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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vazio que é vazio, vazio que é procura. (Des)encontros. Procurar o (no) vazio no e pelo Rorschach]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this study, the authors propose to consider the issues of emptiness. What are the psychic mechanisms of individuals against losses, the consequences of loss, the different forms of subjects being able to lose objects. From the myth of Demeter, and its demand, and taking as its starting point the failure of the cycle &#8596; departure &#8594; empty anticipation &#8594; return &#8596;, by intolerance to the void that is death of subject and object, we pursue the meanings of this cycle, and what are the qualities of that meeting. To make this possible, we used the Rorschach, seeing the Rorschach response process as a process that causes a feeling of chaos, fragmentation. How will the subject deal with these feelings of emptiness, this need for creating and processing towards meaning? What mechanisms will be used, when facing this new object, considering its chaos? Providing the Rorschach with new dimensions of analysis, specific to this study, we will observe the different paths followed by subjects in the encounter with objects, toward a possible meaning.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Avidez]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Procura interminável]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Withdrawl]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p   align="center" ><b>Vazio que &eacute; vazio, vazio que &eacute; procura. (Des)encontros.    Procurar o (no) vazio no e pelo Rorschach (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)</b>  </p >     <P   align="right" >Ana Paula Nascimento (<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>) </P >     <P   align="right" >Maria Em&iacute;lia Marques (<a href="#3">***</a><a name="top3"></a>) </P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <P   align="justify" >No presente trabalho, as autoras prop&otilde;em-se pensar as quest&otilde;es    do vazio. Quais os mecanismos ps&iacute;quicos de sujeitos face &agrave;s perdas,    as consequ&ecirc;ncias da perda, as diferentes formas de poder ou n&atilde;o    perder. A partir do mito de Dem&eacute;ter, e da sua procura, e tendo como ponto    de partida a impossibilidade do ciclo &harr; partida&rarr; antecipa&ccedil;&atilde;o    vazia &rarr; regresso &harr;, pela intoler&acirc;ncia ao vazio, que &eacute;    morte de sujeito e objecto, procuramos aferir que encontros permite este ciclo,    e quais as qualidades desse mesmo encontro. </P >     <P   align="justify" >Para que isso fosse poss&iacute;vel, foi usado o Rorschach, pensando o processo    resposta como um processo que provoca um sentimento de caos, de dispers&atilde;o,    de vazio de sentido. Como lidar&atilde;o os sujeitos com estes sentimentos de    vazio, com esta necessidade de cria&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o?    Que mecanismos ser&atilde;o usados face a um novo objecto que ser&aacute; apresentado,    face &agrave; sua dispers&atilde;o e face &agrave; necessidade de dar uma resposta,    que d&ecirc; sentido a este novo objecto? </P >     <P   align="justify" >Dotando o Rorschach de novas dimens&otilde;es de an&aacute;lise, espec&iacute;ficas    para este estudo, permitimo-nos observar caminhos percorridos no encontro com    objectos, significar sujeitos que se mobilizam numa procura e pensar atentamente    as diferentes formas dessa procura. </P >     <P   align="justify" ><I>Palavras chave: </I>Avidez, Desist&ecirc;ncia, Luto, Melancolia, Procura intermin&aacute;vel,    Rorschach, Vazio. </P >     <P   align="center" >ABSTRACT </P >     <P   align="justify" >In this study, the authors propose to consider the issues of emptiness. What    are the psychic mechanisms of individuals against losses, the consequences of    loss, the different forms of subjects being able to lose objects. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >From the myth of Demeter, and its demand, and taking as its starting point the    failure of the cycle &harr; departure &rarr; empty anticipation &rarr; return    &harr;, by intolerance to the void that is death of subject and object, we pursue    the meanings of this cycle, and what are the qualities of that meeting. </P >     <P   align="justify" >To make this possible, we used the Rorschach, seeing the Rorschach response process    as a process that causes a feeling of chaos, fragmentation. How will the subject    deal with these feelings of emptiness, this need for creating and processing    towards meaning? What mechanisms will be used, when facing this new object,    considering its chaos? </P >     <P   align="justify" >Providing the Rorschach with new dimensions of analysis, specific to this study,    we will observe the different paths followed by subjects in the encounter with    objects, toward a possible meaning. </P >     <P   align="justify" ><I>Key words: </I>Emptiness, Endless search, Greed, Melancholia, Mourning, Rorschach,    Withdrawl. </P >     <P   align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="center" >PENSAMENTOS SOBRE </P >     <P   align="justify" >A partir de uma experi&ecirc;ncia de trabalho como Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica num Projecto de Luta Contra a Pobreza, depar&aacute;mo-nos com in&uacute;meras situa&ccedil;&otilde;es, hist&oacute;rias e sujeitos, mis&eacute;rias e desejos que quisemos pensar. </P >    <P   align="justify" >Encontr&aacute;mos nos mitos continente para pensamentos/conte&uacute;dos despojados de sentido. A ponte entre a realidade externa, que dificilmente poderia &lsquo;a frio&rsquo; ser pensada, foi-nos dada pela figura de Dem&eacute;ter e o seu caminho entre a omnipot&ecirc;ncia, a presen&ccedil;a eterna, a cria&ccedil;&atilde;o, o sucumbir de tudo face &agrave; perda, &agrave; aus&ecirc;ncia da filha Pers&eacute;fone. </P >     <P   align="justify" >Pensamos ent&atilde;o Dem&eacute;ter, e o seu percurso, recorrendo ao pensamento    de outros sobre a perda, o vazio, e a aus&ecirc;ncia. As teorias psicanal&iacute;ticas    sobre a melancolia, Abraham, Freud, Klein, a incorpora&ccedil;&atilde;o, Abraham    e Torok, como forma de n&atilde;o pensar a aus&ecirc;ncia, e nada perder, porque    tudo pode estar dentro, e sujeito pode ser e ter objecto. O buraco negro de    Grotstein, e vazios, nadas sem continente, o nada centr&iacute;peto, que suga    toda a energia ps&iacute;quica para o interior do buraco negro que vai aumentando    cada vez mais, e cada vez mais vai impedindo que algo possa ser pensado. </P >     <P   align="justify" >Procuramos, ent&atilde;o, significar o sujeito que se (des)mobiliza numa procura, que parece amea&ccedil;ar sempre com uma morte do desejo, que parece sucumbir numa procura esvaziada de sentido, numa procura caracterizada pelo desconhecimento do que se quer encontrar. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Pensamos a metodologia projectiva, especificamente o Rorschach, compreendendo    as respostas dadas como o resultado de um processo comunicacional que se opera    no mundo interno do sujeito e entre o sujeito e o Rorschach. Olh&aacute;mos    as respostas dadas seguindo tr&ecirc;s n&iacute;veis de an&aacute;lise: o primeiro,    que considera os princ&iacute;pios estabelecidos por Rausch de Traubenberg    (1970/1990) e Chabert (1997/1998 e 1998/2000); o segundo, que tem em conta os    estudos de Marques (1999) sobre a natureza da simboliza&ccedil;&atilde;o no    Rorschach; o terceiro n&iacute;vel que considera os procedimentos espec&iacute;ficos    nascidos dos objectivos estabelecidos para este estudo, ordenados fundamentalmente    em torno das quest&otilde;es do vazio, e da sua intoler&acirc;ncia, e dos processos    melanc&oacute;licos. </P >     <P   align="center" >PENSANDO DEM&Eacute;TER. COMO TUDO PODE SER RESUMIDO &Agrave; ARIDEZ DE UM CAMPO FINITAMENTE FECUNDO</P >     <P   align="justify" >O mito de Dem&eacute;ter. Deusa dos cereais. Perde a filha Pers&eacute;fone,    come&ccedil;a uma busca, recusando alimento aos humanos. As terras ficam &aacute;ridas    e inf&eacute;rteis.</P >     <P   align="justify" >Quase desiste, senta-se numa pedra e chora. &Eacute; convidada a cuidar de Demofonte,    tenta torn&aacute;-lo imortal. N&atilde;o consegue, pede que lhe construam um    templo, quer passar aos humanos os poderes de fertilizar as terra, n&atilde;o    consegue, vagueia, esvai-se. </P >     <P   align="justify" >As terras envelhecem, mortas, sem vida nem frutos. Zeus interv&eacute;m, ao aperceber-se da irredutibilidade de Dem&eacute;ter, fala com Hades, que tinha Pers&eacute;fone. Hades, deus dos mortos, acede ao pedido de Zeus, mas Pers&eacute;fone deve regressar sempre para o mundo dos mortos. </P >    <P   align="justify" >Dem&eacute;ter e Pers&eacute;fone reencontram-se. A terra floresce, quando est&atilde;o juntas, quando Pers&eacute;fone se junta a Hades &eacute; Inverno, n&atilde;o o inferno da perda, mas o desejo do (re)encontro. </P >    <P   align="justify" >Pens&aacute;mos o mito e fomo-nos aproximando ao que poderia ser um esbo&ccedil;o deste sentir, um caminho que se pode aproximar de outros caminhos. </P >    <P   align="justify" >Uma Dem&eacute;ter que procura enlouquecida o que perdeu. Mulheres que procuram o que nem sabem perdido. </P >    <P   align="justify" >Retir&aacute;mos do mito alguns tempos, tempos e espa&ccedil;os que v&atilde;o acompanhado e que nos permitem pensar o mito e a jornada de Dem&eacute;ter no (re)encontro de Pers&eacute;fone. </P >    <P   align="" >... Ps&rarr;Ps&rarr;/PERDA/&rarr;cat&aacute;strofe (vazio)&rarr;aproxima&ccedil;&otilde;es a D&rarr;Antes, o infinito Procura (Demofonte) eterno e igual </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >&rarr;Ps&rarr;Ps&rarr;Ps&rarr;Ps&rarr;/O TEMPLO/&rarr;cat&aacute;strofe (vazio)&rarr;Ps&rarr;Cat&aacute;strofe Cat&aacute;strofe </P >    <P   >&rarr;Ps&rarr;Ps&rarr;/(RE)ENCONTRO/&rarr;D&rarr;Ps&rarr;D&rarr;Ps&rarr;D&rarr;... Dem&eacute;ter+Pers&eacute;fone Tolerar perder, permitindo </P >    <P   align="justify" >o desejo do (re)encontro </P >    <P   align="justify" >De mulheres pobres a Dem&eacute;ter, de esvaziamentos a procurar, de fomes a impossibilidades de alimento... </P >     <P align="center"   >PERCURSOS DE SUJEITO E OBJECTO FACE &Agrave; PERDA. TEORIA PSICANAL&Iacute;TICA  </P >     <P   align="justify" >Procuramos ent&atilde;o pensar o percurso feito entre a omnipot&ecirc;ncia, a presen&ccedil;a permanente e o reconhecimento da falta, o tolerar a aus&ecirc;ncia desejando o (re)encontro, significando o objecto que se (des)mobliza numa procura, que parece amea&ccedil;ar sempre com uma morte de desejo, que parece sucumbir numa procura esvaziada de sentido. </P >    <P   align="justify" >Para isso procur&aacute;mos outros que tenham pensado vazios, a melancolia, a perda de objectos, lutos que n&atilde;o se fazem porque objectos n&atilde;o s&atilde;o reconhecidos como outros, outros que n&atilde;o existem fora de sujeito. Pensamentos sobre os mecanismos de sujeitos face a perdas, as consequ&ecirc;ncias da perda, as diferentes formas de poder ou n&atilde;o perder. </P >    <P   align="justify" >Pensamentos e conceitos que podem ser os trilhos de caminhos percorridos por sujeitos de vazio. Nos textos publicados em 1912 e 1924, Abraham em <I>&ldquo;Pr&eacute;liminaires &agrave; l&rsquo;investigation et au traitement psychanalytique de la folie man&iacute;acod&eacute;pressive et d&ecirc;s &eacute;tats voisins&rdquo; </I>e em <I>&ldquo;Esquisse d&rsquo;une histoire du d&eacute;veloppement de la libido bas&eacute;e sur la psychanalyse des troubles mentaux&rdquo;</I>, fala da expuls&atilde;o e consequente reintrojec&ccedil;&atilde;o oral, a incorpora&ccedil;&atilde;o destrutiva do objecto. Perante uma perda demasiadamente pesada para o sujeito a poder pensar e elaborar, o sujeito melanc&oacute;lico incorpora o objecto perdido, de forma a poder nunca perd&ecirc;-lo, perdendo no entanto as diferen&ccedil;as entre sujeito e objecto e as possibilidades de poder transformar essa perda/ /morte num processo transformativo aberto, e n&atilde;o num sistema fechado de objectos que s&atilde;o sujeito, que s&atilde;o amados, odiados, que s&atilde;o presen&ccedil;a e aus&ecirc;ncia, que s&atilde;o alimento e fezes, que s&atilde;o imprescind&iacute;veis e mort&iacute;feros. </P >    <P   align="justify" >A sombra do objecto que cai sobre o eu: em <I>&ldquo;Luto e Melancolia&rdquo;</I>, escrito por Freud em 1917, mostra-nos a impossibilidade do v&iacute;nculo sobre o que se perdeu, a impot&ecirc;ncia perante a ida e a vinda do objecto, perante a transforma&ccedil;&atilde;o consequente no sujeito e no objecto, o sacrif&iacute;cio do sujeito &agrave; puls&atilde;o de morte, ao vazio, ao lugar deixado pelo que se perdeu. Em cima do vazio deixado pelo objecto, pela falta, ou o sujeito pensa o objecto e a falta, transformando os lugares deixados vazios em si, ou o sujeito deseja inevitavelmente retornar ao estado origin&aacute;rio, pela m&atilde;o da puls&atilde;o de morte, e a dor e a separa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o existem. A nega&ccedil;&atilde;o enlouquecida da separa&ccedil;&atilde;o, da diferen&ccedil;a e da dist&acirc;ncia, a anula&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a sujeito objecto, as sombras que caem sobre vazios, e ensombram sujeito e negam objecto e a falta. </P >    <P   align="justify" >A introjec&ccedil;&atilde;o que amea&ccedil;a sujeito e objecto: Klein nos textos <I>&ldquo;Uma Contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; Psico</I><I>-</I><I>g&eacute;nese dos Estados Man&iacute;aco-Depressivos&rdquo; </I>e <I>&ldquo;O Luto e suas Rela&ccedil;&otilde;es com os Estados Man&iacute;aco</I><I>-</I><I>-Depressivos&rdquo; </I>publicados respectivamente em 1935 e 1940 reflecte a forma como o objecto, sendo perdido, leva a que o sujeito n&atilde;o tenha quem culpar da perda desse objecto, a n&atilde;o ser o pr&oacute;prio sujeito e, segundo Klein, &eacute; esta mudan&ccedil;a a respons&aacute;vel pelos sentimentos de culpa do sujeito. Em vez do sofrimento pela perda do outro, surge a raiva, causa e consequ&ecirc;ncia da perda do objecto. Quando o objecto passa para dentro do sujeito, com inten&ccedil;&otilde;es de o preservar, fazendo com que passe a fazer parte do sujeito, h&aacute; sempre tamb&eacute;m um movimento de destrui&ccedil;&atilde;o do objecto. Para Klein, a introjec&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo t&eacute;nue e o objecto, tornado sujeito atrav&eacute;s desse mecanismo, &eacute; periodicamente consumido, negado pela incorpora&ccedil;&atilde;o, ou expelido, negado pela externaliza&ccedil;&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Incorpora&ccedil;&atilde;o ou a magia de n&atilde;o perder: Abraham e Torok no texto de 1972 <I>&ldquo;Introjecter </I></P >    <P   align="justify" ><I>&ndash;</I><I> Incorporer. Deluil ou M&eacute;lancolie&rdquo;. </I>A cura m&aacute;gica pela incorpora&ccedil;&atilde;o dispensa assim todo o trabalho doloroso do luto. Absorver o que falta, sob a forma de alimento, imagin&aacute;rio ou real, quando o psiquismo est&aacute; de luto, &eacute; recusar o luto e as suas consequ&ecirc;ncias, &eacute; recusar introduzir em si a parte de si mesmo depositada no que foi perdido, &eacute; recusar saber o verdadeiro sentido da perda. </P >    <P   align="justify" >O vazio e o acto de f&eacute; sobre o regresso: Grotstein <I>&ldquo;O Buraco Negro&rdquo; </I>(1999). O nada &eacute; necess&aacute;rio para sustentar o regresso do objecto que se afasta, permitindo o eventual desenvolvimento da const&acirc;ncia do objecto, atrav&eacute;s da aquisi&ccedil;&atilde;o do ciclo &harr; partida &rarr; antecipa&ccedil;&atilde;o vazia &rarr;regresso &harr;. A incapacidade de tolerar a falta, segundo Grotstein, pode degenerar em insubst&acirc;ncia, conduzindo a uma queda ainda com mais custos para o sujeito no nada desintegrador do Buraco Negro. </P >    <P   align="justify" >A pobreza que sustentam e a aridez, a pobreza de recursos, a infecundidade do seu mundo interno, o vaguear assombrado, sem recursos que possam fertilizar a terra, que agora sabemos morta, e dela possam surgir pensamentos, lutos, desejos e transforma&ccedil;&otilde;es. Dem&eacute;ter sucumbe a uma perda, tal como nos parece que as mulheres pobres e empobrecidas sucumbem, algumas procurando, sem poderem encontrar, persistindo na falta, procurando o ser miser&aacute;vel de pensamento como salva&ccedil;&atilde;o. Se a aus&ecirc;ncia, a perda e a falha de Dem&eacute;ter e nas mulheres pobres que vimos, passam a ser o lugar do insuport&aacute;vel e do desamparo, o sujeito s&oacute; pode condenar-se &agrave; dor de nunca perder, de nunca desejar, nem transformar. </P >    <P   align="justify" >Tendo como ponto de partida a impossibilidade do ciclo &harr;partida &rarr;antecipa&ccedil;&atilde;o vazia &rarr; regresso &harr;, pela intoler&acirc;ncia ao vazio, que &eacute; morte de sujeito e objecto, surgem-nos os objectivos deste estudo. </P >    <P   align="center" >OLHAR O VAZIO. OBJECTIVOS DO ESTUDO </P >    <P   align="justify" >O ciclo partida/aus&ecirc;ncia &asymp;perda, cat&aacute;strofe, vazio, falha &rarr;procura-se &rarr;o vazio n&atilde;o existe, outros substituem outros, os outros n&atilde;o existem &rarr;esvaziamento &rarr;perda, cat&aacute;strofe, vazio, falha &rarr;&infin; </P >    <P   align="justify" >Procuramos pensar o percurso feito entre a omnipot&ecirc;ncia, a presen&ccedil;a permanente e o reconhecimento da falta, o tolerar a aus&ecirc;ncia desejando o (re)encontro; procuramos significar o sujeito que se (des)mobiliza numa procura, que parece amea&ccedil;ar sempre com uma morte do desejo, que parece sucumbir numa procura esvaziada de sentido, numa procura caracterizada pelo desconhecimento do que se quer encontrar. </P >    <P   align="justify" >Qual o lugar do sujeito? E que objectos ser&atilde;o estes que parecem tamb&eacute;m n&atilde;o ter as qualidades ou as condi&ccedil;&otilde;es para serem agarrados e pensados? Que mundo interno? Que vazio? Como se sustenta? Como se existe e se insiste assim? Como emerge o Outro, qual o lugar do Outro? Qual o investimento no Outro? </P >    <P   align="justify" >Tomamos como ponto de partida uma intoler&acirc;ncia ao vazio que permitiria o pensamento, vazio esse que inunda, que implode todas as capacidades. Face ao vazio, que nada mais &eacute; que tudo o que as rodeia, como se confrontam com um novo objecto? O que sai desse encontro? </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A avidez, e todo o cont&iacute;nuo da sua exist&ecirc;ncia, que esvazia &agrave; sua extin&ccedil;&atilde;o, desinvestimento m&aacute;ximo, at&eacute; de objectos que mesmo mort&iacute;feros, n&atilde;o se podem, ou n&atilde;o se querem mais incorporar. Em que ponto desse continuo estar&atilde;o os sujeitos a ser pensados? </P >    <P   align="justify" >Haver&aacute; possibilidade de encontro? Um encontro menos mort&iacute;fero, onde um outro objecto possa ser reconhecido? Ou o encontro ser&aacute; o lugar do desinvestimento e/ou de movimentos de desvitaliza&ccedil;&atilde;o? </P >    <P   align="justify" >E quais as qualidades desse encontro? O sujeito pega no objecto, agarra-o? Ou tenta pegar nele de m&atilde;os fechadas? H&aacute; espa&ccedil;o no sujeito para um novo objecto? </P >    <P   align="justify" >E quando o objecto &eacute; agarrado? Quais as consequ&ecirc;ncias desse encontro de sujeito de vazio e um novo objecto? Que modifica&ccedil;&otilde;es sofre o sujeito e o seu vazio? E o objecto, mant&eacute;m-se como outro diferente ou &eacute; assimilado e depois destru&iacute;do? E que rastos poderemos observar desse objecto? Que tipo de objectos sair&atilde;o desse novo encontro, que qualidades ter&atilde;o? </P >    <P   align="justify" >Tendo em conta a especificidade dos objectivos que nos propomos atingir, parece-nos que s&oacute; um instrumento igualmente espec&iacute;fico nos poderia responder &agrave;s quest&otilde;es por n&oacute;s colocadas. </P >    <P   align="justify" >O Rorschach apresenta-se-nos como um instrumento priveligiado de avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, ocorrendo sempre num contexto cl&iacute;nico, no qual se cria uma rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e singular entre dois sujeitos. Esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; ent&atilde;o mediatizada pelo Rorschach, visando aceder ao funcionamento ps&iacute;quico do sujeito. Mas o Rorschach possibilita-nos, assim o queiramos, muito mais: permite-nos clarificar a natureza e as modalidades de funcionamento que caracterizam a forma como o sujeito vive e se vive na rela&ccedil;&atilde;o consigo e com os outros. </P >     <P   align="justify" >A partir de Marques (1999), entendemos que a actividade mental subjacente ao    processo-resposta Rorschach, sup&otilde;e uma actividade de liga&ccedil;&atilde;o,    transforma&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o constru&iacute;do entre    o interno e o externo, entre sujeito e objecto, organizada numa rela&ccedil;&atilde;o    onde obrigatoriamente participa a intersubjectividade. </P >     <P   align="justify" >Como ligar, transformar, criar, quando tudo &eacute; vazio? Como definir interno e externo nestes sujeitos, j&aacute; que interno &eacute; buraco negro que suga, e externo &eacute; tudo o que pode servir para preencher este buraco, esvaziando ainda mais o sujeito. </P >    <P   align="justify" >Este processo, de acordo com as teorias das rela&ccedil;&otilde;es de objecto e das transforma&ccedil;&otilde;es, viabilizar&aacute; o acesso &agrave;s significa&ccedil;&otilde;es, &agrave; simboliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de novos objectos. Que novos objectos ser&atilde;o estes? Ser&atilde;o novos? Que qualidades ter&atilde;o? </P >    <P   align="justify" >Como ser&aacute; essa simboliza&ccedil;&atilde;o, a subjectiva&ccedil;&atilde;o, que implica o aceitar do vazio, que express&atilde;o ter&aacute; no Rorschach a intoler&acirc;ncia ao vazio? </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Se pensarmos no processo de resposta Rorschach, como um processo que provoca um sentimento de caos, de dispers&atilde;o, de vazio de sentido, como lidar&atilde;o os sujeitos com estes sentimentos de vazio, a esta necessidade de cria&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o? Que mecanismos ser&atilde;o usados, face a este novo objecto que ser&aacute; apresentado, face &agrave; sua dispers&atilde;o e face &agrave; necessidade de dar uma resposta, que d&ecirc; sentido a este novo objecto? </P >    <P   align="justify" >Como ser&aacute; possibilitado ao sujeito o deixar-se ir, a expectativa negativa, face a um novo objecto? </P >    <P   align="center" >COM UM ARCHOTE NA M&Atilde;O, A OUTRA M&Atilde;O VAZIA. FORMULA&Ccedil;&Atilde;O DOS PROCEDIMENTOS DE AN&Aacute;LISE DAS RESPOSTAS RORSCHACH</P >    <P   align="justify" >Propomo-nos olhar os protocolos de Rorschach, tendo em conta tr&ecirc;s n&iacute;veis de an&aacute;lise: o primeiro, considera os princ&iacute;pios estabelecidos por Rausch de Traubenberg (1970/1990) e Chabert (1997/ /1998) observando a representa&ccedil;&atilde;o da imagem de si e da rela&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da an&aacute;lise inter e intra cart&atilde;o, tendo em conta o n&iacute;vel de significa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica de cada cart&atilde;o e o valor interpretativo consignado nos factores de cota&ccedil;&atilde;o; o segundo, tem em conta os estudos de Marques (1999) sobre a natureza da simboliza&ccedil;&atilde;o no Rorschach, fundamentados a partir dos conceitos de rela&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o. O processo &ndash; resposta Rorschach ser&aacute; concebido atrav&eacute;s da no&ccedil;&atilde;o alargada de identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, n&atilde;o (s&oacute;) do ponto de vista patol&oacute;gico, mas a identifica&ccedil;&atilde;o projectiva, que permite a empatia e a comunica&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e o objecto. A identifica&ccedil;&atilde;o projectiva ser&aacute; a no&ccedil;&atilde;o que melhor d&aacute; conta quer da situa&ccedil;&atilde;o Rorschach, quer do processo &ndash; resposta Rorschach, pois a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; constitu&iacute;da por um objecto externo, e por uma rela&ccedil;&atilde;o que lhe serve de suporte, e todos estes elementos imp&otilde;em uma actividade de comunica&ccedil;&atilde;o entre o interno e o externo, entre sujeito e objecto, marcada por uma confus&atilde;o e indistin&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;rias, para que depois surja a separa&ccedil;&atilde;o, a diferencia&ccedil;&atilde;o, o crescimento. </P >    <P   align="justify" >O terceiro n&iacute;vel considera os procedimentos espec&iacute;ficos nascidos dos objectivos estabelecidos para este estudo, ordenados fundamentalmente em torno das quest&otilde;es do vazio, e da sua intoler&acirc;ncia, e dos processos melanc&oacute;licos. </P >    <P   align="justify" ><I>O templo &ndash; Esbo&ccedil;os de continente para conte&uacute;dos sem sentido </I></P >     <P   align="justify" >A percep&ccedil;&atilde;o do novo objecto/mancha poderia ser liga&ccedil;&atilde;o,    v&iacute;nculo, desejo de transforma&ccedil;&atilde;o e de novo, mas parece-nos    que o novo objecto/ mancha lan&ccedil;ar&aacute; o sujeito na estranheza, na    incoer&ecirc;ncia, na l&oacute;gica da dispers&atilde;o e da procura enlouquecida    de significados. </P >     <P   align="justify" >A forma como os sujeitos se posicionar&atilde;o face &agrave; tarefa proposta, oscilar&aacute; entre o p&oacute;lo da avidez ainda existente, ou do desinvestimento: por um lado, uma excita&ccedil;&atilde;o quase man&iacute;aca, uma sucess&atilde;o de respostas, de significados, de imagens incoerentes entre elas, sucess&otilde;es de objectos que possam encher vazios, manipula&ccedil;&otilde;es do cart&atilde;o, tempos de lat&ecirc;ncia baixos, procura enlouquecida e esvaziada de objectos; por outro lado, uma forma mais passiva, agressiva e destrutiva, nomea&ccedil;&atilde;o de objectos, poucos, os suficientes para que tudo termine rapidamente, sem presen&ccedil;a efectiva e afectiva de sujeito, sem que o novo objecto/mancha suscite curiosidade, ou deslumbramento. Desist&ecirc;ncia, esfor&ccedil;o, incapacidade de processos de liga&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Sujeito e objecto pouco estar&atilde;o presentes nas respostas dadas. O vazio instalado, ou a luta contra ele, parecem-nos as &uacute;nicas presen&ccedil;as. Ligar, fazer passar novos objectos/mancha por dentro de sujeito que &eacute; vazio, buraco negro que suga, ser&aacute; esse vazioque inevitavelmente aparecer&aacute; na resposta final. </P >    <P   align="justify" >Estaremos igualmente, se n&atilde;o mais ainda, atentos, ao que poder&atilde;o ser os movimentos de vida, de liga&ccedil;&atilde;o, de transforma&ccedil;&atilde;o. Pequenas sequ&ecirc;ncias que poder&atilde;o dar conta de uma sa&iacute;da, mesmo que t&eacute;nue, de um aceitar e desejar um outro, que possa ser pensado. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Tal como em Dem&eacute;ter, um dia foi poss&iacute;vel o encontro. Que caminho poder&aacute; ser esse o do (re)encontro com algo que se procura e que se aceita como diferente, como Outro, sujeito e objecto de desejo? </P >     <P   align="center" ><img src="/img/revistas/aps/v27n3/27n3a12t1.bmp"></P >     
<P   align="justify" >O caminho interno &ndash; que pode ser pensado como o caminho ao longo dos cart&otilde;es, na sucess&atilde;o de respostas e encontros &ndash; da omnipot&ecirc;ncia, do n&atilde;o reconhecimento de outros, objectos que s&atilde;o iguais em tudo a tudo, ao vazio. A cria&ccedil;&atilde;o omnipotente, a sucess&atilde;o man&iacute;aca de respostas, a produ&ccedil;&atilde;o inf&eacute;rtil de imagens que se sucedem sem fim. </P >    <P   align="justify" >At&eacute; ao rapto do sentido: a presen&ccedil;a de cor, um cart&atilde;o mais aberto, mais vazio e branco, a perda. A perda de um outro/mancha que sustentava uma produ&ccedil;&atilde;o, um movimento louco, inf&eacute;rtil, destrutivo, j&aacute; que o objecto n&atilde;o era um outro. </P >    <P   align="justify" >A procura agora desenfreada, enlouquecida de objectos, algo que possa dar corpo ao vazio, para que se possa prosseguir, produzindo nada mais que coisas que encham o vazio e iludam o sujeito face ao que n&atilde;o tem, nem pode ter. </P >    <P   align="justify" >Procura de objectos que encham, que possam fazer com que a omnipot&ecirc;ncia da resposta, agora imposs&iacute;vel, retorne, e objectos, outros, possam tomar o lugar de sujeito, possam faz&ecirc;-lo avan&ccedil;ar, mesmo que avancem t&atilde;o s&oacute; para onde vieram, o vazio de dentro e de fora, o vazio de sujeito e objecto, o vazio das possibilidades de cria&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Alguma acalmia pode ser encontrada, face a objectos/templos com caracter&iacute;sticas mais contentoras, que possam temporariamente acolher e conter fomes e desesperos que s&atilde;o vazios de desejo de encontrar realmente. Mas o interno n&atilde;o os pode manter. Descobertas e reveladas as fragilidades de objectos que pudessem conter, que pudessem dar conta de caminhos de novas descobertas, de outros diferentes de sujeito, voltam as sucess&otilde;es enlouquecidas de respostas, de objectos que enchem, de produ&ccedil;&atilde;o inf&eacute;rtil. </P >    <P   align="justify" >Os templos de objectos que podem ser evocados, os templos onde podem parar um pouco, mas s&oacute; um pouco. O templo do pensamento e da transforma&ccedil;&atilde;o revelaria o interno vazio, dormente, &aacute;vido ou desistente. </P >    <P   align="justify" >At&eacute; ao momento do (re)encontro, tolerando sujeito e objecto, in&iacute;cio e fim. Aceitar que objecto seja presente e ausente, seja v&aacute;rios infinitos, e n&atilde;o s&oacute; objecto que enche vazio. Que objecto seja desconhecido, d&uacute;vida, objecto de pensamento, de encontro e de aus&ecirc;ncia, de significa&ccedil;&atilde;o e de (des)significa&ccedil;&atilde;o, que sujeito respeite as suas caracter&iacute;sticas e o nomeie, sem que esse nomear seja, nem perder o objecto, nem ganh&aacute;-lo para sempre. Que o processo de constru&ccedil;&atilde;o de significados, de respostas, seja um processo din&acirc;mico e flex&iacute;vel, e possa ser de novo (des)constru&iacute;do e seja de novo d&uacute;vida e dispers&atilde;o. Que um objecto, que uma resposta, possa ser agarrada e perdida de novo, que a ang&uacute;stia vinda da aus&ecirc;ncia de significado, de sentido, possa ser contida, n&atilde;o dando lugar de novo a uma procura omnipotente de algo que nunca pode ser, nem estar, nem chegar a ocupar contornos de vazio. </P >     <P   align="justify" >O n&atilde;o sentido, a dispers&atilde;o, presente no processo de resposta Rorschach,    pode ser o in&iacute;cio de um caminho onde sujeito s&oacute; pode perder, e    perder-se, ao perder sentido(s), ao iludir-se numa procura que tem apenas em    conta o vazio, e o seu preenchimento. Pode tamb&eacute;m ser o caminho de presen&ccedil;a    e aus&ecirc;ncia, de verdadeiros objectos que se nomeiam, que se procuram,    num caminho do desejo do (re)encontro, de verdadeiros caminhos, sempre novos,    sempre desconhecidos, que permitem a cria&ccedil;&atilde;o f&eacute;rtil, porque    finita, porque objecto encontrado &eacute; objecto e sujeito, n&atilde;o apenas    vazio que se quer esvaziar mais ainda. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Tal como Dem&eacute;ter, o sujeito pode caminhar numa sucess&atilde;o infinita e inf&eacute;rtil de respostas, de objectos que se criam, que enchem, at&eacute; que algo denuncie a fragilidade dessa cria&ccedil;&atilde;o, que nada mais &eacute; que forma de anular diferen&ccedil;as, dist&acirc;ncias entre sujeito e objecto. Essa den&uacute;ncia, a impossibilidade de cria&ccedil;&atilde;o infinita, deixa o sujeito no vazio de significado, e de sentido, na procura de algo que n&atilde;o se pode ter. </P >    <P   align="justify" >Pode tamb&eacute;m, e esperamos que nalgum momento o fa&ccedil;a, caminhar no percurso do pensamento, da verdadeira cria&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o. Pode significar, sem medo da aus&ecirc;ncia de sentido, pode procurar, desejando o (re)encontro, e outro diferente ap&oacute;s a partida. Pode aceitar a dispers&atilde;o, permitindo-se a sucessivos actos de f&eacute; no regresso do objecto e do sentido. </P >    <P   align="justify" >Ser&atilde;o estes os procedimentos, os pensamentos que nos acompanhar&atilde;o na descoberta de um outro. Pensamos poder significar os sentidos dos movimentos das suas respostas, face a uma tarefa que sabemos &agrave; partida dif&iacute;cil, mas ser&aacute; para n&oacute;s reveladora dos movimentos, dos percursos, das procuras em vazios. </P >    <P   align="center" >COMO VAZIOS SE (DES)MOBILIZAM NA PROCURA</P >    <P   align="justify" >Para este estudo observamos caminhos feitos na procura de objecto e de sentido em duas mulheres. Uma, <I>Florbela</I>, mulher pobre e empobrecida, e como o nosso caminho foi o caminho que ia da pobreza externa para a aridez do mundo interno, para o vazio e os caminhos da melancolia, procur&aacute;mos outra mulher, <I>F&aacute;tima</I>, com uma estrutura melanc&oacute;lica. O nosso objectivo n&atilde;o &eacute; o de comparar diagn&oacute;sticos, ou estruturas de funcionamento, mas observar caminhos percorridos no encontro com objectos, significar sujeitos que se mobilizam numa procura e pensar atentamente as diferentes forma dessa procura. </P >    <P   align="justify" >Observamos dois vazios, e duas formas de (des)mobiliza&ccedil;&atilde;o face a esse vazio. O vazio que &eacute; procura, e o vazio que &eacute; vazio. </P >    <P   align="justify" >O vazio de <I>Florbela</I>, a sua procura &eacute; a insist&ecirc;ncia, a loucura de querer encontrar o que n&atilde;o pode ter, o fasc&iacute;nio pelo objecto perdido, que a faz mergulhar no branco e procurar, procurar, procurar. No cart&atilde;o X &ldquo;&or; <I>V&aacute;rios bichos min&uacute;sculos. </I>D laterais. <I>Quem faz estes desenhos s&atilde;o psic&oacute;logos, n&atilde;o s&atilde;o? Devem ser pessoas que fazem coisas abstractas para o desenvolvimento mental. Este &eacute; o mais complicado. Pequenos animais, mas s&oacute; as partes essenciais deles. Cavalos marinhos que se apegam a um humano. </I>D verde central. <I>Deve ser o pensamento de uma pessoa. </I>Em G. <I>Dois olhos. </I>Dd amarelo. <I>Rosto. </I>Em D, no 1&ordm; ter&ccedil;o<I>. Dois ursos. Medo. Aquilo quea gente tem e n&atilde;o sabe idealizar o que &eacute;. &Eacute; o pensamento de qualquer coisa. Ratinhos que est&atilde;o &agrave; volta do nosso c&eacute;rebro. Coisas que metem medo. </I>Vira o cart&atilde;o. Em G. <I>Um pau. Dois sinos de lado. </I>D cinza superior. <I>Figura de duas pessoas. </I>Dd do D rosa lateral. <I>No meio sai tipo o desenho de uma crian&ccedil;a sentada. </I>Dbl. <I>O desenho branco. Em como &agrave; volta, os azuis e o verde estilo felicidade. </I>Dd azul e verde. <I>Duas pessoas unidas por uma crian&ccedil;a. </I>D lateral rosa, dbl. <I>A felicidade. </I>Em G. <I>Visto de um lado &eacute; uma coisa, de outro &eacute; outra. Que confus&atilde;o! O amarelo e o verde n&atilde;o faz sentido. Os abstractos, existe o meio em todos os desenhos. &Eacute; colado e deixam retirar isso. Como tamb&eacute;m pode ser um desenho n&iacute;tido, um foco n&iacute;tido. Como tem o borr&atilde;o todo </I><I>branco, p&ocirc;s o branco para ver as imagens n&iacute;tidas. Por tr&aacute;s de tudo isto h&aacute; uma imagem n&iacute;tida. Imagem de medo, ao mesmo tempo metefelicidade. &Eacute; muito abstracto. O desenho lateral n&atilde;o &eacute; igual ao central. H&aacute; um foco no meio. O que est&aacute; por tr&aacute;s foi tapado pelo branco. Ao contr&aacute;rio &eacute; o horror. Medo</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Procurar imagens, objectos que possam ser equivalentes e substitutos do objecto perdido. Procura, iludindo o vazio da perda e da aus&ecirc;ncia, negando-o, mobilizando-se numa procura infinita e enlouquecedora: no cart&atilde;o VII, no Dbl central &ldquo;<I>est&aacute; uma imagem por tr&aacute;s do branco. Havia uma imagem por tr&aacute;s do branco que voc&ecirc;s tiraram. H&aacute; um foco. Uma imagem n&iacute;tida&rdquo;. </I></P >    <P   align="justify" >O vazio de <I>F&aacute;tima</I>, &eacute; vazio de nem procurar, nem desejar o (re)encontro. &Eacute; fugir do que pode ser aus&ecirc;ncia, &eacute; o negativismo, &eacute; desistir. S&atilde;o objectos que por ela passam, entretendo, mas nunca sendo realmente objectos. Um vazio que assiste e que desiste. Um desamparo, uma solid&atilde;o ruidosa de tanto sil&ecirc;ncio: no cart&atilde;o I em G &ldquo;<I>uma &aacute;guia.... Tenho que ver bem... n&atilde;o digo mais&rdquo;. </I></P >    <P   align="justify" >O vazio deixado pela perda, pela aus&ecirc;ncia do objecto. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Em <I>Florbela</I>, a omnipot&ecirc;ncia da procura, a avidez da fome, querer    mais e mais e mais. Procurar sempre outros, enganando o vazio. Mas o vazio assim    saciado, esvazia ainda mais, porque objecto n&atilde;o &eacute; (re)conhecido    como tal, apenas serve como corpo presente, que pode adormecer a fome, mas n&atilde;o    alimentar, destruindo as poss&iacute;veis capacidades de pensar e transformar.  </P >     <P   align="justify" >Em F&aacute;tima, a ren&uacute;ncia ao outro, a avidez que &eacute; fome, e que se esbate, e o vazio que impossibilita sequer a vontade de comer. A fome deixa de existir, n&atilde;o quero, n&atilde;o quero, n&atilde;o quero. O vazio &eacute; vazio, sem ilus&otilde;es ou desejos. Outros. Para qu&ecirc;? Porqu&ecirc;? N&atilde;o quero. Desisto. Desamparo, desapego, vazios de vazio que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o fome, nem desejo de (re)encontrar: no cart&atilde;o X <I>&ldquo;Um burro. Um gato. </I>Cinza lateral. <I>Uma piscina, </I>branco entre azul m&eacute;dio e rosa, <I>n&atilde;o, v&aacute;rias piscinas naturais, de oceanos, do mar... Rochas. Folhagens. </I>Em G&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Como se o mito de Dem&eacute;ter terminasse no desinvestimento que faz nela e nos outros, sentada numa pedra, envelhecida nas suas capacidades para transformar e pensar. <I>Dem&eacute;ter </I>perde, <I>F&aacute;tima </I>perde, e desiste, sem caminhos, sem procuras. A falta. Como se pudesse saber que nenhum objecto pode ser o que perdeu. </P >     <P   align="justify" >Com <I>Florbela</I>, ap&oacute;s a perda, o caminho &eacute; o do encontro, da    avidez, o caminho do desejo enlouquecido de algo encontrar, j&aacute; que os    mecanismos prim&aacute;rios e omnipotentes permitem que todos os outros possam    ser o objecto perdido. Mas o interno que &eacute; vazio vai sofrendo com os    restos de todos que est&atilde;o dentro, e o interno mesmo vazio, fica estranho,    aos bocados, como se a recupera&ccedil;&atilde;o e o (re)encontro com um Outro    pudesse ser feita de reconstru&ccedil;&otilde;es de bocados de outros que s&atilde;o    dentro, e logo depois s&atilde;o postos fora. Uma procura possibilitada pela    anula&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a, pela possibilidade de todos poderem    ser tudo. Como se imaginasse, que ao ter todos e tudo, algum objecto poder&aacute;    ser o que perdeu: cart&atilde;o VII &ldquo;<I>Por baixo do desenho havia uma    coisa que tiraram. </I>No Dbl central. <I>Tipo eclipse. Fizeram o desenho por    cima e ficou isto. Mas por tr&aacute;s h&aacute; uma sombra. H&aacute; um desenho    por tr&aacute;s&rdquo;. </I></P >     <P   align="justify" ><I>Florbela</I>, ap&oacute;s a perda, a aus&ecirc;ncia de objecto/ /sentido, procura, despojando-se na procura, empobrecendo, caminhando por terras inf&eacute;rteis e &aacute;ridas, a avidez de uma fome que nunca pode ser saciada. Vazio. </P >    <P   align="justify" ><I>F&aacute;tima</I>, ap&oacute;s a perda, a aus&ecirc;ncia de objecto/ /sentido, p&aacute;ra, despojando-se logo na partida de objecto, ficando no que &eacute; interno inf&eacute;rtil e &aacute;rido. A desist&ecirc;ncia de uma fome que se calou: cart&atilde;o III &ldquo;<I>Vejo pessoas... &Eacute; s&oacute;. </I>Em G<I>&rdquo;. </I>Vazio. </P >     <P   align="justify" >Vazio que procura no vazio, <I>Florbela</I>, que usa mecanismos prim&aacute;rios    na luta contra a perda do objecto. Vazio que esgravata em terra morta, que nada    pode esconder. S&oacute; aumenta mais a confus&atilde;o, a ilus&atilde;o que    o objecto poder&aacute; estar no infinito que &eacute; qualquer lugar. As estadias    tempor&aacute;rias de objecto dentro, a expuls&atilde;o desses mesmos objectos,    que v&atilde;o deixando restos deles mesmos dentro do sujeito. E o interno vai    ficando cada vez mais despojado de sentido. A procura enlouquecida &eacute;    a &uacute;nica forma de continuar ilusoriamente a acreditar que se sabe o que    se procura, e que se pode ter o que se quer encontrar. Avidez que &eacute; fome    permanente, que &eacute; impossibilidade de alimento que sacie, que &eacute;    alimentar-se de tudo o que pode equivaler a alimento<I>. </I>Cart&atilde;o IV    <I>&ldquo;Um morcego. </I>Imagem invertida em G. <I>O focinho de uma vaca. Quando    s&atilde;o malhadas fica assim o </I><I>branco. </I>Intermaculares dbl no 1&ordm;    ter&ccedil;o, central. Na posi&ccedil;&atilde;o normal, <I>Um drag&atilde;o.    Como pode ser uma &aacute;rvore voltada ao contr&aacute;rio&rdquo;. </I></P >     <P   align="justify" >Vazio que &eacute; vazio, <I>F&aacute;tima</I>. Que desiste, mergulhada no interno que &eacute; vazio e falta e nada. &Eacute; uma fome que se cala, e que definha, a ren&uacute;ncia ao outro, a tudo. Despojada e (des)assombrada, F&aacute;tima fica-se, sentada, sabendo que nada pode cobrir de cheio o vazio que sente. Procurar para qu&ecirc;? Outro, para qu&ecirc;? No cart&atilde;o VI: <I>&ldquo;Uma baleia... aberta... </I>em G. <I>S&atilde;o todos assim, escuro... n&atilde;o gosto dos desenhos negros, n&atilde;o gosto do escuro, gosto mais do branco... Deve ter um motivo para ser assim...&rdquo;. </I></P >    <P   align="justify" >Duas formas de n&atilde;o elaborar lutos e perdas, aus&ecirc;ncias. Uma negando a perda, loucamente &agrave; procura; outra, com o peso da falha, da falta, da aus&ecirc;ncia a toldar tudo o que poderia ser avan&ccedil;ar, transformar, pensar o que foi perdido. </P >    <P   align="center" >REFER&Ecirc;NCIAS </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Abraham, K. (1912/1966). Pr&eacute;liminaires &agrave; l&rsquo;investigation et au traitement psychanalytique de la folie man&iacute;aco-d&eacute;pressive et d&ecirc;s &eacute;tats voisins. </P >    <P   align="justify" ><I>Oeuvres compl&eacute;tes II. D&eacute;veloppement de la l&iacute;bido.Formation du caract&eacute;re. &Eacute;tudes cliniques. </I>Paris: Petite Biblioth&eacute;que Payot. </P >    <P   align="justify" >Abraham, K. (1924/1966). Esquisse d&rsquo;une histoire du d&eacute;veloppement de la libido bas&eacute;e sur la psychanalyse des troubles mentaux. <I>Oeuvres compl&eacute;tes II. D&eacute;veloppement de la l&iacute;bido.Formation du caract&eacute;re. &Eacute;tudes cliniques. </I>Paris: Petite Biblioth&eacute;que Payot. </P >    <P   align="justify" >Abraham, N. &amp; Torok, M. (1972). Introjecter &ndash; Incorporer. Deluil ou m&eacute;lancolie. <I>Nouvelle Revue de Psychanalyse, 6</I>. Paris: Gallimard. </P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Chabert, C. (1997/1998). <I>O Rorchach na cl&iacute;nica do adulto. </I>Lisboa: Climepsi. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0870-8231200900030001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Chabert, C. (1998/2000). <I>A psicopatologia &agrave; prova no Rorschach</I>. Lisboa: Climepsi. </P >    <P   align="justify" >Freud, S. (1917). Luto e melancolia<I>. Edi&ccedil;&atilde;o electr&oacute;nica brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud. </I>Rio de Janeiro: Imago Editora. </P >    <P   align="justify" >Grotstein, J. (1999). <I>O buraco negro</I>. Lisboa: Climepsi Editores. </P >    <P   align="justify" >Klein, M. (1935/1986). Uma contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; psicog&eacute;nese dos estados man&iacute;aco-depressivos. <I>Amor, culpa e repara&ccedil;&atilde;o e outros trabalhos (1921-1945). </I>Imago Editora. </P >     <P   align="justify" >Klein, M. (1940/1986). O luto e suas rela&ccedil;&otilde;es com os estados man&iacute;aco-depressivos.    <I>Amor, culpa e repara</I><I>&ccedil;&atilde;o e outros trabalhos (1921-1945)</I>.    Imago Editora. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Marques, M.E. (1999). <I>A psicologia cl&iacute;nica e o Rorschach</I>. Lisboa: Climepsi. </P >     <P   align="justify" >Rausch de Traubenberg, N. (1970/1990). <I>La pratique du Rorschach</I>. Paris:    Presses Universitaires de France. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" >(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Realizado a partir da Tese de Mestrado    em Psicopatologia e Psicologia Cl&iacute;nica com o mesmo t&iacute;tulo, defendida    publicamente no ISPA, Junho 2006. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica. </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top3">***</a><a name="3"></a>) Psic&oacute;loga Cl&iacute;nica, Professora    Associada do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Chabert]]></surname>
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<source><![CDATA[O Rorchach na clínica do adulto]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Climepsi]]></publisher-name>
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