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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Rorschach e o agir na patologia borderline: A alucinação negativa e a simbolização]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We have attempted to reach the psychic mechanisms together with mental and relational processes, underlying acting in the Borderline pathology, conceiving it as a search for continent, sense and symbolisation, which acts against the threat of nothing that underlies the absence of substance of symbolic. To test this conception, we regard Rorschach as a &#8220;virtual space of negative hallucination&#8221;, by assimilating previous methodological assumptions that establish the instrument as &#8220;a space of relationship, interpretation, communication and symbolisation&#8221;. All in all, we believe to have presented a new theoretical contribution to the understanding of the phenomena involving acting, to the extent that we have conceived it differently from the previous conceptions; as well as a new methodical contribution, since the Clinical Psychology has proved to lack the methods and techniques fit to tackle the dimension of negative, in other words, the fundamental presence of nothing as well as the occurrence of negative hallucination.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P   align="center"><strong>O Rorschach e o agir na patologia borderline: A alucina&ccedil;&atilde;o    negativa e a simboliza&ccedil;&atilde;o (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</strong></P >     <P   align="right">Jo&atilde;o Carlos Viegas (<a href="#2">**</a><I><a name="top2"></a>)    </I></P >     <P   align="right">Maria Em&iacute;lia Marques (<a href="#3">***</a><I><a name="top3"></a>)    </I></P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <P   align="justify" >O nosso objectivo &eacute; aceder &agrave; natureza dos mecanismos ps&iacute;quicos    e dos processos mentais e relacionais subjacentes ao agir na patologia <I>borderline</I>,    concebendo-os como uma procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o    que actua contra a amea&ccedil;a do nada, que se encontra subjacente &agrave;    insubst&acirc;ncia do simb&oacute;lico. </P >     <P   align="justify" >Para p&ocirc;r &agrave; prova esta concep&ccedil;&atilde;o, concebemos o Rorschach    como um &ldquo;espa&ccedil;o virtual de alucina&ccedil;&atilde;o negativa&rdquo;,    assimilando pressupostos metodol&oacute;gicos que estabelecem o instrumento    como um &ldquo;espa&ccedil;o de rela&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o,    comunica&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >Em termos conclusivos julgamos ter prestado um contributo te&oacute;rico para    a compreens&atilde;o dos fen&oacute;menos do agir, na medida em que o concebemos    de um modo distinto das concep&ccedil;&otilde;es anteriores; assim como um contributo    metodol&oacute;gico, na medida em que a Psicologia Cl&iacute;nica se tem mostrado    destitu&iacute;da de m&eacute;todos e t&eacute;cnicas aptos a abordar a dimens&atilde;o    do negativo, a presen&ccedil;a de fundo do nada e a ocorr&ecirc;ncia da alucina&ccedil;&atilde;o    negativa. </P >     <P   align="justify" ><I>Palavras chave: </I>Agir, Alucina&ccedil;&atilde;o negativa, Patologia <I>borderline</I>,    Rorschach. </P >     <P   align="center" >ABSTRACT </P >     <P   align="justify" >We have attempted to reach the psychic mechanisms together with mental and relational    processes, underlying acting in the Borderline pathology, conceiving it as a    search for continent, sense and symbolisation, which acts against the threat    of nothing that underlies the absence of substance of symbolic. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >To test this conception, we regard Rorschach as a &ldquo;virtual space of negative    hallucination&rdquo;, by assimilating previous methodological assumptions that    establish the instrument as &ldquo;a space of relationship, interpretation,    communication and symbolisation&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >All in all, we believe to have presented a new theoretical contribution to the    understanding of the phenomena involving acting, to the extent that we have    conceived it differently from the previous conceptions; as well as a new methodical    contribution, since the Clinical Psychology has proved to lack the methods and    techniques fit to tackle the dimension of negative, in other words, the fundamental    presence of nothing as well as the occurrence of negative hallucination. </P >     <P   align="justify" ><I>Key words: </I>Acting, Borderline pathology, Negative hallucination, Rorschach.  </P >     <P   align="justify" >&nbsp; </P >     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P   align="justify" >A preocupa&ccedil;&atilde;o, justificada, com a exuber&acirc;ncia patol&oacute;gica do agir, tem origem na visibilidade e gravidade que os seus fen&oacute;menos apresentam: as condutas de risco a v&aacute;rios n&iacute;veis, a agress&atilde;o, a viol&ecirc;ncia, a criminalidade, o suic&iacute;dio, o homic&iacute;dio, etc. </P >    <P   align="justify" >Tais fen&oacute;menos encontram o seu principal dom&iacute;nio de express&atilde;o nas patologias <I>borderline, </I>no seio das quais o agir, a falta de controlo do impulso, se revela como a caracter&iacute;stica mais comum, desconcertante, preocupante e socialmente inquietante. No plano da cl&iacute;nica, estas patologias destacam-se ainda por serem as mais amplamente representadas, com os pacientes que mais exig&ecirc;ncias compreensivas e dificuldades t&eacute;cnicas t&ecirc;m erguido, ao n&iacute;vel dos processos de &ldquo;cura&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >Assim, nestes quadros cl&iacute;nicos em que toma import&acirc;ncia central o    agir, o estudo aprofundado da especificidade dos seus processos revela-se um    v&eacute;rtice de investiga&ccedil;&atilde;o privilegiado, ao servi&ccedil;o    da necessidade de fazer frente &agrave;s dificuldades encontradas. </P >     <P   align="justify" >O agir, entendido como um processo de descarga consubstanciado no acto impulsivo devido a uma falha instalada ao n&iacute;vel das capacidades de mentaliza&ccedil;&atilde;o e/ou elabora&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica (Bergeret, 1998; Millaud, 1998; Tardif, 1998), tem sido invariavelmente descrito numa dimens&atilde;o agressiva, como o resultado de uma for&ccedil;a impulsiva, cega e inusitada, fantasmaticamente animada e destitu&iacute;da de sentido<I>. </I></P >    <P   align="justify" >Contudo, para n&oacute;s, o agir &eacute; concebido como uma procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o que, inscrito sempre numa rela&ccedil;&atilde;o, actua antes de mais contra a amea&ccedil;a do nada (Viegas, 2007). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No seio desta concep&ccedil;&atilde;o destacamos duas dimens&otilde;es, de car&aacute;cter interdependente: (I) o agir como procura de simboliza&ccedil;&atilde;o que se inscreve necessariamente no quadro de uma rela&ccedil;&atilde;o; (II) o agir como procura de simboliza&ccedil;&atilde;o, que &eacute; uma resposta &agrave; amea&ccedil;a do nada que se encontra subjacente &agrave; insubst&acirc;ncia do simb&oacute;lico. </P >    <P   align="justify" >Consideramos, assim, que o <I>agir </I>deve ser compreendido no quadro geral de uma teoria que d&ecirc; conta das dimens&otilde;es relacionais que lhe presidem e que, para al&eacute;m disso, se mostre particularmente sens&iacute;vel &agrave; amea&ccedil;a do nada, ou seja, uma teoria do negativo. O nada &eacute;, efectivamente, o negativo radical (Green, 1993). </P >    <P   align="justify" >Se bem que muitas concep&ccedil;&otilde;es se tenham revelado, de forma crescente, sens&iacute;veis &agrave; necessidade de inscrever <I>o </I>agir na esfera da rela&ccedil;&atilde;o, o mesmo n&atilde;o se pode dizer relativamente &agrave; quest&atilde;o do negativo. </P >    <P   align="justify" >Quanto aos m&eacute;todos utilizados para a avalia&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico das problem&aacute;ticas em quest&atilde;o, <I>o </I>m&eacute;todo Rorschach &eacute;, reconhecidamente, o mais sens&iacute;vel &agrave;s dimens&otilde;es primitivas do funcionamento mental <I>borderline</I>, que se manifesta impregnado pela domin&acirc;ncia do processo prim&aacute;rio<I>, </I>enquanto os testes psicol&oacute;gicos mais estruturados e de natureza mais objectiva, n&atilde;o assinalam nada de particular, dadas as capacidades adaptativas que estes sujeitos manifestamente preservam, estando presente a manuten&ccedil;&atilde;o da prova da realidade (Kernberg, 1975). </P >    <P   align="justify" >Contudo, os procedimentos Rorschach utilizados na abordagem dos fen&oacute;menos <I>borderline </I>em geral, e do agir em particular, mostram-se insens&iacute;veis &agrave; condi&ccedil;&atilde;o subjacente do negativo. </P >    <P   align="justify" >&Eacute; assim que, com o intuito de suplantar esta lacuna, procedemos a uma investiga&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da qual procur&aacute;mos estabelecer duas dimens&otilde;es fundamentais: (I) em primeiro lugar, fundamentar teoricamente a nossa concep&ccedil;&atilde;o do agir como procura de simboliza&ccedil;&atilde;o, recorrendo a integra&ccedil;&otilde;es tecidas essencialmente entre os contributos de Freud (1925/1973) e Bion (1965, 1967) e articuladas no quadro geral da teoria do negativo de Green (1993); (II) em segundo lugar, e para p&ocirc;r &agrave; prova esta concep&ccedil;&atilde;o, formul&aacute;mos dimens&otilde;es da t&eacute;cnica e procedimentos espec&iacute;ficos que nos permitiram conceber o <I>Rorschach </I>como um &ldquo;espa&ccedil;o virtual de alucina&ccedil;&atilde;o negativa&rdquo; (Viegas, 2007), recorrendo fundamentalmente aos contributos metodol&oacute;gicos de Marques (1994, 1999), que estabelece o instrumento como um &ldquo;espa&ccedil;o de rela&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o, transforma&ccedil;&atilde;o, liga&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;. </P >    <P   align="center" >A PATOLOGIA <I>BORDER </I>E O AGIR </P >    <P   align="justify" ><I>Concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas gerais </I></P >    <P   align="justify" >Existem duas grandes tend&ecirc;ncias dominantes, que concorrem no mesmo terreno, inscritas em torno da controv&eacute;rsia conflito <I>vs. </I>d&eacute;fice (Greenberg &amp; Mitchell, 1983/2003; Grotstein, 1987; Grotstein, Lang, &amp; Solomon, 1987). </P >    <P   align="justify" >As teorias do conflito, de cariz eminentemente pulsional, proclamam a primazia etiol&oacute;gica da incapacidade de mentaliza&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias libidinais e agressivas do conflito pulsional, contra as quais o sujeito procede a uma mobiliza&ccedil;&atilde;o massiva de mecanismos de defesa primitivos, nomeadamente, a clivagem e a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Estes mecanismos de defesa primitivos, que actuam antes de mais contra as exig&ecirc;ncias pulsionais insatisfeitas ou contradit&oacute;rias, sempre intoler&aacute;veis e relacionadas com ang&uacute;stias de perda objecto (na senda de Freud), ou esquizo-paran&oacute;ides (na senda de Klein), geram uma deturpa&ccedil;&atilde;o fantasm&aacute;tica acentuada e destrutiva da capta&ccedil;&atilde;o da realidade e dos objectos de rela&ccedil;&atilde;o<I>. </I>Tal deturpa&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e ent&atilde;o uma perturba&ccedil;&atilde;o severa dos limites Eu&ndash;n&atilde;o-Eu, instalada na base de uma indiferencia&ccedil;&atilde;o estabelecida entre os arranjos destrutivos da puls&atilde;o e o seu objecto, que declara a presen&ccedil;a de uma patologia fundada nos destinos da puls&atilde;o, no seio do narcisismo precoce<I>. </I></P >     <P   align="justify" >As teorias do d&eacute;fice, de cariz eminentemente relacional, proclamam a primazia    etiol&oacute;gica do d&eacute;fice, instalado ao n&iacute;vel da interioriza&ccedil;&atilde;o    das fun&ccedil;&otilde;es do Eu &ndash; como a manuten&ccedil;&atilde;o dos    limites, o controlo da toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o e    o controlo do impulso &ndash;, pressupondo um sujeito traumaticamente frustrado    no seio do seu narcisismo, dada a precariedade emp&aacute;tica das respostas    dos objectos do Eu &agrave;s suas necessidades nucleares. </P >     <P   align="justify" >A percep&ccedil;&atilde;o justificada e realista destas falhas origina, secundariamente, um exagero acentuado e destrutivo das tend&ecirc;ncias naturais para o pensamento animista e fantasista, contra o qual o sujeito mobiliza, secundariamente, mecanismos de defesa primitivos, como a clivagem e a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva. Estes mecanismos de defesa podem manifestar-se, quer pela retalia&ccedil;&atilde;o agressiva, quer como procura de prazer libidinal puro, sempre como estrat&eacute;gias de expia&ccedil;&atilde;o da falha emp&aacute;tica, mas cuja fun&ccedil;&atilde;o revela, antes de mais, os esfor&ccedil;os fracassados de auto-regula&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da coes&atilde;o do Eu, persistentemente amea&ccedil;ado por ang&uacute;stias de desintegra&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Para al&eacute;m destas duas inscri&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, podemos ainda delimitar um terceiro terreno de concep&ccedil;&otilde;es mais recentes, que t&ecirc;m vindo a proclamar a necessidade de abordar a falha instalada ao n&iacute;vel da interac&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de retro-ac&ccedil;&atilde;o que actuam entre os diversos factores constitutivos &ndash; neurobiol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos (intraps&iacute;quicos e intersubjectivos ou relacionais), sociais, etc. &ndash;, no seio dos quais se destacam a puls&atilde;o e o objecto, considerando-se ent&atilde;o o conflito e o d&eacute;fice como duas face da mesma moeda (Grotstein, 1987; Grotstein, Lang, &amp; Solomon, 1987). Independentemente das diverg&ecirc;ncias e integra&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; etiologia e compreens&atilde;o da natureza essencial da falha, considera-se sempre que esta &uacute;ltima condena invariavelmente as capacidades de mentaliza&ccedil;&atilde;o-adapta&ccedil;&atilde;o e o acesso ao pensamento simb&oacute;lico, levando ao fracasso dos processos de auto-regula&ccedil;&atilde;o, integra&ccedil;&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o mental das tens&otilde;es ps&iacute;quicas e dos estados afectivos. </P >    <P   align="justify" >O fracasso destes processos d&aacute; lugar &agrave; emerg&ecirc;ncia de uma actividade fantasm&aacute;tica de natureza eminentemente destrutiva, da qual o sujeito pode procurar aliviar-se atrav&eacute;s de processos que assumem a forma de descarga &ndash; evacua&ccedil;&atilde;o sobre os objectos, veiculados atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva patol&oacute;gica, que arrasta para fora os produtos da clivagem, pressupondo uma perturba&ccedil;&atilde;o severa dos limites dentro-fora, Eu&ndash;n&atilde;o-Eu. Est&aacute; aqui o terreno f&eacute;rtil do agir. </P >    <P   align="justify" >Estas concep&ccedil;&otilde;es, sendo sens&iacute;veis &agrave; precariedade das capacidades simb&oacute;licas e ao enquadramento relacional do agir, denotam contudo uma centra&ccedil;&atilde;o no fantasma, leia-se, na positividade do fen&oacute;meno inconsciente, permanecendo insens&iacute;veis &agrave; dimens&atilde;o que, quanto a n&oacute;s, se encontra necessariamente subjacente &agrave; insubst&acirc;ncia do simb&oacute;lico: a amea&ccedil;a do nada, do sem-sentido e a presen&ccedil;a de fundo de uma ang&uacute;stia de natureza fundamentalmente nadificante (Viegas, 2007). </P >    <P   align="justify" ><I>O agir como procura de simboliza&ccedil;&atilde;o: uma teoria do negativo </I></P >    <P   align="justify" >Para fundamentarmos a nossa hip&oacute;tese, comecemos por dizer que a amea&ccedil;a do nada conduz, efectivamente, ao problema do negativo e do trabalho do negativo (Green, 1986, 1993, 1994, 2000) e, consequentemente, &agrave; quest&atilde;o da alucina&ccedil;&atilde;o negativa (Green, 1977, 1993), como mecanismo central que desempenha fun&ccedil;&otilde;es nucleares no seio dos processos constitutivos. Tal como a descreve Green (1993), a alucina&ccedil;&atilde;o negativa &eacute;, por um lado, um mecanismo nuclear e propulsor, que actua no seio dos processos constitutivos da condi&ccedil;&atilde;o estrutural e simb&oacute;lica do sujeito e, por outro lado, um fen&oacute;meno mental que destapa a amea&ccedil;a do nada. </P >    <P   align="justify" >Sempre que um acontecimento ps&iacute;quico se apresenta como uma realidade por pensar ou, se quisermos, como um &ldquo;acontecimento pulsional&rdquo; por pensar, a alucina&ccedil;&atilde;o negativa exerce os seus efeitos, o que remete para a representa&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia de representa&ccedil;&atilde;o, que exp&otilde;e a mente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es que a tornaram poss&iacute;vel, ou seja, o apagamento do objecto e a sua transforma&ccedil;&atilde;o em estrutura enquadrante do sujeito (Green, 1977, 1993, 1994). </P >    <P   align="justify" >Por outras palavras, a alucina&ccedil;&atilde;o negativa destapa a amea&ccedil;a do nada e incita o pensamento que alucina no fundo branco das suas pr&oacute;prias produ&ccedil;&otilde;es &ndash; sobre o qual o objecto se apaga &ndash;, a re-percorrer a traject&oacute;ria de um movimento, atrav&eacute;s do qual perceber n&atilde;o &eacute; conhecer, &eacute; reconhecer e pensar sobre um percebido cuja informa&ccedil;&atilde;o que veicula se encontra englobada naquilo que a puls&atilde;o traz consigo e se imprime numa dominante perceptivo-sensorial, presidida pelo par contrastante prazer-desprazer<I>. </I>Portanto, a base de ocorr&ecirc;ncia da alucina&ccedil;&atilde;o negativa &eacute;, na verdade, o processo prim&aacute;rio (Green, 1977, 1993, 1994). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Efectivamente, como considera Bion (1992), o destino dos elementos beta pode    corresponder, precisamente, aos fen&oacute;menos submetidos ao dom&iacute;nio    do princ&iacute;pio do prazer-desprazer, ao qual Freud (1920/1973) subordina    toda a actividade pulsional do Id<I>. </I>Assim, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia,    esta actividade pulsional, inscrita numa dominante perceptivo-sensorial &ndash;    beta, sem-sentido e tendencialmente ca&oacute;tica <I>&ndash;</I>, remete o    sujeito para a possibilidade da sua transforma&ccedil;&atilde;o ulterior, desde    que os conte&uacute;dos mentais em quest&atilde;o encontrem um continente ps&iacute;quico    pr&oacute;prio onde se alojar, ligar, religar, simbolizar e pensar, atrav&eacute;s    da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva (normal), na rela&ccedil;&atilde;o    continente-conte&uacute;do (Viegas, 2000, 2007)<I>. </I>Caso isso n&atilde;o    suceda, uma solu&ccedil;&atilde;o, ou pseudo-solu&ccedil;&atilde;o, &eacute;    a descarga-evacua&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos mentais emergentes,    como prel&uacute;dio do agir<I>. </I></P ></P > </P >     <P   align="justify" >Dito isto, consideramos que a assimbolia &eacute;, efectivamente, a quest&atilde;o <I>border </I>mais central, que revela a precariedade instalada ao n&iacute;vel dos processos de transforma&ccedil;&atilde;o do objecto em estrutura enquadrante do sujeito<I>. </I>A assimbolia declara, portanto, a precariedade da constitui&ccedil;&atilde;o de um continente ps&iacute;quico pr&oacute;prio, aut&oacute;nomo e, consequentemente, declara a precariedade dos limites Eu&ndash;n&atilde;o-Eu, dentro-fora, interno-externo. </P >    <P   align="justify" >Tendo em conta estes pressupostos a patologia <I>borderline </I>&eacute;, efectivamente, uma patologia dos limites. Sempre que um acontecimento ps&iacute;quico se apresenta como uma realidade por pensar, a alucina&ccedil;&atilde;o negativa, como representa&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia de representa&ccedil;&atilde;o, exerce os seus efeitos no momento presente, destapa a amea&ccedil;a do nada e a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva excessiva actua na perfus&atilde;o dos limites dentro-fora, como preludio do agir e como procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Por outras palavras, a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva predomina amplamente sobre a fun&ccedil;&atilde;o alfa (Amaral Dias, 2004) e a mente funciona sob um modelo de evacua&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o, como prel&uacute;dio do agir. Mas aos conte&uacute;dos mentais evacuados &ndash; elementos beta &ndash; preside o &ldquo;querer impl&iacute;cito&rdquo; dos conte&uacute;dos que procuram continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >O agir &eacute;, efectivamente, uma procura de simboliza&ccedil;&atilde;o que actua contra a amea&ccedil;a do nada, &agrave; qual preside a ocorr&ecirc;ncia da alucina&ccedil;&atilde;o negativa do objecto. Como contrapartida, resta a retirada, o retraimento narc&iacute;sico, pseudo-depressivo, facultado atrav&eacute;s de formas diversas de pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o </P >    <P   align="center" >O AGIR NA PATOLOGIA <I>BORDER </I>&Agrave; PROVA NO RORSCHACH </P >    <P   align="justify" >Para p&ocirc;r &agrave; prova as nossas concep&ccedil;&otilde;es sobre o agir, revisit&aacute;mos o m&eacute;todo Rorschach, de acordo com os nossos objectivos e de modo coerente e convergente com as concep&ccedil;&otilde;es que adopt&aacute;mos, para o tornar particularmente sens&iacute;vel &agrave;s dimens&otilde;es relacionais e &agrave; quest&atilde;o do negativo: a amea&ccedil;a do nada e a presen&ccedil;a de fundo de uma ang&uacute;stia fundamentalmente nadificante, t&atilde;o frequentemente expressa nas queixas destes sujeitos sob a forma de sentimentos de vazio e de falta de sentido. </P >    <P   align="justify" >As repercuss&otilde;es da controv&eacute;rsia conflito <I>vs </I>d&eacute;fice, a que anteriormente nos referimos, reflectiram-se ao n&iacute;vel das abordagens Rorschach dos fen&oacute;menos <I>borderline, </I>em geral, e do agir em particular, estando bem expressas na literatura da escola francesa (Chabert 1883/1994, 1983/1999) e de uma das escolas americanas (Lerner, 1991; Lerner &amp; Lerner, 1980) de metodologia projectiva. </P >    <P   align="justify" >Como reflexo das concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas em que se inspiram, no que diz respeito &agrave; especificidade dos processos do agir, independentemente da diverg&ecirc;ncia relativa &agrave; etiologia da falha que lhe d&aacute; origem, ambas as escolas procuram captar no Rorschach a fal&ecirc;ncia das capacidades simb&oacute;licas, dando conta da emerg&ecirc;ncia de uma actividade fantasm&aacute;tica eminentemente destrutiva, veiculada atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva excessiva, ou patol&oacute;gica, que arrasta para fora os produtos da clivagem e pressup&otilde;e uma perturba&ccedil;&atilde;o severa dos limites Eu&ndash;n&atilde;o-Eu, dentro-fora, interno-externo (fantasia-realidade). </P >    <P   align="justify" >Utiliz&aacute;mos como base do nosso m&eacute;todo o modelo <I>Rorschach </I>estabelecido por Marques (1994, 1999), que concebe o instrumento como um espa&ccedil;o de rela&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o, liga&ccedil;&atilde;o, transforma&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o. Utilizando como base este modelo, particularmente sens&iacute;vel ao processo de simboliza&ccedil;&atilde;o, procedemos ent&atilde;o a novas elabora&ccedil;&otilde;es, com vista a conceber o Rorschach como um <I>espa&ccedil;o virtual de alucina</I><I></I><I>&ccedil;&atilde;o negativa</I>. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Partindo da assimila&ccedil;&atilde;o estabelecida por Marques (1994) entre processo-resposta Rorschach e o modelo de transforma&ccedil;&otilde;es de Bion (1965), consideramos que as transforma&ccedil;&otilde;es ocorrem, na sua dimens&atilde;o mais abstracta e essencial, sob o pano de fundo do nada, ou seja, sob a condi&ccedil;&atilde;o radical do negativo. </P >    <P   align="justify" >Assim, consideramos que o processo-resposta Rorschach, que se revela como um processo de transforma&ccedil;&atilde;o resultante da percep&ccedil;&atilde;o de uma mancha que cont&eacute;m qualidades ps&iacute;quicas ess&ecirc;ncias &ndash; o caos e o nada &ndash;, revela a natureza da realidade ps&iacute;quica do sujeito, como a sua &ldquo;realidade &uacute;ltima&rdquo; ou &ldquo;verdade original&rdquo;, sendo necess&aacute;ria a participa&ccedil;&atilde;o da alucina&ccedil;&atilde;o negativa, potencialmente induzida por essas qualidades. Por outras palavras, &eacute; necess&aacute;rio que o objecto se apague, como representa&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia de representa&ccedil;&atilde;o, para que se revele o modo como se transforma em estrutura enquadrante do sujeito. Revela-se ent&atilde;o, atrav&eacute;s dos produtos da transforma&ccedil;&atilde;o, a natureza impercept&iacute;vel, n&atilde;o figur&aacute;vel nem represent&aacute;vel &ndash; incognosc&iacute;vel &ndash; da estrutura enquadrante do espa&ccedil;o interno representativo (Viegas, 2007). </P >    <P   align="justify" >Tornar o nosso instrumento sens&iacute;vel a estas express&otilde;es, estabelecendo-o como um espa&ccedil;o virtual de alucina&ccedil;&atilde;o negativa, implica ent&atilde;o renovar e redimensionar o nosso olhar sobre as qualidades ps&iacute;quicas e perceptivas &ndash; o caos e o nada <I>&ndash; </I>que reconhecemos serem intr&iacute;nsecas &agrave; natureza das manchas Rorschach<I>. </I></P >     <P   align="justify" >Efectivamente, percepcionar uma mancha Rorschach, e dado o impacto percetivo-sensorial    de car&aacute;cter estranho, desconhecido, disruptivo e sem-sentido, gera um    sentimento de caos ps&iacute;quico que se imp&otilde;e ao sujeito como um acontecimento    ps&iacute;quico por pensar. O caos, o impacto sensorial e sem-sentido da realidade    perceptiva da mancha, &eacute; um mal menor face &agrave; emin&ecirc;ncia do    nada que se encontra subjacente, o fundo branco sobre o qual <I>o </I>objecto    se apaga e o caos se destaca como um acontecimento ps&iacute;quico por pensar.    Este nada, que se encontra subjacente ao lugar onde o objecto se apaga e o caos    se destaca, imp&otilde;e-se ent&atilde;o como representa&ccedil;&atilde;o da    aus&ecirc;ncia de representa&ccedil;&atilde;o e a alucina&ccedil;&atilde;o negativa    exerce os seus efeitos no momento presente: incita o pensamento, que alucina    no fundo branco das suas pr&oacute;prias produ&ccedil;&otilde;es, a repercorrer    a traject&oacute;ria de um movimento que s&oacute; se pode realizar, atrav&eacute;s    do processo prim&aacute;rio, pela percep&ccedil;&atilde;o/recapta&ccedil;&atilde;o    que religa o tra&ccedil;o amn&eacute;sico, a reminisc&ecirc;ncia evocadora do    afecto-representa&ccedil;&atilde;o, como material para liga&ccedil;&atilde;o,    transforma&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o, portanto, atrav&eacute;s    da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, na rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do.  </P >     <P   align="justify" >Debrucemo-nos ent&atilde;o sobre estas solu&ccedil;&otilde;es, em termos de procedimentos de an&aacute;lise. </P >    <P   align="center" >PROCEDIMENTOS DE AN&Aacute;LISE </P >    <P   align="justify" >Os nossos procedimentos visam captar as express&otilde;es que revelam as consequ&ecirc;ncias directas da ocorr&ecirc;ncia da alucina&ccedil;&atilde;o negativa no Rorschach no caso dos sujeitos <I>borderline</I>, que se traduz, antes de mais, na derrapagem dos processos perceptivos e na perda de efic&aacute;cia da adapta&ccedil;&atilde;o perceptiva de base (F-), mostrando o fracasso das defesas pela realidade (Chabert, 1987/1998). </P >    <P   align="justify" >No momento em que &eacute; perdida a adapta&ccedil;&atilde;o perceptiva de base, o objecto apaga-se e a alucina&ccedil;&atilde;o negativa destapa a amea&ccedil;a do nada, dando origem, dada a precariedade dos limites dentro-fora, &agrave; evacua&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos mentais emergentes &ndash; elementos beta &ndash;, atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva excessiva ou patol&oacute;gica, como preludio do agir. Estes processos evacuativos assumem, efectivamente, uma forma de descarga sobre os objectos, que surgem ent&atilde;o atingidos, distorcidos, por vezes bizarros, confabulados, contaminados, etc. (F-). Contudo, aos conte&uacute;dos mentais evacuados preside o intuito ou o querer impl&iacute;cito dos conte&uacute;dos que procuram continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Mas, para al&eacute;m disto, a express&atilde;o-revela&ccedil;&atilde;o Rorschach destes processos pode, efectivamente, relacionar-se directamente com (I) ang&uacute;stias de perda de objecto &ndash; e, implicitamente, de separa&ccedil;&atilde;o-individua&ccedil;&atilde;o &ndash;, assim como, secundariamente, com (II) ang&uacute;stias de desintegra&ccedil;&atilde;o e com (III) ang&uacute;stias esquizo-paran&oacute;ides. </P >    <P   align="justify" >(I) Relaciona-se directamente com ang&uacute;stias de perda de objecto &ndash; e, por deriva&ccedil;&atilde;o, com ang&uacute;stias de separa&ccedil;&atilde;o-individua&ccedil;&atilde;o &ndash;, na medida em que, quando a alucina&ccedil;&atilde;o negativa exerce os seus efeitos, o objecto se apaga, &eacute; perdido e declara sem subterf&uacute;gios imediatos a amea&ccedil;a do nada, porque o objecto perdido n&atilde;o pode ser reencontrado, ou seja, o objecto &eacute; (foi) perdido mas n&atilde;o transformado em estrutura enquadrante do sujeito &ndash; e esta &eacute;, como fundament&aacute;mos, a quest&atilde;o <I>border </I>mais central. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Deste modo, a ocorr&ecirc;ncia da alucina&ccedil;&atilde;o negativa constitui-se como uma verdadeira reactualiza&ccedil;&atilde;o projectiva, ou como uma revivesc&ecirc;ncia actual da perda, sempre resentida como uma ruptura brusca e destrutiva. Esta reactualiza&ccedil;&atilde;o projectiva revela, ent&atilde;o, a perturba&ccedil;&atilde;o severa dos limites dentro-fora, Eu&ndash;n&atilde;o-Eu, instalada na base de uma indistin&ccedil;&atilde;o entre os arranjos destrutivos da puls&atilde;o e o seu objecto. S&atilde;o estes arranjos destrutivos, como &ldquo;cren&ccedil;as pulsionais&rdquo; enraizadas num narcisismo destrutivo (Green, 1983, 1994), que ent&atilde;o se consubstanciam em toda a gama de equa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas &ndash; dentro igual a fora &ndash;, presididas pela categoria geral destru&iacute;do-destrutivo, no seio das quais os objectos &ndash; manchas &ndash; s&atilde;o englobados, distorcidos, destru&iacute;dos, esmagados, contaminados, etc. </P >    <P   align="justify" >(II) Neste quadro, a alucina&ccedil;&atilde;o negativa exerce os seus efeitos, o pensamento alucina no fundo branco das suas produ&ccedil;&otilde;es e imprime-se uma actividade perceptivo-sensorial, beta, ca&oacute;tica e sem-sentido, porque n&atilde;o pode ser transformada. Este caos ps&iacute;quico pode, efectivamente, constituir-se como uma amea&ccedil;a de desintegra&ccedil;&atilde;o que ataca a coes&atilde;o do Eu, originando esfor&ccedil;os fracassados de auto-regula&ccedil;&atilde;o, que podem, mais uma vez, assumir a forma de descarga sobre os objectos-manchas. </P >    <P   align="justify" >Contudo, quanto a n&oacute;s, trata-se aqui de uma amea&ccedil;a &ndash; a desintegra&ccedil;&atilde;o &ndash; &agrave; qual subjaz uma outra maior: a amea&ccedil;a do nada, ou a amea&ccedil;a da dissolu&ccedil;&atilde;o dos limites pela queda vertiginosa num vazio nadificante. Neste sentido, os esfor&ccedil;os a que o sujeito procede representam, antes de mais, como ilustraremos, uma procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o, que actua contra a amea&ccedil;a do nada. </P >    <P   align="justify" >(III) Por outro lado, a emerg&ecirc;ncia do caos ps&iacute;quico vem tamb&eacute;m justificar o eclodir do fantasma, que por l&aacute; passou a andar, como pseudo-organiza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos mentais emergentes &ndash; elementos beta &ndash;, ou como manobra mental alicer&ccedil;ada na fal&ecirc;ncia do simb&oacute;lico, atrav&eacute;s da qual se ilude a amea&ccedil;a em quest&atilde;o &ndash; o nada. Como manobra mental alicer&ccedil;ada na fal&ecirc;ncia do simb&oacute;lico, portanto, como produ&ccedil;&atilde;o <I>border</I>, clivada, ou como solu&ccedil;&atilde;o paran&oacute;ide erigida num cen&aacute;rio em que, efectivamente, a idea&ccedil;&atilde;o persecut&oacute;ria exclui a benesse do objecto, ou do agente da frustra&ccedil;&atilde;o tornado perseguidor e assim identificado como alvo de agress&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Esta actividade fantasm&aacute;tica pode, efectivamente, como ilustraremos, revelar-se no Rorschach atrav&eacute;s de uma idea&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica persistente, que n&atilde;o permite sair das l&oacute;gicas em que a amea&ccedil;a e a perigosidade se sobrep&otilde;em &agrave; apreens&atilde;o simb&oacute;lica dos objectos-mancha, como equa&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel: dentro igual a fora, destru&iacute;do-destrutivo. </P >    <P   align="justify" >Por fim, como solu&ccedil;&atilde;o alternativa perante a amea&ccedil;a do nada, pode surgir o retraimento narc&iacute;sico sobre si &ndash; pseudo-depressivo &ndash;, pelo recurso a formas de pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o que facultam a conten&ccedil;&atilde;o do agir. Estas formas de pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o, tendencialmente associadas a uma sensibilidade narc&iacute;sica &agrave;s caracter&iacute;sticas sensoriais do esbatimento dos est&iacute;mulos (E), revelam-se geralmente atrav&eacute;s de temas especulares &ndash; reflexos, simetrias, paisagens, processos espelhados, etc.-, como cen&aacute;rios que traduzem, atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, uma estagna&ccedil;&atilde;o regressiva dos processos mentais na contempla&ccedil;&atilde;o do perfeito idealizado, como lugar onde se realiza o anseio que ilude toda a ang&uacute;stia. </P >    <P   align="center" >OS SUJEITOS </P >    <P   align="justify" >Recorremos a quatro protocolos Rorschach, recolhidos em contexto pr&oacute;prio de consulta, no Servi&ccedil;o de Psiquiatria do Hospital Amadora Sintra, onde os nossos sujeitos foram diagnosticados, de um ponto de vista estrutural, com patologia <I>borderline</I>. </P >    <P   align="justify" >Utilizamos dois protocolos de sujeitos com historial agido &ndash; S&oacute;nia, de 21 anos, e a Helena, de 45 anos &ndash;, e dois protocolos de sujeitos sem historial agido &ndash; o Lu&iacute;s, de 42 anos, e o Manuel, de 40 anos. </P >    <P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A partir da an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o realizadas apresentaremos algumas das dimens&otilde;es mais significativas da especificidade dos fen&oacute;menos do agir e, como contraponto, as que assinalam a especificidade dos fen&oacute;menos conducentes ao retraimento narc&iacute;sico. Recorreremos como ilustra&ccedil;&atilde;o a alguns excertos dos protocolos da S&oacute;nia, da Helena, do Lu&iacute;s e do Manuel<I>. </I></P >    <P   align="justify" ><I>O agir como procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o </I></P >    <P   align="justify" >Nos casos das narrativas da S&oacute;nia e da Helena, as respostas aos cart&otilde;es da s&eacute;rie pastel permitem-nos apresentar os melhores exemplos ilustrativos dos processos do agir, uma vez que esta s&eacute;rie facilita a sua express&atilde;o-revela&ccedil;&atilde;o, pelas suas caracter&iacute;sticas perceptivas, sensoriais e estruturais, que introduzem um apelo afectivo baseado numa sobre-estimula&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas formas e cores, a qual &eacute; inesperadamente introduzida pelo cart&atilde;o VIII, passando depois a apresentar uma interpenetrabilidade de limites, com exclus&atilde;o de elementos rapidamente estruturantes (cart&atilde;o IX) e, finalmente, uma dispers&atilde;o dos elementos, que em nada facilita a integra&ccedil;&atilde;o (cart&atilde;o X). </P >    <P   align="justify" >Na sequ&ecirc;ncia de um protocolo marcado pela falta de sentido, pela pobreza simb&oacute;lica e pelo excesso de formaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; defesas pela realidade &ndash;, <I>S&oacute;nia </I>inicia as suas respostas &agrave; s&eacute;rie pastel com uma adapta&ccedil;&atilde;o perceptiva de base, facultada pela f&aacute;cil capta&ccedil;&atilde;o da banalidade do cart&atilde;o VIII (<I>&ldquo;dois animais&rdquo;</I>). </P >    <P   align="justify" >Contudo, prosseguindo um movimento de procura atrav&eacute;s da explora&ccedil;&atilde;o das restantes partes do est&iacute;mulo, dada a menor figura&ccedil;&atilde;o das mesmas e o impacto sensorial da multiplicidade das suas formas e cores, S&oacute;nia vai encontrar dificuldades acrescidas nos esfor&ccedil;os de formaliza&ccedil;&atilde;o, que ent&atilde;o cedem lugar a uma actividade mental altamente desorganizada, em consequ&ecirc;ncia da qual emerge uma s&eacute;rie ca&oacute;tica de conte&uacute;dos deformados, bizarros e destrutivos, apenas aptos &agrave; evacua&ccedil;&atilde;o<I>: &ldquo;&uacute;tero, monstro, borboleta, pessoa, cara, caveira de animal&rdquo; </I>(F-). </P >    <P   align="justify" >Efectivamente, face ao impacto tumultuoso e invasivo das caracter&iacute;sticas estruturais e sensoriais da mancha, o controlo formal fracassa, o objecto escapa, apaga-se e a alucina&ccedil;&atilde;o negativa exerce os seus efeitos &ndash; a revivesc&ecirc;ncia actual da perda, que destapa a amea&ccedil;a do nada &ndash;, dando origem a um processo evacuativo dos conte&uacute;dos mentais emergentes, que n&atilde;o encontram um continente ps&iacute;quico onde se alojar, ligar, transformar, simbolizar e pensar. </P >    <P   align="justify" >Na sequ&ecirc;ncia da desorganiza&ccedil;&atilde;o induzida pelo cart&atilde;o VIII, a sobre-estimula&ccedil;&atilde;o perceptivo-sensorial suscitada pelos cart&otilde;es IX e X n&atilde;o permite a S&oacute;nia conter o processo evacuativo anteriormente originado (cart&atilde;o IX: <I>cabe&ccedil;a de insecto, duas caras, uma cabe&ccedil;a de animal e mais dois monstros</I>. Cart&atilde;o X: <I>dois animais, uma cabe&ccedil;a de pato, dois monstrinhos, depois mais dois outros monstrinhos, uma pessoa, uma cara de gato, uma cara de p&aacute;ssaro, mais nada. Mais dois monstrinhos</I>). </P >    <P   align="justify" >A alucina&ccedil;&atilde;o negativa do objecto persiste e a evacua&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos mentais emergentes insiste, atrav&eacute;s de conte&uacute;dos sem-sentido, desligados entre si, parciais, bizarros e declaradamente ca&oacute;ticos, denotando agora um n&iacute;vel de desorganiza&ccedil;&atilde;o estonteante e radical. </P >    <P   align="justify" >Efectivamente, a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva excessiva, evacuativa actua na perfus&atilde;o dos limites dentro-fora e a mente funciona sob um modelo de evacua&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o, como prel&uacute;dio do agir: n&atilde;o h&aacute; transforma&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o, apenas deforma&ccedil;&atilde;o originada pela evacua&ccedil;&atilde;o (F-). A identifica&ccedil;&atilde;o projectiva predomina amplamente sobre a fun&ccedil;&atilde;o alfa. </P >    <P   align="justify" >Esta desorganiza&ccedil;&atilde;o ca&oacute;tica de conte&uacute;dos mentais apenas aptos &agrave; evacua&ccedil;&atilde;o pode, efectivamente, consubstanciar-se na forma de uma ansiedade de desintegra&ccedil;&atilde;o que amea&ccedil;a a coes&atilde;o do Eu, mas esta desorganiza&ccedil;&atilde;o ca&oacute;tica &eacute; uma consequ&ecirc;ncia directa da insubst&acirc;ncia do simb&oacute;lico, &agrave; qual subjaz um mal maior: a amea&ccedil;a do nada, ou da dissolu&ccedil;&atilde;o dos limites e da queda vertiginosa num vazio nadificante. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Assim, perante a amea&ccedil;a em quest&atilde;o, aos conte&uacute;dos mentais evacuados preside o cumprimento de um &ldquo;querer impl&iacute;cito&rdquo;, claramente anunciado por S&oacute;nia, pela insist&ecirc;ncia na procura, com as marcas da repeti&ccedil;&atilde;o e da fal&ecirc;ncia do simb&oacute;lico: conte&uacute;do procura continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >     <P   align="justify" >Num estilo bem diferente das narrativas de S&oacute;nia, a <I>Helena </I>entra    na s&eacute;rie pastel em processo evacuativo, neste caso denunciado por tem&aacute;ticas    catastr&oacute;ficas, no seio das quais o campo do sentido se mostra radicalmente    perturbado, como denotam logo as primeiras respostas ao cart&atilde;o VIII:    <I>Isto parece-me uma montanha em que vai entrar um vulc&atilde;o em irrup&ccedil;&atilde;o,    a lava. E agora n&atilde;o me estou a lembrar do nome, tecnicamente tem um nome    pr&oacute;prio, est&aacute; em esp&eacute;cie de erup&ccedil;&atilde;o que vai    sair precisamente por este filamento e vai cair lava por esta montanha... </I>(ia    entregar o cart&atilde;o, mas continua) <I>Tamb&eacute;m tem aqui outra coisa,    parecem-me uns animais, que &eacute; a lava que vai provocar a cat&aacute;strofe,    &eacute; o perigo, os animais fazem sentir o perigo que vai acontecer ao planeta...    Porque parece que s&atilde;o duas feras</I>. No inqu&eacute;rito explicta: &ndash;    <I>a lava sa&iacute;a precisamente por este orif&iacute;cio </I>(eixo central);    <I>os dois animais a simbolizar que o planeta terra &eacute; </I><I>t&atilde;o    fr&aacute;gil que isto pode ir tudo pelos ares. Porque isto parece-me le&otilde;es    ou tigres, mais tigres que &eacute; um animal mais amea&ccedil;ador. O le&atilde;o    s&oacute; ataca quando teme, o tigre &eacute; mais complicado </I>(rosas laterais).  </P >     <P   align="justify" >Efectivamente, estas tem&aacute;ticas catastr&oacute;ficas veiculam &ndash; evacuam &ndash; dimens&otilde;es ps&iacute;quicas internas de natureza destrutiva, amea&ccedil;adora e persecut&oacute;ria, que transbordam na perfus&atilde;o dos limites dentro-fora, atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva patol&oacute;gica e contaminam radicalmente a percep&ccedil;&atilde;o-capta&ccedil;&atilde;o dos objectos da realidade externa. </P >    <P   align="justify" >Como seria de esperar, perante a sua aus&ecirc;ncia de elementos estruturantes, o cart&atilde;o IX n&atilde;o permite conter o processo evacuativo anteriormente iniciado e Helena repete, arrasta a tem&aacute;tica anterior, enquanto o campo do sentido procurado continua a mostrar-se radicalmente perturbado, n&atilde;o permitindo sair das l&oacute;gicas em que a amea&ccedil;a e a perigosidade se sobrep&otilde;em, como equa&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel &ndash; dentro igual a fora; destru&iacute;dodestrutivo &ndash;, &agrave; apreens&atilde;o simb&oacute;lica dos objectos. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o IX: <I>Esquisito!... \/.../\...\/... Olhe esta faz-me lembrar, virando assim, portanto isto seria a relva e um lago que est&aacute; por baixo, e a &aacute;gua, um repuxo, e o perigo que est&aacute; por baixo que &eacute; o perigo da lava que est&aacute; por baixo e que pode entrar em irrup&ccedil;&atilde;o a qualquer momento. A &aacute;gua e canaliza&ccedil;&atilde;o, a lava, apesar de ser azul clara, e o perigo da lava que est&aacute; por baixo de terra, que &eacute; o perigo da cat&aacute;strofe que poder&aacute; entrar, ou n&atilde;o</I>. Explicita no inqu&eacute;rito: <I>um lago </I>(Dbl) <I>com uma relva </I>(verde) &agrave; <I>volta, falta aqui terra para sustentar a relva, e isto seria um repuxo que se pode p&ocirc;r com cores </I>(rosa), <I>e aqui a lava em actividade </I>(laranja). </P >    <P   align="justify" >Estes processos evacuativos cont&ecirc;m, efectivamente, a marca da amea&ccedil;a contra a qual actuam, ou seja, a marca do alucinat&oacute;rio que traduz uma revivesc&ecirc;ncia actual da perda e destapa a amea&ccedil;a do nada &ndash; a alucina&ccedil;&atilde;o negativa do objecto &ndash;, como amea&ccedil;a subjacente &agrave; fal&ecirc;ncia do simb&oacute;lico. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o X: <I>Se calhar &eacute; a mais dif&iacute;cil e compli</I><I></I><I>cada! Isto para mim parece-me a auto</I><I></I><I>destrui&ccedil;&atilde;o do planeta, da terra, em que h&aacute; outros planetas, em que j&aacute; est&atilde;o habitados por outros humanos que ser&aacute; este cinzento, que j&aacute; est&atilde;o a fazer constru&ccedil;&otilde;es &ndash; eu leio muito sobre isso &ndash; o c&eacute;u azul, e isto ser&aacute; o fim do mundo que </I><I>&eacute; fogo, que as outras plantas ir&atilde;o todas morrer. Ali&aacute;s, aqui v&ecirc;-se j&aacute;, no outro tipo de planeta a quererem nascer plantas, a quererem p&ocirc;r verdura no outro planeta</I>. E no inqu&eacute;rito: <I>Destrui&ccedil;&atilde;o do mundo. J&aacute; ter&iacute;amos descoberto outros mundos </I>(cinza) <I>avan&ccedil;ados e a habitar outros planetas</I>. </P >    <P   align="justify" >Assim, no cart&atilde;o X o alucinat&oacute;rio insiste, a amea&ccedil;a do nada persiste e o sensorial &ndash; beta, ca&oacute;tico e invasivo &ndash;, origina uma procura de sentido totalmente fracassada, consubstanciada num excesso de identifica&ccedil;&atilde;o projectiva que assinala a perturba&ccedil;&atilde;o dos limites e arrasta, evacua para fora as dimens&otilde;es catastr&oacute;ficas da desorganiza&ccedil;&atilde;o interior, atrav&eacute;s de tem&aacute;ticas cada vez menos coerentes, persecut&oacute;rias, bizarras e algo delirantes. </P >    <P   align="justify" >Efectivamente, a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva predomina amplamente sobre a fun&ccedil;&atilde;o alfa e a mente funciona sob um modelo de evacua&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o, como prel&uacute;dio do agir. Mas, aos conte&uacute;dos mentais evacuados, mais uma vez, como bem denota o esfor&ccedil;o de procura de circunscri&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica dos mesmos, preside o &ldquo;querer impl&iacute;cito&rdquo; dos pensamentos que procuram ser pensados, dos conte&uacute;dos que procuram continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Em suma, o agir &eacute; uma procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o, que actua antes de mais contra a amea&ccedil;a do nada. Face a esta, o fantasma, a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva e a clivagem, como bem ilustram as narrativas da Helena com uma tonalidade persecut&oacute;ria dominante numa pseudo-organiza&ccedil;&atilde;o fantasm&aacute;tica (esquizo-paran&oacute;ide) dos conte&uacute;dos mentais emergentes, s&atilde;o uma consequ&ecirc;ncia secund&aacute;ria. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><I>O retraimento narc&iacute;sico e a pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o </I></P >    <P   align="justify" >Quanto &agrave;s narrativas de Lu&iacute;s e Manuel (sujeitos sem historial agido), recorreremos a alguns cart&otilde;es negros, uma vez que as suas tonalidades negro-esbatido podem remeter mais facilmente para formas de sensibilidade narc&iacute;sica (respostas E), facilitando o retraimento narc&iacute;sico sobre si, dominante nestes sujeitos, como contraponto do agir e solu&ccedil;&atilde;o elegida perante a amea&ccedil;a do nada. </P >    <P   align="justify" >Recorreremos tamb&eacute;m ao cart&atilde;o X da s&eacute;rie pastel, que facilita a express&atilde;o dos processos ag&iacute;dos e nos permite ilustrar as diferen&ccedil;as claras que existem entre as narrativas destes sujeitos (sem historial agido) e as da S&oacute;nia e da Helena (com historial agido). </P >    <P   align="justify" >O <I>Lu&iacute;s </I>inicia a situa&ccedil;&atilde;o <I>Rorschach </I>com uma adapta&ccedil;&atilde;o perceptiva de base, que, contudo, revela mal-estar no contacto com o material, atrav&eacute;s do conte&uacute;do anat&oacute;mico (&ldquo;<I>conjunto de ossos&rdquo;</I>), assim como uma sensibilidade &agrave; falta (Gbl). </P >    <P   align="justify" >Efectivamente, a segunda resposta confirma este mal-estar atrav&eacute;s da evoca&ccedil;&atilde;o de um conte&uacute;do de natureza eminentemente desagrad&aacute;vel e constrangedora (<I>&ldquo;uma cabe&ccedil;a de besouro ampli</I><I></I><I>ada&rdquo;</I>), que se traduz numa perda de adapta&ccedil;&atilde;o perceptiva inicial (F-). </P >    <P   align="justify" >O objecto escapa e a alucina&ccedil;&atilde;o negativa exerce os seus efeitos, mais uma vez, a revivesc&ecirc;ncia actual da perda que destapa a amea&ccedil;a do nada<I>. </I>Face a esta, o Lu&iacute;s procede a um movimento de retraimento narc&iacute;sico sobre si, revelado atrav&eacute;s de uma sensibilidade narc&iacute;sica centrada nas caracter&iacute;sticas sensoriais do est&iacute;mulo (E). Este movimento de retraimento, pesudo-depressivo, consubstancia-se em formas de pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o que facultam a conten&ccedil;&atilde;o do agir (&ldquo;<I>&aacute;guas calmas, sombras, lua, reflexos</I>&rdquo;), mas que em nada traduzem uma capacidade efectiva de simbolizar e pensar (&ldquo;<I>para treinar a imagina&ccedil;&atilde;o tento formar imagens em sombras&rdquo;</I>, diz no inqu&eacute;rito). </P >    <P   align="justify" >No cart&atilde;o IV, longe de uma capta&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica das dimens&otilde;es de for&ccedil;a e pot&ecirc;ncia evocadas pelo estimulo, Lu&iacute;s evoca uma &ldquo;<I>pele mal esticada, seca e demasiado velha</I>&rdquo;. Em suma, o simb&oacute;lico n&atilde;o est&aacute; l&aacute;, o objecto distancia-se (<I>&ldquo;idade m&eacute;dia&rdquo;</I>), amea&ccedil;a escapar e a emin&ecirc;ncia da alucina&ccedil;&atilde;o negativa &ndash; a emin&ecirc;ncia do nada &ndash; marca a sua presen&ccedil;a<I>. </I></P >     <P   align="justify" >Mais uma vez, na sequ&ecirc;ncia desta emin&ecirc;ncia, o Lu&iacute;s procede    a um movimento de retraimento narc&iacute;sico sobre si, atrav&eacute;s de uma    sensibilidade narc&iacute;sica submetida &agrave;s caracter&iacute;sticas sensoriais    do esbatimento (E) do est&iacute;mulo (<I>&ldquo;simetria, claros-escuros que    se reflectem na &aacute;gua&rdquo;</I>. </P >     <P   align="justify" >Mais uma vez, este movimento de retraimento, pseudo-depressivo, traduz-se atrav&eacute;s de formas de pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o que, muito aqu&eacute;m de uma capacidade efectiva de apreens&atilde;o simb&oacute;lica das manchas, facultam a conten&ccedil;&atilde;o do agir. </P >    <P   align="justify" >O contacto inicial com a dispers&atilde;o do cart&atilde;o X e com a sobre-estimula&ccedil;&atilde;o da sua multiplicidade de tons e formas &ndash; caracter&iacute;sticas do est&iacute;mulo que facilitam a express&atilde;o dos processos ag&iacute;dos &ndash;, n&atilde;o conduz a mais do que a um novo movimento de retraimento narc&iacute;sico, bem traduzido na tem&aacute;tica evocada (<I>&ldquo;Aqui uma s&eacute;rie de p&aacute;ssaros na &aacute;gua e empoleirados num ramo de &aacute;rvore. A &aacute;gua em baixo. Um outro p&aacute;ssaro em baixo, mais uma vez num processo espelhado&rdquo; </I>&ndash; usa v&aacute;rios D e bl) </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A dispers&atilde;o do cart&atilde;o dificulta a manuten&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o em retraimento, mal compensada pela qualidade do suporte perceptivo (F-), e Lu&iacute;s passa a dar mais import&acirc;ncia &agrave; aus&ecirc;ncia de cor (Dbl), ao negativo &ndash; o fundo branco como evoca&ccedil;&atilde;o da amea&ccedil;a do nada &ndash;, do que &agrave; cor. </P >    <P   align="justify" >Contudo, num segundo momento, consegue proceder &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o do controlo perceptivo (F+), atrav&eacute;s de um conte&uacute;do anat&oacute;mico que ainda denota a ansiedade (&ldquo;<I>traqueia</I>&rdquo;, cinz. sup.). Este controlo perceptivo mant&eacute;m-se atrav&eacute;s da evoca&ccedil;&atilde;o de um fogo de artif&iacute;cio, uma vez que se trata de uma percep&ccedil;&atilde;o relativamente corrente neste cart&atilde;o, enquanto este &uacute;ltimo movimento denota j&aacute; um al&iacute;vio da ansiedade suscitada (<I>&ldquo;fogo de artif&iacute;cio, coisa que sempre goste</I>i&rdquo; D cinz. e azul). </P >    <P   align="justify" >Por fim, Lu&iacute;s termina sem perder a adapta&ccedil;&atilde;o perceptiva de base (<I>&ldquo;cavalo marinho&rdquo;, </I>F+), evocando um tema marinho que j&aacute; nada traduz de inquietante, mas sim a viabilidade da conten&ccedil;&atilde;o do agir, atrav&eacute;s de um controlo formal dos objectos, num contexto em que as evoca&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas n&atilde;o deixam de revelar uma sensibilidade narc&iacute;sica ao servi&ccedil;o do retraimento. </P >    <P   align="justify" >Quanto a <I>Manuel</I>, no cart&atilde;o V, na sequ&ecirc;ncia de um conjunto de respostas dominado por esfor&ccedil;os dificultados de controlo formal dos objectos, surge uma acumula&ccedil;&atilde;o de ansiedade, que se expressa atrav&eacute;s de uma certa hostilidade, dirigida ao examinador (ri... &ldquo;<I>n&atilde;o tinha bonecos mais simples?</I>&rdquo;). </P >    <P   align="justify" >As duas respostas que surgem depois (&ldquo;... <I>Tanto pode ser um caracol... Como um animal pr&eacute;</I><I></I><I>-hist&oacute;rico, n&atilde;o consigo&rdquo;</I>) denotam express&otilde;es que oscilam entre a passividade e a emin&ecirc;ncia duma hostilidade, ao que se segue o retirar-se da situa&ccedil;&atilde;o (&ldquo;<I>Podia dizer aqui atr&aacute;s...</I>&rdquo; &ndash; vira o cart&atilde;o). </P >    <P   align="justify" >A reac&ccedil;&atilde;o de Manuel ao cart&atilde;o VI, vem confirmar a import&acirc;ncia funcional e relacional do movimento em quest&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Neste cart&atilde;o, de evoca&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas transparentes, Manuel esfor&ccedil;a-se por encontrar algo conhecido, tentando objectivar e aceder ao controlo formal &ndash; defesas pela realidade <I>&ndash;</I>, mas acusa uma dificuldade inquietante, quer atrav&eacute;s do coment&aacute;rio (<I>&ldquo;Nossa senhora!&rdquo;</I>), quer da representa&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o, dada a insubst&acirc;ncia do simb&oacute;lico (&ldquo;<I>n&atilde;o tem semelhan&ccedil;a com nada que possa estar na minha mente</I>&rdquo;). </P >    <P   align="justify" >A alucina&ccedil;&atilde;o negativa exerce os seus efeitos no momento presente e o Manuel, desta vez, procede a uma retirada mais radical da situa&ccedil;&atilde;o, a recusa. </P >     <P   align="justify" >No inqu&eacute;rito surge uma resposta adicional que denota claramente a natureza    da retirada, atrav&eacute;s do retraimento narc&iacute;sico sobre si (&ldquo;<I>uma    paisagem, </I><I>o reflexo num lago&rdquo;</I>), sustido numa sensibilidade    regressiva &agrave;s caracter&iacute;sticas sensoriais do est&iacute;mulo (E).    Trata-se de um movimento pseudo-mentalizante &ndash; e pseudo-depressivo <I>&ndash;</I>,    dado que o simb&oacute;lico continua a manifestar a sua aus&ecirc;ncia (&ldquo;<I>continua    a faltar aqui &aacute;gua&rdquo; &ndash; </I>no Dbl), apesar das evoca&ccedil;&otilde;es    transparentes do cart&atilde;o. </P >     <P   align="justify" >Finalmente, no cart&atilde;o X, longe das l&oacute;gicas evacuativas subjacentes aos processos ag&iacute;dos, Manuel expressa o al&iacute;vio pelo t&eacute;rmino da passagem e procede a uma retirada festiva (ri). &ldquo;<I>Isto, depois de ter passado por aquilo tudo, isto &eacute; o fim da festa! Deve ser para completar, como tem mais cores, mais aberturas. Um fogo de artif&iacute;cio, por a&iacute;&rdquo;</I>. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No inqu&eacute;rito, congratula-se com a viabilidade da fuga &agrave; situa&ccedil;&atilde;o aflitiva e coroa a retirada como solu&ccedil;&atilde;o celestial, um final feliz que, dada a intoler&acirc;ncia &agrave;s dimens&otilde;es de frustra&ccedil;&atilde;o emergentes no contacto com as manchas, s&oacute; pode traduzir a aspira&ccedil;&atilde;o regressiva, n&atilde;o ag&iacute;da mas estagnante, &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o do perfeito idealizado: o encontro com reflexo narc&iacute;sico de si no lago celestial, como lugar onde se ilude a perda e toda a natureza de ang&uacute;stia (&ldquo;<I>&Eacute; a &uacute;ltima, fogo de artif&iacute;cio</I>. <I>Aqui </I>&ndash; aponta cart&atilde;o VIII &ndash; <I>fugir de uma situa&ccedil;&atilde;o de afli&ccedil;&atilde;o, ambas t&ecirc;m um acaba</I><I></I><I>mento celestial </I>(cinzas sup.), <I>o que pela minha an&aacute;lise demonstra que &eacute; um final feliz&rdquo;</I>). </P >    <P   align="justify" >Em suma, atrav&eacute;s da ilustra&ccedil;&atilde;o apresentada, julgamos ter revelado (I) a natureza espec&iacute;fica dos processos do agir, como procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o que, inscrita <I>a priori </I>na rela&ccedil;&atilde;o, actua contra a amea&ccedil;a do nada, dada a insubst&acirc;ncia do simb&oacute;lico; (II) bem como a solu&ccedil;&atilde;o alternativa perante a amea&ccedil;a em quest&atilde;o, que ilustr&aacute;mos atrav&eacute;s dos processos conducentes ao retraimento narc&iacute;sico sobre si, atrav&eacute;s da retirada e do recurso a formas de pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o, que facultam a conten&ccedil;&atilde;o do agir. </P >    <P   align="center" >CONCLUS&Otilde;ES </P >    <P   align="justify" >Em termos conclusivos julgamos ter prestado fundamentalmente dois contributos originais, de &acirc;mbito te&oacute;rico e metodol&oacute;gico, para as pr&aacute;ticas da psicologia cl&iacute;nica: </P > <DL   >   <DT   >(I) Uma concep&ccedil;&atilde;o do agir como uma procura de continente, sentido      e simboliza&ccedil;&atilde;o. </DT >   <DT   >(II) Uma concep&ccedil;&atilde;o do Rorschach como um espa&ccedil;o virtual de      alucina&ccedil;&atilde;o negativa. </DT > </DL >     <P   align="justify" >Efectivamente, recorrendo a uma gama vasta de integra&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas &ndash; tecidas essencialmente, em termos de refer&ecirc;ncias centrais, entre os contributos de Freud (1925/1973) e Bion (1965) e articuladas no quadro geral da teoria do negativo de Green (1977, 1983, 1986, 1993, 1994, 2000) &ndash;, concebemos o agir no seio dos fen&oacute;menos <I>border </I>como uma procura de continente, sentido e simboliza&ccedil;&atilde;o que, inscrita <I>a priori </I>na rela&ccedil;&atilde;o, actua contra a amea&ccedil;a do nada. </P >     <P   align="justify" >Para p&ocirc;r &agrave; prova a nossa concep&ccedil;&atilde;o &ndash; recorrendo    essencialmente aos contributos metodol&oacute;gicos de Marques (1994, 1999),    que estabelece o Rorschach como um espa&ccedil;o de rela&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o,    comunica&ccedil;&atilde;o, liga&ccedil;&atilde;o, transforma&ccedil;&atilde;o    e simboliza&ccedil;&atilde;o &ndash;, concebemos o m&eacute;todo Rorschach como    um espa&ccedil;o virtual de alucina&ccedil;&atilde;o negativa, tornando-o particularmente    sens&iacute;vel &agrave;s dimens&otilde;es do <I>negativo e &agrave; presen&ccedil;a    de fundo do nada. </I>De facto, as concep&ccedil;&otilde;es dominantes, te&oacute;ricas    e metodol&oacute;gicas, sobre os fen&oacute;menos <I>border </I>em geral, e    o agir em particular, t&ecirc;m ignorado persistentemente a presen&ccedil;a    de fundo da amea&ccedil;a do nada, t&atilde;o frequentemente expressa nas queixas    destes sujeitos, sob a forma de sentimentos de vazio e de falta de sentido.  </P >     <P   align="justify" >Atrav&eacute;s desta concep&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica e da an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o de quatro narrativas Rorschach de sujeitos <I>borderline</I>, ilustr&aacute;mos e julgamos ter confirmado a nossa concep&ccedil;&atilde;o sobre o agir, como procura de simboliza&ccedil;&atilde;o que actua contra a amea&ccedil;a do nada, tal como, como contraponto do agir, ou solu&ccedil;&atilde;o alternativa perante a amea&ccedil;a do nada, ilustr&aacute;mos tamb&eacute;m os processos conducentes ao retraimento narc&iacute;sico sobre si, atrav&eacute;s da retirada e de formas de pseudo-mentaliza&ccedil;&atilde;o &ndash; pseudo-depressiva &ndash;, que facultam a conten&ccedil;&atilde;o do agir. </P >    <P   align="justify" >Como injun&ccedil;&atilde;o adicional, julgamos que as dimens&otilde;es aqui ilustradas &agrave; luz da teoria do negativo &ndash; o agir e o retraimento narc&iacute;sico &ndash;, v&atilde;o de encontro &agrave;s distin&ccedil;&otilde;es diagn&oacute;sticas tentadas estabilizar por diversos autores &ndash; entre as perturba&ccedil;&otilde;es <I>borderline </I>e as perturba&ccedil;&otilde;es narc&iacute;sicas da personalidade &ndash;, como ilustra a controv&eacute;rsia suscitada pelos contributos te&oacute;ricos e t&eacute;cnicos de Kohut (1978) e Kernberg (1975) e consideramos que estabelecemos sobre esta controv&eacute;rsia novas integra&ccedil;&otilde;es e novos contributos. </P >     <P   align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >BIBLIOGRAFIA </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Amaral Dias, C. (2004). <I>Costurando as linhas da psicopatologia borderland    (estados-limite). </I>Lisboa: Climepsi Editores. </P >     <P   align="justify" >Bergeret, J. (1998). Actes de violence: r&eacute;flexion g&eacute;n&eacute;rale. In F. Millaud (Org.), <I>Le passage &agrave; l&rsquo;act. Aspects cliniques et psychodynamiques </I>(pp. 10-14). Paris: Masson. </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1965). <I>Transformations. </I>London: Heinemann. </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1967). Theory of Thinking. <I>International Journal of Psycho-Analysis, 43</I>, 306-310. </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1992). <I>Cogitations</I>. London: Karnac Boocks. </P >    <P   align="justify" >Chabert, C. (1983/1999). <I>Le Rorschach en clinique adulte. Interpr&eacute;tacion psychanalytique. </I>Paris: Dunod. Edi&ccedil;&atilde;o portuguesa: O Rorschach na cl&iacute;nica do adulto. Lisboa, Climepsi Editores. </P >    <P   align="justify" >Chabert, C. (1987/1998). <I>La psychopathologie &agrave; l&rsquo;epreuve du Rorschach. </I>Paris: Dunod. Edi&ccedil;&atilde;o portuguesa: A psicopatologia &agrave; prova no Rorschach. Lisboa, Climepsi Editores. </P >    <P   align="justify" >Freud, S. (1920/1973). Mas alla del principio del placer. In <I>Obras Complectas. </I>(Tomo III, pp. 2507-2541), (3&ordf;. ed.). Madrid: Ed. Biblioteca Nueva. </P >    <P   align="justify" >Freud, S. (1925/1973). La negaci&oacute;n. In <I>Obras Complectas </I>(Tomo III, pp. 2884-2887), (3&ordf;. ed.). Madrid: Ed. Biblioteca Nueva. </P >    <P   align="justify" >Green, A. (1977). L&rsquo;hallucination n&eacute;gative. Note pour une addendum &agrave; un Trait&eacute; d&ecirc;s hallucinations. <I>L&rsquo;Evolution Psychiatrique, XLII</I>, III/2 (n&uacute;mero especial). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Green, A. (1983). <I>Narcissisme de vie, narcissisme de mort. </I>Paris: Les Editions de Minuit. </P >    <P   align="justify" >Green, A. (1986). Le travail du n&eacute;gatif. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 1</I>, 489-493. </P >    <P   align="justify" >Green, A. (1993). <I>Le travail du n&eacute;gatif. </I>Paris: Les Editions de Minuit. </P >    <P   align="justify" >Green, A. (1994). Para introduzir o negativo em psican&aacute;lise. <I>Revista Brasileira de Psican&aacute;lise, XXVIII</I>(1), 25-38. </P >     <P   align="justify" >Green, A. (2000). A mente primordial e o trabalho do negativo. <I>Livro Anual    de Psican&aacute;lise, XIV</I>, 133-148. </P >     <P   align="justify" >Greenberg, J. R., &amp; Mitchell, S. A. (1983/2003). <I>Object relations in psychoanalytic theory. </I>Havard University Press. Edi&ccedil;&atilde;o portuguesa: Rela&ccedil;&otilde;es de objecto na teoria psicanal&iacute;tica. Lisboa, Climepsi Editores. </P >    <P   align="justify" >Grotstein, J. S. (1987). The Borderline as a Disosrder of Self-Regulation. In J. <I>Grotstein et al. </I>(Eds.), <I>The Borderline Patient. Emerging concepts in diagnosis etiology, psychodynamics, and treatment </I>(vol. I, pp. 347-378). Hillsdale, London: The Analytic Press. </P >    <P   align="justify" >Grotstein, J. S., Lang, J. A., &amp; Solomon, M. F. (1987). Toward a new understanding of the borderline: Reflections. In J. Grotstein et al. (Eds.), <I>The Borderline Patient. Emerging concepts in diagnosis etiology, psychodynamics, and treatment </I>(vol. II, pp. 311-318). Hillsdale, London: The Analytic Press. </P >    <P   align="justify" >Kernberg, O. (1975). <I>Borderline conditions and pathological narcissism. </I>New York. Aroson. </P >    <P   align="justify" >Kouth, H. (1978). <I>The analysis of the self. </I>New York: International Universities Press. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Lerner, P. K. (1991). <I>Psychoanalytic theory of the Rorschach. </I>Hillsdale, Nova Iorque &amp; Londres: The Analytic Press. </P >    <P   align="justify" >Lerner, P. K., &amp; Lerner, H. D. (1980). Rorschach assessement of primitive defenses in borderline personality structure. In J. Kwawer, H. Lerner, P. Lerner, &amp; A. Sugarman (Eds.). <I>Borderline phenomena and the Rorschach test </I>(pp. 257-274). New York: International Universities Press. </P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Marques, M. E. (1994). Comunica&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o no/para o Rorschach. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 14</I>(1), 39-44. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-8231200900030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Marques, M. E. (1999). <I>A psicologia cl&iacute;nica e o Rorschach. </I>Lisboa: Climepsi Editores. </P >    <P   align="justify" >Millaud, F. (1998). Le passage &agrave; l&rsquo;acte: points de rep&egrave;res psychodynamiques. In F. Millaud (Org.), </P >    <P   align="justify" ><I>Le passage &agrave; l&rsquo;act. Aspects cliniques et psychodynamiques </I>(pp. 15-24). Paris: Masson. </P >    <P   align="justify" >Tardif, M. (1998). Le d&eacute;terminisme de la carence d&rsquo;&eacute;laboration psychique dans le passage &agrave; l&rsquo;act. In F. Millaud (Org.), <I>Le passage &agrave; l&rsquo;act. Aspects cliniques et psychodynamiques </I>(pp. 15-24). Paris: Masson. </P >     <P   align="justify" >Viegas, J. C. (2007). O Rorschach e o agir na patolog&iacute;a <I>borderline</I>:    A alucina&ccedil;&atilde;o negativa e a simboliza&ccedil;&atilde;o. <I>Disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado</I>. Lisboa: ISPA. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" >(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Artigo elaborado a partir da disserta&ccedil;&atilde;o    de mestrado em Psicopatologia e Psicologia Cl&iacute;nica, apresentada e defendida    em 2007, no ISPA. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psic&oacute;logo Cl&iacute;nico. Docente    do INUAF, Instituto Superior D. Afonso III. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Professora    Associada do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comunicação, interpretação e simbolização no/para o Rorschach]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
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