<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-8231</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Psicológica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Aná. Psicológica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-8231</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[ISPA-Instituto Universitário]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-82312009000400008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[(in)Consistências no processo ensino-aprendizagem relação entre a concepção e a prática (resultados comparativos numa amostra de professores de Português, Matemática e Inglês)]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Figueira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Paula Couceiro]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra FPCE - Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Coimbra ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<volume>27</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>535</fpage>
<lpage>552</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-82312009000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-82312009000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-82312009000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Pretende divulgar-se parte dos resultados obtidos numa investigação realizada com professores de três disciplinas de leccionação (Português, Matemática e Língua estrangeira, o Inglês), de dois ciclos de ensino (3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário), em diferentes fases de carreira, da Região Centro, cujo objectivo principal era a análise das suas epistemologias em torno de toda a actividade docente: das concepções à percepção dos resultados da sua acção. Iremos, neste contexto, dar conta, apenas, dos dados reveladores das (in)consistências das suas orientações metodológicas interdimensões, do processo ensino-aprendizagem, isto é, das relações entre a orientação das concepções e a orientação das preparações, interacções, avaliações e remediações das aprendizagens dos alunos e auto-reflexão dos docentes. A partir de análise de conteúdo e correspondência múltipla (HOMALS) de entrevistas semiestruturadas, a 89 docentes, constatámos que, genericamente e globalmente, os professores são muito pouco coerentes, existindo pouca articulação, em termos ideológicos, entre a Concepção do processo ensino-aprendizagem e a orientação da Prática educativa, nas diferentes disciplinas e ciclos de leccionação, reflectida, igualmente, ao longo da carreira.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents the (in)consistencies in teaching-learning process, or the relation between the methodological orientation of conception and the methodological orientation of educative practice, from Portuguese teachers of mathematics, language and english, i.e., comparative data.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Concepções do processo ensino-aprendizagem]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Epistemologias]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Orientações metodológicas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Prática educativa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Processo ensino-aprendizagem]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Conceptions]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[educative practice]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Epistemologies]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Methodological orientations]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Teaching-learning process]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"    ><b>(in)Consist&ecirc;ncias no processo ensino-aprendizagem rela&ccedil;&atilde;o    entre a concep&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica (resultados comparativos    numa amostra de professores de Portugu&ecirc;s, Matem&aacute;tica e Ingl&ecirc;s)    </b></p >     <p align="right">Ana Paula Couceiro Figueira <a name="top7"></a><a href="#7">(*)</a>  </P>      <P align="center" ></P  >     <p align="center">RESUMO </P >     <P    >Pretende divulgar-se parte dos resultados obtidos numa investiga&ccedil;&atilde;o    realizada com professores de tr&ecirc;s disciplinas de lecciona&ccedil;&atilde;o    (Portugu&ecirc;s, Matem&aacute;tica e L&iacute;ngua estrangeira, o Ingl&ecirc;s),    de dois ciclos de ensino (3&ordm; Ciclo do Ensino B&aacute;sico e Ensino Secund&aacute;rio),    em diferentes fases de carreira, da Regi&atilde;o Centro, cujo objectivo principal    era a an&aacute;lise das suas epistemologias em torno de toda a actividade docente:    das concep&ccedil;&otilde;es &agrave; percep&ccedil;&atilde;o dos resultados    da sua ac&ccedil;&atilde;o. Iremos, neste contexto, dar conta, apenas, dos dados    reveladores das (in)consist&ecirc;ncias das suas orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas    interdimens&otilde;es, do processo ensino-aprendizagem, isto &eacute;, das rela&ccedil;&otilde;es    entre a orienta&ccedil;&atilde;o das concep&ccedil;&otilde;es e a orienta&ccedil;&atilde;o    das prepara&ccedil;&otilde;es, interac&ccedil;&otilde;es, avalia&ccedil;&otilde;es    e remedia&ccedil;&otilde;es das aprendizagens dos alunos e auto-reflex&atilde;o    dos docentes. </P >     <P    >A partir de an&aacute;lise de conte&uacute;do e correspond&ecirc;ncia m&uacute;ltipla    (HOMALS) de entrevistas semiestruturadas, a 89 docentes, constat&aacute;mos    que, genericamente e globalmente, os professores s&atilde;o muito pouco coerentes,    existindo pouca articula&ccedil;&atilde;o, em termos ideol&oacute;gicos, entre    a Concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e a orienta&ccedil;&atilde;o    da Pr&aacute;tica educativa, nas diferentes disciplinas e ciclos de lecciona&ccedil;&atilde;o,    reflectida, igualmente, ao longo da carreira. </P >     <P    ><i>Palavras-chave</i>: Concep&ccedil;&otilde;es do processo ensino-aprendizagem,    Epistemologias, Orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas, Pr&aacute;tica    educativa, Processo ensino-aprendizagem. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >ABSTRACT </P >     <P    >This article presents the (in)consistencies in teaching-learning process, or the relation between the methodological orientation of conception and the methodological orientation of educative practice, from Portuguese teachers of mathematics, language and english, i.e., comparative data. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><i>Key words</i>: Conceptions, and educative practice, Epistemologies, Methodological    orientations, Teaching-learning process. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    >&nbsp;</P >      <P    >Embora n&atilde;o seja consensual a rela&ccedil;&atilde;o un&iacute;voca representa&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o,    por constrangimentos v&aacute;rios, desde a ac&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica,    a ac&ccedil;&atilde;o dependente do contexto situacional, etc., a verdade &eacute;    que existe, tendencialmente, grande probabilidade das ac&ccedil;&otilde;es    serem, muito ou basicamente, orientadas pelos referenciais te&oacute;ricos assumidos,    isto &eacute;, pelas significa&ccedil;&otilde;es que temos, pelas nossas concep&ccedil;&otilde;es.    Neste sentido, no contexto espec&iacute;fico dos educadores, as suas decis&otilde;es,    as suas ac&ccedil;&otilde;es, por princ&iacute;pio, ancoram-se nas orienta&ccedil;&otilde;es    epistemol&oacute;gicas aprendidas, apreendidas, constru&iacute;das e reconstru&iacute;das.    Estes quadros conceptuais ou esquemas funcionam como orientadores, que podem,    ou justificam mesmo, as suas op&ccedil;&otilde;es, sendo, <I>grosso modo</I>,    e no limite, o dado mais relevante, pese embora as virtuais media&ccedil;&otilde;es    de outros dados contextuais (vari&aacute;veis que podem facilitar ou inibir    os pensamentos e as ac&ccedil;&otilde;es dos professores). </P >     <P    >Sen&atilde;o, vejamos: <I>&ldquo;De forma controlada ou autom&aacute;tica, e    consciente ou n&atilde;o consciente, um grande n&uacute;mero dos nossos    comportamentos corresponde &agrave;s nossas representa&ccedil;&otilde;es,    (...) aspecto que remete para a problem&aacute;tica da funcionalidade das representa&ccedil;&otilde;es    enquanto orientadoras dos comportamentos.&rdquo; </I>(Vala, 1993, p. 366). </P >     <P    ><I>Sabe-se que as representa&ccedil;&otilde;es que os professores t&ecirc;m    sobre o que &eacute; ci&ecirc;ncia, sobre o que &eacute; fazer ci&ecirc;ncia,    sobre o que &eacute; &ldquo;o&rdquo; m&eacute;todo cient&iacute;fico, t&ecirc;m    influ&ecirc;ncia n&atilde;o s&oacute; no que ensinam, mas tamb&eacute;m no como    ensinam as disciplinas cient&iacute;ficas curriculares e mesmo qual o significado    que parecem atribuir a esse seu ensinar </I>(Praia &amp; Cachapuz, 1998, p.    73). </P >     <P    >De facto, a partir destes registos, damos conta da exist&ecirc;ncia de alguma unanimidade na ideia de causalidade rec&iacute;proca entre representa&ccedil;&atilde;o e comportamento, ou seja, da perspectiva&ccedil;&atilde;o da(s) representa&ccedil;&atilde;o(&otilde;es) e do(s)comportamento(s) enquanto vari&aacute;veis solid&aacute;rias. </P >     <P    >Admitimos, ent&atilde;o, que as concep&ccedil;&otilde;es influenciam todas as    ac&ccedil;&otilde;es, sendo influenciadas, igualmente e necessariamente, por    toda a experi&ecirc;ncia de vida, sabendo, todavia, que as nossas interpreta&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o muito resistentes &agrave; mudan&ccedil;a (Leyens, 1985). </P >       <P    >Neste sentido, inferimos que, no caso dos docentes, as concep&ccedil;&otilde;es    manter&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es estreitas com as prepara&ccedil;&otilde;es    das suas ac&ccedil;&otilde;es, com a forma como interagem com os alunos, bem    como, com a forma e conte&uacute;do das suas reflex&otilde;es na e p&oacute;s-ac&ccedil;&atilde;o    (Figueira, 2001). &ldquo;Entre os dom&iacute;nios do pensamento e da actividade    do docente existe uma rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca. As ac&ccedil;&otilde;es    desenvolvidas pelo professor t&ecirc;m a sua origem, maioritariamente, nos seus    processos de pensamento, os quais, por sua vez, s&atilde;o afectados pelas suas    ac&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Clark &amp; Peterson, 1990, p. 451). </P >       <P    >No mesmo sentido, o processo de atribui&ccedil;&atilde;o de causalidade dos resultados      obtidos, dos produtos das ac&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, o construto      concebido enquanto percep&ccedil;&atilde;o dos resultados do processo ensino-aprendizagem,      &eacute; regido pelos mesmos pressupostos, sendo, igualmente e provavelmente,      orientado por quadros pr&eacute;-concebidos, n&atilde;o se negligenciando,      contudo, os dados de contexto e dados ocasionais. </P >       ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Daqui decorre a necessidade, para a compreens&atilde;o da realidade ou situa&ccedil;&atilde;o educativa, tarefa complexa e multidimensional, de resto, e no que concerne, estritamente, ao vector educador, observar, n&atilde;o apenas o que &eacute; directamente vis&iacute;vel, as suas ac&ccedil;&otilde;es, mas, igualmente, os seus pensamentos, as suas concep&ccedil;&otilde;es, significa&ccedil;&otilde;es e atribui&ccedil;&otilde;es, bem como as suas tentativas de clarifica&ccedil;&atilde;o e justifica&ccedil;&atilde;o. </P >       <P    >Foi, pois, sob este signo enquadrat&oacute;rio que encet&aacute;mos a investiga&ccedil;&atilde;o,      intitulada <I>Das epistemologias pessoais &agrave; epistemologia das      pr&aacute;ticas educativas</I>, de onde derivam os dados que agora divulgamos,      realizada com professores de tr&ecirc;s disciplinas de lecciona&ccedil;&atilde;o      (Portugu&ecirc;s, Matem&aacute;tica e L&iacute;ngua estrangeira, o Ingl&ecirc;s),      de dois ciclos de ensino (3&ordm; Ciclo do Ensino B&aacute;sico e Ensino Secund&aacute;rio),      em diferentes fases de carreira, da Regi&atilde;o Centro, cujo objectivo principal      era a an&aacute;lise das suas orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas      em torno de toda a actividade docente: das concep&ccedil;&otilde;es sobre      todo o processo ensino-aprendizagem &agrave; percep&ccedil;&atilde;o dos resultados      da sua ac&ccedil;&atilde;o (Figueira, 2001). Actividade docente que aglutina,      assim, quer as concep&ccedil;&otilde;es sobre todo o processo ensino-aprendizagem,      quer a(s) percep&ccedil;&atilde;o(&otilde;es) dos resultados da sua ac&ccedil;&atilde;o,      quer, igualmente, os procedimentos de planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o      das actividades de ensino, instru&ccedil;&atilde;o propriamente dita, avalia&ccedil;&atilde;o      das aprendizagens e remedia&ccedil;&atilde;o das dificuldades dos alunos e      auto-avalia&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino, por parte do docente.      Ou seja, a conceptualiza&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem      apresentada ou assente numa concep&ccedil;&atilde;o de ensino como processo      de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, processo trif&aacute;sico de planifica&ccedil;&atilde;o      ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino-aprendizagem (pr&eacute;-ac&ccedil;&atilde;o),      interac&ccedil;&atilde;o ou processo de ensino-aprendizagem em contexto, com      os alunos (ac&ccedil;&atilde;o) e reflex&atilde;o do processo ensino-aprendizagem      (p&oacute;s-ac&ccedil;&atilde;o). </P >       <P    >Ainda, e desta feita, podemos assumir que a investiga&ccedil;&atilde;o de onde deriva o presente artigo se enquadra sob o Paradigma dos processos mediadores, centrado nos processos cognitivos dos professores &ndash; paradigma do pensamento do professor (Figueira, 2001, p. 30 e segs.)<I>. </I></P >    <P    >Sumariamente, referimos que este tipo de investiga&ccedil;&otilde;es centra-se, fundamentalmente, no estudo dos pensamentos, cren&ccedil;as, concep&ccedil;&otilde;es, ou seja, no universo interno dos professores (Zabalza, 1994, p. 35). Assim, o objectivo primordial &eacute; conhecer, descrever e interpretar os pensamentos, ju&iacute;zos, decis&otilde;es e sentimentos dos professores, apreendendo as rela&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis entre as cogni&ccedil;&otilde;es que ocorrem na mente do professor e as tomadas de decis&atilde;o no decurso na sua actividade profissional (Shulman, 1989, p. 58). </P >       <P    >Segundo este paradigma (Villar Angulo, 1988a,b), o professor &eacute;, agora,      pensado n&atilde;o, apenas, como um t&eacute;cnico que deve dominar um repert&oacute;rio      mais ou menos vasto de compet&ecirc;ncias. O estudo dos processos de ensino      focaliza-se, orientando-se, para a descri&ccedil;&atilde;o da actividade cognitiva      dos professores. Esta linha de investiga&ccedil;&atilde;o apoia-se no postulado:      os comportamentos dos professores s&atilde;o largamente influenciados pelos      seus pensamentos ou cogni&ccedil;&otilde;es (Shavelson &amp; Stern, 1981).    </P >       <P    >Neste sentido, podemos dizer que a investiga&ccedil;&atilde;o em torno dos processos de pensamento do professor assenta em duas assun&ccedil;&otilde;es fundamentais: </P >    <P    >&ndash;	os professores s&atilde;o profissionais racionais, ou seja, os professores constr&oacute;em a sua ac&ccedil;&atilde;o de forma reflexiva, agindo em fun&ccedil;&atilde;o dos seus pensamentos, ju&iacute;zos e decis&otilde;es (Shavelson &amp; Stern, 1981; Zabalza, 1994, p. 30). Isto &eacute;, o professor &eacute; um sujeito reflexivo, racional, que toma decis&otilde;es, emite ju&iacute;zos, possui cren&ccedil;as e cria rotinas pr&oacute;prias no decurso do seu desenvolvimento profissional (Villar Angulo, 1988a, 1988b). Os professores s&atilde;o, basicamente, reflexivos, n&atilde;o reactivos (Zabalza, 1994); </P >    <P    >&ndash;	os pensamentos do professor guiam e orientam o(s) seu(s) comportamento(s) (Clark &amp; Yinger, 1979; Shavelson &amp; Stern, 1981; Villar Angulo, 1988a,b; Zabalza, 1994). Os seus pensamentos (concep&ccedil;&otilde;es, ju&iacute;zos, cren&ccedil;as, teorias, etc.) guiam a sua ac&ccedil;&atilde;o, e esta, por sua vez, influencia os pensamentos, pressupondo, por isso, um processo dial&eacute;ctico e construtivista, e n&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es causais estritas (Clark &amp; Peterson, 1986, 1990; Zabalza, 1994). Pensamento e ac&ccedil;&atilde;o constituem estruturas independentes, mas interligadas, que se v&atilde;o modificando mutuamente. Neste sentido, embora toda a conduta expressa ou observ&aacute;vel esteja organizada ou seja dirigida pelas opera&ccedil;&otilde;es cognitivas dos professores, conhecer o pensamento do professor poder&aacute; permitir prever, n&atilde;o predizer, a sua conduta (Lowyck, 1986, 1988, 1990). Atrav&eacute;s da conduta dos professores, poderemos inferir parcialmente o seu pensamento, mas n&atilde;o explic&aacute;-lo e possivelmente nem sequer compreend&ecirc;-lo (Zabalza, 1994, p. 33). </P >    <P    ><I>Grosso modo</I>, e sintetizando, dir&iacute;amos que as investiga&ccedil;&otilde;es em torno das teorias pessoais dos professores podem ser aglutinadas numa grande dimens&atilde;o: concep&ccedil;&otilde;es sobre o processo ensino-aprendizagem, com todos os &ldquo;tent&aacute;culos&rdquo; que este processo envolve: representa&ccedil;&atilde;o do aluno, do papel do professor, a concep&ccedil;&atilde;o de <I>curriculum</I>, a escolha de metodologias de ensino, de avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens, etc. </P >     <P    >E n&atilde;o ser&aacute; de todo abusivo da nossa parte afirmarmos que os estudos    efectuados apontam, regra geral, num mesmo sentido: a adop&ccedil;&atilde;o,    preferencial e global, de concep&ccedil;&otilde;es mais do tipo tradicional<Sup><a name="top1"></a><a href="#1">1</a></sup>,    academicista, transmissiva, empirista, positivista (Figueira, 2001)<Sup><a name="top2"></a><a href="#2">2</a></sup>.    De facto, e na perspectiva de Abreu (1996), os professores adoptam, preferencialmente,    concep&ccedil;&otilde;es tradicionalistas de ensino, aprendizagem, ci&ecirc;ncia,    muito embora, alguns realcem, j&aacute;, uma tend&ecirc;ncia para a mudan&ccedil;a,    revelando op&ccedil;&otilde;es ecl&eacute;cticas (Abreu, 1996; Canavarro, 1997;    Praia &amp; Cachapuz, 1994, 1998; Teixeira, 2001). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Mas, ao levarmos a cabo a tarefa de caracteriza&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise    das orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas dos docentes (epistemologias)    (Figueira, 2001), n&atilde;o foi nosso prop&oacute;sito fazer a apolog&eacute;tica    de qualquer assun&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica em termos metodol&oacute;gicos,    nem retirar ila&ccedil;&otilde;es sobre a efic&aacute;cia das poss&iacute;veis    posturas dos docentes. N&atilde;o se pretendeu defender ou fazer a apologia    de um determinado tipo de concep&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica, quer seja    pela categoriza&ccedil;&atilde;o &ldquo;pr&aacute;ticas tradicionais/ /pr&aacute;ticas    activas&rdquo;, &ldquo;pr&aacute;ticas reprodutoras/pr&aacute;ticas construtivas    ou criativas&rdquo;. T&atilde;o s&oacute;, analis&aacute;-las (atrav&eacute;s    dos relatos dos seus actores), &agrave; luz das representa&ccedil;&otilde;es    pr&eacute;vias que lhes subjazem e das concomitantes percep&ccedil;&otilde;es    delas resultantes. At&eacute; porque, &ldquo;No limite, os crit&eacute;rios    de efic&aacute;cia s&atilde;o relativos aos pr&oacute;prios objectivos e significa&ccedil;&otilde;es    epistemol&oacute;gicas das orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas. (...)    cada modelo define os seus pr&oacute;prios crit&eacute;rios de efic&aacute;cia.    E, como n&atilde;o existe acordo ou coordena&ccedil;&atilde;o entre essas significa&ccedil;&otilde;es,    o que &eacute; importante para uns, &eacute; inexistente ou secund&aacute;rio    para outros e vice-versa. (...) &Eacute; fundamental, pois, ter-se consci&ecirc;ncia    de que cada orienta&ccedil;&atilde;o estima-se, geralmente, eficaz, produtiva,    consequente, etc., em rela&ccedil;&atilde;o aos crit&eacute;rios que se fixaram    antecipadamente&rdquo; (Joyce-Moniz, 1989, p. 7). Ser&aacute;, pois, a filosofia    pessoal (re)constru&iacute;da que proporciona o cen&aacute;rio para a interpreta&ccedil;&atilde;o    e ac&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem. E, embora, por vezes,    discrepante, at&eacute; mesmo, paradoxal, facto &eacute; que, por princ&iacute;pio,    as ideologias orientam o pensamento e, consequentemente, a ac&ccedil;&atilde;o.    At&eacute; porque, &ldquo;Qualquer ju&iacute;zo sobre a qualidade pedag&oacute;gica    assenta inevitavelmente em pressupostos filos&oacute;ficos educacionais. S&oacute;    &agrave; luz de uma filosofia da educa&ccedil;&atilde;o, expl&iacute;cita e    assumida, &eacute; poss&iacute;vel equacionar o problema da qualidade da pr&aacute;tica    pedag&oacute;gica. (...) A qualidade &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o dessa    ideia&rdquo; (Patr&iacute;cio, 1997, pp. 555-556). E, no mesmo sentido, &ldquo;N&atilde;o    existem filosofias da educa&ccedil;&atilde;o &ldquo;certas&rdquo; ou &ldquo;erradas&rdquo;.    (...) o importante &eacute; reflectir sobre as nossas pr&oacute;prias cren&ccedil;as    e n&atilde;o fazer julgamentos sobre elas&rdquo; (Zinn, 1998, p. 72). </P >     <P    >Ou seja, o que se pretendeu, com este estudo, foi a an&aacute;lise das viv&ecirc;ncias    metodol&oacute;gicas dos professores, a partir das suas pr&oacute;prias narrativas.    Isto &eacute;, o conhecimento das posi&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas/metodol&oacute;gicas    dos educadores, perfis de (dis)continuidade (Figueira, 2001). </P >     <P    >De facto, clarificar as filosofias pessoais afigura-se-nos uma tarefa &uacute;til, para podermos especular e reflectir sobre os modos de pensar e de agir dos professores, inferindo, apontando vias de forma&ccedil;&atilde;o (Figueira, 2001). </P >    <P    >Julgamos que a clarifica&ccedil;&atilde;o das ideologias, pela reflex&atilde;o sobre as pr&oacute;prias orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas, pode auxiliar a reduzir a confus&atilde;o, aumentar a clareza e direc&ccedil;&atilde;o, conduzindo a comportamentos e tomadas de decis&atilde;o mais consistentes (Zinn, 1998, p. 49). &ldquo;Filosofar em torno da educa&ccedil;&atilde;o, provavelmente, n&atilde;o faz de n&oacute;s um fil&oacute;sofo, mas pode ajudar a melhor compreender o educador&rdquo; (Zinn, 1998, p. 54). </P >    <P    >Podemos melhorar, devemos optimizar. Por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; que desvirtuar as fun&ccedil;&otilde;es da escola e dos professores. A escola e os professores existem para ensinar e educar. E ensinar e educar implica prepara&ccedil;&atilde;o, actua&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es. &Eacute; por serem actividades de sempre, existindo e coexistindo em qualquer acto ou perspectivas de ensino, que sobre elas nos debru&ccedil;&aacute;mos. </P >     <P align="center"    >M&Eacute;TODO </P >     <P    >Os resultados que pretendemos divulgar e analisar, neste contexto, derivam de um estudo mais vasto (Figueira, 2001) de descri&ccedil;&atilde;o dos pensamentos ou cogni&ccedil;&otilde;es dos professores em torno do processo ensino-aprendizagem, quer em termos das suas concep&ccedil;&otilde;es, quer em termos da express&atilde;o da sua ac&ccedil;&atilde;o docente, antes, durante e ap&oacute;s a interac&ccedil;&atilde;o com os alunos, quer, ainda, em termos das percep&ccedil;&otilde;es dos resultados dessas mesmas ac&ccedil;&otilde;es. </P >       <P    >Pretendia-se o conhecimento das posi&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas/viv&ecirc;ncias      metodol&oacute;gicas dos professores, face ao processo ensino-aprendizagem,      quer em termos de concep&ccedil;&atilde;o quer nas significa&ccedil;&otilde;es      das ac&ccedil;&otilde;es. Ou seja, a investiga&ccedil;&atilde;o pressupunha      a an&aacute;lise das epistemologias das pr&aacute;ticas educativas de professores      de diferentes disciplinas de lecciona-&ccedil;&atilde;o, com vista &agrave;      elabora&ccedil;&atilde;o de perfis de pensa-mento e ac&ccedil;&atilde;o docentes,      realizado a partir de entrevistas semiestruturadas, tendo em conta o tipo      de concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem (Concep&ccedil;&otilde;es),      tipo de processo Prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino e de aprendizagem,      tipo de Interac&ccedil;&atilde;o, tipo de Avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens      dos alunos, tipo de Remedia&ccedil;&atilde;o das eventuais dificuldades de      aprendizagem dos alunos, tipo de Auto-Avalia&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas      docentes (Ac&ccedil;&otilde;es) e tipo de Percep&ccedil;&atilde;o dos Resultados      do processo Ensino-Aprendizagem (Percep&ccedil;&otilde;es) [sete (7)grandes      blocos de vari&aacute;veis)]. </P >       <P    >Assim, </P >        <P    >As Concep&ccedil;&otilde;es do processo ensino-aprendizagem remetem para as interpreta&ccedil;&otilde;es    do ensino e do ensinar, da compet&ecirc;ncia e desempenho dos professores, da    sua efic&aacute;cia, da satisfa&ccedil;&atilde;o nas actividades docentes, do    melhor m&eacute;todo, da aprendizagem, das fun&ccedil;&otilde;es do professor    e do aluno e das dificuldades percepcionadas nas actividades docentes. <I>Grosso    modo, </I>remete para o que se diz que se pensa. Ou seja, sobre este t&iacute;tulo    pretende analisar-se as significa&ccedil;&otilde;es pessoais em torno do processo    ensino-aprendizagem, a partir de dez operacionaliza&ccedil;&otilde;es: que leitura    se tem do ensino e do ensinar, da compet&ecirc;ncia e desempenho dos professores,    sua efic&aacute;cia, satisfa&ccedil;&atilde;o nas actividades docentes, do melhor    m&eacute;todo, da aprendizagem, das fun&ccedil;&otilde;es do professor e do    aluno, e das dificuldades nas actividades docentes. </P >        ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Quanto aos Comportamentos/ac&ccedil;&otilde;es, ou dimens&otilde;es da pr&aacute;tica,    analisam-se v&aacute;rios aspectos da planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino    [pr&eacute;-ac&ccedil;&atilde;o], como, por exemplo, as suas tipologias, as    formas, os conte&uacute;dos, os factores determinantes e os crit&eacute;rios    de selec&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos e actividades, escolhidos pelo    docente (Figueira, 2001). Sucintamente, ao n&iacute;vel da Interac&ccedil;&atilde;o,    tenta analisar-se a estrutura de uma aula-tipo, os m&eacute;todos utilizados    e os crit&eacute;rios. Ao n&iacute;vel da Avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens    dos Alunos, analisa-se as modalidades, os par&acirc;metros e os momentos da    avalia&ccedil;&atilde;o. Por fim, quanto &agrave; Remedia&ccedil;&atilde;o ou    recupera&ccedil;&atilde;o das eventuais Dificuldades de aprendizagem dos Alunos,    analisa-se as estrat&eacute;gias utilizadas e os seus crit&eacute;rios de escolha    (Figueira, 2001). No que concerne &agrave; dimens&atilde;o Auto-Avalia&ccedil;&atilde;o    dos professores [p&oacute;s-ac&ccedil;&atilde;o], tenta analisar-se a sua (in)realiza&ccedil;&atilde;o    e seus figurinos poss&iacute;veis (Figueira, 2001). </P >     <P    >Relativamente &agrave;s Percep&ccedil;&otilde;es dos resultados, <I>grosso modo,    </I>remete para o que se diz que se sente. Esta rubrica analisa-se a partir    das percep&ccedil;&otilde;es de autocompet&ecirc;ncia, autodesempenho e auto-satisfa&ccedil;&atilde;o    nas actividades de ensino (Percep&ccedil;&otilde;es de si) e percep&ccedil;&atilde;o    de participa&ccedil;&atilde;o e de desempenho dos alunos (Percep&ccedil;&atilde;o    sobre os alunos), sendo, pois, estas dimens&otilde;es apontadas as operacionaliza&ccedil;&otilde;es    da percep&ccedil;&atilde;o dos resultados do processo ensino-aprendizagem (Figueira,    2001). </P >     <P    >A percep&ccedil;&atilde;o de autocompet&ecirc;ncia apela para o autojulgamento    dos professores relativamente ao preenchimento (ou n&atilde;o) dos requisitos    e elementos necess&aacute;rios &agrave;s tarefas de ensinar. Ou seja, a auto-an&aacute;lise    dos conhecimentos, capacidades (aptid&otilde;es) e cren&ccedil;as que o professor    possui e pode actualizar nas situa&ccedil;&otilde;es de ensino (Medley, 1982).    Incluem-se, pois, nesta categoria, os comportamentos, ou actividades, pr&eacute;-activos    do professor, fora da sala de aula, ou seja, com os alunos ausentes, como a    planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino,    a avalia&ccedil;&atilde;o e outras actividades de prepara&ccedil;&atilde;o do    ensino, bem como os conhecimentos, os <I>skills </I>e os valores que possui    (Medley, 1987). </P >     <P    >A percep&ccedil;&atilde;o de autodesempenho pretende analisar o grau de julgamento dos docentes, de auto-avalia&ccedil;&atilde;o, relativamente ao(s) seu(s) pr&oacute;prio(s) desempenho(s) no ensino. Interpretar a valora&ccedil;&atilde;o da capacidade de actualiza&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias necess&aacute;rias para ensinar. Ou seja, perceber o valor atribu&iacute;do pelos professores &agrave;s suas pr&oacute;prias realiza&ccedil;&otilde;es, &agrave;s <I>performances</I>, aos comportamentos, em contexto de sala de aula. O desempenho considerado, assim, como os comportamentos do professor enquanto ensina, como a implementa&ccedil;&atilde;o ou a actualiza&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias, o produto da interac&ccedil;&atilde;o entre as caracter&iacute;sticas do professor (suas compet&ecirc;ncias) e as caracter&iacute;sticas do contexto (aluno/escola) (Medley, 1982). </P >    <P    >A percep&ccedil;&atilde;o de satisfa&ccedil;&atilde;o nas actividades de ensino apela para o autojulgamento relativamente ao n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o obtido, pelos professores, nas actividades de ensino, ou seja, nas actividades ou tarefas que envolvem um contacto directo com os alunos. A satisfa&ccedil;&atilde;o nas actividades de ensino entendida como o sentimento, ou conjunto de sentimentos, a valora&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da ao resultado do comportamento, circunscrito &agrave;s tarefas de ensino, ao acto de ensinar, relacionado com o conte&uacute;do das tarefas em si, e/ou tarefas que envolvem o contacto directo com os alunos. Actividades ou tarefas que s&atilde;o independentes do contexto, ou condi&ccedil;&otilde;es, externo (ex.: equipamento, apoios, sal&aacute;rio, rela&ccedil;&atilde;o com os colegas, outros). Fazendo parte da satisfa&ccedil;&atilde;o profissional, a satisfa&ccedil;&atilde;o nas actividades de ensino circunscreve-se ao ensino em si mesmo (Lester, 1987). </P >    <P    >Quanto &agrave;s Percep&ccedil;&otilde;es sobre os alunos, especificamente, &agrave; percep&ccedil;&atilde;o do grau de participa&ccedil;&atilde;o dos alunos, remete para a percep&ccedil;&atilde;o que os professores t&ecirc;m relativamente ao grau de participa&ccedil;&atilde;o dos seus alunos nas actividades de ensino. A percep&ccedil;&atilde;o de desempenho/resultados diz respeito &agrave; percep&ccedil;&atilde;o que os professores t&ecirc;m dos desempenhos/resultados dos seus alunos (Figueira, 2001). </P >     <P    >De facto, o que se pretendeu foi saber como os professores encaram e procedem    (agem) o processo ensino-aprendizagem, perceber o que <I>dizem pensar</I>, o    que <I>dizem fazer </I>e o que <I>dizem sentir, em torno do processo    ensino-aprendizagem</I>, verificando, igualmente, o grau de consist&ecirc;ncia    em todos os elementos do processo e a (in)exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as    nas tend&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas, tendo em conta a disciplina e o ciclo    de lecciona&ccedil;&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o dos anos de servi&ccedil;o    na profiss&atilde;o (Figueira, 2001). Importava perceber se os docentes se situam    mais numa l&oacute;gica educacional centrada neles pr&oacute;prios, ou centrada    nos alunos. Ou seja, se s&atilde;o mais do tipo racionalista ou comportamentalista,    ou, ao inv&eacute;s, mais do tipo cognitivista ou construtivista, ou se, por    outro lado, assumem posi&ccedil;&otilde;es ecl&eacute;cticas, ou mesmo, neutras    (Figueira, 2001), o que remete para o seu estilo pessoal de ensino (Conti, 1998).    S&atilde;o estes pressupostos que orientar&atilde;o o docente na escolha dos    m&eacute;todos de ensino, avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens, formas    de planificar, etc. (Figueira, 2001). </P >        <P    >Em s&iacute;ntese, pretendeu-se analisar as rela&ccedil;&otilde;es entre pr&aacute;ticas    docentes (as ac&ccedil;&otilde;es) &agrave; luz das concep&ccedil;&otilde;es    que lhes &ldquo;subjazem&rdquo; e das concomitantes percep&ccedil;&otilde;es    delas resultantes, por via de relatos dos professores/actores, em que, <I>grosso    modo</I>, as Concep&ccedil;&otilde;es do processo ensino-aprendizagem remetem    para os significados pessoais e gerais em torno do processo ensino-aprendizagem.    Os Comportamentos/ac&ccedil;&otilde;es, ou dimens&otilde;es da pr&aacute;tica,    dizem respeito &agrave;s verbaliza&ccedil;&otilde;es (relatos, narrativas) relativas    &agrave;s pr&aacute;ticas de planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino, &agrave;s metodologias de interac&ccedil;&atilde;o    com os alunos, &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens dos alunos    e &agrave; remedia&ccedil;&atilde;o das suas dificuldades e &agrave; auto-avalia&ccedil;&atilde;o,    do professor, das suas actividades de ensino. <I>Grosso modo, </I>remete para    o que se diz que se faz, como e porque se faz, para as actividades pr&eacute;-activas    ou preparativas, actividades interactivas e actividades avaliativas e de remedia&ccedil;&atilde;o    das aprendizagens. Relativamente &agrave;s Percep&ccedil;&otilde;es dos resultados,    estas prendem-se com os pensamentos relativos aos resultados das ac&ccedil;&otilde;es,    por parte dos docentes, em termos de autocompet&ecirc;ncia, autodesempenho,    auto-satisfa&ccedil;&atilde;o nas actividades de ensino e percep&ccedil;&atilde;o    de participa&ccedil;&atilde;o e de desempenho dos alunos (Figueira, 2001). </P >        <P    >Graficamente, </P >     <P    >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a08f1.jpg"></P >       
<p>&nbsp;</p>        <p>Por&eacute;m, e neste contexto, o nosso objectivo &eacute; dar conta, apenas,    da rela&ccedil;&atilde;o entre a orienta&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o    do processo ensino-aprendizagem e a orienta&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica    educativa, ou seja, dar conta das suas potenciais (in)congru&ecirc;ncias. </p>       <P    >Neste sentido, o objectivo &eacute; analisar estas rela&ccedil;&otilde;es, tendo em conta as hipot&eacute;ticas variabilidades em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel e ciclo de ensino, disciplina de lecciona&ccedil;&atilde;o e tempo de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o. E, igualmente, foi nosso intento, ver se existe um padr&atilde;o (estrutura) ou padr&otilde;es &uacute;nicos de pensamento/ac&ccedil;&atilde;o, ou se esta tr&iacute;ade varia (e o que varia) e em fun&ccedil;&atilde;o de qu&ecirc;, analisando as virtuais (in)coer&ecirc;ncias no processo ensino-aprendizagem. </P >    <P    >Pretendeu-se, assim, a an&aacute;lise do grau de homogeneidade <I>vs</I>. variabilidade (continuidade <I>vs</I>. descontinuidade) intra e intergrupal nas fases do processo ensino-aprendizagem (desde as concep&ccedil;&otilde;es, &agrave; planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino &agrave; percep&ccedil;&atilde;o dos resultados do processo), em fun&ccedil;&atilde;o da disciplina e ciclo de lecciona&ccedil;&atilde;o (Matem&aacute;tica, Portugu&ecirc;s e Ingl&ecirc;s dos 3&ordm; Ciclo do Ensino B&aacute;sico e do Ensino Secund&aacute;rio), tendo em conta o tempo de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o (professores Estagi&aacute;rios, em In&iacute;cio, Meio e em Final de Carreira). </P >     <P><I>Participantes </I></P >     <P    >Os participantes do nosso estudo foram 89 professores, de tr&ecirc;s disciplinas    distintas<Sup><a name="top3"></a><a href="#3">3</a></sup>: L&iacute;ngua Portuguesa    e Portugu&ecirc;s (<I>N</I>=30), L&iacute;ngua Estrangeira (Ingl&ecirc;s) (<I>N</I>=30)    e Matem&aacute;tica (<I>N</I>=29), de dois ciclos de ensino: 3&ordm; Ciclo do    Ensino B&aacute;sico (<I>N</I>=46), e Ensino Secund&aacute;rio (<I>N</I>=43),    sendo 63 do g&eacute;nero feminino e 26 do g&eacute;nero masculino, subdivididos    em quatro n&iacute;veis<Sup><a name="top4"></a><a href="#4">4</a></sup>, consoante    os anos de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o (Quadro 1). </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >QUADRO 1</P >     <P align="center"    ><i>Distribui&ccedil;&atilde;o dos elementos da Amostra</i></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a08q1.jpg" width="658" height="515"></P >     
<P    >&nbsp;</P >     <P    >A sua grande maioria &eacute; docente em institui&ccedil;&otilde;es da cidade    de Coimbra (escolas b&aacute;sicas e secund&aacute;rias, bem como col&eacute;gios),    embora existam alguns elementos a leccionar, quer noutras localidades do distrito    de Coimbra, quer em alguns outros distritos e cidades do pa&iacute;s. </P >     <P    ><I>Instrumento </I></P >     <P    >Os dados foram obtidos a partir de quest&otilde;es abertas, por entrevista semiestruturada, com uma dura&ccedil;&atilde;o, por docente, de entre 6 a 8 horas, realizadas em momentos diferentes, em v&aacute;rias sess&otilde;es (Figueira, 2001). </P >    <P    >As quest&otilde;es ao n&iacute;vel da Concep&ccedil;&atilde;o do processo Ensino-Aprendizagem remetiam para dez operacionaliza&ccedil;&otilde;es: que leitura o docente tem do ensino e do ensinar, da compet&ecirc;ncia e desempenho dos professores, sua efic&aacute;cia, satisfa&ccedil;&atilde;o nas actividades docentes, do melhor m&eacute;todo, da aprendizagem, das fun&ccedil;&otilde;es do professor e do aluno, e das dificuldades nas actividades docentes. </P >     <P    >A vari&aacute;vel Comportamentos/ac&ccedil;&otilde;es (<I>modus faciendi</I>),    ou seja, a pr&aacute;tica, compreende as verbaliza&ccedil;&otilde;es relativas    &agrave;s pr&aacute;ticas de planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino, &agrave;s metodologias de interac&ccedil;&atilde;o    propriamente dita, &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens dos alunos    e &agrave; remedia&ccedil;&atilde;o das suas dificuldades e &agrave; auto-avalia&ccedil;&atilde;o    dos professores da amostra. Remete para as actividades pr&eacute;-activas ou    preparativas, actividades interactivas e actividades avaliativas e de remedia&ccedil;&atilde;o.  </P >     <P    >Assim, ao n&iacute;vel da planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino [pr&eacute;-ac&ccedil;&atilde;o] era solicitado que    referissem da realiza&ccedil;&atilde;o, ou n&atilde;o, de planifica&ccedil;&atilde;o    ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino, as justifica&ccedil;&otilde;es    da prepara&ccedil;&atilde;o (os factores determinantes), a partir de que crit&eacute;rios    realizam a prepara&ccedil;&atilde;o, quais os conte&uacute;dos da planifica&ccedil;&atilde;o    ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino, o momento em que essas    prepara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o realizadas, o tempo dedicado &agrave; tarefa,    os tipos e formas (individual <I>vs. </I>grupo) de prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino, sobre as fontes de informa&ccedil;&atilde;o (recursos    informativos para esta tarefa), os crit&eacute;rios de escolha dos m&eacute;todos    de ensino e dos recursos materiais, as dificuldades sentidas na prepara&ccedil;&atilde;o,    as justifica&ccedil;&otilde;es para a aus&ecirc;ncia de dificuldades e vantagens    da prepara&ccedil;&atilde;o. </P>       <P>As quest&otilde;es ao n&iacute;vel da Interac&ccedil;&atilde;o propriamente dita remetiam para o (in)cumprimento do plano e suas  justifica&ccedil;&otilde;es, para os conte&uacute;dos das altera&ccedil;&otilde;es, para a estrutura de uma aula-tipo, para os crit&eacute;rios de  variabilidade, para o tempo ocupado em cada fase da aula, para os m&eacute;todos utilizados na aula, para o grau de variabilidade e suas  justifica&ccedil;&otilde;es, para os crit&eacute;rios de variabilidade na sua utiliza&ccedil;&atilde;o e crit&eacute;rios de escolha dos m&eacute;todos  para as vantagens na sua utiliza&ccedil;&atilde;o, para as dificuldades sentidas na interac&ccedil;&atilde;o e para as justifica&ccedil;&otilde;es da  n&atilde;o exist&ecirc;ncia de dificuldades. </P>       <P>Quanto &agrave; Avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens dos Alunos, as quest&otilde;es      prendiam-se com a (in)realiza&ccedil;&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o      das aprendizagens dos alunos, com as justifica&ccedil;&otilde;es, para o porqu&ecirc;,      fun&ccedil;&otilde;es e factores determinantes, com as modalidades ou tipos      de avalia&ccedil;&atilde;o referidos, ou seja, com os par&acirc;metros de      avalia&ccedil;&atilde;o. Pretendia saber-se o que se avalia e o seu &ldquo;peso&rdquo;      na nota global, o grau de estabilidade na utiliza&ccedil;&atilde;o dos tipos      de avalia&ccedil;&atilde;o referidos e as justifica&ccedil;&otilde;es, saber-se      dos momentos, tempos de avalia&ccedil;&atilde;o, sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o      (ou n&atilde;o) de <I>feedback </I>e suas manifesta&ccedil;&otilde;es, sobre      as vantagens percepcionadas pela op&ccedil;&atilde;o dos tipos de avalia&ccedil;&atilde;o      referidos, as dificuldades sentidas na tarefa de avalia&ccedil;&atilde;o e      sobre as justifica&ccedil;&otilde;es para a aus&ecirc;ncia de dificuldades      na avalia&ccedil;&atilde;o. </P >       ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Quanto &agrave; Remedia&ccedil;&atilde;o ou recupera&ccedil;&atilde;o das Dificuldades dos Alunos, surgem quest&otilde;es sobre a (in) realiza&ccedil;&atilde;o de recupera&ccedil;&atilde;o das dificuldades dos alunos, sobre que estrat&eacute;gias s&atilde;o utilizadas na remedia&ccedil;&atilde;o das dificuldades dos alunos, sobre os crit&eacute;rios de escolha das estrat&eacute;gias, as dificuldades sentidas neste processo, sobre as justifica&ccedil;&otilde;es para a aus&ecirc;ncia de dificuldades e as vantagens percepcionadas, pela utiliza&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias referidas. </P >    <P    >No que concerne &agrave; dimens&atilde;o Auto-Avalia&ccedil;&atilde;o dos professores [p&oacute;s-ac&ccedil;&atilde;o], as quest&otilde;es remetem para a (in)realiza&ccedil;&atilde;o de auto-reflex&atilde;o, as justifica&ccedil;&otilde;es apresentadas para a sua (n&atilde;o) realiza&ccedil;&atilde;o, para os conte&uacute;dos e estrat&eacute;gias tendenciais de auto-avalia&ccedil;&atilde;o, para o tempo de auto-reflex&atilde;o e grau de estabilidade e para as vantagens percepcionadas na utiliza&ccedil;&atilde;o de auto-reflex&atilde;o. </P >     <P><I>Procedimento </I></P >     <P    >As entrevistas, realizadas e gravadas em audio, foram transcritas, de forma descritiva, num segundo momento, e, posteriormente, categorizadas, atrav&eacute;s de an&aacute;lise de conte&uacute;do. Escolhidas as unidades de contexto e de registo, efectuou-se uma categoriza&ccedil;&atilde;o emergente, com base na tipologia aventada pelo Professor Joyce-Moniz (Figueira, 2001). </P >    <P    >Todas as entrevistas foram efectivadas por n&oacute;s, sendo, igualmente, por n&oacute;s realizada a categoriza&ccedil;&atilde;o, analisada e avaliada por mais tr&ecirc;s ju&iacute;zes, discutida, sendo o resultado final o considerado consensual. </P >    <P    >Subsequentemente &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do e &agrave; categoriza&ccedil;&atilde;o, realiz&aacute;mos o tratamento estat&iacute;stico dos dados obtidos. Assim, dado tratar-se de dados categoriais ou nominais, utiliz&aacute;mos an&aacute;lises descritivas, tendo como crit&eacute;rio a moda, ou seja, o tipo de resposta ou categoria mais frequente e an&aacute;lises de correspond&ecirc;ncia m&uacute;ltipla (HOMALS) (Figueira, 2001). </P >       <P    >O conte&uacute;do obtido, para cada uma destas diferentes dimens&otilde;es do      processo ensino-aprendizagem, descritas anteriormente, foi categorizado, tendo      sido encontradas cinco (5) categorias, ou cinco n&iacute;veis de colora&ccedil;&atilde;o      ideol&oacute;gica, designadas por Racionalista, Positivista, Construtivista,      Ecl&eacute;ctica<Sup><a name="top5"></a><a href="#5">5</a></sup>e Neutra<Sup><a name="top6"></a><a href="#6">6</a></sup>(5 n&iacute;veis para cada      vari&aacute;vel) (Figueira, 2001), ou seja as (meta)metodologias de ensino,      ou orienta&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas ou metodol&oacute;gicas      de ensino, propostas por Joyce-Moniz (1989), numa taxonomia bastante hol&iacute;stica.    </P >       <P    >A orienta&ccedil;&atilde;o final, para cada uma das dimens&otilde;es, teve como crit&eacute;rio a moda, ou seja, a epistemologia mais frequente. </P >     <P    >De uma forma sucinta, dir&iacute;amos que a orienta&ccedil;&atilde;o Racionalista    ou Tradicional concebe o processo ensino-aprendizagem como muito centrado no    professor, baseado numa pedagogia de conte&uacute;dos, na transmiss&atilde;o    de conhecimentos, no enciclopedismo e academicismo, no inatismo e maturacionismo...    (Figueira, 2001, p. 233 e pp. 239-256). A orienta&ccedil;&atilde;o Positivista,    Comportamental, ou de racionalidade t&eacute;cnica, baseia-se numa pedagogia    por objectivos, na operacionalidade, no empirismo, concebendo o processo ensino-aprendizagem    centrado no indiv&iacute;duo, na aprendizagem individual, nos produtos finais    directamente observ&aacute;veis<I>... </I>(Figueira, 2001, p. 233 e pp. 257-283).    Contrariamente, a ideologia Construtivista, ou Fenomenol&oacute;gica, entende    o processo ensino-aprendizagem enquanto pedagogia dos processos, centrada nos    interesses e necessidades da turma, enfatizando o aprender a construir, construir    para aprender, aprender a aprender (Figueira, 2001, p. 233 e pp. 284-322). </P >     <P    >A t&iacute;tulo exemplificativo, temos algumas respostas dos professores participantes    do estudo (Quadro 2): </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >QUADRO 2 </P >     <P align="center"    ><I>Exemplos de respostas dos professores e respectivas categoriza&ccedil;&otilde;es    (Figueira, 2001) </I></P >     <P align="center"    ><i><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a08q2.jpg" width="657" height="676"></i></P >     
<P align="center"    >&nbsp;</P >     <P>E, embora tenhamos analisado exaustivamente os dados obtidos na nossa investiga&ccedil;&atilde;o    (Figueira, 2001), iremos, neste contexto, dar conta, apenas, da rela&ccedil;&atilde;o,    ao n&iacute;vel das orienta&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas, entre    a concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e as diferentes dimens&otilde;es    da pr&aacute;tica educativa. Rela&ccedil;&atilde;o, em termos das suas eventuais    (ir)regularidades. </P >     <P align="center"    >RESULTADOS </P >     <P    >De facto, aquando da nossa an&aacute;lise interdimens&otilde;es, e sua evolu&ccedil;&atilde;o    ao longo da carreira, especificamente, a an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o    entre a orienta&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem    e a orienta&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica do processo nas suas diferentes    dimens&otilde;es, tendo em conta a amostra na sua totalidade, verificamos que    as rela&ccedil;&otilde;es de coer&ecirc;ncia entre a orienta&ccedil;&atilde;o    da concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e a orienta&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica do processo nas suas diferentes dimens&otilde;es s&atilde;o    t&eacute;nues, ao n&iacute;vel do Ensino Secund&aacute;rio, ou inexistentes,    ao n&iacute;vel do 3&ordm; Ciclo (Quadro 3). </P>     <P align="center"    >&nbsp;</P>     <P align="center"    >QUADRO 3</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"    ><i>Orienta&ccedil;&atilde;o da Concep&ccedil;&atilde;o e da Pr&aacute;tica (nas    diferentes dimens&otilde;es), para a totalidade da amostra, tendo em    conta o ciclo de lecciona&ccedil;&atilde;o e os anos de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o</i></P>     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a08q3.jpg" width="659" height="289"></P >        
<P    >&nbsp;</P >     <P    >De facto, muito embora, em termos gerais, a orienta&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o    do processo ensino-aprendizagem seja igual (tipo Racionalista), em ambos os    ciclos de lecciona&ccedil;&atilde;o, somente ao n&iacute;vel do Ensino Secund&aacute;rio    se registam rela&ccedil;&otilde;es de congru&ecirc;ncia com a orienta&ccedil;&atilde;o    das dimens&otilde;es da pr&aacute;tica e, apenas, com a componente Planifica&ccedil;&atilde;o    ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino ou prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino.  </P >       <P    >Se tivermos em considera&ccedil;&atilde;o o tempo de servi&ccedil;o na actividade docente, verificamos, igualmente, rela&ccedil;&otilde;es fr&aacute;geis entre a orienta&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e a orienta&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica do processo. Em qualquer dos subgrupos, em fun&ccedil;&atilde;o do tempo de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o, e nos dois ciclos de lecciona&ccedil;&atilde;o, registam-se, apenas, e de forma muito irregular, rela&ccedil;&otilde;es de coer&ecirc;ncia entre a orienta&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o e a orienta&ccedil;&atilde;o de uma ou duas componentes da pr&aacute;tica: </P >    <P    >-	professores Estagi&aacute;rios do 3&ordm; Ciclo: rela&ccedil;&atilde;o de coer&ecirc;ncia com a dimens&atilde;o Prepara&ccedil;&atilde;o ou planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino das actividades; </P >     <p>- professores Estagi&aacute;rios do Ensino Secund&aacute;rio: com as dimens&otilde;es    Prepara&ccedil;&atilde;o e Interac&ccedil;&atilde;o; </p>     <p>- professores em In&iacute;cio de Carreira do 3&ordm; Ciclo: com as dimens&otilde;es    Interac&ccedil;&atilde;o e Avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens dos Alunos;  </p>     <p>- professores em In&iacute;cio de Carreira do Ensino Secund&aacute;rio: com    as dimens&otilde;es Interac&ccedil;&atilde;o, Avalia&ccedil;&atilde;o e Recupera&ccedil;&atilde;o    das Dificuldades dos alunos; </p>     <p>- professores em Meio de Carreira do 3&ordm; Ciclo: com a dimens&atilde;o Prepara&ccedil;&atilde;o;  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- professores em Meio de Carreira do Ensino Secund&aacute;rio: com a dimens&atilde;o    Avalia&ccedil;&atilde;o dos Alunos; </p>     <p>- professores em Final de Carreira do 3&ordm; Ciclo: com as dimens&otilde;es    Prepara&ccedil;&atilde;o e Interac&ccedil;&atilde;o; e, </p>     <p>- professores em Final de Carreira do Ensino Secund&aacute;rio: com as dimens&otilde;es    Prepara&ccedil;&atilde;o e Interac&ccedil;&atilde;o, igualmente (Quadro 3).  </p>     <P    >Quando a nossa leitura tem em conta as diferentes disciplinas e ciclo de lecciona&ccedil;&atilde;o    dos sujeitos, e os anos de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o, verifica-se,    genericamente, pouca articula&ccedil;&atilde;o entre a orienta&ccedil;&atilde;o    da concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e a orienta&ccedil;&atilde;o    da pr&aacute;tica educativa, embora os professores de Ingl&ecirc;s se manifestem    um pouco mais coerentes que os colegas das restantes disciplinas de lecciona&ccedil;&atilde;o    (Quadro 4). </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >QUADRO 4</P >     <P align="center"    ><i>Orienta&ccedil;&atilde;o da Concep&ccedil;&atilde;o e da Pr&aacute;tica (nas    diferentes dimens&otilde;es), para a totalidade da amostra, tendo em    conta o ciclo de lecciona&ccedil;&atilde;o e os anos de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o</i></P >     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a08q4.jpg" width="668" height="879"></P >     
<P    >&nbsp;</P >     <P    >Constata-se, pois, a tend&ecirc;ncia para a diferen&ccedil;a inter e intragrupos    (Quadro 4): </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >&ndash; Os professores de Matem&aacute;tica revelam, genericamente, pouca congru&ecirc;ncia    entre a Concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e a pr&aacute;tica    educativa, nas suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es, em ambos os ciclos de    lecciona&ccedil;&atilde;o, especialmente, ao n&iacute;vel do 3&ordm; Ciclo.  </P >     <P    >Assim, enquanto no 3&ordm; Ciclo se registam, apenas, rela&ccedil;&otilde;es    coerentes entre a orienta&ccedil;&atilde;o da Concep&ccedil;&atilde;o do processo    ensino-aprendizagem e a componente Planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino    da pr&aacute;tica educativa (tipo Racionalista), no Ensino Secund&aacute;rio,    a rela&ccedil;&atilde;o de coer&ecirc;ncia estabelece-se, n&atilde;o s&oacute;,    entre a Concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e a componente    Planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o das da pr&aacute;tica,    mas estende-se, embora dividida com a orienta&ccedil;&atilde;o Positivista,    &agrave; dimens&atilde;o Interac&ccedil;&atilde;o (tipo Racionalista) (Quadro    4). </P >     <P    >Quando analisamos as respostas, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o tempo de    servi&ccedil;o na profiss&atilde;o, o dado mais saliente a referir &eacute;    que, em ambos os ciclos de lecciona&ccedil;&atilde;o, &eacute; o grupo dos professores    Estagi&aacute;rios o que manifesta menor coer&ecirc;ncia entre a Concep&ccedil;&atilde;o    do processo ensino-aprendizagem e a orienta&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica    educativa. A coer&ecirc;ncia &eacute; estabelecida, apenas, entre a Concep&ccedil;&atilde;o    e a dimens&atilde;o Planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o das    actividades (<a href="#q4">Quadro 4</a>). </P >     <P    >&ndash; Os professores de Portugu&ecirc;s, por seu turno, revelam completa incongru&ecirc;ncia,    ao n&iacute;vel do Ensino Secund&aacute;rio, entre a Concep&ccedil;&atilde;o    do processo ensino-aprendizagem e a pr&aacute;tica educativa, nas suas m&uacute;ltiplas    dimens&otilde;es (Quadro 4). </P >     <P    >No 3&ordm; Ciclo, a coer&ecirc;ncia ideol&oacute;gica revela-se entre a Concep&ccedil;&atilde;o    do processo ensino-aprendizagem e as dimens&otilde;es Planifica&ccedil;&atilde;o    ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino e Interac&ccedil;&atilde;o    (tipo Construtivista) (Quadro 4). </P >     <P    >Em termos dos subgrupos, em fun&ccedil;&atilde;o do tempo de servi&ccedil;o na    profiss&atilde;o, o grau de coer&ecirc;ncia &eacute; t&eacute;nue ou inexistente,    especialmente nos grupos dos professores Estagi&aacute;rios e em Final de Carreira,    a leccionar no 3&ordm; Ciclo (Quadro 4). </P >     <P    > - Os professores de Ingl&ecirc;s revelam, genericamente, e, igualmente, pouca    consist&ecirc;ncia entre a sua Concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem    e a orienta&ccedil;&atilde;o da sua pr&aacute;tica educativa, especialmente    o grupo que lecciona no 3&ordm; Ciclo (Quadro 4). </P >     <P    >Tal como acontece com os seus colegas de Matem&aacute;tica, os professores de    Ingl&ecirc;s a leccionar no 3&ordm; Ciclo manifestam coer&ecirc;ncia entre a    Concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem e, apenas, uma das dimens&otilde;es    da pr&aacute;tica educativa: a Planifica&ccedil;&atilde;o ou prepara&ccedil;&atilde;o    das actividades de ensino (tipo Construtivista) (Quadro 4). </P >     <P    >Apresentando um perfil diferente, mais coerente, os colegas a leccionar no Ensino    Secund&aacute;rio manifestam congru&ecirc;ncia entre a sua Concep&ccedil;&atilde;o    do processo ensino-aprendizagem e as dimens&otilde;es Interac&ccedil;&atilde;o,    Avalia&ccedil;&atilde;o dos Alunos (igualmente, tipo Construtivista), e, de    forma mais fr&aacute;gil, com a dimens&atilde;o Auto-Avalia&ccedil;&atilde;o    (tipo Construtivista/Ecl&eacute;ctica) (Quadro 4). </P >     <P    >Quando fazemos a an&aacute;lise, tendo em conta o percurso na carreira, vemos    perfis muito diferenciados, primando, no entanto, por fraca consist&ecirc;ncia    ideol&oacute;gica entre a Concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem    e as dimens&otilde;es da pr&aacute;tica educativa. &Eacute;, por&eacute;m, de    salientar a total incoer&ecirc;ncia manifesta pelo grupo dos professores em    Final de Carreira, a leccionar no Ensino Secund&aacute;rio, e o grupo em que    se vislumbra uma maior coer&ecirc;ncia: professores em Meio de Carreira a leccionar,    igualmente, no Ensino Secund&aacute;rio (Quadro 4). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Constat&aacute;mos que, genericamente e globalmente, os professores s&atilde;o    muito pouco coerentes, existindo pouca articula&ccedil;&atilde;o, em termos    ideol&oacute;gicos, entre a Concep&ccedil;&atilde;o do processo ensino-aprendizagem    e a orienta&ccedil;&atilde;o da Pr&aacute;tica educativa, nas diferentes disciplinas    e ciclos de lecciona&ccedil;&atilde;o, reflectida, igualmente, ao longo da carreira.  </P >     <P    >No entanto, sobressai, em termos globais, uma rela&ccedil;&atilde;o coerente    entre a Concep&ccedil;&atilde;o e o tipo de Prepara&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica    educativa, apresentando-se, ambas, Tradicionais (Quadro 5). </P >        <P align="center"    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >QUADRO 5 </P >     <P align="center"    ><I>Op&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica tendencial, endogrupo, tendo em conta    a totalidade da amostra </I></P >     <P align="center"    ><img src="/img/revistas/aps/v27n4/27n4a08q5.jpg" width="319" height="134"></P>     
<P    >&nbsp;</P >     <P    >Registam-se grandes irregularidades, fundamentalmente, ao n&iacute;vel dos professores    Estagi&aacute;rios, das diferentes disciplinas de lecciona&ccedil;&atilde;o.  </P >     <P    >Todavia, somos de salientar, ao n&iacute;vel das dimens&otilde;es da Pr&aacute;tica    educativa, grande const&acirc;ncia ideol&oacute;gica entre a Interac&ccedil;&atilde;o,    a Avalia&ccedil;&atilde;o dos Alunos e a Remedia&ccedil;&atilde;o das suas dificuldades    (tipo Positivista), especialmente dos professores do 3&ordm; Ciclo, sobretudo    nos professores Estagi&aacute;rios e em Meio de Carreira, existindo, no entanto,    varia&ccedil;&otilde;es em termos de disciplina de lecciona&ccedil;&atilde;o    (Quadro 5). De real&ccedil;ar a coincid&ecirc;ncia plena, entre as disciplinas    de lecciona&ccedil;&atilde;o, ao n&iacute;vel da Avalia&ccedil;&atilde;o dos    Alunos e Recupera&ccedil;&atilde;o das suas dificuldades. </P >     <P    >Regista-se, no entanto, grande desfasamento entre a forma como dizem Planificar    ou preparar as actividades e a forma como dizem Interagir junto dos alunos (Quadro5).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Ou seja, genericamente, existe pouca coer&ecirc;ncia entre a Concep&ccedil;&atilde;o    do processo ensino-aprendizagem e a ac&ccedil;&atilde;o educativa, e, igualmente,    entre a forma de planificar e a forma de agir junto dos alunos. Curiosamente,    &eacute; no grupo dos professores Estagi&aacute;rios que se verifica uma maior    discrep&acirc;ncia entre a Concep&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica, por&eacute;m,    mais congru&ecirc;ncia nas dimens&otilde;es interactivas. </P >       <P align="center"    >DISCUSS&Atilde;O </P >     <P    >Abstraindo-nos, agora, um pouco, das variabilidades grupais, em fun&ccedil;&atilde;o    da disciplina, ciclo e percurso profissional, e em rigor, no seu todo, os resultados    sugerem que as Pr&aacute;ticas educativas n&atilde;o reflectem, de todo, as    concep&ccedil;&otilde;es que os professores possuem sobre o processo ensino-aprendizagem,    contrariando, assim, investiga&ccedil;&otilde;es existentes (Figueira, 2001),    que sustentam que os pensamentos orientam a ac&ccedil;&atilde;o, que os professores    estruturam a sua actividade, fundamentalmente, em fun&ccedil;&atilde;o das    teorias pessoais que det&ecirc;m. De facto, v&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es    (Clark &amp; Peterson, 1986; Garc&iacute;a, 1988; Shavelson &amp; Stern, 1981)    sugerem uma rela&ccedil;&atilde;o circular e c&iacute;clica entre pensamento    e ac&ccedil;&atilde;o, reflectindo, assim, a pr&aacute;tica educativa as concep&ccedil;&otilde;es    do processo ensino-aprendizagem. As concep&ccedil;&otilde;es afectam as percep&ccedil;&otilde;es,    as interpreta&ccedil;&otilde;es e os julgamentos, tendo implica&ccedil;&otilde;es    importantes no como fazem e dizem os professores (Clark, 1988; Praia &amp; Cachapuz,    1998). </P >     <P    >Assim, segundo os resultados presentes, existe, para estes grupos de professores, por um lado, congru&ecirc;ncia entre a Concep&ccedil;&atilde;o e a orienta&ccedil;&atilde;o nas Prepara&ccedil;&otilde;es, que se revelam de forma Tradicional. Isto &eacute;, em termos de pensamento e pr&eacute;-ac&ccedil;&atilde;o existe, em termos gerais, uma total coer&ecirc;ncia, mas, por outro lado, as Concep&ccedil;&otilde;es sendo, tendencialmente, Tradicionalistas conduzem a Pr&aacute;ticas, especificamente a Interac&ccedil;&otilde;es, mais do tipo Positivista, embora, alguns professores j&aacute; ensaiem outro tipo de alternativas. </P >    <P    >De facto, este cen&aacute;rio Tradicionalista &eacute; muito caracter&iacute;stico nos professores de Matem&aacute;tica, pois os restantes professores, em especial os de Ingl&ecirc;s, j&aacute; manifestam outro tipo de Concep&ccedil;&atilde;o e de Pr&aacute;tica. </P >     <P    >Todavia, a orienta&ccedil;&atilde;o tendencial da Concep&ccedil;&atilde;o do    processo ensino-aprendizagem, por n&oacute;s encontrada, n&atilde;o parece afastar-se    dos resultados obtidos por outras investiga&ccedil;&otilde;es (Teixeira, 2001),    muito embora Brooks e Brooks (1993) refiram que muitos professores assumem e    aceitam, teoricamente, os princ&iacute;pios construtivistas. Para estes autores,    &ldquo;Os professores querem que os alunos assumam responsabilidade pela sua    aprendizagem, sejam pensadores aut&oacute;nomos, que desenvolvam compreens&otilde;es    integradas dos conceitos e que saibam questionar, reflectir, etc...&rdquo; (Brooks    &amp; Brooks, 1993, p. 13). </P >        <P    >No mesmo sentido, os resultados real&ccedil;am o desfasamento entre o que se      planifica realizar com os alunos e o que e como efectivamente se actualiza.      Melhor, verifica-se uma <I>d&eacute;calage </I>entre a orienta&ccedil;&atilde;o      das Prepara&ccedil;&otilde;es e a orienta&ccedil;&atilde;o das Interac&ccedil;&otilde;es.      Isto &eacute;, a nossa an&aacute;lise denuncia a exist&ecirc;ncia de discrep&acirc;ncias      entre a forma e os conte&uacute;dos da prepara&ccedil;&atilde;o e as metodologias      interactivas, entre a formula&ccedil;&atilde;o de inten&ccedil;&otilde;es      e a pr&aacute;tica propriamente dita. Resultados, igualmente, consonantes      com os obtidos por outros investigadores (Morine-Dershimer, 1976, 1988; Yinger      &amp; Hendricks-Lee, 1995; Shavelson &amp; Stern, 1981). </P >       <P    >Em rigor, embora alguns professores ensaiem Planifica&ccedil;&otilde;es ou prepara&ccedil;&otilde;es da actividades de ensino de outro tipo, globalmente, a tend&ecirc;ncia geral &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de Planifica&ccedil;&otilde;es Tradicionais, do tipo Racionalista, ou seja, prepara&ccedil;&otilde;es com recurso ao manual adoptado, aos livros de refer&ecirc;ncia, aos programas, em que &ldquo;A ordem de apresenta&ccedil;&atilde;o dos temas &eacute; aquela que vem no programa.&rdquo; (Joyce-Moniz, 1989, p. 5), com a reparti&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos tem&aacute;ticos em cada li&ccedil;&atilde;o. Prepara&ccedil;&otilde;es que enfatizam os conte&uacute;dos, e que se actualizam, em todas as dimens&otilde;es da pr&aacute;tica (Interac&ccedil;&atilde;o propriamente dita, Avalia&ccedil;&atilde;o dos alunos e Metodologias de Remedia&ccedil;&atilde;o/ /Recupera&ccedil;&atilde;o dos alunos), de forma Comportamentalista ou Tecnicista. </P >    <P    >De facto, verifica-se bastante consist&ecirc;ncia, ao n&iacute;vel espec&iacute;fico das metodologias de interac&ccedil;&atilde;o com os alunos, que, embora com variabilidades em fun&ccedil;&atilde;o da disciplina, do ciclo de lecciona&ccedil;&atilde;o e dos anos de servi&ccedil;o na profiss&atilde;o, se apresentam de forma Positivista. Todavia, este cen&aacute;rio &eacute; mais espec&iacute;fico dos professores de Matem&aacute;tica, pois os restantes professores j&aacute; tentam outros tipos interactivos. </P >       <P    >Os grupos de professores sob an&aacute;lise manifestam uma tend&ecirc;ncia, generalizada,      para um tipo pedag&oacute;gico transmissivo, primando pela transmiss&atilde;o      de conte&uacute;dos informativos, pela decomposi&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias      nos seus componentes ou unidades, por um trabalho de orienta&ccedil;&atilde;o      normativa. No mesmo sentido, relativamente &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o      dos alunos, existe uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o com os produtos vis&iacute;veis,      com as <I>performances</I>, baseada nos resultados aos testes, traduzida pelas      notas escolares. Quanto &agrave;s estrat&eacute;gias de Remedia&ccedil;&atilde;o/      /Recupera&ccedil;&atilde;o das dificuldades dos alunos, elas actualizam-se,      basicamente, num apoio acrescido individualizado, utilizando-se uma din&acirc;mica      semelhante &agrave; utilizada na aula &ldquo;regular&rdquo;. </P >        ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Todavia, como vimos, existe variabilidade em fun&ccedil;&atilde;o do ciclo, disciplina    de lecciona&ccedil;&atilde;o e experi&ecirc;ncia na profiss&atilde;o. Estes    resultados v&atilde;o no sentido dos resultados de investiga&ccedil;&otilde;es    de outros autores (Altet, 1988; Bru, 1992; Crahay, 1988) que registam variabilidade    (intra e interindividual) nos comportamentos interactivos dos professores, n&atilde;o    existindo, muito, um perfil estereotipado. Esta variabilidade verifica-se mais    quando existe variabilidade intersitua&ccedil;&otilde;es. Ou seja, a variabilidade    intersitua&ccedil;&otilde;es de um professor &eacute; mais not&oacute;ria do    que a variabilidade entre professores numa situa&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica    (Crahay, 1988), justificada por constrangimentos dos conte&uacute;dos. Bru (1992)    verifica e regista variabilidade intra e interindividual nas tipologias de ac&ccedil;&atilde;o    did&aacute;ctica (m&eacute;todos, estrat&eacute;gias, varia&ccedil;&atilde;o    nas condi&ccedil;&otilde;es de aprendizagem), variabilidade atribu&iacute;da    a caracter&iacute;sticas do meio, das situa&ccedil;&otilde;es, como as mat&eacute;rias,    os alunos, constrangimentos administrativos e organizacionais, etc. </P >     <P    >Por um lado, os resultados obtidos, concernentes &agrave;s prepara&ccedil;&otilde;es    das actividades de ensino-aprendizagem, s&atilde;o contr&aacute;rios aos relatados    por outros autores (Borko &amp; Shavelson, 1988; Clark &amp; Peterson, 1986;    Garc&iacute;a, 1988; Stern &amp; Shavelson, 1981), que apontam a planifica&ccedil;&atilde;o    ou prepara&ccedil;&atilde;o das actividades de ensino como tarefa indispens&aacute;vel,    instrumental entre o <I>curriculum </I>e a pr&aacute;tica propriamente dita,    como elemento orientador da ac&ccedil;&atilde;o, embora os professores, fundamentalmente    os mais experientes, n&atilde;o sigam um modelo muito racional e prescritivo    (Floden &amp; Klinzing, 1990). No caso presente, e genericamente, parece que    as prepara&ccedil;&otilde;es funcionam mais como um meio de decidir a instru&ccedil;&atilde;o    (por exemplo, aprender o material, os conte&uacute;dos, seleccionar e organizar    os materiais, organizar o tempo e o fluxo de actividades) (Clark &amp; Peterson,    1986), e para responder &agrave;s exig&ecirc;ncias administrativas (Clark &amp;    Peterson, 1986). </P >     <P    >Todavia, no que respeita &agrave; Pr&aacute;tica, a tend&ecirc;ncia geral das    orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas encontrada (tipo Positivista,    pouco Criativa), com a presente amostra, &eacute; pr&oacute;xima da observada,    e relatada, pela Inspec&ccedil;&atilde;o Geral de Educa&ccedil;&atilde;o (IGE,    2001). Este organismo denuncia a exist&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas educativas    tradicionais, quase generalizadas, em termos de disciplina e ciclo de lecciona&ccedil;&atilde;o.    Dos pontos fracos, que perpassam todas as disciplinas e todos os ciclos, ressaltam,    precisamente, pela aus&ecirc;ncia ou quase inexist&ecirc;ncia, a diferencia&ccedil;&atilde;o    de estrat&eacute;gias, a utiliza&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos de comunica&ccedil;&atilde;o    no processo de ensino-aprendizagem, nomeadamente a discuss&atilde;o e a escrita,    os trabalhos de pesquisa, as formas de avalia&ccedil;&atilde;o dos alunos, nomeadamente    a adequa&ccedil;&atilde;o da linguagem aos destinat&aacute;rios, a reflex&atilde;o    sobre os resultados de aprendizagem dos alunos, a verifica&ccedil;&atilde;o    das aprendizagens na pr&aacute;tica lectiva, a organiza&ccedil;&atilde;o de    estrat&eacute;gias de recupera&ccedil;&atilde;o individual dos alunos, a articula&ccedil;&atilde;o    do <I>curriculum</I>, a orienta&ccedil;&atilde;o educativa, auto-avalia&ccedil;&atilde;o    (IGE, 2001, pp. ii-iv), primando-se muito pela exposi&ccedil;&atilde;o (IGE,    2001, p. 30). </P >     <P    >De resto, j&aacute; Brooks e Brooks (1993) referem que os professores querem    que os alunos assumam responsabilidade pela sua aprendizagem, sejam pensadores    aut&oacute;nomos, que desenvolvam compreens&otilde;es integradas dos conceitos    e que saibam questionar, reflectir, etc., contudo, poucos s&atilde;o os que,    na pr&aacute;tica, conseguem actualizar estes t&oacute;picos e metodologias.    &Eacute; que &ldquo;A mudan&ccedil;a de paradigma est&aacute; muito dependente    das mem&oacute;rias dos professores, quer enquanto estudantes, quer enquanto    aprendizes de professor, quer enquanto mesmo professor, das suas cren&ccedil;as,    valores, vers&otilde;es privadas de verdade, de presente e de futuro (...)&rdquo;    (Brooks &amp; Brooks, 1993, p. 13). </P >     <P    >De facto, verifica-se, em termos de Pr&aacute;ticas, resist&ecirc;ncias dos professores &agrave; mudan&ccedil;a de paradigma (Brooks &amp; Brooks, 1993). Isto porque consideram, genericamente, que a forma como orientam as suas ac&ccedil;&otilde;es conduz a bons resultados, ou a resultados consonantes com os seus objectivos, isto &eacute;, t&ecirc;m percep&ccedil;&otilde;es positivas das suas op&ccedil;&otilde;es (Brooks &amp; Brooks, 1993). Parece que &ldquo;(...) os professores tendem a ensinar mais como foram ensinados do que como foram ensinados a ensinar&rdquo; (Fosnot, 1996, p. 294). </P >    <P    >Igualmente, N&oacute;voa (1992) refere que, por vezes, os profissionais de ensino s&atilde;o muito r&iacute;gidos, manifestando uma grande dificuldade em abandonar certas pr&aacute;ticas, nomeadamente, quando foram empregues com sucesso em momentos dif&iacute;ceis da sua vida profissional. </P >    <P    >Igualmente, N&oacute;voa considera que </P >    <P    >&ldquo;(...) simultaneamente, os professores s&atilde;o um grupo profissional particularmente sens&iacute;vel ao efeito de moda, o que levou certos pedagogos a criarem ortodoxias como defesa contra o abastardamento dos seus m&eacute;todos ou t&eacute;cnicas. Uma vez na pra&ccedil;a p&uacute;blica, as t&eacute;cnicas e os m&eacute;todos pedag&oacute;gicos s&atilde;o rapidamente assimilados, perdendo-se, de imediato, o controlo sobre a forma como s&atilde;o utilizados. As modas est&atilde;o, cada vez mais, presentes no terreno educativo, em grande parte, devido &agrave; impressionante circula&ccedil;&atilde;o de ideias no mundo actual.&rdquo; (1992, p. 17) </P >    <P    >embora n&atilde;o pare&ccedil;a ser o caso dos nossos resultados. </P >    <P    >Todavia, adverte, ainda, o autor que &ldquo;A ades&atilde;o pela moda &eacute; a pior maneira de enfrentar os debates educativos, porque representa uma &lsquo;fuga para a frente&rsquo;, uma op&ccedil;&atilde;o pregui&ccedil;osa que nos dispensa de tentar compreender. De todas as formas, n&atilde;o vale a pena grandes hesita&ccedil;&otilde;es, porque atr&aacute;s de uma moda outra vir&aacute;, uma altera&ccedil;&atilde;o &agrave; superf&iacute;cie para que nada mude em profundidade&rdquo; (N&oacute;voa, 1992, p. 17). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >De referir, tamb&eacute;m, relativamente &agrave; auto-reflex&atilde;o dos professores,    que esta, quando realizada (e, na generalidade, os professores dizem que o fazem),    o &eacute; de maneira muito vaga e geral (tipo Neutra), denotando-se dificuldades    na assun&ccedil;&atilde;o de uma ideologia orientadora neste processo. Subentende-se    que os seus conte&uacute;dos s&atilde;o marginais ao processo ensino-aprendizagem,    n&atilde;o se focalizando especificamente nem no papel do professor, nas suas    formas de ensinar, nem no programa, no seu (in)cumprimento, como sugere a perspectiva    Racionalista, nem se centrando numa perspectiva tecnicista, aportada no rendimento,    resultados, de cada aluno, caracter&iacute;sticas da orienta&ccedil;&atilde;o    Positivista, nem t&atilde;o pouco no autoconhecimento, nos interesses, motiva&ccedil;&otilde;es    e bem-estar dos alunos e nas virtuais circunst&acirc;ncias influenciadoras do    processo ensino-aprendizagem, aspectos salientados pela posi&ccedil;&atilde;o    Construtivista (Figueira, 2001). </P >       <P    >Ou seja, <I>grosso modo </I>e em termos gerais, regista-se consist&ecirc;ncia    entre a orienta&ccedil;&atilde;o do modo de pensar e a orienta&ccedil;&atilde;o    do modo de agir, em &ldquo;bastidores&rdquo; (Prepara&ccedil;&atilde;o), e,    igualmente, coer&ecirc;ncia nas orienta&ccedil;&otilde;es das dimens&otilde;es    da pr&aacute;tica directa com os alunos (interac&ccedil;&atilde;o propriamente    dita, avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens e remedia&ccedil;&atilde;o das    dificuldades dos alunos), havendo, todavia, incongru&ecirc;ncia entre a orienta&ccedil;&atilde;o    do pensamento e a ac&ccedil;&atilde;o propriamente dita, fazendo supor, n&atilde;o    que o pensamento orienta a ac&ccedil;&atilde;o, como consideram muitos autores,    mas que a ac&ccedil;&atilde;o condiciona, podendo constranger e fazer alterar,    o pr&oacute;prio pensamento. </P >     <P align="center"    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >REFER&Ecirc;NCIAS </P >     <P    >Abreu, M. V. (1996). <I>Pais, professores e psic&oacute;logos</I>. Coimbra: Coimbra Editora. </P >    <P    >Altet, M. (1988). Les styles d&rsquo;enseignement: Un instrument d&rsquo;analyse de la stabilite et de la variabilite des pratiques enseignantes, un outil de formation a l&rsquo;auto-analyse. <I>Les Sciences de l&rsquo;Education</I>, <I>4-5</I>, 65-94. </P >    <P    >Borko, H., &amp; Shavelson, R. J. (1988). Especulaciones sobre la formaci&oacute;n del profesorado: recomendaciones de la investigaci&oacute;n sobre procesos cognitivos de los professores. In L. M. Villar Angulo (Ed.), <I>Conocimiento, creencias y teor&iacute;as de los profesores. Implicaciones para el curr&iacute;culum y la formaci&oacute;n del profesorado </I>(cap. XIII, pp. 259-275). Alcoy: Editorial Marfil, SA. </P >    <P    >Brooks, J. G., &amp; Brooks, M. G. (1993). <I>The case for constructivist classrooms. In search of understanding</I>. Virginia: Association for Supervision and Curriculum Development. </P >    <P    >Bru, M. (1992). Variabilit&eacute; et vari&eacute;t&eacute; didactiques: Une nouvelle approche des conduites d&rsquo;enseignement. <I>Les Sciences de l&rsquo;Education</I>, <I>1-2</I>, 11-26. </P >    <P    >Canavarro, J. M. P. (1997). <I>Ci&ecirc;ncia, Escola e Sociedade. Concep&ccedil;&otilde;es de ci&ecirc;ncia de estudantes portugueses. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento. Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Clark, C. M. (1988). Asking the right questions about teacher preparation: Contributions    of research on teacher thinking. <I>Educational Researcher, 17</I>(2), 5-12.  </P >     <P    >Clark, C. M., &amp; Peterson, P. L. (1986). Teachers&rsquo; thought processes. In M. C. Wittrock (Ed.), <I>Handbook of research on teaching </I>(cap. 9, pp. 255-296). London: MacMillan Publishing Company. </P >    <P    >Clark, C. M., &amp; Peterson, P. L. (1990). Procesos de pensamiento de los docentes. In M. C. Wittrock (Ed.), <I>La investigaci&oacute;n de la ense&ntilde;anza. Profesores y alumnos </I>(1&ordf; ed., III, pp. 444-543). Barcelona: Ediciones Paid&oacute;s, Paid&oacute;s Educador. </P >    <P    >Clark, C., &amp; Yinger, R. J. (1979a). <I>Three studies of teacher planning </I>(Research Series n&ordm; 65). Michigan: Michigan State University, Institute for Research on Teaching. </P >    <P    >Clark, C., &amp; Yinger, R. J. (1979b). <I>The hidden word, Implications of research on teacher planning </I>(Research Series n&ordm; 77). Michigan: Michigan State University, Institute for Research on Teaching. </P >    <P    >Clark, C., &amp; Yinger, R. J. (1979c). Teacher&rsquo;s thinking. In P. Peterson, &amp; H. Walberg (Eds.), <I>Research on Teaching: Concepts, findings and implications </I>(pp. 231-263)<I>. </I>Berkeley: McCutchan. </P >     <P    >Conti, G. J. (1998). Identifying your teaching style. In M. W. Galbraith (Ed.),    <I>Adult Learning Methods. A guide for effective instruction </I>(2nd ed., cap.    4, pp. 73-90). Malabar, Florida: Krieger Publishing Company. </P >     <P    >Crahay, M. (1988). L&rsquo;analyse des processus d&rsquo;enseignement bilan des recherches men&eacute;es par le service de p&eacute;dagogie exp&eacute;rimentale de l&rsquo;Universit&eacute; de Li&egrave;ge. <I>Les Sciences de l&rsquo;Education, 4-5</I>, 95-116. </P >    <P    >Figueira, A. P. C. (2001). <I>Das epistemologias pessoais &agrave; epistemologia das pr&aacute;ticas educativas &ndash; Estudo numa amostra de professores dos 3&ordm; ciclo e do ensino secund&aacute;rio, das disciplinas de Portugu&ecirc;s, Matem&aacute;tica e L&iacute;ngua Estrangeira, do C. de Coimbra. </I>Tese de doutoramento, n&atilde;o publicada, apresentada &agrave; Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, da Universidade de Coimbra. </P >    <P    >Floden, R., &amp; Klinzing, H. G. (1990). What can research on teacher thinking contribute to teacher preparation? A second opinion. <I>Educational Researcher, 19</I>(4), 15-20. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Fosnot, C. T. (Ed.). (1996). <I>Construtivismo e educa&ccedil;&atilde;o. Teoria, perspectivas e pr&aacute;tica</I>. Instituto Piaget: Horizontes Pedag&oacute;gicos, 58. </P >     <P    >Garc&iacute;a, C. M. (1988). Pensamientos pedag&oacute;gicos y toma de decisions.    Un estudio sobre la planificaci&oacute;n de la ense&ntilde;anza y decisions    did&aacute;cticas de profesores de E.G.B.. In L. M. Villar Angulo (Ed.), <I>Conocimiento,    creencias y teor&iacute;as de los profesores. Implicaciones para el curr&iacute;culum    y la formaci&oacute;n del profesorado </I>(Cap. XIV, pp. 277-300). Alcoy: Editorial    Marfil, SA. </P >     <P    >IGE (2001). <I>Avalia&ccedil;&atilde;o integrada das escolas. S&iacute;ntese    dos resultados, ano lectivo 1999-2000</I>. Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o,    Inspec&ccedil;&atilde;o Geral de Educa&ccedil;&atilde;o. </P >     <P    >Joyce-Moniz, L. (1989). <I>Prefer&ecirc;ncias Metodol&oacute;gicas de candidatos a professores e professores do ensino b&aacute;sico</I>. <I>Dramatiza&ccedil;&atilde;o videogr&aacute;fica de processos positivistas, fenomenol&oacute;gicos e construtivistas, e dial&eacute;ctica de significa&ccedil;&otilde;es do ensino em professores, e candidatos a professores, do ensino b&aacute;sico</I>. Relat&oacute;rio do Projecto 15/89 do I.I.E, n&atilde;o publicado. Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional. </P >    <P    >Lester, P. E. (1987). Development and factor analysis of the teacher job satisfaction questionnaire (TJSQ). <I>Educational and Psychological Measurement, 47</I>, 223-233. </P >    <P    >Leyens, J-P. (1985). <I>Teorias da Personalidade na din&acirc;mica social</I>. Lisboa: Biblioteca Verbo, 1. </P >     <P    >Lowyck, J. (1986). Pensamiento del profesor: Una contribuci&oacute;n al an&aacute;lisis    de la compleijidad de la ense&ntilde;anza. In L. M. Villar Angulo (Ed.), <I>Pensamiento    de los profesores y toma de decisiones </I>(pp. 227-249). Actas de I Congreso    Internacional. Sevilla: S.P.U.S. </P >     <P    >Lowyck, J. (1988). Pensamientos y rutinas del profesor: &iquest;Una bifurcaci&oacute;n?    In L. M. Villar Angulo (Ed.), <I>Conocimiento, creencias y teor&iacute;as de    los profesores. Implicaciones para el curr&iacute;culum y la formaci&oacute;n    del profesorado </I>(cap. VI, pp. 121-134). Alcoy: Editorial Marfil, SA. </P >     <P    >Lowyck, J. (1990). Teacher thinking studies: Bridges between description, prescription and application. In C. Day, M. Pope, &amp; P. Denicolo (Eds.), <I>Insights into teachers&rsquo; thinking and practice </I>(cap. 6, pp. 85-103). London: The Falmer Press. </P >    <P    >Medley, D. M. (1982). Teacher effectiveness. In H. E. Mitzel (Ed.), <I>Encyclopedia of educational research </I>(5th ed., pp. 1894-1903). NY: Macmillan Publishing Co. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Medley, D. M. (1987). Evolution of research on teaching. In M. J. Dunkin (Ed.), <I>The international encyclopedia of teaching and teacher education </I>(1st ed., pp. 105-113)<I>. </I>Oxford: Pergamon Press. </P >    <P    >Morine-Dershimer, G. (1976). <I>A study of teacher planning</I>. San Francisco: Far West Laboratory, Beginning Teacher Evaluation Study. </P >    <P    >Morine-Dershimer, G. (1988). &iquest;Qu&eacute; podemos aprender del pensamiento? In L. M. Villar Angulo (Ed.), <I>Conocimiento, creencias y teor&iacute;as de los profesores. Implicaciones para el curr&iacute;culum y la formaci&oacute;n del profesorado </I>(cap. XI, pp. 225-237). Alcoy: Editorial Marfil, SA.. </P >    <P    >N&oacute;voa, A. (1992). Apresenta&ccedil;&atilde;o da obra. In A. N&oacute;voa (Org.), <I>Vidas de professores </I>(pp. 7-9). Porto: Porto Editora Lda., Colec&ccedil;&atilde;o Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >    <P    >Patr&iacute;cio, M. F. (1997). Contributos da investiga&ccedil;&atilde;o educacional para a qualidade da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica. In A. Estrela, R. Fernandes, F. A. Costa, I. Narciso, &amp; O. Val&eacute;rio (Orgs.), <I>Contributos da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica para a qualidade do ensino </I>(II Vol., pp. 553-556). Actas do III Congresso da Sociedade Portuguesa de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. Porto: Sociedade Portuguesa de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >    <!-- ref --><P    >Praia, J., &amp; Cachapuz, A. (1994). Para uma reflex&atilde;o em torno das concep&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas dos professores de Ci&ecirc;ncias do 3&ordm; Ciclo e Secund&aacute;rio: Um estudo emp&iacute;rico<I>. Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o, 7</I>(1 e 2), 37-47. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0870-8231200900040000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P    >Praia, J., &amp; Cachapuz, A. (1998). Concep&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas    dos professores portugueses sobre o trabalho experimental<I>. Revista Portuguesa    de Educa&ccedil;&atilde;o, 11(</I>1), 71-85. </P >    Shavelson, R. J., &amp; Stern, P. (1981). Research on teachers&rsquo; pedagogical  thoughts, judgments decisions and behavior. <I>Review of Educational Research,  51</I>(4), 455-498.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0870-8231200900040000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P    >Shulman, L. S. (1989). Paradigmas y programas de investigaci&oacute;n en el estudio de la ense&ntilde;anza: Una perspectiva contempor&aacute;nea. In M. C. Wittrock (Ed.), <I>La investigaci&oacute;n de la ense&ntilde;anza. Enfoques, teor&iacute;as y m&eacute;todos </I>(1&ordf; ed., I, pp. 9-94). Barcelona: Ediciones Paid&oacute;s, Paid&oacute;s Educador. </P >    <P    >Teixeira, J. T. da S. (2001). <I>Concep&ccedil;&otilde;es impl&iacute;citas dos Professores acerca do ensino, da aprendizagem e da ci&ecirc;ncia</I>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada. Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra. </P >    <P    >Vala, J. (1993). Representa&ccedil;&otilde;es sociais &ndash; Para uma psicologia social do pensamento social. In J. Vala &amp; M. B. Monteiro (Coords.), <I>Psicologia social </I>(cap. XIII, 353-384). Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, Servi&ccedil;o de Educa&ccedil;&atilde;o. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Villar Angulo, L. M. (1988a). Introducci&oacute;n. In L. M. Villar Angulo (Ed.), <I>Conocimiento, creencias y teor&iacute;as de los profesores. Implicaciones para el curr&iacute;culum y la formaci&oacute;n del profesorado </I>(pp. 11-20). Alcoy: Editorial Marfil, SA. </P >     <P    >Villar Angulo, L. M. (1988b). Evaluaci&oacute;n diagn&oacute;stica de los procesos    mentales de los profesores. In L. M. Villar Angulo (Ed.), <I>Conocimiento, creencias    y teor&iacute;as de los profesores. Implicaciones para el curr&iacute;culum    y la formaci&oacute;n del profesorado </I>(cap. X, pp. 197-224). Alcoy: Editorial    Marfil, SA. </P >       <P    >Yinger, R. J., &amp; Hendricks-Lee, M. S. (1995). Teacher planning. In L. W.    Anderson (Ed.), <I>International encyclopedia of teaching and teacher education    </I>(2nd ed., pp. 188-192). Oxford: Pergamom. </P >     <P    >Zabalza, M. A. (1994). <I>Di&aacute;rios de aula. Contributo para o estudo dos    dilemas pr&aacute;ticos dos professores</I>. Porto: Porto Editora, Colec&ccedil;&atilde;o    Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >     <P    >Zinn, L. M. (1998). Identifying your philosophical orientation. In M. W. Galbraith    (Ed.), <I>Adult learning methods. A guide for effective instruction </I>(2nd    ed., Cap. 3, pp. 37-72). Malabar, Florida: Krieger Publishing Company. </P >     <P align="center"    >&nbsp;</P >     <P align="center"    >NOTAS</P >     <P><a name="1"></a><Sup><a href="#top1">1</a></sup>Por oposi&ccedil;&atilde;o, ou confronto,    com as concep&ccedil;&otilde;es construtivistas-relacionais (Teixeira, 2001)    ou racionalistas-construtivistas ou, mesmo, racionalistas dial&eacute;cticas    (Praia &amp; Cachapuz, 1994, 1998). </P >     <P    ><a name="2"></a><Sup><a href="#top2">2</a></Sup>Todavia, somos    de alertar para o facto de n&oacute;s n&atilde;o utilizarmos as mesmas designa&ccedil;&otilde;es    que a maioria dos autores consultados. Para n&oacute;s, as concep&ccedil;&otilde;es    tradicionais ancoram-se nas ideologias racionalistas e n&atilde;o nas orienta&ccedil;&otilde;es    comportamentalistas ou positivistas. Admitimos e aceitamos, por&eacute;m, que    as concep&ccedil;&otilde;es construtivistas ou criativas podem radicar-se, igualmente,    nas perspectivas racionalistas e fenomenol&oacute;gicas (Figueira, 2001). </P >     <P    ><a name="3"></a><Sup><a href="#top3">3</a></Sup>De referir que, os professores, mesmo que pertencendo ao mesmo grupo    disciplinar e podendo leccionar quer a l&iacute;ngua materna, quer a l&iacute;ngua    estrangeira, no nosso estudo, participaram em termos de exclusividade. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><a name="4"></a><Sup><a href="#top4">4</a></Sup>N&iacute;veis e Intervalos considerados: Professor Estagi&aacute;rio    &ndash; [0 anos de servi&ccedil;o]; Professor em In&iacute;cio de Carreira [1-10    anos de servi&ccedil;o]; Professor em Meio de Carreira [11-24 anos de servi&ccedil;o];    Professor em Final Carreira [25-40 anos de servi&ccedil;o]. </P >     <P    ><a name="5"></a><Sup><a href="#top5">5</a></Sup>Enquadram-se nesta categoria as respostas mescladas, comp&oacute;sitas,    ou seja, que apontam para mais do que uma orienta&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica.  </P>     <P    ><a name="6"></a><Sup><a href="#top6">6</a></Sup>Nesta categoria, inscrevem-se    as respostas que n&atilde;o t&ecirc;m enquadramento em qualquer das orienta&ccedil;&otilde;es    previstas. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    ><a name="7"></a><Sup><a href="#top7">(*)</a></Sup> FPCE, Universidade de Coimbra,    Coimbra. </P >      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Praia]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cachapuz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Para uma reflexão em torno das concepções epistemológicas dos professores de Ciências do 3º Ciclo e Secundário: Um estudo empírico]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></source>
<year>1994</year>
<volume>7</volume>
<numero>1 e 2</numero>
<issue>1 e 2</issue>
<page-range>37-47</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Praia]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cachapuz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Concepções epistemológicas dos professores portugueses sobre o trabalho experimental]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></source>
<year>1998</year>
<volume>11</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>71-85</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
