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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crescer por dentro: A barreira de contacto no processo adolescente através do Rorschach]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The authors intended to study the specificities of the contact barrier established and recreated in adolescence as a central issue in all development and in healthy grow. It was explored all its manifestations, characteristics and functions taking into account that there is no single adolescence, but several ones, involving an extended period of time. The authors proposed to observe and describe all modifications inducted by the process of adolescence, starting from the final phase of puberty. It was adopted a developmental perspective, and the complexity of the context barriers was framed in psychic grow of the adolescent. In order to attain this aim, it manifestations in Rorschach were described and created specific procedures of analysis.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Adolescência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P   align="center" ><b>Crescer por dentro &ndash; A barreira de contacto no processo adolescente    atrav&eacute;s do Rorschach (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</b></P >     <P   align="right" >Ana Sofia Soares (<a href="#2">**</a><I><a name="top2"></a>) </I></P >     <P   align="right" >Maria Em&iacute;lia Marques (<a href="#3">***</a><I><a name="top3"></a>) </I></P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <P   align="justify" >Propusemo-nos estudar a especificidade das barreiras de contacto estabelecidas    e recriadas na adolesc&ecirc;ncia, considerando-as a chave-mestra para todo    o desenvolvimento e crescimento saud&aacute;vel. Explor&aacute;mos as suas manifesta&ccedil;&otilde;es,    caracter&iacute;sticas e funcionalidades tendo em conta que n&atilde;o existe    uma adolesc&ecirc;ncia, mas adolesc&ecirc;ncias no plural, englobando este processo    um per&iacute;odo temporal bastante longo. Partindo da fase final da puberdade    como linha orientadora do estado inicial das barreiras, propusemo-nos observar    e descrever as altera&ccedil;&otilde;es induzidas pelo processo adolescente,    adoptando uma perspectiva essencialmente desenvolvimentista, enquadrando a complexifica&ccedil;&atilde;o    das barreiras de contacto no crescimento ps&iacute;quico do jovem. Para aceder    a este objectivo descrevemos as suas manifesta&ccedil;&otilde;es no Rorschach,    tendo sido criados procedimentos de an&aacute;lise espec&iacute;ficos. </P >     <P   align="justify" ><I>Palavras chave: </I>Adolesc&ecirc;ncia, Barreira de contacto, Processos dial&eacute;cticos,    Rorschach. </P >     <P   align="center" >ABSTRACT </P >     <P   align="justify" >The authors intended to study the specificities of the contact barrier established    and recreated in adolescence as a central issue in all development and in healthy    grow. It was explored all its manifestations, characteristics and functions    taking into account that there is no single adolescence, but several ones, involving    an extended period of time. </P >     <P   align="justify" >The authors proposed to observe and describe all modifications inducted by the    process of adolescence, starting from the final phase of puberty. It was adopted    a developmental perspective, and the complexity of the context barriers was    framed in psychic grow of the adolescent. In order to attain this aim, it manifestations    in Rorschach were described and created specific procedures of analysis. </P >     <P   align="justify" ><I>Key words: </I>Adolescence, Contact barrier, Dialectical process, Rorschach.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P   align="justify" >A presente investiga&ccedil;&atilde;o procurou explorar e descrever a barreira de contacto nas suas diferentes express&otilde;es na adolesc&ecirc;ncia, onde actua na reestrutura&ccedil;&atilde;o do aparelho ps&iacute;quico inerente a este per&iacute;odo de desenvolvimento. Esta barreira, que separa porque permite o contacto, aparece como um conceito paradoxal que implica, simultaneamente, a uni&atilde;o e a separa&ccedil;&atilde;o, acarretando a constitui&ccedil;&atilde;o de processos dial&eacute;cticos comunicantes (Cabral, 1998). Para aceder &agrave; ac&ccedil;&atilde;o da barreira de contacto, recorremos a uma metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica projectiva, sendo o Rorschach utilizado enquanto instrumento que expressa e revela o espa&ccedil;o da barreira de contacto (Marques, 1994). </P >    <P   align="justify" ><I>A adolesc&ecirc;ncia </I></P >     <P   align="justify" >A adolesc&ecirc;ncia &eacute; por defini&ccedil;&atilde;o um per&iacute;odo de    desenvolvimento e de crescimento, logo deve ser considerada como uma idade de    mudan&ccedil;as e de transforma&ccedil;&otilde;es. &Eacute; comum falar-se de    adolesc&ecirc;ncia no singular, contudo trata-se de um per&iacute;odo temporal    cada vez mais extenso e marcado por processos distintos, pelo que poder&aacute;    ser mais fidedigno referirmo-nos &agrave; adolesc&ecirc;ncia no plural: &ldquo;adolesc&ecirc;ncias&rdquo;    (Marques, 1994). Diversos modelos compreensivos t&ecirc;m procurado construir    um corpo te&oacute;rico que explique o como e o porqu&ecirc; deste processo    de desenvolvimento e a natureza dos in&uacute;meros reajustamentos que o adolescente    necessita produzir para alcan&ccedil;ar a idade adulta. </P >     <P   align="justify" >No seio da teoria psicanal&iacute;tica destacam-se tr&ecirc;s corpos te&oacute;ricos distintos (Marques, 1999), mas que podemos ver numa l&oacute;gica de complementaridade. Designadamente: </P >     <P   align="justify" >1. O corpo te&oacute;rico que valoriza a <I>descontinuidade e a ruptura</I>.    O crescimento implica tens&otilde;es e consequentemente a necessidade de mudan&ccedil;a,    pelo que &eacute; dif&iacute;cil falar de processo adolescente sem se falar    de rupturas, e por rupturas est&aacute;-se a falar essencialmente da separa&ccedil;&atilde;o    das figuras parentais. A tens&atilde;o pulsional surge como impulsionadora de    todo o processo adolescente, induzindo mudan&ccedil;as nas rela&ccedil;&otilde;es    com as figuras parentais e permitindo o enfoque nas rela&ccedil;&otilde;es com    os pares, mas tamb&eacute;m produzindo mudan&ccedil;as na rela&ccedil;&atilde;o    do sujeito consigo mesmo. S&atilde;o enfatizadas as mudan&ccedil;as corporais    e o consequente desenvolvimento da sexualidade, que acarretam profundas altera&ccedil;&otilde;es    na imagem que o jovem tem de si, que ir&atilde;o permitir o acesso &agrave;    sexualidade genital, implicando a descoberta do objecto sexual e do relacionamento    sexual com o outro. S&atilde;o exactamente estas rupturas que lhe conferem um    aparente car&aacute;cter de crise. </P >     <P   align="justify" >2. O corpo te&oacute;rico que enfatiza a <I>estrutura&ccedil;&atilde;o </I>das    inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas. A constru&ccedil;&atilde;o da identidade    e consequente estrutura&ccedil;&atilde;o das inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas    constituem outro eixo fundamental no estudo da adolesc&ecirc;ncia, sendo valorizado    a fragiliza&ccedil;&atilde;o do Ego face &agrave; intensidade da tens&atilde;o    pulsional e a consequente constru&ccedil;&atilde;o de inst&acirc;ncias ideais.    Verifica-se a aquisi&ccedil;&atilde;o crescente de uma nova subjectividade,    que modifica a representa&ccedil;&atilde;o que o jovem tem de si mesmo e dos    outros. A representa&ccedil;&atilde;o de si sofre important&iacute;ssimas transforma&ccedil;&otilde;es,    adquirindo alguma estabilidade no decorrer deste per&iacute;odo. Trata-se de    um per&iacute;odo de consolida&ccedil;&atilde;o da personalidade, mas n&atilde;o    ainda da aquisi&ccedil;&atilde;o de uma personalidade definitiva, estando, de    um lado, a busca de identidade e, do outro lado, a constitui&ccedil;&atilde;o    do Ideal do Ego &ndash; forma&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica do final da adolesc&ecirc;ncia    (Matos, 2002), que leva ao dispensar da fun&ccedil;&atilde;o controladora das    figuras parentais. Ser&aacute; a partir da resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos    reavivados pelo complexo de &Eacute;dipo, assim como da nova separa&ccedil;&atilde;o    e individua&ccedil;&atilde;o conseguida, que se ir&aacute; constituir esta nova    inst&acirc;ncia que ir&aacute; tomar conta da fun&ccedil;&atilde;o reguladora    do Superego.</P >     <P   align="justify" >3. O corpo te&oacute;rico que enfoca a <I>cria&ccedil;&atilde;o e a transforma&ccedil;&atilde;o    </I>inerente a todo este processo de desenvolvimento: Neste &acirc;mbito fala-se    da cria&ccedil;&atilde;o de um novo universo objectal, relacional, identit&aacute;rio    e identificat&oacute;rio. O mundo do jovem transforma-se e a crescente autonomia    abre as portas para uma imensa diversidade de escolhas e de decis&otilde;es.    A intensa tens&atilde;o causada por estas tend&ecirc;ncias contr&aacute;rias,    cria as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o insurgimento da necessidade    de negociar, unir e ligar (Marques, 1999). Nesta negocia&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e-se    a restaura&ccedil;&atilde;o do sentimento de si, o estabelecimento de uma identidade    sexual coerente, uma reestrutura&ccedil;&atilde;o dos relacionamentos objectais,    unindo e diferenciando as rela&ccedil;&otilde;es com os objectos prim&aacute;rios    das rela&ccedil;&otilde;es com os objectos secund&aacute;rios. </P>     <P   align="justify" >Na adolesc&ecirc;ncia ocorre um importante processo transformacional, sendo uma    das fases de desenvolvimento mais importantes da vida do ser humano (Matos,    2002), tanto que posteriormente ser&atilde;o raras as vezes em que o sujeito    se ir&aacute; deparar com altera&ccedil;&otilde;es t&atilde;o profundas no funcionamento    do aparelho ps&iacute;quico. Esta fase deve ent&atilde;o ser pensada a partir    do aspecto que caracteriza todos os per&iacute;odos de desenvolvimento: a destabiliza&ccedil;&atilde;o,    a desorganiza&ccedil;&atilde;o e a regress&atilde;o que coexistem com a reorganiza&ccedil;&atilde;o,    a progress&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o (Marques, 1999). A capacidade    de manter dial&eacute;cticas adquire assim, no contexto do adolescente, uma    import&acirc;ncia fulcral, face &agrave; intensa conflitualidade inerente a    todo este processo. A capacidade para negociar, unir e coexistir com as dial&eacute;cticas    apresenta-se como &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o e sa&iacute;da para todo    este processo. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><I>A barreira de contacto </I></P >    <P   align="justify" >O desenvolvimento da teoria psicanal&iacute;tica e da pr&aacute;tica cl&iacute;nica conduziu &agrave; emerg&ecirc;ncia de novos conceitos que pudessem descrever mais fielmente o psiquismo humano. V&aacute;rios autores t&ecirc;m-se debru&ccedil;ado, assim, sobre a exist&ecirc;ncia de uma &aacute;rea intermedi&aacute;ria na psique humana que ir&aacute; permitir a realiza&ccedil;&atilde;o de trocas e o manter em contacto o mundo interno com o mundo externo, conte&uacute;dos inconscientes com conte&uacute;dos conscientes, permitindo a constitui&ccedil;&atilde;o de processos dial&eacute;cticos. </P >    <P   align="justify" >O aparelho ps&iacute;quico tem sido descrito por v&aacute;rios autores e sido objecto de diversas abordagens, sendo enfatizada a exist&ecirc;ncia de uma esp&eacute;cie de pele cuja fun&ccedil;&atilde;o seria conter os conte&uacute;dos ps&iacute;quicos. A exist&ecirc;ncia de uma pele ps&iacute;quica &eacute; descrita por Anzieu (cit. in Cabral 1998), referindo-se &agrave; exist&ecirc;ncia de uma estrutura intermedi&aacute;ria no aparelho ps&iacute;quico que funciona como um continente do espa&ccedil;o interno e que possibilita o estabelecimento de barreiras (defesas) e a filtragem de trocas (entre inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas e o exterior), sendo esta estrutura constitu&iacute;da a partir da experi&ecirc;ncia da superf&iacute;cie do corpo. Tal como a nossa pele serve de envelope ao organismo tamb&eacute;m a mente carece de um envelope ps&iacute;quico, de um continente que retenha os seus conte&uacute;dos. </P >    <P   align="justify" >A origem do conceito de barreira de contacto remonta a Freud (cit. in Cabral 1998), que muitas vezes se referiu na sua obra a um processo fundamental que permite a passagem da condi&ccedil;&atilde;o de animal sens&iacute;vel para animal falante, permitindo o nascimento de um ser concebido num mundo simb&oacute;lico e trazendo dentro de si uma capacidade infinita de sonhar, de pensar e de criar. Posteriormente, o conceito de barreira de contacto foi reutilizado por Bion (1963/1979). Essencialmente preocupado com a origem, a natureza e o desenvolvimento do pensar e do aparelho para pensar os pensamentos, encontra na barreira de contacto o processo crucial para a sua compreens&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >A barreira de contacto deve ser compreendida como uma pele ps&iacute;quica que protege o mundo interno e, simultaneamente, o separa do externo, sendo uma esp&eacute;cie de teia constru&iacute;da pela uni&atilde;o de elementos alfa, permitindo uma rede de comunica&ccedil;&otilde;es e de liga&ccedil;&otilde;es entre interno e externo (Bion, 1963/1979). &Eacute; de facto um conceito inovador porque paradoxal &ndash; uma barreira que impede a passagem porque est&aacute; em contacto e, por esta mesma raz&atilde;o, permite em parte a passagem. A sua estrutura caracteriza-se por ser um crivo ou uma peneira &ndash; e tal como a cesura &ndash; tanto separa como une o que est&aacute; de cada lado da barreira, do corte. </P >    <P   align="justify" >A barreira assume tamb&eacute;m uma tripla funcionalidade: diferenciar/mediar o contacto entre inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas e entre consciente/ /inconsciente; diferenciar/mediar o contacto entre aquilo que pertence ao sujeito e aquilo que pertence ao exterior; diferenciar/mediar entre aquilo que s&atilde;o as representa&ccedil;&otilde;es e as coisas em si (Cabral, 1998). Deste modo, assume a fun&ccedil;&atilde;o de barreira (continente) que cont&eacute;m e ret&eacute;m os conte&uacute;dos da mente, assegurando a diferencia&ccedil;&atilde;o e a separa&ccedil;&atilde;o do que &eacute; interno do externo, do que &eacute; consciente do inconsciente (superf&iacute;cie que delimita), do que &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o das coisas em si. E, por fim, assume a fun&ccedil;&atilde;o que permite o contacto, a liga&ccedil;&atilde;o e a comunica&ccedil;&atilde;o entre todos estes mundos/p&oacute;los (meio de troca). </P >    <P   align="justify" >O aparecimento da barreira de contacto &eacute; de crucial import&acirc;ncia para o funcionamento ps&iacute;quico, exercendo uma tarefa altamente especializada. O seu funcionamento &eacute; extremamente complexo, pois n&atilde;o se trata somente de separar os conte&uacute;dos conscientes dos inconscientes, mas trata-se de um lugar de relacionamento, de troca e de comunica&ccedil;&atilde;o, que na sua ess&ecirc;ncia permite a cria&ccedil;&atilde;o do pensamento (Cabral, 1998). Assim sendo, o desenvolvimento saud&aacute;vel da barreira de contacto permitir&aacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de um processo dial&eacute;ctico cont&iacute;nuo entre fantasia/ /realidade, Eu/n&atilde;o-Eu, s&iacute;mbolo/simbolizado, continente/conte&uacute;do, no qual cada p&oacute;lo cria, d&aacute; forma e nega o seu oposto, fornecendo assim os alicerces e os continentes para a forma&ccedil;&atilde;o da identidade (Cabral, 1998). </P >    <P   align="center" >A BARREIRA DE CONTACTO NA ADOLESC&Ecirc;NCIA</P >    <P   align="justify" >Se na inf&acirc;ncia assistimos ao nascimento da barreira de contacto e &agrave; sua forma&ccedil;&atilde;o inicial, ainda que bastante rudimentar, na adolesc&ecirc;ncia iremos assistir &agrave; sua estrutura&ccedil;&atilde;o e complexifica&ccedil;&atilde;o (Marques, 1999). Ao longo do desenvolvimento esta barreira ir&aacute; ganhar consist&ecirc;ncia, espessura e permeabilidade. Por um lado, ela &eacute; enriquecida com as novas experi&ecirc;ncias que o sujeito viv&ecirc;ncia, por outro lado, ela &eacute; fruto do pr&oacute;prio processo de desenvolvimento. Ser&aacute; na adolesc&ecirc;ncia que se assistir&aacute; a uma importante evolu&ccedil;&atilde;o nas suas caracter&iacute;sticas e a uma intensa complexifica&ccedil;&atilde;o das suas fun&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas. </P >    <P   align="justify" >Ser&aacute; atrav&eacute;s das fun&ccedil;&otilde;es garantidas pela barreira de contacto que vai ser poss&iacute;vel a resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos que est&atilde;o na origem do processo adolescente (Marques, 1999). Esta estrutura vai permitir a ocorr&ecirc;ncia das transforma&ccedil;&otilde;es e das mudan&ccedil;as inerentes &agrave; adolesc&ecirc;ncia: </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >(a) a <I>separa&ccedil;&atilde;o </I>&ndash; pois a barreira garante a continuidade e a capacidade para o sujeito guardar (continente) dentro de si os elementos b&aacute;sicos do ser, permitindo assim a confian&ccedil;a necess&aacute;ria para a separa&ccedil;&atilde;o e ulterior uni&atilde;o; (b) a <I>estrutura&ccedil;&atilde;o </I>&ndash; uma nova e mais complexa diferencia&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o ps&iacute;quico: face &agrave;s novas experi&ecirc;ncias e viv&ecirc;ncias &eacute; necess&aacute;rio uma barreira (superf&iacute;cie) que ordena, separa, diferencia e selecciona o que deve permanecer, o que deve ser exclu&iacute;do e o que deve ser reciclado; (c) a <I>cria&ccedil;&atilde;o </I>&ndash; funcionando como um ponto de encontro/contacto (troca) que permite a uni&atilde;o, a liga&ccedil;&atilde;o, a comunica&ccedil;&atilde;o entre os conte&uacute;dos dispersos da mente e entre o exterior/interior (Cabral, 1998). </P >    <P   align="justify" >A barreira de contacto &eacute; na sua ess&ecirc;ncia um processo em cont&iacute;nua forma&ccedil;&atilde;o, dependendo a sua constitui&ccedil;&atilde;o da natureza dos elementos que a formam e da rela&ccedil;&atilde;o que estabelecem entre si. Podemos considerar que a condi&ccedil;&atilde;o fundamental para o desenvolvimento ps&iacute;quico saud&aacute;vel, depende da constitui&ccedil;&atilde;o no interior da psique duma fun&ccedil;&atilde;o continente, maturativa e transformadora que ir&aacute; favorecer a integra&ccedil;&atilde;o progressiva das experi&ecirc;ncias emocionais, num permanente processo de oscila&ccedil;&atilde;o entre os p&oacute;los, numa cada vez maior toler&acirc;ncia &agrave; dor mental (Marques, 1999). </P >     <P   align="justify" >Esta estrutura ir&aacute; sofrer important&iacute;ssimas transforma&ccedil;&otilde;es    no decorrer deste per&iacute;odo de desenvolvimento e ser&atilde;o, essencialmente,    as mudan&ccedil;as, as transforma&ccedil;&otilde;es, as negocia&ccedil;&otilde;es    e as uni&otilde;es inerentes a todo o processo adolescente que ir&atilde;o impor    a renova&ccedil;&atilde;o da barreira de contacto, dotando-a de caracter&iacute;sticas    de maior permeabilidade e de maior flexibilidade, induzindo o crescimento (Marques,    1999). Desta forma, verifica-se toda uma reconstru&ccedil;&atilde;o da barreira,    que se torna mais &iacute;ntegra e semiperme&aacute;vel se a &ldquo;crise&rdquo;    da adolesc&ecirc;ncia for resolvida de forma positiva, permitindo assim o crescimento,    mas que se, pelo contr&aacute;rio, o processo adolescente n&atilde;o resultar    num crescimento, esta barreira se tornar&aacute; r&iacute;gida e inconsistente,    n&atilde;o permitindo trocas entre as inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas. Sumariamente,    o bom estado da barreira conduz &agrave; expans&atilde;o da mente e ao crescimento,    permitindo o aumento de toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o,    &agrave; d&uacute;vida, ao desconhecido e &agrave; dor mental, enquanto que    sem a exist&ecirc;ncia da barreira de contacto n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel    pensar os pensamentos, sonhar, distinguir fantasia e realidade, consciente e    inconsciente (Cabral, 1998). </P >     <P   align="center" >METODOLOGIA </P >    <P   align="justify" >O Rorschach foi utilizado neste estudo enquanto instrumento de observa&ccedil;&atilde;o e de descri&ccedil;&atilde;o, sendo um instrumento que possibilita o encontro com o funcionamento ps&iacute;quico e uma via r&aacute;pida de acesso ao processo adolescente. Ao ser considerado deste modo, o Rorschach revela as suas enormes potencialidades essencialmente enquanto metodologia de uma psican&aacute;lise aplicada, que tem como preocupa&ccedil;&atilde;o dominante demonstrar o funcionamento ps&iacute;quico do sujeito, tornando-se num auxiliar no acesso ao conhecimento do ser psicol&oacute;gico (Marques, 1999). </P >    <P   align="justify" >O pr&oacute;prio instrumento remete por si mesmo para o posicionamento do sujeito num espa&ccedil;o intermedi&aacute;rio, reactivando assim a barreira de contacto. Ao considerar-se a analogia do Rorschach como um telesc&oacute;pio e o sujeito como um universo, est&aacute;-se a desenvolver o telesc&oacute;pio, a afinar as suas lentes de modo a obter-se uma imagem mais pr&oacute;xima do que se quer conhecer e, porque se tem esta lente mais avan&ccedil;ada, pode-se vislumbrar mais fielmente este universo. Assim, a pr&oacute;pria metodologia Rorschach foi actualizada de forma a potenciar a sua sensibilidade ao fen&oacute;meno adolescente &agrave; luz do conceito de barreira de contacto. </P >    <P   align="justify" ><I>Participantes </I></P >    <P   align="justify" >A recolha de protocolos decorreu no agrupamento vertical da Escola D. Pedro II na Moita, no decorrer dos meses de Dezembro 2005 e Janeiro 2006, com a devida autoriza&ccedil;&atilde;o do Conselho Executivo. Nesta recolha foram seleccionadas aleatoriamente duas turmas: uma turma predominantemente com jovens entre os 14 e os 15 anos e outra turma com jovens entre os 16 e 18 anos. Os jovens foram convidados a participar no estudo e seleccionaram-se 20 segundo o crit&eacute;rio idade e sexo, daqueles que acederem ao nosso convite e se mostraram predispostos a participar. Foram assim reunidos 20 protocolos: 5 de rapazes de 14 anos, 5 de raparigas de 14 anos, 5 rapazes de 17 anos e 5 de raparigas de 17 anos. </P >    <P   align="justify" ><I>Procedimentos de an&aacute;lise </I></P >    <P   align="justify" >No decorrer da an&aacute;lise dos protocolos procur&aacute;mos seguir o modelo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento descrito por Marques (1999), percorrendo as seguintes fases: primeiro, observar e descrever; seguidamente ligar os elementos destacados, estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es e significa-&ccedil;&otilde;es entre esses elementos; e, por fim, simbolizar para os transformar, isto &eacute;, dar-lhes outro sentido de modo a aumentar o conhecimento. Desta forma, come&ccedil;&aacute;mos por analisar os conte&uacute;dos formais dos protocolos, atrav&eacute;s dos psicogramas e dos elementos de cota&ccedil;&atilde;o, para seguidamente realizarmos uma interpreta&ccedil;&atilde;o do simbolismo e simboliza&ccedil;&atilde;o das respostas nestes protocolos. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A utiliza&ccedil;&atilde;o do Rorschach neste trabalho prende-se com a procura de elementos de comunica&ccedil;&atilde;o e de transforma&ccedil;&atilde;o. Para tal, explor&aacute;mos no Rorschach poss&iacute;veis manifesta&ccedil;&otilde;es da barreira de contacto, examinando no pr&oacute;prio instrumento os procedimentos que nos permitam aceder a esta inst&acirc;ncia psicol&oacute;gica. Centr&aacute;mo-nos no conceito de barreira de contacto a partir das suas caracter&iacute;sticas fundamentais: a separa&ccedil;&atilde;o, a liga&ccedil;&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o e os processos dial&eacute;cticos. Por fim, focalizamos o presente estudo nos modos de rela&ccedil;&atilde;o e de mobiliza&ccedil;&atilde;o entre a realidade e a fantasia, ou seja, nos processos psicol&oacute;gicos que criam condi&ccedil;&otilde;es para que sejam atribu&iacute;dos significados &agrave;s experi&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos. </P >    <P   align="justify" ><I>Procedimentos de an&aacute;lise do vector separa&ccedil;&atilde;o/barreira: </I>Procur&aacute;mos neste vector os procedimentos que permitem observar e caracterizar os mecanismos de separa&ccedil;&atilde;o, o estabelecimento de limites entre Eu/Outro, entre interno/externo, as inst&acirc;ncias ps&iacute;quicas e o consciente/inconsciente. Nomeadamente: os <I>G </I>que nos permitem observar as capacidades b&aacute;sicas dos sujeitos em separar e diferenciar interno de externo, Eu de Outro; os <I>F </I>que consistem em estabelecer os limites; os determinantes sensoriais <I>C </I>e <I>E </I>que remetem para a capacidade de separa&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o. As refer&ecirc;ncias socializantes de base, com os <I>F+</I>, <I>A%</I>, <I>H% </I>e <I>Ban </I>dentro dos valores normativos, s&atilde;o testemunhas de uma delimita&ccedil;&atilde;o efectiva entre dentro e fora, demonstrando que est&aacute; constitu&iacute;do um quadro que permite circunscrever a realidade externa da realidade interna (Chabert, 1998). Estes procedimentos ir&atilde;o permitir a an&aacute;lise e a descri&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o vital assegurada pela barreira de contacto: ser barreira e separar na sua tripla vertente &ndash; interno/externo, sujeito/objecto e intraps&iacute;quica. </P >    <P   align="justify" ><I>Procedimentos de an&aacute;lise do vector liga&ccedil;&atilde;o/ /contacto: </I>Outro dos vectores em estudo na presente investiga&ccedil;&atilde;o foi a an&aacute;lise da fun&ccedil;&atilde;o assegurada pela barreira de contacto: permitir o contacto, a liga&ccedil;&atilde;o, a troca, a rela&ccedil;&atilde;o e a comunica&ccedil;&atilde;o. Os procedimentos que nos permitem aceder a esta fun&ccedil;&atilde;o s&atilde;o essencialmente: os <I>D </I>quando associado a um percepto de &ldquo;boa qualidade&rdquo; e os <I>Dd </I>quando dentro de valores normativos; os <I>F-</I>na ordem dos 20%; as cinestesias <I>Kob </I>e <I>Kan</I>; no Psicograma iremos destacar a <I>TRI </I>e a <I>FC</I>. Estes factores revelam um compromisso e uma certa flexibilidade na barreira, uma certa permeabilidade no arranjo do funcionamento mental, s&atilde;o janelinhas de emerg&ecirc;ncias inconscientes, que permitem a troca e a comunica&ccedil;&atilde;o intraps&iacute;quica (Chabert, 1998). </P >    <P   align="justify" ><I>Procedimentos de an&aacute;lise do vector cria&ccedil;&atilde;o: </I>Outro dos vectores em estudo passou pela an&aacute;lise e descri&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o vital assegurada pela barreira de contacto de cria&ccedil;&atilde;o, ou seja, a capacidade para originar um pensamento ordenado e a possibilidade de criar s&iacute;mbolos. Os procedimentos que nos permitem aceder a este vector s&atilde;o: os <I>G organizados </I>que testemunham a exist&ecirc;ncia de um espa&ccedil;o ps&iacute;quico pr&oacute;prio e de uma interioridade efectiva, manifestando a exist&ecirc;ncia de uma barreira flex&iacute;vel e operante; os <I>K </I>que constituem o prot&oacute;tipo do produto transitivo, da barreira de contacto, onde o paradoxo &eacute; levado ao extremo na dupla perten&ccedil;a das imagens &agrave; realidade e &agrave; ilus&atilde;o. Estes factores testemunham a conduta de sujeitos que remodelam o material dando-lhe a marca da sua subjectividade e modificando-a (Chabert, 2000). </P >    <P   align="justify" ><I>Procedimentos de an&aacute;lise dos processos dial&eacute;cticos: </I>A exist&ecirc;ncia de uma barreira de contacto funcional e saud&aacute;vel, permitir&aacute; encontrar os p&oacute;los da realidade e da fantasia claramente separados, diferenciados e delimitados, mas tamb&eacute;m unidos, ligados e comunicantes. Procur&aacute;mos identificar os momentos e os movimentos que nos d&atilde;o conta desses processos dial&eacute;cticos, descrevendo os modos como o sujeito se aproxima da (p&oacute;lo) realidade e da (p&oacute;lo) fantasia e, como as aproxima entre si no processo criativo de elabora&ccedil;&atilde;o da resposta. </P >    <P   align="justify" >Quando o funcionamento ps&iacute;quico n&atilde;o &eacute; capaz de aceitar as oposi&ccedil;&otilde;es inerentes aos processos dial&eacute;cticos, as dial&eacute;cticas ir&atilde;o surgir com algumas limita&ccedil;&otilde;es. A psicopatologia da simboliza&ccedil;&atilde;o &eacute; baseada em formas espec&iacute;ficas de fracasso para criar ou manter estas dial&eacute;cticas (Ogden, 1985), que por sua vez ir&atilde;o apontar para falhas na constitui&ccedil;&atilde;o de barreira de contacto, que n&atilde;o permite a comunica&ccedil;&atilde;o, a liga&ccedil;&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o. </P >      <p   align="justify" >1. P&oacute;lo da fantasia predomina sobre o p&oacute;lo da realidade; </P >        <p   align="justify" >2. P&oacute;lo da realidade &eacute; dominante sobre o p&oacute;lo da fantasia;      <p   align="justify" >3. Os p&oacute;los encontram-se dissociados; N&atilde;o ocorre a cria&ccedil;&atilde;o    dos p&oacute;los.      <p   align="justify" >&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >AN&Aacute;LISE E DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS </P >       <P   align="justify" >No grupo de <I>jovens p&uacute;beres </I>estudados, evidencia-se imediatamente      um funcionamento mental m&oacute;bil, diversificado, intenso. Apesar de terem      sido detectadas algumas <I>nuances </I>entre os rapazes e as raparigas, encontramos      v&aacute;rios pontos comuns, que reflectem o est&aacute;dio de desenvolvimento      em que se encontram e as quest&otilde;es b&aacute;sicas organizativas do seu      funcionamento mental. Observa-se constantemente altern&acirc;ncias entre posi&ccedil;&otilde;es      defensivas e o deixar-se ir, deixando-se os jovens envolver pelo material.      A problem&aacute;tica dominante &eacute; indubitavelmente a representa&ccedil;&atilde;o      de si e a constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade s&oacute;lida (&ldquo;<I>um      boneco com p&eacute;s enormes e umas m&atilde;os um bocado esquisitas</I>&rdquo;).      Deste modo, encontramos um forte investimento nos determinantes formais, contudo,      a sua qualidade perceptiva &eacute; frequentemente posta em causa, numa busca      activa de estabelecimento de limites, num investimento maci&ccedil;o na procura      duma imagem corporal e f&iacute;sica &iacute;ntegras. </P >       <P   align="justify" >Na an&aacute;lise do psicograma salientam-se alguns tra&ccedil;os espec&iacute;ficos,      nomeadamente o n&uacute;mero de respostas m&eacute;dio por protocolo que &eacute;      ligeiramente inferior aos dados normativos esperados. Estas caracter&iacute;sticas      devem-se essencialmente &agrave; predomin&acirc;ncia das respostas globais      nos protocolos, dando os jovens somente uma resposta por cart&atilde;o nos      cart&otilde;es compactos, observando-se um aumento significativo de respostas      com a introdu&ccedil;&atilde;o dos cart&otilde;es de cor pastel. No geral,      os protocolos s&atilde;o dominados por determinantes formais, sendo a intensidade      das puls&otilde;es saliente nas frequentes derrapagens formais dos engramas.      Observamos ainda alguma sensibilidade ao pormenores brancos, surgindo numerosos      Gbl, que denotam o sentimento de incompletude, de falha que &eacute; necess&aacute;rio      preencher e objectualizar a todo custo (&ldquo;<I>um vestido com encharpe</I>&rdquo;).      Por fim, encontramos uma caracter&iacute;stica fundamental nestes protocolos:      a predomin&acirc;ncia exacerbada dos conte&uacute;dos animais e a fraca express&atilde;o      dos conte&uacute;dos humanos. Quando estes &uacute;ltimos aparecem s&atilde;o      regra geral figuras irreais e para-humanas (&ldquo;<I>parece-me um vampiro</I>&rdquo;).    </P >       <P   align="justify" >Da an&aacute;lise efectuada aos protocolos dos jovens p&uacute;beres, observamos      &agrave; partida uma separa&ccedil;&atilde;o incisiva entre interno e externo,      encontramos expressa a necessidade de separar, de diferenciar e de cindir,      para n&atilde;o haver risco de fus&atilde;o e de confus&atilde;o. Esta necessidade      de enfatizar os limites coexiste com a necessidade de contesta&ccedil;&atilde;o      e experimenta&ccedil;&atilde;o dos mesmos, de forma a perceber a sua firmeza      e a sua plasticidade. Parte do processo de estabiliza&ccedil;&atilde;o dos      limites passa pelo seu conhecimento, e este conhecimento exige a experimenta&ccedil;&atilde;o.      Esta tend&ecirc;ncia revela-se no elevado n&uacute;mero de respostas G, F+,      Ban, sendo recorrente a utiliza&ccedil;&atilde;o de resposta do tipo &ldquo;<I>parece      uma carpete de pele de urso</I>&rdquo; e &ldquo;<I>isto parece mesmo uma borboleta</I>&rdquo;;      ela revela-se igualmente nos conte&uacute;dos utilizados como objectos, m&aacute;scaras,      carapa&ccedil;as e vestu&aacute;rio em propor&ccedil;&atilde;o significativa      &ndash; &ldquo;<I>uma m&aacute;scara de Wrestling</I>&rdquo;; &ldquo;<I>tartaruga</I>&rdquo;;      &ldquo;<I>uma camisa</I>&rdquo;. Observ&aacute;mos tamb&eacute;m a amea&ccedil;a      constante que estes limites sofrem, tanto das press&otilde;es internas atrav&eacute;s      das puls&otilde;es (com maior intensidade nos rapazes), que se revela em especial      nos kob e nos C &ndash; &ldquo;<I>Fogo de Artif&iacute;cio</I>&rdquo; &ndash;      como das press&otilde;es externas atrav&eacute;s da excitabilidade provocada      pelo real (com maior intensidade nas raparigas). Surge, por fim, na maior      sensibilidade &agrave; cor acompanhada de determinantes formais &ndash; &ldquo;<I>o      c&aacute;lice de fogo do Harry Potter</I>&rdquo;. </P >       <P   align="justify" >Estas tens&otilde;es dificultam os processos de comunica&ccedil;&atilde;o e de      negocia&ccedil;&atilde;o, encontrando os jovens como resolu&ccedil;&atilde;o      para este conflito a rigidez dos contornos, atrav&eacute;s da enfatiza&ccedil;&atilde;o      dos limites (como acontece nos conte&uacute;dos animais com carapa&ccedil;a      &ldquo;<I>caranguejos</I>&rdquo;). Todavia, emergem ocasionalmente as tens&otilde;es      que tomam lugar &agrave; express&atilde;o (&ldquo;<I>diria que &eacute; o      Hulk... a fazer um dedo feio</I>&rdquo;), accionando j&aacute; importantes      elos de liga&ccedil;&atilde;o e estabelecendo algumas pontes comunicantes,      essenciais para o crescimento do funcionamento ps&iacute;quico dos jovens      p&uacute;beres. Contudo, detectamos ainda alguma fragilidade de processos      consonante com a idade dos jovens, n&atilde;o estando as fun&ccedil;&otilde;es      da barreira de contacto totalmente operacionais. Encontramos ainda diversas      fragilidades de funcionamento e uma importante rigidez que consideramos caracter&iacute;sticas      desta fase de desenvolvimento. </P >       <P   align="justify" >Nos processos dial&eacute;cticos, observamos uma predomin&acirc;ncia dos elos      com o p&oacute;lo da realidade &ndash; no predom&iacute;nio do uso dos determinantes      formais, em especial de boa qualidade perceptiva e nas <I>Ban</I>. A realidade      &eacute; usada predominantemente como uma defesa contra a fantasia. O exacerbamento      do p&oacute;lo da realidade e a excessiva racionaliza&ccedil;&atilde;o impedem      o estabelecimento de uma troca din&acirc;mica entre o p&oacute;lo da realidade      e o p&oacute;lo da fantasia, o que possibilitaria a cria&ccedil;&atilde;o      e a imagina&ccedil;&atilde;o. A resson&acirc;ncia dial&eacute;ctica dos significados      da realidade e da fantasia &eacute; limitada e o p&oacute;lo da fantasia consegue      emergir e encontrar um meio de express&atilde;o, n&atilde;o desaparecendo      totalmente. </P >        <P   align="justify" >No grupo de <I>jovens adolescentes </I>aqui estudados, observa-se a predomin&acirc;ncia    de posi&ccedil;&otilde;es activas e por vezes defensivas, sendo o deixar-se    ir e o deixar-se envolver pelo material vivido com destabiliza&ccedil;&atilde;o    e desorganiza&ccedil;&atilde;o para o funcionamento ps&iacute;quico, estando    estes movimentos em constante negocia&ccedil;&atilde;o. Claramente, a problem&aacute;tica    da viv&ecirc;ncia do corporal, do pulsional, da representa&ccedil;&atilde;o    de si e da constru&ccedil;&atilde;o da identidade ainda est&atilde;o mal mentalizadas    (&ldquo;<I>o corpo, a cabe&ccedil;a, as costelas... uma pessoa</I>&rdquo;).    Encontramos deste modo um forte investimento nos determinantes formais, contudo,    a sua qualidade perceptiva &eacute; frequentemente posta em causa, numa procura    activa do estabelecimento de limites, numa diferencia&ccedil;&atilde;o entre    Eu e objecto, num movimento constante de regress&atilde;o e progress&atilde;o    face ao relacional (&ldquo;<I>assim... bonecos prontos para dar um beijo um    ao outro</I>&rdquo;, logo seguido de, &ldquo;<I>ou ent&atilde;o... assim parece    mais um robot sem cabe&ccedil;a</I>&rdquo;). </P >       <P   align="justify" >Na an&aacute;lise do psicograma, no geral, este grupo apresenta tra&ccedil;os      muito semelhantes ao grupo de jovens p&uacute;beres. Assim, o n&uacute;mero      de respostas m&eacute;dio por protocolo &eacute; ligeiramente inferior aos      dados normativos esperados, encontrando-se uma m&eacute;dia semelhante ao      grupo anteriormente estudado. A diversidade de determinantes &eacute;, neste      grupo de jovens adolescentes, uma caracter&iacute;stica presente nos protocolos,      ao contr&aacute;rio do grupo de jovens p&uacute;beres que investem quase que      exclusivamente nos determinantes formais. Encontramos assim, uma importante      sensibilidade &agrave; cor, quer seja aos negros (&ldquo;<I>parece um daqueles      bichos que anda na noite, um morcego</I>&rdquo;), aos vermelhos (&ldquo;<I>pulm&otilde;es</I>&rdquo;)      e aos pastel (&ldquo;<I>uma rosa</I>&rdquo;), sendo estes frequentemente significativos      na determina&ccedil;&atilde;o das respostas dos jovens e sendo inclusive dominantes      na emerg&ecirc;ncia do engrama. Os determinantes esbatimentos tamb&eacute;m      aparecem (&ldquo;<I>um gato aberto... a parte do p&ecirc;lo</I>&rdquo;), apesar      de assumirem um papel pouco expressivo. Todavia, s&atilde;o os determinantes      formais os que mais se destacam, excedendo claramente nalguns protocolos a      m&eacute;dia esperada e perdendo frequentemente a boa qualidade perceptiva.      S&atilde;o assim numerosos os F- excedendo os valores esperados (&ldquo;<I>os      intes</I><I>-</I><I>tinos</I>&rdquo;). Observa-se, ainda, de forma mais frequente      do que no grupo anterior, a utiliza&ccedil;&atilde;o frequente de cinestesias      (&ldquo;<I>2 mulheres a mexer num alguidar</I>&rdquo;; &ldquo;<I>2 p&aacute;ssaros...      a descer</I>&rdquo;, e diversos kob &ldquo;<I>parece um tornado</I>&rdquo;),      o que vem enriquecer significativamente os protocolos, evidenciando caracter&iacute;sticas      de mobilidade e de diversidade no funcionamento mental, assim como, a necessidade      expressa destes jovens de se afirmarem e adoptarem condutas activas numa clara      identifica&ccedil;&atilde;o com imagens de pot&ecirc;ncia (&ldquo;<I>um gigante</I>&rdquo;).    </P >       <P   align="justify" >Por fim, encontramos uma caracter&iacute;stica fundamental nestes protocolos:      a predomin&acirc;ncia exacerbada dos conte&uacute;dos animais e a fraca express&atilde;o      dos conte&uacute;dos humanos, surgindo igualmente conte&uacute;dos que reflectem      um ligeiro aumento do &iacute;ndice de ang&uacute;stia (Sx, Anat, Hd). Acentua-se      neste grupo de jovens adolescentes a tend&ecirc;ncia para surgir mais conte&uacute;dos      animais e menos conte&uacute;dos humanos, o que nos remete para acentuadas      dificuldades de identidade que persistem por solucionar. </P >       <P   align="justify" >Da an&aacute;lise efectuada aos protocolos dos jovens adolescentes, observamos      que, no geral, este grupo afasta-se cada vez mais do padr&atilde;o dos dados      normativos esperados, afastando-se ainda mais da norma, o que consideramos      estar directamente relacionado com o eclodir da &ldquo;crise adolescente&rdquo;,      ou seja, encontramos aqui os processos transformacionais adolescentes no seu      rubro, sendo a linha que separa um funcionamento normativo de um patol&oacute;gico      bastante t&eacute;nue, face &agrave; intensidade de processos. Encontramos      em ac&ccedil;&atilde;o algumas caracter&iacute;sticas fundamentais do funcionamento      da barreira de contacto, observamos neste grupo uma diferencia&ccedil;&atilde;o      efectiva entre interno e externo (&ldquo;<I>uma tartaruga</I>&rdquo;), todavia,      a p&aacute;raexcita&ccedil;&atilde;o de movimentos internos e externos torna-se      de dif&iacute;cil controlo (&ldquo;<I>um fogo de artificio, est&aacute; tudo      espalhado</I>&rdquo;). Acentua-se neste grupo a necessidade de contestamento      da firmeza dos tra&ccedil;os e das orlas, assim como de experimenta&ccedil;&atilde;o      dos limites, denotando uma significativa inseguran&ccedil;a das barreiras      com contornos mais porosos e menos contentores (&ldquo;<I>isto aqui s&atilde;o      teias</I>&rdquo;). Observ&aacute;mos tamb&eacute;m a amea&ccedil;a constante      que estes limites sofrem, tanto das press&otilde;es internas atrav&eacute;s      das puls&otilde;es (&ldquo;<I>sangue</I>&rdquo;), como das externas atrav&eacute;s      da excitabilidade provocada pelo real (&ldquo;<I>um p&ocirc;r-do-sol</I>&rdquo;),      que se intensificam e muito nesta fase de desenvolvimento. </P >        ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Estas tens&otilde;es exigem um processo cont&iacute;nuo de comunica&ccedil;&atilde;o,    de compromisso e de negocia&ccedil;&atilde;o, encontrando os jovens como resolu&ccedil;&atilde;o    para este conflito a flexibilidade dos contornos, a plasticidade da barreira    que permite a passagem e o movimento de vaiv&eacute;m entre p&oacute;los e entre    processos (&ldquo;<I>&eacute; tamb&eacute;m um morcego, s&oacute; que est&aacute;    a voar</I>&rdquo;; &ldquo;<I>2 pessoas lado a lado</I>&rdquo;). Constat&aacute;mos    assim a exist&ecirc;ncia de importantes elos de liga&ccedil;&atilde;o, a exist&ecirc;ncia    de pontes comunicantes, fundamentais para o crescimento do funcionamento ps&iacute;quico    dos jovens em pleno desenvolvimento. Contudo, observamos ainda alguma imaturidade    de processos, coexistindo o infantil com a vontade de &ldquo;ser crescido&rdquo;.    A dial&eacute;ctica da realidade e da fantasia entra em colapso na direc&ccedil;&atilde;o    da fantasia, ou seja, a realidade &eacute; submergida pela fantasia. Todavia,    n&atilde;o se observa uma nega&ccedil;&atilde;o do real, nem a incapacidade    de simbolizar/representar, tal como foram descritos por Ogden (1985). </P >       <P   align="center" >CONCLUS&Otilde;ES </P >       <P   align="justify" >Na explora&ccedil;&atilde;o dos protocolos estudados, encontramos evid&ecirc;ncias      inquestion&aacute;veis da exist&ecirc;ncia de uma barreira de contacto que      separa, que selecciona e que diferencia conte&uacute;dos ps&iacute;quicos,      objectos internos de externos, processos conscientes de inconscientes, uma      barreira que permite a liga&ccedil;&atilde;o e a comunica&ccedil;&atilde;o.      No entanto, face &agrave; pluralidade de processos ps&iacute;quicos e face      &agrave;s especificidades de cada um dos protocolos estudados, foi extremamente      complexo encontrar pontos de contacto e encontrar &ldquo;continentes&rdquo;      que contivessem os pensamentos emergentes. </P >        <P   align="justify" >H&aacute; uma necessidade intensa dos <I>jovens p&uacute;beres </I>para realizarem    separa&ccedil;&otilde;es e cesuras, mantendo ambos os mundos devidamente afastados,    denotando-se nesta fase de desenvolvimento alguns tra&ccedil;os de inflexibilidade    e de rigidez na barreira. Tra&ccedil;os que se tornam necess&aacute;rios como    forma de controlo, face &agrave; intensidade das puls&otilde;es que come&ccedil;am    a emergir e a uma excitabilidade intensa suscitada pelos objectos. A &ecirc;nfase    dada na formaliza&ccedil;&atilde;o excessiva vai no sentido de um melhor controlo,    de um afastamento das puls&otilde;es e dos est&iacute;mulos externos, todavia,    o equil&iacute;brio entre o que a barreira deixa passar e aquilo que ret&eacute;m    nem sempre &eacute; f&aacute;cil, pois aproxima-se o rubro da &ldquo;crise adolescente&rdquo;    e o &ldquo;caos&rdquo; &eacute; inevit&aacute;vel. Assim, observa-se a exist&ecirc;ncia    de algumas pontes comunicantes, mas ainda pouco s&oacute;lidas.</P >     <P   align="justify" >No grupo de <I>jovens adolescentes</I>, observ&aacute;mos uma intensifica&ccedil;&atilde;o    dos mecanismos defensivos, mas tamb&eacute;m um aumento exponencial da excitabilidade    pelo real e de tens&atilde;o interna, que exigem uma maior flexibilidade e plasticidade    na barreira. Existe, de facto, uma barreira de contacto que permite a separa&ccedil;&atilde;o    e a diferencia&ccedil;&atilde;o, apesar das constantes amea&ccedil;as, quer    internas, quer externas, sendo um imperativo o accionamento de importantes elos    de liga&ccedil;&atilde;o e o estabelecimento de algumas pontes comunicantes,    fundamentais para o crescimento do funcionamento ps&iacute;quico dos jovens.    Deste modo, surgem maiores fragilidades na conten&ccedil;&atilde;o e firmeza    dos contornos que &eacute; preciso testar, acentua-se neste grupo a necessidade    de experimenta&ccedil;&atilde;o dos limites.</P >     <P   align="justify" >Testemunh&aacute;mos, ao longo deste trabalho, a exist&ecirc;ncia de uma barreira      de contacto operante, que assegura as fun&ccedil;&otilde;es de separa&ccedil;&atilde;o,      uni&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o no funcionamento ps&iacute;quico dos      jovens, mas ainda com tra&ccedil;os acentuados de fragilidade de processos.      Constat&aacute;mos algumas diferen&ccedil;as significativas nos dois grupos      estudados. Assim, nos jovens p&uacute;beres, acentuam-se os limites e a necessidade      de separa&ccedil;&atilde;o interno/externo, enquanto nos jovens adolescentes,      evidenciam-se os movimentos de comunica&ccedil;&atilde;o e de negocia&ccedil;&atilde;o,      sendo estes fundamentais face &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o das puls&otilde;es      e complexidade de processos ps&iacute;quicos. </P >       <P   align="justify" >Ao longo desta investiga&ccedil;&atilde;o procur&aacute;mos demonstrar a pertin&ecirc;ncia      do presente estudo, centrando-nos na import&acirc;ncia que a barreira de contacto      assume no desenvolvimento do funcionamento ps&iacute;quico e, em especial,      no decorrer do processo adolescente. Apesar dos amplos estudos j&aacute; existentes      sobre a adolesc&ecirc;ncia, julg&aacute;mos ser relevante estudar as caracter&iacute;sticas      da barreira de contacto neste per&iacute;odo de desenvolvimento, observando      mais de perto a sua forma&ccedil;&atilde;o, transforma&ccedil;&atilde;o, complexifica&ccedil;&atilde;o      e cria&ccedil;&atilde;o no decorrer deste processo, de modo a trazer uma nova      perspectiva sobre esta tem&aacute;tica. Por outro lado, sendo o estudo sistem&aacute;tico      da barreira muito recente, consideramos ser pertinente contribuir para o aumento      de conhecimento sobre este conceito, relacionando-o fertilmente com o desenvolvimento      do ser psicol&oacute;gico. </P >       <P   align="justify" >Tendo sido a partir da inscri&ccedil;&atilde;o nos modelos psicanal&iacute;ticos      que o Rorschach foi fundamentado, faz todo o sentido que seja actualizado      relativamente aos progressos inscritos nestes mesmos modelos. Tendo em conta      que o Rorschach &eacute; um instrumento de primordial import&acirc;ncia na      cl&iacute;nica, consider&aacute;mos ser pertinente contribuir para o desenvolvimento      de suas potencialidades, actualizando-o relativamente aos novos paradigmas      que emergem no seio da teoria psicanal&iacute;tica, numa tentativa de estender      uma ponte comunicante entre a metodologia e a teoria, de forma a constituir-se      por si s&oacute; num instrumento de investiga&ccedil;&atilde;o. </P >       <P   align="center" >REFER&Ecirc;NCIAS </P >       <P   align="justify" >Bion, W. R. (1963/1979). <I>Aux sources de l&rsquo;exp&eacute;rience. </I>Paris:      Presses Universitaires de France. </P >       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Bion, W. R. (1963/1979). <I>El&eacute;ments de la psycho</I><I>-</I><I>analyse</I>.      Paris: Presses Universitaires de France. </P >        <P   align="justify" >Cabral, M. F. (1998). <I>Pensar a emo&ccedil;&atilde;o: O processo </I><I>psicanal&iacute;tico    como reconstru&ccedil;&atilde;o da barreira de </I><I>contacto</I>. Lisboa:    Fim de S&eacute;culo Edi&ccedil;&otilde;es, Lda. </P >       <P   align="justify" >Chabert, C. (1997/1998). <I>O Rorschach na cl&iacute;nica do adulto. </I>Lisboa:      Climepsi Editores. </P >       <P   align="justify" >Chabert, C. (2000). <I>A psicopatologia &agrave; prova no Rorschach. </I>Lisboa:      Climepsi Editores. </P >       <!-- ref --><P   align="justify" >Marques, M. E. (1994). Metodologia projectiva e a avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica      na(s) adolesc&ecirc;ncia(s): O(s) sentido(s) do(s) sentido(s). <I>An&aacute;lise      Psicol&oacute;gica, 12</I>(4), 473-479. </P >       &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0870-8231200900030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Marques, M. E. (1999). <I>A psicopatologia cl&iacute;nica e o Rorschach. </I>Lisboa:      Climepsi Editores. </P >       <P   align="justify" >Matos, A. C. (2002). <I>A adolesc&ecirc;ncia. </I>Lisboa: Climepsi Editores.    </P >        <P   align="justify" >Ogden, T. H. (1985). On potencial space. <I>International Journal of Psycho-Analysis,    66, </I>129-140.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >        <P   align="justify" >(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Artigo elaborado a partir da disserta&ccedil;&atilde;o    com o mesmo t&iacute;tulo apresentada e defendida em 2007, no ISPA, no &acirc;mbito    do Mestrado em Psicopatologia e Psicologia Cl&iacute;nica.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, CERCIMB.  </P >        <P   align="justify" >(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Professora    Associada do Instituto Superior de Psicologia Aplicada.</P >       <P   align="justify" >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. E.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Metodologia projectiva e a avaliação psicológica na(s) adolescência(s): O(s) sentido(s) do(s) sentido(s)]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
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<page-range>473-479</page-range></nlm-citation>
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