde;o encontramos protocolos destitu&iacute;dos de significado, numa quase imposs&iacute;vel &ldquo;pureza perceptiva&rdquo;, ou excesso projectivo. </P >    <P   align="justify" >Podemos falar de <I>aproxima&ccedil;&otilde;es/momentos simb&oacute;licos </I>presentes nos quatro protocolos, que resultam em respostas onde existe um encontro interno-externo, uma capacidade delimitativa dentro/fora. Como exemplo, encontramos um movimento de recupera&ccedil;&atilde;o do sujeito 1, no cart&atilde;o I, depois de dar um &ldquo;<I>monstro</I>&rdquo; como primeira resposta, diz, j&aacute; no momento do inqu&eacute;rito, &ldquo;<I>lembra o s&iacute;mbolo do teatro</I>&rdquo;. Acede, desta forma, a uma m&aacute;scara, o que pode servir de protec&ccedil;&atilde;o, mas que lemos principalmente como uma <I>representa&ccedil;&atilde;o </I>menos angustiante do seu teatro privado, acedendo a uma din&acirc;mica mais amb&iacute;gua e diversa, num movimento de expans&atilde;o dos significados poss&iacute;veis. Encontramos um segundo exemplo, desta vez a fechar o protocolo, no sujeito 4, cuja &uacute;ltima resposta ao cart&atilde;o X &eacute; a seguinte: &ldquo;<I>Isto faz-me pensar naquilo da qu&iacute;mica, para acender e fazer experi&ecirc;ncias, um tubo de ensaio</I>&rdquo;. Desta forma, o protocolo Rorschach desta adolescente termina com a perspectiva de uma investiga&ccedil;&atilde;o, abertura &agrave; experi&ecirc;ncia e ao ensaio de quem se procura encontrar apesar da dor que vive. </P >    <P   align="justify" >Por&eacute;m, a capacidade de delimita&ccedil;&atilde;o, que corresponde ao que Klein situou como resultado das possiblidades de um trabalho de <I>repara&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica</I>, encontra-se bastante fragilizada nos quatro adolescentes estudados. No cart&atilde;o II, o sujeito 3 come&ccedil;a por dizer &ldquo;<I>um fruto esmagado</I>&rdquo;, mas entra num movimento progrediente, reparador, dando de seguida &ldquo;<I>borboletas</I>&rdquo;, e continua depois, num sentido regrediente, terminando a abordagem a este cart&atilde;o com &ldquo;<I>um caranguejo&rdquo;</I>, endurecendo, desta forma, o objecto, dada a fragilidade da representa&ccedil;&atilde;o de si neste cart&atilde;o, onde o relacional e o pulsional s&atilde;o directamente propostos. </P >     <P   align="justify" >A possibilidade de uma <I>integra&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica/ /som&aacute;tica</I>,    pode ser lida em respostas que apresentem a representa&ccedil;&atilde;o de uma    imagem de si &iacute;ntegra. Integra&ccedil;&atilde;o do disperso que, tal como    explicita Klein, acontece na posi&ccedil;&atilde;o depressiva, tornando-se numa    condi&ccedil;&atilde;o essencial para a elabora&ccedil;&atilde;o do luto. Todos    os sujeitos apresentam respostas que d&atilde;o conta de tais possibilidades,    embora seja no grupo 1 que esta representa&ccedil;&atilde;o de um Eu &iacute;ntegro    se apresenta mais enriquecida, pois &eacute; embebida pela projec&ccedil;&atilde;o    de algo mais interno, surgindo conte&uacute;dos demonstrativos de um pulsional    interno vivo e actuante. No grupo 1, as repostas dadas ao cart&atilde;o V revelam    esta poss&iacute;vel representa&ccedil;&atilde;o de si: o sujeito 1 diz que    &ldquo;<I>parece um morcego, as asas abertas</I>&rdquo;, o sujeito 2 d&aacute;    &ldquo;<I>um morcego (...); uma borboleta; (...) uma &aacute;guia</I>&rdquo;.    Estas imagens falam de um poss&iacute;vel voo, ou afirma&ccedil;&atilde;o de    si, apesar de, no inqu&eacute;rito, o sujeito 1 acrescentar &ldquo;<I>uma pin&ccedil;a</I>&rdquo;,    e o sujeito 2 dizer que a <I>&aacute;guia </I>tem um &ldquo;<I>bico aberto,    as patas atr&aacute;s</I>&rdquo;. Surge o isolamento, em que instrumentos de    capta&ccedil;&atilde;o (pin&ccedil;a, boca) aparecem como refor&ccedil;os de    algo que se tema perder, dando conta da dif&iacute;cil autonomiza&ccedil;&atilde;o.  </P >     <P   align="justify" >Encontramos igualmente respostas que assi-nalam dificuldades acentuadas na possibildade do sujeito poder projectar uma imagem &iacute;ntegra de si. Por exemplo, o sujeito 3 d&aacute;-nos v&aacute;rias respostas onde as diferentes partes do cart&atilde;o s&atilde;o dadas numa nitidez perceptiva, mas onde a unidade escapa (ex.: cart&atilde;o V: &ldquo;<I>as antenas de um caracol; a boca de um corcodilo; um croissant; isto uma pin&ccedil;a</I>&rdquo;). &Eacute; como se o sujeito estivesse ainda num primeiro per&iacute;odo de viv&ecirc;ncias dispersas, longe da integra&ccedil;&atilde;o advinda da posi&ccedil;&atilde;o depressiva, tal como descrita por Klein. A elabora&ccedil;&atilde;o escapa face a um Eu que n&atilde;o encontra a sua unidade (ex.: cart&atilde;o I, sujeito 4: &ldquo;<I>\/ Uma coisa... Uma cabe&ccedil;a. Aqui uns p&eacute;s. Aqui uns bra&ccedil;os. Aqui umas m&atilde;os.</I>&rdquo;). Indicando estas dificuldades de representa&ccedil;&atilde;o de si, temos conte&uacute;dos com as anatomias (Anat), as respostas humanas e animais parciais (Hd, Ad), que t&ecirc;m uma presen&ccedil;a em todos os protocolos, surgindo respostas como: <I>&ldquo;cora&ccedil;&otilde;es&rdquo;, &ldquo;pulm&otilde;es</I>&rdquo;, &ldquo;<I>est&ocirc;mago&rdquo;, &ldquo;cabe&ccedil;as&rdquo;, &ldquo;olhos&rdquo;, &ldquo;costelas&rdquo;, &ldquo;esqueleto&rdquo;, &ldquo;pernas&rdquo;, &ldquo;cara&rdquo;, &ldquo;ossos da cara&rdquo;, &ldquo;barriga de uma gr&aacute;vida&rdquo;, &ldquo;raiz de um dente&rdquo;, &ldquo;boca de um c&atilde;o&rdquo;, &ldquo;bigode de um gato&rdquo;, &ldquo;radiografia ao nariz&rdquo;</I>, entre outras. Estas respostas est&atilde;o mais presentes no grupo 2, na tradu&ccedil;&atilde;o de uma marcada ang&uacute;stia corporal. Apesar disso, algumas destas respostas cont&ecirc;m uma dimens&atilde;o simb&oacute;lica, tomando como exemplo &ldquo;<I>o cora&ccedil;&atilde;o</I>&rdquo;, dado no cart&atilde;o III, pelo sujeito 1, &ldquo;<I>parece o cora&ccedil;&atilde;o de um e do outro que est&aacute; a junt&aacute;-los, a agarr&aacute;-los</I>&rdquo;, resposta que acrescenta no inqu&eacute;rito depois de ter visto &ldquo;<I>duas pessoas a agarrarem numa garrafa&rdquo;</I>. Trata-se de uma anatomia da rela&ccedil;&atilde;o, embora se apresente na necessidade do Outro com cariz anacl&iacute;tico. </P >    <P   align="justify" >A impossibilidade em aceder a uma dimens&atilde;o simb&oacute;lica apresentou-se em respostas onde se torna claro a emerg&ecirc;ncia de barreiras &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o e da <I>dimens&atilde;o objectal </I>em que esta assenta. Vemos isso acontecer, por exemplo, no sujeito 3 quando esta adolescente se depara com a dimens&atilde;o relacional evocada nos cart&otilde;es Rorschach. No lugar de surgir uma dimens&atilde;o pr&oacute;xima da complementaridade esperada, com o acesso aos elementos da identi-fica&ccedil;&atilde;o, esta adolescente percorre v&aacute;rios detalhes num isolamento perceptivo revelador de uma dispers&atilde;o interna (ex.: cart&atilde;o III: &ldquo;<I>um la&ccedil;o, um est&ocirc;mago, parte de uma lagosta, tronco de uma &aacute;rvore, um feij&atilde;o a nascer</I>&rdquo;). H&aacute; uma clara dificuldade de integra&ccedil;&atilde;o e de liga&ccedil;&atilde;o, num movimento que se assemelha mais ao que Klein denominou de <I>repara&ccedil;&atilde;o obsessiva</I>, contr&aacute;ria &agrave; cria&ccedil;&atilde;o e &agrave; descoberta. Apesar disso, surgem conte&uacute;dos providos de carga simb&oacute;lica, revelando resson&acirc;ncias significativas &agrave; quest&atilde;o relacional (la&ccedil;os, temas de nascimento). </P >    <P   align="justify" >Sabemos ser este vaiv&eacute;m entre a clivagem e a integra&ccedil;&atilde;o, o dentro e o fora, o antes e o depois que marca este per&iacute;odo de desenvolvimento, onde a mudan&ccedil;a, a varia&ccedil;&atilde;o e a instabilidade acompanham a busca da identidade, de um espa&ccedil;o ps&iacute;quico bem delimitado para a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o ps&iacute;quico alargado. Mas, a amea&ccedil;a de fus&atilde;o e dilui&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda grande, acrescida por press&otilde;es pulsionais violentas, o que vemos traduzido nos protocolos estudados. Como ilustra&ccedil;&atilde;o temos as respostas kob (cinestesias de objecto), com v&aacute;rias entradas nos protocolos estudados, &eacute; o &ldquo;<I>fogo&rdquo;</I>, um &ldquo;<I>vulc&atilde;o&rdquo;</I>, uma &ldquo;<I>erup&ccedil;&atilde;o&rdquo;</I>; ou mais regressivo e promissor, &ldquo;<I>uma semente a nascer</I>&rdquo;. &Eacute; o luto e a melancolia, em movimentos que v&atilde;o de Tanatos a Eros. </P >    <P   align="justify" >Uma marcada perplexidade face &agrave; dimens&atilde;o relacional trouxe um movimento de repara&ccedil;&atilde;o, agora com caracter&iacute;sticas man&iacute;acas, no sujeito 4. Esta adolescente defende-se da dor ps&iacute;quica que fica assim por elaborar (cart&atilde;o III: &ldquo;<I>duas bailarinas a dan&ccedil;arem</I>&rdquo;, resposta dada nos detalhes vermelhos). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A especificidade encontrada pelo grupo 2, na abordagem aos cart&otilde;es Rorschach, revela uma forma de <I>fuga &agrave; dor ps&iacute;quica </I>que passa por mecanismos de sobreinvestimento das dimens&otilde;es perceptivas. Desta forma, estas duas adolescentes procuram controlar os v&aacute;rios elementos da realidade desestruturante &ndash; Rorschach/doen&ccedil;a/dor. Trata-se de um modo particular de escapar a uma realidade amea&ccedil;adora. &Eacute; a reconstru&ccedil;&atilde;o, a uni&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o que se encontram dificultadas. A repara&ccedil;&atilde;o obsessiva interdita a cria&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que impede o encontro entre os v&aacute;rios objectos, num movimento em direc&ccedil;&atilde;o a &ndash; K, se seguirmos o pensamento de Bion. </P >    <P   align="justify" >Sabemos que no Rorschach das raparigas (Marques, 1993, 1999), aparece mais a dispers&atilde;o, a tonalidade depressiva, a fragilidade narc&iacute;sica, a dificuldade na afirma&ccedil;&atilde;o sexual, o que implica movimentos regressivos, uma intensa resson&acirc;ncia, &agrave;s vezes mesmo uma invas&atilde;o emocional aos cart&otilde;es. Uma maior confus&atilde;o com o objecto externo acontece mais na pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia. Na adolesc&ecirc;ncia h&aacute; uma press&atilde;o maior do interno que pode implicar uma labilidade excessiva. Nos protocolos das duas adolescentes em estudo (de 16 e 17 anos), encontramos o descrito, ainda com muitas marcas do esperado no per&iacute;odo pr&eacute; adolescente, dada a confus&atilde;o, a fragilidade identit&aacute;ria, os temas orais, a parcializa&ccedil;&atilde;o. A prop&oacute;sito referimos que o sujeito 3 d&aacute; 55 respostas no seu protocolo, o que &eacute; um n&uacute;mero bastante elevado, estando doze respostas deste total presentes no cart&atilde;o X, onde se acentua a confus&atilde;o e dispers&atilde;o de conte&uacute;dos (Arte, Fruto, Nat, Obj, A, Hd, H). </P >    <P   align="justify" >&Eacute; assim que, se o sujeito consegue <I>viver-se </I>face a uma realidade cheia de incertezas, a doen&ccedil;a e o encontrar uma situa&ccedil;&atilde;o de compro-misso escapa-se-lhe frequentemente. Daqui verificarmos situa&ccedil;&otilde;es em que o mundo interno &eacute; exteriorizado sem receber uma filtragem simb&oacute;lica (sem ser transformado), ou ent&atilde;o &eacute; afastado numa luta contra o seu luto. Vemos este duplo movimento no sujeito 1 quando recusa o cart&atilde;o VIII e IX, surgindo depois, no inqu&eacute;rito dos respectivos cart&otilde;es, as seguintes respostas: &ldquo;<I>parece um p&aacute;ssaro, o cinza &eacute; o bico</I>&rdquo;, resposta dada em G, e &ldquo;<I>dois homens esquisitos, olhos sa&iacute;dos a olharem um para o outro</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Determinados movimentos, presentes nestes quatro adolescentes, remetem para a exist&ecirc;ncia de <I>momentos, aproxima&ccedil;&otilde;es, &iacute;ndices de uma actividade simb&oacute;lica</I>, para uma capacidade em usar o aparelho para pensar. Como salient&aacute;mos a prop&oacute;sito da repara&ccedil;&atilde;o, esta pressup&otilde;e uma predominante representa&ccedil;&atilde;o de si como objecto total e &iacute;ntegro. Nestes protocolos deparamo-nos com marcadas descontinuidades nesta representa&ccedil;&atilde;o, surgindo movimentos desintegra-tivos em que uma divis&atilde;o interna afasta a simboliza&ccedil;&atilde;o. E &eacute; a <I>rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica PSD </I>que se apresenta ent&atilde;o como local de germina&ccedil;&atilde;o de novas imagens, revela&ccedil;&otilde;es de si e do outro em cria&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis ou, pelo contr&aacute;rio, como um local de paraliza&ccedil;&atilde;o de qualquer movimento e ent&atilde;o de crescimento, ou ainda numa oscila&ccedil;&atilde;o permanente e por isso desestabilizadora. </P >    <P   align="justify" >A rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica PSD encontra-se presente em respostas onde se apresente uma resson&acirc;ncia interna face a esta situa&ccedil;&atilde;o (des)organizadora que &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o Rorschach, conseguindo nesse movimento o sujeito externalizar a sua viv&ecirc;ncia. Nestas respostas, os sujeitos recuam (D&rarr;PS) num movimento regrediente e regressam num movimento progrediente (PS&rarr;D), ao conse-guirem um continente em que a sua viv&ecirc;ncia acede a uma representa&ccedil;&atilde;o. Encontramos respostas reveadoras destas possibilidades no grupo 1. </P >     <P   align="justify" >Devemos, no entanto, acrescentar que o voltar da regress&atilde;o (PS&rarr;D)    traz com frequ&ecirc;ncia bastantes sinais da primeira desorganiza&ccedil;&atilde;o    (PS): as respostas transportam res&iacute;duos de uma ang&uacute;stia acentuada,    n&atilde;o digerida. Retomamos, como exemplo, a resposta do sujeito 1 ao cart&atilde;o    I: &ldquo;<I>cara de um monstro</I>&rdquo;, que acrescenta no inqu&eacute;rito,    &ldquo;<I>enraivecido /\, ou triste \/</I>&rdquo;, no inqu&eacute;rito acede    ainda a uma significa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica dizendo &ldquo;<I>lembra    o s&iacute;mbolo do teatro&rdquo;</I>. Trata-se de um movimento clivado, mas    na express&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o directa de si. Talvez    por isso, esta liga&ccedil;&atilde;o interno/externo se desequilibre num predom&iacute;nio    do interno, o que se mant&eacute;m na segunda resposta deste sujeito dada no    mesmo cart&atilde;o (<I>um forno por cujos buracos &ndash; Dbl</I><I>&ndash;</I><I>    entra a lenha</I>). Tratando-se de um pulsional intenso, a for&ccedil;a da projec&ccedil;&atilde;o    mostra a exist&ecirc;ncia de um interno em revolu&ccedil;&atilde;o, mas &agrave;    procura de um continente que aguente uma temperatura incandescente. &Eacute;    igualmente a viv&ecirc;ncia adoles-cente que parece estar aqui a ser comunicada.  </P >     <P   align="justify" >A prop&oacute;sito, lembramos o que &eacute; comum aparecer na adolesc&ecirc;ncia: a express&atilde;o pulsional &eacute; mais comum nos rapazes que procuram representa&ccedil;&otilde;es da ordem do activo e da for&ccedil;a. Na adolesc&ecirc;ncia emerge a instabilidade do activo/passivo, como aparece ilustrado pelo sujeito 1, nas respostas que d&aacute; no cart&atilde;o VI: &ldquo;<I>uma seta; \/ parece quando p&otilde;em o peixe a secar, quando o peixe est&aacute; esticado, aberto ao meio</I>&rdquo;. Este investimento nos contr&aacute;rios atenua-se na adolesc&ecirc;ncia, quando comparado com o per&iacute;odo da pr&eacute; adolesc&ecirc;ncia. </P >    <P   align="justify" >Uma procura activa e construtiva do relacio-nal, de um Outro facilitador de uma refer&ecirc;ncia identificat&oacute;ria, d&aacute;-nos igualmente indica&ccedil;&otilde;es da qualidade dos movimentos oscilat&oacute;rios PSD. Trata-se de um processo identificat&oacute;rio com-plexo aquele que estes adolescentes perseguem, e o constante vaiv&eacute;m, numa aproxima&ccedil;&atilde;o relacional/retirada narc&iacute;sica, &eacute; disso demons-trativo. H&aacute; um aproximar temido ao sexo oposto, como que numa turbulenta procura de si na imagem do Outro, mas com valor de busca activa. &Eacute; o que assistimos numa solu&ccedil;&atilde;o encontrada pelo sujeito 2, ao deparar-se com a dimens&atilde;o relacional do cart&atilde;o III: &ldquo;<I>duas pessoas, mulheres</I>&rdquo;; &ldquo;<I>dois muros</I>&rdquo;; &ldquo;<I>est&atilde;o a puxar dois sacos</I>&rdquo;; &ldquo;<I>um est&ocirc;mago</I>&rdquo;. &Eacute; not&oacute;ria aqui a oscila&ccedil;&atilde;o, o ir e vir, da liga&ccedil;&atilde;o &agrave; desliga&ccedil;&atilde;o, para novamente se enla&ccedil;ar, mesmo que necessite, para tal, de arrancar o outro, &ldquo;puxando&rdquo; tanto que novamente cai para dentro de si, no interior do corpo (Anat), espa&ccedil;o de desvitaliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o feminino evocado por este adolescente rapaz (&ldquo;<I>duas mulheres</I>&rdquo;), e de imediato afastado &ndash; &ldquo;<I>dois muros</I>&rdquo;, e o materno/continente que ent&atilde;o emerge (&ldquo;<I>dois sacos</I>&rdquo;), terminando na retirada (&ldquo;<I>est&ocirc;mago</I>&rdquo;), faltando-lhe o &oacute;rg&atilde;o que digere a ang&uacute;stia, entrando num movimento regrediente em que se fecha &agrave; rela&ccedil;&atilde;o. Mas s&atilde;o ensaios, procuras e expectaivas que assim se contam. </P >    <P   align="justify" >J&aacute; foram descritos v&aacute;rios exemplos em que o real vem afastar o mundo interno do sujeito, ou em que o interno afasta o real. Tais momentos s&atilde;o encontrados nos quatro sujeitos. Nestes momentos n&atilde;o construtivos, domina uma incapacidade em elaborar a realidade interna. &Eacute; como se a doen&ccedil;a, a perda maior destes sujeitos, fosse afastada. </P >     <P   align="justify" >O pensamento e a actividade simb&oacute;lica ficam suspensos, nos quatro sujeitos,    quando estes s&atilde;o directamente confrontados com as <I>puls&otilde;es agressivas    e libidinais</I>, dimens&otilde;es de dif&iacute;cil gest&atilde;o, o que resulta    num radical afastamento, mesmo numa recusa, arrastando um desvitalizar do relacional.    Num extremo, assistimos a uma regress&atilde;o at&eacute; ao interior do corpo,    desobjectali-za&ccedil;&atilde;o, num narcisismo negativo, que revela o destro&ccedil;ar    da representa&ccedil;&atilde;o de si: s&atilde;o &ldquo;<I>as pernas de uma    pessoa gorda</I>&rdquo;; &ldquo;<I>um fruto esmagado</I>&rdquo;; ou o anotar    sucessivo do &oacute;rg&atilde;o doente &ndash; &ldquo;<I>os pulm&otilde;es&rdquo;.    </I>N&atilde;o se torna aqui poss&iacute;vel passar de Ps para D. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No grupo 2 predomina uma atitude intensa-mente defensiva. Estas duas adolescentes erguem barreiras ao processo de simboliza&ccedil;&atilde;o, o que as afasta do conte&uacute;do simb&oacute;lico dos cart&otilde;es, principalmente quando solicitado um discurso sobre o ser sexuado, em refer&ecirc;ncias ao feminino e ao masculino. No lugar de uma refer&ecirc;ncia ao masculino, aparece um corpo fraco, fr&aacute;gil e doente, que n&atilde;o reconhece o forte e viril, atributos ausentes de um corpo feminino gravemente doente. No lugar da representa&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a surgem imagens como &ldquo;<I>uns sapatos rotos</I>&rdquo; (cart&atilde;o IV), ou um &ldquo;<I>bicho aberto ao meio</I>&rdquo;. O mundo interno marca a sua presen&ccedil;a em respostas onde impera a confus&atilde;o (dentro-fora, vivo-morto, inteiro-parcial) e uma marcada viv&ecirc;ncia de dano. </P >    <P   align="justify" >Por outro lado, importa sublinhar a forma como as respostas destes sujeitos espelham um mundo interno dividido/disperso, numa inco-municabilidade entre os v&aacute;rios objectos. No lugar de um trabalho de liga&ccedil;&atilde;o, d&aacute;-se o corte, o ataque &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es, ao pensamento. A regress&atilde;o a um conte&uacute;do materno &ndash; movimento frequente nas adolescentes raparigas &ndash; afasta o estabele-cimento de uma rela&ccedil;&atilde;o com o real. No entanto, a evoca&ccedil;&atilde;o do materno &eacute; apreendida, havendo um impacto simb&oacute;lico ao conte&uacute;do latente dos cart&otilde;es Rorschach. Vemos isto acontecer nalgumas imagens criadas pelo sujeito 3, como &ldquo;<I>a parte de dentro de um fruto</I>&rdquo;, e <I>&ldquo;um feij&atilde;o a nascer&rdquo;, </I>dadas nos cart&otilde;es que remetem para o materno, o que entendemos como uma procura em renascer. </P >     <P   align="justify" >Parece que o mundo interno encontra uma express&atilde;o mais desimpedida em    algumas respostas do sujeito 1. Trata-se do adolescente mais novo (14 anos)    que vive uma &eacute;poca em que as emo&ccedil;&otilde;es est&atilde;o mais    transbordantes, implicando um maior esbatimento interno-externo. Se o mundo    interno deste sujeito tem alguns momentos explosivos ou alturas de bloqueio    associativo (recusa), em que os elementos &beta;surgem no seu estado original,    algumas das suas respostas revelam igualmente uma possibilidade integrativa,    de transforma&ccedil;&atilde;o e de representa&ccedil;&atilde;o. Esta possibilidade    integrativa &eacute; mais n&iacute;tida no grupo 1. Se a simboliza&ccedil;&atilde;o    se encontra ligada ao processo de luto, existe aqui uma maior possibi-lidade    em trabalhar a perda que &eacute; a doen&ccedil;a, em integrar um Eu atingido    na sua integridade<I>. </I></P >     <P   align="justify" >Por&eacute;m, estes movimentos integrativos oscilam com outros mais arcaicos. Se a posi&ccedil;&atilde;o depressiva nunca &eacute; definitivamente elaborada, a realidade imponente vivida por estes sujeitos, a sua doen&ccedil;a, parece implicar uma fragiliza&ccedil;&atilde;o interna que cria maiores entraves ao pensar. </P >    <P   align="justify" >O pensar e a simboliza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o presentes na oscila&ccedil;&atilde;o PSD e na rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do de que Bion fala. Quando a representa&ccedil;&atilde;o de si &eacute; enriquecida pela dimens&atilde;o relacional, na troca e comunh&atilde;o a&iacute; estabelecidas, numa <I>identifica&ccedil;&atilde;o projectiva ao servi&ccedil;o da comunica&ccedil;&atilde;o</I>, d&aacute; lugar aos elementos de <I>identifica&ccedil;&atilde;o</I>. Desta forma, encontramos imagens/respostas nas quais os sujeitos &ldquo;est&atilde;o presentes&rdquo;, o seu interior &eacute; elaborado num encontro fecundante com o exterior. Continente-conte&uacute;do, ou se quisermos masculino-feminino/materno-paterno, est&atilde;o simbolicamente presentes em conte&uacute;dos que interagem uns com os outros. Vemos isso em respostas que traduzem um enquadramento poss&iacute;vel do significado latente do material, em representa&ccedil;&otilde;es do feminino e do masculino que assim se procura definir. Importa notar que estas dimens&otilde;es est&atilde;o claramente mais presentes nos sujeitos do grupo 1. Vejamos as respostas destes dois adolescentes dadas no cart&atilde;o IV do Rorschach: &ldquo;<I>uma folha</I>; <I>um castor</I>; <I>uma &acirc;ncora</I>&rdquo;, no 1&ordm; sujeito; e &ldquo;<I>um gigante</I>; <I>uma &aacute;rvore com as ra&iacute;zes</I>&rdquo;, no 2&ordm; sujeito. Em ambos, a evoca&ccedil;&atilde;o do paterno &eacute; acompanhada por uma necess&aacute;ria ancoragem ao materno. </P >    <P   align="justify" >A busca de si na rela&ccedil;&atilde;o com um materno original e fundador &eacute; procurada e recusada. Em todos os casos, surgem reac&ccedil;&otilde;es extremas nesta <I>rela&ccedil;&atilde;o com o materno</I>. O pulsional e o regres-sivo predominam num movimento oscilat&oacute;rio PSD inquietante, porque n&atilde;o permite movi-mentos de estabeliza&ccedil;&atilde;o e de ancoragem a um continente que facilite o regresso progrediente. Apesar disto, encontramos sinais de possibili-dades simb&oacute;licas, o que vemos por exemplo no sujeito 3 que d&aacute;, como j&aacute; referimos anterior-mente, ao longo do protocolo, um conte&uacute;do de forma persistente &ndash; &eacute; a &ldquo;<I>parte de dentro de um fruto</I>&rdquo;, tratando-se de uma repeti&ccedil;&atilde;o na procura das qualidades maternas. </P >    <P   align="justify" >A possibilidade dos sujeitos acederem a processos de transforma&ccedil;&atilde;o est&aacute; presente, quando (re)agem ao conte&uacute;do latente dos cart&otilde;es, operando na sua resposta um acrescento interno sobre a imagem Rorschach (tal como acontece no exemplo que Bion nos d&aacute; sobre o pintor que com o seu material tansforma a paisagem). Nestas situa&ccedil;&otilde;es o mundo interno n&atilde;o explode (projec&ccedil;&atilde;o &uarr;), nem se oculta (percep&ccedil;&atilde;o &uarr;), numa poss&iacute;vel concilia&ccedil;&atilde;o interno-externo. Mas, estes movimentos aproxi-mativos de um trabalho activo de <I>transforma&ccedil;&atilde;o</I>, presentes nestes quatro adolescentes, encontram--se acompanhados de movimentos defensivos acentuados. Defesas poderosas, porque arcaicas, fazem pessoas (H) passarem a bonecos (Obj), ou K (cinestesia humana) a Anat (anatomia), defesas onde se operam passagens de um movimento relacional para uma imobiliza&ccedil;&atilde;o especular, &ldquo;espelho meu&rdquo;, num necess&aacute;rio reflexo, mas que apaga o outro. Esta dimens&atilde;o especular est&aacute; muito presente no sujeito 2, como podemos ver nas seguintes sequ&ecirc;ncias, no cart&atilde;o </P >    <P   align="justify" >VII: &ldquo;<I>dois coelhos a verem-se ao espelho. N&atilde;o, est&atilde;o &agrave; frente um do outro. (</I>...<I>) com a boca aberta a ralhar um com o outro&rdquo;</I>, e no cart&atilde;o </P >    <P   align="justify" >VIII: &ldquo;(...) <I>um lago na parte de baixo, e na parte de cima uma ilha; est&aacute; um animal do tipo de um le&atilde;o a andar l&aacute; em cima. No lago est&aacute; o reflexo da ilha; H&aacute; v&aacute;rios reflexos de luz, &eacute; o p&ocirc;r do sol</I>&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >Podemos dizer que, face ao desconhecido, surge o que Bion denomina de <I>transforma&ccedil;&atilde;o    em movimento r&iacute;gido</I>, o que d&aacute; conta de uma fuga do subjectivo.    No grupo 2 encontramos respostas dirigidas a detalhes isolados dos cart&otilde;es,    num ataque &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es e &agrave; actividade de pensar    da&iacute; resultante, como est&aacute; ilustrado nas sequ&ecirc;ncia de respostas    dadas pelo sujeito 3 ao cart&atilde;o IV: &ldquo;<I>Isto os sapatos rotos; asa    de uma caneca; a cara de um bicho; umas pernas de uma pessoa gorda; corpo de    uma lagosta; boca de um c&atilde;o e </I><I>o focinho dele&rdquo;</I>. Aqui,    uma intensa parcializa&ccedil;&atilde;o resulta em confus&atilde;o, o que impede    a reuni&atilde;o e, desta forma, a constitui&ccedil;&atilde;o de sentido. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >CONCLUS&Atilde;O </P >    <P   align="justify" >S. Freud, M. Klein, H. Segal, W. Bion empres-taram os conceitos que us&aacute;mos para pensar uma determinada realidade &ndash; a doen&ccedil;a. A mesma base te&oacute;rica modelou o instrumento &ndash; o Rorschach &ndash; que ent&atilde;o nos permitiu aceder aos sujeitos estudados, procurando aproximar a pr&aacute;tica do <I>Rorschach </I>&agrave; da <I>Psicologia Cl&iacute;nica</I>. </P >    <P   align="justify" >Desta forma, parece-nos que foi poss&iacute;vel chegar mais perto do funcionamento destes sujeitos. Face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o Rorschach explor&aacute;mos qual a <I>qualidade do pensar </I>destes quatro adolescentes com FQ, qual a sua capacidade em viver a dor. </P >    <P   align="justify" >A incompletude, a frustra&ccedil;&atilde;o agravada nos quatro sujeitos que vivem uma doen&ccedil;a grave, aparece como bloqueador do desenvolvimento do pensar. H&aacute; um movimento oscilat&oacute;rio bastante marcado nestes sujeitos, mas n&atilde;o podemos esquecer o processo adolescente no qual se encontram. Um futuro incerto &eacute; t&atilde;o depressa afastado/temido, como enquadrado/transfor-mado. Buscas de si e fugas de si, revelam uma dificuldade e, ao mesmo tempo, uma busca do pensar<I>. </I></P >    <P   align="justify" >Se o pensar se encontra mais representado no grupo 1, ent&atilde;o <I>o sentir e o pensar sobre a perda pode trazer o desenvolvimento ps&iacute;quico e f&iacute;sico</I>. A transforma&ccedil;&atilde;o da incongru&ecirc;ncia poder&aacute; promover uma menor ruptura corpo-mente num corpo j&aacute; doente. A criatividade poder&aacute; estar ao servi&ccedil;o da sobreviv&ecirc;ncia. </P >    <P   align="justify" >A representa&ccedil;&atilde;o do Outro, tribut&aacute;ria da repre-senta&ccedil;&atilde;o de si, revela-se problem&aacute;tica nas res-postas encontradas por todos os sujeitos ao cart&atilde;o III (cart&atilde;o relacional). Lembramos que na adoles-c&ecirc;ncia o pr&oacute;prio reelabora internamente dimens&otilde;es relativas &agrave; representa&ccedil;&atilde;o de si e do outro. </P >    <P   align="justify" >Da mesma forma, a solicita&ccedil;&atilde;o de movi-mentos regressivos at&eacute; experi&ecirc;ncias arcaicas, at&eacute; um mundo pr&eacute;-genital, que o est&iacute;mulo Rorschach prop&otilde;e, coloca &agrave; prova a capacidade de delimita&ccedil;&atilde;o Eu-n&atilde;o Eu. Esta capacidade de discriminar e diferenciar mostrou-se problem&aacute;-tica em todos os protocolos. Nos cart&otilde;es pastel, onde a invas&atilde;o sensorial e o convite &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com o exterior se apresenta com for&ccedil;a, aumen-tam os movimentos regressivos e pulsionais, num excesso do projectivo que resulta num mundo interno desabrigado e disperso. Face a fortes ang&uacute;stias, marcadas por um corpo em sofrimento f&iacute;sico, estes adolescentes n&atilde;o encon-tram um continente transformador. Tal leva-nos a questionar como ter&atilde;o sido os primeiros tempos de vida destes sujeitos. </P >    <P   align="justify" >Nestes adolescentes, um de 14, dois de 16, e um de 17 anos, temos protocolos com caracte-r&iacute;sticas que nos parecem mais pr&oacute;ximas daquilo que sabemos ser comum dos protocolos na pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia: uma insuficiente delimita&ccedil;&atilde;o Eu-Outro, uma instabilidade dos limites, a presen&ccedil;a de mecanismos de defesa primitivos, vastas dificuldades no encontro com o Outro, m&uacute;ltiplos movimentos regressivos na procura de um continente protector. </P >    <P   align="justify" >Nas duas raparigas do estudo, a dispers&atilde;o est&aacute; muito presente. Aquilo que sabemos ser comum na adolesc&ecirc;ncia acentua-se, aparecendo mecanismos defensivos como a repara&ccedil;&atilde;o obsessiva, que esmagam a express&atilde;o interna. A intensidade das fragilidades narc&iacute;sicas interfere sobre as possibilidades de restauro. Pensamos que nestes protocolos tais mecanismos s&atilde;o muito acentuados, cortando permanentemente uma linha associativa que assim se perde. </P >    <P   align="justify" >N&atilde;o encontramos, nos quatro sujeitos, um total afastamento da realidade, numa vit&oacute;ria de um pensamento omnipotente sobre uma realidade que n&atilde;o possa ser sentida; nem encontramos uma ader&ecirc;ncia superficial ao real, num escape ao insuport&aacute;vel. N&atilde;o encontramos, portanto, uma <I>incapacidade em simbolizar</I>. N&atilde;o podemos por isso sublinhar aqui a exist&ecirc;ncia de um funcionamento psicossom&aacute;tido, tal como &eacute; descrito pela escola de Paris. Assistimos antes a uma dificuldade em elaborar a perda, a disposi&ccedil;&atilde;o depressiva n&atilde;o se encontra acess&iacute;vel, ficando o vazio, a confus&atilde;o, o anti-significado, o ataque &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es. A intoler&acirc;ncia &agrave; dor mental &eacute; acompanhada por um acentuar da dor f&iacute;sica e suas tradu&ccedil;&otilde;es som&aacute;ticas na F.Q., agravamento do quadro cl&iacute;nico e limita&ccedil;&atilde;o do progn&oacute;stico. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Deste modo, a Psicologia Cl&iacute;nica poder&aacute; ter uma fun&ccedil;&atilde;o importante junto destes sujeitos, agora numa perspectiva de um &ldquo;fazer&rdquo;. Se a compreens&atilde;o (campo desta investiga&ccedil;&atilde;o) constitui um passo fundamental, importa agora pegar nestes conhecimentos e dar lugar a uma interven&ccedil;&atilde;o psicoterap&ecirc;utica. Abordar e cuidar do corpo nas diversas terap&ecirc;uticas biol&oacute;gicas, e abordar e cuidar do ps&iacute;quico, agora numa abordagem psicol&oacute;gica, torna-se fundamental. Nesta interven&ccedil;&atilde;o seria importante explorar os <I>momentos, aproxima&ccedil;&otilde;es ou &iacute;ndices simb&oacute;licos </I>que encontr&aacute;mos nestes sujeitos. As desconti-nuidades desintegrativas teriam de ser integradas no todo do sujeito, modelando o movimento PSD. As ang&uacute;stias do sujeito precisam de obter uma conten&ccedil;&atilde;o (por um outro transformador), de forma a serem sentidas e elaboradas. Este trabalho de elabora&ccedil;&atilde;o, pressup&otilde;e um &ldquo;Outro&rdquo;, um &ldquo;transformador de ang&uacute;stias&rdquo;, para que o sujeito aprenda ele pr&oacute;prio pela experi&ecirc;ncia, essa capacidade transformativa, essa fun&ccedil;&atilde;o &alpha;. </P >    <P   align="justify" >Consideramos fundamental que a conceptuali-za&ccedil;&atilde;o aqui proposta sobre ao doen&ccedil;a e o adoecer possa vir a ter, naquela que &eacute; a pr&aacute;tica habitual nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, uma resposta que integre cui-dados ps&iacute;quicos e f&iacute;sicos. N&atilde;o chega tratar a dimens&atilde;o biol&oacute;gica, importa ainda atender, enten-der e transformar a dor ps&iacute;quica que a acompanha. </P >    <P   align="justify" >Consideramos, e a partir dos movimentos apresentados por estes quatro adolescentes, que mesmo perante dificuldades acentuadas, um sujeito tem capacidades para explorar o seu potencial, com o fim de autonomiza&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o relacional em rela&ccedil;&atilde;o aos la&ccedil;os objectais vivos e mort&iacute;feros, numa concilia&ccedil;&atilde;o entre os movimentos internos e aqueles do mundo externo, fontes de prazer e desprazer, de exig&ecirc;ncias e de gratifica&ccedil;&atilde;o, de inibi&ccedil;&atilde;o e de desenvolvimento. </P >    <P   align="center" >REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1991). Uma teoria do pensar. <I>Melanie Klein hoje </I>(vol. 1, pp. 185-193). Rio de Janeiro: Imago. </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1965/1982). <I>Transformations. Passage de l&rsquo;apprendissage &agrave; la croissance</I>. Paris: Presses Universitaires de France. </P >    <P   align="justify" >Bleichmar, N., &amp; Bleichmar, C. (1992). M&eacute;lanie Klein. A fantasia inconsciente como cen&aacute;rio da vida ps&iacute;quica. <I>A psican&aacute;lise depois de Freud. Teoria e cl&iacute;nica </I>(pp. 286-302). Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. </P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Dias, A. C. (1992). <I>Aventuras de Ali-Bab&aacute; nos t&uacute;mulos de Ur</I>. Lisboa: Fenda. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0870-8231200900030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Freud, S. (1981, 1915-17). <I>Morning and melancholia</I>. London: Hogarth Press. </P >    <P   align="justify" >Freud, S. (1985/1914). Introdution du narcissisme. In B. Grunberger &amp; J. Chasseguet-Smirgel (Orgs.), </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><I>Narcissisme: L&rsquo;amour de soi (Les grands d&eacute;couvertes de la psychanalyse) </I>(pp. 25-51). Paris: Tchou. </P >    <P   align="justify" >Freud, S. (1989/1920). Para al&eacute;m do princ&iacute;pio do prazer. <I>Textos essenciais de psican&aacute;lise </I>(tome I, pp. 227-278). Portugal: Europa-Am&eacute;ric. </P >    <P   align="justify" >Green, A. (1983). <I>Narcissisme de vie, narcissisme de mort</I>. Paris: Minuit. (Re&uacute;ne trabalhos de 1966 a 1983) </P >    <P   align="justify" >Herzlic, C., &amp; Pierret, J. (1984). <I>Malades d&rsquo;hier, malades d&rsquo;aujourd&rsquo;hui. </I>Paris: Payot. </P >    <P   align="justify" >Hinshelwood, R. D. (1992). <I>Dicion&aacute;rio do pensamento kleiniano. </I>Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. </P >    <P   align="justify" >Klein, M. (1930/1975). The importance of symbol formation in the development of the ego. <I>The writings of Melanie Klein, vol. 1: Love, guilt and reparation </I>(pp. 219-232). Londres: Hogarth Press. </P >    <P   align="justify" >Marques, E. (1993). L&rsquo;expression f&eacute;minine et masculine de l&rsquo;adolescence a travers le Rorschach: Le travail de transformations et de construction a l&rsquo;adolescence. <I>Bulletin de la Societ&eacute; du Rorschach et des M&eacute;thodes Projectives, 37</I>, 41-55. </P >    <P   align="justify" >Marques, M. E. (1999). <I>A psicologia cl&iacute;nica e o Rorschach</I>. Lisboa: Climepsi. </P >     <P   align="justify" >Segal, H. (1991/1993). <I>Sonho, fantasia e arte. </I>Rio de Janeiro: Imago.  </P >     <P   align="justify" >&nbsp; </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Artigo baseado em Monografia de fim de    curso apresentada e defendida no ISPA em 1995, na &aacute;rea de Psicologia    Cl&iacute;nica. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Hospital    Fernando Fonseca. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Professora    Associada do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Aventuras de Ali-Babá nos túmulos de Ur.]]></source>
<year>1992</year>
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