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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O processo-T.A.T. abordado na perspectiva bioniana]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The author propose a description of the designated T.A.T.-process by a new psychoanalytic vertex, the bionian theory of the projective identification in the container-content relation, using the concepts of psychoanalytic function of personality and container function of psychic life. The author finishes exemplifying with extracts of T.A.T.-stories the container processes, containment processes and lack of containment processes of L (Love) and H (Hate) links.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P align="center" ><b>O processo-T.A.T. abordado na perspectiva bioniana (<a href="#1">*</a><a name="top1"></a>)    </b></P >     <P align="right" >Lu&iacute;s Delgado<I> </I>(<a href="#2">**</a><a name="top2"></a>)  </P >     <P   align="center" >RESUMO </P >     <P   align="justify" >O autor prop&otilde;e uma descri&ccedil;&atilde;o do designado <I>processo-T.A.T.    </I>atrav&eacute;s de um novo <I>vertex </I>psicanal&iacute;tico, a teoria bioniana    da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva na rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do,    utilizando os conceitos de fun&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica da personalidade    e fun&ccedil;&atilde;o continente do psiquismo. </P >     <P   align="justify" >Termina ilustrando, atrav&eacute;s de excertos de protocolos-T.A.T., os processos    de contin&ecirc;ncia, conten&ccedil;&atilde;o e incontin&ecirc;ncia dos v&iacute;nculos    L (Amor) e H (&Oacute;dio). </P >     <P   align="justify" ><I>Palavras chave: </I>Bion, T.A.T. </P >     <P   align="center" >ABSTRACT </P >     <P   align="justify" >The author propose a description of the designated T.A.T.-process by a new psychoanalytic    vertex, the bionian theory of the projective identification in the container-content    relation, using the concepts of psychoanalytic function of personality and container    function of psychic life. </P >     <P   align="justify" >The author finishes exemplifying with extracts of T.A.T.-stories the container    processes, containment processes and lack of containment processes of L (Love)    and H (Hate) links. </P >     <P   align="justify" ><I>Key words: </I>Bion, T.A.T. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P>Iremos descrever de forma sint&eacute;tica o processo de elabora&ccedil;&atilde;o    das hist&oacute;rias-T.A.T., ou seja, o conjunto dos mecanismos mentais mobilizados    na &ldquo;<I>situa&ccedil;&atilde;o-T.A.T.</I>&rdquo;, essa situa&ccedil;&atilde;o    particular em que o examinador pede ao sujeito para imaginar uma hist&oacute;ria    a partir de cada imagem (material T.A.T.), isto &eacute;, forjar uma fantasia    a partir da realidade. </P >     <P   align="justify" >Iniciamos com a descri&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica deste processo ps&iacute;quico: </P >    <P   align="justify" >Shentoub et al. (1990, pp. 29-30), baseada na metapsicologia freudiana, afirma que este processo &eacute; constitu&iacute;do pelos seguintes est&aacute;dios: </P >    <P   align="justify" >&ndash;	o conte&uacute;do manifesto da imagem &eacute; percepcionado; </P >    <p   >     <p>&ndash;esta percep&ccedil;&atilde;o, aliada &agrave; instru&ccedil;&atilde;o    de <I>imaginar</I>, desencadeia uma regress&atilde;o activando representa&ccedil;&otilde;es    e afectos inconscientes e pr&eacute;-conscientes ou &ldquo;<I>tra&ccedil;os    mn&eacute;sicos carregados de um potencial afectivo</I>&rdquo; (Shentoub, 1973,    p. 255) reactivados pelo conte&uacute;do latente da imagem; </p>     <p>&ndash;este complexo representa&ccedil;&otilde;es/afectos, por defini&ccedil;&atilde;o    inorganizado (como tudo o que pertence ao processo prim&aacute;rio), vai confrontar-se    com a barreira consciente do ego, assim como com os seus mecanismos de defesa    inconscientes, para ser simbolizado atrav&eacute;s da linguagem. O ego ir&aacute;    ou n&atilde;o aceitar estas mo&ccedil;&otilde;es, em fun&ccedil;&atilde;o quer    dos seus objectivos conscientes (cumprir a instru&ccedil;&atilde;o, que consiste    em contar uma hist&oacute;ria), quer das suas possibilidades de defesa e de    &ldquo;<I>al&iacute;vio</I>&rdquo;; </p>     <P   align="justify" >&ndash;	a hist&oacute;ria contada ou, mais precisamente, o conjunto do protocolo, revela-se o resultado das capacidades do ego, na medida em que ele est&aacute; inserido numa situa&ccedil;&atilde;o contradit&oacute;ria e conflitual, constitu&iacute;da por imperativos de natureza consciente e imperativos de natureza inconsciente, assim como os seus modos respectivos de funcionamento &ndash; processos prim&aacute;rios e secund&aacute;rios de pensamento (Shentoub, 1970/71, 1972, 1990). </P >    <P   align="justify" ><I>Segundo a teoria bioniana da identifica&ccedil;&atilde;o projectiva na rela&ccedil;&atilde;o continente-conte&uacute;do </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O modelo te&oacute;rico que subjaz ao processo T.A.T. &eacute; o de Bion (1962a/1991,    1963) e deriva do modelo de desenvolvimento infantil, reportando-se &agrave;    rela&ccedil;&atilde;o precoce com o objecto materno e &agrave;s mais primitivas    interac&ccedil;&otilde;es m&atilde;eb&eacute;b&eacute;. </P >     <P   align="justify" >O conte&uacute;do latente das imagens-T.A.T. desencadeia pensamentos e afectos que ir&atilde;o pressionar a mente no sentido de serem pensados. O sujeito deve ser capaz de aceitar, conter e transformar estes conte&uacute;dos &ndash; produzidos pela identifica&ccedil;&atilde;o projectiva interna &ndash; de modo a que se tornem aceit&aacute;veis, toler&aacute;veis para a sua mente, isto &eacute;, deve ter a suficiente capacidade de conten&ccedil;&atilde;o interna, de modo a esses pensamentos poderem ser simbolizados. </P >     <P   align="justify" >O contacto com o complexo de representa&ccedil;&otilde;es/afectos activado pelo    conte&uacute;do latente da imagem, assim como a necessidade de os pensar, implica    a emerg&ecirc;ncia de sofrimento ps&iacute;quico. </P >     <P   align="justify" >S&oacute; com uma capacidade satisfat&oacute;ria de toler&acirc;ncia ao sofrimento/frustra&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica o sujeito poder&aacute; elaborar uma hist&oacute;ria-T.A.T. A intoler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o/sofrimento &eacute; concomitante com a mobiliza&ccedil;&atilde;o de defesas poderosas visando anular, paralisar ou distorcer o pensamento e outras fun&ccedil;&otilde;es do ego. </P >    <P   align="justify" >Os processos de conten&ccedil;&atilde;o-transforma&ccedil;&atilde;o-devolu&ccedil;&atilde;o interna est&atilde;o assim n&atilde;o s&oacute; na depend&ecirc;ncia da maior ou menor toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o/sofrimento, da qualidade da fun&ccedil;&atilde;o continente e da fun&ccedil;&atilde;o alfa, mas tamb&eacute;m do tipo de v&iacute;nculo emocional predominante (L, H ou K) que o sujeito tem consigo pr&oacute;prio (e com o examinador). </P >    <P   align="justify" >Perante a experi&ecirc;ncia de frustra&ccedil;&atilde;o, a realiza&ccedil;&atilde;o negativa pode dar lugar &agrave; sua simboliza&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o da capacidade de toler&acirc;ncia a essa frustra&ccedil;&atilde;o, e a experi&ecirc;ncia pode ser nomeada ou n&atilde;o atrav&eacute;s da palavra (narrativa). </P >     <P   align="justify" >Deste modo, numa situa&ccedil;&atilde;o de toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o,    pode dar-se uma realiza&ccedil;&atilde;o negativa (&ldquo;<I>n&atilde;o-coisa</I>&rdquo;),    uma <I>transforma&ccedil;&atilde;o</I>. Caso contr&aacute;rio d&aacute;-se uma    <I>n&atilde;o-transforma&ccedil;&atilde;o</I>: a fuga, o evitamento, a defesa    pelo perceptivo ou pelo projectivo &ldquo;evacuativo&rdquo;, etc., tudo o que    possa afastar o sujeito da confronta&ccedil;&atilde;o com a sua verdade. </P >     <P   align="justify" >Concluindo, o processo T.A.T. tem necessariamente de ter em conta a capacidade do sujeito de tolerar a dor mental e a frustra&ccedil;&atilde;o para que possa levar a cabo as modifica&ccedil;&otilde;es (<I>trans</I><I></I><I>forma&ccedil;&otilde;es</I>) necess&aacute;rias &agrave;s experi&ecirc;ncias de frustra&ccedil;&atilde;o, inevitavelmente impostas pelo contacto com aspectos dolorosos da realidade interna activadas pelas caracter&iacute;sticas do conte&uacute;do latente das imagens T.A.T. (manejo da l&iacute;bido e da agressividade tendo em conta a diferen&ccedil;a de sexos e de gera&ccedil;&otilde;es). </P >    <P   align="justify" >O sujeito ir&aacute; assim testar o seu modo dominante de funcionamento psico-emocional: fugir/evitar ou modificar/transformar a frustra&ccedil;&atilde;o geradora de ang&uacute;stia, criando algo. </P >    <P   align="justify" ><I>Processo T.A.T. e fun&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica da personalidade </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Depois de explicitadas as caracter&iacute;sticas do processo de elabora&ccedil;&atilde;o/cria&ccedil;&atilde;o    das hist&oacute;rias &ndash;T.A.T. de acordo com a teoria freudiana cl&aacute;ssica    e de acordo com aspectos da teoria bioniana, com os seus elementos constitutivos,    e reflectindo mais aprofundadamente, verificamos com surpresa que existe um    conceito amplo que aglutina e sintetiza todos estes elementos e processo din&acirc;mico,    que &eacute; a <I>fun&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica da personalidade    </I>(Bion, 1962b/1979). </P >     <P   align="justify" >Vejamos ent&atilde;o: </P >    <P   align="justify" >&ndash;A <I>Fun&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica da Personalidade </I>designa uma atitude mental profunda face &agrave; verdade e ao conhecimento de si mesmo &ndash; trata-se do <I>v&iacute;nculo K </I>(Bion, 1962b/1979) &ndash; isto &eacute;, a <I>puls&atilde;o epistemof&iacute;lica </I>(Klein, 1930/1996), os movimentos de auto-conhecimento, a &ldquo;puls&atilde;o&rdquo; para conhecer as suas pr&oacute;prias verdades, propiciada pela confronta&ccedil;&atilde;o com as imagens T.A.T., as quais representam &ldquo;<I>situa&ccedil;&otilde;es humanas cl&aacute;ssicas </I>&rdquo; (Murray, 1938) ou &ldquo;<I>situa&ccedil;&otilde;es relacionadas com os conflitos universais</I>&rdquo; (Shentoub et al., 1990, p. 27). </P >    <p   >     <p>&ndash; Obviamente que o <I>pensamento </I>&eacute; solicitado neste processo,    constituindo aquele o material (pensamentos activados pelo conte&uacute;do latente    da imagem) que vai pressionar o <I>aparelho para pensar </I>de modo a ser pensado.    O pensamento sendo, como vimos atr&aacute;s, o resultado de uma <I>realiza&ccedil;&atilde;o    negativa </I>(Bion, 1962a/1991), isto &eacute;, da confronta&ccedil;&atilde;o    das <I>pr&eacute;-concep&ccedil;&otilde;es </I>do sujeito com as v&aacute;rias    tem&aacute;ticas das imagens T.A.T. </p>     <p>&ndash; Neste processo est&aacute; tamb&eacute;m impl&iacute;cita a capacidade    suficiente para enfrentar, <I>tolerar, trans</I><I></I><I>formar e nomear a    dor e o sofrimento </I>inerentes &agrave; confronta&ccedil;&atilde;o com os    pensamentos e afectos activados pela confronta&ccedil;&atilde;o com o material    T.A.T., assim como a <I>capacidade negativa </I>(Bion, 1970), isto &eacute;,    a toler&acirc;ncia &agrave; d&uacute;vida, ao mist&eacute;rio, &agrave; incerteza    face &agrave; ambiguidade do material, ao que se passa no interior da mente    do pr&oacute;prio sujeito, e ainda aos desenvolvimentos a dar &agrave;s narrativas.  </p>     <P   >&ndash;A <I>fun&ccedil;&atilde;o continente </I>(Bion, 1963) est&aacute; evidentemente presente na medida em que existe um aparelho ps&iacute;quico com a capacidade de acolher pensamentos e afectos inorganizados, ca&oacute;ticos e destabilizadores e seguidamente transform&aacute;-los em representa&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas que posteriormente possam dar lugar a uma linguagem est&aacute;vel e a narrativas organizadas e coerentes. A fun&ccedil;&atilde;o continente implica ou acompanha-se de uma tomada de consci&ecirc;ncia do <I>self</I>, &agrave; medida que o sujeito se vai confrontando e elaborando as v&aacute;rias tem&aacute;ticas sugeridas pelas imagens T.A.T. </P >    <P   >&ndash;A <I>rela&ccedil;&atilde;o continente/conte&uacute;do </I>(Bion, 1963) est&aacute; inclu&iacute;da na fun&ccedil;&atilde;o continente, com a possibilidade da mente do sujeito tolerar os movimentos regredientes e progredientes, as oscila&ccedil;&otilde;es entre as posi&ccedil;&otilde;es esquizo-paran&oacute;ide e depressiva (entre movimentos de dispers&atilde;o e de integra&ccedil;&atilde;o), na medida em que, na elabora&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria, h&aacute; necessariamente movimentos oscilat&oacute;rios entre a necessidade de controlo e o deixar ir, entre os movimentos progredientes e regredientes, entre os processos prim&aacute;rio e secund&aacute;rio do pensamento, entre o pensamento divergente e convergente, em suma, entre a raz&atilde;o e a fantasia. &Eacute; esta rela&ccedil;&atilde;o continente/conte&uacute;do que permite a &ldquo;<I>rela&ccedil;&atilde;o de intimidade</I>&rdquo; (Meltzer &amp; Harris 1973/1980) com o pr&oacute;prio sujeito, na medida em que se funda num la&ccedil;o emocional intenso, rico e profundo. </P >    <P   >&ndash;A <I>sublima&ccedil;&atilde;o/simboliza&ccedil;&atilde;o </I>deriva dos deslocamentos intervindo no processo pulsional, simult&acirc;neamente ao n&iacute;vel do alvo e do objecto da puls&atilde;o (Freud, 1910b/1984, 1927a/1981), ou das transforma&ccedil;&otilde;es das representa&ccedil;&otilde;es de coisa em representa&ccedil;&atilde;o de palavra (Shentoub &amp; Debray, 1970/1971), ou da transforma&ccedil;&atilde;o dos elementos beta em elementos alfa (Bion, 1962a/1991), propiciando elementos on&iacute;ricos, de <I>r&ecirc;verie </I>e narrativas, em que h&aacute; uma depura&ccedil;&atilde;o dos elementos f&iacute;sicos, sens&iacute;veis, pulsionais em elementos mais abstractos, simb&oacute;licos e coadun&aacute;veis com o pensamento secund&aacute;rio. </P >     <P   >&ndash;A <I>repara&ccedil;&atilde;o </I>(M. Klein, 1935/1996) tamb&eacute;m faz    parte integrante e din&acirc;mica da Fun&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica    da Personalidade e da elabora&ccedil;&atilde;o/ /cria&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria    T.A.T. na medida em que o sujeito, sendo capaz de tolerar esta situa&ccedil;&atilde;o    destabilizadora (situa&ccedil;&atilde;o T.A.T.), &ldquo;<I>entrega-se a um trabalho    ps&iacute;quico que visa restaurar a completude e a coer&ecirc;ncia do objecto    (interno e externo)</I>&rdquo; (Marques, 1996, p. 42) &ndash; ou, utilizando    uma express&atilde;o nossa, o desejo reparat&oacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o    a si pr&oacute;prio, &agrave; sua integridade (repara&ccedil;&atilde;o do <I>self</I>)    e aos seus objectos internos &ndash; procurando e criando novos objectos, o    que reenvia para as no&ccedil;&otilde;es de <I>repara&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica    </I>(Houzel, 1991). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><I>Capacidades continentes dos v&iacute;nculos L e H e qualidade da hist&oacute;ria </I></P >    <P   align="justify" >A partir deste momento pretendemos <I>avaliar as repercuss&otilde;es no processo-T.A.T. da qualidade da fun&ccedil;&atilde;o continente em rela&ccedil;&atilde;o aos v&iacute;nculos emocionais amor (L) e &oacute;dio (H) que fazem parte intr&iacute;nseca da liga&ccedil;&atilde;o entre dois sujeitos, ou entre duas partes do mesmo sujeito. </I></P >    <P   align="justify" >Estes dois v&iacute;nculos fundamentais na rela&ccedil;&atilde;o de objecto podem ser potencialmente desorganizadores do psiquismo e da qualidade dos seus processos de pensamento, se excessivos, representando um modelo de falhan&ccedil;o do trabalho de liga&ccedil;&atilde;o, integra&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, da fun&ccedil;&atilde;o continente para o psiquismo. </P >     <P   align="justify" >Quando existe uma satisfat&oacute;ria fun&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica    da personalidade ou capacidades continentes do psiquismo verifica-se uma tend&ecirc;ncia    geral clara dos sujeitos submetidos ao T.A.T. para manifestarem essa capacidade    continente dos v&iacute;nculos emocionais L e H. </P >     <P   align="justify" >Por outro lado, existe uma correla&ccedil;&atilde;o positiva entre a rela&ccedil;&atilde;o continente/conte&uacute;do positiva, a capacidade do sujeito se conhecer a si pr&oacute;prio (K+) e a capacidade continente dos v&iacute;nculos emocionais L e H, o que significa que quanto mais s&oacute;lida for a capacidade continente do psiquismo, mais possibilidade apresentar&aacute; o sujeito para tolerar certos conte&uacute;dos ps&iacute;quicos e de os utilizar no processo-T.A.T. </P >    <P   align="justify" ><I>Contin&ecirc;ncia dos v&iacute;nculos L e H </I></P >    <P   align="justify" >Iremos ilustrar esta tend&ecirc;ncia geral positiva para a contin&ecirc;ncia dos v&iacute;nculos emocionais atrav&eacute;s de excertos de um protocolo-T.A.T., parecendo-nos &uacute;til, para melhor compreens&atilde;o, no protocolo, da presen&ccedil;a das capacidades continentes (acolhimento, toler&acirc;ncia e transforma&ccedil;&atilde;o dos pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es vinculares) no processo-T.A.T., a exposi&ccedil;&atilde;o de algumas informa&ccedil;&otilde;es anamn&eacute;sticas respeitantes ao sujeito em causa. </P >    <P   align="justify" >Assim, Filipe tem 30 anos e &eacute; actor profissional de teatro, actualmente consagrado, fazendo parte do corpo de actores residentes de uma grande companhia de teatro. Nasceu em &Aacute;frica, sendo o d&eacute;cimo segundo de uma fratria de treze irm&atilde;os. Vivia com os pais e mais alguns familiares. Aos doze anos conhece aquele &ldquo;<I>que me salvou da delinqu&ecirc;ncia</I>&rdquo;, e a quem chama carinhosamente &ldquo;<I>pai emprestado</I>&rdquo;. Aos quinze anos sofre uma depress&atilde;o cl&iacute;nica de certa gravidade, com idea&ccedil;&otilde;es suicidas. Aos dezasseis anos faz as malas e vem para o continente sem perspectivas de vida. Passados uns meses conhece, atrav&eacute;s de um amigo, um encenador de uma companhia de teatro que lhe oferece trabalho e um quarto para dormir nas instala&ccedil;&otilde;es da companhia. H&aacute; 14 anos que aquela &ldquo;<I>se tornou a minha fam&iacute;lia</I>&rdquo;. Terminou recentemente uma rela&ccedil;&atilde;o amorosa de alguns anos, isto porque &ldquo;<I>a minha namorada descobriu que eu lhe tinha sido infiel</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 2 </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Ela sente necessidade de... Ela &eacute; uma pessoa que sente necessidade de partilhar o conhecimento. Decidiu mudar alguma coisa na comunidade dela e acredita que tudo passa pela literatura, pela palavra. Todas as manh&atilde;s, ela n&atilde;o se cansa de percorrer v&aacute;rios quil&oacute;me</I><I></I><I>tros para tentar dizer &agrave;s pessoas a import&acirc;ncia dos livros. E porque tamb&eacute;m adora o campo, n&atilde;o &eacute;? Mas ao mesmo tempo h&aacute; uma insatisfa</I><I></I><I>&ccedil;&atilde;o nela. Talvez se queira mudar para a cidade. Ent&atilde;o talvez n&atilde;o. Acredita que &eacute; uma coisa passageira. Aquilo que ela procura na cidade h&aacute;-de passar pela aldeia dela, onde ela acha que est&aacute; tudo mais equilibrado, n&atilde;o &eacute;? E tem uma boa rela&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e. Apesar de n&atilde;o concordar muito que a irm&atilde; tenha engravi</I><I></I><I>dado nova. Um dia ela acredita que vai escre</I><I></I><I>ver um livro sobre a comunidade dela, sobre a aldeia dela. Talvez nunca mais pense em ir para a cidade. Acho que &eacute; tudo... Os olhos dela s&atilde;o muito espertos</I>&rdquo; &ndash; 4&acute;5&acute;&acute;. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Cart&atilde;o 4 </P >    <P   align="justify" >&ndash;	5&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Eles eram muito felizes quando se conheceram. Ela gostava muito dele e ele dela. Partilhavam uma vida em comum. At&eacute; que ele descobriu que aquilo tudo era pl&aacute;stico. Mas n&atilde;o da parte dela, da parte dele. E, confuso, n&atilde;o sabia se lhe contava se n&atilde;o. Porque no fundo acreditava que gostava dela. Ent&atilde;o evitava o contacto com os olhos dela, a protec</I><I></I><I>&ccedil;&atilde;o que ela lhe dava. Uma protec&ccedil;&atilde;o quase carnal. Esta dualidade frustrava-o... fazia-o perder-se com os amigos. Mas ela mesmo assim n&atilde;o desistiu dele. Continuava a procur&aacute;-lo e a proteg&ecirc;-lo e isso magoava-o. Porque ele estava na d&uacute;vida se era o verdadeiro amor que ela sentia por ele ou se era de pl&aacute;stico. Mas a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o para descobrir era volt&aacute;-la a pedir em casamento. Para ter a certeza que os olhos dele e o cora&ccedil;&atilde;o estremecem quando a t&ecirc;m por perto</I>&rdquo; &ndash; 3&acute;35&acute;&acute;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 5 </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Alice, chama-se, ou D. Alice. D. Alice &eacute; a santa m&atilde;e protectora, digamos assim. Gosta de ter pessoas em casa e cuidar de tudo. At&eacute; que um dia ficou embasbacada ao encontrar flores num jarro por cima da mesa, onde ela tinha acabado de recolher as flores antigas. Ela tinha a certeza que n&atilde;o estava ningu&eacute;m em casa. Perguntava-se a si mesma como &eacute; que aquelas flores tinham aparecido no jarro, se ela tinha removido as antigas. Por&eacute;m, esquecera-se que o Jorge, o seu filho mais velho, tinha o mau h&aacute;bito de surpreend&ecirc;-la com pequenos truques, como bonbons ou chocolates debaixo do travesseiro, flores no frigor&iacute;fico, ou ainda pudim flan caseiro &lsquo;feito para a mam&acirc;&rsquo;, como dizia. Quando ela pensou no filho sorriu e compreendeu a relut&acirc;ncia que tem em aceitar presentes ou surpresas</I>&rdquo; &ndash; 4&acute;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 6BM </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Veio despedir-se da m&atilde;e. Talvez porque vai viver para outras regi&otilde;es, ou talvez porque se vai casar. Na verdade ele tem tantas d&uacute;vidas que n&atilde;o sabe porque se vai despedir da m&atilde;e que, muda, pensa: &lsquo;porque &eacute; que tem que ser assim? Porqu&ecirc; criar uma coisa? Investimos tanto e um dia &eacute; como se quebrasse porque se </I><I>vai ausentar de n&oacute;s&rsquo;. Ele tenta convenc&ecirc;-la. Tenta explicar-lhe que a dada altura &eacute; importante, &eacute; preciso, mesmo porque algum dia ter&aacute; de fazer a sua vida. A m&atilde;e recusa-se a compreender e coloca as desvantagens da sua velhice para convencer o filho a ficar. Diz que da&iacute; em diante j&aacute; n&atilde;o iria perguntar a que horas chegou, que j&aacute; n&atilde;o teria ningu&eacute;m para esperar para jantar. Dizia que uma parte dela morria naquele instante. Ele, frio, responde que algum dia temos que morrer e vai-se embora. Curiosamente a m&atilde;e adoece. Talvez venha a morrer. Acaba assim</I>&rdquo; &ndash; 4&acute;10&acute;&acute;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 7BM </P >    <P   align="justify" >&ndash; 10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;&lsquo;<I>Quando for velho quero ser como tu&rsquo;, dizia o velho rapaz... o jovem rapaz. Porque tinha uma certa admira&ccedil;&atilde;o por pessoas mais velhas. Por isso n&atilde;o perdia o momento de estar com elas, de ouvir as suas hist&oacute;rias, pois acreditava que todos aqueles percursos que eles tinham feito, que tudo aquilo que tinham tentado fazer e construir n&atilde;o tinha sido em v&atilde;o, que n&atilde;o tinham acabado. Que ele sim, era o testemunho de toda aquela procura e que por isso seria ele a continuar a estrada que os outros tinham feito. Para tamb&eacute;m ser como eles e construir hist&oacute;rias e partilhar experi&ecirc;ncias at&eacute; encontrar a grande ess&ecirc;ncia ou seja, o amor. Porque queria que todos eles nessa viagem que tinham feito... s&oacute; existia uma lacuna, a aus&ecirc;ncia do mesmo, do amor. Por isso levavam as testas engelhadas, os cachimbos apagados e n&atilde;o lavavam as m&atilde;os antes de cada refei&ccedil;&atilde;o. Ele acreditava que ia ser diferente, apesar de gostar deles, dos velhos</I>&rdquo; &ndash; 3&acute;30&acute;&acute;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 13MF </P >     <P   align="justify" >&ndash; 5&acute;&acute; &ndash; &ldquo;&lsquo;<I>Acabei de cometer um grande    erro&rsquo;, diz </I><I>o Jo&atilde;o. &lsquo;Ela gostava de mim, trocou tudo,    a sua vida, para estar comigo e eu, num acto de estupidez e loucura, encaminhei-a    ao dem&oacute;nio. Matei-a sem raz&atilde;o. N&atilde;o mais quero v&ecirc;-la    como pessoa. N&atilde;o mais voltarei a pronunciar a pala</I><I></I><I>vra    Eu. Fugirei de todos os que se aproxi</I><I></I><I>marem de mim e temerei todos    os que disserem que me amam, todos aqueles que me falarem de amor. Talvez venha    a ser poeta. Talvez redija num s&oacute; verso todas as mem&oacute;rias daquele    que foi o meu amor. Talvez acredite que outra vida </I><I>venha a brotar do    sonho do meu querer. Ela era inocente. Eu &eacute; que sou culpado em n&atilde;o    compreender a dualidade do amor. N&atilde;o fugirei. Ficarei aqui &agrave; espera    das consequ&ecirc;n</I><I></I><I>cias por ter profanado a minha fidelidade    no amor. Vou-me suicidar&rsquo; (gesto)</I>&rdquo; &ndash; 3&acute;40&acute;&acute;.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Estas hist&oacute;rias revelam-se, como o conjunto do protocolo de Filipe, satisfatoriamente dominadas, integradas e coerentes, a flexibilidade do seu registo defensivo permitindo-lhe a evoca&ccedil;&atilde;o dos conflitos muito perto das solicita&ccedil;&otilde;es latentes dos cart&otilde;es, sem que o sujeito nunca se sinta invadido. </P >    <P   align="justify" >A rela&ccedil;&atilde;o triangular reactiva-lhe o manejo da l&iacute;bido e da agressividade, num registo a princ&iacute;pio muito sublimado e seguidamente mais pulsional (cart&atilde;o 2). </P >    <P   align="justify" >As rela&ccedil;&otilde;es no seio do casal (cart&atilde;o 4) s&atilde;o erotizadas mas tumultuosas, marcadas pelo medo da n&atilde;o correspond&ecirc;ncia, a duplicidade e a possibilidade da desilus&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >A rela&ccedil;&atilde;o com a imagem materna &eacute; extremamente ambivalente: quer edipiana e idealizada (cart&atilde;o5), quer desidealizada para se poder libertar (cart&atilde;o 6BM). </P >    <P   align="justify" >Se o acesso &agrave; ambival&ecirc;ncia &eacute; poss&iacute;vel, j&aacute; o reconhecimento da perda de objecto &eacute; mais problem&aacute;tica, apesar de a integrar numa hist&oacute;ria l&aacute;bil, muito bem elaborada (cart&atilde;o 6BM). </P >    <P   align="justify" >Na rela&ccedil;&atilde;o com a imagem paterna (cart&atilde;o 7BM) a ambival&ecirc;ncia mant&eacute;m-se intensa, apesar do primeiro movimento ser de excessiva idealiza&ccedil;&atilde;o positiva. A dificuldade em assumir os investimentos agressivos parece contribuir para travar a possibilidade, no sujeito, de realizar um movimento identificat&oacute;rio sem o custo de uma excessiva culpabilidade. </P >    <P   align="justify" >&Eacute; esta culpabilidade e ambival&ecirc;ncia extrema que se manifesta clara e intensamente na rela&ccedil;&atilde;o amorosa e sexual (cart&atilde;o 13MF), dificilmente contida, com a vertente narc&iacute;sica destrutiva consequente &agrave; agressividade a aparecer (&ldquo;<I>vou-me suicidar</I>&rdquo;). </P >    <P   align="justify" >Contudo, a mobiliza&ccedil;&atilde;o de defesas relativamente flex&iacute;veis correspondendo a uma contin&ecirc;ncia activa, permite a Filipe elaborar com efic&aacute;cia as problem&aacute;ticas com as quais &eacute; confrontado, parecendo at&eacute; que lhe provocam uma efervesc&ecirc;ncia dram&aacute;tica criativa. O seu funcionamento defensivo, essencialmente l&aacute;bil, permite a criatividade. Apesar da intensidade da excita&ccedil;&atilde;o, que traduz claramente a mobiliza&ccedil;&atilde;o de todo o arsenal defensivo, a qual &eacute; reveladora da fragilidade do envelope e do trabalho de protec&ccedil;&atilde;o, parece-nos que esta fragilidade, n&atilde;o colmatada por um sistema defensivo r&iacute;gido, permite o trabalho do pensamento no dom&iacute;nio da criatividade. </P >    <P   align="justify" >Neste contexto, e tendo tamb&eacute;m em conta as suas hist&oacute;rias aos cart&otilde;es 3BM (&ldquo;<I>perdeu as pessoas de quem mais gostava</I>&rdquo;), 7BM (&ldquo;<I>s&oacute; existia uma lacuna, a aus&ecirc;ncia de amor</I>&rdquo; e 13B (&ldquo;<I>mas o que ele verdadeiramente espera &eacute; que passe algu&eacute;m que lhe d&ecirc; alguma coisa para comer (...) o puto nunca janta</I>&rdquo;), solicitando a perda e/ou o abandono do objecto, o protocolo do Filipe parece-nos exemplar de um tipo de processo criador que D. Anzieu (1992) designou &ldquo;<I>cria&ccedil;&otilde;es-consolida&ccedil;&otilde;es</I>&rdquo;, no qual o criador faz das poucas estimula&ccedil;&otilde;es recebidas pela figura maternal, em crian&ccedil;a, a mat&eacute;ria &uacute;nica de uma obra cujo objectivo &eacute; faz&ecirc;-las durar eternamente; no caso do Filipe, a actividade criadora pode ser concebida como uma tentativa para escapar &agrave; depress&atilde;o e/ou &agrave; ang&uacute;stia de aniquilamento que ele sente activa dentro de si pr&oacute;prio. </P >    <P   align="justify" ><I>Conten&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos L e H </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A presen&ccedil;a pesada e cont&iacute;nua da <I>defesa pela conten&ccedil;&atilde;o </I>assinala a fragilidade da fun&ccedil;&atilde;o continente para o psiquismo, com repercuss&otilde;es negativas no processo-T.A.T. ou seja, ao n&iacute;vel dos processos de pensamento de qualidade conducentes &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma hist&oacute;ria de qualidade. </P >    <P   align="justify" >Uma ilustra&ccedil;&atilde;o clara desta falha continente atrav&eacute;s da defesa pela conten&ccedil;&atilde;o &eacute;-nos dada pelo protocolo de Guilherme, tamb&eacute;m ele actor, completamente dominado pelos procedimentos CI e CF, assinalando a inibi&ccedil;&atilde;o (conten&ccedil;&atilde;o) e pela aus&ecirc;ncia de procedimentos A1,B1, isto &eacute;, procedimentos concorrendo para a encena&ccedil;&atilde;o dos conflitos, assim como para a express&atilde;o dos v&iacute;nculos L e H: </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 2 </P >    <P   align="justify" >&ndash;	5&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Desenho do antigo regime. Rapaz atl&eacute;</I><I></I><I>tico, a cultura, o f&iacute;sico. Rapariga bem vestida. Educa&ccedil;&atilde;o</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 4 </P >    <P   align="justify" >&ndash;	5&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>(risos) O gajo est&aacute; numa casa de meninas porque h&aacute; uma l&aacute; atr&aacute;s</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 5 </P >    <P   align="justify" >&ndash; 10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Ouviu um barulho durante a noite e foi ver o que se passava</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 6BM </P >    <P   align="justify" >&ndash;	5&rdquo; &ndash; &ldquo;<I>Um gajo novo e a mulher do Castelo Branco. N&atilde;o...t&ocirc; a brincar. Algu&eacute;m que foi dar uma not&iacute;cia desagrad&aacute;vel e est&aacute; com receio de dar a not&iacute;cia, pois ele veio l&aacute; de fora... n&atilde;o tem roupa de quem estava em casa</I>&rdquo;. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Cart&atilde;o 7BM </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Um conselho do mais velho</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 13MF </P >    <P   align="justify" >&ndash;	5&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>Matou-a... ou acabou de morrer, porque est&aacute; tapadinha e tem um bra&ccedil;o pendurado. E ele est&aacute; com pena</I>&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >Outro exemplo ilustrativo da <I>defesa cont&iacute;nua pela conten&ccedil;&atilde;o    </I>&eacute; o protocolo de Ana, em que &eacute; flagrante o esfor&ccedil;o    cont&iacute;nuo que faz para manter o controlo da agressividade na rela&ccedil;&atilde;o    de objecto, pela utiliza&ccedil;&atilde;o massiva de procedimentos r&iacute;gidos,    claramente obsessivos. </P >     <P   align="justify" >Ilustramos com a hist&oacute;ria ao Cart&atilde;o 6BM: </P >     <P   align="justify" >&ndash;	5&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>A mesma &eacute;poca. Reprodu&ccedil;&otilde;es ou desenhos continuam a ser da mesma &eacute;poca. Aqui vejo nitidamente que &eacute; uma pessoa de idade, a mulher, n&atilde;o propriamente uma pessoa velhinha. Era normal para uma pessoa daquela &eacute;poca que se vestisse assim. Depois h&aacute; um rapaz ou um homem, ele &eacute; um homem mas h&aacute; uma grande diferen&ccedil;a de idades. N&atilde;o sei se ele &eacute; filho ou neto, ele olha para tr&aacute;s para o seu mundo. O seu mundo n&atilde;o tem nada a ver com o mundo do homem. Ele parece aborrecido, contrariado e o que eu acho &eacute; que h&aacute; aqui uma grande incompreens&atilde;o de parte a parte... Digo de parte a parte por ele ser bastante mais novo e poder n&atilde;o se aperceber das raz&otilde;es da pessoa mais velha, mas o que &eacute; facto &eacute; que a pessoa mais velha tamb&eacute;m n&atilde;o se apercebe das raz&otilde;es </I><I>dele, seja l&aacute; o que est&aacute; em causa. Tenta ser respeitoso, est&aacute; com o seu chapelinho na m&atilde;o, tem uma atitude de respeito mas ela est&aacute; mesmo de costas voltadas... Pronto, aparece uma janela mas ningu&eacute;m est&aacute; a olhar &agrave; janela. Para mim &eacute; um conflito de gera&ccedil;&otilde;es. Ele est&aacute; inseguro, est&aacute; angustiado, digamos na linguagem que se usa agora &lsquo;raios partam n&atilde;o sei o que fazer &agrave; velha&rsquo;, n&atilde;o sei se deva p&ocirc;r isso. E ela ao mesmo tempo &lsquo;como &eacute; que &eacute; poss&iacute;vel?! como &eacute; que &eacute; poss&iacute;vel?!&rsquo;. Ali&aacute;s ela at&eacute; tem um lencinho na m&atilde;o e ele o chap&eacute;u, ela faz a ceninha do choro. Naquela altura era costume usar o lencinho, servia para tudo. N&atilde;o tenho d&uacute;vidas que era uma pessoa velha, no outro ainda tinha porque parecia o peito de uma pes</I><I></I><I>soa jovem. Aqui n&atilde;o ponho nunca a ideia que seja um marido. N&atilde;o &eacute; um marido</I>&rdquo; &ndash; 10&acute;15&acute;&acute;. </P >    <P   align="justify" ><I>Incontin&ecirc;ncia dos v&iacute;nculos L e H </I></P >     <P   align="justify" >Mas tamb&eacute;m &eacute; frequente encontrar na cl&iacute;nica momentos revelando    a aus&ecirc;ncia da ac&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o continente,    momentos de uma total <I>incontin&ecirc;ncia </I>de um dos v&iacute;nculos emocionais,    impedindo qualquer processo mental criativo.</P >     <P   align="justify" >Ilustramos estas situa&ccedil;&otilde;es de incontin&ecirc;ncia com duas hist&oacute;rias    de dois protocolos-T.A.T.: </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Bernardo &ndash; Cart&atilde;o 10 </P >    <P   align="justify" >&ndash;	5&acute;&acute; &ndash;&ldquo;<I>Isto s&atilde;o pequenos ramos velhos todo torcidos, ramos mortos, poemas de Verharem que falam dos velhinhos, duas &aacute;rvores secas</I>&rdquo; &ndash; 35&acute;&acute;. </P >    <P   align="justify" >Manuel &ndash; Cart&atilde;o 10 </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash;&ldquo;<I>Nada. Volta a p&aacute;gina. Estou a ver um grande nariz no meio da p&aacute;gina (ri) assim como uma m&atilde;o (sorri)</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Os sujeitos parecem recusar a express&atilde;o libidinal no seio do casal, sugerida pelo conte&uacute;do latente da imagem. </P >    <P   align="justify" >Em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro, ficamos com a ideia de que a express&atilde;o libidinal, apesar de heterossexual, &eacute; proibida. Este cart&atilde;o evoca o carinho e ele fala de &rdquo;<I>ramos velhos todos torcidos, ramos mortos</I>&rdquo;. Trata-se, de facto, de uma percep&ccedil;&atilde;o libidinal muito m&oacute;rbida, mort&iacute;fera. </P >    <P   align="justify" >No segundo caso trata-se de um aut&ecirc;ntico esc&aacute;rnio, um ataque mort&iacute;fero em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; express&atilde;o libidinal. </P >    <P   align="justify" >Em ambos os casos, a incontin&ecirc;ncia da agressividade destruidora, do &oacute;dio, impede qualquer din&acirc;mica criativa. </P >    <P   align="justify" >No entanto, o que se observa normalmente em sujeitos dotados de uma satisfat&oacute;ria fun&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica da personalidade, facilitadora do processo-T.A.T. &eacute; revelarem a capacidade continente em rela&ccedil;&atilde;o aos v&iacute;nculos emocionais, apesar de se observarem pontualmente momentos de incontin&ecirc;ncia ou de conten&ccedil;&atilde;o nos processos ps&iacute;quicos, n&atilde;o afectando significativamente, todavia, os processos de simboliza&ccedil;&atilde;o e criatividade. </P >    <P   align="justify" >Iremos ilustrar esta din&acirc;mica, atrav&eacute;s de dois excertos de protocolos-T.A.T. de dois sujeitos: </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Hor&aacute;cio &ndash; Cart&atilde;o 6BM </P >    <P   align="justify" >&ndash;&ldquo;<I>Posso pedir-lhe uma coisa? Quem &eacute; que inventou estes testes e decidiu que as pessoas est&atilde;o bem ou mal a partir das respostas?... (digress&otilde;es durante as quais, aparentemente, n&atilde;o olha para a imagem) </I>1&acute;30&acute;&acute; <I>&ndash; Duas ou tr&ecirc;s explica&ccedil;&otilde;es: a primeira, a m&atilde;e ter-lhe-ia dito: &lsquo;ent&atilde;o tu vais casar com aquela desaver</I><I></I><I>gonhada!&rsquo; Bem... o que me est&aacute; a chatear &eacute; o chap&eacute;u, porque se fosse mesmo filho dela, n&atilde;o estou a ver porque &eacute; que teria o chap&eacute;u. A m&atilde;e e o filho logo depois do falecimento do pai, o falecimento ou o despedimento. A terceira, o filho vem anunciar &agrave; m&atilde;e que se ia embora definitivamente, que isso vai desgostar os dois, mas que &eacute; uma decis&atilde;o irrevog&aacute;vel</I>&rdquo; &ndash; 3&acute;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 7BM </P >    <P   align="justify" >&ndash;&ldquo;<I>(Digress&atilde;o muito longa sobre o futebol) &ndash; </I>30&acute;&acute; </P >    <P   align="justify" ><I>&ndash;</I><I> Digamos que h&aacute; um velho e um jovem. O velho acaba de demonstrar uma evid&ecirc;ncia ao outro, com ar de quem diz: &lsquo;Est&aacute;s a topar que estou seguro&rsquo;. O outro olha...</I>&rdquo; <I>(digress&atilde;o imediata sobre a Am&eacute;rica)</I>. </P >    <P   align="justify" >Estas hist&oacute;rias mostram &agrave; evid&ecirc;ncia tratar-se de um sujeito com uma problem&aacute;tica paterna e materna n&atilde;o integrada e n&atilde;o resolvida. </P >    <P   align="justify" >No cart&atilde;o 6BM, o cart&atilde;o da confronta&ccedil;&atilde;o materna, come&ccedil;a por p&ocirc;r-lhe o problema da sua pr&oacute;pria sa&uacute;de mental. A longa digress&atilde;o sobre os testes e os psic&oacute;logos, num modo agressivo e portanto defensivo, vai permitir-lhe elaborar tr&ecirc;s hist&oacute;rias. </P >    <P   align="justify" >A primeira &eacute; altamente conflitual e ele &eacute; obrigado a elimin&aacute;-la porque o filho n&atilde;o suporta a agressividade da m&atilde;e, minimiza o seu discurso e anula a filia&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<I>se fosse mesmo filho dela</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >O segundo tema &eacute; o falecimento do pai. Este tema j&aacute; &eacute; mais banal e o sujeito &eacute; bastante mais restritivo e controlado, na medida em que nenhum afecto &eacute; expresso. </P >    <P   align="justify" >E, por fim, um terceiro tema socializado, com defesas flex&iacute;veis, variadas e n&atilde;o aparentes, revelando a ac&ccedil;&atilde;o de uma fun&ccedil;&atilde;o continente do psiquismo e do v&iacute;nculo H. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Mas ele demorou imenso tempo para chegar aqui. A elabora&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a pela ang&uacute;stia; uma ang&uacute;stia muito &iacute;ntima sobre a sua sa&uacute;de mental, e termina com uma boa hist&oacute;ria, mas s&oacute; depois de numerosas tentativas e falhan&ccedil;os. Como se ele soubesse que produzir, criar uma hist&oacute;ria, significa resolver a sua ang&uacute;stia. </P >    <P   align="justify" >No cart&atilde;o 7BM a problem&aacute;tica paterna apresenta-se semelhante &agrave; problem&aacute;tica materna que acab&aacute;mos de explicitar, mas aqui ele n&atilde;o consegue uma sa&iacute;da positiva atrav&eacute;s de uma boa hist&oacute;ria. </P >    <P   align="justify" >Vejamos tamb&eacute;m o caso de Ant&oacute;nio &ndash; Cart&atilde;o 5: </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>&Eacute; muito 1900. Um bocado miserabi</I><I></I><I>lista. Um pouco casa de porteira... A mulher abre a porta e grita para o marido que deve estar numa cozinha qualquer: &lsquo;J&aacute; s&atilde;o mais que horas para os mi&uacute;dos se deitarem!&rsquo;. H&aacute; uma coisa que me choca desde o in&iacute;cio: n&atilde;o h&aacute; nenhuma agrad&aacute;vel. O que me choca tamb&eacute;m, &eacute; esta mulher, neste interior, n&atilde;o me interesso mesmo nada em rela&ccedil;&atilde;o a ela, e lamento-a um pouco por viver num mundo que n&atilde;o me agrada. Fica-se com a impress&atilde;o de que tudo o que ela me pudesse dizer n&atilde;o teria para mim qualquer interesse</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 6BM </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>&Eacute; o mensageiro sombrio que vem anunciar uma m&aacute; not&iacute;cia a esta pobre mulher. Talvez a morte de um pr&oacute;ximo. N&atilde;o sei. Mas devido &agrave; sua idade, ela j&aacute; passou por tanta coisa que adquiriu uma esp&eacute;cie de fleuma. Ela olha para um... imagino um jardim, pela janela </I><I>e consola-se pensando em Deus, na natureza, misturando tudo um pouco</I>&rdquo;. </P >    <P   align="justify" >Cart&atilde;o 7BM </P >    <P   align="justify" >&ndash;	10&acute;&acute; &ndash; &ldquo;<I>O pai aconselha o filho. O filho que j&aacute; &eacute; mais que adulto. N&atilde;o sei o que poderei dizer al&eacute;m disto... &lsquo;Eu tamb&eacute;m passei por isso!&rsquo;. Por onde &eacute; que eu n&atilde;o sei, ele est&aacute; a destilar</I><I>-</I><I>lhe a filosofia daqueles que viveram mais do que os outros. Tem um bigode que faz lembrar... n&atilde;o sei quem, &eacute; simp&aacute;tico. Estou a falar do velho... menos do filho</I>&rdquo;. </P >     <P   align="justify" >A hist&oacute;ria ao cart&atilde;o 5 &eacute; impressionante. Existe o tema banal,    mas Ant&oacute;nio projecta uma viol&ecirc;ncia muito intensa, como se existisse    um &oacute;dio e um desprezo entre ele e a figura materna: &ldquo;<I>tudo o    que ela me pudesse dizer n&atilde;o teria para mim qualquer interesse</I>&rdquo;.    Encontramo-nos plenamente no registo da rejei&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e,    isto &eacute;, no registo da incontin&ecirc;ncia do v&iacute;nculo H em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; imagem materna. Esta m&atilde;e &eacute; miser&aacute;vel e triste,    desinteressante, e se &eacute; lamentada no plano consciente &eacute; odiada    no plano inconsciente. </P >     <P   align="justify" >A hist&oacute;ria ao cart&atilde;o 6BM mostra-nos novamente, apesar de muito mais integrado (presen&ccedil;a da fun&ccedil;&atilde;o continente dos v&iacute;nculos emocionais), o lamento consciente e o &oacute;dio inconsciente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; figura materna: &ldquo;<I>adquiriu o h&aacute;bito do desgosto</I>&rdquo; e &ldquo;<I>ela mistura tudo um pouco</I>&rdquo;. No entanto, e devido a uma maior capacidade continente do v&iacute;nculo H, consideramos uma hist&oacute;ria conseguida. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >No cart&atilde;o 7BM revela-se a projec&ccedil;&atilde;o da mesma agressividade dificilmente contida em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; figura paterna. Apesar de ser &ldquo;<I>simp&aacute;tico</I>&rdquo;, o seu discurso &eacute; chato e sup&eacute;rfluo. </P >    <P   align="center" >REFER&Ecirc;NCIAS </P >    <P   align="justify" >Anzieu, D. (1992). <I>Becket et la psychanalyse</I>. Paris: Edit. Mentha. </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1962a/1991). Uma teoria do pensar. <I>Melanie </I></P >     <P   align="justify" ><I>Klein hoje </I>(vol. 1, pp. 185- 193). Rio de Janeiro: Imago Edit. </P >     <P   align="justify" >Bion, W. (1962b/1979). <I>Aux sources de l&rsquo;exp&eacute;rience</I>. Paris: Presses Universitaires de France. </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1963). <I>The elements of psycho-analysis</I>. London: Heineman. </P >    <P   align="justify" >Bion, W. (1970). <I>Attention and interpretation</I>. London: Tavistock Publication. </P >    <P   align="justify" >Freud, S. (1910b/1984). <I>Cinc le&ccedil;ons sur la psychanalyse</I>. Paris: Presses Universitaires de France. </P >    <P   align="justify" >Freud, S. (1927a/1981). El Humor. <I>Sigmund Freud, obras completas </I>(Tomo III, 2997-3003). Madrid: Biblioteca Nueva. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Houzel, D. (1991). Identification introjective, r&eacute;paration, formation du symbole. <I>Journal de la Psychanalyse de l&rsquo;Enfant</I>, <I>10</I>, 47-72. </P >    <P   align="justify" >Klein, M. (1930/1996). A import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos no desenvolvimento do ego. <I>Melanie Klein &ndash; Amor, culpa e repara&ccedil;&atilde;o </I>(pp. 251-264). Rio de Janeiro: Imago Edit. </P >    <P   align="justify" >Klein, M. (1935/1996). Uma contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; psicog&eacute;nese dos estados man&iacute;aco-depressivos. <I>Melanie Klein &ndash; Amor, culpa e repara&ccedil;&atilde;o </I>(pp. 304-329). Rio de Janeiro: Imago Edit. </P >    <P   align="justify" >Marques, M. E. (1996). Comunica&ccedil;&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o e simboliza&ccedil;&atilde;o no/para o Rorschach&rdquo;. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica</I>, <I>14</I>(1), 45-52. </P >    <P   align="justify" >Meltzer, D., &amp; Harris, M. (1973/1980). Les deux mod&egrave;les de fonctionnement psychique selon M. Klein et selon W. R. Bion. <I>Revue Fran&ccedil;aise de Psychanalyse</I>, <I>44</I>(2), 355-367. </P >    <P   align="justify" >Murray, H. (1938). <I>Exploration on personality</I>. Oxford, NY: University Press. </P >    <P   align="justify" ><I>ulletin de Psychologie</I>, <I>24</I>(12-15), <I>292</I>, 897-903. </P >    <P   align="justify" >Shentoub, V. (1972). Introduction th&eacute;orique &agrave; la m&eacute;thode du T.A.T. <I>Bulletin de Psychologie</I>, <I>26</I>(10-11), <I>305</I>, 582-602. </P >    <P   align="justify" >Shentoub, V. (1973). A propos du normal et du pathologique dans le T.A.T. <I>Psychologie Fran&ccedil;aise</I>, <I>18</I>(4), 251-259. </P >    <P   align="justify" >Shentoub, V., &amp; Debray, R. (1970/1971). Fondements th&eacute;oriques du processus T.A.T. <I>B </I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Shentoub, V., et al. (1990). <I>Manuel d&rsquo;utilisation du T.A.T.: Approche psychanalytique</I>. Paris: Dunod. </P >     <P   align="center" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" >(<a href="#top1">*</a><a name="1"></a>) Excerto retirado da Disserta&ccedil;&atilde;o    de Doutoramento em Psicologia Aplicada (Psicologia Cl&iacute;nica) pela U.N.L/I.S.P.A.,    intitulada <I>A din&acirc;mica criativa atrav&eacute;s do Thematic Apperception    Test &ndash; Sublima&ccedil;&atilde;o, repara&ccedil;&atilde;o e fun&ccedil;&atilde;o    continente no processo criativo</I>, 2006 (pp. 250-254, 294-297). </P >     <P   align="justify" >(<a href="#top2">**</a><a name="2"></a>) Psicanalista (S.P.P. e I.P.A.), Professor    Auxiliar do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comunicação, interpretação e simbolização no/para o Rorschach]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
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<page-range>45-52</page-range></nlm-citation>
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