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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Eu-pele no Rorschach: A sua expressão em adolescentes toxicodependentes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Skin-Ego concept - on the psychic envelopes structure and functioning, particularly on the &#8220;holding&#8221;, &#8220;containing&#8221; and &#8220;protection against stimuli&#8221; functions - served as a base for the elaboration of new interpretation procedures for the Rorschach projective test, subsequently applied in the analysis of the protocols of two drug addicted adolescents. The proposed procedures were found relevant to the expansion of Rorschach&#8217;s clinical potential, as a form of access to psychic functioning, in a particular moment of a subject&#8217;s life. Therefore, the articulation between the Skin-ego and Rorschach might help clarify the meaning/function of the drug use throughout the phases of adolescence.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P   align="center" ><b>O Eu-pele no Rorschach: A sua express&atilde;o em adolescentes toxicodependentes    (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</b> </P >     <P   align="right" >M&aacute;rcio B. F. Linhares (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>) </P >     <P   align="right" >Catarina Bray Pinheiro (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>)</P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <P align="justify"   >O conceito de Eu-pele, a estrutura e funcionamento dos envelopes ps&iacute;quicos,    em particular as fun&ccedil;&otilde;es de <I>manuten&ccedil;&atilde;o, continente    e p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o</I>, serve de base &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o    de novos procedimentos de interpreta&ccedil;&atilde;o para o Rorschach, subsequentemente    aplicados na an&aacute;lise dos protocolos de dois adolescentes toxicodependentes.    Os procedimentos propostos, revelaram-se relevantes para a expans&atilde;o do    potencial cl&iacute;nico do Rorschach, como forma de acesso ao funcionamento    ps&iacute;quico, num dado momento da vida de um sujeito. Neste sentido, a articula&ccedil;&atilde;o    entre o Eu-pele e o Rorschach poder&aacute; ajudar a clarificar o sentido/fun&ccedil;&atilde;o    do consumo de subst&acirc;ncias psicoactivas ao longo dos movimentos da adolesc&ecirc;ncia.  </P >     <P   ><I>Palavras chave: </I>Adolesc&ecirc;ncia, Eu-pele, Rorschach, Toxicodepend&ecirc;ncia.  </P >     <P align="center"   >ABSTRACT </P >     <P align="justify"   >The Skin-Ego concept &ndash; on the psychic envelopes structure and functioning,    particularly on the &ldquo;<I>holding&rdquo;, &ldquo;containing&rdquo; and &ldquo;protection    against stimuli&rdquo; functions </I>&ndash; served as a base for the elaboration    of new interpretation procedures for the Rorschach projective test, subsequently    applied in the analysis of the protocols of two drug addicted adolescents. The    proposed procedures were found relevant to the expansion of Rorschach&rsquo;s    clinical potential, as a form of access to psychic functioning, in a particular    moment of a subject&rsquo;s life. Therefore, the articulation between the Skin-ego    and Rorschach might help clarify the meaning/function of the drug use throughout    the phases of adolescence. </P >     <P   ><I>Key words: </I>Adolescence, Drug addiction, Rorschach, Skin-ego. </P >     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A partir das descri&ccedil;&otilde;es de Anzieu (1985/ /1995) sobre o funcionamento dos envelopes ps&iacute;quicos, propomo-nos estabelecer correspond&ecirc;ncias entre a constru&ccedil;&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o do s&iacute;mbolo-Rorschach, o trabalho das fun&ccedil;&otilde;es de <I>manuten&ccedil;&atilde;o, continente e p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>e os procedimentos de elabora&ccedil;&atilde;o e redimensionamento do espa&ccedil;o ps&iacute;quico caracter&iacute;sticos da adolesc&ecirc;ncia (Marques, 1999). Para tal, desenvolvemos uma an&aacute;lise do processo-resposta Rorschach a partir de elementos que reenviassem para o trabalho do Eu-pele, de forma a destacar o processo que vai da capta&ccedil;&atilde;o dos perceptos e constru&ccedil;&atilde;o do engrama ao tecer do <I>fio projectivo</I>. </P >     <P   align="justify" >Ao longo do tempo, contribui&ccedil;&otilde;es de diferentes escolas t&ecirc;m    enriquecido a fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do Rorschach, transformando    a sua abordagem interpretativa e alargando a sua aplicabilidade, nomeadamente    como meio de acesso aos processos de desenvolvimento e crescimento caracter&iacute;sticos    da adolesc&ecirc;ncia (Chabert, 1997/1998; Marques, 1991a,b, 1996, 1999; Rausch    de Traubenberg, Bloch-La&icirc;n&eacute;, Boizou, Martin, &amp; Poggionovo,    1988; Rausch de Traubenberg, Bloch-Laine, Duplant, Martin, &amp; Poggionovo,    1993). Neste sentido, propomos novas hip&oacute;teses de interpreta&ccedil;&atilde;o    de elementos quantitativos e qualitativos deste instrumento, ensaiadas na an&aacute;lise    (cart&atilde;o a cart&atilde;o) dos protocolos de dois adolescentes toxicodependentes.  </P >     <P   align="justify" >Os objectos externos (o grupo, o meio, os pais) s&atilde;o a plataforma, o <I>espa&ccedil;o ps&iacute;quico alargado </I>sobre o qual o adolescente abandona as fun&ccedil;&otilde;es ainda insuport&aacute;veis para determinadas inst&acirc;ncias do seu aparelho ps&iacute;quico, constituindo-se como uma esp&eacute;cie de <I>pseudo-pele ps&iacute;quica </I>(B&eacute;goin-Guignard, 1989; Jeammet, 1980). </P >    <P   align="justify" >As manifesta&ccedil;&otilde;es adictivas s&atilde;o um dos modos privilegiados de express&atilde;o de determinados conflitos pr&oacute;prios da adolesc&ecirc;ncia, pelo que a delega&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es do Eu-pele no exterior poder&aacute; inserir-se num contexto de risco inerente aos <I>comportamentos ord&aacute;licos</I>, de procura de limites e estrutura&ccedil;&atilde;o da identidade (Anzieu, 1985/1995; Baudin, 2001; Dias, 2000; Jeammet, 1994). </P >    <P   align="justify" >Neste &acirc;mbito, a mobilidade e transgress&atilde;o dos limites &eacute; entendida como mais um aspecto fundamental do processo adolescente (Marques, 2004). A transforma&ccedil;&atilde;o, (re)composi&ccedil;&atilde;o dos objectos internos e externos, conduz a novas rela&ccedil;&otilde;es continente-conte&uacute;do, operadas pelo/para o estabelecimento de uma nova <I>barreira de contacto, </I>que Dias (2004) traduz por espa&ccedil;o ps&iacute;quico, pele mental. Salienta-se, ainda, o car&aacute;cter evolutivo destas condutas de risco, deslocando-as do dom&iacute;nio exclusivo da psicopatologia para uma concep&ccedil;&atilde;o normativa da adolesc&ecirc;ncia, composta por oscila&ccedil;&otilde;es entre movimentos regressivos, desintegradores e progressivos, integradores (Marques, 1999; Pinto, 2002). </P >    <P   align="center" >ENQUADRAMENTO TE&Oacute;RICO </P >    <P   align="justify" >De um ponto de vista freudiano, todas as fun&ccedil;&otilde;es ps&iacute;quicas t&ecirc;m uma ancoragem numa fun&ccedil;&atilde;o corporal, a partir da qual se desenvolve um correlato mental. Para Anzieu (1985/1995) a pele n&atilde;o s&oacute; fornece ao aparelho ps&iacute;quico as representa&ccedil;&otilde;es constitutivas do Eu, como tamb&eacute;m assegura as suas principais fun&ccedil;&otilde;es, nomeadamente: manuten&ccedil;&atilde;o, conten&ccedil;&atilde;o, p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, individua&ccedil;&atilde;o, intersensorialidade, suporte da excita&ccedil;&atilde;o sexual, recarga libidinal, inscri&ccedil;&atilde;o dos tra&ccedil;os e auto-destrui&ccedil;&atilde;o. </P >     <P   align="justify" >O Eu-pele assegura uma <I>fun&ccedil;&atilde;o de manuten</I><I>&ccedil;&atilde;o    </I>do psiquismo, no sentido em que se apoia na interioriza&ccedil;&atilde;o    do <I>holding </I>materno, fornecendo a solidez e unidade necess&aacute;rias    ao seu funcionamento. A identifica&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria ao objecto    de suporte permite a aquisi&ccedil;&atilde;o de um eixo vertical f&aacute;lico    sobre o qual se edifica a estrutura mental. Permite tamb&eacute;m o desenvolvimento    das representa&ccedil;&otilde;es de frente e verso, precursoras do dentro e    fora, i.e., o sentimento de refor&ccedil;o e protec&ccedil;&atilde;o das superf&iacute;cies    dorsal e ventral, possibilita a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o interm&eacute;dio    de dep&oacute;sito, primeiro, de sensa&ccedil;&otilde;es, depois de pensamentos.  </P >     <P   align="justify" >Isto corresponde j&aacute; &agrave; segunda fun&ccedil;&atilde;o descrita por Anzieu (<I>fun&ccedil;&atilde;o continente</I>), que tanto remete para um <I>Eu-pele continente </I>(superf&iacute;cie est&aacute;vel e im&oacute;vel, servindo de recept&aacute;culo passivo de sensa&ccedil;&otilde;es, imagens e afectos), como para a <I>fun&ccedil;&atilde;o contentor</I>, de transforma&ccedil;&atilde;o, elabora&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o (descrita por Bion como <I>fun&ccedil;&atilde;o </I>&alpha;). Ambas as dimens&otilde;es s&atilde;o indispens&aacute;veis ao desenvolvimento do aparelho ps&iacute;quico, pela forma&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o. Do mesmo modo, continente e conte&uacute;do s&atilde;o indissoci&aacute;veis: a puls&atilde;o, como for&ccedil;a motriz do psiquismo, encontra a sua pot&ecirc;ncia na press&atilde;o que exerce contra os limites que encontra, enquanto que estes s&oacute; adquirem a sua forma insuflados por um n&uacute;cleo pulsional que os sustenha. </P >    <P   align="justify" >Estes limites, n&atilde;o s&oacute; cont&ecirc;m o interno como protegem do externo, cumprindo uma <I>fun&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o</I>. A superf&iacute;cie externa do Eu-pele deve ser suficientemente densa (para impedir a sobre-estimula&ccedil;&atilde;o) e porosa (para permitir as trocas com o exterior). O funcionamento ps&iacute;quico adequado pressup&otilde;e um espa&ccedil;o de diferencia&ccedil;&atilde;o entre estas superf&iacute;cies interna e externa, de forma a prevenir invas&otilde;es exteriores e/ou vazamentos do interior. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >METODOLOGIA </P >    <P   align="justify" >Centrada nas tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es supracitadas, a metodologia consistiu na proposta de novos procedimentos de an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o da prova Rorschach, tratando-se de um instrumento que permite reconstituir os processos de pensamento que operam num aparelho ps&iacute;quico em <I>mudan&ccedil;a catastr&oacute;fica </I>(Marques, 1999). </P >    <P   align="justify" >No que concerne &agrave; <I>fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o</I>, prop&ocirc;s-se que as respostas alusivas ao eixo central, comum a todos os cart&otilde;es (Chabert, 1997/1998), fossem interpretadas como a express&atilde;o da actividade de manuten&ccedil;&atilde;o, averiguando-se o papel desse eixo na organiza&ccedil;&atilde;o da imagem, ou seja, se constitui um suporte eficaz para o engrama; se representa um suporte partilhado com outro objecto; ou se remete, como sugere Anzieu, para a ac&ccedil;&atilde;o da clivagem. </P >    <P   align="justify" >No primeiro caso, h&aacute; que ter em conta que determinados cart&otilde;es, cuja configura&ccedil;&atilde;o &eacute; mais compacta e maci&ccedil;a (<I>I, IV, V e VI</I>), facilitam a manifesta&ccedil;&atilde;o de um simbolismo ligado ao f&aacute;lico, proporcionando a representa&ccedil;&atilde;o deste &ldquo;falo interno&rdquo; que fornece ao espa&ccedil;o mental o poder de se manter. O emprego de um modo de apreens&atilde;o <I>global </I>(G), numa imagem completa e s&oacute;lida, pode dar conta dessa capacidade para manter a arquitectura interna do Eu, revelando a interioriza&ccedil;&atilde;o do <I>holding</I>, leia-se, da fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma, os <I>grandes detalhes </I>(D) &iacute;ntegros, podem traduzir o reconhecimento dessa capacidade no pr&oacute;prio e no Outro. Esta solidez pode, contudo, representar a calcifica&ccedil;&atilde;o de qualquer tentativa de movimento, na medida em que os <I>conte&uacute;dos </I>revelem rigidifica&ccedil;&atilde;o ou desvitaliza&ccedil;&atilde;o (da imobilidade f&oacute;bica &agrave; inanimada). No mesmo sentido, os elementos que indiciam normopatia (n&uacute;mero elevado de <I>Banalidades, F%, F+% e H% </I>elevados) podem revelar a maquinaliza&ccedil;&atilde;o da manuten&ccedil;&atilde;o, sujeita a preceitos externos &ldquo;excessivamente&rdquo; internalizados. Assim, <I>holding </I>deixa de ser traduzido como suportar, manter, passando a significar constringir. </P >    <P   align="justify" >A presen&ccedil;a de <I>cinestesias </I>(K) num protocolo remete para a possibilidade de elaborar o movimento de objectos e/ou personagens, pela mudan&ccedil;a ou constru&ccedil;&atilde;o de novas posi&ccedil;&otilde;es, sobre a manuten&ccedil;&atilde;o de elementos da posi&ccedil;&atilde;o anterior. </P >    <P   align="justify" >Outro elemento de cota&ccedil;&atilde;o do Rorschach a relacionar com esta fun&ccedil;&atilde;o &eacute; a qualidade e quantidade das <I>respostas formais </I>(F), que nos remete para a distin&ccedil;&atilde;o figura-fundo. A import&acirc;ncia do trabalho do negativo, facultado pelo branco do cart&atilde;o e pelo destaque da mancha, solicita um trabalho de individualiza&ccedil;&atilde;o, de separa&ccedil;&atilde;o entre o dentro e o fora (Roman, 1996). Por outro lado, a incapacidade para realizar este destaque figura-fundo pode revelar uma tend&ecirc;ncia para a dispers&atilde;o, ou para a dilui&ccedil;&atilde;o. Anzieu relaciona a deliquesc&ecirc;ncia dos corpos, nas pinturas de Francis Bacon, com perturba&ccedil;&otilde;es na fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o, correspondentes &agrave; imagem do corpo do alco&oacute;lico. Esta liquefac&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos internos reenvia-nos para as respostas associadas &agrave; excessiva porosidade dos continentes, revelando tamb&eacute;m a perturba&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es continente e p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, numa configura&ccedil;&atilde;o de Eu-pele <I>passador, </I>e para fortes ang&uacute;stias de derramamento. </P >    <P   align="justify" >O <I>branco intramacular </I>(Gbl, D bl, Dd bl) pode, tamb&eacute;m, representar a disfun&ccedil;&atilde;o da manuten&ccedil;&atilde;o, os n&uacute;cleos vazios dentro do n&uacute;cleo interno, os espa&ccedil;os por preencher, constituindo uma &ldquo;invas&atilde;o do espa&ccedil;o ps&iacute;quico por conte&uacute;dos pouco diferenciados, em rela&ccedil;&atilde;o com o Id&rdquo; (Roman, 1996, p. 141), ou espa&ccedil;os evacuados porque insustent&aacute;veis. Pode questionar-se se esta evacua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o corresponder&aacute; &agrave; exterioriza&ccedil;&atilde;o de partes do aparelho ps&iacute;quico, cujo manejo &eacute; provisoriamente incomport&aacute;vel. Assim, a estas imagens de incompletude poder-se-iam alternar outras de sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica, de idealiza&ccedil;&atilde;o, que corresponderiam &agrave; delega&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o no exterior, a constru&ccedil;&atilde;o externa de um Ideal do Eu a interiorizar (ou, por vezes, a incorporar). </P >    <P   align="justify" >Esta incompletude tamb&eacute;m se manifesta pela imposi&ccedil;&atilde;o de imagens do interior do corpo (partes do corpo humano, <I>Hd, Anatomias</I>), relacionadas com a reactiva&ccedil;&atilde;o da ang&uacute;stia de castra&ccedil;&atilde;o, expressa pelos adolescentes de 17 anos (Marques, 1999). Apesar de (relativamente) alcan&ccedil;ada a diferencia&ccedil;&atilde;o figura-fundo do ponto de vista formal, ao n&iacute;vel dos <I>conte&uacute;dos </I>&eacute; revelada a fragilidade do eixo f&aacute;lico, i.e., da fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >As imagens de <I>reflexo </I>ou <I>simetria </I>tamb&eacute;m sugerem uma certa dilui&ccedil;&atilde;o do Eu no Outro. Aqui, a manuten&ccedil;&atilde;o &eacute; partilhada com uma figura de suporte an&oacute;nima (porque igual). Os temas de amparo, em que dois objectos dividem um eixo comum (mais frequente nos cart&otilde;es bilaterais), podem remeter para a dificuldade em assegurar individualmente o funcionamento do aparelho ps&iacute;quico. Por vezes, na pr&oacute;pria comunica&ccedil;&atilde;o com o cl&iacute;nico vemos apelos &agrave; certifica&ccedil;&atilde;o, pedidos de permiss&atilde;o para criar, na tentativa (mesmo que transit&oacute;ria) de dividir com o Outro a responsabilidade de simbolizar. </P >    <P   align="justify" >O eixo central tamb&eacute;m serve de sustent&aacute;culo para mecanismos de clivagem e identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, para a cis&atilde;o dos engramas em bom e mau, amor e &oacute;dio, vida e morte, retratados na bilateralidade de um cart&atilde;o e/ou numa altern&acirc;ncia que percorre o protocolo. Esta clivagem serve/reflecte as organiza&ccedil;&otilde;es mais arcaicas do Eu-pele, em que a manuten&ccedil;&atilde;o do aparelho ps&iacute;quico se faz por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; indiferencia&ccedil;&atilde;o, &agrave; fus&atilde;o, num retorno ao bipartido como protec&ccedil;&atilde;o contra o multipartido. Os movimentos de regress&atilde;o que permeiam a adolesc&ecirc;ncia traduzem-se por uma forte &ldquo;reactiva&ccedil;&atilde;o&rdquo; destes mecanismos, como defesa contra as fragilidades narc&iacute;sicas que decorrem das mudan&ccedil;as em curso. Estas especificidades do processo adolescente e suas tradu&ccedil;&otilde;es no Rorschach encontram-se documentadas na literatura (Marques, 1999). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No que respeita &agrave; fun&ccedil;&atilde;o continente, Anzieu (1985/1995) utiliza uma defini&ccedil;&atilde;o bipartida, relacionada com o conceito de &ldquo;continente&rdquo; (envelope, recipiente ou limite) e com o conceito de &ldquo;contentor&rdquo; (reportando para a <I>fun&ccedil;&atilde;o </I>&alpha;tal como descrita por Bion). Pressup&otilde;e-se que os conte&uacute;dos sejam neutralizados e conservados por um recept&aacute;culo &ldquo;continente&rdquo;, sendo depois transformados e elaborados por um &ldquo;contentor&rdquo; que os torna mais represent&aacute;veis. </P >    <P   align="justify" >Os elementos descritos por Chabert, que se baseia nos trabalhos de Anzieu para relacionar a qualidade dos <I>determinantes formais </I>e a do envelope ps&iacute;quico, parecem reflectir de forma mais evidente o funcionamento continente (do que contentor), at&eacute; pela sua rela&ccedil;&atilde;o com as vari&aacute;veis <I>Barreira </I>e <I>Penetra&ccedil;&atilde;o</I>, muito ligadas &agrave; qualidade dos limites entre dentro e fora. As pr&oacute;prias vari&aacute;veis estabelecidas por Fischer e Cleveland (1958) &ndash; apesar de concebidas noutro &acirc;mbito &ndash; est&atilde;o profundamente ligadas &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de delimita&ccedil;&atilde;o do Eu-pele e suas perturba&ccedil;&otilde;es. Segundo Chabert (1997/1998), verifica-se uma boa capacidade de delimita&ccedil;&atilde;o dos engramas, sendo o envelope ps&iacute;quico eficaz na sua fun&ccedil;&atilde;o continente, quando os <I>conte&uacute;dos </I>referentes a pele, membrana, ou superf&iacute;cie protectora est&atilde;o associados a <I>determinantes </I>de boa qualidade formal. </P >    <P   align="justify" >No entanto, refer&ecirc;ncias a <I>objectos blindados, </I>ou objectos cujas superf&iacute;cies s&atilde;o refor&ccedil;adas, remetem mais directamente para o conceito de <I>segunda pele ps&iacute;quica </I>de E. Bick (1967/1991). Este refor&ccedil;o delimitador representa um trabalho da fun&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o (a que se alude adiante), no sentido de assegurar uma pseudo-independ&ecirc;ncia do objecto externo que desempenha a <I>fun&ccedil;&atilde;o de pele-continente </I>ou, na terminologia de Anzieu, a <I>fun&ccedil;&atilde;o de continente</I>. Como refere Roman (1996), esta amea&ccedil;a &agrave; integridade da folha interna do Eu-pele pode coincidir com uma rigidifica&ccedil;&atilde;o da folha externa. </P >    <P   align="justify" >A substitui&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o desempenhada pelo objecto de depend&ecirc;ncia parece tamb&eacute;m aparecer na express&atilde;o Rorschach dos p&uacute;beres, com o privilegiar do modo de apreens&atilde;o <I>global</I>, ou a maior participa&ccedil;&atilde;o dos <I>esbatimentos de textura </I>(Marques, 1999). Neste sentido, os <I>G </I>estariam ao servi&ccedil;o da delimita&ccedil;&atilde;o e os <I>E </I>na procura regressiva de contacto com uma superf&iacute;cie continente, que desempenhe a fun&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria. </P >    <P   align="justify" >A diferen&ccedil;a do funcionamento de &ldquo;continente&rdquo; e de &ldquo;contentor&rdquo; consiste no facto do primeiro implicar <I>formar </I>e o segundo <I>transformar</I>. Este conceito de mudan&ccedil;a est&aacute; presente nas vari&aacute;veis desenvolvidas por Fischer e Cleveland (1958), nomeadamente, na refer&ecirc;ncia a <I>objectos escondidos ou cobertos</I>, cot&aacute;veis como <I>Envelope</I>. Sobrepor algo a um objecto preexistente implica uma <I>ac&ccedil;&atilde;o </I>delimitadora &ndash; transforma&ccedil;&atilde;o operada pela <I>fun&ccedil;&atilde;o </I>&alpha;. </P >    <P   align="justify" >Contudo, na defini&ccedil;&atilde;o das imagens cot&aacute;veis como <I>Penetra&ccedil;&atilde;o </I>verificam-se outras modifica&ccedil;&otilde;es e interc&acirc;mbios entre interior-exterior, talvez porque estes actos de mudan&ccedil;a se caracterizem pela ruptura. No processo-resposta Rorschach interessa compreender o valor desta ruptura na constru&ccedil;&atilde;o do <I>fio projectivo</I>: representa uma mudan&ccedil;a progrediente ou fica-se pela regress&atilde;o e afunda-se na disruptividade (Emmanuelli, 2001). </P >    <P   align="justify" >A dilui&ccedil;&atilde;o da fronteira dentro-fora, expressa na imprecis&atilde;o das <I>formas</I>, nas <I>cinestesias </I>que impliquem ruptura, na invas&atilde;o dos perceptos pela <I>cor</I>, implica a permutabilidade dos conte&uacute;dos que procuram novos continentes, em torno do exerc&iacute;cio da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva e do ensaio de novas configura&ccedil;&otilde;es da <I>barreira de contacto </I>(conceito que, ali&aacute;s, se articula manifestamente com o de <I>fun&ccedil;&atilde;o contentor</I>). </P >    <P   align="justify" >A bilateralidade das manchas (presente mesmo nos cart&otilde;es mais fechados) permite a produ&ccedil;&atilde;o de interac&ccedil;&otilde;es entre personagens humanas ou animais, nomeadamente atrav&eacute;s das <I>cinestesias</I>, que n&atilde;o s&oacute; remetem para a capacidade de definir os limites de cada uma das partes (o seu continente), como d&atilde;o conta da qualidade da comunica&ccedil;&atilde;o entre elas, i.e., do funcionamento do envelope ps&iacute;quico como interface, perme&aacute;vel aos conte&uacute;dos. </P >    <P   align="justify" >Os <I>movimentos de objectos </I>(kob), a comuta&ccedil;&atilde;o das formas (na sequ&ecirc;ncia de respostas <I>F-</I>para <I>F+</I>, ou de <I>FC </I>para <I>C</I>, etc.) e at&eacute;, possivelmente, a sua fragmenta&ccedil;&atilde;o (nos conte&uacute;dos <I>Frag </I>ou <I>Expl</I>), traduzem a necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;os, desempenhada pela <I>fun&ccedil;&atilde;o contentor </I>(e autorizada pelas fun&ccedil;&otilde;es de <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>e de <I>inter</I><I></I><I>sensorialidade</I>). Isto se a regress&atilde;o permitir uma progress&atilde;o criativa, se a decomposi&ccedil;&atilde;o fornecer os conte&uacute;dos para uma nova cria&ccedil;&atilde;o, um novo s&iacute;mbolo. Caso contr&aacute;rio, a simboliza&ccedil;&atilde;o dissolve-se na confus&atilde;o dentro-fora, submersa nos elementos que a percep&ccedil;&atilde;o evoca (a <I>cor</I>, o <I>branco</I>, o <I>negro, </I>etc.), perante a inconsist&ecirc;ncia do envelope e a sua in&eacute;pcia em conter ou transformar. </P >    <P   align="justify" >A confus&atilde;o dentro-fora define o <I>Eu-pele adesivo</I>, descrito por Roman (1996), e implica uma relativa indiferencia&ccedil;&atilde;o entre a <I>fun&ccedil;&atilde;o continente </I>e de <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o</I>. A diferencia&ccedil;&atilde;o destas duas fun&ccedil;&otilde;es permite estabelecer o intervalo entre as folhas interna e externa do Eu-pele, um hiato entre os envelopes, definindo um espa&ccedil;o nuclear, individualizante, isolado e/ou isol&aacute;vel. O isolamento de <I>D intramaculares</I>, ou mesmo <I>pequenos detalhes </I>(Dd), pode comunicar esta capacidade para definir um n&uacute;cleo interno bem contido, sobre a mancha que serve de fundo, por sua vez bem destacada do fundo branco do cart&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Na invers&atilde;o dos envelopes, as superf&iacute;cies interna e externa do Eu-pele encontram-se perfiladas de tal forma que podem surgir viv&ecirc;ncias de difus&atilde;o dos conte&uacute;dos internos &ndash; o envelope continente n&atilde;o se encontra bem protegido pelo de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o. A predomin&acirc;ncia de uma <I>tem&aacute;tica do olhar </I>pode remeter para determinado tipo de ang&uacute;stias de intrus&atilde;o ps&iacute;quica ou difus&atilde;o do pensamento. A dificuldade em conceber os conte&uacute;dos internos isolados do exterior, dever&aacute; ser tanto atenuada quanto for poss&iacute;vel discriminar as fun&ccedil;&otilde;es e integr&aacute;-las, de forma a que o trabalho da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva n&atilde;o implique este &ldquo;perder-se&rdquo; no Outro. </P >    <P   align="justify" >A colagem dos envelopes, interno e externo do Eu-pele, tamb&eacute;m sugere uma disrup&ccedil;&atilde;o, mas com origem na dificuldade em estabilizar o tal n&uacute;cleo interno assegurado pela fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o. Respostas do tipo <I>FC </I>ou <I>FE </I>podem remeter para esta tentativa de conter o movimento pulsional interno, ou indiciar o recurso &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o para reduzir a excitabilidade dos perceptos, moderando o acesso do externo ao interior. Perante o aumento das tens&otilde;es internas, o fantasma de esvaziamento narc&iacute;sico (liquefac&ccedil;&atilde;o, explos&atilde;o, etc.) determina a necessidade de recurso a esta esp&eacute;cie de exosqueleto. </P >    <P   align="justify" >A <I>fun&ccedil;&atilde;o contentor </I>participa na qualidade do envelope de cada engrama isolado, mas tamb&eacute;m est&aacute; presente na evolu&ccedil;&atilde;o dos limites de resposta para resposta, de cart&atilde;o para cart&atilde;o, ou seja, com a qualidade dos limites ao longo do <I>fio-projectivo</I>. </P >    <P   align="justify" >A capacidade de evocar v&aacute;rias imagens a partir da mesma mancha, de n&atilde;o ficar preso dentro do continente criado, de efectuar o movimento de s&iacute;ntese implicado na constru&ccedil;&atilde;o de um <I>G elaborado</I>, ou um movimento de an&aacute;lise dos <I>detalhes </I>numa resposta inicialmente apreendida em <I>G</I>, determina a mobilidade das fronteiras e abre espa&ccedil;o &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de novos espa&ccedil;os. &Eacute; nesta evolu&ccedil;&atilde;o que se pode (a)testar a capacidade de transforma&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do processo criativo, capacidade de estabelecer novas rela&ccedil;&otilde;es continente-conte&uacute;do, de permitir-se a <I>mudan&ccedil;a catastr&oacute;fica</I>. </P >     <P   align="justify" >A efic&aacute;cia da <I>fun&ccedil;&atilde;o continente </I>depende da articula&ccedil;&atilde;o    das dimens&otilde;es <I>contentor </I>e <I>continente</I>, e a cria&ccedil;&atilde;o    do s&iacute;mbolo n&atilde;o pode acontecer sem o trabalho de delimita&ccedil;&atilde;o    e comunica&ccedil;&atilde;o respectivos. O desfasamento entre o <I>formar </I>e    o <I>transformar </I>verifica-se quando h&aacute; apreens&atilde;o de <I>detalhes    </I>que, apesar de associados a boas formas, n&atilde;o estabelecem qualquer    tipo de v&iacute;nculo entre si, ou seja, est&atilde;o completamente isolados.  </P >     <P   align="justify" >Se a cota&ccedil;&atilde;o de determinantes formais de boa qualidade (<I>F+</I>) remete para a efic&aacute;cia da fun&ccedil;&atilde;o continente, poder&aacute; subentender-se um contributo da <I>fun&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>quando se tratem de imagens apreendidas em zonas da mancha que possuem uma val&ecirc;ncia pulsional particular (como &eacute; o caso dos vermelhos), ou cujas caracter&iacute;sticas evocam reac&ccedil;&otilde;es manifestas ao longo do protocolo (como acontece quando h&aacute; uma reactividade particular ao negro). Poder-se-&aacute; realizar o mesmo tipo de leitura em rela&ccedil;&atilde;o aos elementos mistos de cota&ccedil;&atilde;o (<I>FC, FE </I>e at&eacute; mesmo <I>FClob</I>), tendo em conta que a qualidade formal do engrama revela o espa&ccedil;o facultado pela p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o aos envelopes de manuten&ccedil;&atilde;o e continente (ou seja, a dist&acirc;ncia entre as folhas interna e externa do Eu-pele). </P >    <P   align="justify" >A rela&ccedil;&atilde;o entre a oralidade e a epiderme &eacute; o prot&oacute;tipo de todas as rela&ccedil;&otilde;es figura-fundo. A partir do modelo oral, os orif&iacute;cios tornam-se zonas er&oacute;genas, como figuras ou pontos de prazer intenso e r&aacute;pido sobre o fundo de sensualidade global da pele. Da&iacute; que a invers&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o figura-fundo possa estar relacionada com a (con)fus&atilde;o entre as fun&ccedil;&otilde;es de <I>p&aacute;ra</I><I></I><I>-excita&ccedil;&atilde;o </I>e de <I>suporte da excita&ccedil;&atilde;o sexual</I>, uma perturba&ccedil;&atilde;o fundada na oralidade (Anzieu, 1985/1995). Esta interpenetra&ccedil;&atilde;o dos envelopes est&aacute; patente quando as formas dos engramas n&atilde;o resistem &agrave; invas&atilde;o dos conte&uacute;dos externos, como se verifica em alguns <I>CF, </I>em que um fundo de tens&atilde;o pulsional determina a (in)defini&ccedil;&atilde;o dos limites. </P >    <P   align="justify" >A labilidade, que caracteriza alguns processos-resposta, poder&aacute; tamb&eacute;m configurar uma forma (paradoxal) de protec&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da invers&atilde;o dos envelopes de excita&ccedil;&atilde;o sexual e de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, permitindo a constitui&ccedil;&atilde;o de um ecr&atilde; de dispers&atilde;o/ /imprecis&atilde;o que impede o contacto directo com o objecto de ang&uacute;stia. A efic&aacute;cia deste ecr&atilde; de afectos &eacute; limitada porque, apesar de lograr a irrepresentabilidade do objecto, inviabiliza o desenvolvimento contido e sustentado dos processos de constru&ccedil;&atilde;o, liga&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >As <I>cinestesias </I>tamb&eacute;m s&atilde;o elementos importantes de avalia&ccedil;&atilde;o da actividade de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, pelo facto de oferecerem uma medida da flexibilidade dos limites, da barreira de contacto. As imagens de movimento remetem para a permeabilidade desta barreira externa, tanto mais quanto se trate de interac&ccedil;&otilde;es humanas ou animais (<I>K, kan</I>), que revelam a comunica&ccedil;&atilde;o interno-externo e a interpermutabilidade dos conte&uacute;dos. </P >    <P   align="justify" >As <I>cinestesias parciais </I>(kp), pelo contr&aacute;rio, poder&atilde;o dar conta do funcionamento restritivo da p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, quando as solicita&ccedil;&otilde;es do percepto sejam t&atilde;o angustiantes que n&atilde;o permitam lidar com uma representa&ccedil;&atilde;o integral. Da mesma forma, pode-se questionar se as cota&ccedil;&otilde;es de figuras parciais (<I>Ad, Hd</I>) n&atilde;o poder&atilde;o ser interpretadas como o trabalho da fun&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o na restri&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos animais ou humanos demasiado angustiantes. Tal seria ainda mais marcante se este funcionamento aparecesse associado &agrave; cota&ccedil;&atilde;o de <I>G barrados</I>, correspondendo a uma restri&ccedil;&atilde;o suplementar (desta feita, ao n&iacute;vel perceptivo), que encontraria a sua express&atilde;o mais saliente no <I>detalhe oligofr&eacute;nico </I>(Do). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No que concerne &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do <I>fio projectivo</I>, o    aumento evidente do <I>tempo de lat&ecirc;ncia </I>pode constituir uma tentativa    de criar um hiato (temporal) entre o est&iacute;mulo e as suas solicita&ccedil;&otilde;es    mais imediatas, possibilitando uma (re)elabora&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es    ou afectos evocados e evitando </P >o choque, evidenciando o funcionamento da p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o.    O <I>choque </I>corresponder&aacute; &agrave; fal&ecirc;ncia desta estrat&eacute;gia,    conjugando outros elementos que remetem para a express&atilde;o directa (n&atilde;o    elaborada) da ang&uacute;stia. Do mesmo modo, &eacute; admiss&iacute;vel que    um manifesto <I>abaixamento do tempo de lat&ecirc;ncia </I>corresponda &agrave;    fal&ecirc;ncia da <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o</I>, revelando uma    permeabilidade acrescida &agrave;s estimula&ccedil;&otilde;es externas. </P >     <P   align="justify" >Noutras propor&ccedil;&otilde;es, esta interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; extens&iacute;vel &agrave; <I>denega&ccedil;&atilde;o</I>, em que &eacute; criado espa&ccedil;o para a elabora&ccedil;&atilde;o do s&iacute;mbolo atrav&eacute;s da tentativa de distanciamento em rela&ccedil;&atilde;o ao projectado, ou seja, a denega&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos internos solicitados, mas tamb&eacute;m &agrave; <I>recusa</I>, onde a ac&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o &eacute; levada ao extremo, impedindo a comunica&ccedil;&atilde;o com o cl&iacute;nico (a permeabilidade interior-exterior) ou, at&eacute; mesmo, dificultando os processos de pensamento (impermeabilizando as transfer&ecirc;ncias entre continentes/conte&uacute;dos internos). </P >    <P   align="center" >SUJEITOS </P >    <P   align="justify" >O P. tem 19 anos, frequenta o ensino superior (encontrando-se deslocado de casa). Foi internado numa Unidade de Desabitua&ccedil;&atilde;o, cerca de 15 dias antes da sess&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o. Quatro meses antes tinha tido um epis&oacute;dio alucinat&oacute;rio, na sequ&ecirc;ncia do consumo simult&acirc;neo de &ldquo;pastilhas&rdquo;, haxixe e &aacute;lcool. Manifestou a inten&ccedil;&atilde;o de aproveitar o internamento para deixar de consumir haxixe &ndash; sua subst&acirc;ncia de prefer&ecirc;ncia, que consumia diariamente. Disse preferir a &ldquo;erva&rdquo; que o acalma e associou os consumos de haxixe &agrave; produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, nomeadamente &agrave; pintura. Descreveu efeitos que se assemelham a uma produtividade quase alucinat&oacute;ria. Referiu consumos regulares de &ldquo;pastilhas&rdquo; e espor&aacute;dicos de &ldquo;&aacute;cidos&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Renitente em reconhecer a necessidade de apoio terap&ecirc;utico, aceitou realizar o teste na perspectiva de explorar essa possibilidade. Estava visivelmente ansioso, algo que assumiu como tra&ccedil;o de personalidade. </P >    <P   align="justify" >A S. tem 18 anos, estatura m&eacute;dia, olhos bastante expressivos do seu estado de &acirc;nimo. Iniciou processo em comunidade terap&ecirc;utica, registando evolu&ccedil;&atilde;o na passagem para a segunda fase de tratamento. Nove meses ap&oacute;s a admiss&atilde;o, foi expulsa, na sequ&ecirc;ncia do incumprimento de regras da institui&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Iniciou consumos de canabin&oacute;ides aos 10 anos. No in&iacute;cio da adolesc&ecirc;ncia, relata ter sido v&iacute;tima de tentativa de abuso sexual por parte de um tio e fez internamento ap&oacute;s tentativas de suic&iacute;dio, por ingest&atilde;o de f&aacute;rmacos. Diz ter entrado em depress&atilde;o profunda aos 15 anos, ap&oacute;s morte do pai, altura em que inicia o consumo de &ldquo;drogas duras&rdquo;: coca&iacute;na e ecstasy. </P >    <P   align="justify" >Deixa de se relacionar com os amigos de escola, pois sentia que nada tinha que ver com &ldquo;aquele tipo de pessoas normais&rdquo;. Sentia-se bem, salvo raras excep&ccedil;&otilde;es, no seio do grupo de &ldquo;amigos de consumo&rdquo;. </P >    <P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >    <P   align="justify" >A partir da interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados dos protocolos e dos psicogramas, reflectiu-se sobre a pertin&ecirc;ncia dos procedimentos de an&aacute;lise propostos. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Verificou-se que nem sempre s&atilde;o a coes&atilde;o e integridade dos engramas que revelam a predomin&acirc;ncia da <I>fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o </I>na sua constru&ccedil;&atilde;o. A dificuldade em consentir a sec&ccedil;&atilde;o da mancha nos seus detalhes constituintes, for&ccedil;ando uma figura &uacute;nica, &agrave;s expensas da sua qualidade formal (<I>&ldquo;um rato esmagado&rdquo;</I>), pode denunciar a fragilidade do n&uacute;cleo de manuten&ccedil;&atilde;o. &Agrave; constru&ccedil;&atilde;o global dos engramas, tamb&eacute;m pode subjazer a (con)fus&atilde;o dos detalhes &ndash; &ldquo;<I>Duas pessoas. N&atilde;o, a mesma...</I>&rdquo; &ndash; relacionada com fantasias de (re)encontro fusional com o objecto de suporte, na partilha do mesmo espa&ccedil;o de manuten&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Os conte&uacute;dos r&iacute;gidos ou desvitalizados, das respostas do P. ao cart&atilde;o IV &ndash; &ldquo;<I>um tapete... daqueles de ursos</I>&rdquo; e &ldquo;<I>uma &aacute;rvore</I>&rdquo; &ndash; s&atilde;o representativos de estrat&eacute;gias de passividade (operadas pelas fun&ccedil;&otilde;es <I>manuten&ccedil;&atilde;o </I>e <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o</I>), perante a amea&ccedil;a da tens&atilde;o pulsional que logo se revela &ndash; &ldquo;<I>explos&atilde;o nuclear</I>&rdquo;. Apesar de disruptivos, estes movimentos sugerem capacidade de explora&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias dimens&otilde;es &ndash; a tridimensionalidade do &ldquo;sombreado&rdquo; e a temporalidade da cinestesia. </P >    <P   align="justify" >Os dados dos psicogramas n&atilde;o permitiram testar se os elementos que traduzem normopatia est&atilde;o relacionados com o constrangimento da fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o. Contudo, foi poss&iacute;vel relacionar a boa qualidade formal dos engramas com a distin&ccedil;&atilde;o figura-fundo e a efic&aacute;cia das fun&ccedil;&otilde;es <I>manuten&ccedil;&atilde;o</I>, <I>continente </I>e <I>p&aacute;ra</I><I></I><I>excita&ccedil;&atilde;o</I>. Por exemplo, no cart&atilde;o II, &ldquo;<I>poderia ser uma borboleta</I>&rdquo;, denota-se a efic&aacute;cia da <I>conten&ccedil;&atilde;o </I>e da <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>perante a solicita&ccedil;&atilde;o pulsional da mancha (apreendida no detalhe vermelho), numa figura cuja integridade e formalidade s&atilde;o conseguidas, revelando alguma capacidade de mediar o espa&ccedil;o entre as folhas interna e externa do Eu-pele. </P >    <P   align="justify" >A integra&ccedil;&atilde;o dos detalhes brancos intramaculares aparece apenas no protocolo de P., parecendo remeter para a invers&atilde;o dos envelopes, nomeadamente na resposta adicional ao cart&atilde;o X, em que &ldquo;<I>a cara &eacute; a parte branca</I>&rdquo; (D bl F- Hd). A formula&ccedil;&atilde;o da resposta surgiu associada a fragilidades identit&aacute;rias, numa procura ainda muito centrada no Eu. Estes elementos corroboram a proposta de que as restri&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel do conte&uacute;do (mais Ad do que Hd e Anat) podem traduzir viv&ecirc;ncias de incompletude e fragilidade do eixo de suporte, portanto, da <I>fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o</I>. </P >    <P   align="justify" >As respostas tamb&eacute;m sugerem que s&atilde;o as imagens de apoio, colagem e fus&atilde;o, mais do que as imagens de simetria, espelho e/ou duplo, que traduzem a necessidade de um objecto de an&aacute;lise, que desempenhe a fun&ccedil;&atilde;o de suporte do Eu-pele, como &eacute; evidente, mas pouco eficaz, no protocolo de S.: &ldquo;<I>um animal, ou melhor, dois animais id&ecirc;nticos pegados</I>&rdquo;. Alternativamente, prop&ocirc;s-se que as representa&ccedil;&otilde;es especulares remetem para estrat&eacute;gias mais centradas na procura de um continente emulado do Outro, que proteja o n&uacute;cleo interno do Eu-pele (j&aacute; assegurado por uma <I>fun&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o</I>, relativamente, consistente). </P >    <P   align="justify" >Verificou-se ainda que, em torno do eixo de <I>manuten&ccedil;&atilde;o </I>se organizam mecanismos de clivagem e de identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, operados sobre o eixo vertical das manchas, mas tamb&eacute;m num eixo virtual, transversal ao processo-resposta &ndash; no cart&atilde;o I, &ldquo;<I>diab&oacute;lico, fria</I>&rdquo; e no cart&atilde;o II, &ldquo;<I>pureza e ingenuidade</I>&rdquo;. No protocolo de S., em particular, o papel da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva foi preponderante no esbatimento das fronteiras dentro-fora. </P >     <P   align="justify" >Nos dois protocolos, exemplos de boa qualidade formal &ndash; &ldquo;<I>borboleta</I>&rdquo;    (F+), no cart&atilde;o II &ndash; remetem para a efic&aacute;cia da <I>fun&ccedil;&atilde;o    continente</I>, enquanto que a sua fal&ecirc;ncia contrasta na constru&ccedil;&atilde;o    de outros engramas &ndash; &ldquo;<I>... cara de um morcego </I>(...) <I>uma    cara esquisita</I>&rdquo; (F-), no cart&atilde;o VI. Neste aspecto, os dados    dos protocolos e psicogramas vieram corroborar as propostas avan&ccedil;adas,    de que a qualidade formal dos engramas remete para a qualidade dos envelopes    ps&iacute;quicos. </P >     <P   align="justify" >Quanto &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o dos esbatimentos de textura como express&atilde;o da procura regressiva de um envelope continente, a resposta de P., &ldquo;<I>tapete... daqueles de ursos... de pele</I>&rdquo;, parece elucidativa da efic&aacute;cia, mesmo que provis&oacute;ria, da fun&ccedil;&atilde;o continente, que antecede a amea&ccedil;a disruptiva de &ldquo;<I>uma explos&atilde;o nuclear</I>&rdquo; (cart&atilde;o IV). </P >    <P   align="justify" >No cart&atilde;o V de P., prop&ocirc;s-se considerar a delimita&ccedil;&atilde;o eficaz de conte&uacute;dos acrom&aacute;ticos &ndash; &ldquo;<I>um insecto nocturno</I>&rdquo; (FC&rsquo;) &ndash; como actividade de conten&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o dos afectos depressivos. Por outro lado, na an&aacute;lise do psicograma de P., prop&ocirc;s-se uma rela&ccedil;&atilde;o entre a percentagem de conte&uacute;dos humanos (H%=11) e a capacidade da fun&ccedil;&atilde;o continente, estabelecendo os limites do Eu e contribuindo para a defini&ccedil;&atilde;o da identidade. </P >    <P   align="justify" >A partir das respostas &ldquo;uma explos&atilde;o nuclear&rdquo; e &ldquo;uma explos&atilde;o&rdquo;, respectivamente nos cart&otilde;es IV e IX de P., sugeriu-se que as cinestesias de ruptura e os conte&uacute;dos Explos&atilde;o estariam associados ao funcionamento contentor (traduzindo a necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o dentro-fora e de ensaio da barreira de contacto, o que sabemos ser presente na adolesc&ecirc;ncia). Aqui, essa transgress&atilde;o dos limites e tentativa de interc&acirc;mbio redundou na destrui&ccedil;&atilde;o total dos engramas, sem intento e/ou possibilidade de recupera&ccedil;&atilde;o e sem cria&ccedil;&atilde;o de novas imagens. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Analisando a sucess&atilde;o formal do protocolo de P., encontram-se dados que permitem consolidar a hip&oacute;tese de que os p&oacute;los formativo-transformativo (continente-contentor) da <I>fun&ccedil;&atilde;o de continente </I>podem operar de modo distinto. O processo-resposta de P. &eacute; constru&iacute;do numa perspectiva mais transformativa (contentor) &ndash; com respostas variadas e sequenciais a um mesmo cart&atilde;o, diferen&ccedil;as relevantes entre o espont&acirc;neo e o inqu&eacute;rito, e algumas cinestesias &ndash; enquanto a qualidade dos continentes (formativa) fica para segundo plano &ndash; como &eacute; indicado pelos baixos valores de F% e F+%. A repeti&ccedil;&atilde;o, quase persevera&ccedil;&atilde;o, de um mesmo continente &ldquo;<I>cara</I>&rdquo; indicia uma tentativa de compensa&ccedil;&atilde;o desta car&ecirc;ncia da fun&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Respostas como &ldquo;<I>... &eacute; assustadora! Repre</I><I></I><I>senta medo, escurid&atilde;o e </I>(...) <I>parece um monstro</I>&rdquo; (cart&atilde;o IV de S.), revelam que as solicita&ccedil;&otilde;es fantasm&aacute;ticas do cart&atilde;o e a excitabilidade do percepto inviabilizam o funcionamento eficaz da <I>fun&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>(ClobF), resultando na imprecis&atilde;o dos limites, numa m&aacute; rela&ccedil;&atilde;o figurafundo. </P >     <P   align="justify" >Colocou-se em hip&oacute;tese que os elementos de cota&ccedil;&atilde;o K e kan    poderiam ser interpretados como &ldquo;medida&rdquo; de permeabilidade e flexibilidade    do envelope de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o. No entanto, em qualquer    dos protocolos, as cinestesias humanas revelam uma certa porosidade, traduzindo    a car&ecirc;ncia e/ou mesmo fal&ecirc;ncia da fun&ccedil;&atilde;o &ldquo;<I>Extraterrestres...    Duendes, todos juntos numa festa</I>&rdquo; (Inqu&eacute;rito) &ldquo;<I>...    espa&ccedil;o que criam </I>(...) <I>para uma pessoa estar e parece que n&atilde;o    est&aacute;</I>&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >Considerou-se importante aprofundar a interpreta&ccedil;&atilde;o dos aumentos    do tempo de lat&ecirc;ncia, que nos protocolos analisados surgiram contextualizados    de formas distintas. A resposta &ldquo;<I>cara de gato selvagem</I>&rdquo; (cart&atilde;o    III de P.) aparece associada a elementos que remetem para o funcionamento de    <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>&ndash; a delimita&ccedil;&atilde;o    formal da cor (FC) e o &ldquo;<I>p&ocirc;r em desenho</I>&rdquo; (Ad/Desen).    Estas estrat&eacute;gias permitiram circunscrever as solicita-&ccedil;&otilde;es    mais agressivas e denegar a sua origem, criando um <I>envelope de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o    </I>onde &eacute; manejada a ang&uacute;stia. Noutra resposta de P., &ldquo;<I>rato    esmagado</I>&rdquo; (cart&atilde;o VI), o aumento do tempo de lat&ecirc;ncia    coincide com outros elementos que caracterizam o choque (a fal&ecirc;ncia formal    e o conte&uacute;do fragmentado): a barreira de <I>p&aacute;ra</I><I></I><I>-excita&ccedil;&atilde;o    </I>n&atilde;o suportou o impacte do percepto. Por outro lado, o coment&aacute;rio    de S. ao &uacute;ltimo cart&atilde;o &ndash; &ldquo;<I>muita confus&atilde;o,    inseguran&ccedil;a, coisas muito ambivalentes</I> &ndash; &eacute; antecedido    por uma pausa incaracter&iacute;stica, o que exprime uma intensa dispers&atilde;o.    Neste caso, a interpreta&ccedil;&atilde;o deve atender &agrave; fal&ecirc;ncia    da <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>e das outras fun&ccedil;&otilde;es    do Eu-pele. </P >     <P   align="justify" >A resposta adicional de P. ao cart&atilde;o X, &ldquo;<I>dois cavalos-marinhos, cor-de-laranja, metidos entre as algas</I>&rdquo;, possibilita uma an&aacute;lise de v&aacute;rios procedimentos propostos, uma vez que representa uma boa integra&ccedil;&atilde;o do trabalho das tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es principais. Verifica-se uma boa distin&ccedil;&atilde;o figura-fundo e figura-figura, que preside ao destaque dos detalhes. As figuras animais, bem enumeradas e diferenciadas de forma coesa nos seus envelopes (D FC), d&atilde;o conta da capacidade <I>continente </I>e de <I>manuten&ccedil;&atilde;o</I>, apesar da solicita&ccedil;&atilde;o agressiva que a cor teve no espont&acirc;neo: &ldquo;<I>galos prontos para lutarem</I>&rdquo; e &ldquo;<I>uma explos&atilde;o</I>&rdquo;. O conte&uacute;do &ldquo;<I>algas</I>&rdquo; (Pl) representa uma segunda folha constitutiva do engrama, contribuindo para envolver a cena num envelope de <I>p&aacute;ra</I><I></I><I>-excita&ccedil;&atilde;o</I>, que refor&ccedil;a a conten&ccedil;&atilde;o formal do afecto (FC) na transforma&ccedil;&atilde;o do clima conflituoso do espont&acirc;neo &ndash; operada pela fun&ccedil;&atilde;o de contentor, numa ac&ccedil;&atilde;o delimitadora, que esconde/envolve o conte&uacute;do, modificando-o. </P >    <P   align="justify" >Os dados n&atilde;o permitiram observar a pertin&ecirc;ncia de alguns procedimentos propostos. Contudo, a sua aus&ecirc;ncia tamb&eacute;m poder&aacute; ser significativa, conquanto possa traduzir a inacessibilidade a determinado tipo de funcionamento. Por exemplo, nenhum dos sujeitos revelou acesso ao processamento de um G elaborado, para cuja constru&ccedil;&atilde;o concorre a actividade das tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es. </P >    <P   align="justify" >Foram tamb&eacute;m inexistentes as refer&ecirc;ncias a objectos blindados ou refor&ccedil;ados, cot&aacute;veis como Barreira, remetentes para o funcionamento combinado continente/p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o. No protocolo de P., talvez porque as estrat&eacute;gias de refor&ccedil;o narc&iacute;sico se caracterizaram mais pela apreens&atilde;o global e individual dos perceptos, no de S., porque se evidenciou precisamente o contr&aacute;rio, ou seja, a imprecis&atilde;o dos limites e a indefini&ccedil;&atilde;o das superf&iacute;cies continentes. </P >     <P   align="justify" >Resumindo, no que respeita a P., verificou-se que predominou a problem&aacute;tica    da identidade, na procura de um continente est&aacute;vel do Eu-pele &ndash;    expressa atrav&eacute;s de um conte&uacute;do &ldquo;<I>cara</I>&rdquo;, repetido    e espelhado na sua forma &ldquo;<I>esquisita</I>&rdquo;. Este singular (narc&iacute;sico)    alternou com imagens bilaterais reveladoras de fragilidades eg&oacute;icas nucleares    &ndash; na depend&ecirc;ncia do suporte e conten&ccedil;&atilde;o do Outro &ndash;    que lembram mais um registo p&uacute;bere do que propriamente adolescente. </P >     <P   align="justify" >Por outro lado, P. revela capacidades de criar, de explorar limites e a express&atilde;o adequada dos afectos (pela relativa integra&ccedil;&atilde;o da cor e dos esbatimentos) e indicia potencialidades ao n&iacute;vel da rela&ccedil;&atilde;o e da subjectividade. O desejo de rela&ccedil;&atilde;o (idealizada) abre possibilidades de interac&ccedil;&atilde;o, mas imp&otilde;e o anonimato dos intervenientes. A indefini&ccedil;&atilde;o de g&eacute;neros, perante um materno-feminino amea&ccedil;ador e um paterno-masculino esvaziado, dificulta a (re)integra&ccedil;&atilde;o do casal parental combinado, do <I>ser </I>e do <I>realizar</I>. As progress&otilde;es, nem sempre pac&iacute;ficas, por vezes imp&otilde;em uma agressividade demasiado disruptiva para os recursos do seu Eu-pele. </P >    <P   align="justify" >No protocolo de S., a (con)fus&atilde;o dos envelopes significa, mais do que a fal&ecirc;ncia da <I>fun&ccedil;&atilde;o continente, </I>a depend&ecirc;ncia da <I>manuten&ccedil;&atilde;o </I>do Outro. A individualidade contestada na indefini&ccedil;&atilde;o dos limites dentro-fora, num &ldquo;<I>jogo de for&ccedil;as entre mim e a minha m&atilde;e </I>(...) <I>como se n&atilde;o houvesse diferen&ccedil;a de hierarquia, luta constante que n&atilde;o leva a lado nenhum</I>&rdquo;. Estar &ldquo;pegado&rdquo; significa partilhar envelopes, numa luta pela &ldquo;liberdade&rdquo;, que activa a ang&uacute;stia da <I>pele rasgada</I>, numa ambival&ecirc;ncia tangencial &agrave; clivagem. Neste quadro, a invers&atilde;o dos envelopes de excita&ccedil;&atilde;o e p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o tem a fun&ccedil;&atilde;o de encobrir a profundidade do v&iacute;nculo ao objecto e a indispensabilidade da sua <I>manuten&ccedil;&atilde;o</I>. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >CONCLUS&Atilde;O </P >    <P   align="justify" >A partir da discuss&atilde;o dos procedimentos de interpreta&ccedil;&atilde;o do Rorschach, elaborados atrav&eacute;s do organizador <I>Eu-pele</I>, procurou-se enquadrar a an&aacute;lise dos protocolos com as viv&ecirc;ncias de cada sujeito, com o intuito de compreender melhor o(s) seu(s) processo(s) adolescente(s) e perceber que fun&ccedil;&atilde;o(&otilde;es) desempenha o consumo de subst&acirc;ncias. </P >    <P   align="justify" >Apesar das vicissitudes, P. logrou responder &agrave; situa&ccedil;&atilde;o projectiva num contexto de abstin&ecirc;ncia, tomando m&atilde;o de elementos de liga&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o. Adivinha-se-lhe a possibilidade de progredir no seu processo adolescente, atrav&eacute;s da (re)constru&ccedil;&atilde;o e (re)organiza&ccedil;&atilde;o dos envelopes de manuten&ccedil;&atilde;o, continente e de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, pela (re)interioriza&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es do Eu-pele delegadas no espa&ccedil;o ps&iacute;quico alargado. Este potencial, ainda dilu&iacute;do na multiplicidade e mobilidade da sua express&atilde;o, &eacute; sugerido pelo Rorschach. </P >    <P   align="justify" >A criatividade, que P. atribui aos canabin&oacute;ides, permite-lhe manter um Eu-pele aplanado e fantasiar novas possibilidades de liga&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o, explorando novas dimens&otilde;es, alien&iacute;genas, mitol&oacute;gicas, psicad&eacute;licas. Esta atribui&ccedil;&atilde;o de propriedades produtivas &agrave;s subst&acirc;ncias psicoactivas corresponde &agrave; delega&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es do Eu-pele num objecto m&aacute;gico que permite o acesso a dimens&otilde;es (aparentemente) inacess&iacute;veis. </P >    <P   align="justify" >Por outro lado, subst&acirc;ncias desinibidoras (tal como o &aacute;lcool e o Ecstasy) podem ter a fun&ccedil;&atilde;o de facilitadores da rela&ccedil;&atilde;o, envolvendo-a numa atmosfera id&iacute;lica, num envelope para as ang&uacute;stias que o encontro do/com o Outro evoca. </P >     <P   align="justify" >Quanto a S., pode compreender-se o consumo de estimulantes no &acirc;mbito de    uma estrat&eacute;gia similar &agrave; de <I>barreira de fumo </I>&ndash; que    passa pelo recurso &agrave; excitabilidade e &agrave; agita&ccedil;&atilde;o    psicomotora como envelopes de protec&ccedil;&atilde;o. A inefic&aacute;cia deste    funcionamento &eacute; inibit&oacute;ria da progress&atilde;o e coloca S. face    a uma representa&ccedil;&atilde;o de si equivalente a um &ldquo;prot&oacute;tipo    de como s&atilde;o as pessoas&rdquo;, limitada no seu <I>ser </I>e impossibilitada    de <I>realizar </I>o trabalho solicitado pela situa&ccedil;&atilde;o projectiva    e exigido pelo <I>devir </I>adolescente. </P >     <P   align="justify" >O externo, o grupo de &ldquo;amigos de consumo&rdquo;, devolve uma imagem que S. n&atilde;o encontra junto das &ldquo;pessoas normais&rdquo;, n&atilde;o fornece apoio ou contin&ecirc;ncia suficientes para delimitar o Eu em rela&ccedil;&atilde;o ao objecto familiar. A <I>pseudo-pele ps&iacute;quica </I>do objecto-grupo n&atilde;o oferece estabilidade suficiente &agrave; delega&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es ainda (di)fundidas no espa&ccedil;o do objecto-materno. Enquanto a indefini&ccedil;&atilde;o um-dois sugere a anula&ccedil;&atilde;o de um aut&ecirc;ntico espa&ccedil;o de individualidade, torna-se dif&iacute;cil construir o s&iacute;mbolo da separa&ccedil;&atilde;o, cuja consequ&ecirc;ncia fantasiada &eacute; a lacera&ccedil;&atilde;o da pele comum a sujeito e objecto. </P >     <P   align="justify" >Conceber as fun&ccedil;&otilde;es do Eu-pele como ferramentas de interpreta&ccedil;&atilde;o    do processo-resposta Rorschach, permite recolher elementos adicionais para a    compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre o Eu e o Outro. Tendo como    eixos de refer&ecirc;ncia as dimens&otilde;es da <I>representa&ccedil;&atilde;o    de si </I>e da <I>representa&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o, </I>estabelecem-se,    assim, liga&ccedil;&otilde;es com uma leitura mais cl&aacute;ssica do Rorschach,    alargando as possibilidades cl&iacute;nicas deste instrumento privilegiado na    &aacute;rea da avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica. A an&aacute;lise    do funcionamento de <I>manuten&ccedil;&atilde;o </I>e <I>continente</I>, principalmente,    mas tamb&eacute;m de <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, </I>fornece-nos    dados sobre a estabilidade dos espa&ccedil;os entre o interno e o externo, sobre    o jogo de conten&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o das tens&otilde;es    pulsionais e de redimensionamento do espa&ccedil;o ps&iacute;quico, que concorrem    para a <I>manuten&ccedil;&atilde;o </I>de uma continuidade identit&aacute;ria,    sem preju&iacute;zo para a explora&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o dos limites.    Por outro lado, a an&aacute;lise tamb&eacute;m proporciona refer&ecirc;ncias    ao espa&ccedil;o que o sujeito (se) permite em rela&ccedil;&atilde;o ao Outro,    &agrave; flexibilidade da barreira de contacto, inclusive, na permeabilidade    do envelope de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, e &agrave; delega&ccedil;&atilde;o    de algumas fun&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o ps&iacute;quico alargado.  </P >     <P   align="justify" >Estes elementos constituem aspectos centrais no desenvolvimento dos processos de pensamento e do pr&oacute;prio processo adolescente. A explora&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias configura&ccedil;&otilde;es e funcionamentos do envelope ps&iacute;quico, remete para um trabalho caracterizado por avan&ccedil;os e recuos, constru&ccedil;&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o, que ressalta atrav&eacute;s do processo-resposta Rorschach &ndash; de uma forma mais flex&iacute;vel e variada no caso de P. e com uma instabilidade mantida no protocolo de S. </P >    <P   align="justify" >O consumo de subst&acirc;ncias imiscui-se nestes processos, satisfazendo necessidades espec&iacute;ficas de delega&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es que o pr&oacute;prio Eu-pele n&atilde;o desempenha suficientemente bem. Num caso, como elemento de verticalidade e pretenso &ldquo;combust&iacute;vel&rdquo; de criatividade (ou simboliza&ccedil;&atilde;o), noutro como barreira de excitabilidade entre o Eu e o objecto (alternativa &agrave; instabilidade da <I>barreira de contacto</I>). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No processo-resposta Rorschach, o s&iacute;mbolo pode encerrar m&uacute;ltiplos significados e sentidos, e remeter para diferentes rela&ccedil;&otilde;es do sujeito consigo pr&oacute;prio, com os outros, com as subst&acirc;ncias, a compreender no contexto de processo individual. </P >    <P   align="justify" >Consideramos a vantagem em consubstanciar a articula&ccedil;&atilde;o dos conceitos de Eu-pele e adolesc&ecirc;ncia, nomeadamente numa perspectiva normativa, sob o enfoque da metodologia projectiva, antes de tentar aprofundar as rela&ccedil;&otilde;es entre o processo adolescente e o funcionamento adictivo. Desta forma, sobressa&iacute;ram associa&ccedil;&otilde;es que importaria explorar, nomeadamente: a infla&ccedil;&atilde;o do n&uacute;cleo de <I>manuten&ccedil;&atilde;o</I>, emprestado por algumas subst&acirc;ncias, num movimento de empoderamento; a autoriza&ccedil;&atilde;o para formar e transformar (envelope <I>continente-contentor</I>) concedida pelo consumo de alucinog&eacute;nios; a conten&ccedil;&atilde;o da ang&uacute;stia de contacto num envelope de <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o </I>(e eventualmente, de <I>inter</I><I>-</I><I>sensorialidade</I>) fornecido por algumas subst&acirc;ncias desinibidoras; a fun&ccedil;&atilde;o dos estimulantes na constru&ccedil;&atilde;o de uma <I>barreira e fumo</I>, aut&ecirc;ntico envelope de protec&ccedil;&atilde;o contra a dilui&ccedil;&atilde;o do Eu no Outro. </P >    <P   align="justify" >Al&eacute;m destas interroga&ccedil;&otilde;es sobre o sentido/ /fun&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos de consumo para indiv&iacute;duos no final da adolesc&ecirc;ncia, o trabalho com uma faixa et&aacute;ria restrita e elevada sugere a relev&acirc;ncia de uma an&aacute;lise conjunta de protocolos de adolescentes com v&aacute;rias idades e em diferentes momentos do seu processo de desenvolvimento. </P >    <P   align="justify" >Sendo j&aacute; controverso falar de depend&ecirc;ncia de subst&acirc;ncias na adolesc&ecirc;ncia propriamente dita, seria discut&iacute;vel faz&ecirc;-lo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; puberdade. N&atilde;o obstante, seria interessante estudar como se vai movendo/alterando o sentido/fun&ccedil;&atilde;o do consumo de subst&acirc;ncias psicoactivas ao longo dos movimentos do <I>adolescer</I>. Apenas um olhar cl&iacute;nico, num dado momento da vida de um sujeito, poder&aacute; dar conta desses sentidos. &Eacute; esta forma de acesso ao funcionamento ps&iacute;quico, aqui formulada na articula&ccedil;&atilde;o entre o Eu-pele e o Rorschach, que propomos seja transposta para outros momentos de desenvolvimento e psicopatologias. </P >    <P   align="justify" >No que respeita &agrave;s tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es do Eu-pele sobre as quais se desenvolveram os procedimentos de an&aacute;lise, sobrevieram algumas hip&oacute;teses que em seguida se discutem. </P >    <P   align="justify" >Considera-se que a an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o dos protocolos teria beneficiado da cota&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices Barreira e Penetra&ccedil;&atilde;o (tal como &eacute; preconizada e realizada por alguns autores como Chabert, Roman e Emmanuelli), permitindo uma aprecia&ccedil;&atilde;o mais completa e consistente de alguns procedimentos propostos, em particular, para o funcionamento continente-contentor. </P >    <P   align="justify" >&Eacute; essencial referir a import&acirc;ncia de intersectar os procedimentos de interpreta&ccedil;&atilde;o e significados de cada uma das fun&ccedil;&otilde;es, pese embora aqui surjam particionados. Neste sentido, questiona-se se as cota&ccedil;&otilde;es Ad e Hd, interpretadas como funcionamento de <I>p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o</I>, n&atilde;o traduzir&atilde;o, tamb&eacute;m, uma confus&atilde;o dos envelopes continente e p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o, na medida em que a restri&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do est&aacute; associada a uma restri&ccedil;&atilde;o do continente total &ndash; que, em certos casos, tamb&eacute;m implicaria a interven&ccedil;&atilde;o da <I>fun&ccedil;&atilde;o de auto-destrui&ccedil;&atilde;o</I>. </P >    <P   align="justify" >Por outro lado, seria interessante alargar o conceito de operador dos processos de transforma&ccedil;&atilde;o, aqui associado &agrave; <I>fun&ccedil;&atilde;o de contentor</I>, explorando o car&aacute;cter transformativo da <I>fun&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ra-excita&ccedil;&atilde;o</I>, nomeadamente na passagem do espont&acirc;neo para o inqu&eacute;rito. </P >    <P   align="justify" >Propomos, ainda, que se explore como operam as fun&ccedil;&otilde;es do Eu-pele e que configura&ccedil;&atilde;o dos envelopes ps&iacute;quicos &eacute; expressa pelas Perservera&ccedil;&otilde;es. </P >    <P   align="justify" >Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras fun&ccedil;&otilde;es do Eu-pele propostas por Anzieu &ndash; individua&ccedil;&atilde;o, intersensorialidade, suporte da excita&ccedil;&atilde;o sexual, recarga libidinal, inscri&ccedil;&atilde;o dos tra&ccedil;os (e auto-destrui&ccedil;&atilde;o), cujo estudo se chegou a considerar no &acirc;mbito deste trabalho, sugere-se que sirvam como pontos de partida para outros trabalhos baseados na mesma metodologia. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Em suma, o referencial te&oacute;rico estabelecido por Anzieu, a aparente imprecis&atilde;o das suas defini&ccedil;&otilde;es &eacute; um apelo &agrave; explora&ccedil;&atilde;o, liga&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. O conceito de Eu-pele e das suas fun&ccedil;&otilde;es permite a explora&ccedil;&atilde;o de uma multiplicidade de sentidos para a express&atilde;o do sujeito atrav&eacute;s do Rorschach. Esta abertura, n&atilde;o s&oacute; contribui para o desenvolvimento do corpo de conhecimento que sustenta a utiliza&ccedil;&atilde;o da metodologia projectiva, como tamb&eacute;m fornece elementos para uma melhor compreens&atilde;o do sujeito psicol&oacute;gico, conquanto seja feita uma leitura singular e contextualizada dos processos mentais que concorrem para a constru&ccedil;&atilde;o do processoresposta Rorschach. </P >     <P   align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P   align="justify" >Anzieu, D. (1995). <I>Le moipeau</I>. Paris: Dunod. (1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o em 1985, Bordas) </P >    <P   align="justify" >Baudin, M. (2001). Empreintes de Didier Anzieu. <I>Psychologie Clinique et Projective</I>, <I>7</I>, 85-99. </P >     <P   align="justify" >B&eacute;goin-Guignard, F. (1989). Enjeux de la symbolisation &agrave; l&rsquo;adolescence.    <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, </I><I>6</I>, 1755-1761. </P >     <P   align="justify" >Bick, E. (1967/1991). A experi&ecirc;ncia da pele em rela&ccedil;&otilde;es de objecto arcaicas. In E. B. Spillius (Ed.), <I>Melanie </I></P >     <P   align="justify" ><I>Klein hoje, desenvolvimento da teoria de da t&eacute;cnica. Vol. 1: Artigos    predominantemente te&oacute;ricos </I>(pp. 194-198). Rio de Janeiro: Imago.  </P >     <P   align="justify" >Chabert, C. (1998). <I>O Rorschach na cl&iacute;nica do adulto</I>. Lisboa: Climepsi Editores. (Original publicado em franc&ecirc;s 1997) </P >    <P   align="justify" >Dias, C. A. (2000). Adolesc&ecirc;ncia e toxicodepend&ecirc;ncias. In M. T. Medeiros &amp; A. S. Serpa (Eds.), <I>Adoles</I><I>-</I><I>c&ecirc;ncia: Abordagens, investiga&ccedil;&otilde;es e contextos de desenvolvimento </I>(pp. 12-27). Direc&ccedil;&atilde;o Regional da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Dias, C. A. (2004). <I>Costurando as linhas da psicopato</I><I>logia borderline    (estados-limite)</I>. Lisboa: Climepsi Editores. </P >     <P   align="justify" >Emmanuelli, M. (2001). Les processus de changement &agrave; l&rsquo;adolescence:    Apports du Rorschach. <I>Neuro</I><I>-</I><I>psychiatrie de l&rsquo;Enfance    e de l&rsquo;Adolescence, 49, </I>232-237. </P >     <P   align="justify" >Fischer, S., &amp; Cleveland, S. E. (1958). <I>Body images and personality. </I>New York: Van Nostrand. </P >    <P   align="justify" >Jeammet, P. (1980). R&eacute;alit&eacute; externe et r&eacute;alit&eacute; interne: Importance et sp&eacute;cificit&eacute; de leur articulation a l&rsquo;adolescence. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse, 3-4, </I>482-521. </P >    <P   align="justify" >Jeammet, P. (1994). Adolescence et processus de changement. In D. Widlocher (Ed.), <I>Trait&eacute; de psychopathologie </I>(pp. 687-726). Paris: Presses Universitaires de France. </P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Marques, M. E. (1991a). As manifesta&ccedil;&otilde;es dos mecanismos adaptativos/defensivos nos Rorschach de adolescentes. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 9</I>(2), 203-209. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-8231200900030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Marques, M.. E. (1991b). Transcri&ccedil;&atilde;o no Rorschach das express&otilde;es masculina e feminina da pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia e da adolesc&ecirc;ncia. <I>Actas de psicologia cl&iacute;nica </I>(pp. 171-181). Lisboa: Sociedade Portuguesa de Psicologia Cl&iacute;nica. </P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Marques, M. E. (1996). Comunica&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o no/para o Rorschach. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 14</I>(1), 39-44. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-8231200900030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Marques, M. E. (1999). <I>A psicologia cl&iacute;nica e o Rorschach. </I>Lisboa: Climepsi Editores. </P >    <P   align="justify" >Marques, M. E. (2004). <I>Avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica do adolescente e o risco. </I>(Artigo n&atilde;o publicado) </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Pinto, J. M. (2002). <I>Adolesc&ecirc;ncia e escolhas: &Agrave; descoberta da singularidade. </I>Coimbra: Quarteto Editora. </P >     <P   align="justify" >Rausch de Traubenberg, N., Bloch-La&icirc;n&eacute;, F., Boizou, M.-F., Martin,    M., &amp; Poggionovo, M.-P. (1988). &Eacute;tude psychologique des adolescents    vietnamiens. Apport du Rorschach. <I>Enfance, 41</I>(1), 95-104. </P >     <P   >Rausch de Traubenberg, N., Bloch-Laine, F., Duplant, N., Martin, M., &amp; Poggionovo,    M.-P. (1993). Le Rorschach a l&rsquo;adolescence: La clinique du normal. <I>Bulletin    de la Soci&eacute;t&eacute; du Rorschach et des M&eacute;thodes Projectives    de Langue Fran&ccedil;aise, 37, </I>7-39. </P >     <P   >Roman, P. (1996). Blanc au Rorschach et psycho pathologie du Moi-peau. <I>Revue    Europ&eacute;enne de </I><I>Psychologie Appliqu&eacute;e, 46, </I>139-143. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   align="justify" >(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Artigo baseado na monografia de licenciatura    com o mesmo t&iacute;tulo, apresentada e defendida no ISPA em 2004, na &aacute;rea    de Psicologia Cl&iacute;nica. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psic&oacute;logo Cl&iacute;nico, Equipa    Multidisciplinar de Apoio aos Tribunais de Angra do Hero&iacute;smo. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Hospital    Fernando Fonseca. </P >     <P   >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As manifestações dos mecanismos adaptativos/defensivos nos Rorschach de adolescentes]]></article-title>
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<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comunicação, interpretação e simbolização no/para o Rorschach]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>1996</year>
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<page-range>39-44</page-range></nlm-citation>
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