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<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crianças institucionalizadas e crianças em meio familiar de vida: Representações de vinculação e problemas de comportamento associado]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this study an attempt was made to analyse the attachment and the behaviour of institutionalized children and familiar environment. Construction of narratives, values of security and coherence were studied using the Attachment Story Completion Task (ASCT) (Bretherton, Ridgeway, & Cassidy, 1990) and behaviour was analyzed using Child Behaviour Checklist (CBCL) (Achenbach, 1991) on a sample of 35 pre-scholar and early school age children. The results show the existence of negative and significant correlations between the ASCT and the CBCL for the Scales of Aggressive Behaviour and Isolation and also a negative but non significant correlation for the Hyperactivity Scale.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comportamento]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Institucionalização]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Representação de Vinculação]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Behaviour]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Institutionalization]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Representation of Attachment]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"   ><b>Crian&ccedil;as institucionalizadas e crian&ccedil;as em meio familiar de    vida: Representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o e problemas de    comportamento associado </b>     <P align="right"    >Joana Pinhel <a name="top1"></a><a href="#1">(*)</a></P >     <P align="right"    >Nuno Torres<a name="top2"></a><a href="#2">(**)</a>  </P >     <P align="right"    >Joana Maia <a name="top3"></a><a href="#3">(***)</a></P >     <P align="center"    >RESUMO </P >     <P    >Esta investiga&ccedil;&atilde;o comparativa incide sobre a representa&ccedil;&atilde;o    de vincula&ccedil;&atilde;o e problemas de comportamento em crian&ccedil;as    institucionalizadas. Foram avaliadas 35 crian&ccedil;as portuguesas em idade    pr&eacute;-escolar e escolar, em dois grupos: 19 crian&ccedil;as institucionalizadas    e 16 crian&ccedil;as vivendo com as suas fam&iacute;lias de origem. Recorreu-se    ao <I>Attachment Story Completion Task </I>(ASCT), avaliando-se, pela constru&ccedil;&atilde;o    das narrativas, os valores de Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia das representa&ccedil;&otilde;es    de vincula&ccedil;&atilde;o. Para a avalia&ccedil;&atilde;o dos problemas de    comportamento recorreu-se ao instrumento I.C.C.P (Fonseca et al., 1994), que    corresponde &agrave; vers&atilde;o portuguesa do &ldquo;<I>Child Behavior Checklist&rdquo;</I>,    CBCL, de Achenbach (1991). Os resultados indicam que existem correla&ccedil;&otilde;es    negativas entre a qualidade das representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o    e problemas de comportamento agressivo e de isolamento. Conclui-se que o meio    de vida da crian&ccedil;a foi determinante no tipo de vincula&ccedil;&atilde;o    demonstrada e indirectamente no comportamento de agressividade e isolamento    manifestado. </P >     <P    ><I>Palavras chave: </I>Comportamento, Institucionaliza&ccedil;&atilde;o, Representa&ccedil;&atilde;o    de Vincula&ccedil;&atilde;o. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >ABSTRACT </P >     <P    >In this study an attempt was made to analyse the attachment and the behaviour    of institutionalized children and familiar environment. Construction of narratives,    values of security and coherence were studied using the <I>Attachment Story    Completion Task </I>(ASCT) (Bretherton, Ridgeway, &amp; Cassidy, 1990) and behaviour    was analyzed using <I>Child Behaviour Checklist (CBCL) </I>(Achenbach, 1991)    on a sample of 35 pre-scholar and early school age children. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >The results show the existence of negative and significant correlations between the ASCT and the CBCL for the Scales of Aggressive Behaviour and Isolation and also a negative but non significant correlation for the Hyperactivity Scale. </P >     <P    ><I>Key words: </I>Behaviour, Institutionalization, Representation of Attachment.  </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    >&nbsp;</P >      <P align="center"    >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P    >Segundo John Bowlby a sa&uacute;de mental encontra os seus alicerces na qualidade dos cuidados parentais recebidos nos primeiros anos de vida constituindo-se estes como fundamentais no delinear das traject&oacute;rias desenvolvimentais futuras (Bowlby, 1981, 1984, 1998). Este autor referiu, tamb&eacute;m, a coer&ecirc;ncia que existe entre os modos de educar e de orientar as crian&ccedil;as e o seu desenvolvimento saud&aacute;vel ou desfavor&aacute;vel. </P >     <P    >Bowlby (1981, 1984, 1998) definiu vincula&ccedil;&atilde;o como um sistema inato    de comportamentos de aproxima&ccedil;&atilde;o do beb&eacute; &agrave;s figuras    cuidadoras, no sentido de adquirir a protec&ccedil;&atilde;o de que necessita.    Resultante de uma propens&atilde;o biol&oacute;gica inata para o desenvolvimento    de la&ccedil;os afectivos, de acordo com Bowlby (1981, 1984, 1998), a vincula&ccedil;&atilde;o    dever&aacute; ser simultaneamente entendida em duas dimens&otilde;es interligadas:    sistema comportamental e comportamentos espec&iacute;ficos. No primeiro caso    falamos de um imprinting biol&oacute;gico que permite a conserva&ccedil;&atilde;o    da esp&eacute;cie, tendo como fun&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica espec&iacute;fica    garantir a protec&ccedil;&atilde;o face a situa&ccedil;&otilde;es de perigo    e ou de adversidade. Complementar do sistema de explora&ccedil;&atilde;o, cuja    activa&ccedil;&atilde;o tende a ocorrer em situa&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a,    o sistema de vincula&ccedil;&atilde;o &eacute; activado em situa&ccedil;&otilde;es    de perigo, efectivo e/ou potencial, integrando diferentes comportamentos espec&iacute;ficos    de procura, sinaliza&ccedil;&atilde;o de perigo e aproxima&ccedil;&atilde;o    a figuras protectoras. Este sistema torna-se cada vez mais complexo e funcional    ao longo do tempo, em virtude da interac&ccedil;&atilde;o com o meio e do pr&oacute;prio    desenvolvimento do sujeito. Assim, se inicialmente o beb&eacute; tem condutas    de aproxima&ccedil;&atilde;o para com a generalidade das pessoas com quem contacta,    a partir dos 6/7 meses a crian&ccedil;a discriminar&aacute; claramente uma figura    de vincula&ccedil;&atilde;o principal, bem como outras figuras secund&aacute;rias,    das quais se tentar&aacute; manter pr&oacute;xima por meio da locomo&ccedil;&atilde;o    e de sinais espec&iacute;ficos. </P >     <P    >Assim, &agrave; medida que o beb&eacute; se vai desenvolvendo &eacute; cada vez superior a procura de proximidade a figuras preferenciais, estabelecendo-se assim aquilo que se pode denominar de rela&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o. O objectivo do sistema comportamental de vincula&ccedil;&atilde;o ao longo do desenvolvimento ser&aacute; conduzir a crian&ccedil;a para situa&ccedil;&otilde;es potencialmente seguras, construindo a pr&oacute;pria crian&ccedil;a seguran&ccedil;a interna, &agrave; medida que o desenvolvimento cognitivo e emocional vai diminuindo a necessidade da proximidade f&iacute;sica (Bowlby, 1984, 1998; Sroufe &amp; Waters, 1977). </P >     <P align="center"    >O FEN&Oacute;MENO DE &ldquo;BASE SEGURA&rdquo; </P >     <P    >O beb&eacute; ao apreender as figuras de apoio como protectoras e dispon&iacute;veis    ir&aacute; sentir-se confiante e seguro na explora&ccedil;&atilde;o do ambiente    que o rodeia (Bowlby 1998). Dessa forma, a figura de vincula&ccedil;&atilde;o    funcionar&aacute; como <I>base segura </I>ao permitir o decr&eacute;scimo do    medo ou ansiedade na crian&ccedil;a, e ao proporcionar a seguran&ccedil;a necess&aacute;ria    para a explora&ccedil;&atilde;o, ocorrendo uma regula&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua    entre o beb&eacute; e a figura de vincula&ccedil;&atilde;o que lhe permitir&aacute;    o desenvolvimento de representa&ccedil;&otilde;es mentais que ir&atilde;o moldar    o seu padr&atilde;o relacional futuro (Vaughn, Coppola, Ver&iacute;ssimo, Monteiro,    Santos, Posada, Carbonell, Plata, Waters, Bost, McBride, Shin, &amp; Korth,    2007), influenciando a organiza&ccedil;&atilde;o dos afectos, das cogni&ccedil;&otilde;es    e dos comportamentos (Bowlby, 1998; Sroufe, 2005). Dessa forma, a crian&ccedil;a    ir&aacute; arquitectando uma personalidade est&aacute;vel, na certeza de poder    contar com a presen&ccedil;a e apoio das figuras de refer&ecirc;ncia sempre    que necess&aacute;rio (Bowlby, 1984, 1998; Cummings, 1990). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    >MODELOS INTERNOS DE VINCULA&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P    >Para explicar a rela&ccedil;&atilde;o entre vincula&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e sa&uacute;de mental, Bowlby (1981, 1984, 1988) concebeu a exist&ecirc;ncia de Modelos Internos Din&acirc;micos (MID), com componentes afectivos e cognitivos, habitualmente n&atilde;o conscientes, que formam representa&ccedil;&otilde;es mentais generalizadas e tendencialmente est&aacute;veis sobre o <I>self</I>, os outros e o mundo. Constru&iacute;dos activamente pelo indiv&iacute;duo no contexto de interac&ccedil;&otilde;es repetidas com as figuras cuidadoras e pela integra&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias relacionais posteriores, actuam como guias para a interpreta&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos interpessoais, condicionando expectativas e comportamentos e guiando futuras interac&ccedil;&otilde;es (Bowlby, 1998; Cummings, 1990; Silva, Fernandes, Ver&iacute;ssimo, Shin, Vaughn, &amp; Bost, 2008; Speltz, 1990)<I>. </I></P >     <P    >Desta forma, os padr&otilde;es precoces de regula&ccedil;&atilde;o emocional    evoluem no sentido de diferentes estrat&eacute;gias para lidar com situa&ccedil;&otilde;es    adversas e emocionalmente exigentes, traduzindo-se a sua influ&ecirc;ncia na    forma&ccedil;&atilde;o do auto-conceito do sujeito, nas estrat&eacute;gias de    coping que utiliza para lidar com a ansiedade, nas distor&ccedil;&otilde;es    cognitivas na percep&ccedil;&atilde;o de acontecimentos interpessoais que faz    e nos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o do afecto que usa, podendo actuar    como factores de vulnerabilidade ou de protec&ccedil;&atilde;o. Percebemos assim    porque muitos sujeitos tendem, quando adultos, e muitas vezes de forma n&atilde;o    consciente, a reproduzir com os seus filhos os modelos de interac&ccedil;&atilde;o    que marcaram a sua pr&oacute;pria inf&acirc;ncia, tendendo a verificar-se nas    hist&oacute;rias familiares uma repeti&ccedil;&atilde;o transgeracional dos    padr&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o (Bowlby, 1984; Bretherton, Ridgeway,    &amp; Cassidy, 1990; Speltz, 1990). </P >     <P    >Ao estabelecimento de uma vincula&ccedil;&atilde;o segura, por parte da crian&ccedil;a, liga-se um modelo representacional das figuras de vincula&ccedil;&atilde;o como estando dispon&iacute;veis para a interac&ccedil;&atilde;o e suscept&iacute;veis de proporcionar ajuda e bem-estar. Assim, crian&ccedil;as que tenham viv&ecirc;ncias de s&oacute;lidas rela&ccedil;&otilde;es familiares, que tenham crescido num bom lar, ao lado de uns pais afectivos e carinhosos, previs&iacute;-veis, constituindo-se como figuras acess&iacute;veis, dos quais sempre pode esperar apoio, conforto e protec&ccedil;&atilde;o ter&atilde;o maiores probabilidades de activar respostas que permitam a adapta&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&otilde;es adversas, por compara&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as com hist&oacute;rias de vida familiares controversas, que cresceram na certeza de pais indispon&iacute;veis, ou abusivos (Bowlby, 1981, 1984). </P >     <P align="center"    >O BRINCAR, A LINGUAGEM,    E MODELOS INTERNOS DIN&Acirc;MICOS:    AN&Aacute;LISE DE NARRATIVAS </P >     <P    >Desenvolvimentos recentes da Psicologia Cognitiva permitiram que a investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da Vincula&ccedil;&atilde;o, progredisse do n&iacute;vel dos comportamentos directamente observ&aacute;veis para o n&iacute;vel n&atilde;o-directamente observ&aacute;vel das representa&ccedil;&otilde;es mentais (Waters, Rodrigues, &amp; Ridgeway, 1998), com o estudo das narrativas a ser apontado como uma forma v&aacute;lida de inferir a qualidade dos modelos internos din&acirc;micos, n&atilde;o apenas em adolescentes e adultos mas tamb&eacute;m em crian&ccedil;as de idade escolar e pr&eacute;-escolar (Emde, Wolf, &amp; Oppenheim<I>, </I>2003). </P >     <P    >As narrativas p&otilde;em em evid&ecirc;ncia representa&ccedil;&otilde;es mentais    da experi&ecirc;ncia, assim como o papel do <I>self </I>e dos outros nessa experi&ecirc;ncia,    envolvendo a constru&ccedil;&atilde;o de significados emocionais. </P >     <P    >Por outro lado, Bretherton, Ridgeway, e Cassidy (1990) referem que a forma como as crian&ccedil;as brincam reflecte a interioriza&ccedil;&atilde;o dos seus modelos internos operantes, pelo que a observa&ccedil;&atilde;o do brincar, da linguagem que acompanha a brincadeira e dos processos mobilizados pela fantasia infantil, se poder&atilde;o constituir como um m&eacute;todo de excel&ecirc;ncia para aceder a esses modelos durante a inf&acirc;ncia. Com efeito, a investiga&ccedil;&atilde;o tem vindo a mostrar que crian&ccedil;as com uma vincula&ccedil;&atilde;o segura tendem a criar narrativas coerentes, que reflectem interac&ccedil;&otilde;es familiares positivas, por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as com hist&oacute;rias desenvolvimentais marcadas por rupturas, abandonos, ou neglig&ecirc;ncia. A t&iacute;tulo de exemplo referimos um estudo desenvolvido em Portugal por Marques (2006) que mostrou que as narrativas produzidas por crian&ccedil;as maltratadas, por compara&ccedil;&atilde;o com as que n&atilde;o foram v&iacute;timas dessa situa&ccedil;&atilde;o, continham hist&oacute;rias mais pobres, com representa&ccedil;&otilde;es desvalorizadas e/ou desorganizadas das figuras parentais e de si pr&oacute;prias. </P >     <P align="center"    >VINCULA&Ccedil;&Atilde;O, DESENVOLVIMENTO E PSICOPATOLOGIA </P >     <p>Nos &uacute;ltimos anos a investiga&ccedil;&atilde;o sobre vincula&ccedil;&atilde;o    tem-se alargado cada vez mais a popula&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as    em risco, o que tem contribu&iacute;do para modelos mais abrangentes da psicopatologia    do desenvolvimento, bem como para uma maior compreens&atilde;o do papel que    a vincula&ccedil;&atilde;o joga na forma&ccedil;&atilde;o de sintomas (Harter,    2006; Kobak, Cassidy, Lyons-Ruth, &amp; Ziv, 2006). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >A vincula&ccedil;&atilde;o insegura surge com maior frequ&ecirc;ncia em amostras de alto risco (Weinfield, Sroufe, &amp; Egeland, 2000) nas quais &eacute; poss&iacute;vel identificar um tipo de funcionamento problem&aacute;tico associado a outras &aacute;reas do desenvol-vimento s&oacute;cio-emocional da crian&ccedil;a, tal como a rela&ccedil;&atilde;o com os pares (elevados conflitos ou depend&ecirc;ncia, puni&ccedil;&atilde;o, vitimiza&ccedil;&atilde;o, hostilidade), ou mesmo em termos de constru&ccedil;&atilde;o do <I>Self </I>(altera&ccedil;&otilde;es de humor, comportamentos agres-sivos, sintomatologia ansiosa e depressiva e isolamento) (Sroufe, 2005). Crian&ccedil;as com vincula&ccedil;&atilde;o segura, por seu lado, tendem a apresentar melhores compet&ecirc;ncias pessoais (elevada auto-estima, resili&ecirc;ncia do ego, compet&ecirc;ncia cognitiva), superiores compet&ecirc;ncias com os pares (sentimentos mais elevados de reciprocidade, empatia, resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos) e mais facilidade na media&ccedil;&atilde;o com adultos (obedi&ecirc;ncia &agrave;s regras e autonomia, percep&ccedil;&otilde;es e expectativas favor&aacute;veis que os adultos nutrem por estas crian&ccedil;as) (Soares, 2002; Sroufe, 2005). </P >     <P align="center"    >SEPARA&Ccedil;&Atilde;O E RUPTURA DE VINCULA&Ccedil;&Atilde;O </P >     <P    >Do que foi exposto at&eacute; ao momento, sabemos j&aacute; que a organiza&ccedil;&atilde;o    dos padr&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o depende do feedback din&acirc;mico    que se estabelece entre as principais figuras cuidadoras e a crian&ccedil;a,    atrav&eacute;s da rotina e da redund&acirc;ncia das interac&ccedil;&otilde;es    entre ambas e da forma como estes adultos conseguem, ou n&atilde;o, funcionar    quer como base segura, da qual a crian&ccedil;a pode partir para explorar o    meio, quer como porto de abrigo, ao qual pode voltar sempre que as suas incurs&otilde;es    se tornarem assustadoras. Desta forma, o desenvolvimento dos padr&otilde;es    de vincula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poder&aacute; ser percebido fora do contexto    da continuidade dos cuidados e da previsibilidade da sensitividade e responsividade    das figuras de vincula&ccedil;&atilde;o. Na formula&ccedil;&atilde;o original    da Teoria da Vincula&ccedil;&atilde;o, Bowlby partiu da evid&ecirc;ncia de que    separa&ccedil;&otilde;es prolongadas da figura materna levavam as crian&ccedil;as    a vivenciarem sentimentos de abandono e rejei&ccedil;&atilde;o (Bowlby, 1981,    1984), que se reflectiam em perturba&ccedil;&otilde;es de comportamento e dificuldades    de relacionamento, sublinhando a frequ&ecirc;ncia com que a raiva surge ap&oacute;s    situa&ccedil;&otilde;es de separa&ccedil;&atilde;o e perda, podendo intensificar-se    de forma disfuncional. No entanto, se as separa&ccedil;&otilde;es se prolongavam    no tempo as crian&ccedil;as tendiam a apresentar-se emocionalmente retra&iacute;das    e isoladas, n&atilde;o conseguindo estabelecer rela&ccedil;&otilde;es afectivas    saud&aacute;veis com outras crian&ccedil;as e adultos, mostrando-se indiferentes,    lentificadas, infelizes e incapazes de reac&ccedil;&atilde;o (Bowlby, 1981,    1984). Neste contexto, percebemos que crian&ccedil;as precocemente institucionalizadas,    com uma traject&oacute;ria quase sempre marcada pela interrup&ccedil;&atilde;o    de cuidados e pela altern&acirc;ncia, muitas vezes ca&oacute;tica, de figuras    de refer&ecirc;ncia consti-tuem um grupo de risco para o desenvolvimento de    padr&otilde;es inseguros de vincula&ccedil;&atilde;o, padr&otilde;es estes que    quase sempre est&atilde;o na base dos problemas de comportamento, tanto de n&iacute;vel    internalizante como externalizante, frequentemente exibidos por esta popula&ccedil;&atilde;o.  </P >     <P align="center"    >ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL E   VINCULA&Ccedil;&Atilde;O</P >     <p>   V&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es indicam que as crian&ccedil;as acolhidas    que foram v&iacute;timas de maltrato apresentam tend&ecirc;ncia depressiva por    compara&ccedil;&atilde;o com as crian&ccedil;as em meio natural de vida e que    n&atilde;o foram v&iacute;timas de maltrato (Marques, 2006). Estas crian&ccedil;as    apresentam elevados n&iacute;veis de desestrutura&ccedil;&atilde;o e manifestam    um n&iacute;vel de desenvolvimento que fica aqu&eacute;m do encontrado em amostras    normativas. Tendem a manifestar condutas agressivas, pelo que a viol&ecirc;ncia    &eacute; adoptada como um dos principais meios de comunica&ccedil;&atilde;o    e a delinqu&ecirc;ncia um caminho muitas vezes por elas seguido (Biscaia &amp;    Negr&atilde;o, 1999; Taylor, 2004). </P >     <P    >Zeanah, Smyke, Koga, e Carlson (2005) ap&oacute;s desenvolverem estudos com crian&ccedil;as    romenas institucionalizadas concluem que existe, nesse tipo de popula&ccedil;&atilde;o,    uma perturba&ccedil;&atilde;o reactiva da vincula&ccedil;&atilde;o como efeito    do acolhimento institucional, prevalecendo padr&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o    disfuncionais com as figuras cuidadoras. De facto, uma das manifesta&ccedil;&otilde;es    t&iacute;picas dessas crian&ccedil;as &eacute; o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es    de amizade n&atilde;o discriminadas entre adultos pr&oacute;ximos e outros que    n&atilde;o s&atilde;o de refer&ecirc;ncia (Chisholm, C&aacute;rter, Ames, &amp;    Morison, 1995). Nesse sentido, os autores referem a dificuldade vivenciada por    essas crian&ccedil;as em desenvolver uma vincula&ccedil;&atilde;o seguracom    um cuidador de refer&ecirc;ncia. </P >     <P    >Bowlby (1981, 1984) sugeriu que as repercuss&otilde;es induzidas pela separa&ccedil;&atilde;o e a decorrente institucionaliza&ccedil;&atilde;o poder&atilde;o ser diminu&iacute;das pela presta&ccedil;&atilde;o de cuidados maternais muito pr&oacute;ximos daqueles que a crian&ccedil;a deveria receber da sua figura materna. No entanto este autor considerou que os cuidados necess&aacute;rios ao saud&aacute;vel desenvolvimento da crian&ccedil;a ao estarem, numa institui&ccedil;&atilde;o, ramificados por v&aacute;rias cuidadores, podem impedir a constru&ccedil;&atilde;o de uma interac&ccedil;&atilde;o privilegiada, rica e emp&aacute;tica crian&ccedil;a-adulto. Na eventualidade de n&atilde;o existir um adulto de refer&ecirc;ncia e familiarizado com aquela crian&ccedil;a em particular, eventuais necessidades passar&atilde;o despercebidas. S&atilde;o de salientar tr&ecirc;s conceitos chave que dever&atilde;o ser postos em pr&aacute;tica pelos cuidadores: continuidade, disponibilidade e sensibilidade da resposta. </P >    <P    >Quando as crian&ccedil;as s&atilde;o acolhidas, a fase de rejei&ccedil;&atilde;o do adulto estranho n&atilde;o persiste para sempre. A crian&ccedil;a acaba por procurar novas rela&ccedil;&otilde;es, desde que essa figura seja est&aacute;vel e consiga desempenhar a fun&ccedil;&atilde;o de cuidador carinhoso e contentor que a crian&ccedil;a necessita (Bowlby, 1984). Por&eacute;m, a crian&ccedil;a nem sempre consegue ser resiliente o suficiente para se afastar do passado, permanecendo a&iacute; mergulhada, exercendo uma grande resist&ecirc;ncia &agrave; nova situa&ccedil;&atilde;o (Bowlby, 1981). </P >     <P align="center"    >OBJECTIVOS DO ESTUDO </P >     <P    >Considerando o que foi exposto, o primeiro objectivo deste trabalho &eacute; avaliar se as representa&ccedil;&otilde;es dos modelos internos de vincula&ccedil;&atilde;o em crian&ccedil;as institucionalizadas s&atilde;o diferentes de crian&ccedil;as em meio familiar de vida com um n&iacute;vel socioecon&oacute;mico equivalente. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Por outro lado, pretende-se verificar at&eacute; que ponto crian&ccedil;as institucionalizadas manifestam mais comportamentos agressivo, de isolamento e hiperactividade. </P >    <P    >Pretende-se tamb&eacute;m avaliar a rela&ccedil;&atilde;o entre os modelos internos de vincula&ccedil;&atilde;o e o tipo de comportamento associado. </P >     <P align="center"    >M&Eacute;TODO </P >     <P    ><I>Participantes </I></P >    <P    >Os participantes neste estudo foram 35 crian&ccedil;as portuguesas com idades compreendidas entre os 48 e os 96 meses de idade (<I>M</I>=69.03, <I>DP</I>=12.5). Foram constitu&iacute;dos dois grupos: Grupo das Crian&ccedil;as em Meio Familiar de Vida, n&atilde;o institucionalizadas (G.N.I.), constitu&iacute;do por 16 crian&ccedil;as integradas em meio familiar; Grupo das Crian&ccedil;as Institucionalizadas (G.I.), composto por 19 crian&ccedil;as integradas em meio institucional, acolhidas em Centros de Acolhimento Tempor&aacute;rio ou Lares de Crian&ccedil;as e Jovens. Todas as crian&ccedil;as neste estudo pertenciam, maioritariamente, a um estatuto s&oacute;cio-econ&oacute;mico baixo (a maioria das m&atilde;es em ambos os grupos tinham habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias ao n&iacute;vel do ensino b&aacute;sico). </P >    <P    >As crian&ccedil;as que comp&otilde;em o grupo em meio familiar de vida e que frequentaram o Equipamento de Inf&acirc;ncia, durante o ano lectivo em que decorreu o estudo, residiam no Distrito de Lisboa (<I>N</I>=12). As crian&ccedil;as pertencentes ao mesmo grupo, mas que se encontraram a frequentar o 1.&ordm; ano do Ensino B&aacute;sico (<I>N</I>=4) apenas uma residia no referido Distrito, sendo que as restantes eram oriundas do Distrito de Viseu. Em rela&ccedil;&atilde;o ao grupo de crian&ccedil;as institucionalizadas (<I>N</I>=19) a &aacute;rea de resid&ecirc;ncia pertencia ao Distrito de Lisboa. </P >    <P    >No grupo das crian&ccedil;as em meio familiar de vida (grupo n&atilde;oinstitucionalizado [G.N.I.]) existiam mais sujeitos do g&eacute;nero feminino (68,75%), enquanto que no grupo de crian&ccedil;as institucionalizadas (G.I.) foi superior o n&uacute;mero de sujeitos do g&eacute;nero masculino (57,9%). </P >    <P    ><I>Instrumentos </I></P >     <P    ><I>Attachment Story Completion Task </I>(Bretherton, Ridgeway, &amp; Cassidy,    1990). Tarefa de Comple-tamento de Hist&oacute;rias de Vincula&ccedil;&atilde;o.    Adapta&ccedil;&atilde;o Portuguesa pela UIPCDE-ISPA (Maia, Ferreira, Ver&iacute;ssimo,    Santos, &amp; Shin, 2008; Silva, Fernandes, Ver&iacute;ssimo, Shin, Vaughn,    &amp; Bost, 2008). </P >     <P    >Criado por Bretherton, Ridgeway, e Cassidy em 1990, o Attachment Story Completion Task (ASCT) visa identificar diferen&ccedil;as individuais no modo como as crian&ccedil;as tendem a encenar uma variedade de situa&ccedil;&otilde;es relacionadas com a vincula&ccedil;&atilde;o (Bretherton &amp; Oppenheim, 2003). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Este instrumento compreende cinco hist&oacute;rias que, iniciadas pelo entrevistador,    ser&atilde;o continuadas e terminadas pela crian&ccedil;a, recorrendo a uma    fam&iacute;lia de bonecos mold&aacute;veis e a outros adere&ccedil;os. Ao longo    de cada uma das hist&oacute;rias a crian&ccedil;a &eacute; confrontada com um    problema central que tem que resolver, suscept&iacute;vel de activar representa&ccedil;&otilde;es    associadas &agrave; vincula&ccedil;&atilde;o. </P >     <P    >Assim, as quest&otilde;es levantadas por cada uma das hist&oacute;rias s&atilde;o: </P >    <P    >1)<I>Hist&oacute;ria </I>do <I>sumo entornado</I>: a figura de vincula&ccedil;&atilde;o num papel de autoridade em resposta a um percal&ccedil;o acidental da crian&ccedil;a; </P >    <P    >2)<I>Hist&oacute;ria do joelho magoado: </I>a dor como desencadeador de comportamentos de vincula&ccedil;&atilde;o e protec&ccedil;&atilde;o; </P >    <P    >3)<I>Hist&oacute;ria do monstro no quarto</I>: o medo como desencadeador de comportamentos de vincula&ccedil;&atilde;o e protec&ccedil;&atilde;o; </P >    <P    >4)<I>Hist&oacute;ria da partida</I>: a ansiedade de separa&ccedil;&atilde;o e o <I>coping</I>; </P >    <P    >5)<I>Hist&oacute;ria do reencontro: </I>as reac&ccedil;&otilde;es ao regresso dos pais (Bretherton, Ridgeway, &amp; Cassidy, 1990). </P >     <P    >As narrativas produzidas pelas crian&ccedil;as podem ser consideradas como seguras    e coerentes quando conseguem encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o adequada para    o problema, exprimindo-se com facilidade e coer&ecirc;ncia. Por outro lado,    as respostas que reflectem inseguran&ccedil;a s&atilde;o as que se caracterizam    pelo evitamento da quest&atilde;o central ou desadequa&ccedil;&atilde;o da solu&ccedil;&atilde;o.    A desorganiza&ccedil;&atilde;o do comportamento est&aacute; presente sempre    que os bonecos s&atilde;o manuseados desajustadamente, sendo, por exemplo, atirados    para o ch&atilde;o, quando surgem cen&aacute;rios catastr&oacute;ficos e respostas    desadequadas. </P >     <P    >Em rela&ccedil;&atilde;o aos par&acirc;metros de an&aacute;lise e cota&ccedil;&atilde;o das narrativas produzidas pelas crian&ccedil;as em cada uma das 5 hist&oacute;rias do ASCT, foram analisados dois crit&eacute;rios: <I>Seguran&ccedil;a </I>e <I>Coer&ecirc;ncia </I>das narrativas (Maia, Ferreira, &amp; Ver&iacute;ssimo, 2008). O crit&eacute;rio da seguran&ccedil;a, foi analisado com base numa escala com uma cota&ccedil;&atilde;o de 1 a 8, correspondendo a 1 &ndash; desorganizado e 8 &ndash; muito seguro. A cota&ccedil;&atilde;o compreendeu ainda a coer&ecirc;ncia das narrativas, a sua resolu&ccedil;&atilde;o, as representa&ccedil;&otilde;es parentais, o comportamento n&atilde;o verbal, a flu&ecirc;ncia, o investimento na tarefa, a expressividade, o conhecimento emocional e, por &uacute;ltimo, a interac&ccedil;&atilde;o estabelecida com o entrevistador (Bretherton, Oppenheim, Buchsbaum, Emde, &amp; the MacArthur Narrative Group, 1990; Heller, 2000). A cota&ccedil;&atilde;o das narrativas foi realizada por investigadores treinados para o efeito, independentes da recolha de dados, e o acordo entre avaliadores atingido foi muito satisfat&oacute;rio (<I>K </I>total <I>seguran&ccedil;a</I>=0.8 e <I>K </I>total <I>coer&ecirc;ncia</I>=0.8). </P >    <P    ><I>Wechsler Preschool and Primary Scale of Intelligence Revised </I>(WPPSI; Wechsler, 1989). A WPPSI &eacute; uma escala de intelig&ecirc;ncia composta por diversos subprovas (onze provas, das quais seis s&atilde;o verbais e cinco de realiza&ccedil;&atilde;o) que permitem aceder &agrave;s aptid&otilde;es mentais. Como a aplica&ccedil;&atilde;o da WPPSI surgiu no sentido de determinar a influ&ecirc;ncia das capacidades cognitivas verbais na constru&ccedil;&atilde;o das narrativas apenas foi pertinente recorrer &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o das cinco provas verbais. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><I>Child Behavior Checklist </I>(Achenbach, 1991. Adapta&ccedil;&atilde;o portuguesa: Invent&aacute;rio de Comportamentos da Crian&ccedil;a para Pais, I.C.C.P; Fonseca et al., <I>1994</I>). De forma a avaliar os problemas de comportamento nos dois grupos em estudo recorreu-se ao Invent&aacute;rio de Comportamentos da Crian&ccedil;a para Pais (I.C.C.P), que corresponde &agrave; vers&atilde;o portuguesa do &ldquo;<I>Child Behavior Checklist&rdquo;</I>, CBCL, de Achenbach (1991). O invent&aacute;rio pretende avaliar e descrever as compet&ecirc;ncias sociais e os problemas de comportamento de crian&ccedil;as e adolescentes dos 4 aos 18 anos. Apenas se recorreu &agrave; segunda parte do Invent&aacute;rio, constitu&iacute;do por oito escalas de comportamento, das quais foram seleccionadas as consideradas pertinentes para o estudo da seguran&ccedil;a das representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o: </P >     <p>- Escala de Comportamento Agressivo; </p>     <p>- Escala de Comportamento de Isolamento; </p>     <P>- Escala de Comportamento de Hiperactividade.</P>       <p>Os question&aacute;rios foram preenchidos pelos pais no caso das crian&ccedil;as em meio familiar de vida e pelo monitor de refer&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as institucionalizadas. </P >     <P align="center"    >RESULTADOS </P >     <P    >Apresentaremos em primeiro lugar tr&ecirc;s exemplos de excertos de narrativas ASCT produzidas pelas crian&ccedil;as deste estudo, e em seguida os resultados da an&aacute;lise estat&iacute;stica. </P >    <P    >As narrativas que de seguida ser&atilde;o apresentadas d&atilde;o conta de algumas diferen&ccedil;as paradigm&aacute;ticas entre ambos os grupos em estudo. A hist&oacute;ria seleccionada para ilustrar essas diferen&ccedil;as foi a do <I>Joelho Magoado</I>. </P >    <P    ><I>Exemplo 1: Crian&ccedil;a em meio familiar, 68 meses de idade, a frequentar Equipamento Infantil </I></P >    <P    >O primeiro excerto de narrativa constitui um exemplo de uma hist&oacute;ria cotada como coerente e segura. N&atilde;o foi transcrita na totalidade dada a sua extens&atilde;o. Tamb&eacute;m o comportamento n&atilde;o verbal n&atilde;o foi aqui referido, embora tenha sido considerado, em cada hist&oacute;ria, um elemento de cota&ccedil;&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >Entrevistador: <I>O que aconteceu ap&oacute;s a Cristina ter ca&iacute;do da rocha e se ter magoado no joelho? &ldquo;... Querida, n&atilde;o devias ter feito isso. O pai pegou na Cristina ao colo at&eacute; ao m&eacute;dico (...) a m&atilde;e e o pai &eacute; que levaram. A m&atilde;e e o pai levaram os dois juntos a Cristina ao colo. Ela precisava de fazer uma radiografia </I>(sil&ecirc;ncio). <I>Partiu o osso do joelho </I>(sil&ecirc;ncio)<I>. Tiveram de p&ocirc;r uma meia el&aacute;stica e &agrave; noite tirar. E uma ligadura. Ela s&oacute; precisou 4 dias para ficar boa. </I>Sil&ecirc;ncio<I>. Depois passaram os 4 dias e j&aacute; conseguia andar. Depois a Ana quis subir a rocha, como era a mais velha n&atilde;o caiu. Depois tinha medo de descer. Ficou em cima da rocha, sentada. Depois chamou a m&atilde;e e o pai. Eles disseram para ela saltar. A m&atilde;e afinal disse que n&atilde;o porque estava muito preocupada com a Ana. Como a Ana tinha o cora&ccedil;&atilde;o a bater muito n&atilde;o saltou. Depois saltou, mas ia caindo. Ela saltou e o pai e a irm&atilde; seguraram-na </I>(agarrando ambos os bonecos na Ana, ao colo). <I>Levantou a m&atilde;e e disse que j&aacute; n&atilde;o estava preocupada, enquanto a aproximava da Ana. Depois o pai e a m&atilde;e ajudaram-nas a subir porque era muito alta </I>(colocando todos os bonecos, em conjunto, em cima da rocha). <I>Subiram todos para a rocha e fizeram um piquenique l&aacute; em cima. Depois foram para casa dormir. Como estavam cheios de sono adormeceram em cima da mesa&rdquo;. </I></P >    <P   >Surge nesta narrativa uma representa&ccedil;&atilde;o de cuidadores dispon&iacute;veis, carinhosos, securizantes, emp&aacute;ticos, que se movimentam num ambiente familiar harmonioso. Este cen&aacute;rio que a crian&ccedil;a exp&otilde;e traduz os seus modelos internos, remetendo para a consistente interac&ccedil;&atilde;o estabelecida com a figura de vincula&ccedil;&atilde;o precoce. </P >    <P   ><I>Exemplo 2: Crian&ccedil;a Institucionalizada, 85 meses de idade </I></P >    <P   >Esta narrativa foi considerada como pr&oacute;xima da cota&ccedil;&atilde;o muito incoerente e insegura. A crian&ccedil;a inicialmente n&atilde;o atribuiu nenhuma resolu&ccedil;&atilde;o quando esperada, evitando o problema apresentado. </P >     <P   >Entrevistador: <I>O que aconteceu ap&oacute;s a Tatiana ter ca&iacute;do    da rocha e se ter magoado no joelho?   ... Voltava a tentar subir e tinha conseguido. E depois caiu.    </I></P >     <P   >Entrevistador: <I>Mas ela estava magoada no joelho. O que &eacute;    que fizeram em rela&ccedil;&atilde;o a isso?Ah, j&aacute; sei!    Foram limpar a ferida. Para a casade banho. Foram outra vez para    a rocha esubiu, subiu e caiu </I>(a Tatiana) <I>bateu com acabe&ccedil;a    e ficou com um galo. Agora &eacute; o pai</I>(aproxima o pai da Tatiana).    (O pai) <I>P&ocirc;s gelo nacabe&ccedil;a </I>(da Tatiana). (diz    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Tatiana)<I>Estava triste porque estava sempre    a cair. ATatiana subiu, mas n&atilde;o conseguiu subir mais edepois    desceu e ficou com o p&eacute; preso. </I></P >     <P   >Tatiana: <I>M&atilde;e! Pai! </I>(voz de desespero).M&atilde;e: <I>N&atilde;o    voltes a subir </I>(tom de repreens&atilde;o).Pai: <I>Mas e agora? A Tatiana    est&aacute; l&aacute; presa </I>(voz de preocupa&ccedil;&atilde;o) (coloca a    cabe&ccedil;a da Tatiana presa entre os degraus). <I>O pai tenta subir mas n&atilde;o    a consegue salvar </I>(entretanto a crian&ccedil;a tira a Tatiana da rocha).  </P >     <P   >Tatiana: <I>Vou fugir de casa! </I>(... e mais tarde ap&oacute;s a terem encontrado) </P >    <P   >M&atilde;e: <I>Tatiana porque fugiste?</I>Tatiana: <I>N&atilde;o gosto do pai nem da m&atilde;e, nem dairm&atilde;.</I></P >     <P   >Pais: <I>Mas ent&atilde;o como vamos fazer?</I>E a Tatiana lembrou-se    do tio (...).Tatiana: <I>Vou para casa do tiiiiooooo... e vou levar    a minha pedra m&aacute;gica e a relva.</I>(...) <I>Os pais lembraram-se    de perguntar ao tio sea Tatiana estava a dormir bem. Mas a Tatianan&atilde;o    estava no tio, tinha mentido e tinha ido parafora de Portugal    </I>(para a Holanda) (...). <I>Estava noestrangeiro. Os pais estavam    preocupados, n&atilde;ohavia sinal. Mas Holanda era muito perto.    Ela</I>(em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Tatiana) <I>arrastou a relva,    e sabesonde estava? Na ilha da Madeira, com a tia.</I>Pais:    <I>Volta Tatiana sen&atilde;o puxamos a relva </I>(epuxa pela relva, para o    centro da mesa). Tatiana:</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><I>Porque &eacute; que me trazem? Eu estava melhorcom a minha tia. </I>Pais: <I>Gostamos de ti equeremos que mores c&aacute;. </I>A narrativa terminou,mas sem o final ser claro.</P >     <P   >Nesta narrativa, a narra&ccedil;&atilde;o &eacute; desviada negativamente do    seu curso inicial e, a crian&ccedil;a, perante a incapacidade destes pais em    a protegerem e a conterem, opta por fugir de casa. Perante a possibilidade de    regressar para os pais manifestou desagrado, confidencializando que: &ldquo;<I>estava    melhor com a minha tia</I>&rdquo;. </P >     <P   ><I>Exemplo 3: Crian&ccedil;a Institucionalizada, 94 meses de idade </I></P >     <P   >A narrativa que se segue foi cotada como <I>extremamente </I>incoerente e severamente insegura. </P >    <P   >Entrevistador: <I>O que aconteceu ap&oacute;s o Paulo ter ca&iacute;do da rocha e se ter magoado no joelho? </I>Comenta: <I>&ldquo;Jardim malcheiroso...&rdquo; </I>Pega na m&atilde;e, aproxima-a do joelho magoado. Dobra-a dizendo: <I>Baixa-te velhota. </I></P >     <P   >A m&atilde;e diz: <I>Isto n&atilde;o tem nada, filho. S&oacute; ca&iacute;ste    da rocha abaixo. Tenta outra vez. </I>O Paulo sobe a rocha, at&eacute; ao topo,    dizendo: <I>Eh, consegui </I>(esbo&ccedil;a um sorriso). <I>Agora vinha um trov&atilde;o:    Oh, pumba </I>(atira o Paulo pelo ar, dando uma cambalhota e acabando deitado    no ch&atilde;o). Paulo: <I>Cai de cabe&ccedil;a, acho que parti a cabe&ccedil;a.    </I>Simula um choro enquanto levanta o Paulo do ch&atilde;o, e o esbarra, de    seguida, no irm&atilde;o Alexandre. <I>Toma! </I>(diz, num tom agressivo, movimentando    os bonecos, com uma express&atilde;o s&eacute;ria. Levanta o Alexandre, aproxima-o    do Paulo): <I>Est&aacute;s-me a bater? Toma! </I>Aproxima o pai dos dois filhos    dizendo: <I>O que &eacute; que se passa aqui, meninos? Est&atilde;o &aacute;    luta porqu&ecirc;? Por causa daquela rocha podre? </I>Aproxima o pai do Paulo    dizendo: <I>Anda c&aacute;, deixa ver essa cabe&ccedil;a malcheirosa. Toma!    </I>(diz enquanto o pai d&aacute; um pontap&eacute; na cabe&ccedil;a do Paulo). <I>N&atilde;o tens nada filho. Isto n&atilde;o d&oacute;i, olha. Olha s&oacute; para este </I>(o pai bate no Alexandre). <I>V&ecirc;s? N&atilde;o aleija, tamb&eacute;m n&atilde;o chora </I>(sorri). <I>E &eacute; mais novo que tu. </I>O Paulo diz para o Alexandre: <I>Vou tentar outra vez, est&aacute;s a ouvir? </I>Sobe muito a custo at&eacute; ao cimo da rocha. Crian&ccedil;a: <I>Agora vinha o irm&atilde;o. </I>Quando chega ao topo, o Paulo diz para Alexandre: <I>sai daqui cabe&ccedil;a de milho sen&atilde;o levas uma cabe&ccedil;ada que cais l&aacute; para baixo. </I>Crian&ccedil;a: <I>Agora ca&iacute;ram os dois, s&atilde;o mesmo tot&oacute;s. </I>O irm&atilde;o mais velho diz: <I>N&atilde;o consegues, n&atilde;o consegues! Dei um mortal pelo ar! </I>O Alexandre tamb&eacute;m d&aacute; um salto da rocha at&eacute; ao ch&atilde;o, caindo em cima da cabe&ccedil;a do irm&atilde;o. <I>Ai a minha cabe&ccedil;a! </I>A crian&ccedil;a faz os dois bonecos voar pelo ar: <I>Pumba! Pumba! Partiram a cabe&ccedil;a </I>(diz ao fazer os dois bonecos ca&iacute;rem no ch&atilde;o). Os filhos, deitados no ch&atilde;o levantam-se perguntando ao pai que entretanto se aproxima: <I>E agora? </I>Pai diz enquanto bate nos filhos: <I>Pumba! </I>Pega na m&atilde;e e o pai tamb&eacute;m lhe bate, dizendo: <I>Toma mulher, o homem &eacute; que &eacute; o mais forte. </I>O Alexandre levanta-se e bate no pai, derrubando-o e dizendo: <I>Maldito, cabe&ccedil;a de milho. </I>O pai e o filho mais velho lutam, at&eacute; o filho ficar deitado no ch&atilde;o (mant&eacute;m uma express&atilde;o muito s&eacute;ria e extremamente envolvido na sua hist&oacute;ria). </P >     <P   >Entrevistador: <I>O que &eacute; que aconteceu?</I></P >     <P>A crian&ccedil;a ignora a pergunta do entrevistador,permanecendo a olhar para    os bonecos e para ocen&aacute;rio, dando continuidade &agrave; sua narra&ccedil;&atilde;oimersa    numa agressividade desestruturada.</P >     <P    >De facto, neste excerto de narra&ccedil;&atilde;o emergem afectos inapropriados e agress&otilde;es gratuitas, que acentuam as not&oacute;rias falhas de comunica&ccedil;&atilde;o familiar, e que remetem para representa&ccedil;&otilde;es que sugerem pais emocionalmente ausentes, pouco sens&iacute;veis &agrave;s necessidades dos filhos e fisicamente abusadores. Surgem dificuldades no estabelecimento de limites, na diferencia&ccedil;&atilde;o de gera&ccedil;&otilde;es e interioriza&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is. No que concerne &agrave; interac&ccedil;&atilde;o com o entrevistador a crian&ccedil;a foi manifestando um comportamento de retirada, perdendo-se na sua pr&oacute;pria narrativa. </P >     <P align="center"    >AN&Aacute;LISE QUANTITATIVA DOS RESULTADOS </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Analisando os resultados de forma estat&iacute;stica, com base nos valores m&eacute;dios    e desvio-padr&atilde;o obtidos, e tendo sido utilizados os testes n&atilde;o-param&eacute;trico    de diferen&ccedil;as de m&eacute;dias <I>U </I>de Mann-Whitney, pode concluir-se    atrav&eacute;s da Tabela 1 que as diferen&ccedil;as encontradas, relativamente    &agrave; Seguran&ccedil;a e Coer&ecirc;ncia da Vincula&ccedil;&atilde;o<Sup><a name="top4"></a><a href="#4">1</a>    </Sup>para ambos os grupos, foram significativas (<I>U</I>=-4,1; <I>p</I>&lt;.001).    Assim, constata-se que o grupo de crian&ccedil;as n&atilde;o institucionalizadas    obteve um valor m&eacute;dio de seguran&ccedil;a e coer&ecirc;ncia das representa&ccedil;&otilde;es    de vincula&ccedil;&atilde;o superior (5,43), por compara&ccedil;&atilde;o com    as crian&ccedil;as institucionalizadas (4,08). </P >     <P    >&nbsp;</P >     <p align="center"><a name="topt1"></a><a href="#t1">TABELA 1</a></p>     <p align="center"><i>Média e desvios-padrão, valor de z para diferença de médias    e probabilidade para as variáveis em estudo nos dois grupos</i></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a06t1.jpg"></p>      
<P    >&nbsp;</P >     <P    >O grupo de crian&ccedil;as em meio familiar de vida obteve resultados m&eacute;dios    superiores (16,2) tamb&eacute;m na WPPSI, componente verbal, pelo que o desempenho    cognitivo verbal foi superior ao das crian&ccedil;as institucionalizadas (11,6).    Os resultados comprovam que a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as entre os    dois grupos &eacute; significativa (<I>U</I>=-2,22; <I>p</I>&lt;0,05). </P >     <P    >Em rela&ccedil;&atilde;o aos problemas de comportamento, o grupo de crian&ccedil;as    institucionalizadas foi o que obteve valores mais elevados no Invent&aacute;rio    de Comportamentos da Crian&ccedil;a para Pais (I.C.C.P), na Escala de Comportamento    Agressivo (,18), pelo que essas crian&ccedil;as revelam uma conduta agressiva    superior. Os resultados indicam que as diferen&ccedil;as encontradas para os    dois grupos s&atilde;o no entanto marginalmente significativas (<I>U</I>=-2,04;    <I>p</I>=,08). Tamb&eacute;m os valores m&eacute;dios do I.C.C.P, na Escala    de Isolamento, foram superiores no grupo das crian&ccedil;as institucionalizadas    (,44), manifestando mais tend&ecirc;ncias de isolamento do que o grupo de crian&ccedil;as    em meio familiar de vida (,38). Contudo, analisando a tabela, pode constatar-se    que as diferen&ccedil;as encontradas n&atilde;o s&atilde;o significativas (<I>z</I>=0,56;    <I>p</I>=,58). No I.C.C.P, Escala de Hiperactividade, os valores mais elevados    pertencem ao grupo de crian&ccedil;as n&atilde;o institucionalizadas (,56),    pelo que a manifesta&ccedil;&atilde;o desse comportamento nessas crian&ccedil;as    &eacute; superior. Contudo, as diferen&ccedil;as encontradas n&atilde;o s&atilde;o    significativas (<I>z</I>=0,59; <I>p</I>=,49) como &eacute; poss&iacute;vel verificar    pela leitura da <a name="t1"></a><a href="#topt1">Tabela 1</a>. </P>     <P   >De seguida procede-se &agrave; an&aacute;lise das correla&ccedil;&otilde;es entre    as vari&aacute;veis em estudo (Tabela 2). </P >     <P   >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    >TABELA 2 </P>     <P align="center"    ><i>Correla&ccedil;&otilde;es entre os valores do seguran&ccedil;a/coer&ecirc;ncia    no Attachment Story Completion Task e as tr&ecirc;s escalas do I.C.C.P.</i></P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a06t2.jpg"></p>     
<P align="center"    >&nbsp;</P >     <P    >Os resultados encontrados indicam a confirma&ccedil;&atilde;o de uma correla&ccedil;&atilde;o    negativa significativa (<I>r</I><Sub>s</Sub>=-.59) entre a Escala de Comportamento    agressivo e os valores de seguran&ccedil;a e coer&ecirc;ncia do ASCT. Assim,    as representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o relacionam-se negativamente    com os valores encontrados para a Escala de Comportamento Agressivo. Relativamente    aos valores encontrados para a Escala de Isolamento e o ASCT denotam, tamb&eacute;m,    a exist&ecirc;ncia de uma correla&ccedil;&atilde;o negativa significativa (<I>r</I><Sub>s</Sub>=-.29),    pelo que, tamb&eacute;m, se pode concluir que a representa&ccedil;&otilde;es    de vincula&ccedil;&atilde;o mais segura est&aacute; associado um menor comportamento    de isolamento. Por &uacute;ltimo, surgem os valores que correlacionam a Escala    de Hiperactividade e o ASCT que exp&otilde;em a exist&ecirc;ncia de uma correla&ccedil;&atilde;o,    mas que n&atilde;o &eacute; significativa. </P >     <P    >Finalmente, n&atilde;o foi encontrada nenhuma correla&ccedil;&atilde;o significativa entre os valores do ASCT e os resultados da WPPSI (<I>p</I>=0,093), pelo que podemos concluir que as capacidades cognitivas verbais n&atilde;o influenciaram significativamente a coer&ecirc;ncia e seguran&ccedil;a na constru&ccedil;&atilde;o das narrativas. </P >     <P align="center"    >DISCUSS&Atilde;O </P >     <P    >Os resultados obtidos revelam que os conte&uacute;dos das narrativas produzidas pelas crian&ccedil;as integradas em meio institucional se distinguem significativamente dos conte&uacute;dos das narrativas produzidas pelas crian&ccedil;as em meio familiar de vida, tendo o primeiro grupo de crian&ccedil;as obtido valores inferiores de seguran&ccedil;a e coer&ecirc;ncia na representa&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o. </P >    <P    >As crian&ccedil;as institucionalizadas constru&iacute;ram narrativas menos seguras e menos coerentes, sugerindo que det&ecirc;m um padr&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o menos seguro, com temas marcados pelo abandono, puni&ccedil;&atilde;o, neglig&ecirc;ncia, invers&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es familiares, algumas delas contendo conte&uacute;dos fortemente sexualizados. </P >    <P    >Por outro lado, crian&ccedil;as em meio familiar de vida constru&iacute;ram narrativas de vincula&ccedil;&atilde;o mais seguras e coerentes, onde tendem a surgir inter-ac&ccedil;&otilde;es positivas e figuras parentais emp&aacute;ticas e protectoras. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >No que concerne ao desenvolvimento cognitivo verbal verificou-se que as crian&ccedil;as    institucionalizadas obtiveram um desempenho verbal inferior considerado significativo.    Existe uma aus&ecirc;ncia de associa&ccedil;&otilde;es entre a seguran&ccedil;a    da vincula&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento cognitivo verbal. Os resultados    encontram um vasto sustento te&oacute;rico dado que as crian&ccedil;as acolhidas    manifestam atrasos de desenvolvimento, surgindo atrasos e/ou perturba&ccedil;&otilde;es    nos mais vastos dom&iacute;nios &ndash; intelectual, motor, afectivo, social    e comportamental (Marques, 2006; Zeanah et al., 2005). </P >     <P    >Por outro lado, a aus&ecirc;ncia de correla&ccedil;&atilde;o entre a seguran&ccedil;a das narrativas da vincula&ccedil;&atilde;o e as capacidades verbais  confirma que o ASCT n&atilde;o est&aacute; a medir capacidades cognitivas verbais. </P >      <P align="center"    >&nbsp;</P>     <P align="center"    >FIGURA 1 </P>     <P align="center"    ><i>Efeito indirecto do meio de vida institucional nos problemas de comportamento,    atrav&eacute;s da inseguran&ccedil;a/incoer&ecirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o    de vincula&ccedil;&atilde;o</i></P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a06f1.jpg"> </p>     
<p>&nbsp;</P>     <p>No que toca &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre a seguran&ccedil;a/ /coer&ecirc;ncia    das representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o e os problemas    de comportamento, verificou-se uma correla&ccedil;&atilde;o negativa e significativa    entre a Escala de Comportamento Agressivo e a seguran&ccedil;a/ /coer&ecirc;ncia    das representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s    do ASCT. Assim, quanto maior &eacute; a seguran&ccedil;a/coer&ecirc;ncia das    representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o menos frequente &eacute;    o comportamento agressivo. Foi encontrada tamb&eacute;m uma correla&ccedil;&atilde;o    negativa significativa entre a Escala de Isolamento e a seguran&ccedil;a/coer&ecirc;ncia    das representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s    do ASCT: Crian&ccedil;as com representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o    mais seguras/coerentes manifestaram, com menor frequ&ecirc;ncia, comportamentos    de isolamento. </P>     <P >Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diferen&ccedil;as de problemas de comportamento manifestados nos dois grupos de crian&ccedil;as em estudo,  &eacute; de referir que embora as crian&ccedil;as institucionalizadas apresentam uma tend&ecirc;ncia para valores mais elevados de comportamento agressivo,  e de isolamento, estas diferen&ccedil;as n&atilde;o atingiram signific&acirc;ncia estat&iacute;stica. </P >     <P    >Assim, n&atilde;o parece existir neste estudo um efeito <I>directo </I>do contexto (institui&ccedil;&atilde;o <I>versus </I>meio familiar de vida) no  desenvolvimento de problemas de comportamento, mas sim um efeito <I>indirecto </I>atrav&eacute;s da inseguran&ccedil;a/incoer&ecirc;ncia da  vincula&ccedil;&atilde;o. Por outras palavras, crian&ccedil;as em meio institucional tendem a ter uma menor seguran&ccedil;a e coer&ecirc;ncia dos modelos  internos de vincula&ccedil;&atilde;o do que crian&ccedil;as em meio institucional, estando por sua vez estes modelos internos correlacionados com problemas  de comportamento agressivo e de isolamento. </P >         ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Outras investiga&ccedil;&otilde;es com crian&ccedil;as em in&iacute;cio de idade escolar, recorrendo ao <I>Child Behaviour Checklist </I>sugerem correla&ccedil;&otilde;es significativas entre as representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de narrativas e o respectivo ajustamento emocional e comportamental (Futh, O&rsquo;Connor, Matias, Green, &amp; Scott, 2008). </P >    <P    >Uma das limita&ccedil;&otilde;es desta investiga&ccedil;&atilde;o decorre do facto de, no que diz respeito aos problemas de comportamentos internalizantes apenas ter contemplado o estudo do isolamento social, n&atilde;o se debru&ccedil;ando sobre eventuais sintomas de depress&atilde;o ou ansiedade. As Escalas de Depress&atilde;o e de Ansiedade n&atilde;o foram inclu&iacute;das neste estudo por raz&otilde;es de parcim&oacute;nia de recursos, e tendo em conta que a maioria dos estudos pr&eacute;vios incidiu nessas dimens&otilde;es (e.g., Zeanah et al., 2009), opt&aacute;mos por privilegiar uma &aacute;rea menos estudada. </P >    <P    >Uma outra limita&ccedil;&atilde;o a enunciar corresponde ao preenchimento do Invent&aacute;rio de Comportamentos da Crian&ccedil;a para Pais nos dois grupos distintos. No caso das crian&ccedil;as em meio familiar de vida foi pedido ao Encarregado de Educa&ccedil;&atilde;o que procedesse ao seu preenchimento. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as institucionalizadas o Invent&aacute;rio foi preenchido pelo monitor de refer&ecirc;ncia para cada crian&ccedil;a em particular, como detentor de maior conhecimento de forma a conseguir dar as respostas mais adequadas. </P >     <P    >Em suma, pode considerar-se a confirma&ccedil;&atilde;o dos pressupostos te&oacute;ricos    da Teoria da Vincula&ccedil;&atilde;o que prev&ecirc; serem as crian&ccedil;as    mais seguras as mais habilitadas a demonstrar um desempenho s&oacute;cio-emocional    superior, manifestando menos comportamentos desajustados, o que foi ao encontro    do que se verificou nesta investiga&ccedil;&atilde;o. De referir que a qualidade    das representa&ccedil;&otilde;es de vincula&ccedil;&atilde;o se associa negativamente    aos problemas de comportamento manifestados. Em fun&ccedil;&atilde;o do meio    de vida (familiar ou institucional) surgiram representa&ccedil;&otilde;es de    vincula&ccedil;&atilde;o mais ou menos seguras, parecendo determinantes no tipo    de comportamento expresso. Assim, de salientar a consistente liga&ccedil;&atilde;o    entre as representa&ccedil;&otilde;es mentais e os respectivos comportamentos    para a sa&uacute;de mental das crian&ccedil;as. </P >     <P    >Desta forma, pode concluir-se que os comportamentos manifestados, pelas crian&ccedil;as    institucionalizadas, reflectem representa&ccedil;&otilde;es mentais negativas,    em que os adultos cuidadores surgem como indispon&iacute;veis, rejeitantes ou    abusadores, que promovem na crian&ccedil;a o desenvolvimento de um <I>self </I>desvalorizado,    que se vai consolidando em fr&aacute;geis alicerces. </P >     <P    >Apesar de ser dif&iacute;cil para essas crian&ccedil;as adaptarem-se a outro    sistema relacional distinto daquele que lhes foi permitido estabelecer com as    primeiras figuras de vincula&ccedil;&atilde;o torna-se pertinente reflectir    acerca de estrat&eacute;gias que tenham em conta o potenciar das capacidades    de resili&ecirc;ncia e de adapta&ccedil;&atilde;o, para que consigam positivamente    ultrapassar as adversidades &agrave;s quais foram expostas. Para isso &eacute;    fundamental reunir as condi&ccedil;&otilde;es adequadas que promovam a repara&ccedil;&atilde;o    dos sentimentos de abandono e de rejei&ccedil;&atilde;o, permitindo que as suas    representa&ccedil;&otilde;es mentais negativas sejam modeladas. Nesse sentido,    torna-se essencial contribuir para que essas crian&ccedil;as possam ter acesso    a boas experi&ecirc;ncias relacionais, continuadas no tempo, assumindo as figuras    cuidadoras import&acirc;ncia vital na constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es    emp&aacute;ticas, acess&iacute;veis, nas quais possam encontrar o apoio, conforto    e protec&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;veis a um saud&aacute;vel desenvolvimento.  </P >     <P align="center"    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P    >Achenbach, T. M. (1991). <I>Manual for the child behavior checklist/4-18 and 1991 profile</I>. Burlington, VT: University of Vermont, Department of Psychiatry. </P >    <P    >Biscaia, J., &amp; Negr&atilde;o, F. (1999). As crian&ccedil;as e os maus-tratos. <I>Sonhar &ndash; Comunicar/Repensar a Diferen&ccedil;a</I>, <I>6</I>, 281-290. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Bowlby, J. (1981). <I>Cuidados maternos e sa&uacute;de mental</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes Editora. </P >    <P    >Bowlby, J. (1984). <I>Apego e perda: Vol. 2. Separa&ccedil;&atilde;o: Ang&uacute;stia e raiva</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes Editora. </P >    <P    >Bowlby, J. (1998). <I>A secure base &ndash; Clinical applications of attachment theory</I>. London: Routledge. </P >     <P    >Bretherton, I., &amp; Oppenheim, D. (2003). The MacArthur Story Stem Battery:    Development, directions for administration, reliability, validity and reflections    about meaning. In R. N. Emde, D. P. Wolf, &amp; D. Oppenheim (Eds.), <I>Revealing    the inner worlds of young children: The MacArthur Story Stem Battery and parent-child    narratives </I>(pp. 55-80). New York: Oxford University Press. </P >     <P    >Bretherton, I., Ridgeway, D., &amp; Cassidy, J. (1990). Assessing internal working    models of the attachment relationship. An attachment story completion task for    3-years-old. In M. T. Greenberg, D. Cicchetti, &amp; E. M. Cummings (Eds.),    <I>Attachment in the preschool years. Theory, research and intervention </I>(pp.    272-308). Chicago: The University of Chicago Press. </P >     <P    >Bretherton, I., Oppenheim, D., Buchsbaum, H., Emde, R., &amp; the MacArthur Narrative Group (1990). <I>MacArthur Story Stem Battery</I>. Unpublished manual, University of Wisconsin-Madison. </P >     <P    >Chisholm, K., Carter, M. C., Ames, E. W., &amp; Morison, S. J. (1995). Attachment    security and indiscriminately friendly behavior in children adopted from Romanian    orphanages. <I>Dev. Psychopathol., 7</I>, 283-294. </P >     <P    >Cummings, E. M. (1990). Classification of attachment on a continuum of felt security, illustrations from the study of children of depressed parents. In M. T. Greenberg, D. Cicchetti, &amp; E. M. Cummings (Eds.), <I>Attachment in the preschool years. Theory, research and intervention </I>(pp. 311-338). Chicago: The University of Chicago Press. </P >    <P    >Emde, R., Wolf, D., &amp; Oppenheim, D. (2003). <I>Revealing the inner worlds of young children</I>. New York: Oxford University Press. </P >     <!-- ref --><P    >Fonseca, A. C., Sim&otilde;es, A., Rebelo, J. A., Ferreira, J. A. G., &amp; Cardoso,    F. (1994). Um invent&aacute;rio de compet&ecirc;ncias sociais e de problemas    do comportamento em crian&ccedil;as e adolescentes: O Child Behavior Checklist    de Achenbach (CBCL). <I>Psychologica, 12</I>, 55-78. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-8231200900040000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Futh, A., O&rsquo;Connor, T. G., Matias, C., Green, J., &amp; Scott, S. (2008). Attachment narratives and behavioral and emotional symptoms in an ethnically diverse, at-risk sample. <I>Journal of the American Academy of Child e Adolescent Psychiatry</I>, <I>47</I>, 709-718. </P >    <P    >Harter, S. (2006). Self-processes in developmental psychopathology. In D. Cicchetti &amp; D. J. Cohen (Eds.), <I>Developmental psychopatology. Theory and method </I>(vol. 1, pp. 370-418, 2nd ed.)<I>. </I>Hoboken, NJ; Wiley and Sons. </P >    <P    >Heller, C. (2000). <I>Attachment and social competence in preschool children</I>. Master thesis. Unpublished Manuscript, Auburn University, AL. </P >    <P    >Kobak, R., Cassidy, J. Lyons-Ruth, K., &amp; Ziv, Y. (2006) Attachment, Stress, and Psychopathology: A Developmental Pathways Model. In D. Cicchetti &amp; D. J. Cohen (Eds.), (2006). <I>Developmental psychopathology. Volume I. Theory and Methods </I>(2nd ed.). New York: John Wiley &amp; Sons. </P >    <P    >Maia, J., Ferreira, B., Ver&iacute;ssimo, M. (2008). <I>Attachment Story Completion Task &ndash; ASCT, Manual de cota&ccedil;&atilde;o para a coer&ecirc;ncia, resolu&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria e seguran&ccedil;a</I>. Manual n&atilde;o publicado. </P >    <!-- ref --><P    >Maia, J., Ferreira, B., Ver&iacute;ssimo, M., Santos, A. J., &amp; Shin, N. (2008). Auto-conceito e representa&ccedil;&otilde;es da vincula&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo pr&eacute;-escolar <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 26, </I>423-433<I>. </I></P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-8231200900040000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Marques, R. T. (2006). <I>Crian&ccedil;as acolhidas em lar residencial: Representa&ccedil;&otilde;es    de vincula&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento, compet&ecirc;ncias sociais    e comportamento</I>. Tese de Mestrado em Psicologia Cl&iacute;nica. Lisboa:    Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >     <!-- ref --><P    >Silva, F., Fernandes, M., Ver&iacute;ssimo, M., Shin, N., Vaughn, B. E., &amp;    Bost, K. K. (2008). A concord&acirc;ncia entre o comportamento de base segura    com a m&atilde;e nos primeiros anos de vida e os modelos internos din&acirc;micos    no pr&eacute;-escolar. <I>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 26</I>, 411-422.  </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0870-8231200900040000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Soares, I. (2002). <I>Constru&ccedil;&atilde;o da vincula&ccedil;&atilde;o: da rela&ccedil;&atilde;o ao </I>self <I>e do </I>self <I>&agrave;s rela&ccedil;&otilde;es. </I>In <I>Aqu&eacute;m e al&eacute;m do c&eacute;rebro: Rela&ccedil;&otilde;es interpessoais excepcionais</I>. Actas do IV Simp&oacute;sio da Funda&ccedil;&atilde;o Bial (pp. 181-204). Porto: Funda&ccedil;&atilde;o Bial. </P >    <P    >Speltz, M. L. (1990). The treatment of preschool conduct problems, an integration of behavior and attachment concepts. In M. T. Greenberg, D. Cicchetti, &amp; E. M. Cummings (Eds.), <I>Attachment in the preschool years. Theory, research and intervention </I>(pp. 399-426). Chicago: The University of Chicago Press. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Sroufe, L. A. (2005). Attachment and development: A prospective, longitudinal study from birth to adulthood. <I>Attachment e Human Development, 7</I>, 349-367. </P >    <P    >Sroufe, A., &amp; Waters, E. (1977). Attachment as an organizational construct. <I>Child Development</I>, <I>48</I>, 1184-1199. </P >    <!-- ref --><P    >Taylor, C. (2004). Justi&ccedil;a para crian&ccedil;as integradas no sistema de protec&ccedil;&atilde;o. <I>Inf&acirc;ncia e Juventude, 1</I>, 55-77. </P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-8231200900040000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Vaughn, B. E., Coppola, G., Verissimo, M., Monteiro, L., Santos, A. J., Posada, G., et al. (2007). The quality of maternal secure-base scripts predicts children&rsquo;s secure-base behavior at home in three sociocultural groups. <I>International Journal of Behavioral Development</I>, <I>31</I>, 65-76. </P >    <P    >Waters, H. S., Rodrigues, L. M., &amp; Ridgeway, D. (1998). Cognitive underpinnings of narrative attachment assessment. <I>Journal of Experimental Child Psychology, 71</I>, 211-234. </P >    <P    >Wechsler, D. (1989). <I>Wechsler Preschool and Primary Scale of Intelligence-Revised</I>. San Antonio: The Psychological Corporation. </P >    <P    >Weinfield, N. S., Sroufe, L. A., &amp; Egeland, B. (2000). Attachment from infancy to early adulthood in a high-risk sample: Continuity, discontinuity, and their correlates. <I>Child Development, 71</I>, 695-702. </P >    <P    >Zeanah, C. H., Smyke, A. T., Koga, S. F., &amp; Carlson, E. (2005). Attachment in institutionalized and community children in Romania. <I>Child Development</I>, <I>76</I>, 1015-1028. </P >    <P    >Zeanah, C. H., Egger, H. L., Smyke, A. T., Nelson, C. A., Fox, N. A., Marshall, P. J., et al. (2009). Institutional rearing and psychiatric disorders in Romanian preschool children. <I>The American Journal of Psychiatry</I>, <I>166</I>, 777-785. </P >     <P align="center"    >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    >NOTA</P >     <P    ><a name="4"></a><sup><a href="#top4">1</a></sup>Uma vez que se verificou uma    correla&ccedil;&atilde;o muito forte entre os parametros de Seguran&ccedil;a    e Coer&ecirc;ncia das narrativas (<i>r</i>=,98), foi realizada uma nota composita    composta pela m&eacute;dia aritm&eacute;tica das duas medidas. </P>     <P    >&nbsp;</P>     <P    >Os autores gostariam de agradecer a todas as crian&ccedil;as que aceitaram participar    neste estudo. Os autores gostariam ainda de agradecer a todos os colegas da    linha 1, Psicologia do Desenvolvimento, da UIPCDE pelos seus coment&aacute;rios    valiosos. </P>     <P><a name="1"></a><Sup><a href="#top1">(*)</a></Sup> Psic&oacute;loga. </P>     <P ><a name="2"></a><Sup><a href="#top2">(**)</a></Sup> UIPCDE &ndash; Instituto    Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa &ndash; Bolsa FCT SFRH/BD/38250/ 2007.  </P>     <P ><a name="3"></a><Sup><a href="#top3">(***)</a></Sup> UIPCDE &ndash; Instituto    Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa &ndash; Bolsa FCT SFRH/BPD/35769/ 2007.  </P>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Biscaia]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Negrão]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As crianças e os maus-tratos]]></article-title>
<source><![CDATA[Sonhar - Comunicar/Repensar a Diferença]]></source>
<year>1999</year>
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<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
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