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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A natureza e especificidade do espaço mental através do Rorschach. Um espaço potencial? - Análise de um protocolo de uma paciente limite]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article, we show the possibility to red, through the Rorschach, the concept of mental space/potential space. Based on works of Winnicott (1971/1975, 1988, 1990), Grotstein (1978), and Ogden (1985; 1992) about development and characteristics of the mental space we constitute three types of mental space that if can form in a subject: one-dimensional mental space or universe of the point, two-dimensional mental space or universe of the line and three-dimensional mental space, universe of the plane or potential space. We study this concept in the borderline structure. We present a list of Rorschach&#8217;s procedures that we created to read the concept of mental space and we employ it in the analysis of a protocol of a borderline patient. The analysis of the Rorschach&#8217;s protocol show the existence of a two-dimensional mental space (line), with a presence of characteristic elements of a one-dimensional space (point).]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Espaço mental]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"   ><strong>A natureza e especificidade do espa&ccedil;o mental atrav&eacute;s do    Rorschach. Um espa&ccedil;o potencial? </strong></p >     <p align="center"   ><strong>&ndash; An&aacute;lise de um protocolo de uma paciente limite (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</strong>  </p >     <P   align="right" >Marta Miriam Oneto (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>) </P >     <P   align="right" >Maria Em&iacute;lia Marques (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>) </P >     <P   align="right" >Catarina Bray Pinheiro (<a href="#4">****</a><a name="top4"></a>) </P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <P   align="justify" >Neste artigo, mostramos a possibilidade de ler, atrav&eacute;s do Rorschach,    o conceito de espa&ccedil;o mental/potencial. </P >     <P   align="justify" >A partir dos trabalhos de Winnicott (1971/1975, 1988, 1990), Grotstein (1978)    e Ogden (1985; 1992) sobre o desenvolvimento e caracter&iacute;sticas do espa&ccedil;o    mental constitu&iacute;mos tr&ecirc;s tipos de espa&ccedil;o mental que se podem    formar num sujeito: espa&ccedil;o mental unidimensional ou universo do ponto,    espa&ccedil;o mental bidimensional ou universo da linha e espa&ccedil;o mental    tridimensional, universo do plano ou espa&ccedil;o potencial. </P >     <P   align="justify" >Estudamos este conceito na estrutura de personalidade limite. </P >     <P   align="justify" >Apresentamos uma grelha de procedimentos Rorschach que cri&aacute;mos para ler    o conceito de espa&ccedil;o mental e aplicamo-la na an&aacute;lise de um protocolo    de uma paciente limite. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A an&aacute;lise do protocolo de Rorschach evidencia a exist&ecirc;ncia de um    espa&ccedil;o mental bidimensional (linha), com a presen&ccedil;a de elementos    mais caracter&iacute;sticos de um espa&ccedil;o mental unidimensional (ponto).  </P >     <P   align="justify" ><I>Palavras chave: </I>Espa&ccedil;o mental, Espa&ccedil;o    potencial, Estrutura de personalidade limite, Rorschach. </P >     <P   align="center" >ABSTRACT </P >     <P   align="justify" >In this article, we show the possibility to red, through    the Rorschach, the concept of mental space/potential space. </P >     <P   align="justify" >Based on works of Winnicott (1971/1975, 1988, 1990), Grotstein    (1978), and Ogden (1985; 1992) about development and characteristics of the    mental space we constitute three types of mental space that if can form in a    subject: one-dimensional mental space or universe of the point, two-dimensional    mental space or universe of the line and three-dimensional mental space, universe    of the plane or potential space. </P >     <P   align="justify" >We study this concept in the borderline structure. </P >     <P   align="justify" >We present a list of Rorschach&rsquo;s procedures that    we created to read the concept of mental space and we employ it in the analysis    of a protocol of a borderline patient. </P >     <P   align="justify" >The analysis of the Rorschach&rsquo;s protocol show the    existence of a two-dimensional mental space (line), with a presence of characteristic    elements of a one-dimensional space (point). </P >     <P   align="justify" ><I>Key words: </I>Borderline structure, Mental space, Potential    space, Rorschach. </P >     <P   align="center" >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Propomo-nos estudar um conceito n&atilde;o explorado no plano da t&eacute;cnica    Rorschach &ndash; o espa&ccedil;o mental/potencial &ndash;, atrav&eacute;s de    um conjunto de procedimentos, por n&oacute;s criados, que permitem dotar o instrumento    Rorschach de capacidades para aceder a este conceito.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >O ESPA&Ccedil;O MENTAL/POTENCIAL </P >     <P   align="justify" >Winnicott (1971/1975) define espa&ccedil;o potencial como uma zona intermedi&aacute;ria    entre a realidade ps&iacute;quica, pessoal e interna, e a realidade externa    ou compartilhada; um espa&ccedil;o entre a realidade e a fantasia; uma terceira    forma de viver. Relaciona-se tanto com o interno como com o externo, mas n&atilde;o    pertence a nenhum destes dois dom&iacute;nios, &eacute; diferente deles. &Eacute;    o espa&ccedil;o do simbolismo, da imagina&ccedil;&atilde;o, da criatividade.  </P >     <P   align="justify" >Grotstein (1978) define espa&ccedil;o mental (ou espa&ccedil;o ps&iacute;quico) como o espa&ccedil;o que se situa entre a representa&ccedil;&atilde;o de si e a representa&ccedil;&atilde;o do objecto, espa&ccedil;o este que abrange o espa&ccedil;o em que ambas existem. Inclui todo o conte&uacute;do ps&iacute;-quico, no qual se inserem os objectos internos, as representa&ccedil;&otilde;es de si e os acontecimentos ps&iacute;quicos em geral. O autor considera que a capacidade para experienciar espa&ccedil;o &eacute; um mecanismo prim&aacute;rio do Eu. Esta capacidade decorre da estimula&ccedil;&atilde;o dos receptores sensitivos da pele do rec&eacute;m-nascido, como uma fronteira entre Eu e n&atilde;o-Eu e como um continente do Eu. Na sua conceptualiza&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento do sentido de espa&ccedil;o, Grotstein compara o estado fetal, que &eacute; um estado de equil&iacute;brio, de harmonia do feto com o seu ambiente, a uma total simetria em termos matem&aacute;ticos. O autor postula a exist&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de pontos na superf&iacute;cie fetal, dos quais emergir&aacute; um s&oacute; ponto, como sendo a soma de todos eles, devido &agrave; total simetria. Ap&oacute;s o nascimento, o rec&eacute;m-nascido &eacute; exposto &agrave; experi&ecirc;ncia, come&ccedil;ando a desenvolver-se um fen&oacute;meno de assimetria, resultando daqui a extens&atilde;o do ponto a uma linha (s&eacute;rie de pontos). O desenvolvimento posterior do beb&eacute;, permite, no momento em que come&ccedil;a a haver alguma diferencia&ccedil;&atilde;o, que a linha se expanda a um plano e finalmente, a terceira dimens&atilde;o dar&aacute; profundidade ao plano. </P >    <P   align="justify" >Ogden (1985, 1992) prop&otilde;e que o espa&ccedil;o potencial pode ser entendido como um estado mental baseado numa s&eacute;rie de rela&ccedil;&otilde;es dial&eacute;cticas entre uni&atilde;o e separa&ccedil;&atilde;o, interno e externo, fantasia e realidade, Eu e n&atilde;o-Eu, s&iacute;mbolo e simbolizado, etc., em que cada p&oacute;lo da dial&eacute;ctica psicol&oacute;gica cria, d&aacute; forma e nega o Outro, existindo apenas como uma possibilidade hipot&eacute;tica sem o Outro. O espa&ccedil;o potencial &eacute;, assim, definido por uma s&eacute;rie de paradoxos, simultaneamente de internalidade e de externalidade, que t&ecirc;m que ser mantidos e n&atilde;o resolvidos. </P >     <P   align="justify" >As conceptualiza&ccedil;&otilde;es de Ogden sobre o desenvolvimento do espa&ccedil;o    mental convergem no mesmo sentido das de Winnicott. De uma forma sucinta, segundo    os autores, o que deve ocorrer em termos desenvolvimentais, para que o espa&ccedil;o    mental adquira espessura ou profundidade, i.e., que se constitua como um espa&ccedil;o    tridimensional (potencial), &eacute; que a unidade fusional inicial composta    pela m&atilde;e e pela crian&ccedil;a &ndash; em que h&aacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o    quase total &agrave; crian&ccedil;a, que n&atilde;o necessita, por isso, de    criar s&iacute;mbolos &ndash; se transforme progressivamente, mediante um ambiente    facilitador e suficientemente bom, numa tr&iacute;ade subjectiva composta por    m&atilde;e e crian&ccedil;a, como objectos simb&oacute;licos. De uma forma breve,    podemos dizer que este ambiente facilitador e suficientemente bom implica a    cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o (espa&ccedil;o potencial) entre m&atilde;e    e beb&eacute;, no qual &eacute; permitido &agrave; crian&ccedil;a o uso de um    objecto transitivo. </P >     <P   align="justify" >A constitui&ccedil;&atilde;o do Eu como objecto pressup&otilde;e o Eu como sujeito    observador, que o reconhece, com um espa&ccedil;o de pensamento entre os dois,    i.e., </P >o acesso &agrave; tridimensionalidade ou a capacidade para manter um processo    psicol&oacute;gico dial&eacute;ctico, logo, a capacidade para criar significados    pessoais representados em s&iacute;mbolos, que s&atilde;o mediados pela subjectividade. </P >   </P >     <P   align="center" >CATEGORIZA&Ccedil;&Atilde;O DO ESPA&Ccedil;O MENTAL </P >     <P   align="justify" >A partir dos trabalhos de Winnicott (1971/1975), Grotstein (1978) e Ogden (1985) propomo-nos identificar tr&ecirc;s tipos de espa&ccedil;o mental, cada um com as suas caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, que dependem do n&iacute;vel de desenvolvimento atingido: espa&ccedil;o mental unidimensional ou universo do ponto; espa&ccedil;o mental bidimensional ou universo da linha e espa&ccedil;o mental tridimensional, universo do plano ou espa&ccedil;o potencial. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O espa&ccedil;o mental unidimensional ou universo do ponto constitui-se como a forma mais rudimentar que o espa&ccedil;o mental pode apresentar. Associa-se aos estados simbi&oacute;ticos, onde predomina a ansiedade persecut&oacute;ria da posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paran&oacute;ide. </P >    <P   align="justify" >Nesta forma arcaica de espa&ccedil;o mental, o que se verifica &eacute; uma aus&ecirc;ncia de espa&ccedil;o entre realidade-fantasia, interno-externo, Eu-Outro, ou, na linguagem de Ogden, uma aus&ecirc;ncia de uma dial&eacute;ctica psicol&oacute;gica. H&aacute;, portanto, uma polariza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia espacial, com predom&iacute;nio do p&oacute;lo da fantasia, onde as coisas s&atilde;o o que s&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; capacidade para distinguir s&iacute;mbolo e simbolizado (n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o entre os dois). Aqui, a fantasia &eacute; considerada como um facto em si mesmo, que n&atilde;o pode ser diferenciado da realidade externa. O que encontramos nos indiv&iacute;duos que se situam nesta dimens&atilde;o, onde a no&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o est&aacute; perdida, &eacute; uma tela de elementos &beta;, i.e, elementos saturados de energia, que n&atilde;o podem aceder &agrave; cadeia transformativa, n&atilde;o ganhando qualquer significa&ccedil;&atilde;o. O tipo de pensamento poss&iacute;vel a este n&iacute;vel &eacute; o pensamento concreto, o pensamento em processo prim&aacute;rio, a assimboliza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Nos funcionamentos mais empobrecidos, pode verificar-se um estrangulamento de qualquer conte&uacute;do mental, n&atilde;o havendo sequer fantasia, estando-se neste caso perante o deserto psic&oacute;tico. </P >    <P   align="justify" >O espa&ccedil;o mental bidimensional ou universo da linha &eacute; o tipo de espa&ccedil;o que podemos associar aos estados fusionais. Em termos evolutivos, &eacute; aquele que se situa entre o espa&ccedil;o unidimensional e o espa&ccedil;o tridimensional/potencial. &Eacute;, ainda, um espa&ccedil;o que n&atilde;o adquiriu profundidade, apresentando-se plano, liso, sem perspectiva, sem espessura. Podemos falar, a este n&iacute;vel, numa aus&ecirc;ncia de vitalidade ps&iacute;quica, um espa&ccedil;o onde h&aacute; lacunas ou buracos ps&iacute;quicos, em que os conte&uacute;dos da realidade interna e da realidade externa s&atilde;o dificilmente ligados. N&atilde;o existe uma zona intermedi&aacute;ria entre estas duas realidades. O que se verifica &eacute; um predom&iacute;nio de um dos p&oacute;los da dial&eacute;ctica psicol&oacute;gica de realidade-fantasia, internalidade-externalidade, Eu-n&atilde;o-Eu. Podemos ter, tamb&eacute;m, a presen&ccedil;a dos dois p&oacute;los clivados e/ou uma confus&atilde;o entre os dois. </P >    <P   align="justify" >Neste espa&ccedil;o, pode verificar-se a emerg&ecirc;ncia do pulsional e a emerg&ecirc;ncia do pensamento em processo prim&aacute;rio. A capacidade de simboliza-&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda prec&aacute;ria, verificando-se uma lentifica&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o &alpha;, que conduz a um aumento da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva. O sujeito, em vez de pensar, coloca os elementos assimb&oacute;licos no outro, via identifica&ccedil;&atilde;o projectiva. </P >    <P   align="justify" >O espa&ccedil;o mental tridimensional, universo do plano ou espa&ccedil;o potencial &eacute; a forma mais evolu&iacute;da que o espa&ccedil;o mental pode apresentar. Neste, a possibilidade de usar um objecto transitivo d&aacute; lugar ao acesso &agrave; representa&ccedil;&atilde;o do objecto. O Eu e o objecto constituem-se aqui como entidades claramente separadas. Estamos no dom&iacute;nio da separa&ccedil;&atilde;o-individua&ccedil;&atilde;o e da ansiedade depressiva da posi&ccedil;&atilde;o depressiva. O espa&ccedil;o mental tridimensional apresenta-se como uma zona intermedi&aacute;ria onde os conte&uacute;dos internos e externos, de realidade e de fantasia se podem ligar e produzir conte&uacute;dos novos. H&aacute; uma plasticidade mental do sujeito, uma maleabilidade em colocar-se, quer num, quer noutro dos dois p&oacute;los da dial&eacute;ctica psicol&oacute;gica, que se encontram em permanente liga&ccedil;&atilde;o. O espa&ccedil;o mental adquiriu profundidade, sendo poss&iacute;vel aceder &agrave; representa&ccedil;&atilde;o, &agrave; subjectividade e &agrave; intersubjectividade. O acesso &agrave; simboliza&ccedil;&atilde;o possibilita a capacidade de ligar, transformar, criar e imaginar, promotora do crescimento e da expans&atilde;o mental. </P >    <P   align="justify" >S&atilde;o as perturba&ccedil;&otilde;es no processo de desenvolvimento do espa&ccedil;o mental que conduzem a perturba&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o potencial e que d&atilde;o lugar a que se constituam modalidades de espa&ccedil;o mental mais arcaicas, consoante o grau da falha, que podem ser o espa&ccedil;o mental unidimensional ou o espa&ccedil;o mental bidimensional. </P >    <P   align="center" >A PATOLOGIA LIMITE </P >    <P   align="justify" >Do ponto de vista estrutural, a organiza&ccedil;&atilde;o limite &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o da personalidade que se situa entre a estrutura neur&oacute;tica e a estrutura psic&oacute;tica. </P >    <P   align="justify" >Segundo Bergeret (1974/2000), a g&eacute;nese dos estados limites &eacute; um traumatismo ps&iacute;quico precoce no segundo est&aacute;dio anal. Este traumatismo ocorre numa fase em que o Ego est&aacute; ainda mal organizado e imaturo quanto ao seu equipamento, &agrave;s suas adapta&ccedil;&otilde;es e &agrave;s suas defesas, sendo sentido pela crian&ccedil;a como um risco de perda de objecto. A crian&ccedil;a entra abruptamente, &agrave; custa deste traumatismo afectivo, numa situa&ccedil;&atilde;o edipiana para a qual ainda n&atilde;o est&aacute; preparada. Aquilo que ocorre, ent&atilde;o, nos estados limite &eacute; um bloqueio evolutivo da maturidade afectiva do Ego, no momento em que este ainda n&atilde;o est&aacute; diferenciado sexualmente. A crian&ccedil;a entra no segundo est&aacute;dio anal numa pseudo-lat&ecirc;ncia, que se prolonga, a maior parte das vezes, por toda a sua vida adulta, n&atilde;o lhe sendo poss&iacute;vel aceder a uma rela&ccedil;&atilde;o triangular e genital com os seus objectos. A deforma&ccedil;&atilde;o do Ego conduz a uma adapta&ccedil;&atilde;o anacl&iacute;tica. O sujeito depende do objecto externo de apoio, que desempenha o duplo papel de Super-ego auxiliar e de Ego-auxiliar. Nestes funcionamentos, &eacute; o Ideal do Ego que desempenha a principal fun&ccedil;&atilde;o organizadora dos processos mentais. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Da fraqueza do Super-ego e da organiza&ccedil;&atilde;o da personalidade em torno do Ideal do Ego arcaico resulta a inadequa&ccedil;&atilde;o dos sujeitos limite, a intoler&acirc;ncia &agrave; contradi&ccedil;&atilde;o e &agrave; incerteza, a dificuldade de elabora&ccedil;&atilde;o, de reconhecimento, de manipula&ccedil;&atilde;o e de integra&ccedil;&atilde;o dos fantasmas, a facilidade de passagem ao acto. </P >    <P   align="justify" >Green (1975/1990, 1983) refere-se &agrave; precariedade maternal na etiologia da patologia limite: a m&atilde;e falha no seu papel de Eu-auxiliar, de continente e de espelho para a crian&ccedil;a. O autor introduz o conceito de m&atilde;e morta, que caracteriza como um objecto inanimado, deprimido, insens&iacute;vel, distante. </P >    <P   align="justify" >Green (1975/1990) caracteriza o Eu na organiza&ccedil;&atilde;o limite como um Eu em arquip&eacute;lago, i.e., um Eu constitu&iacute;do por n&uacute;cleos isolados (&ldquo;ilhas&rdquo;) relativamente estruturados, mas sem comunica&ccedil;&atilde;o entre alguns deles. Trata-se de um Eu sem coes&atilde;o nem coer&ecirc;ncia, que se traduz, ao n&iacute;vel do funcionamento mental, na exist&ecirc;ncia de pensamentos, de afectos e de fantasmas contradit&oacute;rios e na sobreposi&ccedil;&atilde;o de elementos dependentes do princ&iacute;pio da realidade e do princ&iacute;pio do prazer, sem preval&ecirc;ncia de um sobre o outro. </P >    <P   align="justify" >O mecanismo de defesa central da organiza&ccedil;&atilde;o limite &eacute; a clivagem (clivagem do objecto e clivagem do Eu). Outros mecanismos de defesa usados s&atilde;o: a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, a idealiza&ccedil;&atilde;o, a denega&ccedil;&atilde;o, a omnipot&ecirc;ncia, a desvaloriza&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o tamb&eacute;m usados mecanismos de defesa neur&oacute;ticos, j&aacute; que a organiza&ccedil;&atilde;o limite se situa numa zona intermedi&aacute;ria entre a neurose e a psicose, mas estes n&atilde;o s&atilde;o suficientes, tendo o sujeito que recorrer por vezes aos mecanismos de defesa arcaicos, de n&iacute;vel psic&oacute;tico. (Bergeret, 1974/2000; Green, 1975/1990; Kernberg, 1975/ /1979; Matos, 2002). </P >    <P   align="justify" >Green (1975/1990) refere-se a outro mecanismo (a confus&atilde;o), que considera complementar da clivagem. Para o autor, a presen&ccedil;a da clivagem implica necessariamente a confus&atilde;o, j&aacute; que aquilo que &eacute; separado pelo primeiro mecanismo &eacute; pass&iacute;vel de ser reunido posteriormente. Assim, os diferentes tipos de material do aparelho ps&iacute;quico (pensamentos, representa&ccedil;&otilde;es, afectos e mesmo ac&ccedil;&otilde;es) s&atilde;o confundidos nos casos limites, por causa da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva. </P >    <P   align="justify" >Green (op. cit.) introduz um outro conceito importante (a psicose privada ou loucura privada), tamb&eacute;m designada por depress&atilde;o prim&aacute;ria, que &eacute; considerada, a par da clivagem/ /confus&atilde;o um mecanismo ps&iacute;quico de base nesta organiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; definido como o n&uacute;cleo psic&oacute;tico fundamental sem psicose aparente, caracterizado pelo branco do pensamento, pela inibi&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es de representa&ccedil;&atilde;o e pela bitriangula&ccedil;&atilde;o </P >    <P   align="justify" >O autor explica a bitriangula&ccedil;&atilde;o como uma clivagem que o sujeito faz entre os pais, em que um deles &eacute; o bom, idealizado, mas inacess&iacute;vel, e o outro &eacute; o mau, excessivamente presente, perseguidor, invasor. Em qualquer dos casos &ndash; inacessibilidade ou intrus&atilde;o &ndash; o objecto n&atilde;o pode ser pensado, porque a falta n&atilde;o pode ser constitu&iacute;da. S&oacute; a falta do objecto pode estimular a imagina&ccedil;&atilde;o e o pensamento, a criatividade e a vitalidade ps&iacute;quica. Nestes funcionamentos, a n&atilde;o constitui&ccedil;&atilde;o do objecto no espa&ccedil;o ps&iacute;quico d&aacute; lugar ao vazio, ao pensamento em branco. </P >    <P   align="justify" >Assim, esta psicose privada, ou depress&atilde;o prim&aacute;ria, &eacute; como &ldquo;uma paralisia do pensamento, que se traduz por uma hipocondria negativa do corpo e mais particularmente da cabe&ccedil;a: impress&atilde;o de cabe&ccedil;a vazia, de buraco na actividade mental, impossibilidade de se concentrar, de memorizar, etc.&rdquo; (Green, 1975/1990, p. 79). H&aacute; uma incapacidade de pensar ou representar e de estabelecer as rela&ccedil;&otilde;es internas da simboliza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >A luta contra estas impress&otilde;es pode levar a uma actividade de pensamento artificial: rumina&ccedil;&otilde;es, pensamento compulsivo de natureza pseudo-obsessiva, divaga&ccedil;&otilde;es subdelirantes, etc. Kernberg (1975/1979) considera, tamb&eacute;m, na organiza&ccedil;&atilde;o limite o retorno do pensamento em processo prim&aacute;rio. </P >    <P   align="justify" >Esta psicose privada faz com que os pacientes limite apresentem uma dupla orienta&ccedil;&atilde;o, delirante e real, manifestando-se como um fen&oacute;meno relativamente discreto, descont&iacute;nuo, parcelar e oculto. O que acontece &eacute; uma clivagem do Ego &ndash; uma parte adere &agrave; realidade, outra acredita na fantasia (Matos, 2002). </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Dias (2004) foca a quest&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o e da organiza&ccedil;&atilde;o do pensamento, e do n&atilde;o pensamento, da constru&ccedil;&atilde;o/desconstru&ccedil;&atilde;o da cadeia simb&oacute;lica e da rela&ccedil;&atilde;o entre percep&ccedil;&atilde;o e pensamento na patologia limite. O autor explica que pensar &eacute; traduzir os elementos &beta;(elementos da percep&ccedil;&atilde;o), atrav&eacute;s de uma fun&ccedil;&atilde;o pensante (fun&ccedil;&atilde;o &alpha;), em elementos &alpha;. A capacidade da mente tolerar um maior n&uacute;mero de elementos &beta;, relaciona-se directamente com a capacidade que ela tem de utilizar a fun&ccedil;&atilde;o &alpha;para produzir um maior n&uacute;mero de elementos &alpha;. O que acontece na patologia limite &eacute; que a mente n&atilde;o tem capacidade de transforma&ccedil;&atilde;o pela fun&ccedil;&atilde;o &alpha;da sobrecarga de elementos &beta;. Os indiv&iacute;duos limite produzem pensamentos cumulativos, i.e., embora sejam capazes de organizar pensamentos, n&atilde;o s&atilde;o capazes de os articular entre si, porque n&atilde;o suportam o bombardeamento dos elementos &beta;e s&oacute; pensam a partir do isolamento da percep&ccedil;&atilde;o, criando lacunas no pensamento. Vivem em rudimentos de &alpha;carregados com energia &beta;n&atilde;o transformada, porque lhes &eacute; dif&iacute;cil introduzir s&iacute;mbolos, que d&ecirc;em significado aos elementos perceptivos. </P >    <P   align="justify" >Os elementos &beta; que n&atilde;o podem ser colocados na cadeia transformativa, s&atilde;o colocados no outro via identifica&ccedil;&atilde;o projectiva. Os sujeitos limite est&atilde;o, assim, constantemente a precisar do outro (objecto anacl&iacute;tico, segunda pele ou Ego auxiliar), que os organiza ou pseudo-organiza. </P >    <P   align="justify" >Se o objecto n&atilde;o cumpre a fun&ccedil;&atilde;o de trabalhar um &alpha;carregado de energia &beta;n&atilde;o transformada, a raiva narc&iacute;sica &eacute; muito acentuada, os aspectos mais destrutivos invadem o sujeito e a frustra&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o-resposta do objecto &eacute; intoler&aacute;vel, levando ao aparecimento de surtos psic&oacute;ticos. Se, pelo contr&aacute;rio, o sujeito mantiver relacionamentos que lhe d&atilde;o uma pseudo-organiza&ccedil;&atilde;o, pela manuten&ccedil;&atilde;o dos objectos (forma pseudo-neur&oacute;tica), n&atilde;o se encontra a ruptura psic&oacute;tica, mas sim um empobrecimento dos processos ps&iacute;quicos, empobrecimento dos processos de simboliza&ccedil;&atilde;o, lentifica&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o &alpha;, dificuldade na organiza&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os, empobrecimento do pensamento, empobrecimento do imagin&aacute;rio. </P >    <P   align="center" >OBJECTIVO </P >    <P   align="justify" >Tendo em conta as caracter&iacute;sticas da organiza&ccedil;&atilde;o de personalidade limite, parece-nos pertinente estudar o conceito de espa&ccedil;o mental/ /potencial nesta organiza&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Da categoriza&ccedil;&atilde;o que fizemos do espa&ccedil;o mental, associamos a patologia limite a um espa&ccedil;o mental bidimensional ou universo da linha. </P >    <P   align="justify" >As dificuldades ao n&iacute;vel da separa&ccedil;&atilde;o-individua&ccedil;&atilde;o que se verificam na patologia limite n&atilde;o promovem a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o intermedi&aacute;rio entre m&atilde;e e beb&eacute;, onde poderiam surgir os fen&oacute;menos transitivos, dos quais se destaca o uso de um objecto transitivo, que com o decurso do desenvolvimento se alargariam a todo o territ&oacute;rio da experi&ecirc;ncia do sujeito, possibilitando a exist&ecirc;ncia de um espa&ccedil;o potencial. </P >    <P   align="justify" >A aus&ecirc;ncia do uso de um objecto transitivo, objecto este que representa a uni&atilde;o e a separa&ccedil;&atilde;o, o interno e o externo, significa a impossibilidade de poder representar o objecto, j&aacute; que o objecto transitivo se constitui como o primeiro objecto simb&oacute;lico. </P >    <P   align="justify" >A precariedade na representa&ccedil;&atilde;o do objecto condiciona o acesso &agrave; tridimensionalidade. O espa&ccedil;o mental que se pode organizar &eacute; bidimensional. </P >    <P   align="justify" >Apesar de na nossa concep&ccedil;&atilde;o associarmos a patologia limite a um espa&ccedil;o mental bidimensional, h&aacute; que ter em considera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o existem modos de funcionamento puros, i.e., devemos enquadrar o conceito de espa&ccedil;o mental num espectro alargado, que se estende desde a estagna&ccedil;&atilde;o mental at&eacute; &agrave; presen&ccedil;a de um espa&ccedil;o potencial &ndash; espa&ccedil;o do simb&oacute;lico, da subjectividade e da intersubjectividade, da imagina&ccedil;&atilde;o e da criatividade. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >M&Eacute;TODO </P >     <P   align="justify" >Iremos fazer a an&aacute;lise de um protocolo de Rorschach com base nos referenciais    te&oacute;ricos da Escola Francesa (Chabert, 1997/2003, 1998/ /2003). Mas, uma    vez que este &eacute; um trabalho sobre o pr&oacute;prio m&eacute;todo &ndash;    o Rorschach &ndash;, a an&aacute;lise que faremos do protocolo prolonga os par&acirc;metros    que s&atilde;o habitualmente considerados. A proposta que fazemos &eacute;,    assim, a possibilidade de ler no Rorschach o conceito de espa&ccedil;o mental    a partir de uma grelha que cri&aacute;mos, que cont&eacute;m um conjunto de    procedimentos de an&aacute;lise que permitem ler na t&eacute;cnica a express&atilde;o    deste conceito. A grelha de an&aacute;lise inclui procedimentos que permitem    evidenciar no Rorschach os elementos caracter&iacute;sticos dos tr&ecirc;s tipos    de espa&ccedil;o mental que se pode constituir num sujeito &ndash; espa&ccedil;o    mental unidimensional (universo do ponto), espa&ccedil;o mental bidimensional    (universo da linha) e espa&ccedil;o mental tridimensional ou potencial (universo    do plano). </P >     <P   align="justify" >Os procedimentos que usamos para ler o conceito de espa&ccedil;o mental incluem os elementos de cota&ccedil;&atilde;o das respostas &ndash; os modos de apreens&atilde;o, os determinantes e os conte&uacute;dos &ndash;, os elementos do psicograma, o processo-resposta Rorschach, os movimentos regredientes e progredientes intra e inter cart&otilde;es, a rela&ccedil;&atilde;o entre as respostas espont&acirc;neas e o inqu&eacute;rito e, tamb&eacute;m, dimens&otilde;es mais subjectivas, como a atitude do sujeito face &agrave; prova, os comportamentos n&atilde;o verbais e as modalidades de rela&ccedil;&atilde;o com o psic&oacute;logo. Embora sejam estes os elementos que s&atilde;o usados habitualmente numa an&aacute;lise de um protocolo de Rorschach, aqui eles s&atilde;o usados numa perspectiva diferente, o que demonstra a plasticidade deste m&eacute;todo. </P >    <P   align="center" >PROCEDIMENTOS DE AN&Aacute;LISE </P >     <P   align="center" ><img src="/img/revistas/aps/v27n3/27n3a10t1.bmp"></P >     
<P   align="center" >PARTICIPANTE </P >    <P   align="justify" >Protocolo colhido em meio hospitalar. Sujeito com diagn&oacute;stico de patologia limite. </P >    <P   align="justify" >Susana (S.) tem 26 anos, est&aacute; desempregada, &eacute; separada e tem um filho de 7 anos com quem n&atilde;o vive h&aacute; 3. </P >    <P   align="justify" >S. apresenta um discurso difuso, concentrando-se e agarrando-se a uma ou duas tem&aacute;ticas, que passam por uma centra&ccedil;&atilde;o no corpo, atrav&eacute;s das quais parece evitar a emerg&ecirc;ncia de outras dimens&otilde;es potencialmente desorganizadoras. H&aacute; cerca de quatro anos que tem constantemente vertigens, dificuldade em respirar, dores nos ossos, sente &ldquo;o ch&atilde;o a deslizar&rdquo;. Tudo isto depois de um acidente de autom&oacute;vel. Refere, ainda, desmaios e que piora quando est&aacute; num local com muita luz, ou no meio da multid&atilde;o. Esquece-se das coisas e &ldquo;baralha tudo&rdquo;, os n&uacute;meros, os nomes. Afirma ser &ldquo;muito espiritual&rdquo;. J&aacute; foi a v&aacute;rios m&eacute;dicos, que nada concluem sobre o seu estado de sa&uacute;de. </P >    <P   align="justify" >&Eacute; dif&iacute;cil precisar o percurso de vida de S., por alguma confus&atilde;o e generaliza&ccedil;&otilde;es vagas que caracterizam o seu discurso. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >DISCUSS&Atilde;O </P >    <P   align="justify" >Depois de realizada a an&aacute;lise do protocolo (ver Anexo), retiramos dessa an&aacute;lise os elementos mais significativos. </P >    <P   align="justify" >No protocolo de Rorschach de S., o que encontramos maioritariamente s&atilde;o procedimentos que reflectem a exist&ecirc;ncia de um espa&ccedil;o mental bidimensional. N&atilde;o obstante, tamb&eacute;m est&atilde;o presentes outros, que se enquadram num tipo de espa&ccedil;o mental unidimensional. Na generalidade do protocolo n&atilde;o h&aacute; elementos suscept&iacute;veis de nos permitirem dizer que se formou nesta paciente um espa&ccedil;o mental tridimensional ou potencial. </P >    <P   align="justify" >Neste protocolo &eacute; not&oacute;ria a precariedade da qualidade do materno, caracter&iacute;stica de um espa&ccedil;o mental bidimensional, que pode ser vista nos cart&otilde;es cuja simb&oacute;lica remete para a fun&ccedil;&atilde;o materna. </P >    <P   align="justify" >Podemos relacionar esta precariedade da rela&ccedil;&atilde;o maternal precoce com uma perturba&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o, como menciona Matos (2002), ou com a inexist&ecirc;ncia de uma m&atilde;e suficientemente boa, na linguagem de Winnicott (1971/1975), que se traduz numa falha ao n&iacute;vel do <I>holding</I>, do <I>handling </I>e da apresenta&ccedil;&atilde;o de objectos, ou podemos, ainda, convocar Green (1975/1990), que faz alus&atilde;o &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es, por um lado, de inacessibilidade, de car&ecirc;ncia, e, por outro lado, de invas&atilde;o, intrus&atilde;o, que n&atilde;o proporcionaram o estabelecimento de uma liga&ccedil;&atilde;o afectiva a um objecto externo de refer&ecirc;ncia &ndash; a m&atilde;e &ndash; ou houve um rompimento dessa liga&ccedil;&atilde;o. As rela&ccedil;&otilde;es de car&ecirc;ncia podem ser vistas no protocolo nas respostas D bl (cart&otilde;es I e II) e Gbl (cart&atilde;o X), enquanto que a intrus&atilde;o pode ser evidenciada nas respostas de forma imprecisa. O empobrecimento da fun&ccedil;&atilde;o materna pode ser visto, tamb&eacute;m, na car&ecirc;ncia de imagens (apenas 14 respostas) e na car&ecirc;ncia de profundidade e din&acirc;mica dessas mesmas imagens. </P >    <P   align="justify" >Assim, colocamos como possibilidade o n&atilde;o estabelecimento da boa dist&acirc;ncia necess&aacute;ria, na inf&acirc;ncia, entre m&atilde;e e crian&ccedil;a, que levou a que o objecto n&atilde;o pudesse ser formado sob a forma de uma presen&ccedil;a imagin&aacute;ria ou metaf&oacute;rica, o que, como consequ&ecirc;ncia, levou a que o espa&ccedil;o interno se tornasse pouco povoado de conte&uacute;dos, imagens e representa&ccedil;&otilde;es. </P >    <P   align="justify" >O objecto n&atilde;o p&ocirc;de, ent&atilde;o, ser representado de uma forma consistente, est&aacute;vel. Verifica-se, pois, que S. permaneceu ligada a uma rela&ccedil;&atilde;o fusional, n&atilde;o tendo havido uma &aacute;rea intermedi&aacute;ria numa fase precoce do seu desenvolvimento, que possibilitasse o uso de um objecto transitivo, que representasse a m&atilde;e, pelo que, como j&aacute; referimos, a aus&ecirc;ncia de um objecto externo suficientemente bom n&atilde;o possibilitou o uso transitivo de um objecto. Verifica-se, ent&atilde;o, uma fragilidade da internaliza&ccedil;&atilde;o e da representa&ccedil;&atilde;o do objecto. </P >    <P   align="justify" >No protocolo de S., a instabilidade da representa&ccedil;&atilde;o objectal &eacute; evidenciada nalgumas imagens e nos movimentos intracart&otilde;es, em que a representa&ccedil;&atilde;o do objecto &eacute; fr&aacute;gil, desvanece-se, por vezes quase desaparece. </P >    <P   align="justify" >No cart&atilde;o I, S. d&aacute; como resposta &ldquo;um bichinho com asas desfeitas&rdquo;, numa refer&ecirc;ncia a algo que n&atilde;o &eacute; um &ldquo;animal&rdquo;, n&atilde;o &eacute; um &ldquo;bicho&rdquo;, &eacute; um &ldquo;bichinho&rdquo;, que se desfaz, podendo desaparecer. </P >    <P   align="justify" >No cart&atilde;o III, assiste-se a um movimento regrediente, em que inicialmente S. d&aacute; uma &ldquo;imagem de duas pessoas&rdquo;, para depois, num segundo momento, evocar um &ldquo;ET&rdquo;, um &ldquo;cr&acirc;nio&rdquo;, um &ldquo;esqueleto&rdquo;, terminando a sua interpreta&ccedil;&atilde;o da mancha com a imagem de um &ldquo;fantasma&rdquo;. As pessoas perdem a forma, os limites, o corpo, a espessura, transformando-se em qualquer coisa que &eacute; invis&iacute;vel, irreal. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No cart&atilde;o VII verifica-se, tamb&eacute;m, uma indetermina&ccedil;&atilde;o da imagem &ndash; um &ldquo;porquinho&rdquo;, um &ldquo;elefante&rdquo;, n&atilde;o havendo estabiliza&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o; o mesmo se verifica no cart&atilde;o VIII, na d&uacute;vida e indetermina&ccedil;&atilde;o da designa&ccedil;&atilde;o entre um &ldquo;leopardo&rdquo; ou um &ldquo;le&atilde;o&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >H&aacute; em S. uma incapacidade de aceder ao objecto total, que pode ser vista no cart&atilde;o V, onde s&atilde;o referidas &ldquo;patas de cavalo&rdquo; e no cart&atilde;o VII, onde S. d&aacute; como resposta &ldquo;cabe&ccedil;a de elefante&rdquo;, numa refer&ecirc;ncia ao parcial, numa impossibilidade de representar o todo (que apesar de tudo mostra uma procura de tra&ccedil;os, pontas, pontes, com o exterior). Isto &eacute;, tamb&eacute;m, vis&iacute;vel nas respostas em que S. s&oacute; interpreta partes da mancha, excluindo outras, nos cart&otilde;es II, VI, VII e na primeira resposta do cart&atilde;o IV. </P >    <P   align="justify" >A recusa no cart&atilde;o IX espelha bem a falta fundamental de S., um materno arcaico que &eacute; prec&aacute;rio, que &eacute;, tamb&eacute;m, vis&iacute;vel na resposta adicional a este cart&atilde;o, numa refer&ecirc;ncia a conte&uacute;dos regressivos &ndash; &ldquo;monte de &aacute;gua&rdquo; e &ldquo;bichos marinhos&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >H&aacute; um vazio interior em S., pela tenacidade de uma representa&ccedil;&atilde;o evoc&aacute;vel do objecto, manifesta nas respostas com integra&ccedil;&atilde;o do branco (nos cart&otilde;es I, II e X). </P >     <P   align="justify" >A precariedade do materno n&atilde;o permitiu a constitui&ccedil;&atilde;o de    uma membrana limitadora entre o Eu e o n&atilde;o-Eu, ou seja, a presen&ccedil;a    de uma realidade pessoal ou interna separada do meio externo envolvente, que    se manifesta nas respostas F&plusmn; e nas respostas FE. </P >     <P   align="justify" >Assim, embora existam fronteiras entre a realidade interna e a realidade externa, elas est&atilde;o sempre amea&ccedil;adas de dano (&ldquo;asas desfeitas&rdquo;, &ldquo;folha descamada, seca&rdquo;), devido a uma diferencia&ccedil;&atilde;o parcial entre o dentro e o fora. </P >    <P   align="justify" >&Eacute; de salientar, contudo, o facto de haver em S. uma constante procura de fronteiras e da sua estabiliza&ccedil;&atilde;o, que pode ser ilustrada atrav&eacute;s do valor de F%a, de 93%, que mostra que na maioria das respostas do protocolo h&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o de um determinante formal, que indica a necessidade de dar um contorno, uma forma, um continente. </P >    <P   align="justify" >Esta invas&atilde;o do interno pelo externo e do externo pelo interno p&otilde;e em causa a coes&atilde;o identit&aacute;ria, que est&aacute; mal estabelecida em S., como podemos observar no cart&atilde;o V, cart&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o de si, em que se verifica a imprecis&atilde;o do percepto, patente numa resposta F&plusmn; (&ldquo;bicho&rdquo;), que embora seja dada em G, revela uma indiferencia&ccedil;&atilde;o dos contornos, n&atilde;o havendo uma membrana com limites bem delimitados entre o interno e o externo, pelo movimento de inconst&acirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o interna da representa&ccedil;&atilde;o objectal, que leva, depois, &agrave; perda de capta&ccedil;&atilde;o do objecto externo, j&aacute; que se verifica neste cart&atilde;o uma tend&ecirc;ncia &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o (um bicho com corpo de coelho e asas ou patas de cavalo). Isto parece dar conta de que S. n&atilde;o se constituiu como um Eu inteiro, s&oacute;lido, total, separado da realidade externa, mas como um Eu constitu&iacute;do por partes ou ilhas &ndash; um Eu em arquip&eacute;lago &ndash;, como refere Green (1975/1990), havendo, como nos diz o autor, um espa&ccedil;o vazio entre as ilhas, um mar imenso de nada, expresso no Rorschach pelas respostas com integra&ccedil;&atilde;o do branco, pelas cr&iacute;ticas subjectivas, por um tempo de lat&ecirc;ncia elevado e excessiva manipula&ccedil;&atilde;o dos cart&otilde;es e tamb&eacute;m pela recusa no cart&atilde;o IX. </P >    <P   align="justify" >A precariedade ou o desgaste de um mundo interno empobrecido e pouco povoado de representa&ccedil;&otilde;es, pela n&atilde;o introjec&ccedil;&atilde;o de bons objectos internos, leva a que S. tente apoiar-se no outro, no mundo externo, no qual procura um suporte. Este aspecto &eacute; vis&iacute;vel no protocolo de S., especialmente nos pedidos de ajuda feitos ao psic&oacute;logo, que ela procura que desempenhe o papel de Eu auxiliar. S. precisa do outro, estabelecendo com ele uma rela&ccedil;&atilde;o de objecto de tipo anacl&iacute;tico, explicitada por Bergeret (1974/2000), e que podemos ver no protocolo, por exemplo, no cart&atilde;o X, em que S. d&aacute; a imagem de &ldquo;dois touros <I>encostados </I>de cabe&ccedil;a&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >S. n&atilde;o teve acesso ao uso pleno de um objecto transitivo, este constituiu-se    e permaneceu como o seu objecto de apoio, de an&aacute;clise. Assim, n&atilde;o    houve um evoluir do objecto transitivo para o brincar e para a experi&ecirc;ncia    cultural, ou seja, para um espa&ccedil;o potencial, que se localiza entre o    indiv&iacute;duo e o seu meio envolvente, pois inicialmente n&atilde;o foi criado    um espa&ccedil;o potencial f&iacute;sico e mental entre m&atilde;e e beb&eacute;.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A precariedade de um meio ambiente facilitador e suficientemente bom numa fase precoce do desenvolvimento, n&atilde;o permitiu a constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o mental tridimensional/potencial. </P >    <P   align="justify" >O espa&ccedil;o mental de S. &eacute; um espa&ccedil;o bidimensional, sem perspectiva, sem espessura, liso, que pode ser visto no Rorschach atrav&eacute;s da presen&ccedil;a de conte&uacute;dos sem profundidade, lisos (&ldquo;tapete africano&rdquo;/&ldquo;pele&rdquo;, no cart&atilde;o VI), conte&uacute;dos desvitalizados (&ldquo;folha desfeita&rdquo;, no cart&atilde;o IV) e envelopes sem conte&uacute;do (&ldquo;fantasma&rdquo;, no cart&atilde;o III). </P >    <P   align="justify" >S. possui um espa&ccedil;o mental plano, caracterizado por uma aus&ecirc;ncia de vitalidade ps&iacute;quica, com capacidades diminu&iacute;das para pensar, representar, imaginar e criar, evidenciado pelo uso ligeiramente superior &agrave; norma de respostas globais simples, que traduzem uma abordagem superficial da mancha, sem que haja um movimento de elabora&ccedil;&atilde;o, liga&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o dos elementos da percep&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, verifica-se a inexist&ecirc;ncia de respostas Dd, o que mostra que n&atilde;o h&aacute; uma procura de um conhecimento mais detalhado, uma atitude de pesquisa ou capacidades de produzir imagens originais. </P >     <P   align="justify" >A dificuldade de S. em distinguir claramente a realidade interna e a realidade    externa coloca-a no dom&iacute;nio da assimboliza&ccedil;&atilde;o. Verifica-se,    pois, a dificuldade do uso de s&iacute;mbolos por parte de S., que &eacute;    vis&iacute;vel na aus&ecirc;ncia de uma resson&acirc;ncia fantasm&aacute;tica    das imagens dadas na prova com o conte&uacute;do latente dos cart&otilde;es.    Ela consegue aceder ao s&iacute;mbolo, vemos isso na resposta adicional do cart&atilde;o    VI, em que S. d&aacute; uma &ldquo;espada&rdquo;, no D superior, mas esta capacidade    &eacute; muito diminu&iacute;da. </P >     <P   align="justify" >Constata-se que h&aacute; um colapso da dial&eacute;ctica psicol&oacute;gica    ou do espa&ccedil;o potencial, isto &eacute;, uma psicopatologia da simboliza&ccedil;&atilde;o,    que se caracteriza pela presen&ccedil;a dos dois p&oacute;los da dial&eacute;ctica    &ndash; o p&oacute;lo da realidade e o p&oacute;lo da fantasia &ndash;, mas    sem liga&ccedil;&atilde;o, e, portanto, sem espa&ccedil;o entre eles, ou seja,    n&atilde;o h&aacute; uma &aacute;rea intermedi&aacute;ria em que possa ter lugar    o processo criativo, que podemos ver no protocolo pela aus&ecirc;ncia de respostas    cinest&eacute;sicas, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da resposta banal no cart&atilde;o    III. </P >     <P   align="justify" >O p&oacute;lo da realidade da dial&eacute;ctica psicol&oacute;gica parece ser usado como defesa contra o emergir do p&oacute;lo da fantasia, mas n&atilde;o h&aacute; um predom&iacute;nio de um sobre o outro, eles coexistem e confundem-se. </P >     <P   align="justify" >H&aacute; uma tentativa de S. se apegar aos elementos da realidade, pelo recurso    a refer&ecirc;ncias pessoais, as observa&ccedil;&otilde;es de simetria, numa    simples constata&ccedil;&atilde;o dos elementos perceptivos, o uso de banalidades,    o uso predominante de respostas determinadas pela forma. </P >     <P   align="justify" >No entanto, o p&oacute;lo da fantasia emerge e, por vezes, invade, tentando S. a todo o custo lutar contra ela, mas por vezes, n&atilde;o o conseguindo. Este mundo de fantasia de S. expressa-se no Rorschach nas respostas de m&aacute; qualidade formal, respostas de conte&uacute;do (H) e Ad, nas tend&ecirc;ncias &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o, nas dificuldades de leitura do conte&uacute;do manifesto dos cart&otilde;es e nas persevera&ccedil;&otilde;es, que d&atilde;o conta de um lado de S. que est&aacute; desligado da realidade. </P >    <P   align="justify" >H&aacute; um recurso predominante ao pensamento concreto, factual, e ao banal. Mas, por vezes, o p&oacute;lo da fantasia sobrep&otilde;e-se, assistindo-se ao movimento de dispers&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o esquizo-paran&oacute;ide. </P >    <P   align="justify" >H&aacute; uma precariedade da fun&ccedil;&atilde;o &alpha;, incapaz de transforma&ccedil;&atilde;o dos elementos &beta;, que invadem S. e que, para se libertar deles e os transformar em pensamento, necessita de recorrer ao outro, que funcionaria como uma segunda pele, como nos diz Dias (2004), que transformaria o que S. n&atilde;o &eacute; capaz de transformar. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Assim, a fragilidade da fun&ccedil;&atilde;o &alpha; faz emergir o mecanismo    da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, que a substitui, e que pode ser vista    no cart&atilde;o VIII (&ldquo;eles est&atilde;o com ar de quem quer trepar alguma    coisa...&rdquo;) e na prova de escolhas &ndash; cart&atilde;o I (&ldquo;&eacute;    um coitado, muito infeliz, muito feio, n&atilde;o tem alegria nenhuma, feio,    mon&oacute;tono&rdquo;). Mas, por vezes, j&aacute; nem o recurso &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o    projectiva &eacute; poss&iacute;vel, como se verifica na resposta adicional    ao cart&atilde;o IX. O outro j&aacute; n&atilde;o cumpre a fun&ccedil;&atilde;o    de transforma&ccedil;&atilde;o dos elementos &beta;, o que pode levar S. a perder-se    num mundo de fantasia. Nas palavras de Dias (2004), esta falha do outro abre    o sujeito &agrave; loucura, falando o autor dos surtos psic&oacute;ticos do    paciente limite. </P >     <P   align="justify" >Podemos dizer que o espa&ccedil;o mental de S. &eacute; bidimensional. Contudo, h&aacute; zonas do seu funcionamento que remetem para elementos mais caracter&iacute;sticos de um espa&ccedil;o mental unidimensional, zonas de estagna&ccedil;&atilde;o. Destacamos, aqui, a recusa do cart&atilde;o IX, que se constitui como um bloqueio do processo associativo, uma incapacidade de transformar a experi&ecirc;ncia perceptiva numa imagem, que d&aacute; conta de um vazio interior. O mesmo acontece com a descarga de elementos &beta;, que n&atilde;o encontram, por vezes, um elemento transformativo, mesmo que patol&oacute;gico. Salientamos, ainda, as dificuldades de leitura do conte&uacute;do manifesto dos cart&otilde;es, assim como a presen&ccedil;a de tem&aacute;ticas de destrui&ccedil;&atilde;o/deteriora&ccedil;&atilde;o (&ldquo;asas desfeitas&rdquo;, &ldquo;folha desfeita&rdquo;). </P >    <P   align="center" >CONCLUS&Atilde;O </P >    <P   align="justify" >Neste trabalho procur&aacute;mos demonstrar a possibilidade de utilizar a prova Rorschach para analisar a qualidade do espa&ccedil;o mental de um sujeito. </P >    <P   align="justify" >Tendo em considera&ccedil;&atilde;o que quando aplicamos um Rorschach pretendemos obter um conhecimento o mais aprofundado poss&iacute;vel do sujeito psicol&oacute;gico, &eacute; importante e pertinente que possam ser criados procedimentos novos para analisar outras dimens&otilde;es do funcionamento mental, &agrave;s quais ainda n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel aceder, dadas as possibilidades e potencialidades deste m&eacute;todo, as quais tent&aacute;mos aqui, tamb&eacute;m, ilustar. </P >    <P   align="justify" >&Eacute; importante referir que o nosso objectivo foi trabalhar o pr&oacute;prio m&eacute;todo &ndash; o Rorschach &ndash;, pelo que, a an&aacute;lise do protocolo que fizemos pretende ser apenas ilustrativa de como os procedimentos que cri&aacute;mos para ler o conceito de espa&ccedil;o mental podem ser aplicados. Isto &eacute;, no protocolo que analis&aacute;mos, e tal como t&iacute;nhamos colocado inicialmente, o que encontr&aacute;mos foi a exist&ecirc;ncia de um espa&ccedil;o mental bidimensional, com v&aacute;rios elementos caracter&iacute;sticos de um espa&ccedil;o mental unidimensional. N&atilde;o obstante, dado que a patologia limite se situa numa zona intermedi&aacute;ria entre a neurose e a psicose, noutros protocolos limite, embora o tipo de espa&ccedil;o mental que se constitui nestes sujeitos seja o bidimensional, podemos encontrar mais elementos t&iacute;picos de um espa&ccedil;o mental unidimensional ou at&eacute;, em funcionamentos mais evolu&iacute;dos, indicadores de alguma plasticidade mental, caracter&iacute;sticos de um espa&ccedil;o mental tridimensional/potencial. </P >    <P   align="justify" >Salientamos, ainda, que a grelha de procedimentos que cri&aacute;mos pode, tamb&eacute;m, ser utilizada em protocolos neur&oacute;ticos e psic&oacute;ticos, n&atilde;o se limitando apenas aos protocolos limite. </P >    <P   align="center" >ANEXO </P >    <P   align="center" ><I>An&aacute;lise do protocolo </I></P >     <P align="center"   ><img src="/img/revistas/aps/v27n3/27n3a10t2.bmp"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"   >&nbsp;</P >     <P   align="center" >REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Chabert, C. (1997/2003). <I>O Rorschach na cl&iacute;nica do adulto</I>. Lisboa: Climepsi Editores. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0870-8231200900030001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Chabert, C. (1998/2000). <I>A psicopatologia &agrave; prova no Rorschach. </I>Lisboa: Climepsi Editores. </P >     <P   align="justify" >Dias, C. A. (2004). <I>Costurando as linhas da psicopatologia borderland (estados-limite).    </I>Lisboa: Climepsi Editores. </P >     <P   align="justify" >Green, A. (1975/1990). <I>La Folie priv&eacute;e: Psychanayse des cas-limites</I>. Paris: Gallimard. </P >    <P   align="justify" >Green, A. (1983). <I>Narcisismo de vida, narcisismo de morte</I>. Paris: Minuit. </P >    <P   align="justify" >Grotstein, J. S. (1978). Inner space: Its dimensions and its coordinates. <I>Int. J. Psycho-Anal, 59</I>, 55- 61. </P >    <P   align="justify" >Kernberg, O. (1975/1979). <I>Les troubles limites de la personnalit&eacute;. </I>Toulouse: Privat. </P >    <P   align="justify" >Matos, A. C. (2002). <I>O desespero: Aqu&eacute;m da depress&atilde;o. </I>Lisboa: Climepsi Editores. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Ogden, T. H. (1985). On potencial space. <I>Int. J. Psycho-Anal., 66</I>, 129-141. </P >    <P   align="justify" >Ogden, T. H. (1992). The dialectically constituted /decentred subject of psychoanalysis. II. The contributions of Klein and Winnicott. <I>Int. J. Psycho-Anal., 73</I>, 613-626. </P >    <P   align="justify" >Wallbridge, D., &amp; Davis, M. (1990). <I>Boundary and Space: An introduction to the work of D. W. Winnicott</I>. London: Karnac Books. </P >    <P   align="justify" >Winnicott, D. W. (1971/1975). <I>O brincar &amp; a realidade. </I>Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda. </P >    <P   align="justify" >Winnicott, D. W. (1990). <I>The maturational processes and the facilitating environment</I>. London: Karnac Books. </P >     <P   align="justify" >Winnicott, D. W. (1988). <I>Babies and their mothers</I>. London: Free Association    Books.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" >(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Artigo elaborado a partir da disserta&ccedil;&atilde;o    apresentada e defendida no ISPA, em 2009, no &acirc;mbito do Mestrado Integrado    em Psicologia Cl&iacute;nica, com o mesmo t&iacute;tulo.</P >     <P   align="justify" >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Professora    Associada do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >(<a href="#top4">****</a><a name="4"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Hospital    Fernando Fonseca. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Chabert]]></surname>
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<source><![CDATA[O Rorschach na clínica do adulto]]></source>
<year>2003</year>
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<publisher-name><![CDATA[Climepsi Editores]]></publisher-name>
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