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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção do Eu adolescente na relação com o(s) Outro(s): O igual, o diferente e o complementar através do Rorschach]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the present work the authors try to constitute the Other as an organizer of the development process in the adolescence. Using the connection between the conceptions concerned to adolescence and notions of the subject and object, Self-Other, it was possible to constitute three dimensions along the development process of the adolescent: the Equal, the Different and the Complementary. Rorschach was used as an instrument to access the psychological subject, inserted in the French School, with the parameters, Self Representation and Relation Representation, and secondly, the transformational model that privileges the communication relation, the symbopzation, the creation and the expansion. Protocols were obtained from adolescents from 13 to 17 years old, of both genders, in the aim to observe the development between the Self and the Other(s) in this period of development.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Adolescência]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Relação Eu-Outro: Igual]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Relation Self-Other: Equal]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p    ><b>A constru&ccedil;&atilde;o do Eu adolescente na rela&ccedil;&atilde;o com    o(s) Outro(s): O igual, o diferente e o complementar atrav&eacute;s do Rorschach    (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</b> </p >        <P align="right"   apgn="right" >Isabel Maria Gonzalez Duarte da Cunha (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)</P >     <P align="right"   apgn="right" > Maria Em&iacute;lia Marques (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>) </P >     <P align="center"    >RESUMO </P >     <P align="justify"    >No presente trabalho as autoras procuram constituir o Outro como um organizador    do processo de desenvolvimento adolescente. Atrav&eacute;s da articula&ccedil;&atilde;o    entre as concep&ccedil;&otilde;es sobre a adolesc&ecirc;ncia e as no&ccedil;&otilde;es    de sujeito e de objecto, Eu-Outro, foi poss&iacute;vel constituir tr&ecirc;s    dimens&otilde;es do Outro durante o processo de desenvolvimento adolescente:    o igual, o diferente e o complementar.</P >     <p align="justify"    > Como m&eacute;todo de acesso ao sujeito psicol&oacute;gico foi utipzado o Rorschach,    inscrito por um lado na escola Francesa, com os par&acirc;metros Representa&ccedil;&atilde;o    de Si e Representa&ccedil;&atilde;o das Rela&ccedil;&otilde;es e, por outro    lado, no modelo transformacional que privilegia a rela&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o,    de simboliza&ccedil;&atilde;o, de cria&ccedil;&atilde;o e de expans&atilde;o.    Foram analisados protocolos de adolescentes com 13 e 17 anos, de ambos os sexos,    de modo a ser poss&iacute;vel observar de que modo &eacute; que decorre a rela&ccedil;&atilde;o    entre o Eu e o(s) Outro(s) neste per&iacute;odo do desenvolvimento. </OL >      <P    ><I>Palavras chave: </I>Adolesc&ecirc;ncia, Complementar, Diferente, Rela&ccedil;&atilde;o    Eu-Outro: Igual. Rorschach. </P >     <P align="center"    >ABSTRACT </P >     <P align="justify"    >In the present work the authors try to constitute the Other as an organizer of    the development process in the adolescence. Using the connection between the    conceptions concerned to adolescence and notions of the subject and object,    Self-Other, it was possible to constitute three dimensions along the development    process of the adolescent: the Equal, the Different and the Complementary. </P >     <P align="justify"    >Rorschach was used as an instrument to access the psychological subject, inserted    in the French School, with the parameters, Self Representation and Relation    Representation, and secondly, the transformational model that privileges the    communication relation, the symbopzation, the creation and the expansion. Protocols    were obtained from adolescents from 13 to 17 years old, of both genders, in    the aim to observe the development between the Self and the Other(s) in this    period of development. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><I>Key words: </I>Adolescence, Complementary, Different, Rorschach, Relation    Self-Other: Equal. </P >     <P align="center"    >O ESBO&Ccedil;O DA CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P align="justify"    >A adolesc&ecirc;ncia &eacute; um per&iacute;odo de desenvolvimento e de crescimento,    durante o qual decorrem importantes transforma&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o    entre o Eu e o(s) Outro(s), vividas com grande turbul&ecirc;ncia e que imp&otilde;em    um processo criativo e uma rela&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o e de    comunica&ccedil;&atilde;o entre o interno e o externo, entre o conhecido e o    ainda desconhecido, entre o desejado e o temido. Nas concep&ccedil;&otilde;es    sobre a adolesc&ecirc;ncia, no seio da teoria psicanal&iacute;tica, consider&aacute;mos    importante aprofundar a dimens&atilde;o <I>Outro </I>como um organizador a ser    estudado no processo de desenvolvimento adolescente. </P >     <P align="justify"    >As refer&ecirc;ncias ao Outro na literatura s&atilde;o abundantes, reportando-nos    para as no&ccedil;&otilde;es de sujeito e de objecto, pelo que iremos explicit&aacute;-la    na teoria pulsional, freudiana, na teoria das rela&ccedil;&otilde;es de objecto    e nas teorias que se inscrevem nos modelos do pensamento, ap&oacute;s o que    realizaremos uma articula&ccedil;&atilde;o entre estes modelos te&oacute;ricos    e as concep&ccedil;&otilde;es sobre a adolesc&ecirc;ncia. </P >     <P align="justify"    >O objectivo deste estudo foi compreender como &eacute; que durante este per&iacute;odo    do desenvolvimento decorre a rela&ccedil;&atilde;o entre o Eu e o Outro, ou    seja, entre o sujeito e o objecto, numa articula&ccedil;&atilde;o entre o mundo    interno e o mundo externo, numa procura do igual, mas tamb&eacute;m do diferente,    numa l&oacute;gica onde impera a procura do complementar. </P >     <P align="justify"    >Para podermos aceder ao objectivo a que nos propusemos, utipz&aacute;mos como    instrumento o Rorschach, depois deste ter sido exppcitado como m&eacute;todo    de acesso ao sujeito psicol&oacute;gico e de ter sido inscrito nos modelos do    pensamento, onde &eacute; compreendido com o recurso ao modelo transformacional    que coloca em lugar de destaque a rela&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o,    de simboliza&ccedil;&atilde;o, de cria&ccedil;&atilde;o e de expans&atilde;o.    Procedemos, ent&atilde;o, &agrave; análise de 8 protocolos de Rorschach:    4 de pr&eacute;-adolescentes (2 rapazes e 2 raparigas de 13 anos) e 4 de adolescentes    (2 rapazes e 2 raparigas de 17 anos), tendo por base os par&acirc;metros: <I>representa&ccedil;&atilde;o    de si e representa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es e os processos    de transforma&ccedil;&atilde;o e de simboliza&ccedil;&atilde;o</I>. </P >     <P align="center"    >A ADOLESC&Ecirc;NCIA </P >     <P align="justify"    >A adolesc&ecirc;ncia tem vindo progressivamente a ser tratada como um per&iacute;odo    do desenvolvimento: por um lado, temos as concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas    que possibilitam a descri&ccedil;&atilde;o dos processos intra e interps&iacute;quicos    e, por outro lado, aquelas que est&atilde;o mais centradas no desenvolvimento,    aparecendo, ent&atilde;o, como um processo de transforma&ccedil;&atilde;o e    de cria&ccedil;&atilde;o. Este processo adolescente ocorre com base em diferencia&ccedil;&otilde;es    e integra&ccedil;&otilde;es progressivas, nomeadamente no que se refere aos    processos de sexua&ccedil;&atilde;o, que faz emergir o Outro dotado de qualidades    diferentes, levando o Pr&oacute;prio a construir novas representa&ccedil;&otilde;es    e a realizar novos investimentos, que levar&atilde;o a uma escolha sexual definitiva,    masculina ou feminina. </P >     <P align="justify"    >A aquisi&ccedil;&atilde;o de uma identidade sexual definitiva que decorre durante    o processo de desenvolvimento adolescente, &eacute; por v&aacute;rios autores    considerada na rela&ccedil;&atilde;o com as figuras parentais e referem-se &agrave;    necessidade do adolescente fazer o luto, quer dos antigos investimentos e    representa&ccedil;&otilde;es das imagos parentais infantis, quer do corpo de    crian&ccedil;a (P. Blos, 1962/1998). Laufer (1984), refere-se &agrave; integra&ccedil;&atilde;o    das mudan&ccedil;as f&iacute;sicas, que decorrem durante a puberdade, que s&atilde;o    vividas como uma perda &ndash; perda do corpo sexualmente indiferenciado de    crian&ccedil;a. Enquanto, para outros autores, como (Birraux, 1990), o corpo    do adolescente encontra-se em transforma&ccedil;&atilde;o &ndash; &eacute; um    corpo em identifica&ccedil;&atilde;o e em sexua&ccedil;&atilde;o &ndash;, entre    o corpo de crian&ccedil;a, que &eacute; conhecido, e o corpo desconhecido,    misterioso, que, face &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es durante a puberdade,    emerge agora dotado de novas qualidades e atributos. &Agrave;s modifica&ccedil;&otilde;es    externas ao n&iacute;vel do corpo est&atilde;o sempre associadas modifica&ccedil;&otilde;es    do mundo interno, no que se refere a representa&ccedil;&otilde;es e afectos.  </P >     <P align="justify"    >Compreender a adolesc&ecirc;ncia atrav&eacute;s de modelos que nos d&atilde;o    conta das mudan&ccedil;as, das transforma&ccedil;&otilde;es e das integra&ccedil;&otilde;es    levam-nos a relativizar o modelo do luto e a dar um lugar de destaque &agrave;    concep&ccedil;&atilde;o de que a adolesc&ecirc;ncia &eacute; um per&iacute;odo    em que se imp&otilde;e a reapza&ccedil;&atilde;o de tarefas, a resolu&ccedil;&atilde;o    de conflitos e a redescoberta de novos objectos. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="justify"    >Braconnier (1985) prop&otilde;e que a adolesc&ecirc;ncia passe a ser entendida    atrav&eacute;s dos processos de transforma&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o pelas    anteriores designa&ccedil;&otilde;es de crises e de rupturas. Assim, a adolesc&ecirc;ncia    passa a ser entendida como um processo de transforma&ccedil;&atilde;o habitado    por sistemas de ac&ccedil;&atilde;o, em que uns se continuam a desenvolver e    outros se est&atilde;o a formar; as ac&ccedil;&otilde;es que se formam, e que    dizem respeito particularmente &agrave; genitalidade, implicam novos limites entre    o masculino e o feminino e a constru&ccedil;&atilde;o do ideal do Eu. </P >     <P align="justify"    >O processo de transforma&ccedil;&atilde;o da adolesc&ecirc;ncia pode ainda ser    exppcitado com recurso &agrave; conceptuapza&ccedil;&atilde;o desenvolvida por    Meltzer (1973/1979, 1990) sobre o &ldquo;conflito est&eacute;tico&rdquo; &ndash;    um conflito do desenvolvimento e que tem, no seu cerne, a capacidade do sujeito    de permanecer na incerteza. Trata-se do conflito entre o belo exterior e o enigm&aacute;tico    interior que tem de ser constru&iacute;do com a imagina&ccedil;&atilde;o criadora    &ndash;, que &eacute; retomada em Salgueiro (1990). </P >     <P align="justify"    >O Outro desempenha um papel importante na rela&ccedil;&atilde;o com o Eu, na    medida em que &eacute; fonte de equil&iacute;brio, mas tamb&eacute;m de desequil&iacute;brio,    o que &eacute; descrito na literatura pelo &ldquo;vir a ser&rdquo;, pelo &ldquo;tornar-se&rdquo;    adolescente a caminho de ser adulto. Marques (1999, 2005), exppcita como &eacute;    que o processo de &ldquo;tornar-se&rdquo; leva ao estabelecimento de uma nova    barreira de contacto entre os objectos, entre o dentro e o fora, entre o inconsciente    e o consciente. &Eacute; atrav&eacute;s dessa barreira de contacto em ac&ccedil;&atilde;o    e em transforma&ccedil;&atilde;o, e da actividade de liga&ccedil;&atilde;o e    comunica&ccedil;&atilde;o das reapdades internas e externas, que se criam novas    reapdades, reapdades estas que levam &agrave; reapza&ccedil;&atilde;o de novas    experi&ecirc;ncias, geradoras de novas rela&ccedil;&otilde;es continente-conte&uacute;do    e de novas significa&ccedil;&otilde;es. &Eacute; atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o    desse pmite que se pode constituir a fun&ccedil;&atilde;o interna de conter    e simbopzar, que permite a (re)constru&ccedil;&atilde;o de objectos no espa&ccedil;o    interno e a cria&ccedil;&atilde;o de sentires e sentidos, de sujeito e de objecto    renovados. A adolesc&ecirc;ncia surge, assim, como o per&iacute;odo do desenvolvimento    durante o qual existe a necessidade de estabelecer novas liga&ccedil;&otilde;es    e comunica&ccedil;&otilde;es entre o Eu e o Outro, entre o mundo interno e o    mundo externo, entre o inconsciente e o consciente, pelo que &eacute; molizado    o uso da clivagem e da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, que, por um lado,    permite a separa&ccedil;&atilde;o e a distin&ccedil;&atilde;o visando a constru&ccedil;&atilde;o    e, por outro lado, envolve a confus&atilde;o, a indiferencia&ccedil;&atilde;o,    o esbatimento dos pmites entre os objectos. </P >     <P align="center"    >O OUTRO: IGUAL, DIFERENTE E COMPLEMENTAR </P >     <P    >Falar no Eu tem subjacente a necessidade de abordar o Outro, o que no modelo psicanal&iacute;tico nos reporta directamente para as no&ccedil;&otilde;es de sujeito e de objecto, sendo imposs&iacute;vel falar-se de Eu sem Outro. </P >    <P    >Nos primeiros trabalhos de Freud, aparecem acentuadas as qualidades externas do objecto; mais tarde, em <I>&ldquo;As puls&otilde;es e as suas vicissi</I><I></I><I>tudes&rdquo; </I>(1915/1989), &eacute; colocado o objecto como podendo ser interno, na medida em que o objecto de uma puls&atilde;o &eacute; a forma atrav&eacute;s da qual esta alcan&ccedil;a o seu alvo, passando, deste modo, este a fazer parte do corpo do pr&oacute;prio sujeito. </P >     <P    >A partir do momento em que o Eu se encontra suficientemente constitu&iacute;do,    torna-se poss&iacute;vel a rela&ccedil;&atilde;o com o Outro como objecto de    identifica&ccedil;&atilde;o. Na melancopa, tal como no luto, Freud (1917/1969)    descreve a identifica&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o com o objecto    perdido: trata-se de uma perda de natureza mais ideal, em que o objecto, mesmo    n&atilde;o tendo desaparecido, pode ter sido perdido como objecto de amor. Mas    &eacute; em <I>&ldquo;Psicologia de Grupo e a análise do Ego&rdquo; </I>(1921/1996)    que Freud se dedica &agrave; quest&atilde;o da identifica&ccedil;&atilde;o como    um mecanismo normal: <I>&ldquo;primeiro, a identifi</I><I>ca&ccedil;&atilde;o    constitui a forma original de la&ccedil;o emocional com um objecto; segundo,    de maneira regressiva, ela se torna suced&acirc;neo para uma vincula&ccedil;&atilde;o    de objecto libidinal, por assim dizer, por meio de introjec&ccedil;&atilde;o    do objecto no ego; e, terceiro, pode surgir com qualquer nova percep</I><I></I><I>&ccedil;&atilde;o    de uma qualidade comum compartilhada com qualquer outra pessoa que n&atilde;o    &eacute; objecto de instinto sexual&rdquo; </I>(op. cit., p. 117). </P >     <P align="justify"    >O conceito de objecto interno ganha uma maior evid&ecirc;ncia com os trabalhos    desenvolvidos pela teoria das rela&ccedil;&otilde;es de objecto, considerado    como uma reapdade ps&iacute;quica da representa&ccedil;&atilde;o realizada pelo    sujeito. Inicialmente, durante a fase esquizoparan&oacute;ide, a identifica&ccedil;&atilde;o    projectiva permite negar a separa&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e o objecto    portador das suas partes clivadas, conservando, deste modo, a ilus&atilde;o do    controlar (Klein, 1946/1991). &Eacute; atrav&eacute;s do jogo entre a identifica&ccedil;&atilde;o    projectiva e a identifica&ccedil;&atilde;o introjectiva que o sujeito passa    a poder reunir as suas partes clivadas, boas ou m&aacute;s, tal como as projecta    no Outro. </P >     <P align="justify"    >Consolida-se, assim, a ideia de que o sujeito se constr&oacute;i na rela&ccedil;&atilde;o    com os objectos, mas que estes tamb&eacute;m influenciam a sua constru&ccedil;&atilde;o,    o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel atrav&eacute;s dos mecanismos de introjec&ccedil;&atilde;o    e de projec&ccedil;&atilde;o. O conceito de identifica&ccedil;&atilde;o projectiva,    que inicialmente se encontra ligado &agrave; fase esquizoparan&oacute;ide, &eacute;    insepar&aacute;vel de uma identifica&ccedil;&atilde;o introjectiva, atrav&eacute;s    da qual o sujeito absorve em si as partes clivadas, boas ou m&aacute;s, tal como    as projecta no outro (Klein, 1946/1991). </P >     <P    >Na teoria do pensamento desenvolvida por Bion (1961), o ponto de partida &eacute; a frustra&ccedil;&atilde;o das necessidades b&aacute;sicas do beb&eacute;, a partir da qual existe a possilidade de se desenvolver um aparelho ps&iacute;quico para pensar os pensamentos, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es projectivas. Bion elabora o modelo continente-conte&uacute;do que se baseia no uso de identifica&ccedil;&otilde;es projectivas, no qual &eacute; necess&aacute;rio que se estabele&ccedil;a uma interac&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica entre continente e conte&uacute;do, para que se produzam pensamentos. Assim, podemos pensar na rela&ccedil;&atilde;o Eu-Outro, com base numa perspectiva din&acirc;mica, como uma rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do, em que est&atilde;o presentes movimentos de desintegra&ccedil;&atilde;o e de integra&ccedil;&atilde;o, na qual opera a fun&ccedil;&atilde;o alfa, transformadora dos elementos sensoriais em elementos que podem ser pensados, e que passam a ser parte integrante no crescimento que tem lugar durante o per&iacute;odo de desenvolvimento adolescente. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Atrav&eacute;s da liga&ccedil;&atilde;o entre as concep&ccedil;&otilde;es que nos d&atilde;o conta do processo de desenvolvimento adolescente e das teorias que dentro da Psicanálise nos permitem pensar o Eu e o Outro, foi-nos poss&iacute;vel constituir tr&ecirc;s dimens&otilde;es de análise para o Outro: o igual, o diferente e o complementar, que passamos a exppcitar, numa rela&ccedil;&atilde;o directa aos movimentos presentes durante a adolesc&ecirc;ncia, per&iacute;odo durante o qual tem lugar uma (re)constru&ccedil;&atilde;o do Eu, que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel na rela&ccedil;&atilde;o que o Pr&oacute;prio estabelece com o(s) Outro(s). </P >     <P    >No processo de desenvolvimento adolescente o <I>Outro</I>, na condi&ccedil;&atilde;o    de <I>igual</I>, encontra-se ligado ao equil&iacute;brio que &eacute; necess&aacute;rio    existir entre o mundo interno e o mundo externo, numa procura de const&acirc;ncia    e de continuidade, entre o que &eacute; do Pr&oacute;prio e o que &eacute; do(s)    Outro(s), e que neste per&iacute;odo se encontra particularmente ligado ao grupo    dos pares, que surge como alternativa ao meio familiar e como meio facilitador    para a consolida&ccedil;&atilde;o da identidade do Pr&oacute;prio. Assim, o    <I>Outro igual </I>&eacute; aquele que possui uma fun&ccedil;&atilde;o de (re)significa&ccedil;&atilde;o,    ou seja, &eacute; aquele que possilita (re)unir, integrar e (re)organizar    partes do Pr&oacute;prio, numa rela&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o    e de transforma&ccedil;&atilde;o, agora geradora de novos sentidos e de novos    significados. </P >     <P    >Na passagem do grupo familiar para o grupo dos amigos, o adolescente depara-se com o igual, mas tamb&eacute;m com diferen&ccedil;as, presentes ao n&iacute;vel das ideias, dos ideais, das aspira&ccedil;&otilde;es, das formas de estar e de ser, que s&atilde;o, s&oacute; por si, complexas. O grupo surge, assim, como um meio que possilita a autonomia ps&iacute;quica e a maturidade emocional, sendo o espa&ccedil;o privilegiado para que o adolescente possa consopdar a sua identidade. Por mais anti-social, ou at&eacute; mesmo depnquente, que um grupo de adolescentes possa parecer aos olhos de um adulto, ele apresenta, para Meltzer (1973/1979), um papel de sustenta&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de clivagem, uma vez que &eacute; no grupo que decorre a dissemina&ccedil;&atilde;o de partes do Eu, o que alivia a confus&atilde;o, a omnipot&ecirc;ncia e a ansiedade persecut&oacute;ria. </P >    <P    >Durante o processo de desenvolvimento adolescente, o Outro, na condi&ccedil;&atilde;o de igual, &eacute; aquele que se apresenta ao mesmo n&iacute;vel: &eacute; igual na sua condi&ccedil;&atilde;o geracional, o que torna poss&iacute;vel a experi&ecirc;ncia relacional, na qual &eacute; um continente dos conte&uacute;dos do Eu, mas onde ambos, Eu e Outro, procuram novos significados e significa&ccedil;&otilde;es que os enrique&ccedil;am, numa rela&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o e de transforma&ccedil;&atilde;o do que possuem de igual, mas tamb&eacute;m do que possuem de diferente e que procuram conhecer, numa l&oacute;gica de rela&ccedil;&atilde;o e de transforma&ccedil;&atilde;o do que sendo de Um tem rela&ccedil;&atilde;o directa no Outro. </P >    <P    >O <I>Outro</I>, na condi&ccedil;&atilde;o de <I>diferente</I>, remete-nos para a constitui&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a entre o Eu e o Outro, sendo a mais evidente a do Outro dotado de outro sexo, masculino ou feminino, com o qual existe a possilidade de se realizarem trocas entre Um <I>no </I>e <I>com </I>o Outro. Neste momento do desenvolvimento, o conflito de gera&ccedil;&otilde;es ganha uma nova dimens&atilde;o com a necessidade de o adolescente realizar as suas identifica&ccedil;&otilde;es, o que torna necess&aacute;rio o abandono da posi&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica e bissexual que vai permitir a constitui&ccedil;&atilde;o da identidade genital adulta pelo encontro com o objecto heterossexual. Neste sentido, a rela&ccedil;&atilde;o com o Outro, ao ser pensada numa l&oacute;gica de diferen&ccedil;a, acentua a tens&atilde;o e a conflitualidade entre o Eu e o Outro, entre o masculino e o feminino, no sentido em que a diferen&ccedil;a alarga o campo de rela&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m torna mais evidente o que Um tem e o que ao Outro falta. </P >     <P    >No modelo pulsional freudiano, as transforma&ccedil;&otilde;es da puberdade d&atilde;o    lugar ao aparecimento de uma sexualidade genital, com uma finapdade sexual, feminina    ou mascupna, na qual as puls&otilde;es parciais se subordinam ao primado da    zona genital. Na adolesc&ecirc;ncia s&atilde;o not&oacute;rias as modifica&ccedil;&otilde;es    corporais, que v&atilde;o permitir a constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem    sexual diferenciada, o que passa por uma integra&ccedil;&atilde;o do corpo sexuado,    feminino ou masculino, atrav&eacute;s de uma escolha sexual. Deste modo, d&aacute;-se    a aquisi&ccedil;&atilde;o de uma identidade sexual definitiva, que se deve apresentar    est&aacute;vel no final deste per&iacute;odo, de modo a permitir uma diferencia&ccedil;&atilde;o    entre o Eu e o Outro e uma complementaridade entre si, de modo a que o feminino    se complete <I>no </I>e <I>com </I>o masculino, ou seja, que o Eu se complete    e complemente com o Outro e vice-versa. </P >     <P    >A rela&ccedil;&atilde;o Eu-Outro, sujeito-objecto, feminino-masculino, pode ser    pensada com recurso &agrave; rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do,    na qual Um se imp&otilde;e perante o Outro, mas em que Um e Outro se complementam,    dando origem a um novo Eu e a um novo Outro (re)unindo e potenciando cada um    as suas capacidades, dando origem a novas cria&ccedil;&otilde;es, que resultam    da liga&ccedil;&atilde;o entre os opostos de presen&ccedil;a/aus&ecirc;ncia,    proximidade/dist&acirc;ncia, conhecido/desconhecido, agora organizados sob a    forma de novos objectos, os quais d&atilde;o lugar a novos objectivos, ou seja,    a novas representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas. </P >     <P    >O feminino pode ser pensado como a parte que falta ao masculino, tal como o masculino surge como a parte que falta ao feminino. Mas, quando pensamos numa l&oacute;gica de liga&ccedil;&atilde;o, de (re)uni&atilde;o e de concipa&ccedil;&atilde;o de Um e de Outro, o feminino surge, tal como Marques (2003) o descreve, como sendo um ponto inicial, a partir do qual se podem sempre gerar novas chegadas, numa rela&ccedil;&atilde;o de Um a/com Um, num lugar outro, uma vez que o lugar do feminino ficar&aacute; dispon&iacute;vel para novas chegadas. O feminino &eacute; entendido como um &ldquo;<I>lugar que n&atilde;o &eacute; p&uacute;blico nem privado, nem de um nem de outro, &eacute; um lugar de expectativa, lugar de cria&ccedil;&atilde;orecria&ccedil;&atilde;o na/da intersubjec</I><I></I><I>tividade&rdquo;. </I>(op. cit., p. 72). A rela&ccedil;&atilde;o decorre na rela&ccedil;&atilde;o e pela rela&ccedil;&atilde;o, desenhando ciclos intermin&aacute;veis, onde o princ&iacute;pio &eacute; sempre um fim, e o fim o come&ccedil;o de novos princ&iacute;pios. </P >    <P    >A adolesc&ecirc;ncia &eacute; por excel&ecirc;ncia um lugar de cria&ccedil;&atilde;o e de (re)cria&ccedil;&atilde;o, nela decorrendo todo um movimento de transforma&ccedil;&atilde;o do antigo em novos sentidos e significados, em que cada etapa d&aacute; lugar a uma nova etapa, e em que um novo in&iacute;cio s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel pela integra&ccedil;&atilde;o do antigo transformado e (re)significado. Na rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre o Eu e o Outro, decorre uma procura daquilo que Um tem e que o Outro deseja alcan&ccedil;ar, pelo que se desenha um ciclo, cujo fim a alcan&ccedil;ar d&aacute; lugar a um novo in&iacute;cio, abrindo o caminho para novas procuras, para novos ciclos que possilitam novas cria&ccedil;&otilde;es e (re)cria&ccedil;&otilde;es, dotadas de novos sentidos e de novos significados. O fim da adolesc&ecirc;ncia &eacute; a idade adulta, um novo ciclo que se inicia, com novos caminhos para desvendar, numa procura de novos sentidos e de novos significados, do Eu com o Outro, mas tamb&eacute;m do Eu consigo Pr&oacute;prio, numa rela&ccedil;&atilde;o onde se procura a complementaridade. </P >    <P    >O <I>Outro </I>como <I>complementar</I>, reporta-nos para uma rela&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o, na qual est&aacute; presente um movimento de transforma&ccedil;&atilde;o do mundo interno <I>no </I>e <I>com </I>o mundo externo, em que existe uma liga&ccedil;&atilde;o e uma integra&ccedil;&atilde;o do antigo e do novo, do conhecido e do desconhecido, agora (re)criado e (re)significado. A quest&atilde;o da complementaridade remete-nos para a falta, no sentido em que decorre um movimento de procura do que estando em falta num leva &agrave; procura no Outro, mas tamb&eacute;m do que Um possui e que pode ser objecto de procura pelo Outro. Mas para que esta rela&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o e de troca tenha lugar, &eacute; necess&aacute;ria a constitui&ccedil;&atilde;o &iacute;ntegra e separada do Eu e do Outro, ou seja, do sujeito e do objecto. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Para Green (1997/2000), a bissexualidade n&atilde;o pode ser definida por refer&ecirc;ncia a cada um dos sexos, mas ao sexo do Outro, que ele continuaria a conter e com o qual se estabelecem trocas, o que imppca uma articula&ccedil;&atilde;o entre o que se passa no Eu e no Outro. Neste sentido, defende que invocar o masculino e o feminino, no homem e na mulher, talvez mascare a dificuldade de conceber de que modo &eacute; que o feminino do homem e o masculino da mulher entram em rela&ccedil;&atilde;o. Assim, a sexualidade est&aacute; pgada a uma certa forma de alteridade, uma vez que imppca a ideia de um objecto que falta ao corpo do sujeito e, deste modo, a puls&atilde;o representa a falta. </P >    <P    >Neste sentido, a bissexualidade n&atilde;o pode ser definida apenas no que diz respeito a cada um dos sexos, mas na rela&ccedil;&atilde;o com o Outro sexo, no sentido em que cada um dos sexos possui algo que falta ao Outro. Deste modo, &ldquo;<I>o comple</I><I></I><I>mentar n&atilde;o seria, ent&atilde;o, um apaziguamento, uma apan&ccedil;a, uma ced&ecirc;ncia, ou qualquer outra coisa de ordem similar, seria, isso sim, uma concipa&ccedil;&atilde;o, uma uni&atilde;o, um recolocar do lugar de Um e do Outro e de Um no/com Outro</I>&rdquo; (Marques, 2003, op. cit., p. 70). </P >     <P    >Durante o processo adolescente, podemos pensar em ciclos, com um princ&iacute;pio    e com um fim, que se renovam, de modo a que o antigo d&ecirc; lugar ao novo,    e em que a transforma&ccedil;&atilde;o d&aacute; lugar &agrave; integra&ccedil;&atilde;o    e ao crescimento. No Eu existe uma procura do Outro, na condi&ccedil;&atilde;o    de igual, de diferente e de complementar, num ciclo que se renova a cada procura,    dando lugar &agrave; indaga&ccedil;&atilde;o, &agrave; descoberta, mas tamb&eacute;m,    &agrave; integra&ccedil;&atilde;o e &agrave; possibilidade de comunica&ccedil;&atilde;o    do novo (re)significado e (re)simbolizado. </P >     <P align="center"    >O RORSCHACH NO ACESSO AO(S) OUTRO(S) </P >     <P    >O Rorschach &eacute; um instrumento privilegiado na avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica,    pelas caracter&iacute;sticas muito precisas que possui no que se refere &agrave;    possibilidade de aceder ao funcionamento psicol&oacute;gico do sujeito e de estabelecer    o diagn&oacute;stico diferencial. Para podermos aceder &agrave; forma como o    Eu adolescente se constr&oacute;i na rela&ccedil;&atilde;o com o(s) Outro(s),    inscrevemo-lo, por um lado, nos referenciais que normalmente o sustentam, e,    por outro, alargamo-lo a novas concep&ccedil;&otilde;es que permitem entender    a actividade mental do sujeito interveniente no processo de resposta Rorschach    como uma actividade de liga&ccedil;&atilde;o, que se revela entre o sujeito e    o objecto, entre o seu mundo interno e o externo, conduzindo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o    de um novo objecto (Marques, 1999). &Eacute; neste processo de constru&ccedil;&atilde;o    de sentido(s), que opera a significa&ccedil;&atilde;o e a simboliza&ccedil;&atilde;o,    inscritas numa rela&ccedil;&atilde;o do tipo continente-conte&uacute;do, em    que a simboliza&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de    novos objectos e de novas rela&ccedil;&otilde;es continente-conte&uacute;do,    revela ao Outro o pensamento do Pr&oacute;prio. </P >     <P align="justify"    >Para Marques (2005), s&atilde;o as qualidades dos objectos externos que mobilizam    e revelam a qualidade das liga&ccedil;&otilde;es e das transforma&ccedil;&otilde;es    dos objectos internos, numa rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca, em que &ldquo;<I>&eacute;    poss&iacute;vel e &eacute; fundamental apreciar-se como sujeito(s) e objecto(s)    se ligam (e ligam), se transforma (e transformam) se envolvem e comunicam e (re)criam    as realidades e os objectos, internos e externos</I>&rdquo; (op. cit., p. 25).  </P >     <P align="center"    >OS PAR&Acirc;METROS DE AN&Aacute;LISE </P >     <P align="justify"    >Para realizarmos a an&aacute;lise das diferentes dimens&otilde;es do Outro no    Rorschach definimos 2 tipos de par&acirc;metros: por um lado, os par&acirc;metros    considerados cl&aacute;ssicos na escola Francesa (C. Chabert, 1997/2003) para    a an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o do Rorschach, e que dizem respeito    &agrave; representa&ccedil;&atilde;o de si e &agrave; representa&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s dos quais pudemos constituir uma    grelha de an&aacute;lise composta por diferentes categorias, de acordo com cada    uma das dimens&otilde;es do Outro; por outro lado, os par&acirc;metros de transforma&ccedil;&atilde;o    e de simboliza&ccedil;&atilde;o que se inscrevem nos modelos da significa&ccedil;&atilde;o    e do pensamento (Marques, 1999) , permitiram-nos realizar uma compreens&atilde;o    din&acirc;mica das respostas Rorschach, atrav&eacute;s das quais foi poss&iacute;vel    aceder aos diferentes movimentos da constitui&ccedil;&atilde;o do(s) Outro(s),    presentes ao longo do processo de desenvolvimento adolescente. Estes elementos    est&atilde;o reunidos no quadro que se segue: </P >     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n3/27n3a03t1.bmp"></P >     
<P align="center"    >OS SUJEITOS </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="justify"    >Para a realiza&ccedil;&atilde;o deste estudo escolhemos 8 protocolos de Rorschach    &ndash; 4 de pr&eacute;-adolescentes (2 rapazes e 2 raparigas de 13 anos) e    4 de adolescentes (2 rapazes e 2 raparigas de 17 anos) &ndash;, por consideramos    que a rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre o Eu e o Outro adquire diferentes    formas ao longo do processo adolescente. Procur&aacute;mos ver a evolu&ccedil;&atilde;o    e as vicissitudes do Outro, nas dimens&otilde;es de igual, de diferente e de    complementar, tendo em conta o sexo e a idade dos adolescentes. Procur&aacute;mos,    ainda, que se tratassem de sujeitos &ldquo;normativos&rdquo;, apresentando uma    certa homogeneidade em termos escolares, sem insucesso escolar, que pertencessem    a fam&iacute;lias aparentemente est&aacute;veis e com um estatuto s&oacute;cio-econ&oacute;mico    m&eacute;dio e que nunca tivessem recorrido a consultas de Psiquiatria e/ou    de Psicologia. </P >     <P align="center"    >DISCUSS&Atilde;O DOS PROTOCOLOS </P >     <P align="justify"    >Para o <I>Outro </I>na condi&ccedil;&atilde;o de <I>igual</I>, ao analisarmos    o par&acirc;metro representa&ccedil;&atilde;o de si e representa&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es nos protocolos de Rorschach, surgem as quest&otilde;es    relativas &agrave; identidade e ao investimento da imagem de si. Aqui, inscrevem-se    as respostas que nos d&atilde;o conta da unidade, ou seja, da exist&ecirc;ncia    do sujeito como &iacute;ntegro e separado do outro, mais evidentes nos cart&otilde;es    compactos, nos quais as respostas d&atilde;o conta de uma apreens&atilde;o global    da mancha e s&atilde;o predominantemente de boa qualidade formal. </P >     <P align="justify"    >Nos rapazes mais novos, encontr&aacute;mos presente uma acentua&ccedil;&atilde;o    de respostas em espelho, reveladoras da constru&ccedil;&atilde;o da integridade    do sujeito. Respostas tais como: I <I>&ldquo;Parece uma cara&rdquo; </I>e VII    &ldquo;<I>Duas caras, uma a olhar para a outra</I>&rdquo;, surgem ligadas &agrave;    estrutura&ccedil;&atilde;o do narcisismo, que por sua vez se encontra relacionado    com o grupo dos pares, que desempenha um papel fundamental durante a adolesc&ecirc;ncia,    porque se estabelecem trocas, rela&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o    entre as v&aacute;rias partes do Eu. Os objectos evocados s&atilde;o reveladores    de uma procura de protec&ccedil;&atilde;o do Eu, na rela&ccedil;&atilde;o que    estabelece com o Outro (I &ldquo;<I>Uma m&aacute;scara&rdquo;.</I>) apontando    para a necessidade de constituir um continente, suficientemente depmitador do    Eu Pr&oacute;prio, para que, a partir da&iacute;, seja poss&iacute;vel a estrutura&ccedil;&atilde;o    da rela&ccedil;&atilde;o com o Outro, na condi&ccedil;&atilde;o de Igual, existindo    a possibilidade de separa&ccedil;&atilde;o entre Um e o Outro, entre o mundo    interno e o mundo externo. </P >     <P align="justify"    >Nas respostas dadas pelos rapazes mais velhos, existe uma forte presen&ccedil;a    de objectos externos definidos de uma forma coesa, reveladores de uma maior    diferencia&ccedil;&atilde;o entre interno e externo, ou seja, de delimita&ccedil;&atilde;o    entre o sujeito e o objecto, o que nos revela a capacidade que o sujeito tem    de se percepcionar como &iacute;ntegro e separado na rela&ccedil;&atilde;o com    o Outro, com o qual passa a ser poss&iacute;vel estabelecer trocas, numa rela&ccedil;&atilde;o    de comunica&ccedil;&atilde;o entre o mundo interno e o mundo externo, agora    (re)criados (IV &ldquo;<I>Um carro de f&oacute;rmula I</I>&rdquo;). </P >     <P align="justify"    >Nas raparigas mais novas encontramos presente um maior investimento narc&iacute;sico    da imagem de si, existindo, tal como nos rapazes, um predom&iacute;nio de respostas    em espelho, que aqui s&atilde;o reveladoras de um movimento identificat&oacute;rio    na rela&ccedil;&atilde;o com o materno, uma vez que as respostas em espelho    apresentam uma maior incid&ecirc;ncia no cart&atilde;o VII &ldquo;<I>\/... Parecem    duas raparigas, assim um bocadinho para o defeitu</I><I>osas</I>&rdquo;. Existe    tamb&eacute;m uma grande sensibilidade ao branco, reveladora de um retraimento    pulsional narc&iacute;sico, o que, em termos do desenvolvimento adolescente,    est&aacute; relacionado com uma procura de sustenta&ccedil;&atilde;o e de suporte    para os processos que d&atilde;o lugar &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o da    identidade ps&iacute;quica. Nos protocolos das raparigas de 17 anos, existe    uma menor incid&ecirc;ncia de um movimento identificat&oacute;rio ao materno,    assim como uma maior capacidade de diferencia&ccedil;&atilde;o entre interno    e externo, surgindo, agora, a evoca&ccedil;&atilde;o de objectos internos (III    &ldquo;<I>Parece um cora&ccedil;&atilde;o, isto aqui vermelho</I>&rdquo;). </P >     <P    >Na dimens&atilde;o do Outro igual, no par&acirc;metro relativo aos processos    de transforma&ccedil;&atilde;o e de simboliza&ccedil;&atilde;o, nos protocolos    dos adolescentes mais novos, encontramos uma delimita&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o    ps&iacute;quico de Eu em rela&ccedil;&atilde;o ao Outro, o que &eacute; not&oacute;rio    por exemplo na resposta dada ao cart&atilde;o IX &ldquo;<I>Um port&atilde;o</I>&rdquo;.    Agora, a realidade interna e externa surgem (re)ligadas e (re)criadas, numa    rela&ccedil;&atilde;o onde est&aacute; presente a simboliza&ccedil;&atilde;o.  </P >     <P align="justify"    >Com base nos resultados encontrados neste estudo, podemos dizer que a dimens&atilde;o    do Outro igual, no in&iacute;cio do processo de desenvolvimento adolescente,    se apresenta suficientemente definido e delimitado, tanto nos rapazes como nas    raparigas, com a diferen&ccedil;a de que, nas raparigas, a dimens&atilde;o do    Outro como igual &eacute; mais not&oacute;ria nos protocolos de 13 anos, o que    s&oacute; acontece da mesma forma nos protocolos dos rapazes de 17 anos. A presen&ccedil;a    deste movimento nos protocolos das adolescentes mais novas, leva-nos a pensar    na constitui&ccedil;&atilde;o mais precoce de um continente, no qual os conte&uacute;dos    podem ser (re)significados, ou seja, existe desde logo uma maior abertura para    os pares, os iguais, o que s&oacute; &eacute; evidente mais tarde no desenvolvimento    dos rapazes. </P >     <P align="justify"    >Ao analisarmos o par&acirc;metro representa&ccedil;&atilde;o de Si para a dimens&atilde;o    do <I>Outro diferente, </I>encontr&aacute;mos nos rapazes mais novos uma estrutura&ccedil;&atilde;o    do masculino e nas raparigas uma estrutura&ccedil;&atilde;o do feminino (I <I>&ldquo;Uma    senhora assim com asas&rdquo;</I>). Nos protocolos dos adolescentes mais velhos,    os rapazes apresentam j&aacute; uma estrutura&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida    e integrada do masculino e as raparigas do feminino, mas tamb&eacute;m dos opostos,    o que significa uma integra&ccedil;&atilde;o, por parte dos rapazes, do feminino    e, por parte das raparigas, do masculino. Surgindo assim respostas com: V <I>&ldquo;Uma    borboleta sem cores, &eacute; muito pobrezinha&rdquo; </I>nos rapazes e I <I>&ldquo;Um    morcego&rdquo; </I>nas raparigas. </P >     <P align="justify"    >Encontr&aacute;mos um outro dado bastante homog&eacute;neo para rapazes e para    raparigas na representa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es, quanto    &agrave; integra&ccedil;&atilde;o das imagos parentais: assim, nos adolescentes    mais novos, quer nos rapazes, quer nas raparigas, encontr&aacute;mos uma integra&ccedil;&atilde;o    da imago paterna e, nos adolescentes mais velhos, surge a integra&ccedil;&atilde;o    da imago materna. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="justify"    >Para a dimens&atilde;o do Outro como diferente, encontr&aacute;mos diferen&ccedil;as,    quer no sexo, quer na idade, para os processos de transforma&ccedil;&atilde;o    e de simboliza&ccedil;&atilde;o. Os rapazes mais novos recorrem a respostas    mais infantis, com recurso a conte&uacute;dos animais e a tem&aacute;ticas mais    regressivas (V &ndash; R.A. <I>&ldquo;A boca tem o formato dos crocodilos que    est&atilde;o mergulhados dentro de &aacute;gua&rdquo;</I>), ao contr&aacute;rio    do que acontece nas respostas dadas pelas raparigas, em que s&atilde;o evocados    animais mais evolu&iacute;dos e possuidores de uma maior integridade, estando    associados &agrave;s banalidades dadas nas respostas aos cart&otilde;es Rorschach    (V <I>&ldquo;Uma borboleta&rdquo;</I>). </P >     <P    >Ainda dentro deste par&acirc;metro, nos protocolos dos adolescentes mais velhos,    encontramos nos rapazes e nas raparigas a possibilidade de integra&ccedil;&atilde;o    do masculino <I>no </I>e <I>com </I>o feminino, ou seja, numa mesma resposta    foi-nos poss&iacute;vel encontrar reunido o masculino e o feminino, numa rela&ccedil;&atilde;o    do tipo continente-conte&uacute;do, onde est&aacute; presente uma capacidade    de transforma&ccedil;&atilde;o e de (re)significa&ccedil;&atilde;o. </P >     <P align="justify"    >Atrav&eacute;s dos resultados encontrados para a dimens&atilde;o do Outro diferente,    podemos destacar dois aspectos que consideramos pertinentes e que s&atilde;o:    em primeiro lugar, a possibilidade de encontrarmos uma defini&ccedil;&atilde;o,    j&aacute; estabelecida e estruturada, da identidade do sujeito, na percep&ccedil;&atilde;o    do seu sexo, masculino ou feminino, logo no in&iacute;cio da adolesc&ecirc;ncia    e, em segundo lugar, uma capacidade de estrutura&ccedil;&atilde;o e de integra&ccedil;&atilde;o    do outro sexo, no decorrer deste per&iacute;odo do desenvolvimento, o que nos    foi poss&iacute;vel constatar atrav&eacute;s das respostas dadas ao Rorschach    pelos adolescentes mais velhos que participaram neste estudo. </P >     <P align="justify"    >Para o <I>Outro</I>, na condi&ccedil;&atilde;o de <I>complementar</I>, ao analisarmos    a representa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es constat&aacute;mos    que os adolescentes mais novos, mais as raparigas, n&atilde;o conseguem, numa    fase inicial da adolesc&ecirc;ncia, lidar com o desconhecido, pelo que surgem    respostas como I &ldquo;<I>Uma figura sombria</I>&rdquo;, reveladora do movimento    de turbul&ecirc;ncia e de dispers&atilde;o que tem lugar durante o processo    de desenvolvimento adolescente, no qual decorre uma (re)organiza&ccedil;&atilde;o    do antigo, agora ligado e (re)criado com o novo. </P >     <P    >Nos rapazes de 13 anos, a representa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    apresenta dois movimentos marcantes: por um lado, a presen&ccedil;a de interac&ccedil;&otilde;es    rec&iacute;procas positivas e, por outro lado, a presen&ccedil;a de interac&ccedil;&otilde;es    activas/passivas n&atilde;o agressivas. Este &uacute;ltimo tipo de interac&ccedil;&atilde;o    deu lugar ao aparecimento de outro tipo de interac&ccedil;&otilde;es, as ac&ccedil;&otilde;es    bilaterais de car&aacute;cter neutro, ou ac&ccedil;&otilde;es simples ou postura    que n&atilde;o implique movimento, na qual se inscrevem as respostas do tipo:    IV <I>&ldquo;Dois pinguins de costas um para o outro&rdquo;</I>. </P >     <P align="justify"    >Nas raparigas, a representa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es revela    uma maior incid&ecirc;ncia em ac&ccedil;&otilde;es simples ou posturas que impliquem    movimento, principalmente entre figuras humanas e em ac&ccedil;&otilde;es bilaterais    de car&aacute;cter neutro. Estas categorias mant&ecirc;m-se presentes nas respostas    dadas pelas raparigas mais velhas, o que consideramos que pode estar associado    &agrave; exist&ecirc;ncia de um forte dinamismo pulsional presente ao longo    de todo o processo de desenvolvimento adolescente. Nas raparigas mais velhas,    surge ainda uma inscri&ccedil;&atilde;o acentuada na interac&ccedil;&atilde;o    rec&iacute;proca positiva (III &ldquo;<I>Isto parece que s&atilde;o duas pessoas    que est&atilde;o a puxar qualquer coisa, e est&atilde;o frente a frente</I>&rdquo;).  </P >     <P align="justify"    >Deste modo, assistimos a um movimento quase oposto no desenvolvimento adolescente    dos rapazes e das raparigas, ou seja, os rapazes de 13 anos e as raparigas de    17 anos d&atilde;o respostas em que est&aacute; presente uma interac&ccedil;&atilde;o    rec&iacute;proca positiva, enquanto as raparigas de 13 anos e os rapazes de    17 anos apresentam uma maior inscri&ccedil;&atilde;o em ac&ccedil;&otilde;es    simples ou posturas, ainda com a diferen&ccedil;a de as raparigas darem mais    respostas de interac&ccedil;&atilde;o entre figuras humanas e os rapazes entre    animais. </P >     <P align="justify"    >Quando temos em conta os processos de transforma&ccedil;&atilde;o e de simboliza&ccedil;&atilde;o,    encontramos algumas diferen&ccedil;as entre os rapazes e as raparigas, para    a dimens&atilde;o do Outro complementar. Esta dimens&atilde;o torna-se mais    vis&iacute;vel nas respostas dadas ao Rorschach pelos adolescentes mais velhos,    o que nos d&aacute; conta da adolesc&ecirc;ncia como um espa&ccedil;o durante    o qual decorrem transforma&ccedil;&otilde;es, que por sua vez d&atilde;o lugar    a novos objectos e objectivos, existindo no final a possibilidade de o sujeito    se complementar na rela&ccedil;&atilde;o que estabelece com o(s) Outro(s). </P >     <P align="justify"    >Nos protocolos de Rorschach dos rapazes mais novos, os movimentos de transforma&ccedil;&atilde;o    e de simboliza&ccedil;&atilde;o do Outro complementar est&atilde;o menos presentes    do que nos protocolos dos adolescentes mais velhos. Os mais novos apresentam    respostas com tem&aacute;ticas de car&aacute;cter mais regressivo, enquanto    nos mais velhos encontramos respostas com um car&aacute;cter mais pragm&aacute;tico    e com um simbolismo mais transparente, nas quais est&aacute; presente uma capacidade    de liga&ccedil;&atilde;o e de articula&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e o    objecto, existindo a possibilidade de (re)encontro, do que estando em falta    se pode complementar (III &ldquo;<I>Aqui, nas zonas laterais, parecem duas pessoas    a agarrarem emalgo, talvez um saco. &Eacute; s&oacute;</I>&rdquo;). </P >     <P align="justify"    >Nas raparigas mais novas, encontramos um movimento que se assemelha ao que encontr&aacute;mos    nos adolescentes mais velhos, ou seja, existe a capacidade de perceber o que    Um tem e o que ao Outro falta, decorrendo um movimento de procura, uma actividade    de liga&ccedil;&atilde;o, na qual est&aacute; presente a transforma&ccedil;&atilde;o    (III &ldquo;\/ <I>Parecem dois homens, um virado para cada lado. /\ Assim, parece    que est&atilde;o os dois de frente</I>&rdquo;). Nas adolescentes mais velhas,    encontramos uma maior capacidade de integra&ccedil;&atilde;o, de liga&ccedil;&atilde;o    e de transforma&ccedil;&atilde;o, reveladora de uma capacidade de simboliza&ccedil;&atilde;o    mais abstracta (III &ldquo;<I>Duas pessoas, talvez paix&atilde;o</I>&rdquo;).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="justify"    >Os resultados encontrados na dimens&atilde;o do Outro como complementar, levam-nos    a pensar o Rorschach, tal como Marques (1999) o definiu, como um espa&ccedil;o    virtual, um espa&ccedil;o que potencia novas comunica&ccedil;&otilde;es, interpreta&ccedil;&otilde;es    e simboliza&ccedil;&otilde;es, um espa&ccedil;o activo, continente, no qual    &eacute; poss&iacute;vel (re)criar novos sentidos e significados para os objectos,    ou seja, constituir novos conte&uacute;dos, atrav&eacute;s do pensamento e da    simboliza&ccedil;&atilde;o, que se baseiam na identifica&ccedil;&atilde;o projectiva    e na rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica de oscila&ccedil;&atilde;o entre a    dispers&atilde;o e a integra&ccedil;&atilde;o. </P >     <P align="center"    >UM ESBO&Ccedil;O PARA NOVAS CONSTRU&Ccedil;&Otilde;ES </P >     <P align="justify"    >Como elementos fundamentais que decorrem deste estudo, sublinhamos a import&acirc;ncia    da constru&ccedil;&atilde;o do Eu adolescente na rela&ccedil;&atilde;o com o(s)    Outro(s), nas suas dimens&otilde;es de igual, de diferente e de complementar,    numa procura de novos sentires e sentidos, presente numa rela&ccedil;&atilde;o    intersubjectiva, de comunica&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de transforma&ccedil;&atilde;o    e de (re)significa&ccedil;&atilde;o. </P >     <P align="justify"    >O organizador usado possibilitou, ainda, encontrar algumas diferen&ccedil;as    em fun&ccedil;&atilde;o do sexo e da idade. No in&iacute;cio da adolesc&ecirc;ncia,    o igual, revelador da capacidade de diferencia&ccedil;&atilde;o Eu-Outro, apresenta-se    em constru&ccedil;&atilde;o, surgindo, no final da adolesc&ecirc;ncia, de uma    forma integrada e estabilizada, dando lugar ao aparecimento do Outro diferente.    Este remete-nos mais directamente para a diferencia&ccedil;&atilde;o sexual,    impondo a necessidade de integra&ccedil;&atilde;o do sexo do Pr&oacute;prio,    para posterior integra&ccedil;&atilde;o do Outro sexo. Assim, no in&iacute;cio    da adolesc&ecirc;ncia encontramos uma estabiliza&ccedil;&atilde;o do sexo do    Pr&oacute;prio, sendo vis&iacute;vel no final a integra&ccedil;&atilde;o do    Outro diferente. O Outro complementar evidencia a necessidade de integrar o    que est&aacute; em falta, o que &eacute; ainda pouco vis&iacute;vel no in&iacute;cio    da adolesc&ecirc;ncia, mas surge no final deste per&iacute;odo de uma forma    bem integrada e estabilizada, dando conta do movimento de transforma&ccedil;&atilde;o    e de simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >     <P align="justify"    >O estudo do Outro nas suas diferentes dimens&otilde;es de igual, de diferente    e de complementar, permitiu-nos constituir um outro organizador, o Outro, a    partir do qual podemos pensar as transforma&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m    lugar durante o processo de desenvolvimento adolescente. </P >     <P align="justify"    >Para que se possa realizar uma constru&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio    um espa&ccedil;o e um tempo, &eacute; assim na natureza, quando queremos plantar,    precisamos de sementes e de um tempo de cultivo. A adolesc&ecirc;ncia &eacute;    por excel&ecirc;ncia o espa&ccedil;o mas, tamb&eacute;m, o tempo durante o qual    o Eu se constr&oacute;i na rela&ccedil;&atilde;o com o(s) Outro(s), um campo    onde se cultivam as rela&ccedil;&otilde;es entre o igual, o diferente e o complementar.  </P >     <P align="justify"    >Embora o espa&ccedil;o externo de rela&ccedil;&atilde;o e de partilha, entre    o Eu e o Outro, seja importante, torna-se essencial, se n&atilde;o fundamental,    que o adolescente constitua um espa&ccedil;o interno, no qual seja poss&iacute;vel    existir um lugar de expectativa, de cria&ccedil;&atilde;o e de (re)cria&ccedil;&atilde;o,    <I>na </I>e <I>da </I>inter-subjectividade, essencial na rela&ccedil;&atilde;o    Eu-Outro. </P >     <P align="center"    >REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P    >Bion, W.R. (1961). <I>Uma teoria do pensar</I>. In E.B. Spilpus (Ed.), <I>Melanie    Klein Hoje desenvolvi</I><I>mentos da teoria e da t&eacute;cnica Vol. 1: Artigos    Predominantemente te&oacute;ricos </I>(pp. 185-1933). Imago: Rio de Janeiro.  </P >     <P    >Birraux, A. (1990). <I>L&rsquo;adolescent face &agrave; son corps. </I>Paris: Editions Universitaires. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Blos, P. (1962/1998). <I>Adolesc&ecirc;ncia. Uma interpreta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. </P >    <P    >Braconnier, A. (1985). Ruptures et s&eacute;parations. <I>Adolescence, 3</I>(1), 5-19. </P >    <P    >Chabert, C. (1997/2003). <I>O Rorschach na cl&iacute;nica do adulto</I>. psboa: Cpmepsi. </P >     <P    >Freud, S. (1915/1989). As puls&otilde;es e as suas vicissitudes. In <I>Textos    essenciais da psicanálise </I>(vol. I).Mem Martins: Publica&ccedil;&otilde;es    Europa Am&eacute;rica. </P >     <P    >Freud, S. (1917/1969). Luto e melancopa. In Edi&ccedil;&atilde;o Standart Brasileira das <I>Obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud </I>(vol. XVIII). Rio de Janeiro: Imago Editora. </P >    <P    >Freud, S. (1921/1996). Psicologia de grupo e a análise do Ego. In Edi&ccedil;&atilde;o Standart Brasileira das <I>Obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud </I>(vol. XVIII). Rio de Janeiro: Imago Editora. </P >    <P    >Green, A. (1997/2000). <I>As cadeias de Eros</I>. psboa: Cpmepsi Editores. </P >    <P    >Klein, M. (1946/1991). Notas sobre alguns mecanismos esquiz&oacute;ides. In <I>Inveja e Gratid&atilde;o e outros trabalhos 1946-1963 </I>(vol. III). Rio de Janeiro: Imago. </P >     <P    >Laufer, E. (1984). L&rsquo;utipsation du corps par l&rsquo;adolescence dans les    relations d&rsquo;objet et le transfert<I>. Adolescence</I>, <I>2</I>(2), 237-251.  </P >     <P    >Marques, M. E. (1999). <I>A psicologia cl&iacute;nica e o Rorschach</I>. psboa: Cpmepsi Editores. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P    >Marques, M. E. (2003). Sobre como &eacute; que as mulheres ficaram em sil&ecirc;ncio.    Campos, sementes e sementeiras. <I>Revista Portuguesa de Psican&aacute;lise</I>,    <I>23</I>, 55-74. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0870-8231200900030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P    >Marques, M. E. (2005). Avalia&ccedil;&atilde;o Psicol&oacute;gica do Adolescente    e do Risco. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, XXIII</I>(1), 19-26. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0870-8231200900030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Meltzer, D. (1973/1979). <I>Os estados sexuais da mente. </I>Rio de Janeiro: Imago. </P >     <!-- ref --><P    >Meltzer, D. (1990). O conflito est&eacute;tico: O seu lugar no processo de desenvolvimento.    <I>Revista Portuguesa de Psican&aacute;lise</I>, <I>8</I>, 5-30. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-8231200900030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Salgueiro, E. (1990). Breves Reflex&otilde;es sobre o Narcisimo e o objecto Est&eacute;tico    na Adolesc&ecirc;ncia<I>. Revista Portuguesa de Psican&aacute;lise, 8, </I>71-75.</P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    >(<a href="#top1">*</a><a name="1" id="1"></a>) Artigo elaborado a partir da disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado em Psicopatologia e Psicologia Cl&iacute;nica, apresentada e defendida    em 2006, ISPA </P >     <P    >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica. </P >     <P    >(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Professora    Associada do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </P >     <P    >&nbsp;</P >     ]]></body>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sobre como é que as mulheres ficaram em silêncio.: Campos, sementes e sementeiras.]]></article-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação Psicológica do Adolescente e do Risco]]></article-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O conflito estético: O seu lugar no processo de desenvolvimento]]></article-title>
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